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SUMÁRIO
1 - Introdução
2 - Programação dos trabalhos
3 - Levantamento da rede universitária brasileira no campo da
Química.
3.1 - Coleta de dados
3*2 - Interpretação dos dados
3.2.1 - Nível de graduação
3.2.2 - Nível de pós-graduação
3.3 - Crítica às unidades
3.4 - Conclusões
4 - Mercado de trabalho em Química
5 - Sugestões visando à expansão, em qualidade e quantidade,do
ensino da Química, de acordo com as demandas nacionais e
regionais
6 - Outras atividades da Comissão
6.1 - Distribuição de vertas para 1965
6.2 - Bolsas no exterior para professôres
6.3 - Pareceres relativos a autorização para fun -
cionamento de novas unidades de ensino univer
sitário, no setor da Química.
6.4 - Banco de Livros
6.5 - Professôres visitantes
7 - Anexos
7.1 - Anexo I - Questionários à direção das unida-
des
7.2 - Anexo II - Questionário ao Corpo Docente
7.3 - Anexo III- Mapas dos dados relativos às unida-
des
ads:
7.4 - Anexo IV - Exemplos da aplicação dos critérios
adotados para a avaliação do SCD.
7.5 - Anexo V - Quadro Geral da distribuição de ver-
bas para 1965•
7.6 - Anexo VI - Bolsas no exterior para professôres
7.7 - Anexo VII - Professôres visitantes
7.8 - Anexo VIII- Relação atualizada das unidades que
ministram cursos de Química em ní -
vel superior, no país, em 1965-
Quadros
8.1 - Quadro I - Dados gerais das unidades
8.2 - Quadro II - Classificação das Escolas
8.3 - Quadro III - Cursos de Pós-graduação
8.4 - Quadro IV - Número de alunos, vagas em 1965, e
número de profissionais diplomados
8.5 - Quadro V - Número de novos empregos,
EEUFRGS - Escola de Engenharia da U. Federal do Rio Grande do Sul.
FFiUFRGS- Faculdade de Filosofia da U. Federal do Rio Grande do Sul
EEIRG - Escola de Engenharia Industrial do Rio Grande
FCPUCRGS- Faculdade de Ciências da Pontifícia U. Católica do Rio
Grande do Sul
FFiCLUSta Maria - Faculdade de Filosofia Ciências e Letras da U.
Federal de Santa Maria
EQUFPR - Escola de Química da Univ. Federal do Paraná
FFiCLUFPR-Faculdade de Filosofia Ciências e Letras da Universida-
de Federal do Paraná
FFiCLUCPR-Faculdade de Filosofia Ciências e Letras da Universida-
de Católica do Paraná
IBUFPR -Instituto de Bioquímica da U. Federal do Paraná
EPUSP -Escola Politécnica da Universidade de São Paulo
FFiCLUSP -Faculdade de Filosofia Ciências e Letras da U. Sao Paulo
EEUMackenzie- Escola de Engenharia da Universidade Mackenzie
EEIPUCSP -Escola de Engenharia Industrial da Pontifícia Universi-
dade Católica de São Paulo
EEMauá -Escola de Engenharia Mauá
FFiCLAraraquara- Faculdade de Filosofia Ciências e Letras de Ara-
raquara
FFiCLRPrêto- Faculdade de Filosofia C. e Letras de Ribeirão Preto
EQUFRJ -Escola de Química da Universidade Federal do Rio de Ja-
neiro
FFiUFRJ - Faculdade de Filosofia da U. Federal do Rio de Janeiro
FFiCLUEG- Faculdade de Filosofia C. e Letras da U. do Estado da
Guanabara
IME - Instituto Militar de Engenharia
IQUFRJ - Instituto de Química da U. Federal do Rio de Janeiro
ICQUFMG - Instituto Central de Química da U.Federal de M.Gerais
EEUFMG - Escola de Engenharia da U. Federal de Minas Gerais.
FFiUFMG - Faculdade de Filosofia da U. Federal de Minas Gerais
EEUberlândia-Eseola de Engenharia de Uberlândia
ICQUBrasília- Instituto Central de Química da U. de Brasília
IQUFBA - Instituto de Química da U. Federal da Bahia
EPUFBA - Escola Politécnica da Univ. Federal da Bahia
FFiUFBA - Faculdade de Filosofia da U. Federal da Bahia
EQSergipe- Escola de Química de Sergipe
ESQUFPE - Escola Superior de Química da U. Federal de Pernambuco
IQUFPE - Instituto de Química da U. Federal de Pernambuco
EPUCPE - Escola Politécnica da Univ. Católica de Pernambuco
FFiCLUCPE- Faculdade de Filosofia C. e Letras da Universidade Ca-
tólica de Pernambuco
IQUFPB - Instituto de Química da Univ. Federal da Paraíba
IQTUFCE - Instituto de Química e Tecnologia da U.Federal do Ceará
ESQUFP - Escola Superior de Química da Univ. Federal do Pará
FFiAmazonas- Faculdade de Filosofia do Amazonas
EE - Docentes com experiência no exterior
M -Mestrado
D - Doutoramento
LD - Livre Docência
CC - Cátedra por concurso
TE - Trabalhos publicados no exterior
L - Livros
TA - Títulos administrativos
MA - Media aritmética
MP - Média ponderada
SCD - Situação do Corpo Docente
AD - Alunos-disciplina
A/D - Alunos/Docentes
ap - Aparente
re - Real
SL - Situação dos laboratórios
EL - Exclusividade dos laboratórios
CM - Condições materiais
CD - Cátedras deficientes
PI - Professôres interinos
NA - Número de alunos
NP - Número de Professôres
- 1.01 -
1 - INTRODUÇÃO
De acordo com os dados colhidos por esta Comissão de
Planejamento da Formação de Químicos, havia, no país, em 1.965,
2.273 estudantes superiores nos cursos de Química Industrial, En-
genharia Química, Engenharia Operacional modalidade Química, e Ba
charelado em Química (faltando 5 cursos). Êste número engloba to
dos os estabelecimentos de ensino, em nível de graduação,num to -
tal de 36, quer sejam federais, estaduais, ou particulares.
Estimando a população universitária brasileira na fai_
xa do 140 mil estudantes, verifica-se que a Química representa cêr-
ca de 1,61%, isto é, uma percentagem bastante reduzida, conside -
rando-se o crescimento e a importância adquirida pelas indústrias
químicas, nos últimos 15 anos.
Verificou ainda esta Comissão, que o número de matrí-
culas iniciais nesses cursos, atingia apenas a cêrca de 780 (fal-
tando 9 cursos), isto é, 34% do total acima, devido à falta de
planejamento criterioso e à concessão de natureza política que
vinha caracterizando as expansões de matrículas, até poucc3 anos
atrás.
É plano das atuais autoridades governamentais no Ensi_
no Superior, a duplicação do número de matrículas no setor da Quí_
mica, até 1970.
Assim, coube a esta Comissão verificar as condições
do ensino da Química no país, de modo a apresentar sugestões,apo-
iadas na demanda do mercado de trabalho, capazes de permitir a exe
cução daquele plano, melhorando, ao mesmo tempo, os padrões do
ensino.
Êste Relatório é o Balanço das atividades da CPFQ,nês_
se sentido, no ano de 1965.
(continuação)
(continuação)
Isto é, 31 unidades, distribuídas por 13 Estados do Bra-
sil, formando-se Engenheiros Químicos em 15 Escolas, Químicos In -
dustriais em 4, e Bacharéis em 14. No sentido de atualizar esses
dados, de modo a servirem como ponto de partida aos trabalhos da
Comissão, em sua instalação, a D.E.Su. do M.E.C, enviou um questio_
nário a todas as unidades supra-citadas, solicitando informações
preliminares Julgadas essenciais, e, ainda, a todas as Universida-
des do país, bem como todas as Faculdades de Filosofia e de Engenha
ria, federais, ou estaduais, ou particulares. De um total de 166
questionários enviados, apenas 37% foram respondidos, em cêrca de
três meses, isto é, da data em que foi publicado a Portaria nº735,
de 19-11-64, criando a C.P.F.Q., até a data da sua instalação, em
18-2-1965.
Assim, por ocasião do início de seus trabalhos, verificou
a C.P.F.Q., que os dados disponíveis eram insuficientes para um es_
tudo criterioso do assunto. Em vista da morosidade desse sistema
de coleta de informações, resolveu a Comissão que dados concretos,
e com a presteza exigida, somente poderiam ser obtidos através de
visitas "in loco", por um dos membros da CPFQ. Para se obter uma
apreciação comparativa e uniforme das condições de funcionamento
dêsses estabelecimentos de ensino, julgou a Comissão aconselhável
que essas informações fossem colhidas por uma única pessoa, tendo-
-se designado para esse mister a professora Eloisa Biasotto Mano.
Nessa ocasião, a Comissão considerou todos os aspectos a serem ob-
servados com atenção naquelas visitas, de molde a ter em mãos in -
formações suficientes para o cumprimento de suas atribuições.
Os períodos escolhidos para as visitas foram os seguintes:
De 19/2 a 26/2/65 - Rio Grande do Sul e Santa Catarina
4/3 a 12/3/65 - Paraná e São Paulo
22/5 a 29/5/65 - Distrito Federal e Minas Gerais
22/8 a 7/9/65 - Pará, Ceará, Pernambuco, Paraíba,Sergipe
e Bahia.
Nos intervalos, seria feito o levantamento na Guanabara»
Deliberou-se dividir o país, para efeito de estudo dos da-
dos relativos à rêde universitária, em três regiões: Sul, compre-
endendo os Estados de Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná ,
São Paulo, Rio de Janeiro e Guanabara; Centro, compreendendo os Es
tados do Espírito Santo, Minas Gerais, Goiás, Distrito Federal, Ma
to Grosso e Território de Rondônia; e Norte, incluindo os restan-
tes Estados e Territórios da União.
A CPFQ apreciou também a situação atual das Escolas que mi_
nistram ensino da Química em nível médio, devido à importância da
razão entre o número de profissionais de nivel médio e nivel supe-
rior. As informações disponíveis na Divisão de Ensino Industrial
do MEC foram examinadas, sendo que a complementação e atualização
de alguns de seus aspectos estão sendo feitas através de questioná-
rios.
Quanto à situação do mercado de trabalho em Química,no país
no momento atual, a Comissão aguardou a conclusão da pesquisa a
cargo de uma equipe da Sociedade Brasileira de Instrução, através
da Faculdade de Ciências Políticas e Econômicas do Rio de Janeiro,
cujos serviços haviam sido contratados diretamente pela DESu para
tal fim.
De posse desses elementos, estaria então a CPFQ habilitada
a apresentar as sugestões que lhe haviam sido solicitadas:
a) Referentes a expansão, em qualidade e quantidade, do ensino
da Química, de acôrdo com as demandas nacionais e regionais;
b) Concernentes aos currículos dos cursos de Química;
c) Relativas à aplicação dos recursos da DESu do MEC, destina-
dos à Química, em 1965.
3 - Levantamento de dados sôbre a rêde universitária brasileira
no campo da Química.
3.1 - Coleta de dados
De acôrdo com a programação feita, foram realizadas as
visitas às unidades que ministram o ensino da Química, em níveluni_
versitário, no país. Em cada Escola, foram visitadas as suas ins-
talações e explicados os objetivos da CPPQ. Na oportunidade,foram
discutidos problemas de natureza didática, estabelecendo-se um in-
tercâmbio de idéias entre a representante da CPFQ e o Corpo Docen-
te da unidade visitada.
Em cada estabelecimento de ensino, solicitou-se o pre-
enchimento urgente dos questionários (anexos I e II), nos quais se
pretendia obter, diretamente das fontes mais credenciadas - isto é,
os próprios membros docentes de cada Escola - as informações autên_
ticas que permitissem à Comissão o estudo desejado, sem interpreta_
ções errôneas ou impressões precipitadas. As verdadeiras condições
de ensino, relativas às instalações, equipamento, corpo docente e
discente foram, assim, obtidas, complementadas através das observa
ções diretas, da representante da Comissão.
Recebidos os questionários, foram as informações tabu-
ladas para cada Escola, de acôrdo com suas Cátedras e Disciplinas
Autônomas. Todos os elementos que participavam do ensino naquela
ocasião, independentemente de sua situação oficial ou agregada aos
quadros de funcionários, foram incluídos. Falhas no preenchimento
dos questionários, relativos ao corpo docente e aos estabelecimen-
tos de ensino, foram corrigidas através de informações complementa-
res, mediante novas solicitações.
Nas datas programadas, realizaram-se as visitas às Es-
colas.
No Rio Grande do Sul, a representante da Comissão visi-
tou as seguintes instituições:
1 - Reitoria da Universidade Federal do Rio Grande do Sul
2 - Escola de Engenharia da U.Federal do Rio Grande do Sul
3 - Instituto de Química da Escola de Engenharia da U.F.RGS.
4 - Faculdade de Filosofia da U.Federal do Rio Grande do Sul
5 - Reitoria da Pontifícia Universidade Católica do RGS,
6 - Faculdade de Ciências da PUC do Rio Grande do Sul
7 - Escola de Engenharia Industrial do Rio Grande
8 - Faculdade de Filosofia, Ce Letras da U. de Santa Maria.
Por motivo de fôrça maior, houve atraso de um dia na
programação do Rio Grande do Sul, e não houve tempo de serem visi-
tadas as instalações da Escola de Engenharia Industrial do Rio Gran
de (cujo representante entrou em contato com a Relatora da CPFQ,em
Porto Alegre) e a Faculdade de Filosofia Ciências e Letras da Uni-
versidade Federal de Santa Maria (em seu primeiro ano de ativida -
des, segundo informações).
Posteriormente, no período de 27 a 30 de outubro do cor
rente ano, a Relatora retornou ao Rio Grande do Sul para verificar
as condições gerais dessas Escolas. A Escola de Engenharia Indus-
trial do Rio Grande teve as suas instalações visitadas. Entretan-
to, por motivos diversos, não foi possível à FFiCLUF Sta.Maria pro
piciar transporte à Relatora, entre Porto Alegre e aquela cidade.
Tal fato impediu a efetivação da visita "in loco", tendo havido a-
penas, em Porto Alegre, entrevista da representante da Comissão
com a Diretoria daquela Faculdade.
Em Santa Catarina, segundo os informes preliminares de
que dispunha a Comissão, deveria haver um curso de Engenharia Quí-
mica, na Escola de Engenharia Industrial da Universidade Federal
de Santa Catarina, Assim, para Florianópolis se deslocou a repre
sentante da CPFQ, e verificou que, embora houvesse sido criado o
curso de Engenharia Química naquela Escola, este ainda não se acha_
va em funcionamento. Embora não sendo ministrados cursos de Quími
ca, aproveitando a oportunidade, foram visitadas:
1 - Reitoria da Universidade Federal de Santa Catarina
2 - Escola de Engenharia Industrial da UFSC
3 - Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da UFSC
No Paraná, as seguintes unidades foram observadas pela
Relatora da CPFQ:
1 - Reitoria da Universidade Federal do Paraná
2 - Escola de Química da U. Federal do Paraná
3 - Centro Politécnico da UFPR (em fase final de construção)
4 - Faculdade de Filosofia da U. Federal do Paraná
5 - Instituto de Bioquímica da U. Federal do Paraná.
A "Relatora da Comissão não conseguiu visitar as instala_
ções da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da Universidade
Católica do Paraná, que se encontravam fechadas a hora para tal fim
reservada, nem tivemos oportunidade de entrevista com seu Corpo Do_
cente. Informações de elementos locais indicam ser pouco expressi_
vô o setor de Química daquela Faculdade. Solicitamos, através de
professores da UFPR. o encaminhamento, àquela entidade, de nossos
questionários.
Após numerosas solicitações, durante vários meses, chegou-
-nos finalmente às mãos as informações daquela Faculdade, mas,ain-
da incompletas. Fatos lamentáveis, como o desinterêsse revelado
por essa Escola, dificultam o trabalho e reduzem a eficiência dos
esforços dispendidos nesse empreendimento.
Em São Paulo, visitaram-se as seguintes instituições,den -
tro das datas estipuladas para esse fim:
1 - Reitoria da Universidade de São Paulo;
2 - Escola Politécnica da Universidade de São Paulo;
3 - Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da Univ.São Paulo;
4 - Conjunto das Químicas da Cidade Universitária Armando Salles
de Oliveira da USP (em fase final de construção)
5 - Reitoria da Universidade Mackenzie;
6 - Escola de Engenharia da Universidade Mackenzie
7 - Faculdade de Engenharia Industrial da Pontifícia Universida_
de Católica de São Paulo;
8 - Escola de Engenharia Mauá;
9 - Faculdade de Filosofia, C. e Letras de Araraquara
10 - Faculdade de Filosofia, C. e Letras de Ribeirão Preto.
Fomos, na ocasião, informados da existência, em Ribeirão
Preto, de uma Faculdade de Filosofia com um curso de Química em fun
cionamento. Como essa Escola não constava na relação fornecida pe-
lo MEC, não havia sido programada a visita às suas instalações.Pos-
teriormente, outro membro da Comissão, teve oportunidade de obser-
var, "in loco", as condições de funcionamento da referida Faculda-
de, tendo constatado não possuir a mesma, instalações próprias, Na
ocasião, os questionários da CPFQ foram entregues à direção daque-
le estabelecimento escolar.
Na Guanabara, a Relatora da Comissão visitou as seguintes
Escolas:
1 - Escola de Química da Universidade Federal do Rio de Janei-
ro (ex-Universidade do Brasil)
2 - Faculdade de Filosofia da U. Federal do Rio de Janeiro
3 - Instituto de Química da U. Federal do Rio de Janeiro
4 - Reitoria da Universidade do Estado da Guanabara
5 - Faculdade de Filosofia, C. e Letras da Universidade do Es_
tado da Guanabara
6 - Reitoria da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Ja
neiro
7 - Instituto Militar de Engenharia,
Verificamos que, no momento, a PUC do Rio de Janeiro
nio está ministrando cursos de Química, embora tencione voltar a
conduzi-los e criar o seu Instituto de Química.
No Distrito Federal, a Relatora da CPFQ esteve nas se-
guintes instituições:
1 - Reitoria da Universidade de Brasília
2 - Instituto Central de Química da Universidade de Brasília.
Em Minas Gerais, foram visitados pela Comissão, os se-
guintes estabelecimentos universitários:
1 - Reitoria da Universidade Federal de Minas Gerais
2 - Escola de Engenharia da U. Federal de Minas Gerais
3 - Faculdade de Filosofia da U. Federal de Minas Gerais
4 - Faculdade de Farmácia da U. Federal de Minas Gerais
5 - Instituto Central de Química da U. Federal de M.Gerais
6 - Escola de Engenharia de Uberlândia.
Na UFMG, verificou-se que a integração das Cátedras
em Institutos já se acha bastante avançada, sendo que ao ICQ per-
tencem Cátedras da Faculdade de Filosofia, Escola de Engenharia e
Faculdade de Farmácia, motivo pelo qual visitamos também os labo-
ratórios desta última.
No' Pará, foram visitadas:
1 - Reitoria da Universidade Federal do Pará
2 - Escola Superior de Química da UFP
No Ceará, a Relatora visitou as seguintes unidades:
1 - Reitoria da Universidade Federal do Ceará
2 - Instituto de Química e Tecnologia da UFCE
3 - Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da UFCE.
Verificou a Relatora que .esta última Faculdade não es-
tá, no momento, se ocupando do curso superior de Química, que pas-
sou aos encargos do IQTUFCE. Dos arquivos da DESu ainda não cons-
tava esta informação,
Em Pernambuco, foram visitadas:
1 - Reitoria da Universidade Federal de Pernambuco (ex-Uni_
versidade do Recife)
2 - Escola Superior de Química da UFPE
3 - Instituto de Química da UFPE
4 - Reitoria da Universidade Católica de Pernambuco
5 - Escola Politécnica da UCPE
6 - Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da UCPE
Na Paraíba, foram visitadas:
1 - Reitoria da Universidade Federal da Paraíba
2 - Instituto de Química da UFPB
Em Sergipe, foram observadas as instalações da Escola
de Química de Sergipe.
Finalmente, na Bahia, foram visitadas:
1 - Reitoria da Universidade Federal da Bahia
2 - Instituto de Química da UFBA
3 - Faculdade de Filosofia da UFBA
4 - Escola Politécnica da UFBA
Para completar a inspeção a todas as Escolas, sob a
responsabilidade da CPFQ, será oportunamente visitada a Faculdade
de Filosofia do Amazonas,
Os numerosos questionários recebidos - em sua quase
totalidade, devolvidos com presteza e com a maior parte dos que-
sitos respondidos, o que revela a bôa receptividade que teve a
CPFQ por parte das instituições visitadas - permitiram um estudo
minuncioso de cada Cátedra ou Disciplina Autônoma, em cada Escola.
Foram elaborados quadros, para cada unidade de ensino,
em que se procurou evidenciar, de um lado, o nível do pessoal do -
cente, e de outro, as disponibilidades materiais. O estudo foi i-
niciado pelos aspectos relativos ao nível de graduação para, poste_
riormente, abordarmos os problemas vinculados ao ensino pós-gradua
do.
Quanto à qualificação do corpo docente, julgou a Co -
missão que eram importantes os seguintes aspectos: os títulos pos
-graduados, como Mestrado, Doutoramento, Livre Docências e Cátedra
por concurso; a experiência como pesquisador, revelada pelo núme-
ro de trabalhos publicados, e pelo gabarito das revistas científi-
cas que que os aceitaram para impressão; a experiência administra,
tiva, que absorve muito do tempo útil de elementos docentes, e em
compensação, lhes dá condições de organizadores; e, finalmente, a
experiência no exterior, em atividades ligadas ao ensino ou à pes-
quisa, pois que esta é a única maneira de se conhecer padrões inter
nacionais, e se tomar realmente ciência das possibilidades e preca_
riedades das próprias condições.
Não foi possível à Comissão proceder a um estudo cuida_
doso da capacidade didática do pessoal docente, dadas as condições
vigentes no País, quanto à admissão e permanência doa referidos e-
lementos nas atividades universitárias.
Em relação às disponibilidades materiais, colheu a CPFQ
dados que permitem o conhecimento da razão entre o número de alu -
nos e o número de docentes - o que indicará desde logo as condições
dos quadros de pessoal. Levou-se em conta o número total de alu -
nos matriculados, apenas em disciplinas que exigem aulas -de labora.
tório, tendo-se assinalado a situação (excelente, boa, sofrível,ou
mesmo, de inexistência dos mesmos). Outro aspecto levado em conta
peia Comissão, em sua coleta e tabulação de dados, foi o grau de
exclusividade com que cada laboratório pode ser utilizado pelas dis
ciplinas.
Desta maneira, poderá a Comissão conhecer, com bastan-
te exatidão e baseada em um critério único, isento de quaisquer in_
fluências pessoais ou regionais, a situação relativa das unidades
que ministram cursos de Química, em nível universitário, no País.
Estará, assim, apta a sugerir as medidas que permitam
à DESu do MEC a canalização de recursos no sentido de maior efici-
ência na sua aplicação, procurando desfarte superar as deficiên-
cias onde existirem, concentrando suas atenções nos aspectos mais
carentes das instituições sob sua jurisdição. Terá assim, a CPFQ,
levado a termo uma de suas finalidades .
Os quadros que registram a compilação dos dados colhi-
dos por Escola, no nível de formação, acham-se agrupados, por Esta
do, em ordem geográfica, no anexo III deste Relatório. Não se en-
contram incluídas as Escolas abaixo relacionadas por não terem,até
31 de dezembro de 1965, enviado os questionários solicitados,
1 - E.E.I. do Rio Grande
2 - F.Fi.U.F. do Paraná
3 - F.Fi.C.L.U.C. do Paraná
4 - F.Fi.U.Fd. de Minas Gerais
5 - E.E. de Uberlândia
6 - E.P.U.P. da Bahia
7 - P.Pi.U.P. da Bahia
8 - E.S.Q.U.P. de Pernambuco
9 - F.Pi.C.L.U.C. de Pernambuco
10 - P.Pi. do Amazonas
11 - I.Q.U.F. de Pernambuco
A relação atualizada de todas as unidades que minis_
tram cursos de Química em nível universitário, no momento, está
contida no anexo VII,
3.2 - Interpretação dos dados
3.2.1 - Nível de formação
A situação das unidades que diplomam Quími-
cos Industriais, Engenheiros Químicos ou Bacharéis em Química, no
Brasil, em 1965, foi estudada com base nos dados coletados direta
mente nas fontes, encarando-se o binômio Professor-Laboratório. 0
terceiro membro, óbvio, da expressão completa, o trinômio Profes-
sor-Laboratório-Aluno, será considerado com destaque especial, em
estudos subsequente por esta Comissão.
Era intenção da CPPQ, obter números, valo-
res concretos, que de algum modo medissem o que se tem normalmen-
te traduzido por palavras, pouco fiéis e de pouca sensibilidade
ao descrever quantitativos.
No que se refere à situação do Corpo Docen-
te, visando uma comparação mais eqüitativa, atribuiram-se a todos
os elementos docentes das Escolas e Faculdades, pontos, distribui_
dos da maneira seguinte:
a - Experiência no exterior......... 1 ponto
b - Mestrado. 1 ponto
c - Doutoramento 2 pontos
d - Livre docência..... 3 pontos
e - Cátedra por concurso 4 pontos
f - Trabalhos publicados :
Deste modo, pôde-se chegar a números que revelaram,
com igual precisão, a situação do Corpo Docente de Escolas cujas
condições eram bem conhecidas por alguns dos membros da Comissão.
A situação individual das Cátedras ou Disciplinas Autônomas pôde
ser avaliada, através de média aritmética (M.A.) dos pontos atri-
buídos aos seus componentes,
Com o propósito de serem evitadas falsas interpreta-
ções numéricas, que fatalmente ocorreriam, como, por exemplo, pela
aplicação da M.A. em Escolas com um número reduzido de docentes ,
todos de elevado gabarito, pensou a CPFQ em utilizar, então, como
medida mais significativa, a média ponderada (M.P.) arbitrando pê_
so 1 ao número de elementos docentes que tivessem alcançado entre
0 e 5 pontos, na apreciação de suas qualificações, lançadas no a-
nexo III. Atribuiu-se pese 3 ao número de pessoas que tivessem
entre 6 e 12 pontos, e peso 5, ao número daqueles que fizessem en
tre 13 e o total máximo, isto é, 20 pontos.
A aplicação deste critério apresentou resultados
qualitativamente aceitáveis, porém ainda, quantitativamente insa-
tisfatórios. Tornou-se necessária a correção daqueles valores,res
saltando alguns aspectos mais importantes do profissional. Isto
foi obtido, multiplicando-se aquelas médias ponderadas pela soma
dos percentuais relativos a docentes portadores do título de Dou -
tor (através de Doutoramento, Livre Docência, ou Cátedra por con -
curso), e docentes com experiência no exterior. Aplicado este cri_
tério, obtiveram-se números que definimos como "Situação do Corpo
Docente" (SCD) e que, realmente, se apresentaram bastante razoáveis
em todos os casos considerados.
Para se ter idéia da adequação dos critérios adotados
para a avaliação do Corpo Docente, são figurados exemplos no Anexo
IV, em que se ilustram as distorções de interpretação de que procu-
rou fugir a CPPQ.
Relativamente ao segundo têrmo do binômio,isto é, o
Laboratório, decidiu a Comissão que o parâmetro numérico a ser ob-
tido, deveria resultar de três fatôres. O primeiro diria respeito
à assistência ao aluno nos trabalhos experimentais, expresso pela
relação Nº de Docentes/Alunos-disciplina. O segundo deveria refe-
rir-se às facilidades ou dificuldades de instalações, material per
manente e de consumo etc, atribuindo-se pontos variando de 0 a 3,
conforme, respectivamente, a inexistência de instalações, a presen-
ça de instalações precárias, satisfatórias ou excelentes, A possi_
bilidade de uso total ou parcial dos laboratórios pelas discipli -
nas, traduzido percentualmente, seria o terceiro fator considerado.
A aplicação deste critério levou a resultados bastan_
te condizentes com a realidade, nos casos em que havia conhecimen-
to perfeito da situação das Escolas pelos membros da CPFQ. Tais nú
meros foram definidos como "Condições Materiais" (C.M.)
Os resultados encontrados, no nível de graduação,pa-
ra a avaliação da Situação do Corpo Docente, e das Condições Mate-
riais das unidades que diplomam Químicos Industriais, Engenheiros
Químicos e Bacharéis em Química, no Brasil, em 19ó5, constam do
Quadro I, anexo.
A apreciação do Quadro I e do Anexo III, conduz a al-
gumas observações interessantes,
Quanto ao Corpo Docente, admitindo como valor rnais
representativo o SCD, as Escolas, Faculdades e Institutos foram
classificados em 3 grupos, tendo-se arbitrado os valores 3,0 e 1,0
como os limites intermediários,. Esta classificação consta do Qua
dro II, anexo.
Quanto às Condições Materiais, verificou-se que não
havia o esperado paralelismo, entre os parâmetros representativos
destes aspectos e aquêles referentes ao Corpo Docente, Medidas que
possibilitem correções dessas discrepâncias serão apontadas e dis-
cutidas na crítica às unidades.
3.2.2 - Nível de pos-graduação
Os dados colhidos relativamente aos cursos de Quími_
ca em nível pos-graduado, permitiram a elaboração do Quadro III,a-
nexo. Entretanto, nao foi possível à Comissão o estabelecimento
dos critérios para a interpretação dos mesmos, dada a multiplicida_
de dos problemas abordados no que se refere ao nível de graduação.
3-3 - Crítica às unidades
RIO GRANDE DO SUL
3.3.1 - E.E.U.F.R.G.S
Esta Escola se inclui no 2º grupo.
Verifica-se deficiências em títulos universitá -
rios nas seguintes Cátedras e Disciplinas Autônomas: Química Or-
gânica I, Química Orgânica II, Química Analítica Quantitativa ,
Operações Industriais.
Relativamente a instalações, esta unidade apresen_
ta condições bastante deficientes, porquanto funciona em prédio an
tigo e inadequado, tornando, mesmo, pouco seguros os trabalhos de
professores e alunos naquele local*
Esta Faculdade pertence ao 3º grupo.
Encontram-se deficiências em títulos universitá -
rios na Cátedra de Físico-Química e Química Superior.
Quanto a instalações, a cessão de uma área aprecia.
vel, já construída, em local próximo ao atual, melhorou bastante a
situação dessa unidade.
Tratando-se de uma Faculdade com curso de Química
de reduzidíssimo corpo docente e discente (35 elementos, no total),
e dadas as suas conexões com o Instituto de Química da Escola de
Engenharia da mesma Universidade, o procedimento lógico para a
mais eficiente solução dos problemas mútuos, seria a co-participa -
ção de ambas essas unidades em um ensino integrado, tal como na mo-
derna conceituação dos Institutos de Ciências Básicas
Esta Faculdade se encontra no 3º grupo.
Todas as suas Cátedras se apresentam deficientes,re_
lativamente a títulos universitários.
Suas instalações são extremamente precárias,não con_
dizentes com um estabelecimento de nível superior.
Esta Faculdade se coloca no 3º grupo,
Seu curso de Química consta, ao todo, de 6 pessoas:
4 alunos e 2 professores,
Devido à não complementação de dados (já pedida e
não recebida), não se pôde apreciar a situação do curso de Química
desta Escola,
PARANÁ
Esta Escola constitui uma das componentes do
1º grupo.
Seu corpo docente revela pontos fracos nas se-
guintes Cátedras ou Disciplinas Autônomas:
Mineralogia e Geologia Econômica, Eletrotécnica, Economia das In_
dústrias, Mecânica Aplicada, Física I, Física II, Tecnologia
Inorgânica, Tecnologia Orgânica, Aparelhos e Operações Industriais
Físico-Química II, Química Orgânica Acíclica, Química Orgânica Cí-
clica, Química Analítica Qualitativa, Química Inorgânica, Geome-
tria Descritiva, Perspectiva e Desenho Técnico e Resistência dos
Materiais.
Quanto a instalações, especialmente no novo Cen-
tro Politécnico, são excelentes.
Esta Escola poderá perfeitamente absorver maior
número de estudantes; porém, para se salvaguardar o nível de ensi-
no, será essencial que se estude com atenção, a situação geral do
corpo docente.
Devido à não complementação de dados (já pedida.
e não recebida), não se pôde apreciar a situação do curso de Química
desta Faculdade.
3.3.8 - F.Fi.C.L.U.C.P.R.
Mesma restrição do item anterior.
Esta Escola constitui uma das unidades do 1º
grupo
Apresenta um corpo docente de elevado nível; entre-
tanto o SCD relativo à Cátedra de Planejamento e Projeto da Indús-
tria Química e insuficiente.
Quanto às condições materiais, a transferência do
atual prédio, para as novas dependências da Cidade Universitária
da USP, já concluída, deverá remover qualquer deficiência porventu-
ra existente.
Trata-se de estabelecimento de ensino que, devida -
mente auxiliado, poderá comportar acréscimo do número de matrículas
sem prejuízo da boa qualidade do ensino que vem ministrando.
3.3.10 - F.Fi.CL.U.S.P.
Esta Faculdade se enquadra no lº grupo.
Relativamente ao corpo docente, trata-se de pessoal
de elevado nível, dispensando quaisquer comentários restritivos.
Quanto a instalações, trata-se de situação idêntica
à da EPUSP.
Deve-se registrar que esta Faculdade foi a que apre-
sentou, em todo o país, os mais correntes índices, revelando um e -
quilíbrio que merece especial destaque neste Relatório.
Poderá, certamente, absorver um número maior de alu-
nos, uma vez que lhe sejam fornecidos recursos adequados.
3.3.11 - F.Fi.CL.Araraquara
Esta Faculdade se encontra no 3- grupo.
Quanto à situação do corpo docente, as Cáte -
dras de Química Geral e Inorgânica, Química Analítica, e Mineralo_
gia, exigem especiais reparos, necessitando melhorar a qualifica -
ção dos seus componentes.
Quanto às condições materiais, trata-se de es-
tabelecimento bem instalado, em novo prédio, especialmente cons
truído para tal fim,
Poderá eventualmente comportar um acréscimo de
matrículas, desde que atendidas certas exigências quanto ao pesso-
al docente.
Esta Faculdade se enquadra no 3º grupo,
Seu corpo docente é insatisfatório, relativa
mente aos títulos universitários.
Carece de instalações, utilizando os Laborató-
rios de outras unidades de ensino.
Esta Faculdade se situa no 3
2
grupo.
Quanto ao corpo docente, encontramos valores
baixos para o SCD das Cátedras de Química Geral, Química Inorgâni-
ca e Tecnológica, Química Analítica, e Química Orgânica.
Em relação a instalações, apresentam-se bastan-
te deficientes, no que se refere a equipamento.
Esta Escola se coloca no 3
2
grupo.
Seu corpo docente, com exceção da Cátedra Quí-
mica Analítica, carece de melhores títulos universitários.
Suas instalações, embora razoáveis, exigem me-
lhoria de equipamento.
Trata-se de um grupo de professôres com objeti_
vidade e disposição, procurando ultrapassar as dificuldades mate -
riais existentes.
Na hipótese de um aumente de matrículas, será
necsssário auxílio, tanto no corpo docente, quanto em equipamento,
reagentes, e melhoria de instalações.
Esta Escola se enquadra no 3- grupo.
Seu corpo docente apresenta-se deficiente,quan-
to aos títulos universitários.
Quanto a instalações, são aceitáveis. Entretan
to, a razão demasiadamente elevada entre alunos e docentes (aproxi-
madamente 125), indica necessidade de uma reformulação na orienta -
ção didática, no que se refere aos trabalhos experimentais. Motivo
pelo qual consideramos desaconselhável um aumento do número de ma -
trículas, prevalecendo a atual situação.
GUANABARA
Esta Escola se situa no 1º grupo.
Relativamente ao seu corpo docente, esta unidade
apresenta elevada taxa Alunos/Docente, o que indica a necessidade
de ampliação dos quadros de pessoal.
Dentre as suas Cátedras ou Disciplinas Autônomas,
necessitam títulos universitários as de Química Geral, Inorgânica,
Mineralogia, Matemática, e Físico-Química.
Quanto à melhoria de condições materiais, requer
rem especial atenção, as Cátedras ou Disciplinas Autônomas de Tec-
nologia Orgânica, Tecnologia Inorgânica, Química Geral e Inorgâni-
ca, e Mineralogia.
Trata-se da Escola que diploma o maior número de
profissionais em Química, em todo o país.
Um possível aumento do número de matrículas, de-
verá ser acompanhado de substancial ampliação de suas instalações
e corpo docente. Isto poderá ocorrer mais adequadamente com a
transferência daquela unidade para a Cidade Universitária da UFRJ
(ex UB), na Ilha do Fundão.
Esta Faculdade se enquadra no 2º grupo.
Quanto ao corpo docente, necessitam títulos uni-
versitários, os colaboradores da Cátedra de Química Inorgânica
Analítica.
Quanto às condições materiais, a necessidade de
laboratórios adequados torna imperativa, para a maior expansão des
sa unidade, a realização de obras de vulto, ou a transferência pa-
ra prédio adequado, na Cidade Universitária da UFRJ (ex UB).
Relativamente ao aumento do número de matrículas, o
problema será mais convenientemente estudado através do Instituto
de Química da UFRJ (ex UB). Esta entidade, incumbida da integra-
ção universitária, também em nível de graduação, poderá abordar a
questão com sucesso, tão logo haja a proximidade geográfica das Es_
colas, na Cidade Universitária.
Esta Faculdade se situa no 2º grupo.
Apresenta deficiência de títulos universitários nas
Cátedras de Química Geral e Inorgânica, Química Inorgânica e Ana -
lítíca, e Química Orgânica.
Relativamente às condições materiais, são extremamen_
te precárias as atuais instalações. Qualquer tentativa de melho-
ria dessas condições, terá de se fundamentar na construção de no -
vos laboratórios, no local atual, ou na futura Cidade Université -
ria da UEG, ainda em fase de projetos.
Êste Instituto se coloca no 3º grupo.
As condições muito particulares que regulamentam o
seu funcionamento (subordinado ao Ministério da Guerra, embora tam-
bém aberto a professôres e alunos civis), tornam difícil a aplica-
ção dos critérios gerais aos dados aqui obtidos, no que se refere
ao corpo docente,
Quanto a instalações, entretanto, a situação é bem
melhor que a observada em muitas outras unidades, embora,de modo
geral, haja reivindicações no que se refere a equipamento e reagen-
tes.
Relativamente ao aumento do número de matrículas ,
trata-se de divulgação nos meios colegiais, das possibilidades
oferecidas por esse estabelecimento de ensino. Em última análi-
se, o IME poderá absorver, sem grandes dificuldades, uma apreciá-
vel percentagem de novos estudantes.
Este Instituto constitui uma das unidades que
integram 1º grupo.
