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Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Estado de São Paulo
Luciana dos Santos Galvão
Desenvolvimento de biocompósitos de poli-3-hidroxibutirato com celulose
microcristalina
São Paulo
2010
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Luciana dos Santos Galvão
Desenvolvimento de biocompósitos de poli-3-hidroxibutirato (PHB) com celulose
microcristalina
Dissertação de Mestrado apresentada
ao Instituto de Pesquisas Tecnológicas
do Estado de São Paulo – IPT, como
parte dos requisitos para a obtenção
do título de Mestre em Processos
Industriais
Data da aprovação____/____/_____
Prof. Dra. Amélia S. F. e Santos
(Orientadora)
UFRN – Universidade Federal do Rio
Grande do Norte
Membros da Banca Examinadora:
Profa. Dra. Amélia S. F. e Santos (Orientadora)
UFRN – Universidade Federal do Rio Grande do Norte
Dr. Adriano Marim de Oliveira (Membro)
IPT – Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Estado de São Paulo
Dra. Lilia M. Guerrini (Membro)
UNESP – Universidade Estadual Paulista “Julio de Mesquita Filho”
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Luciana dos Santos Galvão
Desenvolvimento de biocompósitos de poli-3-hidroxibutirato (PHB) com
celulose microcristalina
Dissertação de Mestrado apresentada ao
Instituto de Pesquisas Tecnológicas do
Estado de São Paulo – IPT, como parte dos
requisitos para a obtenção do título de Mestre em
Processos Industriais.
Área de concentração: Desenvolvimento e
otimização de Processos Industriais
Orientadora: Prof.ª Drª. Amélia S. F. e Santos
São Paulo
Junho/2010
Ficha Catalográfica
Elaborada pelo Departamento de Acervo e Informação Tecnológica – DAIT
do Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Estado de São Paulo - IPT
G182d Galvão, Luciana dos Santos
Desenvolvimento de biocompósitos de poli-3-hidroxibutirato com celulose
microcristalina. / Luciana dos Santos Galvão. São Paulo, 2010.
84p.
Dissertação (Mestrado em Processos Industriais) - Instituto de Pesquisas
Tecnológicas do Estado de São Paulo. Área de concentração: Desenvolvimento e
Otimização de Processos Industriais.
Orientador: Prof. Dra. Amélia S. F. e Santos
1. Biocompósito 2. Poli-3-hidroxibutirato 3. Celulose microcristalina 4. Metacrilato
de metila 5. Modificação química por enxertia 6. Molhamento e absorção 7. Tese I.
Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Estado de São Paulo. Coordenadoria de
Ensino Tecnológico II. Título
10-43 CDU 661.728'732.5(043)
Tudo que é eterno está eternamente acima do tempo
(C.S.Lewis)
"Nem a morte, nem a vida, nem os anjos, nem os principados, nem as
potestades, nem o presente, nem o porvir, nem a altura, nem a profundidade,
nem coisa alguma nos poderá separar do amor de Deus, que está em Cristo
Jesus nosso Senhor.”
(Romanos 8:38 e 39)
Dedico este trabalho a:
Meu pai Salvador (in memorian) e minha mãe Rita, porque todos os esforços
não são nada se comparados a tudo o que fizeram por mim.
Ao Renato pelo apoio incondicional e por me ensinar
o sentido da palavra companheirismo.
A Vanilda pelas orações, pela preocupação e por ser a pessoa
mais amorosa que eu conheço.
AGRADECIMENTOS
Ao Senhor e Salvador da minha vida, Jesus Cristo, pela vida, pela
saúde, pela oportunidade de realizar este trabalho, pelas pessoas maravilhosas
que conheci, por todo o aprendizado e por estar comigo em todos os
momentos.
A Profa. Dra. Amélia S. F. e Santos, pela amizade, pela paciência e
dedicada orientação.
Ao Dr. Adriano Marim de Oliveira, e a Dra. Lilia M. Guerrini, pelas
sugestões importantes para aperfeiçoamento desta dissertação.
Ao Dr. Silas Derenzo, responsável pelo Laboratório de Processos
Químicos e Tecnologia de Partículas do IPT durante a realização deste
trabalho por autorizar minha permanência no laboratório fora do horário de
expediente e aos finais de semana.
Ao Responsável pelo Laboratório de Análises Químicas do IPT, Miguel
Papai e também a Pesquisadora Shoko Ota, por autorizarem minha ausência
do Laboratório para a etapa de processamento dos biocompósitos.
A Profa. Dra Nicole R. Dermarquete por autorizar o uso dos
equipamentos de extrusão e injeção do Laboratório de Processamento de
Polímeros da Politécnica de São Paulo, e ao Kléber pelo auxilio durante este
processamento.
Ao Pesquisador Marcelo Moreira do Laboratório de Metalurgia e
Materiais Cerâmicos do IPT, pelo auxilio durante a obtenção dos MEVs.
Aos técnicos do Projeto Prumo Plásticos, Douglas, William e Marcão
pela ajuda durante todas as secagens do PHB e por serem sempre tão
prestativos.
A secretária Marina da CET, sempre prestativa para sanar minhas
dúvidas.
Aos meus queridos amigos Nelson e David, ambos do Laboratório de
Processos Químicos e Tecnologia de Partículas do IPT, pela ajuda,
companheirismo, amizade, pelos conselhos, pelas conversas técnicas e por
todas as outras não tão técnicas, mas igualmente essenciais para a execução
deste trabalho.
Ao técnico e amigo Ademir Acancio do Laboratório de Analises Químicas
do IPT, pelo auxilio nas analises de Difração de Raios-X.
À Pesquisadora Helena Lima do Laboratório de Analises Químicas do
IPT pela avaliação da pureza do MMA.
Aos meus amigos do Laboratório de Analises Químicas do IPT Dirceu,
Sandra, Jorge, Thaís, Luzia, Koichi e Fátima pelo apoio e por todo o carinho
que sempre tiveram comigo.
As minhas amigas Ana Paula, Karen, Karine, Caroline, Mariana,
Gislaine, Edilene e Shirley, pelo apoio incondicional, conselhos e ajuda nos
momentos difíceis. E também por me fazerem sentir a pessoa mais abençoada
do mundo por ser amiga de vocês.
Às empresas Blanver Farmoquímica Ltda. e Basf S. A. pela doação da
celulose microcristalina e o metacrilato de metila, respectivamente.
RESUMO
Os polihidroxialcanoatos são poliésteres biodegradáveis com
propriedades mecânicas pobres e custo relativamente alto em relação aos
materiais convencionais. Daí o grande número de estudos realizados com essa
matriz polimérica na forma de blendas com outros polímeros e formulações
com aditivos e agentes de reforço que visam superar essas deficiências. Nesse
contexto, a celulose tem sido alvo de grande interesse, dado entre outros
fatores, o fato de ser um dos recursos naturais de fonte renovável mais
abundante na terra. Nesse trabalho buscou-se preparar formulações por
extrusão de poli-3-hidroxibutirato (PHB) com celulose microcristalina (MCC) de
forma a obter biocompósitos com propriedades mecânicas e térmicas
superiores à matriz de PHB formulada com agentes nucleantes, plastificantes e
lubrificantes (PHBf). Visando atingir esse objetivo foram utilizadas duas
metodologias diferentes de tratamento superficial do agente de reforço com
metacrilato de metila: modificação química por enxertia e tratamento por
molhamento e absorção. No caso da modificação química por enxertia, a
extensão dessa modificação foi padronizada para duas proporções diferentes
de poli(metacrilato de metila) PMMA copolimerizado na superfície da MCC (1:6
e 1:1, MMA:celulose). Esses tratamentos, independentemente de ter sido
químico ou físico, permitiram, de uma forma geral, uma melhoria na dispersão
da MCC na matriz polimérica e melhoraram as propriedades mecânicas do
PHBf. O tratamento superficial que obteve melhores resultados foi aquele
referente à celulose microcristalina modificada quimicamente com metacrilato
de metila na proporção 1:6, constatando incrementos de resistência mecânica
da ordem de até 55% em relação à formulação sem tratamento superficial.
Palavras-chave: poli-3-hidroxidobutirato (PHB), celulose microcristalina (MMC),
metacrilato de metila (MMA), tratamentos superficiais, modificação química por
enxertia; molhamento e absorção.
ABSTRACT
Development of biocomposites from poly-3-hydroxybutyrate with
microcrystalline cellulose
Polyhydroxyalkanoates are biodegradable polyesters with poor mechanical
properties and relatively high cost compared to conventional materials. Hence
the large number of studies to blend this polymer with other polymers and
formulations with additives and reinforcing agents in order to overcome these
issues. In this context, cellulose has been the subject of great interest, among
other factors, due to the fact that it is one the most abundant renewable
resource on earth. In this study, extruded formulations of poly(3-
hydroxybutyrate) (PHB) with microcrystalline cellulose (MCC) were prepared in
order to obtain biocomposites with mechanical and thermal properties higher
than pure PHB matrix formulated with nucleating agents, plasticizers and
lubricants (PHBf). In order to achieve this objective, two different methodologies
were used for the surface treatment of the reinforcing agent with methyl
methacrylate: (i) chemical modification by grafting and (ii) treatment by wetting
and absorption. In the case of chemical modification by grafting, the extent of
modification was standardized for two different ratios of PMMA copolymerized
on MCC surface (1:6 and 1:1, MMA: cellulose). These treatments, regardless of
being chemical or physical, in general allowed an improvement on MCC
dispersion in PHB and in mechanical properties of PHBf. The best surface
treatment was the microcrystalline cellulose chemically modified with methyl
methacrylate in a ratio of 1:6, which increased up to 55% the tensile strength of
this formulation in relation to the formulation without surface treatment.
Keywords: poly-3-hidroxybutirate (PHB), microcrystalline cellulose (MMC),
methyl methacrylate (MMA), surface treatment, chemical modification by
grafting; wetting and absorption.
LISTA DE ILUSTRAÇÕES
Figura 3.1 Estrutura geral dos poli-hidroxialcanoatos (LEE, 1995) 4
Figura 3.2 Micrografia de microorganismo com PHB (LEE, 1995) 5
Figura 3.3 Estrutura química da celulose (MAYA; SABU, 2007) 8
Figura 3.4 O crescimento na demanda por fibras naturais para uso em
compósitos nos EUA em 2000 (CORREA et al., 2003)
10
Figura 3.5 Modelo esquemático das modificações em fibras.
