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UNIVERSIDADE FEDERAL DE PERNAMBUCO
CENTRO DE TECNOLOGIA E GEOCIÊNCIAS
DEPARTAMENTO DE ENGENHARIA CIVIL
ESTRATÉGIAS DE APROXIMAÇÃO PARA A OTIMIZAÇÃO
ESTRUTURAL
Marcelo Ferreira da Silva
Dissertação submetida ao Corpo Docente do Programa de
Pós-Graduação em Engenharia Civil da Universidade Federal
de Pernambuco, como parte integrante dos requisitos
necessários à obtenção do Grau de Mestre em Ciências em
Engenharia Civil.
Orientadora: Profª. Silvana Maria Bastos Afonso da Silva
Coorientador: Profº. Bernardo Horowitz
Recife, Pernambuco Brasil
Novembro de 2009.
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S586e Silva, Marcelo Ferreira da.
Estratégias de aproximação para a otimização estrutural / Marcelo
Ferreira da Silva. - Recife: O Autor, 2009.
xvi, 98 f., il : grafs., tabs., figs.
Dissertação (Mestrado) Universidade Federal de Pernambuco.
CTG. Programa de Pós-Graduação em Engenharia Civil, 2009.
Inclui bibliografia.
1. Engenharia Civil. 2. Modelos substitutos (metamodelos) 2.
Aproximação. 3. Otimização. 4. Treliças. I. Título.
UFPE
624 CDD (22. ed.) BCTG/2010-017
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ESTRATÉGIAS DE APROXIMAÇÃO PARA A OTIMIZAÇÃO
ESTRUTURAL
Marcelo Ferreira da Silva
DISSERTAÇÃO SUBMETIDA AO CORPO DOCENTE DO PROGRAMA DE
PÓS-GRADUAÇÃO EM ENGENHARIA CIVIL DA UNIVERSIDADE
FEDERAL DE PERNAMBUCO, COMO PARTE INTEGRANTE DOS
REQUISITOS NECESSÁRIOS À OBTENÇÃO DO GRAU DE MESTRE EM
CIÊNCIAS EM ENGENHARIA CIVIL.
Banca Examinadora:
Recife, Pernambuco Brasil
Novembro de 2009.
i
Agradecimentos
Agradeço a Deus por ter me dado saúde e inspiração para que pudesse realizar este
trabalho;
Ao meu pai, Marcelo José da Silva (in Memoriam), minha mãe, Cleise Ferreira
Gomes, e meus irmãos, Michelle Ferreira Wright e Sandro Ferreira da Silva, pelo apoio e
incentivo dedicado a mim;
À professora Silvana Maria Bastos Afonso da Silva pela excelência na orientação,
paciência e grande atenção dedicada a mim;
Ao professor, Bernardo Horrowitz pela soberba coorientação e valiosas ideias de
fundamental importância para o desenvolvimento deste trabalho;
Aos professores da banca, Paulo Roberto Maciel Lyra e Ramiro Brito Willmersdorf,
por seus valiosos comentários durante a avaliação dessa dissertação;
Aos professores, Paulo Régis e Ézio da Rocha pelo apoio e conhecimentos passados
ao longo de minha carreira acadêmica;
Aos amigos de convívio do laboratório de estruturas da UFPE, Juliana, Renato,
rgio, Leonardo, Denillo, Pedro, Flávia, entre outros;
À CAPES (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior), pelo
auxílio financeiro;
A todos que, direta ou indiretamente, tornaram este trabalho possível.
ii
Resumo
A otimização de treliças é um assunto bastante estudado na literatura, principalmente
quando se deseja verificar a implementação de um método de programação matemática ou
avaliar uma técnica recentemente desenvolvida. A escolha de treliças deve-se ao fato da
facilidade de implementação computacional, aliada ao uso prático das mesmas, ou seja, as
treliças são capazes de vencer grandes vãos com um peso estrutural relativamente baixo.
Geralmente os problemas de engenharia prática requerem um extensivo
processamento computacional para realizar uma simples análise estrutural. Além disso,
quando se deseja otimizar uma estrutura, a obtenção do projeto ótimo pode se tornar inviável
uma vez que o procedimento de otimização requer sucessivas avaliações das funções e suas
derivadas.
Entretanto são apontados na literatura inúmeras alternativas para superar tais
dificuldades. Uma delas refere-se à criação de modelos substitutos, metamodelos, que são
construídos a partir da simplificação da função real complexa (KEULEN e HAFTKA, 2004);
(FORRESTER, SOBESTER e KEANE, 2008). As aproximações podem ser agrupadas em
dois tipos, local e global (BARTHELEMY e HAFTKA, 1993) e podem assumir a forma
funcional ou física.
As aproximações locais são geralmente utilizadas juntamente à estratégia de
otimização aproximada sequencial (Sequential Approximate Optimization (SAO)) (GIUNTA
e ELDRED, 2000), uma vez que as mesmas o válidas apenas na vizinhança na qual é
concebida. Nesta estratégia a solução é obtida através da solução sequencial de subproblemas
restritos a sub-regiões de confiança adaptativamente ajustadas em função do desempenho
preditivo do modelo substituto. As aproximações na forma funcional baseadas na série de
Taylor de primeira ordem e baseadas no ajustamento de pontos através da obtenção de uma
superfície de resposta serão avaliadas neste trabalho.
Outra opção seria a utilização das aproximações globais que buscam aproximar o
comportamento global da função. No presente trabalho a aproximação global baseada no
ajustamento de pontos através do modelo de krigagem associada a dois tipos de planos de
amostragem (Design of Experiments (DOE)) (SIMPSON, LIN e CHEN, 2001) será
considerada. O mesmo é apontado na literatura como uma boa escolha quando se considera
iii
problemas de engenharia (GIUNTA e WATSON, 1998). Além dessa, uma aproximação
global baseada na física do problema será aqui proposta.
A combinação da estratégia global e local, denominada de uma estratégia híbrida, será
também considerada. O modelo de grelha (abordagem física) será corrigido por um termo
aditivo ou multiplicativo obtido através da determinação da diferença entre o modelo real
(treliça) e aproximado (grelha) (ELDRED, GIUNTA e COLLIS, 2004). Tal termo de correção
será expresso tanto em função de uma série de Taylor quanto a partir de um modelo de
krigagem, onde em ambas à estratégia SAO será adotada.
Portanto este trabalho utilizará as estratégias de aproximação acima descritas para
obter o projeto ótimo de treliças. Espera-se assim reduzir o tempo de processamento
computacional durante o processo de otimização estrutural, uma vez que os metamodelos
simplificam tais problemas. Sendo assim, duas classes de treliças serão estudadas. A primeira
consiste de treliças bidimensionais onde quatro exemplos clássicos da literatura (KIRSCH,
1981) com diversos níveis de complexidades serão estudados. A segunda trata-se de uma
treliça espacial que representa uma coberta treliçada real onde buscamos demonstrar a
viabilidade da aplicação de tais técnicas para problemas reais da engenharia.
A análise e a otimização de tais problemas será conduzida a partir do código
computacional inicialmente implementado no ambiente MATLAB (MATHWORKS, 2009)
por Afonso e Horowitz (1998). O código incorpora o algoritmo de Otimização das Dimensões
Estruturais (Structural Sizing Optimization (SSO)) o qual é subdividido em três principais
módulos, ou seja, o módulo da análise estrutural, o módulo da análise de sensibilidade e o
módulo de otimização estrutural. O mesmo será tomado como base para as implementações
das diversas estratégias de aproximação.
A dissertação finaliza com a comparação dos resultados obtidos através das técnicas
de aproximação com os resultados obtidos via o método convencional de alta fidelidade.
Palavra chave: Modelos substitutos (metamodelos). Aproximação. Otimização. Treliças.
iv
Abstract
Optimization of trusses is a well-known subject in the literature, especially when the
goal is to verify an implementation of a mathematical programming method or to evaluate a
technique recently developed. Trusses are usually chosen due to their simple computational
implementation combined with the practical usage of them, i.e., trusses are capable of
reaching longer spans thus keeping their structural weight relatively low.
In general, practical engineering problems usually require large computational
processing for a single structural analysis. Additionally, when the main objective is to
optimize the structure, the process of obtaining an optimal design may become impossible
since the optimization process requires repeated functions evaluations and their derivatives.
Nevertheless, various alternatives to overcome such difficulties appear in the
literature. One of each is the creation of a surrogate model - metamodels - that are built based
on a simplification of real/complex functions (KEULEN e HAFTKA, 2004); (FORRESTER,
SOBESTER e KEANE, 2008). Those approaches can be grouped into two types: local and
global (BARTHELEMY e HAFTKA, 1993) and may also take the functional and physical
forms.
Local approximations are usually used in combination with a SAO (Sequential
Approximate Optimization) strategy (GIUNTA e ELDRED, 2000), since those types are only
valid in the vicinity in which they are built it. In this approach the solution is obtained by
solving a sequence of sub-problems restricted to a sub-region (trust region) which are
adaptively adjusted based on the predictive performance of the surrogate model. Functional
form approximations based on first-order Taylor series and response surfaces obtained
through a data fitting technique will be evaluated in this work.
Another option would be to use global approach which seeks to approximate the
overall behavior of a function. In this study, the global approximation based on data fitting
technique obtained by kriging interpolation model combined with two types of DOE (Design
of Experiments) (SIMPSON, LIN e CHEN, 2001) are considered. Those are appointed in the
literature as a good choice when engineering problems are addressed (GIUNTA e WATSON,
1998). Besides this, another global approach is proposed which is based on the physics of the
problem considered.
v
A combination of global e local strategies, named here as a hybrid strategy, will also
be considered. In this one, the grillage model (physical approach) will be corrected by an
additive or multiplicative term determined by the difference between actual (truss) and
approximated (grid) models (ELDRED, GIUNTA e COLLIS, 2004). This correction term is
expressed either as a function of a Taylor series or as a kriging model, where for both the
SAO strategy is again assumed.
Therefore, this work will use the approximation strategies described above to obtain
an optimal design of trussed structures. In addition, reduction of the computational time
required during the structural optimization procedure is expected, since metamodels simplifies
the real problem. Thus, two classes of examples will be studied. The first consists of two-
dimensional trusses where four benchmarks examples reported in literature (KIRSCH, 1981)
with various levels of complexity are studied. The second will consider a special truss that
represents a real trussed roof problem in order to demonstrate the viability and applicability of
those techniques to any real engineering problem.
The analysis and optimization of those problems will be conducted with the
computational code OPTRUSS which was first implemented in MATLAB (MATHWORKS,
2009) by Afonso and Horowitz (1998). The code incorporates the SSO (Sizing Structural
Optimization) algorithm, which can be subdivided into three main modules, i.e., the structural
analysis module, the sensitivity analysis module, and the structural optimization module. The
code will be taken as the basis for all implementations which considers various approximated
strategies.
This thesis concludes with a comparison of results obtained by approximation
techniques with the results based on conventional approach of high-fidelity.
Key-word: Surrogate models (metamodels). Approximation. Optimization. Trusses.
vi
Lista de Figuras
Figura 1.1: Exemplo de estruturas treliçadas. ............................................................................ 1
Figura 2.1: Definição do pórtico bidimensional para o problema de otimização..................... 11
Figura 2.2: Otimização estrutural representada graficamente. ................................................. 13
Figura 2.3: Discretização do elemento da treliça tridimensional. ............................................ 21
Figura 2.4: Discretização do elemento da grelha. .................................................................... 22
Figura 3.1: Exemplo de diferentes tipos de aproximações. ...................................................... 32
Figura 3.2: Exemplo de três diferentes amostras. ..................................................................... 34
Figura 3.3: Exemplo de amostras LHS e não LHS. ................................................................. 35
Figura 3.4: Modelo da coberta treliçada. .................................................................................. 43
Figura 3.5: Modelo de grelha equivalente. ............................................................................... 44
Figura 4.1: Coberta treliçada do Centro de Convenções de Brasília (Brasília, DF)................. 60
Figura 4.2: Exemplos clássicos de treliças bidimensionais. ..................................................... 62
Figura 4.3: Histórico das iterações considerando a estratégia SAO. ........................................ 70
Figura 4.4: Modelo da coberta treliçada. .................................................................................. 71
Figura 4.5: Agrupamento das variáveis de projeto para o modelo de treliça
espacial. ............................................................................................................ 72
Figura 4.6: Representação gráfica da flexibilidade estrutural da treliça espacial. ................... 73
Figura 4.7: Modelo equivalente de grelha. ............................................................................... 74
Figura 4.8: Agrupamento das variáveis de projeto para o modelo de grelha. .......................... 75
Figura 4.9: Representação gráfica da flexibilidade estrutural da grelha. ................................. 76
Figura 4.10: Diferença da flexibilidade entre o modelo de treliça e o modelo de
grelha. ............................................................................................................... 76
Figura 4.11: Superfície de resposta da flexibilidade estrutural via krigagem. ......................... 79
Figura 4.12: Curvas de níveis da flexibilidade estrutural via krigagem. .................................. 80
Figura 4.13: Flexibilidade estrutural via krigagem considerando amostra LHS+. ................... 81
Figura 4.14: Flexibilidade estrutural via MMQ considerando amostra LHS+. ........................ 81
Figura 4.15: Diferença da flexibilidade considerando a correção aditiva. ............................... 84
Figura 4.16: Diferença da flexibilidade considerando a correção multiplicativa. .................... 84
Figura 4.17: Histórico da evolução da região de confiança para a estratégias
SAO_T .............................................................................................................. 88
Figura 4.18: Gráfico da flexibilidade versus as variáveis de projeto a volume
constante. .......................................................................................................... 88
Figura 4.19: Histórico da evolução da região de confiança. .................................................... 89
Figura 4.20: Histórico das iterações de três distintas estratégias SAO. ................................... 89
vii
Lista de Tabelas
Tabela 1.1: Resumo da metodologia adotada. ............................................................................ 5
Tabela 2.1: Parâmetros para a formulação do problema de otimização estrutural. .................. 15
Tabela 2.2: Aspectos computacionais do algoritmo SSO......................................................... 17
Tabela 2.3: Procedimento simplificado do MEF. ..................................................................... 20
Tabela 2.4: Etapas do algoritmo SQP. ...................................................................................... 30
Tabela 3.1: Funções de correlação disponíveis. ....................................................................... 46
Tabela 3.2: Etapas para determinação do PRESS. ................................................................... 50
Tabela 3.3: Aspectos computacionais da estratégia SAO. ....................................................... 55
Tabela 4.1: Estratégias de aproximação consideradas no processo de otimização. ................. 61
Tabela 4.2: Resultados da flexibilidade e do volume com relação ao projeto inicial. ............. 63
Tabela 4.3: Resultado da flexibilidade via MEF e aproximações por série de
Taylor. .............................................................................................................. 63
Tabela 4.4: Resultados dos gradientes da flexibilidade via MEF e aproximações
por série de Taylor ............................................................................................ 64
Tabela 4.5: Comparação da flexibilidade ótima para a treliça com 10 barras com
RC = 10%. ........................................................................................................ 65
Tabela 4.6: Comparação da flexibilidade ótima para a treliça com 64 barras com
RC = 10%. ........................................................................................................ 66
Tabela 4.7: Comparação da flexibilidade ótima para a treliça com 200 barras com
RC = 10%. ........................................................................................................ 66
Tabela 4.8: Comparação da flexibilidade ótima para a treliça com 940 barras com
RC = 10%. ........................................................................................................ 66
Tabela 4.9: Resultados da flexibilidade ótima via MEF. ......................................................... 67
Tabela 4.10: Resultados da flexibilidade ótima via SAO_T para a treliça com 10
barras. ............................................................................................................... 67
Tabela 4.11: Resultados da flexibilidade ótima via SAO_T para a treliça com 64
barras. ............................................................................................................... 68
Tabela 4.12: Resultados da flexibilidade ótima via SAO_T para a treliça com 200
barras. ............................................................................................................... 68
Tabela 4.13: Resultados da flexibilidade ótima via SAO_T para a treliça com 940
barras. ............................................................................................................... 68
Tabela 4.14: Resultados da análise estrutural da treliça via MEF ............................................ 73
Tabela 4.15: Resultados da análise estrutural da grelha via MEF. ........................................... 75
Tabela 4.16: Comparação da flexibilidade no ponto inicial de projeto. ................................... 77
Tabela 4.17: Medida quantitativa dos modelos de krigagem. .................................................. 78
Tabela 4.18: Comparação das técnicas de ajustamento de pontos. .......................................... 82
Tabela 4.19: Comparação da flexibilidade no ponto inicial de projeto. ................................... 82
Tabela 4.20: Medida quantitativa do modelo de grelha com correção aditiva. ........................ 83
Tabela 4.21: Medida quantitativa do modelo de grelha com correção multiplicativa ............. 83
viii
Tabela 4.22: Estratégias adotadas para comparação no processo de otimização. .................... 85
Tabela 4.23: Resultados da análise estrutural da treliça via MEF. ........................................... 86
Tabela 4.24: Resultados da otimização estrutural .................................................................... 86
ix
Lista de Abreviaturas e Siglas
Abreviações
BFGS
Método Broyden-Fletcher-Goldfarb-Shanno
DACE
Design and analysis of computer experiments
DOE
Design of experiments
DSM
Direct Stiffness Method
FMINCON
Rotina de otimização do software MATLAB
LCVT
Latin centroidal voronoi tessellation
LHS
Latin hypercube sampling
MATLAB
Matrix laboratory software
MEF
Método dos elementos finitos
MDF
Método das diferenças finitas
MD
Método direto
MDA
Método direto analítico
MDSA
Método direto semianalítico
MMA
Method of moving asymptotes
MMQ
Método dos mínimos quadrados
MSE
Mean square error
MVA
Método das variáveis adjuntas
OA
Orthogonal array
PRESS
Predicted residual sum of squares
QMC
Quasi Monte Carlo
RC
Região de confiança
RMSE
Root mean squared error
SAO
Sequential approximate optimization
SLP
Sequential linear programming
SQP
Sequential quadratic programming
SRS
Simple random sampling
SSO
Structural sizing optimization
TR
Trust region
x
Lista de Símbolos
Romanos
Escalares:
,
xy
aa
Espaçamento entre as barras da treliça na direção X e Y, respectivamente
,
xy
bb
Espaçamento entre as barras da grelha na direção X e Y, respectivamente
,,
x y z
c c c
Cosseno do
,e
, respectivamente
d
Distância entre o banzo superior e inferior da coberta treliçada
e
Contador do número de elementos
ˆ
f x
Função aproximada
f x
Função objetivo
f x
Função objetivo normalizada
,ij
Índices das coordenadas dos vetores
k
Índices das coordenadas dos vetores; Contador de iterações
,
xy
ll
Comprimento da estrutura na direção X e Y, respectivamente
,x λL
Função Lagrangiana
m
Tamanho da amostra
n
Número das variáveis de projeto
nbar
Número total de barras
ngl
Número total de grau de liberdade
np
Número de pontos da amostra
,pq
Máximo número de índices das coordenadas dos vetores
t
Contador de iterações
tol
Tolerância da estratégia SAO
u
Deslocamento
w
Carregamento externo por unidade de área
A
Área da seção transversal da barra
C
Flexibilidade estrutural
E
Módulo de elasticidade
xi
,
xy
DD
Rigidez à flexão na direção X e Y, respectivamente
G
Módulo de elasticidade cisalhante
I
Momento de inércia
J
Constante de torção
L
Comprimento dos elementos estruturais
P
Carga concentrada externa aplicada
V
Volume estrutural
W
Carregamento externo por unidade de área
Z x
Desvio localizado no modelo global
Vetores:
d
Direção de busca
f
Forças nodais globais
*
f
Pseudo-forças
gx
Função restrição de desigualdade
gx
Função restrição de desigualdade normalizada
hx
Função restrição de igualdade
u
Deslocamento
,xx
Variáveis de projeto; estimativa das novas variáveis de projeto
*
0
,xx
Variáveis de projeto no ponto inicial e ótimo de projeto, respectivamente
c
x
Variáveis de projeto no ponto central da região de confiança
,
LU
xx
Limites inferiores e superiores das variáveis de projeto, respectivamente
F
Flexibilidade dos elementos
I
Identidade
N
Esforços normais
Nx
Polinômio de regressão
P
Carregamento externo concentrado
f
Derivada da função objetivo com relação às variáveis de projeto
xii
Matrizes
e
k
Rigidez do elemento
K
Rigidez global da estrutural
N
Modelo de regressão
H
Hessiana
R
Correlação e Rotação
S
Amostra
Gregos
Escalares:
Tamanho do passo da direção de busca
Diferença ou razão entre o modelo real e aproximado
2
Covariância
Termo de aceitação
Parâmetro de correlação; Ângulo entre a barra e o eixo X
,