Apresenta deficiências nos títulos universitá-
rios do corpo docente das Cátedras de Química Analítica I, II e
III (F.Far.)
7
e Química Inorgânica e Analítica (E.E.).
Relativamente a instalações, sã plenamente
satisfatórias Trata-se de estabelecimento de ensino integrado,que
poderá perfeitamente absorver, sem grandes dificuldades, a expan-
são que se fizer necessária, no número de matrículas.
3.3.22 - F.Fi.U.F.M.G.
Devido à não complementação de dados (pedida e
não recebida), não foi possível apreciar a situação geral do curso
de Química desta Faculdade.
3.3.23 - E.E.Uberlândia
Estando seu curso de química em seu lº ano de
atividade, e sendo a 1ª. série desenvolvida em comum com as demais
especialidades, não foi possível à CPFQ proceder ao exame de sua si-
tuação geral.
Êste Instituto pertence ao 3º grupo.
Seu corpo docente apresenta deficiências nas Cá
tedras de Química Geral e Química Inorgânica.
Quanto a instalações, trata-se de projeto gran-
dioso, bem imaginado, porém exigindo vultuosos recursos para a sua
complementação. Os laboratórios atualmente em funcionamento, ofe-
recem condições perfeitamente satisfatórias.
A conveniência ou não, da expansão do número de
matrículas, está diretamente relacionada à disposição governamental,
de maior ou menor investimento, neste setor, em Brasília.
BAHIA
No seu corpo docente, verificam-se deficiências
em títulos universitários na Cátedra de Química Geral e Inorgânica,
(F.Far.).
Quanto a instalações, são satisfatórias, em sua
quase totalidade.
Trata-se de unidade em que não deverá haver grande
problema em um aumento do número de matrículas - caso seja necessá-
rio.
3.3.26
E.P.U.F.BA
Devido a não complementação de dados (.já pedida e
não recebida), não se pôde analisar a situação geral do curso de
Química desta Escola,
3.3.27 - F.Fi.U.F.BA.
Mesma restrição do item anterior.
Esta Escola se coloca no 3
2
grupo.
Na quase totalidade das Cátedras, há deficiências
em títulos universitários.
Quanto a instalações, embora em prédio cedido tem
poràriamente pelo Govêrno do Estado, são parcialmente insatisfató-
rias.
Dispõe de plano para a construção de nôvo prédio,
do qual já está concluída a estrutura de um dos blocos.
0 problema principal desta Escola reside na difi-
culdade de encontrar elementos docentes em nível universitário, mes_
mo abstraindo as qualificações científicas,
0 plano de Professôres Itinerantes da CAPES, pare
ce especialmente indicado para auxiliar esta unidade.
PERNAMBUCO
3.3.29 - I-Q.U.F.PE.
Devido ao recebimento dos dados, após reiterada so-
licitação, fora do prazo previsto, a análise da situação geral dos
cursos de Química deste Instituto foi transferida para outra oportu-
nidade.
3.3.30 - E.S.Q.U.P.PE
Devido ao não recebimento dos dados, não foi possí_
vel estudar a situação geral do curso de Química desta. Escola.
3.3.31 - F.Fi.C.I.U.C,PE
Mesma restrição do item anterior.
3.3.32 - E.P.U.C.PE.
Esta Escola se inclui no 3- grupo.
Cem exceção de Química Orgânica, é bastante precá-
ria a situação das demais Cátedras, no que concerne a títulos uni -
versitários.
Quanto a instalações, trata-se de prédio novo que
sofreu, recentemente, as conseqüências de inundação, com grandes pre-
juízos.
Pode-se entretanto observar, paralelamente à cons-
trução bastante satisfatória, grande precaridade de equipamento e
reagentes.
PARAÍBA
Esta unidade pertence ao 3º grupo. Não diploma
Químicos Industriais, Engenheiros Químicos ou Bacharéis em Química.
Dentro das limitações, seu corpo docente - apre-
sentando títulos„ universitários deficientes, em sua totalidade de-
sincumbe-se com dedicação de seus encargos, ministrando as disci -
plinas de Química Básica de outras unidades da mesma Universidade.
Relativamente aos laboratórios, embora modestos
e reduzidos em suas dimensões, conseguem atender aos 300 estudan -
tes desse Instituto, graças à organização apresentada.
CEARÁ
Êste Instituto pertence ao 3
2
grupo.
Seu corpo docente, em sua quase totalidade, é in-
satisfatório, no que se refere a títulos universitários.
Quanto a instalações, são bastante adequadas,res-
saltando-se o excelente equipamento especializado e a orientação
primida ao Instituto.
duas alternativas: ou o seu desaparecimento como Escola de Quími-
ca de nível superior, ou ajuda maciça para a sua recuperação. Tal
como está, constitui uma prova inequívoca da falta de visão na dis_
tribuição de recursos, por muitos anos, neste país, com os proble-
mas sócio-econômicos daí decorrentes,
AMAZONAS
3.3.36 - F.Fi.Amazonas
Devido ao não recebimento dos dados, não foi possí -
vel analisar a situação geral do curso de Química dessa Faculdade,
3.4 .- Conclusões
3.4.1 - Nº_ de Escolas
38, em 13 Estados do Brasil, das quais 61%
são federais. Há 8 Escolas recentes, que ainda não formaram sua
primeira turma de profissionais. 2 Institutos so dão cursos de
Pós-Graduação, e 4 Institutos não dão gráu.
3.3.2 - Tipo de Curso
Química Industrial - 5 estabelecimen-
Engenharia Química - 14
Engenharia Operacional
Modalidade Química - 1
Bacharelado em Química - 15
Pós-Graduação (Mestrado
e Doutoramento) em Quí_
mica e Engenharia Quí-
mica. - 6
3.3.3 - Nº, de profissionais diplomados
Até 31.12.65, haviam sido diplomados, no Bra_
sil, os seguintes profissionais, no campo da Química, desde o iní-
cio de funcionamento dos cursos nas Escolas:
Químicos Industriais - 1.436
Engenheiros Químicos - 1.887
Bacharéis em Química - 1.068
TOTAL - 4.391
Desses, 6% foram diplomados em 1965, discrimi-
nados no Quadro IV, anexo.
(Dados incompletos: ICQUFMG, FFiüFMG, FFiUFBA, EPUFBA).
3.3.4 - Estabelecimentos que têm preparado maior núme-
ro de profissionais.
Destaque-se que a Escola de Química da U.F.R.J.
(ex ENQ UB), formou mais de 25% dos profissionais químicos de ní -
vel superior existentes no país, ate 1965.
3.3.5 - Corpo Docente
Número total de elementos docentes - 487
Destes, 335 são funcionários federais, dentre
os quais 129 são Professôres Catedráticos. Dentre os Catedráticos
existem 54% interinos, não concursados.
(Dados incompletos de 6 unidades: IQUFPE, FFiCLUFPR, EEUberlândia,
EPUFBA, FFiUFBA, ESQUFPE).
3.3.6 - Número de matrículas em 1965.
Número total de matrículas nos cursos de Quími-
ca 2.273.
Número de vagas na 1ª. série - 905, sendo 125
para Química Industrial, 480 para Engenharia Química, e 300 para
Bacharel em Química (Quadro IV).
(Dados não incluídos de 7 unidades: FFiAmazonas, EPUFBA, FFiUFBA,
ESQUFPE, FFiCLUCPE, ICQUBrasília, e IQTUFCE).
3.3.7 - Escolas em destaque
Dentre as 36 unidades' de ensino de Química, em
nível de graduação, há em primeiro plano, 5 (14% do total),que ;
Escola Politécnica da U. de São Paulo
Escola de Química da U.F. Rio de Janeiro (ex ENQ UB)
Faculdade de Filosofia, Ciências, e Letras da Univer-
sidade de São Paulo
Escola de Química da U. Federal do Paraná
Instituto Central de Química da U.F. de Minas Gerais
14% se enquadram no 2º grupo
42% se enquadram no 3º grupo
(Dados incompletos de 11 unidades, relacionadas no item 3.1).
3.3.8 - Deficiências no corpo docente
Nestas unidades de ensino, há 182 Cátedras ou
Disciplinas Autônomas. Destas, 68% apresentam deficiências de
qualificações em seu corpo docente, exigindo especial atenção.
3.3.9 - Razão real aluno / professor
Nas Escolas federais ou estaduais, o número que
exprime a razão real Aluno/Professor, é muito mais baixo do que
nas Escolas particulares.
Nas primeiras, a faixa de variado é de - 4 a
41 - (FFiUFRGS - EQUFRJ)
Nas segundas, é de - 19 a 125 - (FCPUCRGS-
- EEU Mackenzie).
3.3.10 - Condições Materiais
Dentre todas as Escolas, Faculdades e Institu -
tos universitários que ministram cursos de Química, os mais bem ins_
talados, do ponto de vista do local e construção, são os seguintes:
Escola de Química da U. Federal do Paraná
Escola Politécnica da U. São Paulo (em fase de mudança).
Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da U. de São
Paulo (em fase de mudança)
Instituto Central de Química da TJ. Federal de Minas Gerais
Instituto de Química e Tecnologia da U.F. do Ceará
Instituto de Química da TJ. Federal de Pernambuco.
3.3.11 - Mapa ilustrativo da rede universitária
brasileira, em desenho de 1965, no se-
tor da Química,
4 - Mercado de trabalho
Os pontos mais interessantes do trabalho "Análise
da Demanda de Profissionais Químicos no Brasil", realizado, em
1965 pelo Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro ,
através de convênio com a Diretoria do Ensino Superior do Ministé-
rio da Educação e Cultura, sãos
4. 1 - Crescimento das indústrias químicas
As indústrias químicas, no período de 1950 a 1962,
foram aquelas de maior crescimento no mundo, apenas superadas pe-
las indústrias de gás e eletricidade, e produtos metálicos. O mes_
mo ocorreu na América Latina.
Admitindo o índice 100, para o ano de 1958, o va-
lor correspondente ao crescimento mundial atinge 130,5%, enquanto
que, na América Latina, alcança 144,4%.
4.2 - Número de indústrias entrevistadas
O número de indústrias químicas entrevistadas dire
tamente pelos pesquisadores, em vários estados do Brasil, foi de
74-3, isto é, cêrca de 15% do total de emprêsas registradas nos 5
Conselhos Regionais de Química.
4.3 - Distribuição das maiores indústrias
Em levantamento feito em 1963 pela firma BANAS,
ocorria, no país, a seguinte distribuição das maiores indústrias
químicas:
4.4 - Previsões de novos empregos
No primeiro trimestre de 1965, as previsões de no-
vos emprêgos, de acordo com o levantamento feito pelo Instituto U
niversitário de Pesquisas do Rio de Janeiro, eram as seguintes:
(discriminados no Quadro V, anexo).
O número total de novos empregos existentes em São
Paulo, Guanabara e Rio de Janeiro, naquele período, era 44-1 vagas
para profissionais de nível superior, e 396, para profissionais quí,
micos de nível médio.
Paralelamente, considerando todo o país, havia dis-
ponibilidade de 1072 novos empregos para profissionais químicos de
nível superior, ao lado de 648 solicitações, para técnicos químicos
de nível médio.
4.5 - Número de profissionais diplomados em 1965
Em dezembro de 1965, conforme dados colhidos pela
CPFQ, o número de diplomados em Química Industrial, Engenharia Qui
mica, e Bacharelado em Química, em todo o país, era cêrca de 300,
sendo os maiores contingentes provenientes da Guanabara - 10.3 - ,
São Paulo - 96 -, e Paraná - 4.3 -.
4.6 - Funções exercidas pelos Engenheiros Químicos
De todas as funções exercidas pelos Engenheiros Qui'
micos, em suas atividades profissionais, há:
Verifica-se, assim, que apenas 13,8% das funções pro
fissionais múltiplas, em que se ocupam os Engenheiros Químicos, en
volve Planeiamento e Projeto.
4.7 - Escolas Técnicas de Química (nível médio)
Em São Paulo, havia, em 1960, 5 Escolas Técnicas de
Química (nível médio); em 1964, no mesmo estado, havia 20.
Em 1964, apenas se formaram Técnicos Químicos (ní-
vei médio), em São Paulo, Guanabara e Paraná, distribuídos da se-
guinte maneira:
Em 1965, formaram-se esses profissionais também nos
Estados de Minas Gerais e Bahia. Em 1966, teremos Técnicos Quími-
cos (ní-veL médio) formados em todos aquêles Estados, e mais em Mato
Grosso, Maranhão e Ceará.
A razão entre o número de profissionais de nível mé-
dio (NM) e nível superior (NS), nos países de tecnologia desenvol-
vida és
No Brasil, como um todo, temos a razão Nível Médio
Nível Superior igual a 1,1;1. No entanto, este índice varia bas —
tante, conforme as diferentes regiões do país. Assim, temos:
Se considerarmos como profissionais de nível médio,
não apenas os escolarizados, mas também os práticos registrados e
os não registrados, a razão Nível Médio/Nível Superior aumenta pa-
ra 2.3:1-
E preciso cuidado na interpretação dos dados glo-
bais, pela heterogeneidade de condições reinantes no vasto tsrritó
rio nacional.
5 - Sugestões visando a expansão, em qualidade e quantidade. do
ensino da Quimica, de acordo com as demandas nacionais e re
gionais.
Como medidas de caráter geral, com o propósito de e,
levar, em qualidade e quantidade, o nível do ensino da Química, no
país, a CPFQ sugere:
1 - Regime de tempo integral para o maior número possível de
docentes, o que permitirá o desenvolvimento de programas
de pesquisa, indispensável à formação do professorado u
niversitário.
2 - Atenção especial dos órgãos competentes, na formação de
professores e pesquisadores no setor da Química Geral,
Inorgânica, Analítica e Físico-Química „
3 - Incremento, por parte dos Diretores das unidades, à ob-
tenção, pelo corpo docente de cada uma, de títulos uni-
versitários, através de cursos de pós-graduação, Livre
Docência e concursos para Cátedras.
4 - Ampliação das verbas destinadas à Química, e concentre-
ção de recursos nas unidades onde existem condições que
possibilitem um aumento de matrículas, sem prejuízo da
qualidade do ensino ministrados.
6 - Outras atividades da Comissão
6.1 - Distribuição de verbas para 1965
A CPFQ propôs à Diretoria do Ensino Superior um pla-
no de aplicação de verbas daquela Divisão, no setor da Química, pa-
ra 1965, discriminado no Anexo V.
0 critério adotado foi o de distribuição proporcio-
nal, baseada nos estudos sôbre o mercado de trabalho em Química, e
nas conclusões dos mapas relativos a cada unidade.
Para a concessão de auxílios, em 1965, a Comissão
procurou concentrar os recursos, com o fim de permitir, tanto quan-
to possível, a solução de problemas específicos e imediatos, de ca_
da unidade. Assim, Escolas não contempladas, poderão vir a ter tra-
tamento prioritário na sequência dos trabalhos da CPFQ.
Relativamente a bolsas para estudantes, foi adotado
o critério de distribuição proporcional ao número de estudantes de
cada Escola, em todo o país.
6. 2 - Bolsas no exterior para professôres
A CPFQ. baseada no levantamento feito em todas as
unidades que ministram cursos de Química em nível Universitário, ve-
rificou o seguinte:
1 - A existência de pequeno número de docentes, com experi-
ência no exterior, integrados no ensino da Química;
2 - Docentes, que, esgotadas suas possibilidades no país,
ainda não conseguiram oportunidade de realizar estudos
no exterior.
Dentro da orientação básica da Comissão, tal experi-
ência constitui fator importante na formação de um corpo docente ca-
paz de atender as exigências do ensino da química, em nível superi-
or, importância esta já referida no item 3 dêste Relatório.
A fim de atender à deficiência, a CPFQ sugeriu à Di-
retoria do Ensino Superior que conseguisse, através da CAPES,verba
para a concessão de bolsas especiais, de modo a possibilitar o en-
vio de professôres ao exterior, por dois meses, a partir do perío-
do de férias de janeiro-fevereiro de 1966.
A proposta foi acolhida pelo Conselho Deliberativo
da CAPES, que, entretanto, esclareceu serem essas bôlsas de dura-
ção mínima de 4 mêses, ao invés de 2, como proposto pela Comissão.
Paralelamente, solicitou à CPFQ as indicações nominais e progra —
mas. A êste respeito, a CPFQ enviou aos Diretores das unidades re-
lacionadas no Anexo VI, ofício com instruções, a fim de permitir a
inscrição dos interessados. 0 prazo limite das inscrições foi fixa
do em 31 de janeiro de 1966, para permitir a seleção dos cândida —
tos.
Na concessão dessas bôlsas, foram consideradas as
conclusões do levantamento supra-citado, em têrmos de seleção das
unidades beneficiadas. O mesmo critério será utilizado na seleção
dos candidatos.
6.3 - Pareceres relativos a_ autorização para funcionamento
de novas unidades de ensino universitário.
Foram recebidos pela CPFQ os processos relativos à
Faculdade de Engenharia Química da Associação de Ensino de Ribei —
rão Preto, e da Escola Superior de Engenharia Química Oswaldo Cruz
(São Paulo), ambos solicitando ao Conselho Federal de Educação au-
torização para o funcionamento de cursos superiores de Engenharia
Química, a partir de 1966.
A Comissão incumbiu dois de seus membros para proce-
derem à verificação "in loco" das instalações descritas nos proces-
sos supra-citados. Tal verificação ocorreu no período de 11 a 14
de outubro de 1965.
Com base nos dados fornecidos pelas duas entidades,
e nas verificações "in loco", a CPFQ sugeriu a ambas a instalação
de curso superior de Química Industrial, ao invés de Engenharia Quí
mica,, 0 parecer está baseado no fato das duas instituições já man-
terem curso técnico de química (nível médio), cuja sequência mais
lógica seria o curso superior de Química Industrial. Além disso,o
estudo do mercado de trabalho em Química concluiu sôbre a carência
bem maior de químicos industriais do que engenheiros químicos. E,
por último, seriam os primeiros cursos de química industrial a se-
rem instalados no Estado de São Paulo.
Em entrevista posterior, em reunião da CPFQ, os re-
presentantes das entidades mostratam-se de acordo com o parecer, e
apresemtaram aditamentos aos processos que tratam da autorização.
Deliberando manter o parecer anterior, a Comissão e_
mitiu um suplementar, relativo aos aditamentos, favorável à insta-
lação do curso superior de Química Industrial. Na oportunidade,foi
sugerido ao Diretor da Diretoria do Ensino Superior, o número de va-
gas inicial para 1966, com base nas conclusões da pesquisa sôbre mer-
cado de trabalho,
6.4 - Banco de Livros
A CPFQ propôs à Diretoria do Ensino Superior, e a su-
gestão foi aceita, a criação de serviço de intercâmbio de livros di-
dáticos, entre as unidades que diplomam profissionais químicos em
nível universitário, no país.
A proposta se resume no seguinte:
Levantamento das disponibilidades em livros didáticos das
bibliotecas de cada unidade, decorrentes da mudança de orientação
em cursos, modificações de currículos, aquisição de novas edições,
etc.
Daí resultaria uma relação, em ordem alfabática, de
todas essas publicações, da qual seria enviada cópia a cada uma das
unidades de que se ocupa a CPFQ. Estas selecionariam, então, as o-
bras do seu interêsse. Tais obras seriam adquiridas pela Diretorie
do Ensino Superior, mediante pagamento do seu prêço histórico, e re-
metidas gratuitamente às unidades interessadas.
No caso de coincidência de solicitações de diferen-
tes Escolas, a CPFQ estabeleceria então escala prioritária, com ba
se nos mapas das condições gerais de cada disciplina.
Dentro do prazo concedido pela Comissão (31 de de-
zembro de 1965), recebeu-se a relação das disponibilidades da Esco_
la de Química da Universidade Federal do Rio de Janeiro (ex-ENQ da
UB), e uma doação de aproximadamente 500 volumes, da família E. F.
Grobel.
Essas publicações estão sendo catalogadas, e tão lo-
go a relação seja completada, o mecanismo entrará em funcionamento.
6.5 - Professores visitantes
A formação de um Grupo de Professores visitantes é
um projeto da CAPES, que tem por objetivo auxiliar o aperfeiçoamen-
to do ensino no país, em nível universitário.
Professôres possuindo disponibilidades de tempo, e
com a formação necessária, se deslocariam, durante período determi-
nado, por meio de bolsas concedidas pela CAPES, para unidades onde
houvesse necessidade de maior número de docentes, especialmente com-
experiência didática.
Relativamente a esse projeto, a CAPES solicitou à
CPFQ, a relação das disciplinas de cada Escola, no setor da Quími-
ca, onde seria aconselhável o envio de professôres visitantes.
Baseada no planejamento referido no item 3, a CFEQ
remeteu a CAPES a relação pedida. No cômputo geral, foram relacio-
nados 25 cursos, de todo o país, num total de 91 disciplinas, que
se encontram discriminadas no Anexo VII.
Dentre as deficiências encontradas, destacam-se:
Química Geral e Inorgânica - 22%
Química Analítica - 17%
Físico-Química - 9%
7.1 - INFORMAÇÕES A SEREM PRESTADAS PELOS DIRETORES DAS ESCO -
LAS SUPERIORES DO BRASIL; QUE MINISTRAM CURSO DE QUÍMI-
CA, PARA A COMISSÃO DE PLANEJAMENTO DA FORMAÇÃO DE QUÍMI-
COS, DO MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO E CULTURA.
1. - Quantos candidatos se inscreveram no exame de habi-
litação desta Escola, no início de 1965? Para quan-
tes vagas? E em 1964?
2. - Qual a disponibilidade em salas de aula (nº de sa-
las e respectivas capacidades).
3. - A Escola dá cursos de especialização ou aperfeiçoa-
mento?
4. - Quais as tendências de especialização nos cursos
desta Escola (% dos alunos que escolhem determina -
dos cursos, quando há opção no currículo de forma -
ção) ?
5. - Corpo Docente, com professores catedráticos por con
curso.
6. - Currículo.
7. - Numero de alunos da Escola nos cursos de Química,em
1965:
la. série -
2a. série -
3a. série -
4a. série -
5a. série -
Total -
8. - Número total de profissionais químicos diplomados
pela Escola, desde a sua criação até dezembro de
1964.
ANEXO I
ANEXO 1
7.1 - QUESTIONÁRIO À DIREÇÃO DA UNIDADE
1 - A Escola desenvolve cursos de pos-graduação?
2 - De que constam esses cursos?
3 - Qual o tempo mínimo para a conclusão deles?
4 - A conclusão dos mesmos possibilita a obtenção de certi-
ficados ou diplomas?
5 - Quantos alunos acham-se presentemente matriculados nas
várias disciplinas dêsses cursos?
6 - Quantos alunos já foram diplomados?
1 - A Escola dá título de Doutor ou de Mestre?
2 - Como é obtido?
3 - Exige apenas tese ou também exige créditos especiais?
4 - Quais os programas desenvolvidos no corrente ano (ou
1964)?
5 - Quais os professôres dêsses cursos?
6 - Qual o Curriculum Vitae dos professôres exclusivos
dêsses cursos?
7 - Qual é o coordenador dos mesmos?
8 - Qual o tempo mínimo necessário para a obtenção do títu-
lo de Mestre e de Doutor?
9 - Quantos doutores já diplomou em cada especialidade, no
campo da Química, desde a criação dos cursos?
10 - Quantos alunos há agora trabalhando para a obtenção dos
títulos de Mestre ou Doutor?
11 - Quais os tópicos gerais das teses em andamento?
12 - Essas teses são desenvolvidas sob a orientação de algum
professor, ou livremente?
13 - Enviar se possível teses concluídas,
14 - Relação dos aparelhos especiais que podem ser utilizados
na confecção das teses.
ANEXO II
7.2 - INFORMAÇÕES A SEREM PRESTADAS PELAS DISCIPLINAS DOS CURSOS
BE QUÍMICA DAS ESCOLAS SUPERIORES DO BRASIL, PARA A COMIS-
SÃO DE PLANEJAMENTO DA FORMAÇÃO DE QUÍMICOS, DO MINISTÉRIO
DA EDUCAÇÃO E CULTURA.
Nome da Instituição
Nome do Diretor -
Endereço completo -
Nome da Disciplina -
Curso a que pertence -
Data
1 - Corpo Docente
1.1 - Relativamente ao Responsável pela Disciplina e a
seus auxiliares, informar em fôlha anexa, de acôr-
do com os números dos quesitos abaixo relaciona-
dos, o seguinte:
1.1.1 - Nome
1.1.2 - Atribuição
1.1.3 - Cargo que ocupa
1.1.4 - Diploma (título, nome da Escola e Uni-
versidade e data)
1.1.5 - Doutoramento (nome da Escola e Universi-
dade e data)
1.1.6a - Livre Docência (Cadeira, nome da Esco-
la e Universidade e data)
1.1.6b - Cátedra (concurso) (Cadeira, nome da Es
cola e Universidade, e data)
1.1.7 - Estágios ou cursos em outras Universida-
des
1.1.8 - Publicações (nº aproximado, assuntos
principais e principais revistas em que
publicou)
1.1.9 - Experiência didática (nº aproximado de
anos de magistério de qualquer nature-
za)
1.1.10 - Experiência científica em pesquisa (nº
3.1.4 - Qual o número de alunos trabalhando atualmente
por turma, nas condições acima?
3.1.5 - Qual o número máximo de alunos que poderiam tra
balhar, por turma, nas condições acima?
3.2 - Material de Laboratório
3.2.1 - 0 material de laboratório disponível atualmente,per-
mite o trabalho simultâneo de quantos alunos, ou e -
quipes de alunos?
4 - Na sua opinião, onde reside, atualmente, o principal ponto de
estrangulamento da capacidade dessa Disciplina: no Corpo Do_
cente, nos Laboratórios ou no material de laboratório?
5 - Como poderia, na sua opinião, ser superada essa dificuldade?
ó - Anexar o programa da Disciplina, tal como foi seguido em
1964?
RIO GRANDE DO SUL
EEUFRGS
ANEXO III
ANEXO III
EEUERGS
ANEXO III
FPiCLUFSta. Ma.
CÁTEDRA ou
DISCIPLINA
AUTÔNOMA
M.A.
M.P.
SCD.
CM.
Química Orgânica 0,0 0,1 0,0 0,05
Química Inorgânica 0,0 0,1 0,0 0,05
ANEXO III
EEIRG
PARANÁ
EQUFPR
ANEXO III
E.F.U.SP.
ANEXO III
FFiCLUSP
FFiCLAraraquara
FFiCLR.Prêto
FEIPUCSP
EEMauá
EEMackenzie
(+) Faixam dados quanto ao número de alunos-disciplina.
GUANABARA
EQUFRJ ANEXO III
ANEXO III
F.Fi.U.F.RJANEIRO
FFiCLUEG
ANEXO III
ANEXO III
M
M
I
N
A
S
G
E
R
A
I
S
INSTITUTO DE QUÍMICA BÁSICA
U.F. MG.
ANEXO III
ANEXO III
EEUFMG
DISTRITO FEDERAL
I.C.Q.U.BRASÍLIA
ANEXO III
BAHIA
IQUFBA
ANEXO III
SERGIPE
ANEXO III
E.Q.SERGIPE
CÁTEDRA ou
DISCIPLINA
AUTÔNOMA
M.A.
M.P.
SCD.
CM.
Química Industrial I 0,0 0,1 0,0 0,0
Química Industrial II
Microbiologia Industrial 6,0 0,3 0,3 0,08
Química Orgânica II 0,0 0,1 0,0 0,08
Processos e Operações
Unitárias
Química Analítica Quantitativa
Química Orgânica I
Mineralogia
Físico-Química
Física
Desenho
Química Analítica I
Química Inorgânica
Matemática
0,0
1,0
0,0
2,0
0,0
2,0
1,0
1,0
0,0
1,0
0,1
0,2
0,1
0,1
0,1
0,1
0,1
0,1
0,1
0,1
0,0
0,0
0,0
0,1
0,0
0,1
0,0
0,0
0,0
0,0
0,0
0,08
0,08
0,08
0,08
0,15
-
0,05
0,05
-
P
E
R
N
A
M
B
U
C
O
EPUCPE
ANEXO III
PARAÍBA
ANEXO III
IQUFPB
CEARÁ
PARÁ
ANEXO III
ESQUFP
r
ANEXO IV
QUADRO GERAL DA DISTRIBUIÇÃO DE VERBA PARA 1965. ANEXO V
QUADRO GERAL PARA DISTRIBUIÇÃO DE VERBA PARA 1965 ANEXO V
ANEXO VI
7.6 - BOLSAS NO EXTERIOR PARA PROFESSORES
1 - Escola de Engenharia da Universidade Federal do Rio
Grande do Sul = 1 bolsa
2 - Escola de Química da Universidade Federal do Paraná
= 2 bolsas
3 - Escola Politécnica da Universidade de São Paulo
= 1 bolsa
4 - Escola de Química da Universidade Federal do Rio de Ja_
neiro - 1 bolsa
5 - Instituto Central de Química da Universidade Federal de
Minas Gerais = 2 bolsas
6 - Instituto de Química da Universidade Federal do Ceará
= 1 bolsa
7 - Faculdade de Filosofia Ciências e Letras da Universida-
de do Estado da Guanabara = 1 bolsa
Nº total de Bolsas - 9.
ANEXO VII
7.7 - RELAÇÃO DAS DISCIPLINAS EM CADA UNIDADE, ONDE SERIA CONVENI-
ENTE O ENVIO DE PROFESSORES VISITANTES.
Critério: on MA menor que 2,0
ou SCD menor que 0,1
ANEXO VII
Estado Escola
Disciplina
MA
SCD
ANEXO VII
Estado
Escola
Disciplina
MA
SCD
ANEXO VII
Estado Escola
Disciplina
MA
SCD
ANEXO VIII
7.8 - UNIVERSIDADES QUE POSSUEM UNIDADES QUE MINISTRAM CURSOS DE
QUÍMICA NO PAÍS, EM 1965-
BAHIA
1 - Universidade Federal da Bahia
Rua Prof. Augusto Viana, s/n - Salvador
Reitor - Miguel Calmon Du Pin e Almeida Sobrinho
CEARÁ
2 - Universidade Federal do Ceará
Av. Visconde de Cauípe, 2853 - Fortaleza
Reitor - Antonio Martins Filho
DISTRITO FEDERAL
3 - Universidade de Brasília
Brasília
Reitor - Laerte Ramos de Carvalho
GUANABARA
4 - Universidade Federal do Rio de Janeiro
Av. Pasteur, 250 - Rio de Janeiro
Reitor - Pedro Calmon Moniz de Bittencourt
5 - Universidade do Estado da Guanabara
Trav. Euclides de Matos, 17' -' Rio de Janeiro
Reitor - Haroldo Lisboa Cunha . .
MINAS GERAIS
6 - Universidade Federal de Minas.Gerais
Cidade Universitária - Pampulha - Belo Horizonte
Reitor - Aluizio Pimenta
PARÁ
7 - Universidade Federal do Pará
Av. Gov. José Melcher, 1192 - Belém
Reitor - José Rodrigues da Silveira Neto
PARAÍBA
8 - Universidade Federal da Paraíba
Av. Duarte da Silveira, s/n - João Pessoa
Reitor - Guillardo Martins Alves
ANEXO VIII
PARANÁ
9 - Universidade Federal do Paraná
Pça. Santos de Andrade - Curitiba
Reitor - José Nicolau dos Santos
10 - Universidade Católica do Paraná
Curitiba
Reitor - Dom Geronimo Mazarotto
PERNAMBUCO
11 - Universidade Federal de Pernambuco
Rua do Hospício, 619 - Recife
Reitor - Murilo Humberto de Barros Guimarães
12 - Universidade Católica de Pernambuco
Rua do Príncipe, 526 - Recife
Reitor - Pe, Aloisio Mosca de Carvalho
RIO GRANDE DO SUL
13 - Universidade Federal do Rio Grande do Sul
Av. João Pessoa, s/n - Porto Alegre
Reitor - José Carlos Fonseca Milano
14 - Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul
Pça. Dom Sebastião, 2 - Pôrto Alegre
Reitor - Irmão José Otão
15 - Universidade Federal de Santa Maria
Santa Maria
Reitor -
SÃO PAULO
16 - Universidade de São Paulo
Cidade Universitária - Cx. Postal, 8191 - São Paulo
Reitor - Luiz Antonio da Gama e Silva
17 - Pontifícia Universidade Católica de São Paulo
Rua Monte Alegre, 984 - São Paulo
Reitor - Oswaldo Aranha Bandeira de Mello
18 - Universidade Mackenzie
Rua Maria Antônia, 463 - São Paulo
Reitor - Esther Mesquita
ANEXO VIII
7.8 - UNIDADES QUE MINISTRAM CURSOS DE QUÍMICA EM NÍVEL SUPE-
RIOR NO PAÍS, EM 1965.
AMAZONAS
1 - Faculdade de Filosofia do Amazonas (ISOE)
Rua José Paranaguá, s/n . .
Diretor - Pe. Luiz Augusto de Lima Ruas
Manaus
Curso: Bacharel
BAHIA
2 - Instituto de Quimica da Univ. Federal da Bahia (INOF)
Parque Universitário - Canela
Salvador
Diretor - Nilmar Vicente Pereira da Rocha
Cursos: Disciplinas de Química Básica de outras unidades
3 - Escola Politécnica da Universidade Federal da Bahia(INOF)
Rua Prof. Aristides Novis, 2
Salvador
Diretor - Alcer Roberto Hiltner
Curso: Engenharia Química
4 - Faculdade de Filosofia da Univ. Federal da Bahia (.INOF)
Rua Joana Angélica, 183
Salvador
Diretor - Aristides da Silva Gomes
Curso: Bacharel
CEARÁ
5 - Instituto de Química e Tecnologia da Univ.Federal do Cea-
rá (INOF)
Av. Visconde de Cauípe, 2995 - Benfica
Fortaleza
Diretor - Manuel Mateus Ventura
Cursos: Disciplinas de Química Básica de outras unidades;
Bacharel; Química Industrial; Eng. Química
DISTRITO FEDERAL
6 - Instituto Central de Química da Univ.Federal de Brasília
Brasília
ANEXO VIII
Coordenador
Cursos: Disciplinas de Química Básica de outras unidades
Bacharel; Pós-graduação (Mestrado e Doutoramen-
to) em Química Orgânica.
GUANABARA
7 - Escola de Química da Univ. Federal do Rio de Janeiro(INOF)
Av. Pasteur, 404
Rio de Janeiro
Diretor - Paulo Emídio de Freitas Barbosa
Cursos: Química Industrial e Engenharia Química
8 - Faculdade de Filosofia da U.Federal do Rio de Janeiro(INOE)
Av- Presidente Antônio Carlos, 40
Rio de Janeiro
Diretor - José de Faria Góes Sobrinho
Curso: Bacharel
9 - Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da Universidade
do Estado da Guanabara (INOE)
Rua Haddock Lobo, 253
Rio de Janeiro
Diretor - Attila Magno da Silva
Curso: Bacharel
10 - Instituto Militar de Engenharia (INOF)
Pça. General Tibúrcio - Praia Vermelha
Rio de Janeiro
Diretor - Luiz Neves
Curso: Engenharia Química
11 - Instituto de Química da Univ.Federal do Rio de Janeiro
(INOF)
Av. Pasteur, 404
Rio de Janeiro
Presidente - Athos da Silva Ramos
Cursos: Pós-graduação (Mestrado e Doutoramento) em Enge-
nharia Quimica; Química Orgânica; Química Inor-
gânica; Química Tecnológica e Bioquímica.
MINAS GERAIS
12 - Instituto Central de Química da U.F. de Minas Gerais
(INOF)
I
ANEXO VIII
Rua Espírito Santo, 35 - 6º andar
Belo Horizonte
Diretor - Lourenço Meniocucci Sobrinho
Cursos: Disciplinas de Química Básica de outras unida -
des; Pos-graduação em Química Orgânica
13 - Escola de Engenharia da U.Federal de Minas Gerais(INOF)
Rua Espírito Santo, 35
Belo Horizonte
Diretor - Joaquim Marcello Klein Teixeira
Curso: Engenharia Química
14 - Faculdade de Filosofia da U.federal de Minas Gerais(INOF)
Rua Carangola, 288
Belo Horizonte
Diretor - Arthur Versani Velloso
Curso: Bacharel
15 - Escola de Engenharia de Uberlândia (ISF)
Uberlândia
Diretor - Genésio de Melo Pereira
Curso: Engenharia Química
PARÁ
16 - Escola Superior de Química da U.Federal do Pará (INOF)
Pça. da República, s/n
Belém
Diretor - Júlio Ribeiro
Curso: Química Industrial
PARAÍBA
17 - Instituto de Química da U.Federal da Paraíba (INOF)
Rua Alberto de Brito, s/n - Jaguaribe
João Pessoa
Diretor - Antonio Morais
Cursos: Disciplinas de Química Básica de outras unida-
des
PARANÁ
18 - Escola de Química da U. Federal do Paraná (INOF)
Rua Bom Jesus, 600
Curitiba
Diretor - Olavo Romanus
Curso: Engenharia Química
ANEXO VIII
Rua do Principe, 526
Recife
Diretor - Pe. Josué Torres Costa S.J.
Curso: Bacharel
RIO GRANDE PO SUL
26 - Escola de Engenharia da U.F. do Rio Grande do 3ul(IN0F)
Pça. Argentina, s/n
Porto Alegre
Diretor - Ivo Wolff
Curso: Engenharia Química
27 - Faculdade de Filosofia da U.F. do Rio Grande do Sul(INOF)
Av. Paulo Gama, s/n
Porto Alegre
Diretor - Ary Nunes Tietbohl
Curso: Bacharel
28 - Escola de Engenharia Industrial do Rio Grande (ISF)
Rua Coronel Sampaio, s/n
Rio Grande
Diretor - João Rubem Almeida
Curso: Engenharia Química
29 - Faculdade de Ciências da PUC do Rio Grande do Sul (INP)
Porto Alegre
Diretor - Arthur Wentzel Schneider
Curso: Bacharel
30 - Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da U. Federal
de Santa Maria (INOF)
Rua dos Andradas, 1614
Santa Maria
Diretor - Carmem Silveira Neto
Curso: Bacharel
SÃO PAULO
31 - Escola Politécnica da Universidade de São Paulo(INOE)
Pça. Coronel Fernando Prestes, 74
São Paulo
Diretor - Tharcísio Damy de Spuza Santos
Cursos.- Engenharia Química; Pos-graduação (Doutora-
mento) em Engenharia Química
ANEXO VIII
32 - Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da Universida-
de de São Paulo (INOE)
Alameda Glette, 463 - Cx. Postal, 8105
São Paulo
Diretor - Mário Guimarães Ferri
Cursos: Bacharel; Pos-graduação (Doutoramento) em Disci-
plinas Básicas do Curso de Formação
33 - Escola de Engenharia da Universidade Mackenzie (INP)
Rua Maria Antônia., 403 .
