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Dissertação de Mestrado
Caracterização Morfológica dos Pseudocistos de
Tritrichomonas foetus
ANTONIO PEREIRA DAS NEVES NETO
UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO
CENTRO DE CIÊNCIAS DA SAÚDE
PROGRAMA DE CIÊNCIAS MORFOLÓGICAS
RIO DE JANEIRO
2009
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Antonio Pereira das Neves Neto
Caracterização morfológica dos pseudocistos de Tritrichomonas foetus.
Tese: Mestrado em ciências morfológicas
Universidade Federal do Rio de Janeiro, IB, CCS, Programa de Pós-Graduação
em Ciências Morfológicas.
Rio de Janeiro, 2009
xv, 142f.: il
Orientador: Marlene Benchimol
1. Tritrichomonas foetus. 2. Pseudocistos. 3. Mitose. 4. Endocitose. 5. Interação
parasito-célula hospedeira.
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CARACTERIZAÇÃO MORFOLÓGICA DOS PSEUDOCISTOS DE
Tritrichomonas foetus
ANTONIO PEREIRA DAS NEVES NETO
RIO DE JANEIRO
2009
Dissertação apresentada ao Programa
de Ciências Morfológicas – UFRJ
como parte das exigências para a
obtenção do grau de Mestre em
Biologia Celular
Orientador: Dra. Marlene Benchimol
CARACTERIZAÇÃO MORFOLÓGICA DOS PSEUDOCISTOS DE Tritrichomona
s
foetus
ANTONIO PEREIRA DAS NEVES NETO
Dissertação submetida ao corpo docente do Programa de Pós-Graduação em
Ciências Morfológicas – PCM, Instituto de Ciências Biomédicas – ICB, Universidade
Federal do Rio de Janeiro – UFRJ, como parte dos requisitos necessários à obtenção
do grau de Mestre.
Aprovada por:
_
___________________________________________________________________
_
Prof. Silvana Allodi
Programa de Ciências Morfológicas – UFRJ
_
_______________________
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____________________________________________
Prof. Marcia Attias
Instituto de Biosica – UFRJ
_
___________________________________________________________________
_
Prof. Maria Cristina Machado Motta
Instituto de Biosica – UFRJ
_
___________________________________________________________________
_
Prof. Helene Santos Barbosa (Revisora)
Fundação Oswaldo Cruz – FIOCRUZ
_____________________________________________________________________
Prof. Ana Maria Blanco Martinez (Suplente)
Programa de Ciências Morfológicas – UFRJ
_
___________________________________________________________________
_
Prof. Marlene Benchimol (Orientadora)
Programa de Ciências Morfológicas - UFRJ
Rio de Janeiro
2009
Esta dissertação foi desenvolvida no Laboratório de Ultra-estrutura Celular da
Universidade Santa Úrsula, sob a orientação da Dra. Marlene Benchimol, com o apoio
financeiro do CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico),
PRONEX (Programa de Núcleo de Excelência), FAPERJ (Fundação Carlos Chagas
Filho de Amparo a Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro), CAPES (Coordenação de
A
perfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior) e AUSU (Associação Universitária
Santa Úrsula).
iv
Este trabalho é dedicado:
A
os meus pais Maria Zélia Baptista das Neves
e Antonio Pereira das Neves Filho por terem
me dado a oportunidade de estudar mesmo
com todas as dificuldades enfrentadas.
A Deus, pela benção de viver.
v
AGRADECIMENTOS
Aos familiares:
Meus agradecimentos a minha família chegam a ser redundantes, já que ela é o pila
r
em que sustento toda minha vida.
A
os meus pais Maria Zélia e Antonio Pereira pelo amor, carinho, mimo, dedicão e
paciência dados a mim. No mundo não há melhores pais. Eu não seria ninguém sem
vocês dois. Amo vocês.
A
s minhas irmãs Teresa e Rosangela. Vocês são muito mais do que irmãs, são mães.
Obrigado por me mimarem, por fazerem as minhas vontades e por terem sempre
incentivado e apoiado os meus estudos.
A
os meus sobrinhos Gabriel, Caroline e Anna por me lembrarem que dentro de nós há
sempre uma criança.
A
o meu cunhado Washington por ter me dado apoio num momento em que eu
precisei.
Aos colaboradores:
Ao Professor Renato Cruz (in memoriam) pelos seus valiosos ensinamentos sobre
microscopia eletrônica. A microscopia no Brasil teve uma enorme perda.
A
Karla Ribeiro (Karlinha), Rívea Cristina, Francisco Gomes (Chico) e Elivaldo Lima
(Eli) pelos preciosos ensinamentos sobre as mais diferentes técnicas e aparelhos.
Obrigado pelo carinho e a amizade. O laboratório nunca mais foi o mesmo sem vocês.
À
s Professoras Márcia Attias, Cristina Motta, Silvana Allodi e Ana Martinez por terem
aceito o convite para fazer parte da banca examinadora.
Aos Amigos:
A
Ivone Rosa. Minha irmã, amiguinha e companheira do mestrado. Obrigado pela
amizade, carinho e momentos divertidíssimos. Nossa amizade deixa todo mundo do
laboratório com ciúme, mas você sabe que eu nem ligo (e eu aperto mesmo).
A Gladys Côrrea pela sua doçura, amizade e carinho. Sei que você será muito feliz.
vi
A
o Victor Midlej. Peraí! Na verdade é você que tem que me agradecer, mas tudo bem.
Obrigado pela amizade, os momentos super divertidos e por me deixar implicar com
você. Saiba que mesmo não querendo você é amiguinho SIM!
A Fernanda Reinol (Fê). Obrigado pela amizade, carinho, momentos divertidos e o
apoio técnico. Gosto muito de você, mesmo com nossas opiniões (às vezes)
divergentes.
A
o Ricardo Vilela (Hai) por me mostrar como as pessoas melhoram depois que
comamos a gostar delas. Obrigado pelos momentos de descontração, amizade e
pela ajuda com as células MDCK.
A
Débora Rocha (pequenininha) por ser a irmã mais nova que eu nunca tive (e que
nunca terei, diga-se de passagem!). Obrigado pelo seu jeito meigo e carinhoso.
Às novinhas Lilian (do contra) e Isadora (cabelo) por serem irritadas por mim
facilmente. Gosto muito de vocês.
A
o Alexandre Fabre. Apesar de todos os problemas, obrigado pela paciência e carinho
que teve comigo.
vii
AGRADECIMENTOS ESPECIAIS
Palavras são insuficientes para expressar os meus agradecimentos a minha
orientadora Professora Marlene Benchimol. Sem a senhora este trabalho não existiria.
Obrigado por ter me aceito e confiado em mim quando eu era apenas um pirralho de
16 anos (Nossa! Quanto tempo!). Obrigado por ser a minha mãe científica (espero que
a minha mãe não fique com ciúmes). Sua confiança, orientação e competência
contribuem para o meu crescimento profissional, intelectual e pessoal. Toda minha
admiração por seu brilhantismo acadêmico se torna secundária quando contemplo seu
lado humanista e sua obstinação. Orientadora é uma palavra ideal para defini-la. É sob
sua tutela que guio meus passos. Muito obrigado! Por tudo!
A
gradeço à professora Adriana Cataldi. Anjo que apareceu na minha vida. Sem você,
dificilmente eu estaria no laboratório da Professora Marlene Benchimol.
A
gradeço à Professora Helene Barbosa pela atenção e carinho dados a mim durante a
revisão deste trabalho. A atitude e a competência da senhora estão marcadas em mim
para sempre. Muito obrigado!
Agradeço ao Claudio Padua, meu companheiro e amigo. Anjo enviado por Deus para
me mostrar a felicidade. Obrigado por existir e por ser parte essencial da minha vida.
(Fui bailar no meu batel - Além do mar cruel - E o mar bramindo - Diz que eu fui rouba
r
- A luz sem par - Do teu olhar tão lindo).
viii
“O homem está sempre disposto a
negar aquilo que não compreende.”
(Luigi Pirandello)
ix
ÍNDICE
DEDICATÓRIA iv
AGRADECIMENTOS v
EPÍGRAFO viii
ÍNDICE ix
PUBLICAÇÕES xii
RESUMO xiii
ABSTRACT xiv
ABREVIATURAS xv
1 - INTRODUÇÃO 1
1.1. Classificação 1
1.2. A Biologia de T. foetus 2
1.3. Epidemiologia e Importância Econômica e Veteriria 4
1.4. Interação Parasito-Hospedeiro 6
1.5. Morfologia dos Parasitos Piriformes 8
1.5.1. Superfície Celular 8
1.5.2. Hidrogenossomos 9
1.5.3. Reculo Endoplasmático 10
1.5.4. Complexo de Golgi e Filamentos Parabasais 11
1.5.5. Vesículas e Lisossomos 12
1.5.6. Citoesqueleto 12
1.5.6.1. Flagelos 14
1.5.6.2. Complexo Pelta-Axostilar 15
1.5.6.3. Costa 16
1.5.6.4. Centrossomos e Fuso Mitótico 17
1.5.7. Núcleo e Divio 17
1.6. Pseudocistos em Tricomonadídeos 20
1.6.1. Histórico 22
1.6.2. Pseudocistos em T. foetus 25
1.7. Objetivos 27
1.7.1. Geral 27
1.7.2. Específicos 27
2 - MATERIAIS E MÉTODOS 28
2.1. Cultivo in vitro de Tritrichomonas foetus 28
2.2. Análise das Culturas Axênicas 28
x
2.3.Testes de Indução e Reversibilidade de Pseudocistos 29
2.4. Videomicroscopia 30
2.5. Microscopia Óptica de Fluorescência 30
2.5.1. Marcadores Nucleares 30
2.5.1.1. DAPI 30
2.5.1.2. Hoechst 33342 e Iodeto de propídeo 31
2.5.2. Imunofluorescência 31
2.6. Microscopia Eletrônica 32
2.6.1. Microscopia Eletrônica de Varredura 32
2.6.2. Microscopia Eletrônica de Transmissão 33
2.7. Ensaios de Endocitose
2.7.1. Traçadores Fluorescentes 34
2.7.1.1. Lucifer Yellow e FITC-BSA 34
2.7.1.2. Micro-Esferas de Poliestireno Fluorescentes 34
2.7.2. Traçadores Não-Fluorescentes 35
2.7.2.1. Micro-Esferas de Poliestireno 35
2.7.2.2. Lactobacilos e Escherichia coli 35
2.7.3. Ensaios de Inibição 36
2.7.4. Fosfatase Ácida 36
2.7.5. Quantificação da Endocitose 37
2.7.5.1. Capacidade de Adesão 37
2.7.5.2. Habilidade Endocítica 37
2.7.5.3. Quantificação de Fluorescência 37
2.7.5.4. Análise Morfométrica 38
2.8. Ensaios de Interação Parasita/Célula-Hospedéira e Citotoxicidade 38
3 – RESULTADOS 40
3.1. Análise das Culturas Axênicas 40
3.2. Indução dos Pseudocistos 40
3.3. Reversibilidade dos Pseudocistos 41
3.4. Mitose dos Pseudocistos 47
3.5. Formação dos Pseudocistos Multinucleados 55
3.6. Atividade Endocítica dos Pseudocistos 62
3.7. Interação com Células Epitelias: Pseudocistos são
mais citotóxicos 70
xi
4 - DISCUSSÃO 76
4.1. Formação dos Pseudocistos 76
4.2. Comparação Morfológica entre a Mitose dos Parasitos
Piriformes e dos Pseudocistos 77
4.3. Pseudocistos Multinucleados 79
4.4. Comparação Morfológica entre a Mitose dos Pseudocistos
de T. foetus e de Outros Parabasalídeos 81
4.5. Os Microtúbulos do Fuso de T. foetus são Resistentes ao Frio 84
4.6. Endocitose pelos Pseudocistos 85
4.7. Tricomonadídeos são Capazes de Endocitar Durante a Mitose 87
4.8. Efeitos Citotóxicos Exercidos pelos Pseudocistos 87
4.9. Conclusões 90
5 - REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 91
6 - ANEXO 104
xii
Parte dos resultados desta dissertação encontra-se no seguinte trabalho
aceito para publicação na revista Protist (vide Anexo):
PEREIRA-NEVES, A., BENCHIMOL, M. Tritrichomonas foetus: budding from
multinucleated pseudocysts.
Outra parte dos resultados desta dissertação encontra-se nos trabalho
abaixo submetido para publicão:
PEREIRA-NEVES, A., BENCHIMOL, M. Endocytic activity and cytopathic effects
exerted by Tritrichomonas foetus pseudocysts.
Durante o desenvolvimento desta dissertação, participei também dos
seguintes trabalhos:
PEREIRA-NEVES, A., BENCHIMOL, M. (2008) Trichomonas vaginalis: in vitro survival
in swimming pool water samples. Exp. Parasitol., 118: 438-441.
VANCINI, R.G., PEREIRA-NEVES, A., BOROJEVIC, R., BENCHIMOL, M. (2008)
Trichomonas vaginalis harboring Mycoplasma hominis increases cytopathogenicity in
vitro. Eur. J. Clin. Microbiol. Infect. Dis., 27: 259-267.
xiii
RESUMO
Tritrichomonas foetus é um protozoário parasita flagelado causador da tricomonose
bovina, a principal doença sexualmente transmissível em gado. Este parasito possui
um ciclo de vida simples, apresentando somente a forma de trofozoíto, que se
caracteriza pela morfologia piriforme. Sob condições ambientais desfavoráveis, os
trofozoítos de T. foetus assumem uma forma arredondada e internalizam os seus
flagelos formando os pseudocistos. Por muito tempo, os pseudocistos foram
considerados uma forma degenerativa. Atualmente, acredita-se que os pseudocistos
sejam reversíveis e que sua formação represente um mecanismo de defesa frente às
condições ambientais desfavoráveis. Existem inúmeras questões importantes sobre a
biologia dos pseudocistos que ainda precisam ser elucidadas, tais como: (1) eles são
capazes de realizar mitose? (2) os pseudocistos possuem atividade endocítica? (3) os
pseudocistos são capazes de exercer efeitos citotóxicos sobre as células-alvo? No
presente estudo, para analisar e comparar o comportamento dos pseudocistos com os
parasitos piriformes foram utilizadas técnicas de imunofluorescência, videomicroscopia
microscopia eletrônica de varredura e transmissão, ensaios de citotoxicidade pelo
método de coloração com cristal violeta, dentre outras. Ambas as formas de T. foetus
foram submetidas a ensaios de endocitose com diferentes traçadores, tais como,
Lucifer yellow, FITC-BSA e partículas de poliestireno. Adicionalmente, ensaios de
interação foram realizados utilizando ambas as formas de T. foetus e células MDCK
(uma linhagem de célula epitelial de rim de cachorro). Os resultados mostraram que os
pseudocistos realizavam sucessivas divisões mitóticas sem a ocorrência da citocinese,
formando células multinucleadas. Sob condições ambientais favoráveis, os
pseudocistos multinucleados externalizaram os seus flagelos e, em seguida, cada
indiduo piriforme foi gradualmente se individualizando e se desprendendo po
r
completo da célula multinucleada. Análises morfológicas e quantitativas quanto a
capacidade endocítica de cada forma revelaram que os pseudocistos ingeriram mais
traçadores endocíticos do que os trofoztos. Além disso, os pseudocistos provocaram
mais danos à monocamada de células MDCK do que os trofozoítos. Assim, as
conclusões obtidas foram que os pseudocistos: (1) se dividem por um processo
distinto da mitose realizada pelos organismos piriformes; (2) são capazes de endocita
e possuem uma atividade endocítica maior do que os parasitos piriformes; (3)
constituem uma forma mais citotóxica do que os organismos piriformes. O presente
estudo contribui, portanto, para uma melhor compreensão dos pseudocistos no
contexto da biologia dos tricomonadídeos.
xiv
A
BSTRACT
Tritrichomonas foetus is a flagellated protozoan parasite that causes bovine
trichomoniasis, a major sexually transmitted disease in cattle. This parasite presents a
simple life cycle, exhibiting only the trophozoitic form, which is characterized by a pear-
shaped body. Under unfavorable environmental conditions, the T. foetus trophozoites
can round up and internalize their flagella forming pseudocysts. For many years,
pseudocysts were considered to be a degenerated form. Currently, it is believed tha
t
this form is reversible and that its formation represents a defense mechanism to
unfavorable environmental conditions. There are still several open questions
concerning pseudocysts´ biology, such as: (1) is this form capable to divide? (2) are
pseudocysts able to endocytose? (3) Does pseudocyst exert cytotoxic effects on host
cells? In the present work, complementary techniques, such as, immunofluorescence,
videomicroscopy, scanning and transmission electron microscopy and cytotoxicity
assays by crystal violet staining method were performed in order to study and compare
the behavior of pseudocysts with the pear-shaped organisms. Both T. foetus forms
were submitted to endocytic assays using several markers, such as, Lucifer yellow,
FITC-BSA and polystyrene microspheres. In addition, interaction trials of both parasite
forms with MDCK (an epithelial kidney canine cell) were carried out. The results
showed that cytokinesis is arrested during pseudocyst mitosis while the nucleus
proceeds with sequential karyokineses forming multinucleated cells. Under favorable
environmental conditions, the multinucleated pseudocysts externalized the flagella and
then pear-shaped organisms were gradually separated from these multinucleated cells.
Morphological and quantitative analyses revealed that pseudocysts were able to ingest
different endocytic tracers in a higher ratio than the pear-shaped parasites. Moreover,
pseudocysts provoked greater injury on MDCK monolayers than the pear-shaped. The
conclusions were that pseudocysts: (1) are capable to divide with characteristics
different from those found in the pear-shaped parasites; (2) are able to endocytose and
demonstrated higher endocytic ability when compared to the pear- shaped organisms;
(3) are more cytotoxic when compared to pear-shaped parasites. Thus, the present
study contributes to a better understanding of the trichomonad pseudocysts’ biology.
xv
ABREVIATURAS
- ATP Trifosfato de adenosina
- BSA Albumina sérica bovina
- CCD Dispositivo de carga acoplado
- CO
2
Dióxido de carbono
- CP-30 Cisteíno-protease de 30 kDa
- DAPI 4’, 6-diamidino-2-fenilindol
- DIC Contraste interferencial diferencial
- DMEM
Dubelcco’s Modified Eagle Medium
- DNA
- FITC
Ácido desoxirribonucléico
Isotiocianato de fluoresceína
- Hoechst 33342 2’-(4-etoxifenil)-5-(4-metil-1-piperazinil)-2, 5’-bi-1H-benzimidazol
- MDCK
Madin-Darby Canine Kidney
- mRNA Ácido ribonucléico mensageiro
- NADH Nicotinamida adenina dinucleotídeo
- PBS Tampão fosfato de sódio salino
- PCR Reação de polimerase em cadeia
- SDS Dodecil sulfato de sódio
- SB Soro bovino
- TYM
Tryptcase - Yeast extract - Maltose
1
1. INTRODUÇÃO
1.1 C
LASSIFICAÇÃO
Tritrichomonas foetus (Riedmüller, 1928) é um protozoário parasita
pertencente ao Filo Parabasala e à Família Trichomonadidea. Os tricomonadídeos são
organismos que se caracterizam pela presença de quatro a seis flagelos (um sempre
recorrente), de um aparato parabasal (complexo de Golgi com filamentos parabasais
associados) e do complexo pelta/axóstilo (sistema de microtúbulos). Além disso, estes
protozoários são amitocondriais (parte do metabolismo energético provém de
organelas chamadas hidrogenossomos), não apresentam peroxissomos e possuem
ribossomo 70S (Champney et al., 1992). Dentre os representantes desta família
encontram-se os patógenos Trichomonas vaginalis (Donné, 1836), parasito do trato
urogenital humano, Tetratrichomonas gallinarum (Martin & Robertson, 1911), parasito
da cavidade bucal e do ceco de aves, Tritrichomonas muris (Grassé, 1926), parasito
do trato intestinal de roedores, e o próprio T. foetus, parasito do trato urogenital bovino
e do trato intestinal de felinos.
Apesar de ainda não estar claro o grau de parentesco entre as diversas
espécies de tricomonadeos, estudos moleculares de filogenia indicam que esses
organismos encontram-se entre os mais primitivos eucariotos (Fig. 1).
A classificação atual deT. foetus foi proposta por Hampl et al. (2006):
Filo Parabasala
Classe Trichomonadea
Ordem Trichomonadida
Família Trichomonadidae
Subfamília Tritrichomonadinae
Gênero Tritrichomonas
Espécie Tritrichomonas foetus
2
Figura 1. Árvore filogenética universal baseada na comparação das sequências de 16s rRNA.
A barra de escala corresponde a 0.1 modificações por nucleotídeo (fonte: Pace, 1997).
1.2 A BIOLOGIA DE T. foetus
T. foetus é o agente etiológico da tricomonose urogenital bovina, uma
doença sexualmente transmissível de ampla distribuição geográfica. Esta doença se
caracteriza por um processo infeccioso no trato urogenital, acompanhado de
3
inflamação, por conta da interação deste organismo e o epitélio desta região. Como
conseqüência, pode causar infertilidade e levar ao aborto, acarretando, portanto,
perdas econômicas consideráveis em todo o mundo (Singh et al., 2004).
Recentemente, T. foetus foi também reconhecido como o agente
responsável pela tricomonose felina, doença que afeta o intestino grosso de gatos
domésticos (Stockdale et al., 2008a; 2009). Os sinais clínicos desta doença incluem
diarréia crônica associada com sangue ou muco, flatulência, tenesmo, irritação anal,
anorexia e perda de peso (Gookin et al., 1999; Foster et al., 2004; Stockdale et al.,
2006).
T. foetus foi descrito pela primeira vez em 1900 por Manzzati (revisto em
Kirby, 1951). Quando cultivado em meio axênico, este parasito é caracterizado
morfologicamente por formato oval (piriforme), medindo em torno de 16 µm de
comprimento e 10 µm de largura no eixo maior (Kirby 1951; Mattos et al., 1997).
Apresenta três flagelos anteriores de tamanhos aproximadamente iguais (cerca de 13
µm) e um flagelo recorrente que possui de três a cinco ondulações medindo em torno
de 16 µm de comprimento (Fig. 2) (Benchimol, 2004).
À parte do seu interesse veterinário, T. foetus também é importante sob o
aspecto celular e evolutivo. Neste organismo ocorre a presença de estruturas como o
complexo pelta-axostilar (uma estrutura estável, composta por microtúbulos), a costa,
os hidrogenossomos, além da ausência de mitocôndrias e peroxissomos (Fig. 2)
(Benchimol, 2004). Seu citoesqueleto, formado por uma variedade de estruturas
protéicas, ainda não é muito bem compreendido (Benchimol, 2005).
Além da forma oval (que é a mais comum nos meios de cultura axênicos), o
parasito pode ainda assumir duas outras morfologias distintas: a amebóide (mais
frequente quando o parasito interage com suas células-alvo) e o pseudocisto (que será
descrito posteriormente no item 1.6). Formas císticas não foram encontradas em T.
foetus.
4
Figura 2. Esquema geral (a) e microscopia eletrônica de transmissão (b) de T. foetus
destacando as principais organelas e estruturas celulares. FA, flagelos anteriores; FR, flagelo
recorrente; MO, membrana ondulante; CB, corpúsculos basais; P, pelta; A, axóstilo; C, costa;
FP, filamentos parabasais; G, complexo de Golgi; RE, retículo endoplasmático; H,
hidrogenossomos; V, vesícula; L, lisossomo; Gl, grânulos de glicogênio. Barra =m (Fonte:
Benchimol, 2004).
1.3 EPIDEMIOLOGIA E IMPORTÂNCIA ECONÔMICA E VETERINÁRIA
A tricomonose bovina provoca graves prejuízos financeiro e econômico
nos Estados Unidos, Canadá e América do Sul, bem como em outras regiões do
mundo onde o controle sanitário é deficiente ou o sistema de produção é extensivo,
com a prática de procriação natural (Honigberg, 1978; Alstad et al., 1984; BonDurant,
1997). As perdas econômicas com esta doença em gado de corte podem ser
relacionadas com os custos com tratamento, sacrifício e reposição de animais
infectados e o mais importante: queda na produção de terneiros pela demora no
estabelecimento da prenhes (Anderson et al., 1996; BonDurant, 1997; Felleisen,
1999).
a
b
5
A transmiso da tricomonose bovina é direta e se dá através do coito. A
transmissão mecânica durante a inseminação artificial é rara. No macho, T. foetus se
aloja na cavidade do prepúcio, podendo invadir a uretra e porções mais profundas do
trato urogenital. O touro é portador assintomático, não demonstrando claramente a
infecção nem adquirindo naturalmente imunidade contra a mesma (Anderson et al.,
1994), e assim passa a infectar várias vacas. Os touros mais velhos têm maiores
riscos de adquirirem a doença e manterem-se portadores permanentes, uma vez que
com a idade há aumento da profundidade das criptas prepuciais (Honigberg, 1978,
Singh et al., 1999).
Após a transmissão, o parasito encontra o epitélio vaginal ao qual se adere
e inicia seu processo infeccioso. Como decorrência surge a vaginite, e,
subseqüentemente, os parasitos migram para o útero e possivelmente para o oviduto,
ficando confinado às células epiteliais do endométrio e da placenta, quando a vaca
está prenhe. No decorrer da gestação, se a vaca estiver contaminada, o parasito pode
comprometer o desenvolvimento fetal. São descritas várias conseqüências da
tricomonose bovina, como o aborto e esterilidade temporária e às vezes até mesmo
esterilidade permanente, caso ocorra destruição da mucosa uterina (Anderson et al.,
1996; BonDurant, 1997; Felleisen, 1999). A doença pode ser autolimitante a vacas,
que passam a apresentar uma resolução espontânea da infecção (Singh et al., 1999).