Ângulo entre a barra e o eixo Y e Z respectivamente
Distância entre os pontos da amostra; Tamanho da região de confiança
Vetores:
β
Coeficientes de regressão incógnitos
ξ
Variáveis adjuntas
λ
Multiplicadores de Lagrange
a
Tensão admissível
x
Perturbação da variável de projeto
xiii
Matemáticos
Símbolos:
Operador Nabla
Pertencente
Derivada parcial
Somatório
Produtório
Conjunto ou espaço dos números reais
,,
Igual; diferente; aproximadamente igual
,,
Maior que; maior ou igual à; muito maior que
,
Menor que; menor ou igual à
Integral
xiv
Sumário
Capítulo 1 - Introdução 1
1.1 Considerações Gerais .......................................................................... 1
1.2 Motivação ............................................................................................. 3
1.3 Objetivos ............................................................................................... 3
1.4 Metodologia .......................................................................................... 4
1.5 Organização da Dissertação ............................................................... 5
Capítulo 2 - Otimização 7
2.1 Introdução ............................................................................................ 7
2.2 Elementos que Constituem um Problema de Otimização ............... 8
2.2.1 Variáveis de Projeto ......................................................................................... 8
2.2.2 Função Objetivo ................................................................................................ 8
2.2.3 Funções Restrições ............................................................................................ 9
2.3 Formulação Padrão do Problema de Otimização........................... 10
2.3.1 Normalização do Problema de Otimização .................................................. 13
2.3.2 Formulação do Problema Estrutural em Estudo ........................................ 14
2.4 Algoritmo SSO ................................................................................... 16
2.4.1 Aspectos Computacionais .............................................................................. 16
2.4.2 Análise de Estrutural ..................................................................................... 18
2.4.2.1 Formulação Estática para Treliças ................................................................ 21
2.4.2.2 Formulação Estática para Grelhas ................................................................ 22
2.4.3 Análise de Sensibilidade ................................................................................. 24
2.4.3.1 Método das Diferenças Finitas ..................................................................... 24
2.4.3.2 Método Direto .............................................................................................. 25
2.4.3.3 Método das Variáveis Adjuntas.................................................................... 26
2.4.4 Programação Matemática .............................................................................. 26
2.4.4.1 Programação Quadrática Sequencial ............................................................ 29
Capítulo 3 - Aproximações 31
3.1 Introdução .......................................................................................... 31
3.2 Classificação Geral das Aproximações ............................................ 31
3.3 Plano de Amostragem ........................................................................ 33
xv
3.3.1 Amostra do Tipo Vetor Ortogonal ................................................................ 34
3.3.2 Amostra do Tipo Hipercubo Latino ............................................................. 34
3.4 Aproximações Locais ......................................................................... 35
3.4.1 Forma Funcional ............................................................................................ 36
3.4.1.1 Séries de Taylor ............................................................................................ 36
3.4.1.1.1 Linear ...................................................................................................... 37
3.4.1.1.2 Recíproca ................................................................................................ 37
3.4.1.1.3 Posinomial ............................................................................................... 38
3.4.1.2 Método da Superfície de Resposta ............................................................... 39
3.4.1.2.1 Coeficientes da Regressão ...................................................................... 40
3.5 Aproximações Globais ....................................................................... 41
3.5.1 Forma Física .................................................................................................... 41
3.5.1.1 Modelo de Grelha ......................................................................................... 41
3.5.2 Forma Funcional ............................................................................................ 44
3.5.2.1 Modelo de Krigagem .................................................................................... 44
3.6 Métodos de Avaliação da Precisão ................................................... 48
3.6.1 RMSE ............................................................................................................... 49
3.6.2 PRESS .............................................................................................................. 49
3.7 Tipos de Correções ............................................................................ 50
3.7.1 Correção Baseada no Modelo de Krigagem ................................................. 51
3.7.2 Correção Baseada na Série de Taylor .......................................................... 51
3.7.2.1 Determinação Numérica da Matriz Hessiana ............................................... 52
3.8 Estratégia SAO ................................................................................... 53
3.8.1 Formulação Matemática ................................................................................ 53
3.8.2 Aspectos Computacionais .............................................................................. 54
3.8.3 Critérios de Convergência ............................................................................. 55
3.8.4 Imposição da Consistência ............................................................................. 57
3.9 Esquema da Região de Confiança .................................................... 57
Capítulo 4 - Exemplos 60
4.1 Introdução .......................................................................................... 60
4.2 Definição dos Problemas Clássicos de Treliças 2D ......................... 61
4.2.1 Estudos da Precisão das Aproximações por Série de Taylor...................... 63
4.2.2 Estudos da Otimização das Aproximações por Série de Taylor ................ 65
4.3 Definição do Problema da Coberta Treliçada ................................ 71
4.3.1 Estudo da Precisão dos Metamodelos ........................................................... 73
4.3.1.1 Modelo de Grelha Equivalente ..................................................................... 73
4.3.1.2 Modelo Global de Krigagem ........................................................................ 76
xvi
4.3.1.3 Modelo de Grelha com Correção ................................................................. 82
4.3.2 Estudo da Otimização dos Metamodelos ...................................................... 85
Capítulo 5 - Conclusões 90
5.1 Realizações .......................................................................................... 90
5.2 Conclusões Gerais .............................................................................. 91
5.3 Sugestões para Trabalhos Futuros ................................................... 92
Bibliografia 94
Página 1
Capítulo 1 - Introdução
1.1 Considerações Gerais
As estruturas treliçadas são relativamente leves e oferecem uma grande vantagem com
relação às outras estruturas, pois são capazes de suportar altíssimos carregamentos e vencer
longos vãos, isto é, a sua relação peso/vão livre ou peso/carregamento são baixas. Outra
vantagem refere-se à simplicidade de seu dimensionamento, pois seus elementos são apenas
submetidos a esforços normais (tração e compressão) e geralmente os esforços secundários,
tais como esforços cortantes, momentos fletores e torçores, são desprezados.
Devido a essas e outras vantagens, as treliças espaciais têm sido e continuam sendo
empregadas por vários séculos nas mais diversas áreas da engenharia civil e podem ser
facilmente encontradas em terminais de aeroportos, galpões industriais, centro de convenções,
gruas, pontes, estádios de futebol, torres de transmissão, etc.. A Figura 1.1 mostra alguns
exemplos reais da aplicação das treliças.
(a) Aeroporto Int. dos Guararapes (Recife, PE)
(b) Ponte sobre Rio Tocantins (Estreito, MA)
(c) Torre de Transmissão de Energia
(d) Centro de Convenções de Brasília (Brasília, DF)
Figura 1.1: Exemplo de estruturas treliçadas.
Página 2
Devido ao grande número de graus de liberdades, a análise rigorosa de tais estruturas
no passado tornou-se um desafio. Como consequência, a utilização de técnicas de análise
aproximada foi uma das alternativas para prever o comportamento de tais estruturas. Esta
estratégia consiste na simplificação da treliça espacial adotando uma estrutura análoga mais
simples. As estruturas mais comuns adotadas seria a de vigas e lajes, pois o comportamento
de tais estruturas pode ser obtido através da solução analítica exata para os casos de
carregamentos e condições de contorno simples.
Mais atualmente, com o crescente poder dos computadores e o desenvolvimento de
novos algoritmos, a análise completa de treliças espaciais tem se tornado mais fácil e barata
computacionalmente. Apesar disso, as análises aproximadas ainda são muitíssimo utilizadas
em engenharia durante a etapa de projeto preliminar por causa de sua rapidez, fácil aplicação
e resultados razoavelmente precisos.
Além disso, a otimização de muitos problemas comuns de engenharia podem envolver
um estágio de simulação computacional caro. Em alguns casos, o custo da simulação pode
tornar-se tão elevado que inviabilizaria a obtenção do projeto ótimo. A construção de modelos
aproximados (metamodelos) (KEULEN e HAFTKA, 2004); (FORRESTER, SOBESTER e
KEANE, 2008) é apontada na literatura com uma das alternativas para superar esse
inconveniente. Tais técnicas podem ser divididas em duas categorias, a física e a funcional. A
primeira, a analogia física, envolve a procura de uma estrutura simples para ser analisada,
sendo essencial um bom entendimento físico do problema, na segunda, o modelo funcional,
considera expressões matemáticas de diferentes ordens as quais são usadas para aproximar a
resposta estrutural.
Neste trabalho, ambas as técnicas de aproximação serão usadas para obter o projeto
ótimo de treliças bi e tridimensionais. A flexibilidade estrutural é a função objetivo. As
variáveis de projeto são as seções transversais das barras que são agrupadas em diferentes
regiões. O volume total inicial da estrutura será mantido constante. A escolha de tais
parâmetros é explica com mais detalhes na Seção 2.3.2. Duas diferentes estratégias serão
adotadas como foco de reduzir o tempo computacional. Em todos os casos, a precisão com
relação ao modelo real será aferida.
Na primeira estratégia, ambos os modelos físico e a funcional são usados juntos, dessa
forma a aproximação da função objetivo é escrita como uma combinação das duas técnicas de
aproximação. A analogia de grelha (RENTON, 1966) é usada para substituir a treliça e uma
Página 3
função polinomial é usada para aproximar a diferença entre o modelo real (treliça) e o
aproximado (grelha).
Na segunda estratégia, o modelo funcional será usado sozinho ou como uma parcela
de correção do modelo físico. A metodologia de Otimização Sequencial Aproximada
(Sequential Approximate Optimization (SAO)) (GIUNTA e ELDRED, 2000); (JACOBS,
ETRNAN, et al., 2002) é usada. A mesma decompõe o problema original em vários
subproblemas de otimização, onde cada subproblema é confinado a uma pequena região do
espaço de projeto. O esquema iterativo de atualização da região de confiança proposto em
(ALEXANDROV, DENNIS, et al., 1997) foi adotado para obtenção do novo espaço de
projeto em cada iteração.
Ambas as estratégias foram implementadas no ambiente SSO (Structural Sizing
Optimization), desenvolvido anteriormente pelo grupo de pesquisa, o qual integra a
modelagem geométrica, análise de elementos finitos, análise de sensibilidade e otimizadores.
O algoritmo de otimização escolhido é o de Programação Quadrática Sucessiva (Sequential
Quadratic Programming (SQP)) (POWELL, 1978). Um novo módulo foi implementado pelo
autor, o qual considera as diversas estratégias de aproximações aqui propostas. Exemplos
clássicos de treliças serão considerados, de modo a verificar as estratégias de aproximação
usadas. Posteriormente o desempenho de tais estratégias será avaliado/comparado com o
método convencional (MEF), de maior custo computacional.
1.2 Motivação
Uma das grandes motivações para realização do presente trabalho é a possibilidade de
desenvolver e usar ferramentas voltadas para a otimização de problemas reais da engenharia,
normalmente complexos e de grande escala, através de dois principais aspectos: a
investigação e uso de algoritmos voltados para problemas de grandes escala; e a investigação
de procedimentos alternativos para a otimização que trabalhem com um problema aproximado
do real. Nesta dissertação será enfatizado o segundo aspecto acima mencionado.
1.3 Objetivos
O objetivo principal desta dissertação é utilizar diferentes métodos para reduzir o
tempo da otimização estrutural, porém, obviamente, mantendo certo nível de precisão. Para
isso, diversos métodos para a construção de modelos substitutos (metamodelos) foram
implementados e usados durante o procedimento de otimização. Com a implementação e
Página 4
verificação de tais técnicas, problemas práticos da engenharia, geralmente complexos e de
grande escala, poderão ser otimizados com um custo computacional viável. Tais ferramentas
serão aqui aplicadas a problemas relativamente simples da engenharia estrutural. No entanto,
o conhecimento adquirido nesse trabalho de pesquisa servirá de base para ser aplicado a
problemas mais complexos no futuro.
1.4 Metodologia
A seguir descrevemos brevemente a metodologia utilizada para o estudo da análise
estrutural e otimização da treliça espacial.
A otimização estrutural usando o método dos elementos finitos (MEF) requer o uso
sequencial da análise estrutural e de sensibilidades combinados com um otimizador. Foram
aqui desenvolvidos dois sistemas integrados para solução de problema de treliças e problemas
de grelhas em regime estático. A linguagem de programação MATLAB foi escolhida para o
desenvolvimento de ambos os sistemas, devido à simplicidade e grande capacidade numérica
proveniente da vasta biblioteca matemática acoplada ao mesmo.
O código computacional OPTRUSS_3D foi utilizado para analisar e otimizar as
estruturas treliçadas, sendo o mesmo previamente desenvolvido pelo grupo de pesquisa da
orientadora deste trabalho. O código computacional OPTGRID que realiza a análise e
otimização de grelha planas, foi implementado a partir do código OPTFRAME que considera
a análise e otimização de pórticos planos. Os códigos contêm três principais módulos que
seguem um procedimento convencional para otimização. O primeiro módulo utiliza o MEF
em regime linear elástico para conduzir a análise estrutural estática. O segundo módulo
conduz o cálculo das sensibilidades, a partir da escolha de quatro métodos (o procedimento
direto analítico e semianalítico, método das variáveis adjuntas e o método das diferenças
finitas) (VAN KEULEN, HAFTKA e KIM, 2005). O terceiro, e último, módulo contêm uma
interface para acessar a função FMINCON do MATLAB. Esta por sua vez, contém o
algoritmo de programação quadrática sequencial (SQP) necessária para conduzir a otimização
estrutural propriamente dita.
A Tabela 1.1 resume as principais atividades executadas para o desenvolvimento dessa
pesquisa.
Página 5
Tabela 1.1: Resumo da metodologia adotada.
Estágio
Descrição
OPT 1.
Uso do programa OPTRUSS_3D para análise de treliças espaciais;
OPT 2.
Análise de um exemplo clássico apresentado na literatura consultada,
considerando o programa supracitado;
OPT 3.
Implementação da rotina OPTGRID para análise de grelha;
OPT 4.
Comparação dos resultados obtidos através da rotina implementada com os
resultados obtidos utilizando o software comercial (SAP2000), com o objetivo de
verificar o código implementado;
OPT 5.
Implementação de rotinas de cálculo para a utilização do Método de Otimização
com Aproximação Sequencial (SAO) utilizando o esquema da Região de
Confiança (RC) para atualizar o novo espaço de projeto;
OPT 6.
Implementação de rotinas de cálculo para a criação de um modelo substituto
baseado no ajuste de pontos via o modelo de krigagem, onde o mesmo é criado
em função de diferentes planos de amostragem (DOE). Utilizar modelos baseado
nesta técnica tanto para a correção do modelo físico (grelha) como também em
substituição do modelo da treliça espacial (alta fidelidade) no procedimento de
otimização;
OPT 7.
Análise dos resultados de otimização obtidos através das sete diferentes
estratégias utilizadas: 1. Método convencional (MEF); 2. SAO com funções
polinomiais; 3. SAO com superfície de resposta; 4. Modelo global de krigagem;
5. Modelo físico aproximado (grelha); 6. Modelo físico aproximado (grelha)
com correção por série de Taylor e 7. Modelo físico aproximado (grelha) com
correção por krigagem.
1.5 Organização da Dissertação
Esta dissertação consiste de cinco capítulos organizados de maneira a facilitar o
entendimento dos estudos realizados. Uma breve descrição do conteúdo de cada capítulo é
dada a seguir.
Até o presente momento foram discutidas as considerações gerais relativas às treliças
juntamente com a motivação, objetivos e a metodologia necessária para a realização deste
trabalho.
O capítulo dois apresenta, em mais detalhes, a definição sobre o procedimento de
otimização. Os elementos que constituem um problema de otimização juntamente com a
formulação padrão de um problema de otimização serão descritos. Uma breve discussão sobre
o algoritmo de otimização SQP (Sequential Quadratic Programming) será apresentada. Uma
atenção especial será dada aos aspectos computacionais do algoritmo SSO (Structural Sizing
Página 6
Optimization), uma vez que o mesmo servirá de base para as implementações realizadas neste
trabalho.
No capítulo três é dada atenção às metodologias para a construção de modelos
substitutos. Uma visão geral dos tipos de aproximações existentes e as vantagens de suas
aplicações são também apresentadas. A definição de aproximação local e global é introduzida,
onde para cada uma delas, dois métodos de aproximações são discutidos em detalhes. O
conceito de plano de amostragem (Design of Experiments (DOE)) necessário para a obtenção
das amostras juntamente com os métodos de avaliação (RMSE e PRESS) serão introduzidos.
Uma breve exposição dos tipos de correção dos metamodelos também é apresentada.
Posteriormente serão introduzidos os pontos chaves da estratégia SAO (Sequential
Approximate Optimization) juntamente com os aspectos computacionais para a
implementação do esquema da região de confiança, necessária para a atualização do espaço
de projeto de cada subproblema do SAO.
O capítulo quatro trata dos exemplos considerados. Os mesmos serão exemplos
clássicos da literatura e um exemplo real de treliça espacial, nos quais serão analisados e
otimizados com o intuito de avaliar e verificar as implementações e conceitos apresentados no
Capítulo 2 e 3. Comentários referentes aos resultados obtidos serão revelados e as devidas
explicações serão evidenciadas.
No capítulo cinco, último capítulo deste trabalho, será resumido às realizações feitas
nesta dissertação. As conclusões obtidas através dos diversos resultados serão também
descritas e discutidas. O capítulo, então, finaliza com sugestões para trabalhos futuros.
A bibliografia consultada é a apresentada no final desta dissertação.
Página 7
Capítulo 2 - Otimização
2.1 Introdução
O ser humano, guiado e influenciado pelas limitações naturais, desempenha, quase que
instintivamente, todas as funções de um modo que economize energia ou minimize o
desconforto e a dor. A motivação é tirar proveito de recursos disponíveis, porém limitados, de
maneira a maximizar a produção ou lucro (HAFTKA e GÜRDAL, 1993).
Sendo assim de forma geral, a otimização pode então ser definida como o estudo de
um conjunto de técnicas que têm como objetivo a obtenção de um melhor resultado para uma
função e parâmetros (variáveis de projeto) pré-especificados dentro de um conjunto permitido
(espaço de projeto viável).
Nas engenharias, geralmente, um grande número de variáveis estão envolvidas. Cabe,
então, ao projetista encontrar uma combinação para estas variáveis que resultem num projeto
mais eficiente e econômico possível. No entanto, a determinação desta melhor configuração
dos parâmetros do projeto, muitas vezes depende da experiência do projetista, porém, nem
sempre é possível obtê-la intuitivamente, em função da ausência de uma base de
conhecimentos físicos que é, em geral, causada pela complexidade do problema a ser
resolvido.
Na engenharia estrutural, um bom projeto requer eficiência no tempo de execução e
nos vários custos envolvidos. Além disso, este deve atingir uma forma aceitável do ponto de
vista da execução e satisfazer as restrições de projeto impostas. Muitas vezes, para se chegar à
forma ideal, é necessário avaliar as várias possibilidades de combinação dos parâmetros do
projeto. Esse procedimento iterativo envolve vários processos até se encontrar a combinação
ótima. A otimização, por sua vez, é utilizada para auxiliar o projetista na determinação da
solução para esses problemas de acordo com os critérios e limitações estabelecidas.
Os elementos que constituem os problemas de otimização, suas diversas características
e classificações serão aqui inicialmente discutidos. Posteriormente, o algoritmo SSO,
inicialmente desenvolvido por Afonso e Horowitz (1998), será introduzido. O algoritmo
contém três principais módulos: O módulo de análise estrutural, o módulo de análise de
sensibilidade e o módulo de otimização estrutural. Tal código servirá de base para todas as
implementações realizadas nesse trabalho.
Página 8
2.2 Elementos que Constituem um Problema de
Otimização
2.2.1 Variáveis de Projeto
A ideia de melhorar ou otimizar uma estrutura implica em alguma liberdade para
modificá-la e assim obter um melhor desempenho da mesma. O potencial de mudanças é
tipicamente expresso em termos das variações permitidas num grupo de parâmetros. Estes são
comumente chamados de variáveis de projeto e podem ser denotados por um vetor
T
12
, , , ,
n
x x xx
, onde
n
é o número total de variáveis de projeto de um dado problema.
Na engenharia estrutural, as variáveis de projeto podem ser as dimensões das seções
transversais, os parâmetros que controlam a geometria ou a forma da estrutura e ainda, as
propriedades dos materiais utilizados. O conjunto de variáveis que fornecem o valor ótimo do
projeto avaliado é chamado de ponto ótimo e também pode ser representado por um vetor
T
* * * *
12
, , , ,
n
x x x


x
(KIRSCH, 1993).
As variáveis podem assumir valores contínuos ou discretos. Na maioria dos problemas
de projetos estruturais, tende-se a negligenciar a natureza discreta das variáveis de projeto na
solução do problema de otimização. No caso da presença de variáveis discretas, uma
alternativa adotada é o ajuste do projeto ótimo obtido para o valor discreto mais próximo. Esta
abordagem é adotada porque resolver um problema de otimização com variáveis discretas é,
normalmente, muito mais complicado do que resolver o mesmo considerando as variáveis
contínuas. Entretanto, arredondamentos no projeto, para a solução inteira mais próxima,
funcionam bem quando os valores admissíveis para as variáveis são espaçados a uma
distância cujas mudanças no valor de uma variável para o inteiro mais próximo não
modificam substancialmente a resposta da estrutura. Além disso, a viabilidade em termos das
restrições deve ser assegurada. Alternativamente, outros algoritmos, como aqueles
pertencentes à classe evolucionária lidam diretamente com variáveis discretas (BÄCK, 1996).
2.2.2 Função Objetivo
A noção de otimização implica na existência de uma função de rito que pode ser
melhorada e utilizada como uma medida da eficácia do projeto. A essa função é dada o nome
de função objetivo
f x
. Em problemas de otimização estrutural, por exemplo, o peso, os
Página 9
deslocamentos, as tensões, as frequências de vibração, a carga de flambagem, e o custo, são
comumente utilizados como funções objetivo.
Elas podem ser função de uma variável (unidimensional) ou de várias variáveis
(multidimensional). Da mesma maneira, o problema de otimização pode ser formulado com
um ou vários objetivos, sendo o primeiro definido como problema de otimização uni-objetivo
ou escalar e o segundo como um problema de otimização multiobjetivo ou vetorial
(MACEDO, 2002); (COLLETE e SIARRY, 2003).
O melhor resultado da função objetivo avaliada em um ponto é chamado de solução
ótima e a mesma pode ser classificada como:
ótimo local melhor solução encontrada em uma região específica do espaço de
projeto;
ótimo global melhor solução encontrada em todo o espaço de projeto
investigado.
No entanto nem todas as técnicas de otimização garantem que a solução encontrada
será a ótima global. A grande maioria apenas converge para uma solução local próxima ao
ponto inicial (BEALE, 1988); (CASTRO, 2001).
2.2.3 Funções Restrições
Em muitos problemas dos mais variados campos da Engenharia, algumas condições
são impostas de modo a limitar a escolha do projetista. A essas condições -se o nome de
restrições que podem ser geométricas ou de comportamento (do ponto de vista físico), ou de
igualdade ou desigualdade (do ponto de vista matemático). As restrições geométricas, também
chamadas restrições de limite, são as limitações impostas diretamente às variáveis de projeto,
as restrições de comportamento são aquelas que limitam indiretamente as variáveis de
projeto.
As restrições geométricas são determinadas através de valores que impõem limites
inferiores e/ou superiores e são funções de desigualdade por natureza
LU
x x x
.
As restrições de comportamento são determinadas através de especificações de
funções que dependem das variáveis de projeto, impondo a limitação das mesmas a um
semiespaço, através de funções de desigualdade (geralmente concebidas na forma
0
i
g x
),
ou em uma superfície, através de funções de igualdade (geralmente concebidas na forma
Página 10
0
i
h x
). As restrições podem ser funções de uma, de algumas, ou de todas as variáveis de
projeto.
O espaço de projeto é delimitado pelas restrições geométricas, e a viabilidade do
projeto é determinada pela intersecção entre o espaço delimitado pelas restrições geométricas
e as restrições de comportamento. Para um projeto na região viável, uma restrição pode estar
ativa ou não, porém, é prefere-se que no ponto de ótimo, todas ou quase todas as restrições
estejam ativas. Uma restrição de desigualdade é dita ativa para um ponto
*
x
se
0
i
g
*
x
e
inativa para o mesmo ponto se
0
i
g
*
x
(TORRES, 2001). Uma restrição de igualdade é
dita ativa para um ponto
*
x
se
( ) 0
i
h
*
x
. Para um projeto na região inviável, existem duas
possibilidades ao considerar um ponto
x
, ou seja,
( ) 0
i
g x
ou
( ) 0
i
h x
.
É importante frisar que o número de funções de restrições de igualdade deve ser
menor ou igual que o número de variáveis (NOCEDAL e WRIGHT, 2006). Caso isso não
ocorra, tem-se um sistema de equações superdeterminado, onde uma formulação
inconsistente ou alguma restrição redundante (isto é, linearmente dependente de outra). No
caso das restrições de desigualdade, não há limitação imposta ao número de funções.
2.3 Formulação Padrão do Problema de Otimização
Os conceitos apresentados anteriormente para variáveis de projeto, função objetivo e
de restrições, podem ser sumarizado na formulação matemática de um problema típico de
otimização da seguinte maneira:
Minimize
f x
(2.1)
Sujeito à:
0
j
g x
,
1jp
0
k
h x
,
1kq
LU
i i i
x x x
,
1in
onde
x
,
f x
,
gx
,
hx
,
L
x
e
U
x
representam, respectivamente, o vetor das variáveis de
projeto, a função objetivo, os vetores das restrições de desigualdade e igualdade e os limites
inferiores e superiores dos vetores das variáveis de projeto.
O problema definido pela Equação (2.1) é apresentado como uma minimização porque
a maioria dos algoritmos de otimização é formulada dessa maneira, uma vez que a
Página 11
maximização pode ser obtida através da minimização da sua forma negativa. Da mesma
forma, se na formulação de alguma restrição de desigualdade for apresentada de forma
diferente, é possível chegar à mesma formulação apresentada pela Equação (2.1) através de
algumas operações matemáticas.
De modo a facilitar o entendimento dos conceitos de otimização apresentado a
agora, seapresentado na Figura 2.1, um exemplo prático de um problema de otimização
relativamente simples, no qual se pretende encontrar as dimensões dos pilares e viga que
minimize o volume da estrutura, porém não se deve ultrapassar a tensão admissível (tração
e/ou compressão) nos seis pontos chaves localizada na base dos pilares, topo dos pilares e
extremos da viga.
O pórtico bidimensional aqui considerado é construído a partir de dois pilares
conectados rigidamente a uma viga. Os pilares e a viga têm comprimento
L
e seção
transversal quadrada, onde a largura e altura são iguais a
1
x
para os pilares e
2
x
para a viga.
As bases do pilares são engastados e uma carga concentrada
P
é aplicada na metade do vão
da viga.
Figura 2.1: Definição do pórtico bidimensional para o problema de otimização.
A formulação do problema de otimização é definida segundo a Equação (2.2), onde a
função objetivo
f
é o peso da estrutura, as restrições
1 2 3
, e g g g
são respectivamente, as
tensões na base dos pilares, no topo dos pilares e nos extremos da viga e as variáveis de
projeto
1
x
e
2
x
são respectivamente, as dimensões do pilares e da viga.
topo do pilar
base do pilar
1800 kgfP
2
130 kgf cm
a
550 cmL
0.5L
extremo da viga
0.5L
1
x
1
x
2
x
2
x
Pilar
Viga
Teno admissível
Página 12
Minimizar
22
1 2 1 2
, 2 ,f x x Lx Lx
(2.2)
Sujeito à:
4 4 4 3 4 4
1 1 2 2 1 1 2
1 1 2
3 4 4
1 1 2
3 6 6
,
6
a
P Lx x x Lx x x x
g x x
x x x
,
4 3 4 4
2 1 1 1 2
2 1 2
3 4 4
1 1 2
3 3 6
,
6
a
Px L x x x x
g x x
x x x
,
4 4 3 2 4 4
1 2 2 2 1 2
3 1 2
2 4 4
2 1 2
6 18 2 6
,
26
a
P x x Lx x x x
g x x
x x x
,
12
5 , 60xx
.
A Figura 2.2 mostra graficamente o resultado do problema de otimização definido
anteriormente, onde as linhas coloridas representam as curvas de níveis do volume da
estrutura para os valores
6 6 6 6 6 6 6
0.2 10 ,0.6 10 ,1.2 10 ,2.4 10 ,3.0 10 ,3.6 10 ,4.2 10
cm
3
.
As três linhas nas cores cinza claro, cinza médio e cinza escuro representam respectivamente
as funções de restrição
1
0g
,
2
0g
, e
3
0g
. A região hachurada define a região viável
do projeto de otimização, na qual quaisquer pares
1
x
e
2
x
escolhidos dentro dessa região é
solução do problema. Os três pontos destacados no gráfico representam os pontos de ótimo
local onde duas das restrições, neste caso
13
e gg
estão ativas, ou seja,
13
0gg
e
2
g
está
inativa, ou seja,
2
0g
. Deve-se ter em mente que nem sempre é possível obter um projeto
ótimo, onde todas as funções de restrições estejam ativas.
No entanto o ponto de mínimo global é definido pelo ponto
1
40x
cm para a
dimensão dos pilares e
2
34.1x
cm para a viga. O volume obtido a partir deste ponto é igual
a
6
2.4 10
cm
3
e as tensões na base dos pilares, no topo dos pilares e nos extremos da viga
são respectivamente iguais a
2 2 2
130 kgf cm ,80.29 kgf cm e 130 kgf cm
.
Contudo, deve-se ter em mente que nem sempre é possível tal representação gráfica de
um problema de otimização, pois o mesmo geralmente é constituído por funções complexas e
não-lineares que nem sempre são possíveis de serem obtidas na sua forma analítica ou
simplesmente consideram quatro ou mais variáveis de projeto, ou seja, consideram mais de 3
dimensões sendo este caso impossível de ser ilustrado graficamente.
Página 13
Figura 2.2: Otimização estrutural representada graficamente.
2.3.1 Normalização do Problema de Otimização
Em problemas de otimização, a discrepância entre a magnitude das variáveis de
projeto e/ou das funções objetivo e de restrições, pode levar a dificuldades numéricas na
solução dos mesmos. Este problema pode ser resolvido através da normalização destas
quantidades.
As variáveis de projeto devem ser normalizadas através da razão entre o valor atual e o
valor inicial, isto é:
0
i
i
i
x
x
x
(2.3)
onde
i
x
e
0
i
x
são, respectivamente, a variável
i
do ponto
x
(corrente) e a variável
i
do
ponto
0
x
(inicial).
Similarmente a magnitude da função objetivo pode ser normalizada como mostra a
Equação (2.4).
0
f
f
f
x
x
x
(2.4)
g
3
(x
1
, x
2
) = 0
g
1
(x
1
, x
2
) =
0
g
2
(x
1
, x
2
) =
0
f (x
1
, x
2
) = 2,4 × 10
6
cm
3
x
1
[cm]
x
2
[cm]
Página 14
onde
f x
e
0
f x
o, respectivamente, a função objetivo avaliada no ponto
x
(corrente)
e a função objetivo avaliada no ponto
0
x
(inicial).
A normalização das restrições de desigualdade é feita em função do valor limite
estabelecido para as mesmas. Um exemplo de normalização é apresentado no esquema a
seguir:
0
u
jj
j
u
j
gg
g
g

x
x
com
0
u
j
g
(2.5)
onde
j
g x
e
u
j
g
são, respectivamente, o valor da restrição
j
correspondente a variável
x
e
valor limite superior da mesma. Da mesma forma pode ser obtida a normalização para
restrições com limite inferior.
A normalização das restrições de igualdade pode ser feita de forma similar ao
apresentado para o caso da função objetivo, na Equação (2.4).
2.3.2 Formulação do Problema Estrutural em Estudo
Geralmente em problema de otimização de estrutural busca-se minimizar o volume
(peso) total da estrutura. Este tipo de otimização é conhecida como uni-objetivo ou escalar,
uma vez que apenas uma função objetivo (volume) é considerada. Tal função por sua vez,
apresenta um comportamento linear que pode ser facilmente observado na Equação (2.6).
1
nbar
ii
i
V AL
.
(2.6)
onde
i
A
é a área da seção transversal e
i
L
é o comprimento, ambos respectivos a barra
i
e
nbar
é o número total de barras. A função peso é obtida a partir da multiplicação do volume
pela respectiva densidade do material.
Tal otimização apesar de ter uma função objetivo relativamente simples, geralmente
está associada a funções de restrições de tensões e/ou deslocamentos que, por outro lado, são
altamente complexas e não-lineares. Tal afirmação pode ser confirmada a partir da observação
da solução gráfica da otimização do pórtico plano apresentada anteriormente (ver Figura 2.2).
Por outro lado, em otimizações do tipo multiobjetivo são escolhidas duas ou mais
funções objetivos e geralmente não são consideradas as funções de restrições. Tal
simplificação é adotada devido ao fato de que as funções objetivas são estritamente escolhidas
de modo que tenham um comportamento inverso uma com relação à outra, ou seja, ao se
tentar minimizar uma função a outra é maximizada e vice-versa. Desta forma, em tais
Página 15
problemas de otimização não existem uma solução única (escalar) e, portanto as soluções são
expressas a partir de um vetor no qual contem infinitas soluções.
Com ambos os argumentos em mente, buscou-se formular o problema de otimização
de certa forma simples, porém com um comportamento não-linear com relação à variável de
projeto de modo a verificar a viabilidade das funções aproximadas. Para isso, a função de
flexibilidade estrutural
C
, definida pela Equação (2.7), foi à função objetivo escolhida uma
vez que a mesma é uma função não-linear com relação à área da seção transversal.
2
11
ngl
nbar
i i j j
ij
C Pu N F