São Paulo
Diretor - Jaroslaw Smit
Curso: Engenharia Química
34 - Escola de Engenharia Mauá (INP)
Rua Frederico Alvarenga, 121
São Paulo
Diretor - Israel Mordka Rosenberg
Curso: Engenharia Quimica
35 - Escola de Engenharia Industrial da PUC de São Paulo(INP)
Av. São Joaquim, 163
São Paulo
Diretor - Joaquim Ferreira Filho
Curso: Engenharia Operacional modalidade Química
36 - Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Araraquara
(ISOE)
Pça. Santos Dumont - Cx. Postal, 174
Araraquara
Diretor - Carlos Aldrovani
Curso: Bacharel
37 - Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão
Preto (ISOE)
Av. Bandeirantes, s/n
Ribeirão Preto
Diretor - Lucien Lison
Curso: Bacharel
SERGIPE
38 - Escola de Química de Sergipe (ISOE)
Rua Campo de Brito, 371
Aracaju
Diretor - José Lopes Gama
Curso: Química Industrial
QUADRO I
8.1 - DADOS GERAIS DAS ESCOLAS
QUADRO II
8.2 - DIVISÃO DAS ESCOLAS
8.3 - Pós-Graduação no Brasil em 1965 (+)
Estado Instituição Titulo R a m o s Nº total de alunos NO total de diplomados
QUADRO V
ANÁLISE DA DEMANDA
DE PROFISSIONAIS
QUÍMICOS NO BRASIL
O presente trabalho resulta de convênio celebrado
pela Diretoria do Ensino Superior do Ministério da Educação e Cul-
tura, por seu Diretor, Professor Raymundo Moniz de Aragão, com a So-
ciedade Brasileira de Instrução, pelo Instituto Universitário de
Pesquisas da Faculdade de Ciências Políticas e Econômicas do Rio
de Janeiro. Marca a iniciativa mais ambiciosa até o momento,daque-
le Ministério, no sentido de se lançar à tarefa ingente de ordena-
ção de uma política de educação superior para o desenvolvimento.
O trabalho, num conjunto de estudos análogos, adian-
tados pela Diretoria do Ensino Superior, visa a deixar firmemente
implantadas no país as linhas de uma pesquisa sistemática do merca.
do de trabalho para as profissões de nível superior no país.
Importante é, assim, não apenas o primeiro conjunto
de dados que traz ao conhecimento desta realidade, mas o ensejo,
também, do aperfeiçoamento sistemático do campo investigado, permi-
tindo que a expansão do complexo industrial brasileiro seja acompa_
nhada do conhecimento das oportunidades de oferta ao saber mais di-
retamente requerido pelo nosso desenvolvimento.
Dentro desta perspectiva inédita,até agora, na em-
plitude de sua visada, confiou o Professor Moniz de Aragão à S.B.I.
a possibilidade de realizar o primeiro estudo em âmbito nacional do
crescimento da demanda de mão-de-obra técnica na indústria química.
0 cerne do trabalho se localiza em torno das carac-
terísticas e tendências que o mercado atualmente revela, visando
não apenas os quantitativos técnicos demandados, mas - e com igual
importância - o ajuste funcional e ocupacional real destes e, ain-
da, dos efetivos já empregados. Da mesma forma pôde a pesquisa sô-
bre os setores empregadores ser apreciada do ponto de vista subje-
tivo. fornecendo elementos para a definição da expectativa dos res-
pcnsáveis pelas indústrias diante da qualidade do ensino técnico
assim como das necessidades quantitativas para a adequada expansão
de seus empreendimentos.
0 estudo se faz acompanhar, ainda do ponto de vista
da demanda, de subestudo monográfico relativo às características ge-
rais e setoriais da indústria química no país, vale dizer, dos de-
terminantes econômicos, "strictu sensu", do mercado de trabalho
Completa-se, do ponto de vista prospetivo, de uma análise dos efe-
tivos requeridos, ensejando, inclusive, o conhecimento dos novos
projetos já dimensionados, exatamente os de maior porte, bem como
do levantamento dos cargos existentes e vagos no serviço público,
de prestação direta ou mediante serviços de economia descentrali-
zada .
Já se vê, pois, dentro da diretriz criadora da Di-
retoria do Ensino Superior, a preocupação profundamente realista
da pesquisa, de permitir não só o dimensionamento atual do merca-
do, mas o conhecimento de sua dinâmica no próximo qüinqüênio, fir-
mardo as linhas de disciplina de uma política de emprêgo, dentro
das exigências da formação universitária e média brasileira.
De grande alcance são também, de pronto, as suas
conseqüências sôbre a própria organização do ensino, já do ângulo
das exigências técnicas adiantadas pelas emprêsas nacionais, já do
ângulo dos centros de concentração ou dispersão, que revela a efe_
tiva vinculação do estudante à sua vida profissional.
A pesquisa foi realizada por núcleo de sociólogos
formados, na maioria oriundos da Escola de Sociologia da Pontifí-
cia Universidade Católica do Rio de Janeiro, além de economistas,
técnicos de levantamento de mercado e estatísticos ligados à es-
trutura universitária mantida pela Sociedade Brasileira de Instru-
ção. Ou seja, a entidade pioneira, responsável pela implantação no
país, desde 1902, dos cursos de ensino comercial e, em 1919, pela
primeira Faculdade, estabelecimento padrão, de Ciências Políticas
e Econômicas no Rio de Janeiro.
Pôde, outrossim, o trabalho, contar com a competen-
te e dedicada assessoria técnica da Professora D. Eloísa Biasotto
Mano, Catedrática da cadeira de Química Orgânica II da Escola Na-
cional de Química da Universidade do Brasil.
Compondo um trabalho que elevou a novos níveis, no
setor, a amplitude da pesquisa de campo, foi realizada de outubro
de 1964 a maio de 1965 com uma equipe de 19 técnicos e 57 entre —
vistadores, sob a coordenação geral da socióloga Professora Ana
Judith de Carvalho, Diretora de projeto do Instituto Universitá-
rio de Pesquisas e Chefe do Departamento de Sociologia do Projeto
piloto BENDOC (Fundação Leão XIII - USAID). Teve como coordenador
adjunto o sociólogo Dr. José Maria de Arruda.
No momento em que entrega o seu trabalho ao exame
dos programadores e responsáveis de uma política nacional de edu-
cação, a S.B.I. não pode deixar de reiterar todo o seu reconheci-
mento ao Professor Raymundo Moniz de Aragão, na confiança que de-
positou nesta instituição para dela fazer um instrumento da real
colocação do ensino universitário brasileiro, à ótica da raciona-
lização e do planejamento.
Cândido Antônio Mendes de Almeida
Presidente da Sociedade Brasileira de Instru-
ção e do Instituto üniversitário de Pesquisas
EQUIPE TÉCNICA
Coordenação geral: Professora Ana Judith de Carvalho
Coordenador adjunto: Dr. José Maria de Arruda
Assessores em estatística: Professor Walter Augusto do Nascimento
(Escola Nacional de Estatística)
Marlene Cardoso Pereira
Pesquisadores: Angela Maria Xavier de Brito
Piora A. H. da Costa
Sônia Maria Gouveia
Pedro de A. Ribeiro de Oliveira
Marta Bebiano Costa
Otávio Guilherme Cardoso Alves Velho
Manuel F, Ruiz Callichio
Rosa Maria Ribeiro da Silva
Clemente Mourão Netto
Moacir G. Soares Palmeira
Lena Maria Chaves
Colmar Verçosa Mangueira
Anamaria Ribeiro Coutinho
Secretário: Ricardo Gontijo Soares
NOTA EXPLICATIVA
Nesta reimpressão, com o fim de concentrar os resultados ta-
belados, procedeu-se a uma redução das tabelas, onde havia possi-
bilidade para tal, sem detrimentos dos dados numéricos por elas
apresentados.
Afora outras pequenas correções, o presente trabalho é abso-
lutamente idêntico à la. impressão, o que poderá ser verificado
por confronto entre elas.
I - OBJETIVOS GERAIS
II - MÉTODOS E TÉCNICAS
III - INDUSTRIA QUIMICA: CARACTERISTICAS GERAIS E SITUAÇÃO NO
BRASIL
IV - ESTUDOS ECONÔMICOS SETORIAIS
V - PROFISSIONAIS QUÍMICOS, EMPRESAS, CONSELHOS
VI - DEMANDA ATUAL DE PROFISSIONAIS: CARACTERISTICAS E TENDEN-
CIAS
VII - A OFERTA DE PROFISSIONAIS
VIII - CONCLUSÕES
Anexo 1 - Profissionais para os novos projetos já dimensionados
na Indústria Quimica
Anexo 2 - Levantamento de cargos no serviço público
Anexo 3 - Efetivos profissionais de Petróleo Brasileiro S/A
(PETROBRÁS)
Anexo 4. - Recenseamento nos Conselhos Regionais de Química
CAPITULO I - OBJETIVOS GERAIS
A presente pesquisa levantou dados fundamentais do
mercado de trabalho da profissão de químico, visando a integrá-los
em generalizações adequadas a uma programação criteriosa do ensino
técnico universitário e colegial desta especialidade. Para tanto,
foi concebido um esquema de coleta, organização e interpretação tal
que, permitindo a manipulação de dados diretos e indiretos - desde
a realização de entrevistas a partir de um questionário - padrão
até á utilização de estudos econômicos setoriais, exposição de pro
blemas tecnológicos da química, esclarecimentos sôbre o ordenamen-
to jurídico da profissão, levantamento das informações existentes
(e da forma de coletá-las) nos Conselhos Federal e Regionais de Quí
mica - reconstruísse uma unidade integrada e compreensiva sôbre a
qual poderá atuar sem dificuldade o instrumental do planejamento de
educação. Inventariando-se, assim, o conjunto de determinações do
mercado de trabalho já no referente ao seu desenvolvimento intrín-
seco, já quanto aos múltiplos fatôres sociais, econômicos, tecnoló
gicos e educacionais que o condicionam, foram abordadas as seguin-
tes questões:
I) Determinantes extrínsecas do mercado de trabalho
1. Determinantes espaciais
1.1 distribuição de empregos por regiões geo-econômicas
1.2 polos de difusão e recepção da formação e da ocupação de
profissionais químicos. Os fluxos migratórios.
2. Determinantes econômicos
2.1 Termos mínimos da oferta de emprêgo, do ponto de vista do
ordenamento jurídico da profissão: dimensão do "mercado le
gal" de trabalho. 0 papel e o funcionamento dos Conselhos
Federal e Regionais de Química.
2.2 Desenvolvimento e dimensão do mercado efetivo de trabalho:
expansão, redução ou estabilização verificada nos últimos
cinco anos.
2.3 Problemas específicos da Indústria Química, em geral e nas
particulares condições do Brasil. O ritmo de desenvolvimen-
to da economia, suas perspectivas de expansão e o impacto
sôbre a oferta de empregos. Estudos econômicos setoriais.
II) Determinantes intrínsecas do mercado de trabalho
1. Grau de racionalização da procura, funções industriais e ní-
vel de especialização requerido
2. Adequação real entre oferta e procura:
2.1 Objetivamente:
a) relação ocupacional entre os quantitativos de profissio-
nais de nível superior e os de nível médio.
b) relação ocupacional entre os quantitativos de profissio-
nais escolarizados e os de profissionais não escolariza
dos,porém licenciados para trabalhar.
c) relação ocupacional entre os quantitativos de profissio-
nais diplomados e licenciados e de práticos não regista
dos.
2.2 Subjetivamente:
a) os profissionais e a habilitação que deles esperam os
responsáveis pelas emprêsas.
b) os efetivos necessários: ponto de vista dos responsáveis
pelas emprêsas sôbre o suprimento de mão-de-obra..
As presentes questões, com efeito, permitem dimen-
sionar, em seus parâmetros mais importantes, o mercado de trabalho:
1º). Em sua localização espacial, conduzindo, desta forma,
á fixação de uma política geo-econômica de formação profissional que
leve em conta, ademais, o recurso compensatório aos fluxos de mi-
gração técnica.
2º) Em sua dimensão econômica, revelando-se quer por estu
do econômico geral e setorial, quer por itens específicos do ques-
tionário aplicado: a) as flutuações mínimas da oferta de emprêgo
em determinadas indústrias; b) a evolução dos quantitativos empre-
gados, nos últimos anos, a cujas taxas médias cumpre relacionar a
correspondente evolução dos quantitativos de formados; c) o ritmo
previsível das mudanças econômicas e tecnológicas gerais no setor
e sua influência sôbre quantidade e qualidade da mão-de-obra técni-
ea; e aspperspectivas de expansão da indústria química em seus prin-
cipais setores instalados em ampliação ou a instalar-se, e as conse-
quentes necessidades previsíveis de mão-de-obra técnica.
3º) Do ponto de vista de seu desenvolvimento intrínseco:
a) o impacto, sôbre a procura de técnicos, do grau de racionaliza-
ção de comportamento do responsável pela indústria, indiretamente
revelado pela relação entre o tipo de ocupação e de funções indus-
triais predominantes e o tipo de profissional que as exerce - dado
de influência decisiva sôbre a efetiva absorção das diversas cate-
gorias profissionais; b) a adequação real entre a oferta e a pro-
cura de emprêgo, colhida:
- objetivamente: pela distribuição proporcional de o-
cupações das diversas categorias profissionais, considerando-se as
variáveis escolarização (nos dois níveis) ou não escolarização(prá-
ticos) e habilitação legal para o exercício da profissão (profis-
sionais registrados e práticos não registrados), aqui surgindo en-
tre outros a preparação não formalizada de profissionais (práticos)
e as novas especializações exigidas pelo processo tecnológico;
- subjetivamente: encarando-se já a problematização e
crítica ao preparo do profissional para as ocupações industriais e_
fetivas - do ponto de vista do responsável pela emprêsa; já do mes-
mo ponto de vista, os efetivos necessários previstos de máo-de- o-
bra técnica.
Finalmente, e na medida dos dados existentes sôbre
a formação escolar, seria permissível uma mensuração entre o prová-
vei incremento da demanda e o desenvolvimento da oferta de profis-
sionais.
Da análise de cada um desses fatôres á possível las
trear-se a politica educacional no setor da química, tendo-se em
vista que esta visaria particularmente:
1º) Localização das novas unidades de ensino em vista das
necessidades geo-econômicas e da utilização dos fluxos migratórios
profissionais;
2º) Definição prospetiva dos quantitativos de formação,en-
carando-se, inclusive, a existência de um setor de práticos não re-
gistrados, á margem do ensino profissional organizado, e o conjun-
to de requisitos de especialização exigidos pelo desenvolvimento
dos diversos ramos industriais empregados.
3º) Reordenação de programas, em vista: a) do grau de es-
pecialização; b) das inovações tecnológicas previstas e a serem
adotadas em programas de expansão industrial já delineados.
CAPÍTULO II - MÉTODOS E TÉCNICAS
1. A análise do mercado de trabalho da química utiliza
dois tipos de dadod: diretor e indiretos. Os primeiros foram es-
colhidos através da aplicação de um questionário às emprêsas e, no
caso do serviço público, por levantamento junto às principais repar_
tições. Os segundos foram levantados nos Conselhos Regionais de
Química, a partir de cujos registros de emprêsas e de profissionais
foi possível elaborar a amostra analisada na parte V de presente re-
latório nas repartições encarregadas de estatística educacional (
principalmente o Serviço de Estatística do Ministério da Educação e
Cultura, suplementado pela consulta direta às secretarias de facul-
dades e escolas); além dos dados divulgados e de conhecimento dos
especialistas sôbre os problemas econômicos atinentes ao tema,à pre_
sente pesquisa,
2. 0 registro das emprêsas nos diversos Conselhos Regio-
nais de Química (l) forneceu os parâmetros iniciais para a delimita-
ção do provável mercado de trabalho existente no setor. Provável já
que os próprios Conselhos são unânimes em considerar que suas esta -
tísticas não exaurem o universo, visto que nem todas as emprêsas o -
brigadas por lei a registrarem-se, registram-se efetivamente. 0 uni-
verso a partir do qual foi selecionada a amostra para conseqüente a-
plicaçao do questionário diz respeito, por conseguinte, ao registro
das emprêsas, tal como fornecido pelos Conselhos Regionais de Quími-
ca.
3. No que se refere ao dimensionamento da amostra e vali
dade das estimações a pesquisa dimensionou, a partir dos dados exis-
tentes nos conselhos Regionais, uma amostra-piloto (amostra prévia)
de cêrca de 21% das emprêsas registradas, num total de 996 sôbre um
conjunto de 4.866 das cinco regiões, nos termos do quadro abaixo:
(1) A lei 2.800/56 dividiu o país (para fins de fiscalização da
profissão) em cinco regiões, vinculando a cada uma delas um-
Conselho Regional de Química. São as seguintes as regiões:
Ia. Região (sede em Recife): Pernambuco, Rio Grande do Nor-
te, Paraíba, Sergipe, Alagoas, Piauí ,
Ceará, Maranhão, Pará, Amazonas e Amapá
IIa. Região (sede em Belo Horizonte): Minas Gerais, Bahia e
Goiás.
Illa. Região (sede na Guanabara): Guanabara, Rio de Janeiro
e Espírito Santo.
IVa. Região (sede em São Paulo): São Paulo, Mato Grosso e
Rondônia.
Va. Região (sede em Porto Alegre): Paraná, Santa Catarina
e Rio Grande do Sul.
Para uma análise das implicações da presente divi-
são regional, ver Anexo IV. -
Assim, o tamanho da amostra-piloto foi dos mais cau-
telosos, não se descurando ainda, e especialmente, de ampliar a
"ratio" das entrevistas diretas sôbre as indiretas, na proporção
média de 75:25, obtendo-se o quadro abaixo, na distribuição de am-
bos os critérios e nas já citadas cinco regiões:
No esforço de ampliar a precisão do levantamento de
mercado, as emprêsas de capital igual ou superior a um bilhão de
cruzeiros entram nos resultados finais com seus valores paramátri-
cos e foram obrigatoriamente incluídas entre as entrevistadas,
0 capital registrado, a partir do qual foi possível
estimar o número provável de empregos na amostra-piloto, e o ramo
de atividade da emprega, consoante a listagem adotada pelos Conse-
lhos, forarn as variáveis que possibilitaram a elaboração da amos-
tra. As margens de erro forarn sempre inferiores ao percentual de
5% e o estudo da amostra apresentou as seguintes varianças de erro
em cada região:
4. O formulário utilizado para obter informações
junto ás emprêsas selecionadas pela amostra é na realidade muito
mais um roteiro de entrevistas focalizada do que propriamente um
modêlo de questionário-padrão. As dificuldades que a adoção desta-
alternativa acarretam para os fins de apuração foram amplamente
compensadas pela maior riqueza das informações colhidas. Ao todo
foram feitas 93 perguntas distribuídas em cinco partes principais,
a saber:
I) Características da emprêsa:
1. Nome e localização da emprêsa
2. Ramo de atividade a que pertence
3. Produtos fabricados
II) Dimensão do Setor de Química:
1. Existência ou não de um departamento ou setor de quí-
2. Existência ou não de um chefe de departamento
3. Informações específicas sôbre este chefe
4. Dimensão do departamento no momento atual
5. Dimensão do departamento nos cinco últimos anos
III) Análise do Setor de Quimica:
1. Número, categoria profissional e funções a serem exer-
cidas pelos profissionais considerados pela emprêsa
como necessários para seu melhor funcionamento
2. Vantagens que as emprêsas apontam na contratação dês-
es novos profissionais
3. Motivos pelos quais as emprêsas não possuem planos i-
medi;tos de ampliação
4. Profissionais de acôrdo com seu horário de trabalho
5. Correlação entre mais competência e mais idade
IV) Sistema de recrutamento:
1. Tipo de recrutamento utilizado pela emprêsa
2. Preferências das emprêsas em relação às diversas ca,
tegorias de químicos
3. Características do tipo de recrutamento utilizado
4. Procedência dos químicos existentes na emprêsa
5. Relação entre a habilitação dos profissionais e as
expectativas da emprêsa.
V) Dimensão da emprêsa:
1. Dimensão da emprêsa quanto ao capital, à produção e
ao número total de empregados
2. Possibilidades de expansão das emprêsas
5. 0 plano geral de entrevistas foi procedido de pré
teste de aplicação do questionário, que revelou uma média de 50 mi
nutos para a realização completa das mesmas. Da equipe regular de
pesquisadores foram destacados cinco elementos que funcionaram, na
fase de aplicação, como coordenadores nos estados das equipes de
entrevistadores organizadas com pessoal local (estudantes de Ciên-
cias Sociais, se possível com prática de aplicação de questionário)
Cada coordenador ficou responsável pela aplicação em uma das seguin-
tes áreas!
Sul de Santa Catarina e Rio Grande do Sul
Norte de Santa Catarina e Paraná
São Paulo .
Minas Gerais
" Pará, Ceará, Alagoas, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambu-
co, Amazonas e Maranhão.
6. Seqüência da exposição no relatório: no presente
relatório foi adotada uma técnica de exposição que não corresponde
exatamente à seqüência de determinantes que aparece no capítulo Ob
jetivos Gerais, e isto em vista da diversidade de fontes a que se
recorreu e ao caráter direto ou indireto dos dados colhidos. 0s de
terminantes econômicos a que se refere o item 1.2.3 do capítulo re_
ferente aos objetivos gerais aparece nos capítulos III e IV do re-
latóric.. 0 capítulo V expõe os problemas do ordenamento jurídico
63 profissão, instrumento de grande importância para a análise rea_
lizada no capítulo VI. Neste último é que aparece a análise dos de_
terminantes decorrente da aplicação do questionário (amostra). 0
capítulo VII colige dados sôbre a oferta de profissionais pelo en-
sino médio e superior. Finalmente, o capítulo VIII relaciona,após
um sumário dos capítulos anteriores, oferta e procura, questão mais
importante para a conseqüente programação próxima a do ensino no se-
tor.
Finalmente, e ainda no que se refere á exposição ,
foi adotada, no capítulo VI, uma divisão do país em regiões geo-e-
conômicas que não coincidem com as já citadas regiões dos Conselhos
de Química. Estas não permitiriam uma integração das conclusões a_
nalíticas induzidas de amostra com os estudos econômicos setoriais,
razão pela qual recorremos a um zoneamento muito próximo do utili-
zado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico:
1) Região Centro-Norte: abrangendo os Estados de Amazonas ,
Pará, Goiás, Mato Grosso, Acre e os territórios de Rondo
nia, Rio Branco e Amapá.
2) Região Nordeste: abrangendo os Estados de Maranhão, Pi-
auí, Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco, A-
lagoas, Sergipe é Bahia. ,
3) Região Centro-Sul: abrangendo os Estados de Minas Gerais,
Rio de Janeiro, Guanabara, Espírito Santo e São Paulo.
4) Região Sul: abrangendo os Estados do Paraná, Santa Cata-
rina e Rio Grande do Sul.
Esta divisão permite a integração de dados socioló-
gicos e econômioos e é metodològicamente permissível pela amostra,
já que esta dá validade aos dados resultantes d8 apuração por uni-
dade da federação.
CAPITULO III - INDUSTRIA QUIMICA: CARACTERISTICAS GERAIS E
SITUAÇÃO NO BRASIL
1. Características Gerais
A indústria química constitui, em qualquer econo —
mia, ramo dos mais dinâmicos, apresentando taxas de crescimento do
volume e valor da produção, sistematicamente elevadas. Por outro
lado, este setor industrial pode ser também considerado como o de
mais difícil mensuração e dimensionamento da necessidade de inver-
sões, bem como do rateio ótimo dos recursos disponíveis. Por sua
complexidade é, assim, a indústria química a que maiores dificulda-
des oferece para o exercício da programação macro-econômica, ainda
mais em vista dos seguintes problemas:
1) São conhecidos centenas de milhares de produtos quími-
cos orgânicos e inorgânicos, de diferentes usos;
2) Há grande concentração do consumo de produtos químicos
na própria indústria química;
3) Existe enorme diversidade do uso dos produtos químicos
fora do setor de origem;
4) Ocorrem, com extremo grau de rapidez, modificações tec-
nológices profundas neste segmento industrial.
Não obstante, e por isso mesmo, vários países, prin-
cipalmente os de estágio avançado de desenvolvimento econômico,têm
dedicado ponderável esforço no sentido de impulsionar cada vez mais
este setor industrial, destacando recursos públicos e privados pa-
ra ativar as várias fases do processo de seu crescimento.
0 desenvolvimento da indústria química pode ser me-
dido, em todo o mundo, em relação aos demais setores. Tal análise
comparativa permite destacar, com razoável grau de precisão, a sua
dinâmica e destacá-la na economia como um todo. 0 quadro II anota
os índices de crescimento industrial nas várias áreas econômicas
mundiais em período relativamente longo.
Observe-se que, para todas as áreas consideradas, a
indústria química ostenta taxa de crescimento bastante elevada,Con
siderado o mundo como um todo, a indústria química, no período
1950/62, só foi ultrapassada em termos de, crescimento- (130,5%) pe-
los dois outros setores de crescimento obrigatório, isto é, produ-
tos metálicose eletricidade e gás. Com efeito, os setores apresen-
taram no período taxas de crescimento inferiores, quais sejam: mi-
neração (21,8%), alimentos (73,9%), têxtil (69,4%), extrativa vege-
tal e mobiliário (91,3%), papel (86,8%), etc.
Em relação á áreas mundiais distintas, observou-se
destacado crescimento da indústria química. Assim, nos Estados U-
nidos, a taxa de crescimento no periodo situou-se em torno de ....
77,5%, ultrapassando os demais, á, exceção de produtos metálicos e
eletricidade e gás: na América Latina, tal crescimento atingiu ...
144,4%, também só ultrapassado por eletricidade e gás e produtos
metálicos; na Ásia, área de características de subdesenvolvimento
sem similar, o crescimento desse ramo. industrial foi de 175,0%, com
os outros setores crescendo a taxas mais elevadas, á exeeção de a-
limentos e indústria têxtil. A Europa e a Comunidade Econômica Eu
ropéia, igualmente acusaram índices expressivos de desenvolvimento
da química que se situam entre os mais elevados em toda a economia
(quadro IIa).
Como se vê, há grande desenvolvimento mundial dessa
importante atividade industrial. A indústria química, de outra par
te, apresenta características marcantes que a colocam em posição a_
centuadamente diference dos demais setores da indústria, entre as
quais podem ser destacadas as seguintes:
1. Demanda extremamente dinâmica;
2. Grande sensibilidade ás economias de escala;
3. Rentabilidade superior aos demais ramos industriais;
4. Estrutura mundial de preços característica;
5. Rápida evolução da investigação tecnológica e da depre-
ciação técnica das unidades produtivas.
Convém apreciar, de maneira destacada, para fins de
melhor entendimento do problema, as características anteriormente
anunciadas.
1. Demanda dinâmica - As tabelas de input-output con-
feccionadas para países de diferentes graus de desenvolvimento eco
nômico e de estruturas de oferta e demanda internas também não idên-
ticas, indicam extraordinária condentração do consumo de produtos
Químicos na própria indústria. Como exemplo, podem ser citadas as
tabelas elaboradas para os Estados Unidos, Argentina, Itália e Ja-
pão. Tal constatação comprova, indiscutivelmente, que a concentra
ção independe da estrutura vigente para o aparelho produtivo, sen-
do por isso mesmo peculiar á própria química. Por outro lado, as
tabelas de insumo-produto antes enunciadas identificam grande uso
de produtos químicos fora do setor de origem.
Partindo destas constatações e do exame, em vários
países, do comportamento dessa indústria, bem assim de sua interde-
pendência aos demais setores da economia, foi possível identificar
a sua dimensão relativa.
Em verdade, não há setor de atividade industrial que
possa prescindir do consumo de produtos químicos em alguma de suas
fases de processamento, ainda que seja. no processamento de algumas
de suas matérias primas e materiais de uso obrigatório. Com efeito,
os próprios equipamentos industriais necessitam, para a sua conser-
vação, de algum produto de origem química, assim como toda a ativi-
dade de embalagem. Há mesmo dificuldade em se identificar setores
que não estejam ligados á produção e ao consumo de produtos quími-
cos.
Por um lado, têm-se grande consumo de produtos quí-
micos na própria indústria química: por outro, grande e substanci-
al consumo fora dela. Tal fenômeno significa que, ao ter que ofer-
tar matérias primas e produtos finais a ela própria e ao resto da
economia, a indústria química necessita crescer a taxas rnais eleva
das do que as atigidades econômicas em conjunto. Daí afirmar - se
que este setor sofre a influência de demanda extremamente dinâmica.
Numa palavra, cresce pela demanda própria e pela demanda dos de-
mais setores; seu crescimento passa a ser, ao mesmo tempo, causa e
efeito do crescimento global.
2. Grande sensibilidade às economias de escala - 0
desenvolvimento tecnológico e a dinâmica da indústria química têm
levado á realização de investigações técnicas constantes no campo
do projetamento, principalmente com a finalidade de estabelecer no
vas dimensões e conceber novos tipos para as unidades fabris, des-
cobrindo novos níveis de capacidade de produção que possam permitir
maior economicidade dos processos. A tendência verificada no campo
da indústria química, relativamente ao tamanho das instalações,é
de serem projetados conjuntos cada vez maiores em termos de capaci
dade de produção.
Essa sensibilidade da indústria química á escala de
produção assume proporções significativas. Na maioria dos casos,
quanto maior o tamanho da instalação tanto menor será o custo uni-
tário dos investimentos em capital fixo. De outra parte, quanto
maior esta capacidade de produção, tanto menor será o custo unitá-
rio de mão-de-obra. Evidentemente, esta economia de escala tende
para um ponto de máximo, a partir do qual passarão a ser acusados
custos crescentes. Entretanto, é a indústria química a que mais se
beneficia das economias de escala. No quadro I apresenta-se al-
guns exemplos de economias de escala na indústria química. Vê-se,
por exemplo, que todos os setores importantes da indústria química
em anexo apresentam substancial economia de escala:
Negro de fumo - para uma capacidade de produção de
10.000 t/ano, tem-se um custo unitário de US$ 130,33 por tonelada
de capacidade instalada de produção. Quando se passa para 25.000
t/ano, o custo se reduz para US$ 104,11, com economia de 20%,
quando se eleva a capacidade de produção para 50.000 t/ano tem-se
mais uma economia de 11%.
Amômia - para uma capacidade de 36.000 t/ano, o custo por
tonelada se situa em US$ 46,40; para 108.000 t/ano há uma redução
de 19% no custo total da unidade e para unidades de 180.000 t/ano
a economia de escala se faz, adicionalmente, em torno de 7%.
ácido sulfúrico - para unidades de 36.OOU t/ano o custo
tal por tonelada de capacidade de produção situa-se em tôrno de
US$ 15,74. Para unidades de 100.000 t/ano há uma economia de esca-
Ia de 14% e para unidades de 300.000 t/ano essa economia se acres-
ce de 10%.
"Butadieno -. as unidades de 10.000 t/ano de capacidade de
produção exigem um custo por tonelada instalada de US$ 239,41, que
se reduz para US$ 201,16 para unidades de 20.000 t/ano, com ume e-
conomia de escala, portanto, de 16%. Para unidades de 40.000 t/ano
essa economia e acrescida de 10%.
Etileno - as unidades de 10.000 t/ano exigem investimen-
tos de US$ 184,73 por tonelada de capacidade instalada, reduzindo-
-se para US$ l44,89 nas unidades de 20.000 toneladas/ano, isto á,
economia de escala de 22%; essa economia é aumentada de 21% para u-
nidades de 60.000 u/ano.
Poletileno - as unidades de 8.000 t/ano de capacidade ins
talada de produção exigem Investimentos de ordem de US§ 266,76/t
de capacidade, que se reduz para US$ 249,59 por tonelada para uni-
dades de 12.000 t/ano, significando economia de escala de 6%. Para
unidades de 48.000 t/ano essa economia de escala é aumentada de 6%.
Cloro-Soda - neste caso as unidades com capacidade de ...
16.500 t/ano exigem investimentos de US$ 121,87/t, reduzindo-se pa_
ra US$ 112,02 nas unidades de 26.400 t/ano, vale dizer, economia de
escala de 8%. -Essa economia aumenta de 12% para unidades de i....
66.000 t/ano de capacidade instalada de produção.
QUADRO I
ECONOMIAS DE ESCALA E OS CUSTOS DE PRODUÇÃO DE ALGUNS PRODUTOS
QUÍMICOS IMPORTANTES
Fontes: "CEPAL" - Economias de Escala en la Industria Química"
1963.
NÚMEROS ÍNDICES DA PRODUÇÃO INDUSTRIAL, MUNDIAL E POR REGIÕES - 1950/62 - (1958 =100)
Por outro lado, como são os países desenvolvidos os
maiores produtores de produtos químicos, procuram eles descobrir
novos processos que permitam poupar mão-de-obra (fator escasso e
por isso caro nos países desenvolvidos) e, em contrapartida, utili-
zar maior dose de capital (fator abundante, por isso que relativa
mente barato). De outra parte, tais investigações procuram deter-
minar processos que eliminem a necessidade de utilizar matérias -
primas originárias do setor primário da economia, pela manipula -
ção de materiais residuais (gases e outros) fartamente disponíveis.
A competição estabelecida nesse ramo, também tem atua
do como fator de impulso das investigações técnicas, perseguindo
alcançar produtos substitutos para os que já se conhece, aquêles.
de maior vantagem para os consumidores, mesmo que isso venha pro-
porcionar o abandono de produtos e técnicas recentemente descober-
tos.
A sustentar toda essa gama de atividades complexas,e
ao lado das investigações de laboratório, de caráter estritamente
químico, surge intensa atividade de pesquisa no campo do projeta-
mento, a fim de traduzir em conjuntos industriais os resultados
oferecidos pela química.
Tais programas tecnológicos, razão mesma do desenvol-
vimento da indústria química, exigem, paralelamente, enormes pro-
gramas de formação técnica no campo da engenharia química - enge-
nheiros, técnicos, operários qualificados, etc.
As características antes apontadas merecem pondera -
ções no que respeita ao seu alcance para os países subdesenvolvia
dos, e, em particular para o Brasil, pois, o rápido desenvolvimen-
to da indústria química mundial tem produzido fenômenos que afe -
tam profundamente as economias menos desenvolvidas.
De um lado, todas as facetas antes apontadas, princi-
palmente nos seus aspectos tecnológicos, permitem que a tecnolo -
gia da indústria química seja buscada pelos países desenvolvidos,
cujos problemas são extremamente diferentes dos vigentes nos paí-
ses em desenvolvimento. São, em geral, técnicas concebidas para
poupar mão-de-obra e utilizar mais capital, quando para as econo-
mias subdesenvolvidas o contrário seria mais aconselhável; isso
conduz a distorções e pressões incovenientes. Além disso, são es;
tas tecnologias concebidas para utilizar matérias-primas e recur-
sos naturais disponíveis nos países desenvolvidos, na maioria dos
casos não coincidentes com as disponibilidades dos países subdesen-
volvidos.
Tais programas tecnológicos, além do mais, têm pro
porcionado o rápido processo de substituição de matérias-primas pa_
ra cuja produção os países subdesenvolvidos dispõem de vantagem re-
lativa superior, por isso que são largamente exportadas Dor estes.
São conhecidos, a esse respeito, inúmeros exemplos ilustrativos,
principalmente de produtos químicos recentemente descobertos que
podem substituir com grande vantagem certas matérias-primas tradi-
cionalmente produzidas e exportadas pelos países subdesenvolvidos.
São exemplos marcantes as fibras sintéticas substitutas de fibras
naturais (algodão, juta, sisal, henequem, etc); os adubos quími -
cos substitutos de adubos orgânicos; e até mesmo alimentos origina
rios aa indústria petroquímica. Outro exemplo significativo é da-
do pelo amplo desenvolvimento da indústria de plásticos, no após-
guerra, que vem permitindo a substituição intensa de certos mate -
rnais tradicionais, como os metais, madeiras, etc, tanto para a
confecção de bens de uso doméstico como de certos componentes uti-
lizados na indústria (as tubulações de plástico, por exemplo). Ain_
da em relação ao pláticos cumpre destacar a larga* substituição que
esse material vem promovendo no campo dos vasilhames, principalmen_
te de vidros.
Tais acontecimentos resultam em sérias distorções,
pelo menos no curto prazo, em detrimento dos países em vias de de-
senvolvimento, que só poderão ser eliminadas na medida em que es -
tes se desenvolvam.
Cabe ressaltar, de maneira especial, que o relati-
vo atrazo das economias subdesenvolvidas no campo do conhecimento
tecnológico muito tem contribuido para que se acentuem as distor -
ções apontadas. Para eliminá-las, ao mesmo tempo em que se deve
promover o desenvolvimento material (industrial), será necessário
incentivar a pesquisa tecnológica interna e a formação de mão-de -
obra especializada, a fim de que possam tais países criar as suas
próprias técnicas de produção, assim como adaptar às suas condições
locais as tecnologias de outros países. Esta formação de mão-de -
obra especializada deve cobrir, necessáriamente, o aspecto opera -
cional das unidades de produção (operação e manutenção, com deman-
da derivada de engenheiros, técnicos e operários),mas, principal -
mente, as atividades do projetamento que deve ser executado, indis_
cutivelmente, por engenheiros de elevado nível de formação.
FONTE:- Instituto Brasileiro de Economia, da Fundação Getúlio
Vargas.
A indústria química, neste conjunto, tem contribui
do com parcela significativa para o crescimento total, embora seja
sabido que, no Brazil, ela ainda se encontra longe de ter dimensões
satisfatórias. 0 quadro IV apresenta o crescimento do setor indus-
trial brasileiro e o crescimento dos setores que mais empregam pro-
fissionais químicos.
. QUADRO IV
BRASIL - CRESCIMENTO DE SETORES INDUSTRIAIS ESCOLHIDOS
1950/61
(em percentagem)
FONTE: - "Conjuntura Econômica", fevereiro de 1964, da Fundação Ge
túlio Vargas.
Observa-se que, para todos os setores usuários de
profissionais químicos, a taxa de crescimento industrial apresenta
níveis elevados, á exceção daqueles relativamente estagnados, isto
é, indústria têxtil e de bebidas. Destaca-se dos demais, com alta
taxa média de crescimento, a maior mesmo observada dentre os seto-
res, a chamada indústria química. Por outro lado, o consumo aparen-
te de produtos químicos no Brasil, em termos de dólares, teve a se
guinte composição em 1959 e 1963:
QUADRO V
BRASIL - CONSUMO APARENTE DE PRODUTOS QUÍMICOS
QUADRO V
BRASIL - CONSUMO APARENTE DE PRODUTOS QUÍMICOS
(em bilhões de dólares)
Como se vê, apesar do razoável índice de produção in
tema, as importações continuam aumentando significativamente e,em
conseqüência, o consumo total. Note-se que na medida em que o país
se industrializa, maior é o consumo de produtos químicos. No caso
brasileiro, admitindo-se que o Plano de Ação Econômica seja total-
mente implantado, o crescimento do consumo de produtos químicos de_
verá sofrer incrementos maciços.
