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Governo Federal
Ministro da Educação
Secretária de Educação Básica
Diretor do Departamento de Articulação e Desenvolvimento dos Sistemas de Ensino
Universidade de Brasília – UnB
Reitor
Timothy Martin Mulholland
Vice-Reitor
Edgar Nobuo Mamiya
Coordenação Pedagógica do Profuncionário
Bernardo Kipnis – FE/UnB
Dante Diniz Bessa – Cead/UnB
Francisco das Chagas Firmino do Nascimento – SEE-DF
João Antônio Cabral de Monlevade – FE/UnB
Maria Abádia da Silva – FE/UnB
Tânia Mara Piccinini Soares – MEC
Centro de Educação a Distância – Cead/UnB
Diretor – Sylvio Quezado de Magalhães
Coordenação Executiva – Ricardo de Sagebin
Coordenação Pedagógica – Tânia Schmitt
Unidade de Pedagogia
Gestão da Unidade Pedagógica – Ana Luísa Nepomuceno
Gestora Pedagógica – Juliana C. Jungmann
Gestão da Unidade Produção – Rossana M. F. Beraldo
Designer Educacional – Luciana Kury
Revisão – Cecília Fujita
Editoração – Raimunda Dias
Ilustração e capa – Tatiana Tibúrcio
Unidade de Apoio Acadêmico e Logístico
Gerente da Unidade – Lourdinéia Martins da Silva Cardoso
Gestora do Projeto – Diva Peres Gomes Portela
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Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)
Brasil. Ministério da Educação. Secretaria de Educação Básica.
Mo692 Módulo 11 : Alimentação saudável e sustentável. /
Eliane Said Dutra...[et al.]. – Brasília : Universi-
dade de Brasília, 2007.
92 p.
ISBN: 978-85-203-0987-8
1. Educação a distância. 2. Da desnutrição à
obesidade. 3. Segurança alimentar e nutricional.
I. Dutra, Eliane Said. II. Amorim, Nina Flávia de
Almeida. III. Franco, Marcella Cinquini. IV. Otero,
Ivan Antônio Moraes. V. Universidade de Brasília.
Centro de Educação a Distância.
CDD 362.58
Apresentação
Você já se perguntou qual é o conceito de alimentação
saudável? Existe um padrão alimentar que todas as pes-
soas deveriam seguir ou a alimentação deve variar de acordo
com o local que se habita? Ela deve ser saborosa ou apenas ga-
rantir a saúde? Para comer bem é necessário gastar muito dinhei-
ro? A cultura influencia a alimentação? Existe comida suficiente para
todo o planeta?
Neste módulo, abordaremos questões importantes relacionadas à alimen-
tação saudável e à sustentabilidade desta, ou seja, maneiras viáveis de as-
segurar sua qualidade e continuidade. Aqui você encontrará informações que
vão desde a composição dos alimentos até programas ou políticas associadas
à alimentação.
Buscaremos despertar em você, cursista, a consciência de que alimentação sau-
dável é um conceito muito amplo e que ela pode ser alcançada em qualquer am-
biente: em sua casa, na escola em que você trabalha, nas lanchonetes ou restau-
rantes que sua família freqüenta e até mesmo se você for a outro país.
Para conseguir maior profundidade, os assuntos foram subdivididos em diferentes
unidades. Cada unidade apresentará textos para reflexão, leis ou normas relacio-
nadas ao tema, outras possíveis fontes de pesquisa (internet, livros ou outros) e
atividades teóricas e/ou práticas para treinar e fixar os conhecimentos. Lembre-se
sempre de registrar os novos aprendizados em seu memorial e discuti-los com seu
tutor ou tutora.
Os conteúdos presentes neste módulo serão fundamentais para que você possa
exercer correta e efetivamente o seu papel de Educador(a) Alimentar, na tentativa
de melhorar as condições de alimentação e saúde dos estudantes e profissionais
ligados à rotina escolar.
Então, cursista, seja bem-vindo(a) ao Módulo 11 do Bloco de Formação Técnica
Específica em Alimentação Escolar.
OBJETIVO
Munir o cursista de conhecimentos relacionados ao tema alimentação saudável e
sustentável, sensibilizando-o para seu papel ativo no processo de educação e ali-
mentação de estudantes e profissionais ligados à rotina escolar. Espera-se, ainda,
auxiliar na construção de uma identidade de Educador Profissional, ou Educador
Alimentar, contribuindo para a formação de indivíduos que compreendam, problema-
tizem e atuem na construção de propostas para a melhoria das condições de saúde e
alimentação da comunidade escolar.
EMENTA
Alimentação saudável. Desmistificando a alimentação saudável. Custos da alimentação
saudável. Obesidade e desnutrição em crianças e adolescentes. Influência da mídia e
do ambiente escolar nos hábitos alimentares. Alimentos industrializados X alimentos
in natura. Aditivos químicos nos alimentos. Conquistas de uma alimentação saudável.
Segurança alimentar e nutricional. Experiências de sucesso. Gestão do PNAE.
Mensagem dos autores
Olá, caro(a) Educador(a) Alimentar, meu nome é Marcella
Cinquini Franco, nasci em Ituiutaba/MG em 15 de julho de
1983. Graduei-me em Nutrição pela Universidade de Bra-
sília em 2006. Durante a graduação participei do projeto
“A Escola Promovendo Hábitos Alimentares Saudáveis”, da
Universidade de Brasília. Nesse projeto pude vivenciar as
dificuldades de formação de bons hábitos alimentares em
crianças. Porém, é muito gratificante quando o trabalho é
bem planejado e todos da comunidade escolar se empe-
nham para executá-lo. Também em 2006 recebi a graça da
maternidade; junto dessa alegria vieram as preocupações
com o futuro de minha filha, sua saúde e educação. Escre-
ver este módulo sobre Alimentação Saudável e Sustentá-
vel foi muito prazeroso e de certa forma me deixa mais
tranqüila, pois me permite transmitir a você, Educador Ali-
mentar, alguns conhecimentos que poderão auxiliar na for-
mação de hábitos alimentares saudáveis nos alunos da sua
escola. Além disso, tenho a certeza de que este programa
vai prosperar e vai auxiliar a sua formação de bons hábitos
alimentares nos meus filhos quando estes estiverem na es-
cola.
Espero que você aproveite cada informação passada por
este módulo e assim possa ser um multiplicador da promo-
ção da alimentação saudável e da saúde de todos os atores
da comunidade escolar.
Bom estudo!
Marcella Cinquini Franco
Olá, amigos Educadores! Meu nome é Ivan Antônio Moraes
Otero. Nascido em Brasília/DF, sempre fui influenciado por
profissionais da saúde: pai médico e mãe dentista. Escolhi,
então, a Nutrição como maneira de tentar promover a saú-
de e o bem-estar social. Acredito que este é um aspecto
comum a todos nós: gerar a melhoria das condições de
vida de outras pessoas, seja pela educação ou pela alimen-
tação – mais ainda, pela relação mútua entre esses cam-
pos, processo conhecido como Educação Alimentar. Gos-
taria de parabenizar você, antecipadamente, pela busca do
aprendizado, conhecendo novos assuntos ou reciclando
conhecimentos antigos que, tenho certeza, serão conver-
tidos em importantes atitudes ou ações sociais. Desde que
me graduei na Universidade de Brasília, em 2007, acredito
que dividir o conhecimento é a chave para multiplicar o
número de profissionais responsáveis pela satisfação das
pessoas e das comunidades. Desejo, assim, poder contar
com a sua ajuda nessa tarefa. Espero que goste da leitura e
tire proveito dos conteúdos aqui abordados.
Um grande abraço! Sucesso!
Ivan Otero
Mensagem dos autores
Sou Eliane Said Dutra, nasci em Brasília/DF e sou professo-
ra no Departamento de Nutrição da Universidade de Bra-
sília (UnB) desde 1988. Ao longo de minha atuação como
nutricionista, professora e mãe, sempre tive como um de
meus ideais, no plano pessoal, familiar e coletivo, a saúde
plena: física, mental e espiritual. No ano de 2004 colaborei
na fundação do Centro de Pesquisa em Alimentação Sau-
dável (CASA), um projeto de extensão da UnB. O CASA
promove diversas atividades junto à comunidade, que vi-
sam à promoção da alimentação saudável. O conhecimen-
to surgido dessas atividades é articulado e trabalhado com
o ensino e a pesquisa. Assim, o CASA atua estabelecendo
uma relação dinâmica entre a universidade e a comuni-
dade, da mesma forma que a produção e aplicação deste
Módulo sobre Alimentação Saudável e Sustentável. Assim,
prezado(a) Educador(a) Alimentar, ao participar deste mó-
dulo, mais que colaborar com sua educação técnica, estou
cumprindo com o que me propus para a promoção da saú-
de. E, a partir de agora, promover a saúde por intermédio
de uma alimentação saudável passa a ser tarefa de todos
nós. Em um país como o Brasil, onde as desigualdades
regionais são marcantes, é importante destacar que o es-
forço e o conhecimento de cada um precisa ser somado
nas diversas esferas das políticas públicas, mas, particu-
larmente, naquelas que têm como público-alvo as crianças
e os adolescentes. Sendo assim, convido você a integrar
comigo o grupo de profissionais de educação e de saúde
que, neste país, promovem a alimentação saudável como
estratégia de saúde plena!
Eliane Said Dutra
Mensagem dos autores
Mensagem dos autores
Querido cursista Educador(a) Alimentar!