(SHEEKALA et al, 2000)
15
Figura 4.1 Fluxograma das etapas do trabalho 18
Figura 4.2 Reator de bancada 19
Figura 4.3 Reator piloto 24
Figura 4.4 Máquina universal de ensaios Emic 28
Figura 4.5 Equipamento de deflexão térmica Wallace 29
Figura 4.6 Equipamento de impacto Izod Zwick 30
Figura 5.1 Gráfico do ganho de massa em função do tempo da reação
de enxertia da celulose microcristalina
34
Figura 5.2 Espectrograma de FTIR da MCC sem tratamento. 36
Figura 5.3 Espectrograma de FTIR da MCC após reação de oxidação
com peróxido de hidrogênio
36
Figura 5.4 Representação das principais reações de oxidação da
celulose (MARGUTTI et. al., 2002)
37
Figura 5.5 Difratogramas de raios-x da celulose microcristalina antes e
após reação de oxidação com peróxido de hidrogênio
38
Figura 5.6 Curva termogravimétrica da celulose microcristalina sem
tratamento
39
Figura 5.7 Curva termogravimétrica da celulose microcristalina após
reação de oxidação com peróxido de hidrogênio
39
Figura 5.8 Curvas termogravimétricas sobrepostas da MCC sem
tratamento e após reação de oxidação com peróxido de
hidrogênio
40
Figura 5.9 Espectrograma de FTIR do MMA purificado 41
Figura 5.10 Espectrograma de FTIR da MCC após 20 minutos de reação
de enxertia do MMA, extraída em acetona
41
Figura 5.11 Dados da resistência à tração das diferentes composições 43
Figura 5.12 Valores da temperatura de deflexão térmica das diferentes
composições
44
Figura 5.13 Valores da resistência ao impacto das diferentes
composições
45
Figura 5.14 Curvas de DSC obtidas para a composição PHBf 47
Figura 5.15 Curvas de DSC obtidas para a composição PHBf/ 20 C. s/trat. 47
Figura 5.16 Curvas de DSC obtidas para a composição PHBf/ 20 C.1:6 47
Figura 5.17 Curvas de DSC obtidas para a composição PHBf/ 10 C. 1:1 48
Figura 5.18 Curvas de DSC obtidas para a composição PHBf/ 10 C. 1:6 48
Figura 5.19 Curvas de DSC obtidas para a composição PHBf/ 20 C. Im. 48
Figura 5.20 Micrografia da celulose microcristalina sem tratamento e da
MCC com MMA enxertado na superfície na proporção de 1:6
51
Figura 5.21 Micrografias da composição PHBf em diferentes aumentos 52
Figura 5.22 Micrografias da composição PHB/ 20 C. s/trat. com aumentos
variados
53
Figura 5.23 Micrografias da composição PHBf/ 20 C.1:6 com aumentos
variados
54
Figura 5.24 Micrografias da composição PHBf/ 10 C. 1:1, com aumentos
variados
56
Figura 5.25 Micrografias da composição PHBf/ 10 C. 1:6, com aumentos
variados
57
Figura 5.26 Micrografias da composição PHBf/ 20 C. Im, com aumentos
variados
59
LISTA DE TABELAS
Tabela 4.1 Especificação da celulose microcristalina 17
Tabela 4.2 Composições de PHB com celulose microcristalina 26
Tabela 5.1 Dados do rendimento da reação de enxertia do MMA 35
Tabela 5.2 Dados do rendimento da reação de enxertia do MMA no
reator piloto
42
Tabela 5.3 Resultados do DSC das amostras (segundo aquecimento) 49
LISTA DE ABREVIATURAS, SIGLAS E SÍMBOLOS
DTG Termogravimetria derivada
DRX Difração de raios-X
DSC Calorimetria exploratória diferencial
FTIR Espectroscopia na região do infravermelho por
transformada de Fourier
H
2
O
2
Peróxido de hidrogênio
HAs Hidroxialcanoatos
HCl Ácido clorídrico
HDT Temperatura de deflexão térmica
J Joule
m Metro
MEV Microscopia eletrônica de varredura
MCC Celulose microcristalina
MMA Metacrilato de metila
O
2
Oxigênio
PE Polietileno
PHAs Polihidroxialcanoatos
PHB Poli-3-hidroxibutirato
PHBf Poli-3-hidroxibutirato formulado com plastificantes e
nucleantes
PMMA Poli(metacrilato de metila)
PP Polipropileno
Tg Temperatura de transição vítrea
TGA Termogravimetria
Tm Temperatura de fusão
Xc Grau de cristalinidade
Hc Entalpia de cristalização
H
f
Entalpia de fusão
θ
Ângulo de contato
d
(4,3)
diâmetro médio
d
(v,0,1)
diâmetro acumulado de 10%
d
(v,0,5)
diâmetro acumulado de 50%
d
(v,0,9)
diâmetro acumulados de 90%
Span distribuição de tamanho de partícula
SUMÁRIO
1 INTRODUÇÃO 1
2 OBJETIVO 3
3 REVISÃO BIBLIOGRÁFICA 4
3.1 Polihidroxialcanoatos e poli-3-hidroxibutirato 4
3.2 Celulose 8
3.3 Compósitos 9
3.3.1 Compósitos baseados em PHB e seus copolímeros com fibras naturais
(biocompósitos) 10
3.4 Tratamentos químicos em fibras naturais 13
4 MATERIAIS E MÉTODOS 17
4.1 Materiais 17
4.1.1 Matérias-primas 17
4.1.2 Solventes e outros materiais 17
4.2 Métodos 18
4.2.1 Tratamentos superficiais da celulose microcristalina 19
4.2.1.1 Reação de enxertia – Reator de bancada 19
4.2.1.2 Reação de enxertia – Reator piloto
23
4.2.2 Imersão da celulose em metacrilato de metila 24
4.2.3 Preparação das misturas por extrusão 25
4.2.4 Moldagem por injeção 27
4.2.5 Caracterização mecânica e térmica dos compósitos 27
4.2.5.1 Ensaio de resistência à tração 27
4.2.5.2 Ensaio de deflexão térmica (HDT) 28
4.2.5.3 Ensaio de resistência ao impacto Izod com entalhe 29
4.2.5.4 Análise térmica por calorimetria exploratória diferencial (DSC)
30
4.2.6 Caracterização morfológica 32
5 RESULTADOS E DISCUSSÃO 33
5.1 Reator de bancada 33
5.1.1 Caracterização do rendimento das reaçãos em bancada 33
5.1.2 Caracterização da MCC após etapa de oxidação 35
5.1.2.1 Espectrofotometria no infravermelho por transformada de Fourier
(FTIR) 35
5.1.2.2 Difratometria de raios-X (DRX) 38
5.1.2.3 Termogravimetria (TGA) 39
5.1.3 Verificação da etapa de enxertia de MMA na superficie da MCC 40
5.2 Reação de enxertia – Reator piloto 42
5.2.1 Caracterização do rendimento das reações piloto 42
5.3 Caracterização dos compósitos 43
5.3.1 Ensaio de resistência à tração 43
5.3.2 Ensaio de temperatura de deflexão térmica (HDT) 44
5.3.3 Ensaio de resistência ao impacto Izod com entalhe 45
5.3.4 Análise térmica por calorimetria exploratória diferencial (DSC) 46
5.3.5 Caracterização morfológica 49
6 CONCLUSÕES
61
7 SUGESTÕES DE CONTINUIDADE
62
REFERÊNCIAS 63
APÊNDICE A 67
1
1 INTRODUÇÃO
Os polímeros são cada vez mais utilizados em todos os setores
industriais e por sua versatilidade, propriedades físico-químicas e relação custo
versus benefício têm substituído com vantagens a madeira, os metais, o vidro e
o papel.
Um sério problema que acompanha o homem contemporâneo trata-se da
enorme quantidade de lixo produzido nas comunidades sociais, principalmente,
nos grandes centros urbanos. Esse lixo, constituído em grande parte por
produtos industrializados produzidos com polímeros sintéticos, pode
permanecer por centenas de anos para degradação total, tendo em vista sua
alta massa molar e hidrofobicidade que dificultam a ação de microrganismos e
de suas enzimas na superfície do polímero (FRANCHETTI; MARCONATO,
2006).
Muitas vezes o uso dos plásticos é de poucos minutos, como é caso das
sacolas de supermercado, resultando em problemas ambientais (Rosa et al,
2002). Segundo levantamento da empresa RES Brasil Ltda, as redes de
supermercado consomem no país cerca de 700 milhões de sacolas mensais.
Em termos de estatísticas, o consumo médio de plásticos per capita no
mundo é de 19 kg, sendo que nos EUA é de 80 kg, na Europa 60 kg e na Índia
2 kg (FRANCHETTI; MARCONATO, 2006).
Em agosto de 2008, os preços das resinas poliméricas atingiram seu
maior nível histórico. Com o barril do petróleo cotado a 150 dólares, o
polietileno (PE) e o polipropileno (PP) superaram a casa dos dois milhões de
dólares a tonelada (FERRO, 2009).
Consumidores e a indústria do plástico têm mostrado crescente
preocupação com a disposição dos plásticos e seu impacto no meio ambiente.
Desenvolveram-se assim, alternativas através de estudos, para resolver ou
minimizar os problemas gerados pelos plásticos. Dentre estas alternativas
pode-se citar os 3 R´s (redução, reutilização e reciclagem). Outras alternativas
são a incineração, o uso de aditivos oxi-biodegradáveis e recentemente, a
substituição dos materiais convencionais por materiais biodegradáveis
(LUZIER, 1992).
2
Embora a descoberta de novas reservas petrolíferas no Brasil, na camada
chamada pré-sal, na faixa que se estende entre o litoral dos estados do Espírito
Santo até Santa Catarina, tenha trazido uma nova perspectiva para uso do
petróleo nos próximos anos, ainda há necessidade de encontrar alternativas
para o uso de fontes não renováveis uma vez que a demanda por petróleo
atualmente é grande e essas reservas são esgotáveis.
Os polímeros biodegradáveis têm sido alvo constante de estudo a fim de
suprir a demanda do mercado por materiais que não prejudiquem o meio-
ambiente. Porém, suas propriedades mecânicas são inferiores as dos plásticos
convencionais, o que na maioria das vezes inviabiliza o seu uso.
O uso de fibras naturais como reforço em materiais poliméricos tem sido
muito utilizado nos últimos anos. Como uma das formas de melhorar o
desempenho mecânico de compósitos poliméricos biodegradáveis e possibilitar
aplicações inovadoras0deste tipo de material tem-se a utilização de técnicas de
tratamento superficial dos agentes de reforço para melhorar as propriedades
interfaciais do compósito, assim como a eficiência da dispersão do reforço na
matriz polimérica.
Neste trabalho foram avaliados tratamentos químicos de enxertia e de
molhamento e absorção do metacrilato de metila em celulose microcristalina
para obter um biocompósito de poli-3-hidroxibutirato (PHB) com propriedades
térmicas e mecânicas superiores à matriz de PHB formulada com agentes
nucleantes, plastificantes e lubrificantes (PHBf).
3
2 OBJETIVO
Este trabalho teve como objetivo desenvolver por extrusão um
biocompósito de poli-3-hidroxibutirato (PHB) com celulose microcristalina
(MCC), com propriedades térmicas e mecânicas superiores à matriz de PHB
formulada com agentes nucleantes, plastificantes e lubrificantes (PHBf). Para
isso, foram estudados dois tipos de tratamentos superficiais com MMA para a
MCC: reação de enxertia e molhamento e absorção. Entre as etapas cumpridas
para atingir esse objetivo destacam-se:
- Reação de enxertia do MMA na superfície da MCC conforme
metodologia proposta por Ogiwara et al. (1971) em escala de bancada e em
escala piloto;
- Caracterização da integridade química, estrutural e térmica da MCC
após etapa de oxidação da MCC e também, a extensão da reação de
modificação por enxertia do MMA na superfície da MCC;
- Tratamento de imersão da MCC em solução de acetona com metacrilato
de metila e peróxido de dicumila, conforme diretrizes gerais do procedimento
utilizado por Khan et al. (2005);
- Extrusão das diferentes composições de PHBf com MCC sem e com
diferentes tratamentos superficiais e caracterização mecânica, térmica e
morfológica para avaliar os efeitos da concentração e do tipo de tratamento
superficial da MCC nessas propriedades.
4
3 REVISÃO BIBLIOGRÁFICA
3.1 Polihidroxialcanoatos e poli-3-hidroxibutirato
Entre os candidatos a polímeros biodegradáveis, os polihidroxialcanoatos
(PHAs) têm chamado muita atenção por ter propriedades potencialmente
similares aos plásticos convencionais, pela variedade de tipos existentes e por
serem completamente biodegradáveis.
PHAs são poliésteres de hidroxialcanoatos (HAs) que tem sua fórmula
geral mostrada na figura a seguir.
Polímero
n=1 R=hidrogênio Poli(3-hidroxipropionato)
R=metil Poli(3-hidroxibutrato)
R=etil Poli(3-hidroxivalerato)
R=propil Poli(3-hidroxihexanoato)
R=pentil Poli(3-hidroxioctanoato)
R=nonil Poli(3-hidroxidodecanoato)
n=2 R=hidrogênio Poli(4-hidroxibutirato)
n=3 R=hidrogênio Poli(5-hidroxivalerato)
Figura 3.1 – Estrutura geral dos poli-hidroxialcanoatos
Fonte: LEE, 1995
Há uma grande variedade de microorganismos que conseguem
armazenar em seu interior o plástico biodegradável, tais como Alcaligenes
eutrophus, Ralstonia eutropha, Alcaligenes lótus, Comamonas acidvorans e
Pseudômonas putida (FRANCHETTI; MARCONATO, 2006).
Para um crescimento balanceado, a bactéria precisa de uma fonte de
carbono entre outros nutrientes, tais como nitrogênio, fósforo ou enxofre. Se
um dos nutrientes for limitado a bactéria não consegue produzir amino-ácidos e
proteínas. Como resultado, ela não consegue crescer, os níveis de coenzima
5
reduzem e seu metabolismo começa a estocar energia, sintetizando o PHB. A
produção de poli-3-hidroxibutirato explora esse mecanismo (LUZIER, 1992;
LEE, 1995).
As bactérias acumulam os grânulos em seu citoplasma e as propriedades
mecânicas desses polímeros estão atreladas às unidades monoméricas
incorporadas e podem variar de materiais rígidos quebradiços até elastômeros
resistentes (LEE, 1995; FRANCHETTI; MARCONATO, 2006).