A economia brasileira não suporta, ademais, continu-
ar realizando importações maciças de produtos químicos, visto que
sua capacidade para importar está ainda colocada em níveis relati-
vante baixos. A esse respeito, recente trabalho elaborado pela
CEPAL indica a indústria química como o principal setor, ao lado
do de bens de capital, para dar continuidade ao processo de substi-
tulção de importações da economia nacional. Visto isso, e corsoan-
te as boas perspectivas que o setor oferece para fins de produção
interna, e as metas governamentais indicadas na análise setorial,
os próximos anos deverão marcar o surgimento de inúmeras fábricas
de produtos químicos entre nós.
0 núcleo de indústria química já instalado interna-
mente, por seu turno, oferece as bases indispensáveis para a ativa
ção do setor. Assim, com o aparecimento da PETROBRÁS e com o desen-
volvimento de suas atividades, foi possível construir conjuntos in
dustriais a ela ligados, como fertilizantes, borracha sintática,
negro de fumo, etc. Também outras atividades que necessitam de in
Centro CEPAL/BNDE - Auge e declínio do processo de substitui-
ção de Importações no Brasil, 1963, versão preliminar.
turnos originários do petróleo lograram razoável desenvolvimento .
Outros, como pigmentos inorgânicos, plásticos e plastificantes, á
cido sulfúrico, celulose e papel, ácidos e sais básicos, soda cáus-
tica e barrilha, etc, foram implantados, no decorrer dos últimos
des anos, embora ainda sem atingir a autosuficiência.
Apesar de não serem das mais favoráveis as perspec-
tivas globais de crescimento industrial, pode-se dizer que a indús-
"ia química está em situação privilegiada, Vejamos como se jus-
tifica a afirmativa.
Em primeiro lugar, a indústria química (tomada em
conjunto com a farmacêutica) destaca-se entre as indústrias de
maior crescimento dentre o conjunto da indústria de transformação.
Segundo a CEPAL, em estudo sôbre o processo de industrialização bra_
sileiro na década de 50, a indústria química e farmacêutica, cuja
produção em 1949 representou cêrca de 3% do valor do produto da
indústria de transformação, teve essa participação aumentada para
13% em 1958, conservando essa mesma percentagem em 1961. Tal di-
namismo da indústria química e farmacêutica revela-se igualmente
em um estudo realizado pela Fundação Getúlio Vargas, para o perío-
do mais recente (in reviste "Conjuntura Econômica) novembro de
1964). Os dados do estudo da FGV não são diretamente comparáveis
com os da CEPAL, pois no primeiro se examina o pêso relativo da
indústria química e farmacêutica dentro apenas da indústria de
transformação, enquanto no segundo o confronto é com o conjunto
da atividade industrial, que inclui, além da indústria de trans-
formação, a indústria de construção civil, a indústria de energia
elétrica e a indústria, extrativa mineral, 0 resultado dessa com
peração com o conjunto da indústria é que a participação das in-
dústrias química e farmacêutica, entre 1961 e 1963, era estimada
em 5,5%, em igualdade de condições com a indústria do petróleo, e
ocupava o 7º lugar; em 1964, essa proporção sobe para 7,7%, abai-
xo apenas da indústria de alimentação (16,9%), da têxtil (12,0%)e
da siderúrgica e metalúrgica (11,9%). Eis aí um claro indicador
do dinamismo da indústria química.
Outra fonte confirma esse dinamismo. 0 Serviço Na-
cional da Indústria (SENAI), que realiza no estado de São Paulo um
serviço de estatística atualizado, apresenta para esse estado nú-
meros índices relativos aos empregados ocupados em diferentes gru-
pos de indústrias. Em tôda a década de 50 e até os nossos dias,o
grupo das indústrias químicas é o que apresenta maior crescimento
no referido estado, superando em muito os niveis alcançados pelo
conjunto da indústria (quadro VI). 0 fato é particularmente sig-
nificativo se se leva em conta que, além de o Estado de São Paulo
concentrar mais de metade do parque fabril brasileiro, no caso da
maior parte dos ramos da indústria química (exclusive petroquími-
ca), essa concentração é ainda mais acentuada. 0 escritório ....
BANAS, que elaborou em 1963 um cadastro das maiores firmas da in-
dústria química, encontrou que 68$ delas tinham sede no Estado de
São Paulo, 21% na Guanabara, 4$ no Rio Grande do Sul e 4% no Esta,
do do Rio, sobrando para o resto do País apenas 3%,localizadas em
ordem decrescente em Minas Gerais, Pernambuco, Bahia, Paraná e
Santa Catarina.
QUADRO VI
ESTADO DE SÃO PAULO
EMPREGADOS OCUPADOS NA INDUSTRIA
ÍNDICES
(1946 - 100)
Elevadas taxas de crescimento da produção garanti —
ram esse avanço do setor químico- 8% em 1960, 16% em 1961, 17% em
1962.
No estudo publicado pelas Nações Unidas e apresenta,
do no Seminário sôbre o Desenvolvimento das Indústrias Químicas na
América Latina, realizado em dezembro de 1964 em Caracas, Venezue-
la, "Evolucion de las Industrias Químicas de America Latina en el
Periodo 1959-62" está incluido um resumo sôbre o comportamento do
setor químico no Brasil. Com base nas estatísticas brasileiras dis,
poníveis, e destacando alguns grupos de produtos químicos sôbre os
quais se dispunha de informações mais detalhadas, foi elaborado o
quadro VII em que se compara a evolução do setor químico com o con
junto da indústria de , transformação.
QUADRO VII
BRASIL - ÍNDICES DE VOLUME FÍSICO
QUADRO VII
BRASIL - ÍNDICES DE VOLUME FÍSICO
. (19559 - 100)
a/ Fonte: Conjuntura Econômica e CEPAL, Boletim Estatístico.
b/ Elaboração baseada nas estatísticas disponíveis.
No período recente, os naioi*es índices de cresci -~
mento se registraram para borracha sintática, materiais plásticos
em geral fibras e resinas sintáticas, produtos químicos minera-
is.
Considerando a tendência do setor químico em função
das necessidadei de mão-de-obra e de técnica, á importante levar
em conta as modificações na estruture ce produção química r.oPrfcsil
e ter uma idéia aproximada dos ramos que rnais cresceram e dos qae
rnais podem crescer no futuro. Dos quadros VIII e IX pode-se infe-
rir algumas modificações importantes na produção química brasilei-
ra, conforme foi relatado no citado "Seminário de Caracas":
a) 0 grupo VI, de borracha sintética e produtos relaciona-
dos, foi o que mais cresceu. A taxa de crescimento de 100% deve-se
ao início, em 1962, da produção de borracha sintática, que abaste-
cerá brevemente o total do consumo interno; o Brasil fez, inclusi-
ve, SUES prin. '.iras exportações do produto em 1963-
b) 0 grupo IV, dos materiais plásticos e resinas sintática,:,
é outro de grande .-escimento (taxa de 26% cumulativa anual). No
grupo houve fortes aumentos na produção de acetato e cloreto de p.o
livinila, polietileno, fibras de poliester e das poliamidas, para
plásticos.
c) No grupo III, dos produtos químicos para a agricultura,
a taxa de crescimento cumulativa anual foi de 20,5%. Apesar de se
haver incrementado a produção de adubos nítrogenados no país,este
aumento foi de menor proporção que o consumo interno. Em 1959 o
país abastecia 24% do consumo interno. Esta proporção cai para
22% em 1963. .0 consumo de adubos fosfatados diminue no períoui,
mas a produção cai ainda mais, de modo que o grau de auto-abaste-
cimento passa de 55% em 1959 para apenas 29% em 1963. Ainda não
se produzem adubos potássicos, satisfazendo-se o consumo interno
inteiramente com importações.
Ao contrário, observa-se um forte crescimento na
produção de pesticidas; os inseticidas para a agricultura, cuja
produção em 1959 era da ordem de 37 mil toneladas, alcançam em
1962, 71 mil toneladas. A informação disponível sôbre a produção
de H.C.H. (Hexa—Cloro-Ciclo-Hexano) igualmente mostra forte incre
mento (de 2 mil. toneladas em 1959 para 7.000 toneladas em 19ó2).
d) As fibras artificiais tiveram um crescimento de 16,8% ,
que se deve á produção de fibras poliamídicas. A produção passa
de 3.100 toneladas em 1959 para 10.760 em 1962, e sua participa-
ção no valor total da produção do grupo, de 22% em 1959 a 53% t?R
1962. .
e) Os principais produtos químicos minerais (Grupo I) mos-
tram crescimento quase paralelo, com uma taxa de 19,1%, -5o haven
do deslocamentos na estrutura interna do grupo (que compreende os
principais ácidos, bares a sais). As fabricações de maior impor-
tância continuam sendo as de ácido sulfúrico, nítrico, soda cáus-
tica e cloro, as quais representam 68% do valor total.
f) 0 grupo 11, doe principais produtos químicos orgânicos,
registra taxa de crescimento de 6,5% cumulativa anual. Como ocor
ria em 1959, o grupo está formado em sua maior parte por álcool e.
tílico e glicerina, que representavam nesse ano 85% do valor total
do grupo e 84% em 1962. Entre os demais produtos desse grupo ca-
be assinalar o crescimento da produção de benzeno (que duplicou an
três anos), formo!, isopropanol e naftalèno.
QUADRO VIII
BRASIL - DISTRIBL''"lRO DO VALOR DA PRODUCXO DA INDUSTRIA
QUIMICA SEGUNDO Ob USOS PRINCIPAIS DOS PRODUTOS
(Em percentagens do total)
QUADRO VIII
BRASIL - DISTRIBUICÃO DO VALOR DA PRODUÇÃO DA INDUSTRIA
QUIMIÜA SEGUNDO OS USOS PRINCIPAIS DOS PRODUTOS
(Em percentagans do total)
PONTE: - 'Tvolucion de Ias industrias quimicas de Ia America Lati-
na en el período 1959-62", Nações Unidas, ST/ECLA/COKP...
15/L.4. dezembro de 1964 .
QUADRO IX
BRASIL - DISTRIBUIÇÃO DO VALOR DA PRODUÇÃO DA INDUSTRIA
QUIMICA SEGUM)Q OS USOS PRINCIPAIS DOS PRODUTOS
(Valores a_ preços constantes de 1959» em milhões de dólares f ..o.b.)
QUADRO X
BRASIL - GRAU DE SUBSTITUIÇÃO DE IMPORTAÇÕES DE PRODUTOS
gUlMIOOS. SEGUNDO O USO
(Percentagem da produção nacional sôbre o consumo)
FONTE: - "Evolucion de Ias industrias quimicas de Ia America Lati-
na en el periodo 1959-62", Nações Unidas, ST/ECLA/CüJIF. -
15/L.4, dezembro de 1964*
Apesar dos elevados índices de crescimento, e consi.
derando a grandeza dos coeficientes de importação sôbre o consum o
setorial, verifica-se que os produtos químicos ainda os apresentam
em percentagens elevadas (quadro). No grupo I (dos principais áci,
dos, bases e .-^is) ainda resta 26$ do consumo por substituir;ainda
se importa, por 9xemplo, dois terços da soda cáustica consumida no
país. E igualmen'° elevada a margem de substituição no grupo III
(adubos, inseticida^,, herbicidas e fungicidas); importa-se metade
dos fertilizantes utilizados.
Mais do que isso, é necessário considerar que tam-
bém em termos absolutos sao elevadas as importações de produtos q^
micos. E isso significa que, pelo menos quanto ao aspecto da de-
manda , ainda há campo considerável para a expansão do ramo, desde
que sejam superadas dificuldades de outra ordem.
Finalmente, além das elevadas taxas de expansão do
período recente e da ampla margem de importações a substituir, há
uma terceira ordem de fatores que leva a prever um crescimento con
siderável do setor químico nos próximos anos. Trata-se dos estímu
los oficiais recentemente aprovados para a indústria química e pe-
troquímica, além da expansão das fábricas de matérias-primas pela
PETROBRÁS, a fim de proporcionar insumos necessários às indústrias
petroquímicas (Programa de Ação Econômica do Govêrno, 1964-66, pp,
190-193). 0 planejamento oficial prevê um grupo de indústrias qui
micas básicas cuja instalação ou ampliação deverá ser incentivada.
segundo as capacidades indicadas no quadro XI que apresenta a "Se-
leção de projetos de indústrias químicas em construção" (Programa
de Ação Econômica do Govêrno, p. 191). Por outro lado, foi aprova
do em janeiro do corrente ano o Decreto n- 55.759/65 que estabele-
ce diversos estímulos, de natureza creditícia, fiscal e cambial,pa
ra os projetos de indústria química e petroquímica. Ficou encarre
gado de coordenar a aplicação desses estímulos o Grupo Executivo da
Indústria Química (GEIQUIM), criado pelo Decreto n.9 53.975, de 19
de junho de 1964.
Dentre os estímulos aprovados destacam-se: a) faci
lidades para a importação de equipamentos e matérias-primas, atra-
vés da dispensa de soretaxa ou do depósito compulsório para cobriu*
essa importação; b) eventual elevação da alíquota incidente 3Ôbre
a importação do produto a ser fabricado quando indispensável á rá-
pida e econômica expansão da indústria; c) financiamento, aval ou
garantia por estabelecimentos oficiais de crédito; d) redução do
imposto de renda.
Sabe-se que várias indústrias já enviaram projetos
á apreciação do GEIQUIM, o qual está procedendo ao seu estudo. Con
vém, nesta altur& do trabalho, examinar os problemas principais i-
nerentes a cada um dos grandes ramos da indústria química brasilei.
ra e apontar as principais medidas básicas que poderão e deverão
ser consideradas e o qua-seria necessário para promover a ativação
dos mesmos. Convém salientar que tais ramos da indústria química
são melhor apreciados no capítulo referente á análise setorial.
a) Quimica inorgânica - sob essa denominação,-para efeito do
presente trabalho e consideradas as condições e necessidades da e-
conomia nacional, considera-se principalmente as atividades produ-
toras de soda cáustica, barrilha, carbureto de cálcio, pigmentos .
etc. A exceção de barrilha, produzida no Brasil pela "Cia. Nacio-
nal de Alcalis", os demais ramos têm sido ativados mediante inves-
timentos do setor privado; tais atividades, entretanto,sofrem for
te demanda, superior á capacidade de produção, daí porque grande
parcela das necessidades se supre através de importações maciças .
Em 1963, para suprir as necessidades internas de soda cáustica,bar
rilha, enxofre e oxido de titânio, o País realizou dispêndios supe
riores a US$ 22 milhões.
0 desenvolvimento adequado dessas atividades está
dependendo tão somente do equacionamento das medidas tendentes a re
solver três questões básicas, a saber:
18 - suprimento de sal à indústria de álcalis;
2ª - suprimento de energia elétrica;
3ª aproveitamento dos resíduos piritosos do carvão nacional,
na produção de ácido sulfurico.
Em relação à primeira, a estrutura salineira ,nacio-
nal encontra-se estrangulada pela baixa produtividade das salinas
(não mecanizadas) e pelo alto custo do transporte que onera dema-
siadamente o produto. Soluções têm sido examinadas com vistas a me-
lhorar a produção de sal pelo precesso de cristalização solar, e,
mais ainda, de serem aproveitadas as reservas de salgema recente-
mente descobertas pela PETROBRÁS.
0 aumento da oferta de energia elétrica dependerá ,
exclusivamente, dos programas,de eletrificação ora em curso, a se-
rem executados por emprêsa adequadamente estruturada para o referi
do fim - a ELETROBRÁS.
0 aproveitamento dos resíduos piritosos para a pro-
dução de enxofre e de ácido sulfúrico constitui o núcleo fundamen-
tal para resolução do problema, com o que se poderia eliminar aa
importações anuais de enxôfre. Com efeito, os resíduos piritosos
do carvão nacional, ora sem aproveitamento, poderão constituir so-
lução satisfatória e adequada como fonte de suprimento de enxofre,
cujas importações anuais se elevam a mais de US$ 4 milhões. Trata
-se apenas de encontrar solução tecnológica que possa tornar o a-
proveitamento das piritas econômicamente viável.
b) Quimica orgânica - a química orgânica no Brasil, apesar
das unidades já implantadas, apresenta estrutura de oferta insufi-
ciente para atender a boa parcela da demanda derivada do cresci-
mento industrial, por ísso tem-se que realizar importações vulto-
sas que vêm onerando sobremodo o Balanço de Pagamentos. 0 País
apresenta, indiscutivelmente, condições altamente favoráveis à a-
tivação desse segmento industrial, quais sejam:
1 - mercado interno amplo;
2 - refinarias de grande porte já instaladas e outras em
fase de projetamento;
3 - reservas de gás natural em quantidades satisfatóri-
as para permitir o surgumento de conjuntos petroquí-
cos.
Consideradas as condições apontadas, dispõe o Brasil
de posição privilegiada para o desenvolvimento da química orgânica,
somente igualadas, na América Latina, pelo México, Argentina e Ve-
nezuela. Os programas de pesquisa e refinação de petróleo, além do
mais, poderão garantir o fluxo indispensável e regular de matérias
primas,
Os programas de projetamento de conjuntos industria,
is por parte da PETROBRÁS, mais detidamente analisados no capítulo
relativo ao exame setorial, são de molde a prever-se investimentos
maciços no setor, nos próximos anos, devendo abranger-se razoável
constelação de projetos básicos. Perspectivas mais amplas deverão
abrir-se quando fôr colocado em fase de produção, em escala indus-
trial, o programa do xisto pirobetuminoso, que deverá proporcionar
óleo, gás e outros materiais em quantidades expressivas.
c) Fertilizantes - este grande ramo da indústria química en
contra-se estruturado, no Brasil, segundo capacidade de oferta de-
masiadamente baixa, Apesar do baixo consumo de adubos químicos en
tre nós, são realizadas importações vultosas desses produtos, as
quais acusam cifra anual superior a US$ 30 milhões.
Relativamente aos fertilizantes nitrogenados,mòrmen
te amônia e uréia, as condições naturais presentes na economia na
cional são suficientes para permitir o projetamento de fábricas de
grande porte e para que se atinja a autosuficiência. Com efeito ,
já se dispõe de usinas siderúrgicas de grande porte, com coquerias
produzindo gases que são atirados à atmosfera quando poderiam ser
utilizados para a produção de adubos químicos; dispõ-ae,também, de
gases de refinarias de petróleo e de gás natural que podem ser u -
tilizados para o mesmo fim. As soluções neste campo dependem, ex -
clusivamente de serem procedidas a avaliações dos respectivos pro
jetos, inclusive no seu aspecto técnico. Medidas neste sentido ten
sido adotadas, esperando-se, ainda no corrente ano, o dimensionamen-
to de várias fábricas já previstas no Plano do Govêrno.
Os fertilizantes fosfatados, por seu turno, deverão
ser produzidos em quantidades apreciáveis pròximamente, pelo apro-
veitamento mais intenso e racional dos minerais existentes no País,
o que implica, necessariamente, em solucionar os problemas de trans-
porte que tornam na maioria dos casos os produtos gravosos.
Em relação aos fertilizantes potássicos, não eram co-
nhecidos até bem recentemente fontes de suprimento no Brasil, o que
parece ter sido modificado com as recentes descobertas da PETROBRÁS
nos campos de Carmópolis, Estado de Sergipe., Confirmadas aquelas re-
servas de sais de potássio, e se tiverem dimensões econômicamente
aproveitáveis, poderão surgir ainda na presente década amplos progra-
mas de aproveitamento, e com eles liberação de volume apreciável de
divisas.
As considerações até aqui desenvolvidas permitem pre-
ver, nos próximos anos, desde que executadas as metas estabelecidas
no Plano de Ação do Govêrno (ver análise setorial), demanda adicio -
nal de profissionais químicos em proporções extremamente significati-
vas. 0 desenvolvimento 3e tais programas, além disso, exigirá de -
cisões técnicas importantes do ponto de vista da avaliação de proje-
tos e da distribuição ótima dos recursos disponíveis. Em consequên-
cia, para evitar a importação de técnicos e de técnicas, o que o
país certamente não suportaria, e visando não estrangular o projeto
de desenvolvimento da economia nacional, parece correto admitir a
premência de serem postulados e executados programas amplos e auda -
ciosos de formação de mão-de-obra especializada em química, com o
que será assegurada a execução dos conjuntos industriais em curto
prazo (quadro XI).
QUADRO XI
BRASIL - SELEÇÃO PE PROJETOS PE INDÚSTRIAS QUÍMICAS
EM CONSIPERAÇÃO OU CONSTRUÇÃO (ver adiante e também anexo I)
QUADRO XII
QUADRO XII
Principal emprêgo dos produtos que receberão incentivos
conforme o Plano de Ação Econômica do Govêrno
1. Superfosfatos e fosfatos - usados como adubo ou para produ-
ção de adubo.
2. Amônia e_ derivados - emprêgo na indústria química, síntese
orgânica, indústrias de sabão, lavanderias, detergentes, ex
plosivos, rayon, tecidos em geral. Agente de neutralização
e limpeza. 0 gás amoníaco, além da indústria da refrigera-
ção em geral.
3. Oxido de titânio - usado na fabricação de tintas em geral e
na indústria de papel, cerâmica, têxtil, borracha, além de
adesivos para fundição, etc.
4. Barrilha - (carbonato de sódio) = usado na indústria de vi-
dro, na fabricação de derivados sódicos particularmente so-
da cáustica, na produção de sabões e detergentes; na indús-
tria têxtil como desengordurante e adjuvante no tingimento;
direta e indiretamente na obtenção da pasta (polpa) de pa-
pel pelo processo dito sulfatox; na refinação de petróleo em
concorrência com a soda cáustica; usado ainda na metalurgia
do chumbo, do berilo (metal muito utilizado em ligas com ní
quel, aço, magnésio, alumínio), na cementação superficial do
aço, na vitrificação de cerâmicas, na fabricação de explosi,
vos e em "metais para a energia atômica".
5. Soda cáustica (hidróxido de sódio) = igualmente considerada
matéria-prima estratégica sendo de aplicação industrial múl
tipla, a saber: a) fabricação de sabões; b) obtenção de i,
números produtos químicos tais como: 1. brometo de sódio -
indústria fotográfica; 2. sulfato e bisulfato de sódio
farmácia, indústria de papel e vidros; 3» silicato de só-
dio - indústria de cimento, abrasivos, tratamento do solo ,
etc; c) refinação de petróleo, onde serve para neutrali-
zar os ácidos produzidos pelo "craking"; d) na obtenção de
rayon e sea? viscosa; e) produtos de limpeza e alvejantes;
f) mercerizaçso de algodão, rayon, linhos, etc; g) na fa-
bricação de borracha sintética, como catalizador da polime-
rização; h) extração de óleos vegetais; i) fabricação dos
fenóis.
6- Carbureto de cálcio - emprêgo variado na indústria química
e matéria-prima do acetileno, o qual é usado como combustí-
vel para solda, cortes e aquecimento.
7* Bstireno - matéria básica para a produção de resinas sinté-
ticas.
8. Butadieno - resíduo aromático do petróleo usado na produção
de borracha sintética.
9. Dodecilbenzeno - utilizado na produção de sabões e detergen
tes.
10. Metanol - fabricação de anticongelantes, solventes, reagen-
tes químicos, combustíveis,plásticos e plastificantes, mis-
turas azotrópicas e formol; o formol, por sua vez, tem em-
prêgo em resinas sintéticas, síntese de produtos químicos e
plásticos.
11. Brometo de metila - utilizado como intermediário em proces-
sos químicos.
12. Ácido adípico - utilizado na fabricação de n lon.
13. Adiponitrila - utilizado na fabricação de nylon.
14. Uréia - uso na produção de adubos mirerais nitrogenados.
15. Resinas vinílicas - emprêgo industrial múltiplo.
16. Polietileno - indústria de plástico.
17. Glicol etilênicq - utilização variada .
18. Negro de fumo - oriundo dos resíduos aromáticos, é utiliz&-
do pela industria de pneumáticos e artigos de borracha em ge
ral e nmnos intensamente pela indústria de üintas e plásti-
cos.
19. Mistura antidetonante - largo emprêgo como aditivo em gaso-
lina.
20. Benzeno - é o principal dos resíduos aromáticos do petróleo,
empregado na fabricação de inseticidas, solventes, e indire
tamente de resinas sintéticas (via formol e estireno).
21. Ciclohexano - solvente largamente utilizado na extração de
óleos vegetais.
22. Eteno - matéria-prima para preparação de elementos utiliza-
dos sobretudo na indústria de plásticos.
23. Propeno - netéria básica para a preparação do álcool isopro
pílico, usado como solvente de substâncias orgânicas, agen-
te de extração de essências e em geral na indústria farma —
cêutica, na preparação de tintas e vernizes, como agente de
sidratante, germicida, refinação de dleos lubrificantes,pro
dução de ceras para assoalho, etc.
24. Tetramero de propeno - utilizado na fabricação de dodecil-
benzeno.
FONTE: - "Organic Chemistry", B. Pavlov, A. Terentyev; "BANAS" Qui
mica; Associação Brasileira de Indústria Química.
_0 Programa de Ação Econômica e_ a_ Indústria química
A economia brasileira em anos recentes, vale dizer,
a partir de 1962, passou a acusar taxas declinantes de crescimento
(3,7% em 1962, 2% em 196j, e -3% em 1964) em relação ao Produto In
temo Bruto (PIB) em termos reais, que, associadas ao incremento ve
getativo da população, significam queda no nível médio de bem estar
social. Por outra parte, cumpre destacar que tais retratações de
ritmo de crescimento econômico assumem proporções relativamente ex
pressivas quando se lembra que em I96I o PIB havia sido acrescido
de 7,7% e de 6,5% a.a., em termos médios, no período 1956/61.
Foi este um dos principais problemas encarados pelo
PROGRAMA DE AÇÃO ECONÔMICA - 1964/66, do atual govêrno. 0 novo pro
grama de desenvolvimento empresta especial importância à expansão
do setor industrial da economia, como se depreende do quadro XIII
que apresenta as previsões dos investimentos em capital .71 xo, segun
do os setores no biênio 1965/66.
QUADRO XIII
BRASIL - PREVISÕES DA FORMAÇXO BRUTA DE CAPITAL EM 1965 E
1966
(Cc$ bilhões, a preços de 1964)
FONTE: PROGRAMA DE AÇXO ECONÔMICA DO GOVERNO - 1964/66
Como se vê, os investimentos programados em setores
predominantemente usuários de técnicos apresentam-se relativamente
elevados, ou seja, cêrca de 25,6% do total dos investimentos pre-
vistos para a economia como um todo em 1965 e 1966.
Convém detalhar, por isso mesmo, os investimentos
previstos nos grandes ramos cuja oferta de trabalho aos profissio-
nais químicos reveste-se de apreciável importância.
Assim, em relação ao petróleo (exploração,produção,
refino, indústria petroquímica, industrialização do xisto betumino
so, etc.), pretende-se proporcionar os recursos necessários á exe-
cução de razoável constelação de projetos por parte de "PETROBRÁS",
que se encontram totalizados de forma preliminar do quadro XIV.
QUADRO XIV
BRASIL - INVESTIMENTOS PROGRAMADOS NA ÁREA DO PETRÓLEO
1965/1966
(&$ bilhões)
Como se vê, recursos apreciáveis são estimados para
inversões no setor, nos dois anos considerados.
Outros setores, de interêsse para a pesquisa a que
se refere o presente trabalho, igualmente mereceram atenção especi
al no programa de investimentos do Govêrno, prevendo-se captação
sistemática de recursos nos diversos mercados financeiros para o
seu financiamento.
0 quadro a seguir sumaria, por grandes setores de a_
tividade, os recursos previstos no período 1964/70, detalhando-os
ssgundo a origem (nacional e estrangeira).
QUADRO XV
BRASIL - INVESTIMENTOS PREVISTOS NO SETOR INDUSTRIAL. NO PER
PERIODO 1964/1970
FONTE: - "Programa de Ação Econômica - 1964/66"
(1) - Estimativa para o período 1964/67;
(2) - Investimentos em reequipamento; '
(3) - Não se prevê investimentos de monta;
(4) - Investimento relativo á Cia.Vale do Elo Doce;
(5) - Diz respeito somente ao componente direto de equi-
pamentos a importar.
Constata-se assim, que a indústria química deverá ab
sorver apreciável parcela dos investimentos programados, no perío-
do, pára o setor indústria, ou. seja, 16,2% do total geral. A indús_
tria de papel e celulose, por seu turno, participará com 5,6% en-
quanto que as indústrias têxteis e de cimento requererão respecti-
vamente, 14,5% e 3,6% do volume total de inversões. Em conjunto ,
tais setores, que proporcionam emprêgo aos profissionais químicos,
objeto da presente pesquisa, absorverão 39,9% dos investimentos glja
bais no setor industrial da economia nacional.
Desse ponto de vista, portanto, igualmente á possí-
vel prever considerável demanda adicional de químicos nos próximos
anos, a fim de operar as unidades industriais necessárias para cum
prir as metas governamentais.
QUADRO X!
BRASiL- SELEÇÃO DE PROJETOS DE INDÚSTRIAS QUÍMICAS EM CONSIDERAÇÃO OU CONSTRUÇÃO
CAPÍTULO IV - ESTUDOS ECONÔMICOS SETORIAIS
1 - Fertilizantes
2 - Inseticidas
3 - Indústria petroquímica
4 - Álcalis
5 - Cimento
6 - Papel, papelão e celulose
7 - Plásticos e plastificantes itálicos
8 - Tintas e vernizes
9 - Vidros
10 - Industria alimentícia
11 - Indústria de bebidas
12 - Curtumes
1. FERTILIZANTES
O consumo aparente nacional de fertilizantes de todos os
tipos - nitrogenados, fosfatados e potásicos - apesar dos incremen
tos acusados em anos recentes, ainda se situa em níveis relativa -
mente inexpressivos, se comparado a países de estrutura econômica
idêntica. Tal disparidade mais se acentua se examinado o proble-
ma do ponto de vista do consumo regional, bem como da absorção de
elementos nutrientes segundo as principais culturas.
Além disso, vem-se praticando no Brasil, sistematicamente
a técnica de aumentar a área cultivada antes de serem utilizados
elementos fertilizantes para elevar a produtividade por hectare já
plantado.
Dentre os vários fatores que têm impedido o uso mais in -
tenso de fertilizantes na agricultura brasileira, destacam-se:
1. deficiência e insuficiência dos trabalhos de experimenta -
ção agrícola;
2. inexistência e/ou insuficiência dos serviços de extensão
rural;
3. preços elevados dos fertilizantes;
4. problemas de transporte, precários, e tarifas relativamen-
te elevadas;
5. forte dependência do suprimento externo dos elementos nutg.
entes para a satisfação das necessidades internas de consu
mo.
Apesar das limitações apontadas, o consumo de fertilizan-
tes no Brasil logrou elevar-se nos últimos anos, conforme aponta o
quadro XVI.
Como se observa, o ano de 1964 acusa expressivo decrésci-
mo do consumo de fertilizantes no país, motivado, certamente, pe -
Ias transformações introduzidas no sistema cambial, que elevaram
substancialmente o custo das importações.
DEMANDA FUTURA
Estimar a demanda futura de fertilizantes, mormente por
se tratar de produtos cuja absorção depende de fatores de natureza
QUADRO XVI
CONSUMO APARENTE DE FERTILIZANTES EM TÊRMOS DE ELEMENTOS NUTRIENTES SEGUNDO AS FONTES DE SUPRIMENTO
1950/63
macro-econômica, torna-se tarefa pouco fácil, mesmo porque, con -
forme demonstra o Quadro XVI, as curvas de consumo aparente seguem
direções acentuadamente diferentes em alguns anos, proporcionando
irregularidades de tendência que o simples instrumento estatístico
não pode eliminar.
Desta forma, ao se estimar a demanda futura desses e_
lementos nutrientes, procurou-se considerar as variáveis macro
que deverão condicioná-la. Com efeito, partindo da constatação
de que o país apresenta baixos níveis de consumo médio e que as
metas do Govêrno no seu Plano de Ação Econômica visam elevar o
PIB pelo incremento também substancial do Produto Agrícola, admi-
tiu-se o limite inferior de crescimento da ordem de 15% anuais cu
mulativos, idêntico ao ocorrido nos últimos anos da série conside_
rada.
A utilização dessa técnica permite esperar, para os
próximos anos, a seguinte demanda de fertilizantes no Brasil:
QUADRO XVII
ESTIMATIVAS DA DEMANDA DE FERTILIZANTES
NA AGRICULTURA BRASILEIRA - 1964/1968
(1) - Consumo verificado
(11)- Consumo corrigido
FONTE: "MERCADO BRASILEIRO DE FERTILIZANTES" - BNDE, 1963
A oferta
a. Nitrogenados
Até recentemente, isto é, 1957, a única fonte interna de
nitrogenados era representada pela produção de sulfato de amônio
na coqueria da "Cia. Siderúrgica Nacional", embora em níveis in_
significantes. A partir de 1958, contudo, a "PETROBRÁS" deu i-
nício à produção de Nitrocálcio em Cubatão (SP), com cêrca de
8.000 T/ano do produto com teor de 20,5% de N. Tal unidade foi
construida para operar até 100.000 t/ano do material, equivalen -
tes a 20.500 t de N., mas em virtude de problemas de ordem técni-
ca, não conseguiu utilizar a sua capacidade total. Há projeto em
curso, entretanto, que pretende eliminar tais estrangulamentos
técnicos, o que possibilitará, inclusive, que se eleve a capacida_
de anual de produção ao nível de 34.500 t. de N.
Por outro lado, com os projetos siderúrgicos da "USIMI -
NAS" e da "COSIPA", com suas primeiras fases já em funcionamento,
é possível prever adição de N até 1970, de cêrca de 5.000t/ano.
Os projetos relevantes no setor, ainda porém em fase de
início das obras, são representados pelas unidades da "Petrobrás"
na Bahia, projetados para ofertar cêrca de 200 t/dia de amônia,de
cujo total 150 t/dia serão destinados à produção de uréia, restan
do, portanto, 50 t/dia de amônia para colocação no mercado nordes
tino. Estas unidades deverão estar em pleno furcionamento nos
próximos 3 anos.
Agregando os projetos antes indicados, tem-se a seguinte
composição provável da oferta interna de nitrogenados até 1970:
QUADRO XVIII
OFERTA NACIONAL, ATUAL E FUTURA, PE
FERTILIZANTES NITROGENADOS ATÉ 1970
PONTE: "MERCADO BRASILEIRO DE FERTILIZANTES" - BNDE, 1963.
Cabe referir, ainda, dois novos projetos da "Petrobrás}'
para implantação em São Paulo, visando produzir 200 t/dia de amo -
nia e 250 t/dia de uréia.
b. Fosfatados
As reservas brasileiras de minerais fosfatados apresen-
tam-se relativamente abundantes, mormente as localizadas em Pernam-
buco (fosfatos), Minas Gerais e São Paulo (apatita), e Maranhão (
fosfatos de alumínio).
Considerados apenas Pernambuco, Minas Gerais e São Pau-
lo, tem-se uma reserva de cêrca de 100 milhões de toneladas de mi-
nério fosfatado rico, que corresponde a mais de 20 milhões de tone_
ladas de anidrido-fosfórico, isto é, número significativo se compa
rado com o consumo atual de P2 05 que se situa em torno de 150.000
toneladas anuais.
Tais jazidas vêm sendo exploradas há algum tempo, princi
palmente com vistas à produpão de superfosfato simples. A evolu -
ção da produção brasileira de fosfatos de cálcio natural encontra-
-se anotada no Quadro XIX.
QUADRO XIX
PRODUÇÃO BRASILEIRA PE FOSFATO PE CÁLCIO NATURAL
1950 / 1963
FONTE: "MERCADO BRASILEIRO PE FERTILIZANTES" - BNDE, 1963
Verifica-se, assim, ter havido sensível redução no
volume de produção de minerais fosfatados no País. Em relação à
"FOSFORITA OLINDA", o denômeno pode ser explicado por ter o seu pro
duto se tornado gravoso, já que é transportado do Nordeste para o
Sul do País principalmente por caminhões. Em relação à SERRANA
S/A, houve violenta redução nas reservas de apatita da emprêsa que
já está cogitando, entretanto, de explorar outras jazidas.
Conforme ficou dito, boa parte da produção nacional
de minerais fosfatados destina-se à produção de superfosfatos sim-
ples, ainda não suficiente para evitar as importações. 0 Quadro
XX indica a evolução recente da produção nacional desse tipo de su-
per-fosfato.
QUADRO XX
PRODUÇÃO BRASILEIRA DE SUPERFOSFATO
SIMPLES - 1958/1963
FONTE: "MERCADO BRASILEIRO DE FERTILIZANTES" - BNDE - 1963
(i) - Produção vendida, subsidiada pelo Govêrno Federal
(ii) - Cia. Riograndense de Adubos.
Conhece-se, devidamente definido, apenas um novo pro
jeto no campo da produção de superfosfato simples, qual seja o da
"Cia. Agro-industrial Igarassú", em Pernambuco, que deverá fabri -
car 15.700 t de fosfato bicálcio, com teor de 28% de P2 05.Outros
projetos, contudo, deverão sér dimensionados ainda no presente ano
-consoante as metas estabelecidas no "Programa de Ação" e os incen*-
3. INDÚSTRIA PETROQUÍMICA
- O ramo da petroquímica, mundialmente e em qualquer
tipo de economia, assume importância destacada, merecendo por par
te do Govêrno e das classes empresariais atenção especial e desta
que de recursos de vulto para fins de investimentos e pré-invecti_
mentos.
- Trata-se, conforme já se salientou, de segmento ex-
tremamente dinâmico, com alto poder de germinação, que possibili-
ta, no âmbito de sua estrutura de produção, inúmeras matérias-pri
mas, produtos intermediários e produtos finais de essencialidade
indiscutível para o desenvolvimento dos demais ramos industriais.
São hoje conhecidos vários produtos fornecidos pela petroquímica,
muitos deles substitutos perfeitos de madeiras, metais, fibras na
turais, látex natural, etc, além de outros materiais que são for
necidos a preços relativamente baixos. Além disso, mais se tem
acentuado a utilização da petroquímica para se chegar à produção
de fertilizantes de largo uso (amônia, uréia, etc), havendo mesmo
pesquisas sistemáticas no sentido de serem produzidos, regularmen
te e em quantidades expressivas, vários tipos de alimentos a par-
tir de resíduos de petróleo.
É relativamente recente no Brasil o aparecimento de
unidades para operar o setor petroquímico, assim como o desenvol-
vimento da pesquisa, exploração e refinação de petróleo entre nós.
Assim, foram projetadas as unidades da "PETROBRÁS"em
São Paulo, com a finalidade de produzir nitrocálcio (Cubatão), as
de borracha em Duque de Caxias (RS), e as bases do cunjunto petro-
químico na Bahia.
