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UNIVERSIDADE ESTADUAL DE MARINGÁ
CENTRO DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS
ESTUDO COMPORTAMENTAL, REPRODUTIVO E
MOLECULAR DE AVESTRUZ (Struthio camelus)
Autora: Denise Nunes Araujo
Orientador: Prof. Dr. Orlando Rus Barbosa
Co-Orientadora: Profª. Drª. Rejane Machado Cardoso
MARINGÁ
Estado do Paraná
Janeiro – 2009
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Livros Grátis
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Milhares de livros grátis para download.
UNIVERSIDADE ESTADUAL DE MARINGÁ
CENTRO DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS
ESTUDO COMPORTAMENTAL, REPRODUTIVO E
MOLECULAR DE AVESTRUZ (Struthio camelus)
Autora: Denise Nunes Araujo
Orientador: Prof. Dr. Orlando Rus Barbosa
Co-Orientadora: Profª. Drª. Rejane Machado Cardoso
Tese apresentada como parte das exigências
para obtenção do título de DOUTOR EM
ZOOTECNIA, no Programa de Pós-
Graduação em Zootecnia da Universidade
Estadual de Maringá – Área de Concentração
Produção Animal.
MARINGÁ
Estado do Paraná
Janeiro – 2009
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iii
"As pessoas que vencem neste mundo são as que procuram as circunstâncias de que
precisam e, quando não as encontram, as criam."
Bernard Shaw - Filósofo
iii
Ao meu filho, Maurício, que me ensinou o verdadeiro sentido do verbo AMAR.
Aos meus pais, por tudo o que fizeram e fazem por mim.
Ao meu namorado, Sérgio, pela paciência e compreensão
A minhas irmãs, Daniela e Letícia, pelo incentivo e amizade.
AGRADECIMENTOS
À Deus, por ter me concedido o dom da vida.
Ao Prof. Dr. Orlando Rus Barbosa, pela orientação, ensinamentos, estimulo e
amizade.
À Profª. Drª. Rejane Machado Cardoso, pela co-orientação, ensinamentos,
amizade e credibilidade em mim depositado.
À Universidade Estadual de Maringá, por possibilitar-me desenvolver este
trabalho.
À CAPES pela concessão da bolsa de pesquisa que possibilitou a condução do
experimento.
Aos meus pai, Herculano e Oliva, pelo incentivo e apoio.
Às minhas irmãs, Daniela e Letícia, pelo carinho e amizade.
Aos professores do Programa de pós-graduação em Zootecnia, pelos valiosos
ensinamentos.
À Profª. Drª. Eliane Gasparino, pelo auxílio na condução das análises, apoio e
amizade a mim concedido.
Ao Prof. Dr. Ricardo Pereira, pela disponibilidade do Laboratório de
Biotecnologia da Universidade Estadual de Maringá, que possibilitou a realização das
análises laboratoriais do presente estudo.
Ao Sítio Santo Antônio, especialmente ao Dr. Antônio Calvo, pela contribuição
e auxílio nos trabalhos realizados em sua propriedade, imprescindível na realização
desta pesquisa.
Aos funcionários do Sitio Santo Antônio, Néia, Maguila e Leandro, pelo auxílio
na condução do experimento,
v
Aos funcionários Célio, da Fazenda Experimental de Iguatemi - FEI, e Josimar,
da Estação de Piscicultura da Universidade Estadual de Maringá, CODAPAR, pela
atenção durante os trabalhos de campo.
Às minhas amigas, Janaína, Daniele Amaral, Daniely Blank, Débora Sommer
Marques, Carina Scherer, Marcela Matavelli, Ana Cláudia, Patrícia Gomes, Ítala e
Gislaine.
Ao meu amigo Marcelo Simões.
À todos que, direta ou indiretamente, contribuíram para a realização deste
trabalho.
BIOGRAFIA
Denise Nunes Araujo, filha de Herculano Volpato Araujo e Oliva de Oliveira
Nunes Araujo, nasceu em Nova Londrina, em 28 de agosto de 1979.
Em março de 1997, iniciou o Curso de Graduação em Zootecnia, na
Universidade Estadual de Maringá, concluindo-o em dezembro de 2001.
Em março de 2003, iniciou o Curso de Pós-Graduação em Zootecnia, Mestrado,
Área de Concentração em Produção Animal, na Universidade Estadual de Maringá,
desenvolvendo estudos na área de animais silvestres, concluindo-o em maio de 2005.
Em março de 2005, iniciou o Curso de Pós-Graduação em Zootecnia,
Doutorado, Área de Concentração em Produção Animal, na Universidade Estadual de
Maringá, desenvolvendo estudos na área de animais silvestres, comportamento animal e
biologia molecular.
ÍNDICE
Página
LISTA DE TABELAS.......................................................................................... ix
LISTA DE FIGURAS........................................................................................... x
RESUMO.............................................................................................................. xi
ABSTRACT.......................................................................................................... xiii
I – INTRODUÇÃO............................................................................................... 1
Introdução Geral............................................................................................... 1
1. Classificação e características da espécie..................................................... 3
2. Incubação artificial....................................................................................... 5
3. Comportamento animal................................................................................. 7
3.1 Comportamento reprodutivo e sistemas de acasalamento.......................... 9
3.2 Comportamento reprodutivo do avestruz................................................... 9
4. Extração do DNA e sua aplicação na Estrutiocultura................................... 10
Referência Bibliográfica................................................................................... 13
II – OBJETIVOS GERAIS................................................................................... 20
III Influência do ambiente na de incubação e qualidade de casca de ovos de
avestruzes (Struthio camelus)............................................................................... 21
Resumo............................................................................................................ 21
Abstract............................................................................................................ 22
Introdução........................................................................................................ 23
Material e Métodos.......................................................................................... 24
Resultados e Discussão.................................................................................... 26
Conclusões....................................................................................................... 31
Literatura Citada.............................................................................................. 31
IV – Aspectos Comportamentais e Reprodutivo de Avestruzes (Struthio
camelus)................................................................................................................ 35
Resumo............................................................................................................ 35
Abstract............................................................................................................ 36
Introdução........................................................................................................ 37
Material e Métodos.......................................................................................... 38
Resultados e Discussão.................................................................................... 39
Conclusões....................................................................................................... 45
Literatura Citada.......................................................................................... 46
V – Método alternativo de coleta e armazenamento de sangue para obtenção de 49
viii
DNA em avestruzes (Struthio camelus)................................................................
Resumo............................................................................................................ 49
Abstract............................................................................................................ 50
Introdução........................................................................................................ 51
Material e Métodos.......................................................................................... 52
Resultados e Discussão.................................................................................... 54
Conclusões....................................................................................................... 59
Literatura Citada.............................................................................................. 59
VI – CONCLUSÕES GERAIS............................................................................. 61
ix
LISTA DE TABELAS
Página
III Influência do ambiente na de incubação e qualidade de casca
de ovos de avestruzes (Struthio camelus)................................. 21
Tabela 1 Influência das condições do ninho sobre os índices da
incubação dos ovos de avestruzes (Struthio
camelus).................................................................................... 26
Tabela 2 Valores médios da temperatura do ar e peso dos ovos de
avestruzes (Struthio camelus)................................................... 27
Tabela 3 Valores médios da espessura da casca, matéria mineral e
porcentagem de cálcio de ovos de avestruzes (Struthio
camelus).................................................................................... 28
Tabela 4 Média observada e estimada, distribuição de probabilidade e
intervalo de confiança do parâmetro número de poros dos
ovos de avestruzes (Struthio
camelus).................................................................................... 29
IV Aspectos Comportamentais e Reprodutivo de Avestruzes
(Struthio camelus).................................................. 35
Tabela 1 Média dos valores percentuais e transformados (Arcsen
X%) das freqüências dos comportamentos observados
durante o período das 9:00 até as 18:00
horas....................................... 40
V Método alternativo de coleta e armazenamento de sangue
para obtenção de DNA em avestruzes (Struthio camelus)........ 49
Tabela 1 Seqüência dos primers do hormônio do crescimento (GH)
desenhados de acordo com a seqüência do gene GH em
bovinos...................................................................................... 54
Tabela 2 Médias das variáveis: comprimento de onda 260nm e 280nm,
razão (A
260
/A
280
) e concentração de DNA (ng/μL) em função
do período de armazenamento.................................................. 56
x
LISTA DE FIGURAS
Página
I Introdução Geral........................................................................ 01
Figura 1 Principais ratitas criadas comercialmente: Avestruz (Struthio
camelus), Ema (Rhea americana) e Emú (Dromaius
novaehollandiae)........................................................................ 02
IV Aspectos Comportamentais e Reprodutivo de Avestruzes
(Struthio camelus)..................................................................... 35
Figura 1 Relação entre os comportamento pastando e em
ereto/parado durante o período das 9:00 às 18:00.................... 41
Figura 2 Relação entre os comportamento comendo ração e deitado
durante o período das 9:00 às 18:00.......................................... 42
Figura 3 Relação entre os comportamento correndo/caminhando e
rodopiando/fugindo durante o período das 9:00 às
18:00.......................................................................................... 44
V Método alternativo de coleta e armazenamento de sangue para
obtenção de DNA em avestruzes (Struthio camelus)................ 49
Figura 1
Concentração de DNA (ng/μL) e razão DNA/proteína
(A
260
/A
280
), no sangue de avestruzes (Struthio
camelus).................... 55
Figura 2 Eletroforese em gel de agarose (0,8%) contendo amostras de
DNA genômico nos períodos de armazenamento..................... 56
Figura 3 Eletroforese em gel de agarose 1,5% das amplificação com o
primer GHbovino....................................................................... 58
RESUMO
No presente estudo objetivou-se avaliar o efeito do clima sobre os índices reprodutivos
e o comportamento, e ainda avaliar métodos alternativos de coleta e estocagem de
amostras de DNA genômico de avestruzes (Struthio camelus). Foram coletados 300
ovos de avestruzes no período de julho a outubro de 2007 e anotadas as condições do
ninho no momento da coleta. Ao total, 31 matrizes realizaram postura, com média de 11
ovos postos/matriz e variação de 1 a 25 ovos postos/matriz durante todo o período. O
perfil de incubação para ovos de avestruzes coletados em ninhos secos ou úmidos
foram, respectivamente, 66,0 e 54,5 para ovos férteis, 45,0 e 54,5% para ovos eclodidos,
20,5 e 18,2% para ovos inférteis, 21,0 e 0% para mortalidade embrionária total, 13,5 e
27,3% para ovos contaminados. As médias da temperatura do ar foram de 29 e 25ºC, e
peso dos ovos foram de 1,298 e 1,276 kg para ninho seco e úmido, respectivamente. Os
valores obtidos para qualidade da casca de ovos de avestruzes foram de 1,84 mm para
espessura média, 93% para matéria mineral, 23% para concentração de cálcio e de
12,79 poros/cm
2
para número de poros. Os índices reprodutivos aumentaram durante o
período de observações, porém não atingiram seu pico considerando que as matrizes
ainda não haviam atingido seu pico reprodutivo. À medida que a temperatura aumentou,
também aumentou o índice de postura das matrizes. Para avaliação do comportamento,
os casais de avestruzes foram mantidos em piquetes em um criatório comercial e
observados durante os meses de maio de 2007 a janeiro de 2008. O método utilizado
para medir o comportamento foi o scan por um período de 9 horas consecutivas, com
intervalos de 5 minutos. Os comportamentos mais freqüentes foram o pastando e em
pé/parado, seguidos de correndo/caminhando e ropiando/fugindo, comendo ração e
deitado. O comportamento pastando teve sua maior freqüência (43%) no fim do dia,
enquanto comendo ração aumentou gradativamente até atingir o seu pico ao entardecer
(9%), apesar da ração ser fornecida no período da manhã. Os comportamentos que
apresentaram maior freqüência, em ordem decrescente, foram Pastando e Em pé/parado
(43%), Correndo/caminhando (34%), Comendo ração (9%), Deitado (7%) e
Rodopiando/fugindo (2%). Os animais diminuíram suas atividades nas horas mais
quente do dia, permanecendo mais ativos ao amanhecer e entardecer. Também foram
coletadas amostras de sangue de avestruzes (Struthio camelus) em papéis tipo filtro e
armazenadas a temperatura ambiente. As extrações de DNA foram realizadas após 24
horas da coleta e em intervalos de 7 dias, utilizando-se o protocolo com CTAB. Foram
realizadas leituras de absorbâncias no comprimento de onda de 260 e 280 nanômetros,
para determinar o grau de pureza (A
260nm
/A
280nm
) e a concentração de DNA. As
xii
amplificações foram realizadas utilizando primers para o gene do hormônio do
crescimento de bovino (GHbovino). As leituras A
260
, A
280
e concentração de DNA
diminuíram no decorrer do período, e a razão A
260
/A
280
aumentou. Todas as amostras
apresentaram DNA genômico íntegro e com amplificações positivas, concluindo-se
portanto, que o método testado pode ser utilizado em processos moleculares de maneira
eficiente.
Palavras-chaves: avestruz, comportamento, extração de DNA, incubação
artificial, variáveis climáticas.
ABSTRACT
The aim of this study was to assess climate effect towards reproductive indexes and
behavior, in despite of to evaluate alternative methods of collecting and storage genomic
DNA of Ostrich (Struthio camelus). It was collected 300 Ostrich’s eggs between
July/2007 and October/2007 and its nets’ conditions documented at the moment of each
collection. Totaling 31 females were in laying season, with the average of 11 eggs
layed/female and its variation ranging from 1 to 25 eggs layed/female during this
timeframe. Incubation’s profile to the Ostrich’s eggs collected in dry or wet nests were,
respectively, 66.00 and 54.5 for fertile eggs; 45.0 and 54.5% for hatched eggs; 20.5 and
18.2% for infertile eggs; 21.0 and 0% to the total embryonary mortality; 13,5 and 27,3%
to contaminated eggs. Weather averages were between 29ºC and 25ºC, and egg’s weight
were 1.298 and 1.276 kg to dry and wet nests, respectively. Numbers achieved of the
quality to Ostrich’s eggs peel were 1.84 mm for the average thickness, 93% for mineral
material, 23% to calcium concentrate and 12.79 poros/cm porous number.