Meu nome é Nina Flávia de Almeida Amorim e moro em
Brasília desde o meu nascimento, no dia 13/7/1977. Brasília
é uma cidade muito bonita e agradável, apesar da secu-
ra, por isso nunca saí daqui. Graduei-me em Nutrição pela
Universidade de Brasília (UnB) e fiz minha primeira pós-
graduação em Administração e Planejamento de Projetos
Sociais. Atualmente faço um curso de especialização em
Psicopedagogia e mestrado, na UnB, em Nutrição Huma-
na. Trabalho também com um projeto de extensão da UnB
intitulado “A Escola Promovendo Hábitos Alimentares Sau-
dáveis”, que tem como objetivo a promoção da saúde e da
alimentação saudável no ambiente escolar. Assim, todas
essas minhas experiências e conhecimentos possibilitaram-
me contribuir para estar aqui com vocês neste módulo.
Muitos são os caminhos pelos quais passamos na nossa
vida e sou muito feliz pelas escolhas que fiz, principalmente
com o objetivo de promover uma alimentação mais saudá-
vel. Fico muito contente também em vê-lo participar deste
programa e buscar mais conhecimentos, experiências e in-
tegração dentro do seu ambiente de trabalho. Lembre-se
que a partir de agora você está contribuindo para a cons-
trução de uma política de alimentação escolar, e isso é mui-
ta coisa!
Parabéns, sucesso e bons estudos!
Nina Flávia de Almeida Amorim
Sumário
UNIDADE 1 – Alimentação saudável 15
UNIDADE 2
– Desmistificando a alimentação
saudável
31
UNIDADE 3
– Da desnutrição à obesidade 41
UNIDADE 4 – Alimentos industrializados e alimentos
naturais
57
UNIDADE 5
– Conquistas de uma alimentação saudá-
vel
69
UNIDADE 6
– Segurança alimentar e nutricional 75
UNIDADE 7
– Experiências de sucesso na gestão do
PNAE
81
REFERÊNCIAS 89
1
Alimentação
saudável
UNIDADE 1 – Alimentação saudável
16
Pense um pouco e reflita: para você, o que é uma
alimentação saudável? Qual é a importância de ter bons
hábitos alimentares? Uma boa alimentação é aquela em
que só se comem frutas e verduras?
Uma alimentação saudável é aquela que atende todas as exi-
gências do corpo, ou seja, não está abaixo nem acima das
necessidades
do nosso organismo. Além de ser a fonte de
nutrientes, a alimentação envolve diferentes aspectos, como
valores culturais, sociais, afetivos e sensoriais. As pessoas,
diferentemente dos demais seres vivos, ao alimentar-se não
buscam apenas suprir as suas necessidades orgânicas de nu-
trientes. Não se “alimentam” de nutrientes, mas de alimentos
palpáveis, com cheiro, cor, textura e sabor, portanto, o alimen-
to como fonte de prazer e identidade cultural e familiar tam-
bém é uma abordagem importante para promover a saúde
por meio da alimentação.
Uma alimentação saudável deve ser:
• Variada: que inclui vários grupos alimentares, a fim de
fornecer diferentes nutrientes (por exemplo: cereais, fru-
tas, hortaliças, carnes, laticínios e feijões).
• Equilibrada: respeitando o consumo adequado de cada
tipo de alimento (exemplo: deve-se comer mais frutas
do que gorduras).
• Suficiente: em quantidades que atendam e respeitem as
necessidades de cada pessoa.
• Acessível: baseada em alimentos in natura, produzidos
e comercializados regionalmente (acessibilidade física),
que são mais baratos que alimentos industrializados
(acessibilidade financeira).
• Colorida: quanto mais colorida é a alimentação, mais
adequada é em termos de nutrientes. Além de assegurar
uma refeição variada, isso a torna atrativa, o que agrada
aos sentidos, estimulando o consumo de alimentos sau-
dáveis, como frutas, legumes e verduras, grãos e tubér-
culos em geral (tais como mandioca e batatas).
• Segura: os alimentos não devem apresentar contami-
nantes de natureza biológica, física ou química ou outros
perigos que comprometam a saúde do indivíduo ou da
população. Assim, deve-se respeitar regras de higiene,
procurando manusear e armazenar adequadamente to-
Hortaliças, legumes ou
verduras são termos
agrícolas e culinários
equivalentes, que se
referem a plantas ou
suas partes, geralmente
consumidas por humanos
como alimentos. A
nomenclatura vem do
plantio e colheita desses
vegetais, que são realizados
nas hortas.
Alimentos in natura
são aqueles que não
passaram por processos de
transformação em indústrias,
isto é, são naturais. São
todos os alimentos de origem
vegetal ou animal em que,
para serem consumidos,
retiram-se apenas as partes
não comestíveis. Para isso
são necessários tratamentos
específicos de higienização
e conservação. O peixe, as
frutas, os ovos e a carne
fresca são exemplos de
alimentos in natura.
17
IMPORTANTE
UNIDADE 1 – Alimentação saudável
dos os alimentos, descartando aqueles que possuem o
prazo de validade vencido ou que estejam visivelmente
estragados.
Você pode observar que ao falar de alimentação não se deve
pensar apenas em quantidade, mas também em qualidade.
A quantidade de alimentos, como já mencionado, deve ser in-
gerida de maneira que não falte nem ultrapasse as necessida-
des de um indivíduo. Esse aspecto é importante, pois previne
o aparecimento de doenças causadas tanto pela falta quanto
pelo excesso de alimentos.
Alimentação: Conseqüência:
Já em relação à qualidade, leva-se em consideração a ausên-
cia de contaminação e a composição nutricional de cada ali-
Como visto no Módulo
10, existem no Brasil,
e no mundo, casos de
desnutrição causados
muitas vezes pela falta
de alimentos ou pela
dificuldade de acesso a
estes; assim como casos de
sobrepeso e obesidade, em
função de uma alimentação
excessiva e/ou inadequada.
UNIDADE 1 – Alimentação saudável
18
mento, ou seja, quais são os nutrientes que aquele alimento
pode oferecer ao corpo humano.
Os nutrientes são compostos químicos que estão presentes
nos alimentos e que podem ser aproveitados pelo nosso orga-
nismo para sua manutenção ou crescimento. Existem vários
tipos de nutrientes, que serão abordados posteriormente nes-
te módulo, mas em geral eles podem ser divididos da seguin-
te maneira:
• Nutrientes não-essenciais: são aqueles que podem ser
produzidos pelo corpo humano a partir de outros com-
postos.
• Nutrientes essenciais: o organismo humano não é capaz
de produzi-los, sendo necessário obtê-los por meio da
alimentação.
O organismo humano se encarrega de transformar os alimen-
tos ingeridos em nutrientes pelo processo conhecido como
digestão. Esse processo se inicia a partir do momento em que
o alimento é colocado na boca e vai até a eliminação de partes
não aproveitáveis pelo organismo.
Para que possamos realizar nossas atividades diárias, nosso
corpo precisa de energia. Caminhar, correr, carregar objetos,
conversar e até mesmo atividades que não percebemos, como
respirar, gastam energia. E de onde obtemos essa energia?
Dos alimentos! O processo digestório permite a utilização da
energia contida em alguns nutrientes. Todos os alimentos que
comemos são transformados em nutrientes, mas nem todos
os nutrientes se transformam em energia.
Assim como a altura é medida em metros ou centímetros, a
energia também possui uma medida. Essa medida de energia
pode ser chamada de caloria, abreviada geralmente por cal
ou kcal. Ela é o combustível utilizado pelo corpo humano para
realizar atividades. Os nutrientes que oferecem energia, ou ca-
lorias, ao organismo são conhecidos como macronutrientes,
são eles: os carboidratos, as proteínas e os lipídios ou gor-
duras. A quantidade de energia fornecida por grama de cada
macronutriente está na tabela a seguir:
19
IMPORTANTE
UNIDADE 1 – Alimentação saudável
Tabela 1: Valor energético em calorias fornecido pelos
macronutrientes
Nutriente Valor energético
Carboidratos 4 kcal/g
Proteínas 4 kcal/g
Lipídios 9 kcal/g
Existem também os micronutrientes, que, apesar de não serem
transformados em energia, são importantes para a realização
de outros processos biológicos, como a visão, o crescimento,
a formação óssea, a proteção e defesa do corpo etc. Antes de
estudarmos os micronutrientes, que tal conhecer melhor os
macronutrientes?
Carboidratos ou açúcares ou glicídios: possuem função prin-
cipalmente energética. São utilizados pelos músculos para
realização de movimentos e são armazenados no fígado para
manutenção da glicemia.
Quando em excesso, os carboidratos são transformados em
gorduras ou lipídios, a fim de economizar a energia exceden-
te para situações em que o corpo realmente necessitar dela.
Alterações no metabolismo
da glicose podem ser indicativas
de doenças.
Veja na Tabela 2 exemplos de alimentos nos quais
os carboidratos podem ser encontrados.
Tabela 2: Alimentos fontes de carboidratos
Alimentos que são fontes de carboidratos
São encontrados em maior quantidade nos alimentos de origem
vegetal.
Cana-de-açúcar, beterraba, banana, arroz, pão, milho, macarrão,
biscoitos, fubá, farinha de mandioca, farinha de trigo, aveia, polvilho,
batata, mandioca, cará, inhame, amido de milho.
Glicemia é a quantidade
de glicose presente em
nosso sangue. A glicose é
o carboidrato utilizado em
maior quantidade pelo nosso
organismo. Em geral, quando
comemos muito nossa
glicemia aumenta, ao passo
que quando comemos pouco
a mantemos baixa.
