
interação social, para que, assim, pudés-
semos conhecê-lo. Buscamos, através da
leitura, encontrar respostas aos problemas
colocados, oferecendo um "processo de al-
fabetização consolidado numa dimensão
dialógica e discursiva" (Smolka, 1999).
Face às mudanças e transformações
pelas quais passa a sociedade, cabe à esco-
la superar seus rudimentos, repensar novas
metodologias que atendam as necessidades
atuais e preocupar-se com um novo con-
ceito de papel social: não apenas transmitir
conhecimentos, mas sim, instrumentalizar
o aluno para que ele aprenda a aprender.
Nela, não mais se encontra o aluno passivo
e receptor de informações prontas e
descontextualizadas de suas vivências. E o
aluno ativo, curioso, investigativo que por
ela passa todos os dias, sempre interessado
em descobrir o porquê das coisas, dos fe-
nómenos.
Não se justificando mais como centro
transmissor de informações, a escola assu-
me, como afirma Celso Antunes, o papel
central de estimuladora da inteligência.
Assumindo a formação de um sujeito
que, frente às novas exigências da socieda-
de saiba refletir, posicionar-se, agir e resol-
ver problemas, a escola também não pode
ignorar o que se passa no mundo, pois:
"Formar para as novas tecnologias
(TICs) é formar o julgamento, o
senso crítico (...), as faculdades
de observação e de pesquisa,
a imaginação, a capacidade de
memorizar e classificar, a leitura e
análise de textos e de imagens (...),
de estratégias de comunicação".
(Perrenoud, 2000, p. 128)
Durante o processo de desenvolvimen-
to do projeto, constatamos o que, teori-
camente, se afirma: a presença de alunos
participativos que buscam a todo momento
atribuir sentido aos fenómenos e que procu-
ram respostas à infinidade de questões que
elaboram em sua interação com a vida.
A medida em que se desenvolviam in-
telectualmente, aumentava a necessidade
de atividades mais desafiadoras que envol-
vessem atitudes mais dinâmicas e criativas;
atividades que possibilitassem ao aluno
agir sobre elas, interpretá-las e participar
da elaboração de seu conhecimento.
Passamos, ao longo do processo, a
priorizar uma prática pedagógica funda-
mentada em uma concepção de alfabetiza-
ção de dimensão discursiva, em que não se
ensina simplesmente a ler e a escrever, mas
sim, uma forma de linguagem e de intera-
ção. Importante aspecto que marcou nossa
reflexão foi a posição que assumimos diante
do ato de escrita: sua aquisição, outrora
entendida como uma técnica puramente
mecânica, passa a ser concebida como um
processo que envolve uma atividade inte-
lectual. E por isso que, conforme Smolka
(1999), não se trata, então, apenas de en-
sinar (no sentido de transmitir) a escrita,
mas de usar, fazer funcionar a escrita como
interação e interlocução na sala de aula.
Intitulado "Uma viagem pelo mar
através da leitura", o projeto, durante seis
meses, proporcionou aos alunos um "mer-
gulho" pelas palavras, pelos textos e pelos
mais diversos tipos de fotos e ilustrações.
Muito mais que possibilitar o acesso
do educando a informações acerca da vida
marinha, o projeto teve como objetivo mo-
tivá-lo à necessidade de leitura, subsídio