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valorizar as brincadeiras e as linguagens específicas como parte do
desenvolvimento da criança, ao produzir uma literatura dedicada aos pequenos.
118
Monteiro Lobato, foi pioneiro nesse sentido. No final do século XIX, a
literatura brasileira destinada à infância era totalmente dependente da européia.
As histórias e as fábulas eram traduzidas, como as de La Fontaine. Lobato lançou
em 1920, A menina do nariz arrebitado, e manifestava sua preocupação com as
leituras do pequeno público. Elaborou um modo diferente de levar a fantasia às
crianças, mudando decisivamente o pensamento literário da época.
119
O Garoto está afinado com esse movimento das letras infantis
120
e busca
aliar a diversão com a educação, que é antes voltada para a construção de uma
nacionalidade, pautada no civismo. Sua circulação aconteceu por um ano – de
abril de 1920 a abril de 1921
121
– era todo pensado para os pequenos leitores,
público diverso do de A Revista. Além disso, poderia ser vendido separadamente,
avulso, pelo preço de 100$ réis
122
.
Essa não é a primeira iniciativa de A Revista em relação aos pequenos.
Havia uma seção chamada Página Infantil, que, por vezes, era também publicada
com o título Alegria dos Lares ou Galeria Infantil, que acompanhou os números
de A Revista durante todo o seu período de circulação. Recorrente, com poucas
exceções, estava sempre recheada de fotografias de crianças, ao ser uma espécie
de coluna social infantil. Filhos de industriais, de políticos, de pessoas
118
Cf. Mary Del Priore. História das crianças no Brasil. São Paulo: Contexto, 1999. e Marcos
Cezar de Freitas. História social da infância no Brasil. São Paulo Cortez Editora, 2006.
119
Cf. Lígia Cadermatori. Literatura infantil brasileira em formação. In: Regina Zilberman (org.)
Literatura infantil: autoritarismo e emancipação. São Paulo: Ática, 1982. e, Ana Maria
Filipouski. Monteiro Lobato e a literatura infantil brasileira contemporânea. In: Regina Zilberman
(org.). Atualidade de Monteiro Lobato: uma revisão crítica. Porto Alegre: Mercado Aberto,
1983.
120
Neste início do século XX, outros periódicos, cariocas e fluminenses, também estavam sendo
publicados e pensados a partir do público infantil, vejamos alguns exemplos encontrados no
acervo da Biblioteca Nacional: Almanak da Revista Infantil (1924), no Rio de Janeiro; Beija-flor:
revista infantil ilustrada (1915), em Petrópolis; O Infantil (1912-1916), mensário que se tornou
quinzenal e circulava na cidade do Rio de Janeiro; Chantecler: semanário para grandes e
pequenos (1910); Revista Infantil (1921 e depois 1933); O Tici-tico: mensário infantil (1905-
1962); além dos homônimos O Garoto: semanário humorístico e brincalhão (1921) e O Garoto
(1915-1918), esses últimos também publicados na capital Rio de Janeiro.
121
Os motivos de seu fim não são declarados na revista. Uma hipótese é que ele não tenha
efetivamente acabado e - já que a partir de março de 1921 O Garoto passa a ser vendido
separadamente - que seus números subseqüentes tenham se perdido, pois não encontram-se nos
acervos da Biblioteca Nacional. Nas edições de Janeiro e Fevereiro de 1922, O Garoto aparece,
mas sem seu aspecto pedagógico, apenas como uma página ilustrativa, a exemplo da Pagina
Infantil com fotos de crianças fantasiadas por causa do carnaval.
122
A Revista em seus primeiros anos custava 400$ réis o exemplar, apesar de não sabermos a sua
circulação. A partir de 1921 cada número custava 500$ réis e a assinatura semestral 15$000 e a
anual 25$000 réis. Ver Aos Nossos Leitores, A Revista. Ano III, nº 24, 1921. p. 18.
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