0 setor privado, por seu turno, também só recentemen-
te passou a interessar-se na realização de investimentos no setor
que podem ser considerados, na etapa atual, de dimensões apenas
modestas.
0 país dispõe, entretanto, de boas condições natu -
rais para a implantação e desenvolvimento da indústria petroquími
ca de largo porte, já que o núcleo atual permitiu extrair as expe-
riências técnicas e econômicas desejáveis.
Três são as principais condições indispensáveis ao
florecimento do núcleo petroquímico de largas dimensões, todas
presentes na estrutura atual da economia brasileira, a saber:
1)- mercado interno amplo, quer de produtos da petroquími-
ca, quer do petróleo e derivados;
2)- existência de refinarias de porte razoável;
3)- existência de reservas de óleo e de gás natural.
Quanto à primeira, o Brasil representa o princi-
pal mercado consumidor da América Latina, dado ao seu crescimento
industrial, bem como o de sua população. Apesar das reservas de
óleo existentes e em exploração, ou mesmo as em perspectiva (Car-
mópolis-SE), o país importa quantidades substanciais de óleo bru-
to para refino internamente, sendo este item o que mais onera sua
Balança Comercial.
Ao lado disso, dispõe-se no País de 9 refinarias
em operação, com capacidade de operar 300 mil barris por dia, es-
tando projetadas mais duas (Belo Horizonte e Porto Alegre), que
elevarão tal capacidade a 400 mil barris/dia.
As reservas conhecidas de gás natural na Bahia ,
Sergipe e Alagoas, apesar de não poderem ser classificadas como
de grandes dimensões, são suficientes para permitir o projetamen-
to de unidades industriais econômicas no ramo da petroquímica.
0 "Plano de Ação Econômica" do Govêrno, dadas
as razões apontadas, atribuiu especial prioridade ao desenvolvi -
mento da petroquímica, prevendo a instalação de várias unidades
industriais, no período 1965/70. Assim, encontram-se em fase de
planejamento unidades para produção de benzeno, xilenos, ácido te_
reftálico, acrilonitrila, borracha sintética, chumbo tetraetila ,
ciclohexano, propeno, isobuteno, etilbenzeno, etc. Os principais
projetos e suas características encontram-se no Anexo 1.
As perspectivas de crescimento do setor nos pró-
ximos anos permitem prever, portanto, forte demanda adicional de
técnicos químicos para operar os conjuntos industriais.
4. INDÚSTRIA PE ÁLCALIS
A barrilha e a soda cáustica, no Brasil, têm en-
contrado mercado de dimensões relativamente amplas. Para os fins
do presente trabalho examinar-se-á, em seguida, o comportamento
recente do mercado de barrilha e soda cáustica, por serem os prin-
cipais, álcalis, indicando-se também as prováveis tendências de
sua produção e consumo nos próximos anos.
a) Barrilha
O consuma aparente de barrilha tem apresentado incremen-
tos substanciais nos últimos anos conforme indica o quadro a se
guir:
BRASIL - CONSUMO APARENTE PE BARRILHA - 1955/1964
Fonte: "Ministério da Fazenda e Cia. Nacional de Àlcalis
(i) refere-se às vendas da Cia. Nacional de Àlcalis
Nota-se que, apesar de irregularidade na série, o consu-
mo da barrilha tem-se situado em níveis relativamente elevados. As
irregularidades podem ser explicadas à luz de alguns pontos básicos
a saber:
a)- Elevadas importações no período 1950/52, quando foram an
tecipadas importações, dada a perspectiva de que a Guer-
ra da Coréia se transformaria em conflito mundial;
b)- Redução das importações nos anos seguintes, quando se
consumiram os estoques acumulados;
c)- elevadas importações nos anos de 1953/54, pela libera -
ção promovida pela instrução 70, da SUMOC;
d)- Elevadas importações em 1957/58, quando se aguardava a
aprovação pelo Congresso Nacional da Lei de Tarifas;
e)- Efeitos das Instruções 204 e 208, da SUMOC, no período
1961/62.
Os últimos anos apresentaram relativo retrocesso nas
importações de barrilha, motivado, de um lado, pela entrada em ope-
ração da fábrica da Cia. Nacional de Álcalis, no 2º semestre de
1960. Por outro lado, a economia brasileira, a partir de 1962,pas-
sou a acusar taxas declinantes de crescimento, o que se refletiu
sobremodo no consumo de bens que utilizam a barrilha como insumo,
particularmente de vidros. Com efeito, o volume de construção ci
vil, principal responsável pelo consumo setorial de vidros, entrou
em franca fase de retrocesso. Tal situação atingiu seu nível crí-
tico em 1964, quando a economia brasileira acusou taxa negativa de
crescimento (-3%).
0 Mercado Futuro
0 consumo futuro de barrilha está dependendo, estrei-
tamente, da retomada de taxa de crescimento da economia, e, mais
particularmente, do setor industrial.
0 "Programa de Ação Econômica do Govêrno ", recente
mente elaborado, tem como um de seus objetivos básicos, retomar a
taxa de crescimento ostentada pela economia no período 1956/61,is-
to é, 6,5% anuais em termos médios. Por outro lado, o referido
plano dá ênfase especial ao setor habitacional, prevendo a constru-
ção de milhares de unidades no período de sua aplicação, o que de-
verá proporcionar demanda derivada de vidro plano em quantidades
expressivas. As projeções do consumo de barrilha nos próximos a-
nos, portanto, consoante tais objetivos, permitem estimar um míni-
mo de 170.000 t/em 1970.
Para atender a tais necessidades de consumo, a Cia.
Nacional de Álcalis, que dispõe de 100.000 t. de capacidade instala
da de produção, deverá aumentar em 70% as suas instalações, e já
está programando as ampliações. Numa primeira fase, a CNA deverá
elevar a sua capacidade de produção para 130.000 t/ano, atingindo
as 170.000 t/ano na segunda etapa, o que se espera venha a ocorrer
em 1968.
As expansões programadas de oferta interna,que deve-
rão requerer adicional de profissionais em química, possibilitarão
substancial economia de divisas (acima de US$ 2 milhões anuais).
b) Soda Cáustica
Também o mercado brasileiro de soda cáustica apresenta
dimensões dignas de nota, sendo mesmo o principal em toda a Améri-
ca Latina. 0 quadro a seguir anota a evolução recente do consumo
aparente decomposto segundo importações e produção nacional.
BRASIL - CONSUMO APARENTE DE SODA CÁUSTICA
Fontes: Ministério da Fazenda, emprêsas produtoras, SUDENE,e Con-
selhos do Desenvolvimento.
Como se vê, apesar do crescimento expressivo da produção
nacional nos últimos anos, o país realiza importações maciças des-
sa matérias-prima básica, com dispêndios cambiais significativos (
superiores a US$ 10 milhões anuais).
Trata-se de matéria-prima largamente utilizada na indús-
tria de transformação, principalmente no setor de celulose e papel
cujas fábricas, na sua grande maioria, dispõem de unidades cativas.
O Mercado Futuro
0 mercado atual de soda cáustica, e, mais precisamente,
a composição do consumo aparente por si só demonstra haver a exis-
tência de larga faixa para substituição de importações, isto é,cêr
ca de 150.000 t/ano.
0 consumo futuro de sóda, segundo as previsões mais con
servadoras, deverá situar-se em torno de 220.000 t/ano em 1970. 0
"Programa de Ação do Govêrno" prevê, ate 1970, expansão da atual
capacidade de produção interna de soda cáustica por processo ele -
trolítico, pelo surgimento de novas fábricas ou/e aumento das a-
tuais instalações industriais, a fim de permitir sejam produzidas
150.000 t/ano adicionais do produto.
Estas metas, que significam triplicar a atual capacida-
de instalada de produção de sóda no País, exigirão, em contraparti-
da, contingente adicional significativo de mão-de-obra especializa
da para operar as unidades, mesmo porque deverão ser instaladas,ao
mesmo tempo, novas unidades para aproveitamento do cloro resultan-
te - em cloreto de polivinila, BHC, DDT, etc.
5. INDÚSTRIA PE CIMENTO
Existem atualmente 29 estabelecimentos, perfazendo uma
capacidade instalada de 6.074 mil toneladas, dos quais 6.038 de ci-
mento portland comum e 36 mil de cimento branco. Cêrca de 30%
dessa capacidade encontra-se no Estado de São Paulo que, com suas
cinco fábricas, e o maior produtor. Seguem-se o Estado de Minas
Gerais, com 28% da capacidade instalada nacional, distribuídas em
sete estabelecimentos; a região Rio de Janeiro - GB com 19,5% da
capacidade em suas quatro fábricas: Pernambuco e Rio Grande do
Sul, com 5% de capacidade cada um, contando respectivamente com -
duas fábricas.
CIMENTO - CAPACIDADE INSTALAM SEGUNDO ESTADO
1963
(l) - cimento branco
Ponte: Sindicato Nacional da Indústria de Cimento.
Verifica-se que a distribuição da produção nacional cor -
responde aproximadamente à localização dos grandes centros urba-
nos e à distribuição regional da indústria. Contudo, segundo da-
dos do Sindicato Nacional das Indústrias de Cimento, o consumo de
cimento apresenta-se com uma concentração geográfica ainda maior
do que a própria produção: São Paulo e Guanabara representam res_
pectivamente 38% e 12% do consumo nacional, ou seja, em conjunto,
50%.
Sabe-se que é o cimento o ramo mais capitalizado da indús_
tria de transformação de minerais não metálicos, pois enquanto re-
presenta 21% da transformação industrial, tem apenas 7% do total
de operários e 0,5% do número de estabelecimentos do referido se-
tor, Isto lhe dá um dinamismo maior e melhores possibilidades de
acompanhar a expansão do consumo nacional. Por outro lado, dado
o nível atual de consumo, a indústria nacional é quase suficiente
para o abastecimento interno. As importações brasileiras de ci-
mento cairam consideravelmente na década de 50, chegando a serem
nulas em 1958, e reiniciando-se apenas em pequena escala a partir
de 1959, possivelmente em virtude da construção da nova capital
da República. Em 1961 as importações eram novamente nulas, e em
1962 e 1963 as cifras de importação representavam um milésimo da
produção nacional. Tais fatos, que retratam a situação da indús-
tria nacional de cimento e os seus esforços e êxitos no sentido
de atender as necessidades do país, permitem concluir que o cres-
cimento do ramo acompanhará a expansão do consumo pelo menos às
taxas dos últimos anos. Contudo, prevê-se uma multiplicação do
consumo de cimento em virtude do novo plano federal de habitação
e dos consideráveis investimentos previstos para a construção de
casas populares. 0 alto grau de capitalização da indústria nacio-
nal de cimento permite depositar grandes esperanças em que ela po_
derá se expandir na medida das referidas necessidades. De qual -
quer maneira, pode-se prevêr o crescimento da indústria nacional
de cimento, pelo menos à base das taxas de crescimento do consumo
nos últimos anos, a partir de 1955. A partir das cifras de consu-
mo do Sindicato Nacional das Indústrias de Cimento, verifica-se
que este cresceu, no período 1955-1963, segundo taxas que variam
consideravelmente de estado a estado. No extremo norte, compreen-
dendo os estados e territórios de Amazonas, Pará, Acre, Rondônia,
Amapá e Roraima, observou-se a taxa de 2,1%; na Guanabara, igual_
mente esta taxa modesta de 2,1%; embora nos estados vizinhos,Rio
de Janeiro e Espírito Santo, a taxa do período tenha sido de 10%.
A mais elevada taxa média do período 1955-1963 é a dos estados do
Paraná e Mato Grosso: 14%. Segue-se Rio de Janeiro e Espírito
Santo com 10%; São Paulo com 8,9%; Minas, Goiás e Distrito Fede_
ral, com 8,8%; Sergipe e Bahia com 7,9%- Em seguida, foram ob—
servadas taxas médias de 5,9% na região compreendida por Pemambu-
co, Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba e Alagoas. Maranhão e
Piauí apresentaram a taxa de 4% e Rio Grande do Sul e Santa Cata-
rina 3,2%. As mais baixas taxas, como já se viu, estão no extre-
mo norte e na Guanabara.
Para todo o Brasil tem-se uma taxa média de cresci -
mento do consumo de cimento no período 1955-63 de 6,7%. No mini-
mo, será mantida essa taxa, havendo motivo para admitir que a in -
dústria crescerá na mesma proporção.
Ora, no programa de Ação Econômica do Govêrno para
1964/66 afirma-se que "caso o Plano Habitacional venha a ocasio-
nar um surto adicional de construção de 100.000 residências anuais
em 1965, 150.000 em 1966 e 200.000 a partir de 1967, de 50m2, em
média, poderá corresponder a um consumo de mais 1.000.000 de tone-
ladas de cimento a partir de 1967" (PAEG 64/66, p. 193). No sen-
tido de estimular a indústria nacional de cimento a atender esse
acréscimo previsto da demanda, o Govêrno permitiu inclusive a ace-
leração da depreciação das suas novas inversões. Dessa forma se
espera, segundo o PAEG, um aumento da capacidade instalada da in -
dústria de cimento para atender a demanda relacionada com o Plano
Habitacional (PAEGR, pag. 194).
6. PAPEL, PAPELÃO E CELULOSE
0 consumo de papel de todos os tipos, na década de 50,
cresceu a taxas elevadas, porém com grandes oscilações de ano para
ano. 0 crescimento mais acelerado foi no período de 1951 a 1956 (
inclusive), com uma taxa média anual de 8,8% enquanto no período
de 1957 a 1961 (inclusive) a taxa média anual chega a apenas 4,5%*
De 1951 a 1961 a taxa média é de 6,6%.
A indústria brasileira de papel tem conseguido acom -
panhar esse crescimento do consumo interno, de modo que não houve,
a partir de 1950, mudança na participação das importações, que re-
presentaram em todos os anos do período perto de 30% do volume uti-
lizado no País, exceto no ano de 1957, quando registraram-se impor
tações maiores, alcançando 37% do volume utilizado internamente.
Contudo, ao analisar a capacidade da indústria nacional em abaste-
cer o mercado interno, é preciso distinguir dos demais tipos o pa-
pel de imprensa e aquêle utilizado para outros tipos de impressão.
No que se refere ao papel de imprensa (utilizado na
impressão de jornais e revistas que utilizam o sistema de rotati-
vas) a indústria nacional ainda está muito longe de abastecer o
mercado interno; atualmente, cêrca de 70% do consumo interno é
abastecido por importações. Do total das importações brasileiras
de papel, desde 1950 até os nossos dias, o papel de imprensa re -
presenta quase 90%; o restante é papel de impressão (para máquina
plana) e, em percentagens insignificantes, outros tipos.
Considerada apenas a existência de mercado,as maio_
res perspectivas de crescimento seriam as do papel de imprensa.Con
tudo, outros fatores há a considerar; a necessidade de usar mate -
ria prima que não o pinheiro, a de vultosos investimentos, as difi-
culdades tecnológicas, de modo que não há base para esperar um
crescimento significativo da produção interna desse tipo de papel.
É verdade que foram apresentados ao BNDE dois projetos para fábri-
cas de papel de imprensa, da Cia. Catarinense de Papel e da Celulo-
se e Papel Minas Gerais S.A., mas não são de grande vulto,nem tive_
ram os efeitos desejados.
Para os demais tipos de papel tomados em conjunto,
supondo-se que a produção interna continuará acompanhando o cresci-
mento do consumo, e já que este, pelos motivos assinalados, pode
ser projetado em função do aumento da renda "per capita", pode- se
prever um crescimento moderado. Tomando por base o Quadro XXI ve-
rifica-se que, excluido o papel de imprensa, a produção cresceu
mais rapidamente que o consumo, havendo substituição de importações.
Por outro lado, é preciso levar em conta que, segundo informações
da Associação Nacional dos Fabricantes de Papel, a indústria brasi_
leira de papel, tem considerável capacidade ociosa: em 1961, para
a produção de 502 mil ton. a capacidade instalada era de 668 mil;
em 1962, a relação foi de 559.600 ton. para 772.500 e em 1963 de
594.700 para 827.000. Na verdade esta capacidade excedente exis-
te apenas para papel de impressão e de escrever, mas nesses casos
é pouco provável a instalação de novas fábricas.
É preciso assinalar ainda que no ramo de papel e
papelão esforço produtivo nacional tem sido integrado, pois foi con
siderável o aumento na produção da respectiva matéria-prima.
CELULOSE (milhares de toneladas)
Além de taxas elevadas, o quadro indica uma desacele-
ração do ritmo de crescimento, o que permite prever-se uma expan -
são moderada do ramo.
No ramo de papel e celulose, como em vários outros já
estudados, a produção e bastante concentrada. No caso do papel de
imprensa, uma firma (Klabin) é responsável por pouco mais de 85 %
da produção, enquanto uma vintena de firmas encarrega-se do restan-
te. Duas firmas (Klabin e Chanpion) produzem 45% da celulose de
fibra curta, enquanto 17 produzem o restante; e uma firma (Klabin)
produz perto de 40% da celulose de fibra longa, enquanto o restan-
te é distribuido por outras 17 firmas.
Estão se tomando medidas no sentido de fazer cumprir
as metas estabelecidas no Plano do Govêrno relativamente ao aumen-
to da produção interna de papel de imprensa, sendo, para tanto,con-
tratadas com Institutos Tecnológicos - pesquisas sôbre possibilida-
de de utilização de outras matérias primas que não o pinheiro (eu-
calipto, por exemplo). Caso se chegue a soluções satisfatórias,se-
rá possível aumentar até 1970, em 140.000 t/ano a produção nacio-
nai de papel de imprensa, e com ela, em unidade integrada, a de ce
lulose química.
7. PLÁSTICOS E PLASTIFICANTES FTÁLICOS
Após o rápido desenvolvimento do seu consumo em todo
o mundo e o rápido aperfeiçoamento das técnicas de produção, os
plásticos foram introduzidos no mercado brasileiro, conquistando
definitivamente as preferências do consumidor.
Suas características físicas muito contribuiram para
a conquista deste mercado visto serem matérias resistentes à ação
de vários agentes químicos, apresentaram enorme gama de cores po -
dendo, além disso, serem fácilmente fabricados. Tais característi-
cas, aliadas ao fato de apresentarem preços relativamente baixos ,
permitem a estes materiais condições de concorrência favoráveis em
relação aos materiais tradicionais - madeiras, metais, couros, etc.
No caso brasileiro, entretanto, o grande impulso na
taxa de consumo de plásticos verificou-se em 1958, ou seja, a par-
tir do momento em que a indústria automobilística se deu por defi-
nitivamente implantada.
Os incrementos do consumo de plásticos, por outro la-
do, geraram uma demanda derivada de plastificantes: matérias pri-
mas utilizadas na confecção de artefatos plásticos. No caso brasi-
leiro, os plastificantes mais usados são os ftálicos, e, dentre es
tes o ftalato de diocila, com mais de 90% do total. Convém assim,
destacar a evolução do consumo aparente desta matéria prima, e as
perspectivas próximas de sua produção no país.
Consumo Aparente de Plastificantes Ftálicos
0 Quadro XXII apresenta a evolução recente do consumo
aparente de plastificantes ftálicos, decomposto segundo a produção
nacional e as importações.
QUADRO XXII
EVOLUÇÃO DO CONSUMO APARENTE DE PLASTIFICANTES
FTÁLICOS - 1965 / 1963 - (em toneladas)
FONTE: "MERCADO BRASILEIRO DE PLASTIFICANTES FTÁLICOS" - BNDE,1964
Como se vê, o crescimento anual do consumo tem-se situa-
do, em termos médios, em níveis expressivos, isto é, em torno de
26% no período 1955/63.
A série de consumo antes indicado, ajustada, segundo uma
equação dó tipo Y = A.B , permite prever a seguinte demanda pro-
vável de plastificantes nos próximos anos:
PROJEÇÃO DA DEMANDA PE PLASTIFICANTES
FTÁLICOS NO BRASIL - 1965 / 1968
Fonte:- B.N.D.E.
A oferta interna, por seu turno, não está dimensiona
da para suprir as importações do material, apesar do projeto da
"PLASTIBRÁSS.A.", que deverá produzir, a partir do próximo ano,
cêrca de 5.600 t/ano de plastificantes ftálicos.
Convêm referir, finalmente, que a expressiva deman-
da de plastificantes ftálicos tem elevado, em conseqüência, o con
sumo de matérias-primas básicas para a sua fabricação, localiza -
das no domínio da química, isto e, octanóis, naftaleno e anidrido
ftálico, que deverão pressionar o aparecimento de unidades indus-
triais nos próximos anos.
Tais perspectivas, aliadas ao fato de o atual Govêr
no considerar altamente prioritária a expansão da oferta interna
de plastificantes ftálicos e suas matérias-primas básicas, deve -
rão ensejar o aparecimento de novas fabricas nos próximos anos o
que resultará, necessariamente, na necessidade de número apreciá-
vel de profissionais químicos para seu funcionamento.
8 - TINTAS E VERNIZES
Desde 1954 que a produção nacional de tintas e ver-
nizes vem sendo suficiente para abastecer o mercado. Nem mesmo a
implantação da indústria automobilística criou dificuldades para
o setor: antes, contribuiu para a ampliação do parque instalado e
para o desenvolvimento de um padrão de pesquisa tecnológica alta -
mente integrado ao processo produtivo.
A produção de tintas no País vem crescendo continua -
mente, com a demanda em expansão, absorvendo o Estado de São Paulo
cêrca de 70% do consumo nacional. Estima-se que somente a produ -
ção de tintas em 1953, ultrapassou a 100.000 toneladas.
As fábricas de tintas e vernizes montam a duas cente-
nas mas, na realidade, 20% delas são responsáveis pela maior parte
do volume de produção, em proporção de mais de 70%. (cf. BANAS,QUÍ-
MICA, p. 67-8). Conforme ainda inquérito do BANAS, um bom número
de firmas tinha planos de expansão em 1963 e 1964.
Por outro lado, trata-se de um ramo em que seria gran-
de o efeito dinâmico de um novo "boom" na indústria de construção
civil por influência do Plano Nacional de Habitação. As dificulda_
des que ainda existem estão relacionadas com as matérias-primas.
Cêrca de 25% dos componentes básicos empregados na fabricação de
tintas e vernizes são ainda importados. Contudo, e possível espe-
rar resultados favoráveis dos estímulos previstos para a fabrica -
ção de várias dessas matérias-primas como, por exemplo, o oxido de
titânio (em segundo lugar quanto ao volume e ao valor na lista das
matérias-primas importadas para a manufatura de tintas em 1961,1962
e 1963) e as resinas vinílicas.
9. INDÚSTRIA DE VIDROS
0 sub-setor de vidros e cristais é um dos mais impor-
tantes dentro do setor de transformação de minerais não metálicos,
apenas superado, quanto ao valor da transformação industrial,pelos
subsetores de material cerâmico e cimento.
A indústria de transformação de vidro e cristal com -
preende a fabricação dos seguintes produtos: a) ampolas; b) apa-
relhos e peças de vidro para serviços de mesa; c) espelhos em ge-
ral; d) frascos em geral; e) garrafas, litros e semelhantes; f)
vidro plano; g) vidros de segurança.
Dentre esses produtos o mais importante, pelo volume
da produção e a dimensão das respectivas fábricas, é sem dúvida o
vidro plano. Destina-se principalmente à construção civil e res-
pectiva reposição e à confecção de mobiliário. Com a implantação
da indústria automobilística depois de 1956, esta passou a absorver
parcela considerável da produção de vidro plano e de vidros de se_
gurança. Assim sendo, as estimativas sôbre o futuro da produção
de vidro plano e de vidras de segurança terão de considerá-lo co-
mo procura derivada das indústrias assinaladas. Esta é pràticamen-
te a única maneira de apresentar alguma previsão, uma vez que pa-
ra estes produtos e muito difícil encontrar séries estatísticas
de produção com validade mínima para permitir uma projeção satis-
fatória,
Para a produção de vidro plano existem, de 1955 até
1958, dados do Conselho Nacional de Estatística, resultantes do
Registro Industrial procedido durante esse período. Dão uma idé-
ia apenas precária do volume de produção, porque expressam ora o
resultado de quatro, ora de apenas três estabelecimentos.Em 1955,
4 estabelecimentos produziram 6.689 mil metros quadrados de vidro
plano; em 1956, 3 estabelecimentos produziram 5.849 mil m2 e
7.232 mil m2 em 1957; em 1958 há uma queda para 6.799 mil m2, em
bora expresse novamente o resultado de 4 estabelecimentos.Em 1958
foi suspenso o Registro Industral e a partir de então não existem
mais estatísticas oficiais sôbre a produção de vidro. Para os
anos recentes existe uma estimativa da BANAS, que avaliou a produ-
ção de vidro plano em 6 milhões de m2 em 1961, 8,4 milhões em
1962 e 6,4 milhões em 1963. As cifras assinaladas apesar de sua
precaridade e da interrupção nos anos de 1959 e 1960, permitem
concluir, pelo menos, que e pequeno o crescimento desse ramo de in-
dústria no último período. No futuro, dependerá o setor dos efei_
tos do Plano Nacional de Habitação e dos estímulos do mesmo sôbre
as indústrias que fornecem insumos para a construção civil. Já se
viu, na análise das perspectivas da indústria de cimento, que o
êxito do Plano Habitacional implicaria a necessidade de ampliação
da capacidade produtiva daquela indústria em pelo menos 20% a par
tir de 1967, e isso porque, até lá, a demanda adicional de cimen-
to poderia ser suprida pelo aproveitamento da capacidade ociosa ,
não utilizada atualmente, da respectiva indústria.
No caso da indústria de vidro de segurança ocorreria
algo semelhante. De fato, as próprias cifras de produção sugerem
a existência da capacidade ociosa no ramo: apenas 3 estabeleci -
mentos produziram mais de 7 milhões de m2 em 1957; em 1962, a pro
dução ultrapassa 8 milhões de m2; e, no entanto, as cifras indi -
cam que a produção atual está em torno de 6 milhões. Um estudo
publicado na revista "Visão", em outubro de 1961, dava, para fins
de 1960, e para 7 fábricas, uma capacidade instalada de 10,3 mi -
lhões de m2 de vidro plano liso e de 3,4 milhões de m2 de vidro im-
presso branco.
A existência da capacidade ociosa, ao lado de vulto-
sos estoques conhecidos no ramo, diminuiria o efeito de uma possí-
vel aceleração da indústria de construção civil. Por outro lado,
o setor de vidro plano não pode esperar aumento significativo de
demanda por parte da indústria de mobiliário, uma vez que nos no -
vos modelos vem diminuindo o uso do vidro. Ja na indústria automo-
bilística é mais nítida a perspectiva da ampliação da demanda. Se-
gundo BANAS, a produção de vidro de segurança temperado e laminado
exclusivamente para a indústria automobilística, passou de 75.000
m2 em 1961 a 200.000 m2 em 1962 e 172.000 m2 em 1963.
Convém assinalar que a indústria de vidro está entre
aquelas que já avançaram bastante no processo da substituição de
importações. Contudo, as mesmas dificuldades estatísticas para
quantificar de forma segura o volume da produção, existem para ava-
liar a participação das importações no consumo. No que se refere
ao vidro plano, as estatísticas do comércio exterior registram um
aumento de suas importações, sobretudo devido a importações de vi-
dro tipo cristal. Esse tipo de vidro ainda não pode ser produzi-
do internamente, basicamente porque o volume total do consumo é in_
suficiente para a instalação de um projeto com as dimensões mini -
mas econômicamente viáveis.
Finalmente, importa no presente estudo dar uma idéia
da distribuição geográfica da indústria de vidro. As únicas esta-
tísticas disponíveis indicam, no que se refere ao vidro plano, uma
fortíssima concentração nos Estados de São Paulo e Rio de Janeiro.
0 primeiro, produziu em 1958, 74% do total nacional e o segundo,25%
restando uma participação de menos de 1% para o Estado da Guanaba-
ra.
Segundo as características econômicas dessa indústria
não deve ter ocorrido grande mudança dessa localização. De fato,se
se aceitar como válida a estimativa de BANAS de 8,4 milhões de m2
para a produção nacional de vidro plano em 1962 e a compará-la com
a cifra de 5-962 mil m2 do Estado de São Paulo no mesmo ano (segun_
do a Divisão de Estatística da Secretaria de Fazenda do Estado de
S.Paulo), tem-se uma participação paulista de 71%. Pelo fato mes-
mo de representar insumo da indústria de construção, de mobiliário
e automobilística, o consumo de vidro plano é do mesmo modo forte-
mente concentrado. Segundo estimativa de BANAS, o Estado de São
Paulo absorve 47,6% do consumo brasileiro, o Estado da Guanabara
19,7%, o Rio Grande do Sul 8,5%, Minas Gerais 5,5%, Paraná 4,8%,
Pernambuco 3,7%, Bahia 1,8%, Estado do Rio 1,6%, Distrito Fede-
ral 1% e os outros Estadas menos de l%
A produção de espelhos confirma a concentração regional.
Em 1958, de um total de 438 mil m2, o Estado de São Pau-
le produziu 50%, o da Guanabara 30% e o Rio Grande do Sul pouco me
nos de 10%.
10. INDÚSTRIA ALIMENTÍCIA
Em relação ao setor, importam no presente estudo os ali_
mentos industrializados em um nível mais avançado, e não os consi-
derados industrializados por estarem sujeitos, mesmo rudimentarmen-
te, à preparação industrial organizada. É fundamentalmente em re-
lação aos primeiros que pode ser necessária a intervenção de pro -
fissionais da química.
0 avanço de consumo do gênero dos enlatados é visível ,
tendo ultrapassado consideravelmente a etapa inicial em que apenas
se produziam internamente uns poucos produtos. A importância dos
empreendimentos e o nível de técnica varia muito, desde alguns gran-
des frigoríficos modernos, no setor de carnes, passando por algu -
mas dezenas de empreendimentos grandes e médios na industrializa -
ção de pescado e produtos vegetais, e chegando a uma grande multi-
plicidade de estabelecimentos de reduzidas dimensões.
No setor de carnes, a produção de enlatados vem aumen -
tando lentamente, com oscilações. De quase 9.000 toneladas em 1955,
chegou-se a rnais de 30.000 em 1959, com uma queda para pouco mais
de 20.000 ton. em 1961. A participação relativa de carne enlatada
no conjunto das carnes preparadas (carne salgada, defumada,curada,
charque), exclusive carne verde, passa de 8% em 1955 a 19% em 1961
(BANAS, Alimentos e Bebidas). A produção de outros tipos de carne
em conserva, como salsichas, presunto e patê, tem-se expandido len-
tamente (65.000 ton. em 1955, 74.000 em 1961, e 89.000 em 1962) ,
registrando-se inclusive uma queda na produção de extrato de carne.
Igualmente no pescado houve redução da produção de enlatados, de
19.000 ton. em 1955 para 13.000 em 1961, o que expressa em termos
relativos uma redução considerável. Tomando em conjunto, o pesca-
do enlatado, salgado e seco, em salmoura e defumado, a participa -
ção do enlatado caiu de 42% em 1955, para 24% em 1961.
Já a fabricação de laticínios tem apresentado progres-
so constante. O crescimento mais acelerado é o do leite em po,que
apresenta na década de 50 um crescimento médio de 8% ao ano,contra
menos de 4% do leite fresco, e passando de 7.800 ton. em 1950 para
28.700 ton. em 1962 (F.G.V.) .
Outros laticínios registram* crescimento mais moderado;
conforme dados compilados da F.G.V., a produção de leite condensa-
do, manteiga e queijo, entre 1958 e 1962, é quase estacionária(Con
juntura Econômica dez. 64). Segundo algumas estimativas, aparece
que a situação não se alterou consideravelmente em 1963 e 1964.
É difícil realizar previsões sôbre o ramo das conser -
vas alimentícias. A tendência verificada nos países industrializa
dos é a do seu aumento à medida que cresce a renda. Contudo,no Bra
sil, levados em conta os resultados a partir da década de 60,o ra-
mo não pode ser incluído entre os mais dinâmicos.
11. INDÚSTRIA PE BEBIDAS
A indústria de bebidas no Brasil é de implantação anti-
ga. Trata-se de ramo em que o esforço maior de substituição de im
portações já foi realizado há bastante tempo, antes da década de
50. Ja em 1949 a percentagem da importação sôbre o consumo total
(produção mais importações) representava apenas 2.4%, conservando-
-se quase o mesmo coeficiente de importações, de 2,6% em 1958 e
1961.
É um ramo que permanece durante toda a década de 50
com a produção praticamente estagnada, como expressam os índices
j3.e produção elaborados pela Fundação Getúlio Vargas, tomando-se a
produção de 1955 como índice 100:
- Igualmente a farinha láctea apresenta crescimento:
de cêrca de 1.800 ton. em 1958 para cêrca de 4.300 em 1962.
INDÚSTRIA DE BEBIDAS
índices de produção (1955
=
100)
1948
1949
1950
1951
1952
1953
1954
1955
1956
1957
1958
1959
1960
1961
64
71
85
101
91
95
94
100
88
94
103
108
105
122
A F.G.V. até agora só publicou os índices de 1961. Ve-
rifica-se, a partir deles, que as maiores taxas de crescimento o-
correm no fim da década de 40, estancando a produção no decênio
seguinte: só no início do atual decênio voltou a se registrar au
mento considerável da produção.
As fábricas de bebidas alcoólicas e carbonatadas es -
tão entre as que devem ter um químico responsável registrado nos
Conselhos Regionais de Química. Por outro lado, os vinhos e deri_
vados (quinados, vinhos quinas, conhaque e vinagres) devem ser re-
gistrados no Instituto de Fermentação, órgão federal, enquanto os
licores, amargos, aguardentes, refrigerantes e xaropes devem re -
gistrar-se no Serviço de Policiamento da Alimentação Pública.
A indústria de bebidas poderá ser melhor analisada se_
parando aquêles tipos que representam mercados específicos. Rela-
tivamente a cerveja, o seu consumo no Brasil-inteiramente abaste-
cido pela produção nacional - é insignificante em comparação com
outros tipos. Para o país em conjunto, a cifra é 17 litros por
pessoa/aro. Ja na Guanabara e em São Paulo, o consumo é bem mais
elevado, de respectivamente 70 e 45 litros "per capita".
Predominam, numericamente, firmas pequenas e até de ti
po caseiro, insignificante contudo no que se refere ao volume de
produção, concentrada em duas grandes firmas do setor: "Antártica
e "Brahma".
A primeira tem sede em São, a segunda no Rio de Janeiro
ambas, contudo, têm fábricas espalhadas em diversos Estados.
As fábricas de cerveja da "Antártica", em ordem de va-
lor decrescentes, situam-se nas seguintes cidades e respectivos Es
tados: São Paulo (SP), Rio de Janeiro, (GB), Ribeirão Preto
(SP), Recife (PE), Belo Horizonte (MG), Joinville (SC), Ponta
Grossa (PR), Campinas (SP), Marília (SP) e Petrópolis (RJ). Como
se vê, a concentração maior é no Estado de São Paulo e na área da
Guanabara e arredores. Além dessas dez fábricas de cerveja a "An
tártica" tem 15 de refrigerantes, 2 de produtos alimentícios, 1 de
vinhos e licores.
Também a "Brahma", além da cerveja, trabalha com re -
frigerantes, mas não produz bebidas de mais alto teor alcoólico.
Possui fábricas no Rio (GB), São Paulo (SP), Agudos (SP), Curiti-
ba (PR), Porto Alegre e Passo Fundo (RGS). Tinha fábricas na Ba-
hia, Recife e Belo Horizonte cujas atividades foram suspensas em
1957 por antieconômicas.
Ambas estão entre as maiores emprêsas cervejeiras do
mundo. As duas somam, em conjunto, cêrca de 80% da produção nacio-
nai de cerveja (cf.Banas, Alimentos e Bebidas, p. 92).
Aproximadamente metade da metéria-prima usada na elabo-
ração da cerveja é importada, embora esteja havendo, em termos re-
lativos, uma queda da quantidade de matéria-prima importada.
0 consumo de vinhos é ainda muito pequeno no Brasil,is_
to é, cêrca de 3 litros por pessoa/ano. Além disso, esse consumo
é quase exclusivo das regiões sul e leste, e sobretudo dos Estados
de São Paulo e Guanabara, que absorvem cêrca de 75% desse consumo.
A produção e a industrialização da uva concentra-se no
nordeste do Rio Grande do Sul, embora venha crescendo nos últimos
anos a participação de São Paulo.
Distribuição Regional da Produção de Vinho
A atividade, que tinha no século passado característi_
cas artesanais, já apresenta hoje grandes organizações industriais.
Contudo, ainda é muito grande o número das pequenas firmas produto_
ras de vinhos de diversos tipos. Apesar da tendência à eliminação
dos pequenos produtores, no caso do vinho ela não é tão acelerada
e será mais acentuada apenas quando forem vencidas as dificuldades
de transporte enfrentadas pelos grandes produtores do extremo-sul.
Ja agora, apesar de uma concentração muito menor do que no caso da
cerveja, a maior parte do volume de produção é..de responsabilidade
de uma vintena de grandes firmas.
Existe ainda uma grande quantidade de outros tipos de
bebidas alcoólicas de maior teor que já vêm sendo produzidas no
Brasil, mediante licença de marcas estrangeiras. Entretanto,em re-
lacão a esses tipos de bebidas ainda se realizam importações rela-
tivamente elevadas somando cêrca de US$ 2 milhões e sendo mais da
metade representada por uisque e aguardente de cereais.
Embora o coeficiente geral de importações no setor
de bebidas seja pequeno, em relação aos tipos citados, a importa -
ção continuará e tem inclusive crescido, uma vez que a produção na_
cional não é substitutivo perfeito.
Só através do avanço da técnica de fabricação no país,
poderá crescer, em relação aos tipos referidos, o processo de subs
tituição das importações pela produção nacional. 0 início da pro-
dução desses tipos de bebidas é recente. A de uisque, por exemplo,
começou nos anos 1958/59. Projetada a tendência dos últimos anos,
as perspectivas são de crescimento da produção nacional.
Ainda no setor de alcoólicos de alto teor, é preciso
citar a aguardente de cana, que representa cêrca de 20% da produ -
ção nacional de bebidas alcoólicas; há, milhares de pequenos pro
autores espalhados pelo Brasil. (A estimativa de Banas é de ...
15.000). As grandes firmas, entretanto, somam somente duas ou
três dezenas.
Quanto aos refrigerantes, nota-se outra vez uma ele-
vadíssima concentração, com o predomínio de 6 emprêsas no setor.
Contudo, a diversidade de tipos permitiu a criação de mercados es
pecíficos e a sobrevivência de uma grande quantidade de firmas pe_
quenas e médias. 0 crescimento da produção de refrigerantes, a
partir de 1958, tem sido considerável, tendo duplicado entre esse
ano e 1961. Ao examinar esse crescimento de produção, é preciso
levar em conta que, como artigos secundários, têm seu consumo con
centrado nos centros urbanos.