Na tricomonose felina, T. foetus coloniza e adere à superfície das células
do íleo, ceco e cólon do intestino grosso dos gatos provocando diarréia crônica
(Yaeger & Gookin, 2005; Stockdale et al., 2009). Esta doença afeta principalmente
filhotes e gatos com menos de dois anos de idade (Stockdale et al., 2008; 2009). O
mecanismo de transmissão da tricomonose felina ainda não foi determinado. Não está
claro se o parasito é transmitido através de fezes contaminadas ou entre a mãe e os
filhotes (Stockdale et al., 2009). Existe apenas um relato na literatura mostrando uma
infecção provocada por T. foetus no útero felino (Dahlgren et al., 2007).
6
1.4
INTERAÇÃO PARASITO-HOSPEDEIRO
T. foetus é um parasita extracelular que interage tanto com o trato
urogenital de vacas infectadas (colonizando todas as regiões dos órgãos reprodutores)
quanto com o trato intestinal de gatos. Entretanto, os mecanismos de citotoxicidade
envolvidos na interação tricomonas-célula hospedeira ainda não foram totalmente
esclarecidos. É discutido se esses efeitos são dependentes ou independentes de
contato físico, embora se acredite que ambos os fatores possam estar envolvidos.
Alguns pesquisadores acreditam que os efeitos citotóxicos do parasito se
dêem por um processo dependente do contato com a célula hospedeira, causando-lhe
dessa forma, uma série de danos (Burgess et al; 1990; Singh et al., 2004). O
mecanismo de aderência do T. foetus envolve a interação entre moléculas da sua
superfície com as da superfície das células hospedeiras, tal como adesinas,
glicoconjugados, integrinas, glicosidases, proteínas formadoras de poro e
neuraminidases (Alderete & Garza, 1985; Silva Filho et al., 1989; Alderete et al., 1995;
Bonilha et al., 1995; Shaia et al., 1998; Singh et al., 1999; López et al., 2000).
A adesão do parasito é dependente de tempo, temperatura e pH, além de
perturbações causadas no citoesqueleto (Alderete & Garza, 1985; Silva Filho & de
Souza, 1988). Estudos mostraram que in vitro T. foetus adere predominantemente à
superfície das células epiteliais vaginais bovinas podendo ocorrer a invasão de tecidos
mais profundos (Rhyan et al., 1995). Em alguns trabalhos em vel ultraestrutural, foi
possível visualizar a emissão de projeções celulares – os filopódios, estabelecendo um
contato físico mais intenso com a superfície da célula hospedeira (Silva Filho & De
Souza, 1988; Bonilha et al., 1995).
Algumas moléculas têm sido evidenciadas no estudo da interação de T.
foetus com a célula hospedeira. Acredita-se que estruturas imunogênicas, importantes
na adesão do parasito com as células epiteliais estejam localizadas em um
componente do complexo da adesina Tf190 (Shaia et al., 1998). Observou-se também
7
a ação mediadora de laminina e fibronectina no processo de interação de T. foetus.
Em experimentos com superfícies de poliestireno e utilizando a linhagem celular
MDCK (Silva Filho & De Souza, 1988) ou HeLa (Petrópolis et al., 2008), foi visto que a
adesão do parasito é intensificada pela laminina. Constatou-se que a endocitose de
partículas de poliestireno por T. foetus aumentou quando revestidas por laminina e
fibronectina (Benchimol et al., 1990). Recentemente, demonstrou-se que T. foetus
possui pelo menos cinco proteínas de superfície capazes de reconhecer laminina-1
(Petrópolis et al., 2008).
Admite-se que durante a interação, as tricomonas interagem com o
ambiente vaginal, utilizando neste processo moléculas envolvidas com a transdução
de sinais, adesão à célula epitelial, interação com a matriz extracelular e com a
citotoxicidade (Silva Filho & De Souza, 1988). No ambiente onde o parasito se
encontra ocorrem intensas mudanças hormonais, o que é de grande importância, pois
indícios do aumento da adesão de tricomonas em interação com células MDCK,
sob ação do estronio (Silva-Filho & Bonilha, 1992). As macromoléculas presentes
no soro também são importantes para o desenvolvimento da tricomonose. O soro
bovino inclui lipídios, lipoproteínas, proteínas carreadoras e adesivas, como albumina,
transferrina e fibronectina. Foi demonstrado que as tricomonas possuem receptores
para lipoproteínas, LDL e fibronectina (Peterson & Alderete, 1984a; 1984b; Alderete et
al., 2002). Vale também destacar os receptores para transferrina e lactoferrina nos
parasitos, pois estes transportadores de ferro mediariam a aquisição desse íon que é
necessário para a formação de enzimas que participam do metabolismo energético da
célula (Sutak et al., 2008).
Recentemente, duas cisteíno-proteases, a CP-30 e CP-8, foram
encontradas mediando o processo citotóxico de T. foetus em células epiteliais bovinas
(Singh et al., 2004; 2005; Lucas et al., 2008). Estas cisteíno-proteases estariam
relacionadas ao processo de apoptose das células vaginais (Singh et al., 2004) e do
endométrio (Singh et al., 2005). Pelo fato de estarem envolvidas na degradação de
8
proteínas da matriz extracelular, como a laminina e a fibronectina, as cisteíno-
proteases potencializariam o processo de citotoxicidade do protozoário (Silva Filho et
al., 2002). Sendo assim, as tricomonas assumiriam um caráter mais invasivo, pois o
acesso do parasito às camadas epiteliais profundas provocaria a esfoliação das
camadas mais superficiais.
Embora a importância das cisteíno-proteases tenha sido demonstrada in
vitro, seu papel parece ser também relevante in vivo (Felleisen, 1999). Algumas
cisteíno-proteases são capazes de clivar as imunoglobulinas IgG1 e IgG2 bovinas
evitando matar o parasito (Corbeil, 1994; De Azevedo & De Souza, 1992; 1996).
Acredita-se que estas cisteíno-proteases sejam capazes de atuar contra a resposta
imune degradando anticorpos do hospedeiro (Granger & Wardwood, 1996).
1.5
MORFOLOGIA DOS PARASITOS PIRIFORMES
1.5.1 Superfície Celular
A superfície celular de T. foetus possui grande interesse em pesquisa, uma
vez que é o ponto de contato com a célula hospedeira. É aí que se encontram as
moléculas, anteriormente descritas, responsáveis pela adesão do parasito que são de
grande interesse científico para melhor compreensão do parasitismo.
A organização da membrana plasmática dos tricomonadídeos foi
inicialmente descrita com base em estudos de microscopia eletrônica de transmissão
convencional (Simpson & White, 1964; Honigberg et al., 1971). Contudo, somente com
o advento das técnicas de congelamento celular e criofratura é que foi possível obter
detalhamento da ultraestrutura da membrana (Benchimol et al., 1981a; 1982a; 1992).
Diversos carboidratos, incluindo ácido siálico, manose, galactose, N-acetil
glicosamina e N-acetil galactosamina foram identificados na superfície deste parasito,
bem como nas membranas de compartimentos intracelulares (Benchimol et al., 1981b,
1982b; Benchimol & Bernardino, 2002).
9
1.5.2 Hidrogenossomos
Os tricomonadídeos são desprovidos de mitocôndrias, mas possuem uma
organela incomum e de grande importância: os hidrogenossomos. O termo
hidrogenossomo foi proposto por Lindmark & Müller (1973) devido à atividade
produtora de hidrogênio molecular da organela, que oxida o piruvato ou malato em
ácidos orgânicos, resultando na síntese de ATP, fundamental para o metabolismo
energético (Müller, 1993). Em T. foetus, os hidrogenossomos são organelas esféricas
com dimensões de 0,3 µm a 0,6 µm de diâmetro, que se apresentam dispostos
preferencialmente próximos ao axóstilo e a costa. Possuem uma dupla membrana e
uma vesícula periférica, independente da dupla membrana e da matriz, formando um
compartimento distinto (Benchimol et al., 1996a, 1996b; Benchimol, 2008). Através da
técnica de microanálise por raios-X, identificou-se a presença de íons divalentes no
interior desta vesícula, tais como os de cálcio, magnésio e zinco (Ribeiro et al., 2001),
além de alto nível de fósforo, que provavelmente estaria sob a forma de pirofosfatos
(Chapman et al., 1985). Ribeiro et al. (2001) relataram ainda a presença de cobalto e
alumínio nesta vesícula.
Uma série de similaridades foi observada entre os hidrogenossomos e as
mitocôndrias, tanto em nível bioquímico quanto estrutural, sugerindo um grau de
proximidade evolutiva entre as duas organelas. As principais semelhanças
encontradas foram: (1) a produção de ATP pela degradação do piruvato (Lindmark &
Müller, 1973; Muller, 1993); (2) a dupla membrana (Benchimol & De Souza, 1983); (3)
o mecanismo de biogênese, que ocorre por segmentação e partição (Benchimol et al.,
1996b); (4) o seqüestro de íons cálcio (Ribeiro et al., 2001); (5) as enzimas envolvidas
na formação de centros de ferro-enxofre (Carlton, et al., 2007); (6) a cardiolipina, um
lideo marcador de membrana mitocondrial interna e de bactérias (De Andrade Rosa
et al., 2006); (7) a NADH-desidrogenase, uma enzima constituinte da cadeia
transportadora de elétrons mitocondrial (Carlton, et al., 2007). Além disso, verificou-se
que as mitocôndrias e os hidrogenossomos possuem mecanismos de importação de
10
proteínas muito similares (Dyall et al., 2000; Carlton et al., 2007), uma vez que foram
encontradas em tricomonas várias chaperonas (Hsp70, Hsp60, Hsp10) responsáveis
por esta translocação, com seqüências sinais similares às seqüências de importação
para mitocôndrias (Bui et al., 1996; Carlton et al., 2007).
Varias diferenças, porém, foram constatadas entre ambas as organelas.
Nos hidrogenossomos não foram encontrados citocromos, enzimas do ciclo de Krebs,
atividade de F
0
F
1
ATPase, material genético e ribossomos (Lloyd et al., 1979; Turner &
Müller, 1983; Clemens & Johnson, 2000). Por outro lado, os hidrogenossomos
possuem enzimas que as mitocôndrias não apresentam, como a hidrogenase (Bui e
Johnson, 1996) e a piruvato-ferredoxina óxido-redutase (Hrdy & Müller, 1995).
Diversas hipóteses foram levantadas com o intuito de se estabelecer um
grau de parentesco evolutivo entre mitocôndrias e hidrogenossomos. Atualmente,
alguns grupos acreditam na possibilidade dos hidrogenossomos e mitocôndrias terem
evoldo de um ancestral comum a partir da mesma organela progenitora (Embley,
2006).
1.5.3 Retículo Endoplasmático
Assim como em células de eucariotos superiores, em T. foetus, o retículo
endoplasmático (RE) é normalmente visto ao redor do núcleo, e também formando a
membrana externa do envelope nuclear, porém em menor quantidade (Queiroz et al.,
1991; Benchimol, 2004). O RE também é encontrado em outros locais do citoplasma,
como próximo aos hidrogenossomos, podendo estar relacionado à formação das
vesículas periféricas (Benchimol & De Souza, 1985; Benchimol et al., 1996b;
Benchimol et al., 2000; Benchimol, 2008). Experimentos citoqmicos demonstraram a
presença de cálcio no RE de T. foetus, sugerindo que atue como reservatório deste
íon (Benchimol et al., 1982c; De Souza & Benchimol, 1988).
A vesiculão do RE durante a divio celular, fenômeno comumente
observado em células de eucarioto superior, não foi constatado nos tricomonadídeos.
11
Sabe-se, porém, que em T. foetus algumas cisternas do retículo se alinham de modo
paralelo com os microtúbulos do fuso mitótico, o que poderia representar um recurso
de doação ou sequestro de cálcio para a divisão do parasito (Ribeiro et al., 2002a).
1.5.4 Complexo de Golgi e Filamentos Parabasais
Nos tricomonadídeos, o complexo de Golgi corresponde ao aparelho
parabasal, formado pelas cisternas e os filamentos parabasais (Benchimol 2004). Em
T. foetus, o aparelho parabasal fica localizado na região dorsal e à direita do núcleo. T.
foetus possui um único Golgi muito desenvolvido, podendo alcançar cerca de 5 µm de
comprimento, apresentando de 8 a 12 cisternas (Benchimol et al., 2001). Estudos
citoquímicos demonstraram a presença das enzimas tiaminopirofosfatase e fosfatase
ácida no Golgi de T. foetus (Queiroz et al., 1991). Experimentos utilizando a lectina
WGA fluorescente evidenciaram a existência de resíduos de N-acetil-glicosamina
nesta organela (Benchimol & Bernadino, 2002). Ao contrário do que ocorre nas células
de eucariotos superiores, onde há vesiculação do Golgi durante a divisão celular, nos
tricomonadídeos a organela permanece íntegra, apenas aumentando de tamanho por
crescimento lateral e se dividindo em duas, num processo denominado golgicinese
(Benchimol et al., 2001).
Os filamentos parabasais são estruturas cilíndricas e periódicas, formadas
por bandas claras e escuras. São morfologicamente semelhantes à costa, embora
sejam mais delgados que estas. Apresentam-se em número de dois, sendo
denominados filamentos parabasais 1 e 2 (PF1 e PF2). O PF1 tem sua origem entre
os corpúsculos basais do segundo e terceiro flagelos anteriores, e o PF2, entre o
terceiro flagelo anterior e o recorrente (Fig. 3) (Honigberg et al., 1971). Acredita-se que
os filamentos parabasais dêem suporte e mantenham o posicionamento do complexo
de Golgi (Honigberg et al., 1971; Brugerolle & Viscogliosi, 1994). A existência de
conexões filamentosas comunicando a cisterna cis do Golgi com os filamentos
parabasais tem sido sugerida (Benchimol et al., 2001).
12
Como os filamentos parabasais parecem ser nucleados a partir dos
corpúsculos basais (cinetossomos), existiria, portanto, possibilidade de haver uma
coneo entre o complexo de Golgi e os cinetossomos através de fibrilas (Benchimol
et al., 2001). Esta hipótese explicaria a provável migração do complexo de Golgi que
ocorre simultaneamente com a separação dos cinetossomos e dos flagelos durante a
mitose de T. foetus (Benchimol et al., 2001).
1.5.5 Vesículas e lisossomos
A atividade endocítica dos tricomonadídeos tem sido observada com a
utilização de diversos marcadores, como a peroxidase e várias proteínas conjugadas a
ouro ou revestindo microesferas de poliestireno (albumina, lactoferrina, transferrina,
lectinas) (Benchimol et al., 1986, 1990; Affonso et al., 1994, 1997).
O citoplasma de T. foetus possui várias vesículas de tamanhos distintos,
que compõem o sistema endocítico da célula. T. foetus apresenta uma atividade
endocítica muito intensa, embora esta aparente ser menor que a de T. vaginalis
(Benchimol et al., 1990; Affonso et al., 1994). As vesículas podem ser observadas, em
sua grande parte, constituindo o processo inicial da endocitose e, por este motivo,
localizam-se logo abaixo da superfície celular ou, mais profundamente, no citoplasma
da célula (Affonso et al., 1997).
Sugeriu-se que as principais enzimas constituintes dos lisossomos de
tricomonas seriam as hidrolases ácidas e neutras (Queiroz et al., 1991). Portanto, a
acidificação dos lisossomos sugeriria a presença de uma bomba de prótons nas
membranas desta organela, tal como é observado em outros eucariotos.
1.5.6 Citoesqueleto
Dentre os principais componentes do citoesqueleto dos tricomonadídeos
temos: o complexo pelta-axóstilo, formado por microtúbulos estáveis (Ribeiro et al.,
2000; 2002a; 2002b; Benchimol, 2005); os flagelos, que no caso de T. foetus são três
13
anteriores e um recorrente – este último percorre todo o corpo celular em contato com
a membrana plasmática, formando a chamada membrana ondulante (Honigberg et al.,
1971); os corpúsculos basais e seus filamentos associados, de onde emergem os
flagelos e as demais estruturas relacionadas ao movimento do parasito (Honigberg et
al., 1971; Ribeiro et al., 2000); a costa, estrutura protéica estriada com função de
suporte de sustentação da membrana ondulante (Honigberg et al., 1971); e os
filamentos parabasais (Brugerolle & Viscogliosi, 1994; Benchimol et al., 2001).
Diversas estruturas, como os filamentos sigmóides e os corpos infra e supra-
cinetossomal, ainda têm suas funções desconhecidas. Em T. foetus, pode-se também
encontrar microtúbulos lábeis como os que formam o fuso mitótico (Ribeiro et al.,
2000; 2002a).
Estudos bioquímicos, moleculares e estruturais também constataram a
presença de microfilamentos de actina no citoesqueleto de várias espécies de
tricomonadídeos (Brugerolle et al., 1996; Bricheux & Brugerolle, 1997; Bricheux et al.,
1998; 2000; Pereira-Neves & Benchimol, 2007). Estes microfilamentos são
preferencialmente encontrados na região cortical e nos pseudópodes das tricomonas,
quando realizam fagocitose ou em adesão ao substrato ou às células-alvo (Brugerolle
et al., 1996; Pereira-Neves & Benchimol, 2007). Em tricomonas, os filamentos
intermediários ainda não foram descritos.
Estudos sobre o citoesqueleto de tricomonas mostraram a modificação da
morfologia do protozoário durante sua atividade fagocítica ou quando aderido à
respectiva célula hospedeira (Brugerolle et al., 1996; Pereira-Neves & Benchimol,
2007). Desse modo, foi possível constatar uma reorganização do citoesqueleto
(principalmente os microfilamentos de actina), já que os parasitos apresentam uma
forma oval em meio axênico, e se transformam em amebóides quando ingerem
alguma partícula ou interagem com as células-alvo (Brugerolle et al., 1996; Pereira-
Neves & Benchimol, 2007). Em T. foetus, observou-se também uma reorganização
14
das estruturas esqueléticas durante sua transformação em pseudocistos (Granger et
al., 2000; Pereira-Neves et al., 2003).
Figura 3. Diagrama esquemático mostrando as principais estruturas esqueléticas encontradas
na região anterior de T. foetus. BB
1
, cinetossomo do primeiro flagelo anterior; BB
2
, cinetossomo
do segundo flagelo anterior; BB
3
, cinetossomo do terceiro flagelo anterior; RF, flagelo
recorrente; UM, membrana ondulante; Pe, pelta; Ax, axóstilo; FS, filamentos sigmóides; SB,
corpo supra-cinetossomal; C, costa; PF
1
, primeiro filamento parabasal; PF
2
, segundo filamento
parabasal; G, complexo de Golgi.
1.5.6.1 Flagelos
Os flagelos, tanto os anteriores quanto o recorrente, têm origem nos
corpúsculos basais, localizados na região anterior de T. foetus (Honigberg et al.,
1971). Cada corpúsculo basal recebeu um número e possui uma posição relativa (Fig.
3). O corpúsculo basal #2 emite de oito a nove fibras estriadas, denominadas de
filamentos sigmóides (Fig. 3) (Honigberg et al., 1971). Estes filamentos sigmóides
encontram-se próximos à região da junção pelta-axóstilo e conectam os corpúsculos
basais ao complexo pelta-axostilar, bem como, à superfície interna da pelta à área da
juão pelta-axóstilo (Honigberg et al., 1971). Entre o corpúsculo basal #2 e conectado
15
a ele e à pelta, na região anterior, situa-se o corpo supra-cinetossomal (Fig. 3)
(Honigberg et al., 1971). As funções do corpo supra-cinetossomal e dos filamentos
sigmóides são ainda desconhecidas, embora se acredite que estes sejam centros
organizadores dos microtúbulos do complexo pelta-axóstilo (Brugerolle et al., 2000).
Verificou-se que os flagelos anteriores possuem batimentos ciliares,
enquanto o recorrente, batimentos flagelares (Monteiro-Leal et al., 1995). Isto faz com
que o corpo do parasito gire em torno do seu próprio eixo e produza uma rotação.
1.5.6.2 Complexo Pelta-Axostilar
O complexo pelta-axostilar de tricomonadídeos é uma estrutura axial,
formada por microtúbulos, com função de sustentação e participação na cariocinese,
sendo composta pela pelta e pelo axóstilo (Fig. 3). Este se apresenta como uma folha
de microtúbulos, arrumados lado a lado, percorrendo o eixo longitudinal da célula,
desde a sua porção anterior até o extremo posterior da célula, onde termina como uma
forma afilada (Honigberg et al., 1971; Benchimol, 2004). A pelta se encontra numa
posição mais anterior e contígua ao axóstilo, sustentando as paredes do canal
periflagelar formando uma espécie de “colarinho” na região de emergência dos
flagelos (Honigberg et al., 1971; Benchimol, 2004).
Benchimol & De Souza (1987), utilizando microscopia eletrônica de alta
voltagem, mostraram a associação de hidrogenossomos com microbulos do sistema
pelta-axostilar de T. foetus. Posteriormente, utilizando técnicas de congelamento ultra-
rápido, Benchimol e colaboradores (2000) sugeriram que esta associação seria
estabelecida por filamentos delgados. Verificou-se também, após o uso de citoquímica
ultraestrutural para a detecção de glicose-6-fosfatase, a presença de perfis de retículo
endoplasmático percorrendo em paralelo aos microtúbulos do axóstilo de T. foetus
(Benchimol et al., 2000).
Alguns autores propuseram que o axóstilo de tricomonas fosse formado por
microtúbulos lábeis, já que estes seriam despolimerizados durante o início da divisão
16
celular do parasito ou quando submetidos ao tratamento de drogas que afetam os
microtúbulos, como a colchicina (Brugerolle, 1975; Juliano et al., 1986; Viscogliosi &
Brugerolle, 1994; Delgado-Viscogliosi et al., 1996). No entanto, nosso grupo mostrou
que os microtúbulos do axóstilo de T. foetus são estáveis, permanecendo íntegros
durante todo o processo de divisão celular (participando inclusive da cariocinese) ou
mesmo quando submetidos a tratamentos com drogas que afetam o citoesqueleto,
como vimblastina, colchicina, nocodazol e taxol (Silva-Filho & De Souza, 1986; Batista
et al., 1988; Ribeiro et al., 2000; 2002a; Madeiro da Costa & Benchimol, 2004).
1.5.6.3 Costa
A costa é uma estrutura presente em todos os tricomonadídeos. Assim
como as fibras parabasais, a costa é cindrica e formada por proteínas que
apresentam uma periodicidade com bandas claras e escuras, contudo esta é maior e
mais larga do que as fibras parabasais (Benchimol, 2004).
A costa percorre o sentido ântero-posterior da região dorsal de T. foetus,
estando sempre associada à membrana ondulante e ao flagelo recorrente, além disso,
possui sua origem entre os corpúsculos basais #2, #3 e R (Fig. 3) (Honigberg et al.,
1971). Benchimol et al. (1993) visualizaram por congelamento rápido seguido de
freeze-etching, filamentos delgados que fazem a coneo da costa à membrana
ondulante. O fato de haver filamentos que se projetam da costa, principalmente na
região voltada para a membrana ondulante, reforça a idéia de que a costa funcione
para esta como uma estrutura de ancoramento (Benchimol et al., 1993).
Existem duas classificações distintas de costa, denominadas tipo A e B.
Esta classificação é dada por diferenças no padrão periódico de sua estrutura e no
formato na região onde ela se origina (Honigberg et al., 1971). O padrão de estriação
da costa do tipo A (presente em T. foetus) é em bandas paralelas, alternando bandas
eletrondensas (com cerca de 37 nm de largura) com bandas mais claras (com largura
17
de 49 nm). O padrão de costa tipo B (presente em T. vaginalis) apresenta estriões
semelhantes à “espinhas de peixe”, com periodicidade de cerca de 42 nm.
1.5.6.4 Centrossomos e Fuso Mitótico
Os centrossomos dos tricomonadídeos são chamados de atractóforos
(Honigberg & Brugerolle, 1990). Os atractóforos são constituídos por um agregado
denso em forma de pêndulo localizado na base dos corpúsculos basais das
tricomonas e de outros parabasalídeos (Brugerolle, 1975; Ribeiro et al., 2002a). Em T.
foetus, demonstrou-se que estas estruturas estão abaixo do corpúsculo basal #2,
localizadas próximo à base da costa (Ribeiro et al., 2002a).
Durante a divisão celular, os atractóforos se tornam responsáveis pela
nucleação dos microtúbulos que constituirá o fuso mitótico. Os tricomonadídeos
apresentam um tipo de mitose muito peculiar, chamado de pleuromitose fechada com
fuso extranuclear (Brugerolle, 1975; Ribeiro et al., 2000; 2002a). Neste tipo de mitose,
o envoltório nuclear permanece íntegro durante todo o processo de divisão celular e
não há formação da placa metafásica. O fuso mitótico é extranuclear, disposto
lateralmente ao núcleo e formado por dois grupos de microtúbulos: os microtúbulos de
pólo-a-pólo e de pólo-a-núcleo (Brugerolle, 1975; Ribeiro et al., 2000; 2002a).
Os microtúbulos de pólo-a-núcleo interagem diretamente com o envelope
nuclear e não com os cinetócoros dos cromossomos (Brugerolle, 1975; Raikov, 1994;
Ribeiro et al., 2002a). Os microtúbulos de pólo-a-pólo, também chamados de
paradesmose, formam um feixe espesso e coeso entre os atractóforos duplicados
(Brugerolle, 1975; Raikov, 1994; Ribeiro et al., 2002a). À medida que a mitose
transcorre, o paradesmose continua a se alongar e pode se tornar curvo na forma de
“U” ou “V” (Brugerolle, 1975; Viscogliosi & Brugerolle, 1994; Ribeiro et al., 2002a).
