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UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA CATARINA – UFSC
CENTRO TECNOLÓGICO – CTC
PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM ARQUITETURA E URBANISMO - PósARQ
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Estudos de caso em Santana do Ipanema – AL
Juliana Oliveira Batista
FLORIANÓPOLIS, FEVEREIRO DE 2006
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UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA CATARINA – UFSC
CENTRO TECNOLÓGICO – CTC
PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM ARQUITETURA E URBANISMO - PósARQ
JULIANA OLIVEIRA BATISTA
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FLORIANÓPOLIS – SC
2006
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JULIANA OLIVEIRA BATISTA
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Dissertação submetida à Universidade Federal de Santa
Catarina como requisito parcial exigido pelo Programa de Pós-
Graduação em Arquitetura e Urbanismo – PosArq, para a
obtenção do título de MESTRE em Arquitetura e Urbanismo.
Orientador: Roberto Lamberts
FLORIANÓPOLIS, 2006
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Dissertação julgada adequada para a obtenção do título de
MESTRE em Arquitetura e Urbanismo e aprovada em sua
forma final pelo Programa de pós-graduação em Arquitetura e
Urbanismo – PosArq, da Universidade Federal de Santa
Catarina – UFSC.
______________________________________
Prof
a
. Alina Gonçalves Santiago, PhD. – Coordenadora do PosArq
______________________________________
Prof. Roberto Lamberts, PhD. – Orientador
COMISSÃO EXAMINADORA:
___________________________________________
Roberto Lamberts, PhD. – Moderador
_________________________________
Maurício Roriz, PhD. – UFSCAR/SP
______________________________________
Enedir Ghisi, PhD. – ECV/UFSC
______________________________________
Fernando Oscar Ruttkay Pereira, PhD. – ARQ/UFSC
FLORIANÓPOLIS, FEVEREIRO DE 2006
Ao “painho” e à “mainha”,
À Deus, por ter me feito filha de vocês
e por me manter sempre disposta a aprender mais.
Agradecimentos
Aos meus pais, irmã e toda a minha família, pelo apoio, carinho e confiança
depositados em mim e em especial ao meu pai, pela ajuda perseverante (e
fundamental) durante a pesquisa de campo em Santana;
Ao Léo, pelo incentivo e ensinamentos que valem para a vida inteira;
À Mari, Chris, Simone e Lívia, pelo papel importante que cada uma
representou e representa nas diversas fases da minha vida;
A todas as “gerações” da Casa Verde, pelas alegrias, dificuldades e
experiências compartilhadas;
Ao professor Roberto Lamberts, pela orientação e incentivo;
Aos professores Maurício Roriz, Enedir Ghisi e Fernando Pereira, pela
participação na banca examinadora e pelas valiosas sugestões e
contribuições “on line” para o desenvolvimento deste trabalho;
A todos os colegas do LaBEEE, em especial a Miriam, Solange, Ana Ligia e
Wagner pelas sugestões e trocas de conhecimento nos momentos de
dúvida;
Aos professores do Posarq, pelo aprendizado e em especial a Ivonete, pela
ajuda no início do curso, e aos colegas de turma, pelas amizades construídas
tão longe de casa;
Aos moradores e funcionários das edificações monitoradas em Santana do
Ipanema, cuja colaboração possibilitou a realização deste trabalho: Meilling;
Osman, Kátia, Osman Jr. e Karine; D. Maria dos Prazeres; aos funcionários do
Banco do Brasil: D. Jailde, Denise, Diva e Felipe e aos funcionários do
Supermercado Ouro Branco;
À Capes, pela bolsa de estudos concedida durante os dois anos de
mestrado.
Sumário Geral
Lista de Ilustrações .................................................................................................. 9
Lista de Tabelas ........................................................................................................ 14
Resumo ..................................................................................................................... 16
Abstract ..................................................................................................................... 17
Capítulo 1 – Introdução ............................................................................................ 18
1.1. Justificativa .......................................................................................................................... 19
1.1.1. Clima e contexto sócio-econômico do Nordeste brasileiro ........................................... 19
1.1.2. Caracterização da arquitetura de Santana do Ipanema ............................................... 23
1.1.3. A edificação e seu usuário: como avaliar o desempenho térmico? ............................. 26
1.2. Objetivos .............................................................................................................................. 27
1.2.1. Objetivo geral ............................................................................................................... 27
1.2.2. Objetivos específicos .................................................................................................... 27
1.3. Estrutura da dissertação .................................................................................................... 28
Capítulo 2 - Revisão Bibliográfica .......................................................................... 29
2.1. Estratégias de condicionamento ambiental e o projeto de edificações em climas
quentes e secos ............................................................................................................................... 29
2.2. Desempenho térmico de edificações e limites de conforto ........................................... 40
2.2.1. O Modelo do balanço térmico (PMV/ PPD) .................................................................. 41
2.2.2. O Modelo Adaptativo .................................................................................................... 44
2.2.3. Fatores de ajuste do índice PMV ................................................................................. 46
2.3. Normas brasileiras de avaliação do desempenho térmico de edificações ................... 48
2.4. Síntese do capítulo ............................................................................................................. 52
Capítulo 3 – Método ................................................................................................. 54
3.1. Avaliação do desempenho térmico das edificações estudadas ..................................... 55
3.1.1. Seleção dos estudos de caso ....................................................................................... 55
3.1.2. Monitoramento das variáveis ambientais internas e externas ..................................... 60
3.1.3. Caracterização do comportamento ambiental frente a parâmetros de desempenho:
aplicação das Normas brasileiras de desempenho térmico de edificações .................................. 64
3.2. Avaliação do conforto térmico dos usuários ....................................................................66
3.2.1. Sensações e preferências térmicas relatadas durante o monitoramento versus
condições ambientais: em busca de limites de conforto ................................................................ 66
3.2.2. Modelos preditivos e sua adequação à realidade ........................................................ 67
3.2.3. Abordagem qualitativa: o usuário descreve seu comportamento ................................. 69
3.3. Avaliação do potencial de aplicação de estratégias de condicionamento ambiental .. 71
Capítulo 4 - Resultados e Discussão ..................................................................... 74
4.1. Resultados do monitoramento ambiental: temperaturas internas ................................. 75
4.2. Avaliação do desempenho térmico das edificações residenciais .................................. 80
4.2.1. Avaliação por medição: Projeto de Norma 02:136.01 (COBRACON,2005) ................. 80
4.2.2. Avaliação prescritiva ..................................................................................................... 81
4.2.2.1. NBR 15220-3 (ABNT, 2005) ................................................................................ 81
4.2.2.2. Projeto de Norma 02:136.01 (COBRACON,2005) .............................................. 84
4.2.3. Síntese da análise de desempenho térmico ................................................................ 85
4.3. Conforto térmico dos usuários: residências e edificações de uso comercial .............. 87
4.3.1. Ambientes naturalmente ventilados: Residências ........................................................ 89
4.3.2. Ambiente comercial com condicionamento artificial ..................................................... 99
4.3.3. Considerações sobre a abordagem adaptativa: limites de temperatura .....................109
4.4. Potencial de aplicação de estratégias de condicionamento ambiental ....................... 113
4.4.1. Controle de ganho de calor solar ................................................................................ 116
4.4.2. Ventilação: ventilação de conforto diurna e ventilação noturna ..................................121
4.4.3. Resfriamento evaporativo ........................................................................................... 126
4.5. Sugestões aplicáveis ao projeto de edificações ............................................................ 134
Capítulo 5 – Conclusões .......................................................................................... 137
5.1. Sugestões para trabalhos futuros ................................................................................... 140
REFERÊNCIAS .............................................................................................................142
APÊNDICES ..................................................................................................................149
ANEXOS .................................................................................................................... 153
Lista de Ilustrações
Ilustração 1 - Zonas Bioclimáticas da região Nordeste, destacando-se o estado de Alagoas. .................20
Ilustração 2 - Mapa de climas do estado de Alagoas....................................................................................21
Ilustração 3 - Principais bairros de Santana do Ipanema e aspectos da arquitetura local. ...........................24
Ilustração 4 - Lojas no centro de Santana do Ipanema.................................................................................24
Ilustração 5 - Formas de implantação no lote de edificações residenciais em Santana do Ipanema ...........25
Ilustração 6 – Captadores de vento empregados na cidade de Yazd, Irã.....................................................33
lustração 7 -Esquema do uso de coberturas metálicas associado a painéis de isolamento móvel
instalados no interior das edificações.. ................................................................................................35
Ilustração 8 -Esquema do funcionamento de um sistema de resfriamento evaporativo direto. ....................36
Ilustração 9 – Esquema de utilização de tanques com água acima da cobertura (roof ponds) e o
balanço térmico resultante no interior do edifício.................................................................................37
ilustração 10 – Esquema de um experimento para avaliação da refrigeração evaporativa de telhado
cerâmico por meio de gotejamento de água em São Carlos – SP.......................................................37
Ilustração 11 – Vistas de uma edificação dotada de cobertura ajardinada em São Carlos -
SP.
Fonte: Adaptado de Morais e Roriz (2005). .........................................................................................38
Ilustração 12 - Correlação entre os índices PMV e PPD. .............................................................................43
Ilustração 13 - Comparação entre a variação da temperatura externa ao longo do dia e a temperatura
neutra de conforto................................................................................................................................45
Ilustração 14 - Carta bioclimática original de GIVONI (1992)........................................................................50
Ilustração 15 - Carta bioclimática adaptada adotada no Zoneamento Bioclimático Brasileiro. .....................50
Ilustração 16 - Fachada da Edificação R1: casa em fita...............................................................................56
Ilustração 17 - Planta baixa e corte longitudinal da Edificação R1, destacando-se o ambiente no qual foi
realizado o monitoramento...................................................................................................................56
Ilustração 18 - Vista externa da Edificação R2: residência com 2 pavimentos, recuada em relação aos
limites do lote .......................................................................................................................................57
Ilustração 19 - Planta baixa da Edificação R2 e corte transversal do ambiente monitorado.........................57
Ilustração 20 - Fachada da edificação R3: residência com condicionamento artificial .................................58
Ilustração 21 -: Planta baixa e corte longitudinal do ambiente monitorado na Edificação R3, residência
com ar condicionado............................................................................................................................58
Ilustração 22 - Edificação C1: uso comercial/condicionamento artificial . .....................................................59
Ilustração 23 - Planta baixa e corte do ambiente monitorado na Edificação C1. ..........................................59
Ilustração 24 - Equipamentos utilizados no monitoramento..........................................................................61
Ilustração 25 – Posicionamento dos instrumentos de medição nos ambientes monitorados........................63
Ilustração 26 – HOBO e seu posicionamento no ambiente externo..............................................................64
Ilustração 27 – Carta Bioclimática apresentada pelo programa Analysis Bio. ..............................................72
Ilustração 28 - Temperaturas externas máximas, mínimas e médias diárias registradas durante o
período de monitoramento (29/1 a 03/03/2005)...................................................................................76
Ilustração 29 – Variação da temperatura do ar externo e no interior do ambiente monitorado na
Edificação R1.......................................................................................................................................77
Ilustração 30 – Diferenças entre a temperatura externa e interna do ambiente monitorado na Edificação
R1. .......................................................................................................................................................77
Ilustração 31 – Variação da temperatura do ar externo e no interior do ambiente monitorado na
Edificação R2.......................................................................................................................................78
Ilustração 32 – Diferenças entre a temperatura externa e interna do ambiente monitorado na Edificação
R2. .......................................................................................................................................................78
Ilustração 33 – Variação da temperatura do ar externo e no interior do ambiente monitorado na
Edificação R3.......................................................................................................................................79
Ilustração 34 – Variação da temperatura do ambiente monitorado no interior da Edificação C3 ao longo
do seu período de funcionamento........................................................................................................79
Ilustração 35 – Seleção do dia típico de verão para Santana do Ipanema a ser adotado na análise de
desempenho térmico através de medição............................................................................................80
Ilustração 36 – Horas de insolação recebida pelas aberturas dos ambientes monitorados..........................83
Ilustração 37 - Síntese esquemática da avaliação de desempenho térmico das edificações monitoradas. .85
Ilustração 38 – Experimentos realizados no LMPT/EMC/UFSC em 28 e 29/11/2005...................................88
Ilustração 39 – Gráficos representativos dos experimentos realizados no LMPT.........................................89
Ilustração 40 - Comparação entre as condições de conforto declaradas pelos usuários da edificação R1
e suas sensações térmicas..................................................................................................................90
Ilustração 41 -Comparação entre as condições de conforto declaradas pelos usuários da Edificação R1
e suas preferências térmicas. ..............................................................................................................90
Ilustração 42 -Correlação entre predições e sensações médias declaradas na Edificação R1. ...................91
Ilustração 43 –Correlação entre predições e preferências médias declaradas na Edificação R1.................92
Ilustração 44 - Correlação entre predições e preferências individuais declaradas pelos usuários da
Edificação R1.......................................................................................................................................94
Ilustração 45 - Correlação entre predições e sensações individuais declaradas pelos usuários da
Edificação R1.......................................................................................................................................95
Ilustração 46 - Comparação entre o PMV e as diferenças em relação às preferências médias relatadas
pelos usuários da Edificação R1..........................................................................................................97
Ilustração 47 - Comparação entre as condições de conforto declaradas pelos clientes da Edificação C1
e suas sensações térmicas..................................................................................................................99
Ilustração 48 - Comparação entre as condições de conforto declaradas pelos clientes da Edificação C1
e suas preferências térmicas. ..............................................................................................................99
Ilustração 49 - Comparação entre as condições de conforto declaradas pelos funcionários da Edificação
C1 e suas sensações térmicas. .........................................................................................................100
Ilustração 50 - Comparação entre as condições de conforto declaradas pelos funcionários da Edificação
C1 e suas preferências térmicas........................................................................................................100
Ilustração 51 -Correlação entre predições e sensações médias declaradas pelos usuários da Edificação
C1 (funcionários, clientes e pesquisadora). .......................................................................................101
Ilustração 52 -Correlação entre predições e preferências médias declaradas pelos usuários da
Edificação C1 (funcionários, clientes e pesquisadora).......................................................................102
Ilustração 53 - Correlação entre predições e sensações declaradas (a) e entre predições e preferências
declaradas (b) pelos clientes da Edificação C1..................................................................................106
Ilustração 54 - Correlação entre predições e sensações declaradas e entre predições e preferências
declaradas pelos funcionários da Edificação C1................................................................................106
Ilustração 55 -Variação das temperaturas neutras de conforto, calculadas com base na temperatura
média externa diária...........................................................................................................................109
Ilustração 56 -Valores das temperaturas externas e valores estimados da temperatura neutra de
conforto (Tn). Período compreendido entre 29/01 e 03/03/2005........................................................110
Ilustração 57 -Variação da temperatura média externa horária, ao longo do período compreendido entre
29/01 e 03/03/2005. ...........................................................................................................................110
Ilustração 58 – Comparação entre as sensações e preferências térmicas dos usuários e as
temperaturas no interior dos ambientes monitorados. .......................................................................111
Ilustração 59 -Percentual de insatisfeitos e temperaturas internas verificadas durante o monitoramento..112
Ilustração 60 -Estratégias de condicionamento ambiental passivo indicadas para Santana do Ipanema.
Dados do monitoramento ambiental externo......................................................................................113
Ilustração 61 -Estratégias de condicionamento ambiental passivo indicadas para Santana do Ipanema.
Dados do monitoramento ambiental no interior da Edificação R1......................................................114
Ilustração 62 -Estratégias de condicionamento ambiental passivo indicadas para Santana do Ipanema.
Dados do monitoramento ambiental no interior da Edificação R2......................................................115
Ilustração 63 -Estratégias de condicionamento ambiental passivo indicadas para Santana do Ipanema.
Dados do monitoramento ambiental no interior da Edificação R3......................................................115
Ilustração 64 -Configurações formais diferenciadas: Edificação R1, tipologia “casa em fita” e Edificação
R2. .....................................................................................................................................................117
Ilustração 65 -Fachadas das residências, tipologia “casa em fita”..............................................................118
Ilustração 66 -Alpendres e varandas em residências em Santana do Ipanema. ........................................119
Ilustração 67 -Diversas cores de fachadas empregadas nas residências...................................................119
Ilustração 68 -Ruas arborizadas em bairros residenciais de Santana do Ipanema. ...................................120
Ilustração 69 -Ruas não arborizadas em bairro residencial e centro de Santana do Ipanema. ..................120
Ilustração 70 -Total de horas diárias em que a temperatura externa foi simultaneamente inferior às
temperaturas internas e inferior a 28ºC, Edificação R1, intervalo entre 6h e 18h. .............................122
Ilustração 71 -Total de horas diárias em que a temperatura externa foi simultaneamente inferior às
temperaturas internas e inferior a 28ºC, Edificação R2, intervalo entre 6h e 18h. .............................122
Ilustração 72 -Total de horas diárias nas quais a temperatura externa foi simultaneamente inferior a
temperatura interna (Edificação R1) e inferior a 28ºC, intervalo entre as 18h e 6h............................124
Ilustração 73 -Total de horas diárias nas quais a temperatura externa foi simultaneamente inferior a
temperatura interna (Edificação R2) e inferior a 28ºC, intervalo entre as 18h e 6h............................124
Ilustração 74 -Total de horas diárias nas quais as temperaturas máximas externas mantiveram-se sob
os limites recomendados ao uso da massa térmica para resfriamento na Edificação R1..................125
Ilustração 75 -Total de horas diárias nas quais as temperaturas máximas externas mantiveram-se sob
os limites recomendados ao uso da massa térmica para resfriamento na Edificação R2..................125
Ilustração 76 -Total diário de horas nas quais o resfriamento evaporativo direto (RED) poderia ser
empregado (intervalo entre as 8h e 18h). ..........................................................................................128
Ilustração 77 -Temperaturas neutras de conforto e estimativa da variação das temperaturas resultantes
do emprego do resfriamento evaporativo direto (EFu = 60%)............................................................129
Ilustração 78 -Temperaturas neutras de conforto e estimativa da variação das temperaturas resultantes
do emprego do resfriamento evaporativo direto (EFu = 70%)............................................................129
Ilustração 79 -Temperaturas neutras de conforto e estimativa da variação das temperaturas resultantes
do emprego do resfriamento evaporativo direto (EFu = 80%)............................................................130
Ilustração 80 – Resultados estimados do emprego do RED.......................................................................131
Ilustração 81 -Total diário de horas nas quais o resfriamento evaporativo indireto (REI) poderia ser
empregado (intervalo entre as 8h e 18h). ..........................................................................................132
lustração 82 –Aproveitamento da ventilação noturna realizado por meio da introdução de pergulados no
interior da edificação..........................................................................................................................134
lustração 83 –Uso de sistemas de resfriamento evaporativo na tipologia residencial “casa em fita”..........135
lustração 84 –Uso do “peitoril ventilado”.....................................................................................................135
lustração 85 –Uso de captadores de vento.................................................................................................136
Lista de Tabelas
Tabela 1: Critérios de avaliação e níveis de desempenho térmico...............................................................51
Tabela 2 – Especificações dos instrumentos de medição.............................................................................61
Tabela 3 – Dados do dia típico de verão, Teresina-PI..................................................................................65
Tabela 4 – Critérios para avaliação do potencial de uso de estratégias de condicionamento passivo em
regiões quentes e secas.. ....................................................................................................................72
Tabela 5 – Resultados da aferição dos instrumentos de medição................................................................75
Tabela 6 – Propriedades térmicas relativas aos materiais empregados nas paredes e coberturas das
edificações monitoradas.......................................................................................................................82
Tabela 7 – Áreas disponíveis para ventilação, ambientes monitorados: Edificações R1, R2 e R3...............83
Tabela 8 – Edificação R1 - Dispersão (RMSE) e Desvios médios (MBE): Comparação entre os valores
preditos e as sensações médias declaradas........................................................................................91
Tabela 9: Edificação R1 - Dispersão (RMSE) e Desvios médios (MBE): Comparação entre os valores
preditos e as preferências médias declaradas.....................................................................................93
Tabela 10: Edificação R1 - Dispersão (RMSE) e Desvios médios (MBE): Comparação entre os valores
preditos e as preferências declaradas pelos usuários..........................................................................94
Tabela 11: Edificação R1 - Dispersão (RMSE) e Desvios médios (MBE): Comparação entre os valores
preditos e sensações declaradas pelos usuários da Edificação R1.....................................................96
Tabela 12: Edificação C1 - Dispersão (RMSE) e Desvios médios (MBE): Comparação entre os valores
preditos e as sensações declaradas pelos usuários (funcionários, clientes e pesquisadora)............101
Tabela 13: Edificação C1 - Dispersão (RMSE) e Desvios médios (MBE): Comparação entre os valores
preditos e as preferências declaradas pelos usuários (funcionários, clientes e pesquisadora). ........102
Tabela 14: Edificação C1 - Dispersão (RMSE) e Desvios médios (MBE): Comparação entre os valores
preditos e as sensações declaradas pelos clientes ...........................................................................103
Tabela 15: Edificação C1 - Dispersão (RMSE) e Desvios médios (MBE): Comparação entre os valores
preditos e as preferências declaradas pelos clientes.........................................................................103
Tabela 16.: Edificação R1 - Dispersão (RMSE) e Desvios médios (MBE).................................................103
Tabela 17: Edificação R1 - Dispersão (RMSE) e Desvios médios (MBE): Comparação entre os valores
preditos e as preferências declaradas pelos funcionários..................................................................103
Tabela 18 – Somatórios de graus.h da Edificação R1, calculados com base nos dados do
monitoramento ambiental (1) e nas estimativas dos valores da TBS
RED
(2). .....................................130
Tabela 19 – Somatórios de graus.h da Edificação R2, calculados com base nos dados do
monitoramento ambiental (1) e nas estimativas dos valores da TBS
RED
(2). .....................................131
Resumo
Alagoas possui 43% de seu território incluído no semi-árido, a exemplo do município de
Santana do Ipanema. A desigualdade social e os baixos padrões de renda da maioria da população
sertaneja afetam as condições de moradia, dificultando também o acesso a alguns bens de consumo, a
exemplo dos condicionadores de ar. O presente trabalho investiga o campo de aplicação de estratégias
de condicionamento ambiental passivo, recomendáveis ao clima quente e seco, em residências,
através de estudos de caso realizados em Santana do Ipanema, sertão de Alagoas, considerando-se a
visão dos usuários na análise do desempenho térmico das edificações.
Observou-se o modo como os indivíduos lidam com as situações de desconforto térmico em
ambientes diferenciados: em residências (Edificações R1, R2 e R3) e em um ambiente com
condicionamento artificial, neste caso, uma edificação comercial (Edificação C1), verificando-se quais
os aspectos positivos e negativos mencionados pelos entrevistados quanto ao uso deste tipo de
equipamento. Observou-se que os modelos preditivos utilizados na avaliação do conforto térmico
apresentaram-se pouco representativos da realidade, principalmente no caso da Edificação C1. A
comparação entre os votos relatados pelos usuários dessa edificação e o índice PMV apresentaram
coeficientes de determinação (R
2
) inferiores a 0,6 e desvios médios próximos a 1. Quanto à abordagem
adaptativa, não foi possível precisar quais os “limites de conforto” dos usuários, porém evidências da
aclimatação ao calor foram observadas em todas as edificações, verificando-se também a necessidade
de melhoria nas condições térmicas das residências monitoradas.
Buscando alternativas capazes de favorecer a adequação ambiental das residências,
investigou-se o potencial de aplicação de estratégias de condicionamento passivo. Verificou-se que
tanto a ventilação noturna quanto o resfriamento evaporativo poderiam favorecer o conforto dos
usuários durante períodos acima de 5h diárias. No caso do resfriamento evaporativo direto, estimou-se
que as temperaturas resultantes do emprego dessa estratégia seriam bastante inferiores às
temperaturas internas registradas durante o monitoramento (29/01/05 – 03/03/05), observando-se
reduções entre 2ºC e 10ºC.
Pôde-se concluir que tais estratégias apresentam-se como alternativas com grande potencial
para minimizar o calor durante o verão, representando boas opções para favorecer o conforto térmico
dos indivíduos nos ambientes internos em localidades de clima quente e seco como Santana do
Ipanema.
Palavras-chave: Santana do Ipanema; clima quente e seco; conforto térmico; condicionamento
ambiental passivo.
Abstract
The hot and dry zone covers about 43 percent of Alagoas territory, a state located in Brazilian
Northeast Region. The social discrepancies and low income patterns can be related to the majority of
northeastern people. This issue affects the housing conditions and difficults the access to consumer
goods, like air conditioning, by the people. This work assesses the potential for passive conditioning
strategies usage in dwellings, considering the subjects point of view, by a study developed in Santana
do Ipanema, a hot and dry city located in Alagoas, Brazil.
A qualitative research was developed with occupants of three dwellings and one air-conditioned
building, aiming to verify their behaviour under different thermal conditions, as well their opinions about
the air conditioning usage. Thermal comfort indexes were compared with the real sensation of the
occupants. The determination coefficients encountered when using the PMV index were smaller than
0,6 and the mean bias errors were nearly equal to 1. Also, it wasn’t possible to set indoor comfort
temperatures by the “adaptative” approach. However, evidences of adaptation to warm environments
could be observed, as well the need of improvement on thermal internal conditions of typical
architectural patterns.
Aiming to improve thermal conditions in dwellings, the potential for passive conditioning
strategies such as night ventilation, evaporative cooling and night convective cooling was investigated.
It was observed that night ventilation and evaporative cooling can be applied during periods larger than
5h a day. In case of direct evaporative cooling, the internal temperatures estimated were lower than
data collected in the dwellings during summer period (29/01/05 – 03/03/05). The reductions estimated
were about 2ºC to 10ºC.
These results shows that passive means can be employed to lower the peak internal
temperatures on summer and can lead to design thermaly acceptable buildings in hot and dry locations,
like Santana do Ipanema.
Keywords: Santana do Ipanema; hot and dry climate; thermal comfort; passive cooling of
buildings.
Juliana Oliveira Batista -------------------------
18
Juliana Oliveira Batista
1.
Introdução
A rápida evolução tecnológica, resultado da Revolução Industrial ocorrida em meados do séc.
XX, afetou profundamente a prática de construir (LAMBERTS et al, 1997). Até então, o projeto do
envoltório das edificações deveria estar diretamente vinculado às características ambientais, a fim de
admitir as quantidades de luz e ventilação naturais indispensáveis ao seu funcionamento. Com o
surgimento e desenvolvimento de mecanismos artificiais, tais como equipamentos mecânicos de
refrigeração e calefação e diversos tipos de lâmpadas, o arquiteto viu-se “liberado” dos elementos
naturais e do respeito às condições do meio ambiente, grande lição da arquitetura vernacular
(BATISTA, 2004).
As modificações técnicas trouxeram consigo transformações culturais. A disseminação do
“estilo internacional” nos anos 70 contribuiu para a padronização da arquitetura em diversas partes do
mundo (LAMBERTS et al 1997). Segundo Rheingantz (2001):
Os novos edifícios passam a ser tratados como objetos dentro dos quais se deve
criar, artificialmente, uma temperatura agradável e predomina a concepção projetual
centrada no edifício enquanto objeto estético, desprovido de contexto histórico, que
prioriza os esquemas gráficos determinados pelo zoneamento de usos e pela função
(p.40).
Por outro lado, há um vasto repertório de estratégias passivas de condicionamento ambiental
usadas para se obter a melhoria nas condições térmicas das edificações: ventilação natural,
resfriamento evaporativo, resfriamento radiante, entre outras (SANTAMOURIS, ASIMAKOPOULOS,
1996), (GIVONI, 1997). Tais estratégias buscam a adequação climática da edificação através da
escolha criteriosa dos materiais construtivos de acordo com suas propriedades térmicas,
sombreamento das aberturas, cor e orientação das superfícies externas, associados ao uso de fontes
naturais de energia para promover a diminuição das temperaturas internas (GIVONI, 1994). Desse
modo, torna-se possível desvincular o atendimento às exigências de conforto do uso intensivo do
condicionamento artificial, empregando-se recursos mais econômicos, tanto sob o ponto de vista
financeiro quanto energético.
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Para que a edificação apresente um bom desempenho ambiental e energético, cabe ao
arquiteto prover a ligação entre o saber técnico e as decisões práticas que serão transferidas ao projeto
(AROZTEGUI, 1991). O conhecimento acerca das necessidades do usuário e seu comportamento
durante a fase de uso da edificação também se constitui em uma informação útil, pois permite
identificar aspectos culturais e sócio-econômicos que podem interferir na eficácia das estratégias de
condicionamento ambiental idealizadas pelo arquiteto. Considerando-se todas essas informações
durante a fase de projeto, a obra concluída configurar-se-á como um conjunto de soluções
perfeitamente integradas entre si e adaptadas ao meio, ao invés de um “simples somatório de
resultados” (PEREIRA; NETO, 1988).
1.1. Justificativa
1.1.1. Clima e contexto sócio-econômico do Nordeste brasileiro
A Região Nordeste ocupa aproximadamente 18,3% do território brasileiro, com uma área de
1.561.177,8 km² (IBGE, 2005). NIMER (1979) classifica a climatologia do Nordeste como uma das mais
complexas do mundo devido a irregularidade de distribuição das chuvas. É possível encontrar desde o
clima super-úmido, característico das zonas litorâneas, até o clima seco quase desértico do sertão: o
semi-árido (NIMER, 1979).
Tal diversidade diferencia a região em relação ao restante do território brasileiro, devido à
conjunção entre as peculiaridades ambientais e a desigualdade social entre os centros mais
desenvolvidos, em sua maioria próximos ao litoral, e o interior. Segundo a PNAD (IBGE, 2004), a renda
mensal de cerca de 53% dos domicílios na região Nordeste não ultrapassa dois salários mínimos. Em
localidades do interior, a maioria da população concentra-se em atividades agrícolas ou em serviços de
baixa qualificação, com baixos índices de escolaridade e de renda familiar (IPEA, 2002). Esses padrões
de renda afetam também as condições de moradia, dificultando o acesso a alguns bens duráveis como
é o caso dos aparelhos de ar condicionado, existentes em apenas 7,5% dos domicílios brasileiros
(IBGE, 2003). Deve-se então buscar alternativas mais econômicas para a melhoria da qualidade
ambiental das edificações residenciais, o que é possível através da adequação da arquitetura ao clima
local e do uso de estratégias passivas de condicionamento.
Há uma vasta literatura disponível reunindo diretrizes projetuais indicadas para o clima quente
e seco (RIVERO, 1985; WATSON, LABS, 1992; GIVONI, 1994; GIVONI, 1996). Tratam-se de
propostas de estratégias de condicionamento ambiental passivo, cuja aplicabilidade está diretamente
relacionada à temperatura externa, condições de ventilação e umidade. A amplitude térmica também é
considerada como indicador para a definição de “pautas de projeto” nas planilhas de Mahoney
(EVANS, 2000), possibilitando a seleção das estratégias de condicionamento de acordo com as
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exigências de épocas do ano distintas. Tais fatores são bastante específicos em regiões como o
Nordeste, devido a sua ampla diversidade climática, justificando a realização de pesquisas de campo
abrangentes do litoral ao sertão.
O Brasil já dispõe de uma Norma que estabelece o seu Zoneamento Bioclimático, na qual são
feitas recomendações de diretrizes construtivas e detalhamento de estratégias de condicionamento
térmico passivo para habitações de interesse social: NBR 15220-3 (ABNT, 2005). Esse Zoneamento foi
estabelecido com base nos dados das Normais Climatológicas disponíveis para 330 cidades, os quais
foram utilizados também para estimar, através de interpolação, o clima das demais cidades. A
Ilustração 1 indica as áreas de abrangência das Zonas Bioclimáticas nos estados nordestinos,
destacando-se o estado de Alagoas.
Ilustração 1 - Zonas Bioclimáticas da região Nordeste, destacando-se o estado de Alagoas.
(Fonte: Adaptado de ABNT, 2004)
O estado de Alagoas possui 27.767,661 km². Dos seus 102 municípios, 35 pertencem ao semi-
árido, o que corresponde a cerca de 43% da área territorial do estado (CODEVASF, 2005). De acordo
com o Zoneamento Bioclimático Brasileiro, 8 cidades alagoanas foram classificadas, sendo que 7 estão
localizadas na Zona 8 (clima quente e úmido): Porto de Pedras (1), Maceió (2), Pilar (3), Coruripe (4),
Anadia (5), Palmeira dos Índios (6) e Pão de Açúcar (7), indicados na Ilustração 2 (mapa de climas). A
cidade de Água Branca (8) foi classificada na Zona 5. Observando-se a Ilustração 2, verifica-se que
nenhum dos municípios incluídos no semi-árido (clima quente com 6 meses secos), o que se
enquadraria na Zona 7, possuiu o clima classificado.
Dentre esses municípios alagoanos, pode-se citar Santana do Ipanema, identificado pelo
número 9 na Ilustração 2. O município está localizado no sertão alagoano, distante 207,3 km de
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Maceió, a 9º22’de latitude, 37º14’ de longitude e 250 m de altitude (AMA, 2005). Possui uma estação
seca, ocupando o período entre outubro e abril, e uma estação chuvosa, entre os meses de maio e
agosto e a temperatura anual varia entre 20ºC e 39ºC (FUNESA, 2001). Os ventos predominantes
advêm do quadrante leste, sendo os mais freqüentes no verão aqueles advindos da direção norte
(NIMER, 1979).
Ilustração 2 - Mapa de climas do estado de Alagoas.
(Fonte: Adaptado de IBGE, 2005)
Quanto ao histórico do monitoramento ambiental no município, a Empresa Brasileira de
Pesquisa Agropecuária (EMBRAPA), e posteriormente a EPEAL - Empresa de Pesquisa Agropecuária
do Estado de Alagoas S/A, mantiveram uma estação meteorológica experimental a partir dos anos 70,
financiada com recursos da SUDENE. (CARNAÚBA, 2005). Após 1992, a responsabilidade desses
dados e de outros postos pluviométricos instalados em Alagoas transferiu-se para o antigo Núcleo de
Meteorologia e Recursos Hídricos de Alagoas (NMRH-AL), atual Diretoria de Hidrometeorologia (DHM-
AL). Com a extinção da SUDENE, muitos destes postos foram desativados e grande parte dos dados
foi perdida. No caso de Santana do Ipanema, dentre os dados coletados durante os 20 anos em que a
estação permaneceu em funcionamento, restam apenas os dados diários de temperatura, umidade do
ar, velocidade e direção dos ventos referentes aos anos de 1991 e 1992 (completos) e janeiro de
1993
1
. O INMET (Instituto Nacional de Meteorologia) mantém uma plataforma de coleta de dados
(PCD) no município, em funcionamento desde agosto de 2005. São coletados dados diários referentes
1
Dados manuscritos, sob responsabilidade de um funcionário da secretaria estadual de agricultura.
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às condições diárias de temperatura e volume de precipitações, os quais são disponibilizados via
Internet (CPTEC/INPE, 2005). Porém, não se encontra disponível ainda uma base de dados relativa a
períodos anteriores a 2005 que seja representativa do clima do município, a não ser dados relativos à
precipitação. A estação mais antiga e mais próxima, mantida pelo INMET, está localizada no município
de Pão de Açúcar, distante 35 km de Santana do Ipanema. Porém, os dados são enviados diretamente
ao Agritempo (Sistema de Monitoramento Agrometeorológico) e não são compartilhados com o DHM-
AL (AGRITEMPO, 2005).
A dificuldade em se obter dados meteorológicos representativos do interior do país se reflete
no número reduzido de pesquisas voltadas à adequação climática das edificações. Considerando-se a
ampla diversidade climática brasileira, particularmente do Nordeste, há uma clara necessidade de
estudos regionais (pesquisas de campo), fornecendo bases para a solução de “problemas locais” e
para a definição de parâmetros de desempenho térmico das edificações (KESSLER; NICOL;
HUMPHREYS, 1998). Estudos desse tipo devem considerar também o contexto sócio-econômico local,
buscando soluções arquitetônicas compatíveis com os padrões de renda da população dos municípios
nordestinos, a exemplo de Santana do Ipanema.
O índice de Desenvolvimento Humano do Município (IDH-M) corresponde a 0,616, ocupando a
18ª posição em relação ao restante do estado e a 4366ª posição no Brasil (PNUD, 2000). O índice de
pobreza (percentual da população que possui renda domiciliar per capita inferior a meio salário mínimo)
corresponde a cerca de 74%. Tal quadro caracteriza a elevada desigualdade social característica dos
municípios com maior índice de pobreza do Nordeste: cerca de 20% apresentavam uma intensidade de
pobreza entre 62,5% e 75% no ano 2000 (PNUD, 2000).
Diante desse contexto, a utilização de tecnologias construtivas mais eficientes sob o ponto de
vista do desempenho térmico alcança grande relevância, possibilitando o atendimento às exigências de
conforto térmico através de meios mais econômicos e financeiramente acessíveis. Deve-se considerar
também o potencial de adequação das edificações existentes ao clima e às exigências de conforto dos
usuários. A arquitetura local deve representar um ponto de partida, uma vez que está diretamente
vinculada à realidade prática da população. Segundo Aroztegui (1991), padrões construtivos
usualmente empregados em um determinado local configuram-se como “referenciais culturais” para os
seus usuários, podendo indicar respostas para compreender o modo como os indivíduos se comportam
diante de situações de desconforto térmico. O estudo do desempenho térmico de tipologias
arquitetônicas usuais também pode indicar diretrizes para o aperfeiçoamento das tecnologias
construtivas, através da identificação dos aspectos positivos e negativos de cada configuração.
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1.1.2. Caracterização da arquitetura de Santana do Ipanema
O conceito de tipologia em arquitetura é aplicável quando é possível identificar um somatório
coerente de denominadores comuns em um determinado grupo de edificações, ou seja, uma série de
fatores tecnológicos, estéticos e geométricos que contribuem para configurar a forma resultante
(CERASI, 1998).
As tipologias arquitetônicas traduzem o conhecimento que é aplicado na prática de construir
com a função de solucionar “problemas” recorrentes em um determinado momento histórico, levando-
se em consideração as limitações técnicas, funcionais e econômicas de determinado local (EMMIT,
2002). A arquitetura tende a acompanhar a dinâmica da sociedade com o crescimento e evolução das
cidades, porém isso não impede que uma tipologia predominante permaneça no contexto atual.
“Convivendo” com as inovações técnicas e estéticas, tipologias arquitetônicas podem se incorporar à
tradição construtiva da população tornando-se representativas daquela cultura. Situação semelhante
pode ser identificada nas cidades alagoanas do interior, a exemplo de Santana do Ipanema.
As diretrizes do parcelamento do solo da época colonial, caracterizado por lotes profundos e
pequenas testadas, definiram o relevo urbano dessas cidades, de modo que os longos agrupamentos
de casas em fita podem ser identificados como uma tipologia arquitetônica predominante (SILVA,
1991). Nas pequenas cidades do interior, por vezes um único desses corredores de casas determina
uma cidade. Ainda de acordo com SILVA:
A planta apresenta soluções de cômodos alinhados no decorrer de um corredor,
adaptando-se ao lote estreito e longo, cuja testada varia de 3 a 5 m. (...) As paredes,
antes de taipa, depois de tijolos, suportam o telhado em duas águas que, desde o
séc. XIX, situa-se por trás da platibanda (p. 234).
Percorrendo-se as ruas de Santana do Ipanema, percebe-se claramente o predomínio da
tipologia de casa em fita (Ilustração 3), destacando a horizontalidade do perfil urbano, principalmente
na periferia. Os cômodos se alinham sucessivamente, conforme a descrição de Silva (1991), mas não
necessariamente ao longo de um corredor, de modo que geralmente as portas dos ambientes íntimos
se comunicam com as áreas sociais. Os limites da edificação coincidem com os limites do lote e a porta
de acesso volta-se diretamente para a rua. O hábito familiar de “sentar-se à porta” nos finais de tarde,
quando o ambiente externo se torna mais ameno, é recorrente, de modo que a rua torna-se local de
convívio entre a vizinhança. Quanto aos aspectos construtivos, a cobertura de telha de barro sem forro
é característica. Quando as possibilidades financeiras dos proprietários permitem, o fôrro em gesso,
PVC ou madeira é introduzido na residência como forma de “incrementar” o seu aspecto, utilizando-se
até mantas plásticas sob o telhado, como forma de se conter a poeira que cai das telhas. Outra prática
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comum é a modificação do revestimento das fachadas, empregando-se além da pintura revestimentos
cerâmicos ou texturas decorativas.