Reproductive’s rates increased during the observation period, however did not achieve
its peak considering that the females had not yet achieved its reproductive peak. As the
temperature increased, the females indexes of laying increased. To assess the behavior,
Ostrich pairs were kept on a commercial farm and observed during may/2007 to
january/2008. The method used to assess the behavior was the “scan” during 9 hours, in
intervals of 5 minutes. The most frequent behaviors were grazing and standing/stopped,
followed by running/walking and escaping, feeding on concentrate food and lay down.
Grazing has higher frequency (43%) at end of the day, and feeding on concentrate food
increase till reach the most higher frequency (9%), in despite of concentrate ration being
delivered during the morning. Both feeding and grazing combined took up over 50% of
the time and running about 40%. Behaviors whom shown major frequency, in decrease
order, were Grazing and Standing/stopped (43%), Running/walking (34%), feeding on
concentrate food (9%), Lay down (7%) and Escaping (2%). Animals demonstrated
being less actives during hot periods in the day, increasing their activities at dusk. Also
were collected blood samples of ostriches (Struthio camelus) in filter papers and stored
at room temperature. DNA extractions were made 24 hours after collected and each
seven days period using CTAB protocol. Absorbance lectures were made at 260 and 280
nm and determined the degree of purity (A
260nm
/A
280nm
) and DNA concentration.
Amplifications were made, using primers to bovine growth hormone gene (GHbovine).
The lectures A
260
, A
280
and DNA concentration decrease during the period, and ratio
xiv
A
260
/A
280
increase. All samples shown genomic DNA and positive amplicons, so we
conclude that method tested could be used in molecular process as an efficient way.
Key-words: artificial incubation, behavior, climate variables, DNA extraction, ostrich.
INTRODUÇÃO GERAL
As ratitas são aves corredoras que apresentam características anatômicas e
fisiológicas que as diferenciam das aves carinatas (aves que voam), ou seja, são
incapazes de voar, não possuem musculatura no peito para vôo e nem quilha sobre o
osso esterno (Sick, 1997), e tampouco possuem ossos pneumáticos. As asas são
rudimentares e apresentam dedos vestigiais (Anderloni, 1998; Buxade, 1999).
Dentre as ratitas, as espécies mais exploradas comercialmente são: Avestruz
(Struthio camelus), Emú (Dromaius novaehollandiae) e Ema (Rhea americana)
(Giannoni, 1999). Populações selvagens de ratitas tem sido detrimentalmente afetadas
por atividades humanas (Burcher & Nores, 1988; Carman, 1988; Martella et al., 2000).
A partir dos anos 90, o número de fazendas de ratitas apresentou um crescimento
acelerado em países como EUA, Canadá e alguns países da Europa (Chapman & Bass,
1994; Deeming & Angel, 1996; Carbajo et al., 1997; Castelló, 1998; Dey, 1998;
Gillespie & Schupp, 1998). Esta atividade também apresentou destaque em países como
Argentina, Uruguai e Brasil (Giannoni, 1996; Navarro, 1999; AUCRIÑA, 2000).
À medida que a indústria de ratitas, especialmente do avestruz, expande-se por
todo o mundo, os problemas como alto custo de investimento com infra-estrutura,
rebanho, alimentação e mão-de-obra tornaram-se aparentes. Convém destacar que os
avestruzes são aves exóticas, exigindo elevado custo com quarentena, documentação e
transporte. No Brasil, a ema por ser uma ave nativa, os custos com a formação do
plantel são menores, por não dependerem de importação, porém, o pequeno número de
produtores de matrizes dificulta o início da criação (Giannoni, 1998). A criação
comercial de ema é uma alternativa de diversificação e/ou integração de sistemas
produtivos dentro da propriedade, respeitando-se os conceitos de produção
2
economicamente viável e ecologicamente sustentável. Para se obter sucesso na criação
de emas, é importante que o criador conte com respaldo técnico-científico nas áreas de
nutrição, reprodução, genética, sanidade, ambiência, etologia e manejo, denominados
fatores produtivos, os quais fornecem subsídios para melhorar os desempenhos
reprodutivo e produtivo dos sistemas de criação (Morata et al., 2006).
Ema (Rhea americana)
Avestruz (Struthio camelus)
Emú (Dromaius novaehollandiae )
Figura 1. Principais ratitas criadas comercialmente:
Avestruz (Struthio camelus), Ema (Rhea
americana) e Emú (Dromaius novaehollandiae).
Fonte: Google.
No Brasil, em um passado não muito distante, o mercado mais favorável era o
comércio de reprodutores de avestruz, contudo, nos últimos tempos, a indústria está
atingindo um patamar em que o aumento da disponibilidade de aves resultou em um
decréscimo no preço destes animais, criando um mercado para o abate, necessário para
o amadurecimento da indústria. Atualmente, os principais produtos da indústria de
3
ratitas são a carne, o couro e as plumas (Toledo & Tavares, 2003). Todavia, para ser
considerado um animal economicamente viável, é preciso caracterizar os rendimentos
de seus produtos, como carne magra, gordura e ossos (Sales et al., 1997). Além disso, a
carne de ratitas não possui oferta constante e sobretudo tem que competir com a carne
de bovinos, aves, suínos para aceitação do consumidor. É muito importante pesquisar as
opções de mercado e considerar tais fatores como a estabilidade, custo de produção
incluindo ambos os custos fixos e variáveis, e regulamentações estaduais e federais.
A criação de emas e avestruzes de maneira racional poderia aumentar as opções
da avicultura brasileira e a produção alternativa de proteína animal; a evolução no
desempenho zootécnico verificado em aves totalmente domesticadas, como a galinha
por exemplo, indica que se partiu de índices produtivos semelhantes ao observados
ainda na condição selvagem da ave e, por meio da atuação multidisciplinar das
diferentes áreas da zootecnia e veterinária, concentrou-se esforços numa única direção,
tornando a atividade economicamente viável (Peixoto, 2002).
1. Classificação e características da espécie
O avestruz (Struthio camelus Linnaeus, 1758), pertence ao grupo das ratitas,
ordem Struthioniformes (Cooper et al., 1992). Dentro da família Struthionidae são
descritas seis subespécies de avestruzes, porém apenas quatro delas existem na
atualidade. As subespécies se distinguem por características fenotípicas dos indivíduos
adultos como tamanho corporal, coloração da pele, tamanho e porosidade do ovo,
presença ou ausência de uma área desnuda na cabeça, e uma banda de plumas brancas
ao redor do colo (Buxade, 1999; Bezuidenhout, 1999). As subespécies existentes de
Struthio camelus são as seguintes: Struthio camelus australis, Gurney; Struthio camelus
camelus, Linnaeus; Struthio camelus massaicus, Neumann e Struthio camelus
molybdophanes, Reichenow. Utiliza-se Struthio camelus domesticus para referir-se aos
animais que são explorados para produção e que têm sido domesticados (Giannoni,
1996).
A criação comercial de avestruzes é denominada Estrutiocultura, proveniente do
seu nome de origem Struthio camelus. No meio comercial, o avestruz está classificado
em três raças: Red Neck, Blue Neck e African Black. Este último originário do
cruzamento de três subespécies (australis, camelus e syriacus). Esta classificação das
raças se baseia na coloração da pele dos animais adultos, pois todos apresentam a
mesma coloração de plumas. No âmbito mundial, o líder indiscutível no setor de
4
estrutiocultura é a África do Sul, com cerca de 80% da produção mundial (Van Zyl,
1999).
O avestruz é a maior ave viva não voadora no mundo, pois um animal macho
adulto pesa entre 100 a 130 kg, e a fêmea de 90 a 110 kg (Dunning, 1993). São bem
adaptados a vida no deserto e em regiões áridas, sendo que aparentam não ser
dependentes de água, mas em cativeiro bebem água freqüentemente. São mais ativos no
início da manhã e no fim da tarde, entretanto são muito tolerantes ao calor e raramente
procuram sombra. Sua temperatura corporal pode aumentar apreciavelmente durante a
exposição ao sol sem demonstrarem aparente calor, uma adaptação fisiológica adquirida
(Ullrey & Allen, 1996).
O macho quando adulto é maior que a fêmea e tem plumagem diferenciada, com
plumas pretas pelo corpo e brancas nas pontas das asas e cauda. A fêmea possui
plumagem acinzentada ou amarronzada. O dismorfismo sexual torna-se evidente dos
seis aos 10 meses de idade. Atingem a maturidade sexual dos dois aos quatro anos de
vida, observando vários fatores que afetam a maturidade, tais como: subespécie,
estação, condição nutricional, condições ambientais e instalações. São aves dependentes
do fotoperíodo, entrando na estação de reprodução durante períodos de aumento de luz.
No hemisfério norte, o início do acasalamento se dá em março e termina entre agosto e
setembro (Leuthold, 1977), e no hemisfério sul, começa entre julho e agosto e finaliza
em março (Jarvis et al., 1985). Segundo Tully & Shane (1996), iniciam a reprodução em
maio até setembro nos EUA. Em média, o período de acasalamento varia de seis a oito
meses no ano, sendo dependente da latitude e altitude (Shanawany, 1988).
Os ovos do avestruz pesam em média 1.500g (variação de 1.300 a 1.900), e o peso
da casca corresponde a 20% do peso do ovo. A casca do ovo é composta principalmente
por carbonato de cálcio e as concentrações de cálcio ficam por volta de 40% (Ullrey &
Allen, 1996). Os machos, no período reprodutivo, são mais agressivos, apresentando as
plumas mais brilhantes e com a canela de cor avermelhada. Realizam um cortejo típico
e assentam-se no solo na presença da fêmea, ou mesmo do tratador ou de visitantes
(Souza, 2004). As fêmeas adultas iniciam a postura por volta dos 2 aos 3 anos de idade
e permanecem férteis por cerca de 40 anos; durante este período, a produção anual varia
de 20 a 70 ovos (Cooper, 2001).
Para ganhar competitividade na arena da agricultura comercial, a indústria do
avestruz deve focar no aumento da sobrevivência dos filhotes, maximizando o
5
crescimento e reduzindo custos associados à alimentação (Giannoni, 2000). Os fatores
que afetam o crescimento em avestruzes são similares aqueles que afetam outras
espécies de aves e incluem a dieta, ambiente de criação, potencial genético, manejo e
“status” sanitário. Porém, a influência do ambiente de criação sobre o crescimento de
avestruzes ainda não está documentado ainda. Atualmente, os avestruzes são criados
sobre uma variação grande de densidades de estocagem, variando entre 16 a 40 m
2
/ave
(Verwoed et al., 1999). Em outras espécies de aves, a quantidade de espaço disponível
altera o comportamento (Lewis & Hurnick, 1990; Andrews et al., 1997; Carmichael et
al., 1999) e influencia a saúde e a performance individual do animal (Proudfoot et al.,
1979; Shanawany, 1988). Pesquisas focadas em espaço adequado podem levar a
alterações de manejo que podem diminuir o estresse e subseqüentemente levar ao
aumento da sobrevivência e crescimento dos avestruzes (Neri, 2007).
Segundo Cooper (2001), os maiores obstáculos da estrutiocultura são ovos
inférteis, mortalidade embrionária e deformidades nas patas após o nascimento e,
portanto, a seleção de reprodutores e nutrição adequada são vitais para garantir um bom
desempenho de produção de ovos, embrionário e dos filhotes. Van Schalkwyk et al
(1996) demonstraram correlação fenotípica entre à produção total de ovos e a produção
de ovos eclodidos, com valores para produção de ovos (r
2
= 0,81), eclodibilidade (r
2
=
0,73), mortes embrionárias ( r
2
= -0,21) e infertilidade (r
2
= -0,58).
2. Incubação artificial
O embrião nas fases iniciais do desenvolvimento age como um organismo de
sangue frio (poiquilotermo), sofrendo influência direta da temperatura do meio
ambiente. Segundo Drent (1975), para a maioria das aves, a temperatura para o início do
desenvolvimento embrionário encontra-se por volta de 25-27°C. Gonzales & Cesario
(2003) indicam que temperaturas abaixo de 24°C paralisam o desenvolvimento
embrionário das aves e, dessa forma, é denominada de zero fisiológico. Contudo, de
acordo com Horbanczuk (2002), o “zero fisiológico” para o avestruz é 21ºC.
O armazenamento de ovos para posterior incubação deve ser em ambientes com
temperaturas inferiores ao zero fisiológico para assegurar a parada completa do
desenvolvimento embrionário até o momento do início da incubação. Essa prática
permite que se obtenha nascimentos mais uniformes, uma vez que assegura a incubação
de ovos com desenvolvimento embrionário similares. Nesse período, para conservar a
6
integridade do embrião, é importante manter a umidade relativa, a ventilação adequada
e a temperatura (Nilipour et al., 1995).
O manejo dos ovos de ratitas é peça fundamental para uma incubação com
resultados satisfatórios desde a coleta até a chegada ao incubatório. Segundo Dani
(1993), são necessários cuidados básicos durante a coleta, como utilização de sacos
plásticos descartáveis, coletar o ovo com rapidez, transporte adequado em caixas
revestidas com isopor e em condições de temperatura não muito elevadas.