Os PHAs podem ser divididos em dois grupos dependendo do número de
átomos de carbono nas unidades monoméricas: PHAs de cadeia curta (SCL),
que contem de três a cinco átomos de carbono, e PHAs de cadeia média
(MCL), que consistem em seis a quatorze átomos de carbono na unidade
monomérica (LEE, 1995).
Figura 3.2 – Micrografia de microorganismo com PHB em seu
interior. Fonte: Lee, 1995
A partir do simples homopoliéster descoberto por Maurice Lemoigne nos
anos vinte, uma família de mais de 100 diferentes tipos poliésteres alifáticos de
mesma estrutura geral foi descoberta (SCANDOLA, 1992).
Em meados da década de 90, iniciou-se no Brasil o desenvolvimento de
uma tecnologia para produção de plásticos biodegradáveis empregando como
matéria-prima derivados de cana-de-açúcar, a partir de um projeto cooperativo
desenvolvido entre IPT, Corpesucar e Universidade de São Paulo. Desta
6
parceria, iniciou-se uma linha de pesquisa para a produção de polímeros da
família dos PHAs, por bactérias em biorreatores, a partir de açúcares
(FRANCETTI; MARCONATO, 2006).
A massa molar desses polímeros está na faixa de 2 x 10
5
a 3 x 10
6
Daltons, dependendo do microorganismo produtor e das condições de
crescimento (LEE, 1995).
O emprego de polímeros biodegradáveis no mercado ainda não é
significativo, mas deverá ser mais expressivo em futuro próximo, uma vez que
esses polímeros geram resíduos de curta duração no meio ambiente, em
relação aos plásticos sintéticos (polietileno, polipropileno, policloreto de vinila).
Diversas pesquisas a respeito da aplicação tecnológica e da
biodegradabilidade de seus resíduos têm sido realizadas. Os polímeros
biodegradáveis sofrem mais facilmente a ação de microorganismos, por
conterem funções orgânicas em suas cadeias alifáticas: carbonilas, hidroxilas,
ésteres, hidroxiácidos, mais suscetíveis à ação enzimática. Entretanto, é
importante lembrar que esta ação depende de outros fatores, tais como: tipos
de microorganismos presentes, condições do meio (temperatura, umidade, pH,
luz, oxigênio) e propriedades do polímero (massa molar, cristalinidade, etc)
(FRANCETTI; MARCONATO, 2006).
As aplicações tecnológicas de polímeros biodegradáveis normalmente
requerem melhorias nas suas propriedades mecânicas. Neste contexto, novas
misturas poliméricas vêm sendo obtidas para aplicações inovadoras e mais
baratas (LUZIER, 1992; ROSA ET AL, 2001).
O principal representante dos PHAs é o poli-3-hidroxibutirato (PHB) que
possui temperatura de transição vítrea (Tg) em torno de 5ºC, temperatura de
fusão da ordem de 174ºC, apresenta alto grau de cristalinidade e tem módulo
de elasticidade de 3500 MPa (FORMOLO et al, 2003; FRANCETTI;
MARCONATO, 2006).
Cerca de trinta anos após sua descoberta, o PHB foi reconhecido como
possível protótipo termoplástico biodegradável para resolver o desafio de
eliminação de resíduos (SCANDOLA, 1992).
7
Poliésteres microbianos são relativamente resistentes a hidrólise química,
mas são susceptíveis ao ataque bacteriológico, o que restringe seu uso para
embalar alimentos. Entretanto, o poli-3-hidroxibutirato (PHB) tem excelentes
propriedades de barreira a gás e pode ser usado associado com camadas de
gelatinas metacriladas, que conferem ao produto uma baixa permeabilidade ao
oxigênio e alta resistência à água em ebulição (FRANCETTI; MARCONATO,
2006).
Ao contrário de outros comodities, o PHB tem a vantagem de ser
biodegradável e biocompatível, porém, tem uma termoestabilidade pobre e
uma relativa baixa resistência ao impacto (LEE, 1995). Um dos fatores que
contribuem para a característica frágil do PHB é a cristalização secundária da
fase amorfa que ocorre durante o armazenamento à temperatura ambiente.
Nessas condições o PHB tem uma baixa densidade de nucleação e fica
propenso a formação de esferulitos grandes que podem formar trincas em seu
interior (A.EL-HADI et al, 2002).
É conhecido que um material com esferulitos grandes e com a mesma
porcentagem de cristalinidade é mais frágil que um material com esferulitos
pequenos. Assim o tamanho e o número de esferulitos influenciam diretamente
na resistência ao impacto. Uma das formas de controlar o tamanho dos
esferulitos é através das condições de cristalização e também, da utilização de
agentes nucleantes (A.EL-HADI et al, 2002). Os agentes nucleantes atuam
aumentando a taxa de nucleação do processo de cristalização e com isso
geram uma morfologia com esferulitos menores e com maior grau de
cristalinidade (A.EL-HADI et al, 2002).
Já o controle da taxa de cristalização secundária do PHB pode ser
realizado pelo uso de plastificantes. Os plastificantes são aditivos empregados
para aumentar o espaçamento intermolecular das macromoléculas dos
polímeros, facilitando assim o movimento molecular, reduzindo a temperatura
de transição vítrea e levando a uma maior flexibilidade (menor módulo
elástico), ductilidade e resistência ao impacto (PRITCHARD, G., 1998; A.EL-
HADI et al, 2002; BORGES et al., 2003).
Embora o PHB seja reconhecido como um bom candidato para os
polímeros biodegradáveis (SCANDOLA, 1992), seu alto custo comparado com
8
os plásticos convencionais é ainda uma limitação ao seu uso em uma grande
gama de aplicações (LEE, 1995).
3.2 Celulose
As fibras naturais são constituídas por celulose, hemicelulose, lignina,
pectinas, e ceras. Elas podem ser oriundas de plantas, animais ou minerais.
(MAYA; SABU, 2007).
A celulose, componente das fibras naturais, é um polissacarídeo formado
por unidades de glicose, cuja a estrutura química da celulose é apresentada a
seguir.
Figura 3.3 - Estrutura química da celulose
Fonte: Maya; Sabu, 2007.
De outra forma, a celulose pode ser considerada um polímero natural
pertencente a classe dos polissacarídeos que consiste de unidades d-anidro-
glucose (C
6
H
11
O
5
) unidas por unidades repetidas de 1,4-β-D- glicosídicas
unidas às posições C
1
e C
4
(MAYA; SABU, 2007).
Por causa da regularidade das pontes de hidrogênio, as cadeias de
celulose estão ordenadas na forma de cristais elementares, com diâmetros da
ordem de 3,5 nm. Estudos recentes comprovaram que os valores desse
diâmetro dependem da fonte da celulose (SIXTA, 2006).
A maior parte das fibras celulósicas é constituída por regiões cristalinas
(do total de celulose cerca de 65% é cristalina). Essa característica aliada às
associações intermoleculares via pontes de hidrogênio conferem à celulose alta
resistência à tração e a solventes. A massa molar da celulose varia entre
50.000 a 2,5 milhões de Daltons, dependendo da origem da mesma (SIXTA,
2006).
9
A hemicelulose também conhecida como poliose, pode ser considerada
como uma matriz entre as fibrilas de celulose, atuando como um agente de
acoplamento entre a celulose e a lignina. É este componente que propicia a
flexibilidade às plantas. As polioses diferem da celulose por serem constituídas
de vários açucares e possuírem cadeias mais curtas e ramificadas. Já a lignina
é o componente que confere rigidez à parede celular interpenetrando as
fibrilas. É o último componente a ser incorporado pelas paredes celulares
(SIXTA, 2006).
A celulose microcristalina (MCC) é resultante da hidrólise de celulose
purificada após tratamento com HCl 2,5 N por 15 minutos a 105ºC, sendo uma
forma muito pura de celulose, com alto grau de cristalinidade. Os grupos
hidroxilas da celulose têm uma forte afinidade por solventes polares e pelos
solutos neles solubilizados (BEHRENS; FERREIRA, 2006).
A celulose microcristalina é um pó fino, branco, inodoro e cristalino que
entre as suas principais aplicações destacam-se: comprimidos, cápsulas e
componentes fármacos (http://www.blanver.com.br).
3.3 Compósitos
Os compósitos são uma classe especial de materiais compostos. Em
sentido amplo, os compósitos são definidos como materiais constituídos por
duas ou mais fases, distintas e visíveis macroscopicamente, com propriedades
mecânicas iguais ou maiores do que às de cada componente considerado
isoladamente (CETECOM, 2008).
Nessa estrutura bifásica, a fase contínua, matriz, é representada pelo
polímero e a fase dispersa é representada pelas fibras reforçantes.
Os componentes de um compósito exercem funções específicas,
dependendo de suas próprias características. As fibras, por exemplo, embora
possuam alta resistência, não podem ser empregadas isoladamente para se ter
um componente moldado, pois precisam de um meio para segurá-las. Em vista
disto, embebe-se as fibras em uma matriz contínua suficientemente rígida para
manter a forma e prevenir distorções. A matriz de um compósito representa a
superfície final, determinando importantes propriedades como resistência a
agentes químicos, comportamento térmico e elétrico, aparência superficial e,
10
muito importante, a capacidade de transferência das tensões externas para a
fase dispersa. As funções da fase dispersa recaem no aspecto
rigidez/estabilidade dimensional, podendo também melhorar a resistência à
tração e ao impacto do material (RABELLO, 2000).
Outra característica importante para as propriedades finais de um
compósito fibroso está relacionada à interface de adesão da fibra com a matriz.
Quando há boa adesão entre as fibras e a matriz, as propriedades mecânicas
do compósito é aumentada dada a transferência eficiente de tensão da matriz
polimérica contínua para as fibras de reforço dispersas. Há várias maneiras de
controlar a adesão interfacial. Esses métodos incluem modificações físicas e
modificações químicas das fibras ou o uso de aditivos como agentes de
acoplamento (Wong et al, 2004).
3.3.1 Compósitos baseados em PHB e seus copolímeros com fibras naturais
(biocompósitos)
Nos últimos anos, um grande número de pesquisas tem envolvido a
investigação da exploração das fibras naturais como componentes da
composição de materiais compósitos. O uso desse tipo de material em
compósitos aumentou devido a seu baixo custo, ser um recurso natural de
fonte renovável, sua reciclabilidade e também, devido a sua alta resistência
específica (MAYA; SABU, 2007). É possível observar o crescimento no
interesse em fibras naturais através do gráfico exposto na Figura 3.4.
Figura 3.4 – O crescimento na demanda por fibras naturais para uso em
compósitos nos EUA em 2000. Fonte: CORREA et al., 2003.
11
A principal limitação no uso de fibras naturais como reforço em polímeros
é a natureza hidrofílica destas, fazendo com que a adesão interfacial com as
matrizes poliméricas hidrofóbicas seja pobre, tornando o compósito vulnerável
ataques ambientais, dificultando a transferência das tensões da matriz para a
fase dispersa e também, sua mistura com a mesma (WAMBUA et al., 2003;
BRAHMAKUMAR et al, 2005). Esses casos requerem a compatibilização do
sistema através da incorporação dos chamados agentes de acoplamento ou de
adesão interfacial (BLEDZKI AND GASSAN, 1999). A escolha de agentes
compatibilizantes para promover uma melhor adesão interfacial entre o reforço
celulósico e a matriz polimérica deve seguir alguns critérios básicos: o
compatibilizante ou agente de acoplamento, em contato com a superfície do
reforço, deve interagir fortemente com as fibras através de ligações covalentes
fortes ou interações secundárias do tipo ácido-base ou pontes de hidrogênio.
Isto implica que uma quantidade suficiente de grupos funcionais deve estar
presente no compatibilizante de forma a possibilitar a sua reação com as
hidroxilas da celulose. Outro aspecto considerado é o comprimento das
cadeias do compatibilizante que deve possuir cadeias suficientemente longas
que permitam a formação de emaranhamentos moleculares na interface com a
matriz polimérica através de ancoramento mecânico (CORREA et al., 2003).
Para aumentar a interação entre a fibra e a matriz, várias técnicas de
grafitização (ou enxertia) podem ser usadas, introduzindo desde pequenas
moléculas até cadeias poliméricas na superfície das fibras. Estas técnicas
melhoram a adesão da fibra com a matriz, resultando, em geral, em melhores
propriedades mecânicas.