No centro da cidade, área de ocupação mais antiga, edifícios públicos e comerciais repetem o
mesmo padrão. Em sua maioria oriundos das “casas de meia morada” do período colonial, há também
alguns sobrados. Modificações na fachada são introduzidas de acordo com as possibilidades de
atualização do seu aspecto externo (Ilustração 4) (SILVA, 1991).
Ilustração 3 - Principais bairros de Santana do Ipanema e aspectos da arquitetura local.
Ilustração 4 - Lojas no centro de Santana do Ipanema.
Nas áreas de ocupação mais recente identificam-se tipologias diferenciadas. Lotes maiores
permitem o uso de afastamentos e também a abertura de janelas para ventilação, seja nos loteamentos
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populares (Ilustração 5a) seja nas residências de padrão mais elevado (ilustração 5b). Aproveitando-se
o recuo frontal, a criação de um espaço sombreado, por vezes denominado como “área” pelos
moradores, é bastante valorizada. O perfil horizontal também persiste nesse caso, de modo que
raramente as edificações ultrapassam a altura de dois pavimentos. São poucas as edificações que
utilizam condicionamento artificial. O uso de condicionadores de ar está relacionado ao padrão de
renda mais elevado, no caso dos proprietários das residências. Entretanto, seu uso está restrito às
instituições bancárias e alguns estabelecimentos comerciais (lojas, escritórios e consultórios).
(a)
(b)
Ilustração 5 - Formas de implantação no lote de edificações residenciais em Santana do
Ipanema: (a) loteamento popular e (b) residência localizada no bairro S. Cristóvão.
No contexto do clima quente e seco, podem ser identificados na arquitetura local alguns
problemas de adequação climática, especialmente na tipologia de “casa em fita”. O pé-direito baixo e a
proximidade da cobertura, geralmente sem fôrro e caracterizada pela elevada transmitância térmica,
prejudicam as condições de conforto internas. Quanto à admissão da ventilação, é possível realizar
ventilação cruzada nas edificações recuadas em relação aos limites do lote. Porém, a ventilação pode
até prejudicar o conforto térmico dos ocupantes durante o dia, uma vez que, quando é empregada, a
temperatura interna do edifício tende a se aproximar da temperatura externa, bastante elevada no
período diurno (GIVONI, 1994). Já no período noturno, com a redução da temperatura externa à noite,
o emprego da ventilação torna-se desejável.
Outro aspecto importante é a ausência de proteção solar nas aberturas, fundamental em climas
quentes, percebida nas casas em fita cuja fachada privilegia o uso da platibanda. A adequação
climática dessas edificações requer estudos mais aprofundados relativos ao seu desempenho térmico,
considerando-se como condicionantes de projeto tanto as condições climáticas quanto os aspectos
sócio-econômicos característicos da realidade local.
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1.1.3. A edificação e seu usuário: como avaliar o desempenho térmico?
Em se tratando da adequação climática das edificações em Santana do Ipanema, três aspectos
merecem destaque: o uso de estratégias de condicionamento passivo no setor residencial, a avaliação
do comportamento térmico das tipologias arquitetônicas predominantes frente a parâmetros de
desempenho e a compreensão do comportamento do usuário durante o uso da edificação.
O setor residencial, a princípio, apresenta-se como campo propício à aplicação de estratégias
de condicionamento passivo, devido ao custo da maioria dessas soluções serem compatíveis aos
padrões de renda reduzidos da maioria da população. Por outro lado, o uso dessas estratégias pode
ser combinado ao condicionamento artificial, reduzindo as cargas térmicas a serem eliminadas pelo
sistema e, consequentemente, o consumo de energia elétrica nas residências de padrão mais elevado
e no setor comercial (SANTAMOURIS; ASIMAKOPOULOS, 1996). Quer sejam usadas isoladamente
ou combinadas ao condicionamento artificial, a seleção de estratégias de condicionamento passivo é
limitada pelas condições climatológicas locais, pelo tipo de edificação e também pelos padrões de uso
e aclimatação natural do usuário (GIVONI, 1997).
O modo como os indivíduos manipulam os mecanismos de controle das condições de
ventilação e iluminação, por exemplo, através da abertura e fechamento de janelas ou do acionamento
do ar condicionado, está relacionado à percepção do espaço habitado, determinando os padrões de
uso da edificação (FANGER, TOFTUM, 2002), (NICOL, 1993). Segundo Cope.e Bazin (2003):
Os usos e comportamentos dos ocupantes, em função dos níveis de conforto
obtidos, representam pistas de reflexão cujos resultados poderiam influir na
concepção das moradias (e demais tipos de edificação) tanto no plano arquitetural
(‘climatização natural’) quanto no plano técnico (inércia, isolação, ventilação, etc.) e
mesmo sobre seu uso e manutenção (p. 224).
Quanto à hipótese da aclimatação, está fundamentada na premissa de que o indivíduo é
tolerante a situações térmicas mais previsíveis (calor ou frio) diante do contexto climático típico local e
suas condições sócio-econômicas (NICOL, 1993). Evidências da aclimatação encontram-se
documentadas em vários estudos (NICOL, 1993), (NICOL et al, 1995), (SANTAMOURIS;
ASIMAKOPOULOS, 1996), (RORIZ, 2003), porém restam dúvidas quanto ao nível de influência dos
fatores envolvidos. Por exemplo, a tolerância do indivíduo ao calor é “governada” realmente pelos
mecanismos de adaptação ou as restrições financeiras que o impedem de usar o condicionamento
artificial e investir em reformas na residência o tornam “mais tolerante”?
As pesquisas de campo se configuram como instrumentos úteis para responder essa e outras
questões fundamentais durante o processo de projeto. O monitoramento ambiental fornece
informações capazes de auxiliar na seleção de estratégias de projeto adequadas e viáveis. Já a
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pesquisa qualitativa garante o escopo para que os ocupantes/usuários possam expressar suas
preferências e comportamento (AHMED,1995), contribuindo enormemente para a devida valorização
da abordagem ambiental no projeto arquitetônico.
A motivação do presente trabalho consiste em conhecer melhor quais as possibilidades de
obtenção do conforto térmico no ambiente construído diante das limitações climáticas, culturais e
financeiras particulares de Santana do Ipanema. Com base nesse conhecimento, pretende-se
selecionar estratégias de projeto voltadas ao condicionamento ambiental passivo e indicar formas
práticas de viabilizá-las, tendo o usuário como “referência” dos níveis de conforto a serem atingidos.
1.2. Objetivos
A seguir, são apresentados os objetivos do presente trabalho.
1.2.1. Objetivo geral
O objetivo geral do presente trabalho consiste em investigar o campo de aplicação de
estratégias de condicionamento ambiental passivo, recomendáveis ao clima quente e seco, em
residências, através de estudos de caso realizados em Santana do Ipanema, sertão de Alagoas,
considerando-se a visão dos usuários na análise do desempenho térmico das edificações.
1.2.2. Objetivos específicos
1) Verificar o nível de adequação das edificações estudadas às condições climáticas locais,
utilizando como critérios as recomendações normativas vigentes no Brasil relativas à
avaliação do desempenho térmico de habitações unifamiliares;
2) Desenvolver a análise de conforto térmico dos usuários das edificações monitoradas
(residências e ambiente comercial com condicionamento artificial), a fim de identificar
evidências da aclimatação ao calor, bem como a necessidade de melhoria nas condições
térmicas das residências em estudo;
3) Avaliar o potencial de uso das seguintes estratégias de condicionamento ambiental
passivo: ventilação noturna; massa térmica para resfriamento e resfriamento evaporativo,
citadas na literatura dentre as mais recomendáveis para o clima quente e seco.
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1.3. Estrutura da dissertação
Desenvolvendo uma introdução necessária ao contexto climático e sócio-econômico do semi-
árido nordestino, destacando-se o Estado de Alagoas e o município de Santana do Ipanema, o
Capítulo 1 apresenta uma breve caracterização da arquitetura da cidade. São levantados outros
aspectos importantes relativos à avaliação do desempenho térmico de edificações, tais como o uso de
diferentes estratégias de condicionamento ambiental e a importância da visão do usuário no processo
de projeto, os quais serão aprofundados nos capítulos subseqüentes.
O Capítulo 2 apresenta a revisão bibliográfica, destacando os principais temas que
fundamentam a metodologia empregada neste trabalho: os fatores que definem a aplicabilidade das
estratégias passivas de condicionamento ambiental em climas quentes e secos e a inter-relação entre
o desempenho térmico das edificações e os limites de conforto dos usuários. Discute-se também a
importância desses limites na elaboração de Normas de avaliação de desempenho térmico.
O Capítulo 3 descreve a metodologia empregada para avaliar o desempenho térmico das
edificações residenciais selecionadas para estudo, o conforto térmico de seus usuários e o potencial de
uso de estratégias passivas de condicionamento ambiental em Santana do Ipanema. Os resultados da
investigação acerca desses 3 tópicos principais são descritos no Capítulo 4. No final do capítulo, são
apresentadas algumas sugestões de adequação ambiental nas edificações em estudo, com base na
incorporação das estratégias de condicionamento passivo selecionadas de acordo com seu potencial
de aplicação em Santana do Ipanema.
O Capítulo 5 apresenta as conclusões do trabalho, destacando sua contribuição no contexto
arquitetônico do semi-árido alagoano e possíveis limitações, além de sugestões para trabalhos futuros.
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Juliana Oliveira Batista
2.
Revisão Bibliográfica
No presente Capítulo é apresentada a fundamentação teórica que serviu como base para a
elaboração do estudo da arquitetura residencial e seu desempenho térmico no contexto do semi-árido
alagoano.
Com base nos estudos de Givoni e outros pesquisadores, são apresentadas as principais
estratégias de condicionamento ambiental passivo recomendáveis para o clima quente e seco,
selecionadas com a finalidade de se incrementar o desempenho térmico das edificações e,
conseqüentemente, beneficiar o conforto térmico de seus usuários.
Em seguida, a temática relativa ao conforto térmico nos ambientes internos é apresentada
considerando-se duas abordagens distintas: o modelo do balanço térmico proposto por Fanger (1970) e
o modelo adaptativo desenvolvido a partir dos estudos realizados por Humphreys (1978), buscando-se
identificar formas adequadas de compreensão do comportamento dos indivíduos, suas sensações e
preferências térmicas.
Ao final do capítulo, os procedimentos relativos às Normas brasileiras de avaliação de
desempenho térmico, vigentes ou em fase de elaboração, são discutidos, considerando-se a
importância da definição de “limites de conforto” para o estabelecimento dos parâmetros e critérios de
desempenho das edificações.
2.1. Estratégias de condicionamento ambiental e o projeto de
edificações em climas quentes e secos
O conceito de condicionamento ambiental passivo, ou resfriamento passivo, no caso de
climas quentes, abrange todos os processos e técnicas que possibilitam a diminuição das temperaturas
internas através do uso de fontes naturais de energia (GIVONI, 1994). O resfriamento passivo também
pode estar associado ao condicionamento artificial, quando a aplicação deste permite um incremento
na performance ambiental do edifício. Nesse caso, tem-se ainda como vantagem a possibilidade de
redução no consumo de energia (SANTAMOURIS, ASIMAKOPOULOS, 1996).
Watson e Labs (1992) afirmam que a abordagem equilibrada acerca das condições de
aquecimento, resfriamento e iluminação natural no decorrer das estações do ano é a meta primordial
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do desenho adaptado ao clima, a denominada “arquitetura bioclimática”. Através da aplicação de
técnicas de condicionamento passivo é possível prevenir e “modular” os ganhos de calor da edificação,
ainda na fase de projeto, favorecendo a adaptação da mesma às condições ambientais externas
(SANTAMOURIS, ASIMAKOPOULOS, 1996).
No caso de regiões de clima quente e seco, o projeto de edificações, assim como o
planejamento urbano, deve contemplar duas linhas de ação principais: minimizar o consumo de
energia para climatização (conforto) e maximizar o uso de fontes naturais de energia disponíveis
(GIVONI, 1997).
É possível minimizar o consumo de energia por meio da aplicação de técnicas passivas,
também denominadas estratégias bioclimáticas. Através da proteção contra a radiação solar é
possível favorecer a redução das cargas térmicas (GARCÍA-CHAVEZ, 1999). Isto está diretamente
relacionado ao envoltório da edificação: orientação das fachadas principais e janelas; tamanho,
localização e detalhamento do sombreamento das aberturas; cor das paredes e telhados; propriedades
térmicas dos materiais construtivos (GIVONI, 1994). As perdas de calor da edificação por radiação
durante a noite, o resfriamento proporcionado pelo ar noturno e a disponibilidade de água para
resfriamento evaporativo também são recursos simples e baratos que podem trazer resultados
bastante satisfatórios sob o ponto de vista do conforto térmico (GIVONI, 1997). O objetivo do projeto
deve consistir em diminuir a temperatura do ar e das superfícies internas em relação à temperatura
externa elevada (GIVONI, 1997). Todos esses fatores são manipulados pelo arquiteto desde as fases
iniciais de projeto, ressaltando a importância do processo de concepção para a obtenção de um
resultado final satisfatório.
Givoni (1994) descreve de modo detalhado quais os limites de aplicabilidade de diversas
estratégias de condicionamento passivo. Tais limites são indicados por valores de temperatura e
umidade do ar, no exterior e nos ambientes internos. Outra possibilidade de se descrever tais limites é
através de cartas bioclimáticas, a exemplo da carta elaborada pelo referido pesquisador em 1992 para
os países em desenvolvimento (GIVONI, 1992). De acordo com esse método, a carta psicrométrica é
subdividida em uma série de subzonas que representam diferentes estratégias de condicionamento
ambiental. Goulart et al (1994) afirmam que os limites indicados na carta bioclimática de Givoni são
mais adequados à realidade brasileira, pelo fato de considerar a aclimatação dos indivíduos ao clima
tropical.
Watson e Labs (1983) apresentam um método semelhante ao de Givoni, no qual a análise
bioclimática do edifício é realizada através de arquivos TRY (Test Reference Year, ou Ano Climático de
Referência, o qual contém dados meteorológicos horários correspondentes às 8.760 horas do ano).
Com base nos percentuais de horas anuais que se enquadram na zona designada ou combinações de
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zonas delineadas na carta psicrométrica, são selecionadas quais as estratégias de condicionamento
ambiental mais indicadas para uma determinada localidade (MACIEL, 2002). No entanto, os limites
estabelecidos pelo método proposto por Watson e Labs são baseados nos padrões da ASHRAE
(1997), de modo que o fator de aclimatização não é considerado (MACIEL, 2002).
As técnicas listadas abaixo destacam-se como as principais estratégias de condicionamento
passivo recomendadas para climas quentes e secos (WATSON, LABS, 1992); (GIVONI, 1994),
(SANTAMOURIS, ASIMAKOPOULOS, 1996), (GIVONI, 1997):
Controle do ganho de calor solar
A proteção contra a radiação solar, ou o controle do ganho de calor solar, engloba uma série
de medidas que possibilitam a redução das cargas térmicas nas edificações.
A forma da edificação e a orientação das superfícies externas determinam o grau de
exposição à radiação solar. Em climas quentes e secos, é desejável uma menor área de fachada
exposta à radiação solar, uma vez que a redução dos ganhos térmicos durante o dia é fator primordial
para minimizar o aquecimento da edificação. Isto pode ser favorecido pela adoção da forma compacta
ou optando-se pela forma alongada e voltando-se as fachadas principais para as orientações N-S
(GIVONI, 1997).
Quanto aos materiais construtivos empregados, deve-se optar por elementos com elevada
capacidade térmica para controlar o fluxo de calor através do envoltório da edificação. Além da
capacidade térmica, a condutividade térmica e a espessura do material estão diretamente
relacionados ao atraso térmico e amortecimento das temperaturas internas em relação às temperaturas
externas (WATSON, LABS, 1992). As cores das superfícies externas, por sua vez, influenciam
diretamente as temperaturas no interior dos ambientes (BANSAL et al, 1992). Recomenda-se que
sejam empregadas cores claras e reflexivas nas fachadas para minimizar o aquecimento das
superfícies e, por conseguinte, a transmissão do fluxo de calor para o interior da edificação (GIVONI,
1997).
Em um país tropical com forte insolação como o Brasil, deve-se priorizar a redução dos
elevados ganhos térmicos advindos da cobertura. A quantidade de energia térmica de onda longa
irradiada para o interior dos recintos pode ser reduzida também pelo emprego de materiais de baixa
emissividade, os quais atuam como barreiras radiantes (VITORINO et al, 2003).
As barreiras radiantes consistem de um material de baixa emissividade, posicionado no
elemento construtivo de tal forma que esteja voltado para um “ambiente”, que pode ser o espaço ático,
com ou sem ventilação, ou os recintos habitáveis (VITORINO et al, 2003). O material comumente
empregado em barreiras radiantes é o alumínio polido, na forma de lâminas ou folhas muito finas, com
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espessura da ordem de 6 a 8 µm, cuja emissividade é menor que 0,1. Estas folhas são aplicadas sobre
um substrato que possui a função de proporcionar resistência mecânica ao produto, por exemplo, o
polietileno e o papel Kraft, sendo comercializadas sob a forma de mantas reflexivas (VITORINO et al,
2003). Güths e Paghi (2004) realizaram estudo experimental para avaliar o desempenho de diferentes
tipos de mantas reflexivas isolantes. Observou-se que a eficiência da manta reflexiva aumenta com a
espessura do material utilizado como substrato para a aplicação da folha de alumínio. Caso a manta
seja brilhante nas duas faces, é possível reduzir em 50 % a transferência de calor em comparação a
uma cobertura sem manta.
A redução das taxas de ventilação nos horários mais quentes do dia também é recomendável
para minimizar o aquecimento da edificação. No fim da tarde, porém, com a queda da temperatura
externa, a ventilação torna-se desejável tanto para favorecer o conforto dos usuários como para resfriar
a estrutura, principalmente no caso de edifícios com elevada inércia térmica (GIVONI,1996;
KOENIGSBERGER et al, 1977). Por conseguinte, o dimensionamento das aberturas deve ser
efetuado considerando-se a necessidade de evitar a radiação solar nas horas mais quentes do dia e ao
mesmo tempo permitir a penetração da luz natural necessária e a entrada do ar externo mais frio no
período noturno, fazendo-se uso de elementos arquitetônicos ou da vegetação para proporcionar
sombreamento.
A arquitetura colonial apresentava inúmeros dispositivos destinados ao sombreamento das
aberturas: longos beirais, treliças, muxarabis, entre outros (SCHLEE, 2001). Alpendres, varandas
anteriores e posteriores também desempenhavam papel importante, pois além de garantir o
sombreamento das aberturas, atuavam como espaços de transição entre o interior e o exterior das
edificações, eliminando quase que totalmente a insolação das paredes externas das residências
(BITTENCOURT, CANDIDO, 2005).
A vegetação também pode ser usada como importante elemento de projeto em localidades
quentes e secas. O uso da vegetação nas áreas externas adjacentes ou integradas às edificações
(pátios) proporciona o sombreamento da edificação e suas aberturas e possibilita a diminuição da
temperatura no exterior próximo à edificação, enquanto o solo vegetado reduz a quantidade de poeira
carregada pelo vento (GIVONI, 1997). O sombreamento possui um amplo efeito fisiológico alcançado
pela redução do stress térmico, além de gastos menores em relação a sistemas que reduzem as
temperaturas externas. Empregando-se soluções simples como os pergulados, por exemplo, é possível
de manter o ar resfriado do pátio separado do ar externo aquecido (GIVONI, 1994). Ao se promover o
resfriamento dessas áreas, minimizam-se as condições de temperatura externa às quais a edificação
está exposta, favorecendo também a redução dos ganhos de calor através das suas paredes e janelas.
Diante do rigor climático do sertão, devem ser priorizadas plantas nativas, tais como a baraúna e o
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mulungu, além de espécies que também podem ser usadas na alimentação, a exemplo do umbuzeiro,
velame e murici. (ANA, 1998).
Ventilação
Em ambientes naturalmente ventilados, a temperatura interna e de suas superfícies
constituintes tende a se aproximar da temperatura externa, devido ao incremento das trocas térmicas
entre o ar interno e os elementos do edifício, favorecidas pela velocidade do ar elevada
(SANTAMOURIS, ASIMAKOPOULOS, 1996). Portanto, o uso da ventilação só é recomendável quando
a temperatura externa for menor que a temperatura interna e possuir um valor máximo entre 28ºC e
32ºC, dependendo da aclimatação (GIVONI, 1994). Em climas quentes e secos, as elevadas
temperaturas externas restringem o uso da ventilação durante o dia (ventilação de conforto). Por outro
lado, com a queda da temperatura externa durante a noite, a ventilação torna-se desejável,
favorecendo o resfriamento da estrutura do edifício. Caso o edifício possua um bom isolamento
térmico, materiais constituintes com densidade e condutividade térmica elevadas e seja bem
sombreado, é possível reduzir a amplitude da variação de temperatura diurna em relação ao exterior,
diminuindo também a temperatura máxima interna com o uso da ventilação noturna. Nesse caso, o uso
da massa térmica para resfriamento também pode ser classificado como uma estratégia de
condicionamento passivo. Quanto aos problemas práticos relacionados ao uso da ventilação noturna,
podem-se citar questões de segurança, devido à necessidade de se manter as janelas abertas durante
a noite (GIVONI, 1994).
Outra alternativa indicada para o aproveitamento da ventilação em climas quentes e secos são
os captadores de vento (Ilustração 6). Os captadores de vento são elementos arquitetônicos,
constituídos por torres verticais com aberturas voltadas para os ventos dominantes, cuja função é
captar os ventos em alturas mais elevadas, onde sua temperatura e carga de poeira são menores e a
velocidade é mais acentuada. O fluxo de ar é então direcionado para os ambientes, aumentando o
movimento de ar interno (FATHY, 1986).
Ilustração 6 – Captadores de vento empregados na cidade de Yazd, Irã.
Fonte: http://www.brookes.ac.uk/schools/arch/tia/desicomp.html (2004).
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Além da temperatura, outros fatores devem ser considerados na avaliação do potencial de uso
da ventilação natural em edificações (Bittencourt; Candido, 2005):
9 Disponibilidade de ventos com velocidades capazes de produzir o resfriamento das
construções e o resfriamento fisiológico de seus usuários;
9 Oscilação da velocidade média do vento ao longo do dia e do ano;
9 Freqüência e direção do vento ao longo do dia e do ano;
9 Distribuição das velocidades do vento por horas e períodos do ano;
9 Identificação de períodos suscetíveis a “chuvas de vento” (dados associados de
direção e velocidade do vento nos períodos de chuva).
Segundo afirmam os autores, o desconhecimento das características dos ventos disponíveis
em determinado local pode conduzir a erros de interpretação do real potencial de ventilação natural em
edificações, de modo que a obtenção de tais informações é necessária para a realização de uma
avaliação mais abrangente.
Resfriamento através de perdas térmicas por radiação
As superfícies que constituem o envoltório das edificações realizam trocas térmicas com o
ambiente externo por convecção, condução e radiação. No caso da cobertura, as perdas de calor por
radiação de onda longa tornam-se bastante acentuadas durante a noite, uma vez que não há o efeito
da absorção da radiação solar (GIVONI, 1994). Para que essa estratégia alcance um bom
desempenho, o material constituinte deve possuir elevada condutividade para acelerar as trocas
térmicas durante a noite, o que é indesejável durante as horas mais quentes do dia. A fim de evitar este
inconveniente, alguns estudos sugerem o uso de painéis de “isolamento móvel”, de modo que as
perdas de calor possam ser efetuadas durante a noite, mas o edifício permaneça protegido da carga
térmica solar durante o dia (WATSON; LABS, 1992).
No entanto, o uso dessa estratégia é limitado, diante do custo elevado de mecanismos
sofisticados necessários para mover os painéis e da necessidade de reforçar a estrutura da edificação
para suportar a carga adicional (SANTAMOURIS, ASIMAKOPOULOS, 1996). Uma alternativa é o uso
de coberturas metálicas associado a painéis móveis no interior da edificação, como uma espécie de
“fôrro”, os quais podem ser manipulados manualmente (Ilustração 7). Esses painéis teriam a função de
aumentar o isolamento da cobertura, reduzindo as cargas térmicas advindas durante o dia e permitindo
que esta possua a condutividade elevada necessária para incrementar as perdas térmicas por radiação
para o céu noturno (GIVONI, 1994).
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Telhas metálicas
"Painel radiador"
Isolamento interno
Venezianas "fechadas"
DIA
NOITE
Isolamento interno
Venezianas "abertas"
Telhas metálicas
"Painel radiador"
Aberturas p/ ventilação
do ático
lustração 7 -Esquema do uso de coberturas metálicas associado a painéis de isolamento móvel
instalados no interior das edificações. Fonte: Adaptado de Givoni (1994).
Resfriamento evaporativo
O resfriamento evaporativo tem como princípio a evaporação da água e a troca de calor
sensível por calor latente que ocorre entre o ar e a água, resultando na redução da temperatura de
bulbo seco (TBS) (SILVA, 2004). O resfriamento evaporativo pode ser direto ou indireto. Denomina-se
resfriamento direto quando o ar resfriado por evaporação é introduzido no ambiente interno e indireto
quando se dá através do resfriamento de um elemento da edificação, o qual assume a função de
absorver o calor que penetra na mesma ou é gerado internamente (GIVONI, 1994). A redução na TBS
é função da diferença psicrométrica entre as temperaturas externas TBS e a TBU, denominada dTBU.
Quanto maior essa diferença, maior o potencial de resfriamento alcançado.
O resfriamento evaporativo direto pode ser efetuado através de equipamentos mecânicos,
compostos por uma espécie de “caixa’ de plástico ou metal contendo um ventilador centrífugo e 3 ou 4
almofadas de fibra nas laterais, onde a água circula (Ilustração 8). O consumo de energia é muito
inferior ao dos condicionadores de ar convencionais, semelhante a uma lâmpada incandescente
(ECOBRISA, 2005), uma vez que a energia necessária destina-se apenas à operação dos ventiladores
e pequenas bombas de água (SANTAMUOURIS, ASIMAKOPOULOS, 1996). O resfriamento
evaporativo direto também pode ser efetuado de forma natural, com o auxílio do vento, diferença de
temperatura, sprays ou torres de resfriamento passivo. A torre de resfriamento consiste em uma torre
onde a água, contida em jarras, almofadas ou pulverizada, é precipitada. O ar ambiente introduzido na
torre é resfriado por evaporação e depois transferido para o interior do edifício (SILVA, 2004). Givoni
(1994) desenvolveu um modelo matemático para descrever o desempenho do sistema, observando um
elevado grau de resfriamento do ar interno obtido com o emprego deste dispositivo.
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Ilustração 8 -Esquema do funcionamento de um sistema de resfriamento evaporativo direto.
(Fonte: adaptado de <http://www.jshumidifiers.com>)
Os limites máximos de temperatura indicados para o uso do resfriamento evaporativo direto
são iguais a 24ºC para a TBU e 44ºC para a TBS. De um modo geral, o potencial de redução da TBS
obtido através do resfriamento evaporativo direto varia de 60% a 80% do valor da dTBU, segundo
Givoni (1994). Esses sistemas consomem pouca energia em relação a condicionadores de ar
convencionais, representando alternativas interessantes para o resfriamento de edificações em climas
quentes e secos (SANTAMOURIS; ASIMAKOPOULOS, 1996).
Já o resfriamento evaporativo indireto pode ser favorecido pela criação de fluxos de água na
superfície externa das paredes (paredes úmidas) ou por meio da cobertura, com o uso de tanques com
água localizados acima da mesma (roof ponds) ou aspersão de água sobre as telhas.
No primeiro caso, as paredes em contato com o exterior assumem o papel de painel de
resfriamento passivo, contribuindo para a redução da temperatura do ambiente interno e também de
seu entorno imediato fora da edificação, apresentando-se como uma alternativa interessante para uso
em pátios. Fontes de água e paredes úmidas podem ser utilizadas como formas de efetivar o
resfriamento evaporativo, favorecendo a redução da temperatura das superfícies do piso e das
paredes. Além do efeito sobre a temperatura, a existência de áreas externas vegetadas e com
microclima agradável possui um efeito psicológico benéfico para os indivíduos.
No segundo caso, a cobertura serve como um painel de resfriamento passivo para o espaço
abaixo, resfriando-o por radiação e por convecção natural. O resfriamento evaporativo indireto é eficaz
para um valor médio da TBU diária igual a 25ºC e TBS máxima igual a 46ºC. O uso de roof ponds
(Ilustração 9) apresenta inconvenientes de aplicação que se assemelham àqueles do resfriamento
radiante: custos de instalação e manutenção, relacionados aos painéis móveis necessários para o
sombrear o tanque durante o dia (proteção contra os ganhos térmicos solares), reforço da estrutura e
também a necessidade de uma impermeabilização perfeita (GIVONI, 1994).
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Ilustração 9 – Esquema de utilização de tanques com água acima da cobertura (roof ponds) e o
balanço térmico resultante no interior do edifício.Fonte: Adaptado de Givoni (1994).
O gotejamento de água sobre as telhas representa uma alternativa mais simples e econômica
em relação aos roof ponds, especialmente no caso particular das telhas cerâmicas, graças à
porosidade do material. Com o uso do gotejamento de água, favorece-se ainda mais o resfriamento
evaporativo que já acontece naturalmente neste tipo de cobertura. As trocas térmicas por radiação
entre a superfície do telhado (mais fria do que o ar) e o céu durante a noite resultam em condensação
(LAMBERTS, 1983). Conseqüentemente, o teor de umidade das telhas se eleva. Ao longo do dia, na
presença da radiação solar, o teor de umidade é reduzido paulatinamente. Desse modo, pode-se supor
que parte da radiação solar absorvida é gasta na evaporação da água, ao invés de provocar a elevação
da temperatura superficial interna e incrementar o fluxo de calor para o ambiente (LAMBERTS, 1983).
Mesmo em climas semi-úmidos, como é o caso do interior de SP, o gotejamento de água resultou em
reduções nas temperaturas superficiais internas de telhas cerâmicas de até 18,67ºC (NASCIMENTO;
RORIZ, 2005) (Ilustração 10).
ilustração 10 – Esquema de um experimento para avaliação da refrigeração evaporativa de
telhado cerâmico por meio de gotejamento de água em São Carlos – SP.
Fonte: adaptado de Nascimento e Roriz (2005).
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Uso da inércia térmica do solo e coberturas ajardinadas para resfriamento das
edificações
Segundo Givoni (1994), alguns métodos podem ser empregados com sucesso para resfriar a
temperatura do solo e usar este potencial para resfriar os ambientes internos, principalmente em
regiões quentes e secas. O contato entre as superfícies externas das paredes e coberturas e o solo
resfriado, sombreado, coberto com vegetação ou irrigado favorece o resfriamento através da condução
do calor pelo envoltório da edificação.
Watson e Labs (1992) defendem que as edificações semi-enterradas preenchem requisitos
fundamentais do desenho ambiental: suas superfícies externas permanecem protegidas contra as
oscilações térmicas externas. Além disso, as flutuações diárias de temperatura são atenuadas abaixo
de 0,5 m de profundidade, de modo que a temperatura do solo tende a temperatura média externa
mensal ou anual, dependendo da constituição do mesmo (GIVONI, 1997).
Também se pode fazer uso da terra através de coberturas vegetais, compostas por camadas
de terra e grama, denominadas comumente de “tetos-jardim”. A vegetação reflete entre 20% e 30% da
radiação recebida e absorve o restante através de suas folhagens, enquanto o sombreamento da
superfície da terra reduz os ganhos de calor em relação a um telhado convencional (WATSON; LABS,
1992). Pesquisas desenvolvidas na University of Central Florida comprovaram reduções de até 33ºC no
pico de temperatura superficial externa de coberturas ajardinadas em comparação a lajes planas
convencionais durante o verão (SONNE, 2006). Considerando-se que a cobertura é a superfície da
edificação mais exposta à radiação solar, com a redução de sua temperatura superficial o fluxo de calor
para os ambientes internos é minimizado, beneficiando as condições térmicas internas, especialmente
no verão. No Brasil, observaram-se reduções de até 5,1ºC na temperatura máxima interna de um
ambiente com cobertura ajardinada em relação a outro ambiente dotado de laje plana convencional,
demonstrando-se os benefícios advindos das funções biológicas da vegetação: fotossíntese e
evaporação, atenuando as temperaturas superficiais internas da laje (MORAIS; RORIZ, 2005)
(Ilustração 11).
Ilustração 11 – Vistas de uma edificação dotada de cobertura ajardinada em São Carlos - SP.
Fonte: Adaptado de Morais e Roriz (2005).
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Outra possibilidade de aproveitamento do solo é o uso de tubos enterrados para resfriar o ar
destinado à ventilação. Após circular no interior de tubos enterrados e ser introduzido nos ambientes
internos, o ar resfriado pode favorecer a redução das temperaturas em até 10ºK abaixo da temperatura
máxima média do ar externo (GIVONI, 1994).
Algumas limitações podem ser destacadas quanto ao emprego dessas estratégias,
principalmente no caso das edificações semi-enterradas, tais como a preferência dos usuários pelo
contato visual com o exterior e a admissão da luz natural. No caso das coberturas ajardinadas,
problemas relativos à drenagem, impermeabilização e de ordem estrutural também impõem restrições,
acarretando em custos elevados de construção e manutenção, principalmente quando se utiliza
camadas de solo com profundidade superior a 20 cm e plantas de maior porte (CORREA; GONZÁLEZ,
2002).
De um modo geral, a escolha de estratégias de condicionamento passivo está limitada pelos
fatores indicados abaixo, conforme destacado por Santamouris e Asimakopoulos (1996):
9 Clima e microclima: temperaturas externas muito elevadas durante a noite, impedindo o
resfriamento do envoltório construtivo; nebulosidade, dificultando as perdas de calor por radiação à
noite; alta umidade e velocidade do ar insuficientes, restringindo o uso do resfriamento evaporativo;
9 Poluição do ar e níveis de ruído;
9 Topografia e regulamentação de uso do solo;
9 Falta de regulamentações nacionais que definam as propriedades térmicas dos elementos
construtivos, bem como os níveis de conforto a serem atendidos;
9 Informação insuficiente sobre as técnicas de resfriamento passivo, tanto para arquitetos quanto
para os usuários.
Givoni defende também que os limites das condições climáticas sob as quais uma determinada
estratégia pode ser aplicada são diferentes entre as populações de países “quentes” e outros de clima
mais ameno, devido ao fenômeno da aclimatação. Na carta bioclimática apresentada pelo pesquisador
em 1992, são definidos limites para a aplicação das estratégias de condicionamento considerando-se
valores de temperatura entre 18°C e 29°C como limites da zona de conforto adaptada para os trópicos
(GIVONI, 1992).
O microclima urbano onde se planeja utilizar as estratégias de condicionamento passivo pode
alterar a aplicabilidade das mesmas, por exemplo, no caso de grandes cidades, onde o entorno é
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bastante edificado e os índices de poluição e ruído são elevados, interferindo na admissão da
iluminação e ventilação naturais. Questões relativas à regulamentação também impõem obstáculos,
diante da ausência de parâmetros de referência adequados às diferentes realidades locais, o que
poderia auxiliar na condução do processo de projeto. Já a informação insuficiente pode estar
relacionada a deficiências no processo de formação profissional, bem como na complexidade de
ferramentas de análise de desempenho térmico, dificultando o seu emprego nas fases iniciais de
projeto.
Com base nos aspectos destacados acima, o contexto urbano local deve ser considerado na
seleção das estratégias de condicionamento passivo. Deve-se investir em pesquisas buscando
identificar de forma integrada o conjunto de condicionantes impostos ao projeto bioclimático, em
diversas localidades brasileiras. Os resultados desse tipo de pesquisa constituem-se em um conjunto
de informações úteis aos arquitetos, ao mesmo tempo servindo como subsídio para a definição de
parâmetros de desempenho térmico de edificações.
2.2. Desempenho térmico de edificações e limites de conforto
Segundo GONCALVES et al (2003), avaliar o desempenho de um produto consiste em definir
qualitativa e/ou quantitativamente quais as condições que devem ser satisfeitas pelo mesmo quando
submetidos às condições normais de uso, verificando-se o nível de atendimento de tais condições.
No âmbito da construção civil, os “produtos” correspondem aos edifícios. Sob “condições
normais de uso”, o meio ambiente externo e as variáveis climáticas destacam-se pela influência
permanente que exercem sobre uma edificação, provocando uma “resposta” física que afetará
diretamente o ambiente interno através da produção de calor, qualidade da iluminação, ruídos, etc.
Esse conjunto de fatores irá interferir na percepção do espaço habitado ao qual os usuários são
submetidos, sob diversos aspectos: térmico, visual, psicológico, dentre outros. Nesse contexto, propor
uma avaliação do desempenho térmico de uma edificação significa “avaliar seu comportamento térmico
frente a requisitos pré-estabelecidos, para atender as necessidades térmicas do usuário frente às
ações climáticas às quais a edificação está sujeita” (PEREIRA; NETO, 1988).
A definição de pré-requisitos é essencial no processo de avaliação do desempenho térmico das
edificações, constituindo-se no principal fundamento das Normas e regulamentações pertinentes ao
tema. Podem ser identificadas duas formas de avaliação: por prescrição e por desempenho (BARBOSA
et al, 2003). As avaliações por prescrição baseiam-se no cumprimento de limites para as características
termofísicas dos materiais construtivos, reunindo um conjunto de recomendações visando a adequação
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do projeto às condições climáticas de um determinado local. Esse é o tipo de avaliação proposta pelo
Texto 3 da Norma brasileira de desempenho térmico (ABNT, 2005).
Outra forma de avaliação pode ser efetuada por meio da verificação do desempenho da
edificação, através da simulação computacional do sistema construtivo utilizado, observando-se o
enquadramento dos resultados dentro de limites ou parâmetros de conforto térmico ajustados para a
população local (BARBOSA et al, 2003). Um exemplo de parâmetro que pode ser utilizado é o total de
horas anuais em que as temperaturas internas obtidas por simulação ou monitoramento apresentam-se
fora dos limites de temperatura da zona de conforto (BARBOSA et al, 2003).
A questão é qual a zona de conforto a ser adotada. As zonas de conforto limitam os
parâmetros físico-ambientais, definindo limites nos quais o conforto térmico é estabelecido. Podem ser
representadas através de nomogramas e cartas bioclimáticas (BARBOSA, 1997). Várias pesquisas já
foram desenvolvidas com o intuito de definir quais os limites de temperatura considerados
“confortáveis” pelos usuários em diversas partes do mundo, destacando-se a base de dados da
ASHRAE (American Society of Heating, Refrigerating and Air-Conditioning Engineers), que contém
mais de 20.000 votos individuais de conforto e dados ambientais correspondentes (HUMPHREYS,
NICOL, 2002). Alguns autores utilizam as pesquisas de campo como evidência da aclimatação dos
indivíduos às condições térmicas típicas de cada local, destacando-se os estudos de Humphreys no
Paquistão (NICOL, 2001), os quais fundamentaram as bases do modelo adaptativo. Outra abordagem
utilizada é a realização de estudos em câmaras climatizadas. Nos anos 70, Fanger realizou estudos
desse tipo que serviram de base para a formulação de uma teoria de conforto térmico bastante
difundida: a teoria do balanço térmico, ou modelo do PMV/PPD (GOULART et al, 1994).
Tanto os princípios do modelo adaptativo quanto o modelo de Fanger devem ser considerados
para a realização de estudos relacionados ao conforto térmico, especialmente devido aos aspectos
conflitantes existentes entre ambos, conforme descrito a seguir.