Muitos fatores além do armazenamento e das condições de incubação, afetam a
eclodibilidade, dentre eles a seleção da fêmea e do macho reprodutor, nutrição do
plantel reprodutor, doenças de transmissão vertical ou que indiretamente afetam a
qualidade do ovo (porosidade da casca, forma do ovo), idade das matrizes e
porcentagem de postura (Decuypere et al., 2003). Narushin & Romanov (2002)
demonstraram que a porosidade e a espessura da casca são os fatores de maior
influência sobre o desenvolvimento embrionário, e ovos com maior espessura de casca
tiveram melhores índices na incubação. Condições ambientais antes e durante a
incubação incluindo o tempo de estocagem, temperatura, umidade, níveis de CO
2
e a
orientação dos ovos influenciam a eclodibilidade de ovos de avestruz (Meijerhof, 1992;
Mellet, 1993). Já o tempo de incubação sofre influencia de diversos fatores como a
temperatura e a umidade usada no processo (Flôres, 2004). Temperatura acima do ideal
encurta o tempo de incubação, enquanto a temperatura abaixo do ideal estende tal
período (Souza, 2004). A temperatura é o fator ambiental mais importante e crítico que
afeta diretamente a eclodibilidade (Decuypere et al., 2003). Barott (1937) sugeriu que a
variação na temperatura não deve ser superior a ± 0,3ºC, determinando assim os limites
superior e inferior da temperatura de incubação. Uma questão a ser considerada é que o
padrão de crescimento dos órgãos, bem como dos sistemas funcionais, não são idênticos
durante o desenvolvimento embrionário. Isso implica que variações na temperatura e na
velocidade do desenvolvimento embrionário, que são limitados pelo tempo, não alteram
a eclodibilidade, mas podem afetar o crescimento proporcional e/ou os processos
funcionais do embrião e das aves adultas em uma via diferencial, dependendo do
período no qual a variação de temperatura é aplicada (Decuypere et al., 2003).
A tolerância para variações de temperatura a partir da temperatura padrão
(36,5°C) para avestruzes e emas, segundo Tully & Shane (1996) está diretamente
relacionada com a duração da exposição, sendo menor a tolerância para temperaturas
acima do que abaixo desta. Entretanto, a umidade relativa do ar (URA) pode variar
7
muito mais quando comparada às variações da temperatura. Um ovo poderá perder entre
11 a 13% de água durante a incubação, e caso a umidade (URA) no interior da
incubadora seja muito baixa, ocorrerá perda excessiva ou atraso na eclosão e redução na
eclodibilidade. Já umidade relativa muito alta, os embriões eclodem precocemente,
molhados e pegajosos, ou até mesmo sem atingir seu desenvolvimento completo
(Decuypere et al., 2003).
A redução da temperatura de incubação durante os últimos dias é uma prática
comum, o que pode aumentar a eclodibilidade, pois sabe-se que a produção de calor do
embrião aumenta a temperatura do ovo em aproximadamente dois graus acima da
incubadora (Romijn & Lokhorst, 1960). De acordo com Giannoni (2000), os ovos de
ema são menos susceptíveis às infecções do que os ovos de avestruz pois sua
porosidade é menor; ainda, a espessura da casca e tamanho também permitem maior
umidade relativa do ar (URA) na incubação em relação ao avestruz.
Foggin & Honywill (1992), indicaram bons resultados incubação de produtores de
avestruzes no Zimbabwe com temperatura de 36 a 36,5°C e umidade relativa de 20 a
30%. Philbey et al. (1991), demonstraram que a eclodibilidade aumentou na incubação
de ovos de 20 a 40% de umidade relativa. A temperatura da incubadora foi baseada em
medidas naturais realizadas no ambiente do ninho, variando de 32,9 a 37,1°C, e a média
da temperatura do ar de 36,1°C (Swart et al., 1987).
Observações feitas por Sick (1997) determinaram um período de variação no
período de incubação natural grande, de 27 a 42 dias para ovos de emas, sendo estas
diferenças devidas ao sincronismo na eclosão dos ovos, provocado pela vocalização
emitida pelos embriões prontos pra sair de dentro deles. Conforme Huchzermeyer
(2000), na natureza o comportamento de vocalização serve para sincronizar o
nascimento, pois na incubação artificial o barulho mecânico da incubadora pode
impedir que tais sinais sejam transmitidos ou ouvidos, o que poderá levar a necessidade
de auxílio no processo de nascimento. Di Campos et al. (2005), sugeriram que o
nascimento deve ocorrer o mais naturalmente possível,que durante este processo, o
filhote absorve o saco vitelíneo para o interior do abdomen.
3. Comportamento animal
As técnicas de criação como um processo de adaptação a uma condição artificial
(cativeiro), implica muitas vezes em negligência às necessidades básicas dos animais e
desconsideração do repertório comportamental dos mesmos (Peixoto, 2002). A
8
preocupação com o bem-estar animal abriu novas linhas de estudo que levaram a
obtenção de conhecimentos mais profundos sobre os mesmos, com pesquisas que
podem fazer muita diferença no processo produtivo (Tholon, 2002). Levando-se em
consideração que a adaptação ao cativeiro é uma condição para a produção em escala de
produtos e sub-produtos de origem animal, pode levar os animais a situação de
desconforto, induzindo-os ao estresse, com demonstrações comportamentais medo e/ou
agressão (Peixoto, 2002). O fato dos animais em cativeiro serem mantidos em grupos
maiores quando em situação de natureza, os induzem a um excesso de interações sociais
(Francois et al., 1998).
Paranhos da Costa & Cromberg (2001) citaram que os animais possuem sistemas
funcionais de controle que atuam na manutenção do equilíbrio do organismo, mantendo
estável, a temperatura corporal, o balanço hídrico e as interações sociais; as constantes
estimulações do meio agindo sobre os animais acionam esses sistemas, levando-os a
buscar os recursos e os estímulos necessários para a manutenção do seu controle.
Tholon (2002) afirmou que pouco se sabe sobre o comportamento reprodutivo dos
animais e de como este é afetado pelas condições de estresse a que as aves são
submetidas em cativeiro. Obtenção de dados coletados na natureza devem ser visto com
cuidado, pois podem ser erroneamente interpretados na situação em cativeiro (François
et al., 1998).
Durante o processo de domesticação, se faz necessário decidir entre investir em
comportamentos típicos da espécie e adaptá-los às condições de cativeiro, ou selecionar
animais que apresentem respostas comportamentais novas impostas pelo cativeiro, uma
vez que o manejo dos animais de produção altera seu comportamento social (Dawkins,
1980). A domesticação correlaciona-se à adaptação ao cativeiro através de combinações
de mudanças genéticas ocorridas sobre sucessivas gerações, incluindo as alterações
induzidas pelo ambiente no desenvolvimento de cada geração (Peixoto, 2002). As
práticas de manejo ou eventos ambientais, influenciam o desenvolvimento de tratos
biológicos específicos, o que pode facilitar a adaptação (Price, 1984).
A comparação de estudos de comportamento de aves selvagens e domesticadas
em ambientes controlados pelo homem indica que o repertório comportamental das aves
em ambientes não-confinados, em geral, é preservado, havendo mudanças na freqüência
e na intensidade das características comportamentais (Craig, 1992). Barbosa Filho et al.
(2007) verificaram que o horário exerce influencia sobre a expressão dos
9
comportamentos, pois as aves seguem um biorritmo e este está ligado principalmente ao
fotoperíodo.
3.1 Comportamento reprodutivo e sistemas de acasalamento
O conjunto de estratégias e interações sociais que ocorrem entre os indivíduos de
uma população e formam um contexto dentro do qual tem lugar a união dos gametas
denomina-se sistema de acasalamento (Carranza, 1994). Dinamicamente, o
acasalamento é a acepção de duas fases sucessivas na reprodução, o pareamento e a
cópula. Pode haver ainda uma terceira fase: a corte nupcial que se situa
cronologicamente entre as duas já mencionadas (Davis, 1955).
Os vertebrados sociais exibem uma de duas grandes categorias de sistema de
acasalamento, a monogamia ou poligamia. A monogamia refere-se a uma ligação de
parceiros entre um macho e uma única fêmea, onde ambos os pais participam dos
cuidados dos filhotes, e a poligamia refere-se a situação na qual um indivíduo tem mais
de um parceiro na estação reprodutiva (Peixoto, 2002). A monogamia é o sistema de
acasalamento dominante entre as aves, mais de 90% (Del Hoyo et al., 1992).
Em espécies monogâmicas os parceiros de sexos diferentes são normalmente
semelhantes em tamanho e cor, e geralmente os papéis desempenhados por machos e
fêmeas durante o cortejo são também comparáveis. Reciprocamente, quase todas as
espécies poligâmicas apresentam dismorfismo sexual, com um ou outro parceiro, sendo
maiores e de cores mais intensas, invariavelmente os machos em espécies poligínicas e
as fêmeas em espécies poliândricas. Este é o resultado previsível de seleção sexual
claramente imposto por estes sistemas de acasalamento (Peixoto, 2002).
3.2 Comportamento reprodutivo do avestruz
O avestruz é uma espécie poligâmica; os machos podem se acasalar com todas as
fêmeas que adentrem o seu território, bem como as fêmeas podem visitar territórios
distintos dominados por machos distintos (Hicks-Alldredge, 1998). A postura se
organiza com uma ninhada em comum, por dizer, várias fêmeas põe ovos em um
mesmo ninho, e a fêmea dominante incubará todos os ovos do ninho (seu e de outras
fêmeas) durante o dia, e o macho a noite, e depois de nascido, todos os filhotes serão
10
cuidados em grupos (Kimwele et al., 1998; Hicks-Alldredge, 1998). Estes animais
convivem mediante um estabelecimento de relações sociais fortes e ativas, baseadas em
dominância e hierarquia (Perez, 1999).
Os avestruzes adultos apresentam um claro dismorfismo sexual em sua
plumagem, sendo os machos negros com plumas brancas na extremidade da asa e na
cauda. As fêmeas apresentam uma plumagem mais uniforme, marrom e cinza. A cor de
suas plumas se explica por mecanismos de adaptação relacionados com a camuflagem,
já que o macho incuba os ovos a noite e as fêmeas durante o dia (Anderloni, 1998).
4. Extração de DNA e sua aplicação na Estrutiocultura
Um programa de avaliação genética permite a separação de efeitos de resultado de
origem genética daqueles de origem ambiental, possibilitando uma adequada
identificação de reprodutores e de matrizes a serem utilizados para a multiplicação do
rebanho comercial (Caprio & Carrer, 1999). Na estrutiocultura, as ligações entre
características físicas e desempenho precisam de investigação (Huchzermeyer, 2000).
Neto & Bered (1998) citaram que, para a obtenção eficiente de ganhos genéticos, é
necessário um conhecimento detalhado da constituição e da variabilidade genéticas das
espécies. A utilização de técnicas moleculares aplicadas à genética, aliadas às técnicas
tradicionais de melhoramento animal poderão proporcionar maior ganho genético, pois
podem determinar o potencial do animal, antes mesmo que seu fenótipo seja expresso,
pois o grande problema na prática da criação é descobrir indícios das modificações no
nível dos progressos da seleção o mais cedo possível, para que se possa modificar o
sistema de melhoramento antes que o mesmo se torne ultrapassado.
Marcadores genéticos são características de herança simples que permitem a
inferência do genótipo a partir do fenótipo do indivíduo, fornecendo informações
importantes para a análise genética de uma espécie (Regitano, 1998). O marcador
genético serve para relacionar, favoravelmente, alelos de características quantitativas
identificadas no mesmo cromossomo, e sua detecção propicia informações sobre o
modo de ação gênica individual e suas interações, auxiliando na compreensão da
variação quantitativa e sua utilização prática na produtividade animal (Faria et al.,
1999). O desenvolvimento dos marcadores moleculares de DNA foi um grande impacto
no estudo genético de animais e plantas; a análise do genoma e a criação de uma mapa
genético de alta resolução está se desenvolvendo em grande velocidade graças ao uso
11
destes marcadores. Um dos principais objetivos da investigação na produção animal é a
identificação de regiões do genoma dos animais associadas a características de
interesse, sendo estes genes os responsáveis por controlar a expressão de características
de importância econômica ou associados a enfermidades (Pigem, 2001).
O uso de técnicas moleculares permite identificar o polimorfismo diretamente do
DNA e associar a genes de grande efeito (caracteres qualitativos) (Ferreira &
Grattapaglia, 1998). A associação de diferentes fenótipos tem sido utilizada há longo
tempo nos programas de melhoramento (Mitra et al., 1995). Entretanto, com marcadores
moleculares, será possível ter, para cada gene de grande efeito, um ou mais marcadores
que podem ser utilizados para a identificação do fenótipo desejado (Federizzi, 1998). As
tecnologias de marcadores moleculares ou genéticos são vistas como as de maior
promessa para uso no melhoramento genético (Ferreira & Grattapaglia, 1998). Além
disso, a utilização de marcadores polimórficos tem tornado o processo de identificação
de parentesco mais compreensivo e preciso, além de permitir a rápida eliminação de
genes recessivos deletérios de populações (Ledur e Schmidt, 1998).
O reconhecimento de ligação entre efeitos gênicos e segmentos cromossomais que
apresentem herança Mendeliana é muito importante, pois podem aumentar a acurácia na
determinação de valores genéticos e tornar mais eficiente a manipulação genética de
características que não são facilmente mensuradas tais como: resistência à doenças,
características limitadas pelo sexo e de baixa herdabilidade (Rocha et al., 1997).
