
Assim também aconteceu com a biblioteconomia. A histórica, simples-
mente preservativa; a heroica, de divulgação e informação difíceis e trabalhosas;
a moderna, de integração entre a ciência social e a tecnologia da automação.
Nessa evolução, transformou-se a figura do bibliotecário em relação às suas
atribuições, à sua conformação intelectual, à aplicabilidade dos seus serviços.
Dentro dessa figura, formaram-se vários tipos ligados a funções específicas, bi-
bliografia ou administração mas todos inseridos no processo de comunicação so-
cial.
Na Universidade, o bibliotecário deve representar um ponto de convergência
entre os grupos de estudo de cada área. Nas funções-fim é um elo indispensável
entre o professor, o pesquisador e o prestador de serviços, espécie de trindade
que pode caracterizar um homem só. Na Universidade, em especial, como em ou-
tras instituições, o bibliotecário é um organizador do conhecimento.
A que se obriga a Universidade para a formação do bibliotecário? Respon-
damos a indagação dizendo algo sobre o "quem", o "que", o "como" e o "quando".
A massa do "quem" é constituida pelos que ingressam no curso de bibliote-
conomia assentados no direito que lhes proporcionou a habilitação em um vesti-
bular. Nada mais se exige, o que conduz os interessados à avaliação das suas
possibilidades de ingresso no terceiro grau, em função da relação candidatos/va-
gas, vagas determinadas, muitas vezes, "à outrance". Ainda, em verdade, um cur-
so que caminha à margem do bacharelismo tradicional - falo da minha Universida-
de onde lutei, com destemor, na reforma de 1970, pela igualdade, dentro da admi-
nistração, aos cursos chamados "grandes" - a biblioteconomia não desperta, inte-
gralmente, a realização vocacional, o que é atestado na vida acadêmica pela eva-
são e pelos pedidos de transferência para outros cursos e, na vida profissional,
pela busca e ocupação de cargos e funções não ligados à biblioteconomia ela
mesma.
O papel da Universidade estaria em determinar uma nova politica de vagas,
motivar os discentes pela apresentação dos aspectos positivos da biblioteconomia
para o desenvolvimento regional, inclusive o da própria Universidade e promover a
qualificação acadêmica do corpo docente com um processo permanente de edu-
cação, a par da pós-graduação "stricto sensu".
O "que" ensinar está contido nas prescrições do currículo mínimo e nas in-
serções, acréscimos e modificações dos currículos plenos. A elaboração dos cur-
rículos mínimos, em todas as áreas, é atribuição de órgão federal. Tenho observa-
do, não obstante e com certa perplexidade, que a alteração de currículos, sempre
requisitada, sempre reclamada, sempre reivindicada à guiza de bandeira de grupos
organizados, se faz, de maneira geral, para pior. Introduzem-se disposições difí-
ceis ou impossíveis de cumprir a contento por muitas escolas ou cursos. Frag-
menta-se o tempo disponível em uma multiplicidade de disciplinas provenientes
das matérias que constituem o mínimo, acrescidas de outras que o regimento de