2.2.1. O Modelo do balanço térmico (PMV/ PPD)
Em 1970, após estudos realizados na Dinamarca, Fanger enunciou a teoria referente à
sensação de conforto térmico, conhecida como Modelo do PMV/ PPD ou Modelo do balanço térmico
(XAVIER, 2000). O PMV (Predicted Mean Vote) é um índice que prediz o voto médio de um grupo de
pessoas através de uma escala de sensações (ASHRAE Fundamentals cap.8 – 2005), representada da
seguinte maneira:
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+3
Muito quente
+2
Quente
+1
Levemente quente
0
Neutro
-1
Levemente frio
-2
Frio
-3
Muito frio
O índice PMV é caracterizado pelas sensações humanas e está baseado no balanço térmico
do corpo humano, condição na qual a quantidade de calor produzida pelo corpo é igual ao calor perdido
para o ambiente (ISO 7730, 1994). A “resposta térmica” dos indivíduos, correspondente ao voto médio
predito (PMV), é expressa através de um valor intermediário entre os extremos da escala sétima da
ASHRAE e pode ser estimada através de um modelo matemático que correlaciona os seguintes
fatores:
Fatores pessoais: atividade desempenhada, M (W/m
2
) e Isolamento térmico das roupas
utilizadas, Icl (clo);
Fatores ambientais: Temperatura do ar (ºC); Temperatura radiante média, T
rdmed
(ºC);
Velocidade do ar, var (m/s); Umidade Relativa do ar, UR (%); Pressão parcial do vapor de água
no ar ambiente, pa (kPa).
O PMV é calculado através da equação desenvolvida por Fanger, conforme o modelo do
balanço térmico, através da Equação 01 (ASHRAE Fundamentals cap.8 – 2005):
PMV = (0,303 e
-0,036M
+ 0,028) . L Eq. (01)
Onde:
PMV = Voto médio estimado (adimensional)
M = Atividade desempenhada pelo indivíduo (W/m²)
L = Carga térmica atuante sobre o corpo (W/m²)
O modelo proposto por Fanger foi incorporado pela ASHRAE em 1981 e é amplamente
difundido no meio científico (GOULART et al, 1994). Como principal aspecto positivo relacionado a
esse modelo, destaca-se o fato de que o mesmo permite a inclusão de uma série de variáveis que
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afetam a sensação de conforto (ambientais e humanas), caracterizando de forma abrangente o meio ao
qual o indivíduo encontra-se submetido (FANGER; TOFTUM, 2002).
O PPD (Percentual of Dissatisfied) é um índice que estabelece uma predição quantitativa do
percentual de pessoas insatisfeitas com o ambiente térmico (ISO-7730,2005). O PPD se correlaciona
ao PMV através da Equação 02:
- (0,03353 x PMV
4
+ 0,2179 x PMV
2
)
PPD = 100 – 95 x e Eq. (02)
A Ilustração 9 representa a correlação entre os valores do PMV e do PPD. Para um PMV = 0
(neutralidade térmica), o PPD correspondente é igual a 5%. De acordo com a ISO 7730, o “intervalo
aceitável” do PMV varia entre - 0,5 e + 0,5, o que corresponde a um PPD inferior a 10%, valor indicado
na Ilustração 12.
Ilustração 12 - Correlação entre os índices PMV e PPD. Intervalo “aceitável”: PMV = + 0,5 e PPD
= 10%.
A verificação do PPD também pode ser realizada através das medições subjetivas, segundo
XAVIER (2000), de quatro maneiras distintas: (a) comparação direta entre os votos de sensações
térmicas e os votos de preferências térmicas; (b) considerando-se que votos iguais a +1 ou -1
representem 50% de pessoas insatisfeitas, ou que esses votos não representem nenhum percentual de
pessoas insatisfeitas (c) e, por fim, considerando-se que votos iguais a +1 ou -1 representem 100% de
pessoas insatisfeitas (d). As diferentes formas de verificação do PPD foram empregadas em estudos
de campo variados (XAVIER; LAMBERTS, 1999; FANGER, 1970 e ARAÚJO, 1996), observando-se
divergências entre os resultados obtidos e o método original que consta na ISO 7730 (1994). Em sua
Tese, XAVIER (2000), verificou que dentre todas as hipóteses descritas acima, a opção “b” resultou em
um algoritmo não linear que melhor ajustou os dados encontrados, de modo que o pesquisador
considerou como insatisfeitas todas as pessoas que votaram +3, +2, -3 e -2 e ainda 50% daquelas que
votaram +1 ou -1 na escala de percepções térmicas (sensações).
No entanto, estudos de campo indicam que o modelo do PMV/PPD super-estima a sensação
de calor e acaba por encorajar o estabelecimento de limites de temperatura inferiores ao necessário.
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Devido ao fato de assumir valores fixos para o isolamento térmico das vestimentas, tende ao
estabelecimento de temperaturas internas constantes, possíveis de serem obtidas apenas com o uso
do condicionamento artificial (NICOL, 2000). Por sua vez, o condicionamento artificial apresenta
elevado custo e consumo de energia, enquanto há a possibilidade de favorecer o conforto térmico dos
usuários por vias passivas, através do incremento do desempenho térmico do edifício (NICOL, 1993).
Como argumento contrário ao modelo do PMV/PPD, tem-se ainda o fato que as pessoas
usualmente aceitam uma grande variação de temperatura e velocidade do ar como uma situação
normal (GIVONI, 1992). Em seu estudo, Xavier (2000) concluiu que a faixa de conforto sugerida pela
ISO 7730, compreendida entre valores de PMV correspondentes a - 0,5 e + 0,5, apresenta grande
variabilidade do percentual de pessoas insatisfeitas com o ambiente. Ou seja, a tentativa de se
expressar as sensações em função da carga térmica atuando sobre o corpo não representa muito bem
as situações encontradas no cotidiano, observando-se dispersões bastante elevadas nas correlações
efetuadas entre as sensações térmicas relatadas pelos indivíduos e os valores estimados do PMV
(XAVIER, 2000). Tal argumento é o princípio básico da abordagem adaptativa desenvolvida a partir dos
estudos de Humphreys no Paquistão.
2.2.2. O Modelo Adaptativo
Além dos estudos de Humphreys, diversas pesquisas de campo contribuíram para evidenciar a
adaptação dos indivíduos às particularidades climáticas (NICOL, 1994; MALLICK, 1996; HANNA,
1997), reforçando o modelo adaptativo.
O modelo adaptativo foi proposto após pesquisas de campo realizadas em 4 cidades (Bangkok,
Brisbane, Atenas e Cingapura) (FANGER, TOFTUM, 2002). A abordagem proposta por esse modelo se
baseia na observação de que há uma série de ações que podem ser realizadas pelos indivíduos para
obter o conforto térmico. O desconforto seria resultado de fatores do ambiente físico ou social que
impedissem as pessoas de realizarem tais ações (NICOL, 1993). De acordo com o modelo adaptativo,
a temperatura neutra no interior do edifício (temperatura de conforto) estaria relacionada à média
mensal da temperatura externa, sendo possível obter uma equação que correlaciona essas duas
variáveis (NICOL, 1993). Além de Humphreys, outros pesquisadores obtiveram equações de regressão
com coeficientes divergentes entre si de acordo com a amostra analisada, o que reflete a necessidade
de estudos abrangentes às diversas regiões climáticas do mundo (RORIZ, 2003). Em função disto,
NICOL (2000) recomenda o uso da equação de Humphreys em países de clima quente, pelo fato de
basear-se em dados obtidos em diversos países (Equação 03):
Tn = 11,9 + 0,534 TME Eq. (03)
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Onde,
Tn = Temperatura neutra ou temperatura média confortável em ambiente interior (°C);
TME = Temperatura média exterior, mensal ou anual (°C).
Em torno dessa média, Szokolay define uma faixa de tolerância, cujo valor é igual a 2ºC, caso
se adote a TME = temperatura média externa mensal ou 1,75ºC, caso se adote TME = temperatura
média externa anual (RORIZ, 2003). No entanto, segundo Nicol e Humphreys (2001), essa faixa de
tolerância pode ser maior, caso as oportunidades de adaptação (mudança na vestimenta, redução da
atividade, controle da ventilação) sejam possíveis e adequadas. RORIZ (2003) amplia ainda mais a
visão a respeito da possibilidade de aclimatação, considerando-a como um processo contínuo que
acompanha o ritmo biológico dos indivíduos. Desse modo, lança a hipótese de que a temperatura
neutra também varia ao longo do dia, sincronizada com as variações da temperatura externa. Roriz se
baseia na afirmativa de Nicol (2001) de que variações nas temperaturas limites de conforto inferiores à
metade das oscilações das temperaturas externas são aceitáveis. As Ilustrações 13 (a) e 13 (b) abaixo
representam a aplicação da equação de Humpreys para o clima de Campos do Jordão-SP em um dia
de janeiro, sendo que no segundo caso considerou-se a amplitude da variação da linha central da zona
de conforto igual a 40% da amplitude da variação da temperatura externa. O autor destaca que a
adoção dessa hipótese poderia alterar significativamente a avaliação dos efeitos de cada variável
construtiva sobre o conforto ambiental ou eficiência energética, principalmente se o somatório de graus
dia ou graus hora necessários para aquecimento ou resfriamento forem adotados como parâmetro de
desempenho, conforme exemplificado pelas ilustrações abaixo (RORIZ, 2003).
(a) Tn constante
(b) Tn variável
Ilustração 13 - Comparação entre a variação da temperatura externa ao longo do dia (em verde)
e a temperatura neutra de conforto (em preto). As áreas destacadas em azul representa os
graus.hora necessários para resfriamento resultantes. Fonte: RORIZ, 2003.
Os aspectos positivos e negativos relativos ao modelo adaptativo também são debatidos.
Fanger e Toftum (2002) criticam o modelo adaptativo porque consideram que este não inclui a
vestimenta, atividades humanas e os demais parâmetros clássicos que influenciam o balanço térmico
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e, por conseguinte, a sensação térmica. Os autores parecem entrar em contradição quando afirmam
que o modelo adaptativo prediz razoavelmente bem a sensação térmica dos usuários das edificações
sem condicionamento artificial, conforme indicam diversas pesquisas realizadas no final do século XX.
Mas aí está a interpretação que dá origem à crítica: a validade do modelo estaria comprometida pelo
tempo. Novos tipos de edifícios, modificações nas vestimentas usuais e no ritmo das atividades são
condicionantes dinâmicos aos quais o modelo adaptativo poderia não se ajustar em um futuro próximo.
Já de Dear afirma que a relação entre a neutralidade térmica e a temperatura média mensal
externa por si só não possibilita dimensionar os efeitos de cada um dos fatores envolvidos na
adaptação ao calor. Isso gera dúvidas se as opiniões dos indivíduos realmente expressam
modificações em seus “critérios de conforto” ou se os mesmos tomam atitudes eficazes para minimizar
a sensação de desconforto, tais como ajustes de vestimenta e uso de ventiladores (DE DEAR, 1995).
Segundo a ASHRAE, o modelo adaptativo não prediz realmente os votos de conforto, e sim
condições usuais nas quais as pessoas se sentem confortáveis no interior dos edifícios. Por outro lado,
defende que esse modelo é útil como guia no desenvolvimento do projeto arquitetônico e nas decisões
relativas ao uso racional da energia elétrica (ASHRAE Fundamentals – Cap. 8, 2005).
2.2.3. Fatores de ajuste do índice PMV
Reconhecendo que há evidências suficientes da adaptação dos indivíduos a condições menos
exigentes em ambientes sem condicionamento artificial, alguns pesquisadores têm proposto ajustes no
modelo do PMV/PPD.
Fanger e Toftum (2002) propõem ajustes no modelo do PMV para melhorar suas condições de
aplicabilidade a edificações naturalmente ventiladas. Segundo esses pesquisadores, a inclusão de um
“fator de expectativa" no cálculo do PMV, relacionado também à taxa metabólica, teria alcançado
resultados satisfatórios para a determinação da zona de conforto, nas mesmas cidades onde foram
desenvolvidas as pesquisas de campo que deram origem ao modelo adaptativo (Bangkok, Brisbane,
Atenas e Cingapura).
O fator de expectativa e é um número adimensional, estimado entre 1 e 0,5, de acordo com a
classificação da região onde o edifício se encontra (locais onde o uso do ar condicionado é comum: 0,9
e < 1; locais onde é pouco utilizado: 0,7 e < 0,9 e regiões com poucos edifícios dotados de ar
condicionado: 0,5 e < 0,7). O procedimento de cálculo do PMVe é realizado em etapas a partir do
valor de PMV estimado pelo modelo tradicional. A princípio, para cada unidade acima de 0 na escala
de valores do PMV, é considerada uma redução de 6,7% no valor da taxa metabólica a ser considerado
no novo cálculo. Por exemplo: caso o PMV estimado seja igual a 1,5, a redução da taxa metabólica a
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ser considerada na nova estimativa corresponde a 1,5 x 6,7% = 10%. Reduzindo-se a taxa metabólica
em 10% e adotando o valor resultante para o novo cálculo do PMV, obtém-se o PMV ajustado de
acordo com a atividade. Em seguida, multiplicando-se o valor obtido pelo fator de expectativa
adequado ao clima em questão, obtém-se o PMVe: PMV ajustado de acordo com a expectativa
(FANGER; TOFTUM, 2002).
DE DEAR, com base em estudos de conforto desenvolvidos em escritórios com
condicionamento artificial na Austrália, concluiu que tanto o modelo do PMV quanto o modelo
adaptativo apresentaram resultados razoáveis com relação à predição das sensações térmicas dos
usuários (DE DEAR, 1995). Segundo ele, “fatores de expectativa” podem ser associados ao cálculo do
PMV, possibilitando uma explicação para os limites mais elevados da temperatura neutra comprovados
em edifícios naturalmente ventilados nos países tropicais.
HUMPHREYS e NICOL (2002) também propõem um ajuste no índice PMV/PPD. Utilizando a
base de dados da ASHRAE e de outros 15 estudos de campo realizados em diversos países, os
pesquisadores realizaram correlações entre o PMV calculado e as sensações térmicas relatadas pelas
pessoas. Identificando a influência das variáveis individuais e ambientais nos desvios do PMV em
relação às sensações relatadas, propuseram o ajuste da equação do PMV, correlacionando todos
esses fatores através do fator D
PMV-ASHRAE
(Equação 04):
D
PMV-ASHRAE
= - 4,03 + 0,949 T
op
+ 0,00584(RH%) + 1,201(MET x Clo) + 0,000838T
out
2
(Eq. 04)
Onde:
Top = Temperatura operativa (ºC);
RH% = Umidade Relativa (%);
MET = Taxa metabólica (met);
Clo = Isolamento térmico da vestimenta (clo);
T
out
= Temperatura externa (ºC)
A equação de ajuste do PMV, denominada “PMV revisado” (PMV
new
), representa o ajuste do
PMV calculado pelas quantidades indicadas pelo D
PMV-ASHRAE
e calibrados contra os votos da ASHRAE,
conforme indicado na 0 05:
PMV
new
= 0,8 (PMV – D
PMV-ASHRAE
) Eq. (05)
No Brasil também têm sido realizados estudos de campo baseados em análise de correlação
entre índices de conforto e as sensações reais relatadas pelos usuários dos ambientes pesquisados.
Em seu estudo, XAVIER (2000) propôs uma equação de predição da sensação térmica de pessoas
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desempenhando atividades sedentárias, utilizando também um algoritmo para a determinação da taxa
metabólica a partir de medições de consumo de oxigênio e características antropométricas e individuais
das pessoas. O pesquisador concluiu que o emprego do novo algoritmo resultou mais representativo da
realidade do que o PMV para estimar as sensações térmicas das pessoas (XAVIER, 2000). Gomes
(2003) comparou o PMV, o índice proposto por Xavier (2000) e o PMV
new
de Humphreys e Nicol (2002)
com as sensações térmicas relatadas pelos ocupantes de um edifício de escritórios em Maringá-PR,
concluindo que o PMV
new
de Humphreys e Nicol (2002) obteve resultados mais próximos da realidade.
Gomes (2003) também propôs uma equação para estimar a sensação térmica das pessoas, cujos
resultados se assemelharam com aqueles obtidos pelo índice PMV
new
.
Tais estudos reforçam a importância da busca pela satisfação das exigências de conforto
térmico. Adeptos da abordagem adaptativa e aqueles que defendem o modelo do PMV/PPD
reconhecem a necessidade de se definir limites de conforto adequados às diversas realidades
climáticas existentes, o que está diretamente relacionado à realização de pesquisas de campo
(FANGER, TOFTUM, 2002) (HUMPHREYS, NICOL, 2002). Somente por meio delas as hipóteses
levantadas pelas abordagens analítica e adaptativa podem ser comprovadas ou refutadas.
As exigências de conforto servem como parâmetros para a avaliação do desempenho das
edificações. Isto está implícito inclusive nas iniciativas de normatização propostas para a construção
habitacional brasileira (GONÇALVES et al, 2003), que define o conforto térmico e a adequação
ambiental como alguns desses parâmetros. Segundo Nicol (2000), os critérios estabelecidos pela
normatização devem ser baseados em teorias que tenham sido testadas e comprovadas quando
confrontadas aos resultados de campo. Além disso, as descobertas proporcionadas por esses estudos
podem ser usadas como um “guia” útil na seleção de estratégias bioclimáticas de projeto (NICOL,
2000). Diante das dificuldades socioeconômicas comuns à maioria dos países tropicais, pode-se
afirmar que essas estratégias bioclimáticas representam a única saída para garantir, no mínimo, que as
condições de conforto no interior dos edifícios não sejam piores que aquelas vivenciadas no ambiente
externo (AHMED, 1995).
2.3. Normas brasileiras de avaliação do desempenho térmico de
edificações
No Brasil, o desenvolvimento de pesquisas visando à formulação de critérios para a avaliação
do desempenho térmico de habitações populares tem sido realizado principalmente pelo Instituto de
Pesquisas Tecnológicas (IPT), de São Paulo e pelo grupo de Conforto Ambiental e Eficiência
Energética da Associação Nacional de Tecnologia do Ambiente Construído (ANTAC) (BARBOSA et al,
2003).
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Em 1981, o IPT publicou o trabalho Elaboração de Critérios Mínimos para Avaliação de
Desempenho de Habitações de Interesse Social para a FINEP/CEF, com uma seção específica sobre
conforto térmico (BARBOSA et al, 2003). No início da década de 90, a ABNT criou a Comissão de
Estudos sobre Desempenho Térmico e Eficiência Energética de Edificações, representando um
importante avanço no desenvolvimento da normatização brasileira na área de conforto ambiental
(RORIZ et al, 1999). Finalmente, em abril de 2005, foi publicada a NBR 15220: Desempenho Térmico
de Edificações (ABNT, 2005).
A NBR 15220 subdivide-se em 5 partes. Abrange métodos de cálculo das propriedades termo-
físicas dos elementos e componentes das edificações e recomendações de diretrizes construtivas para
habitações unifamiliares de interesse social, estabelecidas de acordo com o Zoneamento bioclimático
brasileiro (ABNT, 2005). Apresenta ainda o detalhamento de estratégias de condicionamento térmico
passivo, com base em parâmetros e condições de contorno fixados para cada Zona, juntamente com
as seguintes recomendações: tamanho das aberturas para ventilação; proteção das aberturas e
vedações externas (Transmitância térmica - U, Atraso térmico - φ e Fator Solar - FS
o
das paredes e
cobertura). O objetivo dessas recomendações técnico-construtivas é a otimização do desempenho
térmico das edificações, através de sua melhor adequação climática (ABNT, 2005).
As estratégias de condicionamento ambiental recomendadas pela NBR 15220-3 são baseadas
na carta bioclimática de Givoni (1992) e nas planilhas de Mahoney (KOENIGSBERGER et al, 1970),
porém foi necessário adaptar o método proposto pelo pesquisador para a realidade climática brasileira,
alterando-se a demarcação dos limites da zona de conforto (RORIZ et al, 1999). Ao se aplicar os dados
das Normais Climatológicas na carta original de Givoni, verificaram-se algumas incoerências no
zoneamento resultante: localidades com climas semelhantes seriam classificadas em zonas diferentes
e outras com climas divergentes pertenceriam a uma mesma zona (RORIZ et al, 1999). Além disso, a
faixa de temperaturas correspondente aos limites da zona de conforto é mais larga na carta proposta
por Givoni do que a proposta adaptada. As ilustrações 14 e 15 abaixo representam a carta original de
Givoni e a carta adaptada com o auxílio das planilhas de Mahoney e suas respectivas zonas de
aplicação das estratégias bioclimáticas. A classificação de cada cidade em uma determinada zona
depende das estratégias bioclimáticas que são definidas previamente, tendo sido utilizadas as planilhas
de Mahoney para a definição dos limites das propriedades térmicas dos elementos construtivos (Fator
Solar, Atraso Térmico e Transmitância Térmica).
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A: Condicionamento artificial
B + C: Aquecimento solar
C: Massa térmica
D: Conforto térmico
E: Ventilação
F: Massa térmica para
resfriamento
G: Resfriamento artificial
H: Resfriamento evaporativo
L: Umidificação do ar
Ilustração 14 - Carta bioclimática original de GIVONI (1992). Fonte: RORIZ et al, 1999.
A: Condicionamento artificial
B + C: Aquecimento solar
C: Massa térmica
D: Conforto térmico (umidade baixa)
E: Conforto térmico
F: Renovação de ar
G + H: Resfriamento evaporativo
H + I: Massa térmica para resfriamento
I + J: Ventilação
K: Resfriamento artificial
L: Umidificação do ar
Ilustração 15 - Carta bioclimática adaptada adotada no Zoneamento Bioclimático Brasileiro.
Fonte: RORIZ et al, 1999.
No caso da Zona Bioclimática 7, na qual se enquadram as localidades de clima semi-árido, as
recomendações da NBR 15220-3 são as seguintes:
Tamanho das aberturas (percentual relativo à área do piso do ambiente considerado):
pequenas: 10% A
PISO
< A
ABERTURA
< 15% A
PISO
Sombrear aberturas;
Paredes pesadas: Transmitância térmica U 2,20 W/m².K, Atraso térmico φ 6,5 h e Fator
Solar FS
o
3,5;
Cobertura pesada: Transmitância térmica U 2,00 W/m².K, Atraso térmico φ 6,5 h e Fator
Solar FS
o
6,5;
Estratégias de condicionamento térmico passivo: resfriamento evaporativo e massa térmica
para resfriamento; ventilação seletiva (nos períodos quentes em que a temperatura interna seja
superior à externa).
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As iniciativas relativas ao avanço do processo de Normatização brasileira continuam. Encontra-
se em fase de consulta pública o Projeto de Norma para Avaliação de Desempenho de Edifícios
Habitacionais de até cinco pavimentos (Comissão de Estudos - Desempenho de Edificações: CE-
02:136.01), desenvolvido a partir de uma parceria entre o IPT e diversas outras instituições, sob a
administração do COBRACON (Comitê Brasileiro de Construção Civil). O objetivo dessa Norma é fixar
padrões de comportamento em uso esperado para essa categoria de edificações, independente da
tecnologia com a qual elas são construídas (COBRACON, 2005).
No tocante ao desempenho térmico, o referido projeto de Norma indica 3 procedimentos de
avaliação. O procedimento 1, simplificado, estabelece critérios de desempenho para fachadas (Projeto
02:136.01.004 - Parte 4) e coberturas (Projeto 02:136.01.005 - Parte 5). No caso das fachadas, são
definidos limites de transmitância térmica e recomendações para o dimensionamento de aberturas para
ventilação e existência de dispositivos de sombreamento. No caso das coberturas, os critérios de
desempenho são a Transmitância Térmica - U e Absortividade à radiação solar - α. Esses limites são
específicos para cada Zona Bioclimática (conforme estabelecido na NBR 15220-3) e podem ser
avaliadas edificações existentes ou em fase de projeto. No caso da Zona 7, os níveis de desempenho
M (mínimo), I (intermediário) ou S (superior) são atingidos de acordo com os seguintes critérios (Tabela
1):
Tabela 1: Critérios de avaliação e níveis de desempenho térmico. (Fonte: COBRACON, 2005)
Níveis de Classificação Componentes Critérios de
avaliação
Nível M Nível I Nível S
U (W/m².K) e α
(adimensional)
α < 0,6 se U < 3,7 ou
α > 0,6 se U < 2,5
- -
Paredes externas
C
T
(kJ/K) > 130 - -
Aberturas Área - % Apiso > 15
U (W/m².K) U < 2,3 U < 1,5 U < 1,0 Coberturas
α Sem exigência
Na parte 1 (Projeto 02:136.01.001 - Parte 1: Requisitos Gerais) são definidos 2 outros
procedimentos destinados à verificação do atendimento aos requisitos e critérios estabelecidos nas
Partes 4 e 5. Um deles é a simulação (Procedimento 2), que pode ser realizada por meio da simulação
computacional do desempenho térmico do edifício. O outro é feito através de medição (Procedimento
3), a ser realizada em edificações ou protótipos construídos, considerando-se os dias típicos de projeto
de inverno e verão (COBRACON, 2005). No Anexo A do Projeto 02:136.01.001, há uma lista com
dados de dias típicos de verão e de inverno de algumas cidades brasileiras. Após a verificação do
desempenho da edificação, através do uso de quaisquer desses procedimentos, o nível de
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desempenho térmico da mesma é classificado como M (mínimo), I (intermediário) ou S (superior), de
acordo as temperaturas internas: valor máximo atingido no verão e valor mínimo atingido no inverno.
Com relação à Zona 7, o nível mínimo de desempenho é atingido quando a temperatura máxima
interna é inferior à temperatura máxima externa. Os níveis intermediário (I) e Superior (S) são atingidos
quando as temperaturas máximas internas são menores que 29ºC e 27ºC, respectivamente. No
inverno, não há exigências quanto a esse critério na Zona 7 (COBRACON, 2005). No entanto, atribuir
uma classificação “intermediária” para ambientes internos cuja temperatura máxima atingida seja 29ºC
significa limitar as reais possibilidades de obtenção do conforto térmico, visto que a Zona de Conforto
para países tropicais possui limites “aceitáveis” correspondentes a 18ºC e 29ºC (GIVONI, 1992).
Em muitas regiões do mundo, os limites de temperatura fixados pelas Normas vigentes são
inadequados ao real contexto ambiental (KESSLER et al, 1998). A NBR 15220-3 e o Projeto de Norma
para Avaliação de Desempenho de Edifícios Habitacionais de até cinco pavimentos desenvolvido pelo
CE - 02:136.01 representam instrumentos importantes na fase de projeto de edificações. Uma vez que
apresentam métodos e procedimentos de avaliação norteados pelas características climáticas das
diversas regiões do Brasil, fixam parâmetros ou “valores-meta” que, segundo a visão de AKUTSU
(1997), favorecem a liberdade do projetista ao mesmo tempo em que o fazem manter um compromisso
com a responsabilidade.
2.4. Síntese do capítulo
Com base na bibliografia consultada, pôde-se identificar a existência de diferentes níveis de
inter-relacionamento entre as temáticas abordadas no presente capítulo.
Verificou-se a existência de um vasto repertório de estratégias de condicionamento ambiental
passivo que podem ser incorporadas ao projeto de edificações em localidades quentes e secas. No
entanto, há um conjunto de fatores que determinam o potencial de aplicação das mesmas, tais como as
condições ambientais (amplitudes de temperatura, umidade do ar, velocidade dos ventos) e
implicações técnicas e sócio-econômicas (reformas, custos de execução e manutenção de certos
dispositivos versus padrões de renda reduzidos). O conhecimento integrado acerca desses aspectos
representa para o arquiteto um maior respaldo para selecionar estratégias de condicionamento
ambiental passivo, dentre aquelas que apresentem maior probabilidade de favorecer o desempenho
térmico satisfatório da edificação.
Pode-se afirmar que a eficácia das estratégias de condicionamento ambiental é realmente
comprovada durante a fase de uso da edificação, se as condições térmicas resultantes são
consideradas satisfatórias pelos seus usuários. Portanto, compreender o modo como estes
“respondem” às condições térmicas, suas preferências e comportamento, contribui para que a
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edificação atenda às suas reais necessidades durante a fase de uso. O conhecimento acerca dos
mecanismos que regem a percepção do conforto necessita ainda ser mais aprofundado, o que pode
ser constatado diante das diferenças obtidas entre os resultados das predições e a realidade prática.
No entanto, as abordagens analítica e adaptativa apresentam-se como pontos de partida. Identificando-
se os aspectos positivos e negativos de cada abordagem e principalmente a correspondência entre os
resultados obtidos e a realidade constatada em pesquisas de campo, contribui-se para a evolução do
conhecimento relativo ao conforto térmico dos usuários das edificações, sob diferentes contextos
climáticos.
Por fim, o inter-relacionamento existente entre parâmetros de desempenho a serem
considerados durante a fase de projeto e os limites da zona de conforto pode ser claramente
identificado nas iniciativas brasileiras de normatização do desempenho térmico. As Normas
apresentam parâmetros de referência, capazes de auxiliar na condução do processo de projeto e
inclusive na seleção das estratégias de condicionamento passivo. Portanto, representam avanços
importantes no sentido de valorizar devidamente a abordagem ambiental no projeto arquitetônico.
Juliana Oliveira Batista -------------------------
54
Juliana Oliveira Batista
3.
Método
O método empregado no presente trabalho consiste na avaliação do desempenho térmico de
edificações associada à avaliação de conforto térmico dos seus usuários. A verificação do
comportamento térmico das edificações durante o período do estudo, o confronto com parâmetros de
desempenho ditados pela Normatização brasileira e as indicações dos níveis de conforto dos usuários
forneceram subsídio para a avaliação do potencial de aplicação de estratégias de condicionamento
ambiental passivo (estratégias bioclimáticas) em residências localizadas em Santana do Ipanema. A
aplicação do método proposto compreende as seguintes etapas:
1
a
) Coleta de dados e pesquisa de campo: Foram selecionadas residências representativas
de tipologias arquitetônicas diferenciadas existentes em Santana do Ipanema, realizando-se o
monitoramentos das variáveis ambientais e pessoais relacionadas aos seus usuários. O monitoramento
ambiental (medições de temperatura, umidade e velocidade do ar) foi efetuado em 3 edificações
residenciais, duas delas naturalmente ventiladas e a outra dotada de condicionamento artificial, durante
o verão (29/01/2005 a 03/03/2005). Também foram monitoradas as condições de temperatura no
interior de uma edificação comercial, dotada de condicionamento artificial. Foram realizadas medições
no ambiente externo, para posterior comparação com os dados do monitoramento interno.
Simultaneamente ao monitoramento ambiental foram realizadas entrevistas com os usuários e registro
das sensações e preferências térmicas manifestadas pelos mesmos, obtendo-se dados necessários
para a determinação dos índices de conforto.
2
a
) Avaliação de desempenho térmico: Verificou-se o enquadramento das edificações
residenciais nos parâmetros de desempenho determinados pela NBR 15220 – 3, Desempenho
Térmico de Edificações (ABNT, 2005) e pelo Projeto de Norma para Avaliação de Desempenho de
Edifícios Habitacionais de até cinco pavimentos (COBRACON, 2005). Buscou-se também nesta etapa
identificar a influência da ventilação natural ou do condicionamento artificial, da temperatura externa e
dos componentes construtivos (cobertura e fechamentos) nas condições ambientais internas. A
avaliação do desempenho térmico das edificações foi complementada com informações obtidas a partir
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dos usuários, de acordo com a avaliação de conforto térmico descrita a seguir, de modo que a
adequação aos níveis de conforto também foi um aspecto considerado como critério de desempenho.
3
a
) Avaliação de conforto térmico: Nesta etapa foram determinados os índices de conforto,
segundo a ISO 7730 (1994) “Moderate thermal environments – determination of the PMV e PPD indices
and specification of the conditions for thermal comfort”. Também foram aplicados os fatores de correção
ao PMV, propostos por FANGER (2002) e HUMPHREYS E NICOL (2002). Determinou-se ainda a
temperatura neutra de conforto para o período correspondente ao monitoramento, utilizando-se a
equação proposta por Humphreys (NICOL, 2000), verificando-se também a hipótese levantada por
RORIZ (2003). Posteriormente, foi realizado o tratamento dos dados obtidos através de análises
comparativas entre os índices de conforto e as sensações e preferências reais relatadas pelos
indivíduos. Buscou-se também caracterizar o comportamento dos usuários face às situações de
desconforto térmico, a partir das respostas às entrevistas e questionários, identificando-se também
períodos de “conforto” e “desconforto” térmico e aspectos culturais capazes de interferir no padrão de
uso das edificações e conseqüentemente, na definição de estratégias bioclimáticas, tais como períodos
de ventilação.
4ª) Avaliação do potencial de aplicação de estratégias de condicionamento ambiental:
Nesta etapa, os dados do monitoramento ambiental foram confrontados com os limites de
aplicabilidade das diferentes estratégias bioclimáticas propostas para localidades caracterizadas pelo
clima quente e seco, conforme descrito no Capítulo 2, identificando-se as opções mais adequadas às
edificações residenciais em Santana do Ipanema. Com base na avaliação de conforto térmico,
observaram-se também as possíveis influências dos padrões de uso e comportamentos dos indivíduos
na eficácia das estratégias propostas.
Os procedimentos metodológicos relacionados a cada uma das etapas discriminadas acima
encontram-se descritos a seguir.
3.1. Avaliação do desempenho térmico das edificações
estudadas
Neste capítulo são detalhados os procedimentos adotados durante a etapa de pesquisa de
campo (monitoramento ambiental e pesquisa de conforto), os quais serviram de subsídio à avaliação
do desempenho térmico das edificações em estudo em Santana do Ipanema.
3.1.1. Seleção dos estudos de caso
Foram consideradas duas premissas para a seleção das edificações a serem estudadas. Em
primeiro lugar, a representatividade dos padrões construtivos, de modo que a realidade da arquitetura
local pudesse ser caracterizada adequadamente através das tipologias arquitetônicas mais comuns,
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no âmbito residencial. Em segundo lugar, em um contexto climático onde se esperam identificar
evidências da aclimatação dos indivíduos ao calor, considerou-se também a necessidade de
aprofundar as investigações com relação às sensações e preferências térmicas dos mesmos quando
submetidos ao condicionamento artificial. Optou-se então pela realização do monitoramento em uma
edificação comercial, onde o sistema permanecesse em funcionamento durante longos períodos e o
fluxo de pessoas fosse mais intenso. No total, foram selecionadas 4 edificações para a realização do
monitoramento ambiental.
Conforme apresentado no Capítulo 1, a tipologia de casa em fita, térrea, é representativa da
arquitetura residencial de Santana do Ipanema, justificando-se a escolha de um exemplar para a
realização do monitoramento, aqui denominado como Edificação R1 (Ilustração 16). O sistema
construtivo empregado é a alvenaria de tijolos maciços, paredes internas com 15 cm de espessura e
paredes externas com espessura igual a 27 cm. A cobertura é em telha de barro sem fôrro (telha
colonial). A edificação possui aberturas apenas na fachada frontal e posterior, voltada para um quintal
nos fundos do lote. O ambiente escolhido para a realização do monitoramento foi a sala de TV, pelo
fato de ser um local de permanência prolongada (Ilustração 17).
Ilustração 16 - Fachada da Edificação R1: casa em fita.
Ilustração 17 - Planta baixa e corte longitudinal da Edificação R1, destacando-se o ambiente no
qual foi realizado o monitoramento.
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Representando um contraponto à horizontalidade e à forma de implantação no lote da tipologia
de casa em fita, a segunda edificação selecionada foi uma residência com 2 pavimentos, recuada
em relação aos limites do lote (taxa de ocupação < 100%), aqui denominada Edificação R2
(Ilustração 18). A edificação R2 possui aberturas em todos os ambientes, com possibilidade de
ventilação cruzada. O sistema construtivo empregado também é a alvenaria de tijolos cerâmicos
maciços e paredes externas e internas com espessuras respectivamente iguais a 27 cm e 15 cm.
Quanto à cobertura, possui fôrro em laje de concreto e telhas de barro tipo colonial. A Ilustração 19
apresenta a planta e o corte da Edificação R2, destacando-se o ambiente onde foi realizado o
monitoramento. A princípio, a possibilidade de ventilação cruzada foi a justificativa para a sua escolha.
No entanto, pelo fato de que o mesmo é raramente utilizado pelos usuários, as janelas permaneciam
fechadas, por razões de segurança, exceto quando da realização das visitas da pesquisadora. Nessas
ocasiões, a janela voltada para a rua era aberta, permitindo a ventilação do ambiente.
Ilustração 18 - Vista externa da Edificação R2: residência com 2 pavimentos, recuada em relação
aos limites do lote
NV
A B
PLANTA BAIXA - QUARTO
CORTE AB - QUARTO
PLANTA BAIXA/ PAVTO. TÉRREO - EDIFICAÇÃO R2
estar
sala/ TV
quarto
cozinha
quarto quarto
jantar
varanda
garagem
bwc
s
Ilustração 19 - Planta baixa da Edificação R2 e corte transversal do ambiente monitorado.
As edificações R1 e R2 caracterizam-se pelo uso da ventilação natural, porém as diferenças
formais entre elas resultam em comportamentos térmicos diferenciados, devido às condições de
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exposição aos ventos e à radiação solar, bem como os componentes construtivos empregados em
cada caso.
Com o intuito de observar o uso do condicionamento artificial no setor residencial em
Santana do Ipanema, selecionou-se a Edificação R3, térrea, que apresenta recuos frontal e posterior
(Ilustração 20). O sistema construtivo emprega alvenaria de tijolos cerâmicos maciços, paredes
externas e internas com espessuras respectivamente iguais a 30 cm e 15 cm. O quarto do casal,
dotado de ar condicionado, foi o ambiente selecionado para o monitoramento (Ilustração 21). O
aparelho utilizado é um ar-condicionado de janela, marca LG, linha Gold Protection, cuja utilização
correspondia ao período noturno e alguns horários durante a tarde, principalmente após as 12h.
Ilustração 20 - Fachada da edificação R3: residência com condicionamento artificial .
garagem
quarto/casal
quarto quarto
copa/cozinha
estar jantar
bwc
quarto
serviço
(alpendre)
hall
depósito
dep.
área
quarto/casal
PLANTA BAIXA - QUARTO/CASAL
CORTE AB - QUARTO/CASAL
PLANTA BAIXA - EDIFICAÇÃO R3
Ilustração 21 -: Planta baixa e corte longitudinal do ambiente monitorado na Edificação R3,
residência com ar condicionado.
Quanto à edificação comercial monitorada, optou-se pela realização do monitoramento na
Edificação C1, sede de um Banco. O prédio está situado em um lote de esquina e apresenta aberturas
nas fachadas voltadas para a rua, além de brises horizontais na fachada frontal, orientada a norte
(Ilustração 22). No pavimento térreo estão localizados os setores de atendimento ao público, incluindo
o ambiente monitorado, e no pavimento superior localizam-se os escritórios.
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59
(a) fachada norte
(b) fachada leste
Ilustração 22 - Edificação C1: uso comercial/condicionamento artificial .
No pavimento térreo, o sistema de condicionamento artificial é composto por splits, enquanto
no pavimento superior são usados aparelhos “de janela”. Há também um pavimento inferior, no qual
está localizada a área de serviço. O ambiente no qual foi realizado o monitoramento foi indicado pela
gerência, mas sua escolha é justificada também pelo fato do mesmo concentrar um número expressivo
de usuários (clientes), cujos períodos de permanência no local geralmente ultrapassam os 30 minutos.
O atendimento ao público é realizado por 3 funcionários fixos (Ilustração 23).
O condicionamento artificial é realizado através de um “split”, marca York, com capacidade
igual a 24000 Btu/h. O aparelho encontra-se posicionado acima da janela. O atendimento ao público da
agência se dá entre as 10h e 16h, sendo que nos meses de janeiro e fevereiro este período foi alterado
para 9h e 14h, devido ao horário de verão em Brasília. Não foi permitido o registro fotográfico no
interior do local.
PLANTA BAIXA - SETOR ATEND.
CORTE AB - SETOR ATEND.