Com o advento das técnicas modernas de biologia molecular, surgiram diversos
métodos de detecção de polimorfismo genético diretamente no DNA. Inicialmente, a
utilização de enzimas de restrição permitiu a análise de polimorfismo do comprimento
de fragmentos de restrição do DNA (“Restriction Fragment Lenght Polymorphism” –
RFLP) (Grodzicker et al., 1974). Mais recentemente, o desenvolvimento do processo de
amplificação em cadeia utilizando uma DNA polimerase (Polimerase Chainn Reaction)
levou à descrição de outras classes de marcadores (Mullis et al., 1997).
Por tudo que se tem visto ao longo da história da domesticação do avestruz, a
aparição dos híbridos comerciais e a troca dos critérios de seleção dos animais em
função do produto primário: plumas, carne e couro, se deduz que a identidade genética
dos animais domesticados se perdeu a décadas, e que agora se faz necessário sua
recuperação (Pigem, 2001). Os primeiros estudos para a identificação genética das
subespécies de avestruzes se realizaram através da análise do DNA mitocondrial
(Freitag, 1992; Freitag & Robinson, 1993), e mais recentemente com marcadores
12
nucleares tipo RAPDs (Bezuidenhout, 1999) e microsatélites (Kumari & Kemp, 1998;
Kimwele et al., 1998).
O sangue do avestruz, como das demais aves, possui os glóbulos vermelhos
nucleados e, portanto contém DNA (Ganon, 1990). Um mililitro de sangue de avestruz
contém aproximadamente a mesma quantidade de células nucleadas que 400ml de
sangue humano (Ganon, 1990; Spinu et al., 1999), o que o converte em material
biológico para a obtenção do DNA genômico da espécie (Pigem, 2001). Porém, a
metodologia se apresenta inadequada em aves com idade inferior a seis meses, devido o
tamanho dos vasos sanguíneos, se faz necessário experiência para obter uma quantidade
suficiente de sangue sem causar injúrias ao animal. Em adultos, a dificuldade surge
devido a problemas de captura e induzir o animal a uma conduta agressiva e perigosa
das aves em época reprodutiva. Pigem (2001) citou como vantagem o uso de plumas ao
invés da coleta de sangue, três pontos: a facilidade em recolher o material, o fato de
poder ser conservada à temperatura ambiente e a análise pode ser realizada mesmo na
ausência do animal (por exemplo morte).
13
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OBJETIVOS GERAIS
O objetivo do presente estudo foi realizar uma avaliação reprodutiva e molecular
de ratitas através da:
1) Avaliação da influência das variáveis climáticas sobre o perfil de incubação de
ovos de avestruzes (Struthio camelus) e a qualidade da casca dos ovos.
2) Avaliação do comportamento e de índices reprodutivos de avestruzes (Struthio
camelus);
3) Avaliar o método de coleta de sangue de acordo com o período de estocagem,
para obtenção de DNA genômico de avestruzes (Struthio camelus).
Influência do ambiente na incubação e qualidade de casca de ovos de avestruzes
(Struthio camelus).
RESUMO
O objetivo do presente estudo foi avaliar o efeito do clima sobre os índices reprodutivos
de avestruzes. Foram coletados 300 ovos de avestruzes no período de julho a outubro de
2007 e anotadas as condições do ninho no momento da coleta. Ao total, 31 matrizes
realizaram postura, com média de 11 ovos postos/matriz e variação de 1 a 25 ovos
postos/matriz durante todo o período. O perfil de incubação para ovos de avestruzes
coletados em ninhos secos ou úmidos foram, respectivamente, 66,0 e 54,5 para ovos
férteis, 45,0 e 54,5% para ovos eclodidos, 20,5 e 18,2% para ovos inférteis, 21,0 e 0%
para mortalidade embrionária total, 13,5 e 27,3% para ovos contaminados. As médias
da temperatura do ar foram de 29 e 25ºC, e peso dos ovos foram de 1,298 e 1,276 kg
para ninho seco e úmido, respectivamente. Os valores obtidos para qualidade da casca
de ovos de avestruzes foram de 1,84 mm para espessura média, 93% para matéria
mineral, 23% para concentração de cálcio e de 12,79 poros/cm
2
para número de poros.
Os índices reprodutivos aumentaram durante o período de observações, porém não
atingiram seu pico considerando que as matrizes ainda não haviam atingido seu pico
reprodutivo. À medida que a temperatura aumentou, também aumentou o índice de
postura das matrizes.
Palavras-chave: Avaliação da casca, avestruz, incubação, Struthio camelus.
Influence of environment in incubation and eggshell quality of Ostrich (Struthio
camelus) eggs.
ABSTRACT
The objective of this study was to assess climate effect towards the Ostrich
reproductive indexes. It was collected 300 Ostrich’s eggs between July/2007 and
October/2007 and its nets’ conditions documented at the moment of each collection.
Totaling 31 females were in laying season, with the average of 11 eggs layed/female
and its variation ranging from 1 to 25 eggs layed/female during this timeframe.
Incubation’s profile to the Ostrich’s eggs collected in dry or wet nests were,
respectively, 66.00 and 54.5 for fertile eggs; 45.0 and 54.5% for hatched eggs; 20.5 and
18.2% for infertile eggs; 21.0 and 0% to the total embryonary mortality; 13,5 and 27,3%
to contaminated eggs. Weather averages were between 29ºC and 25ºC, and egg’s weight
were 1.298 and 1.276 kg to dry and wet nests, respectively. Numbers achieved of the
quality to Ostrich’s eggs peel were 1.84 mm for the average thickness, 93% for mineral
material, 23% to calcium concentrate and 12.79 poros/cm porous number.
Reproductive’s rates increased during the observation period, however did not achieve
its peak considering that the females had not yet achieved its reproductive peak. As the
temperature increased, the females indexes of laying increased.
Key-words: Evaluation of eggshell, incubation, ostrich, Struthio camelus.
INTRODUÇÃO
Ratitas são aves precoces que movimentam-se desde o nascimento, e apesar de
suas similaridades com outras aves, possuem características únicas, como utilização do
pró-ventrículo como órgão de estocagem, separação das fezes e urina na cloaca,
ausência da glândula uropigiana e do papo (Angel, 1996). As espécies mais exploradas
comercialmente são o Avestruz (Struthio camelus), o Emú (Dromaius novaehollandiae)
e a Ema (Rhea americana) (Giannoni, 1999). O avestruz (Struthio camelus Liannaeus,
1758) é uma ave de planície e prados abertos áridos e semi-áridos, mas se adapta a uma
grande variedade de climas - desde os invernos chuvosos e a neve até as condições
extremamente quentes dos verões no deserto africano (Giannoni, 1996). A ema (Rhea
americana), que é originária da América do Sul, é explorada comercialmente na Europa
e América do Norte, e recentemente despertou o interesse dos pecuaristas da América
do Sul (Giannoni, 2001). As áreas da caatinga, cerrado e campos concentram a maior
parte destes animais no Brasil (Toledo, 2003).
Os ovos de avestruzes pesam em média 1.500g (variação de 1.300 a 1.900), o
peso da casca corresponde a 20% do peso do ovo, sendo que os meses da postura afetam
o peso do ovo, pois, os ovos produzidos nos meses intermediários são mais pesados do
que os ovos dos primeiros e últimos meses do mesmo período de postura (Di Meo et al.,
2003). A casca do ovo é composta por volta de 40% de cálcio (Ullrey & Allen, 1996) e
a produção de ovos anual varia de 20 a 70 ovos (Cooper, 2001). Iniciam a reprodução
de maio até setembro nos Estados Unidos (Tully & Shane, 1996) e no Hemisfério Sul,
começa em julho e finaliza em março (Jarvis et al., 1985).
A incubação artificial de ovos é uma das etapas mais críticas dentro de uma cadeia
de produção e pode inviabilizar economicamente todo processo de criação (Hoffelder et
al., 2006). Fatores como a temperatura e umidade podem influenciar o tempo de
incubação (Flôres, 2004), por exemplo, temperaturas acima do ideal encurtam o tempo
de incubação enquanto a temperaturas abaixo do ideal estendem esse período (Souza,
2004).
Os objetivos do presente trabalho foram avaliar a influência das variáveis
climáticas sobre a incubação e a qualidade da casca de ovos de avestruzes (Struthio
camelus).
24
MATERIAL E MÉTODOS
O presente estudo foi realizado no Sítio Santo Antônio, no município de Marilena,
Estado do Paraná. Os casais de avestruzes com idade entre dois a três anos, foram
alojados em piquetes de 45m
2
(9 x 5m) separados entre si por cerca de arame liso, a
uma altura de 1,5m. Cada piquete possuía um comedouro e um bebedouro de
polietileno, e pastagem do tipo Coast cross. O manejo das aves consistia em
fornecimento de 1,5kg de ração/animal/dia e água “ad libitum”, fornecido no período da
manhã.
Foram coletados 300 ovos de avestruzes no período de julho a outubro de 2007,
sendo registrado no momento de coleta as condições do ninho (seco ou úmido)
realizadas sempre no período da tarde, além de serem pesados, limpos e identificados.
A limpeza e desinfecção dos ovos foi feita com álcool comum, higienizante
Kilol
®
e papel toalha. A fumigação com formaldeído (5%) foi realizada por 10 minutos
em uma câmara de fumigação da marca Avicomave
®
. Os ovos foram identificados,
anotando-se a data da postura, data da incubação, localizada a câmara de ar com auxílio
de ovoscópio e marcada com lápis. Os ovos permaneceram em uma sala climatizada,
com temperatura variando entre 15 a 20ºC e umidade relativa de 70%, por um período
máximo de sete dias.
Os ovos de avestruzes foram incubados a temperatura de 36,5ºC e umidade
relativa de 45%, e a incubadora e o nascedouro utilizados foram da marca Avicomave
®
.
O acompanhamento do desenvolvimento embrionário foi realizado através de ovoscopia
e a confirmação da fertilidade ou mortalidade embrionária diagnosticada para posterior
descarte dos ovos, sendo a classificação realizada aos 15, 30 e 45 dias após a incubação.
Durante todo o período experimental, os ovos que apresentaram sinal de contaminação
como exsudação pela casca ou odor forte e característico foram imediatamente retirados
e descartados em fossa séptica, com sua identificação anotada para posterior avaliação
dos índices de produtividade.
Quando os ovos apresentavam câmara de ar com volume aumentado em relação
ao início, com a bicada interna realizada e o pintainho apresentando movimentação,
eram transferidos para o nascedouro com temperatura de 36,5ºC e umidade relativa de
45%. O nascimento foi assistido para auxiliar os pintainhos com dificuldade de eclodir.
Aos 48 dias, o pintainho que não apresentasse movimentos ou bicada interna da câmara
de ar, tiveram seus ovos abertos para diagnosticar o motivo pelo qual não eclodiram.
Alguns ovos que apresentaram a bicada interna, mas após 24 horas ainda não haviam
25
eclodido, tiveram auxílio no rompimento da casca e liberação da membrana interna,
com o pescoço posicionado de forma a facilitar os seus movimentos.
As aves tiveram seus umbigos tratados com álcool álcool iodado após a eclosão e
permaneceram no nascedouro por 24 horas ou até que estivessem completamente secos
e prontos para serem transferidos para o berçário, onde foram pesados e identificados, e
o resíduo da casca e das membranas coletadas para posteriores análises.
Os pintainhos de avestruz permaneceram por apenas 3 dias no berçário, recebendo
suplemento vitamínico fornecido via oral, ração pré-inicial (22% de PB e 2.700 kcal de
EM/kg de ração) e água fornecida à vontade, com aquecimento artificial de campânulas
com luz infravermelho.
Para as medidas realizadas para qualidade da casca, foram coletadas amostras
aleatoriamente. A mensuração da espessura da casca dos ovos foi realizada com um
paquímetro em fragmentos retirados da região equatorial em três pontos distintos,
obtendo-se a espessura média/ovo. O número de poros das cascas foi avaliado na região
equatorial, utilizando-se o método de Rahn et al. (1981); as amostras das cascas foram
imersas em uma solução de água e detergente neutro durante 12 horas para retirada das
membranas internas e externas. Em seguidas foram secas à temperatura ambiente e as
amostras foram coradas com solução aquosa de azul de metileno (1%) por 5 minutos,
lavadas rapidamente em água e secas à temperatura ambiente.
A matéria mineral da casca de ovos de avestruzes foi realizada segundo a
metodologia descrita por Harris (1970) citado por Campos (2004); foram moídas 25
amostras de cascas em moinho de bola e estocadas a temperatura ambiente; em seguida
pesou-se 1,5g das amostras em cadinhos previamente calcinados em mufla a
temperatura de 600ºC por três horas; desligou-se a mufla e quando a temperatura interna
atingiu 200ºC, transferiu-se o cadinho para o dessecador até atingir a temperatura
ambiente, quando então foram pesados em balança analítica de precisão.
Para a análise de cálcio, os cadinhos foram condicionados em uma bandeja de
areia em chapa aquecida a 250ºC com 5mL de HCl cada na proporção 1:1. Após a
evaporação do conteúdo, foi adicionado a mesma quantidade de HCl e quando a solução
atingiu 1mL de HCl 1:1, retirou-se o cadinho da bandeja para resfriar. A solução foi
filtrada com água deionizada e transferida para um balão volumétrico (100mL)
(AOAC, 1997).
Foram coletados dados climáticos e os índices de produtividade do plantel que
consistiram nas porcentagens de matrizes em postura, número de ovos
26
produzidos/matriz e o total do plantel, número de ovos inférteis, taxa de nascimento,
taxa de mortalidade e causa da mortalidade, peso dos ovos antes da incubação. As
medidas tomadas foram: condições climáticas (nublado, ensolarado, chuvoso, ventos
fortes) e as condições do ninho (seco ou úmido) nos horários em que se realizou a
coleta dos ovos, as quais foram sempre no período da tarde.