.
(2.7)
onde
i
P
é a força externa aplicada e
i
u
é o deslocamento no sentido da força
i
P
, ambos
relativos ao grau de liberdade
i
,
ngl
é número total de grau de liberdade,
nbar
é o número
total de barras da estrutura,
j
N
é o esforço normal na barra
j
e
j j j j
F L E A
é a
flexibilidade de cada barra
j
.
A consideração de uma segunda função objetivo daria um caráter multiobjetivo ao
problema de otimização. No entanto de forma a simplificar o problema de otimização
investigado nessa dissertação, a segunda função objetivo foi substituída pela função de
restrição de igualdade. A mesma recebeu o valor do volume inicial
0
V
que é determinado a
partir do ponto inicial de projeto. A escolha do volume como função de restrição se deve ao
fato de que a mesma tem um comportamento inverso à função de flexibilidade e portando a
formulação de otimização uni-objetivo investigada tem aspecto multiobjetivo. A Tabela 2.1
resume os parâmetros escolhidos.
Tabela 2.1: Parâmetros para a formulação do problema de otimização estrutural.
Função objetivo
f x
:
Flexibilidade estrutural;
Função restrição de desigualdade
j
g x
:
Não considerada;
Função restrição de igualdade
k
h x
:
Volume inicial da estrutura constante;
Variáveis de projeto
x
:
Área da seção transversal das barras.
No Capítulo 4 - serão apresentados e discutidos exemplos clássicos da literatura de
treliças bidimensionais e um problema real de treliça espacial, a qual é amplamente utilizada
em cobertas. Tais problemas serão utilizados para verificar e comparar o desempenho das
estratégias de aproximações consideradas aliadas à técnica de otimização.
Página 16
2.4 Algoritmo SSO
O algoritmo de otimização utilizado como base para as implementações das diversas
técnicas de otimização aproximada previamente mencionadas é denominado de Algoritmo
SSO (Sizing Structural Optimization), ou seja, Algoritmo de Otimização das Dimensões
Estruturais. Tal algoritmo foi implementado por Afonso e Horowitz (1998), e utiliza o
ambiente Matrix Laboratory, comumente chamado de MATLAB. O mesmo foi escolhido,
pois oferece um ambiente de programação com linguagem interativa de alto desempenho
voltado para o cálculo numérico, onde se encontra integradas diversas bibliotecas relativas
à análise numérica, cálculo com matrizes, otimização não-lineares, processamento de sinais e
imagens, construção de gráficos, etc. O MATLAB oferece também um ambiente fácil de usar,
onde problemas e soluções são expressos como eles são escritas matematicamente, ao
contrário dos softwares de programação tradicional (MATHWORKS, 2009).
O algoritmo SSO é composto por três principais módulos que de forma sistemática
efetuam a análise e otimização estrutural. Tais módulos são definidos como:
1. Módulo da Análise Estrutural: considera o Método dos Elementos Finitos (MEF)
em regime linear elástico e o carregamento estático;
2. Módulo da Análise de Sensibilidade: considera diferentes métodos, para o cálculo
dos gradientes (derivadas) numericamente, tais como o método das diferenças
finitas, o método das variáveis adjuntas e o método direto, nas versões analítico e
semianalítico. Tais gradientes são necessários durante o processo de otimização;
3. Módulo de Otimização Escalar: considera o algoritmo de otimização SQP
(Sequential Quadratic Programming) (POWELL, 1978) implementado na rotina
FMINCON da biblioteca de otimização do MATLAB.
Um quarto módulo - implementado pelo autor - considera as diversas técnicas de
aproximações a serem discutidas no Capítulo 3 -. Os aspectos computacionais do algoritmo
SSO e seus principais módulos serão brevemente descritos a seguir.
2.4.1 Aspectos Computacionais
O algoritmo SSO (AFONSO, 1995); (MACEDO, 2002), como foi previamente
mencionado, serviu de base para as novas implementações baseadas nas técnicas de
aproximações descritas. A estratégia SAO por sua vez utiliza o algoritmo para obter as
soluções intermediárias para cada iteração
k
. O algoritmo contém diferentes ferramentas,
Página 17
onde é possível fazer a definição da geometria, discretização da estrutura, análise estrutural e
de sensibilidade e finalmente a otimização propriamente dita.
Os aspectos computacionais do código são resumidos, segundo a Tabela 2.2, e
discutidos as seguir.
Tabela 2.2: Aspectos computacionais do algoritmo SSO.
Etapa
Descrição
SSO 1.
Definir a formulação do problema de otimização;
SSO 2.
Gerar a (nova) geometria da estrutura;
SSO 3.
Discretizar o domínio através de elementos;
SSO 4.
Analisar a estrutura via o método dos elementos finitos;
SSO 5.
Conduzir a análise de sensibilidade via um dos métodos numéricos para o cálculo
dos gradientes;
SSO 6.
Realizar a otimização via o algoritmo de programação matemática (SQP) para
obter o projeto ótimo parcial;
SSO 7.
Checar os critérios de convergência para a otimização dimensional;
7.1.
se alcançada: o projeto ótimo é obtido, o processo é terminado.
7.2.
caso contrário: voltar para o passo SSO 2, repetir o processo.
Na sequência do algoritmo SSO descrita acima, podemos apontar algumas
observações importantes adotadas tanto com relação ao código propriamente dito, como para
a estratégia proposta de otimização sequencial aproximada. Maiores detalhes estão
disponíveis em publicações de Afonso (1995) e Macedo (2002).
OBS SSO 1: A função objetivo e de restrições, assim como as variáveis de projeto e
seus limites devem ser definido de modo a determinar a formulação do problema de
otimização. Um grande número de opções está disponível, como por exemplo: minimização
do volume (peso) com restrição de tensões, ou minimização da flexibilidade estrutural com
restrição volume (peso), minimização do volume (peso) com restrição de deslocamentos, etc.
Neste trabalho será explorada uma dessas formulações clássicas de modo a avaliar o
desempenho das técnicas de aproximações;
OBS SSO 2 e 3: No caso das treliças e grelhas, a discretização do domínio coincide
com a representação geométrica das mesmas, pois tais estruturas são modeladas a partir de
elementos (barras);
Página 18
OBS SSO 4: Duas estratégias para realizar a avaliação das funções são adotas. Uma
considera a análise via MEF (convencional) e a outra considera as diferentes técnicas de
aproximações apresentadas;
OBS SSO 5: O cálculo da sensibilidade é requerido quando o algoritmo de
programação matemática é baseado nos gradientes. Sendo assim vários métodos para a
determinação numérica das derivadas estão disponíveis, como por exemplo: Método das
Diferenças Finitas, Método das Variáveis Adjuntas, Método Direto nas versões Analítico e
Semianalítico. Tais esquemas estão disponíveis e implementados para ambas as estratégias,
ou seja, método EF, ou convencional, e para as diferentes diversas técnicas de aproximações;
OBS SSO 6: O otimizador é baseado no algoritmo sequencial de programação
quadrática (SQP) (POWELL, 1978). A formulação matemática de um problema de
otimização pode ser definida através da escolha da função objetivo, das restrições que podem
ser de desigualdades e igualdades e das variáveis de projeto juntamente com os limites
inferiores e superiores da mesma. Na estratégia SAO, o algoritmo SSO é utilizado em cada
laço da estratégia, onde um ótimo local é encontrado para cada iteração. Este processo se
repetirá até que a convergência de todo o processo seja alcançada.
Uma vez que as principais observações e considerações relativas ao aspecto
computacional relativas ao algoritmo SSO foram mencionadas. Contudo, a seguir serão dadas
algumas explicações com relação aos três principais módulos que constituem o algoritmo
SSO.
2.4.2 Análise de Estrutural
O Método dos Elementos Finitos (MEF) utilizado no módulo de análise estrutural do
algoritmo SSO, tem suas origens nos anos 50, porém tem sido vastamente utilizado nos
últimos 20-30 anos, graças aos avanços tecnológicos dos computadores. O método consiste
basicamente numa adaptação/modificação de métodos de aproximação conhecidos já no
início deste século, como por exemplo, o Método de Ritz, estabelecido em 1909 (CLOUGH,
1960); (ZIENKIEWICZ e TAYLOR, 2006).
MEF é um método matemático para a solução de equações diferenciais parciais, entre
as quais se inclui a equação de Poisson, Laplace, Helmholtz, Navier-Stokes, etc. Em muitos
casos práticos, o MEF é a capaz de fornecer uma solução aceitável, ainda que sob o ponto de
vista matemático, a solução seja considerada como uma aproximação (ZIENKIEWICZ e
TAYLOR, 2006).
Página 19
Um grande impulso para o seu desenvolvimento e aperfeiçoamento do MEF foi dado
pela indústria aeroespacial, aonde o método vem tendo larga aplicação desde os anos 70.
Contudo, inúmeras são as áreas em que o método pode ser aplicado, entre elas citamos:
projeto e análise de estruturas, análise de escoamento de fluídos, distribuição de temperaturas,
eletromagnetismo, projeto de equipamentos eletromecânicos (máquinas, transformadores),
biomecânica, etc.
Devido à sua versatilidade na aplicação dos mais diversos problemas de engenharia,
seu conhecimento é de fundamental importância para a aplicação prática do mesmo. O
procedimento segue uma forma consistente e sistemática e consequentemente pode ser
facilmente implementada na forma de um sistema computacional (programa de computador).
Além disso, o método oferece flexibilidade e estabilidade numérica (ZIENKIEWICZ e
TAYLOR, 2006). Tais características explicam a sua grande popularidade e crescente
aparecimento nos mais diversos softwares comerciais disponíveis atualmente, tais como:
ANSYS, ABAQUS, SAP2000, etc.
Desta forma, na Tabela 2.3 será apresentado de forma simplificada o procedimento do
MEF para análise estrutural linear elástica (ZIENKIEWICZ e TAYLOR, 2006).
A formulação do MEF pode ser simplificada para o caso de treliças bi e
tridimensionais e das grelhas, uma vez que tais estruturas consistem em um arranjo natural de
elementos finitos, ou seja, as mesmas são discretizadas através de elementos unidimensionais
e também devido à hipótese de regime linear-elástico adotada.
O resultado de tais simplificações resulta em dos métodos mais comuns para análise
estrutural e atualmente disponíveis em diversos softwares comerciais de EF (ANSYS,
ABAQUS, SAP2000, etc.). Tal formulação foi finalmente consolidada por Jon Turner (chefe
do departamento de dinâmica estrutural da Boeing) (TURNER, CLOUGH, et al., 1956) em
meados dos anos 50 e é conhecida na literatura como o Método da Rigidez Direta, do inglês
Direct Stiffness Method (DSM), sendo o mesmo brevemente discutido a seguir para ambas as
estruturas, treliça e grelha.
Página 20
Tabela 2.3: Procedimento simplificado do MEF.
Etapa
Descrição
MEF 1.
Identificar a equação governante, geralmente na forma diferencial:
0uL
MEF 2.
Introduzir a forma integral através de um dos métodos (Formulação do MEF):
2.1.
Diferenças finitas;
2.2.
Método Variacional;
2.3.
Resíduos ponderados.
00dd


u u uL L L
MEF 3.
Discretizar o domínio de interesse através de elementos (Seleção dos elementos):
MEF 4.
Introduzir a aproximação para as variáveis incógnitas sobre o elemento (Interpolação):
1 1 2 2 3 3
u x N x u N x u N x u
i
u
: Valor da variável incógnita no nó
i
i
N
: Função de interpolação ou de forma para o
i
MEF 5.
Avaliar a forma integral em cada elemento (Integração numérica):
e
ee
K u f
MEF 6.
Montar a matriz global (Processo de montagem):
K u f
MEF 7.
Impor as condições de contorno (naturais e essenciais) relativas ao problema:
Por exemplo:
0
i
u
,
100
j
f
, etc.
MEF 8.
Resolver o sistema de equações para obter os valores incógnitos (Técnicas de solução):
1
u K f
MEF 9.
Calcular os valores de interesse através da solução aproximada (Pós-processamento):
e
ee
f K u
, etc.
x
y
3
u
2
u
1
u
ux
x
y
Página 21
2.4.2.1 Formulação Estática para Treliças
O método da rigidez direta para treliças tridimensionais é aqui formulado, no qual se
considera cada barra da treliça como uniforme, sujeita a um carregamento estático em regime
linear-elástico.
A Figura 2.3 mostra a representação de um elemento isolado da treliça no espaço
tridimensional
X Y Z
(GHALI, NEVILLE e BROWN, 2009).
Figura 2.3: Discretização do elemento da treliça tridimensional.
Para cada elemento
e
, o vetor deslocamento
u
e o vetor de forças nodais
f
são
obtidos a partir do sistema de coordenadas globais
X Y Z
e podem ser expressos como,
1 2 3 4 5 6
T
e
u u u u u uu
,
(2.8)
1 2 3 4 5 6
T
e
f f f f f ff
.
A rigidez axial
k
de cada elemento
e
da treliça é definida pela Equação (3.16) abaixo
(GHALI, NEVILLE e BROWN, 2009),
ee
ee
e
ee
e
EA
L





RR
k
RR
,
(2.9)
onde
A
= a área da seção transversal,
E
= o módulo de elasticidade,
L
= o comprimento e
e
R
é a matriz de rotação
33
definida por:
x x y x z x
e x y y y z y
x z y z z z
c c c c c c
c c c c c c
c c c c c c





R
.
(2.10)
Na equação (2.10), os termos
, e
x y z
c c c
, são respectivamente os cossenos dos ângulos
de inclinação
, e
do elemento
e
com relação à orientação global dos eixos
,eX Y Z
(GHALI, NEVILLE e BROWN, 2009).
1f
2f
3f
4f
5f
6f
X
Z
Y
Página 22
A partir da obtenção da matriz de rigidez, do vetor deslocamento e do vetor de forças
nodais de cada elemento. O procedimento de montagem é então efetuado, obtendo assim um
sistema linear de equações definido segundo a expressão abaixo:
Ku f
,
(2.11)
onde
K
é a matriz de rigidez global,
u
é o vetor de deslocamentos globais incógnitos e
f
é o
vetor das forças externas aplicadas sobre os graus de liberdade não restritos.
A solução não-trivial do sistema de equações definido pela Equação (2.11) é possível
a partir da imposição das condições de contorno que regem o problema (deslocamentos
impostos e/ou forças externas aplicadas nos nós das barras). A partir da solução do sistema,
isto é, determinação dos deslocamentos incógnitos é possível obter em cada barra os valores
de interesse, tais como: esforços nas barras, tensões, energia de deformação, flexibilidade
estrutural, etc.
2.4.2.2 Formulação Estática para Grelhas
A formulação do DSM para as estrutura grelhadas são definidas de forma semelhante
a das treliças apresentadas anteriormente. Portanto, cada barra da grelha é considerada
uniforme, submetida a um carregamento estático em regime linear-elástico.
A Figura 2.4 mostra a representação de um elemento isolado da grelha no espaço
tridimensional
X Y Z
(GHALI, NEVILLE e BROWN, 2009).
Figura 2.4: Discretização do elemento da grelha.
Para cada elemento
e
, o vetor deslocamento
u
e o vetor de forças nodais
f
são
obtidos a partir do sistema de coordenadas locais e podem ser expressos como,
1 2 3 4 5 6
T
e
u u u u u uu
,
(2.12)
1 2 3 4 5 6
T
e
f f f f f ff
.
A rigidez
k
de cada elemento
e
, descrita pela Equação (2.13), é expressão em função
das seguintes propriedades:
,EG
são respectivamente, o módulo de elasticidade e o módulo
1f
2f
3f
4f
5f
6f
X
Z
Y
Página 23
de elasticidade cisalhante,
I
é o momento de inércia,
J
é a constante de torção e
L
é o
comprimento da barra (GHALI, NEVILLE e BROWN, 2009).
2 0 3 2 0 3
0 1 0 0 1 0
3 0 4 3 0 5
2 0 3 2 0 3
0 1 0 0 1 0
3 0 5 3 0 4
e
k k k k
kk
k k k k
k k k k
kk
k k k k









k
,
(2.13)
onde
1
GJ
k
L
,
3
12
2
EI
k
L
,
2
6
3
EI
k
L
,
4
4
EI
k
L
e
2
5
EI
k
L
.
Na Equação (2.14) é definida a matriz de rotação
e
R
que é utilizada para transformar
do sistema local de coordenadas para o sistema global
X Y Z
(GHALI, NEVILLE e BROWN,
2009).
0 0 0 0
0 0 0 0
0 0 1 0 0 0
0 0 0 0
0 0 0 0
0 0 0 0 0 1
e
cs
sc
cs
sc









R
,
(2.14)
onde
cosc
,
sens
e
é o ângulo medido a partir do eixo de orientação global
X
e a barra. Consequentemente, a matriz de rigidez do elemento, o vetor deslocamento e o vetor
de forças nodais podem ser rescritos como,
GT
e e e e
K R k R
,
(2.15)
G
e e e
u R u
G
e e e
f R f
A partir da obtenção da matriz de rigidez, do vetor deslocamento e do vetor de forças
nodais de cada elemento. O procedimento de montagem é então efetuado, obtendo assim um
sistema linear de equações definido segundo a expressão abaixo:
Ku f
,
(2.16)
onde
K
é a matriz de rigidez global,
u
é o vetor global de deslocamento incógnitos e
f
é o
vetor global das forças nodais .
A solução não-trivial do sistema de equações definido pela Equação (2.16) é possível
a partir da imposição das condições de contorno que regem o problema (deslocamentos
Página 24
impostos e/ou forças externas aplicadas nos nós ou ao longo das barras). A partir da
determinação dos deslocamentos incógnitos é possível obter em cada barra os valores de
interesse, tais como: esforços nas barras, tensões, energia de deformação, flexibilidade
estrutural, etc.
2.4.3 Análise de Sensibilidade
A análise de sensibilidade consiste no cálculo das derivadas das funções provenientes
da análise estrutural, por exemplo, do volume, da tensão, do deslocamento e da flexibilidade
estrutural, com relação às variáveis de projeto (KIRSCH, 1981).
A determinação das derivadas é de extrema importância, pois a partir delas, o
algoritmo SQP define a direção de busca. Porém a obtenção das mesmas corresponde ao
maior custo computacional durante o processo de otimização. Devido a este fato, se faz
necessário utilizar técnicas computacionais eficientes para obtê-las de forma rápida e precisa.
No caso de carregamento estático, a principal meta é encontrar o vetor das derivadas
dos deslocamentos, pois todos os outros valores de interesse (esforços, tensões, energia de
deformação, flexibilidade estrutural) são cálculos em função do mesmo.
Os quatro diferentes métodos para o cálculo das derivadas numericamente serão aqui
discutidos. Entre eles podemos citar o método das diferenças finitas, o método direto
semianalítico, o método direto analítico e o método das variáveis adjuntas.
2.4.3.1 Método das Diferenças Finitas
O Método das Diferenças Finitas (MDF) é um método de fácil implementação, porém
o seu custo computacional é diretamente proporcional ao número de variáveis de projeto. O
método consiste em perturbar cada variável de projeto
i
x
independentemente com um valor
relativamente pequeno. O tamanho da perturbação
i
x
é de grande importância e pode
influenciar o resultado obtido, contudo o valor tipicamente adotado é da ordem de
4
10
i
x
à
6
10
i
x
.
De forma geral, o método das diferenças finitas pode ser expresso por:
( ) ( )
i i i
i i i
x x x
x x x


ff
ff
.
(2.17)
De modo geral, quando se utiliza o MEF para resolver problemas em regime linear-
elástico, as derivadas do vetor deslocamento devem ser a primeira a ser determinada.
Página 25
Portanto, a análise de sensibilidade considerando o MDF para o cálculo dos gradientes do
vetor deslocamentos pode ser escrita como:
( ) ( )
i i i
i i i
x x x
x x x


uu
uu
.
(2.18)
2.4.3.2 Método Direto
O Método Direto (MD) consiste em diferenciar diretamente a equação de equilíbrio
.Ku f
A diferenciação da mesma com relação às variáveis de projeto
i
x
define:
i i i
x x x

u K f
Ku
.
(2.19)
O vetor conhecido como pseudo-forças
*
f
é obtido a partir da reorganizando da
Equação (2.19), isto é,
*
i i i
x x x
u f K
K u f
,
(2.20)
No caso dos problemas estudados nessa dissertação, o vetor de carregamento
f
é
geralmente independente das variáveis de projeto. Como resultado, o termo
i
xf
tem seu
valor igual à zero. Portanto, o termo
*
f
da Equação (2.20) pode ser simplificada segundo,
*
i
x

K
fu
.
(2.21)
onde
K
é a matriz de rigidez global da estrutura,
u
é o vetor de deslocamento determinado
através da solução do sistema linear de equações e o termo
i
xK
é o termo que precisa ser
derivado. Consequentemente, o termo
i
xu
é o único vetor desconhecido e pode ser
determinado a partir da solução da expressão:
1
ii
xx



uK
Ku
.
(2.22)
Se os componentes de
i
xK
forem obtidos analiticamente tem-se o Método Direto
Analítico (MDA). O mesmo é considerado como um dos mais eficientes computacionalmente
e diferentemente do MDF, independe da existência de uma perturbação. O método requer uma
grande quantidade de desenvolvente analítico, o que o torna de difícil implementação para
casos gerais, ou seja, para cada novo problema é necessário realizar a diferenciação analítica
da nova equação antes de proceder com a implementação.
Alternativamente, o termo
i
xK
pode ser determinado através de aproximações por
diferenças finitas. A Equação (2.23) demonstra o cálculo do termo
i
xK
através do MDF,
Página 26
i i i
i i i
x x x
x x x