PLANTA BAIXA /PAVTO. TÉRREO - EDIFICAÇÃO C1
hall
atendimento
guichês
área externa
gabinete
hall
atendimento
auto-
atendimento
s
d
setor
restrito
Ilustração 23 - Planta baixa e corte do ambiente monitorado na Edificação C1.
No caso da edificação C1, o enfoque do estudo será direcionado apenas à avaliação do
conforto térmico dos usuários. Através da pesquisa qualitativa, foram observadas as sensações e
preferências térmicas dos usuários quando submetidos ao condicionamento artificial, sendo que boa
parte deles não tem acesso a esse tipo de recurso em suas residências. Buscou-se identificar as
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“razões” da tolerância ao calor, se efetuada realmente por mecanismos de adaptação ou relacionada a
possíveis restrições financeiras, as quais impedissem os indivíduos de usar o condicionamento artificial
ou investir em reformas para melhorar as condições térmicas de suas residências. O desempenho
térmico desta edificação não será avaliado.
3.1.2. Monitoramento das variáveis ambientais internas e externas
De acordo com a ISO 7730 (1994), a sensação térmica dos indivíduos está relacionada a um
conjunto de fatores ambientais e pessoais. Os fatores ambientais – temperatura, temperatura radiante
média, velocidade relativa do ar e umidade relativa do ar – atuam nos mecanismos de troca de calor
entre o corpo e o meio ambiente, e devem ser mensurados juntamente com a taxa metabólica (relativa
à atividade desempenhada) e a vestimenta dos indivíduos. A atividade desempenhada pela pessoa
determina a quantidade de calor gerado pelo organismo. Para se obter os valores correspondentes às
taxas metabólicas em função da atividade e o isolamento das roupas, utilizaram-se as tabelas
constantes nas Normas ISO 7730/1994 e ASHRAE Fundamentals Cap.8 - 2005. A obtenção desses
dados é fundamental para a avaliação do conforto térmico através de índices como o PMV, sendo
necessária também para a análise do desempenho térmico da edificação.
O monitoramento das variáveis ambientais externas e internas compreende o período entre os
dias 29/01/2005 e 03/03/2005, o qual encontra-se inserido na estação seca, que vai de outubro a abril
(FUNESA, 2000). Considerando-se os intervalos das medições, devido à retirada do equipamento para
a coleta dos dados armazenados, o período completo de medições foi de 34 dias.
Os equipamentos utilizados para a realização do monitoramento foram os seguintes:
HOBO H8 RH/ TEMP/ 2 External Channels, Onset Corporation Ltda.: trata-se de um
aparelho com dimensões de 6 x 4 x 2 cm, que através de sensores, tem a capacidade de
registrar e armazenar até 5 mil dados de temperatura e umidade do ar, dependendo do
período e intervalo de aquisição dos dados, o qual é definido pelo programador (Ilustração
24 a). Neste caso, o intervalo adotado foi igual a 15 min. Há também a possibilidade de se
conectar 2 sensores externos ao HOBO, proporcionando até 3 vias para a aquisição de
dados de temperatura. No presente trabalho foram utilizados sensores de temperatura de
longo alcance TMC20-HA (Ilustração 24 b). Os dados registrados são coletados através de
programa computacional específico, denominado BoxCar Pro, que permite a leitura dos
dados sob forma de tabelas e gráficos, inclusive arquivos do tipo Excel. Na Tabela 2
encontram-se as especificações técnicas do HOBO e demais instrumentos utilizados no
monitoramento.
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Anemômetro de “ventoinha” LCA 600, marca Davis: anemômetro de operação manual,
o qual mede a velocidade do ar média, em m/s (Ilustração 24 c). Optou-se pelo uso deste
instrumento devido à impossibilidade de obtenção de um termo-anemômetro mais
adequado aos objetivos da pesquisa. De acordo com sua faixa de medição, a precisão na
medição de velocidades do ar abaixo de 0,25 m/s não é assegurada (Tabela 2), de modo
que esta limitação foi considerada nos cálculos da temperatura radiante média, necessária
à determinação do PMV, conforme será descrito adiante.
(a)
(b)
(c)
Ilustração 1 - Equipamentos utilizados no monitoramento: (a) hobo, (b) sensor de temperatura e
(c) anemômetro. Fonte: (a) (b) <http://www.onsetcomp.com/Products>
Tabela 2 – Especificações dos instrumentos de medição
Descrição Faixa de medição Incerteza Resolução
Temperatura
-20° a 70°C ±0.7° (à 21ºC) 0,35º(à 21ºC)
HOBO H8 RH/ TEMP/ 2
External Channels
Umidade
25% a 95% ±5% -
Sensor de temperatura de
longo alcance (TMC20-HA)
- 40° a 100°C (imerso no ar) ±0.5°(à 21ºC) 0.41° (à 21ºC)
Anemômetro LCA 600
(à 20ºC)
0,25 m/s – 30 m/s ± 0,1 m/s 0,01 m/s
Com o auxílio do HOBO TEMP RH, foram realizadas medições de temperatura de bulbo seco,
umidade relativa, umidade absoluta do ar e registros da temperatura de globo no interior das
edificações estudadas. Os sensores TMC20-HA foram conectados aos HOBOS e inseridos no interior
dos globos. Através da aquisição das temperaturas de globo, juntamente com os registros da
velocidade do ar (v
ar
), foi possível determinar a temperatura radiante média (T
rdmed
). A T
rdmed
é a
temperatura uniforme de um ambiente imaginário no qual a transferência de calor por radiação do
corpo humano é igual à transferência de calor por radiação em um ambiente real não uniforme (ISO
7726, 1996). A T
rdmed
é necessária para o cálculo do PMV, sendo determinada a através da Equação
06:
(Eq. 06)
T
rdmed
=
4
T
g
4
+ h
cg
. (T
g
- T
a
)
ε
g
. σ
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Onde:
T
rdmed
= Temperatura radiante média (K)
T
g
= Temperatura de globo (K)
T
a
= Temperatura do ar (K)
h
cg
= coeficiente de transferência de calor por convecção ao nível do globo, em W/m
2
.K
ε
g
= emissividade do globo negro (adimensional);
σ = constante de Stefan-Boltzman = 5,67x10
-8
W/m
2
.K
4
;
Sendo que :
Em casos de convecção natural: hcg = 1,4.(T
a
/D)1/4
Em casos de convecção forçada: hcg = 6,3.(va
0,6
/ D
0,4
)
Onde:
D = diâmetro do globo, em metros e
va = velocidade do ar ao nível do globo, em m/s, sendo adotado o coeficiente que apresentar o
maior valor (medição ambiental tipo C = conforto) (ISO/DIS 7726/96).
Foram empregados dois tipos de globos. Durante o período inicial correspondente ao
monitoramento, devido à indisponibilidade de globos padronizados, foram utilizadas “bolas de natal”
plásticas, possuindo 9 cm de diâmetro, pintadas com tinta fosca preta. Os sensores TMC20-HA foram
introduzidos em seu interior e o orifício foi vedado com cortiça e adesivo de silicone. Entre os dias
10/02 e 11/02 as “bolas de natal” foram substituídas por globos padronizados, com 15 cm de diâmetro.
Quanto ao monitoramento realizado durante a pesquisa de campo, os equipamentos foram
dispostos no interior dos ambientes de modo que ficassem submetidos a trocas térmicas semelhantes
às quais os usuários estavam sujeitos. Os sensores TMC20-HA foram conectados aos HOBOS e estes
foram fixados próximos aos locais de permanência dos usuários (Ilustração 25). Os globos foram
mantidos suspensos e em contato com o ar, com os sensores TMC20-HA inseridos em seu interior.
Evitou-se a proximidade de superfícies ou objetos que pudessem influenciar as trocas térmicas entre os
mesmos e o ambiente de estudo. Todos os ambientes foram considerados homogêneos, utilizando-se
apenas um sensor de temperatura inserido no globo para cada edificação.
A opção pela altura igual a 1,10m para a instalação dos HOBOS e globos, conforme
recomendações da ISO 7726, não foi adotada, com o intuito de preservar o equipamento da
manipulação por crianças nas Edificações R1 e R2 e outras limitações com relação à mobília ou usos
do ambiente. Entre os dias 10/02 e 11/02, os globos adaptados foram substituídos pelos globos
padronizados, sendo necessárias algumas modificações quanto ao seu posicionamento. No caso da
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Edificação R2, o globo foi suspenso no mesmo móvel onde o HOBO estava fixado, reduzindo-se a
altura de 1,60 m para 1,24 m. Já na Edificação C1, o globo foi suspenso em um suporte de TV a uma
altura de 1,64 m, enquanto no início do monitoramento havia sido fixado ao lado da mesa de uma das
funcionárias, a uma altura de 1,27 m.
Ambientes monitorados/ edificações
R1 R2 R3 C1
Sala de Estar/TV Quarto Quarto Espera/ atendimento
Altura HOBO = 1,37 m Altura HOBO = 1,00 m Altura HOBO = 0,46 m Altura HOBO = 0,66 m
Altura Globo = 1,24 m Altura Globo = 1,60 m Altura Globo = 1,52 m Altura Globo = 1,27 m
Ilustração 25 – Posicionamento dos instrumentos de medição nos ambientes monitorados.
Quanto aos registros de velocidade do ar, foram efetuados junto aos usuários, imediatamente
após a obtenção das respostas relativas às suas sensações e preferências térmicas. O equipamento foi
posicionado considerando-se a direção predominante das correntes de ar no interior dos ambientes
monitorados, advindas das aberturas (ambientes não condicionados) ou provenientes do sistema de ar
condicionado. Devido às imprecisões relacionadas ao equipamento, estipulou-se uma margem de erro
para a realização do cálculo da T
rdmed.
Sempre que a var registrada pelo equipamento foi inferior a 0,25
m/s, a T
rdmed
foi calculada adotando-se a var registrada e também a var = 0,25 m/s. Desse modo,
considerou-se um intervalo de variação possível no cálculo da T
rdmed,
cujo limite corresponde ao valor
mínimo da faixa de medição estipulada pelo fabricante do equipamento: 0,25 m/s (Tabela 2).
O monitoramento ambiental foi realizado no interior das edificações e também externamente, a
fim de que se pudesse identificar o comportamento térmico de cada edificação face às condições
externas. Todos os HOBOS foram programados para realizar aquisições a cada 15 min. A cada 15 dias
os HOBOS eram removidos para a coleta dos dados, sendo instalados novamente em até 24h, no
máximo.
Quanto ao monitoramento das variáveis ambientais externas, considerando-se a
uniformidade do meio urbano de Santana do Ipanema, optou-se pelo uso de um único HOBO para
aquisição dos dados de temperatura e umidade. A princípio, o HOBO foi posicionado no interior de uma
maquete, com a função de proteger o equipamento da insolação direta e das chuvas (Ilustração 26 a e
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26 b). No entanto, os registros de temperatura realizados pelo HOBO externo foram prejudicados,
devido à ausência de sombreamento no local onde o equipamento foi instalado e a ineficácia da
proteção empregada. Isso resultou no superaquecimento do sensor e na obtenção de temperaturas de
bulbo seco demasiadamente elevadas. Optou-se então por sua instalação sob um beiral, na fachada
sul de uma edificação existente no mesmo terreno onde as medições haviam sido iniciadas. O HOBO
permaneceu acondicionado dentro da mesma maquete quadrangular, sendo a mesma pendurada sob
o referido beiral (Ilustração 26 c). Portanto, os dados externos registrados durante o período entre
13/01 e 28/01 foram desconsiderados, limitando-se o período representativo considerado no presente
estudo a 34 dias: 29/01 a 03/03.
(a)
(b)
(c)
Ilustração 26 – HOBO e seu posicionamento no ambiente externo.
3.1.3. Caracterização do comportamento ambiental frente a parâmetros de
desempenho: aplicação das Normas brasileiras de desempenho
térmico de edificações
A adequação ambiental das edificações residenciais R1, R2 e R3 à Zona Bioclimática onde
Santana do Ipanema está localizada (Zona 7), foi avaliado de acordo com os critérios estabelecidos
pela NBR 15220-3: Desempenho térmico de edificações (ABNT, 2005) e pelo Projeto de Norma
02:136.01.005: Desempenho de edifícios habitacionais de até cinco pavimentos (Partes 4 e 5)
(COBRACON, 2005).
Conhecendo-se as características construtivas das edificações monitoradas, foram adotados
os valores apresentados no Anexo D da NBR 15220-3 (Tabelas D.3 e D.4) para as propriedades
térmicas das paredes e cobertura: Transmitância Térmica - U, Capacidade Térmica – C e Atraso
térmico – φ. O Fator Solar dos elementos e componentes de edificações - FS foram calculados
o
com
base nos valores de absortividade α indicados na Tabela B.2 da NBR 15220-2 (ABNT, 2005). Esses
valores foram comparados aos limites indicados para a Zona 7, também constantes na NBR 15220-3:
Zoneamento bioclimático brasileiro e diretrizes construtivas para habitações unifamiliares de interesse
social, verificando-se o nível de adequação ambiental de cada caso avaliado. Os valores de
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Transmitância Térmica - U e Absortividade à radiação solar – α também foram comparados aos limites
indicados para paredes e coberturas estabelecidos na Parte 4 e Parte 5 do Projeto 02:136.01.
O desempenho térmico das edificações residenciais R1 e R2 também foi avaliado de acordo
com o procedimento de medição definido pelo Projeto de Norma 02:136.01, Parte 1: Anexo B. No
caso da Edificação R3, não foi realizada tal avaliação devido ao uso do condicionamento artificial no
ambiente monitorado e à dificuldade em se precisar a duração dos seus períodos de funcionamento
diário.
De acordo com o procedimento de medição, deve-se comparar as temperaturas internas
obtidas na edificação em estudo com as temperaturas externas, considerando-se os dias típicos de
verão e de inverno listados para algumas cidades brasileiras (Anexo A). A análise limitou-se à condição
de verão, com base nos dados do monitoramento realizado entre os dias 29/01 e 03/03. Santana do
Ipanema não está incluída entre as cidades cujos dados climáticos encontram-se listados no Anexo A
do Projeto de Norma 02:136.01 (Parte 1). Nesse caso, a recomendação normativa é adotar o dia típico
de projeto referente à cidade mais próxima, localizada dentro da mesma região bioclimática, e com
altitude de ordem de grandeza semelhante. Dentre as cidades listadas, optou-se por Teresina-PI,
também pertencente à Zona 7 e localizada a 5,2º de latitude sul e com altitude igual a 72 m. Os dados
climáticos referentes ao dia típico de verão encontram-se listados na Tabela 3:
Tabela 3 – Dados do dia típico de verão, Teresina-PI (Fonte: COBRACON, 2005).
Temperatura
máxima diária (ºC)
Amplitude diária de
temperatura (ºC)
Temperatura de
bulbo úmido
Radiação
Solar (Wh/m²)
Nebulosidade
(décimos)
37,9 13,2 25,1 5448 5
O referido Projeto de Norma recomenda ainda que as medições sejam efetuadas no centro dos
recintos dormitórios e salas, a 1,20m do piso, ou então que sejam seguidas as determinações da ISO
7726. Neste trabalho, o posicionamento dos aparelhos foi estabelecido de modo a representar as
condições usuais de trocas térmicas às quais os usuários estariam submetidos, procedimento
recomendável quando não é possível seguir os preceitos da ISO (ISO 7726).
Quanto aos ambientes de medição, obedeceram-se as recomendações do Projeto de Norma
02:136.01, alocando-se os instrumentos na sala de estar da edificação R1 e em um dos quartos na
edificação R2. Quanto à orientação das aberturas, no caso da edificação R1 o ambiente monitorado
não é voltado para o exterior, enquanto a residência R2 possui janelas voltadas para Norte e Leste.
De posse desses dados, procedeu-se à classificação do desempenho das edificações de
acordo com os critérios M (mínimo), I (intermediário) ou S (superior), segundo as recomendações do
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Projeto de Norma 02:136.01. As edificações também foram classificadas como adequadas ou não
adequadas à Zona Bioclimática 7, de acordo com a NBR 15220 – 3.
3.2. Avaliação do conforto térmico dos usuários
3.2.1. Sensações e preferências térmicas relatadas durante o
monitoramento versus condições ambientais: em busca de limites de
conforto
A avaliação do conforto térmico dos usuários foi realizada através de índices de conforto: o
PMV (ISO 7730, 1994) e o PMV ajustado pelos fatores propostos por Fanger (2002) e Humphreys e
Nicol (2002). Também foi utilizada a abordagem adaptativa, determinando-se a temperatura neutra de
conforto (NICOL, 2000) e investigou-se a hipótese defendida por Roriz (2003), relativa à variabilidade
das condições de adaptação dos indivíduos ao ambiente térmico.
O julgamento subjetivo da situação de conforto térmico é feito através de escalas subjetivas, a
exemplo da escala sétima da ASHRAE (ASHRAE Fundamentals Cap. 8 – 2005). A abordagem utilizada
para a obtenção dos votos de conforto foi verbal, ao invés de se utilizar questionários. Durante a
abordagem aos usuários, as respostas aos questionamentos eram registradas, bem como os dados do
respondente (sexo, idade, peso, altura), a atividade desempenhada, a vestimenta dos mesmos e os
horários nos quais os dados foram obtidos. O modelo utilizado para a obtenção dos votos de conforto
encontra-se no Apêndice 1. Em seguida, eram efetuadas medições da velocidade do ar junto aos
usuários.
O número de visitas para cada edificação monitorada foi distribuído de acordo com a
disponibilidade dos usuários. Foram realizadas visitas nos períodos da manhã e tarde, com duração de
cerca de 1h cada. Não foi possível obter votos de conforto junto aos usuários das edificações R2 e R3,
devido aos padrões de uso da edificação. Desse modo, em ambos os casos os votos de conforto
obtidos são referentes à pesquisadora. Já no caso da Edificação R1, foram obtidos 34 votos individuais
dos usuários (3 adultos e uma adolescente) e 9 votos por parte da pesquisadora. Na Edificação C1, os
totais de votos individuais coletados junto aos funcionários e clientes foram respectivamente iguais a 37
e 57, além de 11 votos da pesquisadora.
O objetivo desta investigação foi identificar sob quais condições de temperatura a maioria dos
indivíduos manifestou-se satisfeita, através da correlação entre as opiniões emitidas pelos mesmos
(expressas segundo a escala sétima da ASHRAE) com as temperaturas medidas pelos HOBOs nos
horários em que os votos foram coletados. Essas temperaturas foram comparadas aos limites
propostos por Givoni para a Zona de Conforto dos trópicos: 18ºC e 29ºC (GIVONI, 1992), observando-
se possíveis evidências de adaptação ao calor.
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Os critérios adotados para a classificação dos indivíduos como satisfeitos ou insatisfeitos com
o ambiente térmico se basearam no confronto entre as respostas relativas às sensações (i) e
preferências térmicas (ii), conforme descrito no Capítulo 2. Também foram comparadas as respostas às
duas questões: (i) sensações (“Com relação a sua sensação térmica, como você está se sentindo
nesse momento?”) e as opiniões sobre o ambiente (“De que maneira você se encontra nesse
momento?”(ii), buscando-se outras evidências da adaptação dos indivíduos ao calor, tais como a
declaração de “ambiente confortável” associada à sensação térmica “com calor”. Com base nos votos
de conforto coletados durante a pesquisa de campo foi desenvolvida a análise comparativa entre as
sensações reais dos indivíduos e os índices estimados através dos modelos preditivos, conforme
descrito a seguir.
3.2.2. Modelos preditivos e sua adequação à realidade
Os votos de conforto, juntamente com os dados do monitoramento ambiental, serviram como
subsídio para a análise do conforto térmico, possibilitando a comparação entre as respostas individuais
(valores médios para cada grupo de votos) e o Voto Médio Estimado (PMV). O cálculo do PMV, bem
como a determinação do PPD (Percentual de Pessoas Insatisfeitas), foram efetuados com o auxílio do
programa computacional Analysis CST, desenvolvido no LabEEE (Laboratório de Eficiência Energética
em Edificações). O Analysis CST utiliza como dados de entrada os registros das variáveis ambientais
internas e das variáveis pessoais coletados nas edificações monitoradas. Posteriormente, foram
aplicados os fatores de correção aos valores do PMV calculados através do programa Analysis.
No caso do fator de expectativa e proposto por Fanger e Toftum (2002), adotaram-se valores
de e iguais a 0,7 e 0,5. Tais limites são válidos para edifícios sem condicionamento artificial em regiões
com poucos edifícios condicionados, nas quais período quente abrange a todas as estações e também
para regiões onde o período quente inclui o ano inteiro. Obedecendo-se ao procedimento descrito pelos
autores, primeiramente, a taxa metabólica foi reduzida em 6,7% para cada unidade do PMV acima de
0. Esta redução na taxa metabólica busca representar as condições reais observadas em campo, nas
quais as pessoas reduzem inconscientemente o nível da atividade desempenhada diante de situações
de desconforto por calor (FANGER; TOFTUM, 2002). O produto entre o valor equivalente ao percentual
de 6,7% do PMV calculado inicialmente e o valor deste mesmo PMV indica o percentual de redução da
taxa metabólica. De posse desse resultado, o PMV foi recalculado sempre que PMV > 0, ajustando-o à
taxa metabólica reduzida. Finalmente, o PMV ajustado com base na redução da taxa metabólica foi
multiplicado pelo fator de expectativa e, obtendo-se o PMV
e
: PMV ajustado pelo fator de expectativa.
Já no caso do PMV
new
proposto por Humphreys e Nicol (2002), o fator de ajuste D foi calculado
de modo semelhante ao D
PMV – ASHRAE
através da equação que correlaciona as variáveis de regressão,
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conforme descrito no Capítulo 2 (Eq. 04). De posse do valor de D, foi então calculado o PMV
new
, a partir
dos valores dos PMVs calculados inicialmente com o auxílio do programa Analysis, de acordo com a
Equação 05, transcrita novamente abaixo:
PMV
new
= 0,8 (PMV – D)
Os votos médios estimados – PMV, PMV
e
e PMV
nem
foram comparados às respostas reais dos
usuários (julgamento subjetivo), com o objetivo de identificar qual o modelo preditivo capaz de estimar
as sensações de conforto dos indivíduos de forma mais próxima à realidade. Segundo ABREU (2004),
em se tratando da comparação entre valores experimentais (sensações térmicas relatadas pelas
pessoas) e valores teóricos (estimativa do PMV), a análise estatística mais indicada faz uso de dois
testes: o RMSE (Root Mean Square Error) e o MBE (Mean Bias Error). O RMSE mede a dispersão dos
valores estimados em relação aos valores medidos, enquanto o MBE indica o desvio médio dos valores
estimados em relação aos valores medidos (IQBAL, 1983 apud ABREU, 2004). De acordo com este
tipo de avaliação, o modelo preditivo mais representativo da realidade será aquele que apresentar os
valores de RMSE e o de MBE mais próximos de zero (ABREU, 2004). As equações para a
determinação do RMSE e do MBE são as seguintes:
RMSE =
N
i=1
(y
i
– x
i
)
2 1/2
N
MBE =
N
i=1
(y
i
– x
i
)
N
Onde,
y
i
é o valor estimado (neste caso, o valor do PMV calculado)
x
i
é o valor medido (sensações reais relatadas pelas pessoas)
N é o número de observações.
Quanto à estimativa da temperatura neutra de conforto, o cálculo foi efetuado de acordo com a
equação proposta por Humphreys, indicada por Nicol (2000) para o caso do Brasil. Considerou-se a
temperatura externa média do período de 33 dias completos do monitoramento (29/01 a 02/03), com
base na média histórica obtida para o mês de fevereiro
2
. Assumiu-se uma faixa de tolerância para a
temperatura neutra igual a + 2,5ºC. Primeiramente, com base nas sensações térmicas relatadas pelos
2
Em virtude da inexistência de dados de temperatura representativos de uma série histórica para Santana do Ipanema,
adotaram-se dados das Normais Climatológicas de cidades próximas, também localizadas na Zona Bioclimática 7: Paulo
Afonso e Arcoverde (BA), Cabrobó e Floresta (PE) (MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, 1961).
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n
n
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i
r
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B
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t
i
i
s
s
t
t
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a -------------------------
69
indivíduos, os mesmos foram classificados como satisfeitos ou insatisfeitos com o ambiente térmico.
Em seguida, foi observado se as temperaturas correspondentes aos votos dos indivíduos classificados
como “satisfeitos” estavam enquadradas dentro dos limites da temperatura neutra de conforto
estimada. Com relação à hipótese defendida por Roriz (2003) realizou-se o mesmo tipo comparação.
Porém, considerou-se a possibilidade de variação na temperatura neutra de conforto, cuja amplitude
estaria limitada a 40% da amplitude de variação da temperatura externa, conforme descrito no Capítulo
2.
Através desta investigação foi possível avaliar a adequação dos modelos preditivos - PMV,
PMV
e
e PMV
new
- à realidade constatada in loco, bem como analisar os dados sob a ótica da
abordagem adaptativa. Quanto à aplicação do modelo do PMV e dos fatores de ajuste, foi objeto de
estudo todo o conjunto de votos coletados nas edificações monitoradas, enquanto que a abordagem
adaptativa (estimativa da temperatura neutra de conforto) foi aplicada apenas nas edificações sem
condicionamento artificial.
3.2.3. Abordagem qualitativa: o usuário descreve seu comportamento
Outro método empregado para avaliar as condições de conforto nas edificações monitoradas
foi a pesquisa qualitativa, desenvolvida através da aplicação de questionários e realização de
entrevistas.
Segundo Bauer e Gaskell (2002), a finalidade da pesquisa qualitativa não é contar opiniões,
mas explorar as diferentes representações sobre o assunto em questão. Ao contrário da amostra
estatística, os entrevistados são selecionados por representarem “grupos naturais” (BAUER;
GASKELL, 2002). No presente trabalho, tais “grupos” correspondem aos usuários das edificações
monitoradas em Santana do Ipanema.
Foram realizadas entrevistas semi-estruturadas, visando construir um referencial sobre o
comportamento dos usuários quanto ao uso da edificação, bem como identificar as opiniões dos
mesmos com relação às condições de conforto no interior dos ambientes monitorados. Com base em
estudos anteriores de conforto térmico realizados em paises tropicais, a exemplo de Nicol (1993), Nicol
et al (1994), de Dear (1995) e Mallick (1996), foram selecionados aspectos importantes a serem
abordados durante as entrevistas. O objetivo dessa abordagem foi caracterizar de forma abrangente os
fatores relacionados à percepção do ambiente por parte do usuário, inclusive condições
socioeconômicas e culturais, além das condições ambientais. Os principais aspectos abordados foram
os seguintes:
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J
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l
i
i
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n
n
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B
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s
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70
1) Caracterização das atividades, períodos de permanência nos ambientes e vestimentas
usuais;
2) Opiniões sobre o ambiente: locais “mais” e “menos” confortáveis, períodos de desconforto
(ao longo do dia e do ano);
3) Conceituação de “quente” e “frio” com relação à percepção térmica do ambiente;
4) Preferências e nível de satisfação com relação ao ambiente;
5) Aspectos prejudiciais ao conforto identificados no ambiente;
6) Descrição das atitudes individuais face ao desconforto, por exemplo: mudanças na
vestimenta, mudança para outros ambientes, uso de controles térmicos para modificar as
condições de conforto térmico, etc.;
7) Eficácia das ações descritas acima para minimizar o desconforto;
8) Comparações entre o ambiente de trabalho e a residência dos indivíduos entrevistados,
destacando-se as opiniões quanto às condições de conforto nos ambientes condicionados.
Grupos de usuários de cada edificação estudada foram entrevistados. Seguindo-se as
recomendações de Bauer e Gaskell (2002), as entrevistas foram conduzidas da seguinte maneira:
1) Apresentação dos objetivos da pesquisa;
2) Apresentação da temática a ser abordada, a fim de facilitar a compreensão por parte dos
usuários sobre as formas de interação homem/ ambiente construído: conceituação de
conforto térmico e variáveis humanas relacionadas, influência das características
construtivas sobre as condições térmicas dos ambientes;
3) Abordagem dos aspectos a serem investigados mediante a realização de perguntas
abertas, convidando o usuário a fazer descrições e provocando a informação contextual;
4) Introdução às medições subjetivas das sensações e preferências térmicas (ASHRAE
Fundamentals, Cap. 8, 2005) tornando claras para os usuários a finalidade das perguntas e
a importância desse tipo de registro para a avaliação do conforto térmico no interior dos
ambientes;
5) Agradecimentos por parte da pesquisadora e comentários finais (a respeito do andamento
da pesquisa).
As entrevistas foram conduzidas de modo que os próprios usuários indicassem os aspectos
considerados importantes, principalmente quanto ao seu comportamento usual, revelando inclusive
particularidades culturais. Observando-se o comportamento dos usuários, foi possível identificar
evidências da adaptação térmica, as quais, segundo Nicol (2001), se enquadram em 3 categorias
principais: ajustes de comportamento, adaptações fisiológicas e reações psicológicas, decorrentes da
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71
expectativa ou da experiência acumulada pelo indivíduo. Desse modo, dados enriquecedores puderam
ser obtidos para a caracterização do cotidiano dos usuários, contribuindo para a análise do
desempenho da edificação tanto sob o ponto de vista da adequação climática quanto sob a ótica
individual. O modelo de entrevista utilizado encontra-se no Apêndice 2, ao final deste trabalho.
3.3. Avaliação do potencial de aplicação de estratégias de
condicionamento ambiental
Conforme descrito no Capítulo 2, a aplicação de estratégias de condicionamento ambiental
passivo no projeto de edificações está limitada pelas variáveis climáticas, destacando-se as condições
de temperatura, umidade e ventilação. Além disso, outros fatores relacionados ao próprio edifício
podem limitar a aplicação de estratégias bioclimáticas, tais como a sua forma, orientação e
propriedades térmicas dos materiais construtivos.
As estratégias de condicionamento passivo consideradas no presente estudo foram
selecionadas dentre aquelas incluídas na Carta Bioclimática proposta por GIVONI (1992). O
detalhamento dessas estratégias pode ser melhor aprofundado mediante a comparação entre os dados
do monitoramento ambiental e os limites de aplicação de cada estratégia, citados na literatura
especializada (SANTAMOURIS, ASIMAKOPOULOS, 1996) (GIVONI, 1994), (GIVONI, 1997). Desse
modo, foi possível identificar os períodos nos quais cada uma delas seria aplicável (total de horas e
seqüência de dias). Os limites impostos à aplicação de cada uma dessas estratégias podem ser
expressos sob forma de pré-requisitos relativos às condições ambientais e características construtivas
das edificações (variáveis de projeto) conforme indicado na Tabela 4.
O potencial de aplicação das estratégias de condicionamento ambiental foi avaliado também
com o auxílio do programa Analysis Bio, desenvolvido no Laboratório de Eficiência Energética em
Edificações (LabEEE). O programa Analysis Bio é baseado na carta bioclimática proposta por Givoni
(1992) para países em desenvolvimento, porém a delimitação das zonas correspondentes às diferentes
estratégias de condicionamento também está baseada no método proposto por Watson e Labs (1983)
(Ilustração 27). Através do programa, é possível inserir na carta psicrométrica os dados de temperatura
e umidade relativos a um determinado local, com a finalidade de visualizar a distribuição dos dados
climáticos ao longo do ano, utilizando-se o ano TRY (Ano Climático de Referência) ou as Normais
Climatológicas. Além disso, o programa permite calcular a porcentagem de horas anuais em que cada
estratégia de condicionamento é mais apropriada (ANALYSIS BIO, 2003).
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t
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72
Tabela 4 – Critérios para avaliação do potencial de uso de estratégias de condicionamento
passivo em regiões quentes e secas. (Fonte: Adaptado de GIVONI, 1994).
Condicionantes para aplicação
Estratégia
Pré-requisitos
(variáveis
ambientais)
Variáveis de projeto relacionadas
Ventilação diurna
T
EXT
< T
INT
T
EXT
< 28ºC
V
AR
: 2 a 3 m/s
Aberturas: dimensionamento, orientação,
proteção solar
Ventilação noturna/ massa
térmica para resfriamento
T
EXT
< T
INT
T
EXT - DIA
< 36ºC
T
EXT - NOITE
< 20ºC
V
AR
: 2 a 3 m/s
Aberturas: dimensionamento, orientação,
segurança
Elementos construtivos (paredes e coberturas):
Inércia térmica
Resfriamento radiante
Nebulosidade
(céu sem nuvens)
Umidade do ar
(baixa)
Cobertura: reforço da estrutura (cargas) +
impermeabilização perfeita
Elementos construtivos (coberturas):
condutividade térmica + isolamento térmico
(“removível”)
Resfriamento evaporativo
direto
TBU
MAX - EXT
< 24ºC
TBS
MAX – EXT
< 44ºC
Fachadas: contato com o ambiente externo
Instalações: consumo de água
Resfriamento evaporativo
indireto
TBU
MAX - EXT
< 25ºC
TBS
MAX – EXT
< 46ºC
Cobertura: reforço da estrutura (cargas) +
impermeabilização perfeita
Elementos construtivos (coberturas):
condutividade térmica + isolamento térmico
(“removível”)
Uso da terra para
resfriamento
TBS
SOLO
< 20ºC
Cobertura e paredes: reforço da estrutura
(cargas) + impermeabilização perfeita
Aberturas: disponibilidade de luz natural
0
5
10
15
20
25
30
0
5
10
15
20
25
30
0 5 10 15 20 25 30 35 40 45 50
TB
S[
°
C]
TB
U[
°C
]
W[g/k g]
UFSC - ECV - LabEEE - NPC
ZONAS:
1
1. Conforto
2
2. Ventilacao
3
3. Resfriamento Evaporativo
4
4. Massa Térmica p/ Resfr.
5
5. Ar Condicionado
6
6. Umidificação
7
7. Massa Térmica/ Aquecimento Solar
8
8. Aquecimento Solar Passivo
9
9. Aquecimento Artificial
10
10.Ventilação/ Massa
11
11.Vent./ Massa/Resf. Evap.
12
12.Massa/Resf. Evap.
Ilustração 27 – Carta Bioclimática apresentada pelo programa Analysis Bio.
J
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n
n
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r
a
a
B
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t
t
i
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s
s
t
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73
Foram gerados arquivos climáticos sob o formato adequado ao programa Analysis Bio, a partir
dos dados do monitoramento das condições ambientais externas e internas, realizado em Santana do
Ipanema durante o período compreendido entre 29/01 e 03/03/2005. Em seguida, os dados foram
inseridos na Carta Bioclimática com o auxílio do programa Analysis Bio, identificando-se quais as
estratégias de condicionamento passivo que deveriam ser priorizadas no contexto climático local.
Observando-se os dados relativos ao monitoramento ambiental realizado nas edificações R1, R2 e R3,
verificou-se o enquadramento desses valores nos limites da zona de conforto proposta por Givoni.
Foram identificadas também as estratégias bioclimáticas, definidas com base no método de Watson e
Labs (1983), cujo emprego seria recomendável para enquadrar as condições térmicas internas aos
referidos limites de conforto.
Observaram-se outros fatores na avaliação do potencial de aplicação das estratégias de
condicionamento passivo. Levou-se em consideração aspectos econômicos, relativos aos custos de
construção (compra de materiais isolantes, impermeabilização, reforços na estrutura) e também
manutenção de alguns sistemas, como é o caso dos umidificadores de ar (resfriamento evaporativo) e
dos sistemas mecânicos necessários para a remoção dos painéis de isolamento da cobertura
(resfriamento radiante). Por outro lado, buscou-se evitar propostas alheias à realidade cultural de
Santana do Ipanema, com base nas informações obtidas a partir da pesquisa qualitativa.
Tendo sido avaliado o potencial de aplicação de cada estratégia, foram sugeridas propostas de
adequação das tipologias arquitetônicas investigadas: Edificações R1, R2 e R3 (residências).
Observando-se os condicionantes de projeto, foram verificadas quais as adaptações necessárias,
visando o melhor aproveitamento das estratégias bioclimáticas e, conseqüentemente, o incremento no
desempenho térmico das habitações. As propostas abrangeram desde a especificação de elementos
construtivos para paredes e coberturas, observando-se a adequação de suas propriedades térmicas ao
clima quente e seco de Santana do Ipanema, até modificações no projeto das residências, tendo como
finalidade prover as adaptações necessárias à implementação das estratégias de condicionamento
passivo. Os resultados desta investigação serão apresentados nos capítulos seguintes.
Juliana Oliveira Batista -------------------------
74
Juliana Oliveira Batista
4.
Resultados e Discussão
Os resultados apresentados no presente Capítulo encontram-se subdivididos em 3 temáticas
principais, sobre as quais se fundamenta o objetivo geral do presente trabalho, a saber: (i) desempenho
térmico das edificações; (ii) conforto térmico de seus usuários e (iii) possibilidades de se favorecer os
dois primeiros itens através da adoção de estratégias de condicionamento ambiental adequadas ao
clima local.
A avaliação do desempenho térmico foi considerada como o ponto de partida. Através dela é
possível identificar nas tipologias predominantes da arquitetura residencial quais os aspectos mais
relevantes que necessitam ser modificados ou adaptados, a fim de assegurar a adequação das
edificações ao meio onde se encontram inseridas.
A partir da avaliação do conforto térmico, buscou-se identificar “pistas úteis” à elaboração do
projeto arquitetônico, com base nas expectativas, sensações e preferências térmicas dos usuários das
edificações. Observou-se o modo como os indivíduos lidam com as situações de desconforto térmico
em ambientes diferenciados: nas residências monitoradas e em um ambiente com condicionamento
artificial, neste caso, uma edificação comercial. Dessa forma, verificaram-se possíveis evidências da
aclimatação ao calor e qual a opinião dos usuários a respeito do uso do condicionamento artificial:
aspectos positivos e negativos relacionados a este tipo de equipamento, destacando-se o atendimento
das necessidades de conforto e as implicações do seu custo de manutenção frente às condições
socioeconômicas dos indivíduos entrevistados. Tais informações são importantes para o
estabelecimento das metas de desempenho a serem atingidas pelo projeto arquitetônico.
Sabendo-se de onde partir (aspectos prioritários a serem abordados durante a elaboração do
projeto) e quais as metas a serem atingidas (relacionadas à satisfação dos usuários), resta identificar
quais os melhores “caminhos” a serem seguidos na busca pela adequação da arquitetura ao clima.
Considerando-se que as estratégias de condicionamento ambiental passivo representam um desses
caminhos, a quarta e última parte deste capítulo trata da avaliação do seu potencial de uso em Santana
do Ipanema, identificando-se as possibilidades de incorporação de diferentes alternativas ao projeto
arquitetônico, diante do contexto climático e sócio-econômico local.
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75
4.1. Resultados do monitoramento ambiental: temperaturas
internas
As edificações monitoradas durante a etapa de pesquisa de campo possuem características
diferenciadas quanto à sua forma e possibilidades de ventilação, conforme apresentado no Capítulo 2.
Já com relação aos processos construtivos, as três residências empregam a alvenaria de tijolos
cerâmicos maciços, diferenciando-se apenas por pequenas variações na espessura das paredes
externas. As coberturas empregam telhas cerâmicas do tipo colonial, sendo que a Edificação R3
apresenta fôrro em laje mista enquanto na Edificação R1 não há fôrro sob a cobertura.
Apesar das semelhanças relativas aos processos construtivos, as 3 edificações apresentaram
comportamentos térmicos distintos, refletindo a influência da forma arquitetônica, materiais construtivos
e das possibilidades de ventilação específicas em cada caso. Tais comportamentos puderam ser
observados a partir dos resultados do monitoramento ambiental, destacando-se a variação das
temperaturas internas ao longo do dia.
Antes do início das medições foi realizada a aferição dos HOBOS, para identificar diferenças
relativas à precisão das medições dos aparelhos utilizados. 8 HOBOS e 7 sensores tipo TMC20-HA
permaneceram no interior de um compartimento isolado (caixa de isopor) durante um intervalo de 19h,
sendo os mesmos programados para registrar a temperatura correspondente ao sensor externo que
seria inserido nos globos negros (Te), temperatura de bulbo seco (TBS) e umidade relativa (UR%).