Metabolismo é o conjunto
de transformações que as
substâncias químicas sofrem
no interior dos organismos
vivos. Por exemplo, o nosso
corpo metaboliza nutrientes
para obter energia.
UNIDADE 1 – Alimentação saudável
20
Proteínas: são nutrientes necessários para a formação de cé-
lulas e tecidos. São as proteínas que permitem o crescimento
e desenvolvimento do corpo, e estão presentes nos múscu-
los, ossos, cabelos, sangue, pele, entre outros. Assim como
os tijolos desempenham a função estrutural de um prédio, as
proteínas possuem, comparativamente, a mesma função no
organismo humano. Onde podemos encontrar as proteínas?
Tabela 3: Alimentos fontes de proteínas
Alimentos que são fontes de proteínas
Origem vegetal Origem animal
Feijão, soja, lentilha, grão de bico,
ervilha.
Carnes de boi, porco, aves,
peixes e caças, ovos, leite, queijo,
coalhada e iogurte.
21
IMPORTANTE
UNIDADE 1 – Alimentação saudável
Lipídios ou gorduras ou óleos: são fontes concentradas de
energia, apresentando praticamente o dobro de calorias quan-
do comparados aos outros dois macronutrientes. Quando en-
contrados no estado sólido os lipídios são denominados gor-
duras (por exemplo: banha, toucinho) e quando se encontram
no estado líquido são conhecidos como óleos (por exemplo:
azeite de oliva, óleo de soja). Além da função energética, os
lipídios são necessários para a formação de hormônios, pro-
teção dos órgãos e transporte de alguns micronutrientes. Veja
na Tabela 4 alguns alimentos que são fontes de lipídios.
Tabela 4: Alimentos fontes de lipídios
Alimentos que são fontes de lipídios
Origem vegetal Origem animal
Óleo de soja, milho ou girassol;
azeite de oliva, de dendê;
margarina, chocolate, castanha de
caju, castanha do Pará, abacate,
amendoim.
Manteiga, banha de porco, creme
de leite, toucinho, bacon, torresmo.
Fibras: representam um tipo especial de carboidratos que não
fornece energia, mas desempenha funções importantes em
nosso organismo. As fibras alimentares originam-se exclusi-
vamente de plantas e possuem diferentes propriedades físi-
cas, químicas e fisiológicas. No corpo humano, elas chegam
UNIDADE 1 – Alimentação saudável
22
intactas ao nosso intestino, ou seja, passam sem serem di-
geridas por todo o processo digestório, e é no intestino que
as fibras exercem sua função essencial de formar as fezes e
colaborar em sua eliminação. Existem basicamente dois tipos
de fibras, as solúveis e as insolúveis. Apesar de ambas auxi-
liarem o funcionamento do intestino, elas apresentam funções
diferentes:
• Fibras insolúveis: presentes nos grãos e cereais integrais,
auxiliam na formação das fezes.
• Fibras solúveis: presentes nas polpas de frutas, verdu-
ras e legumes, auxiliam na normalização da microbiota
intestinal, são eficientes para tratamento da constipação
intestinal, também conhecida como “intestino preso”.
As fibras ainda atuam de outras maneiras, auxiliando na redu-
ção do colesterol, controle da glicemia e prevenção de doen-
ças cardiovasculares. Podemos encontrar fibras nos seguintes
alimentos:
Tabela 5: Alimentos fontes de fibras
Alimentos que são fontes de fibras
Solúveis Insolúveis
Polpa das frutas (laranja, maçã),
legumes ou hortaliças (cenoura,
vagem, abóbora), farelos de aveia
e leguminosas (feijão, soja, grão
de bico, lentilha).
Cereais integrais (arroz, trigo,
milho), soja e casca das frutas
(pêra, ameixa).
Microbiota: O intestino
humano possui,
normalmente, bactérias em
seu interior. Esse ambiente
formado pelas bactérias
em nosso intestino recebe
o nome de microflora ou
microbiota. A microbiota
intestinal é importante tanto
para as funções metabólicas
quanto para a resistência
contra infecções bacterianas,
desde que se mantenha
num padrão de crescimento
considerado normal, sendo
que a alimentação saudável
contribui para isso.
23
IMPORTANTE
UNIDADE 1 – Alimentação saudável
Além dos macronutrientes, existem os micronutrientes, que
não fornecem energia, mas apresentam funções importantes
no organismo. São eles:
Vitaminas: estão presentes em diferentes tipos de alimentos
(animais e vegetais) e auxiliam no crescimento, na proteção
contra infecções e na manutenção da saúde. O corpo precisa
de quantidades pequenas desses nutrientes, mas mesmo as-
sim são indispensáveis. Por exemplo, quantidades adequadas
de vitamina A asseguram que a nossa visão funcione normal-
mente, e de vitamina D permitem a formação de ossos e den-
tes durante o crescimento. A falta e o excesso de vitaminas
podem causar distúrbios nutricionais e problemas de saúde
decorrentes da má nutrição.
Tabela 6: Vitaminas – funções e fontes
Vitamina Exemplo de função Fonte
Vitamina A Bom funcionamento da visão.
Gema de ovo, fígado
bovino, abóbora.
Vitaminas
do
Complexo B
Funcionamento do sistema nervoso,
metabolismo dos nutrientes e produção de
células do sangue (hemácias).
Carnes em geral, cereais
integrais, fígado, brócolis,
couve, espinafre, batatas,
banana, abacate e outras
hortaliças e frutas.
Vitamina C Proteção e resistência a doenças.
Laranja, limão, acerola,
caju.
Vitamina D
Formação e desenvolvimento de ossos e
dentes.
Leite integral, manteiga,
gema de ovo.
Vitamina E Proteção e formação de células. Carnes, amendoim, nozes.
Vitamina K Possibilita a cicatrização de ferimentos.
Fígado, brócolis, couve,
espinafre, ovos.
Minerais: desempenham funções como manutenção do equi-
líbrio dos líquidos corporais (água, sangue, urina), transporte
de oxigênio para as células, formação dos ossos, controle da
contração muscular e dos batimentos cardíacos, transmissão
de mensagens pelo sistema nervoso, entre outras. O corpo
necessita de quantidades bem reduzidas desses nutrientes,
UNIDADE 1 – Alimentação saudável
24
mas eles só podem ser obtidos por meio da alimentação.
A necessidade de minerais pode variar de acordo com o indi-
víduo: pessoas que praticam atividade física intensa podem
eliminar grandes quantidades de minerais pelo suor e/ou pela
urina, aumentando suas necessidades diárias; pessoas com
problemas nos rins podem ter dificuldades para excretar alguns
minerais, o que requer uma redução na ingestão destes.
Tabela 7: Minerais – funções e fontes
Minerais Exemplo de função Fonte
Ferro
Transporte do oxigênio que
respiramos e formação de células
do sangue.
Carnes bovina, suína,
frango, peixes,
miúdos, leguminosas,
como feijão e soja, e
algumas hortaliças:
couve, espinafre,
brócolis.
Cálcio
Movimento (contração) de
músculos e formação e
manutenção de ossos e dentes.
Leite e derivados,
couve, brócolis, salsa.
Sódio
Controle da quantidade de
líquidos no corpo.
Carnes em geral, sal
de cozinha, temperos
e sopas industrializados.
Potássio
Transmissão de mensagens pelo
sistema nervoso.
Banana, melão,
laranja, maçã,
tomate, agrião e outras
frutas e hortaliças.
Iodo Formação de hormônios.
Frutos do mar
(camarão, mexilhão
etc.), sal iodado de
cozinha.
Água: é um dos principais componentes do corpo humano.
Não oferece energia, mas está envolvida em praticamente
todas as reações que ocorrem em nosso organismo, como
o controle da temperatura, o transporte de nutrientes pelo
sangue, a eliminação de substâncias pelo suor e/ou urina
(ou limpeza/filtração do sangue), entre outras. É importante
lembrar que a água está presente na maioria dos alimentos,
mesmo que não seja visível, e é ela que permite a vida huma-
na. O equilíbrio da água em nosso corpo também depende
25
IMPORTANTE
UNIDADE 1 – Alimentação saudável
do ambiente e/ou situações cotidianas: em dias quentes ou
aqueles em que praticamos esportes, devemos tomar mais
água.
Agora que conhecemos os componentes dos alimentos – os
nutrientes – vamos refletir sobre os alimentos. É a escolha dos
alimentos que irá determinar quais nutrientes serão forneci-
dos ao nosso corpo. Por exemplo: ao comer uma fruta, esta-
remos oferecendo carboidratos, fibras, vitaminas e minerais;
e ao comer um pastel, estaremos oferecendo principalmente
gorduras.
Mas quais alimentos devemos escolher? Todas as pessoas
devem comer os mesmos alimentos? A alimentação envolve
aspectos culturais, financeiros e regionais; sendo assim, cada
pessoa possui preferência por certos alimentos e rejeição por
outros, ou seja, não existe uma fórmula rígida de alimentação
saudável, ela deve ser construída a partir da realidade de cada
indivíduo. Entretanto, por mais que se mudem os alimentos,
os nutrientes são os mesmos e devemos usá-los a nosso fa-
vor para promover a saúde. O que se observa atualmente é a
incidência de doenças decorrentes de uma alimentação ina-
dequada. Querendo ajudar a população a se alimentar melhor,
o governo, por meio da Coordenação-Geral de Política de Ali-
mentação e Nutrição (CGPAN), desenvolveu o Guia Alimentar
para a População Brasileira.