Do ponto de vista mecânico, os agentes compatibilizantes atuam no
sentindo de evitar o processo de delaminação da fibra na matriz polimérica que
ocorre por incompatibilidade química e acaba comprometendo as propriedades
do compósito devido à transferência ineficiente de esforços na interface fibra-
matriz (CORREA et al, 2003).
Além dos aspectos químicos ligados a compatibilização da fibra com a
matriz, o desempenho do compósito ainda depende das características do
reforço, ou seja, distribuição de tamanho de partículas; área superficial e a
fração volumétrica máxima de empacotamento (CORREA et al., 2003).
12
As propriedades do compósito de fibras naturais são ainda influenciadas
pelas propriedades das mesmas. Essas propriedades por sua vez são
altamente variáveis e dependentes de suas condições de crescimento, o que
acaba por prejudicar a reprodutibilidade da qualidade desses compósitos.
Outra característica das fibras que tem sido fonte de pesquisa está
relacionada a sua estabilidade dimensional. Tratamentos com anidrido maleico,
anidrido acético e silanos (WAMBUA et al., 2003) têm sido empregados para
melhorá-la.
Dentre os trabalhos desenvolvidos para viabilizar o uso de fibras vegetais
como agente de reforço em matrizes biodegradáveis, destaca-se o de
CARASHI E LEÃO (2001) que consistiu em avaliar as propriedades mecânicas
de biocompósitos de PHB misturados com diversas fibras naturais (farinha de
madeira, bagaço de cana-de-açúcar e polpa de celulose). Verificou-se que os
compósitos de PHB reforçado com bagaço e farinha de madeira tiveram em
relação ao PHB puro uma pequena queda nas propriedades mecânicas em
resistência à tração, principalmente quanto ao alongamento na ruptura. Já os
compósitos reforçados com polpa de celulose apresentaram um alto
desempenho no alongamento na ruptura em comparação com o PHB puro e
aos demais compósitos.
COATS et al (2008), estudaram a utilização de PHB não purificado na
manufatura de compósitos termoplásticos reforçados com fibras naturais
(NFRTCs), Eles demonstraram que as impurezas podem também vir a atuar
como um agente plastificante nas formulações de compósitos.
Compósitos de poli(3-hidroxibutirato-co-3-hidroxihexanoato) (P3HB-co-
3HH) com fibras modificadas através de acetilação foram usados por ZINI et
al. (2007) com o objetivo de testar o efeito das alterações na superfície na
adesão fibra-matriz. Eles concluíram que a acetilação da superfície foi eficiente
em melhorar a adesão entre a fibra e a matriz.
PINTO et al. (2009), realizaram um estudo para avaliar o efeito da
pressão e da incorporação do bagaço de cana, com e sem tratamento de
superfície, nas propriedades do PHB. Fibras submetidas a um tratamento de
explosão por vapor foram usadas para compreender o efeito desse tratamento
13
sobre as propriedades das fibras e do compósito. Os autores concluíram que a
faixa ótima de pressão para a preparação dos compósitos foi de 0 a
10 toneladas.
Eles constataram que a incorporação de fibras de bagaço (com ou sem
modificação por explosão por vapor) diminuiu a fragilidade do PHB a baixas
temperaturas, como ficou evidenciado pela diminuição do módulo na análise
termodinâmico-mecânica.
De uma forma geral, as propriedades mecânicas de compósitos
termoplásticos reforçados com fibra ou farinha de madeira tendem a serem
inferiores às do polímero puro. Geralmente, o ganho de propriedades dos
termoplásticos reforçados com fibra ou farinha de madeira consiste na melhora
da rigidez, maior temperatura de uso e baixo peso específico, principalmente,
se comparados aos compostos similares carregados com cargas minerais.
Devido a sua natureza relativamente polar, o PHB mostra melhor adesão
com fibras naturais se comparado as poliolefinas. Já em termos de
cristalização secundária, nenhum efeito significativo das fibras celulósicas na
cristalinidade do polímero foi reportado anteriormente (BARKOULA et al.,
2009).
Nesse contexto, a adição de fibras naturais e reforços têm sido propostos
como uma solução para o desempenho mecânico e maior resistência do PHB e
seus copolímeros, bem como para reduzir os altos preços dos poliésteres
biodegradáveis (BARKOULA et al., 2009).
3.4 Tratamentos químicos em fibras naturais
O desempenho mecânico de um compósito fibroso é na maioria das
vezes determinado pelas propriedades das fibras que o compõem. A extensão
da interação interfacial entre a fibra e a matriz determina a capacidade de
transferência de tensão de um compósito fibroso. A possibilidade de formar
acoplamento mecânico e químico na interface depende entre outros fatores, da
morfologia superficial e composição química das fibras, polaridade da matriz,
etc. Portanto, análise microscópica da topologia da superfície das fibras e
morfologia da superfície de fratura merece maior importância em compósitos
fibrosos (SREEKALA et al, 2000).
14
A qualidade da interface fibra-matriz é significativa para aplicação de
fibras naturais em materiais poliméricos. Tratamentos físicos e químicos podem
ser usados para otimizar essa interface. Esses métodos de modificação têm
diferentes eficiências para adesão entre a matriz e a fibra (BLEDZKI e
GASSAN, 1999; WONG et al, 2004; ZINI et al, 2007; SATYANARAYANA et al,
2009; WRÓBEL-KWIATKOWSKA et al, 2009).
As fibras naturais são facilmente modificadas por conter grupos hidroxilas
na sua superfície. As modificações químicas podem ativar esses grupos ou
introduzir novos grupos funcionais que podem efetivamente interagir com a
matriz polimérica. Características superficiais como secagem, adesão, tensão
superficial, porosidade, entre outras, podem ser melhoradas através de
modificações físicas e químicas. O processo de branqueamento das fibras, por
exemplo, é um dos métodos que pode levar a mudanças na rugosidade
superficial das fibras (SREEKALA et al, 2000).
Entre essas mudanças físicas destaca-se a remoção da camada cerosa,
as mudanças na rugosidade da superfície e aparência física da fibra,
mudanças de densidade, a fibrilização superficial, a descarga corona, o
tratamento com plasma, etc. Esses tratamentos por sua vez influenciam o
acoplamento mecânico da fibra com a matriz polimérica e levam a alterações
na resistência à adesão da fibra junto à matriz. Como resultado, as
propriedades de interface do compósito podem ser melhoradas (SREEKALA et
al, 2000).
Modificações químicas como tratamento com álcalis (mercerização),
acetilação, cianoetilação e enxertia alteram as propriedades superficiais, de
modo que o melhor molhamento das fibras pela matriz é possível. Aditivos
como agentes de acoplamento podem ainda conter grupos químicos reativos
que podem reagir com a fibra e com o polímero. A formação de ligações
covalentes e/ou pontes de hidrogênio terminam por melhorar a adesão
interfacial (Wont et al, 2004).
Esquematicamente as modificações físicas e químicas, assim como seu
efeito na eficência de transferência de tensão da matriz para o agente de
reforço podem ser representados da seguinte forma:
15
Figura 3.5 – Modelo esquemático das modificações em fibras.
Fonte: Sheekala et al, 2000.
Por último, estão apresentados os principais tipos de tratamentos
superficiais utilizados e uma breve descrição dos mesmos.
Molhamento e adsorção – o molhamento consiste na imersão da fibra
natural em um meio orgânico líquido compatível com a matriz polimérica sob
condições de concentração, tempo e temperatura controladas. Esse tratamento
é realizado com o reforço limpo e sem resíduos e serve para retirar todo o ar e
para cobrir todas as reentrâncias, sem deixar falhas nos reforços.
Tratamento por atração eletrostática (ou de descarga corona) – é
realizado para que a matriz e o reforço possuam cargas elétricas opostas.
Nesse caso, quanto maior a carga, maior a ligação entre os constituintes do
compósito.
Adesão mecânica – consiste na utilização de agentes capazes de alterar
a rugosidade da superfície dos agentes de reforço, de forma a promover a
ancoragem mecânica da superfície do reforço na matriz polimérica.
Modificação química – é um tratamento superficial que visa modificar
quimicamente a superfície do reforço por meio da incorporação de agentes de
acoplamento. Dessa forma, a compatibilidade química entre a superfície do
16
reforço e da matriz polimérica é favorecida. Esse método é também
denominado de copolimerização por enxertia. Um dos mecanismos de reação
que pode ser utilizado consiste na introdução de radicais livres na superfície da
fibra natural, com posterior reação desses radicais com os agentes de
acoplamento, resultando na enxertia desses últimos na sua superfície. Dessa
forma, a superfície da fibra natural torna-se mais compatível com a matriz
polimérica (BLEDZKI, A. K.; GASSAN, J. 1999).
17
4 MATERIAIS E MÉTODOS
4.1 Materiais
4.1.1 Matérias-primas
O poli-3-hidroxibutirato utilizado nesse trabalho foi fornecido pela PHB
Industrial S. A.
A celulose microcristalina (MCC) foi doada pela Blanver Farmoquímica
Ltda. com especificação de catálogo, conforme Tabela 4.1. O diâmetro de
partícula da MCC determinado pela técnica difração de raios laser foi de 64 μm
(vide Apêndice A).
Tabela 4.1 – Especificação da celulose microcristalina.
Pro
p
riedade Valor
Teor de umidade
(
%
)
1,5
Densidade aparente (g/cm
3
) 0,29
Granulometria em malha 60
(
250
μ
m
)
0
Granulometria em malha 400
(
37
μ
m
)
22,7
pH 5,9
4.1.2 Solventes e outros materiais
Os reagentes e aditivos utilizados nesse trabalho estão listados abaixo.
Destes, exceto o metacrilato de metila que foi destilado a vácuo, todos os
demais foram utilizados sem purificação posterior.
Acetona (Marca Carlos Herba) pureza analítica;
Metacrilato de metila (MMA) comercial, doado pela empresa Basf S. A.,
utilizado nas reações de bancada;
Metacrilato de metila (MMA) (Marca Sigma-Aldrich) pureza analítica
utilizado para as reações piloto;
Peróxido de hidrogênio (Marca Casa Americana) pureza analítica;
Sacarina (Marca Vetec) pureza analítica;
Glicerina (Marca Anidrol) pureza analítica
Acido esteárico comercial;
Hidroquinona comercial;
18
Peróxido de dicumila comercial.
4.2 Métodos
A seguir, na Figura 4.1 está apresentado o fluxograma com todas as
etapas do trabalho realizado.
Figura 4.1 – Fluxograma das etapas do trabalho
19
4.2.1 Tratamentos superficiais da celulose microcristalina
4.2.1.1 Reação de enxertia – Reator de bancada
A superfície da celulose microcristalina foi modificada quimicamente com
metacrilato de metila em meio aquoso em um reator de bancada com
capacidade de 150 mL (Figura 4.2), conforme procedimento descrito por
Ogiwara et al. (1971) e outros trabalhos desse mesmo grupo (Kubota et al.
1987, Kubora e Suzuki, 1995). Esse procedimento consiste de duas etapas:
uma de oxidação da celulose microcristalina na presença de peróxido de
hidrogênio (H
2
O
2
) e outra, de enxertia do metacrilato de metila na superfície da
celulose.
Figura 4.2 – Reator de bancada.
A etapa de oxidação da celulose microcristalina consistiu em colocar 1%
de celulose microcristalina dispersa em 100 mL de solução aquosa com
0,20 mmol/L de peróxido de hidrogênio (H
2
O
2
) contida no reator de 150 mL
(Figura 4.2). A reação de oxidação foi mantida por três horas na temperatura
20
de 65º C. Após esse período a mesma foi lavada com água fria e em seguida,
inserida no mesmo reator e redispersa em 80 mL de água pré-aquecida a 85º
C para dar início à segunda etapa da reação, ou seja, à etapa de enxertia e
polimerização do metacrilato de metila na superfície da celulose.
Nessa seqüência foram adicionados vagarosamente 4,4 mL de
metacrilato de metila e a reação foi realizada em duplicata considerando os
seguintes tempos: 10, 20, e 40 minutos. Para a interrupção da reação de
polimerização, foi adicionada hidroquinona numa proporção equivalente ao
dobro da concentração usada de peróxido de hidrogênio. A fração
homopolimérica foi separada utilizando extração soxhlet por 30 horas em
acetona.
a) Caracterizações da MCC após etapa de oxidação
O rendimento das reações foi calculado com base no incremento de
massa da celulose microcristalina, seca em estufa com circulação forçada de ar
por 01 hora a 80º C, antes e após cada tempo de reação, conforme
procedimento descrito no item a. As pesagens foram realizadas utilizando uma
balança Mettler-Toledo, modelo AB204-S.
