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Caracterização dos Cenários
Basicamente o interior de um apartamento composto dos seguintes cômodos: sala,
cozinha, quarto, corredor e banheiro, além de um bosque que povoa as memórias de Laura.
Sala
: janela grande com cortina (permite uma vista panorâmica da cidade), poucos móveis,
estante com espaço para muitos penduricalhos, um grande crucifixo na parede, um lustre
antigo, quadro dos antepassados na parede, uma mesa retangular de centro com um vaso
de rosas (botões), sofá e duas poltronas de cores sóbrias (bege ou algo do tipo), chão
composto de um piso claro, encoberto com tapete escuro, arara no canto da sala (chapéu,
casaco, guarda-chuva), quadros na parede (em especial religiosos), telefone de cor branca
no canto da sala, máquina de escrever velha, alguns papéis amarelados na estante, livros e
revistas.
Cozinha:
Espaço amplo e simples, com azulejos claros até o teto, possui fogão, geladeira,
mesa para as refeições, armários e ao lado da pia, tem a saída para área de serviço e
quartinho de empregada.
Quarto
: Cama alta, com guarda de madeira e que provoque ruídos (rangidos) quando
alguém se deita ou se levanta, tendo dois travesseiros bem “murchos”, roupas de cama
alternadas entre amarelas e cinza, relógio despertador antigo, criados-mudos bem antigos,
que não combinem com a estética da cama, pantufas de um dos lados da cama,
penteadeira com espelho e banquinho – com porta jóias, caixinha de música antiga,
perfumes, crucifixo sob a cama, janelas cobertas por cortina pesada, meio claustrofóbico.
Corredor
: Extenso e estreito, sombrio, espaço da sombra que predomina sobre a luz, alguns
quadros de paisagens e um em especial no meio do corredor – “As três fases da mulher ou
da vida (?)” de Gustave Klimt e um pequeno altar nas paredes, um tapete grande ao centro.
Espaço da transição entre dois universos de conflito: a sala e o quarto.
Bosque
: lugar aberto, muitas árvores, pessoas espalhadas por todos os cantos, burburinho
constante de conversas e crianças brincando ininterruptamente.
SEQÜÊNCIAS
Toda a ação se dá no intervalo entre o fim da tarde e o início da noite. A hora
perigosa do dia, onde o lusco-fusco, a luz em transição, incide e incita transformações,
neste momento nossa personagem destila sua espera contrita e ao mesmo tempo raivosa
dos homens, dos amores, das angústias e dos devaneios de quem aguarda o mesmo
momento desde sempre. É quase como um labirinto cujas paredes são a incômoda
passagem de tempo que escorre ao longo de cinco “capítulos”, por hora chamemos assim:
A Apresentação, A Presença Melancólica do Passado, O momento epifânico, A
Lucidez Perigosa e Consistir ou...