1.5.7 Núcleo e Divisão
Os tricomonadeos, quando não estão em divisão, apresentam um único
núcleo localizado preferencialmente na região anterior da célula. O envoltório nuclear
18
de T. foetus se apresenta como em eucariotos superiores. A porção mais externa está
em continuação com o retículo enquanto que a membrana interna se encontra voltada
para a matriz nuclear. Inúmeros complexos de poros típicos estão distribuídos ao
longo de todo o envoltório. (Benchimol et al., 1982a; Benchimol, 2004). Contudo, a
presença de laminas nucleares ainda não foi detectada. Estudos de cariótipo
revelaram que T. foetus é um organismo haplóide que possui cinco cromossomos
lineares e um único nucléolo, arredondado e que não se desfaz durante a mitose
(Ribeiro et al., 2002b).
Existe uma grande dificuldade para analisar o comportamento da divio
celular dos tricomonadídeos pelo fato destes organismos apresentarem uma mitose
fechada com fuso extranuclear. Entretanto, pesquisas recentes apontam, além da
interfase (períodos G
1
, S e G
2
), quatro etapas distintas na mitose de T. foetus (Ribeiro
et al., 2000; 2002a; 2002b). No início da interfase (G1), o parasito apresenta a típica
forma oval e suas estruturas ainda não foram duplicadas (Fig. 4a). Posteriormente,
nos períodos S/G2, ocorre a duplicão dos flagelos (anteriores e recorrente), do
complexo pelta-axóstilo, da costa e do material genético (Figs. 4b-c).
Na fase 1 da divisão celular, o protozoário se mantém na forma oval,
contudo apresenta mais volume (Figs. 4d-e). Gradualmente, devido ao impulso
proporcionado pelos flagelos, os cinetossomos duplicados começam a migrar para
lados opostos do parasito (Fig. 4f). Como conseência, os axóstilos duplicados
também se movimentam (acompanhando os cinetossomos) (Fig. 4f). Esta migração
faz com que as tricomonas alterem gradativamente sua morfologia, assumindo uma
forma triangular (fase 2 da mitose) (Figs. 4f-h).
Na fase 2, o núcleo das tricomonas se encontra mais alongado e entre os
dois axóstilos que agora estão curvados na região anterior da célula (Figs. 4f-h). Ao se
cruzarem os axóstilos começam a estrangular o núcleo (que irá posteriormente
culminar na cariocinese) (Figs. 4f-h). Outra característica desta fase é a elevação do
flagelo recorrente a uma posição perpendicular ao eixo axial do corpo celular do
19
parasito. Este último evento redireciona a força de propulsão do flagelo recorrente.
Neste momento, as extremidades posteriores dos axóstilos estão completamente
separadas e voltadas para direções opostas (Fig. 4i). A migração dos axóstilos em
direções contrárias faz com que o parasito altere o seu formato triangular e assuma
uma morfologia alongada (fase 3) (Figs. 4j-l). A transição da fase 2 para fase 3 é
caracterizada pela cariocinese, que no caso de T. foetus é uma conseqüência do
deslocamento dos axóstilos (Fig. 4i). Por último, a fase 4 se caracteriza pela
separação das duas células-filhas (Fig. 4m). Os movimentos dos flagelos (juntamente
com a localização deles em direções opostas no corpo celular do parasito durante a
divisão celular) parecem auxiliar o processo de citocinese (Ribeiro et al., 2000; 2002a;
2002b). O mecanismo de segregação dos cromossomos das tricomonas ainda
permanece um mistério.
Algumas controvérsias marcaram os relatos referentes ao comportamento
das estruturas do citoesqueleto durante a divisão celular em tricomonas. Trabalhos
antigos sugerem o desaparecimento do axóstilo no icio do processo da mitose,
indicando sua possível despolimerização (Samuels, 1957; 1959; Brugerolle, 1975;
Viscogliosi & Brugerolle, 1994; Delgado-Viscogliosi et al., 1996). Segundo esses
autores, os microtúbulos do fuso de pólo-a-núcleo seriam os únicos responsáveis pela
cariocinese e os de pólo-a-pólo seriam essenciais para a separação das células-filhas.
Há também discordâncias a respeito do comportamento dos flagelos. Enquanto
Viscogliosi & Brugerolle (1994) propuseram que tais estruturas se duplicariam durante
a mitose, Ribeiro et al. (2000) afirmaram que esta duplicação aconteceria na interfase.
20
Figura 4. Imagens de T. foetus durante o processo mitótico obtidas por microscopia óptica de
campo claro após coloração pelo método do Panótico. a: Parasito em interfase (período G1). b-
c: Períodos S/G2 da interfase. d-e: fase 1 da mitose. f-h: fase 2 da mitose. i-l: fase 3 da
mitose. m: fase 4. A, Axóstilo; N, núcleo. Barras: figs. a-h = 3µm; figs. i-m = 2µm. (Fonte:
Ribeiro et al., 2000).
1.6 PSEUDOCISTOS EM TRICOMONADÍDEOS
A grande maioria dos tricomonadeos tem um ciclo de vida simples
apresentando somente a forma do trofozoíto. Formassticas foram descritas somente
em duas espécies de tricomonas comensais do intestino de anfíbios e lagartos:
Trichomitus batachorum e Trichomitus sanguisugae (Brugerolle, 1973). Embora sejam
as suas únicas formas, os trofozoítos dos tricomonadídeos, como mencionado
21
anteriormente, apresentam uma grande plasticidade morfológica: quando cultivadas
em meio axênico ou estão se locomovendo livremente, as tricomonas apresentam o
pico formato oval; ao interagirem com suas células-alvo ou algum outro tipo de
substrato, estes organismos assumem uma morfologia amebóide, dependendo da
espécie. Além disso, as tricomonas podem apresentar uma terceira forma distinta: o
pseudocisto (Pereira & Almeida, 1940; Stachan et al., 1984; Abonyi, 1995; Pereira-
Neves et al., 2003; Benchimol, 2004).
A formação dos pseudocistos se refere à mudança morfológica dos
tricomonadídeos piriformes em formas arredondadas (ou amebóides), imóveis, com os
flagelos internalizados, muito semelhantes a cistos, porém sem apresentar uma parede
cística (Fig. 5) (Pereira-Neves et al., 2003). Os pseudocistos são encontrados nas mais
diversas espécies de tricomonadídeos e parabasalídeos (Pereira & Almeida, 1940;
Pereira-Neves et al., 2003; Hampl et al., 2007). Eles são frequentemente observados em
culturas axênicas submetidas a condições de estresse, tais como deprivação de
nutrientes, choque térmico, aumento da tensão de oxigênio e tratamento com drogas
como colchicina, taxol e nocodazol (Mattern, et al., 1973; Granger et al., 2000; Pereira-
Neves et al., 2003; Madeiro da Costa & Benchimol, 2004). Contudo, estas formas
também são encontradas sob condições in vivo tanto em lesões teciduais associadas
à presença de tricomonas como em amostras de corrimentos vaginais, urina e fezes
diarréicas (Pereira & Almeida, 1940; Mattern & Daniel, 1980; Malyszko & Januszko,
1991; Lipman et al., 1999).
Durante a formação dos pseudocistos, as tricomonas piriformes, que
apresentam polaridade e flagelos externalizados, tornam-se arredondadas (ou
amebóides) e internalizam todos os seus flagelos (Fig. 5). Resultados obtidos através de
imunofluorescência e microscopia eletrônica de transmissão revelaram que todas as
estruturas e organelas presentes nos parasitos piriformes são mantidas nos
pseudocistos, porém com algumas diferenças, dentre elas os flagelos, que ficam
localizados dentro de sulcos citoplasmáticos circundados por uma membrana; e o
22
axóstilo e a costa, que assumem uma forma curva ao invés de axial (Lipman et al., 1999;
Granger et al., 2000; Pereira-Neves et al., 2003). Contudo, a cadeia completa de eventos
e sinalizações que dispara todas estas alterações morfológicas ainda não foi
completamente elucidada.
Figura 5. Visão geral de T. foetus em pseudocisto observado por microscopia eletnica de
varredura (a) e de transmissão (b). Note que os flagelos estão internalizados (F) e o parasito não
possui parede cística. N, núcleo; H, hidrogenossomo; Ax, axóstilo; G, complexo de Golgi; C, costa.
Barras fig. a = 3µm; fig. b = 1µm.
1.6.1 Histórico
Segundo Wenrich (1939), Donné (1837) já havia assinalado a existência de
formas amebóides e sem flagelos em T. vaginalis. Embora tenham sido notados por
muitos pesquisadores desde 1837, os pseudocistos nem sempre foram reconhecidos
como tricomonadídeos, pois eram frequentemente associados a fases do processo de
encistamento de outros protozoários, ou então considerados como meros achados ou
artefatos em esfregaços (Pereira & Almeida, 1940). Os pseudocistos só foram descritos
como uma forma de tricomonas em 1903 por Shaudinn, que estudava o parasito do
intestino humano Pentatrichomonas hominis (Pereira & Almeida, 1940). Posteriormente,
estas formas foram sendo observadas em outros tricomonadídeos. Contudo, a partir do
momento em que os pseudocistos foram claramente identificados como tricomonas,
surgiu a questão sobre qual seria o papel exercido por estas formas no ciclo de vida dos
tricomonadídeos.
23
Durante as três primeiras décadas do século XX, a grande maioria dos
trabalhos morfológicos referentes aos pseudocistos relacionou esta forma “aflagelada”
como precursora para a formação de cistos em tricomonas (Wenyon, 1907; Fanthan,
1910; Barlow, 1916; Boyd, 1919; Fonseca, 1920; Wenrich, 1921; Grassé, 1926; Tanabe,
1926; Galli-Valerio, 1927; Penso, 1932). Sabe-se hoje que os tricomonadídeos (com
raríssimas exceções) não apresentam cistos, entretanto, para tentar compreender como
os hospedeiros se tornavam infestados, inúmeros pesquisadores especularam (mesmo
nunca tendo encontrado) a existência de cistos em tricomonas. As formas císticas de
tricomonadídeos mostradas em alguns poucos trabalhos deste peodo eram na
realidade cistos de outros flagelados como giárdia, proteromonas, Chilomastix, dentre
outros (Pereira & Almeida, 1940).
Em contrapartida, alguns autores já negavam a possibilidade de existirem
cistos nos tricomonadídeos, e consideravam que as tricomonas “aflageladas”
representariam organismos em degenerão ao invés de formas pré-císticas (Martin &
Robertson, 1911; Goodey, 1917; Dobell & O´Connor, 1921; Bishop, 1931; Wenrich,
1931; 1939; Powell, 1936; Samuels, 1941; 1959). Partindo deste ponto de vista,
Wenrich (1931) passou a denominar estas formas “aflageladas” de pseudocistos
(“falsos cistos”) em referência ao aspecto esferóide assumido pelas tricomonas e pela
ausência da parede cística.
A partir da década de 40, a idéia de que os tricomonadídeos não
apresentavam formas císticas já estava praticamente aceita. Os pseudocistos
comaram a ser, então, ignorados pela maioria dos parasitologistas que
consideraram estas formas como degenerativas. Entretanto, ainda nos anos 40,
Pereira & Almeida (1940) ao estudarem diversas espécies de tricomonas, afirmaram
que os pseudocistos não estavam relacionados com o encistamento e nem com
degeneração. Estes autores verificaram, tanto em culturas quanto em hospedeiros,
que os pseudocistos eram formas reversíveis, patogênicas, com intensa capacidade
24
de multiplicação e com um elevado grau de vitalidade. Posteriormente, as
observações de Pereira & Almeida (1940) foram confirmadas por Houge (1943).
Por razões pouco claras os dois artigos citados acima não tiveram muita
repercussão, e o conceito de que os pseudocistos eram formas degenerativas de
tricomonas prevaleceu praticamente irrefutável até o final da década de 70. Para
reforçar ainda mais esta hipótese, Mattern e colaboradores (1973) publicaram um
estudo ultraestrutural em pseudocistos de T. batrachorum onde eles afirmaram que a
transformão das tricomonas em pseudocistos era irreversível e que estaria
relacionada com uma série de alterações morfológicas degenerativas, como o
desarranjo dos microtúbulos do flagelo recorrente e a degradação da membrana
ondulante.
Contudo, a partir dos anos 80, estudos reabriram as discussões sobre o
papel dos pseudocistos dentro do ciclo de vida das tricomonas. Conforme Pereira &
Almeida (1940) já haviam demonstrado, muitos pesquisadores começaram a sugerir
que os pseudocistos pudessem, de fato, ser metabolicamente ativos ao invés de
meras formas degenerativas. Foi verificado (tanto in vitro quanto in vivo) que os
pseudocistos de T. muris, embora apresentem uma capacidade de sobrevivência
limitada quando estão fora de seu hospedeiro, não seriam formas degenerativas, mas
pelo contrário, seriam reversíveis e infectantes (Mattern & Daniel, 1980; Stachan et al.,
1984; Koyama et al., 1987; Lipman et al., 1999). Friedhoff e colaboradores (1991)
também confirmaram estas mesmas observações para os pseudocistos de diversas
espécies de tricomonas parasitas de aves. Estudos experimentais realizados com
pseudocistos de T. foetus mostraram que estes são também formas reversíveis e
capazes de aderir às células hospedeiras (Granger et al., 2000; Mariante et al., 2004)
Atualmente, acredita-se que estas formas sejam reversíveis e que
representem uma resposta às condições ambientais desfavoráveis, tais como
mudanças bruscas de temperatura, aumento da tensão de oxigênio e dessecamento.
Uma vez as condições ambientais se normalizando, o parasito retornaria à forma oval,
25
com os flagelos exteriorizados. Entretanto, se o estresse for prolongado, os
pseudocistos se tornam irreversíveis e acabam degenerando (Stachan et al., 1984.
Mariante et al., 2003).
1.6.2 Pseudocistos em T. foetus
Embora T. foetus seja o tricomonadídeo de maior importância veterinária e
econômica, sua biologia ainda é pouco explorada e conhecida. Diferentemente do que
foi descrito para outras espécies de tricomonas, não há na literatura nenhum relato
sobre a existência in vivo de pseudocistos em T. foetus. Por muito tempo, inclusive,
acreditou-se que estes tricomonadídeos não formavam pseudocistos. Contudo,
estudos in vitro publicados recentemente mostraram que T. foetus pode ser facilmente
induzido a se transformar em pseudocisto (Granger et al., 2000; Pereira-Neves et al.,
2003; Mariante et al., 2004). Assim como verificado em outros tricomonadídeos, os
pseudocistos de T. foetus também são induzidos sob condições de estresse (como
baixas temperaturas e uso de drogas no meio de cultura) e reversíveis (Granger et al.,
2000; Pereira-Neves et al., 2003; Mariante et al., 2004). Entretanto, existem
pouquíssimos trabalhos dedicados à caracterização destas formas em T. foetus.
Embora a estrutura da superfície celular dos pseudocistos quando
observada por microscopia eletrônica convencional seja muito similar à superfície das
tricomonas piriformes (Stachan et al., 1984; Granger et al., 2000), não existem estudos
comparando a presença, quantidade e a distribuição de lipídios, glicoconjugados e
proteínas de membrana (como as adesinas e outros receptores) entre essas duas
formas de tricomonadídeos. Morfologicamente, os hidrogenossomos, o retículo
endoplasmático, o complexo de Golgi e o núcleo parecem não sofrer alterações
durante a formação dos pseudocistos (Granger et al., 2000; Pereira-Neves et al.,
2003). Contudo, nenhum estudo comparativo quanto a funcionalidade e o metabolismo
destas organelas entre as tricomonas piriformes e os pseudocistos tem sido explorado.
Não se sabe também se os pseudocistos teriam suas expressões gênicas alteradas.
26
Existem pouquíssimas informações no que diz respeito à reorganização das moléculas
do citoesqueleto durante a formação dos pseudocistos.
Imagens de pseudocistos observados por microscopia eletrônica de
transmissão revelam que estes, assim como nas tricomonas piriformes, apresentam
uma grande quantidade de vacúolos endocíticos (Pereira-Neves et al., 2003; Mariante
et al., 2004). Entretanto, não foram feitas comparões quantitativas entre as
atividades endocíticas dos pseudocistos em relão aos trofozoítos.
Alguns artigos na literatura apontam a possibilidade dos pseudocistos se
multiplicarem (Kofoid & Swezy; 1915; Pereira & Almeida, 1940; Stabler, 1941;
Pignatari de Martinez et al., 1976; Abonyi, 1995; Pereira-Neves et al., 2003). Estudos
ultraestruturais mostraram a presença do fuso mitótico em pseudocistos de T. foetus,
indicando que estas formas sejam capazes de se dividir de modo diferente dos
organismos piriformes (Pereira-Neves et al., 2003). Contudo, os eventos
morfogenéticos durante a mitose dos pseudocistos ainda não foram totalmente
esclarecidos.
Experimentos in vitro demonstraram que os pseudocistos de T. foetus
conseguem aderir às células-hospedeiras com muito mais intensidade do que os
parasitos piriformes (Mariante et al., 2004). Entretanto,o necessários estudos para
verificar se estas formas são realmente capazes de exercer efeitos citotóxicos nas
células-alvo e, posteriormente, comparar com a citotoxicidade exercida pelas
tricomonas piriformes.
Em face à escassez de conhecimentos a respeito dos pseudocistos de T.
foetus, o presente trabalho se propõe a esclarecer algumas dessas questões em
aberto, objetivando contribuir para uma melhor compreensão dos pseudocistos no
contexto da biologia dos tricomonadídeos.
27
1.7 OBJETIVOS
1.7.1 Geral
Caracterizar funcional e morfologicamente os pseudocistos de T.
foetus procurando estabelecer critérios comparativos com o
trofozto.
1.7.2 Específicos
Avaliar a viabilidade dos pseudocistos.
Caracterizar o processo de adesão e citotoxicidade de pseudocistos
com células epiteliais e comparar com tricomonas piriformes.
Verificar a atividade endocítica em pseudocistos comparando com
tricomonas piriformes.
Verificar a capacidade mitótica dos pseudocistos e comparar com a
divisão celular dos parasitos piriformes.
28
2. MATERIAIS E MÉTODOS
2.1 C
ULTIVO IN VITRO DE TRITRICHOMONAS FOETUS
A cepa k de T. foetus foi isolada na década de 70 pelo Dr. Hélio Guida
(Embrapa, Rio de Janeiro, Brasil) da cavidade prepucial de um touro naturalmente
infectado do estado do Rio de Janeiro, Brasil.
O meio TYM (Diamond, 1957) foi utilizado no presente trabalho com a
seguinte composição: 22 mg/ml de triptose (BBL), 11 mg/ml de extrato de levedura
(BBL), 5,6 mg/ml de maltose (Sigma Chemical Co.), 1 mg/ml de L-cisteína (Sigma
Chemical Co.), 0,2 mg/ml de ácido ascórbico (Sigma Chemical Co.), 0,9 mg/ml de
fosfato de potássio monobásico (Vetec) e 0,9 mg/ml de fosfato de potássio dibásico
(Vetec). Após adicionar os componentes acima, o pH foi ajustado para 6,2 e o meio foi
autoclavado a 120ºC por 20 minutos.
Assim, os trofozoítos foram cultivados axenicamente em tubos de vidro de
8 mL contendo 7 mL de meio TYM , acrescido de 10% de soro fetal bovino (Laborclin)
inativado por calor (60ºC por 1 hora). As culturas foram mantidas em estufa
(Thermolyne – 19200) à 37ºC por 24 horas e o meio foi trocado após este período, que
corresponde à fase logarítmica de crescimento.
2.2 A
NÁLISE DAS CULTURAS AXÊNICAS
Com o objetivo de verificar a freqüência dos pseudocistos nas culturas
axênicas crescidas sem qualquer tipo de alteração física ou qmica do meio, três
amostras independentes de T. foetus cultivadas por 36 horas a 37ºC foram fixadas em
4% de formaldeído em 0.1M de tampão fosfato de sódio por 1 hora a temperatura
ambiente. Após a fixação, as células foram lavadas 2 vezes por centrifugação em PBS
(pH 7.2) e colocadas para aderir por 15 minutos em lamínulas previamente recobertas
com poli-L-lisina (0.1% em PBS pH 7.2) (Sigma Chemical Co.). Posteriormente, as
lamínulas foram lavadas em PBS para retirar as células que não aderiram e montadas
em lâminas. As amostras foram, então, observadas e contadas em microscopia de
29
contraste interferencial diferencial (DIC) no microscópio Zeiss Axioplan II utilizando
uma objetiva de 63X com número de abertura de 1.4. As porcentagens do número de
pseudocistos dentro da populão foram calculadas a partir de 1.000 células
analisadas aleatoriamente em cada amostra. Consideramos pseudocistos somente os
parasitos que possuam formas arredondadas ou amebóides e nenhum flagelo
externalizado.
2.3 T
ESTES DE INDUÇÃO E REVERSIBILIDADE DE PSEUDOCISTOS
Para induzir a formação de pseudocistos em T. foetus, tubos de cultura
com parasitos cultivados por 36 horas a 37ºC foram completamente imersos num
recipiente a 4ºC contendo uma mistura de gelo picado com água por um período de
até 4 horas. O meio de cultivo não foi trocado ou modificado e a temperatura do
sistema permaneceu praticamente constante no decorrer de todo o experimento. Os
pseudocistos estudados neste trabalho foram obtidos desta forma. Para verificar a
porcentagem de pseudocistos obtida durante a indução, a cada 30 minutos uma
alíquota foi retirada, fixada com 4% de formaldeído em 0,1M de tampão fosfato,
processada e analisada conforme descrito no item 2.2.
Para os testes de reversibilidade dos pseudocistos, algumas culturas de T.
foetus, depois de terem sido mantidas por 4 horas a 4ºC conforme descrito acima
foram recolocadas na estufa a 37ºC por mais 4 horas. A cada 30 minutos uma alíquota
foi retirada, fixada e analisada como descrito no item 2.2 e a porcentagem de
pseudocistos foi então registrada.
A cada 30 minutos dos testes de indução e reversibilidade dos
pseudocistos, uma alíquota também foi retirada para quantificar o número de parasitos
por mL. Esta análise quantitativa foi feita com parasitos não fixados em um
hemocitômetro (câmara de Neubauer). T. foetus cultivadas por 36 horas sob
condições física e química padrão foram usadas como controle para ambos os testes.
30
2.4 VIDEOMICROSCOPIA
Para melhor estudar o comportamento dos pseudocistos, uma alíquota foi
retirada a cada 30 minutos durante os ensaios de indução e reversibilidade dos
pseudocistos, e os parasitos foram, então, filmados ao microscópio óptico Zeiss
Axioplan II por microscopia de DIC, utilizando-se uma objetiva de 63X, N.A. 1.4. As
sequências de imagens foram obtidas com uma câmera CCD de alta resolução
(Hamamatsu C5985) acoplada ao microscópio e gravadas em tempo real em um vídeo
S-VHS (JVC). Posteriormente, as imagens do vídeo foram analisadas, selecionadas e
digitalizadas no programa KS300 versão 3.0 (Zeiss).
2.5
MICROSCOPIA ÓPTICA DE FLUORESNCIA
2.5.1 Marcadores Nucleares
2.5.1.1 DAPI
A fim de verificar possíveis alterões numéricas ou morfológicas nos
núcleos de T. foetus, os parasitos incubados a 4ºC por 4 horas foram centrifugados
por cerca de 5 minutos a 300g. Após descartar o sobrenadante, as células foram
fixadas, lavadas e aderidas em lamínulas conforme descrito no item 2.2.
Posteriormente, as células foram permeabilizadas com Triton X-100 (0.01% em PBS,
pH 7.2) (Sigma Chemical Co.) por 10 minutos, lavadas com PBS (pH 7.2) e, em
seguida, incubadas com DAPI (5 µg/ml) (Invitrogen) por 15 minutos no escuro. As
lamínulas foram, eno, lavadas em água destilada e montadas em lâminas com o
quido anti-decaimento Slowfade (Invitrogen). As lâminas foram observadas ao
microscópio óptico de fluorescência Zeiss Axiophot II (filtro λ=350-400 nm). As
imagens foram adquiridas com uma câmera CCD Hamamatsu e posteriormente
processadas no programa Adobe Photoshop 7.0 (Adobe). Os parasitos piriformes
cultivados por 36 horas sob condições normais e aqueles obtidos ao final do teste de
reversibilidade foram usados como controles do experimento.
31
2.5.1.2 Hoechst 33342 e Iodeto de Propídeo
Com o objetivo de verificar a viabilidade dos pseudocistos de T. foetus ao
final do teste de indução, os parasitos foram incubados ainda vivos, no próprio meio de
cultura, com o marcador Hoechst 33342 (10 µg/ml) (Sigma Chemical Co.) por 20
minutos, a 4ºC no escuro. Após este período, as células foram lavadas 3X com PBS
(pH 7.2) a 4ºC, incubadas com iodeto de propídeo (10 µg/ml) (Sigma Chemical Co.) e
imediatamente observadas ao microscópio óptico de fluorescência Zeiss Axiophot II
(Hoechst 33342 – filtro λ=350-400 nm; iodeto de propídeo – filtro λ=523 nm). As
imagens foram adquiridas e processadas conforme descrito anteriormente. Os
controles foram realizados com os parasitos piriformes cultivados sob condições
normais por 36 horas e os obtidos ao final do teste de reversibilidade. Para o controle
positivo, as células foram tratadas com DNAse I (10µg/mL) (Sigma Chemical Co.) por
10 minutos à temperatura ambiente.