Para o tempo da reação de enxertia do MMA de 20 minutos, também foi
calculado o rendimento da reação considerando as mesmas condições
supracitadas, porém utilizando, como solvente da extração soxhlet, tolueno ao
invés de acetona. Esse procedimento foi efetuado para verificar a eficiência do
incremento de massa para um segundo solvente do poli(metacrilato de metila)
(PMMA).
b) Caracterizações da MCC após etapa de oxidação
As técnicas utilizadas para caracterizar comparativamente alterações
químicas, estruturais e de estabilidade térmica da MCC após oxidação foram,
respectivamente, espectrofotometria no infravermelho por transformada de
Fourier (FTIR), difração de Raios-X (DRX) e análise termogravimétrica (TGA).
Essas análises foram realizadas apenas para as amostras de celulose antes e
após a primeira etapa da reação de enxertia (subitem 4.2.1.1), ou seja, da
reação de oxidação com H
2
O
2
. A seguir está apresentada a metodologia
utilizada em cada uma delas.
21
b.1) Espectrofotometria no infravermelho por transformada de Fourier (FTIR)
A espectroscopia no Infravermelho se aplica, sobretudo, na identificação e
determinação de características estruturais (composição química, estrutura
configuracional e conformacional, forças interatômicas associadas com
interações moleculares) de compostos orgânicos, uma vez que a radiação do
infravermelho é absorvida quando a freqüência (comprimento de onda) da
mesma se iguala exatamente à freqüência vibracional natural da molécula.
Geralmente os espectros de infravermelho são apresentados na forma de
transmitância em função do número de onda e exibem bandas de absorção
características dos grupos funcionais presentes na amostra em análise. A
análise e a interpretação do espectro exigem consultas a tabelas, manuais,
banco de dados e diagramas que forneçam informações sobre os grupos
funcionais a que pertencem a posição, intensidade e largura das bandas de
absorção registradas.
O espectro no infravermelho foi obtido em um espectrofotômetro de
infravermelho por transformada de Fourier (FTIR) da Nicolet, modelo AVATAR
360, utilizando 68 varreduras, resolução de 4 cm
-1
e intervalo de 2 cm
-1
. As
amostras foram prensadas na forma de pastilha com brometo de potássio (KBr)
e analisadas por transmissão.
b.2) Difratometria de raios-X (DRX)
A análise de difração de Raios-X consiste na medida da intensidade do
feixe de Raios-X em função do ângulo de difração (2θ) após interação com
material a ser analisado. Através da Lei de Bragg (interferência construtiva)
tem-se o aparecimento de picos de difração característicos das diferentes
estruturas cristalinas.
Os experimentos foram realizados em um difratômetro de Raios-X
modelo XRD 6000, marca Panalytical, operado a 45 kV e 40 mA, com fonte de
Cu Kα (λ=0.154 nm) e filtro de Ni. A aquisição de dados foi realizada no
intervalo de 2θ variando de 4 a 60º a uma velocidade de 0,02º/s.
22
b.3) Termogravimetria (TGA)
A termogravimetria ou análise termogravimétrica baseia-se no estudo da
variação de massa de uma amostra, resultante de uma transformação física
(sublimação, evaporação, condensação) ou química (degradação,
decomposição, oxidação) em função do tempo ou da temperatura. Em outras
palavras pode ser definida como um processo contínuo que mede a variação
de massa (perda ou ganho) de uma substância ou material como uma função
da temperatura e/ou tempo (MOTHÉ; AZEVEDO, 2002).
A análise termogravimétrica fornece duas curvas: a curva de TGA e a
primeira derivada desta (DTG) (Equação 1), que esclarece os passos da curva
TGA. O platô horizontal na curva de TGA corresponde ao platô horizontal na
curva de DTG devido a dm/dt = 0. O máximo na curva de DTG é obtido quando
a curva de TG tem um ponto de inflexão, isto é, a velocidade de variação de
massa é maior (temperatura em que a velocidade de variação de massa é
maior) (MOTHÉ; AZEVEDO, 2002).
dm/dt = f(tempo ou temperatura) (Equação1)
Essa análise foi realizada utilizando-se o aparelho Mettler Toledo
TGA/SDTA 851. As condições de análise consistiram aquecimento de 25
a 700 ºC com taxa de aquecimento de 10 ºC/min, em atmosfera de nitrogênio
(vazão de 50 ml/min).
c) Verificação da eficiência da enxertia do MMA na superfície da MCC
Visando comprovar a eficiência da enxertia do MMA na superfície da
celulose microcristalina e validar o procedimento adotado para a próxima
etapa, foi realizada análise de espectrofotometria no infravermelho por
transformada de Fourier (FTIR) para as amostras de MMC antes e após um
dos tempos da reação de enxertia do MMA propriamente dito na superfície da
MCC (segunda etapa) descritos no subitem 4.2.1.1. Também foi realizada a
análise do MMA, após destilação à vácuo, para evidenciar as bandas
características do agente de modificação de superfície utilizado. As condições
da análise de FTIR foram aquelas descritas no subitem b.1.
23
4.2.1.2 Reação de enxertia - Reator piloto
Nessa etapa, a reação de enxertia realizada em condições de bancada foi
reproduzida em um reator com capacidade para 5 L (Figura 4.3),
representando um aumento de escala da ordem de 33 vezes. As relações entre
os componentes da reação de oxidação da MCC foram mantidas constantes,
assim como o tempo de reação. Buscando otimizar a capacidade máxima de
operação do reator piloto, o volume ocupado na etapa de oxidação foi
estabelecido em 75% de sua capacidade e conseqüentemente, de forma a
manter constante as proporções entre os componentes de uma etapa em
relação a outra.
O tempo de reação foi fixado com base nos resultados de rendimento e
também, no tempo de residência mínimo necessário para assegurar a
reprodutibilidade das condições de bancada no reator de maior capacidade.
Esse ajuste tornou-se necessário visto às diferenças existentes entre os dois
sistemas de reação utilizados. Dentre essas, destaca-se: o gradiente de
temperatura e vazão de saída dos produtos da reação, por exemplo.
Mantido o tempo de reação fixo (20 minutos), foram realizadas reações de
enxertia do MMA propriamente dito (segunda etapa da reação), utilizando dois
volumes de MMA distintos, ou seja, 50 mL e 150 mL. Esse último volume foi
proporcionalmente equivalente àquele utilizado no reator de bancada. Essas
amostras MCC modificadas foram referenciadas ao longo do trabalho como
"C 1:6" e "C 1:1", respectivamente. A celulose microcristalina sem tratamento
esta representada por C/. s tratamento.
24
Figura 4.3 – Reator piloto
a) Caracterização do rendimento das reações piloto
O rendimento das reações foi calculado com base no incremento de
massa da celulose microcristalina, seca em estufa com circulação forçada de ar
por 01 hora a 80º C, antes e após cada condição de reação, conforme
procedimento descrito no item 4.2.1.2. Antes dos procedimentos de secagem e
pesagem, a MCC modificada foi submetida à extração soxhlet em acetona por
trinta horas. As pesagens foram realizadas utilizando uma balança Mettler-
Toledo, modelo AB204-S.
4.2.2 Imersão da celulose em metacrilato de metila
Entre um dos possíveis tipos de tratamento de superfície de fibra naturais
destaca-se o molhamento e absorção que consiste na imersão do agente de
reforço natural em um meio orgânico líquido compatível com a matriz
polimérica sob condições de concentração, tempo e temperatura controladas.
Esse tratamento serve para retirar todo o ar e para cobrir todas as reentrâncias,
minimizando falhas nos reforços.
25
Visando avaliar a eficiência desse tratamento em relação ao tratamento
de modificação química por enxertia, neste trabalho foi realizado um tratamento
do tipo molhamento e absorção conforme as diretrizes gerais do procedimento
utilizado por Khan et al. (2005). Dado ao caráter comparativo do estudo foi
utilizado o mesmo tipo de agente de acoplamento, ou seja, MMA.
O método utilizado consistiu em imergir a celulose microcristalina sem
tratamento numa solução de acetona com 5% do monômero de metacrilato de
metila (v/v) e 1% de peróxido de dicumila (m/v). A razão massa de celulose
versus volume de solução foi de aproximadamente 2:3. Esse sistema foi
mantido sob agitação à temperatura ambiente por um período de 20 minutos e
depois, filtrado em peneira de 420 mesh. A eliminação da acetona foi efetuada
secando a celulose microcristalina em estufa com circulação forçada de ar à
50ºC por 16 horas. A celulose microcristalina tratada por este método foi
identificada nesse trabalho como “C. Im”.
4.2.3 Preparação das misturas por extrusão
A formulação básica do PHB foi estabelecida com base no estudo
realizado por El-Hadi et al. (2002). Os componentes e suas respectivas
proporções estão descritos na Tabela 4.2. A partir dessa formulação básica de
PHB foram preparadas outras formulações incorporando celulose
microcristalina sem e com diferentes tipos e condições de tratamento
superficial. Essas respectivas composições estão também apresentadas na
Tabela 4.2. No caso da MCC modificada por enxertia, para cada condição de
tratamento, a mesma antes da etapa de extrusão foi imersa, consecutivamente,
três vezes em acetona pura para remover o excesso de PMMA não enxertado
na superfície da celulose.
26
Tabela 4.2 – Composições de PHB preparados por extrusão.
Componentes
Composições (pcr) (*)
PHBf
PHBf/
20 C
s/trat.
PHBf/
20 C 1:6
PHBf/
10 C 1:1
PHBf/
10 C
1:6
PHBf/
20 C
Im.
PHB 100
Sacarina 0,57
Ácido Esteárico 2,27
Glicerina 10,8
(*) Partes por cem de resina;
PHBf – PHB formulado com agentes plastificantes, lubrificantes e nucleantes;
PHBf/ 20 C s/trat. – PHB formulado com 20 pcr de celulose microcristalina sem
tratamento;
PHBf/ 20 C 1:6 - PHB formulado com 20 pcr de celulose microcristalina modificada por
enxertia na proporção 1:6 (MMA:MCC);
PHBf/ 10 C 1:1 – PHB formulado com 10 pcr de celulose microcristalina modificada
por enxertia proporção 1:1 (MMA:MCC);
PHBf/ 10 C 1:6 – PHB formulado com 10 pcr de celulose microcristalina modificada
por enxertia na proporção 1:6 (MMA:MCC);
PHBf/ 20 C Im. - PHB formulado com 20 pcr de celulose microcristalina imersa em
solução de acetona com MMA e peróxido de dicumila.
Foi utilizada a extrusora Thermo Haake Poly Lab System dupla rosca
do Laboratório de Processamento de Polímeros do Departamento de
Engenharia Metalúrgica e Materiais da Escola Politécnica da Universidade de
São Paulo.
As temperaturas utilizadas nas cinco zonas de aquecimento da extrusora
foram, respectivamente, 160 ºC, 160º C, 160ºC, 165ºC e 170ºC. A velocidade
de rotação da rosca foi fixada em 100 rpm.
27
4.2.4 Moldagem por injeção
A injeção das misturas preparadas por extrusão foi realizada após
secagem das mesmas em estufa com circulação de ar à 50 ºC por 8 horas,
utilizando a mini-injetora Demag Ergo Tech pro 35-115 do Laboratório de
Processamento de Polímeros do Departamento de Engenharia Metalúrgica e
Materiais da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo.
Foram utilizados os seguintes parâmetros:
Pressão de injeção – 60 Bar
Velocidade de injeção – 40 mm/s
Limite de dosagem – 65 cm
3
Perfil de temperatura – Zona 1: 150ºC, Zona 2: 160ºC, Zona 3: 170ºC,
Zona 4: 170ºC, Bico: 175°C e Molde: 40ºC.
4.2.5 Caracterização mecânica e térmica dos compósitos
Os ensaios mecânicos foram realizados no Laboratório de Processos
Químicos e Tecnologia de Partículas do IPT.
4.2.5.1 Ensaio de resistência à tração
O ensaio de resistência à tração foi realizado conforme a norma
ASTM D 638, e o equipamento utilizado foi a Maquina Universal de Ensaios
EMIC (célula de carga de 10 kN) conforme figura a seguir.