KK
KK
.
(2.23)
Consequentemente, a consideração do MDF para o cálculo do termo
i
xK
, resulta
então no Método Direto SemiAnalítico (MDSA). O mesmo pode ser implementado
independentemente do caso considerado, porém tem uma eficiência computacional
intermediária, pois o método é uma combinação entre o MDA e o MDF e similarmente ao
MDF, o MDSA possui uma dependência do tamanho da perturbação.
2.4.3.3 Método das Variáveis Adjuntas
O Método das Variáveis Adjuntas (MVA) (KIRSCH, 1981) é definido a partir da
multiplicação de ambos os termos da Equação (2.20) por
1T
j
IK
.
1
j
T
j
i i i
u
x x x





fK
I K u
,
(2.24)
onde
I
é o vetor identidade onde o termo
j
recebe 1 e todos os outros recebem zero.
O vetor das variáveis adjuntas
j
pode então ser calculado pela expressão,
jj
KI
.
(2.25)
O MVA é definido segundo a Equação (2.26), a qual foi obtida a partir da substituição
da Equação (2.25) na (2.24),
T
j
T
j
i i i
u
x x x





fK
u
.
(2.26)
Sua eficiência computacional é governada pelo tamanho do vetor das variáveis
adjuntas
j
, ou seja, o número total de graus de liberdade da estrutura. Similarmente ao
método direto, o MVA pode ser também obtido na versão analítica e semianalítica.
2.4.4 Programação Matemática
A programação matemática pode ser considerada como a primeira linha de métodos
para resolução de problemas de otimização através do uso de algoritmos computacionais. Ela
trata o problema de forma iterativa e determinística, isto é, através do uso de gradientes,
funcionais e operações matriciais (CASTRO, 2001). Devido a isto, normalmente necessita de
várias informações iniciais.
Os algoritmos são distinguidos entre algoritmos de ordem zero, primeira ordem e
segunda ordem, dependendo se a solução do mesmo exige apenas o valor da função, da
Página 27
primeira derivada ou da segunda derivada (VANDERPLAATS, 2001); (HAFTKA e
GÜRDAL, 1993).
Para resolver alguns tipos de problemas de otimização, e lidar com problemas restritos
de várias variáveis, é comum definir a função Lagrangiana
,x λL
do problema original
como segue:
11
,
pq
j j p k k
jk
f g h



x λ x x xL
(2.27)
onde
λ
é o vetor com os multiplicadores de Lagrange associadas às restrições
j
g
e
k
h
no
ponto
x
. Pode ser demonstrado (HAFTKA e GÜRDAL, 1993); (VANDERPLAATS, 2001)
que a condição de mínimo local desta função na solução
*
x
, satisfaz as condições necessárias
de Karush, Kuhn e Tucker:
1. Viabilidade:
*
*
0, 1, ,
0, 1, ,
j
k
g j p
h k q
x
x
(2.28)
2. Estacionaridade:
* * *
11
|0
pq
pq
j j p k k
jk
f g h



λ x x x
(2.29)
3. Complementaridade:
*
0, 1
jj
g j p
 x
(2.30)
4. Positividade:
0, 1, ,
j
j p
(2.31)
O processo de otimização normalmente é iniciado com uma proposta inicial
0
x
,
fornecido como entrada. O projeto é então atualizado modificando
x
através da Equação
(2.32).
1t t t
x x d
(2.32)
Na expressão acima,
t
é o índice que identifica a iteração. O vetor
T
12
, , ,
n
d d dd
é a direção de busca e indica a direção viável para qual o valor de
()f x
decresce. O escalar
é o tamanho do passo na direção de
d
.
Os métodos de solução são aplicados de acordo com o tipo de problema de
programação matemática identificado. No geral, este tipo é determinado pelas características
Página 28
das funções objetivo e de restrições envolvidas (AFONSO, 1995). A classificação mais
simples é:
Programação linear: quando ambos, objetivo e restrições, são funções lineares ou
são assumidas como funções lineares;
Programação quadrática: quando o objetivo é quadrático, ou é assumido como
função quadrática, e as restrições são lineares, ou assumidas assim;
Programação não-linear: quando ambos, objetivo e restrições, são funções não-
lineares.
Os primeiros dois métodos foram desenvolvidos para lidar com classes especiais de
problemas de otimização, os métodos de programação não-linear consistem de uma
categoria genérica de algoritmos. As formas mais complexas de programação matemática
envolvem funções não-lineares.
O método de programação o-linear é agrupado em duas categorias. Essa
classificação depende de como a otimização é efetuada no algoritmo (VANDERPLAATS,
2001).
1. Métodos indiretos: Esses métodos envolvem cnicas para solucionar o problema
original de otimização através da conversão do mesmo em um problema de
otimização equivalente. Alguns exemplos de métodos indiretos são:
Métodos de penalidade ou barreira;
Método dual.
2. Métodos diretos: Esses métodos resolvem diretamente o problema original em vez
de convertê-lo num problema equivalente. Alguns exemplos de métodos diretos
são:
Métodos gradientes;
Métodos sequenciais, recursivos ou sucessivos.
A classificação anterior apenas uma ideia dos algoritmos de otimização
disponíveis.
Na otimização estrutural, muitos algoritmos podem ser aplicados. Os mais comuns
são: a linearização convexa (Convex Linearization CONLIN); o método das assíntotas
móveis (Method of Moving Asymptotes MMA); a programação linear sequencial
(Sequential Linear Programming SLP); e a programação quadrática sequencial (Sequential
Quadratic Programming SQP) (CHRISTENSEN e KLARBRING, 2008).
Página 29
Cada um deles oferece vantagens e desvantagens um com relação ao outro. O
CONLIN, por exemplo, tenta tomar em consideração qualquer característica especial das
funções que governam o problema de otimização durante a construção da função
Lagrangiana. O mesmo é o método mais conservativo dentre eles. O MMA é tem
características similares ao CONLIN, porém oferece uma vantagem, uma vez que o grau de
“conservativismo” pode ser controlado através da escolha das assíntotas. Ambos oferecem
uma convergência linear. O LQP similarmente aos dois primeiros busca linearizar as funções
que governam o problema de otimização, porém sem considera a forma das mesmas. O
método oferece uma convergência linear que pode ser facilmente afetada a partir da escolha
da regra de atualização dos limites. O SQP é o mais robusto entre eles, pois considera o termo
quadrático na criação da função Lagrangiana. O mesmo tem uma convergência quadrática que
resulta na redução do número de iterações.
Consequentemente, o algoritmo SQP será utilizado nesta dissertação e, portanto será
apresentada a seguir uma breve descrição do mesmo.
2.4.4.1 Programação Quadrática Sequencial
Considerando uma expansão de segunda ordem em série de Taylor da função
()f x
em
x
, de acordo com:
T
T
1
2
f f f x x x d d H x d
(2.33)
onde
d x x
,
f x
é o vetor gradiente de
f
em
x
, de quem os elementos são definidos
por:
i
i
f
f
x

(2.34)
e
Hx
é a matriz Hessiana, de quem os elementos
ij
H
são definidos por:
2
ij
ij
f
H
xx

(2.35)
É assumido que o vetor gradiente e a matriz Hessiana, na Equação (2.33) irão
proporcionar uma boa aproximação da função verdadeira, especialmente se
x
estiver próximo
ao ponto ótimo.
Num algoritmo SQP, uma sequência de subproblemas quadráticos é resolvida. A
função objetivo deste subproblema é tal que o coeficiente do termo linear é formado pelo
gradiente da função objetivo do problema principal enquanto para o termo quadrático, uma
Página 30
aproximação da Hessiana da função Lagrangiana (esquema BFGS método Broyden-
Fletcher-Goldfarb-Shanno) (BROYDEN, 1970); (VANDERPLAATS, 2001) do problema
principal é usada. Uma descrição detalhada deste algoritmo pode ser encontrada em Powell
(1978) e Vanderplaats (2001). Em suma, são descritos na Tabela 2.4 as principais etapas
envolvidas no algoritmo SQP convencional.
Tabela 2.4: Etapas do algoritmo SQP.
Etapa
Descrição
SQP 1.
Estabelecer uma solução inicial
0
x
;
SQP 2.
Configurar uma aproximação inicial para a matriz Hessiana dos termos
quadráticos da função objetivo;
SQP 3.
Resolver o subproblema para encontrar a direção de busca
d
;
SQP 4.
Realizar uma busca linear para determinar o tamanho do passo
na direção
d
;
SQP 5.
Atualizar a solução, remetendo-a para a posição indicada;
SQP 6.
Checar a convergência do algoritmo SQP:
6.1.
se o mínimo local for encontrado: o processo termina.
6.2.
caso contrário: atualiza-se a matriz Hessiana via o esquema BFGS e volta para o
passo SQP 3.
Página 31
Capítulo 3 - Aproximações
3.1 Introdução
A natureza é extremamente complexa e para tentar entendê-la, o ser humano cria
modelos simplificados, obtendo assim um resultado aproximado. Essas leis que procuram
descrever a natureza são, em geral, expressas matematicamente. As formulações matemáticas,
embora simplificações do que se passa na realidade, ainda assim, com frequência, são muito
complexas para serem resolvidas analiticamente. Como consequência, os métodos numéricos
buscam soluções aproximadas para essas formulações.
Na engenharia estrutural, os métodos aproximados são extensivamente utilizados, de
forma a obter soluções para os problemas complexos nos quais os engenheiros lidam no dia a
dia. Um bom entendimento do comportamento físico da estrutura auxilia na escolha da
maneira mais simples e eficaz de se resolver um problema. Modelos simplificados, tais como,
o modelo biela-tirante para o dimensionamento do elemento estrutural consolo, o modelo de
treliça para o dimensionamento à torção de vigas, o modelo de grelha para o cálculo de laje,
etc., são também extensivamente utilizados no cotidiano de engenheiros civis.
A otimização de estruturas, às vezes, torna-se inviável devido ao grande custo
computacional envolvido decorrente de funções complexas e/ou não-lineares. No entanto, em
meados dos anos 70, Schmit e Farshi (1974) e Schmit e Miura (1976) demonstraram que a
utilização de modelos substitutos (com fidelidades variáveis) pode ser custo-eficiente quando
se busca a otimização de grandes/complexas estruturas. Isto se ao fato de que as funções
substitutas suavizam e/ou simplificam as funções caras computacionalmente (alta fidelidade).
Possibilitando dessa forma, a obtenção de resultados rápidos e na maioria dos casos com
precisão possível de ser aferida. Assim sendo, a utilização de modelos aproximados, ou
substitutos, e atualmente chamados metamodelos tem aumentado sua popularidade no campo
da otimização, sendo esta uma das motivações para o desenvolvimento desta pesquisa.
3.2 Classificação Geral das Aproximações
No processo de se obter uma resposta aproximada de uma dada função cara e/ou não
suave do ponto de vista computacional, um grande número aproximações está disponível
(TOROPOV, 1989); (BARTHELEMY e HAFTKA, 1993); (ALEXANDROV, DENNIS, et
Página 32
al., 1997); (FORRESTER, SOBESTER e KEANE, 2008). No entanto, as aproximações
podem ser classificadas, segundo o seu intervalo de aplicabilidade no espaço de projeto.
Consequentemente, três grupos distintos podem ser definidos (BARTHELEMY e HAFTKA,
1993):
1. As aproximações locais: são lidas apenas em uma vizinhança próxima de onde
as funções foram criadas;
2. As aproximações globais: são válidas em todo de projeto, e finalmente;
3. As aproximações de médio-alcance: enquadram-se entre ambos os tipos, ou seja,
tenta dar um aspecto global para as aproximações do tipo locais.
Figura 3.1 mostra graficamente as definições assumidas por Barthelemy e Haftka
(1993) e aqui adotadas.
(a) Espaço de projeto
(b) Aproximação local
(c) Aproximação de médio-alcance
(d) Aproximação Global
Figura 3.1: Exemplo de diferentes tipos de aproximações.
Em adição, tanto os modelos locais quanto os modelos globais podem ser acrescidos
de uma parcela adicional relacionada com a correção. Eldred e outros (ELDRED, GIUNTA e
Página 33
COLLIS, 2004) recentemente publicaram um artigo, onde dois tipos de correção (aditiva e
multiplicativa) foram usados para corrigir os modelos substitutos considerados em sua
pesquisa. A ideia central da estratégia, a qual será discutida com mais detalhes na Seção 3.7
(Tipos de Correções), é usar uma função (correção local) ou uma superfície de resposta
(correção global) do erro, ou seja, da diferença entre o modelo real e o aproximado.
3.3 Plano de Amostragem
As técnicas de construção de metamodelos por ajustamento de pontos tipicamente
envolvem interpolação ou regressão numérica (polinomial) de um conjunto de resultados
gerados a partir do modelo real (KEANE e NAIR, 2005); (FORRESTER, SOBESTER e
KEANE, 2008). No entanto, para se construir tal modelo, o primeiro passo é gerar um
conjunto de pontos (amostra) que sejam únicos e limitados pelo limite inferior e superior do
espaço de projeto. Esta técnica é conhecida na literatura como Design of Experiments (DOE)
(KEANE e NAIR, 2005); (FORRESTER, SOBESTER e KEANE, 2008), aqui traduzida
como plano de amostragem.
A localização desses pontos pode influenciar o modelo criado, pois em cada ponto da
amostra, a função real é avaliada e o resultado da análise é salvo para posterior criação do
modelo substituto. O modelo de krigagem (GANO, SANDERS e RENAUD, 2004) é
altamente influenciado pela localização dos pontos, pois este método usa a covariância entre
pontos para criar o modelo aproximado.
A escolha dos pontos é um assunto bastante importante para se obter um bom modelo
substituto, especialmente quando o tempo da análise para um único experimento é longo.
Portanto deve-se procurar uma amostra adequada, isto é, com um número mínimo de pontos,
porém que assegure a precisão do metamodelo com relação ao modelo real. Tal amostra pode
ser obtida a partir de diversos métodos disponíveis, dos quais podemos citar: Hipercubo
Latino (Latin Hypercube Sampling (LHS)), Vetor Ortogonal (Orthogonal Array (OA)),
Ladrilhamento de Voronoy Latinizado (Latin Centroidal Voronoi Tessellation (LCVT)),
Quasi Monte Carlo (QMC), Amostragem Randômica Simples (Simple Random Sampling
(SRS)) (KOEHLER e OWEN, 1996); (SIMPSON, LIN e CHEN, 2001); (FORRESTER,
SOBESTER e KEANE, 2008).
Figura 3.2 mostra a distribuição de três amostras contendo 25 pares ordenados
,xy
que variam entre 0 e 1, onde cada amostra foi geradas usando diferentes métodos.
Página 34
OA
LHS
LCVT
Figura 3.2: Exemplo de três diferentes amostras.
No entanto, apenas as amostras do tipo OA e LHS serão consideradas neste trabalho,
de modo a podermos comparar a influência de cada amostra na precisão do modelo substituto.
3.3.1 Amostra do Tipo Vetor Ortogonal
A amostra do tipo vetor ortogonal (Orthogonal Array (OA)) é a técnica de plano de
amostragem mais simples possível. A mesma é determinada a partir da hipótese de um
retângulo (ou quadrado) definido a partir dos limites inferiores e superiores das variáveis de
projeto (LOPHAVEN, NIELSEN e SøNDERGAARD, 2002). Tal amostragem pode ser
obtida segundo a Equação (3.1) abaixo.
UL
L
ii
i i i
i
m

xx
S x k
,
(3.1)
onde
1,in
sendo
n
= número de variáveis,
0,1,
ii
mk
sendo
i
m
o número de pontos
da amostra para cada vetor
i
. Quando todos os
i
mm
, então o número total de pontos na
amostra pode ser calculado por
1
n
m
.
3.3.2 Amostra do Tipo Hipercubo Latino
A amostra do tipo hipercubo latino (Latin Hypercube Sampling (LHS)), inicialmente
introduzida por McKay e outros (MCKAY, CONOVER e BECKMAN, 1979), pode ser
obtidas ao se dividir o intervalo de cada variável por
p
subintervalos de mesma
probabilidade. Portanto, se
n
é o número de variáveis, então a divisão produzirá um total de
subintervalos no espaço de projeto igual a
n
p
. Em seguida, as amostras
p
são selecionadas
aleatoriamente dentro do espaço de projeto, porém algumas restrições devem ser satisfeitas,
isto é, cada amostra é aleatoriamente colocada dentro de uma partição do espaço de projeto
0 0.1 0.2 0.3 0.4 0.5 0.6 0.7 0.8 0.9 1
0
0.1
0.2
0.3
0.4
0.5
0.6
0.7
0.8
0.9
1
0 0.1 0.2 0.3 0.4 0.5 0.6 0.7 0.8 0.9 1
0
0.1
0.2
0.3
0.4
0.5
0.6
0.7
0.8
0.9
1
0 0.1 0.2 0.3 0.4 0.5 0.6 0.7 0.8 0.9 1
0
0.1
0.2
0.3
0.4
0.5
0.6
0.7
0.8
0.9
1
Página 35
onde em sua projeção unidimensional
i
x
haverá apenas uma amostra em cada divisória para
cada partição (GIUNTA, WOJTKIEWICZ e ELDRED, 2003).
A Figura 3.3 mostra graficamente quatro amostras onde duas delas são consideradas
amostras LHS. Podemos notar também que devido à aleatoriedade inerente ao processo, é
possível obter diferentes arranjos das variáveis que satisfaz os critérios da amostragem do tipo
LHS.
(a) Não LHS
(b) Não LHS
(c) LHS
(d) LHS
Figura 3.3: Exemplo de amostras LHS e não LHS.
Devido à natureza estocástica (não viciadas) das amostras LHS (OWEN, 1992), se faz
necessário gerar a amostra várias vezes de maneira a obter uma amostra considerada
representativa do espaço de projeto. Tal amostra é obtida, quando a variância dos pontos da
amostra se torna a mínima possível, isto é, a distância entre os pontos da amostra é a máxima
possível.
A distância entre os pontos considerando duas variáveis
,xy
pode ser facilmente
obtida a partir da Equação (3.2) sugerida por (KEANE e NAIR, 2005). Consequentemente, a
melhor amostra LHS será aquela onde o valor de
for o menor.
1
22
11
1
mm
i j i
j i j i
x x y y







,
(3.2)
onde
m
é o número total de pontos da amostra.
3.4 Aproximações Locais
As aproximações do tipo local são válidas apenas na vizinhança na qual a função é
avaliada, isto é, as aproximações são ditas precisas apenas a uma pequena distância a partir do
ponto em que foram construídas. Regressões numéricas, séries numéricas, splines são alguns
exemplos de aproximações locais baseadas em polinômios. Podemos ainda citar as chamadas
superfícies de resposta que são obtidas através do ajustamento de pontos.
Página 36
As técnicas de aproximações locais são mais adequadas quando se faz o uso de
processo iterativo, no qual os resultados da análise proveniente da função real são comparados
periodicamente com os da função aproximada durante o processo de otimização. Esta
estratégia de otimização é comumente referida na literatura como Sequential Approximate
Optimization (SAO) (GIUNTA e ELDRED, 2000), aqui traduzida como Otimização
Sequencial Aproximada, onde a ideia central desse método é substituir o problema inicial de
otimização por uma sucessão de subproblemas menores, nos quais as aproximações do tipo
locais são precisas. Tal esquema será discutido em mais detalhes na Seção 3.8 (Estratégia
SAO).
3.4.1 Forma Funcional
A definição de forma funcional aqui empregada é dada as funções aproximadas onde
as mesmas podem ser escritas com uma expressão matemática. Contudo, apenas dois tipos de
funções de forma funcional serão aqui considerados:
1. As baseadas em expansão numérica, especificamente usando série de Taylor;
2. As baseadas no ajustamento de pontos, especificamente usando o método dos
mínimos quadrados aliada à estratégia da superfície de resposta.
As duas formas são descritas em detalhes, a seguir.
3.4.1.1 ries de Taylor
Inicialmente desenvolvida pelo matemático inglês Brook Taylor em 1715, as séries de
Taylor buscam representar funções reais ou complexas pelo somatório de um número infinito
de termos que dependem da avaliação da função real e suas derivadas em um determinado
ponto. A função por sua vez precisa ser contínua e infinitamente diferenciável para que a
representação seja verdadeira.
A definição acima pode ser escrita segundo a Equação (3.3) abaixo,
0
0
0
ˆ
!
n
n
a
n
f
f
n

x
x x x
,
(3.3)
onde
ˆ
a
f x
é a função aproximada por rie de Taylor da função real
f x
,
x
é variável de
projeto,
!n
é o fatorial de
n
,
0
n
f x
denota a n-éssima derivada avaliada no ponto
0
x
.
Para problemas simples que envolvem funções matemáticas explícitas, o cálculo das
derivadas pode ser feita analiticamente. Entretanto, certo nível de aproximação deve ser
escolhido, pois o cálculo de infinitas derivadas se torna impossível de ser atingido de forma a
Página 37
obtermos a série completa. Devido a este fato, frequentemente truncamos a série de forma a
obtermos um resultado aproximado.
O cálculo estrutural, mais especificamente a otimização estrutural, lida com equações
complexas (não-lineares) e geralmente não podemos expressar tais problemas com
formulação analítica exata. Devido a este fato, o cálculo dos gradientes que é necessário no
processo de otimização e também na criação da série de Taylor, se tornam às vezes
impossível de obter. No entanto, existem certos métodos numéricos (método das diferenças
finitas, método analítico, método semianalítico) que podemos usar para obtê-las
computacionalmente.
Tendo em mente que o cálculo das derivadas é computacionalmente caro, podemos
escolher uma função que necessite o mínimo possível delas. Consequentemente, a
aproximação por série de Taylor mais simples e amplamente utilizada é a aproximação do
tipo linear e suas variações (recíproca, convexa, polinomial, etc.) (GIUNTA e WATSON,
1998) que apenas envolvem as derivadas de primeira ordem. Tais aproximações são
discutidas em detalhes a seguir.
3.4.1.1.1 Linear
A aproximação linear é a forma mais simples e por isso é frequentemente utilizada.
Dessa forma uma função qualquer
f x
pode ser aproximada utilizando a rie de Taylor de
primeira ordem, onde a função aproximada
ˆ
aL
f x
é descrita pela Equação (3.4).
0
00
1
ˆ
n
aL i i
i
i
f
f f x x
x



x
xx
(3.4)
onde
0
f x
e
0
i
f
x



x
são respectivamente o valor da função
f x
e sua derivada ambas
avaliadas no ponto
0
x
.
3.4.1.1.2 Recíproca
A Equação (3.5) é obtida assumindo
i
y
como sendo a inversa (recíproca) de
i
x
1
i
i
y
x
.
(3.5)
Página 38
A partir da suposição acima, podemos então obter a aproximação recíproca
ˆ
aR
f x
ao
substituímos a Equação (3.5) na Equação (3.4). O resultado dessa substituição é mostrado na
Equação (3.6), onde podemos perceber certa não-linearidade na função obtida,
0
0
00
1
ˆ
n
i
aR i i
i
ii
x
f
f f x x
xx



x
xx
.
(3.6)
A função do tipo recíproca, a grosso modo, pode linearizar a função objetivo e/ou
restrições consideradas geralmente em uma otimização estrutural, uma vez que certas funções
que definem um problema de otimização estrutural (tensão, flexibilidade estrutural) dependem
inversamente da área da seção transversal dos elementos, sendo essas frequentemente
escolhidas como as variáveis de projeto.
3.4.1.1.3 Posinomial
A definição posinomial inicialmente introduzida por Duffin e outros (DUFFIN,
PETERSON e ZENER, 1967) não deve ser confundida com a de polinômios, ou seja, os
expoentes de um polinômio são inteiros e não negativos, mas as suas variáveis independentes
e os coeficientes podem ser arbitrários e reais, por outro lado, os expoentes de uma posinômio
podem ser arbitrários e reais, mas as suas variáveis independentes e os coeficientes devem ser
números reais e positivos.
As funções do tipo posinomial apesar de serem não-lineares são geralmente usadas em
algoritmos de programação sequencial linear (SLP), pois as mesmas não destroem a
linearidade da função aproximada (BARTHELEMY e HAFTKA, 1993). As mesmas podem
ser escritas segundo a expressão,
0
1
0
ˆ
i
n
i
aP
i
i
x
ff
x



xx
.
(3.7)
onde o expoente
i
é definido por:
0
0
0
i
i
ii
x
f
f x x



x
.
(3.8)
De fato, ao calcular o logaritmo da função posinomial
ˆ
aP
f x
pode-se obter a função
linear
ˆ
aL
f x
. Portanto, se a função objetivo e/ou restrição for logarítmica, as mesmas podem
ser linearizadas e aproximadas a partir da consideração da função posinomial.
Página 39
3.4.1.2 Método da Superfície de Resposta
O método da Superfície de Resposta (SR) foi primeiramente introduzido por Box e
Wilson (1951). O método busca relacionar o resultado com suas diversas variáveis, isto é, a
ideia principal do método da SR é usar uma sequência de resultados experimentais para obter
uma resposta ótima, na qual segundo Box e Wilson (1951), pode ser melhor ajustada com um
polinômio de segundo grau. Deve-se ter em mente que tal modelo é dito preciso apenas
quando uma pequena região do espaço de projeto é investigada. No entanto, devido à fácil
aplicação e simplicidade na sua obtenção do modelo aproximado, esta técnica é largamente
utilizada nas mais diversas áreas.
Os modelos polinomiais usam os métodos de regressão numérica (ajustamento de
pontos) para obter o uma resposta aproximada para um sistema superdeterminado, isto é,
quando o número de equações é maior do que o número de incógnitas. Um dos métodos de
ajustamento de pontos amplamente empregado é conhecido como o Método dos Mínimos
Quadrados (MMQ), o qual foi primeiro descrito por Carl F. Gauss por volta de 1794. O MMQ
busca ajustar uma curva que minimiza a soma dos quadrados dos erros.
A aplicação dos métodos acima citados na otimização estrutural oferece grandes
vantagens com relação a outros métodos. Uma delas é a não necessidade do cálculo dos
gradientes da função real, computacionalmente cara. Outra vantagem seria a possibilidade
suavização dos resultados provenientes das análises e/ou experimentos ao se utilizar
regressões de baixa ordem (linear, quadrático, ou cúbico).
A estratégia da SR usa os resultados gerados pela análise de alto custo em pontos
chaves determinados por uma amostra dita ideal que foi discutida anteriormente. Com o uso
do MMQ é possível determinar uma função analítica aproximada que pode ser usada para
substituir a função de alto custo (real).
A função aproximada considerando a estratégia da superfície de resposta pode ser
descrita segundo a Equação (3.9) que considera uma regressão numérica genérica onde o
vetor
x
é o dado de entrada,
1
ˆ
k
T
SR j j
j
fN

x N x β
,
(3.9)
onde
β
é o vetor dos coeficientes do modelo de regressão a ser determinado e
Nx
vetor do
modelo de regressão a ser escolhido, ambos com tamanho
k
e definidos por:
Página 40
01
T
k