2.5.2 Imunofluorescência
As análises do número e disposição dos axóstilos foram feitas através de
ensaios de imunofluorescência com a utilização do anticorpo monoclonal anti -β-tubulina
#357 (Amershan). Parasitos incubados à 4ºC por 4 horas foram fixados, lavados e
aderidos em lamínulas conforme descrito no item 2.2. Em seguida, as células foram
permeabilizadas com Triton X-100 (0.01% em PBS pH 8.0) por 10 minutos, lavadas
com PBS (pH 8.0) e bloqueadas com 50mM de cloreto de amônio por 30 minutos e,
depois, com 3% de PBS/BSA por 15 minutos. Após os bloqueios, os parasitos foram
incubados com o anticorpo anti-tubulina, diluído 1:20 em 3% de PBS/BSA, por 12
horas a 4ºC. Posteriormente, as lamínulas foram lavadas com PBS (pH 8.0) e
bloqueadas novamente com 3% de PBS/BSA por 15 minutos. Logo em seguida, as
células foram incubadas com o anticorpo secundário (anti-camundongo) conjugado
com Alexa 488 (Invitrogen), diluído 1:100 em 3% de PBS/BSA, por 40 minutos a
temperatura ambiente e no escuro. Finalmente, as lamínulas foram lavadas em PBS e
32
água destilada, e montadas em lâminas com o líquido anti-decaimento Slowfade. Em
alguns experimentos, as células foram incubadas com DAPI (5 µg/ml) por 15 minutos,
no escuro, antes de montar as lâminas e observá-las ao microscópio óptico de
fluorescência. As imagens foram adquiridas e processadas conforme descrito no item
2.5.1.1. Os controles usados foram os parasitos piriformes cultivados sob condições
normais por 36 horas e os que foram obtidos ao final do teste de reversibilidade.
2.6
MICROSCOPIA ELETRÔNICA
As microscopias eletrônicas de varredura e transmissão foram usadas para
analisar a ultraestrutura dos pseudocistos e estabelecer comparações morfológicas
com as tricomonas piriformes. Os pseudocistos foram obtidos como descrito no item
2.3, e os parasitos piriformes, conforme o item 2.2.
2.6.1 Microscopia Eletrônica de Varredura
Os parasitos foram coletados por centrifugação (conforme especificado no
item 2.5.1.1) e fixados com 2.5% de glutaraldeído em 0.1M de tampão fosfato de sódio
(pH 7.2) por cerca de 1 hora, a temperatura ambiente. Depois de fixadas, as células
foram lavadas 2 vezes em PBS (pH 7.2) e, então, colocadas para aderir por cerca de
15 minutos em lamínulas previamente recobertas com poli-L-lisina. Após este período,
as lamínulas foram lavadas novamente em PBS para retirar as células que não
aderiram. Em seguida, os parasitos foram pós-fixados por 15 minutos no escuro com
uma solução de tetróxido de ósmio a 1% em 0.1M de tampão fosfato de sódio (pH
7.2). Posteriormente, as lamínulas foram lavadas (3X) em PBS e, logo em seguida, as
células foram desidratadas em uma bateria de concentrações crescentes de etanol:
7.5%, 15%, 30%, 50%, 70%, 90% e 100% (2X). As lamínulas ficaram imersas por
cerca de 15 minutos em cada uma destas concentrações de etanol. Finalmente, as
lamínulas foram secas pelo método do ponto crítico do CO
2
, utilizando o aparelho Bal-
Tec CPD 030 e posteriormente levadas ao metalizador (Bal-Tec SCD 005) onde foram
revestidas por uma fina camada (25nm) de ouro. As amostras foram, então, montadas
33
em suportes metálicos apropriados, e observadas ao microscópio eletrônico de
varredura Jeol 5800.
2.6.2 Microscopia Eletrônica de Transmissão
Aslulas foram coletadas por centrifugação e fixadas por cerca de 1 hora
a temperatura ambiente com 2.5% de glutaraldeído em 0.1M de tampão cacodilato de
sódio (pH 7.2). Depois deste período, as células foram lavadas (3X) em PBS (pH 7.2)
e pós-fixadas por 30 minutos no escuro em uma solão de tetróxido de ósmio a 1%,
com 0.8% de ferricianeto de potássio e 5mM de cloreto de cálcio em 0.1M de tampão
cacodilato. Em seguida, as células foram lavadas (3x) em água destilada e colocadas
por 2 horas no escuro em uma solução de acetato de uranila a 2% em água destilada.
As células foram eno, novamente lavadas (3X) em água destilada e, em seguida,
centrifugadas por 10 minutos a 15.000g para que se obtivesse um sedimento
compacto. Este sedimento foi então, transferido para uma placa de Petri contendo
acetona 70% e cortado em pequenos fragmentos. A desidratação das células foi feita
em concentrações crescentes de acetona: 70%, 90% e 100% (2X) (15 minutos em
cada concentração). As células foram infiltradas por cerca de 48 horas em resina
epoxy Poly Bed 812 (Epon) (Polysciences, Inc) e polimerizadas em estufa a 60ºC por
72 horas. Após a polimerização, os blocos de Epon foram trimados e fatiados com
faca de diamante (Diatome) no ultramicrótomo (Leica – Ultracut UCT). Os cortes
ultrafinos de cor prateada (que medem aproximadamente 70nm) foram coletados em
grades de cobre, de 300 mesh e, posteriormente, contrastados no escuro com 5% de
acetato de uranila por 30 minutos e citrato de chumbo por 10 minutos. Finalmente, as
grades foram observadas ao microscópio eletrônico de transmissão Jeol 1210.
2.7
ENSAIOS DE ENDOCITOSE
Os seguintes traçadores foram utilizados para avaliar a atividade endocítica
em pseudocistos e comparar com tricomonas piriformes: (1) o corante fluorescente
Lucifer Yellow (Sigma Chemical Co.); (2) FITC-BSA (Invitrogen); (3) microesferas de
34
poliestireno; (4) lactobacilos; (5) Escherichia coli. Os pseudocistos foram obtidos
conforme mencionado no item 2.3, e os parasitos piriformes, como especificado no
item 2.2.
2.7.1 Traçadores fluorescentes
2.7.1.1 Lucifer Yellow e FITC-BSA
Os parasitos foram lavados (3X) em PBS (pH 7.2) morno (37ºC), coletados
por centrifugação e incubados por 1 hora a 37ºC em PBS (pH 7.2) contendo 1mg/mL
de Lucifer Yellow ou 500 µg/mL de FITC-BSA. Após a incubação, as células foram
lavadas novamente em PBS (pH 7.2) e aderidas em lamínulas conforme descrito no
item 2.2. Depois, as lamínulas foram montadas em lâminas com o líquido anti-
decaimento Slowfade e observadas ao microscópio óptico de fluorescência. As
imagens foram adquiridas e processadas conforme descrito no item 2.5.1.1.
2.7.1.2 Microesferas de Poliestireno Fluorescentes
Partículas de poliestireno medindo 1µm de diâmetro (Invitrogen) e
conjugadas com fluorocromos foram, primeiramente, suspensas em PBS na
concentração de 10
8
partículas/mL. Em algumas amostras, as microesferas foram
opsonizadas com soro bovino (SB) (Laborclin). A opsonização foi feita misturando-se
0.5mL de SB com 0.5 mL da suspensão de microesferas por 30 minutos a 37ºC em
agitação constante. Posteriormente, as microesferas foram colocadas para interagir
com as tricomonas em meio TYM sem soro por 1 hora a 37ºC. A relação entre
partículas e tricomonas utilizada durante as interações foi de 10:1. Depois da
interão, os parasitos foram coletados por centrifugação, lavados (3X) em PBS (pH
7.2) morno (37ºC) e fixados por 1 hora à temperatura ambiente com 4% de
formaldeído em 0.1M de tampão fosfato de sódio (pH 7.2). Após a fixação, as células
foram lavadas novamente (3x) em PBS (pH 7.2) e aderidas em lamínulas conforme
descrito no item 2.2. Por fim, as lamínulas foram montadas em lâminas e observadas
ao microscópio óptico de fluorescência (filtro λ=350-400nm). As imagens foram
35
adquiridas da mesma forma especificada no item 2.5.1.1 e, em seguida, processadas
com o programa Adobe Photoshop 7.0.
2.7.2 Traçadores Não-Fluorescentes
2.7.2.1 Microesferas de Poliestireno Não-Fluorescentes
Partículas de poliestireno medindo 0,96 µm de diâmetro (Polysciences, Inc)
foram suspensas em PBS na concentração de 10
8
partículas/mL. Em algumas
amostras, as microesferas foram opsonizadas com SB conforme descrito no item
2.7.1.2. Posteriormente, as microesferas foram colocadas para interagir com as
tricomonas em meio TYM sem soro por 1 hora a 37ºC. A relação entre partículas e
tricomonas utilizada durante as interações foi de 10:1. Após a interação, os parasitos
foram coletados por centrifugação, lavados (3X) em PBS (pH 7.2) morno (37ºC) e
fixados por 1 hora à temperatura ambiente com 2.5% de glutaraldeído em 0.1M de
tampão cacodilato de sódio (pH 7.2). Depois da fixação, as células foram processadas
para microscopia eletrônica de transmissão conforme mencionado no item 2.6.2.
2.7.2.2 Lactobacilos e Escherichia coli
Lactobacilos (medindo cerca de 1 µm de comprimento) obtidos a partir de
bebidas lácteas fermentadas (Yakult, SP, Brasil) e E. coli (ATCC 25922) foram lavados
em PBS (pH 7.2) e, em seguida, suspensos nas concentração de 10
7
bactérias/mL em
PBS. Em algumas amostras, a suspensão de bactérias foi misturada com SB na
proporção de 1:1 por 30 minutos a 37ºC em agitação constante. Posteriormente, as
bactérias foram incubadas por 1 hora à 37ºC junto com os parasitos em meio TYM
sem soro. A relação entre bactérias e tricomonas durante as interações foi de 10:1.
Em seguida, os parasitos foram coletados por centrifugação, lavados (3X) em PBS (pH
7.2) morno (37ºC) e fixados por 1 hora a temperatura ambiente com 2.5% de
glutaraldeído em 0.1M de tamo cacodilato de sódio (pH 7.2). Após a fixação, as
células foram processadas para microscopia eletrônica de transmissão conforme
mencionado no item 2.6.2.
36
2.7.3 Ensaio de Inibição
T. foetus foram previamente incubadas com SB por 10 minutos a 37ºC em
agitação constante. Em seguida, os parasitos foram co-incubados conforme descrito
no item 2.7.1.2 com as microesferas de poliestireno (fluorescentes e não
fluorescentes) revestidas com soro. Após a interação as amostras foram fixadas e
processadas para microscopia de fluorescência e microscopia eletrônica de
transmissão.
2.7.4 Fosfatase Ácida
Para verificar se os materiais endocitados pelos pseudocistos de T. foetus
foram direcionados para lisossomos, foram feitas análises citoquímicas pelo método
modificado de Robinson e Karnovsky (1983) para detectar a presença da enzima
fosfatase ácida. Após a interação com partículas de poliestireno conforme descrito no
item 2.7.2.1, os parasitos foram coletados por centrifugação, lavados (3X) em PBS (pH
7.2) a 37ºC e fixados por 1 hora à temperatura ambiente com 2.5% de glutaraldeído
em 0.1M de tampão cacodilato de sódio (pH 7.2). Depois de fixadas, as tricomonas
foram lavadas (2X) com 0.1M de tampão cacodilato de sódio (pH 7.2) e, em seguida
lavadas (2X) com 0.1M de tampão TRIS-maleato (pH 5.0). Após as lavagens, as
células foram incubadas por 1 hora a temperatura ambiente em uma solução contendo
10mM de β-glicerofosfato de sódio e 2.4mM de nitrato de chumbo em 0.1M de tampão
TRIS-maleato (pH 5.0). Em seguida, as células foram novamente lavadas (2X) em
0.1M de tampão TRIS-maleato (pH 5.0) seguido de mais duas lavagens em 0.1M de
tampão cacodilato de sódio (pH 7.2). Depois, os parasitos foram submetidos ao
processamento de microscopia eletrônica de transmissão como especificado no item
2.6.2.
37
2.7.5 Quantificação da Endocitose
2.7.5.1 Capacidade de Adesão
A capacidade de adesão foi definida como o número médio de partículas
de poliestireno fluorescentes aderidas por parasito. Os parasitos foram inicialmente
incubados a 4ºC por 45 minutos. Posteriormente, aslulas foram incubadas com as
microesferas de poliestireno fluorescentes (revestidas e não revestidas com SB) por
30 minutos a 4ºC. Após a incubação, as células foram lavadas (3X) em PBS (pH 7.2) e
aderidas em lamínulas revestidas com poli-L-lisina. Em seguida, as lamínulas foram
lavadas em PBS (pH 7.2) e montadas em lâminas com o líquido anti-decaimento
Slowfade. Três experimentos independentes foram realizados em duplicatas e
analisados por microscopia de fluorescência. Os campos microscópicos foram
selecionados aleatoriamente e todos os parasitos presentes em cada campo foram
examinados. A capacidade de adesão foi determinada pela média do número de
partículas aderidas por parasito em 1.000 células por amostra.
2.7.5.2 Habilidade Endocítica
A habilidade endocítica foi definida como a porcentagem de parasitos
dentro da população que continham uma ou mais partículas de poliestireno
fluorescentes (revestidas e não revestidas com SB). Três ensaios independentes de
endocitose com microesferas de poliestireno fluorescentes foram realizados em
duplicatas e analisados por microscopia de fluorescência. Os campos microscópicos
foram selecionados conforme descrito no item 2.7.5.1. A habilidade endocítica foi
determinada pela média das contagens de 1000 células por amostra.
2.7.5.3 Quantificação de Fluorescência
As imagens adquiridas após os ensaios de endocitose com os traçadores
Lucifer Yellow e FITC-BSA foram analisadas com o programa ImageJ v. 1.4. Todas as
imagens foram adquiridas com o mesmo tempo de exposição, brilho, contraste e
saturação. A partir das imagens, o programa gerou um espectro de cores e um gráfico
38
tridimensional. Com base no espectro de cores, cada pico no gráfico representa uma
intensidade de pixel em unidades arbitrárias (UA) que está diretamente associado com
a intensidade de fluorescência registrada na imagem original. Os valores dos picos
foram, então, plotados” em imagens bidimensionais.
2.7.5.4 Análise Morfométrica
A análise morfométrica da endocitose foi realizada por microscopia
eletrônica de transmissão de acordo com o método de Weibel (1969). Para estimar o
volume relativo dos vacúolos contendo materiais endocitados em relação ao volume
total da célula, cerca de 50 cortes de parasitos provenientes dos materiais
processados no item 2.7.2.1 foram analisados. Para garantir que não houvesse erro
de amostragem, os cortes analisados foram obtidos de diferentes blocos do mesmo
material, sendo que, de cada bloco foi obtida apenas uma única grade, e de cada
grade apenas um único corte foi analisado. As amostras foram fotografadas e, em
seguida, os negativos foram digitalizados no Scanner HP G4050 (Hewlett Packard). As
imagens digitalizadas foram medidas com auxílio do programa Adobe Photoshop 7.0.
As medidas obtidas foram analisadas segundo o princípio de Dellesse, que postula
que a área relativa ocupada por uma estrutura dentro de cortes aleatórios de um sólido
tridimensional corresponde ao seu volume relativo. Desta forma, o volume relativo (Vr)
dos vacúolos contendo os materiais endocitados é igual ao resultado da divisão da
área dos vacúolos nos cortes (Av) pela área de todo o corte (At). Assim: Vr = Av/At
2.8
ENSAIOS DE INTERAÇÃO PARASITO/CÉLULA-HOSPEDEIRA E CITOTOXICIDADE
Foram realizados testes de interação entre pseudocistos de T. foetus e
células MDCK com o intuito de comparar os processos de adesão e citotoxicidade
exercidos pelas tricomonas piriformes e pelos pseudocistos nas células epiteliais. Os
pseudocistos foram obtidos conforme descrito no item 2.3, e os parasitos piriformes,
como mencionado no item 2.2. Após o ensaio de indução, os pseudocistos foram
imediatamente transferidos para tubos de vidro de 8 mL contendo 7 mL de meio
39
DMEM e mantidos a 37ºC. Ensaios prévios revelaram que taxa de reversibilidade dos
pseudocistos foi bem pequena (cerca de 10%) quando eles foram mantidos somente
em meio DMEM. Entretanto, a incubação dos parasitos pirifomes em meio DMEM não
foi suficiente para induzir a formação dos pseudocistos.
As células MDCK (Madin-Darby canine kidney) foram cultivadas em placas
de 24 poços contendo meio DMEM (Sigma Chemical Co.) suplementado com 10% de
SFB até atingirem confluência e formarem uma monocamada. Posteriormente, os
parasitas foram adicionados às monocamadas, obedecendo a uma proporção de
parasita-célula hospedeira de 10:1, e, em seguida, foram incubados por diferentes
tempos a 37ºC em meio DMEM sem soro. Como controle, os parasitos não foram
adicionados às monocamadas. Depois dos períodos de interação, as células foram
fixadas e processadas para microscopia eletrônica de varredura e transmissão
conforme mencionado, respectivamente, nos itens 2.6.1 e 2.6.2.
Os testes de citotoxicidade foram realizados conforme descrito por Alderete
& Pearlman (1984). As interações entre tricomonas e células epiteliais, incluindo o
controle, foram feitas da mesma forma como descrito acima. Entretanto, ao final dos
tempos de incubação, as células foram lavadas (3X) com PBS morno (pH 7.2) e
fixadas por 20 minutos a temperatura ambiente com 2% de formaldeído em PBS (pH
7.2). Após a fixação, a células remanescentes foram novamente lavadas (3X) com
PBS e coradas com uma solução contendo 0.13% de cristal violeta, 5% de etanol e
2% de formaldeído em água destilada. Subsequentemente, as células coradas foram
lavadas (3X) em água destilada e, então, secas ao ar. Depois de seco, o corante
remanescente nas placas foi solubilizado com uma mistura contendo 1% de SDS e
50% de etanol em água destilada. Por fim, a solução corada foi levada a um
espectrofotômetro (Micronal B580, SP, Brasil) para a leitura da absorbância em 570nm
de comprimento de onda. A citotoxicidade foi expressa como a porcentagem de
corante remanescente nos poços onde a interação ocorreu em relação à quantidade
de corante presente nas monocamadas controle (sem parasito).
40
3. RESULTADOS
3.1 A
NÁLISES DAS CULTURAS AXÊNICAS
As análises morfológicas realizadas em culturas de T. foetus cultivadas por
36 horas sob condições padrão mostraram que a maioria das tricomonas (em torno de
92% da população) apresenta o típico formato piriforme com os flagelos externalizados
(Fig. 6a, c). Contudo, mesmo sob estas condições de cultivo, aproximadamente 8% da
população encontravam-se sob a forma de pseudocisto (Fig. 6b, c).
3.2 I
NDUÇÃO DOS PSEUDOCISTOS
Devido à baixa frequência de pseudocistos nas culturas de T. foetus
mantidas sob condições padrão, é indispensável, para os estudos in vitro destas
formas, métodos eficientes para induzir a transformação dos parasitos piriformes em
pseudocistos. Sabe-se que T. foetus pode formar pseudocisto quando incubada por
um determinado período de tempo em temperaturas inferiores a 18ºC (Granger et al.,
2000). Portanto, neste estudo, com o objetivo de se obter uma quantidade apreciável
de pseudocistos, culturas de T. foetus foram mantidas a 4ºC por 4 horas após terem
sido cultivadas por 36 horas a 37ºC. Ao final do teste de indução, aproximadamente
95% dos parasitos havia se transformado em pseudocistos (Fig. 7). O número de
células por mL permaneceu inalterado durante todo ensaio de indução (Fig. 8),
indicando que os parasitos não sofreram lise e que provavelmente ocorreu um
bloqueio na divisão celular.
O uso combinado dos marcadores fluorescentes Hoechst 33342 e iodeto de
propídeo constitui uma ferramenta valiosa para traçar o perfil de viabilidade celular. O
Hoechst tem a propriedade de corar diferencialmente o núcleo de células viáveis (azul
escuro) e apoptóticas (azul claro brilhante), enquanto o iodeto de prodeo penetra
somente nas células que perderam a permeabilidade seletiva da membrana
plasmática corando, assim, o núcleo de vermelho. Portanto, com o objetivo de verificar
a viabilidade dos pseudocistos, os parasitos foram incubados ao final do teste de
41
indução com estes marcadores (Figs. 9-10). O controle positivo foi feito com células
tratadas com DNAse I (Fig. 9a-b). Parasitos piriformes cultivados sob condições
padrão foram utilizados como controle negativo (Figs. 9c-d; 10). Após incubação com
Hoechst, o núcleo dos parasitos piriformes tratados com DNAse I apresentou
coloração azul brilhante e intensa fragmentação (Fig. 9a-b). Resultados similares
foram obtidos com os pseudocistos tratados com DNAse (dados não mostrado).
Entretanto, após a marcação com o Hoechst, a fragmentação nuclear não foi
observada nos parasitos do controle negativo (Fig. 9c-d) e nos pseudocistos (Fig. 9e-f)
indicando a preservação da integridade do núcleo. A maioria das células cultivadas
sob condições padrão ou submetidas ao teste de indução de pseudocistos apresentou
marcação negativa para o corante iodeto de propídeo (resultados não mostrados).
Análises quantitativas dos ensaios de viabilidade mostraram que, assim como no
controle negativo, cerca de 96% das tricomonas estavam viáveis ao final do teste de
indução de pseudocistos (Fig. 10). Quando os parasitos foram mantidos à 4ºC por 24
horas o número de células por mL continuou praticamente inalterado e os
pseudocistos permaneceram viáveis (resultados não mostrados).
3.3 R
EVERSIBILIDADE DOS PSEUDOCISTOS
Após os testes de indução de pseudocistos, algumas amostras foram re-
incubadas na estufa a 37ºC por mais 4 horas. No decorrer deste período, os
pseudocistos foram reassumindo a morfologia piriforme (Fig. 7) e o número de células
por mL voltou a crescer (Fig. 8). Ao final do ensaio de reversibilidade, os pseudocistos
voltaram a representar apenas 8% da população, ou seja, a mesma freência
encontrada em culturas mantidas sob condições padrão (Fig. 7). A quantidade de
parasitos por mL nos testes de reversibilidade aumentou mais rapidamente do que nas
culturas crescidas sob condições padrão (Fig. 8). Ensaios qualitativos e quantitativos
de viabilidade mostraram que as células permaneceram viáveis ao final do teste de
reversibilidade (Figs. 9g-h; 10).
42
Figura 6. Análise morfológica de T. foetus cultivadas sob condições
p
adrão por 36
horas à 37ºC. a-b, visão geral de T. foetus piriforme (a) e em pseudocisto (b
)
observadas por microscopia de DIC. Observa-se que os parasitos piriforme
s
apresentam os flagelos anteriores (FA) e o recorrente (FR) exteriorizados, bem
como, uma projeção na sua extremidade posterior (seta) formada pela região
terminal do axóstilo (Ax). Nota-se que nos pseudocistos os flagelos não são
visíveis já que estão localizados no interior do parasito. N, núleo; H,
hidrogenossomos. Barras,m; c, porcentagem dos pseudocistos nas culturas
axênicas padrão. Os dados equivalem à média das duplicatas de três amostra
s
independentes ± Desvio Padrão. Foram analisadas 1.000 células aleatoriamente
em cada material. Observa-se que aproximadamente 8% da polulação
encontravam-se sob a forma de pseudocisto.
c
43
Figura 7. Análise morfológica de T. foetus durante os ensaios de indução
(
) e
reversibilidade () dos pseudocistos. T. foetus cultivadas por 36 horas a 37ºC () foram
usadas como controle para ambos os testes. Os dados representam a média da
proporção de pseudocistos nas du
p
licatas de três amostras independentes ± Desvio
Padrão. Foram analisadas 1.000 células aleatoriamente de cada condição experimental.
Observa-se que
ao final do teste de indução, aproximadamente 95% dos parasitos havia
se transformado em pseudocistos. Após os ensaios de reversibilidade, os pseudocistos
voltaram a representar apenas 8% da população, ou seja, a mesma freqüência
encontrada em culturas mantidas sob condições padrão.
44
Figura 8. Análise do número de T. foetus por mL durante os ensaios de indução
(
) e
reversibilidade () dos pseudocistos. T. foetus cultivadas por 36 horas a 37ºC () foram
utilizadas como controle para ambos os testes. Os dados representam a média da
s
duplicatas de três amostras independentes ± Desvio Padrão. Observa-se que o número
de células por mL permaneceu inalterado durante todo ensaio de indução, enquanto
durante os testes de reversibilidade, a quantidade de parasitos por mL aumentou mai
s
rapidamente do que nas culturas crescidas sob condições padrão.
0,5
0,7
0,9
1,1
1,3
1,5
1,7
1,9
2,1
2,3
0 30 60 90 120 150 180 210 240
Número de parasitos X 10
6
/mL
Tempo (minutos)
Parasitos à 37ºC
Parasitos à 4ºC após serem cultivados por 36 h à 37ºC
Parasitos à 37ºC após serem mantidos por 4 h à 4ºC
após 36 h de cultivo
45
Figura 9. T. foetus incubadas com o marcador nuclear Hoechst 33342. Os parasitos podem ser observados
por DIC (a, c, e, g) seguido pelas respectivas imagens de microscopia de fluorescência (b, d, f, h). Estas
células apresentaram marcação negativa para o corante fluorescente iodeto de propídeo; a-b, controle
positivo: parasito piriforme tratado com DNAse I. Observa-se a fragmentação nuclear (cabeça de seta
branca); c-d, T. foetus piriforme cultivada sob condições padrão: a fragmentação nuclear não foi observada.