Esse guia detalha orientações a respeito de alimentos, nutrien-
tes, hábitos saudáveis, incidência de doenças relacionadas à
O Guia Alimentar para a
População Brasileira pode ser
acessado pelo site <http://
dtr2004.saude.gov.br/
nutricao/documentos/guia_
alimentar_conteudo.pdf>
UNIDADE 1 – Alimentação saudável
26
alimentação e outros assuntos, sendo bastante abrangente e
completo.
Além do guia elaborado pelo governo, existem outras ferra-
mentas que podem auxiliar no planejamento de uma alimenta-
ção saudável. Por ser bastante didática, a pirâmide dos alimen-
tos é largamente utilizada no Brasil. Essa pirâmide subdivide
os alimentos em diferentes grupos e recomenda a ingestão de
um número adequado de porções de cada um deles. A inten-
ção é possibilitar uma alimentação equilibrada, respeitando a
proporção quantitativa e qualitativa de todos os alimentos.
A figura que se segue é aplicável à população adulta, ou seja,
com mais de 18 anos.
Porções são quantidades médias de alimento que devem ser
usualmente consumidas por pessoas sadias para compor uma
alimentação saudável. Alguns exemplos de porções podem
ser vistas na tabela a seguir.
27
IMPORTANTE
UNIDADE 1 – Alimentação saudável
Tabela 8: Porção em gramas e medida caseira de alguns alimentos
Alimento
Porção (peso em
gramas)
Medida caseira
Arroz branco cozido 125,0 4 colheres de sopa
Pão francês 50,0 1 unidade
Tomate 80,0 4 fatias
Banana 86,0 1 unidade
Feijão cozido
(grãos e caldo)
86,0 1 concha
Bife grelhado 90,0 1 unidade
Leite integral 182,0 1 copo de requeijão
Manteiga 9,8 ½ colher de sopa
Fonte: MINISTÉRIO DA SAÚDE. Guia alimentar para a população brasileira: promovendo a
alimentação saudável.
Por que os alimentos da pirâmide foram divididos em grupos?
Cada grupo representa a fonte de nutrientes específicos. Vamos
entender um pouco melhor, analisando-a de baixo para cima:
1) A base da pirâmide: é composta por alimentos
que são fontes de carboidratos. Essa deve ser a
principal fonte de energia das pessoas. Nesse grupo
estão: pães, arroz, massas, cereais e tubérculos.
2) Segundo andar: formado por alimentos que são fontes
de micronutrientes – vitaminas e minerais. Nesse pa-
tamar encontramos alimentos de origem vegetal, como
frutas (maçã, banana, mamão, melancia, entre outras) e
hortaliças (cenoura, alface, tomate, abóbora, entre ou-
tros).
3) Terceiro andar: encontram-se aqui os alimentos que
são, principalmente, fontes de proteínas. Além disso, o
grupo das carnes (bovina, peixe e frango) e ovos garan-
te a ingestão de ferro e o grupo dos leites e derivados
assegura o consumo de cálcio.
4) Topo da pirâmide: contém os alimentos mais ener-
géticos da alimentação humana, ou seja, aqueles
que são ricos em gorduras e açúcares. Esses ali-
UNIDADE 1 – Alimentação saudável
28
mentos não possuem uma boa quantidade e/ou
variedade de outros nutrientes, sendo chamados de
alimentos fonte de “calorias vazias”, pois fornecem ape-
nas energia – e muitas vezes em excesso.
Tente utilizar a pirâmide dos alimentos
como referência para a sua alimentação. Obser-
ve se você segue os princípios recomendados por
ela e se, nesse sentido, a sua alimentação pode ser
considerada saudável. Você acha que poderia me-
lhorar alguma coisa em sua alimentação a fim de
adaptá-la à pirâmide?
Observe que a pirâmide está colorida em verde, amarelo e
vermelho. Assim como no trânsito, essas cores apresentam
significados dentro da pirâmide: a base e o segundo andar
são compostos por alimentos que devemos consumir em
maiores quantidades, enquanto o terceiro andar já exige um
pouco de moderação e o topo pode chegar até à restrição.
Além disso, o volume da pirâmide também nos indica uma
informação importante: a proporção dos grupos de alimentos
que devemos ingerir. Por exemplo, deve-se comer mais pães
e cereais do que doces ou manteiga; da mesma maneira, a
quantidade de carnes e leite deve ser inferior ao consumo de
frutas e hortaliças.
O que está acontecendo atualmente é uma in-
versão dessa pirâmide, ou seja, as pessoas consomem
muitos doces ou alimentos gordurosos e quase não in-
gerem frutas, hortaliças ou mesmo cereais integrais. Uma
das conseqüências desse comportamento é bastante visí-
vel, o aumento das taxas de obesidade e doenças cardio-
vasculares.
29
IMPORTANTE
UNIDADE 1 – Alimentação saudável
Os guias alimentares mencionados oferecem orientações ge-
rais que se ajustam à maioria da população, mas nós sabe-
mos que cada pessoa é diferente das outras: uma criança,
por exemplo, come quantidades menores de alimentos quan-
do comparada a um adulto; os homens, geralmente, comem
mais que as mulheres. Assim, é possível observar que a ne-
cessidade de nutrientes e de energia varia de acordo com
diversos fatores: idade, sexo, peso, nível de atividade física
(sedentário ou ativo), tipo de trabalho, presença de doenças,
entre outros. Na pirâmide, por exemplo, o número de por-
ções que uma pessoa deverá ingerir de cada grupo alimentar
vai depender de todos os fatores citados, orientando sobre a
melhor maneira de essa pessoa se alimentar.
2
Desmistificando a
alimentação saudável
UNIDADE 2 – Desmistificando a alimentação saudável
32
Nesta unidade continuaremos aprofundando o conhecimento
sobre como alcançar uma alimentação saudável. Conforme
mencionado, a alimentação saudável deve ser composta por
diferentes alimentos para se obter a maior variedade de nu-
trientes possível. Não basta comer apenas frutas e hortaliças/
verduras, senão os vegetarianos seriam sempre mais saudá-
veis que as outras pessoas. Sabe-se, então, que o importante é
estabelecer um equilíbrio na ingestão dos alimentos: moderar
no consumo de doces, frituras e alimentos ricos em gorduras
e dar preferência a alimentos naturais, frescos, principalmente
de origem vegetal.
É possível comer bem sem gastar muito dinheiro?
Nesta unidade, veremos que a alimentação saudável pode
ser muito acessível, basta planejar quais alimentos devemos
comprar e quais devemos evitar. Façamos, então, uma com-
paração de refeições com quantidades calculadas para uma
pessoa. Em cada caso, apresentaremos uma opção saudável
e outra não-saudável, mostrando a quantidade de energia (ca-
lorias) e o valor monetário (custo) de cada uma.
CAFÉ DA MANHÃ 1
Tabela 9: Exemplo de cardápio de café da manhã com as
quantidades em gramas, medidas caseiras, custo e valor energético
Alimento
Quan-
tidade
(peso g)
Medida caseira
Preço
(R$)
Valor
energético
(kcal)
Pão 50g 1 unidade 0,23 135,50
Manteiga 10g ½ colher de sopa 0,06 90,00
Laranja 180g 1 unidade média 0,25 97,50
Leite 150g 3/4 de copo 0,30 88.5
Café com
açúcar
50g ¼ de copo 0,10 33,00
TOTAL 0,94 444,00
Custos referentes a agosto de 2007.
UNIDADE 2 – Desmistificando a alimentação saudável
33
IMPORTANTE
Na refeição acima, podemos observar que todos os alimentos
utilizados são bastante comuns e podem ser adquiridos em
qualquer época do ano. O que é importante saber é que é pos-
sível tornar esse mesmo cardápio ainda mais barato. Como?
Utilizar as frutas da estação é uma boa opção, pois elas apre-
sentam preços mais baixos. Além disso, é possível variar essa
refeição substituindo o pão por algum outro alimento regio-
nal que pertença ao mesmo grupo (de cereais, pães, massas),
como farinha de cuscuz, tapioca, broa de milho ou fubá, mai-
sena etc.
A decisão a respeito da aquisição de alimentos em sua escola
irá depender da maneira que sua cidade/município participa
do PNAE (Programa Nacional de Alimentação Escolar). Vere-
mos as formas de participação mais detalhadamente no Mó-
dulo 12, mas podemos adiantar que as escolas podem receber
verba e se tornam responsáveis pela aquisição de alimentos
ou podem receber, diretamente, alimentos já adquiridos pelo
órgão responsável (prefeitura). Nesta segunda modalidade, a
escolha dos alimentos está um pouco mais distante da escola,
devendo essas medidas de redução de custos ser realizadas
pela entidade responsável.
Assim como na escola, as medidas para redução de custo das
refeições podem, e devem, ser utilizadas em nossas casas.
Devemos ter uma alimentação saudável e barata não apenas
na escola, mas em todos os lugares que freqüentamos: casas,
restaurantes, feiras, creches etc.
Caso a aquisição de
alimentos seja feita pela
prefeitura, procure se
informar, saiba quem planeja
e decide as compras de
alimentos em seu município.
UNIDADE 2 – Desmistificando a alimentação saudável
34
Além do preço, o café da manhã apresentado mostra que é
possível realizar uma refeição gostosa e saborosa, e, lembre-
se, frutas, cereais, leite e derivados são altamente recomenda-
dos para fazer parte dessa refeição, tanto pelo sabor quanto
pela saúde. Que tal vermos agora um café da manhã que não
é saudável?