β
,
(3.10)
1 k
NN


N x x x
.
3.4.1.2.1 Coeficientes da Regressão
A determinação dos coeficientes da regressão
β
é formulada segundo a Equação
(3.11), onde são necessários
m
análises sendo
mk
.
T
S
f βN
,
(3.11)
onde
S
f
, representado pela Equação (3.12), é um vetor de tamanho
m
que contém os
resultados da função real avaliados nos pontos de uma amostra
1 m
S x x
,
1Sm
f f f


f S x x
.
(3.12)
e
N
é uma matriz formada por
m
linhas e
k
colunas que contém os polinômios escolhidos
para a criação do modelo de regressão numérica, com a forma descrita por:
1 1 1
1
k
m k m
NN
NN





xx
xx
N
.
(3.13)
Os termos do vetor
β
são a solução do problema de regressão, definido pela Equação
(3.11), o qual é resolvido usando o método dos mínimos quadradas definido abaixo,
1
TT
S
βfN N N
.
(3.14)
onde para que o termo
T
NN
exista, é necessário que as linhas da matriz
N
sejam
linearmente independentes. Sendo assim, ao substituirmos o vetor
β
na Equação (3.9),
podemos calcular o valor aproximado da função
ˆ
SR
f
em qualquer ponto do espaço de projeto.
Logo, a Equação (3.9) pode ser rescrita como:
1
ˆ
k
T
SR j j
j
fN

x N x β
.
(3.15)
Geralmente em problemas de otimização é desejável que as funções sejam contínuas e
diferenciáveis. A função linear é uma vez diferenciável, porém não é capaz de aproximar uma
superfície convexa continuamente. Dessa forma o polinômio de segunda ordem (quadrático)
foi escolhido. A Equação (3.16) descreve o modelo de regressão quadrático em função de
duas variáveis
12
,xx
que foi usado para criar a superfície de resposta.
22
1 2 1 2 1 2
1 x x x x x x


Nx
.
(3.16)
Página 41
3.5 Aproximações Globais
As aproximações do tipo global, geralmente, são utilizadas para obtermos uma ideia
geral da função investigada em todo o espaço de projeto. Tais aproximações podem ser
criadas usando um modelo físico simplificado o qual captura a tendência global de uma dada
resposta da estrutura, ou utilizando uma malha grosseria em um modelo de elementos finitos,
ou ainda construindo uma superfície de resposta global utilizando um modelo de krigagem ou
outro modelo por ajustamento de pontos. No presente trabalho, dois tipos serão investigados:
1. A aproximação global de forma física baseada em um modelo estrutural
simplificado, especificamente usando grelha e;
2. A aproximação global de forma funcional baseada no ajustamento de pontos,
especificamente usando o modelo de krigagem.
Ambas serão descritas em detalhes a seguir.
3.5.1 Forma Física
A análise estrutural, em geral, é complexa e na sua grande maioria não-linear, portanto
constantemente buscamos aproximar o comportamento estrutural por equações e/ou através
da resposta de um modelo estrutural simplificado de modo a facilitar o cálculo da mesma. O
avanço dos computadores possibilita o cálculo de estruturas mais complexa, porém quando se
tenta otimizar tais estruturas, o tempo computacional requerido pode tornar um projeto
inviável. Dessa forma, os modelos físicos buscam solucionar tais dificuldades.
Para a criação de um bom modelo dessa categoria, se faz necessário um bom
entendimento da física do problema a ser solucionado. Suposições e simplificações são
usualmente consideradas de forma a reduzir o número de incógnitas e com isso uma resposta
mais rápida e relativamente precisa pode ter obtida. Alguns exemplos de modelos
simplificados amplamente utilizada no dia-a-dia de um engenheiro civil são: o modelo biela-
tirante para o dimensionamento do elemento estrutural consolo, o modelo de treliça para o
dimensionamento à torção de vigas, o modelo de grelha para o cálculo de laje, etc.
3.5.1.1 Modelo de Grelha
O modelo físico adotado nessa pesquisa é o modelo de grelha. A escolha de tal
modelo, se deve ao fato de que o principal objetivo dessa dissertação é otimizar a coberta
treliçada descrita em detalhes no Capítulo 4 -. A treliça espacial, aqui considerada, consiste de
Página 42
dois banzos (inferior e superior) onde cada do banzo superior é conectado, por meio de
elementos diagonais, a quatro nós distintos do banzo inferior.
Flower e Schmidt (1971) demonstraram que o comportamento estrutural de uma
coberta treliçada, mais especificamente, o deslocamento vertical da treliça na região central,
pode ser calculado segundo a Equação (3.17) (FLOWER e SCHMIDT, 1971). Esta por sua
vez, é semelhante à equação diferencial de placas finas onde o termo que depende da rigidez a
torção é considerado nulo.
44
44
xy
uu
D D w
xy



,
(3.17)
onde
x
D
e
y
D
é a rigidez a flexão na direção
x
e
y
, respectivamente. A Equação (3.18)
define a rigidez a flexão no caso do telhado treliçado
2
x tx
x
x
k EA d
D
a
,
2
y ty
y
y
k EA d
D
a
,
(3.18)
com,
bx
x
bx tx
A
k
AA
,
by
y
by ty
A
k
AA
.
(3.19)
Nas Equações (3.18) e (3.19),
d
= distância entre o banzo superior e inferior;
,
xy
aa
=
espaçamento horizontal entre os elementos do banzo na direção
x
e
y
;
,
tx bx
AA
= área da
seção transversal dos elementos na direção
x
do banzo superior e inferior, respectivamente;
,
ty by
AA
= área da seção transversal dos elementos na direção
y
do banzo superior e inferior,
respectivamente;
E
= módulos de elasticidade do material. Tais dimensões podem ser
facilmente identificadas na Figura 3.4 do modelo da coberta treliçada,
Página 43
Figura 3.4: Modelo da coberta treliçada.
Foi demonstrado por Renton (1966) que o comportamento das estruturas em grelha,
quando o espaçamento horizontal entre os elementos são reduzidos, pode ser descrito pela
seguinte equação diferencial:
4 4 4
4 2 2 4
yy
xx
y y y x x y
GJ EI
EI GJ
u u u W
b x b b y y b y b b




,
(3.20)
onde
e
xx
EI GJ
= rigidez à flexão e à torção da vigas com vão
x
b
na direção
x
;
e
yy
EI GJ
=
rigidez à flexão e à torção da vigas com vão
y
b
na direção
y
;
W
= carregamento por
xy
bb
de
área.
Comparando a Equação (3.17) com (3.20) pode-se perceber a semelhança entre as
equações. Podemos então concluir que, o modelo de grelha é um possível candidato para
substituir o modelo de treliça. Entretanto, algumas considerações devem ser feitas de modo
compatibilizar ambos os modelos, dessa forma a rigidez a flexão e a torção e as áreas da seção
transversal dos elementos da grelha devem obedecer a Equação (3.21) e (3.22),
respectivamente.
2
y
x x tx
x
b
I k A d
a
,
2
x
y y ty
y
b
I k A d
a
,
0
xy
JJ
.
(3.21)
x
gx tx bx
x
b
A A A
a

,
y
gy ty by
y
b
A A A
a

.
(3.22)
A Figura 3.5 mostra o modelo proposto equivalente à coberta treliçada,
Página 44
Figura 3.5: Modelo de grelha equivalente.
3.5.2 Forma Funcional
Tal como foi mencionado na abordagem local, às técnicas de ajustamento de pontos
são geralmente escolhidas quando um modelo físico simplificado não é possível de ser obtido.
Diversos modelos de ajustamento estão disponíveis para a construção de um modelo
global por técnicas de ajuste de pontos (AFONSO, HOROWITZ e WILLMERSDORF, 2008).
No entanto, o modelo de krigagem foi o método escolhido, pois oferece certas vantagens as
quais são discutidas a seguir.
3.5.2.1 Modelo de Krigagem
O modelo de interpolação usando krigagem, do inglês Kriging, (SIMPSON,
PEPLINSKI, et al., 2001); (KEANE e NAIR, 2005) é bastante utilizado nas áreas da
estatística e geo-estatística e foi inicialmente introduzido pelo matemático francês Georges
Matheron (1963) baseado na dissertação de mestrado do Daniel G. Krige (1951). O modelo se
diferencia dos outros métodos, pois um aspecto global ao modelo criado e também é capaz
de capturar as tendências oscilatórias das funções (GIUNTA e WATSON, 1998). Além disso,
o modelo considera a covariância entre os pontos da amostra usando uma correlação espacial
através de uma distribuição gaussiana em cada ponto. Devido a isto, os modelos que utilizam
esta técnica são facilmente influenciados pelo arranjo dos pontos da amostra.
Página 45
Lophaven e coautores (LOPHAVEN, NIELSEN e SøNDERGAARD, 2002)
desenvolveram uma biblioteca de krigagem para MATLAB chamado DACE (Design and
Analysis of Computer Experiments). A mesma foi utilizada nesta dissertação para criar os
modelos de krigagem estudados e suas as principais considerações necessárias para o
entendimento e desenvolvimento do modelo de krigagem serão discutidas a seguir.
O modelo de krigagem de forma geral pode ser expresso segundo,
1
k
jj
j
f N Z

x x x
,
(3.23)
onde o primeiro termo (determinístico) representa o modelo global construído em função de
uma amostra, similarmente ao MMQ, no qual as funções polinomiais são usadas para a
construção do termo
j
N x
. Diferentemente, o segundo termo
Z x
é responsável por criar
um desvio localizado no modelo global, o qual considera uma função aleatória. Esta
geralmente segue uma distribuição normal Gaussiana (GIUNTA e WATSON, 1998).
O termo aleatório
Z x
é construído assumindo média igual a zero e covariância
igual a:
2
cov , , ,
i j i j
ZZ


x x R θ x x
,
(3.24)
quando a hipótese acima tem média desconhecida, porém constante, e o somatório dos pesos é
igual a 1 (um), o modelo de krigagem recebe a denominação de ordinário.
A matriz correlação
R
é definida por
1
, , ,
n
k k k k
i j i j
k
xx

R θ x x R
,
(3.25)
onde
R
é a matriz
mm
de correlação com valores unitários em sua diagonal principal. A
mesma correlaciona os pontos
i
x
e
j
x
da amostra a partir do tipo de função de correlação
escolhida (ver Tabela 3.1) que depende do parâmetro de correlação
inicialmente
desconhecido. O termo
é posteriormente usado no processo de regressão do modelo.
A biblioteca DACE oferece diversas funções de correlação (SACKS, WELCH, et al.,
1989) as quais são descritas pelas expressões:
Página 46
Tabela 3.1: Funções de correlação disponíveis.
Tipo
Termo
,
k k k k
ij
xx
R
Exponencial
exp
k k k
ij
xx

Exponencial
generalizada
1
1
exp 0 2
n
k k k
i j n
xx

Gaussiana
2
exp
k k k
ij
xx




Linear
max 0,1
k k k
ij
xx

Esférica
3
1 1.5 0.5 min 1,
k k k k k
j i j
xx
Cúbica
23
1 3 2 min 1,
k k k k k
j i j
xx
Spline
3
2
3
1 15 30 para 0 0.2
1.25 1 para 0.2 1 ,onde
0 para 1
kk
j
k k k k k k
ij
k
xx
Tais correlações podem ser dividas em dois grupos (LOPHAVEN, NIELSEN e
SøNDERGAARD, 2002), onde o primeiro tem um comportamento parabólico perto da
origem (Gauss, Cúbica e Spline) e o segundo tem um comportamento linear (Exponencial,
Linear e Esférica). No entanto a função exponencial generalizada enquadra-se entre ambos os
grupos dependendo do termo
1n
. Se
1n
for igual a 2 (dois): resulta na correlação
Gaussiana; caso contrário se for igual a 1 (um): resulta na correlação Exponencial.
A Equação (3.26) permite estimar o valor
ˆ
K
f x
em qualquer ponto no espaço de
projeto que considera as respostas da função real
f x
,
1
ˆ
| , ,
Km
f E f f fx x x x
,
(3.26)
em estatísticas esta equação é lida como: o valor esperado de
f x
, dado os eventos em
1
,,
m
ffxx
ocorrerão.
Página 47
A medida do erro pode é calculada ao se introduzir o conceito do Erro Médio
Quadrado (Mean Square Error (MSE)), o qual mede a diferença entre a função aproximada
pelo modelo de krigagem
ˆ
K
f x
e a função real
f x
em todo o espaço de projeto,
2
ˆ
K
MSE E f fxx
,
(3.27)
A partir da minimização do MSE, a Equação (3.28) permite estimar o valor
ˆ
K
f x
em
qualquer ponto no espaço de projeto, a partir da seguinte relação:
1
ˆ
ˆˆ
T T T
KS
f
x N x β r x R f βN
,
(3.28)
onde
1 k
NN


N x x x
representa o vetor contendo os polinômios da regressão,
ˆ
β
são os coeficientes do modelo de regressão,
1
,,
T
Sm
fff
contém o valor da função
real calculada nos pontos da amostra
S
e
N
é uma matriz
mk
definida anteriormente pela
Equação (3.13).
A Equação (3.29) requer o cálculo do vetor de correlação
rx
que correlaciona um
os pontos da amostra com qualquer ponto dentro de espaço de projeto,
1
, , , ,
T
m
RR


rx θ x x θ x x
.
(3.29)
Os coeficientes da regressão
ˆ
β
e a covariância são obtidos usando o método dos
mínimos quadrados, onde
1
11
ˆ
TT
S

β R R fN N N
,
(3.30)
e a covariância é obtida segundo,
1
2
ˆˆ
T
ss
m

f β R f βNN
.
(3.31)
Na Equação (3.28), ambos
r
e
R
dependem do parâmetro
k
desconhecido. No
entanto, para determiná-los é necessário utilizar a estimativa da máxima verossimilhança, a
qual é obtida minimizando o problema definido pela Equação (3.32) com
k
variáveis
(GIUNTA e WATSON, 1998),
Minimizar
2
1
ln ln
2
m





R
,
(3.32)
Sujeito à:
0
k
.
Enfim, ao resolver este problema de otimização, o modelo de krigagem está completo.
Página 48
3.6 Métodos de Avaliação da Precisão
O método da superfície de resposta
ˆ
SR
f x
e o modelo de krigagem
ˆ
K
f x
definidos
anteriormente são criados baseados em uma amostra de tamanho
m
e posteriormente são
usados para prever o resultado em um número bem maior de pontos
m
. Devido a este
fato, se faz necessário verificar a priori se o modelo substituto criado pode representar
adequadamente a função real (cara computacionalmente). Tal medida da precisão fornecerá
também mais um parâmetro que auxiliará na escolha do melhor modelo substituto.
A diferença que é definida pela Equação (3.33) é a maneira mais simples de avaliar a
precisão de um modelo aproximado, porém apenas avalia o modelo localmente,
ˆ
i i i
f f f
.
(3.33)
onde
1, ,i np
, e
np
é o número total de pontos onde as funções aproximada
ˆ
i
f
e real
i
f
são avaliadas.
Outra possibilidade seria calcular a média aritmética expressa pela Equação (3.34),
porém o valor médio mascara o resultado, ou seja, se a diferença for grande em um local e
pequena em outro, o resultado obtido será compensado e com isso sem muito significado.
1
1
n
i
i
ff
n

.
(3.34)
O desvio padrão é um parâmetro mais significativo do que os anteriores, pois introduz
uma ponderação em seu cálculo, isto é, um erro grande ao ser elevado ao quadrado será ainda
maior e vice-versa, no entanto para a determinação do desvio padrão, definido pela Equação
(3.35), considera o valor médio e, portanto o mesmo não é aconselhável para a avaliação dos
modelos substitutos.
2
1
1
n
ii
i
f
ff
n

.
(3.35)
Como consequência, o método RMSE (Root Mean Squared Error) e o PRESS
(Predicted Residual Sum of Squares) que combinam as melhores ideias dos métodos acima
mencionados serão considerados para avaliar os modelos substitutos. Ambos os métodos de
avaliação serão definidos a seguir.
Página 49
3.6.1 RMSE
O método de avaliação chamado Root Mean Squared Error (RMSE) (ANDERSON e
WOESSNER, 1992) traduzido como Raiz da Suma Quadrática dos Erros, foi o escolhido,
pois o mesmo é baseado no conceito da discrepância para avaliar o modelo substituto.
A definição de discrepância ou diferença, não deve ser confundida com a definição do
erro residual que é o termo elevado ao quadrado e posteriormente minimizado quando se
considera o método dos mínimos quadrados. Nesse caso, o erro residual é a discrepância
(diferença) entre o modelo polinomial (aproximado) e o real calculado nos pontos da amostra.
No caso do modelo de krigagem, a discrepância é igual à zero entre o modelo aproximado e
real nos pontos da amostra, uma vez que o valor previsto é igual ao valor real nos pontos da
amostra. Sendo assim, o tradicional método do erro residual quadrático também chamado de
2
R
, não é considerado um bom parâmetro de avaliação, pois o mesmo pode ter seu valor
reduzido se a ordem do polinômio de regressão for aumentada.
Apesar de ter uma equação semelhante à Equação (3.35), o RMSE, definido pela
Equação (3.36), é apontado na literatura (GIUNTA e WATSON, 1998) como um método não
viciado se
np m
,
2
1
ˆ
np
ii
i
ff
RMSE
np
,
(3.36)
onde
ˆ
f
e
f
são respectivamente, o valor do modelo substituto e da função real calculados
em
np
pontos dentro de espaço de projeto.
3.6.2 PRESS
O método de avaliação Predicted Residual Sum of Squares (PRESS), inicialmente
formulado por D. Allen (1974) e aqui traduzida como a Estimativa da Suma Quadrada dos
Resíduos, é um entre muitos métodos para avaliação de modelos substitutos. O procedimento
é baseado no método Leave-One-Out (deixe um de fora) cujas etapas são descritas na Tabela
3.2.
Página 50
Tabela 3.2: Etapas para determinação do PRESS.
Etapa
Descrição
PRE 1.
Remover um ponto da amostra e cria um modelo substituto a partir da amostra com
1n
pontos;
PRE 2.
Calcular o valor previsto
ˆ
i
f
no ponto i-ésimo removido considerando o modelo
criado a partir da amostra com
1n
pontos;
PRE 3.
Calcular
2
ˆ
i i i
r f f
, onde
i
f
e o valor do modelo real no ponto removido;
PRE 4.
Readicionar o ponto removido e voltar para o passo PRE 1, até completar os todos
os pontos da amostra;
PRE 5.
Calcular a raiz quadrado do somatório
i
r
As etapas descritas acima são simplificadas pela Equação (3.37):
2
1
ˆ
n
ii
i
PRESS f f

.
(3.37)
onde
i
f
é o valor do modelo real no ponto removido e
ˆ
i
f
é o valor previsto no ponto
removido calculado a partir do modelo substituto criado em função da amostra com
1n
pontos (TARPEY, 2000).
3.7 Tipos de Correções
Os modelos de correção são construídos de maneira a assegurar a coincidência entre o
modelo real e o modelo substituto (ELDRED, GIUNTA e COLLIS, 2004). Tais técnicas
podem ser aplicadas para qualquer tipo de aproximações (contexto local e global). Nesse
trabalho será considerada a correção do tipo aditiva e multiplicativa, as quais ajustaram o
modelo proposto de grelha que por sua vez substitui o modelo de treliça. Tais metodologias
são descritas segundo as expressões a seguir,
ˆ
ga
ff
x x x
ˆ
ga
ff
x x x
(3.38)
ˆ
gm
ff
x x x
ˆ
g m g m
f f f

x x x x x
(3.39)
onde
g
f x
é função a partir do modelo de grelha,
a
x
é o termo de correção aditiva e
m
x
é o termo de correção multiplicativo. Para ambas as abordagens serão construídas uma
correção local
a
x
,
m
x
gerada a partir de uma expansão por série de Taylor ou global
Página 51
usando
a
x
,
m
x
construído a partir da técnica de krigagem. Ambas são descritas a
seguir.
3.7.1 Correção Baseada no Modelo de Krigagem
A estratégia adotada consiste em utilizar o modelo de krigagem, onde será construído
um modelo de correção global. Este por sua vez é criado a partir da diferença ou da razão
entre o modelo substituto (analogia de grelha) e o modelo real (treliça espacial). De forma
geral, o modelo de correção baseado no modelo de kriging pode ser expresso como:
1
ˆ ˆ ˆ
T T T

x N x β r x R βN
,
(3.40)
onde
N
depende do polinômio de regressão escolhido,
ˆ
β
é o coeficiente de regressão
incógnito,
r
e
R
dependem do modelo de correlação escolhido,
N
é uma matriz
mk
que
também depende do polinômio de regressão.
O termo
, definido pela expressão Equação (3.41), é obtido a partir da diferença
(correção aditiva
a
) ou razão (correção multiplicativa
m
) entre o modelo real e aproximado.
a t g
ff

,
(3.41)
t
m
g
f
f
,
onde
t
f
é o valor do modelo real (treliça) e
g
f
é o valor modelo substituto (grelha).
3.7.2 Correção Baseada na Série de Taylor
A estratégia adotada consiste em utilizar a série de Taylor para corrigir localmente a
diferença entre o modelo real e o substituto, onde serão consideradas as correções do tipo
aditivas e multiplicativas, semelhantes à Equação (3.41). Mais uma vez, a estratégia SAO,
descrita na próxima seção, tem um papel importante nessa abordagem, pois para cada
subproblema o modelo substituto (grelha) secorrigido a partir da escolha de três diferentes
níveis de correção.
De forma geral, a correção aditiva
a
e multiplicativa
m
baseadas na série de Taylor
de primeira ordem é definida segundo a Equação (3.42) a seguir:
0 0 0
T
a a a
x x x x x
,
(3.42)
0 0 0
T
m m m
x x x x x
.
Os gradientes
a
e
m
podem ser calculados segundo a Equação (3.43),
Página 52
2
0 0 0
T
a a a
x x x x x
,
(3.43)
2
0 0 0
T
m m m
x x x x x
.
Os diferentes níveis de correção
0 1 2
,eC C C
são obtidos a partir das considerações
ou não dos termos da rie. Sendo assim, o nível
0
C
é obtido considerando apenas o termo
constante da rie de Taylor. O nível
1
C
é obtido a partir do nível
0
C
com a inclusão do
termo da primeira derivada. Finalmente, o nível
2
C
é obtido a partir do nível
1
C
com a
inclusão da segunda derivada.
Os termos da correção aditiva são definidos segundo a Equação (3.44) a seguir.
0 0 0a t g
ff
x x x
,
(3.44)
0 0 0a t g
ff
x x x
,
2 2 2
0 0 0a t g
ff
x x x
.
e os termos da correção multiplicativa são definidos pela Equação (3.45) abaixo.
0
0
0
t
m
g
f
f
x
x
x
,
(3.45)
0
0 0 0
2
00
1
t
m t g
gg
f
ff
ff
x
x x x
xx
,
00
2 2 2
0 0 0 0 0
23
0 0 0
0 0 0 0
2
0
2
1
1
.
T
tt
m t g t g
g g g
T
T
g t t g
g
ff
f f f f
f f f
f f f f
f






xx
x x x x x
x x x
x x x x
x
3.7.2.1 Determinação Numérica da Matriz Hessiana
Os gradientes de otimização serão naturalmente calculados durante o processo de
otimização, pois o algoritmo SQP requer o cálculo das derivadas para a determinação da
direção de busca. Sendo assim, para a estratégia onde o modelo substituto (grelha) é
considerado juntamente com o modelo de correção baseado no modelo de krigagem, apenas o
cálculo dos gradientes do modelo substituto (grelha) será necessário, pois o modelo de
correção baseado no ajustamento de ponto não necessita do gradiente para a criação do
modelo de krigagem. No entanto, para a estratégia onde o modelo substituto é considerado
juntamente com o modelo de correção baseada na expansão por série de Taylor, o cálculo dos
gradientes e Hessiana necessária para ambos os modelos (real e substituto) de acordo com o
nível de correção
0 1 2
,eC C C
escolhido e seguem as Equações (3.44) e (3.45).
Página 53
O cálculo das derivadas é realizado a partir da análise de sensibilidade onde vários
métodos (diferenças finitas, analítico, semianalítico e variável adjunto) estão disponíveis,
porém para a determinação numérica da Hessiana de
g
f
e
t
f
que aparecem na Equação
(3.43), o método das diferencias finitas à direita será considerado devido a sua simplicidade
de implementação. O método é definido pela Equação (3.46) seguinte:
2
ff
f