Dentre os 8 HOBOS, foram selecionados 5 para a realização do monitoramento. A Tabela 5 indica os
desvios padrões entre os valores máximos, mínimos e médios registrados pelos HOBOs no intervalo
considerado (Te, TBS e UR%), após a estabilização dos mesmos. Pode-se observar que os valores do
desvio padrão encontram-se dentro do intervalo correspondente à incerteza do equipamento:
+ 0,7ºC
no caso das temperaturas e + 5% no caso da umidade relativa, conforme indicado na Tabela 5.
Tabela 5 – Resultados da aferição dos instrumentos de medição
Te (ºC) TBS (ºC) UR (%)
Equipamento
Mín Méd Máx Mín Méd Máx Mín Méd Máx
539125
25,56 25,56 25,56 25,95 25,56 25,61 66,90 59,60 63,89
539129
25,56 25,56 25,56 25,95 25,56 25,66 64,40 57,10 61,53
539134
25,56 25,56 25,56 25,56 25,56 25,56 66,50 59,30 63,56
539130
25,56 25,56 25,56 62,30 55,10 59,48
539135
25,95 25,56 25,90 25,95 25,56 25,61 66,90 59,60 64,04
539137
25,56 25,56 25,56 25,95 25,56 25,90 67,70 60,10 64,53
539132
25,95 25,95 25,95 25,95 25,56 25,76 61,70 54,40 58,88
539126
25,56 25,56 25,56 25,95 25,56 25,6575 66,90 59,30 63,80
Desvio Padrão
0,19 0,15 0,18 0,18 0,00 0,11 2,32 2,24 2,22
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t
t
i
i
s
s
t
t
a
a -------------------------
76
Considerando-se o período de monitoramento compreendido entre 29/01 e 03/03/2005, foram
registradas temperaturas externas bastante elevadas. A temperatura externa máxima foi igual a
40,26ºC, enquanto a média do período (média entre a temperatura mínima média e a temperatura
máxima média) foi igual a 31,4ºC (Ilustração 28). Comparando-se este valor com a temperatura média
correspondente ao mês de fevereiro, com base nos dados das normais climatológicas para as cidades
de Paulo Afonso e Arcoverde (BA), Cabrobó e Floresta (PE), também localizadas na Zona 7, verificou-
se a hipótese de que os dados obtidos durante o monitoramento são representativos da média
histórica. Com 83% de confiabilidade, não se pode afirmar que a média obtida a partir dos dados do
monitoramento não seja representativa da média histórica.
Ilustração 28 - Temperaturas externas máximas, mínimas e médias diárias registradas durante o
período de monitoramento (29/1 a 03/03/2005).
No caso da Edificação R1, as temperaturas internas mantiveram-se próximas das temperaturas
externas, principalmente após as temperaturas externas máximas diárias serem atingidas, por volta das
14h (Ilustração 29). Observou-se que o atraso térmico no pico de temperatura interna em relação à
temperatura externa foi de no máximo 3h, enquanto o amortecimento térmico variou entre 1,3ºC a
6,5ºC. A temperatura máxima interna foi registrada no dia 01/03, quando se aproximou dos 36ºC, às
15h, enquanto a temperatura externa correspondia a 38,8ºC. No período noturno, as temperaturas
internas do ambiente monitorado são reduzidas, mas mantêm-se superiores às temperaturas externas,
verificando-se diferenças superiores a 3ºC entre ambas (Ilustração 30).
Na Edificação R2, a amplitude da variação da temperatura interna foi menor em relação à
Edificação R1 (Ilustração 31), observando-se também maiores amortecimentos térmicos, variando
entre 3,3ºC a 9ºC. Convém destacar que o ambiente monitorado possui área envidraçada equivalente a
32% da área do piso, e as janelas eram mantidas fechadas durante a maior parte do tempo. Desse
modo, sua temperatura interna permaneceu mais elevada do que a temperatura externa durante
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B
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s
t
t
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77
períodos maiores do que aqueles verificados na Edificação R1, devido à penetração da radiação solar
e ao efeito estufa causado pelo vidro. O valor máximo da temperatura interna foi verificado no dia 21/02
às 6h45min: 33,2 ºC, enquanto a temperatura externa correspondia a 28,3ºC.
Por outro lado, tal comportamento indica que ao se evitar a ventilação durante o dia, é possível
amortecer o pico da temperatura interna em relação à temperatura externa, sendo necessário, no
entanto, fazer uso da ventilação noturna para resfriar a estrutura da edificação e favorecer também o
conforto térmico de seus usuários. Tal potencial pode ser observado a partir da Ilustração 32, na qual
podem-se identificar diferenças superiores a 5ºC entre as temperaturas internas e externas durante o
período noturno.
TBS ext x TBS int
Edificação R1
20
22
24
26
28
30
32
34
36
38
40
42
29/1
30/1
31/1
1/2
2/2
3/2
4/2
5/2
6/2
7/2
8/2
9/2
10/2
11/2
12/2
13/2
14/2
15/2
16/2
17/2
18/2
19/2
20/2
21/2
22/2
23/2
24/2
25/2
26/2
27/2
28/2
1/3
2/3
3/3
T (ºC)
TBS_ext TBS_int
Ilustração 29 – Variação da temperatura do ar externo e no interior do ambiente monitorado na
Edificação R1.
Diferenças: Text - Tint
Edificação R1
-6
-5
-4
-3
-2
-1
0
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
29/1
30/1
31/1
1/2
2/2
3/2
4/2
5/2
6/2
7/2
8/2
9/2
10/2
11/2
12/2
13/2
14/2
15/2
16/2
17/2
18/2
19/2
20/2
21/2
22/2
23/2
24/2
25/2
26/2
27/2
28/2
1/3
2/3
3/3
T(ºC)
Ilustração 30 – Diferenças entre a temperatura externa e interna do ambiente monitorado na
Edificação R1.
J
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TBS ext x TBS int
Edificação R2
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T(ºC)
Text Tint
Ilustração 31 – Variação da temperatura do ar externo e no interior do ambiente monitorado na
Edificação R2.
Dif
erenças:
T
ex
t
-
Ti
n
t
Edificação R2
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T(ºC)
Ilustração 32 – Diferenças entre a temperatura externa e interna do ambiente monitorado na
Edificação R2.
Quanto à Edificação R3, observando-se a Ilustração 33, verifica-se que a temperatura interna
manteve-se inferior à temperatura externa durante a madrugada, período no qual o condicionamento
artificial era utilizado. Percebe-se ainda que as temperaturas internas mantiveram-se inferiores às
temperaturas externas também na maior parte das horas em que o equipamento não se encontrava em
funcionamento, indicando condições térmicas mais satisfatórias em relação às demais edificações
monitoradas. O valor máximo da temperatura interna, correspondente a 31,12ºC, foi verificado no dia
10/02 às 17h45min, enquanto a temperatura externa correspondia a 29,5ºC.
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TBS ext - TBS int
Edificação R3
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T(ºC)
TBS_ext TBS_int
Ilustração 33 – Variação da temperatura do ar externo e no interior do ambiente monitorado na
Edificação R3.
Por fim, na Ilustração 34 estão indicadas as variações diárias de temperatura no interior do
ambiente monitorado na Edificação C1, durante o período de funcionamento da agência (9h – 18h).
Pode-se observar que em 21 dos 33 dias de monitoramento o sistema de condicionamento possibilitou
a redução da temperatura ao longo do período de expediente, mantendo-a abaixo dos 28ºC. No
entanto, nos demais dias, pode-se observar que as temperaturas máximas internas foram atingidas no
final da tarde, após o encerramento do atendimento ao público às 16h, tendo permanecido em
elevação ao longo do período de expediente. O valor máximo da temperatura interna, correspondente a
31,1ºC, foi verificado no dia 27/02 às 17h15min.
TBS int: Edificação C1
Período: 9h - 18h
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T(ºC)
Ilustração 34 – Variação da temperatura do ambiente monitorado no interior da Edificação C3 ao
longo do seu período de funcionamento.
Quanto aos dados de temperatura de globo, foram utilizados para o cálculo da temperatura
radiante média, necessária para a determinação dos índices de conforto, cujos resultados serão
apresentados no item 4.3. Os dados de umidade relativa, por sua vez, foram utilizados na avaliação do
potencial de uso do resfriamento evaporativo, cujos resultados serão apresentados no item 4.4.
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4.2. Avaliação do desempenho térmico das edificações
residenciais
4.2.1. Avaliação por medição: Projeto de Norma 02:136.01
(COBRACON,2005)
De posse dos dados de temperatura do ar interno dos ambientes monitorados, foi possível
realizar a análise do desempenho térmico por meio da medição, conforme descrito no Projeto de
Norma 02:136.01 (COBRACON, 2005).
Seguindo-se as recomendações do referido Projeto, foi necessário identificar inicialmente o dia
típico de verão, o qual mais se assemelhasse ao dia típico de verão da cidade de Teresina – PI (Ver
item 2.3, p. 47). Observando-se os dados do monitoramento externo, selecionou-se o dia 25/02, pelo
fato de apresentar a temperatura máxima mais próxima de 37,9ºC e de ser precedido por 3 dias com
características semelhantes (Ilustração 35).
Ilustração 35 – Seleção do dia típico de verão para Santana do Ipanema a ser adotado na análise
de desempenho térmico através de medição.
Comparando-se a temperatura externa máxima registrada durante o dia 27/02 com as
temperaturas internas máximas, os desempenhos de ambas as edificações R1 e R2 foram
classificados como Nível Mínimo, uma vez que as temperaturas máximas internas, respectivamente
iguais a 34,4ºC e 31,1ºC, foram inferiores à temperatura máxima externa: 37,9ºC.
A seleção do dia típico assume que a edificação “entrou em regime permanente” após um
período de 3 dias. Isto significa que as condições térmicas das superfícies internas (temperatura e fluxo
de calor) atingiram uma situação de equilíbrio. Embora a avaliação por medição defina também a
seleção de um dia típico de inverno, a classificação do desempenho da edificação torna-se limitada, já
que os dados de temperatura interna não são obtidos a partir de uma série histórica.
Além disso, os critérios para a classificação do desempenho térmico da edificação devem ser
considerados como parâmetros mínimos, ao invés de metas de desempenho a serem atingidas. Isto
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pode ser exemplificado pelas edificações em estudo, cujas temperaturas internas foram superiores a
30ºC e seus desempenhos foram classificados como “Nível Mínimo” durante o verão, enquanto o limite
máximo da Zona de Conforto indicada por Givoni para os trópicos corresponde a 29ºC.
4.2.2. Avaliação prescritiva
4.2.2.1. NBR 15220-3 (ABNT, 2005)
Com base nas diretrizes construtivas estabelecidas pela NBR 15220 – 3 (ABNT, 2005), foi
efetuada a comparação entre as propriedades térmicas das paredes e coberturas de cada edificação
monitorada e os valores recomendados para a Zona Bioclimática 7, na qual a cidade de Santana do
Ipanema encontra-se inserida.
A partir das observações de campo e do relato dos próprios usuários entrevistados, constatou-
se que a alvenaria em tijolos maciços foi largamente empregada em Santana do Ipanema nas
edificações mais antigas, sendo que posteriormente o tijolo cerâmico com 6 furos também começou a
ser utilizado nas construções. Quanto à cobertura, o uso das telhas cerâmicas tipo colonial ainda é
predominante, mas também pode ser identificado o emprego de coberturas em cimento-amianto em
alguns casos. Quanto ao uso de fôrros sob a cobertura, observou-se o emprego de materiais como o
PVC, o gesso e o pinus. Quanto às edificações em estudo, a Tabela 6 apresenta os valores de
Transmitância Térmica (U), Atraso Térmico (φ) e Fator Solar (F
SO
) dos materiais construtivos
empregados.
Observa-se que o tipo de parede empregado nas 3 residências (tijolos maciços) apresenta
valores de Transmitância Térmica ligeiramente acima do valor recomendado pela Norma, enquanto o
Atraso Térmico e o Fator Solar das fachadas das Edificações R1 e R2 podem ser considerados
adequados. No caso da Edificação R3, o emprego da pintura verde, cuja absortividade (α) corresponde
a 0,4, resultou no aumento do Fator Solar. A principal recomendação neste caso seria a adoção de
pinturas mais claras, reduzindo-se a parcela de energia solar absorvida pela fachada.
Quanto às coberturas, verifica-se a necessidade de aumentar a resistência térmica no caso da
Edificação R1, enquanto na Edificação R3 poderia ser empregado um tipo de laje com espessura
maior, elevando-se a Capacidade Térmica e, por conseguinte, o Atraso Térmico da cobertura. Como
exemplo, pode-se citar a laje de concreto de 20 cm de espessura, cujos valores de Transmitância e
Atraso Térmico são respectivamente iguais a 1,84 W/m2.K e 8h (ABNT, 2005).
Com relação às aberturas, para a Zona Bioclimática 7, a NBR 15220-3 recomenda que sejam
sombreadas permanentemente e possuam pequenas dimensões. Nas edificações monitoradas,
excetuando-se a janela do quarto de casal da Edificação R3, dotada de venezianas, as demais não
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possuem dispositivos de sombreamento. A Ilustração 36 indica os totais de horas de insolação
recebidas pelas aberturas dos ambientes monitorados.
No caso da Edificação R1 (Ilustração 36 a), a abertura localizada na fachada orientada a NE
recebe sol no mês de dezembro até as 11h (solstício de verão), enquanto nos meses de setembro e
março (equinócios), as aberturas estão expostas à insolação até por volta das 12h.
A fachada do ambiente monitorado na Edificação R3 (Ilustração 36 b) recebe insolação entre
as 6h e 18h no verão, mas a existência de venezianas externas proporciona sombreamento à janela
(ângulo horizontal α = 0º). Quanto à edificação R2, a janela localizada na fachada oeste é a mais
atingida pela insolação, durante toda a tarde e em todos os meses do ano (Ilustração 36 c). Já a janela
localizada na fachada sul encontra-se exposta à insolação durante todas as horas do dia durante o
solstício de verão. Nos equinócios, a exposição à insolação se inicia por volta das 13h e continua até o
final da tarde (Ilustração 36 d).
Com relação às áreas de ventilação, a Tabela 7 compara as áreas disponíveis em cada
ambiente monitorado com os percentuais recomendados pela NBR 15220-3 (ABNT, 2005).
Tabela 6 – Propriedades térmicas relativas aos materiais empregados nas paredes e coberturas
das edificações monitoradas.
Superfície externa
U
(W/m
2
.K/)
φ
(horas)
FS
o
(%)
Valores recomendáveis 2,20 6,5 3,50
Edificação R1: espessura = 27 cm,
cor amarelo médio (α = 0,30)
2,25 6,8
2,7
Edificação R2: espessura = 27 cm,
cor bege claro (α = 0,30)
2,25 6,8 2,7
Paredes: alvenaria de
tijolos maciços
Edificação R3: espessura = 30 cm,
cor verde claro (α = 0,40)
2,23 6,8 3,6
Valores recomendáveis 2,00 6,5 6,50
Edificação R1: Telha de barro sem fôrro
(α = 0,80).
4,55 0,3
14,6
Coberturas
Edificação R3: Telha de barro (α = 0,80) e
fôrro em laje mista (espessura = 12 cm).
1,9 3,6 6,1
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(a)
(b)
(a)
(b)
Ilustração 36 – Horas de insolação recebida pelas aberturas dos ambientes monitorados.
Tabela 7 – Áreas disponíveis para ventilação, ambientes monitorados: Edificações R1, R2 e R3.
Valores recomendáveis (ABNT, 2005): % de área do piso (A
piso
)
Área da abertura (A): 10% < A < 15%
Ambientes monitorados
Adequação da área para
ventilação
Edificação R1 – Sala de Estar (20,6 m
2
)
Áreas máximas:
Janelas
(2 folhas abertas): 1 m
2
A = 5,10% da A
piso
Porta
(2 folhas abertas): 2,1 m
2
A = 10,2% da A
piso
Edificação R2 – Quarto (11,9 m
2
)
Área máxima
(2 janelas abertas): 1,5 m
2
A = 12,2% da A
piso
Edificação R3 – Quarto (18,2 m
2
)
Área máxima
(2 folhas abertas): 0,65 m
2
A = 3,6% da A
piso
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Observando-se os dados da Tabela 7, verifica-se que a área de ventilação disponível para o
ambiente monitorado na Edificação R1 limita-se à porta de entrada da residência. Suas dimensões são
insuficientes para atender as necessidades de ventilação do ambiente de forma adequada, de modo
que apenas mantendo-se as 2 folhas da porta abertas, o que não representa a condição real de uso,
obtém-se um percentual de área de ventilação superior a 10% da área do piso. No caso da Edificação
R2, as necessidades de ventilação seriam atendidas, desde que ambas as janelas permanecessem
completamente abertas. Já a área disponível para a ventilação do ambiente monitorado na Edificação
R3 é insuficiente, equivalente a menos de 4% da área do piso do ambiente.
4.2.2.2. Projeto de Norma 02:136.01 (COBRACON,2005)
Os parâmetros de desempenho fixados pelo Projeto de Norma 02:136.01 definem valores
recomendáveis para as propriedades térmicas das fachadas e coberturas das edificações residenciais
de até cinco pavimentos.
Com relação às fachadas, observa-se que o nível de desempenho das edificações em estudo
seria classificado como Nível M (mínimo), pois as três edificações apresentam superfícies externas
cujos valores de absortividade são inferiores a 0,6 e Transmitâncias Térmicas inferiores a 3,7 W/m
2
.K
(Tabela 6, p. 81). Quanto à Capacidade Térmica, o valor correspondente para paredes de tijolos
maciços com espessura de 27 cm é igual a 445 kJ/m
2
.K, superior ao limite de 130 kJ/m
2
.K estabelecido
como nível mínimo pelo Projeto de Norma 02:136.01 (COBRACON, 2005).
Com relação às coberturas, o Projeto de Norma 02:136.01 não faz exigências quanto a
absortividade da superfície externa. Mas, nesse caso, são estabelecidos outros dois níveis de
classificação além do Nível Mínimo: Nível Intermediário (I) e Nível Superior (S), determinados de
acordo com o valor da Transmitância Térmica. Apenas no caso da edificação R3, o nível de
desempenho da cobertura seria classificado como Mínimo, pois os valores de Transmitância Térmica
são inferiores a 2,3 W/m
2
.K (Tabela 7, p. 82).
Quanto aos parâmetros de desempenho estabelecidos pelo Projeto de Norma 02:136.01, é
determinado um único nível de classificação: Nível Mínimo (M), estabelecendo-se o dimensionamento
das aberturas para ventilação em no mínimo 15% da área do piso do ambiente. Ao contrário da NBR
15220 – 3 (ABNT, 2005), não são estipuladas áreas máximas. Efetuando-se a análise do desempenho
térmico das edificações com base nesse critério, nenhuma delas obteria o Nível M, uma vez que as
áreas de suas aberturas são inferiores a 15% das áreas de piso dos ambientes monitorados (Tabela 7,
p. 82).
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4.2.3. Síntese da análise de desempenho térmico
A Ilustração 37 sintetiza os resultados da avaliação de desempenho térmico das edificações
R1, R2 e R3, efetuadas com base nas diretrizes da NBR 15220-3 e nos critérios de desempenho
estabelecidos pelo Projeto de Norma 02:136.01.
ABNT, 2005 COBRACON, 2005
CRITÉRIOS R1 R2 R3 R1 R2 R3
U
φ
F
s
C
α
A (ventilação)
PAREDES
Sombreamento
U
φ
COBERTURAS
F
s
Temperaturas internas
Ilustração 37 - Síntese esquemática da avaliação de desempenho térmico das edificações
monitoradas.
Dentre os casos analisados, a Edificação R1 apresentou maiores problemas com relação às
características térmicas dos componentes construtivos, principalmente a Transmitância Térmica,
destacando-se a cobertura. Já as áreas disponíveis para ventilação e sombreamento das aberturas são
os problemas mais recorrentes, indicando a necessidade de se assegurar a proteção contra a radiação
solar, principalmente nos períodos mais quentes do dia no verão.
Comparando-se as recomendações da NBR 15220-3 para habitação de interesse social com
os critérios de desempenho determinados pelo Projeto de Norma 02:136.01, relativos às propriedades
térmicas dos elementos construtivos, verifica-se que há diferenças entre os resultados das duas
avaliações. O Projeto de Norma, pelo fato de estabelecer apenas um nível mínimo de desempenho
para a Zona Bioclimática 7, apresenta limites de Transmitância Térmica mais elevados. Quanto às
aberturas, são estabelecidas apenas áreas mínimas de ventilação, desconsiderando-se o fato de que
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em localidades caracterizadas pelo clima quente e seco devem ser priorizadas aberturas pequenas,
conforme definido pela NBR 15220-3 e confirmado por uma vasta literatura relacionada ao tema.
Quanto ao procedimento de avaliação por medição, trata-se de uma forma de se comprovar
que a edificação atende aos critérios de desempenho estabelecidos, durante a sua fase de uso,
podendo vir a ser um instrumento eficaz para assegurar a satisfação das exigências mínimas de
conforto dos usuários das edificações. Porém, estabelecer como critério de desempenho mínimo a
obtenção de temperaturas máximas internas inferiores às temperaturas máximas externas pode não
representar o atendimento das exigências de conforto dos usuários, considerando-se que localidades
com clima semelhante ao de Santana do Ipanema apresentam temperaturas máximas muito elevadas,
geralmente acima dos 35ºC.
No Item 4.3 são apresentados os resultados da avaliação de conforto térmico dos usuários das
edificações monitoradas. Com base nas opiniões dos usuários, é possível verificar se as condições
térmicas dos ambientes monitorados são condizentes com as expectativas que podem ser deduzidas a
partir dos resultados da avaliação de desempenho aqui apresentada. Destaca-se a hipótese de que
seja possível considerar aceitáveis limites de temperatura interna acima dos 36ºC, já que tais valores
são inferiores à temperatura externa máxima verificada no dia típico de projeto.
Outra expectativa a ser confirmada diz respeito às condições de ventilação dos ambientes
monitorados, classificadas como insatisfatórias em sua maioria. Quanto aos componentes construtivos,
valores elevados de Transmitância Térmica e o Fator Solar, representam maior elevação das
temperaturas internas e conseqüentemente, maior desconforto, conforme se constatou no caso da
cobertura empregada na Edificação R1.
Com relação às estratégias de condicionamento ambiental, no Item 4.4 são apresentados os
resultados relativos à avaliação do potencial de algumas alternativas indicadas como adequadas para o
clima quente e seco. Foram avaliadas as estratégias recomendadas pela NBR 15220-3 para a Zona
Bioclimática 7: resfriamento evaporativo, massa térmica para resfriamento e ventilação seletiva (ABNT,
2005), identificando-se a possibilidade de se empregar estas alternativas em benefício tanto do
desempenho térmico das edificações quanto do conforto dos seus usuários.
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4.3. Conforto térmico dos usuários: residências e edificações
de uso comercial
A avaliação do conforto térmico dos usuários das edificações monitoradas é apresentada neste
tópico. O método empregado nas análises incluiu o modelo do balanço térmico e a aplicação do
princípio adaptativo, através da estimativa da temperatura neutra de conforto, conforme mencionado no
Capítulo 2.
No total, foram realizadas 4 comparações entre valores preditos e os votos relatados pelos
usuários. Os resultados das predições, efetuadas através do modelo do PMV (FANGER,1970) foram
comparados às sensações e preferências térmicas relatadas, identificando-se o nível de adequação
desse índice à realidade constatada em campo. Considerando-se a hipótese da inadequação desse
modelo à realidade de locais com clima quente, buscou-se também verificar a obtenção de resultados
mais condizentes a partir da aplicação dos fatores de ajuste no modelo original proposto por Fanger:
PMVnew (HUMPHREYS; NICOL, 2002) e PMVe, considerando-se fatores de expectativa e iguais a 0,7
e 0,5 (FANGER; TOFTUM, 2002). Como critério para avaliar a aplicabilidade dos modelos preditivos,
foram observados a dispersão e o desvio médio dos valores preditos em relação aos valores medidos,
ou seja, os votos dos usuários (RMSE e MBE) e também os coeficientes de determinação entre esses
valores (R
2
). Os votos de conforto coletados junto aos usuários das edificações encontram-se em
anexo, ao final deste trabalho.
O cálculo do PMV foi efetuado com o auxílio do programa Analysis CST, desenvolvido no
LabEEE. Em virtude da imprecisão das medições da velocidade do ar para valores inferiores a 0,25
m/s, em todos os casos onde isso ocorreu o PMV foi calculado considerando-se o valor registrado pelo
aparelho e também o limite de 0,25 m/s. Desse modo, foi possível determinar quais as alterações
resultantes da imprecisão das medições da velocidade do ar sobre a temperatura radiante média e
conseqüentemente, sobre o PMV.
Foram comparados os registros efetuados pelos sensores de temperatura inseridos nos globos
negros e no globo adaptado (“bola de natal”) utilizado no início do monitoramento (Ver Cap. 3). A
Edificação R1 permaneceu com dois sensores TMC20-HA conectados ao HOBO, um deles inserido no
globo padronizado e outro no globo adaptado, durante um intervalo de 48 horas. Observou-se que as
diferenças entre os valores de temperatura registrados através dos sensores TMC20-HA inseridos no
globo padronizado (G1) e no globo adaptado (G2) foram correspondentes a + 0,4ºC, apresentando um
desvio padrão igual a 0,2. Tais resultados também se mantêm sob a faixa de incerteza aceitável para o
equipamento, conforme foi indicado na Tabela 2 (p. 60).
Também foi realizado um experimento no Laboratório de Meios Porosos e Características
Termofísicas dos Materiais – LMPT/EMC/UFSC, a fim de melhor avaliar a resposta térmica do “globo
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adaptado” (bola de natal) ao efeito da radiação. Foram mantidos em um recinto fechado, durante um
intervalo aproximado de 1h, uma fonte de radiação térmica e os seguintes equipamentos (Ilustração
38):
Termopar imerso no ar, com proteção de uma barreira radiante, servindo como referência para
comparação com as temperaturas registradas por meio do HOBO e dos demais termopares;
HOBO imerso no ar;
Termopar inserido no interior de um globo negro com 9 cm de diâmetro (G1);
Termopar inserido no interior do globo adaptado utilizado no presente trabalho, com 9 cm de
diâmetro (G2);
Termopar imerso no ar, posicionado junto ao teto, destinado a monitorar a elevação da
temperatura superficial no decorrer do experimento.
Ilustração 38 – Experimentos realizados no LMPT/EMC/UFSC em 28 e 29/11/2005.
a 40 W/m
A intensidade da radiação proveniente da fonte variou entre 20 W/m
2 2
. Foram
realizados dois experimentos, nos dia 28/11 e 29/11/05, podendo-se observar as variações das
temperaturas de globo (Tg1 e Tg2), do ar e da superfície do teto na Ilustração 39. O procedimento
consistiu em manter os globos e os termopares sob a influência da fonte radiante, no recinto fechado,
registrando-se as variações de temperatura durante o experimento. No dia 28/11 (Ilustração 39 a), após
um período inicial necessário para o estabelecimento do equilíbrio do conjunto montado para o
experimento e a temperatura ambiente, a fonte foi ligada em sua capacidade máxima (100%).
Observou-se que as diferenças verificadas entre os registros efetuados através do globo negro e do
globo adaptado oscilaram entre -0,59ºC e 0,25ºC. A diferença média verificada entre ambos foi igual a
-0,03ºC, enquanto o valor do desvio padrão foi correspondente a 0,15. No dia 29/11(Ilustração 39 b), o
experimento foi repetido, sendo que a potência da fonte foi sendo elevada gradativamente de 0% até
100% a cada intervalo de 30 min. Neste caso, observou-se que as diferenças verificadas entre os
registros efetuados através do globo negro e do globo adaptado oscilaram entre -0,25ºC e 0,07ºC. A
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diferença média verificada entre ambos foi igual a -0,08ºC, enquanto o valor do desvio padrão foi
correspondente a 0,06. Tais resultados indicam uma boa resposta térmica por parte do globo adaptado.
Experimento realizado no LMPT em 28/11/2005
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17:10 17:39 18:08 18:37 19:06 19:35 20:04
horas
T(ºC)
T ar (termopar) Tg1 (convencional - 9 cm)
Tg2 (adaptado - 9 cm) T sup.(teto)
(a)
Experimento realizado no LMPT em 29/11/2005
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16:20 16:50 17:20 17:50 18:20 18:50 19:20 19:50
horas
TºC
T ar (termopar) Tg1 (convencional - 9 cm)
Tg2 (adaptado - 9 cm) T sup.(teto)
(b)
Ilustração 39 – Gráficos representativos dos experimentos realizados no LMPT.
As comparações entre os votos preditos e as sensações e preferências térmicas declaradas
foram efetuadas nas 3 residências monitoradas (R1, R2 e R3) e também na edificação comercial C1,
caracterizada pelo uso do condicionamento artificial durante todo o período de funcionamento. No caso
das edificações R2 e R3, não foi possível obter votos de conforto junto aos usuários, devido aos
padrões de uso das mesmas. Desse modo, em ambos os casos os votos de conforto obtidos foram da
pesquisadora, obtendo-se um único voto para cada aquisição.
Os relatos dos usuários durante as entrevistas serviram para ilustrar as expectativas e
comportamento usual dos mesmos diante de situações de desconforto térmico, contribuindo para uma
melhor compreensão dos resultados das comparações entre os votos preditos e as sensações e
preferências térmicas relatadas in loco.
Buscando-se identificar limites de temperatura considerados “confortáveis” pelos usuários,
foram efetuadas correlações entre os votos dos mesmos e as temperaturas internas verificadas durante
o monitoramento. Estes valores foram comparados com o resultado da estimativa da temperatura
neutra de conforto, obtida a partir do modelo matemático proposto por Humpreys (NICOL, 2000).
A seguir, são apresentados os resultados da avaliação de conforto térmico nas edificações
monitoradas.
4.3.1. Ambientes naturalmente ventilados: Residências
Na residência R1 foram realizadas 29 aquisições de votos, nas quais foram registrados os
votos individuais dos usuários e também da pesquisadora. A quantidade de votos individuais coletados
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para cada aquisição variou entre 1 (apenas um usuário presente) e 3 (todos presentes). No total, foram
coletados 34 votos individuais dos usuários, registrando-se também 9 votos da pesquisadora
3
.
Compararam-se as respostas dos usuários da edificação R1 quanto às suas sensações e
preferências térmicas com a afirmação de que os mesmos se encontravam confortáveis ou não.
Observou-se que tanto as sensações de “neutralidade” quanto a preferência por manter as condições
térmicas do ambiente (resposta “assim mesmo”) coincidiram com a afirmação de que as pessoas se
encontravam “confortáveis” (Ilustrações 40 e 41). Quanto às condições de leve desconforto e
desconforto, observaram-se diferenças entre as sensações e preferências térmicas correspondentes,
de modo que as pessoas preferiam estar “bem mais refrescadas” em algumas situações, embora
declarassem que estavam sentindo leve calor ou calor.
Sensações x conforto
Edificação R1
-1
0
1
2
3
confortável levemente
desconfortável
desconfortável muito
desconfortável
Sensações declaradas
Neutro
C/ calor
Levement
e
c/ calor
C/ muito
calor
Ilustração 40 - Comparação entre as condições de conforto declaradas pelos usuários da
edificação R1 e suas sensações térmicas.
Preferências x conforto
Edificação R1
-1
0
1
2
3
confortável levemente
desconfortável
desconfortável muito
desconfortável
Preferências declaradas
Assim
mesmo
Pouco +
refrescado
+ refrescado
Bem
+ refrescado
Ilustração 41 -Comparação entre as condições de conforto declaradas pelos usuários da
Edificação R1 e suas preferências térmicas.
Considerando-se os votos médios obtidos na residência R1, a correlação entre as sensações
relatadas e os votos preditos foi baixa, de modo que os valores de R
2
foram inferiores a 0,6, nas 4
3
Desempenhando atividades sedentárias (conversando e/ou escrevendo) e utilizando roupas leves (I
clo
médio = 0,44 clo).
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predições efetuadas: PMV; PMVnew; PMVe=0,5 e PMVe= 0,7 (Ilustração 42). Na Tabela 8, estão
indicados os coeficientes de dispersão (RMSE) e o desvio médio (MBE) observados nas correlações.
Sensações relatadas x PMV
Sensações relatadas x PMVnew
Sensações relatadas x PMVe= 0,7
Sensações relatadas x PMVe=0,5
Ilustração 42 -Correlação entre predições e sensações médias declaradas na Edificação R1.
Tabela 8 – Edificação R1 - Dispersão (RMSE) e Desvios médios (MBE):
Comparação entre os valores preditos e as sensações médias declaradas.
Velocidade do ar = valor medido
(Se var 0,25 m/s)
Velocidade do ar = 0,25 m/s
(Se var < 0,25 m/s)
PREDIÇÃO RMSE MBE RMSE MBE
PMV 0,7852 0,41 0,8001 0,20
PMVnew 1,2122 - 0,96 0,7271 -0,38
PMVe=0,7 0,6564 - 0,12 0,7139 -0,26
PMVe=0,5 0,8069 - 0,45 0,8063 -0,56
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Substituindo-se as sensações pelas preferências relatadas nas comparações com os votos
preditos, a correlação entre os dados é melhorada, de modo que os coeficientes de determinação (R
2
)
obtidos para o PMV e o PMVe ultrapassam 0,65 (Ilustração 43).
Preferências relatadas x PMV
Preferências relatadas x PMVnew
Preferências relatadas x PMVe= 0,7
Preferências relatadas x PMVe=0,5
Ilustração 43 –Correlação entre predições e preferências médias declaradas na Edificação R1.
A amostra de 29 votos médios apresentou uma dispersão bastante acentuada dos resultados
das predições em relação às sensações e preferências dos indivíduos, de modo que os valores do
RMSE ultrapassaram 0,6. As Tabelas 8 e 9 mostram os valores de RMSE e MBE obtidos nas 4
comparações realizadas. No caso do PMV, os valores do RMSE obtidos foram iguais a 0,7852 e
0,7926, respectivamente, para as comparações com as sensações e preferências térmicas relatadas.
Considerando-se o ajuste proposto por Fanger e Toftum (2002) (fator de expectativa e = 0,7), esses
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valores de dispersão foram reduzidos para 0,6564 e 0,6918, respectivamente. No entanto, esses
valores ainda são superiores ao RMSE verificado por Humphreys e Nicol (2002) para o PMV, o qual foi
correspondente a 0,6528.
Tabela 9: Edificação R1 - Dispersão (RMSE) e Desvios médios (MBE):
Comparação entre os valores preditos e as preferências médias declaradas.
Velocidade do ar = valor medido
(Se var 0,25 m/s)
Velocidade do ar = 0,25 m/s
(Se var < 0,25 m/s)
PREDIÇÃO RMSE MBE RMSE MBE
PMV 0,7926 0,46 0,7873 0,25
PMVnew 1,2358 -0,91 0,8001 -0,33
PMVe=0,7 0,6918 -0,07 0,7454 -0,21
PMVe=0,5 0,8702 -0,40 0,9192 -0,51
Quanto aos desvios médios dos valores preditos em relação às sensações e preferências
declaradas (MBE), o menor desvio foi verificado para o PMVe=0,7: - 0,12 e – 0,07, respectivamente,
em relação às sensações e preferências (Tabelas 8 e 9), aproximando-se mais dos valores reais em
relação às outras 3 alternativas de predição avaliadas.
Embora os valores do PMV tenham alcançado um maior coeficiente de determinação na
comparação com os votos dos usuários e o PMVe tenha alcançado os menores desvios, os valores do
RMSE, MBE e R
2
foram semelhantes entre ambos. Pode-se concluir, portanto, que a aplicação dos
fatores de correção ao PMV não contribuíram significativamente para tornar as predições mais
condizentes com as sensações e preferências térmicas declaradas.
Quanto à incerteza dos valores de velocidade do ar abaixo de 0,25 m/s, as ilustrações e
tabelas apresentadas indicam que não houveram alterações significativas nos resultados das
predições. A dispersão, os valores dos desvios médios e dos coeficientes de determinação foram
diferenciados, porém tais alterações não interferiram na definição de qual o tipo de predição mais
adequado.
Além dos votos médios, também foram comparados os votos individuais apenas dos usuários
(excluindo-se os votos da pesquisadora) com as estimativas dos modelos preditivos. Considerando-se
apenas os usuários, a correlação melhora significativamente quando se comparam os votos preditos e
as suas preferências térmicas, indicando que os modelos apresentam-se mais eficazes em prever as
preferências ao invés das sensações térmicas. Verificaram-se valores de R
2
iguais a 0,7108 no caso
do PMVe=0,5 (Ilustração 44). Quanto à dispersão, o PMVe=0,7 obteve o menor RMSE e também o
menor desvio médio: -0,10. (Tabela 10).
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Preferências relatadas x PMV
Preferências relatadas x PMVnew
Preferências relatadas x PMVe= 0,7
Preferências relatadas x PMVe=0,5
Ilustração 44 - Correlação entre predições e preferências individuais declaradas pelos usuários
da edificação R1.
Tabela 10: Edificação R1 - Dispersão (RMSE) e Desvios médios (MBE): Comparação entre os
valores preditos e as preferências declaradas pelos usuários.
Velocidade do ar = valor medido
(Se var 0,25 m/s)
Velocidade do ar = 0,25 m/s
(Se var < 0,25 m/s)
PREDIÇÃO RMSE MBE RMSE MBE
PMV 0,7689 0,36 0,7579 0,12
PMVnew 0,8207 -0,20 0,8416 -0,33
PMVe=0,7 0,7574 -0,10 0,8120 -0,28
PMVe=0,5 0,9441 -0,41 1,0811 -0,60
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Realizando-se a comparação entre as sensações térmicas relatadas pelos usuários com os
votos preditos, os coeficientes de determinação assumem valores muito baixos, inferiores a 0,5
(Ilustração 45). Tais resultados indicam que os modelos preditivos são mais eficazes para a predição
das preferências dos usuários do que para suas sensações térmicas. Observou-se também que a
aplicação do fator de expectativa e ao PMV resultou em uma discreta melhoria da correlação entre os
valores preditos e os votos relatados pelos usuários. Quanto à dispersão dos valores preditos, a
comparação com as sensações térmicas relatadas também resultou em maiores divergências, assim
como maiores desvios médios, conforme indicado na Tabela 11.
Sensações relatadas x PMV
Sensações x PMVnew
Sensações relatadas x PMVe= 0,7
Sensações relatadas x PMVe=0,5
Ilustração 45 - Correlação entre predições e sensações individuais declaradas pelos usuários da
edificação R1.
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96
Tabela 11: Edificação R1 - Dispersão (RMSE) e Desvios médios (MBE):
Comparação entre os valores preditos e sensações declaradas pelos usuários da Edificação R1.
Velocidade do ar = valor medido
(Se var 0,25 m/s)
Velocidade do ar = 0,25 m/s
(Se var < 0,25 m/s)
PREDIÇÃO RMSE MBE RMSE MBE
PMV 0,8260 0,33 0,8746 0,09
PMVnew 0,7258 -0,23 0,8305 -0,36
PMVe=0,7 0,7226 -0,23 0,8143 -0,40
PMVe=0,5 0,8949 -0,54 1,0752 -0,72
Quanto aos votos individuais da pesquisadora, registrados nas edificações R2 e R3, os
resultados foram divergentes em relação aos usuários da Edificação R1. As predições apresentaram
uma melhor correlação com as sensações térmicas do que as preferências, cujos coeficientes de
determinação foram inferiores a 0,4. No caso das sensações térmicas, o PMV foi o índice que
apresentou o melhor coeficiente de deternminação: R
2
= 0,5003. No caso da Edificação R2, a
dispersão dos valores preditos foi bastante elevada em relação às sensações e preferências relatadas,
chegando a ultrapassar o valor 1 no caso do PMV, assim como os desvios médios. Já os coeficientes
de determinação foram muito baixos, inferiores a 0,3, tanto na comparação com as sensações quanto
com as preferências relatadas. Quanto à edificação R3, as comparações com as sensações e
preferências resultaram em divergências mais acentuadas, sendo que as sensações apresentaram-se
melhor correlacionadas com os modelos preditivos, destacando-se o PMV, cuja dispersão e desvios
médios foram menores em relação às 3 outras predições realizadas: RMSE = 0,4462 e MBE = -0,29.