A média do número de ovos postos/matriz foi calculado através da razão número
de postos por matriz/número total de ovos postos. O perfil de incubação foi obtido pelo
seguinte critério: para o índice ovos férteis foi considerado o somatório do número total
de ovos eclodidos mais a mortalidade embrionária total; a mortalidade embrionária total
foi calculada somando-se as três mortalidades inicial (0 a 15 dias de incubação),
intermediária (de 15 a 30 dias de incubação) e final (de 30 a 45 dias de incubação ou
nascimento); para o número total de ovos foi considerado a soma dos ovos férteis, dos
ovos inférteis e dos ovos contaminados. Quando os dados não apresentaram distribuição
normal, utilizou-se os Modelos Lineares Generalizados (Dobson, 2002), através do
procedimento GENMOD do SAS (2008). Os demais dados que apresentaram
distribuição normal, foram analisados através do procedimento GLM do SAS (2008).
RESULTADOS E DISCUSSÃO
No período de julho a outubro de 2007 foram coletados 300 ovos de 31 matrizes;
o número de ovos postos/matriz teve média de 11 ovos, com variação de 1 a 25
ovos/postos por matriz durante o período. A Tabela 1 apresenta o perfil de incubação do
plantel de avestruzes (Struthio camelus) durante o período de julho de 2007 a outubro
de 2007.
Tabela 1. Influência das condições do ninho sobre os índices da incubação dos ovos
de avestruzes (Struthio camelus).
Condição do ninho durante a coleta
Índices da incubação (%)
Seco Úmido Total
Ovos férteis 66,0 54,5 65,4
Ovos eclodidos 45,0 54,5 45,6
Ovos inférteis 20,5 18,2 20,3
Mortalidade embrionária total 21,0 0 19,8
Mortalidade embrionária inicial 0,6 0 0,6
Mortalidade embrionária
intermediária
1,7 0 1,6
Mortalidade embrionária final 18,7 0 17,6
Ovos contaminados 13,5 27,3 14,3
27
Dos índices apresentados na Tabela 1, a maioria dos parâmetros estudados
apresentou variação quando considerado a condição do ninho no momento da coleta,
sendo que os índices das mortalidades embrionárias foram maiores na condição de
ninho seco em relação a ninho úmido.
Hoffelder et al. (2006), observaram que a causa mais freqüente de descarte dos foi
a contaminação bacteriana, quando os ovos foram coletados em ninhos que se
apresentavam úmidos. De acordo com Stewart (1996) e Huchzermeyer (2000), os ovos
de avestruzes são postos geralmente durante à tarde e ao anoitecer e se deixados no
ninho durante a noite, a casca ficará exposta à umidade sendo um veículo para a entrada
de bactérias pelos poros. Feser (2005) através de medidas de manejo, reduziu o número
de ovos contaminados determinando que a coleta dos mesmos seria feita em dois
períodos: uma pela manhã e outra pela tarde. Segundo Huckzermeyer (2000) a morte
embrionária em ovos de avestruz pode ter como principal etiologia a contaminação
bacteriana através da casca devido ao manejo incorreto.
Na ovoscopia, as mortes embrionárias precoces geralmente não podem ser
diferenciadas dos ovos inférteis. Contudo, quando os ovos são abertos, pode-se
encontrar um embrião muito pequeno, embora, ocasionalmente, no momento em que o
ovo é examinado ele já tenha se dissolvido (Hoffelder et al., 2006). Os mesmos autores
afirmam que o embrião pode morrer em qualquer período da incubação, mas geralmente
a morte acontece em estágios finais. A fertilidade dos ovos está relacionada a vários
fatores como idade, estado corpóreo, proporção de machos e fêmeas, as anormalidades
espermáticas, a genética, a nutrição, o “status” sanitário, o desinteresse sexual e os
piquetes de reprodução (Almeida, 2003).
Os valores médios da temperatura do ar e peso dos ovos de avestruzes (Struthio
camelus) são apresentados na Tabela 2.
Tabela 2. Valores médios da temperatura do ar e peso dos ovos de avestruzes (Struthio
camelus).
Condição do ninho durante a coleta
Parâmetro
Seco Úmido
CV (%)
Temperatura média do ar (ºC) 29
A
25
B
11,18
Peso dos ovos (kg) 1,298
A
1,276
A
10,75
Os valores médios para peso dos ovos está abaixo dos valores obtidos por
Alvarenga et al. (2008) de 1,34 kg, Superchi et al. (2002) de 1,44 kg e Zoccarato et al.
28
(2004) obtiveram pesos médios variando de 1,52 a 1,53 kg. Munhóz (2006) encontrou
valor médio de 1,31 kg e coeficiente de variação de 11,26%. Diversas variáveis podem
interferir no tamanho dos ovos como fase de postura, idade da fêmea e seqüência de
postura (Deeming & Ar, 1999; Magrath et al., 2003). Entretanto, há uma relação direta
entre o tamanho do ovo e seus constituintes (Alvarenta et al., 2008), e que ovos maiores
possuem maior proteção contra microorganismos devido à viscosidade e as enzimas
proteolíticas presentes no albúmen mais volumoso (Superchi et al., 2002).
Os valores médios da espessura da casca, matéria mineral e cálcio dos ovos de
avestruzes (Struthio camelus) são apresentados na Tabela 3.
Tabela 3. Valores médios da espessura da casca, matéria mineral e porcentagem de
cálcio de ovos de avestruzes (Struthio camelus).
Parâmetro Média CV (%)
Espessura da Casca (mm) 1,84 7,76
Matéria Mineral (%) 93 3,72
Cálcio (%) 23 13,38
A espessura média de ovos de avestruzes (1,84mm) está acima do valor
encontrado por Munhóz (2006) de 1,46mm e por Christensen et al. (1996) de 1,7mm, e
inferior ao valor obtido por Sahan et al. (2003) de 1,95mm, em ovos de avestruzes. Os
valores de matéria mineral estão dentro dos valores descritos por Souza-Soares &
Siewerdt (2005) de 0,79% para perus, 0,94 para galinhas, 1,08 para gansos, 1,14 para
patos e 1,10% para codornas. Costa et al. (2007), encontraram valores entre 27% a 30%
de cálcio na casca de ovos de codornas japonesas. De acordo com Gonzales et al.
(1999), a qualidade da casca influencia diretamente a eclodibilidade dos ovos. Além
disso, da casca provém o cálcio necessário para o desenvolvimento fetal (Grizzle et al.,
1992). Na Tabela 4 são apresentados os valores do número de poros de ovos de
avestruzes (Struthio camelus).
29
Tabela 4. Média observada e estimada, distribuição de probabilidade e intervalo de
confiança do parâmetro número de poros dos ovos de avestruzes
(Struthio camelus).
Variáveis Número de poros dos ovos (/cm
2
)
Média Observada 12,79
Média Estimada 12,79
Distribuição de probabilidade Poisson
Intervalo de confiança 11,31 a 14,46
Pr > χ
2
1,1
De acordo com Nakage et al. (2002), o número de poros obtidos em perdizes
recebendo diferentes ração (farelada e peletizada) variou de 3,17 a 6,69/25mm
2
na
região equatorial do ovo. Munhóz (2006) encontrou uma média de 11,09 poros/cm
2
em
ovos de avestruzes.
Satteneni & Satterlee (1994) constataram que a mortalidade embrionária foi
menor em ovos com cascas lisas e com poucos poros. Deeming (1995), encontrou que
ovos de avestruz que perderam menos de 10%, ou mais de 20%, de sua massa inicial
foram de menor eclodibilidade. De acordo com Munhóz (2006), as características da
casca afetam diretamente a mortalidade embrionária de ovos de avestruz, e a umidade
na incubação conjuntamente com a porosidade da casca são fatores que desempenham
um papel importante na explicação da mortalidade de embriões.
Sahan et al. (2003) concluíram que existe uma correlação entre a porosidade e a
eclodibilidade, sendo esta última 50% inferior em ovos de avestruzes de baixa
porosidade. Satteneni & Satterlee (1994), observaram que as baixas taxas de eclosão
estão aparentemente relacionadas com elevadas perdas de massa e com peso dos ovos
que apresentam médias de poros grandes e pequenos, com contagem de 10 e 6 poros por
cm
2
, respectivamente; concluíram ainda que não há correlação entre número de poros e
espessura da casca, sugerindo que estas duas características afetam a eclodibilidade de
forma independente.
A Figura 1 apresenta a análise de regressão dos índices de postura do período de
16 de julho de 2007 a 22 de outubro de 2007 em função da temperatura do ar.
30
12 14 16 18 20 22 24 26 28 30 32 34
0
1
2
3
4
5
6
7
Temperatura
Número de ovos
Y
i
= -3 + 0,26X
i
R
2
= 0,9
Figura 1. Relação entre o índice de postura e da temperatura do ar em avestruzes.
A postura apresentou uma tendência linear crescente em relação à temperatura do
ar; apesar de em condições extremas, a reprodução ser inibida (Tully & Shane, 1996), a
temperatura máxima atingida durante o período foi de 34°C, o que não pode ser
denominado de condição extrema, confirmando a grande capacidade de adaptação desta
espécie para viver em regiões áridas. A quantidade de ovos coletados variou muito no
decorrer do período, sugerindo que as matrizes ainda não haviam atingido o pico de
postura, considerando um intervalo entre postura de 2 a 3 dias. A atividade reprodutiva,
em muitas espécies de aves, é controlada por estímulos ambientais que sincronizam as
estações reprodutivas com o período do ano favorável à sobrevivência da prole; a
duração dos dias regula as estações reprodutivas de modo que a atividade sexual
diminui nos dias mais curtos e aumenta naqueles mais longos (Souza-Soares &
Siewerdt, 2005).
31
CONCLUSÕES
O número de ovos postos/matriz variou muito entre as matrizes revelando a
necessidade de realização de um programa de melhoramento genético, uma vez que
todas as matrizes tinham idade por volta dos três anos, receberam as mesmas condições
de tratamento, tanto alimentar quanto de manejo. Dentro os índices de incubação,
destaca-se o índice de infertilidade que se apresentou muito elevado comparado às
demais criações de aves comerciais. A contaminação também foi maior em ovos
coletados em ninho úmido quando comparados a ninho seco, devido a alta umidade a
que foram expostos e maior susceptibilidade às infecções bacterianas. O peso dos ovos,
apesar de abaixo das médias encontradas na literatura, isto pode estar associado a
variações devido a subespécie e não necessariamente a uma deficiência nutricional.
Os índices de incubação, em conjunto com as variáreis da qualidade da casca,
demonstram a carência em estudos para aprimoramento da técnica e a necessidade de se
obter uma maior homogeneidade dos lotes de ovos que apresentaram variação em
relação a espessura da casca e número de poros que influenciaram diretamente nos
padrões de eclodibilidade.
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Aspectos Comportamentais e Reprodutivo de Avestruzes (Struthio camelus).
RESUMO
O presente estudo avaliou influência das variáveis climáticas sobre
comportamento de avestruzes (Struthio camellus). Os casais de avestruzes foram
mantidos em piquetes em um criatório comercial no Município de Marilena, Paraná,
observados durante os meses de maio de 2007 a janeiro de 2008. O método utilizado
para medir o comportamento foi o scan por um período de 9 horas consecutivas, com
intervalos de 5 minutos. Os comportamentos mais freqüentes foram o pastando e em
pé/parado, seguidos de correndo/caminhando e ropiando/fugindo, comendo ração e
deitado. O comportamento pastando teve sua maior freqüência (43%) no fim do dia,
enquanto comendo ração aumentou gradativamente até atingir o seu pico ao entardecer
(9%), apesar da ração ser fornecida no período da manhã. Os comportamentos que
apresentaram maior freqüência, em ordem decrescente, foram Pastando e Em pé/parado
(43%), Correndo/caminhando (34%), Comendo ração (9%), Deitado (7%) e
Rodopiando/fugindo (2%). Os animais diminuíram suas atividades nas horas mais
quente do dia, permanecendo mais ativos ao amanhecer e entardecer.
Palavras-chave: avestruz, comportamento, reprodução, variáveis climáticas.
Behavioral and Reproductive Aspects of Ostriches (Struhio camelus).
ABSTRACT
This study assessed the influence of climate variables in behavior and
reproductive indexes in ostriches (Struthio camelus). Ostrich pairs were kept on a
commercial farm in Marilena city, Paraná, Brazil, and observed during may/2007 to
january/2008. The method used to assess the behavior was the “scan” during 9 hours, in
intervals of 5 minutes. The most frequent behaviors were grazing and standing/stopped,
followed by running/walking and escaping, feeding on concentrate food and lay down.
Grazing has higher frequency (43%) at end of the day, and feeding on concentrate food
increase till reach the most higher frequency (9%), in despite of concentrate ration being
delivered during the morning. Both feeding and grazing combined took up over 50% of
the time and running about 40%. Behaviors whom shown major frequency, in decrease
order, were Grazing and Standing/stopped (43%), Running/walking (34%), feeding on
concentrate food (9%), Lay down (7%) and Escaping (2%). Animals demonstrated
being less actives during hot periods in the day, increasing their activities at dusk.
Key-words: ostrich, behavior, reproduction, climate variables.
INTRODUÇÃO
O avestruz é a maior ave do planeta, atingindo até 2,5 m de altura e 150 kg de
peso adulto, dependendo da raça e localização geográfica. Sendo uma ave de origem
africana, de regiões semi-áridas e planas, o avestruz tem grande capacidade de
adaptação a climas adversos, de forma que sua criação comercial tem apresentado
resultados positivos em países como o Canadá, Estados Unidos, Europa, Israel e Brasil
(Souza, 2004). Apesar deste tipo de criação possuir uma longa trajetória e dispor de
informações sobre a criação, pouco se sabe sobre o comportamento destas aves em
cativeiro (Deeming et al., 1993).