O parasito apresentou marcação negativa; e-f, parasitos após o teste de indução de pseudocistos. As
células foram incubadas a 4ºC por 4 h e não apresentaram fragmentação nuclear. Nota-se que alguns
pseudocistos apresentam mais de dois núcleos (setas pretas). g-h, parasitos incubados por 2 h a 37ºC após
o ensaio de indução dos pseudocistos. A fragmentação nuclear não foi observada. Nota-se que alguns
parasitos apresentam novamente a morfologia piriforme (setas brancas). Observe que um parasito piriforme
estava se desprendendo de um organismo multinucleado (cabeça de seta preta). Barras, 2µm.
46
Figura 10. Viabilidade de T. foetus durante os ensaios de indução e reversibilidade
dos pseudocistos. T. foetus cultivadas por 36 horas a 37ºC foram usadas com
o
controle para ambos os testes. Os parasitos vivos foram incubados com o
s
marcadores fluorescentes Hoechst 33342 e iodeto de propídeo e, posteriormente,
observados ao microscópio óptico de fluorescência. Os dados estão expressos como
a
média das duplicatas de três amostras independentes ± Desvio Padrão. Fora
m
analisadas 1.000 células aleatoriamente em cada material. Nota-se que os ensaios de
indução e reversibilidades dos pseudocistos não afetaram a viabilidade dos parasitos.
47
3.4 MITOSE DOS PSEUDOCISTOS
Estudos prévios mostraram que os pseudocistos são capazes de se dividir
de um modo distinto da mitose realizada pelos organismos piriformes (Ribeiro et al.,
2002a; Pereira-Neves et al., 2003). Entretanto, há várias questões em aberto
referentes à morfogênese da mitose dos pseudocistos, tais como: (1) a participação do
axóstilo e dos flagelos durante o processo mitótico e (2) avaliar se os pseudocistos
realizam a citocinese. Portanto, para tentar elucidar estas questões e comparar a
mitose dos pseudocistos com os nossos conhecimentos prévios sobre o processo
mitótico no parasito piriforme (Ribeiro et al., 2000; 2002a; 2002b), empregamos
técnicas complementares, como imunofluorescência (Fig. 11), videomicroscopia (Fig.
12) e microscopia eletrônica de transmissão (Figs. 13-15).
Durante a interfase, os pseudocistos apresentam um único núcleo e apenas
um conjunto de estruturas esqueléticas, como o complexo pelta-axóstilo (Fig. 11c-d).
Entretanto, diferentemente dos parasitos piriformes (Fig. 11a-b), o axóstilo dos
pseudocistos apresenta uma forma curva ao invés de axial (Fig. 11c-d). No início da
mitose, os flagelos, o axóstilo e a costa são duplicados e o núcleo aumenta de volume
(Pereira-Neves et al., 2003). Em seguida, os corpúsculos basais duplicados, que
estavam inicialmente localizados lado-a-lado, migram para lados opostos (Figs.
11e-f;
12a-h; 13a). Enquanto os corpúsculos basais se deslocam, os microtúbulos, nucleados
a partir dos atractóforos, interagem diretamente com o envelope nuclear, ou com os
microtúbulos provenientes do pólo oposto, formando os fusos de pólo-a-núcleo e de
pólo-a-pólo, respectivamente (Figs. 11e-h; 12a-h; 13-15). Durante a migração dos
corpúsculos basais, o fuso de pólo-a-pólo é polimerizado lateralmente ao núcleo e
forma um feixe coeso de microtúbulos que liga um pólo ao outro (Figs. 11e-h; 12a-h;
13a). Ao se alongar, este feixe pressiona o núcleo de modo a formar uma invaginação
na superfície desta organela semelhante a um canal (Fig. 13b).
Os microtúbulos de pólo-a-núcleo formam pequenos feixes que se ancoram
em regiões especializadas do envelope nuclear (Figs. 14-15). Como previamente
48
descrito por Brugerolle (1975), estas regiões de ancoragem são compostas por placas
que apresentam uma camada fibrilar citoplasmática (onde os microtúbulos irão se
conectar) e por um material eletrondenso que recobre as duas membranas nucleares.
Ocasionalmente, massas de cromossomos são observadas próximas destas regiões
(Fig. 14). No transcorrer da mitose, os microtúbulos de pólo-a-núcleo são encurtados.
Como consequência, o envelope nuclear é puxado em direção aos cinetossomos
formando projeções digitiformes (Fig. 14). É interessante observar que os microtúbulos
do fuso são polimerizados mesmo com os parasitos mantidos a uma temperatura de
4ºC.
Nos experimentos de imunofluorescência utilizando anticorpos anti-tubulina,
o axóstilo não foi detectado nas fases iniciais da mitose dos pseudocistos (Fig. 11e-f).
Entretanto, por microscopia eletrônica de transmissão, esta estrutura foi facilmente
observada em todas as fases de divisão celular dos pseudocistos (Figs. 13b; 14-15).
Ao contrário do que ocorre nos parasitos piriformes, a participação dos axóstilos no
processo de cariocinese não foi observada durante a mitose dos pseudocistos.
Portanto, é possível que o fuso de pólo-a-núcleo seja o responsável pela cariocinese
(Fig. 15).
Após a cariocinese, os microtúbulos de pólo-a-pólo continuam a crescer
(Fig. 11i-l) e, aparentemente, auxiliam a direcionar as duas células-filhas para os pólos
opostos (Fig. 11i-l). Posteriormente, estes microtúbuloso despolimerizados. A
citocinese não ocorre e o pseudocisto se torna binucleado (Figs. 11m-n; 12i; 16a). Os
dois núcleos com suas respectivas estruturas mastigontes compartilham a mesma
membrana plasmática e citoplasma (Figs. 11m-n; 12i; 16a).
49
Figura 11. T. foetus observadas por DIC (a, c, e, g, i, k, m) seguido pelas respectivas imagens de
imunofluorescência (b, d, f, h, j, l, n) com o anticorpo monoclonal anti-
β
-tubulina (verde). O núcleo das
células (azul) foi marcado com DAPI. a-b, parasito piriforme em interfase cultivado sob condições padrão.
Nota-se que o complexo pelta-axóstilo (Pe-Ax) apresenta uma forma axial; c-n, T. foetus durante o teste de
indução de pseudocistos.Os parasitos foram incubados a 4ºC por 2 horas; c-d, pseudocisto em interfase.
Observa-se que os flagelos (F) estão internalizados e que o axóstilo (Ax) assumiu uma forma curva; e-l,
pseudocistos durante a mitose; o fuso de pólo-a-pólo (S) pode ser visto com um estreito feixe localizado
entre os cinetossomos e acima do núcleo (f, h). Em f, o axóstilo não foi marcado. Em h, somente um
axóstilo (Ax) é claramente visível; i-l, pseudocistos após a cariocinese. Os dois núcleos e as estruturas
esqueléticas duplicadas, como os axóstilos (Ax
1
e Ax
2
), estão direcionados para lados opostos. O fuso de
pólo-a-pólo (S) ainda pode ser observado; m-n, pseudocistos binucleados (setas) formados após a mitose.
Barras, 2µm.
50
Figura 12. Videomicroscopia de pseudocisto de T. foetus em processo
mitótico. O parasito foi incubado a 4ºC por 2 horas. As imagens são de
microscopia de DIC e foram captadas sequencialmente por uma câmera CCD
acoplada a um vídeo-cassete Super-VHS. Os intervalos de tempo entre um
quadro e outro estão indicados no canto superior direito. a-h, os cinetossomos
duplicados (cabeça de seta) se encontram em lados opostos do núcleo. O fuso
de pólo-a-pólo (seta) pode ser visto com um estreito feixe localizado entre os
cinetossomos e acima do núcleo; i, a cariocinese foi completada cerca de 5
minutos após a imagem registrada no quadro a. Nota-se a presença de dois
núcleos (N1 e N2). Barra, 4µm.
51
Figura 13. Microscopia eletrônica de transmissão dos pseudocistos de T. foetus
durante a mitose. Os parasitos foram incubados a 4ºC por 4 horas; a, corte
longitudinal do parasito. Os corpúsculos basais (CB) foram duplicados e se
encontram direcionados para pólos opostos. Os atractóforos (asterisco),
localizados abaixo dos corpúsculos basais, são os responsáveis pela nucleação
dos microtúbulos do fuso de pólo-a-pólo (seta). Observa-se que o fuso de pólo-a-
pólo forma um feixe coeso localizado lateralmente ao núcleo (N); b, corte
transversal do pseudocisto. Nota-se que o fuso de pólo-a-
p
ólo (seta) forma uma
invaginação na superfície do núcleo (N). G, complexo de Golgi; Ax, axóstilo.
Barras, 500nm.
CB
52
foetus em mitos
e
o
i incubado a 4º
C
a
do
s
. Nota-se a
b
ulos do fuso são
b
ulos de pólo-a-
i
nadas áreas da
e
rvadas próximas
e
nvelope nuclea
r
l
exo de Golgi; V,
53
Figura 15. Microscopia eletrônica de transmissão de um pseudocisto de T. foetu
s
após a cariocinese. O parasito foi incubado a 4ºC por 4 horas. a, visão geral:
observa-se que os flagelos (F) estão internalizados. A célula apresenta estruturas
duplicadas, como o núcleo (N
1
e N
2
), o complexo de Golgi (G) e os corpúsculos
basais (CB). Observa-se que os corpúsculos basais duplicados (CB) se encontram
direcionados para lados opostos da célula. Nota-se a presença da pelta (Pe) e do
axóstilo (Ax); b, c, detalhes da região dos corpúsculos basais. Os atractóforo
s
(asterisco) estão localizados abaixo dos corpúsculos basais. Observa-se que os
microtúbulos do fuso de pólo-a-núcleo (seta) originam-se do atractóforo. V,
vesículas; H, hidrogenossomos. Barras, 500nm.
54
Figura 16. Microscopia eletrônica de transmissão de pseudocistos de T. foetus após a mitose. Os parasito
s
foram incubados a 4ºC por 4 horas. Observa-se que os flagelos (F) estão internalizados; a,
p
seudocisto
binucleado. Nota-se que os dois núcleos (N
1
e N
2
) e suas respectivas estruturas mastigontes, como pelta
(Pe
1
e Pe
2
), axóstilo (Ax
1
e Ax
2
) e complexo de Golgi (G
1
e G
2
), encontram-se lado-a-lado; b,
p
seudocist
o
multinucleado. Observa-se a presença de pelo menos três núcleos. CB, corpúsculos basais; V, vesículas; H,
hidrogenossomos; C, costa. Barras,m.
55
3.5 FORMAÇÃO DOS PSEUDOCISTOS MULTINUCLEADOS
Observamos que enquanto as condições dos testes de indução foram
mantidas, os pseudocistos binucleados continuaram a realizar sucessivas divies
nucleares sem a ocorncia da citocinese, formando células policariomastigontes ou
multinucleadas (Fig. 17a-d). Estes organismos são constituídos por uma grande
massa citoplasmática com vários núcleos e seus respectivos complexos mastigontes
(Figs. 9g-h; 16b; 17e-f; 18a-h). Análises feitas por microscopia de fluorescência
revelaram que as sucessivas divisões celulares nos pseudocistos binucleados podem
ocorrer de duas formas: (1) não sincronizada, onde um dos cariomastigontes se
duplica enquanto o outro permanece em interfase (Fig. 17a-b); ou (2) sincronizada, em
que os dois núcleos se dividem ao mesmo tempo (Fig. 17c-d). Observações feitas por
videomicroscopia mostraram que, nestas células, cada núcleo com suas respectivas
estruturas mastigontes se movimenta de forma independente dos outros (Fig. 18a-h).
Os flagelos internalizados continuam a bater provocando intensas ondulações na
membrana plasmática dos pseudocistos multinucleados (Fig. 18a-h). Análises
quantitativas obtidas através do marcador nuclear DAPI revelaram que, ao contrário
dos parasitos cultivados sob condições padrão, a maior parte da população de
pseudocistos (cerca de 88%) ao final dos ensaios de indução era formada por células
contendo de 2 a 4 núcleos (Fig. 19). Aproximadamente 4% dos pseudocistos
continham de 5 a 6 núcleos (Fig. 19). Quando os parasitos foram mantidos a 4ºC por
mais de 24 h, notou-se que cerca de 6% dos pseudocitos continham de 7 a 8 núcleos,
mas a maioria das células (aproximadamente 60%) apresentou de 4 a 6 núcleos
(resultados não mostrados). A presença de células com um número ímpar de núcleos
confirma que o processo mitótico entre os cariomastigontes não é necessariamente
sincronizado. É importante ressaltar que a grande maioria dos pseudocistos
multinucleados estava viável (Figs. 9e-f; 10).
Um fenômeno interessante foi observado quando os pseudocistos
multinucleados foram reaquecidos a 37ºC após serem mantidos por 4 horas a 4ºC. Os
56
organismos multinucleados externalizaram os seus flagelos (Figs. 18i-p; 20a-b) e,
então, cada indiduo piriforme foi gradualmente se individualizando e se
desprendendo por completo da célula multinucleada. Estas observações foram feitas
por microscopia de fluorescência (Figs. 9g-h; 17g-h), videomicroscopia (Fig. 18i-x) e
microscopia eletrônica de transmissão (Fig. 20). Estes resultados poderiam, portanto,
explicar o fato do número de células por mL ter aumentado mais rapidamente durante
os testes de reversibilidade do que quando as culturas foram mantidas estritamente
sob condições-padrão (Fig. 8). Análises realizadas por videomicroscopia revelaram
que durante os ensaios de reversibilidade os pseudocistos multinucleados
externalizaram primeiramente os flagelos anteriores e, em seguida, os recorrentes
(Fig. 18i-p). Os batimentos dos flagelos externalizados pareciam gerar força motora
para que os organismos piriformes se destacassem completamente da célula
multinucleada (Fig.18q-x). O axóstilo dos parasitos piriformes foi a ultima estrutura a
se desprender da massa citoplasmática dos organismos multinucleados (Figs. 17g’’-
h’’; 18v). Imagens obtidas por microscopia eletrônica de transmissão mostraram a
presença de estruturas filamentosas entre a célula multinucleada e os parasitos
piriformes que se desprendiam. (Fig. 20c-d).
Após 4 horas a 37ºC, os pseudocistos multinucleados voltaram a ser raros
nas culturas de T. foetus e a maioria da populão (cerca de 80%) tornou a ser
constituída por parasitos mononucleares (Fig. 17). Resultados similares foram obtidos
quando os parasitos foram mantidos a 4ºC por mais de 24 h (dados não mostrados).
57
Figura 17. Pseudocistos multinucleados observados por DIC (a, c, e, g’, g’’) seguido
p
elas respectivas
imagens de imunofluorescência (b, d, f, h’, h’’) com o anticorpo monoclonal anti-
β
-tubulina (verde). O núcleo
das células (azul) foi marcado com DAPI. a-d, os parasitos foram incubados a 4º por 4 h. Em a-b, observa-
se um pseudocisto com três núcleos. Nota-se que o processo mitótico entre os cariomastigontes não é
sincronizado: dois núcleos estão conectados pelo fuso de pólo-a-pólo (s) enquanto o terceiro não está em
mitose. Em b, embora os axóstilos estejam triplicados, somente um deles é visível; os outros dois estão nu
m
plano focal diferente; c-d, célula multinucleada contendo quatro núcleos conectados pelos seus respectivo
s
fuso de pólo-a-pólo (s
1
e s
2
); e-f, pseudocistos incubados a 4ºC por 4 horas. Após este período muito
parasitos possuíam mais de dois núcleos e axóstilos (setas brancas); g’-h’, g’’-h’’, dois diferentes planos
focais de um parasito incubado por 30 min a 37ºC após o teste de indução. Note que um organismo
piriforme estava se desprendendo do pseudocisto multinucleado (seta preta). Barras, 2µm.
58
Figura 18. Videomicroscopia de um pseudocisto multinucleado contendo cinco núcleos (N). O
parasito foi incubado por 1 h a 37ºC após o teste de indução. Os intervalos de tempo entre um
quadro e outro estão indicados no canto superior direito. Observe que cada cariomastigonte se
movimenta de forma independente dos outros. a-h, nota-se que os batimentos dos flagelos
internalizados provocam intensas ondulações na membrana plasmática da célula; i-l os flagelos
anteriores (AF) foram externalizados. C, costa. Barra, 4µm.
59
Figura 18 (continuação). Videomicroscopia de um pseudocisto multinucleado contendo cinco
núcleos. O parasito foi incubado por 1 h a 37ºC após o teste de indução. Os intervalos de tempo
entre um quadro e outro estão indicados no canto superior direito. m-x, o flagelo recorrente (RF)
foi externalizado. Os batimentos dos flagelos parecem gerar força suficiente para que um dos
cariomastigontes (N1) consiga se individualizar e se desprender completamente dos outros. Em
v, nota-se que antes de se destacar, o axóstilo (cabeça de seta) do cariomastigonte N1 ainda
permanecia ligado à massa citoplasmática da célula multinucleada. Ax, axóstilo. Barras, 4µm.
60
Figura 19. Análise do número de núcleos por célula durante os ensaios de indução e
reversibilidade dos pseudocistos. Parasitos cultivados por 36 horas a 37ºC foram usados com
o
controle. As células foram incubadas com o composto fluorescente DAPI e, posteriorment
e
observadas no microscópio óptico de fluorescência. Os dados re
p
resentam a média das
duplicatas de três amostras independentes ± Desvio Padrão. Foram analisadas 1.000 células
aleatoriamente em cada material.
Ao final dos ensaios de indução, a maior parte da população
de T. foetus era formada por parasitos multinucleados. Nota-se que após os ensaios de
reversibilidade, as células multinucleadas voltaram a ser raras e a maioria da população tornou
a ser constituída por parasitos mononucleados.
61
Figura 20. T. foetus multinucleadas observadas por microscopia eletrônica de transmissão. Os parasito
s
foram incubados a 37ºC por 1 hora após o teste de indução. Os flagelos recorrentes (FR) fora
m
externalizados. a, a partir do número de núcleos (N) e de axóstilos (Ax), nota-se a presença de
p
elo meno
s
três cariomastigontes; b, é possível observar que a célula apresenta pelo menos quatro complexos pelta-
axostilares (Pe-Ax). Repare na célula da fig. c a presença de uma projeção (seta) que pode sugerir o
desprendimento de um cariomastigonte. Em d, podemos observar esta projeção em detalhe. Estrutura
s
filamentosas conectam a célula multinucleada com a projeção (asterisco). G, complexo de Golgi; H,
hidrogenossomo; C, costa; V, vesículas. Barras, 1µm.
62
3.6 ATIVIDADE ENDOCÍTICA DOS PSEUDOCISTOS
Técnicas complementares de microscopia óptica e eletrônica foram usadas
com o objetivo de acompanhar o processo endocítico em pseudocistos de T. foetus e
comparar com as tricomonas piriformes. Os parasitos foram submetidos a ensaios de
endocitose utilizando diferentes traçadores, tais como: Lucifer yellow, FITC-BSA e
partículas de poliestireno. Foram feitos também ensaios endocíticos utilizando
lactobacilos e Escherichia coli como traçadores. Contudo, nenhuma das duas formas
de T. foetus foi capaz de ingerir estas bactérias, mesmo quando foram opsonizadas
com soro bovino.
Os traçadores fluorescentes FITC-BSA (Fig. 21a-d) e Lucifer yellow (Fig.
21e-h) foram usados para localizar os compartimentos endocíticos em ambas as
formas de T. foetus. As duas formas do parasito foram capazes de ingerir estes
marcadores. Inúmeras vesículas foram observadas distribuídas aleatoriamente por
todo o citoplasma dos parasitos piriformes e pseudocistos (Fig. 21a-h). Entretanto, os
pseudocistos apresentaram uma quantidade de vesículas muito maior do que as T.
foetus piriformes (Fig. 21a-h). De acordo com as análises quantitativas de
fluorescência, quando os corantes FITC-BSA e Lucifer yellow foram utilizados, a
intensidade de marcação dos compartimentos endossomais dos pseudocitos foi,
respectivamente, 1,72 e 1,79 vezes maior do que nos parasitos piriformes (Fig. 21i).
Para examinar os aspectos morfológicos da atividade endocítica em ambas
as formas de T. foetus, foram feitos ensaios de endocitose utilizando microesferas de
poliestireno revestidas e não-revestidas com soro bovino. As amostras destes ensaios
foram analisadas por microscopia óptica de DIC e microscopia eletrônica de
transmissão. Análises morfométricas foram realizadas com o objetivo de verificar e
comparar as diferenças no comportamento endocítico dos pseudocistos e dos
parasitos piriformes (Fig. 21). Os seguintes aspectos foram analisados e quantificados:
(1) a média do número de microesferas aderidas por parasito (Fig. 21a); (2) a
porcentagem de parasitos contendo as partículas de poliestireno (Fig. 21b); (3) a
63
porcentagem do volume citoplasmático relativo ocupado pelos vacúolos contendo as
microesferas (Fig. 21c).
As análises morfológicas mostraram que somente algumas microesferas
não revestidas com soro aderem à superfície de ambas as formas de T. foetus
(resultados não mostrados). Entretanto, durante as interações com as microesferas
opsonizadas com soro, a capacidade de adesão dos parasitos piriformes e dos
pseudocistos aumentou 2,8 e 4,2 vezes, respectivamente (Fig. 22a). Quando
microesferas não-revestidas e revestidas com soro foram utilizadas, a capacidade de
adesão dos pseudocistos foi, respectivamente, 1,53 e 2,30 vezes maior do que nos
parasitos piriformes (Fig. 22a). Durante os ensaios de inibição, a capacidade de
adesão dos parasitos piriformes e dos pseudocistos teve um decréscimo de 1,75 e
2,38 vezes, respectivamente (Fig. 22a). A porcentagem de inibição da capacidade de
adesão dos pseudocistos durante o pré-tratamento com soro foi aproximadamente
1,36 vezes maior do que nos parasitos piriformes (Fig. 22a).
Quando as microesferas aderiram sobre a superfície do pseudocistos (Fig.
23a), pequenas projeções de membrana foram formadas em direção as partículas
(Fig. 23b). Subsequentemente, as microesferas foram internalizadas e observadas
dentro de vacúolos citoplasmáticos (Fig. 23b). Resultados similares foram obtidos
durante a atividade endocítica dos parasitos piriformes (dado não mostrado) Em
nenhuma das duas formas de T. foetus foi observado uma região da célula
preferencial de adesão das microesferas (resultado não mostrado).
Quando os pseudocistos e os parasitos piriformes interagiram com as
partículas revestidas com soro, houve um aumento significativo na atividade endocítica
destas duas formas (Fig. 22b). Entretanto, quando microesferas revestidas e não-
revestidas com soro foram utilizadas, a porcentagem de pseudocistos contendo
partículas ingeridas foi, respectivamente, 2,52 e 2,25 vezes maior do que nos
parasitos piriformes (Fig. 22b). Quando T. foetus foram previamente incubadas com
soro bovino, a porcentagem de parasitos piriformes e de pseudocistos contendo as
64
microesferas ingeridas teve um decréscimo de 4,52 e 1,9 vezes, respectivamente (Fig.
22b). A porcentagem de inibição da habilidade endocítica dos parasitos piriformes
durante o pré-tratamento com soro foi aproximadamente 1,65 vezes maior do que nos
pseudocistos (Fig. 22b).
A porcentagem do volume citoplasmático relativo de vacúolos nos parasitos
piriformes e nos pseudocistos aumentou 2,17 e 2,23 vezes, respectivamente, durante
as interações com as microesferas opsonizadas com soro (Fig. 22c). Ensaios
qualitativos realizados por microscopia eletrônica de transmissão mostraram que o
citoplasma dos pseudocistos apresentou uma quantidade de partículas ingeridas muito
maior do que nos parasitos piriformes (Fig. 24a-b). Análises morfométricas revelaram
que quando microesferas não-revestidas e revestidas com soro foram utilizadas, a
porcentagem do volume relativo dos vacúolos nos pseudocistos foi, respectivamente,
2,77 e 2,85 vezes maior do que nos parasitos piriformes (Fig. 22c). Durante os ensaios
de inibição, o volume citoplastico relativo dos parasitos piriformes e dos
pseudocistos teve um decréscimo de 4,08 e 1,46 vezes, respectivamente (Fig. 22c). A
porcentagem desta inibição nos parasitos piriformes foi aproximadamente 2,40 vezes
maior do que nos pseudocistos (Fig. 22c).
Para confirmar se as microesferas ingeridas por ambas as formas de T.
foetus estavam sendo direcionadas para os lisossomos, foram feitos experimentos
citoquímicos para detectar a presença da enzima fosfatase ácida. Nas duas formas do
parasito, reações positivas foram identificadas dentro de vesículas contendo as
partículas (Fig. 24c-d) Os parasitos piriformes e os pseudocistos foram capazes de
ingerir as partículas de poliestireno mesmo durante a mitose (Fig. 25a-b).
