3. REVISÃO DE LITERATURA
3.1. Características da espécie
A espécie Lithobates catesbeianus (SHAW, 1802) (previamente Rana catesbeiana) pertence à
classe dos anfíbios, ordem Anura e família Ranidae, com distribuição geográfica que se estende do
Canadá, Estados Unidos até o México, embora tenha sido disseminada para outras regiões do globo,
incluindo Europa e América do Sul (FLORES-NAVA, 2000). No Brasil, é a única espécie de rã utilizada
em produção comercial.
A alta exigência protéica de Lithobates catesbeianus (SHAW, 1802) leva
ao hábito alimentar carnívoro dessa espécie da fase pós-metamórfica à fase
adulta, incluindo insetos, pequenos mamíferos, peixes, répteis e, também,
outros anfíbios (REEDER, 1964). Em cativeiro, essa rã pode receber
treinamento e consumir alimentos artificiais (ração). A grande aceitação pelo
consumidor e os bons preços no mercado atenuam os custos de produção e
justificam a criação comercial da espécie.
A rã-touro é um animal ectotérmico com a temperatura corporal variando
de acordo com a do ambiente. A sua reprodução é um fenômeno cíclico e a
prole, geralmente, é produzida na época do ano mais propícia a sobrevivência.
Os acontecimentos fisiológicos endógenos, que regulam a atividade funcional
gonadal, são sincronizados por fatores ambientais como fotoperíodo,
temperatura e umidade relativa do ar para garantir o sucesso reprodutivo
(LOFTS, 1974).
A rã-touro é um animal prolífico e precoce e está apta a reprodução aos sete meses de idade,
quando têm entre 150 e 200 g e podem gerar de 3.000 a 5.000 ovócitos segundo Lima e Agostinho
(1988). Após dois anos, a produção de ovócitos pode aumentar e atingir valores superiores a 24.000 ovos
(RIBEIRO FILHO, 1994). As rãs-touro atingem a maturidade sexual um ano após completarem a
metamorfose em habitat natural, o que as torna reprodutivamente dependentes do ambiente em que se
encontram (DUELLMAN e TRUEB, 1994). No entanto, rãs em cativeiro atingiram a maturidade sexual
de quatro a seis meses após a metamorfose (AGOSTINHO, 1995). Em trabaho realizado por Ferreira et
al. (2002) observa-se que, em condições tropicai, a postura dessa rã variou de 5.000 a 20.000 ovos, com
valores semelhantes à observada por Lima e Agostinho (1988). O tamanho das fêmeas a primeira
maturação foi de 10,33cm, com peso vivo de 109,78g e para os machos o valor foi de 8,09 cm e 45g,
confirmando a precocidade destes em relação às fêmeas. A maturidade é atingida quando os machos
alcançam 254 g e as fêmeas 209 g (COSTA, 1992).
A rã-touro tem comportamento reprodutivo como à maioria dos anuros: são animais
territorialistas e os machos defendem a área escolhida em corpos permanentes de água. A reprodução, nos
trópicos, acontece frequentemente na primavera e no verão, quando os machos vocalizam para atrair a
fêmea, que tem como característica principal de corte, a natação e movimento lentos ao aproximarem dos
machos. A estação reprodutiva pode durar todo o ano desde que as condições ambientais sejam
manipuladas para isto. Os machos, ao permitirem a chegada da fêmea, realizam o amplexo axilar que
pode durar horas até a liberação total dos ovócitos e do esperma. Referente ao desenvolvimento
ontogênico, os ovos expostos a temperaturas acima de 27,7°C desenvolvem de maneira anormal e com
menor eclodibilidade. Assim, essa espécie concentra as desovas nos períodos mais quentes do ano e as
posturas são realizadas em corpos d’água com temperaturas amenas (TYNING, 1990; POUGH, 2003).