A variedade doméstica do avestruz atinge maturidade sexual entre dois e três
anos, sendo as fêmeas mais precoces que os machos. Possuem dimorfismo sexual
evidente a partir dos 6 a 10 meses, sendo os machos pretos com a cauda branca e as
fêmeas marrom acinzentadas (Deeming, 1998). As asas são utilizadas no
comportamento de exibição (cortejo) na estação reprodutiva e na presença de humanos,
além de possuírem propriedade isolante e térmica, impedindo a passagem do calor e
tornando-os resistentes (Souza, 2004). A maturidade sexual depende da subespécie,
estação, estado nutricional, condições ambientais e de alojamento; sua reprodução
depende também do fotoperíodo, iniciando em estações com aumento de luz.
Entretanto, o efeito da temperatura ainda permanece desconhecido, podendo-se dizer
que condições extremas inibem a reprodução (Tully & Shane, 1996).
O comportamento da ave é resultado do modo como vários sistemas do animal
interagem entre si e o mundo externo. Samson (1996) descreve alguns comportamentos
considerados normais e anormais em avestruzes, citando como normais: ameaçar,
chutar, a vocalização, submissão, cacarejar e sacudir, cortejar. O cortejo ocorre na
estação reprodutiva, os machos se exibem para as fêmeas abrindo as asas e balançando
o pescoço, de um lado para o outro. Quando a fêmea aceita o macho, após o macho
efetuar a ronda, ela se abaixa e deixa ser montada, e o macho, por sua vez, realiza a
monta abrindo as asas e balançando o pescoço até que o ato seja concluído (Souza,
2004).
Segundo Barbosa Filho et al (2007), o estudo do comportamento animal torna-se
uma importante ferramenta para a avaliação dos sistemas de criação, além de fornecer
muitas respostas a questões básicas da etologia. O objetivo do presente estudo foi
avaliar o comportamento de avestruzes (Struthio camellus).
338
MATERIAL E MÉTODOS
O presente estudo foi realizado no Sítio Santo Antônio, no município de Nova
Londrina (22,45º Latitude sul e 52,59º Longitude oeste), Estado do Paraná, no período
de 11 de maio de 2007 a 11 de janeiro de 2008, dentro da época reprodutiva 2007/2008.
Vinte casais de avestruz (Struthio camelus) foram alojados em piquetes de 45m
2
(9 x 5m) cada um, separados entre si por cerca de arame liso, a uma altura de 1,5m.
Cada piquete possuía um comedouro e um bebedouro de polietileno. O manejo das aves
consistia em fornecimento de 1,5kg de ração/animal/dia e água “ad libitum”, fornecido
no período da manhã.
A coleta de dados de comportamento foi realizada pelo método scan, avaliando-se
por 9 horas consecutivas (9:00 as 18:00) em intervalos de 5 minutos. As observações
foram registradas em planilhas confeccionadas a partir de categorias comportamentais,
conforme indicadas no etograma, onde foram registrados a categoria comportamental e
o horário em que o animal a manifestou.
Levando-se em consideração observações previamente realizadas por McKeegan
& Deeming (1997), foi confeccionado um etograma dos padrões comportamentais,
conforme segue abaixo:
(1) Pastando: o animal, em deslocamento ou parado, inclina o corpo a fim de que
possa apreender a gramínea com o bico.
(2) Bebendo água: o animal para em frente ao bebedouro, inclina-se e bica o
bebedouro.
(3) Comendo ração: o animal inclina a cabeça e bica as partículas de ração que
estão no comedouro ou ao redor dele.
(4) Caminhando, correndo: o animal se desloca calmamente com a cabeça erguida
através de áreas do piquete, sem apreender nenhum alimento, ou corre em direção
retilínea ou em zigue-zague.
(5) Cortejando: consiste em um ritual que é precedido pelo macho que mantém
suas asas abertas e constantemente em movimentos, o pescoço inclinado, de forma
prostrada. Ainda nesta posição, desloca o pescoço para trás com movimentos alternados
para o lado direito e esquerdo.
(6) Montando/copulando: o macho se aproxima por detrás da fêmea que se
encontra deitada, projeta o seu corpo acima do corpo do outro animal, e introduz o
339
órgão reprodutor masculino na cloaca da fêmea repetidamente, movimentando as asas e
bicando a região dorsal do animal.
(7) Postura: a fêmea senta sobre os seus tarsos e permanece no local previamente
escolhido para o ninho, consistindo em um declive em determinado local do piquete que
poderá conter gravetos e plumas, permanecendo no local até que esteja completa a
oviposição.
(8) Deitado: o corpo do animal encontra-se em contato com o chão, sentado sobre
os seus tarsos ou com as patas estendidas para trás.
(9) Rodopiando/fugindo: quando o animal se sente ameaçado, rodopia ao redor de
um eixo projetado pelo seu corpo, pode também se deslocar em maior velocidade, em
zigue-zague ou retilineamente, com as asas unidas na parte superior do corpo, e indo de
encontro com a cerca, chocando-se contra ela.
(10) Em pé ereto/parado: o animal apresenta imobilidade em posição ereta ao
menos por 5 segundos.
As observações foram realizadas do alto de um mirante para que não houvesse
nenhuma interferência no comportamento dos animais. Foram realizadas 4 repetições de
períodos de 9 horas distribuídos ao longo do período reprodutivo.
As análises estatísticas foram realizadas no pacote estatístico SAS, utilizando-se o
procedimento modelos lineares generalizados (Proc GLM), através de análise de
regressão (SAS, 2008). A porcentagem dos registros de cada comportamento foi
transformada para uma distribuição normal utilizando a transformação arco-seno da raiz
quadrada.
RESULTADOS E DISCUSSÃO
Dentre os 10 comportamentos avaliados, seis apresentaram diferença (P<0,05)
pela análise de regressão em função do horário, dentre eles: pastando, em pé
ereto/parado, deitado, comendo ração, correndo/caminhando e rodopiando/fugindo. Os
comportamentos bebendo água, cortejando, monta/cópula e postura não apresentaram
diferenças significativas (P>0,05); apesar das aves estarem dentro do período de
reprodução, os comportamentos relacionados a reprodução tiveram uma freqüência
muito baixa. Os valores percentuais e os transformados em Arcseno da raiz quadrada
dos comportamentos observados, e submetidos à análise de regressão, são apresentados
na Tabela 1.
440
Tabela 1. Média dos valores percentuais e transformados (Arcsen X%) das
freqüências dos comportamentos observados durante o período das 9:00 até
as 18:00 horas.
Comportamento
Pastando
Em pé
ereto/
Parado
Comendo
ração
Deitado
Caminhando,
correndo
Rodopian
do/Fugindo
Hora
% Arcsen % Arcsen % Arcsen % Arcsen % Arcsen % Arcsen
9 30 0,59 28 0,57 4 0,19 0 0,08 34 0,6 2 0,14
10 31 0,55 28 0,62 3 0,2 1 0,1 33 0,58 2 0,13
11 37 0,52 29 0,66 3 0,21 0 0,12 28 0,56 1 0,12
12 29 0,5 38 0,69 6 0,22 4 0,14 21 0,54 0 0,11
13 24 0,49 39 0,7 7 0,23 4 0,16 23 0,52 0 0,1
14 18 0,5 43 0,71 7 0,24 5 0,18 24 0,5 2 0,09
15 30 0,51 31 0,7 5 0,25 5 0,2 24 0,48 0 0,08
16 36 0,54 30 0,67 6 0,26 4 0,22 20 0,46 0 0,07
17 38 0,58 31 0,63 5 0,27 7 0,24 17 0,44 0 0,06
18 43 0,64 25 0,58 9 0,28 4 0,26 18 0,42 0 0,05
Peixoto (2002), observando perdizes, verificou uma baixa freqüência em
comportamentos relacionados a cópula, como subir/montar os animais do mesmo sexo
ou sexo oposto, apesar dos animais estarem dentro do período de acasalamento.
Segundo Sambraus (1994), avestruzes adultos utilizam apenas 1,1% do seu tempo de
atividade para ingerir água. Deeming (1998), estudando os efeitos do sexo e período do
dia durante o inverno, observou sete comportamentos dominantes: sentado (cabeça
levantada), em pé (cabeça levantada), andando (de lado a lado do piquete), marchando
(em torno do perímetro do piquete), pastando, comendo (ração concentrada) e
procurando (cabeça para baixo e olhando para o chão).
Samson (1996), descreveu como comportamentos normais em avestruzes aqueles
que pertencem a atividades diárias como comportamentais (rodopio, termorregulação,
bicar, limpar e tremer), atividades sociais (ameaçar, chutar, vocalização, submissão) e
comportamentos sexuais (cacarejar, sacudir, realizar o display). Para Neri (2007), os
comportamentos que apresentaram diferenças significativa foram: parado, andando,
correndo, litofagia (consumir pedras), coprofagia (ingerir fezes), bicar e agressão.
Peixoto (2002), encontrou diferenças nos comportamentos deslocamento, ciscar, comer,
441
parado, arrumar e sentado imóvel, em ordem decrescente, respectivamente. A relação
entre os comportamentos pastando e em pé ereto/parado é demonstrada na Figura 1.
9:00 10:00 11:00 12:
0.4
0.5
0.6
0.7
0.8
Figura 1. Relação entre os comportamento pastando e em pé ereto/parado durante o
período das 9:00 às 18:00.
Ambos os comportamentos demonstraram uma evolução durante o período
antagônico, onde o período de maior atividade dos animais em pé ereto/parado
apresentou maior freqüência (43% do tempo) às 14:00 horas, ao contrário do
comportamento pastando, que teve sua menor freqüência (18%) neste horário, e sua
maior freqüência (43%) foi verificada no horário das 18:00 horas. Estes resultados
discordam dos encontrados por Neri (2007), onde os avestruzes permaneceram mais
tempo parados nos primeiros horários do dia. Hernandéz (2007) observou o maior
tempo de pastejo no período entre 9:00 a 12:00h (45,77% dos animais observados),
demonstrando uma alternância entre o pastejo e a ingestão de concentrado. Deeming
(1998), estudando as respostas de avestruzes adultos às condições específicas de tempo
durante os meses no inverno, encontrou que os machos permaneceram 20% e 16,2%,
enquanto as fêmeas permaneceram 18,3% e 18,0% do tempo em pé, no período da
manhã (10:00 às 13:00 horas) e da tarde (13:00 às 16:00 horas), respectivamente.
Segundo Smith et al. (1995), por apresentarem alimentação onívora, dedicam
grande parte do tempo ao pastejo e na busca de insetos. Os avestruzes permanecem a
maior parte do tempo erguidas e vigilantes como posição estratégica (Esquivel et al.,
00 13:00 14:00 15:00 16:00 17:00 18:00
Y
i
= -0,53 + 0,18X
i
– 0,01X
2
i
R
2
= 0,66
Y
i
= 1,54 – 0,16X
i
+ 0,01X
2
i
R
2
= 0,51
Pastando Em pé/Parado
Horário
442
1997; Keeling, 2004). A ingestão de pasto ocorre para manter um ritmo constante e
estável, em horas de calor intenso, demonstrando uma maior resistência térmica dos
adultos que são capazes de pastar em horas de meio-dia, como adaptação evolutiva às
condições de vida silvestre, pois durante este período o perigo de predação é menor
(Duke, 1994). Entretanto, o presente estudo observou as menores freqüências do
comportamento pastando dentro do horário das 12:00 às 14:00 horas.
Os comportamentos comendo ração e deitado estão apresentados na Figura 2.
9:00 10:00 11:00 12:00 13:00 14:00 15:00 16:00 17:00 18:00
0
0.05
0.1
0.15
0.2
0.25
0.3
Comendo ração Deitado
Horio
Y
ij
= -0,1 + 0,02X
i
R
2
= 0,67
Y
i
= 0,11 + 0,01Xi
R
2
= 0,49
Figura 2. Relação entre os comportamento comendo ração e deitado durante o
período das 9:00 às 18:00.
Os comportamentos comendo ração e deitado apresentaram freqüências
linearmente crescentes durante o decorrer do período das 9:00 às 18:00. A menor
freqüência para o comportamento comendo ração (3%) foi encontrada nos horários das
10:00 às 11:00 horas, enquanto deitado foi menor (0-1%) nos horários das 9:00 às 11:00
horas (Tabela 1). As maiores freqüências observadas foram às 17:00 horas (7%) e 18:00
horas (9%) para os comportamentos deitado e comendo ração, respectivamente. Os
dados obtidos do comportamento comendo ração discordam dos encontrados por
Hernandéz (2007), onde a atividade de ingestão de concentrado foi maior entre as 9:00 e
12:00 horas (39,1%), buscando apreender o concentrado presente no comedouro e entre
12:00 e 14:00 horas, buscaram capturar os grânulos de concentrado em torno do
comedouro (60,9%); porém no restante do período circadiano, não houve mais visitas
ao comedouro. Peixoto (2002) relatou que as perdizes mantidas em cativeiro comeram
443
mais no início e no fim do dia. Irving et al. (1967) concluíram que aves que possuem o
pico de ingestão durante a tarde, realizam tal procedimento para armazenar alimento no
papo durante a noite, e caso ingerissem quantidade suficiente de alimento, teriam menos
fome durante o início do outro dia. Neri (2007) verificou que o consumo de ração foi
maior no primeiro horário do dia avaliado e os animais consumiram maior quantidade
de ração quando o alimento foi fornecido pela manhã.
