
a) introdução: é onde se propõe o enunciado do problema e se sugere o plano
de desenvolvimento. A introdução deve ser clara, precisa, breve e preparatória;
b) desenvolvimento: é onde são destacados e explicados os pontos de vista,
seus argumentos favoráveis ou desfavoráveis, demonstrandoos e fundamentando-os
com coerência, com o objetivo de esclarecer o problema lançado na introdução. O
desenvolvimento deve avaliar ordenadamente as opiniões lançadas, de uma forma
progressiva, partindo do rnais simples ao rnais complexo, do conhecido para o des-
conhecido;
c) conclusão: apresenta a idéia final resultante dos argumentos demonstrados
no desenvolvimento. É a resposta dada ao problema lançado na introdução e
justificada no desenvolvimento. A conclusão deve ser concisa e clara.
Após a explicação e discussão do conteúdo dessa informação, foi apresentado
aos alunos, como exemplo, o seguinte texto mimeografado:
"O Homem e a Mulher
A natureza humana é uma só. Apesar de a discussão ser tão antiga, o homem e
a mulher não se distinguem por sua substância, mas sim por seus atributos.
comecemos pelo homem. E nessa escolha já vai, implicitamente, um traço da
psicologia masculina. O homem possui um complexo de superioridade sobre a mu-
lher. Não estou dizendo que o homem seja superior à mulher, mas que se julga su-
perior. O homem age, geralmente, como se fosse superior à mulher. O título de rei
da criação, ele o toma ao pé da letra, deixando a rainha apenas ao pé do trono...
Esse complexo de superioridade explica, em parte, o egoísmo habitual dos ho-
mens. Esse egoísmo masculino se estende não só às mulheres, como a tudo mais. O
homem é naturalmente egocêntrico. O mundo ele o vê e sente em função do seu
próprio eu. Daí ser o homem muito rnais lamuriento que a mulher. Queixa-se de tu-
do, é muito rnais difícil de contentar-se e está sempre pronto a esquecer os outros
por si.
O homem possui um conceito imperialista da vida. Prefere mandar a obede-
cer. O sentido de sua vida é afirmativo e criador. Só se sente bem quando domina,
seja uma pobre criatura servil, seja um grande império universal. O homem é aparen-
temente rnais forte que a mulher, porque fisicamente assim o é, profissionalmente
parece sê-lo. Mas na realidade e na essência de sua natureza moral, é a mulher que
representa, de fato, o sexo forte, e com ela é que aprendemos, quase sempre, a... ser
homens. O que nos dá a ilusão do contrário, além do físico, é que as qualidades da
alma feminina são todas aparentemente frágeis e voltadas para dentro.
Ao passo que o homem se apresenta como dono da vida, com o seu espírito
de aventura, de conquista, de dominação, de egocentrismo, revela-se desde logo a
mulher pelo seu espírito de servidora da vida. Servir à vida é o destino orgánico da
mulher e o fundo de sua natureza moral. Ela serve à vida, transmitindo-a a outros
seres, na tarefa rnais sublime de sua natureza: serve à vida, como educadora nata da
infância, como conselheira do homem, como elemento insubstituível de reconci-
liação do homem com a existência. Se este é, em regra, um revoltado contra a vida,
- o que distingue desde logo a mulher é o espírito de aceitação.
A grande coragem da mulher se revela desde logo nesta subordinação ao seu
destino, que pode falhar neste ou naquele momento histórico, neste ou naquele fim