
47
qualificado
49
que o público heterossexual, já que 57% dos pesquisados possuem nível
superior, 36% são da classe A e 47%, da B, gastando em média 30% a mais que os
heterossexuais. Um perfil de mercado mais propenso ao consumo, por não possuir sua
renda comprometida com filhos em sua maioria.
O consumidor GLS considera, além da qualidade do produto, a postura da empresa em
relação a sua inserção na sociedade, segundo Franco Reinaudo, diretor da operadora de
turismo Álibi e fundador do Bureau de Negócios GLS
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.
O movimento do mercado e de ocupação de outros espaços pelas minorias sexuais se
consagra na Parada do Orgulho Gay, realizada no mês de junho para comemorar o Dia do
Orgulho Gay, celebrado em 28 de junho em diversos países. No Brasil, esse dia se celebra
com uma “parada”
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, passeata, que reúne os chamados GLBT (a sigla remete às minorias
no sentido político de visibilidade, e será abordado adiante).
De acordo com a Associação da Parada do Orgulho GLBT de São Paulo
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(APOGLBT
SP)
a marca de participantes passou de 1 milhão em 2003 para 1 milhão e oitocentos mil
em 2004 e mais de 2 milhões em 2005, sendo considerada desde 2004 a maior
manifestação do gênero no mundo. Em 2006, a parada
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de São Paulo completou 10 anos
49
Vale destacar que as pesquisas relativas ao público GLS ainda são questionáveis, pois, em geral, não são
representativas, sendo privilegiado corte das classes mais abastadas e de cor branca. O caso do Censo GLS
feito pela internet exemplifica bem isso, pois o acesso eletrônico restrito sugere um público com poder
aquisitivo superior, o que exclui também, conseqüentemente, no contexto social brasileiro, boa parte da
população negra, reforçando desvio que já ocorre também em pesquisas norte-americanas (NUNAN, 2003).
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O PODEROSO mercado gay. Empresas descobrem a força desse milionário segmento, formado por um
consumidor que gasta mais que o heterossexual e é fiel às suas marcas. Disponível na Internet
http://www.terra.com.br/istoedinheiro/457/negocios/poderoso_mercado_gay.htm
, acessado em janeiro de
2006. Empresas como IBM, seguradora American Life, Tecnisa Construtora, Mercure Grand Hotel e Sofitel,
têm direcionado esforços em atendimento e segmento de produtos específicos para o mercado GLS. A
Tecnisa divulga que 12% de seu faturamento vêm de parceiros (“casais”) homossexuais, enquanto a rede de
hotéis Sofitel busca aumentar em 7% a ocupação de seus quartos para o segmento. Ainda sobre a Tecnisa, a
empresa possui um blog corporativo (site acessado em janeiro de 2006,
http://www.blogtecnisa.com.br/index.php?s=gays&Submit=OK
), no qual se intitula empresa gay friendly
(que se posiciona amiga de gays e lésbicas) há mais de três anos. Em outubro de 2006, o condomínio GLS
Aldeia Saint Sebastien, de outra construtora, localizado na Bahia, assinou peças on-line elaboradas pela
agência de publicidade Propeg, que divulgava: “Garanta seu lugar no metro quadrado menos quadrado da
Bahia” (O CONDOMÍNIO, 2006), com imagem de um armário aberto em alusão a “sair do armário”, e com
cores do arco-íris (CUSHMAN, 2007).
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A primeira parada ocorreu no Rio de Janeiro em 1995 com 2.000 participantes. Em 1996, 400 pessoas
foram reunidas em São Paulo, em 1997 foram 2.000, 1998 – 8.000, 1999 – 35.000, e em 2000 alcançou a
marca de 120.000 pessoas. A passeata continuou congregando mais participantes, por volta de 200.000 em
2001, e 500.000 em 2002 (GARCIA, 2004).
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Site da Associação da Parada do Orgulho GLBT de São Paulo, acessado em 29 de maio de 2007,
http://www.paradasp.org.br/modules/articles/article.php?id=6
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Com o tema "Homofobia é crime! Diretos sexuais são direitos humanos", a APOGLBT SP se propôs
denunciar as violações aos Direitos Humanos e incentivar uma série de ações pela aprovação de legislação
contra a homofobia no cenário nacional, em especial o projeto de lei 5003/2001 de autoria da Deputada