x x x
x
x
.
(3.46)
3.8 Estratégia SAO
A estratégia de Otimização Aproximada Sequencial (Sequential Approximate
Optimization (SAO)) é comumente utilizada na literatura (ALEXANDROV, DENNIS, et al.,
1997); (GIUNTA e ELDRED, 2000); (KEULEN e HAFTKA, 2004); (KEULEN e HAFTKA,
2004); (KEANE e NAIR, 2005); (AFONSO, HOROWITZ e SILVA, 2005) quando se
considera as aproximações do tipo local. A ideia central da metodologia consiste em
decompor o problema inicial de otimização em uma sucessão de subproblemas menores, onde
tais subproblemas são confinados em uma sub-região do espaço de projeto. A cada nova
iteração se conduz uma análise de consistência entre os dois modelos (real e aproximado) e
com isso auxilia na precisão dos modelos substitutos.
Nesse trabalho serão consideradas como função substituta as funções baseadas na série
de Taylor de primeira ordem e as funções baseadas no ajustamento de pontos criado a partir
do método da superfície de resposta (método dos mínimos quadrados). Posteriormente, a
função aproximada será corrigida com um termo aditivo ou multiplicativo que dependerá dos
de um dos três níveis
0 1 2
,eC C C
a ser escolhido.
3.8.1 Formulação Matemática
Tipicamente, o metodologia SAO decompõe o problema de otimização original em
uma sequência de subproblemas de otimização que são confinados em uma pequena sub-
região do espaço de projeto. Consequentemente, funções substitutas são criadas e
posteriormente utilizadas no processo de otimização, pois as mesmas são relativamente
precisas dentro dessas sub-regiões. O esquema da região de confiança, que será descrito na
Seção 3.9, é adotado para a atualização do tamanho na nova sub-região durante o processo
iterativo e sequencial do esquema SAO.
A formulação matemática da estratégia SAO é descrita por:
Página 54
Minimize
ˆ
k
f x
(3.47)
Sujeito à:
ˆ
0
k
j
g x
,
1, ,jp
,
ˆ
0
k
i
h x
,
1, ,iq
,
kk
L L U U
x x x x x
,
max
0,1, ,kk
onde
k k k
Lc
xx
(3.48)
k k k
Uc
xx
Na equação (3.47), os termos
ˆ
k
f x
,
ˆ
k
j
g x
e
ˆ
k
i
h x
são respectivamente a função
aproximada (ou substituta) da função objetivo, da restrição de desigualdade e da restrição de
igualdade. Subsequentemente na Equação (3.48), o termo
k
c
x
representa o ponto central da
região de confiança,
k
o tamanho da região de confiança e
,
kk
LU
xx
são respectivamente os
limites inferiores e superiores da sub-região do espaço de projeto para a k-ésima iteração da
estratégia SAO (GIUNTA e ELDRED, 2000); (ELDRED, GIUNTA e COLLIS, 2004).
3.8.2 Aspectos Computacionais
Cada subproblema descrito pela Equação (3.47) e (3.48), define uma iteração
k
da
estratégia SAO, onde o número máximo de iterações é definido por
max
k
. Para a primeira
iteração
0k
se faz necessário assumir o tamanho inicial
k
e o ponto central
k
c
x
(ou
0
k
x
para
0k
) da região de confiança. Em seguida, a Equação (3.47) é resolvida e o ponto ótimo
aproximado
*
k
x
é encontrado. Calcula-se a função real (cara computacionalmente) no ponto
ótimo encontrado. A convergência é então checada de acordo com os critérios adotados, se
alcançada: o problema de otimização está resolvido, caso contrário: procede-se com a
atualização da nova sub-região através do esquema da região de confiança. A comparação
entre o ponto central
k
c
x
e o ótimo
*
k
x
é conduzida e consequentemente é determinado o
próximo ponto central
1k
c
x
e o novo tamanho
1k
para a nova sub-região. Antes de começar
a nova iteração
1k
, se faz necessário impor a consistência entre o modelo real e
aproximado de modo à melhor a precisão do modelo substituto. O procedimento é então
repetido até que o procedimento encontre a convergência do processo ou atinja-se o número
máximo de iterações permitido.
Página 55
Os aspectos computacionais da estratégia SAO podem ser resumidos segundo a
Tabela 3.3 abaixo, a qual descreve os principais passos para a implementação do esquema de
forma simplificada e sistemática.
Tabela 3.3: Aspectos computacionais da estratégia SAO.
Etapas
Descrição
SAO 1.
Assumir o tamanho e ponto inicial da região de confiança;
SAO 2.
Computar as funções objetivo e restrições reais no ponto central da sub-região;
SAO 3.
Construir as funções substitutas (aproximadas) para as funções objetivo e
restrições;
SAO 4.
Otimizar o problema usando as funções aproximadas, onde as variáveis de projeto
são limitadas pelas fronteiras da sub-região;
SAO 5.
Recalcular as funções objetivo e restrições reais no ponto ótimo encontrado;
SAO 6.
Checar os critérios de convergência internos do otimizador:
6.1.
se alcançada: o problema da iteração
k
está resolvido, continue com o processo.
6.2.
caso contrário: a função aproximada não é adequada, o processo é finalizado.
SAO 7.
Mover/reduzir/aumentar a nova sub-região de acordo com o esquema da região de
confiança;
SAO 8.
Impor a consistência entre o modelo real e o substituto;
SAO 9.
Checar os critérios de convergência global da estratégia SAO:
9.1.
se alcançada: o projeto ótimo é obtido, o processo é finalizado com sucesso.
9.2.
caso contrário: voltar para o passo SAO 3.
Os principais tópicos essências para a implementação da estratégia SAO serão
discutidos com mais detalhes nas seções seguintes.
3.8.3 Critérios de Convergência
Dois critérios de convergência são adotados quando se considera o esquema de
otimização sequencial aproximada. O primeiro deles é definido a partir da convergência local
durante o processo de otimização do subproblema, o qual é confinado a uma sub-região do
espaço de projeto. O ponto ótimo será aceito segundo os critérios “internos” de convergência
do otimizador, ou seja, da função FMINCON do MATLAB (MATHWORKS, 2009). Tal
função foi escolhida, pois contém o algoritmo SQP já implementado. Um dos critérios
descritos abaixo deve ser atingido de modo que a solução seja considerada como solução do
subproblema. Os critérios são:
Página 56
A medida da otimalidade de primeira ordem é menor que a tolerância da função
(TolFun) e a máxima violação das restrições são menores que a tolerância
(TolCon) da mesma,
O melhoramento do ponto ótimo
*
k
x
obtido foi menor que a tolerância (TolX) do
mesmo,
O melhoramento da função objetivo aproximada
*
ˆ
k
f x
foi menor que a
tolerância (TolFun) da mesma,
A magnitude da direção de busca
d
foi menor que duas vezes a tolerância do
ponto ótimo (TolX) e a violação da restrições são menores que a tolerância
(TolCon) da mesma,
A magnitude da derivada direcional com relação à direção de busca
i
rd
é
menor que duas vezes a tolerância do ponto ótimo (TolX) e máxima violação das
restrições são menores que a tolerância (TolCon) da mesma,
O número máximo de iterações é maior que o número máximo de iterações
permitido (MaxIter).
onde, os termos TolFun, TolCon, TolX e MaxIter são as tolerâncias internas da função
fmincon do MATLAB (MATHWORKS, 2009).
Os critérios acima descritos são necessários durante cada iteração
k
da estratégia
SAO. Contudo, um segundo critério de convergência é necessário para avaliar a convergência
global durante as iterações do processo de otimização sequencial. O término do processo
sequencial é concluído se um dos seguintes critérios for atingido:
Após um número prescrito, 3 (três), de subsequentes iterações do processo SAO, o
resultado da função aproximada obtido não demonstrou nenhuma melhoria,
A Equação (3.49) busca representar matematicamente a condição de convergência
adotada nessa dissertação, onde a função real e a aproximada são comparadas.
**
4
*
ˆ
10
kk
k
ff
tol
f

xx
x
(3.49)
O valor da tolerância acima assumido representa um índice de confiabilidade da
função aproximada
*
ˆ
k
f x
com relação à função real
*
k
f x
calculada no ponto ótimo
*
k
x
igual a 99.99%.
Página 57
Ao atingir um dos critérios acima, o processo de otimização sequencial é finalizado e
o último ponto ótimo obtido é considerado com solução ótima do problema.
3.8.4 Imposição da Consistência
De modo a manter a precisão do processo de otimização baseado em funções
aproximadas, foi requerido o critério de consistência, onde a igualdade entre o modelo
aproximado e o modelo real no ponto central de cada sub-região
k
fosse mantida.
Para o procedimento baseado no ajustamento de pontos, ou seja, krigagem e superfície
de resposta, apenas a consistência de ordem zero
0
C
foi imposta, uma vez que tais
procedimentos não necessitam dos gradientes para a construção do modelo substituto.
Por outro lado, ao se considerar os procedimentos baseados em série de Taylor, a
imposição da consistência de ordem zero
0
C
e ordem 1 (primeira)
1
C
foram assumidas, ou
seja, para cada nova iteração do algoritmo SAO, o valor da função aproximada é igualado ao
da função real calculada no ponto central da nova região, ou seja,
ˆ
kk
cc
ffxx
.
Similarmente, para as derivadas, onde os gradientes da função aproximada são igualados aos
gradientes da função real, isto é,
ˆ
kk
cc
ff xx
.
O procedimento da imposição da consistência pode ser demonstrado assumindo a
correção do tipo aditiva, onde a Equação (3.44) é substituída na Equação (3.42) e (3.43) e o
termo que depende da Hessiana é considerado nulo, ou seja,
2
0
a

. O resultado dessa
substituição é então usado na Equação (3.38) a qual é avaliada no ponto central da sub-região
c
xx
. Analogamente, o mesmo procedimento pode se adotado para a correção do tipo
multiplicativa, onde a Equação (3.45) é substituída na Equação (3.42) e (3.43) com o termo da
Hessiana igual a zero, isto é,
2
0
m

. O resultado desta é então substituído na Equação
(3.39) e depois avaliada no ponto central da sub-região
c
xx
.
3.9 Esquema da Região de Confiança
O esquema da região de confiança (RC) (Trust Region), foi inicialmente introduzido
por Rodriguez e coautores (RODRÍGUEZ, RENAUD e WATSON, 1998) e posteriormente
aplicado com certas modificações por Guinta e Eldred (2000) e Eldred, Guinta e Collis (2004)
em trabalho baseados em otimização considerando modelos aproximados/substitutos. O
esquema da região de confiança, como foi citado anteriormente, é necessário para atualizar
Página 58
o tamanho do novo espaço de projeto de cada sub-região durante o processo de otimização
sequencial aproximada.
O esquema da região de confiança adotado nesse trabalho foi descrito recentemente
por Eldred e coautores (ELDRED, GIUNTA e COLLIS, 2004) e inicia com o cálculo do
termo de aceitação
, definido pela Equação (3.50), depende do termo de aceitação “parcial”
da função objetivo e da função de restrição de desigualdade. O termo é determinado para cada
iteração
k
da estratégia SAO em função do cálculo da função real e substituta ambas
avaliadas no ponto ótimo local e no ponto central da sub-região.
min ,
k k k
fg
,
(3.50)
onde
k
é o índice da iteração da estratégia SAO,
k
f
é o termo de aceitação da função
objetivo que é definido pela Equação (3.51) abaixo,
*
*
ˆˆ
kk
c
k
f
kk
c
ff
ff
xx
xx
(3.51)
e
k
g
é o termo de aceitação em função da restrição de desigualdade é definido pela Equação
(3.52) a seguir,
*
*
ˆˆ
kk
c
k
g
kk
c
gg
gg
xx
xx
(3.52)
onde
k
c
x
e
*
k
x
são respectivamente, o ponto central e o ponto ótimo da sub-região
k
. O termo
que dependeria da função de restrição de igualdade
k
h
é omitido, pois o mesmo é uma
constante.
A próxima região de confiança é determinada em função do valor de
k
e segue o
procedimento descrito abaixo:
1.
0
k
- a função substituta é imprecisa. Deve-se rejeitar o resultado da iteração e
reduzir o tamanho da região pela metade;
2.
0 0.25
k

- a função substituta é razoavelmente precisa. Deve-se aceitar o
resultado da iteração e reduzir o tamanho da região pela metade;
3.
0.25 0.75 ou 1.25
kk

- a função substituta é moderadamente precisa.
Deve-se aceitar o resultado da iteração e manter o tamanho da região;
4.
0.75 1.25
k

- a função substituta é precisa. Deve-se aceitar o resultado da
iteração e duplicar o tamanho da região.
Página 59
O procedimento de atualização da região de confiança descrito acima pode ser
expresso segundo as Equações (3.53) e (3.54), onde o termo de aceitação
k
calculado para
cada iteração da estratégia SAO é usado na determinação do tamanho da próxima sub-região
1k
. A Equação (3.53) define os critérios para a atualização do novo tamanho da nova sub-
região
1k
.
1
0.5 , se 0,
0.5 , se 0 0.25,
, se 0.25 0.75 ou 1.25,
2 , se 0.75 1.25.
k k k
kk
k k k
kk

(3.53)
O novo ponto central
1k
c
x
da nova sub-região é também determinado em função do
termo de aceitação e segue os critérios descritos pela Equação (3.54) abaixo:
1
*
, se 0,
, se 0.
k k k
c
kk
c


xx
x
(3.54)
Devido ao fato de que a função restrição considerada nesse trabalho é o volume
estrutural inicial, mantido constante e calculado analiticamente. O termo
k
g
é dado como
nulo. Sendo assim, o termo de aceitação pode ser simplificado em função apenas da função
objetivo, ou seja,
kk
f