Para o futuro, pode-se prever um crescimento da indús-
tria de bebidas, que está conseguindo superar a estagnação da dé-
cada de 50. É difícil definir os ritmos. Pode-se admitir uma bi
pótese otmista, baseada na projeção da tendência a -partir de 1958
e outra, mais conservadora, baseada na projeção da série desde
1950.
12. CURTUMES
Do conjunto do setor de transformação de peles,cou -
ros e produtos similares, o que importa no presente estudo,em vir
tude da utilização de processos químicos, é o sub-setor de prepa-
ração de couros e peles (curtumes). É aliás, o sub-setor mais
importante, correspondendo a 84% do valor agregado contando com
61% dos estabelecimentos e 78% do pessoal ocupado.
Trata-se de ramo relativamente pouco concentrado,pe-
lo grande número de estabelecimentos. Do ponto de vista geográfi-
co, nota-se a concentração na região sul, sendo centros produto -
res de importância os Estados de São Paulo, com 163 curtumes; Rio
Grande do Sul, com 196 e, fora da região, Bahia, com 187 e Minas
Gerais, com 146. Outro centro produtor de importância é o Estado
da Guanabara, que possui curtumes de grande porte, apesar do nú-
mero reduzido. (Quadro XXIII)
Embora se disponha de poucos elementos para julgar,
parece que houve no período entre os dois últimos recenseamentos
alguma modernização no ramo dos curtumes, que passa de uma esca-
la artesanal e semi-artesanal para a de emprêsas de pequeno e mé -
dio portes. Contudo, trata-se de ramo de baixa produtividade, tra
balhando com equipamento antigo, havendo emprêsas com máquinas que
funcionam há mais de 30 anos.
Apesar das dificuldades para reequipamento, que não
vem ao caso analisar no presente estudo, informa o Centro das In-
dústrias de Curtumes do Brasil que a indústria expandiu-se consi-
deravelmente de 1955 até os nossos dias, o que se explica pelo au
mento da procura de curtidos decorrente do desenvolvimento da eco,
nomia nacional nesse período.
De fato, a procura de curtidos expande-se acompanhan-
do a industrialização e a urbanização, fato perfeitamente compre-
ensível se observarmos que cêrca de 80% do total da produção de
couros preparados é utilizado na indústria de calçados. A quali-
dade dos calçados guarda estreita relação com o tratamento técni-
co dispensado no processamento dos couros brutos, bem como com as
condições de exploração dos rebanhos. Apesar da dificuldade de
renovação do seu parque de máquinas, a indústria curtidora nacio-
nal tem se esforçado por manter-se a altura das exigências técni-
cas da indústria de calcados, havendo apenas uma pequena importa-
ção de couros de bezerro de qualidade superior.
Dada a importância da indústria de calçados na utili-
zação dos curtidos como insumo, qualquer avaliação sôbre a dinâmi-
ea futura do ramo deve basear-se na avaliação das perspectivas da
indústria de calçados, 0 consumo de calçados do Brasil - total -
mente abastecido pela produção interna - tem sido o de um par -
"per capita" - ano, e as previsões indicam que esse coeficiente
não se alterará em futuro próximo. 0 consumo total, portanto, po
de ser diretamente calculado a partir da projeção do crescimento
da população. 0 maior produtor de calçados é o Estado de São Pau
lo, com perto de 45% do total, seguido do Rio Grande do Sul, com
aproximadamente 30% e Guanabara, com 11% - (IBGE - Registro Indus_
trial de 1958). Os grandes consumidores de calçados são, natu-
ralmente os grandes centros urbanos. Dessa forma, continuando o
processo de industrialização e urbanização, acredita-se que a pro_
dução de calçados continuará aumentando pelo menos paralelamente
ao crescimento vegetativo da população.
A partir dessas considerações, é possível concluir
que se pode esperar do sub-setor de curtumes algum crescimento,em-
bora na atual etapa de desenvolvimento industrial não seja
mais dinâmicos.
dos
QUADRO XXIII
CURTUMES - Número de estabelecimentos e operários
ocupados segundo unidades da Federação.
Ponte:- I.B.G.E
CAPÍTULO V
PROFISSIONAIS QUÍMICOS, EMPRÊSAS E CONSELHOS
Profissionais Químicos
O decreto-lei nº 5.452, de 1º de maio de 1943 -
Consolidação das Leis do Trabalho - considera profissionais quími-
cos os possuidores de diploma de químico, químico industrial, quí-
mico industrial agrícola ou engenheiro químico, bem como os licen-
ciados (práticos). A estas categorias, a Lei 2.800, de 18 de ju -
nho de 1956 (Cria os Conselhos Federal e Regionais de Química, dis_
põe sôbre o exercício da profissão de químico e dá outras providên
cias) acrescenta em seu artigo 20, os bacharéis em química e os
técnicos -químicos. As resoluções normativas do Conselho Federal
de Química citam ainda as categorias engenheiro industrial, modali-
dade química (Res. Norm. 6/59 e 16/61) e bacharel em química com
atribuições tecnológicas (Res. Norm. 5/8), constando ainda dos ca-
dastros dos Conselhos Regionais a categoria engenheiro militar, es_
pecialidade química.
Estas 10 categorias profissionais podem ser re-
sumidas em quatro grandes ramos se considerarmos os tipos de fun -
ção que podem desempenhar na indústria; Em relação às funções pro-
dução, contrôle, pesquisa, projeto, ensino e administração, os pro_
fissionais podem ter as atribuições de bacharel, de químico indus-
trial, de engenheiro químico e de técnico químico.
1 - Bacharéis em Química
São aquêles profissionais diplomados pelas Fa -
culdades de Filosofia e cujas atribuições, pela lei 2.800/56,se re_
sumem em "realizar análises e pesquisas químicas em geral". Podem
ainda destinar-se ao magistério em nível superior e médio, sendo
que, neste último caso, devem ter cursado as "matérias pedagógi -
cas " das Faculdades de Filosofia (Licenciatura em Química). Como
regra geral, é vedada ao bacharel "a fabricação de produtos e sub-
-produtos químicos" e a "direção e responsabilidade de laborató -
rio ou departamento químico de indústria".
2 - Profissionais com atribuições de químico industrial
0 Descreto-Lei 5.452/43 - CLT - define as atri-
buições dos químicos, químicos industriais e químicos industriais
agrícolas:
a) fabricação de produtos e subprodutos químicos;
b) a análise química, a elaboração de pareceres, atestados e
projetos da sua especialidade e sua execução, perícia ci -
vil ou judiciária,
c) direção e responsabilidade de laboratórios ou departamen -
tos químicos industriais ou comerciais;
d) magistério em nível superior".
As denominações de químico e químico industrial
agrícola referem-se, em geral, a cursos e escolas existentes antes
da fundação da Escola Nacional de Química, em 1934, e são catego-
rias que tendem a desaparecer com o decorrer dos anos.
A Resolução Normativa nº 5/58
do Conselho Federal de Química, baseada no art.20, § 3º da Lei
2,800/56, que deu poderes ao Conselho Federal de Química para am-
pliar a competência do bacharel em química conforme o currículo ,
escola ou mediante prova de conhecimento complementar de tecnolo-
gia ou especialização, prestado em escola oficial", reconheceu
que ao bacharel em química poderiam ser reconhecidas as atribui -
ções de químico industrial, se o diploma fosse expedido a partir
de 1959, desde que a respectiva Faculdade de Filosofia tivesse
adotado regime que permitisse a realização de curso e provas das
matérias tecnológicas da química industrial ou se o bacharel,for_
mado até 58, tivesse cursado faculdade que mantivesse convênio com
curso de química industrial ou engenharia química, na qual pres -
tasse provas de Tecnologia Química Geral e Tecnologia Química I -
norgânica e Orgânica. A estes profissionais concedeu-se, com as
atribuições de químico industrial, o título de Bacharel em Quími-
ca com atribuições tecnológicas. Já aos bacharéis formados antes
da vigência da Lei 2.800/56 em faculdades que não mantivessem con_
vênios é vedada esta possibilidade.
3 - Profissionais com atribuições de engenheiro químico.
0 Lecreto-Lei 5.452/43 - CLT - aponta as atribui
ções do engenheiro químico. Estas atribuições são também do enge_
nheiro industrial, modalidade química, do engenheiro industrial ,
de cujo currículo constem as disciplinas do ramo químico (Resolu-
ção do Conselho Federal de Educação, baseada no parecer 280),e de
engenheiro militar, especialidade química (formado pelas Escolas
Técnicas militares).
A função específica dos profissionais com atribuições
de engenheiro químico são as citadas na CLT art. 334, alínea d e Z
1º, in fine:
"a) projeto, construção e instalação de aparelho e equipamen -
tos especificamente destinados às indústrias químicas e cor
relatas;
b) projeto e montagens de indústrias químicas e correlatas;
c) projeto de expansão de indústrias químicas e correlatas, e
respectiva execução;
d) assuntos de engenharia legal, parciais e arbitramentos,quan
do relativos às matérias de que tratam os itens anteriores?
Nada impede que o engenheiro químico exerça as funções
de contrôle e produção, juntamente com as de projeto: no caso,po -
rém, de que exerça tão só as duas primeiras haverá evidentemente uma
disfunção, dado inclusive o seu preparo profissional superior e de
mais elevado custo.
4 - Os técnicos químicos.
A profissão é reconhecida pela lei 2.800/56, artigo 20.
São os técnicos de nível médio, diplomados por escolas ou cursos
técnicos de química, oficiais ou oficializados. São suas atribui -
ções.
a) análises químicas aplicadas à indústria;
b) aplicação de processos de tecnologia química na fabricação
de produtos, subprodutos e derivados;
c) responsabilidade técnica de fábricas ou laboratórios de pe-
quena capacidade, a critério dos Conselhos Regionais de Quí-
mica.
Do ponto de vista das funções a exercer, as dos técni-
cos químicos são semelhantes às dos profissionais com atribuições
de químico industrial. A lei, porém, só lhes permite o exercício
de cargo de chefia ou responsabilidade pelo exercício destas funções
no caso de emprêsas ou laboratórios de pequena capacidade, medida
que é fixada pelos Conselhos Regionais, de acôrdo, portanto,com ne-
cessidade locais, utilizando-se os critérios fixados pelo Conselho
Federal de Química (Resoluções Normativas nº 11/59 e 19/63).
A legislação recente pôs fim ao grande número de espe-
cializações em que se poderia diplomar o técnico químico, adotando
a denominação técnico químico tanto para os profissionais anterior
mente formados em especializações quanto para aquêles diplomados
pelos novos currículos mais genéricos.
5 - Os licenciados
Os profissionais licenciados (que denominamos, para os
fins da pesquisa, de Práticos Registrados) são químicos que não pos
suem diploma de curso médio ou superior, mas que mantinham ocupa -
ções de químico ao tempo da regulamentação da profissão, em 1934 .
A lei concedeu a estes químicos práticos sucessivos prazos legais
(até 1940) para que obtivessem uma licença no Ministério do Traba-
lho. Com a criação dos Conselhos Regionais de Química, os seus re
gistros foram lançados nestas repartições. Quanto à sua especiali-
zação e atribuições, são as que tinham no exercício efetivo do tra
balho que realizavam na época da licenças na prática, porém, são
lhes permitidas as atribuições que afirmem poder exercer.
6 - 0 problema do prático não registrado.
A profissão química é, desde 1934, regulamentada por
lei. Sucessivas disposições posteriores, principalmente, após a
criação dos Conselhos Federal e Regionais de Química, complementa-
ram a legislação regulamentadora. Dessa forma, seria de supor a
não existência de profissionais não diplomados ou não registrados
(licenciados) em ocupações industriais, exercendo quaisquer das fun-
ções químicas. Em nosso caso, porém, a hipótese que deveria ser
aventada é a de que, dado o acelerado ritmo de desenvolvimento eco
nômico dos anos 54 a 61, e dado o fato de que o ensino técnico não
cresceu a taxas idênticas, seria de esperar que um certo contingen-
te de ocupações na indústria fosse entregue a profissionais não di
plomados nem licenciados.
Formulada a hipótese, acrescentou-se às categorias de
profissionais existentes uma nova, utilizada para os fins da pes-
quisa: a do Prático não registrado, cujas características seriam:
l) desempenhar funções industriais; 2) não ser diplomado, nem li-
cenciado, nem ter qualquer forma de registro nos Conselhos Regio -
nais de Química. Os resultados da criação desta categoria são ob-
jeto das considerações analíticas e de interpretação dos questioná-
rios respondidos pelas emprêsas visitadas.
7 - Os auxiliares
Destas categorias foram diferenciados, no questioná -
rio, os auxiliares. Tratam-se de trabalhadores manuais,que exer -
cem funções de rotina e sem qualquer autonomia no setor químico da
emprêsa. Evidentemente não desempenham as funções industriais tal
como as compreendemos na presente pesquisa: se o fizessem seriam
considerados práticos não registrados. As variações dos quantita-
tivos de auxiliares nos últimos anos constituem-se em índice de re-
lativa importância para avaliar a persistência, redução ou amplia-
ção do setor químico da emprêsa.
8 - 0 problema da responsabilidade.
0 Descreto-Lei nº 5.452/43 - CLT - indica ser obriga
tório que o nome do químico responsável deva constar nos rótulos
dos produtos de fábrica, usina ou laboratório, devendo o seu con -
trato de trabalho com a emprêsa ser registrado na repartição fisca-
lizadora. 0 fundamento jurídico da responsabilidade está em supor
-se que é de importância o controle público do consumo dos produtos
químicos, à semelhança do que ocorre com os produtos farmacêuticos.
A Resolução Normativa nº 12/59 do Conselho Federal
de Química define químico responsável:
"... é o profissional de nível superior que exerce direção técnica
chefia, ou supervisão da fabricação de produtos químicos, da fabri-
cação de produtos industriais obtidos por meio de reações químicas
dirigidas ou de laboratório de controle químico."
Quanto a quais sejam os profissionais de nível supe -
rior que podem ser responsáveis, dispõe o Conselho Federal de Quí-
mica que os Conselhos Regionais examinarão todas as indicações de
responsabilidade técnica, verificando em cada caso se "as funções
a serem exercidas pelo profissional indicado se enquadram dentro
das atribuições da categoria a que o mesmo pertença." Limitando-
-se a acumulação de cargos de responsabilidade "em razão do tampo
disponível pelo profissional".
Se bem que a regra geral seja a de que os químicos de
nível superior ocupem os cargos de responsabilidade, a mesma Reso-
lução admite a tal ocupação por técnico químico, desde que em "fa_
brica ou laboratório de pequena capacidade".
Estas informações permitem traçar um quadro que rela-
cione as categorias de profissionais com as funções que podem ex -
ercer adequadamente em suas respectivas ocupações industriais:
(1) - ensino aqui é considerado como a orientação em estágio ou
treinamento de outros profissionais do mesmo nível ou,ain
da, de mestres e trabalhadores especializados ou não.
As emprêsas e os profissionais químicos
Certos ramos de indústria têm obrigação de admiti_
rem químicos em seu quadro de empregados. A lei adotou critérios
diversos para apontar estas indústrias. No Decreto-Lei 5.452/43
- CLT - os critérios são de generalidade. A admissão é obrigató-
ria nos casos de "fabricação de produtos químicos" que "mante-
nham laboratório de contrôle químico"; de "fabricação de produtos
industriais que são obtidos por meio de reações químicas dirigi -
das"; neste último agrega-se, a título de exemplo: "cimento,açu
car e álcool, vidro, curtume, massas plásticas artificiais, explo_
sivos, derivados de carvão ou de petróleo, refinação de óleos ve^e
tais ou minerais, sabão, celulose e derivados". A citação de ex-
emplos abre o caminho para a adoção do critério enumerativo, que
aparece com a Resolução Normativa n
2
3/57 do Conselho Federal de
Química. Por esta última Resolução são as seguintes as indústrias
obrigadas a manterem químicos:
a) indústrias que realizam tratamento químico de água destinada a
alimentação de suas caldeiras, máquinas ou qualquer fase de
seu processo industrial;
b) organizações privadas ou governamentais que realizam tratamen-
to químico de água destinada ao abastecimento público;
c) fábricas que roalizam a composição de massa de borracha para
vulcanização;
d) fábricas de colas e gelatinas;
e) fábricas de perfumes e cosméticos que produzem compostos desti-
nados às misturas finas;
f) fábricas de inseticidas, parasiticidas ou fungicidas, que pro -
duzem compostos destinados às misturas finas;
g) fábricas de tintas e vernizes;
h) indústrias cerâmicas, exceto cerâmica vermeljha de construção ,
que não possua controle de fabricação;
i) industrias têxteis que realizam o tingimento de tecidos;
j) fábricas 3e cal, exceto caieiras;
l) fábricas de alvaiade;
m) fábrica de fogos de artifícios;
n) indústrias de destilação de madeira;
o) indústrias de fibras artificiais;
p) fábricas de fósforos artificiais;
q) instalações para industrialização de lixo;
r) fábricas de gases artificiais;
s) estabelecimentos de galvanoplastia;
t) fábricas de acumuladores;
u) fábricas de bebidas alcoólicas e carbonatadas.
A emprêsa, ac contratar o químico, deve levar em con-
sideração: is) que a situação jurídica do profissional esteja em
perfeita ordem; 29) que êle seja habilitado para a ocupação a que
se destina. Deverá então a emprêsa que se enquadre nos ramos já
citados comunicar ao Conselho Regional de Química, sob cuja juris-
dição se encontre, quais os químicos que emprega, em que regime ho
rário, em que ocupações. Ao fazer tal comunicação, a emprêsa deve
rá indicar outros dados, como seu capital social, a fim de que o
Conselho possa averiguar se os cargos de responsabilidade devem né
cessàriamente ser ocupados por profissionais de nível superior, ou
se é o caso de "fábrica ou laboratório de pequena capacidade", on
de os mesmos podem ser exercidos por técnicos químicos.
A disparidade de critérios para a discriminação dos
ramos industriais obrigados a contratarem químicos cria problemas
que os Conselhos Regionais de Química procuram resolver. Assim, o
Conselho Regional da IV Região não segue o critério enumerativo,
procurando enquadrar a fábrica ou laboratório fiscalizado num dos
itens gerais do Decreto-Lei 5*452/43 * CLT - porque o parque in -
dustrial paulista foge a critérios enumer^tivos em vista de sua ma
ior dimensão, ficando muitas vezes prejudicada a fiscalização efi-
ciente.
Os Conselhos Federai e Regionais de Química.
A fiscalização da profissão compete aos Conselhos Fe-
deral e Regionais de Química, incumbindo ao primeiro, entre outras
atribuições expedir Resoluções Normativas que garantam e facilitam
a fiscalização (Lei 2.800/56, art. 8, alínea f), bem como julgar,
em grau de recurso, as deliberações dos Conselhos Regionais (idem,
art. 8, alínea d). Esta fiscalização visa, fundamentalmente, cons
tatar: l) a legalidade do registro e a habilitação do profissio -
nai para atividade que exerce; 2) o cumprimento pela emprêsa de
suas obrigações legais.
Podem exercer os Conselhos Regionais o seu poder fis-
calizador de forma direta ou indireta. Contam, eles, "para a fisca
lização indireta com uma organização que em princípio deve ser ca-
pacitada a processar: a) o registro profissional? b) o registro
das comunicações de emprêsas e profissionais, inclusive contratos
de trabalho. Logicamente, tal forma de fiscalização é extremamen-
te insuficiente, nisto que depende de informação não comprovada de
partes interessadas.
No tocante à fiscalização direta, pode o Conselho exer
cê-la junto às emprêsas, inclusive com acesso à escrituração,a fim
de averiguar se a emprêsa deve manter prcfissionais químicos (sem-
pre que enquadra na tipologia legal) e se o responsável pode ser
técnico de nível médio (caso de pequena emprêsa: fábrica ou labo-
ratório!). Com a finalidade de padronizar a fiscalização direta, o
Conselho Federal de Química baixou a Resolução Normativa 9/58 que
estabelece o "relatório de visita" do fiscal, permitindo colher
dados mais precisos sôbre a situação econômica, processos tecnoló-
gicos e quadro de pessoal da emprêsa.
No que tange à fiscalização, ainda, é apontado como
sério problema a exigência legal do "químico responsável". Como
afirma o presidente do Conselho Regional da IV Região: ".... pela
maneira como são exigidos os diversos requisitos para o registro
das indústrias químicas, o químico responsável acoberta o trabalho
de um sem número de técnicos ou não, cujo exercício profissional
desaparece em face daquele". Em decorrência, certos Conselhos Re
gionais limitam-se a registrar os "químicos responsáveis", dei -
xando à parte todos os profissionais que não exerçam chefia ou su-
pervisão.
CAPÍTULO VI
A DEMANDA ATUAL PE PROFISSIONAIS: CARACTERÍSTICAS E TENDÊNCIAS.:
No presente capítulo são apresentados os resultados da ap
plicação do questionário a amostra de emprêsas e da análise e in-
terpretação dos dados assim diretamente coletados naquilo que se
refere, nos termos dos objetivos gerais da pesquisa, às caracte -
rísticas e tendências da demanda atual de profissionais de todas
as categorias. Os dados são apresentados e interpretados à luz
da divisão em regiões geo-econômicas já exposta (ver capítulo II),
sendo deixados à margem, para os fins de redução de texto, aquêles
cujo grau de relevância demonstrou-se baixo.
Os números absolutos apresentados nas tabelas referem-se
aos resultados do questionário tal como aplicado na amostra, (l)
DISTRIBUIÇÃO PE EMPREGOS PELAS REGIÕES GEO-ECONOMICAS
Tabela 1
- Como seria de esperar, a distribuição dos empregos pelas
regiões geo-economicas e proporcional ao estágio e ritmo de desen_
volvimento de cada uma delas, para qualquer dos níveis de formação.
A região Centro-Sul e, nela, o estado de São Paulo concentram os
maiores percentuais.
- Por outro lado, verificou-se, pela análise dos questiona^
rios, que são diversos os termos de concentração de profissionais
na região nordeste e na região centro-sul. C<§m efeito, a concen -
tração de profissionais no Nordeste se dá em ramos de atividade e-
conômica de menor dinamismo (açúcar e álcool, bebidas, cortumes,ce_
rámica), enquanto no Centro-Sul, os maiores percentuais se locali-
zam nos ramos econômicos de maior dinamismo (produtos químicos,
plásticos, derivados de carvão e petróleo, tintas e vernizes);a Re
gião Sul tende para o modêlo da Região Centro-Sul (concentração em
plásticos, inseticidas, papel). A permanecerem ritmos regionais de
desenvolvimento- semelhante, a tendência é que as oportunidades de
emprêgo cresçam no Centro-Sul e no Sul, aumentando-se a defasagem
entre estas e a Região Nordeste. Do ponto de vista do planejamen-
to educacional, isto significaria que prováveis carências de pro -
fissionais, a médio e longo prazo, serão observados antes no Sul e
no Centro-Sul que no Nordeste.
- Necessário e assinalar, no que se refere aos profissio -
nais de nível médio, percentuais irrisórios no Nordeste,mesmo ten-
TABELA I
EMPREGOS NOS DIVERSOS NÍVEIS DE FORMAÇÃO, POR ESTADOS, POR REGIÕES
NÚMEROS ABSOLUTOS E PERCENTUAIS
TABELA 2
EMPREGOS NAS DIVERSAS CATEGORIAS PROFISSIONAI3, POR ESTADOS,POR REGIÕES
NÚMEROS ABSOLUTOS E PERCENTUAIS
do-se em vista a distribuição geral de profissionais. No suposto
de que as emprêsas nordestinas são de menor porte e menos refinada
tecnologia, seria de esperar maior número de técnicos de nível mé-
dio, mais adequados às pequenas emprêsas. Observe-se, por sinal ,
que no Nordeste há apenas três escolas formando•técnicos químicos,
todas oficiais, enquanto há mais de vinte so em São Paulo. Em Per-
nambuco, estado que mais emprega químicos em todo o Nordeste, não
há escolas técnicas.
- A distribuição de práticos registrados discrepa gran
demente da dos outros profissionais. Desde 1940, pelo menos, não
mais foi possível a concessão de licença a profissionais práticos,
em vista da regulamentação da profissão. Os estados mais indus -
trializados da região Centro-Sul (São Paulo e Guanabara) concen
tram percentuais proporcionalmente menores, em relação aos outros
níveis, que os estados periféricos da mesma região (Minas Gerais)
ou de outras (Rio Grande do Sul). Estes, cujo parque industrial
se caracteriza ou por estabelecimentos tradicionais ou por novo
surto de industrialização incipiante, permitem ainda o exercício
adequado das funções industriais a profissionais a quem é mais di-
fícil responder às exigências sofisticadas da grande indústria pau
lista.
- Em contrapartida, é sensível a concentração de práti^
cos não registrados na região Centro-Sul, particularmente em São
Paulo (44,7% da categoria). Tal fenômeno indicaria, por um lado,
uma carência de profissionais escolarizados e, por outro, a proba-
lidade de que os novos complexos industriais venham formando, na
prática da produção, os técnicos habilitados para suas exigências
de nível hiper-especialização.
Tabela 2
- 0 fato de a legislação profissional exigir um quími-
co responsável em cada emprêsa explica que grande número de quími-
cos industriais cujos maiores percentuais encontram-se na Região
Centro-Sul, especialmente em São Paulo, exerçam funções mesmo nos
(l) - Explica-se o fato de haver estados para os quais não há re -
presentação nas tabelas por: 1) número pequeno ou nulo de
emprêsas nos ramos industriais entrevistados; 2) existência
de emprêsas extintas, embora ainda recenseadas pelos C.R.Qs.
ramos mais tradicionais da indústria. Quanto maior proximidade à
emprêsa moderna e integrada ao complexo da grande indústria, mais
sensível é a adequação da categoria profissional às funções que
são de sua competência.
- A correlação entre as percentagens representativas
do número de engenheiros químicos e químicos industriais (não con
siderados os engenheiros militares e os químicos industriais-enge
nheiros químicos) nos indica quantitativos bastante semelhantes
para o Brasil como um todo, quando seria de esperar-se percentuais
mais elevados de químicos industriais. Tudo indica que o fenômeno
não implica uma oferta excessiva de engenheiros, mas, antes, uma
deficiência na oferta de químicos industriais, visto ser reduzido
o número de escolas que os formam. Em São Paulo a proporção che-
ga a 24,9% de engenheiros químicos para 12,9% químicos industriais,
o que leva a inferir que grande número dos primeiros estão exer -
cendo funções de químicos industriais, dada a carência destes.
- Os bacharéis, categoria recente e de limitada com-
petência industrial, aparecem em percentuais bastante reduzidos no
total de profissionais.
- Finalmente, a distribuição das taxas de auxiliares
(cargos manuais de rotina, não especializados ou semi-especializa
dos) é perfeitamente coerente com a conhecida distribuição geral
dos empregados na indústria de transformação (Censo Industrial) -
43,3% de auxiliares, 46,9% de empregados nas indústrias de trans-
formação, para São Paulo; 10,8% de auxiliares, 10,1% desemprega
dos nas indústrias de transformação, para a Guanabara.
t
POLOS PE DIFUSÃO E RECEPÇÃO DOS PROFISSIONAIS
Engenheiros químicos
Tabela 3
- Para esta categoria profissional verificamos que o
principal centro difusor do país é a Escola de Engenharia Química
da Universidade do Paraná, seguida pela Escola Nacional de Quími-
ca, na Guanabara, vindo Pernambuco em terceiro lugar.
- 0 índice de São Paulo como centro difusor é relati
vãmente baixo, mas, como centro receptor, é de grande relevância,
concentrando-se aí mais de 50% dos profissionais que emigram. In-
TABELA 3
PRINCIPAIS CENTROS DIFUSORES E RECEPTORES DE ENGENHEIROS
QUÍMICOS
TABELA 4
PRINCIPAIS CENTROS DIFUSORES E RECEPTORES DE QUÍMICOS INDUSTRIAIS
clusive 60% dos profissionais de origem estrangeira desta categoria
profissional são absorvidos pela indústria paulista; a Guanabara
vem em segundo lugar, com índice b?.stante inferior.
Químicos industriais
Tabela 4
- A Guanabara detém o maior índice de fornecimento des-
ta categoria profissional para o Brasil, com a Escola Nacional de
Química (que também forma engenheiros químicos), sendo seguida por
São Paulo que não possui, porém, escola para a formação desta cate-
goria profissional.
- 0 fato de o Paraná aparecer como centro difusor expli_
ca-se porque àáé há pouco a Universidade do Paraná formava químicos
industriais. Forma agora somente engenheiros químicos, mas o seu
quadro de químicos industriais anteriormente graduados continua di-
fundindo-se para outros centros.
- São Paulo concentra cêrca de 30% aa mão de obra difun
dida nesta categoria.
Técnicos químicos
Tabela 5
- Para os técnicos químicos, de acôrdo com seu local de
formação ou seu último emprêgo, São Paulo se situa como o principal
centro difusor do país, seguido da Guanabara. Note-se que naquele
estado o número de escolas de nível médio é muito mais elevado que
neste, onde existem apenas três. Em vista das necessidades indus -
triais, tanto São Paulo como a Guanabara, apesar de seu efetivo de
formados, funcionam como os maiores centros receptores destes pro -
fissionais.
- Certos estados que não possuem estabelecimentos de ní
vei médio de química, como Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Pernam-
buco, Rio Grande do Norte, Rio de Janeiro, Santa Catarina, apresen-
tam-se também como centros difusores, embora em escala muito infe -
rior à verificada para São Paulo e Guanabara. Ê que profissionais
que emigram de seus estados de formação escolar para a indústria Io
cal, aí são registrados no respectivo CRQ e, num segundo momento ,
voltam a emigrar para outros centros industriais.
Procedentes do exterior
Tabela 6
- Dos profissionais procedentes do exterior 77,45%
são de nível superior e 22,55% de nível médio. Para os dois ní -
veis São Paulo é o maior centro receptor, seguido da Guanabara.
- É importante notar que esta emigração não signi-
fica necessáriamente a procura por estes profissionais de emprêgo
no país. Em geral, são chamados por emprêsas que estão instala -
das principalmente nos dois maiores centros industriais, a fim de
executar tarefas referentes aos processos tecnológicos adotados
pelas mesmas, em alguns casos posições de chefia técnica ou admi-
nistrativa geral.
Foram omitidos da presente análise de centros recep
tores e difusores as demais categorias profissionais em virtude
da pequena significância de seus quantitativos na amostra.
EMPRESAS QUÍMICAS NÃO EMPREGADORAS
Tabela 7
- Tendo sido as emprêsas da amostra colhidas nos j&
versos Conselhos Regionais de Química, era de se esperar que tô -
das empregassem pelo menos um profissional químico legalmente ha-
bilitado, dado o ordenamento jurídico da profissão em relação aos
empregadores (capítulo Y). Não obstante em todas as regiões, e
em quase todos os estados, verificou-se a existência de emprêsas
que declararam não empregar químicos. Entre estes estados cons-
tam até mesmo São Paulo e Guanabara, onde a fiscalização, por par
te dos CRQs é mais eficiente.
- Se em princípio estes percentuais de emprêsas sem
químico podem ser tidos como cargos existentes e não preenchidos,
a ampliarem os termos mínimos da oferta de empregos, há que fri -
sar que uma parcela de tais percentuais pode ser explicada pelo
fato de que existem casos de emprêsas registradas que, alegando a
extrema simplicidade dos processos técnicos, que utilizam, são
dispensadas pelos CRQs de empregarem profissionais químicos.
T A B E L A -5
PRINCIPAIS CENTROS DIFUSORES E RECEPTORES BE TÉCNICOS
QUÍMICOS
T A B E L A 6
PROFISSIONAIS PROCEDENTES
DO EXTERIOR
- NÚMEROS ABSOLUTOS E PERCENTUAIS -
EXPANSÃO, REDUÇÃO OU ESTABILIZAÇÃO PE CARGOS OCUPADOS
Tabela 8
- Verificou-se a manutenção de um quadro de relativa es_
tabilidade na evolução do nível de emprêgo das emprêsas químicas
nos últimos cinco anos: 68,2% para todo o país, mantiveram igual
volume de oferta de emprêgo. A parcela complementar, que indica o
nível de variação, evidencia o crescimento da estrutura de emprêgo;
26,6% ofereceram maior número de cargos, enquanto 4% reduziram seu
quadro de profissionais empregados. Foi na região Centro-Sul que
mais se evidenciou a ampliação do mercado de trabalho-bàsicamente
em São Paulo e Guanabara, mas também em Minas Gerais.
- Importa ainda notar que tais percentuais não são índi.
ces do desenvolvimento da indústria química e sim de sua estrutura
de emprêgo, eis que para aferir a relação com o desenvolvimento in_
dustrial é necessário abordar também problemas relativos à raciona.
lização da organização empresarial e à adoção de novos processos
tecnológicos.
AS CATEGORIAS PROFISSIONAIS E AS FUNÇÕES EXERCIDAS
Tabela 9
- Tendo sido abordado o tipo de funções mais adequado
às diversas categorias profissionais (Capítulo V), a presente aná-
lise permite relacioná-lo à inserção efetiva de profissional no
plano da emprêsa química e às distorções possivelmente consequen -
tes.
- Conformam os químicos industriais a categoria profis-
sional mais integrada, no quadro da atividade industrial, às suas
atribuições específicas de produção e controle (inclusive análises
químicas).
- Na categoria de engenheiro químico é que se observa
grande distorção. A atribuição específica destes profissionais ,
com efeito, é a de projeto. A realização de outras funções junta-
mente com a de projeto significaria uma ampliação de seu campo de
atividade, em muitos casos decorrente da não necessidade de outros
profissionais químicos de nível superior para grande número de em-
presas, Mas o seu emprêgo unicamente em funções de produção e de
pesquisa - sem o exercício da função de projeto - implica em disto-
torção evidente, cujas conseqüências são imediatas sôbre o custo
de formação escolar. E com efeito, observa-se que, se apenas 13,%
destes profissionais fazem projetos, 48,4% se concentram em contrô-
le e produção, suprindo assim, provável carência de químicos indus-
triais,
- Ja entre os bacharéis observem-se pequenas distorções:
11,8% em produção e 5% em projeto.
- Ê também, como no caso dos químicos industriais, bas-
tante integrada a faixa de exercício profissional do técnico quími-
co.
RELAÇÃO OCUPACIONAL ENTRE OS DIVERSOS TIPOS E NÍVEIS DE FORMAÇÃO
A distribuição de profissionais em ocupações industriais
por tipo e nível de formação possibilita índices de grande importân-
cia no que se refere aos dispositivos utilizados com maior ou menor
grau de racionalização, na demanda de mão-de-obra técnica. Com efei-
to:
1 - A relação entre profissionais de nível superior e de nível médio
demonstra em que medida os critérios racionais da emprêsa industrial
moderna foram generalizados na organização industrial. Assim, nos
países de grande nível de desenvolvimento, de industrialização rela-
tivamente recente, como os Estados Unidos e a União Soviética,a pro-
porção de técnicos de nível médio para os de nível superior é, res -
pectivamente, de 1:1 e 1,75:1. Já nos países de industrialização
tradicional, o número de técnicos químicos para profissionais univer-
sitários é maior: na Inglaterra é de 3:1 e, em alguns ramos, de 4:1.
Próxima a estas últimas é a relação tida como a ideal para a fase ini_
cial de desenvolvimento, nos países que ora arrancam para a industria
lização, observando-se por outro lado, que a tendência geral mundial
ê a progressiva substituição nas atividades de rotina, produção e con
trole, dos engenheiros e químicos industriais pelos técnicos químicos,
tendência que, num país subdesenvolvido, não pode ser tão pronunciada
em virtude de inúmeros problemas técnicos criados na própria irotina-
industrial;
2 - A relação entre profissionais escolarizados e não escolarizados,
porém licenciados para trabalhar, permite verificar em que medida
a formação de técnico de nível superior e médio vem substituindo a
formação prática anterior, com a conseqüência provável de maior
rendimento e preparo do setor profissional como um todo;
3 - A relação entre profissionais diplomados e licenciados com os
práticos nao registrados é índice.certo da adequação ou inadequa -
ção quantitativa da oferta declarada de trabalho às necessidades
do mercado. No caso de inadequação, há de aparecer o peso relati-
vo da formação não regular - ou seja, por via da própria ocupação
na indústria. Por outro lado, a presença de um setor de práticos
não registrados haveria de indicar modalidades de especialização
tais que não fossem ainda incluídas no horizonte dos padrões vigen_
tes de ensino técnico - o caso, por exemplo, da "hiper-especializa
ção" requerida pelos processos tecnológicos do recente complexo in
dustrial químico instalado no país.
Tabela 10
- É na região de maior nível de desenvolvimento econô-
mico que ocorre maior aproximação com taxa requerida como ideal de
relação. Da região centro-sul, destaca-se, por isso mesmo, o esta
do de São Paulo, onde há 2 técnicos químicos para cada profissio -
nai de nível superior. Cumpre acrescentar que neste estado é maior
a oferta destes profissionais de nível médio dada a existência de
aproximadamente 20 escolas para a formação dos mesmos.
Tabela 11
- É significativo que a Região Centro-Sul, denotando
sempre os maiores quantitativos de profissionais empregados, dado
o seu ritmo de desenvolvimento, seja a que menor proporção de prá-
ticos registrados (licenciados) apresente. Estes práticos,na ma -
ior parte dos casos, foram formados em processos industriais de fa
se anterior de desenvolvimento econômico brasileiro. A presente
tabela faz inferir que tais práticos estão sendo relegados, por is_
so mesmo, àqueles centros onde suas habilidades tradicionais ainda
se demonstrem úteis. São Paulo, por exemplo, apresenta das mais
baixas proporções: 0,02 licenciados para cada profissional escola
riaado, a demonstrar o grau de substituição destes tradicionais
serviços técnicos de formação empírica pelos mais racionalizados
serviços dos profissionais com formação escolar.
Tabela 12
- O índice a ser apurado nesta relação é de especial
significação para marcar o aparecimento eventual do recrutamento
da fôrça de trabalho fora do mercado profissional normal. Dois
fenômenos correm paralelos e dão sentido à existência destes pro
fissionais: por um lado, a existência de "hiper-especialização"
nas mais modernas emprêsas do setor químico, para as quais so o
profissional formado no próprio trabalho estaria imediatamente
preparado. Por outro lado, e em contrapartida frontal, a exis-
tência de funções de tal forma rudimentares, em pequenas indús -
trias das áreas mais atrasadas, que não justificassem a contrata-
ção de um profissional mais habilitado. So um aprofundamento da
abordagem, por questionário específico, permitirá uma conclusão
definitiva, pois, com efeito, se é verdade que as proporções são
mais elevadas nas regiões de menor dinamismo econômico (Nordeste
e Sul), não deixam de ter certa importância na Região Centro-Sul.