65
Figura 21. Imagens de T. foetus piriforme
(
a, b;
e
, f
)
e sob a forma d
e
pseudocisto (c, d; g, h) após incubação com FITC-BSA (a-d
)
e Lucife
r
yellow (e-h). Os parasitos são observados por microscopia de DIC (a, c, e,
g) seguido pelas respectivas imagens de fluorescência (b, d, f, h); O
s
p
seudocistos apresentaram uma quantidade de vesículas muito maior do
que os parasitos piriformes; i, análise quantitativa da intensidade de
fluorescência dos compartimentos endocíticos dos pseudocistos e do
s
parasitos piriformes após incubação com os traçadores FITC-BSA e Lucife
r
yellow. Os valores são expressos como a média de unidades arbitrárias de
dois experimentos independentes ± Desvio Padrão. Foram analisadas 50
imagens em cada material. Os pseudocistos apresentaram uma
intensidade de marcação maior do que os parasitos piriformes. Barra, 4µm
66
Figura 22. Análises quantitativas da endocitose de microesferas de poliestireno por T.
foetus piriforme e sob a forma de pseudocisto. Colunas brancas e cinza representam,
respectivamente, microesferas não-revestidas e revestidas com soro bovino; Coluna
preta: T. foetus foram incubadas com soro antes da interação com as microesfera
s
revestidas com soro. Os dados representam a média das duplicatas de três amostra
s
independentes. a, habilidade endocítica de T. foetus. Os valores são expressos como
a
porcentagem de parasitos contendo as partículas de poliestireno ± Desvio Padrão; b,
capacidade de adesão de T. foetus. Os valores são expressos como a média do número
de microesferas aderidas por parasito ± Desvio Padrão; c, análise morfométrica d
a
ingestão de microesferas por T. foetus. Os resultados são expressos como a
p
orcentagem do volume citoplasmático relativo ocupado pelos vacúolos contendo a
s
microesferas ± Desvio Padrão. Os
p
seudocistos possuem uma atividade endocítica
maior do que os parasitos piriformes.
67
Figura 23. Microscopia eletrônica de transmissão de pseudocistos de T. foetus coincubados por 6
0
min com as microesferas de poliestireno revestidas com soro. Nota-se que os flagelos (F) estão
internalizados; a, visão detalhada mostrando três microesferas (asteriscos) aderidas à superfície do
parasito; b, projeções da membrana plasmática (setas) podem ser observadas envolvendo uma
partícula de poliestireno. Nota-se que algumas microesferas foram internalizadas e encontram-s
e
dentro de vesículas citoplasmáticas. H, hidrogenossomos. Barras, 1µm.
68
Figura 24. Microscopia eletrônica de transmissão de T. foetus piriformes (a,c
)
e sob a forma de pseudocisto
(b, d) coincubados por 60 min com as microesferas de poliestireno revestidas com soro. Nota-se que e
m
contraste com o parasito piriforme (a), muitas microesferas (asteriscos) foram ingeridas pelo pseudocisto (b
);
c, d, a reação positiva para a fosfatase ácida confirmou que as microesferas (asterisco) foram direcionada
s
p
ara o lisossomo (L). N, núcleo; F, flagelo; RF, flagelo recorrente; H, hidrogenossomos; C, costa; G, complex
o
de Golgi. Barras, 500nm.
69
Figura 25. Microscopia eletrônica de transmissão de T. foetus co-incubados por 60 min com as microesferas
de poliestireno revestidas com soro. a, parasito piriforme em mitose logo após a cariocinese. A célula
apresenta estruturas duplicadas, como dois núcleos (N) e dois axóstilos (Ax). Os axóstilos podem se
r
observados entre os núcleos; b, pseudocisto em mitose. Observam-se os microtúbulos do fuso de pólo-a-
núcleo (seta). Nota-se que mesmo durante a mitose, ambas as formas de T. foetus foram capazes de ingeri
r
as partículas de poliestireno (asteriscos). AF, flagelos anteriores; RF, flagelo recorrente; H, hidrogenossomos;
C, costa; G, complexo de Golgi: CB, complexo de Golgi. Barras, 750nm.
70
3.7 INTERAÇÃO COM CÉLULAS EPITELIAIS: PSEUDOCISTOS SÃO MAIS CITOTÓXICOS
Para investigar os efeitos citotóxicos in vitro dos pseudocistos sobre as
células epiteliais e comparar com tricomonas piriformes, foram feitos ensaios de
interão entre ambas as formas de T. foetus e células MDCK (uma linhagem de
lula epitelial de rim de cachorro). Os aspectos ultraestruturais dos efeitos citotóxicos
exercidos pelos parasitos foram observados por microscopia eletrônica de varredura e
transmissão (Figs. 26-28). Os resultados revelaram que os pseudocistos foram capazes
de provocar um dano muito maior ás células epiteliais do que os parasitos piriformes.
Observações feitas por microscopia eletrônica de varredura mostraram que, antes da
interão com os parasitos, as células MDCK formavam uma monocamada coesa com
uma grande quantidade de microvilosidades na porção apical (Figs. 26a; 27a-b). As
células MDCK não sofreram nenhum dano aparente após 18 h de interação com os
parasitos piriformes: a monocamada permaneceu preservada e a quantidade de
microvilosidades não foi alterada (Fig. 26b-c). Após 18 h de incubação com os
pseudocistos, a monocamada de células epiteliais se manteve inalterada, entretanto,
nas regiões em contato com o parasito, as células MDCK apresentaram pequenos
sinais de injúria, como “blebbing” de membrana e retração das microvilosidades (Fig.
26d-f). Ap
ós aderirem às células epiteliais, os parasitos piriformes mantiveram a sua
morfologia (Figs. 26b-c), contudo, os pseudocistos emitiram pseudopódos e filopódios
sobre a supercie das células MDCK, tornando-se amebóides (Fig. 26e-f).
Após 24 h de co-incubação com os parasitos piriformes, a integridade da
monocamada de células MDCK já apresentava sinais proeminentes de danos, como
retração das células vizinhas e algumas áreas de separação intercelular (Fig. 27c).
Quando tricomonas piriformes foram co-incubadas por 48 h com células MDCK, uma
destruição mais extensa da monocamada de células epiteliais pôde ser observada e
as células MDCK remanescentes possuíam sinais de danos, como: retração dos
filopódios e das células vizinhas (Fig. 27d). Após 24 h de interação com os
pseudocistos, a monocamada de células epiteliais apresentou sinais de danos
71
similares aos observados em 48 horas de co-incubação com os parasitos piriformes:
extensas áreas de rompimento intercelular e as poucas células MDCK que
permaneceram apresentavam retração dos filopódios e diminuição do volume celular
(Fig. 27e). A monocamada de MDCK co-incubada com os pseudocistos foi
completamente destruída após 48 h e as raras células remanescentes foram
severamente danificadas, apresentando, inclusive, ruptura da membrana plasmática
(Fig. 27f).
Análises feitas por microscopia eletrônica de transmissão confirmaram as
diferenças observadas entre os efeitos citotóxicos exercidos pelos pseudocistos e
parasitos piriformes (Fig. 28). Os sinais morfológicos de injúria sobre as células epiteliais
foram muito mais intensos durante a interação com os pseudocistos.
Antes da interação
com os parasitos,
as células MDCK apresentaram características ultraestruturais
inalteradas (Fig. 28a). Sinais de danos nas células MDCK, como intensa vacuolização e
mitocôndrias dilatadas com a matriz elétron-lúcida foram observados somente após 48 h
de co-incubação com os parasitos piriformes (Fig. 28b). Em contrapartida,
quando
pseudocistos foram co-incubados com as células epiteliais, os efeitos descritos acima
foram verificados após 24 h de interação (Fig. 28c). As células MDCK co-incubadas
com os pseudocistos apresentaram sinais evidentes de morte celular após 48 h, como
ruptura de membrana e intensa extração citoplasmática (Fig. 28d). Mesmo durante a
mitose, os pseudocistos de T. foetus foram capazes de aderir à superfície da célula
hospedeira (Fig. 28c).
Análises quantitativas dos efeitos citotóxicos provocados por ambas as
formas de T. foetus foram feitas por espectrofotometria através do método de
coloração pelo cristal violeta (Fig. 29).
Os resultados mostraram que para cada período
de tempo de interação os pseudocistos foram aproximadamente duas vezes mais
citotóxicos do que os parasitos piriformes (Fig. 29). Após 48 h de co-incubação, os
pseudocistos destruíram mais de 80% da monocamada de células MDCK, enquanto
os organismos pirifomes destruíram apenas 40% (Fig. 29).
72
Figura 26. Microscopia eletrônica de varredura após 18 h de interação entre T. foetus e a cultura de
células epiteliais MDCK. a, células MDCK controle sem interação com os parasitos; b-c, visão geral e
detalhe, respectivamente, da interação dos parasitos piriformes com a monocamada de células
MDCK. Nenhum dano é observado nas células hospedeiras. Nota-se que os parasitos mantêm a
morfologia piriforme durante a adesão; c, visão geral da interação dos pseudocistos com as células
epiteliais; e-f, detalhes da interação dos pseudocistos com MDCK. Observa-se que os pseudocistos
assumiram uma morfologia amebóide apresentando extensas projeções de membrana (asterisco).
Nota-se que após a interação com os pseudocistos, as células epiteliais apresentaram sinais de
injúria, como “blebbing” de membrana (cabeça de seta) e retração das microvilosidades. Barras, a-b,
d 10µm; c, e-f 5 µm.
73
Figura 27. Microscopia eletrônica de varredura mostrando o aspecto geral das culturas de células
MDCK na ausência dos parasitos (a-b) e após 24 h (painéis da esquerda) e 48 h (painéis da direita)
de interação com T. foetus piriformes (c-d) e pseudocistos (e-f). Nota-se que os pseudocistos foram
capazes de provocar mais danos às células hospedeiras do que os parasitos piriformes. d, após 48 h
de interação com os parasitos piriformes, é possível observar uma destruição extensa da
monocamada e sinais de injúrias nas células epiteliais, como a retração das células vizinhas.
Resultados similares a estes foram obtidos após 24h de interação com os pseudocistos (e). Após 48
h de interação com os pseudocistos as células hospedeiras foram completamente destruídas (f).
Barras, 10µm.
74
Figura 28. Microscopia eletrônica de transmissão mostrando os efeitos provocados nas células epiteliais
MCDK após a interação com T. foetus. a, células MDCK controle sem interação com os parasitos; b,
interação do parasito piriforme com MDCK após 48 h. A célula epitelial mostra sinais de injúria, como
intensa vacuolização (asteriscos) e mitocôndrias dilatadas com a matriz elétron-lúcida (M); c, co-incubação
dos pseudocistos com MDCK após 24 h. As alterações morfológicas observadas na célula hospedeira são
similares ao resultado mostrado na figura b. Observa-se que o pseudocisto possui pelo menos quatro
núcleos (N); d, interação dos pseudocistos com MDCK após 48 h. A célula epitelial (Ep) apresenta
evidentes sinais de morte celular, como ruptura de membrana e intensa extração citoplasmática. H,
hidrogenossomos; V, vacúolos; ER, retículo endoplasmático; GL, glicogênio; F, flagelo. Barras, 750nm.
75
Figura 29. Ensaio de espectrofotometria mostrando os níveis de citotoxicidade exercida por T.
foetus piriformes e pseudocistos durante a interação com células epiteliais MDCK. a-c, placas
de 24 poços coradas com cristal violeta após, respectivamente, 18 h, 24 h e 48 h de interação
dos parasitos piriformes (coluna 2) e pseudocistos (coluna 3) com as células MDCK. Nos
experimentos controle, os parasitos não foram adicionados à monocamada (coluna 1). A
intensidade de cor revela a quantidade de células epiteliais que permaneceu em cada poço.
Nota-se que os pseudocistos provocaram um dano muito maior à monocamada (coluna 3); d,
análise quantitativa dos efeitos citotóxicos provocados pelos parasitos piriformes e
pseudocistos. Os valores são expressos como a média das triplicatas de dois experimentos
independentes ± Desvio Padrão. Observe que os pseudocistos são aproximadamente 2 vezes
mais citotóxicos do que os parasitos piriformes.
76
4. DISCUSSÃO
A grande maioria dos estudos referentes à biologia de T. foetus foi feita
somente com os parasitos piriformes sendo os pseudocistos muito pouco explorados.
A transformação dos tricomonadídeos piriformes em pseudocistos tem levado a
inúmeras questões importantes, tais como: (1) O pseudocisto é uma forma viável e
metabolicamente ativa? (2) Existem diferenças do ponto de vista funcional e
metabólico entre os pseudocistos e os parasitos piriformes? (3) qual o papel
desempenhado pelos pseudocistos no ciclo de vida dos tricomonadídeos?
Por muitos anos, os pseudocistos foram considerados uma forma
irreversível e degenerativa (Samuels, 1959; Mattern et al., 1973; Honigberg &
Brugerolle, 1990). Entretanto, atualmente, acredita-se que os pseudocistos sejam
reversíveis e que sua formação represente um mecanismo de sobrevincia do
parasito quando as condições ambientais estão desfavoráveis (Mattern & Daniel,
1980; Stachan et al., 1984; Lipman et al., 1999; Granger et al., 2000; Pereira-Neves et
al., 2003). Portanto, os estudos dedicados a compreender o papel dos pseudocistos
no ciclo de vida de T. foetus, bem como a sua relação com a tricomonose, estão
recebendo cada vez mais atenção de diferentes grupos de investigadores.
4.1 F
ORMAÇÃO DOS PSEUDOCISTOS
No presente trabalho, para induzir a formação de pseudocistos em T.
foetus, os parasitos foram resfriados a 4ºC por um período de até 24 h. Este método
de indução se mostrou mais eficiente do que o uso de drogas no meio de cultura. A
indução de pseudocistos pelo uso de drogas, como nocodazol e griseofulvina, pode
ser irreversível, desencadeando um processo de morte celular programada nos
parasitos (Madeiro da Costa & Benchimol, 2004; Mariante et al., 2006). Entretanto, as
condições de indução de pseudocistos utilizadas no presente estudo não foram
suficientes para desencadear a morte celular desses parasitos. Nossos resultados
mostraram que os pseudocistos permaneceram viáveis e reversíveis mesmo quando
77
foram mantidos a 4ºC por 24 h, constituindo assim, um dos objetivos desta
dissertação.
4.2 C
OMPARAÇÃO MORFOLÓGICA ENTRE A MITOSE DOS PARASITOS PIRIFORMES E DOS
PSEUDOCISTOS
As principais fases do processo de divisão celular das tricomonas
piriformes já foram descritas e caracterizadas em estudos prévios realizados pelo
nosso grupo (Ribeiro et al., 2000; 2002a; 2002b). Estes trabalhos mostraram que
estruturas microtubulares, como axóstilo e flagelos, participam ativamente do processo
mitótico de T. foetus piriforme. Observou-se que os axóstilos duplicados auxiliam na
cariocinese, enquanto a força de propulsão gerada pelos batimentos dos flagelos
contribui para o afastamento das células-filhas facilitando a citocinese.
Nossos resultados indicam que os pseudocistos também são capazes de
se dividir. Entretanto, verificamos que as características da mitose realizada pelos
pseudocistos de T. foetus são bem distintas das etapas descritas para a divisão dos
parasitos piriformes. Os seguintes aspectos foram vistos apenas nos pseudocistos: (1)
ausência do envolvimento do axóstilo durante o processo de cariocinese; (2)
participação dos microtúbulos do fuso de pólo-a-pólo e de pólo-a-núcleo; (3) o fuso de
pólo-a-pólo forma uma invaginação na superfície nuclear; (4) o fuso de pólo-a-núcleo
seria o responsável pela cariocinese ao invés do axóstilo; (5) antes da cariocinese, o
envelope nuclear apresenta projeções digitiformes em dirão aos cinetossomos; (6)
os microtúbulos de pólo-a-lo auxiliam a direcionar as duas células-filhas para os
pólos opostos; (7) como os flagelos estão internalizados, não há força propulsora
suficiente para auxiliar a citocinese, o que acarretaria a formação de organismos
policariomastigontes. Portanto, as evidências mostram que T. foetus tem dois modos
distintos de divisão celular: um associado com a morfologia piriforme e outro
relacionado com os pseudocistos.
78
Como mencionado anteriormente (seção 1.5.7), existem informações
controversas na literatura referentes ao comportamento das estruturas do
citoesqueleto durante a divisão celular das tricomonas piriformes.
Alguns autores
afirmaram que o crescimento dos microtúbulos do fuso de pólo-a-pólo seria a principal
força motora responsável pela separação das duas células-filhas, enquanto a
cariocinese poderia ser explicada por uma ação combinada envolvendo o
encurtamento dos microtúbulos do fuso de pólo-a-núcleo e o alongamento do fuso de
pólo-a-pólo. (Samuels, 1957; 1959; Brugerolle 1975; Juliano et al., 1986; Viscogliosi &
Brugerolle, 1994; Noel et al., 2003). Além disso, Viscogliosi & Brugerolle (1994)
afirmaram que um dos primeiros sinais morfológicos da mitose em T. foetus seria a
alteração da forma dos parasitos que se tornaram arredondados. Nós não
concordamos com os eventos morfogenéticos apresentados por estes autores durante
a mitose das tricomonas piriformes. Presumimos que parte das controvérsias
existentes sobre a divisão celular em tricomonas possa ser explicada devido a uma
descrição combinada da mitose dos parasitos piriformes e dos pseudocistos como um
processo único.
Estudos feitos por imunofluorescência utilizando anticorpos anti-tubulina,
relataram que o axóstilo apresentava ciclos de polimerização e despolimerização
durante a mitose em tricomonas (Juliano et al., 1986; Viscogliosi & Brugerolle, 1994;
Noel et al., 2003). No presente trabalho, esta estrutura foi facilmente observada por
microscopia eletrônica de transmissão em todas as fases de divisão celular.
Entretanto, durante os experimentos de imunofluorescência, nós não fomos capazes
de detectar a presença do axóstilo nas fases iniciais da mitose dos pseudocistos. Esta
observação pode explicar o motivo de alguns autores terem afirmado que o axóstilo
despolimeriza no como da mitose. Boggild et al. (2002) realizaram um estudo
comparando a distribuição de tubulina acetilada entre os trofozoítos e os pseudocistos
de T. muris. Estes autores demonstraram por imunofluorescência que a marcação no
axóstilo das tricomonas piriformes é descontínua, enquanto em pseudocistos, o
79
axóstilo se apresenta inteiramente marcado. Nós especulamos que durante a mitose
dos pseudocistos deve ocorrer alguma alterão pós-translacional nos microtúbulos do
axóstilo, dificultando, assim, a acessibilidade dos anticorpos anti-tubulina aos epítopos.
4.3 P
SEUDOCISTOS MULTINUCLEADOS
Os parabasalídeos da Família Calonymphidae são formados por
organismos permanentemente multinucleados, i.e. Calonympha grassi (Gerbord et al.,
2002) (Fig. 30). Contudo, organismos multinucleados também foram observados com
certa frequência em diversas espécies de tricomonadídeos (Kofoid & Swezy, 1915;
Pereira & Almeida, 1940; Stabler, 1941; Kirby, 1946; Samuels 1959; Cleveland, 1966),
incluindo T. foetus (Kirby, 1951; Mariante et al., 2003) e T. vaginalis (Pignatari de
Martinez et al., 1976; Buckener & Mikel, 1983; Abonyi, 1995). Há na literatura
informações controversas referentes ao comportamento dos tricomonadídeos
multinucleados. Foi proposto que estes organismos representariam uma forma
degenerativa (Samuels, 1959; Honigberg & Brugerolle, 1990). Entretanto, há
evidências sugerindo que os organismos multinucleados possam representar uma
forma naturalmente presente no ciclo de vida dos tricomonadídeos. Diversos autores
afirmaram que estes organismos multinucleados seriam estágios de desenvolvimento
que precederiam à formação de flagelados mononucleados (Kofoid & Swezy, 1915;
Cleveland, 1928; 1966; Chatterjee et al., 1933; Kirby, 1946; Ovcinnikov et al., 1974;
1975; Pignatari de Martinez et al., 1976; Abonyi, 1995). Estes trabalhos mostraram
uma série de observações em que organismos mononucleados se individualizavam e
se desprendiam por completo de uma massa de células multinucleadas. Alguns
autores adotaram o termo esquizogonia para descrever este fenômeno e
consideraram que o ciclo de vida de alguns tricomonadídeos seria constituído por
períodos alternados de divisão binária e fissão múltipla (Kofoid & Swezy, 1915;
Cleveland, 1966; Pignatari de Martinez et al., 1976). Entretanto, este fenômeno ainda
não havia sido descrito em T. foetus.
80
Figura 30. Representação esquemática de Calonympha grassi. Observe que o organismo é
formado por diversos núcleos (N) com suas respectivas estruturas mastigontes, tais como,
flagelos (F) e axóstilos (Ax) (Fonte: Guy Brugerolle; retirado de
http://starcentral.mbl.edu/microscope/portal.php?pagetitle=assetfactsheet&imageid=3599).
Os resultados do presente trabalho mostraram que enquanto as condições
ambientais permaneciam desfavoráveis, os pseudocistos realizavam sucessivas
divisões mitóticas sem a ocorrência da citocinese, formando células multinucleadas.
Quando estas células foram colocadas em condições favoráveis seus flagelos foram
externalizados e, conforme descrito para outros tricomonadídeos, cada indiduo
piriforme tinha força propulsora suficiente para se individualizar e se desprender por
completo do organismo multinucleado. Como mencionado anteriormente, este
processo de divisão foi chamado de esquizogonia por lembrar alguns aspectos do
mecanismo de divisão observado nos protozoários do Filo Apicomplexa, como o
Plasmodium falciparum. Durante a esquizogonia, o esquizonte (célula multinucleada
formada por sucessivas divisões nucleares de um trofozoíto) passa por um processo
de maturação. Cada célula-filha individualiza o seu citoplasma e apresenta sua própria
membrana plasmática bem antes de se desprender do esquizonte (Sunila et al., 2001;
Heussler & Stanway, 2008). Estas características, entretanto, não foram observadas
F
N
Ax
81
durante a mitose dos pseudocistos de T. foetus. As análises feitas por microscopia
eletrônica de transmissão mostraram que nas tricomonas multinucleadas todos os
cariomastigontes antes de se desprenderem continuam compartilhando a membrana
plasmática e o citoplasma. Portanto, nós consideramos inapropriado chamar a mitose
dos pseudocistos de esquizogonia.
4.4 C
OMPARAÇÃO MORFOLÓGICA ENTRE A MITOSE DOS PSEUDOCISTOS DE T. FOETUS E
DE
OUTROS PARABASALÍDEOS
O comportamento observado durante a divisão celular dos pseudocistos de
T. foetus é muito semelhante aos processos mitóticos descritos em alguns
parabasalídeos, tais como, os monocercomonadídeos Dientamoeba fragilis e
Histomonas meleagridis; e o devescovinídeo Gigantomonas herculea (Kirby, 1946;
Cleveland, 1966; Honigberg & Bennett, 1971; Camp et al., 1974; Brugerolle, 2005;
Munsch et al., 2009). D. fragilis é um parabasalídeo aflagelado e estritamente
amebóide que infecta o intestino humano. Os trofozoítos de D. fragilis são
normalmente binucleados e apresentam um fuso extranuclear conectando os dois
núcleos (Fig. 31a) (Camp et al., 1974; Johnson et al., 2004). H. meleagridis é um
parasita do trato gastro-intestinal de aves galináceas (Mazet et al., 2008; Munsch et
al., 2009). Duas formas podem ser encontradas em H. meleagridis: (1) uma flagelada
com um único flagelo anterior (Fig. 31b) e (2) uma amebóide com o flagelo
internalizado (Fig. 31c). Esta forma amebóide se divide por um processo muito similar
ao que ocorre em D. fragilis e nos pseudocistos de T. foetus (Fig. 31c) (Honigberg &
Bennett, 1971; Munsch et al., 2009). O devescovinídeo G. herculea é um comensal
encontrado no intestino de térmitas e que também apresenta uma forma flagelada com
três flagelos anteriores e um recorrente (Fig. 31d) e uma forma amebóide com os
flagelos internalizados (Fig. 31e) (Kirby, 1946; Cleveland, 1966; Brugerolle, 2005). Os
organismos amebóides de G. herculea também se dividem e geram organismos
82
multinucleados de uma forma muito semelhante ao observado nos pseudocistos de T.
foetus (Fig. 31e) (Kirby, 1946; Cleveland, 1966; Brugerolle, 2005).
Figura 31. Representações esquemáticas de D. fragilis (a), H. meleagridis (b-c) e G. herculea
(d-e). a, trofozoíto binucleado de D. fragilis durante a mitose. Observe a presença do fuso de
pólo-a-pólo (S) conectando os dois núcleos (N); b, forma flagelada de H. meleagridis durante a
interfase. O parasito apresenta um único flagelo anterior (FA); c, forma amebóide de H.
meleagridis durante a mitose. O fuso de pólo-a-pólo (S) pode ser observado entre os dois
núcleos (N); d, forma flagelada de G. herculea durante a interfase. O organismo apresenta três
flagelos anteriores (FA), um flagelo recorrente (FR), um núcleo (N) e um axóstilo (Ax); e, forma
amebóide e multinucleada de G. herculea. Note a presença de diversos núcleos (N) dentro da
mesma massa citoplasmática. (Imagens a, d-e: autor: Guy Brugerolle; retiradas de
http://starcentral.mbl.edu/microscope/portal.php?pagetitle=assetfactsheet&imageid=3617;
Imagens b-c: retiradas de Munsch et al., 2009).
a
b
c
d
e
N
S
N
FA
N
S
FA
N
FR
Ax
N
83
Figura 32. Árvore filogenética dos parabasalídeos baseada na comparação das sequências de
16s rRNA. A barra de escala corresponde a cinco modificações por cada 100 nucleotídeos.
Observe que T. foetus (seta) forma um grupo-irmão com D. fragilis e H. meleagridis e que estes
três organismos estão posicionados na base do grupo Devescovinidae/Calonymphidae (Fonte:
Gerbod et al., 2002).