.
Página 60
Capítulo 4 - Exemplos
4.1 Introdução
Com o intuito de demonstrar a eficácia das diversas estratégias de aproximações
discutidas previamente, quarto exemplos clássicos da literatura e um caso real de treliça
tridimensional, o qual é amplamente utilizado em cobertas (ver Figura 4.1) serão considerados
e posteriormente conclusões provenientes dos resultados serão apresentadas.
Figura 4.1: Coberta treliçada do Centro de Convenções de Brasília (Brasília, DF).
O algoritmo SSO se utilizado para conduzir dois diferentes estudos: o primeiro
compara os resultados obtidos através da análise estrutural considerando o método dos
elementos finitos e o segundo, e mais importante, utilizará as respostas provenientes das
diferentes estratégias de aproximação nos procedimentos de otimização. A Tabela 4.1 resume
as diferentes estratégias consideradas neste capítulo. Como podem ser observadas, algumas
delas serão aplicadas em estudos isolados para mais fácil compreensão e comparação.
Página 61
Tabela 4.1: Estratégias de aproximação consideradas no processo de otimização.
Siglas
Estratégia considerada na otimização
MEF
Método dos Elementos Finitos (convencional)
SAO_T
Estratégia SAO utilizando funções polinomiais baseadas na série de Taylor;
SAO_SR
Estratégia SAO utilizando a Superfície de Resposta baseado no MMQ;
KRIG
Modelo global de Krigagem;
GRE
Modelo físico aproximado (grelha);
GRE_TC
Modelo físico aproximado (grelha) com correção baseado na série de Taylor;
GRE_KC
Modelo físico aproximado (grelha) com correção baseado no modelo de
Krigagem.
Para todos os casos citados, será conduzida a análise estática estrutural em regime
linear-elástico e posteriormente será procedida a otimização da estrutura. O termo a ser
comparado será a flexibilidade estrutural
C
. Os exemplos aqui considerados são definidos a
seguir.
4.2 Definição dos Problemas Clássicos de Treliças 2D
Nesta seção apenas as técnicas de aproximação locais baseada na série de Taylor
(linear, recíproca e posinomial) serão consideradas. Inicialmente será realizado um estudo da
precisão dos modelos aproximados construídos e posteriormente os mesmos serão usados
durante o processo de otimização no qual a estratégia SAO será adotada.
Os modelos de treliças bidimensionais aqui considerados são exemplos clássicos da
literatura (KIRSCH, 1981). As subsequentes treliças são estruturas de análise simples, no
entanto o estudo das mesmas é importante tanto para se avaliar as estratégias utilizadas quanto
para verificar as implementações conduzidas. Os exemplos investigados têm as seguintes
denominações: a) treliça com 10 barras, b) treliça com 64 barras, c) treliça com 200 barras e
d) treliça com 940 barras. Na Figura 4.2 são fornecidas as informações com relação às
dimensões geométricas, ao carregamento estático externo e às condições de contorno são
também fornecidas.
Página 62
(a) Treliça com 10 barras
(b) Treliça com 64 barras
(c) Treliça com 200 barras
(d) Treliça com 940 barras
Figura 4.2: Exemplos clássicos de treliças bidimensionais.
Pode-se perceber que três cores diferentes (vermelho, azul e verde) o usadas na
representação gráfica dos quatro casos de treliças. Tais cores definem três regiões (I, II e III)
que representam o agrupamento das áreas das barras em três distintas variáveis de projeto.
Esta estratégia é bastante utilizado no processo de otimização, pois reduz o número de
variáveis de projeto tornando-o mais viável em termos computacionais. Por outro lado damos
também um caráter mais prático aos resultados obtidos, uma vez que projetar e/ou montar
uma estrutura contendo apenas três possíveis áreas é mais simples do que montar uma
estrutura com, por exemplo, 940 possíveis áreas.
A propriedade do material, ou seja, o módulo de elasticidade é igual a 210 GPa. A área
da seção transversal de todas as barras é 1 cm
2
, sendo este, o ponto inicial do projeto e
consequentemente, o valor das variáveis de projeto para a configuração inicial. A função
objetivo será a flexibilidade estrutural da treliça e função restrição será constante e igual ao
Página 63
volume inicial da estrutura. A Tabela 4.2 apresenta os resultados da flexibilidade e do volume
estrutural calculados no ponto inicial de projeto.
Tabela 4.2: Resultados da flexibilidade e do volume com relação ao projeto inicial.
Treliça
Flexibilidade Inicial
Volume Inicial
kN.cm
cm
3
10 barras
1,3842×10
5
1,0491×10
4
64 barras
4,0662×10
5
3,7385×10
4
200 barras
1,3868×10
5
1,1002×10
5
940 barras
1,8366×10
4
7,4790×10
5
4.2.1 Estudos da Precisão das Aproximações por Série de Taylor
Os estudos aqui realizados buscam avaliar os três tipos de aproximações por série de
Taylor. Os mesmos podem adiantar o que se espera quando tais aproximações forem
utilizadas durante o processo de otimização. Portanto, são aqui apresentados os estudos da
precisão para o cálculo da função objetivo (flexibilidade) e seus gradientes.
Sabemos que as aproximações locais baseadas na série de Taylor de primeira ordem
são precisas em uma pequena vizinhança ao redor do ponto em que foi construída. Desta
forma, a função real (MEF) foi avaliada no ponto inicial
2
1 2 3
1 cmx x x
e a partir
deste, a função aproximada foi avaliada no ponto ligeiramente afastado
2
1 2 3
0,9 cmx x x
do ponto inicial.
A Tabela 4.3 apresenta os resultados para cada função substituta considerada, ou seja,
linear, recíproca e posinomial. Os resultados foram comparados com o método convencional
(MEF). A diferença percentual para cada caso também é também fornecida.
Tabela 4.3: Resultado da flexibilidade via MEF e aproximações por série de Taylor.
Treliças
MEF
Função aproximada
Linear
Posinomial
Recíproca
kN.cm
kN.cm
kN.cm
kN.cm
10 barras
1,5380×10
5
1,5226×10
5
1,5380×10
5
1,5380×10
5
Erro %
-
1
0
0
64 barras
4,5180×10
5
4,4728×10
5
4,5180×10
5
4,5180×10
5
Erro %
-
1
0
0
200 barras
1,5409×10
5
1,5255×10
5
1,5409×10
5
1,5409×10
5
Erro %
-
1
0
0
940 barras
2,0406×10
4
2,0202×10
4
2,0406×10
4
2,0406×10
4
Erro %
-
1
0
0
Página 64
Pode-se observar que os resultados provenientes da aproximação recíproca e
posinomial coincidiram com a solução através do MEF, porém a linear teve um erro aceitável
de apenas 1%.
Outro estudo ainda mais importante é o da avaliação dos gradientes, uma vez que os
mesmos são utilizados pelo otimizador (algoritmo SQP) na determinação da direção de busca
e no tamanho do passo durante o processo de otimização. Consequentemente, o mesmo foi
realizado e seus resultados são apresentados na Tabela 4.4. em função dos mesmo critérios de
comparação.
Tabela 4.4: Resultados dos gradientes da flexibilidade via MEF e aproximações por série de Taylor
Treliça
Método
1
C
x
Erro
2
C
x
Erro
3
C
x
Erro
kN.cm
%
kN.cm
%
kN.cm
%
10
barras
MEF ×10
5
-1,4650
-
-0,0968
-
-0,1471
-
Aproximação
×10
5
lin
-1,1866
19,0
-0,0784
19,0
-0,1191
19,0
pos
-1,4431
1,5
-0,0876
9,5
-0,1336
9,2
rec
-1,4650
0,0
-0,0968
0,0
-0,1471
0,0
64
barras
MEF ×10
5
-3,3148
-
-0,9863
-
-0,7190
-
Aproximação
×10
5
lin
-2,6849
19,0
-0,7989
19,0
-0,5824
19,0
pos
-3,1982
3,5
-0,9063
8,1
-0,6569
8,6
rec
-3,3148
0,0
-0,9863
0,0
-0,7190
0,0
200
barras
MEF ×10
5
-0,0022
-
-0,0544
-
-0,0544
-
Aproximação
×10
5
lin
-0,0018
18,2
-0,0441
18,9
-1,3409
19,0
pos
-0,0020
9,1
-0,0492
9,6
-1,6497
0,3
rec
-0,0022
0,0
-0,0544
0,0
-0,0544
0,0
940
barras
MEF ×10
5
-1,6365
-
-0,0753
-
-0,5555
-
Aproximação
×10
4
lin
-1,3260
19,0
-0,0610
19,0
-0,4499
19,0
pos
-1,5893
2,9
-0,0680
9,7
-0,5130
7,7
rec
-1,6365
0,0
-0,0753
0,0
-0,5555
0,0
Obs.: lin, pos e rec são respectivamente as abreviações de linear, posinomial e recíproca.
Pode ser percebido facilmente que os resultados provenientes da aproximação
recíproca mais uma vez coincidem com as soluções através do método convencional. A ótima
performance da função recíproca é facilmente explicada pois a mesma lineariza a função de
flexibilidade que por sua vez depende do inverso (recíproca) da variável de projeto. O tipo
posinomial teve um desempenho intermediário onde o erro variou entre 0.3% até 9.7%.
Finalmente, a aproximação linear apresenta um erro de 19% em relação ao MEF, sendo este o
maior dentre os tipos de aproximações consideradas.
Página 65
4.2.2 Estudos da Otimização das Aproximações por Série de
Taylor
No estudo da otimização foi considerado como função objetivo a flexibilidade
estrutural e como função de restrição o volume inicial da estrutura. Três variáveis de projetos
(áreas da seção transversal das barras) são consideradas segundo as regiões definidas na
Figura 4.2. Os limites inferiores e superiores das variáveis são respectivamente 0,1 cm
2
e 10
cm
2
.
A partir dos parâmetros adotados acima, o algoritmo SSO foi utilizado para otimizar
as treliças. Primeiramente foi utilizado o método convencional (MEF), o qual serviu de base
para as futuras comparações. Posteriormente a estratégia SAO juntamente com as diversas
aproximações (linear, posinomial, recíproca) será considerada. Para a primeira iteração do
SAO, se faz necessário a escolha do tamanho inicial da região de confiança (RC), portanto os
tamanhos 1%, 5%, 10%, 50% e 100% serão considerados de modo a avaliar a influência do
mesmo na obtenção do projeto ótimo.
Os resultados apresentados na Tabela 4.5 a Tabela 4.8 são referentes aos casos: treliça
com 10 barras, treliça com 64 barras, treliça com 200 barras e treliça com 940 barras,
respectivamente. Nesse estudo o tamanho inicial da região de confiança foi mantido constante
e igual a 10%.
Tabela 4.5: Comparação da flexibilidade ótima para a treliça com 10 barras com RC = 10%.
Método
Variáveis de projeto
Função objetivo
1
x
Erro
2
x
Erro
3
x
Erro
Flexibilidade
Erro
cm
2
%
cm
2
%
cm
2
%
kN.cm
%
MEF
1,7174
-
0,1000
-
1,2108
-
9,4862×10
4
-
SAO_T
Linear
1,7019
0,9
0,1000
0,0
1,2419
2,6
9,4830×10
4
0,03
Posinomial
*
1,7165
0,1
0,1000
0,0
1,2126
0,1
9,4862×10
4
0,00
Recíproca
1,7181
0,0
0,1000
0,0
1,2094
0,1
9,4863×10
4
0,00
* excedeu o número máximo de iterações (201) em 4 iterações do SAO.
Página 66
Tabela 4.6: Comparação da flexibilidade ótima para a treliça com 64 barras com RC = 10%.
Método
Variáveis de projeto
Função objetivo
1
x
Erro
2
x
Erro
3
x
Erro
Flexibilidade
Erro
cm
2
%
cm
2
%
cm
2
%
kN.cm
%
MEF
1,1353
-
0,9134
-
0,7727
-
3,9798×10
5
-
SAO_T
Linear
1,1087
2,3
0,9381
2,7
0,8144
5,4
3,9748×10
5
0,13
Posinomial
*
1,1348
0,0
0,9177
0,5
0,7755
0,4
3,9798×10
5
0,00
Recíproca
1,1346
0,1
0,9198
0,7
0,7738
0,1
3,9798×10
5
0,00
* excedeu o número máximo de iterações (201) em 1 iteração do SAO.
Tabela 4.7: Comparação da flexibilidade ótima para a treliça com 200 barras com RC = 10%.
Método
Variáveis de projeto
Função objetivo
1
x
Erro
2
x
Erro
3
x
Erro
Flexibilidade
Erro
cm
2
%
cm
2
%
cm
2
%
kN.cm
%
MEF
0,1116
-
0,3838
-
1,4439
-
1,0560×10
5
-
SAO_T
Linear
0,1000
10,4
0,3475
9,5
1,4622
1,3
1,0534×10
5
0,25
Posinomial
*
0,1128
1,1
0,3851
0,3
1,4431
0,1
1,0560×10
5
0,00
Recíproca
0,1121
0,4
0,3838
0,0
1,4438
0,0
1,0560×10
5
0,00
* excedeu o número máximo de iterações (201) em 4 iterações do SAO.
Tabela 4.8: Comparação da flexibilidade ótima para a treliça com 940 barras com RC = 10%.
Método
Variáveis de projeto
Função objetivo
1
x
Erro
2
x
Erro
3
x
Erro
Flexibilidade
Erro
cm
2
%
cm
2
%
cm
2
%
kN.cm
%
MEF
1,9346
-
0,1702
-
0,2777
-
1,4497×10
4
-
SAO_T
Linear
1,8953
2,0
0,2114
24,2
0,3045
9,7
1,4487×10
4
0,07
Posinomial
*
1,9226
0,6
0,1736
2,1
0,3036
9,3
1,4500×10
4
0,02
Recíproca
1,9259
0,4
0,1737
2,1
0,2868
3,3
1,4497×10
4
0,00
* excedeu o número máximo de iterações (201) em 1 iteração do SAO.
Baseando-se nos resultados acima apresentados é possível fazer as seguintes
observações:
Em todos os casos foi encontrado um resultado ótimo. Portanto, a otimização de
treliças pode ser realizada a partir da substituição da função real por uma
aproximada baseada na série de Taylor;
A aproximação do tipo posinomial excedeu em diversas iterações do SAO o
número máximo de iterações do otimizador, significando assim um custo
computacional alto;
Página 67
A aproximação do tipo linear teve um desempenho razoável comparado aos
resultados obtidos através da aproximação recíproca;
A aproximação do tipo recíproca foi à melhor com um erro máximo na variável de
projeto de 3,3% (ver Tabela 4.8) e nulo na função objetivo.
Devido às observações aqui apontadas, foi decidido considerar apenas a aproximação
do tipo recíproca para os demais estudos, o qual irá investigar a influência do tamanho inicial
da região de confiança com relação ao tempo e custo computacional envolvido na obtenção
do projeto ótimo.
A Tabela 4.9 apresenta os resultados ótimos obtidos pelo método convencional que
utiliza o método dos elementos finitos.
Tabela 4.9: Resultados da flexibilidade ótima via MEF.
Treliças
Variáveis de projeto
Flexibilidade
NIO
NAFR
Tempo
1
x
2
x
3
x
cm
2
cm
2
cm
2
kN.cm
#
#
s
10 barras
1,7174
0,1000
1,2108
9,4862×10
4
6
14
2,07
64 barras
1,1353
0,9194
0,7727
3,9798×10
5
19
45
4,09
200 barras
0,1116
0,3838
1,4439
1,0560×10
5
14
33
5,76
940 barras
1,9346
0,1703
0,2777
1,4497×10
4
20
42
21,16
NIO Número de Iterações do Otimizador (SQP)
NAFR Número de Avaliações da Função Real
Os resultados obtidos usando a estratégia SAO utilizando a aproximação do tipo
recíproca para os cincos diferentes tamanhos iniciais da RC são apresentados na Tabela 4.10 à
Tabela 4.13.
Tabela 4.10: Resultados da flexibilidade ótima via SAO_T para a treliça com 10 barras.
0
NIO
NAFA
Variáveis de projeto
NISAO
Flexibilidade
Tempo
1
x
2
x
3
x
%
#
#
cm
2
cm
2
cm
2
#
kN.cm
s
1
56
155
1,7176
0,1000
1,2103
8
9,4863×10
4
3,24
5
53
140
1,7181
0,1000
1,2094
6
9,4863×10
4
3,05
10
42
153
1,7181
0,1000
1,2094
6
9,4863×10
4
3,17
50
51
165
1,7181
0,1000
1,2094
6
9,4863×10
4
3,19
100
51
165
1,7181
0,1000
1,2094
6
9,4863×10
4
3,22
NAFA Número de Avaliações da Função Aproximada
NISAO Número de Iterações da estratégia SAO
Página 68
Tabela 4.11: Resultados da flexibilidade ótima via SAO_T para a treliça com 64 barras.
0
NIO
NAFA
Variáveis de projeto
NISAO
Flexibilidade
Tempo
1
x
2
x
3
x
%
#
#
cm
2
cm
2
cm
2
#
kN.cm
s
1
16
57
1,1350
0,9195
0,7731
3
3,9798×10
5
3,01
5
21
52
1,1346
0,9198
0,7738
2
3,9798×10
5
2,94
10
16
56
1,1346
0,9198
0,7738
2
3,9798×10
5
2,53
50
16
57
1,1346
0,9198
0,7738
2
3,9798×10
5
2,56
100
16
57
1,1346
0,9198
0,7738
2
3,9798×10
5
2,57
Tabela 4.12: Resultados da flexibilidade ótima via SAO_T para a treliça com 200 barras.
0
NIO
NAFA
Variáveis de projeto
NISAO
Flexibilidade
Tempo
1
x
2
x
3
x
%
#
#
cm
2
cm
2
cm
2
#
kN.cm
s
1
27
84
0,1125
0,3833
1,4439
5
1,0560×10
5
3,27
5
25
72
0,1126
0,3834
1,4439
4
1,0560×10
5
3,18
10
18
59
0,1121
0,3838
1,4438
2
1,0560×10
5
2,98
50
21
60
0,1121
0,3838
1,4438
2
1,0560×10
5
3,05
100
24
60
0,1121
0,3838
1,4438
2
1,0560×10
5
3,06
Tabela 4.13: Resultados da flexibilidade ótima via SAO_T para a treliça com 940 barras.
0
NIO
NAFA
Variáveis de projeto
NISAO
Flexibilidade
Tempo
1
x
2
x
3
x
%
#
#
cm
2
cm
2
cm
2
#
kN.cm
s
1
89
284
1,9086
0,1857
0,3049
13
1,4502×10
4
7,45
5
98
294
1,9083
0,1869
0,3052
12
1,4502×10
4
7,08
10
83
314
1,9088
0,1805
0,3047
12
1,4502×10
4
7,08
50
112
341
1,9088
0,1805
0,3047
12
1,4502×10
4
7,23
100
112
341
1,9088
0,1805
0,3047
12
1,4502×10
4
7,37
As seguintes conclusões podem ser obtidas ao analisar os resultados apresentados na
Tabela 4.9 à Tabela 4.13.
O tempo computacional foi reduzido com um fator entre 1.36 a 2.84 ao se utilizar
a estratégia SAO, exceto para o caso da treliça com 10 barras que teve um
acréscimo no tempo. O mesmo é considerado problema pequeno, o qual não se
justifica o uso de modelos substitutos;
No caso da otimização utilizando a estratégia SAO_T, o NAFR é o número de
iterações do SAO onde se percebe ao longo da Tabela 4.10 à Tabela 4.13 que o
máximo valor de NAFR foi 13, para o caso da treliça de 940 barras (vide Tabela
Página 69
4.13) que representa uma redução de 3,2 vezes o número de avaliações requeridas
via o modelo real (Tabela 4.9).
O NAFA é muito maior que o NAFR, no entanto o custo computacional para a
avaliação da função aproximada é muito menor do que para a função real;
Para um tamanho inicial pequeno da região de confiança, um número maior de
iterações do SAO foi necessário. Em todos os casos o tamanho de 10% mostrou-se
ideal;
O erro máximo da função objetivo entre todos ficou em torno de 0,034%;
O erro máximo na variável de projeto ficou em torno de 9,9% para o caso da
treliça com 940 barras e tamanho inicial da RC igual a 1%. No entanto, o mesmo
pode ser reduzido se a tolerância da estratégia SAO, definida pela Equação (3.49),
for reduzida para
5
10
, por exemplo;
A Figura 4.3 mostra o histórico das iterações da estratégia SAO para todas as treliças
aqui investigadas, onde os diferentes valores do tamanho inicial da RC foram avaliados. O
eixo das ordenadas representa à flexibilidade e o das abscissas o número de iteração. Pode-se
perceber um comportamento assintótico dos gráficos próximo ao ponto ótimo. Percebe-se
também, com mais clareza, a convergência mais rápida para o tamanho inicial de 10% da RC.
Para os problemas investigados, os resultados para os tamanhos 50% e 100% coincidiram
com o de 10%.
Página 70
(a) 10 Barras
(b) 64 Barras
(c) 200 Barras
(d) 940 Barras
Figura 4.3: Histórico das iterações considerando a estratégia SAO.
0 1 2 3 4 5 6 7 8
0.9
0.95
1
1.05
1.1
1.15
1.2
1.25
1.3
1.35
1.4
x 10
5
Iteração
Flexibilidade [kN.cm]
100%
50%
10%
5%
1%
0 0.5 1 1.5 2 2.5 3
3.97
3.98
3.99
4
4.01
4.02
4.03
4.04
4.05
4.06
4.07
x 10
5
Iteração
Flexibilidade [kN.cm]
100%
50%
10%
5%
1%
0 1 2 3 4 5
1.05
1.1
1.15
1.2
1.25
1.3
1.35
1.4
x 10
5
Iteração
Flexibilidade [kN.cm]
100%
50%
10%
5%
1%
0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13
1.45
1.5
1.55
1.6
1.65
1.7
1.75
1.8
1.85
x 10
4
Iteração
Flexibilidade [kN.cm]
100%
50%
10%
5%
1%
Página 71
4.3 Definição do Problema da Coberta Treliçada
A coberta treliçada quadrada mostrada na Figura 4.4, com as respectivas dimensões
24
x
l
,
24
y
l
e
1,3d
metros, foi o exemplo considerado para avaliar as diversas
estratégias de aproximações aliadas à técnica de otimização. A treliça espacial contém 2048
barras distribuídas a partir de 16 cordas espaçadas por 1,5 metros em ambas as direções
,
xy
aa
, formando então o banzo superior com 544 barras. O banzo inferior contém 15 cordas
espaçadas a 1.5 metros, totalizando 480 barras. A ligação entre ambos os banzos é realizada a
partir de 4 barras diagonais, com comprimento de 1.68 metros, ligadas em cada do banzo
inferior e conectadas a 4 distintos nós do banzo superior, totalizando 1024 barras.
Figura 4.4: Modelo da coberta treliçada.
As barras são feitas de aço com o módulo de elasticidade igual a 210 GPa. Um
carregamento típico de telhado igual a 0,80 kN/m
2
foi aplicado na mesma, sendo este
concentrado em cada do banzo superior de acordo com a área de influência de cada nó, ou
seja, uma carga concentrada de 1.8 kN é aplicada em cada superior da treliça. O peso
próprio das barras foi incluído na carga distribuída aplicada, esta hipótese é prática comum
em projeto de treliças.
Na Figura 4.4, os círculos pretos representam os nós onde o deslocamento vertical foi
restringido. Para eliminar o movimento de corpo rígido, condições de contorno extras foram
adicionadas, ou seja, a direção em que os triângulos são apresentados na Figura 4.4, indica a
direção na qual os nós foram restritos, isto é, 1 na direção
X
e 2 na direção
Y
.
Página 72
A área da seção transversal das barras do banzo superior foi igual a
2
, 3,9973 cm
tx ty
AA
e a área da seção transversal das barras do banzo inferior e diagonais foi
igual a 75% da área do banzo superior. Esta redução da seção transversal se deve ao fato de
que as barras submetidas à compressão tendem ser mais pesadas que aquelas submetidas à
tração, ou seja, para eliminar o efeito de flambagem local das barras, as mesmas têm
geralmente uma seção transversal maior.
Por motivos apontados previamente, o parâmetro escolhido para a formulação do
problema de otimização será a flexibilidade estrutural como função objetivo e o volume
inicial da estrutura como função restrição constante. Duas variáveis de projeto
12
,xx
foram
consideradas e podem ser facilmente identificadas na Figura 4.5. Os limites inferiores e
superiores para ambas as variáveis serão
2
12
2 , 15 cmxx
.
Figura 4.5: Agrupamento das variáveis de projeto para o modelo de treliça espacial.
O agrupamento das variáveis de projeto é prática comum em estudo de otimização,
uma vez que o mesmo reduz o número de incógnitas e também um caráter mais realista e
prático ao resultado obtido, uma vez que projetar e/ou montar uma treliça com 2048 barras
diferentes será muito mais complexo e demandará um maior tempo do que uma com apenas 4
possíveis áreas de seções transversal diferentes.
A Tabela 4.14 mostra os resultados referentes à flexibilidade estrutural, volume e
deslocamento máximo no ponto central da treliça, calculados em dois pontos diferentes do
espaço de projeto, o primeiro foi o ponto inicial de projeto
2
12
3,9973 cmxx
e o
Página 73
segundo foi arbitrariamente escolhido no espaço de projeto
2
12
3,9973, 5,8249 cmxx
. A
análise estrutural foi conduzida a partir do método convencional (MEF).
Tabela 4.14: Resultados da análise estrutural da treliça via MEF
Projeto
Flexibilidade
Volume
Deslocamento
kN.cm
cm
3
cm
Inicial
1039,1732
1057100,71
5,2688
Arbitrário
907,7085
1092465,19
4,4269
A Figura 4.6 mostra graficamente à função da flexibilidade estrutural do modelo de
treliça espacial plotados em uma superfície tridimensional e em curvas de níveis.
(a) Superfície de resposta
(b) Curvas de níveis
Figura 4.6: Representação gráfica da flexibilidade estrutural da treliça espacial.
Antes de proceder com a otimização estrutural propriamente dista, foi decidido estudar
a precisão dos dois modelos globais propostos.
4.3.1 Estudo da Precisão dos Metamodelos
Dois modelos propostos para substituir a treliça espacial mostrada anteriormente serão
aqui avaliados quanto à precisão dos mesmos com relação ao ponto inicial de projeto. Os
modelos aqui avaliados serão o modelo de grelha equivalente, o modelo global de krigagem e
o modelo de grelha adicionado o termo de correção.
4.3.1.1 Modelo de Grelha Equivalente
A Figura 4.7 mostra a grelha utilizada para substituir a treliça espacial. Pode-se
perceber que o número total de elementos foi drasticamente reduzido para apenas 144
comparados com 2048 da treliça. As cordas das grelhas são espaçadas com 3 metros em
ambas as direções
,
xy
bb
.
2 4 6 8 10 12 14
2
4
6
8
10
12
14
x1 [cm
2
]
x2 [cm
2
]
400
600
800
1000
1200
1400
1600
1800
2000
Página 74
Figura 4.7: Modelo equivalente de grelha.
O carregamento aplicado segue o mesmo critério definido para o modelo treliçado,
sendo assim uma carga concentrada de 7,2 kN é aplicada em cada da grelha. As mesmas
condições de contorno são também adotadas. O momento de inércia a flexão e a torção e as
áreas dos elementos são definidos segundo a Equação (3.21) e (3.22) apresentado
anteriormente na Seção 3.5.1.1 (Modelo de Grelha). Consequentemente, as propriedades
geométricas no ponto inicial de projeto serão iguais a:
4
57903,75 in
xy
II
,
0
xy
JJ
e
2
13,9906 in
gx gy
AA
.
As variáveis de projeto foram definidas seguindo o mesmo procedimento de
agrupamento adotado no modelo de treliça. A Figura 4.8 apresenta as 2 variáveis de projeto
12
,xx
assumidas durante o processo de otimização da grelha. Pode-se perceber que existe
uma região mista (azul claro) onde ambas as variáveis são definidas.
A Tabela 4.15 mostra a comparação do modelo proposto de grelha com relação aos
resultados obtidos a partir da análise estrutural da treliça. Os valores comparados são a
flexibilidade estrutural e o deslocamento máximo no ponto central de ambos os modelos. Dois
pontos equivalentes aos adotados na análise da treliça são considerados, onde o primeiro é
definido por
2
12
13.9906 cmxx
e o segundo é igual a
2
12
13.9906, 20.3872 cmxx
.
O método convencional (MEF) foi considerado para conduzir a análise estrutural.
Página 75
Figura 4.8: Agrupamento das variáveis de projeto para o modelo de grelha.
Tabela 4.15: Resultados da análise estrutural da grelha via MEF.
Ponto
Deslocamento
Flexibilidade
Treliça
Grelha
Erro
Treliça
Grelha
Erro
cm
cm
%
kN.cm
kN.cm
%
Inicial
5,2688
5,2414
0,52
1039,1732
1051,2515
0,82
Arbitrário
4,4269
4,3355
2,06
907, 7085
903,1144
0,49
Os resultados demonstram uma boa concordância do modelo substituto proposto com
o modelo real de treliça para os dois pontos investigados.
A Figura 4.9 mostra graficamente a função da flexibilidade estrutural do modelo de
grelha plotados em uma superfície tridimensional e em curvas de níveis.
Página 76
(a) Superfície de resposta
(b) Curvas de níveis
Figura 4.9: Representação gráfica da flexibilidade estrutural da grelha.
Comparando a Figura 4.6, na qual é plotada a flexibilidade da modelo real (treliça)
com a Figura 4.9, onde a flexibilidade da modelo substituto (grelha) pode-se perceber a
semelhança entre ambos os modelos. Contudo, a diferença entre o modelo proposto de grelha
e o modelo real de treliça é plotada na Figura 4.10.
(a) Superfície de resposta
(b) Curvas de níveis
Figura 4.10: Diferença da flexibilidade entre o modelo de treliça e o modelo de grelha.
Baseado nos resultados plotados acima, percebe-se claramente uma variação maior do
erro, entre os modelos, no ponto
12
2, 15xx
. O mesmo tem sua magnitude igual a
135.30 kN.cm, ou seja, uma diferença relativa de aproximadamente 10% na flexibilidade.
4.3.1.2 Modelo Global de Krigagem
A criação do modelo global de krigagem foi obtida através da biblioteca de krigagem
desenvolvida no ambiente MATLAB por Lophaven e outros (LOPHAVEN, NIELSEN e
SøNDERGAARD, 2002). O modelo por sua vez requer alguns parâmetros de entradas
intrínsecos para a sua criação.
2 4 6 8 10 12 14
2
4
6
8
10
12
14
x1 [cm
2
]
x2 [cm
2
]
400
600
800
1000
1200
1400
1600
1800
2000
2 4 6 8 10 12 14
2
4
6
8
10
12
14
x1 [cm
2
]
x2 [cm
2
]
-20
0
20
40
60
80
100
120
Página 77
O estudo para a obtenção do melhor modelo de krigagem é realizado assumindo os
seguintes parâmetros:
Duas ordens do polinômio de regressão são assumidas, ou seja, o polinômio
constante ou de ordem zero (Reg0) e polinômio quadrático (Reg2);
Duas amostras com 25 pontos obtidos através de dois distintos planos de
amostragem, sendo eles do tipo vetor ortogonal (OA) e hipercubo latino (LHS).
Para o caso da amostra LHS, será necessário encontrar uma amostra com o menor
valor de
definido segundo a Equação (3.2) que descrito anteriormente na Seção
3.3.2 (Amostra do Tipo Hipercubo Latino);
Dois parâmetros distintos de correlação
serão considerados, ou seja,
1
e
*

. A determinação de
*
é determinada a partir da estimativa da máxima
verossimilhança que é a solução de problema de otimização de
m
dimensões
(KEANE e NAIR, 2005); (FORRESTER, SOBESTER e KEANE, 2008).
Portanto um total de 8 modelos diferentes de krigagem serão criados e avaliados de
modo a obter a combinação de tais parâmetros que gerem o modelo mais adequado para
substituir o modelo real de treliça.
Outro parâmetro de grande importância é a escolha da função de correlação, no
entanto em estudos realizados por Afonso e outros (AFONSO, HOROWITZ, et al., 2006),
com contribuições do autor, foi concluído que para o problema aqui considerado, a melhor
função de correlação é a do tipo Gaussiana, sendo esta aqui empregada.
A Tabela 4.16 compara o resultado da função real (treliça) no ponto inicial de projeto
2
12
3.9973 cmxx
com os valores estimados segundo os 8 diferentes modelos de
krigagem.
Tabela 4.16: Comparação da flexibilidade no ponto inicial de projeto.
Ordem da
regressão
Parâmetro de
correlação
Plano de amostragem
Ortogonal
LHS
0
1
20,38%
4,68%
0
*

7,95%
0,78%
2
1
10,17%
2,08%
2
*

8,16%
2,07%
Nos resultados apresentados na Tabela 4.16 nota-se claramente que o plano de
amostragem do tipo LHS com ordem de regressão zero e o parâmetro de correlação obtido
através da estimativa do procedimento de otimização foi à melhor combinação de parâmetros.
Página 78
Resultando em um erro 0.78% na flexibilidade calculada pelo modelo real (treliça) e
comparada com o estimado pelo modelo substituto (krigagem). Contudo apenas um ponto foi
aqui avaliado (avaliação local) e consequentemente se faz necessário avaliar o modelo de
krigagem em todo o espaço de projeto (avaliação global).
Portanto, com o intuito de avaliar os modelos de krigagem de forma global, os
métodos de avaliação RMSE e PRESS discutidos previamente na Seção 3.6 (Métodos de
Avaliação da Precisão) foram considerados. Para o cálculo do RMSE, se faz necessário
utilizar o modelo criado para estimar o valor da função fora dos pontos da amostra. Sendo
assim, foi considerada uma nuvem com 121 (11×11) pontos ortogonais entre se e contidos
dentro do espaço de projeto para o cálculo do mesmo. Para o cálculo do PRESS, optou-se por
modificar a Equação (3.37) previamente definida de forma a normalizar o resultado obtido, tal
modificação foi necessária devido à ordem de grandeza da função de flexibilidade estrutural,
sendo assim a nova expressão para o calculo do PRESS é definida por:
2
1
ˆ
PRESS
m
ii
i
i
ff
f




,
(4.1)
onde
f
é o valor médio da função real nos 25 pontos da amostra que por sua vez é constante
e independente do modelo de krigagem considerado e consequentemente não influenciará o
resultado final.
A Tabela 4.17 apresenta os valores quantitativos obtidos através dos métodos de
avaliação (RMSE e
PRESS
). A partir dos mesmos, é possível avaliar com mais precisão qual
dos modelos de krigagem é o mais adequado para substituir o modelo real de treliça.
Tabela 4.17: Medida quantitativa dos modelos de krigagem.
Ordem da
regressão
Parâmetro de
correlação
Ortogonal
LHS
RMSE
PRESS
RMSE
PRESS
0
1
71,76
1,0304
99,42
1,4544
0
*

32,35
0,0367
44,32
0,0389
2
1
40,13
0,1509
57,05
0,2296
2
*

33,11
0,0715
59,56
0,1014
Baseados nos resultados apresentado na Tabela 4.17, pode-se concluir que a melhor
combinação de parâmetros para criação do modelo de krigagem é: regressão de ordem zero,
parâmetro de correlação igual à
*
e o plano de amostragem do tipo vetor ortogonal (OA)
seguido pelo plano de amostragem do tipo LHS.
No entanto algumas observações devem ser apontadas, sendo elas:
Página 79
Para o cálculo de RMSE, a amostra de 11×11 pontos adotada contém 9 pontos que
coincidem com os da amostra ortogonal de 25 pontos;
Na amostra do tipo LHS, os pontos localizados nos quatro vértices do espaço de
projeto não são inclusos, em particular no ponto
2,2
onde a flexibilidade é
máxima o modelo não pode estimar precisamente o valor.
Tais observações podem ser facilmente visualizadas na Figura 4.11 e Figura 4.12, nas
quais são plotadas respectivamente as superfícies de resposta e as curvas de níveis da função
flexibilidade em função do tipo de amostragem. Deste modo foi possível determinar a
influência dos dois planos de amostragem (OA e LHS) considerados, onde para cada um deles
a melhor combinação de parâmetros apresentados na Tabela 4.17 são assumidos, ou seja,
polinômio de regressão zero (Reg0), parâmetro da função de correlação
*
e função de
correlação Gaussiana.
(a) Amostra OA + Reg0 +
*
(b) Amostra LHS + Reg0 +
*
Figura 4.11: Superfície de resposta da flexibilidade estrutural via krigagem.
As curvais de níveis são plotadas na Figura 4.12 a seguir.
Página 80
(a) Amostra OA + Reg0 +
*
(b) Amostra LHS + Reg0 +
*
Figura 4.12: Curvas de níveis da flexibilidade estrutural via krigagem.
Percebe-se claramente que o ponto de máxima flexibilidade referente ao ponto
2,2
está presente na Figura 4.12 (a), e ausente em (b). Contudo comparando a parte central da
Figura 4.12 (a) e (b) com as curvas de níveis da flexibilidade da treliça plotadas na Figura 4.6
(b), percebe-se uma melhor concordância do modelo de krigagem considerando a amostra do
tipo LHS.
Devido a este comportamento foi decido em adicionar manualmente os 4 pontos
localizados nos vértices do espaço de projeto, ou seja, os pontos
2,2
,
2,15
,
15,2
e
15,15
foram adicionados a uma nova amostra do tipo LHS contendo 21 pontos que por sua
vez seguiu o mesmo critério definido segundo a Equação (3.2) e doravante definida como
LHS+.
A partir dessa amostra foi criado um novo metamodelo considerando a metodologia de
krigagem, onde os melhores parâmetros de entrada, tais como: polinômio de regressão zero
(Reg0), parâmetro da função de correlação
*
e função de correlação Gaussiana foram
assumidos. O comportamento do novo modelo criado está apresentado na Figura 4.13, onde
pode ser observado que o novo modelo considerando a nova amostra (LHS+) capturou melhor
a tendência global da função real (Figura 4.6) do que os anteriormente apresentados (Figura
4.11 e Figura 4.12). Por conseguinte este será o modelo via krigagem adotado nos estudos de
otimização.
2 4 6 8 10 12 14
2
4
6
8
10
12
14
x1 [cm
2
]
x2 [cm
2
]
400
600
800
1000
1200
1400
1600
1800
2000
2 4 6 8 10 12 14
2
4
6
8
10
12
14
x1 [cm
2
]
x2 [cm
2
]
400
600
800
1000
1200
1400
1600
1800
2000
Página 81
(a) Superfície de reposta
(b) Curvas de nívies
Figura 4.13: Flexibilidade estrutural via krigagem considerando amostra LHS+.
De modo a comparar globalmente ambas as técnicas de ajustamentos de pontos, isto é,
método dos mínimos quarados (MMQ) e krigagem, foi decidido criar uma superfície de
resposta a partir da amostra LHS+. A Figura 4.14 mostra o resultado obtido a partir da técnica
de ajustamento de pontos via MMQ.
(a) Superfície de reposta
(b) Curvas de nívies
Figura 4.14: Flexibilidade estrutural via MMQ considerando amostra LHS+.
Pode ser percebido claramente que o modelo aproximado via MMQ não foi capaz de
prever o ponto de máxima flexibilidade localizado no ponto
2,2
, apesar da utilização de
uma amostra (LHS+) que contêm os 4 pontos nos vértices. Outra observação seria a ausência
de uma região praticamente plana e descendente entorno do ponto
15,15
, onde a
flexibilidade estrutural tem o seu valor mínimo.
A Tabela 4.18 mostra os resultados de uma segunda comparação realizada, onde os
dois métodos de avaliação (RMSE e PRESS) foram calculados para ambos os modelos.
2 4 6 8 10 12 14
2
4
6
8
10
12
14
x1 [cm
2
]
x2 [cm
2
]
400
600
800
1000
1200
1400
1600
1800
2000
2 4 6 8 10 12 14
2
4
6
8
10
12
14
x1 [cm
2
]
x2 [cm
2
]
400
600
800
1000
1200
1400
1600
1800
2000
Página 82
Tabela 4.18: Comparação das técnicas de ajustamento de pontos.
Técnica
Ordem da
regressão
Parâmetro de
correlação
LHS+
RMSE
PRESS
Kriging
0
*