O aumento da freqüência do comportamento comendo ração está de acordo com
Savory (1976), que indica o pico de alimentação à tarde ocorre na maioria das aves em
postura como resultado direto da oviposição e/ou formação do ovo e que aves com pico
de alimentação ao final do dia consomem mais alimento em um dia do que as que têm o
pico de ingestão no início do dia. Ainda, segundo Savory et al. (1978), as aves que
vivem sob luz natural, que distinguem quando o dia termina, tem seu pico de ingestão
geralmente no fim do dia, independente de estarem ou não em postura.
De acordo com Deeming & Bubier (1999), avestruzes em ambientes naturais
passam a maior parte do tempo alimentando-se durante o dia, o que inclui pastar e
outros alimentos (insetos, ingerindo pedras), o que provavelmente esteja relacionado
com a busca constante do alimento com o intuito de sobreviver. Deeming (1998)
relaciona a alimentação com a manutenção da temperatura corporal, sendo este o
principal fator para taxas elevadas de consumo de ração pois ao observar animais nos
meses de verão, o autor verificou um menor consumo nas horas mais quentes do dia.
A Figura 3 apresenta os comportamentos correndo/caminhando e
rodopiando/Fugindo, que caracterizou uma reação decorrente de quaisquer fontes
identificada como estressante (presença de outra espécie animal, manejos dos animais,
etc).
444
9:00 10:00 11:00 12:00 13:00 14:00 15:00 16:00 17:00 18:00
0
0.1
0.2
0.3
0.4
0.5
0.6
0.7
correndo/caminh
ando
fugindo/rodopian
do
Horário
Y
i
= 0,23 – 0,01 X
i
R
2
= 0,45
Y
i
= 0,78 – 0,02 X
i
R
2
= 0,84
Figura 3. Relação entre os comportamento correndo/caminhando e
rodopiando/fugindo durante o período das 9:00 às 18:00.
Ambas decresceram de forma linear no decorrer do período, sendo que o
comportamento mais freqüentemente observado fora o comportamento correndo. A
maior freqüência foi observada no período das 9:00 horas (34% para
correndo/caminhando e 2% para Rodopiando/Fugindo) (Tabela 1). Neri (2007)
encontrou diferença no comportamento andar, sendo maior nas primeiras horas do dia e
no fim da tarde, devido a baixa temperatura neste período pois os animais diminuíram
suas atividades físicas nas horas mais quente do dia. Mckeegan & Deeming (1996)
relataram maior expressão deste comportamento na parte da manhã e a tarde em
avestruzes machos. Quando observados os dados de em pé ereto/parado, observou-se
que os animais permaneceram a maior parte do tempo parados nos horários mais quente
do dia, e em horários mais amenos, o comportamento Correndo/caminhando foi maior
apenas nas primeiras horas do dia, o que indica que os animais quando se
movimentavam encontravam-se pastando.
O fato dos animais se movimentarem constantemente não indica,
necessariamente, situações de estresse. Csermely et al. (2006) observaram que animais
selvagens se locomovem com freqüência, e descartam a teoria de que animais em
445
cativeiro apresentam este comportamento em função da frustração que o ambiente
restrito oferece. Samson (1996) descreveu como comportamentos anormais associados à
condições estressantes: (1) bicar penas do pescoço e calda de forma agressiva,
freqüentemente associado a super-população e longos meses de confinamento; (2) bicar
os dedos e a face de forma excessiva podendo causar ferimentos graves; (3)
comportamento de observar estrelas e está diretamente ligado ao confinamento em
ambientes de tamanho e luminosidade muito reduzidos; (4) anorexia e adipsia por
aversão aos recipientes onde estão a comida e água, ou até mesmo por algum tipo de
contaminação da água ou da dieta; (5) ingestão de corpos estranhos que podem causar
impactação ou outras enfermidades; (6) ingestão excessiva de fezes e (7) agressividade.
Entretanto, observou-se lutas e brigas entre os casais ou entre animais de piquetes
vizinhos, comportamentos estes relacionados ao período de reprodução onde a disputa
pela demarcação territorial e o estímulo/aceite pela fêmea.
Para Stewart (1994), a dança é um comportamento presente nos avestruzes
selvagens, como também nos em cativeiro; entretanto Deeming et al (1996) observaram
este comportamento com maior freqüência quando os animais que estão presos, são
liberados. Este comportamento foi maior das 14:00 às 17:00 horas, dançando nas horas
mais frescas do dia (Neri, 2007). Alguns cuidados básicos devem ser tomados para
amenizar situações de estresse que possam ocasionar doenças, evitando superlotação de
piquetes, presença de outros animais, barulhos estranhos como automóveis, tratores,
pessoas ou qualquer tipo de sons dos quais os animais não estão acostumados
(Tuckwell, 1993).
CONCLUSÃO
Como demonstrado pelos resultados da análise de regressão dos comportamentos,
os animais demonstraram que permaneceram a maior parte do tempo em atividades
como pastando ou em pé ereto/parado, ou seja, em posição de alerta como também
pode-se observar na natureza, onde sempre permanecem alertas à presença de
predadores. Comparando os comportamentos pastando e comendo ração, apesar da
ração ser fornecida em único trato no período da manhã, os animais visitaram mais o
comedouro no período da tarde, enquanto o pastejo foi mais freqüente nos horários de
temperaturas mais amenas, no início da manhã e final da tarde. Tais observações
446
sugerem que o fornecimento de ração pode ser realizado no período da tarde sem
nenhum prejuízo ao consumo, ou então ser dividido em dois tratos diários.
O comportamento fugindo/rodopiando não indica necessariamente que os animais
estavam sobre estresse uma vez que comportamento de rodopio ou dança é comum em
avestruzes que estão presas e posteriormente são liberadas.
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Método alternativo de coleta e armazenamento de sangue para obtenção de DNA
em avestruzes (Struthio camelus)
RESUMO
Existem vários métodos de extração de DNA, entre eles os métodos alternativos
têm se mostrado atrativos por apresentar menor custo e facilitar o processo de coleta e
estocagem das amostras. Apesar da quantidade de DNA obtida por tais métodos
normalmente ser baixa, isso não impossibilita que ocorra reação em cadeia da
polimerase (PCR). Foram coletadas amostras de sangue de avestruzes (Struthio
camelus) em papéis tipo filtro e armazenadas a temperatura ambiente. As extrações de
DNA foram realizadas após 24 horas da coleta e em intervalos de 7 dias, utilizando-se o
protocolo com CTAB. Foram realizadas leituras de absorbâncias no comprimento de
onda de 260 e 280 nanômetros, para determinar o grau de pureza (A
260nm
/A
280nm
) e a
concentração de DNA. As amplificações foram realizadas utilizando primers para o
gene do hormônio do crescimento de bovino (GHbovino). As leituras A
260
, A
280
e
concentração de DNA diminuíram no decorrer do período, e a razão A
260
/A
280
aumentou. Todas as amostras apresentaram DNA genômico íntegro e com
amplificações positivas, concluindo-se portanto, que o método testado pode ser
utilizado em processos moleculares de maneira eficiente.
Palavras-chave: CTAB, extração de DNA, papel filtro.
Alternative method to collect and storage blood to obtain DNA in ostriches
(Struthio camelus)
ABSTRACT
There are many methods of DNA extraction; between them, alternative methods
had shown more attractive to present lower costs and to be an easy process of samples
collect and storage. In despite of the DNA amount obtained for such methods are low, it
was not impossible to run amplicons in polymerase chain reaction (PCR). Were
collected blood samples of ostriches (Struthio camelus) in filter papers and stored at
room temperature. DNA extractions were made 24 hours after collected and each seven
days period using CTAB protocol. Absorbance lectures were made at 260 and 280 nm
and determined the degree of purity (A
260nm
/A
280nm
) and DNA concentration.
Amplifications were made, using primers to bovine growth hormone gene (GHbovine).
The lectures A
260
, A
280
and DNA concentration decrease during the period, and ratio
A
260
/A
280
increase. All samples shown genomic DNA and positive amplicons, so we
conclude that method tested could be used in molecular process as an efficient way.
Key-words: CTAB, DNA extraction, filter paper.
INTRODUÇÃO
As avestruzes (Struthio camelus), pertencem ao grupo das ratitas, ordem
Struthioniformes (Cooper et al., 1992). O avestruz está ganhando cada vez mais
interesse como um animal de criação, devido ao seu potencial de produzir carne
vermelha saudável, com um baixo teor de gordura (Cooper & Horbañczuk, 2002). Um
fator importante para que o criador tenha sucesso em sua criação é o respaldo técnico-
científico na área de biologia molecular, pois tal fator pode fornecer subsídios para
melhorar os desempenhos reprodutivo e produtivo dos sistemas de criação (Morata et
al., 2006).
Diversas técnicas de biologia molecular estão hoje disponíveis para a detecção da
variabilidade genética ao nível de seqüência do DNA na detecção de polimorfismos
genéticos, permitindo a obtenção de um número ilimitado de marcadores moleculares,
cobrindo todo o genoma do organismo (Valentim et al., 2003). Tais marcadores podem
ser utilizados para as mais diversas aplicações, tanto no estudo de genética, quanto na
prática de melhoramento de plantas e de animais (Ferreira e Grattapaglia, 1998).
Uma importante ferramenta utilizada na biologia molecular é a reação em cadeia
da polimerase (PCR). As técnicas de otimização da extração de DNA para a utilização
na reação em cadeia da polimerase têm permitido a investigação de diferentes amostras
biológicas mesmo quando o DNA está presente em pequenas quantidades (Bueno,
2004). A análise com marcadores em espécies pouco estudadas enfrenta barreiras no
processo de extração do DNA, pois para se obter um DNA com qualidade, diferentes
protocolos precisam ser testados.
A boa qualidade do DNA é essencial para se obter bom resultado em
experimentos (Hoy, 1994), especialmente no uso da reação da polimerase em cadeia,
nos quais os excessos de estruturas celulares e proteínas podem inibir o processo de
amplificação (Saiki, 1990). O método de estocagem do DNA também influencia e pode
promover a degradação do material obtido (Coelho et al., 2004). Protocolos
extremamente simplificados podem fornecer DNAs parcialmente degradados ou
contaminados que, apesar de possibilitar amplificações por PCR, podem comprometer a
reprodutibilidade das reações, resultando muitas vezes em falsos negativos (Romano,
1998).
A extração do DNA tem sido realizada em diferentes tecidos de animais como
sangue, sêmen e pêlos de touros de diferentes raças zebuínas (Coelho et al., 2004),
52
sangue de aves (Campos et al., 2003), folículos pilosos da espécie caprina (Mendonça &
Araújo, 2003) e tecido muscular em suínos (Sollero et al., 2004). De modo geral, um
dos protocolo de extração de DNA mais utilizado para as diferentes espécies é o CTAB
(brometo de cetiltrimetilamônio) padrão, ou CTAB com algumas modificações e
variações daquele descrito por Dellaporta et al. (1983).
A técnica de extração com o uso de brometo de cetiltrimetilamônio (CTAB) é
muito aplicada em tecidos vegetais, e também a uma variedade de outros materiais
biológicos como sangue, sêmen, folículo piloso e tecidos orgânicos. Além disso, essa
técnica permite facilmente acomodar uma grande variação de quantidades iniciais de
tecido, até mesmo miligramas de tecido mumificado, fossilizado ou herbarizado
(Ferreira & Grattapaglia, 1998).
O presente trabalho teve como objetivo testar o protocolo de extração de DNA do
sangue de avestruzes (Struthio camelus) com CTAB em diferentes períodos de
estocagem do material e capacidade de amplificação.
MATERIAL E MÉTODOS
O presente estudo foi realizado no Laboratório de Reprodução e Biotecnologia da
Universidade Estadual de Maringá, Maringá - Paraná e no Criatório Kingstruz,
localizado no município de Marilena - Paraná.
Foram coletadas amostras de sangue (5 mL) da veia braquial de dois avestruzes
(Struthio camelus) da raça African Black, utilizando seringas e agulhas descartáveis, e
posteriormente transferidos para tubos de ensaio contendo como anticoagulante citrato
de sódio (18%). Foram distribuídas gotas de aproximadamente 5 µl, em papel tipo filtro,
totalizando um número de 30 amostras (gotas)/animal. Estas amostras foram divididas
em cinco grupos totalizando 6 amostras/animal/grupo, estocadas a temperatura
ambiente. A extração do DNA foi realizada no grupo 1, 24 horas após a coleta, e
repetindo-se nos demais grupos no intervalo de sete dias, conforme abaixo:
Grupo 1 – extração realizada 24 horas após a coleta;
Grupo 2 – extração realizada 7 dias após a coleta;
Grupo 3 – extração realizada 14 dias após a coleta;
Grupo 4 – extração realizada 21 dias após a coleta;
Grupo 5 – extração realizada 28 dias após a coleta.
Para extração do DNA foi utilizado o protocolo com CTAB (brometo de
cetiltrimetilamônia): foram cortadas amostras de papel contendo 5 µl de sangue
53
distribuídas em micro tubos. Adicionou-se 500 µl de CTAB (200 mL de solução de
CTAB: 160 mL de água ultra-pura; 16,36 g de NaCl; 400 μl de β-mercapto-etanol; 200
mL de 1 M de Tris-HCl, pH 8,0; 8 mL 0,5 M de Na
2
EDTA, pH 8,0; 4 g de CTAB) e 5
μl de proteinase K (200µg/mL). As amostras foram agitadas e incubadas à 60ºC em
banho-maria durante 4 horas. Posteriormente foram adicionados 500 μl de clorofórmio:
álcool isoamílico (24:1), agitadas novamente e centrifugadas por 20 minutos a 12.900 g.