CAFÉ DA MANHÃ 2
Tabela 10: Exemplo de cardápio de café da manhã com
quantidades em gramas, medidas caseiras, custo e valor energético
Alimento
Quan-
tidade
(peso/g)
Medida caseira
Preço
(R$)
Valor
energético
(kcal)
Biscoito
recheado
65g 5 unidades 0,70 350,00
Pão de queijo 20g
2 unidade
pequenas
0,30 86,00
Refrigerante 200g 1 copo cheio 0,25 162,00
TOTAL 1,25 598,00
Custos referentes a agosto de 2007.
UNIDADE 2 – Desmistificando a alimentação saudável
35
Em comparação com a primeira refeição, você saberia di-
zer por que esta não é saudável? Vamos a algumas explica-
ções:
• Apresenta muitos alimentos industrializados,
que possuem menor variedade de nutrientes do
que os alimentos in natura e contêm aditivos quími-
cos, assunto que abordaremos na próxima unidade.
• Possui mais energia do que a outra. O consumo fre-
qüente de refeições ou alimentos muito calóricos, ou
seja, que têm muita energia, pode levar ao aumento de
peso e, conseqüentemente, à obesidade e outras doen-
ças, como diabetes e hipertensão.
• Não contempla alimentos regionais, deixando de incen-
tivar a agricultura e o comércio locais. Dessa maneira,
a refeição torna-se mais cara, pois os produtos utili-
zados tiveram que ser trazidos de outras cidades. As
despesas para armazenamento e transporte desses
alimentos de uma cidade para outra são repassadas
para o preço final do produto, que é o preço que
pagamos como consumidores.
Agora que já vimos algumas diferenças entre uma refeição
saudável e uma não-saudável, é importante lembrar que in-
dependentemente da refeição, devemos respeitar o conceito
de alimentação equilibrada: qual é a proporção de alimentos
que devemos comer? Já pensou em comer mais presunto ou
manteiga do que frutas? Ou mesmo comer alimentos saudá-
veis numa quantidade duas vezes maior do que a nossa ne-
cessidade ou nosso apetite? Isso não seria correto e poderia,
futuramente, acarretar problemas de saúde.
Utilizamos o café da manhã para ilustrar como a alimentação
pode ser saudável e barata. E se quiséssemos fazer o mesmo
com o almoço? Como você faria um almoço com essas carac-
terísticas? Utilizaria alimentos regionais? Vejamos, novamen-
te, alguns exemplos:
UNIDADE 2 – Desmistificando a alimentação saudável
36
ALMOÇO 1
Tabela 11: Exemplo de cardápio de almoço com as quantidades
em gramas, medidas caseiras, custo e valor energético
Alimento
Quan-
tidade
(peso/g)
Medida caseira
Preço
(R$)
Valor
energético
(kcal)
Arroz 90g
2 colheres de
servir cheias
0,13 147,60
Feijão 65g 1 concha pequena 0,12 44,85
Carne moída 60g
1 colher de servir
cheia
0,70 117,00
Alface 20g 2 folhas médias 0,08 4,00
Tomate 30g 2 fatias médias 0,08 7,20
Mexerica 180g 1 unidade média 0,58 86,40
TOTAL 1,69 407,05
Custos referentes a agosto de 2007.
A refeição que demos como exemplo é bastante simples e
utiliza alimentos disponíveis em praticamente todas as re-
giões do País. Como sobremesa, adotamos uma fruta que
possui sabor adocicado e fornece bons nutrientes para o cor-
po, complementando o almoço saudável. Em geral, devemos
lembrar de aplicar as mesmas regras que aprendemos ao
analisar o café da manhã: utilizar predominantemente alimen-
tos in natura, aproveitar frutas e hortaliças da estação, dar
preferência para alimentos regionais e montar uma refeição
UNIDADE 2 – Desmistificando a alimentação saudável
37
IMPORTANTE
com diferentes grupos de alimentos (cereais, leguminosas,
hortaliças, frutas etc.).
Vejamos, agora, um exemplo de almoço não-saudável:
ALMOÇO 2
Tabela 12: Exemplo de cardápio de almoço com as quantidades
em gramas, medidas caseiras, custo e valor energético
Alimento
Quan-
tidade
(peso/g)
Medida caseira
Preço
(R$)
Valor
energético
(kcal)
Arroz 90g
2 colheres de servir
cheias
0,13 147,60
Feijão 65g 1 concha pequena 0,12 44,85
Farinha 30g
2 colheres de sopa
cheias
0,08 116,70
Bife frito 100g 1 unidade média 1,15 228,00
Batata frita 50g
2 colheres de sopa
cheias
0,30 140,00
Doce de
leite
15g
1 colher de
sobremesa rasa
0,25 43,50
TOTAL 2,03 720,15
Custos referentes a agosto de 2007.
UNIDADE 2 – Desmistificando a alimentação saudável
38
Nessa refeição, é possível observar que o valor energético,
ou seja, a quantidade de calorias, é quase o dobro daquele
encontrado no primeiro exemplo. Isso acontece porque essa
refeição possui dois alimentos fritos e um doce. Ao fritar um
alimento, este incorpora parte do óleo utilizado no processo
de fritura e, conforme discutido anteriormente, os óleos per-
tencem ao grupo dos lipídios, que são nutrientes que forne-
cem grandes quantidades de energia/calorias para o nosso
corpo. Observe que além das frituras, como sobremesa foi
utilizado um doce. Os doces são, em geral, alimentos que for-
necem predominantemente carboidratos, ou seja, açúcares,
para o nosso organismo. Como os carboidratos possuem fun-
ção energética, somaram-se ainda mais calorias à refeição.
Algumas observações importantes que devemos fazer em re-
lação a essa refeição:
• Arroz, farofa e batata pertencem ao mesmo
grupo de alimentos (cereais, pães e tubérculos), for-
necendo nutrientes bastante semelhantes e intensifi-
cando o excesso de energia/calorias.
• Não há frutas ou hortaliças, alimentos que são fontes de
nutrientes importantes, como vitaminas e minerais.
• Não há alimentos regionais, que auxiliam a economia e
o desenvolvimento locais.
• Grande diferença entre os preços de alimentos in
natura e industrializados, em geral, mais caros.
Nós já sabemos quais as conseqüências de uma alimentação
inadequada, em que o consumo excessivo pode levar ao de-
senvolvimento de doenças. Assim, essa refeição, por apresen-
tar uma elevada quantidade de energia ou calorias, não pode
ser considerada saudável. O consumo freqüente de refeições
como essa leva ao aumento de peso e pode comprometer a
saúde.
Agora, reflita um pouco. Como são as refeições em sua es-
cola? Pode-se dizer que elas são saudáveis? E na sua casa?
Nesta unidade, aprendemos que é possível ter uma alimenta-
ção boa sem ter que gastar muito dinheiro. Algumas medidas
simples auxiliam bastante na montagem de uma alimentação
saudável e permitem uma grande economia.
UNIDADE 2 – Desmistificando a alimentação saudável
39
Comer bem e barato é uma atitude que ajuda a todos, melho-
rando a sua saúde, cuidando do seu dinheiro e estimulando a
economia e a agricultura locais.
Observe e registre o cardápio em sua própria
casa, nas casas de parentes ou colegas, creches, res-
taurantes, escolas e compare com os padrões saudáveis.
Após o registro, avalie se esses são cardápios saudáveis
e, quando possível, registre opções que poderiam tor-
ná-los mais saudáveis e com baixo custo.
3
Da desnutrição à
obesidade
UNIDADE 3 – Da desnutrição à obesidade
42
Já vimos o quanto é importante uma alimentação saudável,
equilibrada e variada. Agora vamos mostrar o que a falta de
alimentação ou o excesso ligado às más escolhas de alimen-
tos podem ocasionar no estado de saúde das crianças e dos
adolescentes.
O estado nutricional das crianças e dos adolescentes é de
grande importância para seu crescimento e desenvolvimento,
tanto físico como intelectual. Sabe-se que ele também reflete
as condições socioeconômicas de uma população. Por essa
razão muitas pesquisas são realizadas no Brasil há várias dé-
cadas, com o objetivo de avaliar o estado nutricional desse
grupo, tendo mostrado resultados importantes sobre a evo-
lução nutricional da população infantil. Nesse sentido, vamos
aqui apresentar um breve histórico da evolução do estado nu-
tricional das crianças e dos adolescentes brasileiros.
O desenvolvimento da criança pode ser prejudicado, quando
seus pais não recebem orientação de médicos, enfermeiras,
nutricionistas, auxiliares de enfermagem, psicólogos e as-
sistentes sociais. Cuidados pré-natais, aleitamento materno,
orientação nutricional durante o desenvolvimento da criança
e a vacinação são muito importantes.
A associação entre desnutrição e doenças durante a infância,
principalmente infecções, é uma realidade comprovada pelos
cientistas. As crianças desnutridas ficam expostas a um risco
maior de doenças devido ao comprometimento de seu siste-
ma imunológico, que é responsável pela defesa e combate a
doenças
.
Por muito tempo a desnutrição infantil e as demais carências
nutricionais foram o foco de pesquisas e programas assis-
tenciais no Brasil. Desde a década 1940 o governo brasileiro
Estado nutricional é o
grau de adequação das
características anatômicas
e fisiológicas do individuo,
comparando com
parâmetros definidos como
normais. Também pode ser
expresso como o resultado
do balanço entre a ingestão
e as perdas ou gasto de
nutrientes.
Sistema imunológico é
composto por células
que atuam por meio de
mecanismos de defesa no
combate à microorganismos
invasores que causam
doenças ao seres humanos.