46,04
0,1786
MMQ
2
-
86,86
1,2688
Os resultados apresentados demonstram claramente a grande vantagem do modelo de
krigagem em relação ao tradicional modelo da superfície de resposta através do MMQ.
4.3.1.3 Modelo de Grelha com Correção
Baseado nos resultados apresentados nas seções anteriores os quais comparam o
modelo real (treliça) e os metamodelos (modelo proposto de grelha e modelo global de
krigagem) foi possível observar uma boa concordância dos modelos. Contudo, a diferença
entre os modelos era esperada, uma vez que os mesmos são aproximações do modelo real.
A metodologia proposta por Eldred e outros (ELDRED, GIUNTA e COLLIS, 2004) e
discutida anteriormente na Seção 3.7.1 (Correção Baseada no Modelo de Krigagem) será aqui
adotada de modo a criar um metamodelo corrigido, o qual combinará ambas as técnicas de
aproximações.
O metamodelo será criado a partir do modelo de grelha (barato computacionalmente) e
corrigido através do modelo global de krigagem. Os parâmetros intrínsecos ao modelo de
krigagem serão mais uma vez avaliados de modo a verificar qual deles melhor se adéqua ao
problema proposto. Contudo, o modelo do erro será criado a parir da diferença (correção
aditiva) ou da razão (correção multiplicativa) entre o modelo aproximado (grelha) e o modelo
real (treliça).
Os resultados apresentados na Tabela 4.19 comparam relativamente o modelo real de
treliça com o modelo de grelha corrigido calculado no ponto inicial de projeto.
Tabela 4.19: Comparação da flexibilidade no ponto inicial de projeto.
Ordem da
regressão
Parâmetro de
correlação
Plano de amostragem
OA
LHS
LHS+
OA
LHS
LHS+
Aditiva
Multiplicativa
0
1
0.87%
0.08%
0.75%
0.57%
0.12%
0.48%
0
*

1.13%
0.30%
0.60%
0.49%
0.02%
0.20%
2
1
1.05%
0.07%
0.76%
0.67%
0.12%
0.45%
2
*

1.19%
0.45%
1.02%
0.60%
0.07%
0.70%
Comparando os resultados apresentado com os da Tabela 4.16, podemos notar
claramente uma grande melhoria em todas as estratégias. Uma melhoria ainda mais expressiva
Página 83
é observada nos modelo de krigagem criados a partir da amostra do tipo ortogonal e com o
parâmetro de correlação
1
.
Os métodos de avaliação RMSE e
PRESS
, mais uma vez foram considerados de
modo a quantificar a precisão dos metamodelos criados. Os resultados da quantificação do
metamodelos são apresentados na Tabela 4.20 e Tabela 4.21 a seguir, onde o modelo de
grelha é corrigido com um termo aditivo e multiplicativo. De onde é possível perceber uma
melhoria expressiva dos resultados quando comparados com os da Tabela 4.17.
Tabela 4.20: Medida quantitativa do modelo de grelha com correção aditiva.
Ordem da
regressão
Parâmetro de
correlação
OA
LHS
LHS+
RMSE
PRESS
RMSE
PRESS
RMSE
PRESS
0
1
8.74
0.0088
11.71
0.0197
13.66
0.0177
0
*

8.54
0.0043
6.60
0.0143
8.43
0.0122
2
1
6.70
0.0076
9.47
0.0066
10.32
0.0099
2
*

7.46
0.0083
10.21
0.0075
10.75
0.0139
Para a correção aditiva, os parâmetros Reg0 +
*
+ amostra LHS é considerado a
melhor combinação de parâmetros segundo um RMSE = 6.60. No entanto os parâmetros
Reg0 +
*
+ amostra ortogonal é a melhor combinação resultando num
PRESS
= 0.0043.
Tabela 4.21: Medida quantitativa do modelo de grelha com correção multiplicativa
Ordem da
regressão
Parâmetro de
correlação
OA
LHS
LHS+
RMSE
PRESS
RMSE
PRESS
RMSE
PRESS
0
1
3.71
0.0063
8.31
0.0117
7.83
0.0101
0
*

1.91
0.0015
2.87
0.0022
3.15
0.0039
2
1
2.59
0.0073
6.31
0.0011
4.89
0.0058
2
*

2.27
0.0039
7.04
0.0005
5.91
0.0058
Para a correção multiplicativa, os parâmetros Reg0 +
*
+ amostra ortogonal é
considerado a melhor combinação de parâmetros segundo um RMSE = 1.91. No entanto os
parâmetros Reg2 +
*
+ amostra LHS é a melhor combinação resultando num
PRESS
=
0.0005.
Na Figura 4.15 e Figura 4.16 são apresentadas as curvas de níveis da diferença da
flexibilidade estrutural entre o modelo real de treliça e o modelo de grelha corrigido a partir
das quatro melhores combinações destacadas anteriormente. O erro máximo quer era de 135
kN.cm (10%) (ver Figura 4.10) foi reduzida para apenas 44 kN.cm (3%).
Página 84
(a) Reg0 +
*

+ amostra OA
(b) Reg0 +
*

+ amostra LHS
Figura 4.15: Diferença da flexibilidade considerando a correção aditiva.
Pode ser observada também uma maior magnitude nas curvas de níveis que
consideram a amostra do tipo LHS, porém na região central do espaço de projeto, o erro é
uniforme e praticamente nulo.
(a) Reg0 +
*

+ amostra OA
(b) Reg2 +
*

+ amostra LHS
Figura 4.16: Diferença da flexibilidade considerando a correção multiplicativa.
Baseando-se nos resultados apresentados é possível perceber a viabilidade da correção
do metamodelo na substituição do modelo de treliça.
A seguir serão apresentados e discutidos os resultados referentes à otimização
estrutural.
2 4 6 8 10 12 14
2
4
6
8
10
12
14
x1 [cm
2
]
x2 [cm
2
]
-30
-25
-20
-15
-10
-5
0
5
2 4 6 8 10 12 14
2
4
6
8
10
12
14
x1 [cm
2
]
x2 [cm
2
]
-15
-10
-5
0
5
10
15
20
2 4 6 8 10 12 14
2
4
6
8
10
12
14
x1 [cm
2
]
x2 [cm
2
]
-8
-7
-6
-5
-4
-3
-2
-1
0
1
2 4 6 8 10 12 14
2
4
6
8
10
12
14
x1 [cm
2
]
x2 [cm
2
]
-40
-30
-20
-10
0
10
Página 85
4.3.2 Estudo da Otimização dos Metamodelos
A Tabela 4.22 apresenta as estratégias adotadas durante a otimização estrutural do
telhado treliçado.
Tabela 4.22: Estratégias adotadas para comparação no processo de otimização.
Sigla
Descrição
Modelo real
MEF
Treliça espacial através método convencional (MEF);
Global
GRE
Analogia de Grelha sem correção;
GRE_K_A
Analogia de Grelha com correção Aditiva via Krigagem;
GRE_K_M
Analogia de Grelha com correção Multiplicativa via Krigagem;
KRIG
Modelo global de krigagem;
Local
SAO_T
Função aproximada por série de Taylor considerando a estratégia SAO;
SAO_SR
Função aproximada por ajustamento de ponto (Superfície de Resposta)
considerando a estratégia SAO;
SAO_T_C1_A
Analogia de Grelha aliadas a estratégias SAO com correção Aditiva via
série de Taylor e consistência
1
C
;
SAO_T_C1_M
Analogia de Grelha aliadas a estratégias SAO com correção Multiplicativa
via série de Taylor e consistência
1
C
;
SAO_T_C2_A
Analogia de Grelha aliadas a estratégias SAO com correção Aditiva via
série de Taylor e consistência
2
C
;
SAO_T_C2_M
Analogia de Grelha aliadas a estratégias SAO com correção Multiplicativa
via série de Taylor e consistência
2
C
;
SAO_K_A
Analogia de Grelha aliadas a estratégias SAO com correção Aditiva via
Krigagem;
SAO_K_M
Analogia de Grelha aliadas a estratégias SAO com correção Multiplicativa
via Krigagem;
Os valores principais da análise estrutural do telhado treliçado com relação ao ponto
inicial de projeto é apresentado na Tabela 4.23.
Página 86
Tabela 4.23: Resultados da análise estrutural da treliça via MEF.
Projeto
Flexibilidade
Volume
kN.cm
cm
3
No ponto inicial
1039.17
1092465.19
A comparação dos resultados de todas as estratégias de aproximação aplicadas ao
processo de otimização é resumido segundo a Tabela 4.24.
Tabela 4.24: Resultados da otimização estrutural
Método
1
x
Erro
2
x
Erro
Flexibilidade
Erro
NAFR
Tempo
cm
2
%
cm
2
%
kN.cm
%
#
s
MEF
3,4142
-
11,3833
-
850,0917
-
7
23,73
Global
GRE
3,2452
4,95
13,5235
18,80
796,6321
6,289
5
0,79
GRE_K_A
3,4301
0,47
11,1823
1,77
841,8785
0,966
25
24,72
GRE_K_M
3,4227
0,25
11,2749
0,95
848,0865
0,236
25
24,80
KRIG
3,4235
0,27
11,2654
1,27
832,5618
2,061
25
24,81
Local
SAO_T
3,4169
0,08
11,3675
0,14
850,1600
0,008
4
12,59
SAO_SR
3,4174
0,09
11,3429
0,35
850,0804
0,001
8(×9)
89,17
SAO_T_C1_A
3,4165
0,07
11,3545
0,25
850,1105
0,002
4
16,51
SAO_T_C1_M
3,4168
0,08
11,3501
0,29
850,1102
0,002
4
17,78
SAO_T_C2_A
3,4141
0,00
11,3844
0,01
850,0920
0,000
4
38,18
SAO_T_C2_M
3,4168
0,08
11,3501
0,29
850,1102
0,002
4
43,40
SAO_K_A
3,4136
0,02
11,3907
0,07
850,0914
0,000
7(×6)
58,47
SAO_K_M
3,4189
0,14
11,3236
0,52
850,1058
0,002
6(×6)
48,60
Número de Avaliações da Função Aproximada (grelha);
Número de Avaliações da Função Real e Aproximada e suas
respectivas derivadas;
Número de Avaliações da Função Real e Aproximada e suas
respectivas derivadas e Hessiana;
Tempo para gerar a amostra com 25 pontos igual a 23.72 s
Tempo médio para gerar cada amostra com 9 pontos igual a 8.94 s
Tempo médio para gerar cada amostra com 6 pontos igual a 6.02 s
Alguns comentários importantes baseado nos resultados apresentados acima são
apresentados a seguir:
Todas as estratégias encontram um ponto de ótimo semelhante ao encontrado
através do método convencional (MEF), no entanto as estratégias GRE, SAO_T,
SAO_T_C1_A e SAO_T_C1_M demandaram um menor tempo;
O modelo substituto baseado na analogia de grelha (GRE) provou-se capaz de
reproduzir uma boa solução com erro aceitável na função objetivo de 6.3%. Porém
Página 87
a variável de projeto
2
x
teve um erro elevado de 18,8%. O mesmo pode ser
explicado segundo a Figura 4.18. Contudo a correção global do mesmo através do
modelo de krigagem (GRE_K_A ou M) melhorou enormemente o resultado,
porem com um custo computacional elevado;
De modo geral, a estratégia SAO_T além de manter uma boa precisão também
requereu o menor tempo durante a otimização. A mesma considera a aproximação
recíproca associada à estratégia SAO com consistência
1
C
;
O modelo de grelha corrigido localmente através da série de Taylor
(SAO_T_C1_A e M) teve uma boa performance com um ligeira diferença no
tempo requerido para a correção multiplicativa;
A estratégia com consistência
2
C
(SAO_T_C2_A) foi à estratégia mais precisa.
Percebe-se que apenas 4 avaliações da função, gradientes e Hessianas da real
foram necessárias. Porém a estratégia tornou-se cara computacionalmente devido
ao método das diferenças finitas utilizado no cálculo das Hessianas. Similarmente
a correção
1
C
, a correção multiplicativa requereu um maior tempo.
A estratégia baseada no ajustamento de pontos (SAO_SR, KRIG) requereu um
maior tempo ao serem comparadas com a SAO_T. Porém a mesma é uma ótima
escolha quando os gradientes da função real não estão disponíveis e/ou a mesma
tem um comportamento oscilatório (não-suave);
O modelo de krigagem (KRIG) é geralmente a melhor escolha para aproximar
globalmente os problemas de engenharia (GIUNTA e WATSON, 1998) uma vez
que o mesmo é capaz de prever as tendências da função real com um número
mínimo de pontos.
O modelo de grelha corrigido com modelo de krigagem (SAO_K_A e SAO_K_M)
e associado à estratégia SAO teve um desempenho melhor do que a estratégia
SAO_SR que além de considera um polinômio de ordem quadrática, também
utiliza um número maior de pontos.
A Figura 4.17 compara a evolução do esquema da região de confiança para as
estratégias SAO_T_C1_A e SAO_T_C2_A. Os pontos pretos indicam o centro de cada sub-
região, e as linhas na cor branca, tons de cinza e preta representam os limites de cada sub-
região.
Página 88
(a) SAO_T_C1_A
(b) SAO_T_C2_A
Figura 4.17: Histórico da evolução da região de confiança para a estratégias SAO_T
Na Figura 4.18 é plotado a flexibilidade estrutural versus cada variável de projeto
independentemente, porém mantendo o volume constante. Percebe-se claramente que a figura
que considera a variável
1
x
tem um ponto de mínimo mais bem definido do que o da variável
2
x
. Tal observação explica então a dificuldade do modelo proposto de grelha para encontra o
ponto de ótimo na variável
2
x
.
(a) Variação da variável de projeto
1
x
(b) Variação da variável de projeto
2
x
Figura 4.18: Gráfico da flexibilidade versus as variáveis de projeto a volume constante.
A Figura 4.19 compara as evoluções do esquema da região de confiança para as
estratégias SAO_SR e SAO_K_M. Percebe claramente que a estratégia SAO_K_M requereu
menos iterações apesar de utilizar uma amostra com um menor número de pontos (6).
2 4 6 8 10 12 14
2
4
6
8
10
12
14
x1
x2
400
600
800
1000
1200
1400
1600
1800
2000
2 4 6 8 10 12 14
2
4
6
8
10
12
14
x1
x2
400
600
800
1000
1200
1400
1600
1800
2000
2 4 6 8 10 12 14
600
800
1000
1200
1400
1600
1800
2000
X: 3.41
Y: 850.1
x1 [cm
2
]
Flexibilidade [kN.cm]
2 4 6 8 10 12 14
600
800
1000
1200
1400
1600
1800
2000
X: 11.38
Y: 850.1
x2 [cm
2
]
Flexibilidade [kN.cm]
Página 89
(a) SAO_SR
(b) SAO_K_M
Figura 4.19: Histórico da evolução da região de confiança.
A Figura 4.20 mostra o histórico das iterações de três distintas estratégias de
aproximação que considera o esquema SAO.
Figura 4.20: Histórico das iterações de três distintas estratégias SAO.
2 4 6 8 10 12 14
2
4
6
8
10
12
14
x1 [cm
2
]
x2 [cm
2
]
400
600
800
1000
1200
1400
1600
1800
2000
2 4 6 8 10 12 14
2
4
6
8
10
12
14
x1 [cm
2
]
x2 [cm
2
]
400
600
800
1000
1200
1400
1600
1800
2000
0 1 2 3 4 5 6 7 8
840
860
880
900
920
940
960
980
1000
1020
1040
Iteração
Flexibilidade [kN.cm]
SAO_T
SAO_K_M
SAO_SR
Página 90
Capítulo 5 - Conclusões
5.1 Realizações
O presente trabalho teve como objetivo apresentar as diversas estratégias de
aproximação as quais podem ser utilizadas no procedimento de otimização. Os diversos
tópicos tratados nesta dissertação foram investigados com o intuito de desenvolver uma
ferramenta versátil e confiável. Vários códigos foram criados considerando diversos aspectos
dentro da teoria de aproximações de funções.
A primeira fase dos estudos foi concluída a partir da resolução de problemas de
otimização bidimensionais de treliças bastante estudados na literatura consultada. As mesmas
foram otimizadas através do método convencional de elementos finitos e posteriormente
comparadas com os resultados obtidos através da estratégia de otimização sequencial
aproximada. As funções polinomiais baseada na série de Taylor de primeira ordem foram
utilizadas para substituir a função real. O esquema da região de confiança foi considerado de
modo a atualizar o tamanho das sub-regiões para cada iteração.
A segunda fase dos estudos focalizou no problema real de uma coberta treliçada.
Primeiramente a treliça espacial foi analisada e os resultados comparados com os obtidos
através dos diversos metamodelos. Duas técnicas de amostragem e alguns parâmetros,
intrínsecos ao modelo de krigagem, foram também avaliados. Posteriormente, a otimização
estrutural foi conduzida a partir da consideração de diversas técnicas de aproximações locais e
globais. Métodos de correção para o modelo proposto de grelha foram também analisados. O
desempenho das estratégias consideradas foi comparado aos obtidos através do método
convencional via MEF.
A seguir são rapidamente descritos os códigos implementados e suas propriedades.
OPTRUSS_SAO: Este código foi implementado a partir das modificações realizadas
no código OPTRUSS anteriormente programado por Afonso e Horowitz (1998). As
modificações realizadas incluem: a programação das funções aproximadas baseadas na série
de Taylor de primeira ordem, a programação da estratégia SAO juntamente com o esquema da
região de confiança, os critérios de convergência e a imposição da consistência. O código em
seguida foi utilizado para estudar alguns exemplos clássicos literatura consultada com os
diferentes níveis de complexidade;
Página 91
OPTROOF: Esta implementação foi conduzida para analisar e otimizar a coberta
treliçada através do métodos convencional de elementos finitos. Este código foi criado a partir
da modificação do OPTTRUS_3D que considerada as treliças especiais. Duas novas versões
chamadas de OPTROOF_SAO_T e OPTROOF_SAO_RS foram implementadas a partir do
OPTROOF, que similarmente ao OPTRUSS_SAO, considera os aspectos computacionais da
estratégia SAO. Contudo, a diferença entre os códigos está no tipo da função aproximada
considerada, ou seja, o termo “T” refere-se às aproximações por série de Taylor e o termo
“RSrefere-se às aproximações pela superfície de resposta que são baseadas na técnica de
ajustamento de pontos através do método dos mínimos quadrados.
OPTGRID: Este código realiza a análise e otimização de grelhas planas e foi
concebido a partir de algumas modificações realizadas no código OPTFRAME que
considerada a resolução de pórticos planos. Um novo código foi criado e denominado de
OPTGRID_CORR_KRIG a partir das implementações das correções aditivas e/ou
multiplicativas do tipo global via o modelo de krigagem. Além dessa, duas novas versões
chamadas de OPTGRID_SAO_CORR_T e OPTGRID_SAO_CORR_KRIG foram
implementadas, onde em ambas os aspectos computacionais da estratégia SAO o
considerados. A diferença, portanto entre os códigos está no tipo de função aproximada
utilizada no modelo de correção, ou seja, o termo “T” indica que a correção aditiva ou
multiplicativa é construída em função dos 3 (três) níveis de consistência
0 1 2
,,C C C
criados
a partir da consideração ou não dos termos da série de Taylor. Por outro lado, o termo
“KRIG” refere-se à correção aditiva ou multiplicativa criada a partir do modelo de krigagem.
5.2 Conclusões Gerais
Neste trabalho, vários exemplos foram analisados, e com os resultados obtidos pode-
se chegar às seguintes conclusões a respeito da utilização de estratégicas de aproximação
associadas à técnica de otimização:
Todas as estratégias aproximadas encontram um ponto de ótimo semelhante ao
encontrado através do método convencional (MEF), resultando então na
verificação dos códigos computacionais implementados;
A estratégia SAO_T além de manter uma boa precisão também reduziu o tempo de
otimização em aproximadamente 50%, a mesma é também considerada como a
melhor estratégia de aproximação local dentre as investigadas;
Página 92
O modelo proposto de grelha é considerado um bom metamodelo da treliça
espacial. O mesmo foi 30 vezes mais rápido do que a otimização do modelo de
treliça. Devido a este fato, o modelo aproximado pode ser utilizado como uma
estimativa inicial de modo a determinar a viabilidade ou não da otimização da
treliça (caro computacionalmente);
A estratégia híbrida que combina a aproximação global via o modelo de grelha
proposto corrigido através da aproximação local via série de Taylor teve a segunda
melhor performance com relação as estratégias. A mesma reduziu o tempo em
30%;
A inclusão do termo quadrático na função aproximada do erro resultou na solução
mais precisa, porém o mesmo se tornou caro computacionalmente uma vez que a
determinação numérica da Hessiana demanda um grande processamento
computacional;
A estratégia baseada na técnica de ajustamento de pontos é uma ótima escolha
quando os gradientes da função real (caros computacionalmente) não estão
disponíveis e/ou a mesma tem um comportamento oscilatório (não-suave). Tal
estratégia oferece ainda a possibilidade de ser facilmente paralelizado, o que
reduziria o tempo de obtenção da amostra.
O modelo de krigagem foi capaz de prever com precisão o comportamento da
função real da flexibilidade estrutural da treliça. Por outro lado, o modelo da
superfície de resposta de ordem quadrático criado através do método dos mínimos
quadrados não teve um bom desempenho. Tal observação corrobora com
recomendações da literatura.
5.1 Sugestões para Trabalhos Futuros
Este trabalho constitui estudos preliminares de diversas estratégias de aproximação.
Portanto tomando como ponto de partida os resultados obtidos e apresentados nesta
dissertação, alguns estudos com o intuito de melhorar o desempenho das estratégias
aproximadas, são sugeridos os seguintes tópicos para trabalhos futuros:
Considerar outras funções de aproximações baseadas ou não na série de Taylor
(BARTHELEMY e HAFTKA, 1993);
Desenvolver e implementar um código híbrido para a solução de coberta treliçada,
o qual combinaria o modelo proposto de grelha para obter uma resposta
Página 93
aproximada do ponto de ótimo e posteriormente seria utilizado o método
convencional para refinar o valor ótimo encontrado.
Aplicação das estratégias em outros problemas da engenharia que considerem
diferentes tipos de análises, tais como a de vibrações livres (carregamento
dinâmico) e de flambagem elástica (instabilidade local);
Paralelizar a estratégia baseada na cnica de ajustamento de pontos possibilitando
assim a redução do tempo necessário para a geração da amostra. A consideração
de outros planos de amostra (LCVT, QMC, SRS, etc.) visando encontrar uma
amostra “perfeita que seja obtida com o menor número de pontos, porém
mantendo uma boa precisão do metamodelo;
Considerar diferentes parâmetros de otimização, ou seja, função objetivo e
restrições, e/ou aplicar as estratégias aproximadas para a otimização multiobjetivo;
Aplicação das estratégias para otimização de problemas complexos da engenharia
que apresentam funções descontínuas e domínios discretos, tais como problemas
de otimização da produção de campos de petróleo (AFONSO, HOROWITZ e
WILLMERSDORF, 2008);
Página 94
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