De qualquer maneira, da mínima à máxima expressão proporcional ,
todas são índices de carência de profissionais habilitados. Do
ponto de vista do ensino, tais índices seriam agravados se não
fossem considerados, na unidade de relação, profissionais não es_
colarizados (práticos registrados).
Tabela 13
- No Brasil a relação entre profissionais de nível mé-
dio e universitário é de 1,1:1, proporção que muito se aproxima
da verificada nos Estados Unidos, já anteriormente mencionada.Es_
ta semelhança é, porém, circunstancial. Trata-se de realidades
diversas: aqui, o número elevado de industrias médias e peque -
nas com baixo nível tecnológico, deveria implicar num maior núme_
ro de técnicos, independentemente dos que são necessários para
as grandes indústrias recém-surgidas, E é sabido que estas úl-
timas tendem a aumentar o número de técnicos de nível médio em
relação aos de nível superior. A proporção tida como ideal num
país como o Brasil é de 3:1. Desta forma, encontra-se na situa-
ção descrita pela tabela um estrangulamento sério para o proces-
so de crescimento da indústria química. Não obstante, o recurso
à mão-de-obra não escolarizada (práticos registrados e não regis-
trados) aproxima a taxa do ponto ideal, sem que entretanto oatin-
ja. Somados os técnicos de nível médio, práticos registrados e
não registrados e relacionados aos de nível superior encontrasse
-se-á uma proporção de 2,3:1, afastada ainda da relação ótima e
TABELA 11
PROPORÇÃO DE PRÁTICOS REGISTRADOS PARA CADA PROFISSIONAL DE NÍVEL MÉDIO E DE NÍVEL SUPERIOR,POR ESTADOS,
POR REGIÕES
TABELA 13
PROPORÇÃO DE TÉCNICOS DE NÍVEL MÉDIO PARA CADA
PROFISSIONAL DE NÍVEL SUPERIOR NO BRASIL
TABELA 14
PROPORÇÃO DE PRÁTICOS REGISTRADOS PARA CA. PRO
FISSIONAL DE NÍVEL MÉDIO E NÍVEL SUPERIOR,
NO BRASIL
TABELA 13
PROPORÇÃO DE PRÁTICOS NÃO REGISTRADOS PARA CADA
PRÁTICO REGISTRADO, PROFISSIONAL DE NÍVEL MÉ-
DIO E DE NÍVEL SUPERIOR, NO BRASIL
influenciada pela consideração de que todos os práticos registra-
dos estariam necessariamente exercendo funções de nível médio.
Tabela 14
- A proporção de práticos registrados para profissão
nais escolarizados é extremamente baixa, o que evidencia a pouca
expressividade desta categoria profissional, concentrada, como era
de se esperar, nos ramos industriais mais tradicionais. 0 índice
expresso pela tabela permite definir em termos rigorosamente ten-
denciais a extinção da categoria.
Tabela 15
- Quase um terço dos profissionais exercendo funções
industriais constitui-se de químicos não registrados, sendo que
parcela considerável recebe formação rotineira no próprio proces-
so de produção ou, em alguns casos, por treinamento específico. É
de supor-se que contingente significativo dos mesmos exerce fun -
ções de técnico de nível médio, principalmente aquela a que se lo_
calizam nos setores mais recentes da indústria química.
PONTO PE VISTA EMPRESARIAL SÔBRE A HABILITAÇÃO DOS PROFISSIONAIS
Tabela 16
- A percentagem das emprêsas que consideram adequa -
dos os profissionais às suas efetivas necessidades é menor nas
regiões de menor desenvolvimento - 51,2 no Nordeste e 54,5 na re-
gião Sul; e maior na região industrial mais importante, o Centro
-Sul, 64,3- Pelo fato de serem os processos tecnológicos desta
última região mais refinados e mais recentes, seria de esperar que
o inverso acontecesse. Ha, no entanto, dois fatôres a conside -
rar: em primeiro lugar, a qualificação do profissional formado ou
trabalhando nesta última região tende a ser mais atualizada, até
mesmo pelos reflexos e exigências do próprio desenvolvimento in-
dustrial; por outro lado, há uma tendência generalizada nas mé-
dias e pequenas indústrias encontradas nas outras duas regiões a
considerar que o profissional deve sair da escola totalmente vol-
tado para o ramo que vai trabalhar. É o tipo de crítica "falta de
especialização em cerâmica", por exemplo, de que houve grande in-
cidência nas entrevistas realizadas no Sul e no Nordeste. Natu -
ralmente a expectativa de tal especialização provoca, no responsa
vel pela emprêsa, críticas à formação do químico que venha a em -
pregar.
- No entanto, outras críticas, mais racionais, apare
cem, como "falta de prática" por exemplo, e são desse tipo a maio
ria das feitas, respectivamente por 40% e 38,4% das emprêsas de
São Paulo e Guanabara, que consideram que os profissionais não
correspondem.
PREVISÃO EMPRESARIAL SÔBRE NOVOS EMPREGOS
A aplicação do questionário às emprêsas esoolhidas pe-
la amostra permitiu quantificar uma previsão, por parte de seus
responsáveis, dos novos efetivos necessários à rotina da produção
e demais funções ou à expansão das atividades industriais. Vale
dizer, as possibilidades de emprêgo em começos de 1965.
As tabelas 17 e 18 fornecem estes quantitativos, es-
timados a partir da transformação do dado da amostra em universo.
Assim, tais tabelas não se referem a amostra tão somente, mas ao
universo abordado: as emprêsas registradas nos Conselhos Regio -
nais de Química, sempre que situadas nos Estados onde foram apli-
cados os questionários.
- A primeira destas tabelas (TABELA 17) fornece a es_
timativa de novos empregos por nível de formação, enquanto a se -
gunda (TABELA 18) especifica os profissionais pelas categorias
mais importantes, deixando as de secundária significação a denomi-
nação geral "outros".
- Do ponto de vista dos totais gerais, os quantitati-
vos demandados, para os Estados onde se realizaram entrevistas,a]L
cançam 1.072 químicos de nível superior e 648 de nível médio, in-
dicando forte carência de profissionais de maior qualificação. Ja
no que se refere aos técnicos químicos, a demanda e menor, so a
correlação com o número de formados podendo indicar em que medida
o provável excesso de oferta não se condicionaria a uma baixa ta-
xa de dispersão destes profissionais, concentrados, em sua forma-
ção escolar, no Estado de São Paulo.
- A distribuição das estimativas por regiões geo-eco -
nômicas denota que a região Centro-Sul é a que mais carece de téc-
nicos de ambos os níveis, apesar de melhor assistida pelo sistema
educacional. Os Estados de Minas Gerais, Rio de Janeiro e, na re-
gião Sul, o Rio Grande do Sul, apresentam altas taxas de carência
de profissionais de nível superior, provavelmente decorrente do
grande poder de absorção do parque industrial paulista, que ainda
necessita de mais 188 químicos universitários. E são igualmente
estados periféricos da economia paulista - Estado do Rio de Janei-
ro, Rio Grande do Sul - aquêles onde são necessários números signi-
ficativos de técnicos químicos.
- No que se refere às categorias mais importantes,a es_
timativa é, em termos dos Estados incluídos na amostra, de 596 em-
pregos para químicos industriais, 307 para engenheiros químicos e
648 para técnicos químicos.
CAPÍTULO VII
A OFERTA DE PROFISSIONAIS
A questão da oferta de profissionais para os
ramos que empregam químicos poderia ser formulada da seguinte manei
ra: em que medida a confrontação dos efetivos de diplomados pelas
diversas escolas de química com as necessidades crescentes do par-
que industrial instalado ou a instalar-se indica que o ponto de es_
trangulamento aumenta sua diminui sua expressão? Tal o problema com
que nos defrontamos.
Técnicos de nível superior e de nível médio são
requeridos pela indústria. Aos primeiros incumbe as ocupações de
manipulação e controle dos equipamentos industriais em alto nível
de precisão, de projetamento de novas unidades produtivas, de am -
pliação das existentes, de criação de novos produtos, de pesquisa
tecnológica e adaptadora, ou seja, do que já se chamou de "ajusta-
mento judicioso da ciência ao estilo de vida" da comunidade. (Sei
ence and Tecnology for Development, ONU, 1962). Aos segundos a di
reção das operações totineiras de produção, e a ligação entre a fa_
se de projetamento e execução, bem como a responsabilidade pelos
processos tecnológicos menos complexos das pequenas indústrias ou
laboratórios.
A análise e a interpretação dos dados colhidos
nas emprêsas selecionadas para a amostra e a confrontação destes
dados com os quantitativos de formados permitirão verificar como
responder à questão proposta a respeito da oferta de profissionais
e o desenvolvimento das indústrias do setor químico.
No que se refere aos quantitativos de formação
é necessário ajuntar que são dados provisórios e com algumas lacu-
nas. Os de formados em nível médio foram colhidos no Serviço de
Estatística da Educação e Cultura: a partir dos números existentes
para diplomados em 1963, estimaram-se as turmas de 1964. Quanto
aos graduados no ensino superior, os dados foram colhidos nas Se -
cretarias das diversas faculdades, e escolas: um levantamento com
pleto e mais perfeito está sendo realizado pela Comissão de Plane-
jamento da Formação de Químicos do Ministério da Educação e Cultu-
ra.
TÉCNICOS PE NÍVEL MÉDIO
É recente a preocupação com o desenvolvimento do ensino
técnico de nível médio no Brasil. O surto de industrialização é,
sem dúvida, com as implicações tecnológicas que envolve e as no-
vas especializações que cria, responsável pela mudança, lenta mas
persistente, da mentalidade, já em franco declínio, de que o ensi-
no técnico em nível médio é uma contrapartida à faculdade que os
estratos de menor renda não podem cursar e um substitutivo "prá-
tico" do curso secundário habitual.
Não por acaso foi no centro industrial mais desenvolvi-
do, São Paulo, que o ensino médio técnico mais cresceu nos últi -
mos tempos: preparando técnicos químicos aí existiam (dados do
Serviço de Estatística da Educação e Cultura), em 1960, 5 estabe-
lecimentos: em 1961, 7; em 1962, 13; em 1963, 17; em 1964,20.
Nos outros estados a maior parte dos estabelecimentos sendo recen-
te, o impacto dos respectivos quantitativos de formados não se fa-
rá sentir imediatamente. Em 1964 em apenas três estados foram for-
mados técnicos químicos (Paraná, S.Paulo,GB); em 1965 serão 5 os
estados (com a inclusão da Bahia e Minas Gerais); a estes se agre_
garão, a partir de 1966, Mato Grosso, Maranhão e Ceará, estes úl-
timos com as primeiras turmas de diplomados pelos dois estabeleci
mentos técnicos de nível médio oficiais de que dispõem.
A partir dos dados de formados em 1963 e da evolução das
turmas deste ano foi estimado o quantitativo de formados para 1964,
por estado.
Fonte - SEEC
PROFISSIONAIS DE NÍVEL SUPERIOR
Os três tipos de profissionais de nível superior cu-
jos efetivos se constituem, anualmente, em oferta adicional de mão
-de-obra altamente qualificada para os ramos industriais químicos
são os engenheiros químicos, químicos industriais e os bacharéis em
química, já que os licenciados pelas Faculdades de Filosofia rece-
bem formação especial para se dedicarem ao ensino de nível médio.
Foi possível levantar os dados da maioria das Escolas
diretamente nas respectivas secretarias, o que permite quantificar
a oferta de mão de obra de nível superior em 1964.
Bacharéis formados em 1964:
Obs.: 1) não foi possível levantar os dados das duas faculdades de
Filosofia do Rio Grande do Sul.
2) S.Paulo: Faculdade de Filosofia da USP estimada com base
na evolução da turma do ano anterior.
Engenheiros Químicos Formados em 1964:
Obs.: R.G. do Sul - Não computados os formados pela Escola de
Engenharia Industrial do Rio Grande do Sul.
Químicos Industriais Formados em 1964
Obs.: Não incluídos os dados referentes à Escola de Química de
Sergipe.
CAPÍTULO VIII
CONCLUSÕES
As análises procedidas nos capítulos anteriores per-
mitem, do ponto de vista do programador educacional, importantes
conclusões, por isto que respondem às perguntas propostas nos obje_
tivos gerais da presente pesquisa. *
0 alcance de tais conclusões, no entanto, varia na
medida mesma do caráter dos dados manipulados. Em primeiro lugar,
&á conclusões baseadas na amostra antes interpretada e que induzem,
dado o contrôle estatístico, a generalizaqães precisas sôbre o uni
verso observado. Por outro lado, os números referentes a oferta
de profissionais escolarizados, fornecidos pelas secretarias de fa
culdades e pelo Serviço de Estatística da Educação e Cultura, são
de menor alcance, mas justificam, sem dúvida, correlação prelimi -
nar com a demanda revelada pela amostra, no intento de fornecer um
primeiro desenho das perspectivas próximas do mercado, do ponto de
vista da participação da formação escolar. Finalmente, os estudos
sôbre características gerais da indústria química e sen desenvolvi
mento por setores indicam tendências da base econômica do mercado
e implicam variações prováveis da estrutura de emprêgo nas diver -
sas alternativas abertas ao crescimento material do país; eventu-
almente (anexo'l) estes estudos puderam prever quantitativos técni
cos necessários para projetos industriais em andamento; neste caso
são arrolados os números a que se pôde chegar, mas nao e possível
somá-los aos efetivos indicados pela amostra, pela diversidade de
fontes de informação.
Tratam-se, na realidade, de três níveis de generali-
zações conclusivas a partir de tipos de dados diversos, quais se -
jam: 13) os revelados pela amostra, garantidos em sua estimação pe
los procedimentos estatísticos utilizados e sôbre os quais sao per
mitidas generalizações ao universo industrial empregador, nos esta
dos em que foram realizadas as entrevistas; 28) os decorrentes de
informação secundária de repartições de estatística, sôbre os for-
mados em grau superior e médio, e que são de menor alcance, por is
so mesmo que nao aferidos pelos instrumentos metodológicos emprega
dos na mensuração da oferta; 39)-os indicados pelos estudos de ca-
ráter econômico, globais ou setoriais, e que postulam, tão somente
em termos de variações de oportunidade, sob que determinações.mais
gerais se dará o processo de absorção de mão-de-obra.
As conclusões ora expostas, por isso mesmo, obedecem a
uma exposição que respeita estes três niveis:
Conclusões da amostra
Ia.) Distribuição de empregos por regiões geo-economicas:
A concentração de profissionais nas áreas de maior desenvolvi^
mento e, nelas, nos ramos mais dinâmicos, tem como contrapartida ,
nas regiões que denotam melhor expansão, uma localização nos ramos
mais tradicionais. Em vista disso, tende a se acentuar a defasa -
gem, na absorção de profissionais, entre a região Centro-Sul e as
outras, principalmente, o Nordeste, naquela crescendo em termos ex-
pressivamente mais acentuados a demanda. Observou-se, por outro
lado, porcentuais irrisórios de técnicos químicos no Nordeste,onde
a dimensão media do conjunto industrial faria maior apelo, em ter-
mos de racionalidade, a esta categoria profissional.
2a.) Polos de difusão e recepção:
É expressiva a migração interna de profissionais e são Paulo
é o grande centro receptor. Ê para aí também que aflue a quase to
taliriade dos profissionais vindos do exterior. A dispersão de en-
genheiros químicos tem como centro principal o Paiená, seguido da
Guanabara. E é a Escola Nacional de Química, na Guanabara, que
mais difunde químicos industriais, principalmente para Sãò Panlo.
Quanto aos técnicos químicos, o grande número de escolas existen -
tes no último estado transforma-o em centro pripcipal de difusão ,
tanto mais importante quanto estados como Minas Gerais e Rio Gran-
de do Sul, ain^a não possuem uma so turma de diplomados de nível
médio em química.
3a.) Termos mínimos da oferta de emprêgo do ponto de vista do orde-
namento jurídico da profissão:
A existência de percentuais de emprêsas que - obrigadas, em
princípio, a empregarem químicos - não o fazem, inclusive nos Esta
dos onde é rnais eficiente a fiscalização, Sao Paulo e Guanabara,in_
dica mais uma faixa de emprêgo a ser acrescida às reveladas por ou
tros índices. Nao obstante, cumpre acentuar que uma parcela dês -
tes percentuais pode ser explicada pela dispensa de tal obrigação
a algumas emprêsas de processos tecnológicos rudimentares, concedi_
da pelos Conselhos Regionais de Química.
4a.) Expansão, redução ou estabilização do mercado de trabalho:
Relativa estabilidade do volume de oferta de emprêgo é revela
da pelo percentual de 68,^% de emprêsas que declararam não ter al-
terado o seu quadro profissional químico nos últimos cinco anos. 0
nível de variação, porém, denotando a ampliação da estrutura de em
prego, é dado pelos 26,6% que fizeram aumentar seu quadro, contra
apenas 4% que o reduziram. A região Centro-Sul é a sede da amplia
ção relativa da oferta de emprêgo.
5a.) Funções industriais e nível de especialização requerido:
Diante do quadro das funções que correspondem às atribuições
específicas de cada categoria foi possível aferir o grau de racio-
nalização, revelando-se a inserção efetiva do profissional no pla-
no da emprêsa química, com as distorções acaso existentes. A prin-
cipal destas distorções consiste em que reduzido percentual de en-
genheiros químicos exerce a função de projeto, a maioria dedicando^
-se às de produção e controle, mais consentânea^ com as atribuições
dos químicos industriais. 0 fenômeno revelaria uma carência rela-
tiva de químicos industriais, cujo aprendizado é mais adequado à
rotina da vida industrial, além de mais rápido - o que sugere uma
redefinição dos cursos, visando a eliminar o desequilíbrio, de im-.
pacto necessariamente negativo na ordenação do mercado de trabalho.
6a.) Relação ocupacional en+re os diversos níveis e tipos de forma-
ção:
A proporção de técnicos de nível médio para profissionais de
nível superior é de 1,1:1, indicando, para o autal estágio de desen
volvimento, sensível carência relativa do primeiro tipo de profis -
sionais. Em se supondo que o tipo ideal de relação é de 3:1, para
o caso do Brasil, a proporção encontrada indica ora o aproveitamen-
to de profissionais universitários em ocupações de alcance, ora o
recurso compensatório dos profissionais não escolarizados para es -
tas ocupações. Neste último caso, a relação se modifica para 2,3:1,
se acrescentarmos aos técnicos químicos os práticos, registrados ou
não. Por outro lado, a pequena participação dos profissionais li -
cenciados (práticos registrados) nas áreas industrializadas do Cen-
tro-Sul e sua marginalização para a emprêsa tradicional de áreas pe_
riféricas permite definir em termos rigorosamente tendenciais a ex-
tinção da categoria. Já a presença de grande número de práticos
não registrados - um terço dos profissionais exercendo funções in -
dustriais - é índice preciso da carência de profissionais habilita-
dos pelas vias da escolarização. As razões de sua distribuição es
pacial demandariam uma abordagem mais ptofunda do fenômeno.
7a.) Ponto de vista dos responsáveis pelas emprêsas sôbre a habili-
tação dos profissionais.
A existencia.de frustação das expectativas dos responsáveis pe_
Ias emprêsas sôbre a habilitação dos profissionais químicos decorre,
em grande parte, de ênfase distorcida na necessidade de uma "hiper-
-especialização". A existência de críticas desta ordem pode condu -
zir à estimação da necessidade de técnicos de qualificação muito
elevada para ocupações não correspondentes - é o que parece revelar
a preferência por profissionais de nível superior no Nordeste. No
Centro-Sul as valorações parecem ter conteúdo crítico de mais pro -
fundidade, pois apontam primordialmente para a falta de prática dos
profissionais escolarizados em atividade.
8a.) Previsão empresarial sôbre novos empregos:
A transformação do dado da amostra em universo revelou que,do
ponto de vista dos responsáveis pelas indústrias, eram necessários,
à época da aplicação do questionário, mais 1.072 químicos de nível
superior e 648 de nível médio. Daqueles, 596 deveriam ser químicos
industriais, 307 engenheiros químicos e 169 de outras categorias.
Observa-se, assim, sensível carência de profissionais de maior qua-
lificação, localizada principalmente na região Centro-Sul, apesar
de ser a melhor assistida pelo sistema educacional. Os estados pe-
riféricos do grande complexo econômico paulista - Minas Gerais, Rio
de Janeiro, Rio Grande do Sul - apresentam altas taxas de demanda ,
inflacionadas pelo grande poder de absorção de São Paulo. Igualmen
te.estes estados demandam por significativos números de técnicos
químicos.
Conclusões do levantamento sôbre a oferta de profissionais
Ia.) Técnicos de nível médio:
Não existe realmente um sistema nacional de formação de técni-
cos químicos, sendo apenas 3 os estados que já formaram turmas do
respectivo curso: São Paulo (765 formados em 1964), Paraná e Guaná
bara (ambos com 26 formados no mesmo ano). Em outros estados (Ml -
nas Gerais e Bahia), só a partir de 1965 haverá a primeira turma de
diplomados. Durante multo tempo,porém, a formação de técnicos quí-
micos permanecerá altamente concentrada em São Paulo, onde o número
de escolas de 1960 para 1964 cresceu de 5 para 20.
2a.) Técnicos de nível superior.
Os dados colhidos (não incluídas duas escolas) permitem estima-
mar o número de engenheiros químicos formados em 1964 em 142; o de
químicos industriais em 40. Paraná, São Paulo e Guanabara formam
o Maior contingente de engenheiros, enquanto a Guanabara fornece
mais da metade dos químicos industriais.
Correlação entre a demanda de profissionais, do ponto de vista em-
presário, e a oferta de escolarizados.
la.) Técnicos de nível médio:
A comparação entre os formados em 1964 - em número de 861 -
e a estimativa de empregos, 648, indica um excesso de oferta de
113 profissionais. No entanto, a concentração de escolas em São
Paulo mostra como tal excesso restringe-se a este estado, não sen-
do de crer que os mecanismos de difusão possam funcionar a conten-
to para uma redistribuição compensatória aos outros estados.Nestes
é mais provável que o preenchimento de tais cargos seja realizado
pela utilização de práticos registrados ou pela formação, no tra -
balho, de práticos não registrados.
2a.) Técnicos de nível superior:
Enquanto foram indicados 307 novos emprêgos para engenheiros
químicos, a diplomação, em 1964, foi de apenas cêrca de 142 profis-
sionais: uma carência de cêrca de 105 engenheiros desta especiali-
zação. Carência rnais expressiva, porém, é a de químicos industri-
ais: 596 empregos, para uma oferta adicional de cêrca de 40 forma
dos, ou seja, 556 cargos não supridos.
Conclusões dos estudos sôbre as características da indústria quími-
ca, particularmente no Brasil, e as perspectivas setoriais de expan-
são.
la.) Embora se note para a economia em seu conjunto uma relativa de
saceleração dos ritmos de crescimento nos últimos anos, a indústria
química tem características singulares que asseguram a própria ex -
pansão. Tem mantido ritmo de desenvolvimento expressivo, inclusive
nos últimos anos, aumentando sua importância relativa no sistema pro
dutivo. Apresenta excelentes índices de dinamismo do ponto de vis-
ta do mercado, visto serem elevados, em quantidade e valor, os volu-
mes de importações a substituir, estando, além disso, previstos vá
rios estímulos governamentais para a ativação do setor a curto pra
zo.
2a.) A indústria química, em sentido estrito, deverá, em conjunto,
acusar taxas de crescimento elevadas nos próximos anos, particular
mente no ramo petroquímico, onde poderá ultrapassar os 20% anuais
cumulativos,
3a.) A barrilha e a soda cáustica, por seu turno, desde que elimi-
nados certos estrangulamentos, poderão crescer a 15% anuais.
4a.) 0 ramo de plastificantes itálicos, igualmente importante do
ponto de vista da substituição de importações, deverá expandir-se,
provavelmente, a 15% anuais no período 65/70.
5a.) Os fertilizantes nitrogenados e fosfatados terão produção a-
crescida de 10% anuais cumulativos.
6a.) A produção de cimento, vidro, tintas e vernizes acusará taxas
de crescimento expressiva a partir da execução do Plano Nacional de
Habitação.
7a.) A análise de 31 projetos de unidades industriais de base, to-
das em pleno funcionamento ate 1970, revelou a seguinte demanda
previsível de profissionais: .23 engenheiros químicos, 102 quími-
cos industriais e 402 técnicos químicos.
ANEXO 1: PROFISSIONAIS PARA OS NOVOS PROJETOS JÁ DIMENSIONADOS
NA INDÚSTRIA QUÍMICA
Ao se elaborar a presente tabela, procurou-se identifi -
car e relacionar, dentro de cada setor empregador de profissionais
químicos, os principais projetos em execução e os já dimensionados
e cuja conclusão das obras encontra-se prevista para o período
1965/70.
Tais projetos, conforme se pode percebera encontram-se
devidamente referidos e interpretados em diferentes capítulos do
presente relatório, principalmente no relativo à análise da evolu-
ção recente e perspectivas dos setores que empregam profissionais
químicos.
Relativamente ao setor petróleo e petroquímica, bem as-
sim ao de fertilizantes, a quase totalidade dos projetos aparece
incorporada ao PLANO DE AÇÃO ECONÔMICA DO GOVÊRNO, enquanto que os
demais encontram-se já em execução.
Para proceder às estimativas de necessidade de profissio-
nais químicos, de diversas categorias, a fim de operar as unidades
anotadas na tabela em apreço e caracterizadas anteriormente, foram
adotados os seguintes procedimentos:
a) - exame da estrutura de emprêgo para as diferentes ca_
tegorias, em emprêsas já instaladas e de recente construção;
b) - consulta a diversos profissionais ligados à indús -
tria e à atividade do projetamento;
c) - consulta a profissionais ligados a algumas das em -
presas relacionadas;
d) - identificação do número de técnicos, das categorias
que se analisa, anotado em projetos recentemente elaborados para
novas unidades industriais no campo da indústria química.
A associação desses critérios permitiu chegar à tabela
em referência, emprestando-lhe suficiente validade.
NOVOS PROJETOS JÁ DIMENSIONADOS NA INDÚSTRIA QUÍMICA E OS EFETIVOS PROFISSIONAIS QUÍMICOS
PREVISTOS
ANEXO 2: LEVANTAMENTO DE CARGOS NO SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL E
EM LABORATÓRIOS E REPARTIÇÕES DOS ESTADOS DE SÃO PAULO E GUANA-
BARA
Q presente levantamento de cargos públicos foi reali-
zado nas Diretorias de Pessoal dos Ministérios e, nos casos de
departamentos ou laboratórios mais impostantes do ponto de. vista
do número de empregos para profissionais químicos, complementado
pela consulta direta aos responsáveis pelo serviço. Refere-se o
levantamento aos cargos existentes para profissionais químicos no
serviço público federal, sendo apenas acrescentadas duas tabelas
(tabelas 2 e 3) relativas a repartições e laboratórios mais impor
tantes, do ponto de vista empregatício, da Guanabara e de São Pau
lo.
A tendência, no serviço público federal, é a de haver
maior número de cargos para profissionais de nível superior. E
se o Departamento Administrativo do Serviço Público (DASP) tende
a preferir preencher as vagas existentes com técnicos de nível mé-
dio, há uma sensível preferência pelos de nível superior entre os
responsáveis por repartições e laboratórios que lidem com proces-
sos químicos. A tabela 1 indica o número de profissionais de ní_
vel superior (398), de nível médio (apenas 24) e licenciados (2).
À quarta coluna de vagas já existentes no quadro autal dos servi-
ços, e que demandam preenchimento, opõem-se a quinta (efetivo su-
plementar necessário ao serviço): esta é resultado da diferença
entre vagas legalmente possíveis e as necessidades que são indica-
das pelos chefes dos serviços. Trata-se, portanto, no primeiro
caso, da demanda mínima possível e, no segundo, da demanda poten-
ciai a ser efetivada a partir de mudanças legislativas no quadro
de pessoal* De qualquer forma o "déficit" de profissionais deve
ser medido pelo estado objetivo do quadro de pessoal (49 novas va-
gas) e não pelos juízos de necessidade dos chefes de serviço.Quan_
to a estas vagas, não foi possível apontar os quantitativos dife-
renciados para nível médio e para nível superior.
TABELA I
LEVANTAMENTO DE CARGOS E VAGAS DE QUÍMICO NO SERVIÇO
PÚBLICO FEDERAL
Obs.: l) Os quantitativos atribuídos aos Ministérios grifados
correspondem ao total de seu quadro atual, que pode
ser igual ou maior que a soma das Repartições direta
mente abordadas.
2) Não foi possível precisar o número de vagas.
3) Números colhidos junto aos laboratórios e repartições
diretamente- visitadas.
4) Soma dos quantitativos globais referentes a cada Mi -
nistério.
TABELA 2
PROFISSIONAIS EM LABORATÓRIOS E REPARTIÇÕES
DO ESTAI*) DA GUANABARA
Ponte: Consulta às repartições
(l) As Repartições não indicaram quais os profissionais de
nível superior e os de nível médio.
TABELA 3
PROFISSIONAIS EM LABORATÓRIOS DO SERVIÇO
PÚBLICO NO ESTADO DE SÃO PAULO
Fonte: Consulta aos Institutos
ANEXO 3: EFETIVOS PROFISSIONAIS NA PETROBRÁS
Apesar das várias tentativas, não foi possível aplicar
os questionários na Petróleo Brasileiro S.A, - Petrobrás. Em par
te, isto deve ser atribuído, sem dúvida, à grande dimensão da em -
presa, com número expressivo de unidades espalhadas por todo o ter_
ritório nacional, não sendo fácil, portanto, o preenchimento de
grande número de perguntas do questionário.
Abordando, tão só, os aspectos quantitativos mais im -
portantes do questionário - número atual de profissionais e defici-
ências acaso existentes, bem como previsão de aumento de técnicos
para a expansão da emprêsa foi possível apontar o efetivo de pro -
fissionais de nível superior por unidade e, quanto à expansão, as
necessidades de químicos para alguns dos projetos fundamentais da
emprêsa detalhadas em outra parte deste trabalho (Anexo I).
Por outro lado, e mantendo a emprêsa cursos para espe-
cialização de profissionais de nível superior, foi possível apon-
tar quantos assim já foram formados nos últimos anos, sabendo-se
que a partir de 1965 tal curso será orientado pelo Instituto de
Química da Universidade do Brasil.
No que tange aos profissionais de nível médio, a emprê-
sa não forneceu o número dos que emprega, sabendo-se que admite
qualquer estudante que tenha completado o nível médio (secundário
ou equivalente) para o seu curso de "Operador de Processo".
Tabela 1; Engenheiros de processamento, profissionais químicos,e
operários nas refinarias da Petrobrás.
Obs.: (1) Formados pela própria Petrobrás
(Cabeia 2: Engenheiros de processamento, profissionais químicos
e operários em outras unidades de produção da Petro-
brás.
(1) Não fornecido
(2) Totais mais elevados porque fornecidos globalmente e so
em alguns casos discriminados, em sub-totais, por unida-
des produtoras
Tabela 3: Curso de Engenheiros de Processamento da Petrobrás:
Vagas e Formados desde 1956 a 1964.
ANEXO 4: RECENSEAMENTO NOS CONSELHOS REGIONAIS PE QUÍMICA
Registrando, emprêsas e profissionais químicos,os Con-
selhos Regionais de Química forneceram dados importantes para a
devida apreciação do mercado de trabalho, a começar pela listagem
de emprêsas a partir da qual foi possível determinar a amostra e-
xaminada na presente pesquisa. Devido, porém, a problemas de or_
ganização dos documentos de registro, e a diferenças do aparato
administrativo de Conselho a Conselho, os dados colhidos neste re_
censeamento hão podem ser tidos senão como preliminares a uma
abordagem em profundidade do mercado de trabalho.
Apesar dos esforços padronizadores e reguladores do
Conselho Federal de Química e da dedicação de dirigentes e funcio
nários dos diversos Conselhos Regionais, longe está a organização
destas repartições de permitir uma cobertura perfeita dos proble-
mas profissionais químicos. Dirigentes e funcionários reconhecem
as deficiências existentes e procuram propor novas fórmulas de
fiscalização. É o caso da proposta feita no Congresso dos Conse-
lhos Federal e Regionais de Química (2º CONCEFEFQ) no sentido de
ser necessária certidão negativa quanto à fiscalização, pelo Con-
selho Regional, sempre que uma emprêsa do ramo químico requeresse
financiamento de órgão público.
Os pesquisadores que levantaram, em todos os Conselhos
Regionais, os dados de recenseamento que se segue puderam obser -
var as dificuldades enfrentadas por estas repartições e inclusive
disparidade de critérios adotados por cada um deles.
A organização dos Conselhos padece, desde logo, de uma
deficiência de base, qual seja a sua divisão regional. Apenas cin-
co Conselhos cobrem todo o país, cada um deles com vastas exten -
soes de jurisdição. Acresce que para a divisão regional não se
levou em consideração nenhum critério fisiográfico ou de localiza
ção industrial. Enquanto a primeira e a quinta regiões abrangem,
. respectivamente, Nordeste e Norte e o Extremo Sul do País, as ou-
tras três giram em torno de grandes estados (Minas Gerais;, a se -
gunda; Guanabara, a terceira; São Paulo, a quarta), ficando os ou
tros estados componentes na condição de periferia necessariamente
menos fiscalizada que os estados-centro. Para o levantamento que
realizamos isto implica e acrescente-se a disparidade de critérios
de registro a impossibilidade de distribuir os dados de forma a
relacionar emprêsas e profissionais à dinâmica própria de cada uma
das regiões geo-econômicas.
Para o presente recenseamento tomamos como pontos de re-
ferências básicas os seguintes:
1) Número de profissionais registrados.
2) Número de químicos trabalhando ou não.
3) Número de cargos ocupados.
4) Número de cargos acumulados.
5) Precedência dos químicos registrados.
Com estes dados, se acaso completos e padronizados, se-
ria possível um dimensionamento perfeito da oferta de trabalho, do
excedente desviado para outras ocupações, do mercado de trabalho e
do modo pelo qual é suprido eficiente ou deficientemente pela mão
de obra e, finalmente, das variações de absorção da mão de obra pe
los diversos segmentos econômicos do mercado, por via da migração
compensatória de técnicos. Nem completos nem padronizados, os da-
dos colhidos permitem apenas a formulação de certas regularidades
tendenciais que a análise e a interpretação das emprêsas relaciona
das pela amostra poderão confirmar ou infirmar. Tal a utilidade a
que se reduziram os dados dos Conselhos Regionais.
É já a partir de simples registro de profissionais que
as diversidades de critério começam a existir. 0 CRQ da I Região
anota, em geral, os químicos responsáveis, só registrando os ou -
tros quando as emprêsas declarem ter mais de um químico - o que é
raramente feito. Caso semelhante ocorre na II Região, bem como na
V. Nem sempre o Conselho registra o estado em que trabalha e re-
side o químico: é o que ocorre nas II, III e IV regiões, sendo
que nesta última, por isto que só cobre praticamente o estado de
São Paulo, foi possível computar este estado isoladamente. (Sempre
que necessário utilizamos procedimentos estatísticos para os fins
de isolar dados de estados importantes: foi o que aconteceu no ca-
so da Guanabara). Por outro lado, ora foi possível coletar o núme
ro de profissionais por ramo de atividade, ora apenas em termos ge-
rais.
Quanto ao número de químicos trabalhando, as disparida-
des decorrem da organização de registro de profissionais adotado.
Os Conselhos organizam cadastros das emprêsas, mas, nos mesmos ea-
sos já citados, só anotam o profissional registrado como respons£
/el pelos processos industriais. Por outro lado, nem sempre ano-
tam na ficha do profissional os empregos que exerce: quando o fa
zem, como o CRQ da III Região, não podem evitar a desatualização
e o cadastro morto. Na I Região, por exemplo, a coordenação da
aplicação de questionários, "chegando" os dados iniciais recolhia
dos com os existentes no Conselho, pôde observar grandes diferen-
ças no que se refere ao número de químicos trabalhando e aos car-
gos existentes.
Sempre que a emprêsa declarasse os empregos de quími-
cos de que dispunha, e o profissional, os cargos que ocupasse,foi
possível arrolar o importante dado sôbre cargos existentes, vale
dizer, a dimensão real do mercado de trabalho. No caso em que o
Conselho anotasse apenas os profissionais responsáveis, esse di -
mensionamento foi impossibilitado, ou prejudicado, reduzindo-se a
cargos de responsabilidade; no caso da II Região nem isso foi pos_
sível obter. Logicamente, os cargos acumulados nem sempre foram
coletados; na lia. Região foi colhido por processo diverso, por
código anexado à ficha dos profissionais, permitindo apontar o nú
mero de cargos de responsabilidade exercido por profissional, na
região.
De imensa importância, sem dúvida, é o dado sôbre a
precedência dos profissionais. Foi possível coletá-lo na IV Re^
ão, que, por abranger o parque industrial paulista, exerce função
de centro de atração dos profissionais quer pelo número de empre-
gos existentes, quer pela remuneração mais elevada em certos ra-
mos de atividade, quer ainda pela carência de profissionais do ti
po "químico industrial" de que se ressente. Já na II Região,che-
gou-se à precisão de apontar a escola de proveniência do químico,
ressaltando-se, assim, a importância de certos estabelecimentos
de ensino na irradiação de mão de obra técnica de alto nível de
formação. Mas o dado não foi colhido nem na III nem na V Regi -
ões, naquela porque seria necessário compulsar grande número de
processos individuais (cêrca de 1.800, dispersos entre 3.000),ne^
ta porque o Conselho não o possuia.
As dificuldades de fiscalização junto às emprêsas são
notórias: desaparelhamento administrativo, carência de pessoal
para percorrer extensas faixas do território nacional, emprêsas
que se negam a cumprir as determinações do Conselho, preferindo ja
gar as multas, cujos quantitativos estão altamente desvalorizados
a legalizar sua situação. No CRQ da III Região mais de mil empr£
sas encontravam-se em pendência com o Conselho; no CRQ da IV Regi
ão cêrca de 3.000 processos de registro de emprêsa estão em anda-
mento e há grande número de litígios administrativos e judiciais.
Adotando o "relatório de visita", fórmula padronizada
de fiscalização prescrita na Resolução Normativa n8 9 do Conselho
Federal de Química, os Conselhos Regionais procuram intensificar
os seus trabalhos de fiscalização, tendo-se exemplos como o que
se segue:
É em função de todos estes problemas que os dados do
presente recenseamento são aqui arrolados em anexo. Foram coloca
dos lado a lado, por vezes, dados discrepantes e mesmo contradito
rios: cremos que não deixam de ser úteis para revelar tendências
e que, se aprofundando, este estudo sôbre as condições de funcio-
namento dos diversos Conselhos poderá vir a permitir uma reordena
ção dos sistemas de controle jurídico da profissão.