Foram ensaiados 07 corpos-de-prova na forma de gravatas do tipo IV
conforme norma ASTM D 638, para cada composição. Estes corpos-de-prova
foram condicionados à temperatura de (23±2)ºC, com umidade relativa do ar de
(50±5)% por 40 horas. A velocidade de separação entre as garras foi de
5 mm/min
Os resultados baseiam-se na média aritmética e desvio padrão de 07
corpos-de-prova de cada composição.
28
Figura 4.4 – Máquina universal de ensaios Emic.
4.2.5.2 Ensaio de deflexão térmica (HDT)
O ensaio de HDT é muito importante porque revela a temperatura na qual
o material cede, sob calor, a uma determinada tensão. Serve como referência
relativa para o processamento de polímeros e as aplicações de polímeros.
O ensaio foi realizado conforme a Norma ASTM D648 (ASTM, 2007a). O
corpo-de-prova imerso em óleo é colocado sobre dois apoios e sobre a parte
central é aplicada uma força fletora. Após a montagem do aparato (Figura 4.6),
o óleo é aquecido e a temperatura é lida no momento em que os corpos-de-
prova deflexionam 0,25 mm.
Essa determinação foi realizada para 3 corpos-de-prova na forma de
barras e a tensão de flexão utilizada foi de 0,455 MPa. A taxa de aquecimento
utilizada foi de (2,0 ± 0,2) ºC/min e a distância entre apoios foi de (100 ± 1) mm.
29
Figura 4.5 - Equipamento de deflexão térmica Wallace
4.2.5.3 Ensaio de resistência ao impacto Izod com entalhe
A resistência ao impacto foi determinada pela Norma ASTM D256 (ASTM,
2006). O objetivo do ensaio de impacto é medir a susceptibilidade relativa de
um corpo-de-prova padrão à carga de impacto de um peso conhecido na
extremidade do pêndulo. Os resultados são expressos em termos de energia
cinética consumida pelo pêndulo para quebrar o corpo-de-prova. A energia
requerida para romper o corpo-de-prova é a soma das energias para deformá-
lo, iniciar sua fratura, propagar a fratura através da secção transversal, e a
energia para alcançar sua ruptura final. A energia perdida através da fricção e
vibração do aparelho deve ser mínima e geralmente desprezada (CALLISTER,
2002).
O equipamento utilizado para a realização deste ensaio foi o aparelho de
impacto analógico Zwick (Figura 13) com pendulo de 2,75 J.
Foram utilizados 10 corpos-de-prova na forma de barras, com dimensões
aproximadas de (61x12x3) mm e com entalhe do tipo A, para cada
composição. Os resultados baseiam-se na média aritmética desses
10 corpos-de-prova.
30
Figura 4.6 – Equipamento de impacto Izod Zwick.
4.2.5.4 Análise térmica por calorimetria exploratória diferencial (DSC)
A análise térmica por calorimetria exploratória diferencial pode ser
definida como uma técnica que mede o fluxo de calor associado às transições
dos materiais em função da temperatura e do tempo. Tais medidas fornecem
informações qualitativas e quantitativas sobre mudanças físicas e químicas que
envolvem processos endotérmicos (absorção de calor), exotérmicos (evolução
de calor) ou mudanças na capacidade calorífica (MOTHÉ; AZEVEDO, 2002).
Ele pode proporcionar informações sobre medidas especificas tais como:
transição vítrea (Tg), temperatura e tempo de cristalização, ponto de fusão
(Tm), calor específico, oxidação, pureza, estabilidade térmica, ponto de
ebulição, grau de velocidade de cura, cinética de reação, entre outros (MOTHÉ;
AZEVEDO, 2002).
As temperaturas de fusão e de transição vítrea são parâmetros
importantes em relação às aplicações dos polímeros porque definem,
respectivamente, os limites de temperatura superior e inferior para numerosas
31
aplicações, especialmente no caso de polímeros semicristalinos (CALLISTER,
2002).
Neste ensaio uma pequena quantidade de material é colocada em
recipiente específico. Em outro é colocado um recipiente igual ao anterior só
que vazio que é chamado de referência. Quando ocorrem mudanças ou
transições na amostra é detectada a energia fornecida a essa amostra, em
relação à referência, e o registrador indica a quantidade de calor tirado ou
fornecido para igualar as temperaturas entre referência e a amostra
(MANRICH, 2005).
Essa análise foi realizada para todas as formulações preparadas e
também, para o PHB puro. Para cada determinação foi utilizado cerca de 10,0
mg, de amostra. Essas analises foram realizadas em um aparelho da Mettler
Toledo DSC 822.
As condições de análise consistiram em: aquecimento, resfriamento e
aquecimento, com taxa de aquecimento e resfriamento de 10 ºC/min, em
atmosfera de nitrogênio (vazão de 50 ml/min), na faixa de -50º a 180ºC. Todas
as amostras sofreram o primeiro aquecimento para apagar a história térmica do
material porque, segundo Callister (2002), o comportamento do processo de
fusão depende do histórico da amostra, em particular, da temperatura em que a
amostra foi cristalizada uma vez que espessura das lamelas com cadeias
dobradas depende da temperatura de cristalização. Os dados sobre o ponto de
fusão foram obtidos durante o segundo ciclo de aquecimento.
Através dos valores de entalpia de fusão (H
f
) calculados a partir das
curvas térmicas, da fração mássica de PHB nas composições (w
PHB
) e
também, do valor teórico da entalpia padrão de fusão (H
f
θ
=140,0 J/g) (ROSA,
D. S.; PENTEADO, D. F.; CALIL M.R; 2000) da matriz de PHB, foi possível
calcular a cristalinidade das composições (X
c
). Os valores foram obtidos
conforme a equação 4.1.
X
c
= a Hf x100 (Equação 4.1)”
H
f
θ
x w
PHB
32
4.2.6 Caracterização morfológica
A análise por microscopia eletrônica de varredura foi realizada utilizando
um microscópio marca Jeol modelo JSM 5200. Para essa análise, os corpos-
de-prova do ensaio foram imersos em nitrogênio líquido, fraturados e
posteriormente metalizados com ouro para análise da superfície de fratura. As
imagens foram obtidas com aumentos variados de 23x a 8000x.
33
5 RESULTADOS E DISCUSSÃO
5.1) Reator de bancada
5.1.1) Caracterização do rendimento das reações em bancada
Nessa etapa preliminar, foram encontradas algumas dificuldades
relacionadas à ausência de informações mais detalhadas na descrição da
metodologia de enxertia do MMA utilizada como referência (Ogiwara et al.,
1971). Dentre elas, destaca-se a omissão da concentração de peróxido de
hidrogênio utilizada durante a etapa de oxidação da celulose. Essa e outras
informações complementares do sistema de reação acabou sendo extraída de
outros trabalhos desse mesmo grupo (Kubota et al., 1987; Kubota e Suzuki,
1995).
Considerando o cálculo do rendimento da reação de enxertia segundo os
mesmos critérios utilizados por Ogiwara et al. (1971), os resultados do ganho
de massa em função do tempo da reação de enxertia estão apresentados na
Figura 5.1. Esses resultados estão superiores aos observados por Ogiwara et
al. (1971), o que pode ser atribuído entre outros fatores, à concentração de
H
2
O
2
utilizada, diferenças na área superficial da fonte celulose e diferenças
intrínsecas à operação do reator, por exemplo. Especificamente, o parâmetro
concentração de H
2
O
2
é considerado importante, pois, de acordo com Kubota
et al. (1987), o rendimento da reação aumenta com o incremento da
concentração de H
2
O
2
até um ponto ótimo, a partir do qual a eficiência da
reação é reduzida.
34
0
10
20
30
40
50
60
70
80
90
100
0 1020304050
Tempo em minutos
Ganho de massa (%)
Figura 5.1 – Gráfico do ganho de massa em função do tempo da reação de
enxertia da celulose microcristalina.
Visando comprovar o resultado de rendimento utilizando um segundo
solvente, o cálculo do ganho de massa foi repetido para a massa da MCC após
20 minutos de reação de enxertia do MMA e extração em tolueno. Esse
resultado está apresentado na Tabela 5.1 comparativamente àquele obtido
para a MCC extraída em acetona e considerando o mesmo tempo de reação.
35
Tabela 5.1 – Dados do rendimento da reação de enxertia do MMA.
Solvente de
extração
Tempo de reação
(min)
Determinação
Ganho de massa
(%)
Acetona
20
1
2
3
41,2
44,6
44,8
Média
Desvio padrão
43,5
2,0
Tolueno
1
2
3
48,9
49,8
49,7
Média
Desvio padrão
49,5
0,5
De acordo com esses resultados, a acetona pode ser considerada um
solvente adequado para a remoção do PMMA homopolímero não enxertado
formado durante a reação de enxertia do MMA na superfície da MCC. Além
disso, é o solvente recomendado pela metodologia de referência e também,
com menor custo e toxicidade que o tolueno, justificando sua escolha para
realização desse trabalho.
5.1.2 Caracterização da MCC após etapa de oxidação
5.1.2.1 Espectrofotometria no infravermelho por transformada de Fourier (FTIR)
Os espectrogramas da MCC sem tratamento e após reação de oxidação
por peróxido de hidrogênio estão apresentados nas Figuras 5.2 e 5.3,
respectivamente.
36
12
14
16
18
20
22
24
26
28
30
32
34
36
38
40
%T
500 1000 1500 2000 2500 3000 3500 4000
Wavenumbers (cm-1)
Figura 5.2 – Espectrograma de FTIR da MCC sem tratamento.
12
14
16
18
20
22
24
26
28
30
32
34
36
38
40
%T
500 1000 1500 2000 2500 3000 3500 4000
Wavenumbers (cm-1)
Figura 5.3 – Espectrograma de FTIR da MCC após reação de oxidação com
peróxido de hidrogênio.
37
A reação de oxidação da celulose com H
2
O
2
é esquematizada abaixo:
Figura 5.4 – Representação das principais reações de oxidação da celulose
(MARGUTTI et al, 2002).
De acordo com esse mecanismo, a reação de oxidação dos grupos
hidroxílicos primários da celulose pode levar a formação de grupos aldeídos
(a), carboxílicos (b) e/ou cetonas (c) na sua estrutura (Figura 5.4). No entanto,
nenhum desses grupos puderam ser evidenciados na análise de FTIR. Esse
aspecto fica mais claro, principalmente, se os espectrogramas da MCC antes e
após a reação de oxidação com H
2
O
2
forem comparados.
Dessa forma, pode-se afirmar que a técnica de FTIR não detectou
diferenças na estrutura química entre esses dois tipos de celulose, indicando
que provavelmente, o tratamento com peróxido não degradou extensivamente
a estrutura da celulose.
Em amostras oxidadas, a identificação do grupo funcional através de
FTIR é complicada, porque os grupos aldeído, cetona e carboxila da celulose
oxidada absorvem de uma forma muito estreita no espectograma na região
entre 1730 e 1780 cm
-1
. Através da oxidação da celulose a fase amorfa pode
apresentar crescimento e a formação de oligômeros pode ser observada após
a oxidação (MARGUTTI et al 2002).
38
5.1.2.2) Difratometria de raios-X (DRX)
A Figura 5.5 apresenta os difratogramas de raios-X da celulose
microcristalina sem tratamento e após reação de oxidação com peróxido de
hidrogênio.
Figura 5.5 – Difratogramas de raios-x da celulose microcristalina antes e após
reação de oxidação com peróxido de hidrogênio.
É possível observar através dos difratogramas apresentados que a
celulose microcristalina sem tratamento e oxidada com peróxido de hidrogênio
não tiveram alterações significativas em sua estrutura cristalina, resultado esse
que corrobora com os obtidos por FTIR. Geralmente, quando a oxidação da
celulose é severa, sua estrutura cristalina é parcialmente destruída, diminuindo
a intensidade dos picos de DRX e tornando-os um pouco mais largos.
---- MCC sem tratamento
---- MCC após reação com H
2
O
2
39
5.1.2.3 Termogravimetria (TGA)
A celulose microcristalina sem tratamento e a tratada com peróxido de
hidrogênio foram analisadas através de termogravimetria. Os termogramas
obtidos seguem abaixo:
Figura 5.6 – Curva termogravimétrica da celulose microcristalina sem
tratamento.
Figura 5.7 – Curva termogravimétrica da celulose microcristalina após reação
de oxidação com peróxido de hidrogênio.
40
Figura 5.8 – Curvas termogravimétricas sobrepostas da MCC sem tratamento
e após reação de oxidação com peróxido de hidrogênio.
