
e) inexistência de capital de giro — Recebendo a obra já impressa e pronta para a
venda,.o livreiro tem condições imediatas de comercialização, pelo que, para sua
atividade, não necessita sequer de capital de giro, indispensável ao editor, como vi-
mos exaustivamente;
f) trabalha com capital alheio — O distribuidor, tanto quanto o livreiro, vende à vista
o que adquire a prazo, o que, em qualquer hipótese, é excelente negócio. Assim, ar-
memos uma hipótese: o distribuidor Joaquim, de Xique-Xique, recebeu, da Editora
ABC, 100 livros, ao preço de capa de Cr$ 20,00 e mediante o desconto de capa de
50% com direito a faturamento a 120 dias. Em seguida procede a vários faturamen-
tos com as livrarias de sua área com as quais, digamos, distribui 60% de sua conta;
nesse trabalho de distribuição levou 10 dias; nessa data aceita o faturamento do edi-
tor a 120 dias e fatura contra a livraria a 60/90 dias com o desconto de 30%. Resul-
tado, ganha no preço, absorvendo uma diferença de desconto de 20% e ganha no
prazo do faturamento 60/90 dias, durante os quais movimentará o dinheiro do edi-
tor. Os restantes 40 livros — na hipótese o distribuidor só colocou 60% de sua quota
— são devolvidos ao editor. O livreiro, por seu turno, que adquiriu o livro para paga-
mento no prazo de 60/90 dias, vende-o à vista. Os exemplares invendidos podem, na
maioria dos casos, ser restituídos ao distribuidor e transformados em crédito do li-
vreiro. O distribuidor, como vimos, tem sempre direito de devolução ao editor. Daí,
o usual, em todo pafs, ser, pelos livreiros, as aquisições mínimas de livros para lhes
possibilitar a menor margem de risco, como se verá. No eixo Rio-São Paulo, onde
estão 90% das editoras, o comum é a livraria ficar com um só exemplar e pedir sua
reposição mediante venda do primeiro; isto é, o lucro com a venda do primeiro fi-
nanciando a aquisição do segundo.
Diante do sarcófago da comercialização em que se converteram as livrarias, os editores
procuraram, sem se deter em análise mais profunda, outras alternativas. A primeira
delas foi a edição de veículos de comercialização fora das livrarias, fascículos entre ou-
tros, postos á venda em bancas; em seguida, a introdução do próprio livro nas bancas.
Sem embargo dos esforços isolados, infelizmente ainda irrelevantes, não estão preocu-
pados, quer distribuidores, quer livreiros, em inovar, em pesquisar métodos novos, em
adotar, enfim, uma política de vendas agressiva. Poucos se utilizam do crediário, pou-
quíssimos acreditam no reembolso postal, a maioria desconhece a colaboração da im-
prensa, limitando-se a distribuir alguns exemplares com os titulares da crítica literá-
ria, de público discutível, não se dando ao trabalho, sequer, de encaminhar suas publi-
cações acompanhadas de um press release.
Algumas Saídas
Apesar das reações preconceituais de grande número de editores, o reembolso postal
é um dos mais importantes instrumentos de que dispõem não apenas para aumentar
suas vendas, mas igualmente para desbravar áreas virgens, nas quais não existe o distri-
buidor ou o livreiro. A idéia da venda de livros nas farmácias e nas bancas de jornais
não atingiu o escopo de abrir novas frentes e alcançar os rincões mais distantes do
hinterland, pois não resolveu o problema fundamental das relações entre editor/vende-
dor. Que segurança teria o editor de que a "Farmácia Esperança", de Goiás Velho, ou
a "Drogaria Aurora", de Piripiri, no Piauí, pagariam suas faturas? As bancas já estão
pequenas para vender o crescente número de publicações editadas diariamente. Ao
problema de ordem física, somam-se outros, desde a necessidade de rápida rotação de