Os resultados das comparações realizadas indicam que o PMV superestimou tanto as
sensações quanto as preferências térmicas dos usuários, conforme já comprovado por diversos outros
estudos realizados em regiões de clima quente, a exemplo de Nicol et al (1994) e Humphreys e Nicol
(2002). Embora as comparações entre o PMV e as preferências dos usuários tenham apresentado uma
melhor correlação do que a comparação com as sensações relatadas, os desvios médios são próximos
a 0,4, sendo que a diferença entre os valores preditos e os votos relatados tende a aumentar a medida
em que o PMV se aproxima de 3 (sensação de muito calor/ preferência “bem mais refrescado”)
(Ilustração 46).
Observou-se que os fatores de ajuste diminuem os desvios do PMV em relação aos votos
relatados pelos usuários. Porém, os aspectos relacionados ao “ajuste” adequado para um índice
preditivo como o PMV são passíveis de discussão. O menor desvio foi obtido pelo PMVe=0,7,
considerando-se tanto os votos médios (usuários e pesquisadora) quanto os votos individuais dos
usuários. O PMVe também apresentou menor dispersão e melhores coeficientes de determinação na
comparação com as sensações e preferências relatadas: R
2
> 0,6.
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O PMVe considera que o PMV pode ser ajustado com base na redução da taxa metabólica e
no fator de expectativa e. Estes fatores estão diretamente relacionados aos mecanismos de adaptação,
uma vez que a redução da taxa metabólica corresponde a redução da atividade desempenhada pelos
indivíduos, enquanto o fator e representa a sua expectativa, que os levam a “aceitar” as condições
térmicas quando estas não são neutras. Ambos os aspectos refletem o comportamento dos usuários e
indicam evidências da aclimatação e da adaptação dos indivíduos às condições térmicas
desfavoráveis.
PMV X Preferências médias
Edificação R1
-3,0
-2,5
-2,0
-1,5
-1,0
-0,5
0,0
0,5
1,0
1,5
2,0
2,5
3,0
-3,0 -2,5 -2,0 -1,5 -1,0 -0,5 0,0 0,5 1,0 1,5 2,0 2,5 3,
0
PMV
Diferença:
PMV - Preferências médias
PMV (Var_MEDIDA) PMV (Var_0.25 m/s)
Ilustração 46 - Comparação entre o PMV e as diferenças em relação às preferências médias
relatadas pelos usuários da edificação R1.
As evidências da aclimatação podem ser exemplificadas pelos próprios relatos dos usuários
das residências. Dentre as atitudes mencionadas como usuais pelos entrevistados diante de situações
de desconforto por calor, destaca-se a busca por ambientes térmicos mais agradáveis, especialmente
locais mais ventilados. No entanto, quando as condições de ventilação não são favoráveis no interior
da edificação, a permanência no ambiente externo é prolongada, principalmente no período da tarde,
conforme mencionado pelos usuários da Edificação R1.
A ventilação foi relacionada ao conforto pelos usuários das 3 residências, sendo que a única
residência considerada confortável foi a Edificão R2, a qual é caracterizada pela possibilidade de
ventilação cruzada em praticamente todos os ambientes. Os usuários afirmaram também que preferem
a ventilação natural ao condicionamento artificial. Na Edificação R2, há um aparelho que raramente é
usado. Já no caso da Edificação R3, cujo quarto do casal é dotado de condicionador de ar, um dos
usuários prefere permanecer no “alpendre” ventilado (varanda posterior) ao invés do quarto, para a
“sesta” no período da tarde. Banhos repetidos e a ingestão de líquidos também foram mencionadas
pelos usuários como atitudes recorrentes diante do desconforto por calor.
No tocante à expectativa, os usuários “esperam” por temperaturas elevadas no decorrer do dia,
“prevendo” as situações desfavoráveis e até realizando “estimativas”. Os usuários das edificações
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monitoradas afirmaram que as temperaturas externas no verão provavelmente chegariam a 40ºC, o
que realmente ocorreu durante o período de monitoramento (Text máxima = 40,3ºC). Com base na
vivência local e na experiência acumulada, os usuários parecem estar “resignados”, encarando o calor
como algo “natural” ou “normal”. Por outro lado, surgem queixas contra o calor quando a liberdade de
se tomar atitudes para amenizar as situações de desconforto térmico é tolhida. Por exemplo, diante da
impossibilidade de abrir as janelas, devido à exposição à insolação excessiva ou à existência de
barreiras arquitetônicas que impeçam a ventilação. Diante desse contexto, compreende-se a maior
tolerância às temperaturas elevadas, porém as atitudes tomadas pelos usuários afetam suas
sensações de conforto e podem ser responsáveis pelas divergências entre o PMV e as sensações
térmicas relatadas (superestimativas).
Os usuários entrevistados identificaram o período entre as 10h e 16h como o mais
desconfortável. No período noturno, quando a temperatura externa cai abaixo da temperatura interna,
dormir no interior de ambientes sem ventilação torna-se muito difícil, como pode ser exemplificado
pelos quartos da Edificação R1. Neste caso, os usuários adotam a opção de dormir no chão, próximo
às aberturas voltadas para a rua. Já no caso da Edificação R2, a varanda já chegou a ser usada como
local para dormir, assim como o “alpendre” da Edificação R3.
Pode-se verificar que a influência das condições de temperatura externa e interna sobre as
condições de conforto está explícita nos relatos dos usuários. Tais fatores, juntamente com a
vestimenta, a Umidade Relativa (UR%) e também a taxa metabólica são os elementos que definem o
fator de ajuste D proposto por Humphreys e Nicol (2002), que resulta no PMVnew. Realizando-se as
predições através desse índice, verificou-se que os resultados deixam de ser superestimados em
relação às sensações e preferências térmicas dos usuários. Porém, a correlação entre esses valores é
prejudicada, pois o PMV é reduzido a tal ponto que as predições passam a subestimar as sensações e
as preferências declaradas. No caso do PMVnew, foram verificadas as maiores reduções dos valores
preditos em relação ao PMV: desvios médios negativos, inferiores a - 0,9, no caso da Edificação R1
(vide Tabelas 8 e 9). A influência da temperatura, vestimenta, taxa metabólica e umidade relativa é
comprovada, porém a formulação que considera todas essas variáveis para a determinação do fator de
ajuste D necessita de alterações para melhor se adequar à realidade local. Conforme os próprios
autores afirmaram: a combinação das variáveis poderia não ser a melhor possível para aplicação em
outras bases de dados, não devendo ser tratada como um novo “índice”, já que é derivada de uma
revisão estatística (HUMPHREYS; NICOL, 2002).
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4.3.2. Ambiente comercial com condicionamento artificial
Na Edificação C1 foram realizadas 51 aquisições de votos. Dentre os votos individuais
registrados, obtiveram-se 37 por parte dos funcionários e 57 por parte dos clientes do Banco, tendo
sido registrados também 11 votos por parte da pesquisadora. A quantidade de votos individuais
coletados para cada aquisição variou entre 1 e 6 votos, de acordo com a ocupação da agência e a
disponibilidade dos funcionários em responder às questões da pesquisa.
Compararam-se as respostas dos clientes e funcionários da Edificação C1 quanto às suas
sensações e preferências térmicas com a afirmação de que os mesmos se encontravam confortáveis
ou não. No caso dos clientes, observou-se que sensações de neutralidade corresponderam à condição
de leve desconforto. Alguns indivíduos declararam que preferiam sentir-se um pouco mais refrescados
e ao mesmo tempo afirmaram que encontravam-se confortáveis (Ilustrações 47 e 48). Porém, na
maioria dos casos, a sensação de “neutralidade” e a preferência por manter as condições térmicas do
ambiente coincidiram com a afirmação de que as pessoas se encontravam “confortáveis”. No caso das
respostas dos funcionários, observou-se uma melhor correspondência entre a sensação de
“neutralidade”, a preferência por manter as condições térmicas do ambiente e a afirmação de que as
pessoas se encontravam “confortáveis”, em relação às respostas dos clientes (Ilustrações 49 e 50).
Ilustração 47 - Comparação entre as condições de conforto declaradas pelos clientes da
edificação C1 e suas sensações térmicas.
Ilustração 48 - Comparação entre as condições de conforto declaradas pelos clientes da
edificação C1 e suas preferências térmicas.
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Ilustração 49 - Comparação entre as condições de conforto declaradas pelos funcionários da
edificação C1 e suas sensações térmicas.
Ilustração 50 - Comparação entre as condições de conforto declaradas pelos funcionários da
edificação C1 e suas preferências térmicas.
Comparando-se os resultados das predições com os votos médios declarados, pode-se afirmar
que praticamente não há correlação entre os dados. Os coeficientes de determinação foram próximos a
0 no caso da comparação dos resultados das predições com as sensações relatadas, tanto para o PMV
como para o PMVnew e o PMVe (Ilustração 51). Quanto à comparação das predições com as
preferências, os valores dos coeficientes de determinação foram inferiores a 0,2 (Ilustração 52).
Quanto à dispersão dos valores preditos em relação às sensações e preferências relatadas,
observaram-se valores semelhantes entre as 4 predições realizadas. No caso da comparação com as
sensações, o RMSE foi superior a 0,5 em todas as predições, sendo que a menor dispersão foi
verificada no caso do PMVe=0,5: 0,5337 (Tabela 12). Na comparação com as preferências (Tabela 13),
os valores de RMSE foram iguais a 0,69; 0,61 e 0,62 para o PMV, PMVe e PMVnew, respectivamente.
Quanto aos desvios médios, foram menores (em módulo) quando se comparam as predições com as
sensações: em torno de -0,2. No caso da comparação com as preferências, esses valores foram
próximos a -0,4.
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Sensações relatadas x PMV
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Sensações x PMVnew
Sensações relatadas x PMVe= 0,7
Sensações relatadas x PMVe=0,5
Ilustração 51 -Correlação entre predições e sensações médias declaradas pelos usuários da
edificação C1 (funcionários, clientes e pesquisadora).
Tabela 12: Edificação C1 - Dispersão (RMSE) e Desvios médios (MBE):
Comparação entre os valores preditos e as sensações declaradas pelos usuários
(funcionários, clientes e pesquisadora).
Velocidade do ar = valor medido Velocidade do ar = 0,25 m/s
PREDIÇÃO RMSE MBE RMSE MBE
PMV 0,5947 -0,25 0,9923 -0,79
PMVnew 0,5496 -0,29 0,8510 -0,69
PMVe=0,7 0,5517 -0,26 0,8142 -0,63
PMVe=0,5 0,5337 -0,26 0,7082 -0,52
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Preferências relatadas x PMV
Preferências relatadas x PMVnew
Preferências relatadas x PMVe= 0,7
Preferências relatadas x PMVe=0,5
Ilustração 52 -Correlação entre predições e preferências médias declaradas pelos usuários da
edificação C1 (funcionários, clientes e pesquisadora).
Tabela 13: Edificação C1 - Dispersão (RMSE) e Desvios médios (MBE):
Comparação entre os valores preditos e as preferências declaradas pelos usuários
(funcionários, clientes e pesquisadora).
Velocidade do ar = valor medido Velocidade do ar = 0,25 m/s
PREDIÇÃO RMSE MBE RMSE MBE
PMV 0,6900 -0,43 1,1338 -0,97
PMVnew 0,6254 -0,45 0,9644 -0,86
PMVe=0,7 0,6132 -0,43 0,9132 -0,79
PMVe=0,5 0,6080 -0,42 0,8108 -0,86
Considerando-se os clientes e os funcionários individualmente, os coeficientes de
determinação foram semelhantes àqueles obtidos para os votos médios: próximos a 0 (comparação
com as sensações) e próximos a 0,2 (comparação com as preferências). No caso dos clientes, tanto a
comparação com as sensações quanto com as preferências resultou em valores de R
2
próximos a 0.
Observando-se a dispersão dos valores preditos em relação às sensações e preferências
declaradas, os valores do RMSE foram maiores quando a comparação com os votos preditos é
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realizada com as preferências, no caso dos votos médios e dos votos individuais dos clientes (maior
parte da mostra) (Tabelas 14 e 15 ). Isso indica que os modelos preditivos apresentam resultados mais
próximos das sensações relatadas ao invés das preferências, ao contrário do que ocorreu na edificação
R1. Já no caso dos funcionários, as preferências térmicas apresentaram uma melhor correlação com
os valores preditos (Tabelas 16 e 17).
Tabela 14: Edificação C1 - Dispersão (RMSE) e Desvios médios (MBE):
Comparação entre os valores preditos e as sensações declaradas pelos clientes.
Velocidade do ar = valor medido Velocidade do ar = 0,25 m/s
PREDIÇÃO RMSE MBE RMSE MBE
PMV 0,5965 -0,18 1,1153 -0,42
PMVnew 0,4107 -0,27 0,8034 -0,71
PMVe=0,7 0,4611 -0,29 0,8156 -0,69
PMVe=0,5 0,3839 -0,23 0,6246 -0,51
Tabela 15: Edificação C1 - Dispersão (RMSE) e Desvios médios (MBE):
Comparação entre os valores preditos e as preferências declaradas pelos clientes.
Velocidade do ar = valor medido Velocidade do ar = 0,25 m/s
PREDIÇÃO RMSE MBE RMSE MBE
PMV 0,7597 -0,50 1,2693 -1,08
PMVnew 0,5952 -0,39 0,9702 -0,83
PMVe=0,7 0,6356 -0,41 0,9794 -0,81
PMVe=0,5 0,5650 -0,35 0,7969 -0,64
Tabela 16.: Edificação R1 - Dispersão (RMSE) e Desvios médios (MBE):
Comparação entre os valores preditos e as sensações declaradas pelos funcionários.
Velocidade do ar = valor medido Velocidade do ar = 0,25 m/s
PREDIÇÃO RMSE MBE RMSE MBE
PMV 0,7357 -0,22 1,0213 -0,71
PMVnew 0,7515 -0,37 0,9957 -0,63
PMVe=0,7 0,7341 -0,30 0,9324 -0,63
PMVe=0,5 0,7390 -0,34 0,8792 -0,57
Tabela 17: Edificação R1 - Dispersão (RMSE) e Desvios médios (MBE):
Comparação entre os valores preditos e as preferências declaradas pelos funcionários.
Velocidade do ar = valor medido Velocidade do ar = 0,25 m/s
PREDIÇÃO RMSE MBE RMSE MBE
PMV 0,6386 -0,43 1,0473 -0,93
PMVnew 0,7611 -0,58 1,0717 -0,96
PMVe=0,7 0,7049 -0,55 0,9729 -0,85
PMVe=0,5 0,7396 -0,56 0,9268 -0,79
Considerando-se cada grupo individualmente (funcionários e clientes), os valores mais
elevados da dispersão foram próximos a 0,7 (Tabelas 14 a 17). No caso dos funcionários, as predições
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efetuadas através do modelo original do PMV foram aquelas que apresentaram os menores desvios em
relação aos votos relatados, sendo que as melhores correlações foram verificadas na comparação com
as preferências térmicas. As predições realizadas através do PMV indicaram que 30 dos 37 votos
seriam maiores do que 0, tendendo, portanto, ao desconforto por calor (total de votos relacionado às
preferências por “um pouco mais refrescado” ou “mais refrescado” que foram relatadas pelos
funcionários). Efetuando-se as estimativas através do PMVe=0,7, a quantidade de valores do PMV
acima de 0 é menor. Nesse caso, observou-se uma discreta redução na dispersão dos valores preditos
em relação às sensações declaradas pelos funcionários, já que o total de votos “neutros” (sensação
térmica = 0: 24 votos) foi superior às predições (PMVe = 0: 0 votos)
Quanto aos clientes, as divergências entre os valores preditos através do modelo original do
PMV e as sensações e preferências térmicas declaradas estão relacionadas à sensação de frio.
Enquanto 50 dos 57 votos preditos foram inferiores a 0 (considerando-se var = valor medido), nenhum
dos votos relatados pelos clientes indicou sensação de frio ou preferência por estar “um pouco mais
aquecido”. Quanto às sensações relatadas, 53 dos 57 votos foram “neutros”, enquanto 46 das 57
preferências relatadas indicaram a preferência por manter as condições térmicas do ambiente.
Quanto à aplicação dos fatores de ajuste ao PMV, o PMVe=0,5 apresentou os menores
desvios em relação às sensações e preferências dos clientes, bem como uma dispersão reduzida em
relação às predições efetuadas através do PMV e do PMVe=0,7 (Tabelas 14 e 15). Convém salientar
que a aplicação do fator de expectativa e= 0,5 para o ajuste do PMV contribuiria para uma maior
redução dos valores preditos. Como as sensações e preferências declaradas pelos clientes da
edificação C1 foram predominantemente “neutras”, enquanto a maioria dos valores do PMV calculado
indicou o desconforto por frio (50 dos 57 votos), uma redução ainda maior dos valores preditos
resultaria em desvios também maiores do PMVe=0,5 em relação aos votos declarados. Porém, convém
salientar que o ajuste do PMVe só é efetuado para os votos acima de 0 (tendendo para o desconforto
por calor), de modo que os votos inferiores a esse valor não são ajustados por esse modelo. O
PMVe=0,5 apresentou os menores desvios em relação aos demais modelos preditivos destinados ao
ajuste do PMV pelo fato de reduzir os votos acima da neutralidade. Porém, como não houve ajuste
para os votos inferiores a 0, os desvios e as dispersão foram superiores aqueles verificados para
valores preditos através do modelo original do PMV.
Observando-se os desvios médios dos valores preditos em relação aos votos relatados,
verifica-se que são negativos em todos os casos, tanto para os votos médios quanto para os votos
individuais dos funcionários e clientes (Tabelas 12 a 17). Esses desvios, variando entre -0,2 a -0,6,
indicam que os modelos preditivos subestimam as sensações térmicas dos usuários. Ao longo do
período de monitoramento, verificou-se que a temperatura interna do ambiente variou entre 24,8ºC e
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27,5ºC. Porém, dadas as vestimentas dos clientes (clo médio = 0,44) e as atividades desenvolvidas
(taxa metabólica = 1 met no caso dos clientes – repouso e 1,2 met no caso dos funcionários – atividade
de escritório), justificar-se-iam as predições abaixo de 0, conforme verificado no cálculo do PMV. No
entanto, isso não se confirmou nas comparações com as sensações e preferências térmicas relatadas
pelos clientes, conforme demonstrado pelos resultados aqui descritos . Tal contexto ressalta a
necessidade de uma discussão mais aprofundada a respeito de três questões principais, conforme
apresentado a seguir.
Conforto, frio e calor em regiões de clima quente
Um dos fundamentos da abordagem adaptativa empregada por diversos autores em avaliações
de conforto térmico, a qual é reconhecida até pelos principais “defensores” da abordagem analítica
(modelo do PMV), é a afirmação de que os indivíduos que vivem em localidades de clima quente
toleram melhor o calor, pelo fato de estarem “condicionados” a situações térmicas desfavoráveis.
Porém, pouco tem sido discutido a respeito aos limites das sensações e preferências térmicas em
situações nas quais o conforto passa a tender para o desconforto por frio. Fanger e Toftum (2002)
chegam a mencionar que pessoas aclimatadas podem suportar melhor situações de calor do que os
usuários de ambientes condicionados, porém isso não quer dizer que essas pessoas também não
prefiram situações mais amenas e sintam-se satisfeitas com isso.
Os resultados da avaliação de conforto desenvolvida na Edificação C1 demonstram que os
seus usuários, principalmente os clientes, possuem uma clara expectativa com relação aos ambientes
condicionados, de modo que as condições térmicas do ambiente em questão são praticamente
indissociáveis do conforto. Tal fato pode ser demonstrado quando se observam as diferenças entre os
valores preditos em relação às sensações e preferências térmicas relatadas pelos usuários da
edificação (Ilustrações 53 e 54), cujos desvios são predominantemente negativos (Tabelas 14 a 17).
Os próprios relatos dos clientes reforçam a hipótese de que dificilmente o ambiente em questão
seria considerado desconfortável. Nas abordagens realizadas durante a pesquisa de campo, os
clientes sempre relacionavam as condições de temperatura no interior da Edificação C1 com a
temperatura externa, mencionando que tais condições estavam “perfeitas”, uma vez que “lá fora estava
muito pior”. Em algumas situações, os clientes chegaram a mencionar que sentiam-se satisfeitos em
permanecer no local mesmo após o atendimento, apenas para poder usufruir por mais algum tempo
das condições amenas da temperatura interna.
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(a)
(b)
Ilustração 53 - Correlação entre predições e sensações declaradas (a) e entre predições e
preferências declaradas pelos clientes da Edificação C1.
(a)
(b)
Ilustração 54 - Correlação entre predições e sensações declaradas (a) e entre predições e
preferências declaradas (b) pelos funcionários da Edificação C1.
Já no caso dos funcionários, todos confirmaram a afirmação de que o ambiente “é confortável
em relação ao exterior”. Porém, como as atividades desenvolvidas por eles envolvem maior esforço e
também devido às situações de stress durante o atendimento ao público, manifestaram desconforto por
calor com maior freqüência do que os clientes, principalmente nos horários em que a ocupação da
agência era maior. Segundo os funcionários, nessas ocasiões o funcionamento do condicionamento
artificial apresenta-se ineficiente, de modo que “quanto mais pessoas na agência, mais quente a
sensação térmica”. Ou seja, a quantidade de calor gerada internamente é muito elevada e o sistema
não é eficiente para manter a temperatura ambiente confortável para os usuários nessas situações.
Através do relato dos funcionários, também foi possível observar diferenças de comportamento
em relação aos clientes. Mencionou-se que as situações de calor vivenciadas fora do ambiente de
trabalho tornam-se mais difíceis de serem suportadas, pelo fato de que “o corpo já está habituado ao ar
condicionado”. Já com relação à sensação de frio, os funcionários afirmaram que as mudanças nas
vestimentas durante o inverno tornam-se mais freqüentes, uma vez que não há controle individual do
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sistema e a distribuição do fluxo dos condicionadores de ar não é homogênea no ambiente. A
funcionária que ocupa o posto de trabalho mais atingido pelo fluxo de ar advindo do equipamento
apresentou queixas com relação ao frio, enquanto os outros dois funcionários raramente apresentaram
tais queixas. Isso demonstra que a distribuição do ar resfriado pode prejudicar as condições de conforto
do ambiente e deve ser considerada na definição dos postos de trabalho dos funcionários, a fim de
atender satisfatoriamente às preferências térmicas dos mesmos.
Tempo de permanência em locais condicionados e sensação de conforto
Caso tivesse sido observado que os valores preditos superestimassem os votos e sensações
térmicas relatadas pelos usuários da Edificação C1, poder-se-ia afirmar que o tempo de permanência
no ambiente não teria sido suficiente para que os indivíduos entrassem em “equilíbrio” com as
condições térmicas internas.
Porém, os desvios observados foram negativos, ou seja, os valores preditos subestimaram os
votos e sensações térmicas relatadas pelos usuários da Edificação C1, tanto dos clientes, que
permaneciam no interior da edificação por curtos períodos de tempo, quanto dos funcionários, que
permaneciam na agência durante todo o horário de expediente. No caso dos funcionários, tais desvios
podem ser justificados pelo fato de que os mesmos já se encontram habituados ao condicionamento
artificial, conforme eles mesmos afirmaram. No caso dos clientes, percebe-se que a satisfação deles
com relação às condições internas da edificação C1 é de tal forma “consolidada” (sensação de “bem
estar” e “alívio” em relação às condições térmicas externas) que seria necessário uma permanência
muito maior no ambiente para que os usuários começassem a manifestar desconforto por frio.
Fatores de ajuste aplicados ao PMV
O principal argumento a respeito da necessidade de se “ajustar” o PMV são os limites de
desconforto por calor. Os fatores de ajuste tendem a reduzir o valor do PMV para aproximá-los da
realidade constatada em localidades de clima quente, devido às evidências da aclimatação.
No caso do PMVe, observa-se que o ajuste somente é realizado quando o valor do PMV
calculado é superior a 0. Já no caso do PMVnew, os valores do PMV sempre são reduzidos, pois não
há restrições para a aplicação do fator de ajuste D. Além disso, o próprio modelo matemático sugerido
por Humphreys e Nicol (2002) leva à redução do valor do PMV, uma vez que novo valor da predição
corresponde a 80% da diferença entre o PMV calculado e o fator de ajuste D (PMVnew = 0,8 (PMV –
D
PMV
). No caso do ambiente condicionado em questão, onde o PMV calculado subestimou as
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sensações térmicas dos clientes, o PMVnew apresentou desvios médios ainda maiores (em módulo) do
que aqueles verificados nas predições realizadas por meio do PMV original proposto por Fanger.
Os desvios das predições em relação aos votos declarados pelos indivíduos demonstram que é
necessário ajustar o PMV. A influência de fatores tais como a temperatura, vestimenta e taxa
metabólica também é percebida no próprio relato dos entrevistados, refletindo o comportamento que os
mesmos assumem em situações de desconforto e as expectativas que eles mantêm em relação às
condições térmicas, bastante diferenciadas entre o interior do ambiente condicionado e exterior da
edificação. Porém, o modo como tais variáveis interagem para configurar as sensações e preferências
térmicas resultantes, tal qual aquele proposto pelo PMVnew, não foi eficaz para “ajustar” as predições
de forma adequada ao que os usuários da edificação em estudo declararam.
A “eficácia” do PMV em prever os votos médios dos usuários de edificações condicionadas é
citada na literatura e é justificada devido às condições mais estáveis da temperatura interna nesses
ambientes, ao contrário das edificações naturalmente ventiladas, cujas condições térmicas estão
intimamente relacionadas às amplas variações das temperaturas externas. No presente estudo, tal
“eficácia” não se confirmou, para as duas condições de velocidade do ar nas quais o PMV foi calculado
(var = valor medido, se var 0,25 m/s e var = 0,25 m/s, se o valor medido < 0,25 m/s). Praticamente
não houve correlação entre as predições e os votos declarados pelos usuários da Edificação C1,
enquanto que no caso da edificação R1, sem condicionamento artificial, a correlação entre esses dados
existiu e alcançou valores de R
2
superiores a 0,7, quando as predições foram comparadas com as
preferências térmicas dos usuários.
Diante de tais resultados, novamente a “expectativa” dos indivíduos parece ser a explicação
para os contrastes verificados entre as predições e as sensações e preferências térmicas dos usuários
da Edificação C1. Porém, a subjetividade envolvida no processo de aclimatação demonstra a
complexidade de se prever ou estimar as sensações térmicas dos indivíduos. Observou-se que os
indivíduos estabelecem referenciais para formular suas opiniões a respeito das condições térmicas que
vivenciam num dado momento, com base em experiências prévias em outros ambientes nos quais
residem, trabalham, ou simplesmente permanecem durante algum período, manifestando tais opiniões
sob forma comparativa. Isto pode ser exemplificado no presente trabalho pelas “duas vertentes”
identificadas no processo de aclimatação: a maior tolerância às situações de desconforto por calor nas
residências em contraponto à satisfação em permanecer no ambiente condicionado da Edificação C1.
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4.3.3. Considerações sobre a abordagem adaptativa: limites de temperatura
Partindo-se para a abordagem adaptativa na avaliação do conforto térmico dos
usuários das edificações monitoradas, foram efetuadas estimativas da temperatura neutra de conforto,
através do modelo matemático proposto por Humphreys, conforme descrito no Capítulo 2 (Equação
03). O valor da temperatura neutra foi posteriormente comparado com as temperaturas verificadas no
interior das edificações monitoradas, correspondentes às ocasiões nas quais foram coletados os votos
de conforto junto aos usuários. Desse modo, pôde-se verificar se a estimativa da temperatura neutra de
conforto seria condizente com as temperaturas consideradas “confortáveis” pelos usuários, ou seja,
condições de temperatura sob as quais os usuários se declarassem satisfeitos com o ambiente.
A estimativa da temperatura neutra de conforto foi realizada considerando-se a temperatura
média externa correspondente à média histórica do mês de fevereiro, com base em dados das Normais
Climatológicas disponíveis para cidades próximas a Santana do Ipanema e também localizadas na
Zona Bioclimática 7 (Ver Item 2.3, p.47). O valor correspondente à temperatura média externa desse
período foi igual a 27,1ºC. Utilizando-se este dado, a Tn resultante foi igual a 26,4ºC.
Uma segunda estimativa da temperatura neutra foi realizada, adotando-se como temperatura
média externa a temperatura média de cada dia do período de monitoramento. Foram calculados os
valores das Tn para cada dia, empregando-se a equação de Humphreys. Os resultados obtidos
indicaram uma variação da temperatura neutra entre 27,1ºC e 29,1ºC (Tn média = 28,1ºC), conforme
indicado na Ilustração 55. Os mesmos limites mínimo e máximo da Tn foram obtidos considerando-se a
hipótese de Roriz (2003), a qual assume que a Tn de conforto é variável ao longo do dia, sendo que a
amplitude dessa variação corresponde a 40% da amplitude de variação da temperatura externa.
Abordagem Adaptativa: Temperaturas Neutras de conforto
TME = TMdiária
27,1
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n(ºC)
29,1
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29-jan
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16-fev
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2-mar
Dias
Ilustração 55 -Variação das temperaturas neutras de conforto, calculadas com base na
temperatura média externa diária.
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110
Comparando-se as temperaturas neutras estimadas com os valores horários das temperaturas
externas em cada dia do período de monitoramento, pode-se observar que estes valores se mantêm
acima das Tn estimadas durante a maior parte do tempo, atingindo o valor máximo no dia 13/02:
40,1ºC, às 14h (Ilustração 56). Observou-se também que no intervalo compreendido entre as 8h e 18h
os valores médios da TBS externa são superiores a 30ºC, excedendo os valores estimados das
temperaturas neutras de conforto em quaisquer das 3 hipóteses adotadas para o cálculo da Tn
(Ilustração 57).
TEMPERATURAS EXTERNAS X TEMPERATURAS NEUTRAS
24
26
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30
32
34
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42
Período: 29/01/2005 - 03/03/2005
T(ºC)
TBS Tn
_
constante Tn
_
variável/dia Tn
_
variável/am
p
litude
Ilustração 56 -Valores das temperaturas externas e valores estimados da temperatura neutra de
conforto (Tn). Período compreendido entre 29/01 e 03/03/2005.
TEMPERATURAS M
É
DIAS HOR
Á
RIAS
Período: 29/01/05 - 03/03/05
24
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00:00
01:00
02:00
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05:00
06:00
07:00
08:00
09:00
10:00
11:00
12:00
13:00
14:00
15:00
16:00
17:00
18:00
19:00
20:00
21:00
22:00
23:00
horas
TBS (ºC)
Ilustração 57 -Variação da temperatura média externa horária, ao longo do período
compreendido entre 29/01 e 03/03/2005. A linha verde indica o limite de 30ºC.
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n
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B
B
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t
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111
Com relação às temperaturas internas, relacionadas aos valores médios da sensação de
neutralidade térmica (Ilustração 58 a) e da preferência por manter as condições térmicas no interior dos
ambientes monitorados nas residências (Ilustração 58 b), observa-se uma variação entre 25ºC e 32ºC.
A média correspondente a esses valores, 28,5ºC, aproxima-se da estimativa do valor médio da
temperatura neutra de conforto: 28,1ºC. Entretanto, a Ilustração 58 indica também que mesmo dentro
do intervalo compreendido entre 25ºC e 32ºC, foram relatadas sensações de desconforto ou muito
desconforto, assim como as preferências térmicas “mais refrescado” e “muito mais refrescado” (valores
+2 e +3 representados no eixo das abscissas).
Sensações x Temperaturas internas
20
21
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23
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-3 -2 -1 0 1 2 3
Sensações médias
TBS (ºC)
(a)
Preferências x Temperaturas internas
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36
37
38
39
40
-3 -2 -1 0 1 2
3
Preferências médias
TBS (ºC)
(b)
Ilustração 58 – Comparação entre as sensações e preferências térmicas dos usuários e as
temperaturas no interior dos ambientes monitorados.
Também foram comparados os percentuais de insatisfeitos com as condições térmicas e as
temperaturas registradas no interior dos ambientes monitorados. Os limites de temperatura
considerados confortáveis pelos usuários seriam aqueles nos quais fossem verificados os menores
percentuais de insatisfeitos. Para a determinação do percentual de insatisfeitos, foram consideradas
quatro hipóteses, conforme descrito no Capítulo 2 (p. 42):
Hipótese 1: considera como insatisfeitos todos aqueles que manifestaram sensação térmica
superior a 1 (2 = com calor e 3 = com muito calor) e 50% dos votos dos indivíduos que declararam
sensação de leve calor (sensação térmica = 1) (Ilustração 59 a);
Hipótese 2: considera como insatisfeitos todos aqueles que manifestaram sensação térmica
igual ou superior a 1 e mantiveram a mesma opinião quanto às preferências térmicas (1 = preferência
por sentir-se um pouco mais refrescado; 2 = preferência por sentir-se mais refrescado e 3 = preferência
por sentir-se muito mais refrescado) (Ilustração 59 b);
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n
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s
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a
a -------------------------
112
Hipótese 3: considera como insatisfeitos todos aqueles que manifestaram sensação térmica
superior a 1 e mantiveram a mesma opinião quanto às preferências térmicas (Ilustração 59 c);
Hipótese 4: considera como insatisfeitos todos aqueles que não se disseram confortáveis
(Ilustração 59 d).
Ilustração 59 -Percentual de insatisfeitos e temperaturas internas verificadas durante o
monitoramento.
De acordo com a Ilustração 59, observa-se que as hipóteses 1, 2 e 4 apresentaram resultados
semelhantes quanto aos limites de temperatura correspondentes aos maiores percentuais de
insatisfeitos. No intervalo compreendido entre 28ºC e 32ºC, a variação no percentual de insatisfeitos de
0% até 100% dificulta o estabelecimento de um limite inferior para a temperatura de conforto. No
entanto, verifica-se que acima dos 32ºC os percentuais de insatisfeitos são maiores e que não se
verificam mais votos correspondentes à satisfação com o ambiente térmico. Comparando-se este limite
com o valor médio estimado para a temperatura neutra de conforto, correspondente a 28,1ºC, observa-
se que não se pode afirmar com precisão quais os “limites de conforto” dos usuários de edificações
naturalmente ventiladas em Santana do Ipanema, mesmo atribuindo-se faixas de variação sobre a Tn
correspondentes a + 2,5ºC. Do mesmo modo, tais limites diferem daqueles propostos por Givoni (1992)
para a Zona de Conforto dos trópicos: 18ºC e 29ºC.
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a -------------------------
113
4.4. Potencial de aplicação de estratégias de condicionamento
ambiental
A utilização de Cartas Bioclimáticas representa uma forma rápida de se identificar quais as
estratégias de condicionamento ambiental adequadas para o projeto de edificações em um
determinado local. Para tal, é necessário que se disponha de dados de temperatura e umidade a serem
inseridos na Carta para identificação das estratégias a serem priorizadas.
No caso de Santana do Ipanema, a análise efetuada com o auxílio do programa Analysis Bio, a
partir dos dados do monitoramento ambiental externo (período compreendido entre 29/01 e 03/03/05)
indicou que a ventilação, o uso da massa térmica, o resfriamento evaporativo e o sombreamento das
aberturas seriam as estratégias mais indicadas para favorecer a redução das temperaturas internas
durante o verão (Ilustração 60). O sombreamento é recomendável em 100% das horas analisadas,
indicando que o controle do ganho de calor solar é essencial para as edificações no clima considerado.
Quanto às demais estratégias, poderiam ser empregadas em 20,9% do total de horas analisadas,
verificando-se ainda percentuais de horas inseridos em zonas de “sobreposição” de duas estratégias:
ventilação/massa: 2,01%; massa térmica para resfriamento: 2.81% e massa/resfriamento evaporativo:
7,75%. O emprego do resfriamento evaporativo seria recomendável isoladamente em 16,3% do total de
horas analisadas. Se por um lado o percentual de horas de conforto foi bastante reduzido, igual a 15%,
apenas em 7% das horas consideradas o conforto poderia ser favorecido unicamente através do
condicionamento artificial. Isso indica que as estratégias de condicionamento ambiental passivo
apresentam um grande potencial de utilização no projeto arquitetônico.
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TBS[°C]
T
B
U[
°C]
W[g/kg]
UFSC - ECV - LabEEE - NPC
ZONAS:
1
1. Conforto
2
2. Ventilacao
3
3. Resfriamento Evaporativo
4
4. Massa Térmica p/ Resfr.
5
5. Ar Condicionado
6
6. Umidificação
7
7. Massa Térmica/ Aquecimento Solar
8
8. Aquecimento Solar Passivo
9
9. Aquecimento Artificial
10
10.Ventilão/Massa
11
11.Vent./Massa/Resf. Evap.
12
12.Massa/Resf. Evap.
Ilustração 60 -Estratégias de condicionamento ambiental passivo indicadas para Santana do
Ipanema. Dados do monitoramento ambiental externo, período compreendido entre 29/01 e
03/03/2005.
Inserindo-se os dados do monitoramento ambiental realizado no interior das edificações, é
possível identificar o resultado da interferência do envoltório da edificação nas condições térmicas
vivenciadas nos ambientes internos, bem como o enquadramento das condições de temperatura e
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a -------------------------
114
umidade aos limites da zona de conforto proposta por Givoni. No caso da Edificação R1, a análise
efetuada através da Carta Bioclimática indicou que em apenas 17,5% das horas as condições do
ambiente interno poderiam ser consideradas adequadas (Ilustração 61), percentual bastante próximo
daquele identificado para as condições ambientais externas. Com base neste resultado, identifica-se
claramente a necessidade de modificações nessa edificação para amenizar o desconforto dos
usuários, uma vez que as condições internas são quase tão desfavoráveis quanto as condições
externas. Quanto às estratégias de condicionamento recomendadas, têm-se o sombreamento, indicado
em 100% das horas analisadas, enquanto 31,9% do total de horas se insere na zona de sobreposição
da ventilação, massa térmica e resfriamento evaporativo. Destacam-se também os percentuais
relativos à ventilação (20,8%) e ao uso da massa térmica associada ao resfriamento evaporativo
(15,6%).
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TBS
[
°C
]
T
BUC
]
W[g/kg]
UFSC - ECV - LabEEE - NPC
ZONAS:
1
1. Conforto
2
2. Ventilacao
3
3. Resfriamento Evaporativo
4
4. Massa Térmica p/ Resfr.
5
5. Ar Condicionado
6
6. Umidificação
7
7. Massa Térmica/ Aquecimento Solar
8
8. Aquecimento Solar Passivo
9
9. Aquecimento Artificial
10
10.Ventilão/Massa
11
11.Vent./Massa/Resf. Evap.
12
12.Massa/Resf. Evap.
Ilustração 61 -Estratégias de condicionamento ambiental passivo indicadas para Santana do
Ipanema. Dados do monitoramento ambiental no interior da Edificação R1, período
compreendido entre 29/01 e 03/03/2005.
No caso da Edificação R2, os dados do monitoramento referente a todo o período considerado
encontram-se fora da zona de conforto (Ilustração 62). No entanto, convém mencionar que durante
praticamente todo o período de monitoramento o ambiente em questão foi mantido com as janelas
fechadas, contribuindo para a elevação da temperatura, já que as mesmas representavam uma área
envidraçada correspondente a 32% da área do piso do ambiente. Quanto às estratégias identificadas
através da Carta, observaram-se os maiores percentuais de horas inseridos na zona de superposição
entre a ventilação, massa térmica para resfriamento e o resfriamento evaporativo: 70,1%, e o
sombreamento, indicado em 100% das horas analisadas.