Em todas as curvas termogravimétricas apresentadas (Figuras 5.6, 5.7 e
5.8) houve uma pequena perda de massa até 100 ºC que está associada à
perda de substâncias voláteis. A decomposição térmica da celulose
propriamente dita ocorre na faixa entre 330 e 370 ºC, não sendo possível
verificar diferenças significativas entre as amostras. Esses resultados
juntamente com aqueles obtidos anteriormente pelas demais técnicas
analíticas empregadas permitem afirmar que a reação de oxidação da MCC por
peróxido de hidrogênio não comprometeu suas características químicas e
físico-químicas.
5.1.3 Verificação da eficiência de enxertia de MMA na superfície da MCC
O tempo de reação selecionado para realizar a análise de FTIR após a
reação de enxertia do MMA propriamente dito foi 20 minutos. Nas Figuras 5.9 e
5.10 estão apresentados, respectivamente, os espectrogramas do MMA,
purificado por destilação à vácuo, e da MCC após 20 minutos de reação de
enxertia do MMA, extraída em acetona.
---- MCC sem tratamento
---- MCC após oxidação
41
Thu Jan 14 10:17:17 2010 (GMT-02:00)
Thu Jan 14 09:17:16 2010 (GMT-03:00)
L:\Infravermelho\Espectrogramas\2010\Luciana\MMA pos extr L.SPA
89
90
91
92
93
94
95
96
97
98
99
100
%Transmittance
1000 1500 2000 2000 2500 3000 3500 4000
Wavenumbers (cm-1)
Figura 5.9 – Espectrograma de FTIR do MMA purificado.
38
40
42
44
46
48
50
52
54
56
58
60
62
64
66
68
70
72
74
%T
500 1000 1500 2000 2500 3000 3500 4000
Wavenumbers (cm-1)
Figura 5.10 – Espectrograma de FTIR da MCC após 20 minutos de reação de
enxertia do MMA, extraída em acetona.
Em ambos os espectrogramas está presente a banda de absorção em
1720 cm
-1
, correspondente à carbonila do grupo éster do metacrilato de metila.
Como o espectro foi obtido após extração em acetona, solvente do PMMA
homopolímero, esse resultado comprovou que a superfície da celulose
microcristalina foi modificada quimicamente, ou seja, que foi obtido copolímero
42
de poli(metacrilato de metila) com celulose. Essa constatação fica ainda mais
evidente se comparado o espectrograma da Figura 5.10 com aquele da MCC
sem tratamento, Figura 5.2.
A partir dessa constatação prosseguiu-se à próxima etapa do trabalho
que foi reproduzir essas condições de bancada numa escala aproximadamente
33 vezes superior para assim viabilizar a preparação dos biocompósitos por
extrusão.
5.2 Reação de enxertia - Reator piloto
5.2.1 Caracterização do rendimento das reações piloto
Os valores do ganho de massa da MCC após 20 minutos de reação de
enxertia do MMA no reator piloto, considerando dois volumes diferentes de
MMA, estão apresentados na Tabela 5.2.
Tabela 5.2 – Dados do rendimento da reação de enxertia do MMA no reator
piloto.
Volume de MMA
(mL)
Tempo de reação
(min)
Determinação
Ganho de massa
(%)
50
20
1
2
3
15,0
18,8
10,7
Média
Desvio padrão
14,8
4,0
150
1
2
3
51,8
52,2
52,0
Média
Desvio padrão
52,0
0,2
O resultado obtido considerando o maior volume (150 ml) de metacrilato
de metila é similar ao obtido para as condições de bancada, indicando que
houve reprodutibilidade entre os experimentos realizados. Resumidamente,
pode-se afirmar que o ganho de massa da celulose microcristalina após 20
43
minutos de reação nas condições descritas no item 4.2.1.2 foi de
aproximadamente 1:6 (MMA:MCC) e 1:1 (MMA:MCC), considerando-se o
menor e maior volume de metacrilato de metila, respectivamente.
5.3 Caracterização dos compósitos
5.3.1 Ensaio de resistência à tração
Os resultados obtidos no ensaio de resistência à tração para cada uma
das composições constam da Figura 5.11.
P
H
B
f
P
H
B
f
/
2
0
C
.
s
/
t
r
a
t
.
P
H
B
f
/
2
0
C
.
1
:
6
P
H
B
f
/
1
0
C
.
1
:
1
P
H
B
f
/
1
0
C
.
1
:
6
P
H
B
f
/
2
0
C
.
I
m
0
2
4
6
8
10
12
14
16
Tensão (MPa)
Composições
Figura 5.11 – Dados da resistência à tração das diferentes composições.
De uma forma geral, os resultados das composições de PHBf com MCC
possuindo diferentes tipos de tratamento obtiveram um incremento na
resistência à tração em relação à composição de PHBf. Por outro lado, a
composição de PHBf/ 20 C. s/ trat apresentou um decréscimo nessa
propriedade em relação à composição de PHBf. Esses resultados corroboram
para destacar a importância de ter uma etapa de tratamento de superfície para
o agente de reforço de fonte celulósica antes de sua incorporação em matrizes
poliméricas hidrofóbicas.
Entre os diferentes tipos de tratamento de superfície estudados, as
composições que obtiveram os melhores resultados de resistência à tração
44
foram aquelas com celulose modificada quimicamente com metacrilato de
metila na proporção 1:6. Esse resultado corrobora com dados da literatura que
estabelem o limite de compatibilidade do PMMA no PHB para pequenas
proporções de um componente no outro [Lotti et al., 1993].
Quantitativamente, o maior incremento de propriedade foi para a
formulação PHBf/ 20 C. 1:6 e foi da ordem de 55% em relação ao valor de
resistência à tração obtido para a composição PHBf/ 20 C. s/ trat.
Os valores observados no alongamento na ruptura foram muito baixos,
inferiores a 1%, ficando abaixo do limite de leitura do extensômetro utilizado e,
portanto, não foram apresentados.
5.3.2 Ensaio de temperatura de deflexão térmica (HDT)
Na Figura 5.12 estão apresentados os dados da temperatura de
deflexão térmica das diferentes composições estudadas.
P
H
B
f
P
H
B
f
/
2
0
C
.
s
/
t
r
a
t
.
P
H
B
f
/
2
0
C
.
1
:
6
P
H
B
f
/
1
0
C
.
1
:
1
P
H
B
f
/
1
0
C
.
1
:
6
P
H
B
f
/
2
0
C
.
I
m
0
20
40
60
80
100
120
140
Temperatura °C
Composições
Figura 5.12 – Valores da temperatura de deflexão térmica das diferentes
composições.
45
De acordo com os resultados obtidos, a temperatura de deflexão térmica
atingiu valores superiores a 100 ºC apenas para as formulações
PHBf/ 20 C. 1:6 e PHBf/ 20C. Im. As demais formulações apresentaram valores
próximos entre si.
Esses resultados indicam que o tipo de tratamento de superfície, assim
como a concentração do teor de celulose na formulação são parâmetros
importantes para aumentar a temperatura de deflexão térmica do material. O
parâmetro teor de MCC torna-se importante nessa propriedade devido à maior
estabilidade dimensional da MCC em relação à matriz polimérica. Da mesma
forma a dispersão e a interação entre as fases são parametros importantes
para que esse efeito possa ser eficientemente transmitido de uma fase para
outra.
5.3.3 Ensaio de resistência ao impacto Izod com entalhe
A resistência ao impacto Izod das diferentes composições está
apresentada na Figura 5.13.
P
H
B
f
P
H
B
f
/
2
0
C
.
s
/
t
r
a
t
.
P
H
B
f
/
2
0
C
.
1
:
6
P
H
B
f
/
1
0
C
.
1
:
1
P
H
B
f
/
1
0
C
.
1
:
6
P
H
B
f
/
2
0
C
.
I
m
0
2
4
6
8
10
12
J/m
Composições
Figura 5.13 – Valores da resistência ao impacto das diferentes composições
Os resultados de resistência ao impacto de uma forma geral ficaram
semelhantes entre si, principalmente, se considerado os valores de
46
desviopadrão associado a cada determinação. Uma das tendências
observadas nesses resultados está relacionada à diminuição da resistência ao
impacto com o aumento da concentração de MCC. Além de um aumento na
resistência ao impacto das composições de PHBf contendo MCC em relação
àquela do PHBf puro.
Essas tendências se assemelham aos resultados obtidos por Xie et al.
(2009) para nanocompósitos de PHB com sílica. De acordo com esse estudo, o
incremento da concentração do agente de reforço aumenta a tenacidade do
material até um limite de concentração, a partir do qual a probabilidade de
existência de aglomerados maiores predomina e leva à ruptura catastrófica do
material. Daí a redução da tenacidade do material para incrementos na
concentração do agente de reforço acima de um determinado valor
característico do sistema estudado.
Outros parâmetros que contribuem para melhorar a tenacidade de
compósitos é a homogeneidade na distribuição dos tamanhos dos
aglomerados, a qual ajuda a minimizar esse efeito catastrófico
supramencionado e pode ser alcançada por meio da utilização de tratamentos
de superfície. Da mesma forma que uma boa adesão interfacial entre reforço e
matriz também contribui para o aumento da tenacidade do material. No
entanto, dada a similaridade dos valores obtidos não foi possível observar
nenhuma tendência nesse sentido.
5.3.4 Análise térmica por calorimetria exploratória diferencial (DSC)
As curvas térmicas de cada composição e os dados dos eventos
térmicos relacionados ao segundo aquecimento constam das Figuras 5.14 a
5.19.
47
$F2
F2, 8.3000 mg
mW
-10
-8
-6
-4
-2
0
2
4
6
8
°C-40 -30 -20 -10 0 10 20 30 40 50 60 70 80 90 100 110 120 130 140 150 160 170
^exo
S
TAR
e
SW 9.10
Lab: METTLER
Glass Transition
Onset -5.04 °C
Midpoint -3.41 °C
Integral 231.14 mJ
Onset 31.47 °C
Peak Height 8.80 m W
Peak 35.38 °C
Extrapol. Peak 35.51 °C
Endset 37.90 °C
Pea k Width 3. 66 °C
Integral -567.53 mJ
Onset 151.37 °C
Peak Height 8.77 mW
Peak 161.70 °C
Extrapol. Peak 162.22 °C
Endset 165.92 °C
Peak Width 8.33 °C
]5[&F2
F2, 8.3000 mg
mW
-10
-8
-6
-4
-2
0
2
4
6
8
°C-40 -30 -20 -10 0 10 20 30 40 50 60 70 80 90 100 110 120 130 140 150 160 170
^exo PHBf 01.03.2010 09:52:30
S
TAR
e
SW 9.10
Lab: METTLER
Figura 5.14 – Curvas de DSC obtidas para a composição PHBf
$F3
F3, 7.2000 mg
mW
-9
-8
-7
-6
-5
-4
-3
-2
-1
0
1
2
3
4
5
°C-40 -30 -20 -10 0 10 20 30 40 50 60 70 80 90 100 110 120 130 140 150 160 170
^exo
S
TA R
e
SW 9.10
Lab: METTLER
Glass Transition
Onset 48.73 °C
Midpoint 50.13 °C
Integral -408.34 mJ
Onset 155.87 °C
Peak Height 5.89 mW
Peak 164.30 °C
Extrapol. Peak 164.76 °C
Endset 168.49 °C
Peak Width 7.21 °C
]5[&F3
F3, 7.2000 mg
mW
-9
-8
-7
-6
-5
-4
-3
-2
-1
0
1
2
3
4
5
°C-40-30-20-100 102030405060708090100110120130140150160170
^exo PHBf/20 C. s/trat. 01.03.2010 09:44:11
S
TA R
e
SW 9.10
Lab: METTLER
Figura 5.15 - Curvas de DSC obtidas para a composição PHBf/ 20 C. s/trat.