- Ia. REGIÃO -
(CRQ localizado em Recife)
Dos cinco itens propostos para o presente recenseamen
to, nem todos puderam ser preenchidos.
a) Quanto ao primeiro item, o Conselho fornece tão so
o número de profissionais registrados como responsáveis pelas em-
prêsas, e por Estado. Serão apenas estes os computados.
b) Por conseguinte, é impossível fornecer o número de
químicos - trabalhando ou não, porque se presume que a função de
responsável e de necessário exercício efetivo.
c) Quanto ao número de cargos ocupados sao obviamente
apenas os de responsabilidade. Na hipótese de maior número de qui
micos registrados que de cargos ocupados, a.conclusão so poderá ser
disparidade de dados do Conselho, pois não é possível cargos de res
ponsabilidade não exercidos.
*d) Número de cargos acumulados: so será possível ,
em alguns casos, fornecer o número de cargos de responsabilidade
acumulados.
e) Quanto à procedência, não será fornecida por ca-
tegoria profissional, mas apenas em números totais.
PROFISSIONAIS REGISTRADOS
Tabela 1-A
Observa-se que em 357 profissionais, 251 encontram
-se concentrados em Pernambuco, o que percentualmente nos dará cêr
ea de 72%. A proporção de licenciados (práticos) indica uma con -
centração de aproximadamente 11% sôbre o total de profissionais res
ponsáveis. A soma dàs colunas dos técnicos com formação escolar
superior - nos dá 276 profissionais, o que contrastado com o número
diminuto de técnicos químicos (apenas dez) nos mostra que existe sé
rie defasagem na relação mão de obra.,altamente qualificada/mão de
obra semi-qualificada, o que, em princípio, pode ser produto da ea,
rência de escolas de nível médíoy^(Rá duas escolas de nível médio
de química na região em apreço, segundo a lista dos "Estabelecimen_
tos de Ensino Interestadual da DIÜ do MEC, 1964: uma no Maranhão,
uma no Ceará; ambas mantidas pelo MEC), e que se agrava em virtude
da dimensão média da emprêsa norte-nordestina (menor que das áreas
mais desenvolvidas do País e que as de tipo médio das sociedades in
dústrializadas), e da decorrente menor complexidade dos processos
químicos adotados nos ramos fundamentais da indústria local (indús-
tria canavieira e de produtos alimentícios).
CARGOS OCUPADOS
Técnicos de nível superior
Tabela 1-B
Observa-se uma primeira incongruência na comparação
entre os dados da tabela B com os da anterior. Enquanto que temos
na primeira 170 químicos industriais, aparecem nesta apenas 128
cargos ocupados. Sendo todos cargos de responsabilidade, é impos-
sível que seu número não corresponda, ou não seja maior, que o nú-
mero de profissionais. 0 fato pode ser devido a uma desatualiza—
ção de cadastros que nao acompanharam a extinção, ou aparecimento,
de emprêsas, a migração de técnicos, o abandono da profissão por
parte de alguns, ou outra qualquer causa.
Maior número de cargos, cêrca de 43? concentra-se no
ramo de atividade de açúcar e álcool, seguindo-se-lhe o de produ -
tos alimentícios.
Maior número de cargos por Estado concentra-se em Per-
nambuco - cêrca de 82, ou seja, 64% dos cargos oferecidos a este
tipo de técnicos na região.
0 número de cargos oferecidos pelas emprêsas de produ-
tos químicos na região é de apenas 6. índice da baixa importância
da indústria química propriamente dita, o qual por sinal nao varia
grandemente, mesmo em se lhe acrescentando os cargos das emprêsas
de derivados de carvão, petróleo e óleos - apenas mais seis.
Tabela 1-C
Ê interessante notar o número de cargos ocupados pelos
profissionais de denominação químico - 33 * na região em apreço.Es_
ta categoria está extinta no ensino superior e tais profissionais
têm atribuições idênticas às dos químicos, pela Tabela A, de 50,
observa-se incongruência semelhante à tabela anterior.
Igualmente o número de cargos ocupados por estes pro—
fissionais se concentra em Pernambuco. Mantém-se a mesma concen -
tração da tabela anterior, alterando-se apenas a ordem, que é in -
versa.
Tabela 1-D
Dos dez cargos recenseados para a região, dois deles
são encontrados em produtos alimentícios e mais dois em sabão e
correlatos; ora sabemos que a função específica do engenheiro quí_
mico é de projeto, verificando-se, ao que parece, uma distorção no
trabalho destes profissionais, ainda maior se tivermos em vista a
dimensão média das emprêsas nordestinas, que não dispõem de cargos
para a realização desta função, pelo menos como norma geral.
Observe-se novamente uma discrepância entre cargos o-
cupados, desta tabela e de profissionais responsáveis da tabela A.
Nesta, o número de profissionais é de 31, na presente o número de
cargos é de 10. Metade dos cargos encontram-se ocupados em Pernam
buco.
Tabela 1-E
Mais uma vez aparece a discrepância das outras tabe -
Ias, pois o número de cargos desta modalidade é de apenas 8 - para
15 profissionais registrados (A).
A concentração dá-se também em Pernambuco: cinco car
gos, num total de 8.
Tabela I-F
A formação destes profissionais lhes permite exercer
tanto as funções de produção e contrôle como as de projeto e perí-
cia legal. Acontece que, como frisamos acima, é de supor-se que a
dimensão das emprêsas não lhes permite o exercício efetivo das fun
çoes específicas de engenheiros•
A discrepância manifesta-se mais uma vez, porém com
menor intensidade: 26 cargos pfera um total de 2? profissionais (t_a
bela A).
Metade dos cargos distribuem-se pela indústria de Per_
nambuco, verificando-re uma concentração em açúcar e álcool.
DeB dos cargos ocupados distribuem-se pelos ramos
s
de
atividade de cerâmica, produtos alimentícios, e sabão, cera e ..cor-
relatos, onde é de se esperar que a ocupação de engenheiros nao
tenha razão de ser.
Tabela I-G
. •
Os presentes profissionais destinam-se principalmente
à pesquisa, e ao ensino médio. Só a amostra poderá revelar se é a
esta função que os cargos da presente tabela se referem. Desde Io
go, e sabendo-se que são cargos de responsabilidade, não poderiam
ser diversos do de chefes de laboratório de pesquisa, o que é es -
tranho nos ramos de produtos alimentícios (3 cargos) e de sabão,
cera e correlatos (2 cargos).
Técnicos de nível médio.
Tabela 1-H
É importante notar um so cargo de responsabilidade
ocupado por técnicos químicos no ramo de açúcar e álcool. Note-se
que a dimensão 3etorial das indústrias em alguns casos permite a
contratação de profissionais de nível superior com maior facilida
de. Cumpre relevar, ainda, que apesar da maior parte da indús -
tria localizar-se em Pernambuco, os dois eatados em que existem
cursos médios de química são o Maranhão e Ceará.
A discrepância com a Tabela A permanece: naquela,
10 profissionais; nesta, 8 cargos ocupados.
Os cargos se distribuem de forma idêntica entre
Pernambuco e Ceará. Maior concentração em cerâmica.
Licenciados.
Tabela 1-1
Peia primeira vez nao se dá a discrepância até
aqui constante e habitual. - 71 cargos ocupados para 42 práticos
licenciados, o que nos dá 29 cargos acumulados.
Ao contrário do que ocorre com os profissionais de
nível superior, muito poucos são os cargos ocupados por licencia-
dos no ramo de açúcar e álcool.
É específica a modalidade de concentração dos car-
gos ocupados por licenciados: um ramo industrial eminentemente
urbano - produtos alimentícios - com 23 cargos; e dois outros de
baixo prestígio social: um dependente diretamente da produção
agro-canavieira - bebidas (11 cargos), outro vinculado a uma for-
ma artesanal de produção - sabão, cera e correlatos (10 cargos)*
Hipótese de interêsse, a ser comprovada pela amos-
tra é a de que, nestes ramos periféricos ou para-artesanais, o li
cenciado responsável é também proprietário da emprêsa, tendo ad -
quirido aoprática no exercício de sucessivas e progressivamente
mais complexas funções de mestre artesão em seu ramo industrial.
Tabela I-J
São discrepantes os dados da presente tabela com os da
tabela A, - se bem que coincidam os totais.
0 fenômeno da migração de técnicos não é de grande sig
nificação: é praticamente insignificante a migração de outros es^
tados para os que compõem a I. Região; e apenas do Estado de Per -
nambuco emigra número mais notório de técnicos para outras da mes-
ma região: 27 para a Paraíba, 13 para Alagoas, 18 para outros es_
tados, e isto num total de 278 técnicos alí formados.
TABELA I_A
CRQ DA REGIAO
PR0FISSI0NAIS RESPONSÁVEIS, SEGUNDO A CATEGORIA PROFISSIONAL E O ESTADO DE REGISTRO
TABELA I B
CRQ DA I REGIÃO
CARGOS OCUPADOS PELOS QUÍMICOS INDUSTRIAIS POR RAMO DE ATIVIDADE E SEGUNDO
O ESTADO
TABELA I - C
CRQ DA I REGIÃO
CARGOS OCUPADOS PELOS PROFISSIONAIS SEGUNDO O RAMO DE
ATIVIDADE E O ESTADO
TABELA I -D
CARGOS OCUPADOS PELOS ENGENHEIROS QUÍMICOS SEGUNDO O RAMO DE
ATIVIDADE E ESTADO
CRQ DA I REGIÃO
TABELA I - E
CARGOS OCUPADOS PELOS ENGENHEIROS INDUSTRIAIS MODALIDADE QUÍMICA,
SEGUNDO O RAMO DE ATIVIDADE E O ESTADO
TABELA I - F
CARGOS .OCUPADOS PELOS QUÍMICOS INDUSTRIAIS,ENGENHEIROS QUÍMICOS SE-
GUNDO O RAMO DE ATIVIDADE E O ESTADO
TABELA I - :
CARGOS OCUPADOS PELOS BACHARÉIS EM QUÍMICA, SEGUNDO O RAMO DE ATIVI-
DADE E O ESTADO
TABELA I-H
CRQ DA I REGIÃO
CARGOS OCUPADOS PELOS TÉCNICOS QUÍMICOS SEGUNDO O RAMO DE
ATIVIDADE E O ESTADO
TABELA I-I
CARGOS OCUPADOS PELOS LICENCIADOS SEGUNDO O RAMO DE ATIVIDADE
E O ESTADO
TABELA
I - J
CRQ DA I REGIAO
PROCEDÊNCIA DOS PROFISSIONAIS SEGUNDO OS ESTADOS EM QUE
TRABALHAM
11a. REGIÃO
(CRQ localizado em Belo Horizonte)
De acorde com os cinco itens propostos, será a seguin-
te a organização do recenseamento desta região:
a) Número de profissionais registrados: Eventualmente,
estão registrados outros profissionais que não os responsáveis, o
que ocorre quando a firma toma a iniciativa de citá-los.
b) 0 número de profissionais trabalhando não será apon-
tado, nem também serão discriminados os profissionais que não tra-
balham;
c) Não será igualmente possível fornecer o número de
cargos ocupados. Em princípio, os de responsabilidade correspon -
dem ao número de emprêsas.
d) Quanto aos cargos de responsabilidade, acumulados ,
foi possível coletar nas fichas de profissionais casos em que cer-
to número deles ocupava um, dois, três e mesmo quatro em diferen -
tes firmas.
e) No que refere à precedência, foram colhidos os esta
dos de que procederam os químicos, mas não o estado da presente re
gião para que se dirigiram.
Em nenhum dos casos os dados do censo desta região,pu-
deram ser levantados por Estado, e sim, globalmente, dada a organi
zação do cadastro do II Conselho Regional de Química.
PROFISSIONAIS REGISTRADOS
Tabela 11-A
0 interêsse do CRQ da 11a. Região concentra-se, por
norma interna de serviço, em registrar aquêles profissionais que
ocupam o cargo de responsável pelos respectivos departamentos quí-
micos da emprêsa. Eventualmente e por iniciativa da emprêsa ou do
profissional e que os outros químicos são registrados.
Não foi possível colher, por outro lado, a distribui
ção dêntes profissionais registrados pelos três estados sob juris-
dição do CRQ sediado em Belo Horizonte. É de supor-se, no entanto,
e numa primeira aproximação, que grande número deles se encontram
em Minas Gerais, Com efeito, das emprêsas registradas, 98,1% são
deste Estado, enquanto apenas 1,4% e 0,5% estão localizadas res -
peetivamente na Bahia e em Goiás. Em princípio, porém, não deve
ser estabelecida a mesma proporção para a distribuição de profis-
sionais: é que grande numero das emprêsas de Minas Gerais são de
tipo para-artesanal e familiar, enquanto na Bahia se encontram
grandes agregados industriais da Petrobrás, tanto de extração e
lavra (Recôncavo) quanto de refino e outros processos de transfor
mação (Mataripe).
Observe-se que, dos técnicos de nível superior,pre-
dominam os engenheiros químicos, só a amostra podendo determinar
em que medida exercendo funções que lhes são específicas. 0 núme
ro de químicos industriais, por outro lado, revela grande migra -
ção para esta região, onde não há escola que gradue esta categoria
profissional.
Cêrca de 32% dos profissionais registrados consti-
tui-se de licenciados, contra 11% da região anterior, o que nos
dá uma taxa bastante insuficiente de escolarização dos profissio-
nais químicos.
0 CRQ da lia. Região registra como profissional quí-
mico um agrônomo e veterinário, o que sertamente, é consagrar uma
flagrante inadequação profissional. A propósito funcionários dês
te Conselho lembram que, em alguns casos (indústria de leite em
pó, vinhos) outras repartições (Ministério da Agricultura) impõem
a presença de engenheiros agrônomos em funções que deveriam ser
ocupadas por químicos.
Tabela JI-B.
No que se refere à distribuição de profissionais
pelos níveis universitários e médio ou por práticos, observa - se
que quanto aos técnicos químicos a proporção é inversa àquela ge-
ralmente tida como ideal entre estes e os engenheiros ou químicos
industriais, o que ocorre em quase todas as regiões. A lacuna po
de ser preenchida pelos licenciados, que, em princípio, poderão
estar ocupando postos de nível médio nas emprêsas em que seja ma-
ior a especialização de trabalho.
CARGOS ACUMULADOS
Tabelas II-C e II-D
É impossível na presente região separar o problema
de cargos acumulados dos de responsabilidade. É que só estes são
apontados como sendo, em muitos casos, ocupados cumulativamente
pelo mesmo profissional. Quanto aos outros profissionais não há
informações a respeito.
Dos 346 profissionais registrados, 129 ocupam car-
gos de responsabilidade, inclusive 9 bacharéis.
Como se vê há um número expressivo de profissionais
(16) ocupando até 3 cargos de responsabilidade e dois casos de
acumulo de 4 cargos de responsabilidade.
Pelos totais de cargos de responsabilidade ocupa -
dos, que aparecem na presente tabela pode-se apurar, atribuindo a
cada profissional o exercício de apenas um cargo, que outros 69
são acumulados - ao nível de químico responsável apenas nesta re-
gião.
PROCEDÊNCIA DOS PROFISSIONAIS
Técnicos de nível superior
Tabela II-E
A apuração da procedência não permitiu determinar
o estado em que, concretamente, dentro dos pertencentes à IIa.Re-
gião trabalha o químico. Devemos nos reportar, no entanto,à dis-
tribuição geográfica das emprêsas, já citada, sempre tendo em men
te que ela não expressa distribuição idêntica de técnicos,mas uma
tendência a maior concentração em Minas Gerais.
Como se depreende da presente tabela, 107 dos pro-
fissionais de nível superior registrados no CRQ da IIa. Região são
formados em estados de sua jurisdição, a maioria (93) em Minas Ge_
rais. Vale dizer que 74 destes profissionais provém de outros es-
tados - cêrca de 40% dos mesmos. A maioria da Guanabara, a que
se seguem Paraná, Pernambuco e Sergipe. Assim, é de grande impor-
tância o afluxo de profissionais de outros estados para o preen -
chimento das funções industriais, inferindo-se daí ser insuficien-
te, em elevada percentagem, a oferta de mão de obra técnica local.
Tabela II-F
Foi possível, por outro lado, ilustrar a tabela an
terior com esta, que indica não apenas o estado, mas igualmente o
estabelecimento em que se formou o químico, nela se observando a
importância que tem para a indústria da IIa. Região a Escola Na -
cional de Química, situada na Guanabara, que fornece, ela só, 39%
dos técnicos que para aqui emigram, Isto se deve, provavelmente,
ao fato de que nesta região não funciona nenhuma escola formando
químicos industriais. A Escola Nacional de Química é assim de vi
tal importância para esta região; fornece o terceiro contingente
de técnicos de nível superior, logo após às Escolas de Engenharia
(57) e de Filosofia (32) da Universidade de Minas Gerais; esta úl-
tima preparando técnicos (bacharéis e licenciados) cujas atribui-
ções não se coadunam com as funções industriais de maior importân-
cia.
Técnicos de nível médio
Tabela II-G
Dos técnicos químicos registrados no Conselho da IIa
Região nenhum provém de escola de qualquer dos estados da própria
região, o que é dado comprovador, a princípio, de gravíssima lacu-
na do ensino de nível médio local.
A importância de São Paulo no fornecimento de técni-
cos de nível médio à indústria da IIa. Região se deve a que neste
estado tomou grande incremento nos últimos anos o ensino técnico
químico.
Tabela II-H
Foi possível, igualmente, ilustrar a tabela anterior
com esta dos estabelecimentos de formação dos profissionais. Note
-se que o maior contingente,por escola, provém da Escola Técnica
Rezende Rammel, da Guanabara. 0 estabelecimento padrão do ensino
deste nível, a Escola Técnica de Química, fornece apenas 2 profis-
sionais, visto que o alto nível de formação de seus diplomados os
TABELA II A
CRQ DA IV REGIAO:
PROFISSIONAIS REGISTRADOS, SEGUNDO A CATEGORIA
PROFISSIONAL
TABELA II B
CRQ DA II REGIÃO:
PROFISSIONAIS REGISTRADOS, SEGUNDO O NÍVEL DE
FORMAÇÃO
TABELA II-C
CRQ DA II REGIÃO
QUÍMICOS RESPONSÁVEIS, SEGUNDO A CATEGORIA
E O NUMERO DE CARGOS ACUMULADOS (+)
+ quanto aos profissionais não responsáveis, não existem dados
sôbre se trabalham em mais de uma emprêsa.
CRQ DA II REGIÃO
TABELA II-D
CARGOS DE RESPONSABILIDADE
OCUPADOS PELOS PROFISSIONAIS,SEGUNDO
O NÍVEL DE FORMAÇÃO
TABELA II-E
PROFISSIONAIS DE NÍVEL SUPERIOR SEGUNDO O ESTADO EM QUE
ESTUDARAM
TABELA II-F
CRQ DA II REGIÃO
PROFISSIONAIS DE NÍVEL SUPERIOR SEGUNDO O CURSO FEITO E O ESTADO
CRQ DA II REGIÃO
TABELA II-G
TÉCNICOS QUÍMICOS SEGUNDO O ESTADO DE
PROCEDÊNCIA
TABELA II-H
TÉCNICOS QUÍMICOS
SEGUNDO OS CURSOS PEITOS E O ESTADO
conduz a empregos de mais elevada remuneração na própria Guanabara
e em São Paulo.
IIIa. REGIÃO
(CRQ localizado na Guanabara)
A IIIa. Região é uma das que foi estabelecida a
partir de um centro industrial importante, a Guanabara, distribuiin-
do-se os outros estados - Rio de Janeiro e Espírito Santo pela pro_
ximidade geográfica, perifericamente situados, marginalmente fisca_
lizados. Foi possível colher grande número de dados no CRQ da III
Região. Pela importância industrial da Guanabara foi tentado sem-
pre, o isolamento dos dados deste estado, ora diretamente, ora es-
tatisticamente. Apenas-um dos itens não pode ser respondido: o re_
ferente à procedência dos profissionais, É de supor-se, no entan-
to, e deixar-se-á à mostra comprová-lo que dado o número de esco -
las da região, pode-se aventar que a emigração de profissionais de
nível superior é de pouca significação, podendo haver, no entanto,
certo afluxo dos de nível médio.
Tabela III-A
PROFISSIONAIS REGISTRADOS
•>
Sem dúvida a maior parte dos profissionais de nível
superior registrados num total de 993*'*- provem da Escola racional
de Química. As rubricas "químico industrial" e "químico industrial
e engenheiro químico" indicam diplomados por esta escola num total
de significação - 630.
A percentagem de licenciados é de 15%,número que in_
dica uma taxa mais elevada que de outras regiões, com exceção da
IV.
A proporção entre profissionais de nível superior e
de nível médio é de 1 para 2.
Tabela III-B
Na Guanabara se concentram cêrca de 66% dos profis-
sionais da região, em cálculo estatístico.
No que se refere à proporção entre profissionais de
nível superior e médio ela é de 1 para 3, bastante diferenciado da
região como um todo - 1 para 2.
A percentagem de licenciados, no entanto, sobe para
13*.
QUÍMICOS TRABALHANDO
Tabela III-C
É bastante significativo a percentagem dos profis -
sionais que não trabalham na IIIa. Região. Tudo indica que, dado
o grande número de profissionais formados na Guanabara e que imi-
gram para São Paulo e Minas Gerais, ocorre que, quando da diploma
ção, eles acorrem ao CRQ para imediato registro. Emigrando, não
comunicam sua transferência de trabalho e residência ao Conselho,
permanecendo seu registro no cadastro. O fato de que o maior con_
tingente de profissionais não trabalhando seja o de químicos in -
dustriais, categoria das mais requeridas pela indústria paulista
e que para São Paulo acorre em grande número, comprova, em princí-
pio, esta hipótese,
Tabela III-3)
Foi possível isolar, estatisticamente, o número de
profissionais que trabalham no Estado da Guanabara. Observa-se
que a maior concentração se dá em Diversos (que inclue, entre ou
tras, algumas emprêsas do ramo químico). Derivados de Carvão e
Petróleo e Produtos Químicos em geral, obedecendo a distribuição
dos efetivos de nível superior a ordem idêntica.
Ordem semelhante obedece a distribuição dos técni -
cos químicos, com uma variação: há grande número dos mesmos nas
indústrias de Tintas e Vernizes.
Especificamente os bacharéis que, na indústria, ape-
nas podem desenvolver atividades de pesquisa, estão distribuidos
de forma a crer que ocupam postos adequados. Realmente as indús-
trias de Petróleo, Tintas e Produtos Químicos em Geral exigem pro
fissionais pesquizadores,
Quanto aos licenciados, como seria de esperar de um
parque industrial mais desenvolvido e funcionalmente integrado,en_
contram-se em indústrias de menor complexidade de produção: bebi-
das, perfumes, sabão.
Tabela III-E
CARGOS OCUPADOS
O número de cargos, colhido por ramo de ativida-
de e categoria profissional indica um total de 1.403 emprêgos na
região, sendo maior, quanto aos de nível superior, os de Químico
industrial - 407 para 1.403 do total geral. A distribuição de em
pregos obedece à ordem da tabela anterior, como é lógico.
Tabela III-F
65% dos cargos ocupados na região se concentram
na Guanabara, obedecendo a ordem idêntica a da distribuição, por
ramo de atividade, na região. Permanece a predominância de car -
gos ocupados por químicos industriais
CARGOS ACUMULADOS
As tabelas anteriores (EeP) nos permitem, se se
comparadas com as referentes a profissionais empregados (C e D) ,
estimar os cargos acumulados respectivamente na IIIa. Região e na
Guanabara.
Tabela III-G
"É de 338 o número de cargos acumulados na IIIa.
Região. São os de químico industrial aquêles onde há maior acumu-
lação, apesar da presente região formar grande número destes pro-
fissionais. A emigração de muitos deles para outras áreas, onde
ramos como a petro-química oferecem melhor remuneração, acaba por
criar, ao que tudo indica, um certo déficit na IIIa. Região.
Pelos dados presente, químicos industriais, en-
genheiros químicos e licenciados têm 1,4 empregos cada um, enquan_
to os técnicos químicos têm 1,2 empregos cada um.
Tabela III-H
41% dos cargos acumulados na região estimam-se
esteiam concentrados na Guanabara - um total de 199 cargos,Igual-
mente são os de químicos industriais aquêles que têm o maior índi
ce de acumulação.
As proporções emprêgo/profissional mantem-se id
dênticas às encontradas para a região.
TABELA III-A
CRQ DA III REGIÃO:
PROFISSIONAIS REGISTRADOS SEGUNDO A CATEGORIA PROFISSIONAL
TAEELA III-B
CRQ DA III REGIÃO
PROFISSIONAIS REGISTRADOS, SEGUNDO A CATEGORIA
PROFISSIONAL, NA GUANABARA +
+ estimativa
TABELA III-C
CRQ DA III REGIÃO
PROFISSIONAIS TRABALHANDO OU NÃO SEGUNDO
A CATEGORIA PROFISSIONAL
TABELA III-D
CRQ DA III REGIÃO
PROFISSIONAIS TRABALHANDO SEGUNDO A CATEGORIA PROFISSIONAL E OS
RAMOS DE ATIVIDADE, NA GUANABARA .
TABELA
III - E
CRQ DA IV REGIÃO
CARGOS OCUPADOS SEGUNDO A CATEGORIA PROFISSIONAL E OS RAMOS
ATIVIDADE
DE
TABELA III- F
CRQ DA III REGIÃO
CARGOS OCUPADOS SECUNDO A CATEGORY PROFISSIONAL E O RAMO DE ATI-
VIDADE, NA GUANABARA
TABELA III-G
CRQ DA III REGIÃO
CARGOS ACUMULADOS SEGUNDO A CATEGORIA PROFISSIONAL
TABELA III - H
CRQ DA III REGIÃO
CARGOS ACUMULADOS SEGUNDO A CATEGORIA PROFISSIONAL E OS RAMOS
DE ATIVIDADES, NA GUANABARA
IVa. REGIÃO
(CRQ localizado em São Paulo)
Os dados colhidos no Conselho da IVa. Região permitem, em
princípio, preencher o nosso esquema-padrão. Se bem que a presen
te região abranje os estados de São Paulo, Mato Grosso e o terri-
tório de Rondônia, as tabelas referem-se tao somente a São Paulo:
Mato Grosso tem apenas duas emprêsas registradas e não há nenhuma
em Rondônia.
A coleta foi prejudicada pelo fato de que há cêrca de 3.000
processos de registro correndo no CRQ da IVa. Região, sendo que a
metade constiui-se em litígios administrativos ou judiciais.
a) 0 Conselho anota os químicos registrados, sejam eles res
ponsáveis ou não pelas industrias em que trabalham.
b) Quanto ao número de químicos trabalhando, verificamos
que existem químicos em firmas não registradas, entre as quais,cer
tamente, alumas das que, em litígio com o Conselho. Foi também
possível verificar o número de químicos que não trabalham.
c) 0 número de cargos foi igualmente colhido, tanto nas fir
mas registradas quanto nas não registradas, 0 de cargos acumula -
dos, em vista dos dados colhidos, não nos parece refletir a reali-
dade industrial paulista e deve ter tido assim como os outros refe
rentes a cargos como extremamente precário.
d) Quanto à procedência, apesar de certa disparidade dos da
dos arrolados foi possível colhê-la em quadro de bastante aignifi-
caçao.
PROFISSIONAIS REGISTRADOS
Tabela IV-A
Atinge um total de 2.563 o número de profissionais
registrados na presente ree-ião, dos quais 51% são técnicos quími-
cos. A relação entre profissionais de nível superior e de nível
médio, é, portanto, menos distorcida do que em outras regiões.Ja
o número de licenciados atinge a cêrca de 10%, o que dá, para a re
gião, uma taxa de escolarização mais elevada do que nas outras re
giões.
Observe-se, ainda, que o número de engenheiros
químicos é bem mais elevado que o de químicos industriais. A ê,s
tes se ligam, porque desempenham, na prática, as mesmas funções,
os bacharéis em química com atribuições tecnológicas, cujo núme-
ro é significativo em São Paulo.
QUÍMICOS TRABALHANDO
Tabela 1V-B
Ascende a 2.043 o número de químicos que traba-
lham nas firmas registradas no CRQ, predominando os ramos Diver -
sos (que inclue algumas indústrias químicas, entre outras), Produ
tos químicos em Geral, derivados de carvão e petróleo. Observe -
se a proporção idêntica se dá na distribuição dos profissionais
químicos industriais e engenheiros químicos o que indica que, na
indústria paulista, o emprêgo do profissional tende a ser mais a-
dequado a suas funções que nas outras regiões. Outra nao poderia
ser a realidade dada a dimensão e complexidade a que já chegou o
parque industrial paulista.
Tabela TV-C
A presente tabela acrescenta-se aos 2.043 profis
sionais anteriores, mais 303 trabalhando em firmas nao registra -
das no Conselho: está claro que, sem empregar químicos,
Q
stas em
presas trabalham com processos que os exigem, e deveriam portanto
estar registradas. 0 fato de que não o estejam, dá o nível de pr_o
blemas que deve enfrentar o Conselho para cumprir sua missão fis-
calizadora.
São assim, em número de 2.346, os profissionais
trabalhando na região.
0 total do número de químicos que não trabalham,
seja qual fôr o motivo (inclusive transferência de profissional pa_
ra outra região, sem que o Conselho tenha dado a necessária baixa
em seus papeis) indica um número de 217 profissionais nao trabalhan
do, em sua maioria engenheiros. (Tabela IV-D).
CARGOS OCUPADOS
Tabela IV-E
0 número de cargos foi colhido quer no cadastro
do Conselho, quer nos processos em andamento, litigiosos ou não.
Esta duplicidade de fontes torna os presentes dados bastante pre-
cários. Persiste, porém, a mesma incidência da distribuição de
profissionais, com a predominância dos ramos Diversos, Produtos
químicos em Geral e Derivados de carvão e petróleo.
Tabela IV-F
Aos 2.063 cargos anteriores somam-se mais 306 das
firmas não registradas acusando assim 2.369 cargos na IVa. Região.
CARGOS ACUMULADOS
Subtraindo-se o total de cargos - 2.369 - do total
de profissionais - 2.346 - encontra-se um número de 23 cargos a—
cumulados. A precaridade dos dados sôbre cargos existentes faz
com que este resultado não pareça, à primeira vista, espelhar a
realidade de uma indústria que carece de mão de obra técnica de
todos os níveis, principalmente o superior.
Não obstante, cumpre acrescentar que, em primeiro
lugar, a complexidade da indústria paulista - uma média ou grande
não permite realmente técnicos senão em tempo integral, pratica -
mente impedidos de acumulação. Por outro lado, qujnto a pequena
indústria, onde, em outras regiões aparecem grande número de téc-
nicos acumulando cargos de responsabilidade, o Conselho é bastante
flexível, dispensando muitas delas da obrigação de contratarem pro
fissionais químicos.
PROPEBEnONAlBOS PROFISSIONAIS
Tabela IV-G
A disparidade entre o total desta tabela - 2.990 -
e a de profissionais registrados - 2.563 * uma diferença de 427 ,
torna os presentes dados relativamente precários. Sem embargo,cer
tos dados correspondem, tendencialmente a fenômeno de importância
observados pelos pesquisadores e citados pelo presidente do CRQ -
IAa.: os relativos à absorção pela indústria paulista de profis-
sionais de outros estados.
Note-se, por exemplo, que dos 207 químicos indus -
triais, apenas uma quarta parte provém de São Paulo, enquanto o
restante vem das escolas oe outros estados. Assim, 70 químicos
industriais provém da Guanabara: eis a responsabilidade da Escola
Nacional de Química. Centro dinâmico de formação dos referidos téc-
nicos, importantes para esta região tanto quanto, como já vimos ,
para a IIa. Região. A deficiência de químicos industriais é em
parte compensada pela formação de "bacharéis em química com atri -
buiçoes tecnológicas" - 72 registrados, mas tal compensação não
basta, ao que tudo indica, para suprir as necessidades do mercado.
A situação já não é tão grave no que se refere aos
engenheiros químicos, se bem que 26 provenham da Guanabara e 58 do
Paraná. 0 fato de que este último estado não mais forme químicos
industriais deve resultar em maior pressão sôbre o ensino da Guana-
bara - Escola Nacional de Química.
Parece ser suficiente o número de técnicos químicos
já formados em São Paulo, a julgar pelo pequeno contingente de emi-
grantes. Este Ramo de ensino obteve altas taxas de desenvolvimen-
to nos últimos anos, apesar de não existir estabelecimento oficial
local: a iniciativa privada tem procurado responder às exigências
do mercado.
TABELA IV- A
CRQ DA IV REGIÃO
PROFISSIONAIS REGISTRADOS SEGUNDO A CATEGORIA PROFISSIONAL E O
NÍVEL DE FORMAÇÃO
CRQ DA IV REGIÃO
PROFISSIONAIS TRABALHANDO NAS FIRMAS REGISTRADAS, SEGUNDO A CATEGORIA PROFISSIONAL E O RAMO DE ATIVIDADE
CRQ DA IV REGIÃO
PROFISSIONAIS TRABALHANDO NAS FIRMAS REGISTRADAS, SEGUNDO A CATEGORIA PROFISSIONAL E O RAMO DE ATIVIDADE
CRQ DA IV- REGIÃO
TABELA IV - C
PROFISSIONAIS TRABALHANDO SEGUNDO A CATEGORIA PROFISSIONAL, NAS
FIRMAS REGISTRADAS E NÃO REGISTRADAS
TABELA IV - D
PROFISSIONAIS QUE NÃO TRABALHAM SEGUNDO A CATEGORIA PROFISSIONAL
TABELA IV-E
CRQ DA IV REGIÃO
CARGOS OCUPADOS PELOS PROFISSIONAIS NAS FIRMAS REGISTRADAS, SEGUNDO A CATEGORIA PROFISSIONAL E
OS RAMOS DE ATIVIDADE
TABELA IV - F
CRQ DA IV REGIÃO
CARGOS SEGUNDO A CATEGORIA PROFISSIONAL NAS FIRMAS REGISTRADAS
E NÃO REGISTRADAS
Va. REGIÃO
(CRQ Realizado em Porto Alegre)
São bastante precários os dados colhidos no Conselho
da Va. Região, permitindo apenas uma superficial análise da situa
ção dos estados sulinos.
a) 0 Conselho so obriga ao registro profissionais res-
ponsáveis. Os outros podem ou não registrar-se. Como muitos não
o fazem, funcionários do próprio Conselho calculam que o número
de profissionais químicos de que dispõe a região atinge o dobro
dos registrados nesta repartição.
b) No que se refere a profissionais trabalhando so é
igualmente obrigatória a declaração por parte do químico responsa
vel: os outros podem ou não registrar-se, esteja ou não a emprê-
sa empregadora registrada. Desta forma, o cálculo dos profissio-
nais que, por qualquer motivo não trabalham, é impossibilitado pe
la heterogeneidade dos dados a comparar.
c) O número de cargos ocupados não pode ser colhido.
Poderia presumir-se que é igual ao de profissionais responsáveis,
mas nada impede que estes o sejam por mais de uma emprêsa.
d) Pelos mesmos motivos não é possível levantar os
cargos acumulados.
e) Finalmente, o Conselho não indica a procedência
dos químicos registrados. Seus funcionários acreditam que são pou
cos os que provém de outras regiões. Ao contrário apontam que
muitos se dirigem para centros industriais mais adiantados, prin-
cipalmente São Paulo, Guanabara e Bahia, onde encontram maior nú-
mero de colocações e melhores remunerações.
PROFISSIONAIS REGISTRADOS
Tabela V-A
Na presente região foi possível indicar o estado em
que trabalham o profissional. Cêrca de 65% dos mesmos se concen-
tra no Rio Grande do Sul, onde é maior o desenvolvimento industri-
al, apesar dos recentes e importantes progressos do Paraná.
Destes profissionais, 387 são de nível superior
e apenas 45 de nivel médio. A distorção já observada nas anterio-
res regiões, executando-se São Paulo, persiste também aqui. A
percentagem de licenciados sôbre o total de profissionais é de 41%
taxa elevadíssima de não escolarização.
Observe-se que, sem regra geral, o maior número
de profissionais se concentra no Rio Grande do Sul, já o de técni_
cos de nível médio estão, em maior número, no Paraná (28). Isto
se deve a que não existem, nem no Rio Grande do Sul, nem em Santa
Catarina escolas de nível médio, enquanto o Paraná deve absorver
um certo número de técnicos médios de São Paulo, alí já existindo
um curso técnico de química.
Entre os técnicos de nível superior predominam
os químicos industriais. A tendência, a longo prazo, é de redu -
zir-se a proporção 'relativa destes profissionais, porque não o
está mais fornecendo o Instituto de Química da Universidade do
Rio Grande do Sul.
PROFISSIONAIS TRABALHANDO
Tabela Y-B
A presente tabela, discriminando os químicos tra
balhando por ramo de atividade não deve ser tomada senão como a-
proximado e falho indicador de tendências. Por isso que o presen-
te CRQ registra, obrigatoriamente, profissionais responsáveis, po-
dendo ou não registrar os outros - anotando, às vezes, outras,não,
as emprêsas em que trabalham são discrepantes os resultados desta
tabela em comparação com a anterior* 0 número de químicos indus-
triais aparece maior que na tabelaAA, enquanto de engenheiros quí-
micos menor. 0 de bacharéis é exatamente menor que na tabela
anterior: 0 que pode ser indício de que o bacharel registra - se
mas não indica emprêsa em que trabalha, em geral porque suas a -
tribuições o conduzem ao ensino e a pesquisa em estabelecimentos
não industriais.
Observe-se a predominância dos ramos de bebi -
das e curtumes, onde a regra é que exista apenas um só químico res
ponsável. Nestes ramos se concentra grande número de engenheiros
químicos, evidentemente desnecessários, em geral, ao tipo de tra-
balho executado.
Tabela V-C
Na presente tabela são arrolados profissionais que
se registraram, apesar de suas firmas não o estarem. São 65 pro
fissionais, a maioria no Rio Grande do Sul, para 63 firmas. Se
tais emprêsas empregam químicos é que existem, nas mesmas, proces_
sos que os exigem* Não se compreende, a não ser como extrema di-
ficuldade de fiscalização efetiva, que estas firmas não sejam por
tanto obrigadas ao necessário registro legal, ainda mais quando
38 das mesmas se encontram no Rio Grande, mais próximas portanto,
da sede do CRQ,
TABELA V. A
CRQ DA V REGlÃO
PROFISSIONAIS REGISTRADOS SEGUNDO A CATEGORIA PROFISSIONAL,
POR ESTADO.
TABELA V-B
CRQ DA V REGIÃO
PROFISSIONAIS TRABALHANDO SEGUNDO O RAMO DE ATIVIDADE E A CATEGO
RIA PROFISSIONAL
TABELA V-C
CRQ DA V REGIÃO
PROFISSIONAIS REGISTRADOS E TRABALHANDO EM FIRMAS NÃO REGISTRADAS, SEGUNDO O RAMO DE
ATIVIDADE, A CATEGORIA PROFISSIONAL
E O ESTADO
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