43
UNIDADE 3 – Da desnutrição à obesidade
começou a tratar este tema como um problema de saúde pú-
blica, tendo criado, ao longo dos anos, vários programas com
o objetivo geral de melhorar o estado nutricional das popu-
lações mais vulneráveis, principalmente o grupo materno-in-
fantil. Dentre eles destacaram-se o Programa de Controle de
Bócio Endêmico (PCBE), que tornou obrigatório acrescentar
iodo ao sal de cozinha, e o Programa Nacional de Incentivo
ao Aleitamento Materno (PNIAM), apoiado também pelo Uni-
cef (Fundo das Nações Unidas para a Infância). Este último
busca incentivar e prolongar o período de aleitamento mater-
no, pois essa prática contribui de maneira fundamental para o
combate e a prevenção da desnutrição nos primeiros anos de
vida, período decisivo para o desenvolvimento físico e mental
da criança.
Também foram criados programas para o controle da anemia
ferropriva (gerada pela deficiência de ferro) e da hipovitami-
nose A (deficiência de vitamina A). Ao longo dos anos, esses
programas e outros relacionados à área de alimentação e nu-
trição foram sofrendo modificações e, em alguns momentos,
também interrupções.
Atualmente, no Brasil, em âmbito de iniciativa nacional, exis-
tem dois programas que atuam com o objetivo de fornecer
alimentos para garantir um bom estado nutricional da popu-
lação-alvo. São eles: Programa de Assistência ao Trabalhador
(PAT) e o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE).
Ambos têm como objetivo melhorar o desempenho dos res-
pectivos beneficiários. Para o nosso curso, o PNAE tem gran-
de importância, por isso, esse programa está bem detalhado
no Módulo 12.
Como já vimos anteriormente, alguns programas de assistên-
cia à criança foram criados, visto ser essa fase do ciclo de vida
bastante delicada, sendo que a garantia de uma boa nutrição
coopera na prevenção de uma série de doenças, reduzindo,
portanto, as chances de mortalidade e morbidade.
A seguir, vamos mostrar um gráfico da evolução do quadro
nutricional das crianças brasileiras por meio de estudos de
representatividade nacional. São eles: Estudo Nacional de
Despesa Familiar (Endef – 1974–1977), Pesquisa Nacional de
Saúde e Nutrição (PNSN – 1989), Pesquisa Nacional sobre De-
mografia e Saúde (PNDS – 1996) e Pesquisa de Orçamento
Familiar (POF – 2002/2003).
A desnutrição é uma
síndrome e tem como
causas diversos fatores,
normalmente associados
à pobreza e à falta de
alimentos dela decorrente.
O Programa de Alimentação
do Trabalhador (PAT) foi
instituído pela Lei n. 6.321,
de 14 de abril de 1976, e
regulamentado pelo Decreto
n. 5, de 14 de janeiro de 1991,
que priorizam o atendimento
aos trabalhadores de baixa
renda, isto é, aqueles que
ganham até cinco salários
mínimos mensais. Esse
programa é estruturado
na parceria entre governo,
empresa e trabalhador.
Desde sua criação, o PAT
já beneficiou mais de 100
milhões de trabalhadores.
Entre no site <http//www.
mte.gov.br/pat/default.asp>
e veja maiores informações
sobre o PAT.
UNIDADE 3 – Da desnutrição à obesidade
44
Percentual de crianças menores de 5 anos desnutridas no
Brasil
18,4%
7,1%
5,6%
4,6%
0,0%
2,0%
4,0%
6,0%
8,0%
10,0%
12,0%
14,0%
16,0%
18,0%
20,0%
ENDEF/1974 PNSN/1989 PNDS/1996 POF/2003
Estudos Realizados
Percentual de crianças
desnutridas
Gráfico 1: Percentual de crianças menores de cinco anos com
desnutrição, de acordo com os estudos realizados no Brasil,
segundo Peso por Idade
De acordo com o gráfico, nota-se que o percentual de desnu-
trição infantil no Brasil reduziu cerca de 75% em menos de 30
anos. Esse resultado representa progresso no estado nutricio-
nal das crianças brasileiras, fruto de várias ações que visaram
melhorar as condições de saneamento básico e também da
maior assistência em saúde, com a divulgação e promoção
das Ações Básicas de Saúde (aleitamento materno, terapia de
reidratação oral, controle de infecções respiratórias, controle
de diarréia e imunização). Também ações de cunho educati-
vo e programas de subsídios e doação de alimentos, como,
por exemplo, o PNAE, podem ter contribuído para a evolução
desse quadro.
Entretanto, mesmo com esse avanço significativo no estado
nutricional das crianças brasileiras, ainda temos que levar em
conta que uma parcela das crianças continua desnutrida, não
recebendo, portanto, a assistência necessária nem alimento
suficiente para ter um crescimento e desenvolvimento ade-
quados. Sabe-se que por trás do fenômeno da desnutrição
existe uma forte causalidade, com fatores socioeconômicos,
sendo que nos últimos anos o governo também vem adotan-
do, como estratégia de combate à desnutrição e à pobreza, o
uso de programas de transferência de renda para as popula-
ções mais desfavorecidas socioeconomicamente. Atualmen-
te, um exemplo dessa iniciativa é o Programa Bolsa-Família.
Saiba mais sobre o programa
Bolsa-Família no site
<http://www.mds.gov.br/
bolsafamilia>.
45
UNIDADE 3 – Da desnutrição à obesidade
A obesidade e o outro lado da moeda
Como contraponto à diminuição da desnutrição infantil entre
crianças e adolescentes, observou-se também, ao longo dos
anos, um crescimento da obesidade nessa população, porém
em uma proporção bem maior, ou seja, o número de crian-
ças e adolescentes com peso acima do ideal cresceu muito
mais que a queda da desnutrição. Esse fato é evidenciado
praticamente em todo o mundo, sendo que alguns estudos
apontam que o número de crianças obesas multiplicou-se
por sete desde a década de 1970. Esse fenômeno, chama-
do de Transição Nutricional e Epidemiológica, está sendo
observado em todas as faixas etárias, porém, neste módulo,
vamos abordar principalmente dados referentes às crianças
e adolescentes.
Para diagnosticar a obesidade infantil é necessário que um
profissional de saúde, seja este nutricionista ou médico, avalie
uma série de fatores, tais como: peso, idade, composição cor-
poral, consumo alimentar, padrão genético da família e outros.
Somente com a análise dessas variáveis é que o profissional
será capaz de saber se uma criança é obesa ou não.
A obesidade é uma doença e pode acarretar várias complica-
ções, como diabetes, hipertensão, doenças do coração e, até
mesmo, ser fator determinante de alguns cânceres. Estudos
também mostram que a obesidade está associada a proble-
mas psicológicos e à depressão. A obesidade é causada por
vários fatores, dentre eles destacam-se fatores genéticos,
psicológicos, culturais e ambientais. Na maioria das vezes
O conceito de transição
nutricional diz respeito
a mudanças nos padrões
nutricionais da população,
resultado de alterações
nos alimentos consumidos,
o que, por sua vez, está
correlacionado com
mudanças econômicas,
sociais e demográficas.
Transição epidemiológica
é a mudança do padrão
de doenças que atingem a
população, podendo ser em
conseqüência da transição
nutricional.
UNIDADE 3 – Da desnutrição à obesidade
46
esses fatores levam a um consumo excessivo de alimentos
energéticos, promovendo o acúmulo de gordura corporal.
A obesidade na infância e na adolescência está se tornando
um problema cada vez mais freqüente no mundo, já sendo
considerada um problema de saúde pública, tanto em países
desenvolvidos, como os Estados Unidos e Inglaterra, quan-
to em países em desenvolvimento, como é o caso do Brasil.
Sabe-se que a chance de uma criança obesa ser um adulto
obeso é de 50%, e no caso de adolescentes esse percentual
sobe para 70%. Esses dados mostram o quanto é importante
a prevenção dessa doença, mas, para podermos saber como
proteger nossas crianças e adolescentes, temos que entender
melhor os fatores que a influenciam.
Agora vamos detalhar como cada fator citado pode contribuir
para o desenvolvimento da obesidade em crianças e adoles-
centes.
Fator genético
O fator genético exerce papel fundamental na determinação da
obesidade infantil, pois a presença de obesidade nos pais per-
mite que as influências ambientais atuem de forma mais acen-
tuada nos filhos. Estudos comparativos entre pais biológicos
e adotivos de crianças comprovam a relevante influência que
o fator genético exerce sobre a obesidade infantil, mostrando
que a tendência da criança é de ter a característica do peso
corporal de seus pais biológicos.
Observe se na sua escola
há algum aluno que
visivelmente está com o
peso acima dos demais
e então veja se seus pais
também possuem excesso
de peso. Assim você verá
na prática o que os estudos
estão mostrando.
47
IMPORTANTE
UNIDADE 3 – Da desnutrição à obesidade
O nosso material genético (DNA) é formado por pequenas
partes chamadas de genes. Sabe-se que em alguns desses
genes existem informações para o estabelecimento do peso
corporal. Quando a criança tem pais obesos, essas informa-
ções acabam se expressando de forma mais intensa que nas
crianças de pais não-obesos. Algumas estimativas apontam
que crianças com pais obesos têm 80% de chances de se
tornar um adulto obeso, comprovando, portanto, que a ge-
nética é um forte agente para o estabelecimento do peso da
criança.