Já os dados relativos ao ambiente monitorado na Edificação R3 (Ilustração 63), na qual é feito
o uso do condicionamento artificial, indicam um percentual elevado de horas de conforto: 75,7% do
total de horas considerado. Observando-se os dados que não estão incluídos na zona de conforto,
pode-se identificar também neste caso alternativas de estratégias de condicionamento ambiental
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a -------------------------
115
passivo, correspondentes aos períodos nos quais o condicionamento artificial não era utilizado na zona
de superposição da ventilação, massa térmica para resfriamento e resfriamento evaporativo, cujo
percentual de horas de utilização correspondente a 24,3%.
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TBS[
°
C]
TBU[°C]
W[g/kg]
UFSC - ECV - LabEEE - NPC
ZONAS:
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1. Conforto
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2. Ventilacao
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3. Resfriamento Evaporativo
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4. Massa Térmica p/ Resfr.
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5. Ar Condicionado
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7. Massa Térmica/Aquecimento Solar
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9. Aquecimento Artificial
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10.Ventilação/ Massa
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11.Vent./Massa/Resf. Evap.
12
12.Massa/ Resf. Evap.
Ilustração 62 -Estratégias de condicionamento ambiental passivo indicadas para Santana do
Ipanema. Dados do monitoramento ambiental no interior da Edificação R2, período
compreendido entre 29/01 e 03/03/2005.
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TBS
[
°C
]
TBU[
°
C
]
W[g/kg]
UFSC - ECV - LabEEE - NPC
ZONAS:
1
1. Conforto
2
2. Ventilacao
3
3. Resfriamento Evaporativo
4
4. Massa Térmica p/ Resfr.
5
5. Ar Condicionado
6
6. Umidificão
7
7. Massa Térmica/ Aquecimento Solar
8
8. Aquecimento Solar Passivo
9
9. Aquecimento Artificial
10
10.Ventilação/Massa
11
11.Vent./Massa/Resf. Evap.
12
12.Massa/Resf. Evap.
Ilustração 63 -Estratégias de condicionamento ambiental passivo indicadas para Santana do
Ipanema. Dados do monitoramento ambiental no interior da Edificação R3, período
compreendido entre 29/01 e 03/03/2005.
Com base nos dados apresentados é possível obter indicações sobre quais estratégias de
condicionamento ambiental deveriam ser priorizadas em Santana do Ipanema: controle do ganho de
calor solar por meio do sombreamento das aberturas, ventilação, massa térmica para resfriamento e
resfriamento evaporativo. Tais resultados confirmam os tipos de estratégias de condicionamento
térmico recomendadas pela NBR 15220 – 3 (ABNT, 2005) para a Zona Bioclimática 7, sendo que as
referências normativas destacam ainda que a ventilação deve ser empregada de forma seletiva,
apenas nos períodos quentes nos quais as temperaturas internas sejam superiores às temperaturas
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116
externas
4
(ABNT, 2005). A identificação desses períodos, no entanto, requer informações que não
podem ser deduzidas apenas a partir da Carta Bioclimática e que podem ser diferenciadas para
diferentes cidades localizadas em uma mesma Zona Bioclimática, ressaltando a importância da
realização de estudos de campo.
Para se avaliar de forma adequada o potencial de aplicação das opções apresentadas, é
importante determinar quais os horários em que o uso da ventilação poderia ser eficaz, quais as
reduções de temperatura que poderiam ser proporcionadas pelo uso do resfriamento evaporativo e se
as temperaturas do ar externo se mantêm sob limites suficientes para assegurar o resfriamento através
da massa térmica da edificação. Além disso, fatores de ordem econômica e a própria forma das
edificações se impõem como condicionantes à escolha das estratégias de condicionamento ambiental.
Aspectos formais da edificação, seu volume, materiais constituintes, sua cor e suas aberturas
não possuem apenas valor estético. O modo como tais aspectos se inter-relacionam, definido ainda na
fase de projeto, determinará se a edificação apresentará as características listadas acima ou não. Este
inter-relacionamento constitui-se em fator determinante para o sucesso das estratégias de
condicionamento ambiental, complementares ao projeto, visando atender as exigências de conforto de
seus usuários.
A seguir, descreve-se como a forma e materiais constituintes, o tipo de implantação e o entorno
próximo às edificações se impõem como condicionantes ao projeto arquitetônico, em particular no caso
de Santana do Ipanema, merecendo atenção especial quanto ao controle do ganho de calor solar pela
edificação. Com base na literatura e a partir dos dados do monitoramento ambiental realizado durante o
verão, foi avaliado o potencial de aplicação de estratégias de condicionamento ambiental: ventilação e
resfriamento evaporativo, considerando-se as vantagens e desvantagens do emprego de cada uma
delas.
4.4.1. Controle de ganho de calor solar
Podem ser destacadas algumas características negativas na tipologia residencial “casa em fita”
em Santana do Ipanema. Primeiramente, o pé-direito baixo associado à ausência de isolamento
térmico da cobertura resulta no incremento das temperaturas internas, uma vez que essa superfície
recebe a maior parte da radiação solar incidente na edificação. Convém destacar que o tipo de telha
empregada usualmente, telha de barro tipo “colonial”, apresenta características favoráveis, tais como
as perdas térmicas favorecidas pela infiltração do ar entre as telhas e pela evaporação da umidade
acumulada nas mesmas. O emprego deste tipo de telha, associado ao uso de fôrros internos e
4
Convém destacar que os limites das zonas representadas na carta bioclimática adotada pela NBR 15220-3 são diferentes
da carta de Givoni, devido à adaptação realizada para adequá-la à realidade brasileira (ver Capítulo 2).
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117
barreiras radiantes, tais como mantas reflexivas de alumínio, representa uma alternativa para a
redução das cargas térmicas advindas das coberturas. Em edificações de padrão mais elevado e
formas de implantação diferenciada (afastamentos em relação aos limites do lote), o emprego de lajes
de concreto aumenta a inércia térmica da cobertura, melhorando seu desempenho em relação à telha
de barro sem fôrro empregada na tipologia “casa em fita”.
Outro fator prejudicial observado com relação à forma das edificações é a dificuldade em se
dissipar o calor acumulado durante o dia nos ambientes internos, especialmente na tipologia residencial
“casa em fita”. Nesse caso, apenas os ambientes voltados para a rua ou para o quintal posterior estão
em contato com o ambiente externo e apresentam possibilidades de ventilação durante a noite. Tal
dificuldade praticamente impossibilita a permanência no interior dos ambientes intermediários,
usualmente os quartos, os quais apresentam-se totalmente “isolados” do exterior (Ilustração 64 a) sem
o auxílio de ventiladores ou do condicionamento artificial. Este último, porém, tem seu uso restrito por
representar o aumento do valor da conta de energia elétrica, sendo incompatível com os padrões de
renda da maioria da população.
Já no caso das edificações cuja implantação é diferenciada (afastamentos frontais e laterais
em relação aos limites do lote), há a possibilidade de se empregar a ventilação necessária durante o
período noturno através das aberturas dispostas nas fachadas externas (Ilustração 64 b). Deve-se, no
entanto, restringir a entrada do ar aquecido durante o dia, evitando-se ganhos de calor indesejáveis
quando a temperatura externa é superior à interna. As famílias com maior poder aquisitivo podem ainda
fazer uso do condicionamento artificial para favorecer o conforto térmico. Mas, mesmo neste caso, seu
uso deve estar associado ao projeto arquitetônico bem adaptado ao clima, a fim de minimizar as cargas
térmicas às quais o sistema está submetido.
(a)
(b)
Ilustração 64 -Configurações formais diferenciadas: Edificação R1, tipologia “casa em fita” e
Edificação R2, vista do afastamento lateral e aberturas da fachada.
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Quanto ao sombreamento das aberturas, raramente é identificado na tipologia “casa em fita”.
Ao invés de amplos beirais, empregam-se platibandas (Ilustrações 65 a e 65 b). Em uma tentativa de
adaptação, por vezes o ambiente voltado para a rua é transformado em uma área sombreada
completamente aberta em contato com o exterior (65 c e 65 d).
(a)
(b)
(c)
(d)
Ilustração 65 -Fachadas das residências, tipologia “casa em fita”.
Em residências cuja implantação no lote diferencia-se da casa em fita, identifica-se
freqüentemente o uso de alpendres e varandas (Ilustração 66). A existência destes espaços, utilizados
para permanência e descanso é, inclusive, bastante valorizada pelos indivíduos. Já nas situações onde
o uso de alpendres e varandas é limitado pela própria forma de implantação no lote, devem-se
empregar protetores solares fixos ou móveis: os brises, a fim de assegurar o sombreamento necessário
das aberturas.
Quanto às cores empregadas nas fachadas externas, embora predominem as cores claras,
percebe-se também o uso de pinturas em tons escuros na sua parte inferior (Ilustração 67). No caso da
tipologia “casa em fita”, a importância da adoção de cores claras externamente deve ser priorizada
devido à dificuldade em se dissipar o calor devido às limitações impostas à ventilação no período
noturno, especialmente nos cômodos centrais.
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119
(a)
(b)
(c)
(d)
Ilustração 66 -Alpendres e varandas em residências em Santana do Ipanema.
(a)
(b)
(c)
Ilustração 67 -Diversas cores de fachadas empregadas nas residências.
Quanto ao aproveitamento da vegetação para o sombreamento das edificações, verifica-se que
nem sempre as ruas de Santana do Ipanema apresentam arborização (Ilustrações 68 e 69). Mas além
dos espaços públicos, há oportunidades para o aproveitamento dos benefícios advindos do uso da
vegetação nos lotes edificados, em seus quintais. Espaço por vezes usado para o cultivo de hortaliças
e até pequenos animais, assim como em outras localidades nordestinas (VELOSO, 1999), os quintais
das residências podem receber também uma cobertura vegetal capaz de beneficiar climaticamente a
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120
edificação. Trata-se de uma forma de aproveitamento dos espaços disponíveis no entorno das
edificações que conjuga a amenização climática com finalidades práticas para os seus usuários,
agregando-se ainda o valor paisagístico que as diversas espécies nativas possuem.
(a)
(b)
Ilustração 68 -Ruas arborizadas em bairros residenciais de Santana do Ipanema.
(a)
(b)
Ilustração 69 -Ruas não arborizadas em bairro residencial (a) e centro (b) de Santana do
Ipanema.
Pode-se afirmar que o controle dos ganhos de calor solar é condição primordial para o bom
desempenho ambiental das edificações no clima quente e seco, podendo também ser complementada
por outras estratégias de condicionamento passivo. Além da radiação solar, particularidades ambientais
de um dado local influenciam o desempenho da edificação como um todo e também determinam a
eficácia de cada estratégia específica: variação da temperatura externa, percentual de umidade do ar e
taxas de ventilação. Com base nos dados obtidos a partir do monitoramento ambiental realizado entre
29/01 e 03/03/2005, o potencial de uso de diferentes estratégias de condicionamento passivo é
avaliado a seguir, com base nos limites de aplicabilidade de cada uma delas descritos por GIVONI
(1994) e GIVONI (1997), apresentados no Capítulo 3. Além disso, foram consideradas também
limitações de ordem socioeconômica relacionadas à população de Santana do Ipanema na discussão
da adequabilidade das estratégias avaliadas ao contexto local.
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4.4.2. Ventilação: ventilação de conforto diurna e ventilação noturna
Em regiões de clima quente e seco, o uso da ventilação natural está diretamente vinculado à
temperatura externa, mas outros fatores também devem ser considerados na avaliação do potencial de
uso da ventilação natural em edificações, conforme mencionado no Capítulo 2 (p.32).
Entretanto, informações mais detalhadas relativas ao regime dos ventos em Santana do
Ipanema não se encontram disponíveis no presente momento. Dados da estação meteorológica mais
próxima, localizada no município de Pão de Açúcar
5
, indicam uma velocidade média do vento igual a
3,2 m/s, cujas direções predominantes são leste e sudeste (GOVERNO FEDERAL, 2002). Foram
obtidos registros diários de velocidade do vento, medidas às 9h durante os anos de 1991, 1992 e o
mês de janeiro de 1993, observando-se valores médios mensais superiores a 2 m/s.
Considerando-se a indisponibilidade de informações adicionais, a avaliação do potencial de
uso da ventilação natural foi realizada neste trabalho com base apenas na oscilação da temperatura
externa. Foram observados os períodos nos quais as temperaturas externas mantiveram-se sob limites
recomendáveis para o emprego da ventilação natural: inferior a 28ºC, no caso da ventilação diurna;
inferior a 36ºC durante o período diurno e inferior a 20ºC durante a noite, no caso da ventilação noturna
associada ao uso da massa térmica para resfriamento.
Foram comparados os dados do monitoramento ambiental externo e interno da Edificação R1
(tipologia “casa em fita”) e da edificação com implantação diferenciada (R2). No caso da edificação R3,
o uso do condicionamento artificial no período noturno e início do dia limitaram a avaliação das
estratégias mencionadas acima. Os resultados da avaliação do potencial de uso da ventilação natural
são descritos a seguir, considerando-se diferentes modalidades para o seu emprego: ventilação diurna
de conforto, ventilação noturna e ventilação noturna associada ao uso da massa térmica para
resfriamento.
Ventilação diurna
Comparando-se as temperaturas externas com as temperaturas internas registradas nos
ambientes monitorados das edificações R1 e R2, observou-se que o emprego da ventilação diurna
estaria restrito a períodos inferiores a 3h diárias (Ilustrações 70 e 71).
Observou-se a ocorrência de dias em que durante todo o intervalo compreendido entre as 6h e
18h a temperatura externa foi simultaneamente superior às temperaturas internas e maior que 28ºC.
Isso indica que o emprego da ventilação diurna seria desaconselhável. Tal fato pôde ser observado em
5
O município de Pão de Açúcar, situado às margens do rio São Francisco, está localizado a 35 km de Santana do Ipanema
(GOVERNO FEDERAL, 2005).
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12 dias no caso da edificação R1 (Ilustração 70) e em 5 dias no caso da Edificação R2 (Ilustração 71).
No caso da Edificação R2, o período inferior de dias pode ser justificado pela maior penetração da
radiação solar no ambiente monitorado. Como o ambiente possui área envidraçada equivalente a 32%
da área do piso, e as janelas eram mantidas fechadas durante a maior parte do tempo, sua
temperatura interna permaneceu mais elevada devido ao efeito estufa causado pelo vidro.
Tais resultados confirmam que a ventilação durante o período diurno deve ser mínima,
correspondente apenas às taxas destinadas à renovação do ar (ventilação higiênica). De acordo com o
código de obras do município, a área mínima livre de abertura para ventilação de ambientes de
permanência prolongada corresponde a 1/3 da área do piso (SANTANA DO IPANEMA, 1980).
Ilustração 70 -Total de horas diárias em que a temperatura externa foi simultaneamente inferior
às temperaturas internas e inferior a 28ºC, Edificação R1, intervalo entre 6h e 18h.
Ilustração 71 -Total de horas diárias em que a temperatura externa foi simultaneamente inferior
às temperaturas internas e inferior a 28ºC, Edificação R2, intervalo entre 6h e 18h.
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Ventilação noturna
As temperaturas externas mantiveram-se inferiores a 28ºC no intervalo compreendido entre as
18h e 6h. Comparando-se as temperaturas externas com as temperaturas internas dos ambientes
monitorados das edificações R1 e R2, observou-se que a ventilação poderia ser empregada durante
períodos superiores a 5h diárias, tanto no final da tarde quanto durante a madrugada e início da
manhã.
No caso da edificação R1, considerando-se o intervalo compreendido entre as 0h e 6h, a
temperatura externa foi inferior a temperatura interna por mais de 5h em 27 dos 34 dias de
monitoramento (Ilustração 72). Considerando-se o intervalo compreendido entre as 18h e 24h, a
temperatura externa foi inferior a temperatura interna também por um período superior a 5h diárias em
21 dos 34 dias de monitoramento.
Na edificação R2, as temperaturas externas foram inferiores às temperaturas internas no
período compreendido entre 0h e 6h em todos os dias de monitoramento, em um total aproximado de
6h (Ilustração 73). Já no intervalo compreendido entre as 18h e 24h este total foi superior a 5h em 21
dos 34 dias de monitoramento.
Observando-se tais resultados, verifica-se que a ventilação destinada ao resfriamento da
edificação durante o período noturno é uma estratégia com significativo potencial de aplicação em
Santana do Ipanema. O fato da temperatura interna se manter superior à temperatura externa
justificaria a permanência dos usuários no exterior da edificação durante o período noturno. Foi
relatado pelos usuários entrevistados que em ocasiões de calor acentuado durante a noite, optou-se
por dormir em ambientes mais ventilados ou permanecer durante algum tempo em ambientes que
possuíssem contato direto com o exterior. No caso da edificação R1, os usuários deixaram o quarto de
dormir e foram para a sala, posicionando o colchão junto à porta e abrindo as janelas, deixando as
cortinas cerradas. Os usuários das edificações R2 e R3 já chegaram a deixar os quartos em noites de
muito calor e permaneceram nas varandas das residências até se sentirem mais confortáveis. Observa-
se que o hábito de dormir ao ar livre poderia ser adotado caso o projeto das residências fosse
adaptado, com a criação de espaços resguardados da rua mas em contato com o exterior. Desse
modo, poder-se-ia assegurar a privacidade e segurança necessárias aos usuários, fatores primordiais
para possibilitar o aproveitamento da ventilação noturna em edificações residenciais.
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Ilustração 72 -Total de horas diárias nas quais a temperatura externa foi simultaneamente
inferior a temperatura interna (Edificação R1) e inferior a 28ºC, intervalo entre as 18h e 6h.
Ilustração 73 -Total de horas diárias nas quais a temperatura externa foi simultaneamente
inferior a temperatura interna (Edificação R2) e inferior a 28ºC, intervalo entre as 18h e 6h.
Ventilação noturna associada à massa térmica para resfriamento
Na impossibilidade de se empregar a ventilação durante o período diurno, uma alternativa para
manter as temperaturas internas menos elevadas nos ambientes internos é o uso da ventilação durante
a noite, com a finalidade de resfriar a estrutura da edificação e beneficiando-se da capacidade térmica
dos elementos construtivos para reduzir o fluxo de calor para seu interior durante as horas mais
quentes do dia. A obtenção de resultados satisfatórios a partir do emprego desta estratégia depende da
da temperatura externa. Segundo Givoni (1994), a temperatura externa máxima durante o dia deve ser
inferior a 36ºC e inferior a 20ºC durante a noite para garantir a eficácia desta estratégia.
No caso de Santana do Ipanema, o monitoramento ambiental indicou que a temperatura
externa média do período foi bastante elevada: superior a 30ºC. Observando-se a variação da
temperatura externa durante o dia (intervalo entre 6h e 18h) e à noite (intervalo entre as 18h e 6h),
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verificou-se que a temperatura máxima durante o dia foi inferior a 36ºC apenas em 5 dias no período
compreendido entre 29/01 e 03/03/2005. Já durante a noite, a temperatura externa foi inferior a 20ºC e
também à temperatura interna apenas no intervalo compreendido entre as 18h e 24h. As ilustrações
abaixo indicam os períodos nos quais as temperaturas se manteriam sob os limites necessários para o
emprego eficaz da ventilação noturna associada à massa térmica para o resfriamento das edificações
R1 (Ilustração 74) e R2 (Ilustração 75).
Ilustração 74 -Total de horas diárias nas quais as temperaturas máximas externas mantiveram-
se sob os limites recomendados ao uso da massa térmica para resfriamento na Edificação R1.
Ilustração 75 -Total de horas diárias nas quais as temperaturas máximas externas mantiveram-
se sob os limites recomendados ao uso da massa térmica para resfriamento na Edificação R2.
Observa-se que o emprego da ventilação noturna, tendo em vista o resfriamento da edificação
favorecido pela massa térmica, não alcançaria resultados eficazes em Santana do Ipanema, assim
como no caso da ventilação diurna. Diante das elevadas temperaturas médias externas, percebe-se
que mesmo o uso de materiais construtivos com valores elevados de resistência e capacidade térmica
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não seriam suficientes para minimizar as temperaturas do ar e radiante internas durante o dia. Do
mesmo modo, a estrutura da edificação não seria suficientemente resfriada durante a noite, pois
embora ocorra uma redução na temperatura externa esta se mantém acima dos 20ºC, temperatura
definida por Givoni como limite para garantir o aproveitamento satisfatório da inércia térmica dos
elementos construtivos da edificação (GIVONI, 1994). Por outro lado, o aproveitamento da ventilação é
recomendável durante o período noturno, não com a finalidade de resfriar a estrutura, mas de promover
o conforto dos usuários das edificações a partir do final da tarde até o início da manhã, uma vez que
nesses horários as temperaturas externas se mantêm inferiores às temperaturas internas dos
ambientes monitorados, coincidindo com os períodos de maior ocupação das residências.
Dadas as limitações impostas ao uso da ventilação durante o dia em Santana do Ipanema,
deve-se optar por estratégias alternativas de condicionamento passivo, a exemplo do resfriamento
evaporativo, cujo potencial de aplicação é discutido a seguir.
4.4.3. Resfriamento evaporativo
Considerando-se os limites de temperatura referentes ao emprego do resfriamento evaporativo
direto (TBSmáx e TBUmáx inferiores a 44ºC e 24ºC, respectivamente) e indireto (TBSmáx e TBUmáx
inferiores a 46ºC e 25ºC, respectivamente), avaliou-se o potencial de uso dessas estratégias em
Santana do Ipanema nos períodos diários em que as temperaturas externas se apresentam mais
elevadas, quando a refrigeração é mais desejada. No caso do resfriamento evaporativo direto, foi
possível estimar resultados potenciais de refrigeração evaporativa, adotando-se o procedimento de
cálculo descrito por Roriz (2000), obedecendo-se as seguintes etapas:
1 – Cálculo das diferenças psicrométricas (dTBU) entre os valores externos da TBS e TBU,
para cada horário do período de monitoramento;
2 – Determinação do valor da dTBS, correspondente ao produto entre a dTBU e a eficiência de
umidificação do sistema (EFu). Com base na literatura consultada (GIVONI, 1994; ASIMAKOPOULOS,
SANTAMUOURIS,1996; GIVONI, 1997; RORIZ, 2001), as eficiências do sistema hipotético foram
fixadas em 60%, 70% e 80% da dTBU.
3 – Cálculo da TBS resultante por efeito da refrigeração (temperatura que emerge do sistema),
correspondente à diferença entre a TBS inicial e a queda ocorrida na temperatura do ar (dTBS). De
acordo com Givoni (1994), o ar resfriado que sai do sistema é aquecido quando penetra no ambiente,
de modo que a TBS do ar interno é superior em 1ºC a 3ºC acima da temperatura do ar que sai do
sistema (dependendo do fluxo do ar resfriado, da qualidade térmica da edificação e da carga térmica
solar à qual a mesma encontra-se submetida).
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Foram consideradas como exemplos a tipologia “casa em fita” (Edificação R1) e uma
edificação com 2 pavimentos, apresentando afastamentos em relação aos limites do lote (Edificação
R2). A fim de se obter uma indicação da possibilidade de atendimento às exigências de conforto
térmico dos usuários a partir do emprego desta estratégia, os valores de TBS estimados foram
comparados ao valor da temperatura neutra de conforto (Tn), conforme apresentado no item 4.2
(p.108). De posse dos valores estimados das TBS resultantes do emprego do resfriamento evaporativo
direto (TBS
RED
) e das temperaturas neutras de conforto (Tn), foram estimados também os somatórios
de graus.h (ΣºCh) de resfriamento nas edificações R1 e R2 , considerando-se os valores da Tn como
limites de aceitabilidade. Os resultados desta avaliação, realizada para as edificações R1 e R2, são
apresentados a seguir. No caso da edificação R3, não foi possível realizar estimativas devido ao uso do
condicionamento artificial no ambiente monitorado.
Quanto ao resfriamento evaporativo indireto, a avaliação do seu potencial de uso limitou-se à
identificação dos períodos nos quais as temperaturas externas se manteriam sob os limites necessários
à sua aplicação. Entretanto, tal avaliação envolve também uma série de outros aspectos cuja
determinação foge ao escopo do presente trabalho. No caso da estimativa do desempenho de tanques
com água sobre a cobertura (roof ponds), são necessários dados climáticos indisponíveis para a
localidade em estudo, a saber: cargas térmicas internas e advindas dos ganhos de calor solar, pressão
de vapor média e velocidade do vento
6
. Quanto ao emprego do gotejamento de água sobre telhas
cerâmicas, seria necessário realizar experimentos in loco a fim de observar as reduções na
temperatura superficial interna das telhas de barro, sob as condições psicrométricas, de vento e de
radiação solar de Santana do Ipanema.
Resfriamento evaporativo direto (RED)
Entre os dias 29/01 e 01/02, as condições de temperatura e umidade externas possibilitariam
que o resfriamento evaporativo direto (RED) fosse empregado durante períodos superiores a 5h dentro
do intervalo considerado (8h – 18h). Apenas em 4 dias o RED não seria aplicável, enquanto em 5 dias
a referida estratégia poderia ser aplicada durante todo o intervalo compreendido entre as 8h e 18h,
conforme indicado na Ilustração 76.
6
Modelo de cálculo apresentado por Givoni (1994), relativo à predição do desempenho térmico de edificações dotadas de
tanques sobre a cobertura (roof ponds).
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Ilustração 76 -Total diário de horas nas quais o resfriamento evaporativo direto (RED) poderia
ser empregado (intervalo entre as 8h e 18h).
Os valores de Tn (temperaturas neutras de conforto estimadas) foram considerados como
referenciais para a avaliação da eficácia do resfriamento evaporativo direto: Tn constante (26,4ºC, valor
fixo para todos os dias do monitoramento) e Tn variável (27,1ºC e 29,1ºC). No caso da Tn variável,
foram adotados valores fixos para cada dia, de acordo com a temperatura externa média diária, ou
oscilando com amplitude térmica correspondente a 40% da amplitude da temperatura externa.
Estabeleceu-se o intervalo compreendido entre as 8h e 18h (10h diárias) como o período de interesse
para o emprego do RED, uma vez que nesses horários os valores médios da TBS externa são
superiores a 30ºC, excedendo os valores estimados das temperaturas neutras de conforto em
quaisquer das 3 hipóteses adotadas para o cálculo da Tn (Ilustração 57, p. 109). Comparando-se estes
resultados com os somatórios de graus.h (ΣºCh) de resfriamento verificados durante o monitoramento
ambiental, foi possível identificar quais os possíveis benefícios ao desempenho térmico de cada
edificação, caso o resfriamento evaporativo fosse empregado. Com relação a cada hipótese de
eficiência do sistema (valores de EFu correspondentes a 60%, 70% e 80% da dTBU), observaram-se
os seguintes resultados:
Redução da TBS = 60% da dTBU (EFu = 60%)
Os valores da TBS resultantes do emprego do resfriamento evaporativo (TBS
RED
) manter-se-
iam abaixo da Tn na maior parte do tempo (Ilustração 77). Para a Tn constante e igual a 28,03ºC a
diferença máxima entre o valor da TBS e a Tn seria 2,3ºC. Adotando-se como referência os valores de
Tn calculados a partir da temperatura média de cada dia, a diferença máxima entre este valor e o valor
da TBS
RED
seria igual a 1,4ºC. Os totais de horas nos quais os valores da TBS
RED
ultrapassariam
ambas estimativas das temperaturas neutras de conforto corresponderiam respectivamente a 27% e
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22,4% do total de 340h do período de monitoramento. No caso da Tn variável de acordo com a
amplitude externa, este limite não chegaria a ser ultrapassado pelos valores de TBS
RED
(Ilustração 77).
Ilustração 77 -Temperaturas neutras de conforto e estimativa da variação das temperaturas
resultantes do emprego do resfriamento evaporativo direto (EFu = 60%).
Redução da TBS = 70% da dTBU (EFu = 70%)
Neste caso, as diferenças máximas entre os valores de TBS
RED
estimados e as temperaturas
neutras de conforto, Tn constante e Tn variável/diária, seriam respectivamente iguais a 0,6ºC e 0,1ºC.
Por conseguinte, haveria uma redução nos totais de horas nos quais as temperaturas neutras seriam
ultrapassadas, em relação ao caso anterior (EFU = 60%) (Ilustração 78). Em ambos os casos esses
totais corresponderiam a menos de 2% do total de 340h do período de monitoramento. No caso da Tn
variável de acordo com a amplitude externa, este limite não chegaria a ser ultrapassado pelos valores
de TBS
RED
resultantes.
Ilustração 78 -Temperaturas neutras de conforto e estimativa da variação das temperaturas
resultantes do emprego do resfriamento evaporativo direto (EFu = 70%).
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Redução da TBS = 80% da dTBU (EFu = 80%)
Considerando-se os 3 limites de Tn estimados, os valores de TBS
RED
resultantes manter-se-
iam sempre inferiores às temperaturas neutras de conforto (Ilustração 79).
Ilustração 79 -Temperaturas neutras de conforto e estimativa da variação das temperaturas
resultantes do emprego do resfriamento evaporativo direto (EFu = 80%).
As temperaturas resultantes do emprego do resfriamento evaporativo seriam bastante
inferiores às temperaturas registradas durante o monitoramento, observando-se reduções entre 2ºC e
10ºC. As ilustrações acima indicam que as diferenças entre os valores estimados da TBS
RED
e as
temperaturas neutras de conforto seriam inferiores a 2,5ºC. Comparando-se os somatórios de graus.h
necessários para o resfriamento, resultante do emprego da referida estratégia, com aqueles verificados
para as Edificações R1 e R2 durante o período de monitoramento, verifica-se que seria possível obter
reduções significativas. No caso da Edificação R1, estima-se um percentual de redução no somatório
de graus.h de resfriamento de no mínimo 53,4% (Tabela 18), enquanto na Edificação R2 o percentual
de redução poderia alcançar até 49,4% (Tabela 19).
Tabela 18 – Somatórios de graus.h da Edificação R1, calculados com base nos dados do
monitoramento ambiental (1) e nas estimativas dos valores da TBS (2).
RED
ΣºCh de resfriamento
Edificação R1
(2) % Redução (estimativas)
Temperaturas neutras de conforto
(1)
EF
u
= 60% EF
u
= 70% EF
u
= 80%
Tn = 28,03ºC 1290,1 58,8 63,5 63,7
Tn variável:
Text-média= média diária
1270,5 58,7 61,8 61,8
Tn variável: Text-média= média diária,
40% da amplitude térmica externa
780,8 53,4 53,4 53,4
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Tabela 19 – Somatórios de graus.h da Edificação R2, calculados com base nos dados do
monitoramento ambiental (1) e nas estimativas dos valores da TBS (2).
RED
ΣºCh de resfriamento
Edificação R2
(2) % Redução (estimativas)
Temperaturas neutras de conforto
(1)
EF
u
= 60% EF
u
= 70% EF
u
= 80%
Tn = 28,03ºC 937,97 42,7 49,2 49,4
Tn variável:
Text-média= média diária
925,10 42,5 46,8 46,8
Tn variável: Text-média= média diária,
40% da amplitude térmica externa
437,96 15,2 15,2 15,2
Entretanto, em se tratando do uso do resfriamento evaporativo direto, deve-se evitar que a
umidade relativa do ar resultante seja demasiadamente elevada, o que pode prejudicar o conforto
térmico dos usuários. A Ilustração 80 mostra a inserção dos valores de temperatura e umidade do ar
estimados na carta psicrométrica. Considerando-se eficiências de umidificação correspondentes a 60%
(a), 70% (b) e 80% (c), verifica-se que os percentuais de umidade relativa do ar seriam bastante
elevados, aproximando-se de 100%. No caso de ambientes cuja carga térmica latente seja elevada
(ocupação), o uso do RED torna-se desaconselhável. No caso das residências em estudo, seria
necessário fazer uso da ventilação durante períodos acima de 80% do total de horas nas quais o
resfriamento evaporativo direto seria aplicável para assegurar a renovação do ar ambiente. Observa-se
ainda que a adoção de um sistema com EFu = 60% (Ilustração 80 a) apresenta-se como a opção mais
indicada, pois os percentuais de umidade relativa são menores, embora as temperaturas resultantes
sejam mais elevadas do que nas outras estimativas (Ilustrações 77 a 79).
EFu = 60%: 57,4% < UR < 96,8%
(a)
Ventilação
Conforto
V
entilação
Conforto
V
entilação
Conforto
EFu = 80%: 75,7% < UR < 98,4%
EFu = 70%: 65,4% < UR < 97,6%
(c)
(b)
Ilustração 80 – Resultados estimados do emprego do RED, destacando-se os percentuais de
umidade relativa resultantes: (a) EFu = 60%;(b) EFu = 70% e (c) EFu = 80%.
Diante de um contexto social no qual o padrão de renda é reduzido, o resfriamento evaporativo
direto representa uma alternativa interessante para promover o conforto térmico em residências, tendo
em vista que o consumo de energia do equipamento é bastante inferior ao de condicionadores de ar
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convencionais, de até a 0,5kW, considerando-se o total de 2.000h de uso durante um ano (ECOBRISA,
2005). Contudo, algumas medidas necessitam ser adotadas a fim de assegurar um bom desempenho
do sistema:
9 O ar que sai do sistema não deve re-circular pelo equipamento. Em sua configuração
ideal, o equipamento é embutido em uma parede, aspirando o ar externo e gerando
uma pressão positiva dentro do ambiente, que facilita também a renovação do ar
interno. Caso seja necessário instalá-lo dentro do ambiente, o mesmo deve ser
posicionado em frente a uma abertura para o exterior;
9 A distribuição dos fluxos de ar no interior do ambiente deve ser favorecida pela
existência de aberturas naturais ou exaustores, a fim de assegurar a troca contínua do
ar ambiente por ar resfriado e evitar que a umidade relativa do ar atinjam valores muito
elevados e prejudiquem o conforto térmico dos usuários.
Resfriamento evaporativo indireto (REI)
Com base nos limites de aplicabilidade do resfriamento evaporativo indireto (TBS
máx
e TBU
máx
inferiores a 46ºC e 25ºC, respectivamente), estimou-se que esta estratégia poderia ser empregada em
21 dos 34 dias do período de monitoramento durante todo o intervalo considerado (8h – 18h). Apenas
em 4 dias o REI não seria aplicável, enquanto no restante do período a referida estratégia poderia ser
aplicada acima de 5h diárias (Ilustração 81).
Ilustração 81 -Total diário de horas nas quais o resfriamento evaporativo indireto (REI) poderia
ser empregado (intervalo entre as 8h e 18h).
Convém mencionar algumas implicações práticas relacionadas ao uso do resfriamento
evaporativo indireto (REI). A construção de tanques sobre a cobertura em edificações existentes (roof
ponds), por exemplo, exige um maior reforço na estrutura, para suportar as cargas adicionais relativas
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ao peso da água. Com relação à sua manutenção, além da necessidade de uma impermeabilização
perfeita, a fim de se evitar possíveis infiltrações, é necessário o controle da atividade biológica nos roof
ponds. Como o tanque permanece cheio de água o tempo inteiro, deve-se controlar a proliferação de
algas e mosquitos e efetuar limpezas periódicas para evitar odores e a transmissão de doenças.
Por outro lado, tem-se a possibilidade de se empregar o gotejamento de água sobre o telhado.
Conforme descrito no Capítulo 2 (p. 36), esta estratégia representa uma alternativa mais simples e
econômica em relação aos roof ponds, possibilitando reduções significativas nas temperaturas
superficiais internas de telhas cerâmicas.
A implementação de tais medidas depende da forma da edificação e do contato existente entre
os ambientes internos e o exterior, bem como a orientação das aberturas em relação aos ventos
dominantes. No caso de novos projetos, tais aspectos podem ser definidos a priori, favorecendo o bom
desempenho do sistema de refrigeração. Quanto às edificações existentes, particularmente as
residências, em muitos casos são necessárias adaptações à sua forma para possibilitar a
implementação do resfriamento evaporativo direto, a exemplo da tipologia “casa em fita” predominante
em Santana do Ipanema. Em quaisquer desses casos, os custos relativos a reformas e implementação
de equipamentos devem se confrontados aos benefícios advindos do uso de tais sistemas,
principalmente a redução no consumo de energia e a possibilidade de se favorecer o conforto térmico
dos usuários das edificações.
Diante do exposto no presente capítulo, pode-se constatar que em Santana do Ipanema o
aproveitamento da ventilação durante o período noturno e do potencial do resfriamento evaporativo
através de sistemas diretos apresentam-se como alternativas com grande potencial para minimizar o
calor durante o verão, representando boas opções para favorecer o conforto térmico dos indivíduos nos
ambientes internos em relação ao condicionamento artificial. Evidentemente, o projeto arquitetônico
deve contemplar a escolha de materiais construtivos adequados ao contexto climático e assegurar a
proteção contra os ganhos de calor solar, conforme orientações das Normas de desempenho térmico
de edificações. Aliado a isso, o bom desempenho ambiental também está relacionado à sensibilidade
do arquiteto em discernir a melhor forma de traduzir os princípios do desenho bioclimático em uma obra
construída, seja em novos projetos ou mediante adaptações em uma edificação existente.
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4.5. Sugestões aplicáveis ao projeto de edificações
A seguir, serão apresentadas algumas sugestões de desenho bioclimático para a adaptação
das principais configurações residenciais existentes em Santana do Ipanema, visando a incorporação
de algumas estratégias de condicionamento ambiental aqui discutidas no projeto arquitetônico.
No caso de tipologias semelhantes à Edificação R1, o aproveitamento da ventilação noturna
poderia ser realizado através da introdução de um pergulado no interior da residência (Ilustração 82),
possibilitando a entrada da ventilação durante o período noturno. Constituindo-se em um espaço
sombreado e vegetado, durante o dia o ar externo aquecido seria resfriado antes de circular pelos
demais ambientes internos, favorecendo o conforto térmico dos usuários. Dispondo-se as aberturas
dos ambientes voltadas para este espaço, é possível ainda melhorar as condições de iluminação dos
mesmos, principalmente no caso de quartos localizados na área central da edificação e sem aberturas
para o exterior. Os pergulados também podem ser uma alternativa para adaptar o uso de sistemas de
resfriamento evaporativo direto, caso os ambientes a serem refrigerados não estejam voltados para o
exterior, uma vez que tais equipamentos necessitam manter contato com áreas externas ou algum tipo
de abertura para garantir seu funcionamento adequado. Além disso, o ar resfriado produzido pelo
equipamento deve ter saída adequada do ambiente, devendo-se dispor as aberturas de modo a
favorecer uma boa distribuição do fluxo de ar (Ilustração 83).
lustração 82 –Aproveitamento da ventilação noturna realizado por meio da introdução de
pergulados no interior da edificação.
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lustração 83 –Uso de sistemas de resfriamento evaporativo na tipologia residencial “casa em
fita”.
Outra forma sugerida de se aproveitar a ventilação noturna é o uso do “peitoril ventilado”
(Ilustração 84). Sua localização abaixo das janelas produz uma corrente de ar ao nível da cama, que
pode ser direcionada com o auxílio de venezianas ou painéis móveis, assegurando-se a proteção
necessária contra roubos e chuvas, podendo ser deixado aberto durante a noite (BITTENCOURT;
CANDIDO, 2005). Tais dispositivos poderiam ser introduzidos tanto sob aberturas voltadas para a rua
quanto para o quintal nos fundos das casas.
lustração 84 –Uso do “peitoril ventilado”.
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Uma última sugestão para favorecer o aproveitamento da ventilação seria o uso de captadores
de vento posicionados entre ambientes contíguos, por exemplo, dormitórios (Ilustração 85). Sua função
seria captar os ventos a uma altura onde os mesmos possuem temperatura menor e velocidade mais
acentuada, direcionando o fluxo de ar para o interior dos ambientes. A parcela de luz natural
introduzida através do duto do captador de vento pode contribuir também para a melhoria das
condições de iluminação desses ambientes, de modo que pudesse vir a ser usado com a função de
“dutos de luz” (BITTENCOURT; BATISTA, 2003).
lustração 85 –Uso de captadores de vento.
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5.
Conclusões
Este trabalho foi desenvolvido a partir da seguinte motivação: conhecer quais as possibilidades
de se favorecer o conforto térmico dos indivíduos no ambiente construído, a fim de fundamentar a
escolha de estratégias de projeto voltadas ao condicionamento ambiental passivo.
