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aprofundamento dos conhecimentos relativos à anatomia humana estimulando a busca por
explicações e fundamentos que começaram a estudar as possibilidades de aprendizagem da
fala. Concomitante a esse movimento, outras áreas como as de religiosos, preceptores e
estudiosos de línguas também se interessaram pelo aprendizado de pessoas surdas. Um
fator que despertou esse interesse foi a existência de surdos nascidos em famílias de nobres
e a necessidade que esses tinham em ser “habilitados” ao convívio social adequado. Alguns
registros mostram que houve investimentos no ensino da escrita para pessoas surdas e que
alguns educadores se preocuparam com a possibilidade dos surdos aprenderem a ler e
escrever. Porém, a que se observar o objetivo que tinham com este aprendizado, pois a
aquisição de leitura e escrita era vista como uma possibilidade de substituição da fala na
facilitação do convívio social e não como processo de instrução propriamente dito. Nessa
perspectiva, Soares (2005, p.25) afirma que:
Com relação à utilização da escrita na educação de surdos, nos
séculos XVI e XVII, cabe indagar se a escrita teria sido
empregada, não como um conhecimento valorizado e exigido
para a inserção social, tal como ocorreu nos séculos posteriores,
mas como um recurso que podia ser utilizado em substituição à
fala. Haveria, então, nesse caso, uma priorização da linguagem
escrita secundarizando-se a linguagem oral, não pelo fato de se
julgar necessário ao surdo a obtenção desse tipo de
conhecimento, mas sim por se constituir em um elemento
facilitador para sua participação social.
Contudo, em meados do século XVII, ao serem considerados portadores de
uma doença, os indivíduos com alguma deficiência, sofrem isolamentos em asilos e
hospitais, já que o perigo de transmissão e contágio assusta a população. Surge em toda
Europa, estabelecimentos destinados à internação dos loucos. Nesses estabelecimentos,
denominados Hospitais Gerais, não são internados apenas os loucos, mas todos aqueles
que, de certa forma, estão fora do padrão de normalidade
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e são marcados pela ociosidade,
como os idosos, libertinos de toda espécie, desempregados, mendigos, dentre outros. Surge
assim, o sistema da segregação da pessoa com de deficiência.
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Foucault descreveu a modernidade, como uma sociedade disciplinar ou normalizadora, que pode ser considerada como um ambiente
repleto de confinamentos, cada qual com suas leis e sanções disciplinadoras próprias. Assim, a instituição da norma constitui um eficiente
mecanismo de manutenção da ideologia dominante. Por meio de atitudes e pensamentos absolustistas, o controle passa a ser uma questão
de estar "dentro" ou "fora" dos padrões estabelecidos como normais. A família, a escola, a indústria, o hospital e o cárcere são exemplos
dessas instâncias disciplinares.