Fatores psicológicos
O fator psicológico influencia na obesidade e exerce sua con-
tribuição principalmente nos adolescentes. Esse período do
ciclo de vida é marcado por transformações físicas em de-
corrência do processo da puberdade, além disso, as mudan-
ças sociais e a construção da personalidade também ocorrem
nessa fase. Todo esse processo de alteração do crescimento
de forma acelerada tem efeito no comportamento alimentar,
podendo gerar episódios freqüentes de superalimentação, fa-
vorecendo então o ganho de peso corporal. Por ser uma fase
de instabilidade emocional, a influência ambiental atua de for-
ma decisiva no comportamento alimentar e conseqüentemen-
te na determinação do peso corporal.
Sabe-se, também, que o estímulo à alimentação, seja visual
ou olfativo, em pessoas obesas está mais aguçado, então a
chance de ingestão de alimentos em horários errados por uma
UNIDADE 3 – Da desnutrição à obesidade
48
pessoa obesa também é maior, pois esses indivíduos teriam
maior dificuldade de controlar essa “vontade de comer”.
A depressão e a ansiedade são problemas emocionais inti-
mamente ligados à obesidade, podendo acarretar episódios
compulsivos de alimentação, na busca pela fuga dos proble-
mas, gerando um
sentimento de culpa, que agrava o processo
de depressão e se transforma
em um círculo vicioso.
Fatores culturais e ambientais
Os fatores culturais que interferem no estado nutricional de
crianças e adolescentes apresentam-se de forma interligada
com os demais fatores. Porém, é importante destacá-los e
apontar a maneira com que eles contribuem para o crescente
quadro de obesidade em nossas crianças e adolescentes.
No Brasil persiste a cultura de se celebrarem festas com co-
mida em excesso, e para podermos confirmar isso basta fazer
uma reflexão e lembrar como são preparadas as nossas fes-
tas. Lembre-se das ceias de Natal, almoços de Páscoa e até
mesmo aniversários de colegas da escola. Com certeza você
vai se recordar de mesas com muita comida, pois acreditamos
que é melhor sobrar que faltar. Esse tipo de cultura estimula o
consumo em excesso de alimentos e também o desperdício,
sendo ambos prejudiciais, pois, além de contribuírem para o
aumento do peso corporal, também envolvem toda a proble-
mática em termos sociais e ambientais, que é a questão do
lixo produzido.
49
IMPORTANTE
UNIDADE 3 – Da desnutrição à obesidade
A cultura do “olho maior que a barriga”
Comer mais que o necessário é freqüentemente visto nas
crianças, pois algumas delas colocam mais comida no prato
do que realmente conseguem comer, mas isso pode ser fruto
de uma alimentação errada desde os primeiros anos de vida.
Quem nunca ouviu alguém falando: “Menino, você tem que
comer tudo pra engordar e crescer forte! Criança gordinha é
criança saudável!” Pois bem, esses pensamentos das mães e
avós, e até mesmo a prática de forçar a criança a comer tudo
o que foi colocado no prato, também são fatores culturais for-
temente ligados ao fator psicológico, podendo contribuir para
a obesidade na infância e na adolescência. Devemos então
ensinar nossas crianças a colocarem no prato somente aquilo
que for necessário para saciar a fome.
UNIDADE 3 – Da desnutrição à obesidade
50
A qualidade da comida brasileira também é avaliada dentro
dos aspectos culturais. Vamos deixar bem claro que não es-
tamos questionando a qualidade do nosso carro-chefe, o fa-
moso arroz com feijão, que é combinação perfeita em termos
de nutrientes essenciais. O Brasil é um país de sabores fan-
tásticos, cada lugar tem seu jeitinho de preparar alimentos e
suas comidas típicas. Entretanto, na maioria das vezes, o valor
energético desses pratos regionais é elevado, devido à utiliza-
ção de ingredientes gordurosos, como, por exemplo, creme
de leite, azeite de dendê, torresmo, manteiga e embutidos.
Também temos o costume de usar muito açúcar, seja pra fa-
zer um doce ou adoçar sucos.
Essas práticas fazem a qualidade da comida, no que diz respei-
to a valores nutritivos, ser inferior ao necessário, pois a gor-
dura e o açúcar não acrescentam vitaminas e minerais, sen-
do o que chamamos de calorias vazias. Então, a contribuição
nutricional de um cozido à brasileira, por exemplo, pode ser
comprometida pela escolha errada dos ingredientes, podendo
torná-lo um alimento extremamente calórico. Dessa maneira,
devemos fazer as melhores escolhas para preparar a merenda
de nossas crianças, pois o nosso propósito é fornecer, além
do aporte calórico, alimentos de excelente valor nutritivo. No
nosso módulo de planejamento e preparação de cardápios,
vamos dar algumas dicas para tornar a nossa merenda mais
nutritiva e gostosa.
A cultura de um povo pode ser influenciada pela cultura de
outros povos. Esse fato tornou-se mais comum com a globa-
lização. Atualmente o Brasil está passando por uma enorme
influência da cultura norte-americana, principalmente nos as-
pectos alimentares. Podemos dizer que os brasileiros cada vez
mais estão adquirindo o modo americano de se alimentar.
Como é o jeito americano de se alimentar?
A cultura americana é sustentada na correria do dia-a-dia. Ali-
mentar-se em família pode significar perda de tempo, então,
o mercado de fast foods (comida rápida) abraçou essa causa
e se proliferou por todo o território dos Estados Unidos. Ge-
ralmente os produtos ofertados pelos fast foods levam muita
gordura em sua composição, principalmente gordura satu-
rada e gordura trans como é o caso dos hambúrgueres e
pizzas, sorvetes e tortas. Também é comum o uso de açúcar
em excesso na fabricação de certos alimentos, como os refri-
Gordura saturada é um
tipo de gordura presente
em alimentos de origem
animal. São exemplos: carnes
gordas, toucinho, pele de
frango, queijos, leite integral,
manteiga, requeijão, iogurte.
O consumo desse tipo de
gordura deve ser moderado,
porque quando consumido
em grandes quantidades
pode aumentar o risco de
desenvolvimento de doenças
do coração.
51
UNIDADE 3 – Da desnutrição à obesidade
gerantes e as sobremesas. A oferta de fibras alimentares por
esses estabelecimentos é muito baixa. Isso pode ser verifica-
do observando-se a quantidade de verduras e frutas oferta-
das pelos fast foods. Podemos perceber que raramente nos
produtos há a presença desse grupo dos alimentos (frutas e
verduras), e quando há a quantidade é muito reduzida.
Por que será que esse tipo de alimentação pode ser
prejudicial à saúde de nossas crianças e
adolescentes?
É óbvio o prejuízo que esse tipo de comida oferece às nossas
crianças e adolescentes, contribuindo para o ganho excessi-
vo de peso, além de outras doenças, como a hipertensão e o
diabetes. Porém, eles ainda continuam comendo e insistindo
com os pais para que comprem esses alimentos, sendo que,
muitas vezes, os pais acabam fazendo a vontade dos filhos.
Hoje já temos crianças com colesterol alto e hipertensão.
O que antes era doença de idosos agora está aparecendo com
maior freqüência nas fases iniciais da vida devido aos maus
hábitos alimentares. A presença de obesidade na infância
pode provocar sérias complicações no futuro, tais como de-
senvolvimento de doenças no coração, diabetes e até alguns
tipos de cânceres. A questão do preconceito é evidenciada
com freqüência nos casos de obesidade infantil e isso pode
levar a um quadro de depressão, afetando os aspectos psico-
lógicos do desenvolvimento da criança.
Por que será que, mesmo sabendo dos malefícios
causados por esse tipo de alimentação, o consumo
desses produtos vem aumentando cada vez mais?
Isso é muito fácil de explicar. Vamos fazer uma reflexão sobre
os comerciais, as lojas e as promoções dos fast foods. Tudo
parece muito lindo, crianças felizes, rapidez, facilidade, custo
relativamente baixo, atendentes felizes e capazes de realizar
todos os seus desejos. Não é assim que imaginamos? Pois
bem, isso tudo é a influência que a mídia procura exercer
sobre nossa vontade, e ela é tão cruel que do jeito que nos
mostra faz parecer que não seremos felizes se não consu-
mirmos aqueles alimentos. Crueldade maior ainda no que
se refere às crianças, pois lança produtos com brindes de
seus personagens favoritos e ainda ilude os pais com algu-
Gordura trans é um tipo
de gordura encontrada em
grandes quantidades em
alimentos industrializados,
como as margarinas,
cremes vegetais, biscoitos,
sorvetes, snacks (salgadinhos
prontos), produtos de
panificação, alimentos
fritos e lanches salgados
que utilizam as gorduras
vegetais hidrogenadas na sua
preparação. O consumo desse
tipo de gordura deve ser
muito reduzido, considerando
que o nosso organismo não
necessita desse tipo de
gordura e, ainda, porque
quando consumido em
grandes quantidades
pode aumentar o risco de
desenvolvimento de doenças
do coração.
UNIDADE 3 – Da desnutrição à obesidade
52
mas informações erradas. Por exemplo: colocar informações
como: “Contém 60% do cálcio que seu filho necessita dia-
riamente” ou “Enriquecido com ferro para que seu campeão
cresça saudável”.
Dessa forma convencem os pais e filhos
que determinado produto é essencial para seu crescimento
e desenvolvimento, sendo que, na maioria das vezes, está
contribuindo para o crescimento da obesidade e de outras
doenças graves.