84
Estudos morfológicos e análises moleculares baseadas na comparação das
sequências de 16s do rRNA indicam que T. foetus, D. fragilis, H. meleagridis, os
devescovinídeos e os organismos multinucleados da Família Calonymphidae integram
um subgrupo monofitico dentro do Filo Parabasala (Fig. 32) (Gerbod et al., 2002;
Hampl et al., 2004; 2006). Além disso, estes trabalhos indicam que D. fragilis e H.
meleagridis constituem um grupo irmão com T. foetus e que estes três organismos
estão localizados primitivamente na base do grupo formado pelos
devescovinídeos/calonimphídeos (Fig. 32). Estes estudos propõem também que os
organismos do grupo Devescovinidae/Calonymphidae descendem diretamente de T.
foetus ou de um parente próximo a este. Portanto, nós levantamos a hipótese de que a
formação dos pseudocistos multinucleados de T. foetus possa ser um comportamento
reminiscente do organismo ancestral que originou os membros do subgrupo T. foetus -
D. fragilis - H. meleagridis – Devescovinidae – Calonymphidae. Nós acreditamos
também que os estudos referentes às formas multinucleadas de T. foetus poderão
auxiliar nas investigações sobre a origem dos organismos multinucleados da Família
Calonymphidae.
4.5 O
S MICROTÚBULOS DO FUSO DE T. FOETUS SÃO RESISTENTES AO FRIO
No presente trabalho, nós observamos que os microtúbulos do fuso nos
pseudocistos de T. foetus foram polimerizados mesmo com os parasitos mantidos a
uma temperatura de 4ºC. Microtúbulos citoplasmáticos resistentes ao frio foram
encontrados em diversos tipos celulares, incluindo neurônios e células da glia (Bosc et
al., 1999; 2003; Slaughter & Black, 2003); células epiteliais e fibroblastos (Brown &
Warn 1993; Lieuvin et al. 1994; Bosc et al., 1999; 2003); fuso mitótico de algumas
células de mamíferos (Brinkley & Cartwright 1975; Bosc et al., 1999) e alguns
protozoários, como Trypanosoma brucei (Vedrenne et al., 2002) e o ciliado Euplotes
focardi (Pucciarelli & Miceli, 2002). Alguns estudos indicam que alterações na
sequência de aminoácidos das subunidades de tubulina e/ou modificações pós-
85
translacionais são os principais responsáveis pela resistência dos microtúbulos ao frio
(Bane et al., 2002; Pucciarelli & Miceli, 2002; Nyporkpo et al., 2003). Alternativamente,
proteínas de diferentes famílias, como as MAPs (Microtubule-Associated Proteins) e
as STOP (Stable Tubule Only Polypeptide) podem interagir com os microtúbulos,
conferindo a estas estruturas uma resistência ao frio (Bosc et al., 1999; 2003;
Vedrenne et al., 2002; Slaughter & Black, 2003)
T. foetus habita um ambiente morno (em torno de 37ºC) quando está em
seu hospedeiro. Uma vez que temperaturas inferiores à 18ºC induzem à formação de
pseudocistos (Granger et al., 2000), a capacidade desta forma de realizar mitose sob
baixas temperaturas pode ser considerada muito vantajosa para a sobrevincia e
transmissão do parasito caso ele se encontre fora de seu hospedeiro. Entretanto, são
necessários estudos para elucidar quais são os fatores responsáveis pela resistência
dos microtúbulos de T. foetus ao frio.
4.6 E
NDOCITOSE PELOS PSEUDOCISTOS
T. foetus, assim como outros tricomonadídeos, apresenta uma intensa
atividade endocítica. Estudos mostraram que este parasito é capaz de ingerir
macromoléculas, como BSA e o corante fluorescente Lucifer yellow (Benchimol et al.,
1986; 1990; Affonso et al., 1994; 1997), partículas de poliestireno (Benchimol et al.,
1990), bactérias (Benchimol & De Souza, 1995) e fragmentos de espermatozóides
(Benchimol et al., 2008). Entretanto, todos estes estudos referentes ao processo
endocítico de T. foetus foram feitos utilizando somente os parasitos piriformes.
No presente trabalho, com o objetivo de verificar a atividade endotica em
pseudocistos e comparar com as tricomonas piriformes, ambas as formas de T. foetus
foram submetidas a ensaios de endocitose utilizando diferentes traçadores, como
BSA, Lucifer yellow e microesferas de poliestireno. Nossos resultados mostraram que
os pseudocistos de T. foetus possuem uma maior atividade endocítica quando
comparados com os parasitos piriformes. Koyama et al. (1987) também observaram
86
que os pseudocistos de T. muris constituem uma forma mais endocítica do que os
organismos piriformes. A deprivão de nutrientes também induz a formão de
pseudocistos, portanto, o fato desta forma ser mais endocítica pode ser considerado
vantajoso para a sobrevincia do parasito sob condições de escassez de nutrientes.
No presente estudo, a opsonização das parculas de poliestireno com soro
bovino provocou um aumento significativo na habilidade endocítica e na capacidade
de adesão de ambas as formas de T. foetus. Além disso, quando os organismos
piriformes e os pseudocistos foram pré-incubados com soro por 15 minutos, a
atividade endocítica exercida por destas duas formas sofreu um decréscimo
significativo. Estes resultados indicam, portanto, que a ingestão das microesferas
revestidas com soro por ambas as formas de T. foetus ocorreu via endocitose mediada
por receptor.
As macromoléculas presentes no soro representam um importante fator
para o desenvolvimento da tricomonose. O soro bovino contém lipídeos, lipoproteínas,
proteínas adesivas, como a fibronectina e proteínas carreadoras, como a albumina,
transferrina e lactoferrina. Benchimol et al. (1990) mostraram que o revestimento com
fibronectina aumentava significativamente a ingestão de partículas de poliestireno por
T. foetus. Adicionalmente, demonstrou-se que este parasito, assim como T. vaginalis,
é capaz de se ligar à fibronectina por um mecanismo mediado por receptores
(Peterson & Alderete, 1984a; López, 2001; Alderete et al., 2002). Estudos revelaram
também que T. foetus é capaz de ingerir lactoferrina e LDL via endocitose mediada por
receptor (Peterson & Alderete, 1984b; Affonso et al., 1994; 1997). Entretanto, no
presente estudo, nós não nos concentramos na identificação das moléculas do soro
que foram reconhecidas pelos parasitos durante a ingestão das microesferas
opsonizadas.
Nós verificamos que durante os testes de inibição, a atividade endocítica
dos parasitos piriformes sofreu um decréscimo maior do que nos pseudocistos,
sugerindo que existem diferenças na expressão de receptores presentes na superfície
87
de ambas as formas. Os pseudocistos poderiam estar expressando uma quantidade
maior de receptores específicos para uma determinada molécula do soro.
Alternativamente, os pseudocistos poderiam expressar diferentes receptores que
reconheçam diferentes moléculas do soro bovino. Portanto, estudoso necessários
para esclarecer quais são os receptores envolvidos no reconhecimento das parculas
revestidas com soro durante a atividade endocítica dos organismos piriformes e dos
pseudocistos. Além disso, seria interessante comparar a concentração desses
receptores nas duas formas do parasito.
4.7 T
RICOMONADÍDEOS SÃO CAPAZES DE ENDOCITAR DURANTE A MITOSE
Nas células de eucariotos superiores, o tráfego de vesículas cessa durante
a mitose e estruturas como retículo endoplasmático, complexo de Golgi e o envelope
nuclear são fragmentados (Darnell et al., 1995). Em contraste, T. foetus mantém todas
estas organelas intactas durante a divisão celular (Ribeiro et al. 1999; Benchimol et al.,
2001). Além disso, o presente estudo mostrou que ambas as formas deste parasito
foram capazes de endocitar durante o processo mitótico. Resultados similares foram
encontrados durante a ingestão de leveduras por T. vaginalis (Pereira-Neves &
Benchimol, 2007). São necessários estudos para determinar os mecanismos de
sinalização celular responsáveis por este comportamento nos tricomonadídeos.
4.8 E
FEITOS CITOTÓXICOS EXERCIDOS PELOS PSEUDOCISTOS
Diversos estudos têm mostrado que existe uma correlação direta entre a
endocitose e a citotoxicidade exercida pelos tricomonadídeos, ou seja, cepas de
tricomonas com maior atividade endocítica provocam mais danos às células
hospedeiras (Juliano et al., 1991; Rendón-Maldonado et al., 1998; Pereira-Neves &
Benchimol, 2007; Vancini et al., 2008). A demonstração de que os pseudocistos de T.
foetus apresentam maior atividade endocítica do que os parasitos piriformes
possibilitou a realização de ensaios de interação entre ambas as formas de T. foetus e
88
células MDCK com o objetivo de verificar se os pseudocistos também eram mais
citotóxicos do que os organismos piriformes.
As células MDCK são muito usadas como modelo de células epiteliais para
os estudos de interação tricomonas-hospedeiro (Silva-Filho & de Souza 1988; Silva-
Filho & Bonilha 1992; Jesus et al., 2004; Vancini et al., 2008). Embora o uso deste
modelo forneça resultados significativos referentes à citotoxicidade de tricomonas
sobre células hospedeiras, é importante ressaltar que as células MDCK não
representam o tipo de células epiteliais encontrado pelas T. foetus durante a infecção
in vivo.
Os resultados obtidos mostraram que os pseudocistos de T. foetus são
mais citotóxicos e causaram mais danos às células epiteliais do que os parasitos
piriformes. A transformação amebóide das tricomonas tem sido diretamente
correlacionada com sua citotoxicidade, ou seja, os parasitos amebóides aderem com
muito mais avidez sobre as células-alvo provocando, assim, mais danos ás células
hopedeira (Arroyo et al., 1993; González-Robles et al., 1995; Rendón-Maldonado et
al., 1998; Jesus et al., 2004; Vancini et al., 2008). Assim, nossos dados mostraram que
durante a interação com as células MDCK os organismos piriformes não sofreram
mudanças na sua morfologia, enquanto os pseudocistos se tornaram amebóides
corroborando a sugeso de sua maior citotoxicidade.
Os pseudocistos dos tricomonadídeos podem ser encontrados in vivo em
diferentes secreções dos hospedeiros, tais como, sêmen, urina, fezes e secreções
vaginais (Verges, 1979; Mattern & Daniel, 1980; Buckner & Mikel, 1983; Szarmach et
al., 1983; Soszka et al., 1990; Malyszko & Januszko, 1991; Lipman et al., 1999).
Malyszko & Januszko (1991) mostraram que o pseudocisto de T. vaginalis é a forma
mais comum encontrada em homens infectados. Estudos realizados in vivo revelaram
que os pseudocistos constituem a forma infectiva das espécies de tricomonas que
parasitam aves e roedores (Stachan et al., 1984; Friedhoff et al., 1991; Lipman et al.,
1999). Pereira & Almeida (1940) relataram que os pseudocistos das tricomonas de
89
anfíbios eram muito agressivos e patogênicos, capazes de provocar sérios danos aos
tecidos do hospedeiro. Adicionalmente, Kondova et al. (2005) observaram que os
pseudocistos de Tritrichomonas sp. foram a forma predominante encontrada em
lesões estomacais provocadas pela tricomonose em macaco Rhesus.
Embora não haja na literatura nenhum relato sobre a existência in vivo de
pseudocistos em T. foetus, nós levantamos a hipótese que esta forma possa ser
infectiva e responsável pelas lesões mais graves observadas na tricomonose bovina e
felina. Nossos resultados mostraram que os pseudocistos de T. foetus constituem uma
forma com maior atividade endocítica, mais citotóxica e capaz de gerar células
multinucleadas liberando organismos piriformes mononucleados. Assim, nós
especulamos que T. foetus possa ser, preferencialmente, transferida para um novo
hospedeiro na forma de pseudocisto, contribuindo assim para uma infecção mais
eficiente. A formação dos pseudocistos de T. foetus poderia ser também muito
vantajosa para o parasito permanecer no hospedeiro durante alguma alteração
ambiental local. Por exemplo, Soszka et al. (1990) mostraram que os pseudocistos de
T. vaginalis são mais comuns em mulheres de resguardo ou idosas do que nas
mulheres excluídas destes dois casos.
T. foetus gera um enorme prejuízo econômico no setor agropecuário do
mundo inteiro. Por isto, a descoberta de uma forma mais virulenta do parasito poderá
abrir novos rumos para as pesquisas focadas no tratamento e combate da doença.
Estudos para caracterizar as diferenças moleculares entre os pseudocistos e os
parasitos piriformes estão sendo realizados pelo nosso grupo e constituirão o
desdobramento do presente trabalho.
90
4.9 CONCLUSÕES
Os pseudocistos de T. foetus são formas viáveis e reverveis.
Os pseudocistos se dividem por um processo distinto da mitose
realizada pelos organismos piriformes.
O processo de divisão dos pseudocistos de T. foetus é semelhante
à mitose das formas amebóides de outros parabasalídeos.
Os microtúbulos do fuso de T. foetus são resistentes ao frio.
Os pseudocistos são capazes de endocitar e possuem uma
atividade endocítica maior do que os parasitos piriformes.
Ambas as formas de T. foetus são capazes de endocitar mesmo
durante a mitose.
Os pseudocistos constituem uma forma mais citotóxica do que os
organismos piriformes.
91
5. REFERÊCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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104
6.ANEXO
---------- Forwarded message ----------
From: Michael Melkonian <michael.melkonian@uni-koeln.de>
Date: 2009/5/16
Subject: Protist Ms 10-2009
To: marleneben <marleneben@uol.com.br>
Cc: Linda Sperling <linda.sperling@cgm.cnrs-gif.fr>
Dear Dr. Benchimol,
your revised manuscript entitled "Tritrichomonas foetus: budding from multinucleated
pseudocysts" (with A Pereira-Neves), which you submitted to PROTIST has been
received with recommendation from Monitoring Editor Linda Sperling and has been
accepted for publication. To process your manuscript for publication, please send me a
CD containing separate files of the text (in Word format) and each illustration (as TIFF
or EPS files, prepared exactly according to PROTIST "Instructions for Authors"
(attached), i.e. with sufficient resolution at final size). Please include a statement in the
"Methods" section that your strain will be available upon request (see "Instructions for
Authors").
I look forward to receive your CD in due time.
Thank you for submitting this interesting manuscript to PROTIST.
Sincerely Yours,
Michael Melkonian
Editor-in-Chief PROTIST
--
Prof. Dr. M. Melkonian
Botanisches Institut
Universität zu Köln
Gyrhofstraße 15
50931 Köln
Germany
phone +49 (0) 221 470 2475
fax +49 (0) 221 470 5181
e-mail michael.melkonian@uni-koeln.de
web http://www.melkonian.uni-koeln.de
--
Profa. Marlene Benchimol
105
Tritrichomonas foetus: budding from multinucleated pseudocysts
Antonio Pereira-Neves
1, 2, 3
and Marlene Benchimol
1, *
1
Universidade Santa Úrsula. Rua Jornalista Orlando Dantas, 59. Botafogo. CEP
22231-010. Rio de Janeiro. Brazil.
2
Programa de Pós-graduação em Ciências Morfológicas da Universidade Federal
do Rio de Janeiro CCS, bloco F, Cidade Universiria, Rio de Janeiro, 21949-900,
Brazil
3
Bolsista nota 10 - FAPERJ
Running title: Mitosis of T. foetus pseudocysts
*
M. Benchimol (corresponding author)
Laboratório de Ultraestrutura Celular, Universidade Santa Úrsula, Rua Jornalista
Orlando Dantas 59, 22231-010, Botafogo, Rio de Janeiro, Brazil.
E-mail: marlenebenchimol@gmail.com
Fax:55-21-2237-0440
106
ABSTRACT
Tritrichomonas foetus is a flagellated protozoan parasite that causes
trichomoniasis, a major sexually transmitted disease in cattle. T. foetus presents a
simple life cycle, exhibiting only the trophozoitic form. However, under unfavorable
growth conditions, the trophozoites, which are polar and flagellated, can round up
and internalize their flagella forming pseudocysts. In this form no cyst wall
surrounds the cell and it also displays a distinct mitosis when compared with the
trophozoite form. In pseudocyst mitosis, the cell proceeds with duplication of
cytoskeletal and mastigont structures; nucleus division occurs but without the
corresponding cytoplasm division. Thus, giant multinucleated cells which present
many mastigont structures are formed (approximately 62% of the population).
These polymastigont/multinucleated cells are maintained when the cells are under
stress conditions. When environmental conditions become favorable, the flagella
are externalized and new flagellated trophozoites one by one, gradually bud from
the multinucleated cell. Thus, in order to better understand the pseudocyst mitosis,
the polymastigont formation and the generation of new cells by this budding
process, videomicroscopy and other complementary techniques, such as
immunofluorescence and transmission electron microscopy were used.
Key words: electron microscopy, mitosis, multinucleate cells, parabasalids,
pseudocyst, Tritrichomonas foetus.
107
Introduction
Trichomonadea, commonly called trichomonads, comprise a class of
amitochondriate protists belonging to the phylum Parabasala (Hampl et al. 2004).
Among these microorganisms, Tritrichomonas foetus is the causative agent of bovine
trichomoniasis, one of the most widespread sexually transmitted diseases in cattle.
Bovine trichomoniasis is a major cause of infertility and abortion leading to
considerable economic losses in beef-producing areas of the world (Rae and Crews
2006). Nowadays T. foetus is recognized as being able to infect other animals. In
domestic cats, T. foetus colonizes the colon, resulting in chronic, large-bowel diarrhea
(Stockdale et al. 2008). The organism has also been described as an inhabitant of the
porcine gastrointestinal and nasal mucosa. Related to this point T. foetus and
Tritrichomonas suis (a gastrointestinal commensal of pigs) are now considered to be
strains of the same species on the basis of structural and molecular data (Lun et al.
2005; Tachezy et al. 2002). Additionally, studies have also recognized that canine
trichomoniasis (an intestinal disease) may be caused by infection with T. foetus
(Gookin et al. 2005).
A non-dividing T. foetus is characterized by a pear-shaped body, one anterior
nucleus, a ribbon of microtubules forming the pelta-axostyle complex, which runs from
the basal bodies to the cell tip and hydrogenosomes lining the axostyle. T. foetus
presents three anterior flagella and a recurrent one that runs toward the posterior
region of the cell adhered to the cell body, forming an undulating membrane
(Honigberg and Brugerolle 1990). The mastigont system also comprises several
skeletal structures including the costa that underlies the recurrent flagella and two
parabasal filaments that support a single Golgi complex (Benchimol et al. 2001).
Like other trichomonads, T. foetus presents only the trophozoite form. However,
under unfavorable environmental conditions, such as a decrease in nutrients, drugs or
abrupt changes in temperature, this organism rounds up forming pseudocysts. In this
108
form, the flagella are internalized, but no cyst wall surrounds the cell (Pereira-Neves et
al. 2003). Although pseudocysts can be observed in several species of trichomonads,
including T. foetus and the related human pathogen Trichomonas vaginalis, their
biological aspects is under-appreciated by most protozoologists. In addition, little is
known about the behavior and role of pseudocysts in the trichomonad cell cycle.
Transformation of such polarized pear-shaped cells into rounded cells with
internalized flagella led to several questions concerning pseudocyst behavior and
metabolic activities. For several years, pseudocysts were considered to be an
irreversible and degenerative form (Honigberg and Brugerolle 1990; Mattern et al.
1973; Samuels 1959). However, currently, it is believed that this form is reversible and
that its formation represents a defense mechanism to unfavorable environmental
conditions (Lipman et al. 1999; Mattern and Daniel 1980; Pereira-Neves et al. 2003).
The infectivity of fecal pseudocysts has been described for amphibians (Pereira and
Almeida 1940), rodents (Lipman et al. 1999; Mattern and Daniel 1980) and birds´
trichomonads (Pereira and Almeida, 1940; Friedhoff et al., 1991). Studies performed by
our group demonstrated that T. foetus pseudocysts are able to adhere to host cells and
that the pseudocyst adhesion rate is even higher than for the pear-shaped parasites
(Mariante et al. 2004).Thus, studies to elucidate the role of pseudocysts in the life cycle
of T. foetus, as well as their relationship with trichomoniasis, are gaining more
importance.
All trichomonad genera studied to date, including T. foetus, exhibit a special
type of mitosis called cryptopleuromitosis (Brugerolle 1975) where the nuclear envelop
persists and the mitotic spindle is totally outside to the nucleus. The microtubules of the
mitotic spindle are polarized by two rod-shaped structures named atractophores that
are appended to the base of the basal bodies and play the role of centrosomes.
Previously, we have characterized the main phases of cell division in pear-shaped
trichomonads (Ribeiro et al. 2000; 2002a; 2002b) and we have shown that it is
109
markedly distinct from pseudocyst mitosis (Pereira-Neves et al. 2003). However, there
are several open questions concerning pseudocyst mitosis, such as the involvement of
the axostyle and flagella during the mitotic process and to clarify whether cytokinesis
occurs. Thus, the present study intends to gain a better understanding of these aspects
of T. foetus pseudocyst behavior. To carry out this study we used videomicroscopy,
fluorescence and electron microscopy. Here we show that cytokinesis is arrested
during pseudocyst mitosis while the nucleus proceeds with sequential karyokineses.
Thus, this parasite form becomes multinucleated originating a polymastigont form.
Interestingly, new individuals, as pear-shaped cells, separate from these
multinucleated cells by a budding process, when under specific conditions.
Results and Discussion.
Pseudocysts induction
Standard cultures of T. foetus present a low frequency of pseudocysts (Pereira-
Neves et al. 2003), thus efficient methods to induce the transformation of the pear-
shaped parasites into pseudocysts are essential for the in vitro studies of these forms.
We have shown that T. foetus pseudocyst formation can be successfully induced if the
parasites are kept at temperatures below 16ºC (Granger et al. 2000). In addition,
pseudocyst formation and reversibility can be obtained by rapid cooling and warming
schemes (Granger et al. 2000). Thus, in order to obtain a large number of pseudocysts,
cultures of T. foetus grown for 36 h at 37º were then cooled to 4ºC for 4 h. Using this
process, approximately 95% of the parasites were transformed into pseudocysts at the
end of the induction test (Fig. 1a). The number of cells per ml remained unaltered
during the pseudocyst formation assay (Fig. 1b), indicating that the parasites were not
damaged and that, probably, the mitotic process was arrested. When the parasites
were kept at 4ºC for more than 24 h, the number of cell per mL remained almost
unaltered (not shown).
The viability of T. foetus at the end of pseudocyst induction assays was
checked using Hoechst 33342 (HO) and propidium iodide (PI) (Figs. 1c, 2). DNAse I-
110
treated parasites were used as positive control (Figs. 2a-b). Pear-shaped parasites
grown under standard conditions were used as negative control (Figs. 2c-d). The HO +
PI dye combination is commonly used to analyze cell culture viability. In vivo, HO has
access into slightly damaged as well as dramatically altered apoptotic nuclei (Weber et
al. 1997). Thus, by using HO it is possible to label cells ranging from early to late
apoptotic stage. PI can enter only in late apoptotic and necrotic cultured cells,
intercalating nucleic acids every 4–5 bp without sequence preference (Lizard et al.
1995). After HO staining, fragmented chromatin masses were observed in the nuclei of
DNAse I-treated pear-shaped parasites (Figs. 2a-b). Condensed chromatin was also
found in DNAse-treated pseudocysts (not shown). However, fragmented nuclei were
not seen in both negative control (Figs. 2c-d) and parasites under pseudocyst induction
assay (Figs. 2e-f). The majority of the parasites (approximately 96%) grown under
standard conditions or submitted to pseudocyst induction assay showed PI negative
staining (not shown).
The induction of pseudocysts by drugs, such as griseofulvin, can lead to an
irreversible process that ends with cell death, depending on the exposure time and/or
the concentration of the drug employed (Mariante et al. 2003). However, in the present
study, the double staining with the fluorescent dyes HO and PI showed that
approximately 96% of the parasites were viable at the end of induction assay (Fig. 1c).
Pseudocysts remained viable even after being kept for more than 24 h at 4º C (not
shown), indicating that the methodology used here to induce pseudocyst formation did
not trigger any type of cell death.
Pseudocysts reversibility
After the pseudocyst induction assay, one group of samples was re-incubated
at 37ºC for 4 h. During this period, the pseudocysts externalized their flagella and were
seen re-transformed into pear-shaped morphology; the number of cells per ml
increased (Fig. 1b). At the end of the reversibility assay, the percentage of pseudocysts
was the same as found in cultures kept under standard conditions (Fig. 1a).
111
Surprisingly, during the reversibility test, the culture presented a faster multiplication
when compared with the controls (Fig. 1b). Similar results were obtained when the
parasites were kept to 4ºC for more than 24 h (not shown). Qualitative and quantitative
analysis of viability tests showed that the cells were viable at the end of reversibility
assays (Figs. 1c, 2d).
Pseudocysts mitosis
In order to better understand the pseudocyst mitosis and compare it with our
previous knowledge of the division process in motile T. foetus (Ribeiro et al. 2000;
2002a; 2002b), we used complementary techniques, such as, immunofluorescence
(Fig. 3), videomicroscopy (Supplementary Fig. S1) and transmission electron
microscopy (Supplementary Figs. S2-S4).
During the interphase, both pear-shaped parasites (Figs. 3a-b) and
pseudocysts (Figs. 3c-d) present a single nucleus and only one set of skeletal
structures, such as pelta-axostylar complex. However, unlike pear-shaped organisms
(Figs. 3a-b), in pseudocysts the axostyle change its shape from an axial structure to a
curved one (Figs. 3c-d). In the early mitosis, the pelta-axostyle, costa and flagella were
already duplicated and the nucleus had increased in size (Pereira-Neves et al. 2003).