Retirou-se o sobrenadante sendo o mesmo depositado em um novo tubo, onde
adicionou-se 250 μl de isopropanol. As fases foram cuidadosamente misturadas por
inversão do tubo observada a presença de pellets. Incubou-se a –20ºC overnight. Após a
incubação, as amostras foram centrifugadas a 12.100 g por 5 minutos, descartando-se o
sobrenadante. Realizou-se lavagens do pellet com 500 μl de etanol (70%), e sendo
centrifugado a 12.100 g por 3 minutos e o etanol descartado. Esse procedimento foi
repetido por 3 vezes consecutivas. Após a terceira lavagem, as amostras foram secas em
estufa (37ºC) por aproximadamente 40 minutos. Adicionou-se 50 μl de TE e 5 μl de
RNAse (30μl/ml), incubadas em banho-maria à 37ºC por aproximadamente 40 minutos
e foram estocadas à –20ºC.
Para determinar a concentração de DNA e proteína, o grau de pureza das amostras
(relação 260 nm/ 280 nm), estas foram submetidas à leitura das absorbâncias em
espectrofotômetro a 260nm (DNA) e 280 nm (proteína) de comprimento de onda, sendo
realizada sempre em duplicatas. O fator de diluição utilizado nas amostras de DNA foi
100 (10 DNA:990 água ultra-pura autoclavada).
A integridade do DNA extraído foi analisada através de eletroforese em gel de
agarose (0,8%), em tampão TBE 1X (Tris, Ácido Bórico e EDTA) com tempo de
corrida de 40 minutos a 100 volts. Os géis foram revelados em solução de brometo de
etídeo (3 μl/L) durante 20 minutos, e visualizados em transiluminador ultravioleta,
sendo as imagens capturadas por um sistema da EDAS (Kodak 1D Image Analysis 3.5).
O DNA genômico foi amplificado em um volume de reação de 25 μl, sendo 23 μl
de mistura e 2 μl de DNA molde (45 ng). O mix utilizado foi constituído por: tampão
Tris-KCl 1X (Tris-HCl 20 mM pH 8,4 e KCl 50 mM), 1,5 mM de MgCl
2
, 0,50 μM de
primer (oligonucleotídeos), 0,25 mM de dNTPs (desoxirribonucleotídeos trifosfatados)
e uma unidade de Taq DNA Polimerase (Invitrogen). As reações foram amplificadas em
termociclador “Eppendorf Mastercycler® Gradient” programado para 35 ciclos, com
um passo inicial de desnaturação a 95ºC por quatro minutos e um passo final de
54
extensão a 72ºC por quatro minutos. Cada ciclo foi constituído por 30 segundos a 95ºC,
dois minutos a 59°C e um minuto e 30 segundos a 72ºC.
Para amplificação foi utilizado 1 par de primer (GHbovino), este foi desenhado
utilizando como referência a sequencia gênica (número de acesso: M57764.1)
depositada no Genebank (www.ncbi.nlm.nih.gov).
Os produtos da amplificação foram separados em gel de agarose 0,8% sob
eletroforese conduzida a 40 volts por duas horas e 30 minutos em tampão TBE 1X
(500mM de Tris-HCl, 60mM de ácido bórico e 83mM de EDTA). O gel foi corado com
brometo de etídeo (0,5μg/mL) e visualizado em transiluminador ultravioleta, sendo as
imagens capturadas por um sistema da EDAS (Kodak 1D Image Analysis 3.5). O
tamanho dos fragmentos foi estimado por comparação com o padrão 100pb DNA
Ladder. Na Tabela 1, são apresentadas as seqüências do par de primer do hormônio do
crescimento (GH), baseado na seqüência do gene GH de bovinos.
Tabela 1. Seqüência dos primers do hormônio do crescimento (GH) desenhados de
acordo com a seqüência do gene GH em bovinos.
Primer Sequência
Direto 3' GCTGCTCCTGAGGGCCCTTCG 5'
Reverso GCGGCGACACTTCATGACCCT
Os dados foram submetidos a análise estatística utilizando o procedimento
GENMOD do programa SAS (2008), considerando que os erros possuíam diferentes
distribuições de probabilidade, com função de ligação canônica. O ajuste foi avaliado
utilizando a correlação de Pearson.
RESULTADOS E DISCUSSÃO
A partir das leituras das absorbâncias a 260 nm e 280 nm, obteve-se a
concentração de DNA das amostras (ng/μL) e a razão entre DNA/proteína (A
260
/A
280
).
O resultado dos dados submetidos à análise estatística estão apresentados na Figura 1.
55
1 7 14 21 28
10
30
50
70
90
110
130
1 7 14 21 28
0.4
0.6
0.8
1
1.2
1.4
1/Y = 1/0,0674 – 1/0,0068X
i
r = 23
1/Y
i
= 1/0,0094 + 1/0,0004X
i
r = 47
Concentra
ç
ão DNA
Razão DNA/
p
roteína
Figura 1. Concentração de DNA (ng/μL) e razão DNA/proteína (A
260
/A
280
), no sangue
de avestruzes (Struthio camelus).
A concentração de DNA genômico é uma das variáveis mais importantes. O
excesso de DNA pode reduzir ou inibir a atividade da Taq polimerase, devido à altas
concentrações de impurezas, resultando na ausência da amplificação ou, por outro lado,
o DNA em concentrações muito baixas pode dar origem a padrões de amplificação não-
reprodutíveis, podendo ocorrer acréscimo ou diminuição de bandas, mesmo entre
repetições (Fungaro, 2002).
A concentração de DNA (Figura 1) apresentou valores decrescentes, e a razão
DNA/proteína apresentou valores crescentes no decorrer do período de armazenamento,
sem interferir no padrão de amplificação.
A Figura 2 apresenta o gel de agarose (0,8%) contendo as amostras de DNA
genômico nos períodos de 24 horas, 7 dias, 14 dias, 21 dias e 28 dias após a coleta,
respectivamente.
56
Figura 2. Eletroforese em gel de agarose (0,8%) contendo
amostras de DNA genômico nos períodos de
armazenamento. Linhas 1 e 2 – 24 horas, 3 e 4 – 7
dias, 5 e 6 – 14 dias, 7 e 8 – 21 dias, 9 e 10 – 28
dias.
P 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10
Como demonstrado na Figura 2, as amostras de todos os períodos apresentaram
DNA genômico o que foi confirmado pelas leituras de absorbância.
A quantidade de DNA contaminado com proteína é fornecida pela razão entre os
comprimentos de onda a 260nm/280nm na leitura feita pelo espectrofotômetro. Ferreira
& Grattapaglia (1998), recomendam que esta variação esteja entre o intervalo 1,8 a 2,2 e
que valores não condizentes com este intervalo não apresentariam uma grau de pureza
aceitável. Contudo, de acordo com Sambrook et al. (1989), os valores abaixo de 1,8
representam um DNA livre de contaminação, inclusive por proteínas. No presente
estudo, a razão variou entre 1,2 a 1,3, indicando assim que a quantidade de proteína
presente nas amostras não impossibilitou a amplificação do DNA.
Os valores médios das variáveis A
260
, A
280
, razão (A
260
/A
280
) e a concentração de
DNA, são apresentados na Tabela 2.
Tabela 2. Médias das variáveis: comprimento de onda 260nm e 280nm, razão
(A
260
/A
280
) e concentração de DNA (ng/μL) em função do período de
armazenamento.
Período
(dias)
A
260
(nm) A
280
(nm) Razão (A
260
/A
280
)
Concentração de
DNA (ng/μL)
1 0,0426 0,0372 1,23 213
7 0,0632 0,0576 1,27 316
14 0,0247 0,0211 1,32 123,5
21 0,0209 0,0180 1,18 104,5
28 0,0288 0,0229 1,28 144
57
Houve diferença significativa em relação a concentração de DNA variando de
104,5 ng/µL para o período de 21 dias a 316 ng/µL para o período de 7 dias de
armazenamento após coleta do material. O nível de contaminação medido pela razão
A
260
/A
280
apresentou diferença significativa (P<0,03), sendo o período que demonstrou
menor nível de contaminação foi o de 21 dias e o maior de 14 dias. Os valores
encontrados para Razão A
260
/A
280
estão abaixo dos valores encontrados por Marengoni
et al. (2006) de 1,7 a 1,8 para razão A
260
/A
280
, ao contrário da concentração de DNA
que apresentou valores de acordo com a variação encontrada pelos autores, exceto no
período de 21 dias, os quais utilizando o método CTAB para extração de DNA de
peixes teleósteos, encontraram uma variação de 1,7 a 1,8 na razão A
260
/A
280
, e a
concentração variou de 117,15µg/mL a 1.727,09µg/mL. Sollero et al. (2004), extraindo
DNA de tecido muscular de suínos, utilizando o método com CTAB, também
encontraram valores de 887,6 até 1828,2 ng/µL para a concentração de DNA e a razão
DNA/proteína variou de 1,85 a 1,93, considerando que o DNA obtido apresentou boa
qualidade e quantidade.
Coelho et al. (2004) avaliando diferentes métodos de extração de DNA de sangue,
sêmen e pêlo de bovinos e diferentes períodos de estocagem, encontraram valores de
concentração de DNA de 264,58 a 828,75µg/ml, 96,67 a 440,83µg/ml e 295,42 a
582,5µg/ml em amostras de sangue, sêmen e pêlos, respectivamente. Os mesmos
autores verificaram os valores médios de razão DNA/proteína de 1,08 a 1,55; 0,60 a
0,91 e 1,11 a 1,42 em amostras de sangue, sêmen e pêlos, respectivamente.
A forma de coleta e conservação também são fatores de grande importância para a
obtenção do DNA em concentração e qualidade adequadas (Sollero et al., 2004). Feres
et al. (2005), realizando testes com o tempo de armazenamento, extração e qualidade do
DNA extraído de folhas, verificaram que o procedimento mais eficiente e de maior
facilidade em condições de campo, foi do material coletado e mantido a temperatura
ambiente por um período de 7 dias. Grutzmacher et al. (2006) confirmaram a
possibilidade de extração do DNA de formigas em etanol 75% mantidos em
temperatura ambiente no período de 24 horas até 10 meses, sendo a maior quantidade de
DNA obtida em amostras frescas; quando submetidos a técnica de RAPD, apenas as
amostras de até 8 meses de conservação amplificaram.
Ferreira & Grattapaglia (1998) recomendam a utilização do material para extração
de DNA o mais fresco possível, uma vez que a condição de estocagem da amostra afeta
a concentração do DNA obtido. Porém, na maioria das vezes não é possível realizar a
58
extração logo após a coleta da amostra nos casos onde estas são obtidas longe dos
centros de pesquisa. Segundo Feres et al. (2005), utilizar uma amostra seca ao invés de
amostras conservadas sobre refrigeração em um estudo molecular, tem como vantagem
o fato do material ser rompido com maior facilidade e a qualidade do DNA é muito
satisfatória. Além disso, no estado desidratado, o DNA é menos susceptível à
degradação química ou enzimática (Murray & Thompson, 1980).
A Figura 3 apresenta o gel de agarose (1,5%) contendo as amostras amplificadas
com o primer GHbovino, no
período de 24 horas após a coleta.
P 1 2 3 4 5 6
Figura 3. Eletroforese em gel de agarose
1,5% das amplificação com o
primer GHbovino. Linhas
1,2,3,4,5,6: amostras de DNA
genômico, do período de 24 horas
após a coleta; P: marcador de peso
molecular de 100pb.
Com exceção das linhas 5 e 6, todas as demais amostras apresentaram
amplificação como pode ser constatado na Figura 3, apresentando o fragmento
esperado, com tamanho aproximado de 400pb.
É importante destacar que apesar do primer utilizado não ser específico e ser
baseado na seqüência de uma outra espécie (bovino), isto revela que o GH é um gene
que possui alto índice de conservação o que permite utilizá-lo em experimentos futuros
como gene candidato em avestruz.
59
CONCLUSÃO
O protocolo de conservação de sangue em papel a temperatura ambiente
demonstrou que é possível a coleta e o armazenamento de amostras de sangue através
deste procedimento, confirmado pelo bom padrão de amplificação obtido através do
gene do hormônio do crescimento bovino.
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CONCLUSÕES GERAIS
No estudo que objetivou avaliar a influência do clima sobre os índices
reprodutivos de avestruzes, verificou-se que o índice de contaminação dos ovos de
avestruzes (Struthio camelus) foi maior quando os ovos foram coletados em ninho
úmido quando comparados a ninho seco, devido à alta umidade a que foram expostos e
maior susceptibilidade às infecções bacterianas. Os índices de incubação, em conjunto
com as variáreis da qualidade da casca, demonstram a carência em estudos para
aprimoramento da técnica e a necessidade de se obter uma maior homogeneidade dos
lotes de ovos que apresentaram variação em relação a espessura da casca e número de
poros que influenciaram diretamente nos padrões de eclodibilidade.
Em relação aos aspectos comportamentais, os animais permaneceram a maior
parte do tempo em atividades como pastando ou em pé ereto/parado, ou seja, em
posição de alerta como também pode-se observar na natureza, onde sempre
permanecem alertas à presença de predadores. Comparando os comportamentos
pastando e comendo ração, apesar da ração ser fornecida em único trato no período da
manhã, os animais visitaram mais o comedouro no período da tarde, enquanto o pastejo
foi mais freqüente nos horários de temperaturas mais amenas, no início da manhã e final
da tarde. Tais observações sugerem que o fornecimento de ração pode ser realizado no
período da tarde sem nenhum prejuízo ao consumo, ou então ser dividido em dois tratos
diários.
Já o protocolo de conservação de sangue em papel a temperatura ambiente
demonstrou que é possível a coleta e armazenamento de amostras de sangue,
confirmado pelo bom padrão de amplificação com o primer Ghbovino.A concentração
de DNA no decorrer do período diminuiu, mas a razão DNA/proteína aumentou ao
longo dos 30 dias.
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