Ao se definir como objetivo avaliar o potencial de uso de estratégias de condicionamento
ambiental passivo em residências, percebeu-se a necessidade de identificar também quais os
condicionantes que se impõem ao projeto arquitetônico no sertão alagoano, tomando-se como exemplo
o caso de Santana do Ipanema.
Nesse sentido, a avaliação do desempenho térmico das tipologias arquitetônicas selecionadas
para estudo foi considerada como o ponto de partida. Com base nessa avaliação, identificaram-se nas
tipologias predominantes da arquitetura residencial quais os aspectos mais relevantes que necessitam
ser modificados ou adaptados, tendo-se como objetivo assegurar a adequação das edificações ao meio
onde se encontram inseridas. No caso da tipologia “casa em fita”, predominante em Santana do
Ipanema e também em outras cidades do interior do Nordeste, destaca-se a inadequação das
propriedades térmicas dos elementos construtivos, principalmente a cobertura. Problemas relativos à
ausência de sombreamento das aberturas e o dimensionamento das áreas para ventilação também
foram comuns às outras edificações avaliadas, destacando-se como as principais modificações
necessárias em benefício ao desempenho térmico das edificações e também do conforto de seus
usuários.
Os aspectos negativos levantados através da avaliação prescritiva se confirmaram quando os
usuários relataram suas experiências. Queixas relativas às condições térmicas dos ambientes internos
foram recorrentes e, na visão dos usuários, o conceito de “conforto” é associado freqüentemente à
ventilação. Os efeitos da ventilação são considerados mais satisfatórios em relação ao uso do
condicionamento artificial, que por sua vez é limitado por representar o aumento nos gastos com
energia elétrica. Dentre as atitudes recorrentes face ao calor, a busca por ambientes mais ventilados
foi várias vezes mencionada. Tais “pistas” fornecidas pelos usuários permitem concluir que deve-se
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buscar meios de resfriar o ambiente interno, segundo eles, através da ventilação. “Traduzir” este desejo
por meio do emprego da ventilação em larga escala no interior das edificações pode não surtir o efeito
esperado pelos usuários, dadas as temperaturas externas elevadas ao longo do dia. Cabe ao arquiteto,
portanto, fazer uso do conhecimento acerca das melhores formas de adequação da arquitetura ao
clima quente e seco local, de modo a atender as expectativas e preferências dos usuários com relação
ao desempenho da edificação.
Pôde-se constatar também a influência das condições climáticas sobre a percepção ambiental
dos indivíduos, evidenciando-se a sua aclimatação. Porém, identificaram-se duas vertentes nesse
processo. As pessoas apresentaram-se tolerantes a temperaturas mais elevadas, o que não impedia
que sempre tomassem atitudes para minimizar a sensação de calor. Por outro lado, em situações onde
a atividade sedentária estava associada à pouca vestimenta e a temperaturas amenas no interior de
um ambiente condicionado, a sensação de neutralidade térmica (ou a preferência por manter as
condições do ambiente) foi quase unanimidade. Quanto aos modelos preditivos, as sensações térmicas
estimadas tendiam já ao desconforto por frio, nas mesmas situações. Além disso, a correspondência
entre as sensações e preferências térmicas relatadas e as predições realizadas a partir do PMV foram
bastante limitadas. Mesmo a aplicação de fatores de ajuste ao PMV propostos por Fanger e Toftum
(2002) e Humphreys e Nicol (2002), denominados respectivamente PMVe e PMV
NEW
, não alterou
significativamente os resultados das predições. Observaram-se ainda desvios próximos a 1 e
coeficientes de determinação inferiores a 0,6 nas comparações entre os votos relatados e as predições.
Convém salientar que a amostra de votos de conforto analisada no presente trabalho foi
pequena, mas os resultados chamam a atenção pela divergência entre o que foi constatado em campo
e as estimativas realizadas através dos modelos preditivos. Observou-se também que a aplicação do
fator de ajuste PMV
NEW
proposto por Humphreys e Nicol (2002), embora considere dados
reconhecidamente influentes sobre o comportamento térmico dos indivíduos, resultou em reduções
demasiadas nos valores do PMV calculados a partir do modelo original proposto por Fanger. Isto indica
que o modo como tais dados se correlacionam e a dimensão da influência de cada fator na percepção
ambiental dos usuários não se encontram ainda claramente definidos.
Partindo-se para a abordagem adaptativa, não foi possível estimar limites de temperatura
considerados confortáveis a partir das sensações relatadas pelas pessoas. Porém, a comparação entre
as condições de temperatura durante o período de monitoramento e as estimativas da temperatura
neutra de conforto indicaram correspondências com relação às temperaturas mais elevadas. As
estimativas realizadas com base na temperatura média externa correspondente ao período de 34 dias
(monitoramento) e temperatura média diária indicaram valores de temperatura neutra em torno de
30ºC. Comparando-se os totais de insatisfeitos e os valores das temperaturas internas
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correspondentes ao momento da aquisição dos votos, observou-se que acima do limite de 32ºC
nenhum dos indivíduos se manifestava satisfeito com as condições térmicas do ambiente.
Pode-se afirmar que as diferenças verificadas entre os resultados das predições e a realidade
prática não permitem a obtenção de informações claras a respeito dos limites de temperaturas
considerados confortáveis pelos usuários, tampouco “prever” de modo preciso qual será a sua
sensação térmica. Por outro lado, o contato efetuado durante a pesquisa de campo permitiu identificar
aspectos importantes com relação às suas expectativas, sensações e preferências, as quais poderiam
influenciar na concepção do projeto ou indicar modificações necessárias na edificação, conforme já
citado. Desse modo, reforça-se a necessidade de se investir em pesquisas de campo, a fim de
promover a evolução do conhecimento relativo ao conforto térmico dos usuários das edificações, sob
diferentes contextos climáticos. A importância desse tipo de estudo é evidenciada ainda mais diante do
inter-relacionamento existente entre os parâmetros de desempenho térmico e os limites de conforto a
serem considerados durante a fase de projeto, momento no qual são definidas as estratégias de
condicionamento ambiental.
Dentre o vasto repertório de estratégias de condicionamento ambiental passivo que podem ser
incorporadas ao projeto arquitetônico em localidades quentes e secas, no caso de Santana do Ipanema
identificou-se que a ventilação noturna e o resfriamento evaporativo são alternativas que apresentam
significativo potencial de aplicação nas edificações residenciais. Por outro lado, o uso da ventilação
noturna associada à massa térmica para resfriamento não apresentaria resultados satisfatórios, devido
às temperaturas externas se manterem superiores aos limites de aplicabilidade relacionados a esta
estratégia.
Outro aspecto positivo é a duração dos períodos nos quais a ventilação noturna e o
resfriamento evaporativo poderiam ser aplicados. Quanto à ventilação noturna, o período de uso da
estratégia corresponde aos horários de maior ocupação das residências, durante a noite, quando as
condições térmicas são imprescindíveis ao favorecimento do descanso e bem estar dos usuários após
a rotina diária. No caso do resfriamento evaporativo, os períodos de utilização corresponderiam às
horas mais quentes do dia, quando o resfriamento da temperatura é mais desejável. Além disso, as
estimativas do potencial de redução da temperatura indicaram que seria possível manter as
temperaturas internas abaixo dos limites estimados da temperatura neutra de conforto, durante a maior
parte do tempo, caso fosse utilizado o resfriamento evaporativo direto.
Convém destacar também que o emprego de tais estratégias solicita algumas adaptações no
caso de edificações já construídas, cabendo ao arquiteto adequá-las a cada caso a fim de assegurar a
obtenção de bons resultados. Como forma prática de viabilizá-las, sugerem-se algumas alternativas:
introdução de jardins internos sombreados no interior das edificações (pergulados); uso de captadores
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de vento; uso de sistemas diretos de refrigeração evaporativa. Quanto ao controle de ganho de calor
solar, deve-se privilegiar o uso de cores claras nas superfícies externas, sombrear adequadamente as
aberturas e selecionar materiais com baixa transmitância térmica, principalmente aqueles a serem
empregados na cobertura, conforme as recomendações normativas (ABNT, 2005).
Identificando-se os diversos condicionantes que se impõem à adequação arquitetônica no
contexto de Santana do Ipanema, pode-se concluir que há possibilidade de se favorecer o desempenho
térmico satisfatório das edificações residenciais e, por conseguinte, o conforto térmico de seus
usuários. Considerando-se o potencial de aplicação das estratégias de condicionamento ambiental,
verificou-se que mesmo sob as condições rigorosas do clima local é possível reduzir as temperaturas
internas a níveis considerados satisfatórios pelos usuários. Isto sem ser necessário empregar o
condicionamento artificial, de modo que tais estratégias representam opções inteligentes que podem
ser utilizadas na arquitetura residencial independente do padrão de renda da habitação. No contexto do
sertão alagoano, a utilização dessas estratégias alcança relevância ainda maior, pois possibilita o
atendimento às exigências de conforto térmico através de meios mais econômicos e financeiramente
acessíveis à maioria da população.
5.1. Sugestões para trabalhos futuros
Com relação à avaliação do potencial de estratégias de condicionamento ambiental em
edificações em Santana do Ipanema, o presente estudo deteve-se a verificar se as condições externas
de temperatura manter-se-iam sob os limites definidos para a aplicação das mesmas. Desse modo,
este trabalho constitui-se em um ponto de partida para investigações mais aprofundadas, tanto para as
estratégias de condicionamento passivo aqui avaliadas quanto para as demais alternativas
recomendáveis para o clima quente e seco, destacando-se as coberturas ajardinadas e o gotejamento
de água sobre o telhado. Quanto à ventilação noturna e o resfriamento evaporativo, uma vez que os
resultados indicaram que as mesmas apresentam um significativo potencial de uso nas edificações
analisadas, são necessários estudos relacionados ao desempenho de tais estratégias, incluindo
medições em campo (sistemas em funcionamento) e/ ou simulação computacional. Investigações
relativas às condições de ventilação natural (velocidade, freqüência e direção dos ventos) também são
necessárias para uma investigação abrangente acerca do seu real potencial de uso nas edificações.
A partir da análise de conforto, identificaram-se alguns aspectos que carecem de investigação
mais aprofundada, relativos aos mecanismos responsáveis pela adaptação dos indivíduos ao calor e as
reações esperadas quando os mesmos encontram-se no interior de ambientes condicionados.
Destacam-se os seguintes aspectos: fatores envolvidos ao ajuste do PMV (pessoais e climáticos) e
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inter-relação entre os mesmos; determinação de fatores de expectativa; relação entre o tempo de
permanência no interior de ambientes condicionados e mudanças nas sensações de conforto e, por
fim, estudos relativos à determinação do limite inferior da zona de conforto para indivíduos aclimatados
ao calor. Considerando-se o reduzido número da mostra de votos de conforto analisada no presente
trabalho, é necessária a realização de estudos mais abrangentes em localidades de clima semelhante
ao de Santana do Ipanema.
Por fim, além das questões climáticas e de ordem econômica, outro fator relacionado ao
desempenho térmico das edificações merece investigação. A obtenção dos benefícios esperados
quanto ao desempenho térmico e consumo energético das edificações está diretamente relacionada à
habilidade do usuário em lidar com as estratégias incorporadas ao projeto. O usuário é o responsável
pelo controle dos dispositivos incorporados na edificação, sejam eles arquitetônicos (janelas, brises
móveis) ou sistemas mecânicos (resfriadores evaporativos, ventiladores, ar condicionado). Desse
modo, deve-se aprofundar o conhecimento a respeito da influência do usuário na eficácia de
estratégias de condicionamento ambiental, durante a fase de uso da edificação, como meio de
assegurar a eficácia das estratégias e facilitar o diálogo técnico entre os usuários e os projetistas na
seleção das alternativas mais adequadas.
Juliana Oliveira Batista -------------------------
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Juliana Oliveira Batista
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Juliana Oliveira Batista -------------------------
149
Juliana Oliveira Batista
APÊNDICES
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APÊNDICE 1 – QUESTIONÁRIO PARA AVALIAÇÃO DA ACEITABILIDADE TÉRMICA
As questões a seguir foram abordadas durante as visitas de campo para realização das medições
subjetivas (sensações e preferências térmicas dos usuários).
QUESTÃO 1: Dados do respondente:
Idade:………. Altura:………. Peso:………. Sexo:………. Data:……….
QUESTÃO 2: Vestimentas
Obtidas a partir dos valores estabelecidos pela ISO 9920/95 para cada peça utilizada pelos usuários.
QUESTÃO 3: De acordo com a ISO 10551/95. Abordagem verbal/ registro escrito pela
pesquisadora:
“Com relação a sua sensação térmica, como você está se sentindo nesse momento?”
Alternativas de resposta:
Com muito calor
Com calor
Levemente com calor
Neutro
Levemente com frio
Com frio
Com muito frio
QUESTÃO 4: De acordo com a ISO 10551/95. Abordagem verbal/ registro escrito pela
pesquisadora:
“De que maneira você se encontra nesse momento (com relação ao calor)?”
Alternativas de resposta:
Confortável
Levemente desconfortável
Desconfortável
Muito desconfortável
QUESTÃO 5: De acordo com a ISO 10551/95. Abordagem verbal/ registro escrito pela
pesquisadora:
“Como você preferia estar se sentindo agora?”
Alternativas de resposta:
Bem mais aquecido
Mais aquecido
Um pouco mais aquecido
Assim mesmo
Um pouco mais refrescado
Mais refrescado
Bem mais refrescado
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151
APÊNDICE 2 – ENTREVISTA APLICADA AOS USUARIOS DAS EDIFICAÇÕES MONITORADAS:
TÓPICOS GUIA
Os tópicos abaixo relacionados foram abordados durante a realização das entrevistas com
os usuários das edificações.
1) Sabendo um pouco mais sobre vocês e seu dia a dia:
- Quantas pessoas residem/ trabalham aqui?
- Quais os períodos de permanência de cada um? Quais as atividades?
- Em quais locais vocês permanecem mais/ gostam mais de ficar? Por quê? Em quais períodos?
- Que tipo de roupa vocês usam normalmente quando estão em casa/ trabalhando?
2) Qual a opinião de vocês sobre as condições de conforto em sua casa/ ambiente de
trabalho?
- Como vocês classificam a sua casa/ ambiente de trabalho? “quente” ou “frio”? Por quê?
- Como vocês definem um ambiente como “quente” ou ”frio”? (conceitue)
- Vocês consideram que todos os ambientes possuem boas condições de ventilação e iluminação?
Destaquem alguns aspectos. (Edificações R1, R2 e R3 residências)
- Há locais mais ou menos confortáveis aqui? Quais são? Na opinião de vocês, o que os tornam
assim?
- Há períodos mais ou menos confortáveis ao longo do dia e do ano? Vocês acham que as
sensações de calor variam muito durante o ano?
- Qual a sensação que mais os incomoda: calor ou frio? (períodos)
- Quando vocês sentem desconforto térmico, geralmente, em que condições vocês se encontram
(quanto à roupa e a atividade desenvolvida)? Em que locais da casa/ ambiente de trabalho?
- Vocês estão sempre satisfeitos com as condições de conforto térmico desta casa/ ambiente de
trabalho? Por quê?
- Com relação ao ambiente onde o estudo está sendo realizado: qual o período de permanência de
cada um de vocês no mesmo? Falem um pouco sobre as sensações de conforto ou desconforto
durante esses períodos.
3) Como vocês reagem ao desconforto?
- O que vocês fazem para se sentirem mais confortáveis? Quais as atitudes individuais (Ex.: trocar
de roupa, vai para outro ambiente, abre janelas/ portas, aciona o ventilador ou ar condicionado,
etc.)? E quando vocês estão no ambiente em estudo?
- Sempre é possível minimizar o calor (ou o frio) as condições de conforto através dessas ações?
- A ventilação é sempre bem vinda ou vocês se incomodam com a entrada de ventos quentes/
trazendo poeira? (Edificações R1, R2 e R3 residências)
- Em quais momentos vocês decidem “reagir”, ou seja, em qual (quais) períodos do dia ou do ano as
condições térmicas deixam de ser “aceitáveis”?
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152
- Na sua opinião, o que deveria ser feito para melhorar as condições de conforto em sua casa? E
quanto ao ambiente em estudo (ele é plenamente satisfatório sob o ponto de vista do conforto
térmico)?
- Na sua opinião, o que mais prejudica o conforto aqui? Teria alguma sugestão (reforma, por
exemplo)?
COMPARAÇÕES (Questões específicas para a Edificação C1):
- Vocês acham que este ambiente é mais ou menos agradável do que suas casas (quanto ao calor e
ao frio)? Por quê?
- Descreva a sua residência e destaque aspectos positivos e negativos)
- Relembrando todo o tempo que vocês permanecem aqui (nos seus locais de trabalho), como vocês
consideram a situação de conforto térmico neste momento?
4) Quanto ao uso do ar condicionado:
- Vocês acham o ar condicionado uma boa alternativa para garantir o conforto nos ambientes?
- Quais as vantagens e desvantagens do uso do ar condicionado (inclusive financeiras)?
- Em quais cômodos vocês têm o aparelho instalado? Por que decidiram instalá-lo? (edificação 3)
- Quando vocês entram em um ambiente condicionado, sentem-se satisfeitos? Gostariam de ter um
em casa? Onde instalaria?
- O ar condicionado está atendendo plenamente as necessidades de uso? (Edificação R3)
- Quais os períodos de uso do equipamento?(Edificações R3 e C1)
- Vocês percebem diferença na conta de energia quando usam o ar condicionado? (Edificação R3)
5) Qual a opinião geral de vocês sobre a sua casa? (aspectos positivos e negativos)
Juliana Oliveira Batista -------------------------
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ANEXOS
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ANEXO 1 – MEDIÇÕES REALIZADAS NAS RESIDÊNCIAS
A.1.1: Edificação residencial R1
* Valores médios identificados por algarismos romanos.
** Votos da pesquisadora em cinza.
no. sexo idade
Vestimenta
(clo)
Sensação
Preferência
Atividade
(W/m2)
TBS_int
(ºC)
TBSext
(ºC)
Var
(m/s)
Trmed
(ºC)
UR
(%)
1 F 11 0,26 1 1 58 30,31 33,59
0
29,38 62,6
2 F 17 0,26 3 3 58 30,31 33,59
0
29,38 62,6
I 0,26 2,00 2,00 58,00 30,31 33,59
0,00
29,38 62,60
3 F 29 0,17 1 1 58 30,31 33,59
0
30,31 62
4 F 22 0,46 2 3 70 30,31 33,59
0
30,31 62
II 0,32 1,50 2,00 64,00 30,31 33,59
0,00
30,31 62,00
5 F 11 0,19 2 3 58 34,43 36,57
0
34,43 34,7
6 F 29 0,18 1 3 58 34,43 36,57
0
34,43 34,7
7 F 22 0,33 2 2 70 34,43 36,57
0,01
34,43 34,7
III 0,23 1,67 2,67 62,00 34,43 36,57
0,00
34,43 34,70
8 F 11 0,29 1 1 58 31,93 32,76
0,24
31,01 41,2
IV 0,29 1,00 1,00 58,00 31,93 32,76
0,24
31,01 41,20
9 F 29 0,2 1 1 58 31,52 32,34
0,13
31,52 44,4
10 F 22 0,46 1 1 70 31,52 32,34
0,12
31,52 44,4
V 0,33 1,00 1,00 64,00 31,52 32,34
0,13
31,52 44,40
11 F 11 0,2 1 1 58 31,12 31,12
0,11
31,12 57,3
12 F 22 0,46 1 1 70 31,12 31,12
0,32
30,20 57,3
VI 0,33 1,00 1,00 64,00 31,12 31,12
0,22
30,66 57,30
13 F 29 0,2 1 0 58 31,12 30,71
0,72
30,20 57,3
14 F 11 0,2 1 1 58 31,12 30,71
0
30,20 57,3
VII 0,20 1,00 0,50 58,00 31,12 30,71
0,36
30,20 57,30
15 F 22 0,46 1 1 70 30,71 30,71
0,06
30,71 58,4
VIII 0,46 1,00 1,00 70,00 30,71 30,71
0,06
30,71 58,40
16 F 29 0,2 1 0 58 30,71 30,71
0,79
30,71 58,4
IX 0,20 1,00 0,00 58,00 30,71 30,71
0,79
30,71 58,40
17 F 22 0,38 1 0 70 30,31 29,5
0,31
28,48 54,1
18 F 29 0,19 0 0 58 30,31 29,5
0,42
28,48 54,1
X 0,29 0,50 0,00 64,00 30,31 29,50
0,37
28,48 54,10
19 M 19 0,11 3 3 58 33,17 34,43
0,48
33,98 41,5
20 F 29 0,17 3 3 58 33,17 34,43
0,05
33,98 43,1
XI 0,14 3,00 3,00 58,00 33,17 34,43
0,27
33,98 42,30
21 F 22 0,46 2 3 70 33,17 34,43
0
33,21 43,1
22 F 11 0,19 2 3 58 33,17 34,43
0
33,21 43,1
XXII 0,33 2,00 3,00 64,00 33,17 34,43
0,00
33,21 43,10
23 M 19 0,11 3 3 58 33,17 34,43
0,04
33,17 43,1
XXIII 0,11 3,00 3,00 58,00 33,17 34,43
0,04
33,17 43,10
24 F 22 0,46 1 1 70 28,7 26,34
0
27,13 77,9
25 M 19 0,23 1 0 58 28,7 26,34
0
27,13 77,9
XIV 0,35 1,00 0,50 64,00 28,70 26,34
0,00
27,13 77,90
26 F 22 0,46 1 1 70 28,7 25,95
0
26,34 77,9
J
J
u
u
l
l
i
i
a
a
n
n
a
a
O
O
l
l
i
i
v
v
e
e
i
i
r
r
a
a
B
B
a
a
t
t
i
i
s
s
t
t
a
a -------------------------
155
A.1.1: Edificação residencial R1 (Continuação)
* Valores médios identificados por algarismos romanos.
** Votos da pesquisadora em cinza.
no. sexo idade
Vestimenta
(clo)
Sensação
Preferência
Atividade
(W/m2)
TBS_int
(ºC)
TBSext
(ºC)
Var
(m/s)
Trmed
(ºC)
UR
(%)
27 F 29 0,17 1 0 58 28,71 25,95
0
26,33 77,9
28 F 11 0,17 0 0 70 28,7 25,95
0
26,34 77,9
XV 0,27 0,67 0,33 66,00 28,70 25,95
0,00
26,34 77,90
29 F 22 0,46 0 1 70 28,31 25,95
0
25,93 78,8
XVI 0,46 0,00 1,00 70,00 28,31 25,95
0,00
25,93 78,80
30 F 11 0,17 0 0 58 28,31 25,95
0,04
25,93 80,6
XVII 0,17 0,00 0,00 58,00 28,31 25,95
0,04
25,93 80,60
31 F 29 0,17 0 0 58 28,31 25,95
0
25,93 80,6
XVIII 0,17 0,00 0,00 58,00 28,31 25,95
0,00
25,93 80,60
32 F 11 0,17 0 0 58 27,91 26,34
0,02
26,33 79,7
XIX 0,17 0,00 0,00 58,00 27,91 26,34
0,02
26,33 79,70
33 F 11 0,17 1 0 58 29,1 27,91
0,24
28,31 67,1
34 F 29 0,17 0 0 58 29,1 27,91
0,24
28,31 67,1
XX 0,17 0,50 0,00 58,00 29,10 27,91
0,24
28,31 67,10
35 M 19 0,14 1 0 58 31,12 29,9
0,3
30,32 62,2
XXI 0,14 1,00 0,00 58,00 31,12 29,90
0,30
30,32 62,20
36 F 11 0,24 2 1 58 31,12 29,9
0,06
30,32 62,8
XXII 0,24 2,00 1,00 58,00 31,12 29,90
0,06
30,32 62,80
37 F 29 0,17 2 1 70 33,59 33,59
0,19
34,40 45,1
XXIII 0,17 2,00 1,00 70,00 33,59 33,59
0,19
34,40 45,10
38 F 29 0,17 2 1 58 32,76 31,93
0
32,76 48,6
XXIV 0,17 2,00 1,00 58,00 32,76 31,93
0,00
32,76 48,60
39 F 47 0,35 0 1 58 32,34 31,12
0,18
32,34 47,6
XXV 0,35 0,00 1,00 58,00 32,34 31,12
0,18
32,34 47,60
40 F 29 0,24 3 3 116 33,17 33,17
0,01
33,98 46,9
XXVI 0,24 3,00 3,00 116,00 33,17 33,17
0,01
33,98 46,90
41 F 47 0,35 2 3 58 33,17 32,76
0,05
33,98 47,6
XXVII 0,35 2,00 3,00 58,00 33,17 32,76
0,05
33,98 47,60
42 F 11 0,26 2 1 58 33,17 32,76
0,52
33,98 47,6
XXVIII 0,26 2,00 1,00 58,00 33,17 32,76
0,52
33,98 47,60
43 F 47 0,35 1 3 58 33,17 31,93
0,19
33,98 48,7
XXIX 0,35 1,00 3,00 58,00 33,17 31,93
0,19
33,98 48,70
J
J
u
u
l
l
i
i
a
a
n
n
a
a
O
O
l
l
i
i
v
v
e
e
i
i
r
r
a
a
B
B
a
a
t
t
i
i
s
s
t
t
a
a -------------------------
156
A.1.2.: Edificação residencial R2
** Votos da pesquisadora em cinza.
no. sexo idade
Vestimenta
(clo)
Sensação
Preferência
Atividade
(W/m2)
TBS_int
(ºC)
TBSext
(ºC)
Var
(m/s)
Trmed
(ºC)
UR
(%)
1
F 22 0,46 1 1 70 31,52 32,43
0,01
33,34 40,9
2
F 22 0,46 0 0 70 29,5 29,23
0,1
28,95 63,4
3
F 22 0,46 0 0 70 29,5 29,50
1,15
29,50 63,7
4
F 22 0,46 0 0 70 29,9 30,36
0,22
30,82 62,1
5
F 22 0,51 0 0 70 31,12 31,57
0,34
32,01 46,5
6
F 22 0,49 2 1 70 31,52 31,52
0,08
31,52 49,4
7
F 22 0,49 1 1 70 31,52 31,52
0,08
31,52 49,3
8
F 22 0,49 0 0 70 30,31 30,31
0,03
30,31 60,3
9
F 22 0,49 0 0 70 30,31 30,31
0,02
30,31 59,5
10
F 22 0,48 1 1 70 30,71 30,71
0
30,71 56,1
11
F 22 0,36 1 1 58 30,71 30,71
0,23
30,71 55,4
12
F 22 0,49 0 0 70 29,9 29,90
0,08
29,90 59,8
A.1.3.: Edificação residencial R3
** Votos da pesquisadora em cinza.
no. sexo idade
Vestimenta
(clo)
Sensação
Preferência
Atividade
(W/m2)
TBS_int
(ºC)
TBSext
(ºC)
Var
(m/s)
Trmed
(ºC)
UR
(%)
1
F 22
0,46 1 1
70
27,91 29,9 0,04 28,48 60,2
2
F 22
0,46 1 1
70
28,31 30,31 0,54 30,67 59,4
3
F 22
0,46 2 2
70
29,5 33,59 0,01 30,60 55,2
4
F 22
0,46 2 2
70
29,1 34,43 0 30,79 53,9
5
F 22
0,46 2 1
70
29,5 33,59 0 31,80 50,9
6
F 22
0,19 2 1
70
30,31 29,1 0,25 30,31 56,4
7
F 22
0,46 2 1
70
30,31 29,1 0,01 30,31 56,4
J
J
u
u
l
l
i
i
a
a
n
n
a
a
O
O
l
l
i
i
v
v
e
e
i
i
r
r
a
a
B
B
a
a
t
t
i
i
s
s
t
t
a
a -------------------------
157
ANEXO 2 – MEDIÇÕES REALIZADAS EDIFICAÇÃO COM CONDICIONAMENTO ARTIFICIAL
A.2.: Edificação comercial C1
* Valores médios identificados por algarismos romanos.
** Votos da pesquisadora em cinza.
*** Votos dos funcionários em amarelo.
**** Demais votos: clientes.
no.
sexo
idade
Vestimenta
(clo)
Sensação Preferência
Atividade
(W/m2)
TBS_int
(ºC)
TBSext
(ºC)
Var
(m/s)
Trmed
(ºC)
UR
(%)
1
F 26
0,48 1 0 58 27,52 31,93
0,01
27,05 36,7
I
0,48 1,00 1,50 58,00 27,52 31,93
0,01
27,05 36,70
2
F 38
0,46 0 1 70 27,52 32,34
0,01
27,05 38,4
3
M 21
0,59 0 2 70 27,52 32,34
0,01
27,05 38,4
II
0,53 0,00 1,50 70,00 27,52 32,34
0,01
27,05 38,40
4
F 22
0,5 0 0 58 27,52 32,76
0,01
27,05 39
III
0,50 0,00 0,00 58,00 27,52 32,76
0,01
27,05 39,00
5
F 38
0,44 0 0 70 24,79 34,85
0,01
25,89 42,7
6
F 38
0,41 0 0 70 24,79 34,85
0
25,89 42,7
7
F 22
0,44 0 0 70 24,79 34,85
0,13
26,24 42,7
IV
0,43 0,00 0,00 70,00 24,79 34,85
0,05
26,00 42,70
8
F 29
0,51 0 0 58 26,34 31,93
0,1
27,02 49
V
0,51 0,00 0,00 58,00 26,34 31,93
0,10
27,02 49,00
9
F 33
0,48 0 0 58 26,34 31,52
0,01
26,88 49,4
10
M 20
0,25 0 0 58 26,34 31,52
0
26,88 49,4
VI
0,37 0,00 0,00 58,00 26,34 31,52
0,01
26,88 49,40
11
F 49
0,32 0 0 58 26,34 31,93
0
26,88 50
12
F 22
0,46 0 0 58 26,34 31,93
0
26,88 50
13
M 19
0,41 0 0 58 26,34 31,93
0
26,88 50
VII
0,40 0,00 0,00 58,00 26,34 31,93
0,00
26,88 50,00
14
F 26
0,51 0 1 58 26,34 31,93
0
26,88 49,8
15
F 38
0,53 0 1 70 26,34 31,93
0,01
26,88 49,8
VIII
0,52 0,00 1,00 64,00 26,34 31,93
0,01
26,88 49,80
16
F 32
0,48 0 1 70 26,34 31,52
0
26,34 48,4
IX
0,48 0,00 1,00 70,00 26,34 31,52
0,00
26,34 48,40
17
F 38
0,51 1 1 70 25,17 35,27
0
25,17 41,2
X
0,51 1,00 1,00 70,00 25,17 35,27
0,00
25,17 41,20
18
F 38
0,44 0 0 70 24,79 34,43
0,01
25,31 41,9
19
F 22
0,46 -1 0 70 24,79 34,43
0,09
25,44 41,9
XI
0,45 -0,50 0,00 70,00 24,79 34,43
0,05
25,38 41,90
20
F 38
0,46 0 0 70 24,79 33,59
0
24,79 41,6
XII
0,46 0,00 0,00 70,00 24,79 33,59
0,00
24,79 41,60
21
F 22
0,46 0 0 70 26,73 37,88
0
25,95 39,9
22
F 46
0,44 0 0 58 26,73 37,88
0
25,95 39,9
23
M 26
0,25 0 0 58 26,73 37,88
0
25,95 39,9
24
F 43
0,43 0 0 58 26,73 37,88
0,1
25,50 39,9
XIII
0,40 0,00 0,00 61,00 26,73 37,88
0,03
25,84 39,90
25
M 21
0,57 0 1 70 26,34 37,44
0
25,56 37,9
26
F 38
0,55 2 1 70 26,34 37,44
0,03
25,34 37,9
27
M 22
0,34 1 1 58 26,34 37,44
0
25,56 37,9
28
M 24
0,52 0 1 58 26,34 37,44
0
25,56 37,9
29
F 22
0,46 0 0 70 26,34 37,44
0
25,56 37,9
J
J
u
u
l
l
i
i
a
a
n
n
a
a
O
O
l
l
i
i
v
v
e
e
i
i
r
r
a
a
B
B
a
a
t
t
i
i
s
s
t
t
a
a -------------------------
158
A.2.: Edificação comercial C1 (Continuação)
* Valores médios identificados por algarismos romanos.
** Votos da pesquisadora em cinza.
*** Votos dos funcionários em amarelo.
**** Demais votos: clientes.
XIV
0,49 0,60 0,80 65,20 26,34 37,44
0,01
25,52 37,90
30
F 38
0,51 1 1 70 26,34 37,44
0
25,56 37,1
XV
0,51 1,00 1,00 70,00 26,34 37,44
0,00
25,56 37,10
31
F 22
0,51 0 0 70 26,34 37,44
0
25,56 38,3
32
F 30
0,51 0 0 58 26,34 37,44
0,06
25,22 38,3
33
M 52
0,46 0 0 58 26,34 37,44
0,05
25,26 38,3
34
F 23
0,44 1 0 58 26,34 37,44
0
25,56 38,3
35
F 35
0,34 0 0 58 26,34 37,44
0
25,56 38,3
36
M 26
0,51 0 1 58 26,34 37,44
0
25,56 38,3
XVI
0,46 0,17 0,17 60,00 26,34 37,44
0,02
25,45 38,30
37
F 38
0,51 0 0 58 26,34 37,44
0
25,56 37
38
F 38
0,55 2 1 70 26,34 37,44
0,03
25,34 37
XVII
0,53 1,00 0,50 64,00 26,34 37,44
0,02
25,45 37,00
39
F 38
0,42 2 1 70 25,17 28,7
0
24,01 35
XVIII
0,42 2,00 1,00 70,00 25,17 28,70
0,00
24,01 35,00
40
M 37
0,59 1 1 70 25,17 28,7
0,01
23,84 38,2
XIX
0,59 1,00 1,00 70,00 25,17 28,70
0,01
23,84 38,20
41
F 22
0,46 0 0 70 25,56 27,91
0,03
24,07 43,3
42
M 37
0,59 0 1 70 25,56 27,91
0,01
24,23 43,3
XX
0,53 0,00 0,50 70,00 25,56 27,91
0,02
24,15 43,30
43
M 28
0,41 0 1 58 25,56 34,43
0,02
24,14 41,2
44
M 28
0,47 1 1 58 25,56 34,43
0,02
24,14 41,2
45
M 21
0,57 0 1 70 25,56 34,43
0
24,40 41,2
46
F 38
0,46 1 1 70 25,56 34,43
0
24,40 41,2
47
F 22
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0
24,40 41,2
XXI
0,47 0,40 1,00 65,20 25,56 34,43
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24,30 41,20
48
F 35
0,5 0 0 58 25,56 34,43
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23,56 41,1
XXII
0,50 0,00 0,00 58,00 25,56 34,43
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23,56 41,10
49
F 35
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24,79 40,6
50
F 22
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24,79 40,6
51
M 21
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XXIII
0,49 0,00 0,33 66,00 25,56 34,85
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52
M 28
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53
F 22
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24,40 40,4
XXIV
0,44 0,00 0,00 64,00 25,17 35,27
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24,40 40,40
54
F 50
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0,01
24,68 43,7
55
F 51
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24,68 43,7
56
F 50
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XXV
0,44 0,00 0,00 58,00 25,56 34,43
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57
M 21
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58
F 38
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0
24,79 50,8
59
F 38
0,42 0 0 70 25,56 31,52
0
24,79 50,8
XXVI
0,51 0,00 0,33 70,00 25,56 31,52
0,00
24,79 50,80
60
F 22
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25,17 58,5
XXVII
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25,17 58,50
61
F 38
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0
25,17 56,3
XXVIII
0,42 0,00 0,00 70,00 25,56 31,12
0,00
25,17 56,30
J
J
u
u
l
l
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i
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n
n
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O
O
l
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r
r
a
a
B
B
a
a
t
t
i
i
s
s
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t
a
a -------------------------
159
A.2.: Edificação comercial C1 (Continuação)
* Valores médios identificados por algarismos romanos.
** Votos da pesquisadora em cinza.
*** Votos dos funcionários em amarelo.
**** Demais votos: clientes.
62
F 38
0,53 0 1 70 25,56 30,71
0
25,17 57,1
63
M 21
0,61 0 0 70 25,56 30,71
0
25,17 57,1
XXIX
0,57 0,00 0,50 70,00 25,56 30,71
0,00
25,17 57,10
64
F 39
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24,79 44,3
65
F 54
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24,79 44,3
XXX
0,35 0,00 0,00 58,00 25,56 36,13
0,00
24,79 44,30
66
M 58
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67
F 38
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24,79 43,9
XXXI
0,52 0,50 0,50 64,00 25,56 37,44
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24,64 43,90
68
M 21
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24,79 42,8
XXXII
0,59 1,00 1,00 70,00 25,56 36,57
0,00
24,79 42,80
69
F 38
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0
24,79 43,6
XXXIII
0,49 0,00 1,00 70,00 25,56 37,44
0,00
24,79 43,60
70
M 32
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24,68 44,4
71
M 50
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24,79 44,4
72
M 21
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73
F 46
0,55 0 0 58 25,56 36,57
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74
F 42
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0,02
24,62 44,4
XXXIV
0,44 0,00 0,00 58,00 25,56 36,57
0,01
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75
F 14
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0
24,79 44,6
76
M 33
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24,79 44,6
XXXV
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77
F 43
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XXXVI
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78
M 21
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0
24,79 44,1
XXXVII
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24,79 44,10
79
F 28
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25,80 39,4
80
F 42
0,49 0 0 58 26,34 37,88
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25,80 39,4
81
M 39
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25,95 39,4
82
F 32
0,49 0 0 58 26,34 37,88
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25,95 39,4
83
F 44
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25,74 39,4
XXXVIII
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0,04
25,85 39,40
84
F 36
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25,56 38,6
XXXIX
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25,56 38,60
85
M 39
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86
F 32
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87
F 42
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XL
0,49 0,00 0,00 58,00 26,34 38,32
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24,91 36,50
88
F 31
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89
M 24
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25,17 36
XLI
0,29 0,00 0,00 58,00 26,34 38,32
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24,92 36,00
90
F 45
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91
F 32
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92
F 24
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24,79 35,5
93
F 42
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24,79 35,5
XLII
0,47 0,00 0,50 58,00 25,95 38,77
0,00
24,79 35,50
J
J
u
u
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n
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O
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l
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i
r
r
a
a
B
B
a
a
t
t
i
i
s
s
t
t
a
a -------------------------
160
A.2.: Edificação comercial C1 (Continuação)
* Valores médios identificados por algarismos romanos.
** Votos da pesquisadora em cinza.
*** Votos dos funcionários em amarelo.
**** Demais votos: clientes.
94
F 38
0,51 1 1 70 25,56 35,27
0
25,17 39,4
XLIII
0,51 1,00 1,00 70,00 25,56 35,27
0,00
25,17 39,40
95
M 21
0,57 0 0 70 25,56 34,43
0
25,17 41,7
96
F 50
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25,04 41,7
XLIV
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0,02
25,10 41,70
97
F 38
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25,17 43,3
XLV
0,50 0,00 0,00 70,00 25,56 33,59
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25,17 43,30
98
F 38
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XLVI
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99
M 22
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25,11 44,6
XLVII
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25,11 44,60
100
F 27
0,45 0 0 58 26,73 35,7
0
25,56 42,4
XLVIII
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25,56 42,40
101
M 26
0,42 0 0 58 26,34 36,57
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25,56 42,3
102
F 48
0,5 0 0 58 26,34 36,57
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25,56 42,3
XLIX
0,46 0,00 0,00 58,00 26,34 36,57
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25,56 42,30
103
M 21
0,57 1 0 70 26,34 35,7
0
25,56 41,9
104
F 34
0,44 0 1 58 26,34 35,7
0,02
25,39 41,9
L
0,51 0,50 0,50 64,00 26,34 35,70
0,01
25,47 41,90
105
F 42
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0
25,56 42,3
LI
F 26
0,50 0,00 0,00 58,00 26,34 37,00
0,00
25,56 42,30
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