Afterwards, the duplicated basal bodies, now placed side-by-side, migrated in opposite
directions (Figs. 3e-f; supplementary Figs. S1a-h, S2a). At the same time, the
microtubules nucleated from the duplicated atractophores interacted with the
microtubules emanating from the opposite cell pole, or directly with the nuclear
envelope, producing pole-to-pole or pole-to-nucleus spindles, respectively (Figs. 3e-h;
supplementary Figs. S1a-h, S2-S4). During migration of the basal bodies, a tight
microtubular bundle is formed connecting one pole to the other and it is positioned
laterally to the nucleus (Figs. 3e-h; supplementary Figs. S1a-h, S2a). In the course of
spindle elongation this microtubule bundle presses the nucleus forming an invagination
on its surface similar to a canal (supplementary Fig. S2b).
The pole-to-nucleus microtubules form small bundles and are anchored on
112
specialized regions of the nuclear envelope (supplementary Figs. S3-S4). As
previously described by Brugerolle (1975), these regions are seen as dense plates with
a fibrillar coat where the spindle microtubules are attached. An electrondense material
coats the inner and the outer membranes of the nuclear envelope. Occasionally,
chromatin masses are seen close to these regions (supplementary Fig. S3). During the
mitosis course, the pole-to-nucleus microtubules are shortened and, as a
consequence, the nuclear envelope is pulled to the poles, assuming finger-like
projections (Pereira-Neves et al. 2003) (supplementary Fig. S3). Although the axostyle
was easily observed by electron microscopy (supplementary Figs. S2b, S3-S4), it was
not always seen during pseudocyst mitosis when anti-tubulin antibodies were
employed in immunofluorescence (Figs 3e-f). The participation of the axostyle in
karyokinesis as previously described in tear-drop forms, was not observed in
pseudocysts. Thus, it is possible that the pole-to-nucleus spindle participates in or even
could be responsible for the pseudocyst karyokinesis (supplementary Fig. S4).
After the karyokinesis, the pole-to-pole microtubules keep growing and they
apparently help the basal bodies and the nucleus to move to cell poles (Figs. 3i-l).
Afterwards, the spindle microtubules are depolymerized, but the mitosis is not
completed since cytokinesis does not occur. Thus, the pseudocyst cell becomes
binucleated (Figs. 3m-n, 4a; supplementary Fig. S1i). We observed that both nuclei
present independent movement and together with all duplicated cell structures, share
the same plasma membrane (Figs. 3m-n, 4a; supplementary Fig. S1i).
Polymastigont forms
We observed that while the conditions of induction assays were maintained, the
binucleated pseudocysts kept on dividing, but without cytokinesis (Figs. 5a-d). As a
consequence, polymastigont forms, which are composed of a large cytosolic mass,
containing several nuclei and their respective mastigont structures appeared (Figs. 2e-
f, 4b, 5e-f, 6a-h). At the end of the induction assay, approximately 67% of binucleated
cells were converted to multinucleated parasites (Fig. 1d). Fluorescence microscopy
113
showed that nuclear division in binucleated pseudocysts could occur by synchronized
(Figs. 5a-b) or non-synchronous (Figs. 5c-d) ways. During the 4 h of pseudocyst
induction assay, the nuclei number varied from two to six (Fig. 1d), although the
majority of the parasites (approximately 88%) presented two to four nuclei (Fig. 1d).
When the parasites were kept at 4ºC for more than 24 h, some pseudocysts containing
seven or eight nuclei were observed (approximately 6%), but the majority of cells
(approximately 60%) presented four to six nuclei (not shown). Parasites containing
more than eight nuclei were not observed. The presence of odd nuclei numbers
corroborates that the nuclei division was not necessarily synchronized.
Videomicroscopy showed that each nucleus, with its respective mastigont structures,
presented independent movement (Figs. 6a-h). The majority of the multinucleated
pseudocysts were viable as seen by the viability tests with the fluorescent dyes HO and
PI (Figs. 1c, 2e-f).
Polymastigont organisms have been recorded in several trichomonad species
(Kofoid and Swezy 1915; Samuels 1959; Stabler 1941), including T. foetus (Kirby
1951; Mariante et al. 2003) and T. vaginalis (Abonyi 1995; Ovcinnikov et al. 1974;
1975), as well as other parabasalids, such as the devescovinid Gigantomonas herculea
(Cleveland 1966; Kirby 1946). In addition, the calonymphid parabasalids comprises
multinucleated flagellates with a permanent polymonad organization, i.e. Calonympha
grassi (Gerbord et al. 2002). There are several controversial observations concerning
the polymastigont trichomonads. Some authors have suggested that these forms
represent degenerative organisms (Honigberg and Brugerolle 1990; Samuels 1959).
However, there are evidences suggesting that these polymastigont trichomonads could
represent a normal part of the life cycle. Several authors claimed that polymastigont
organisms of several trichomonads species, such as T. vaginalis, Pentatrichomonas
hominis, Trichomitus fecalis, Tritrichomonas augusta and G. herculea, are
developmental stages preceding the appearance of mononuclear flagellates (Abonyi
1995; Chatterjee et al. 1933; Cleveland 1928; 1966; Kirby 1946; Kofoid and Swezy
114
1915; Ovcinnikov et al. 1974; 1975). They recorded interesting observations by light or
electron microscopy in which single organisms drew out and detached themselves from
the polymastigont body until all of them were completely separated. Some of these
researchers adopted the terminology schizogony to describe this phenomenon and
considered that the life cycle of some trichomonads includes alternate periods of binary
and multiple fission (Cleveland 1966; Kofoid and Swezy 1915). However, to our
knowledge, the separation of single organisms from the large multinucleated cell has
not been previously shown for T. foetus.
In the present work, an important observation was made when the
polymastigont pseudocyst population was warmed to 37ºC, after four h at 4ºC. As
mentioned above for other trichomonads, the polymastigont organism began to
externalize the flagella and then each group comprising one nucleus with its respective
mastigont structures was gradually individualized still inside the polymastigont form
(Figs 6i-p). Afterwards, every single piriform organism is seen in a budding process
which culminates with its complete separation. These observations were made not only
by videomicroscopy (Figs. 6i-x) but also by fluorescence microscopy (Figs. 2g-h, 5g-h)
and transmission electron microscopy (Fig. 7). These observations could explain the
increase in cell numbers during the reversibility experiments when compared with the
standard growth culture (Fig. 1b). After four h at 37ºC, the polymastigont forms were
rare in the cultures and most of the population was formed by mononuclear pear-
shaped and flagellated organisms (Fig. 1d). Similar results were obtained when the
parasites were kept at 4ºC for more than 24 h (not shown).
Thus, our results show that T. foetus pseudocyst mitosis can be characterized
by two events: (1) the pole-to-nucleus spindle may be responsible for the karyokinesis
and not the axostyle as occurs in the pear-form; (2) since the flagella are internalized,
the propulsion force is not enough to promote the daughter-cell separation and
posterior cytokinesis, as occurs in the pear-form cells, resulting in multinucleated cells.
115
As mentioned above, this division process was called schizogony because it presents
similarities with the schizont stage of Apicomplexa organisms, such as Plasmodium
falciparum. However, during true schizogony, the schizont is subject to a maturation
process and before the budding of single organisms from the schizont mass, each
daughter cell displays its own plasma membrane within a common schizont cell
envelope (Heussler and Stanway 2008). These characteristics are not observed during
T. foetus pseudocyst mitosis. Electron microscopy shows that in polymastigont cells all
karyomastigonts are included in a common cytoplasmic mass (Fig. 8). Thus, we
consider it is more appropriate to call T. foetus pseudocyst mitosis a ‘schizogony-like’
division.
Cold-stable spindle microtubules
Interestingly, the spindle microtubules in T. foetus pseudocysts were
polymerized even at 4ºC. When T. foetus is in a host the environment is warm. Since
low temperatures lead T. foetus to undergo pseudocyst formation, the finding that the
pseudocyst is able to proceed with mitosis at 4ºC may be considered very
advantageous for parasite survival and transmission when it is not in a host. The
presence of abundant subsets of cold-stable microtubules in the cytoplasm of different
cell types has been an intriguing property of these polymers. Cold-stable microtubules
are found in many model systems used to study the cytoskeleton, including neurons,
glial cells epithelial cells, fibroblasts and mitotic spindles of mammalian cells (Bosc et
al. 1999; 2003; Brinkley and Cartwright 1975) and some protozoa, such as
Trypanosoma brucei (Vedrenne et al. 2002). Studies have provided evidence that cold-
stable microtubules are mostly formed by amino acid changes in the tubulin subunits
and/or occur posttranslationally (Bane et al. 2002; Nyporko et al. 2003). Many non-
tubulin proteins can also interact with microtubules and influence their sensitivity to cold
(Vedrenne et al. 2002). Studies are needed in order to determine the factors
responsible for microtubular adaptation to low temperatures in T. foetus microtubules
.
116
Morphological comparison between the behavior of mitosis in T. foetus
pseudocyst and other close parabasalids
T. foetus pseudocyst schizogony-like division is very similar to some dividing
parabasalids, such as, amoeboid monocercomonadids Dientamoeba fragilis (Camp et
al. 1974) and Histomonas meleagridis (Honigberg and Bennett 1971; Munsch et al.
2008), as well as, devescovinid G. herculea (Cleveland 1966; Kirby 1946). D. fragilis is
an aflagellated parasite of the human intestine and is strictly amoeboid. The
binucleated form of D. fragilis is the typical stage observed and in this cell, an
extranuclear spindle is commonly found between the nuclei (Camp et al. 1974). H.
meleagridis is a parasite of the liver and gut of gallinaceous birds (Munsch et al. 2008),
which presents two different forms: (1) a flagellated form with one anterior flagellum
and (2) an amoeboid form with an internalized flagellum. The amoeboid form of this
parasite is predominant and it is able to carry out mitosis by a process similar to T.
foetus pseudocysts and D. fragilis (Honigberg and Bennett 1971; Munsch et al. 2008).
The devescovinid G. herculea is a commensal of the termite midgut and it also
presents a motile flagellate form and an amoeboid form with a complete internal
flagellar apparatus (Cleveland 1966; Kirby 1946). The amoeboid G. herculea is the
common form and it generally displays a mitotic process that is similar to the
schizogony-like division in T. foetus pseudocysts, including the formation of the
polymastigont organism (Cleveland 1966; Kirby 1946).
Morphological date and comparative analysis of small subunit rRNAs indicate
that T. foetus, amoeboid monocercomonadids, devescovinids and the multinucleated
calonymphids integrate a monophyletic sub-group within the Phylum Parabasalia
(Gerbod et al. 2002; Hampl et al. 2004). In addition, these studies indicated that the
amoeboid monocercomonadids D. fragilis and H. meleagridis could be a sister branch
to T. foetus suggesting their potentially primitive position at the base of the
Devescovinidae/Calonymphidae group. These authors claimed that Devescovinidae
and some Calonymphidae have evolved from T. foetus or are closely related. Thus, the
117
formation of polymastigont organisms in T. foetus might help to understand the origin of
the Calonymphidae. We raised the hypothesis that the polymastigont forms of T. foetus
might be a reminiscent characteristic of an ancestral organism from which radiated the
members of T. foetus/amoeboid monocercomonadids/devescovinids/calonymphids
group.
Conclusions
This study contributes to a better understanding of the trichomonad
pseudocysts. Our results showed that T. foetus pseudocysts were able to generate
polymastigont organisms that released single organisms. This finding might be
considered very advantageous for parasite survival and transmission during stress
conditions. However, further studies are needed to clarify the exact role of pseudocysts
in vivo
Methods
Tritrichomonas foetus
The T. foetus K strain was isolated by Dr. H. Guida (Embrapa, Rio de Janeiro,
Brazil) from the urogenital tract of a bull and has been maintained in culture since the
1970’s. The parasites were cultivated in Trypticase - yeast extract - maltose (TYM)
medium (Diamond 1957) supplemented with 10% bovine serum. T. foetus was grown
in 7 mL of TYM medium for 30 h at 37ºC, which corresponds to the logarithmic growth
phase. The initial inoculum was 1x10
4
parasites/mL.
Pseudocysts induction and reversibility assays
In order to induce pseudocyst formation, samples of parasites grown for 36h at
37ºC were cooled to 4ºC for 4h without changing the culture medium during this period.
Pseudocyst formation was checked by light microscopy inspection and the percentage
of pseudocysts was determined from counts of at least 1,000 parasites per sample at
30 minute intervals. In order to induce reversibility, after being kept for 4h at 4ºC, some
samples were warmed to 37ºC for 4h. Again at 30 minute intervals an aliquot was
taken and the pseudocyst percentage was estimated as described above.
118
T. foetus cultures grown for 36h under standard conditions were used as controls
for both assays. During pseudocyst induction and reversibility assays, the number of
parasites per mL was calculated using a Neubauer hemocytometer.
Videomicroscopy
Living cells were recorded by differential interference contrast microscopy,
using a 63X, N.A. 1.4 objective lens. The sequences of images were obtained with a
chilled C5985-10 CCD camera (Hamamatsu, Japan) attached to a Zeiss Axiophot II
light microscope (Zeiss, Germany). The sequences were optimized by an analogue
process and recorded on an S-VHS video recorder. The video images were analyzed
and the best images were selected and digitized using KS-300 software (Kontronics,
Germany).
Fluorescence microscopy
DAPI
Cells were harvested by centrifugation and fixed with 4% paraformaldehyde in
0.1 M sodium phosphate buffer (pH 7.2). Afterwards, cells were rinsed with PBS and
allowed to adhere to poly-L-lysine-coated glass coverslips. In order to investigate the
number of nuclei per parasite during both pseudocyst induction and reversibility
assays, cells were stained with 5 µg/ml DAPI (Molecular Probes, USA) for 15 min and
examined in an Axiophot II Zeiss microscope equipped with UV epifluorescence.
Images were acquired with a Hamamatsu chilled CCD camera C5985 and processed
using Adobe Photoshop (Adobe, USA). The number of nuclei per parasite was
determined from counts of at least 1,000 parasites per sample. T. foetus grown for 36h
at 37ºC was used as control.
Hoechst 33342 and propidium iodade
The viability of T. foetus during pseudocyst induction and reversibility assays
was checked using Hoechst 33342 (HO) (Sigma Chemical Co., St. Louis, MO) and
propidium iodide (PI) (Sigma Chemical Co., St. Louis, MO). Living cells were incubated
with HO (10 µg/mL) for 20 minutes at 4ºC. Afterwards, cells were washed with PBS at
119
4ºC and then they were incubate with PI (10 µg/mL) for 5 minutes at room temperature.
Positive control slides were treated with DNAse I (Sigma, St. Louis, MO) for 10min at
room temperature. The parasites were examined in an Axiophot II Zeiss microscope
(HO – 350-400 nm; PI – 523 nm) and the images were acquired with a Hamamatsu
chilled CCD camera C5985 and processed using Adobe Photoshop (Adobe, USA). T.
foetus grown for 36h at 37ºC was used as control.
Immunofluorescence
Cells were fixed with 4% paraformaldehyde in 0.1 M PBS and allowed to adhere
to poly-L-lysine-coated glass coverslips. Parasites were then permeabilized with 3%
Nonidet P-40 for 40 min and, next, in acetone at 20ºC for 15 min. Fixed cells were
quenched using 50 mM ammonium chloride solution and 3% bovine serum albumin in
PBS (BSA/PBS). Next, they were incubated overnight, at 4ºC, with the monoclonal anti
-β-tubulin #357antibody (Amershan - Aylesbury, UK), followed by 1 hour incubation
with a fluorescein-conjugated anti-mouse antibody diluted (1:100) in BSA/PBS.
Parasites were also stained with 5µg/ml DAPI to visualize the nucleus. Finally, cells
were washed and examined in an Axiophot II Zeiss microscope and the images were
acquired with a Hamamatsu chilled CCD camera C5985 and processed using Adobe
Photoshop (Adobe, USA).
Transmission electron microscopy (TEM)
Cells were fixed overnight at room temperature in 2.5% glutaraldehyde in 0.1 M
cacodylate buffer. Afterwards, the cells were washed in PBS and post-fixed for 15 min
in 1% OsO4 in 0.1 M cacodylate buffer containing 5 mM CaCl
2
and 0.8% potassium
ferricyanide. The cells were dehydrated in acetone and embedded in Epon. Ultra-thin
sections were harvested on 300 mesh copper grids, stained in 5% uranyl acetate and
1% lead citrate and then observed in a JEOL 1210 transmission electron microscope.
120
ACKNOWLEDGMENTS
This work was supported by Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico
e Tecnológico (CNPq), Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do
Estado do Rio de Janeiro (FAPERJ), Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de
vel Superior (CAPES), Programa de Núcleos de Excelência (PRONEX), and
Associação Universitária Santa Úrsula (AUSU).
121
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126
Legends
Fig. 1. Quantitative analyses of T. foetus cultures during pseudocyst induction and
reversibility assays. Parasites grown for 36 h at 37ºC were used as control. The values
are expressed as the means ±S.D. of six independent experiments, each performed in
duplicate. 1,000 parasites per sample were counted. In (a), analyses of pseudocyst
percentages; (b) effects on T. foetus growth during pseudocyst induction and
reversibility assays; (c) viability of parasites by fluorescence microscopy analysis
determined by HO and PI; (d) analyzes of number of nuclei per cell after DAPI staining.
Note that during pseudocyst induction assay multinucleated cells were commonly
observed. After reversibility assay, almost all the population was formed by
mononuclear organisms and multinucleated organisms were uncommon in the
cultures.
Fig. 2. T. foetus DNA stained by HO. Parasites are revealed by DIC microscopy (a, c,
e, g) followed by HO staining (b, d, f, h). These cells were PI-negative; (a-b) positive
control: DNAse I- treated pear-shaped parasite. Fragmented chromatin mass can be
seen (arrowheads); (c-d) Interphasic pear-shaped parasite grown under standard
conditions. Fragmented chromatin is not observed; (e-f) Parasites under pseudocyst
induction assay. They were incubated at 4ºC for 3h. Fragmented chromatin mass is not
seen. Note that some cells display more than two nuclei (black arrows); (g-h) Parasites
incubated for 2 h at 37ºC after pseudocyst induction. Fragmented chromatin is not
observed. Note that some cells already display tear-drop form (white arrows). A pear-
shaped parasite (black head-arrow) was caught in the process of budding from a
multinucleated cell Bars, 2µm.
Fig. 3. T. foetus are seen by DIC (a, c
, e, g, i, k, m) followed by immunofluorescence
(b, d, f, h, j, l, n)
using monoclonal anti beta-tubulin antibody (green) and DAPI staining
(blue); (a-b) Interphasic pear-shaped parasite grown under standard conditions. Note
127
that the pelta-axostyle complex (Pe-Ax) is straight; (c-n) T. foetus under pseudocyst
induction assay. The parasites were incubated at 4ºC for 2h; (c-d) interphasic
pseudocyst. Notice that the flagella are internalized and the axostyle is curved; (e-l)
Pseudocysts in division process. Pole-to-pole spindle microtubules (S) are observed as
tight bundle positioned laterally to the nucleus (f, h). In (f), the axostyles do not
fluoresce. In (h), the basal bodies are further apart. Note that only one axostyle (Ax) is
clearly visible; (i-l) Pseudocysts after karyokinesis. The cells reveal duplicated
structures, such as two nuclei and two axostyles (Ax
1
and Ax
2
), which are at opposite
sides. The spindle (S) is still seen; (g) Binucleated pseudocysts (arrow) formed after
mitosis. Bars, 2 µm.
Fig. 4. Transmission electron microcopy of T. foetus pseudocyst after karyokinesis.
The parasites were incubated at 4ºC for 4h. Notice that flagella (F) are internalized; (a)
Binucleated pseudocyst. Note that the two nuclei (N
1
and N
2
) with their respective
structures, such as the pelta (Pe
1
and Pe
2
), axostyle (Ax
1
and Ax
2
), and Golgi complex
(G
1
and G
2
) are located side-by-side; (b) Polymastigont pseudocyst. Notice the
presence of three nuclei, at least. BB, basal bodies; H, hydrogenosome; V, vesicles.
Bar, 1µm.
Fig. 5. Multinucleated pseudocysts are observed by DIC (a, c, e, g’, g’) followed by
immunofluorescence (b, d, f, h’, h’) using monoclonal anti beta-tubulin antibody
(green) and DAPI staining (blue); (a-d) The parasites were incubated at 4ºC for 3 h. In
(a-b), a pseudocyst with three nuclei is seen, suggesting that the nuclei division is not
synchronized; two nuclei are connected by a pole-to-pole spindle (s) while the third is
not in mitosis. In (b), although the axostyles have already triplicated, in this micrograph
only one axostyle (Ax) is visible because the others are on a different focal plane; (c-d)
Multinucleated pseudocyst with four nuclei and two pole-to-pole spindles (S
1
and S
2
)
are observed; (e-f) Pseudocysts incubated for 4 h at 4ºC. Observe that the parasites
128
present several nuclei and axostyles (white arrows); (g’-h’, g’’-h’’) Two distinct focal
planes of a parasite incubated for 30 minutes at 37ºC after pseudocyst induction. A
pear-shaped parasite (black arrow) can be seen in the process of budding from a
multinucleated cell. Bars, 2µm.
Fig. 6. Videomicroscopy frames of T. foetus during a reversibility assay. The parasite
was incubated at 37 °C for 30 minutes after pseudocyst induction. The time interval
between a frame and another is shown at the top right. This cell presents five nuclei.
Each nucleus and its respective mastigont structures presented independent
movement. In Figs. a-h, flagella beating inside the cell, which provoked undulations on
the plasma membrane, were seen. Afterwards, the anterior flagella (AF) and recurrent
flagellum (RF) were externalized and each karyomastigont intensified their movements
(i-p). The flagella beating generated enough motor strength to individualize one
karyomastigont (N1). Next, this individualized cell is seen in the process of detachment
from the main body. Note that before the detachment the axostyle (arrowhead) of this
individualized karyomastigont was still linked to the main body (g-x). C, costa. Bar,
4µm.
Fig. 7. Transmission electron microscopy of a multinucleated T. foetus. Parasites were
incubated at 37°C for 1 hour after the pseudocyst induction assay. Observe that the
recurrent flagella (RF) are externalized. By counting the nuclei and axostyles it was
possible to visualize, at least, three individuals in Figs. a, c. In Fig. b there are four
pelta-axostylar systems (Pe-Ax). Notice in Fig. c that the cell exhibits a projection
(arrow), suggesting the detachment of a new karyomastigont. In d, this projection is
seen in detail. Notice that filamentous structures seem to connect the multinucleated
cell with this projection (asterisk). G, Golgi complex; H, hydrogenosome; C, costa; V,
vacuoles. Bar, 1 µm.
129
Supplementary content
Figure S1. Videomicroscopy frozen frames of T. foetus pseudocyst observed by DIC
during mitosis. The parasite was incubated at 4ºC for 2h. The time interval between
one frame and the next is shown in seconds at the top right. (a-h) The duplicated
kinetosomes (arrowheads) are located at opposite sides of the nucleus (N). Pole-to-
pole spindle (arrow) is observed as a thin bundle located among the kinetosomes and
above the nucleus. In frame i, karyokinesis occurred. It is possible to observe the
presence of two nuclei (N1 and N2). Bar, 4µm.
Figure S2. Transmission electron microcopy of T. foetus pseudocyst during mitosis.
The parasites were incubated at 4ºC for 4h. (a) Longitudinal section of a pseudocyst.
Observe that the atractophores (asterisk), located below the basal bodies (BB),
nucleate pole-to-pole spindle (arrow). Note that the pole-to-pole spindle forms a tight
bundle connecting one pole to the other and it is positioned laterally to the nucleus (N).
(b) Cross-section of a pseudocyst from a top view. Notice that the pole-to-pole spindle
(arrow) forms an invagination on nuclear surface. G, Golgi complex; Ax, axostyle. Bars,
500nm.
Figure S3. General (a) and detail (b) views of a T. foetus pseudocyst during mitosis by
transmission electron microcopy. The parasite was incubated at 4ºC for 4h. Notice that
flagella (F) are internalized; Notice the presence of axostyles (Ax) at each cell pole.
The microtubules of the mitotic spindle are polarized by atractophores (asterisk). Note
the attachment sites (arrows) of the pole-to-nucleus microtubules on the nuclear
envelope. Chromosome masses are observed in the nuclear matrix (stars). The
nucleus (N) displays a “finger like-projection” (arrowheads) towards the atractophores.
G, Golgi complex; V, vesicles; H, hydrogenosome; C, costa. Bars, 500 nm.
130
Figure S4. Transmission electron microcopy of a T. foetus pseudocyst after
karyokinesis. The parasites was incubated at 4ºC for 4h. (a) general view. It is
possible to observe the internalized flagella (F) and duplicated cell structures, such as
the nucleus (N
1
and N
2
), Golgi complex (G) and basal bodies (BB). The duplicated
basal bodies (bb) are seen at opposite poles of the cell. Notice the pelta (Pe) and
axostyle (Ax); (b-c) Details of the basal bodies region. Observe that the atractophores
(asterisk), located below the basal bodies (BB), nucleate pole-to-nucleus spindle
(arrows). V, vesicles; H, hydrogenosomes. Bars, 500 nm.
131
Figure 1
132
Figure 2
133
Figure 3
134
Figure 4
135
Figure 5
136
Figure 6 a-l
137
Figure 6m-x
138
Figure 7
139
Supplementary figure S1
140
Supplementary figure S2
141
Supplementary figure S3
142
Supplementary figure S4
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