
H á diferenças em relação às áreas cerebrais envolvidas e uma e em outra. A
escrita envolve áreas da leitura, pois sempre que a estamos escrevendo, voltamos atrás
para ver o que se fez, para retomar o significado, por quê? Por que a capacidade da
consciência humana é pequena. O cérebro adulto consegue manter na consciência, mais
ou menos, sete elementos ou informações a cada momento. Sete é o ponto médio, sendo
a extensão de 5 a 9 – quando se está muito estressado, cinco, e quando você está ótimo,
nove. Agora, a criança que se está ensinando, no período que é o de alfabetização (seis,
sete anos) não tem essa mesma capacidade de manter sete elementos, ela ainda está
desenvolvendo. A criança vai de três até chegar a sete, como nós, mas isso é um
processo muito longo. Desta forma, o tempo dedicado à escrita precisa ser adequado às
características do pensamento infantil
A situação de não aprendizagem
Quando nós entramos na sala de aula, quando nós pegamos o trabalho de um
aluno ou quando o professor nos traz um aluno que não está aprendendo, que não está se
apropriando da escrita; isto é muito importante colocarmos isto não como um “aluno
que não aprende”, mas considerar “quando ele não está aprendendo” Ou seja, entender
que o aluno que não está aprendendo está em uma situação de não-aprendizagem agora,
o que não quer dizer que ele não possa aprender em outras situações.
Nós sabemos todas as situações de ensino?
Não. As pessoas não aprendem todas da mesma maneira e nós, também, não
ensinamos todos da mesma maneira. Por isso, temos que ter humildade, nós não
sabemos ainda ensinar a todos. Os países economicamente desenvolvidos, também, não
resolveram totalmene esta questão, embora eles tenham uma maior materialidade na
educação, em todos os sentidos.
Por exemplo, em certas cidades nos Estados Unidos, o analfabetismo funcional
pode chegar a 20 – 30 % com escolaridade compulsória, com materialidade, com
período integral etc. Quer dizer, os países, ainda, não conseguiram resolver esta questão.
Agora, tem uma coisa muito importante quando estamos discutindo método de
alfabetização nestes países: não é o método que define a questão. Nos EUA, por
exemplo, a maioria das crianças chega à escola reconhecendo todas as letras e sabendo
nomeá-las, porque elas já foram literalmente bombardeadas com esta informação pela
mídia, pelos programas infantis, brinquedos, publicações e, sobretudo, pelo Sesame
Street (programa infantil há mais de 30 anos no ar que ensina, diariamente as letras do
alfabeto) e, também, pelas canções infantis que ensinam o alfabeto. As crianças chegam
à escola com todas as letras na memória. O que não acontece aqui.
Então, as condições do desenvolvimento da memória infantil são mais
considerados nestes países. Se não se tem a imagem das letras na memória, como é que
alguém pode olhar lá e reconhecer? É a mesma coisa para qualquer um de nós aprender
uma língua não alfabética.. Você tem que construir os ideogramas e ter isso gravado na
memória para poder fazer alguma coisa com eles, ter um processamento semântico.
Então, conhecer melhor como se dá o desenvolvimento humano, deslocaria
mesmo essa discussão do método, porque tem outras questões que são fundamentais.
Vocês vão ver em alguns exemplos que darei em seguida de alunos que sabe-se lá
porque aprendem algumas letras e não aprendem outras, que conseguem escrever
palavras isoladas, mas não conseguem juntá-las em uma sentença. E assim por diante..