$F4
F4, 8.5000 mg
mW
-12
-10
-8
-6
-4
-2
0
2
4
°C-30 -20 -10 0 10 20 30 40 50 60 70 80 90 100 110 120 130 140 150 160 170
^exo
S
TA R
e
SW 9.10
Lab: METTLER
Integral 102.27 mJ
Onset 30.97 °C
Peak Height 3.45 mW
Peak 35.38 °C
Extrapol. Peak 35.40 °C
Endset 38.20 °C
Peak Width 4.12 °C
Glass Transitio n
Onset -4.84 °C
Midpoint -2.92 °C
Integral -46 5.46 mJ
Onset 159.17 °C
Peak Height 8.6 4 mW
Peak 162.97 °C
Extrapol. Peak 163 .52 °C
Endset 167.85 °C
Peak Width 6.13 °C
]5[&F4
F4, 8.5000 mg
mW
-12
-11
-10
-9
-8
-7
-6
-5
-4
-3
-2
-1
0
1
2
°C-40 -30 -20 -10 0 10 20 30 40 50 60 70 80 90 100 110 120 130 140 150 160 170
^exo PHBf/ 20 C . 4:1 01.03.2010 09:55:09
S
TA R
e
SW 9.10
Lab: METTLER
Figura 5.16 - Curvas de DSC obtidas para a composição PHBf/ 20 C.1:6
48
$F8
F8, 8.9000 mg
mW
-12
-10
-8
-6
-4
-2
0
2
4
6
°C-40 -30 -20 -10 0 10 20 30 40 50 60 70 80 90 100 110 120 130 140 150 160 170
^exo
S
TA R
e
SW 9.10
Lab: METTLER
Integral 237. 35 mJ
Onset 30.86 °C
Peak Height 8. 58 mW
Peak 35. 01 °C
Extrapol. Peak 35.05 °C
Endset 37.53 °C
Peak Width 3.79 °C
Glass Transition
Onset -5.13 °C
Midpoint -3.40 °C
Integral -549.41 mJ
Onset 150.15 °C
Peak Height 7.65 mW
Peak 162.18 °C
Extrapol. Pea k 162.85 °C
Endset 167.24 °C
Peak Width 9.78 °C
]5[&F8
F8, 8.9000 mg
mW
-12
-10
-8
-6
-4
-2
0
2
4
6
°C-40 -30 -20 -10 0 10 20 30 40 50 60 70 80 90 100 110 120 130 140 150 160 170
^exo PHBf/10 C. 1:1 01.03.2010 09:57:16
S
TA R
e
SW 9.10
Lab: METTLER
Figura 5.17 - Curvas de DSC obtidas para a composição PHBf/ 10 C. 1:1
$F9
F9, 8.1000 mg
mW
-10
-8
-6
-4
-2
0
2
4
6
°C-40 -30 -20 -10 0 10 20 30 40 50 60 70 80 90 100 110 120 130 140 150 160 170
^exo
S
TA R
e
SW 9.10
Lab: METTLER
Integral 220.63 mJ
Onset 30.27 °C
Peak Height 8.33 mW
Peak 34.01 °C
Extrapol. Peak 34.16 °C
Endset 36.60 °C
Peak Width 3.58 °C
Glass Transition
Onset -5.09 °C
Midpoint -3.43 °C
Integral -510.37 mJ
Onset 149.91 °C
Peak Height 7.21 mW
Peak 161.38 °C
Extrapol. Peak 161.97 °C
Endset 166.46 °C
Peak Width 9.53 °C
]5[&F9
F9, 8.1000 mg
mW
-10
-8
-6
-4
-2
0
2
4
6
°C-40 -30 -20 -10 0 10 20 30 40 50 60 70 80 90 100 110 120 130 140 150 160 170
^exo PHBf/ 10 C . 1:1 01.03.2010 09:59:09
S
TA R
e
SW 9.10
Lab: METTLER
Figura 5.18 - Curvas de DSC obtidas para a composição PHBf/ 10 C. 1:6
$F6
F6, 7.0000 mg
mW
-9
-8
-7
-6
-5
-4
-3
-2
-1
0
1
2
3
°C-40 -30 -20 -10 0 10 20 30 40 50 60 70 80 90 100 110 120 130 140 150 160 170
^exo
S
TA R
e
SW 9.10
Lab: METTLER
Integral 94.71 m J
Onset 30.37 °C
Peak Height 3.40 mW
Peak 34.39 °C
Extrapol. Peak 34.56 °C
Endset 37.20 °C
Peak Width 3.89 °C
Glass Transition
Onset -5.22 °C
Midpoint -3.21 °C
Integral -428.77 mJ
Onset 150.55 °C
Peak Height 5.72 mW
Peak 161.98 °C
Extrapol. Peak 162.45 °C
Endset 167.17 °C
Peak Width 9.51 °C
]5[&F6
F6, 7.0000 mg
mW
-9
-8
-7
-6
-5
-4
-3
-2
-1
0
1
2
3
°C-40-30-20-100 102030405060708090100110120130140150160170
^exo PHBf/ 20 C. Im. 01.03.2010 10:00:55
S
TA R
e
SW 9.10
Lab: METTLER
Figura 5.19 - Curvas de DSC obtidas para a composição PHBf/ 20 C. Im.
49
Tabela 5.3 – Resultados do DSC das amostras (segundo aquecimento)
Composição H
f
(ºC) Xc (%) Tm (ºC) Tg (ºC)
Cristalização
a frio (ºC)
PHBf
567 55,4 161,7 5,04 35,38
PHBf/ 20 C s/trat.
408 54,1 164,3 * *
PHBf/ 20 C 1:6
465 52,2 162,97 4,84 35,38
PHBf/ 10 C 1:1
549 54,5 162,18 5,13 35,01
PHBf/ 10 C 1:6
510 55,6 161,38 5,09 34,01
PHBf/ 20 C Im.
428 58,4 161,98 5,22 34,38
* Para essa composição não foi possível calcular o valor da Tg e a mesma não
apresentou o fenômeno de cristalização a frio.
As curvas térmicas apresentadas são típicas do PHB formulado, ou seja,
apresentam temperatura de transição vítrea em torno de 5 ºC, temperatura de
fusão cristalina na faixa entre 161 a 164 ºC e o fenômeno exotérmico de
cristalização a frio. Esse fenômeno indica que acima da Tg a fase amorfa do
PHB tende a cristalizar num padrão retardado, em geral, devido à presença de
um segundo componente.
De uma forma geral, não foi possível verificar diferenças significativas no
comportamento térmico entre as diferentes composições, exceto para a
formulação PHBf/ 20 C s/trat. que teve o ponto de fusão deslocado para
temperaturas maiores, apresentou duas endotermas de fusão e teve ainda o
efeito de cristalização a frio durante o aquecimento praticamente suprimido.
Esses resultados de certa forma indicam que a taxa de cristalização dessa
composição ocorreu de forma relativamente mais rápida que nas outras
formulações. Esse comportamento pode estar associado a algum efeito
nucleante da MCC, nesta concentração na matriz de PHB. Por outro lado, na
presença de interferentes associados à etapa de tratamento de superfície da
MCC, esse comportamento não foi reproduzido. No entanto, para entender
melhor esse comportamento, investigações mais sistemáticas seriam
necessárias.
5.3.5 Caracterização morfológica
As micrografias da celulose microcristalina sem tratamento e da MCC
com MMA enxertado na superfície na proporção de 1:6, bem como de todas as
50
composições preparadas neste trabalho estão apresentadas nas Figuras 5.20 à
5.26.
Diferenças no aspecto visual, dimensional e estrutural entre a celulose
microcristalina antes e após reação de enxertia não foram possíveis de serem
observadas, conforme pode ser constatado na imagem da Figura 5.20, mesmo
considerando a MCC com maior proporção de PMMA enxertado em sua
superfície.
Na Figura 5.21 está apresentada a micrografia da composição PHBf e,
especificamente, na imagem obtida com aumento de 1000 vezes
(Figura 5.20 b) pode-se observar poros que são característicos da matriz de
PHB.
51
(a)
(b)
Figura 5.20 – Micrografia da celulose microcristalina sem tratamento e da MCC
com MMA enxertado na superfície na proporção de 1:6.
52
(a)
(b)
Figura 5.21 – Micrografias da composição PHBf em diferentes aumentos.
53
(a)
(b)
Figura 5.22 – Micrografias da composição PHB/ 20 C. s/trat. com aumentos
variados.
54
(c)
Figura 5.22 – Micrografias da composição PHB/ 20 C. s/trat. com aumentos
variados (continuação).
(a)
Figura 5.23 – Micrografias da composição PHBf/ 20 C.1:6 com aumentos
variados
55
(b)
(c)
Figura 5.23 – Micrografias da composição PHBf/ 20 C.1:6 com aumentos
variados (continuação).
56
(a)
(b)
Figura 5.24 – Micrografias da composição PHBf/ 10 C. 1:1, com aumentos
variados.
57
(c)
Figura 5.24 – Micrografias da composição PHBf/ 10 C. 1:1, com aumentos
variados (continuação).
(a)
Figura 5.25 – Micrografias da composição PHBf/ 10 C. 1:6, com aumentos
variados.
58
(b)
(c)
Figura 5.25 – Micrografias da composição PHBf/ 10 C. 1:6, com aumentos
variados (continuação).
59
(a)
(b)
Figura 5.26 – Micrografias da composição PHBf/ 20 C. Im, com aumentos
variados.
60
(c)
Figura 5.26 – Micrografias da composição PHBf/ 20 C. Im, com aumentos
variados (continuação).
Em todas as figuras apresentadas, sobretudo aquelas com o aumento de
3000 vezes (item c das Figuras 5.22 a 5.26) é possível observar o
desacoplamento da celulose microcristalina da matriz de PHB.
Especificamente, no caso das Figuras 5.23 e 5.25, composições PHBf/ 10 C.
1:1 e PHBf/ 20 C. Im, respectivamente, o desacoplamento da fibra na matriz
polimérica é nítido e permite visualizar com destaque as fibras de MCC.
Por outro lado, de uma forma geral, é possível verificar que houve uma
melhoria na dispersão da celulose modificada na matriz de PHB em relação à
celulose sem tratamento. No entanto, a eficiência dessa dispersão é notória
apenas para a formulação com 20 % de celulose modificada quimicamente
com metacrilato de metila na proporção 1:6.
Esses resultados concordam com aqueles observados nos ensaios
mecânicos, principalmente, no ensaio de resistência à tração, já que conforme
mencionado anteriormente a dispersão e a interface fibra-matriz são fatores de
suma importância no desempenho mecânico de compósitos poliméricos.
61
6 CONCLUSÕES
A condição de oxidação por peróxido de hidrogênio selecionada para
realização desse trabalho foi amena, isto é, não causou alterações
significativas na estrutura química e cristalina da MCC e nem na sua
estabilidade térmica.
Entre os tratamentos superficiais estudados nesse trabalho, todos de
uma forma geral permitiram uma melhoria na dispersão da MCC na matriz
polimérica e melhoraram as propriedades mecânicas da composição PHBf.
Assim independentemente do tratamento de superfície com MMA ter sido
químico ou físico, a incorporação dessa etapa na preparação do compósito se
mostrou importante para o seu desempenho final.
O tratamento superficial que obteve melhores resultados foi aquele
referente à celulose microcristalina modificada quimicamente com metacrilato
de metila na proporção 1:6 (MMA:MCC).
Algumas propriedades como resistência ao impacto e temperatura de
deflexão térmica também mostraram-se dependentes, além do tipo de
tratamento superficial utilizado, da concentração de MMC no biocompósito.
Entre as composições de biocompósito de PHB desenvolvidas nesse
trabalho foi possível constatar incrementos de resistência mecânica da ordem
de até 55% em relação à formulação sem tratamento superficial.
.
62
7. SUGESTÕES DE CONTINUIDADE
Estudar a cinética de cristalização do PHB puro em relação ao PHB com
MCC.
Avaliar o efeito da redução do rendimento da reação de enxertia do
MMA na superfície da MCC nas propriedades do biocompósito.
63
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67
APÊNDICE A
Distribuição granulométrica
Análise granulométrica
A distribuição granulométrica da celulose microcristalina foi analisada em
aparelho Malvern Mastersizer/E, o qual opera pelo princípio de difração de
raios laser. Neste tipo de equipamento, o diâmetro médio (d
(4,3)
) é o equivalente
àquele de uma esfera que possui a mesma área projetada que a partícula. E a
dispersão de tamanho de partícula (Span) é definida como (Equação 4.1):
Span = d
[v, 0,9]
- d
[v, 0,1]
/ d
[v, 0,5]
Equação A
Onde d
(v,0,1)
, d
(v,0,5)
e d
(v,0,9)
representam os diâmetros acumulados de 10, 50 e
90 % das partículas, respectivamente.
Resultado
A curva de distribuição granulométrica de partículas está apresentada na
Figura A. Conforme verificado através de três determinações, o tamanho médio
de partícula da MCC é de 67 μm.
68
FIGURA A. Análise granulométrica da celulose microcristalina.
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