Não são apenas os maus hábitos alimentares que contribuem
para o crescimento assustador da obesidade infantil. Hoje, de-
vido à preocupação com a segurança ou mesmo por um estilo
de vida particular, as crianças não brincam mais na rua, cor-
rendo ou passeando de bicicleta, e acabam passando muito
tempo em frente da TV, assistindo a filmes e desenhos que
muitas vezes estimulam a violência. Ou, então, ficam mui-
tas horas jogando videogame ou em frente do computador,
quase sempre acompanhadas por algum tipo de alimento ex-
cessivamente energético, como biscoitos, salgadinhos, pipo-
cas, refrigerantes e doces. Essas práticas acabam por deixar
a criança sedentária, contribuindo para agravar o quadro de
obesidade infantil, sem contar o prejuízo das relações sociais,
pois a convivência com outras crianças fica restrita apenas ao
ambiente escolar.
53
IMPORTANTE
UNIDADE 3 – Da desnutrição à obesidade
O que podemos fazer para ajudar a melhorar a
situação nutricional de nossas crianças e
adolescentes?
Como já vimos, uma alimentação desequilibrada e a falta de
exercícios físicos são elementos fundamentais para o desen-
volvimento da obesidade infantil. Quanto mais cedo ocorrer
mudança na alimentação e alteração no estilo de vida seden-
tário, mais fácil será mudar os hábitos da criança e, assim,
contribuir para uma vida mais saudável futuramente. Para que
isso aconteça, é imprescindível a participação ativa da família,
dos professores e da comunidade escolar, já que as crianças
reproduzem as práticas de seus familiares e educadores.
Em relação às alterações alimentares, é importante enfatizar
que esse processo deve ser cauteloso, pois crianças e ado-
lescentes não podem passar por períodos de restrição de ali-
mentos, já que estão em fase de crescimento ativo. O que
se deve fazer é a sensibilização deles para o problema em
questão e, conjuntamente, estimular a prática da alimentação
saudável. Assim, estaremos mantendo o aporte de nutrientes
necessários para o desenvolvimento físico das crianças e ado-
lescentes.
A presença de um profissional de saúde para auxiliar o pro-
cesso de tratamento da obesidade é importantíssima; além
disso, a escola também tem papel fundamental na constru-
ção dos hábitos alimentares corretos das crianças. Por isso
os cardápios das refeições escolares são elaborados por nu-
tricionistas, pois esses profissionais possuem conhecimento
UNIDADE 3 – Da desnutrição à obesidade
54
técnico para planejar uma refeição que atenda às necessida-
des das crianças. Porém você, Educador Alimentar, também
tem a responsabilidade de auxiliar nessa questão, executan-
do um cardápio mais saudável, utilizando menos gordura e
açúcar para fazer as deliciosas preparações servidas pela sua
escola. Além disso, pode também estimular as crianças a co-
merem mais frutas e verduras, colocando, por exemplo, car-
tazes no refeitório de sua escola com algumas informações
relativas às propriedades das frutas e verduras.
Como já falamos, a atividade física é outro fator que combate
e previne a obesidade infantil. Em relação a isso, sabe-se que
ser fisicamente ativo desde a infância apresenta muitos bene-
fícios, não somente em termos corporais, mas também nas
relações sociais. A atividade física melhora o desenvolvimento
motor da criança, ajuda no seu crescimento e estimula a par-
ticipação futura em programas de atividade física, podendo
até aumentar a auto-estima de crianças e adolescentes com
histórico de depressão.
O exercício físico também contribui para o afastamento da
criança da televisão, dos computadores e dos jogos de video-
game, sendo que essas práticas sedentárias têm uma grande
parcela de culpa no crescimento da obesidade infantil. Uma
criança que assiste regularmente à televisão não só está ina-
tiva como também sofre a influência das propagandas, que
promovem maior ingestão de alimentos ricos em gorduras e
açúcares e de baixo valor nutricional. Sabemos que a TV é o
principal meio de comunicação no Brasil, isso por ser a forma
de lazer mais acessível a todas as camadas da população. Po-
demos perceber que a TV exerce influências negativas sobre
a saúde, por meio de programas e/ou propagandas com con-
teúdos de violência, sexualidade, estímulo à alimentação não
saudável, sem falar na influência do uso de tabaco e álcool.
Mesmo assim, os pais, por uma questão de comodidade e
segurança, estimulam seus filhos a passar horas em frente de
TVs e computadores.
Alguns estudos mostram que a média de comerciais de pro-
dutos alimentícios veiculados na TV por hora varia em torno
de 10, sendo que nos horários destinados à programação in-
fantil esse número é bem maior. Os comerciais de alimentos
destinados às crianças são bem trabalhados e desenvolvidos,
suas criações envolvem personagens e técnicas de marketing
capazes de sensibilizar não só as crianças, mas também os
seus pais.
55
IMPORTANTE
UNIDADE 3 – Da desnutrição à obesidade
Um estudo realizado em 2002, que analisou 648 horas de pro-
gramação de TV nas três principais emissoras do Brasil, veri-
ficou a distribuição dos alimentos anunciados de acordo com
os grupos da pirâmide alimentar. O gráfico abaixo mostra os
valores encontrados.
Percentual dos comerciais de alimentos classificados de
acordo com os grupos da pirâmide alimentar
57,8%
21,2%
11,7%
9,3%
0,0%
Gorduras, óleos, açúcares e
doces
Pães, cereais, arroz e
massas
Leites, queijos e iogurtes
Carnes, ovos e leguminosas
Frutas e vegetais
Gráfico 2: Percentual dos comerciais de alimentos veiculados pela
mídia televisiva divididos por grupo da pirâmide alimentar
Como estamos vendo, a grande maioria das propagandas são
dos alimentos pertencentes ao grupo que menos devemos
comer: os das gorduras e açúcares. A exposição das crianças
a esse tipo de propaganda estimula o aumento do consumo
desses alimentos e contribui para o crescimento da obesidade
infantil.
Caro Educador Alimentar, mesmo não sen-
do de sua responsabilidade a prática de atividade
física na sua escola, você deve procurar os respon-
sáveis por essa área e propor uma mudança. Quem
sabe promover uma gincana, novos jogos e brincadei-
ras que estimulem a prática de atividade física de forma
lúdica e, assim, resgatar algumas brincadeiras que não
fazem parte das novas gerações, como, por exemplo,
pular corda, amarelinha, elástico, brincadeira de pique
e outras tantas! Essas atividades, além de promover a
diversão, podem contribuir para a redução do sedenta-
rismo. Despertar nas crianças a vontade de ser mais
ativas contribui, também, para reduzir o tempo que
elas estarão expostas aos comerciais de alimentos
não saudáveis.
4
Alimentos
industrializados e
alimentos naturais
UNIDADE 4 – Alimentos industrializados e alimentos naturais
58
Como vimos na unidade anterior, os alimentos industrializa-
dos estão fazendo parte de nossa alimentação com mais fre-
qüência. Vimos também que a mídia, mais precisamente a
televisão, está contribuindo para esse fato, utilizando estraté-
gias eficazes no convencimento de
pais e filhos, no sentido de
estimular o consumo de alimentos industrializados. Todo esse
processo de alteração do tipo de alimentos consumidos pela
população mundial teve uma origem, e vamos agora dar um
breve histórico desse processo, mostrando também quais as
vantagens de se consumir alimentos naturais, em termos de
custo, qualidade e benefício para a saúde.
Desde a invenção das máquinas, os seres humanos come-
çaram a abandonar os campos e a viver em cidades. A vida
moderna levou as pessoas a conviverem com processos de
industrialização que nos trazem conforto e comodidade.
Hoje em dia, com a industrialização, a alimentação se tornou
muito mais acessível. Basta sairmos de casa e podemos en-
contrar uma grande variedade de alimentos nas feiras, su-
permercados, restaurantes e outros locais. Mas você já per-
cebeu que alguns alimentos são mais caros que outros? Os
alimentos industrializados, principalmente, exigem tecnologia
e passam por todo um processo de fabricação, embalagem
e distribuição. Além disso, as indústrias podem manipular os
ingredientes dos alimentos que elas vendem, com o objetivo
de torná-los agradáveis para seu consumidor, ou seja, nós.
Por esse motivo, os alimentos industrializados são, em geral,
mais caros.
Mas existe outra preocupação por trás desse assunto. O que
as indústrias utilizam para tornar os alimentos mais agradá-
veis? Os industrializados são equivalentes aos alimentos in
natura? Será que todos os ingredientes são naturais? Existem
leis que regulam a produção industrial de alimentos?
Os produtos industrializados, em geral, possuem substâncias
conhecidas como “aditivos químicos” que apresentam funções
diversas: conservar por mais tempo, melhorar o sabor, alterar
a cor, acrescentar cheiro (ou aroma) e/ou mudar a consistên-
cia dos alimentos, além de outras finalidades. Entretanto, nem
todas essas substâncias utilizadas podem ser encontradas na
natureza. Algumas são resultados de estudos e desenvolvidas
em laboratórios, mas não se sabe ao certo quais seriam as
conseqüências da ingestão dessas substâncias, no organismo
humano,
a longo prazo.
Você consegue imaginar
uma pessoa que, ao sentir
fome, teria que ir a um
pomar colher frutas para
comer? E mais ainda: se,
para saciar a sua fome,
você tivesse que caçar um
animal?
59
UNIDADE 4 – Alimentos industrializados e alimentos naturais
Existe uma legislação sobre os aditivos alimentares. O órgão
que fiscaliza a aplicação
dessas regras é a Agência Nacional
de Vigilância Sanitária (Anvisa), mas como é praticamente im-
possível atuar em todas as indústrias ao mesmo tempo, a fis-
calização se dá de maneira periódica ou esporádica. Eventual-
mente, algumas indústrias de alimentos podem se aproveitar
dessa falta de vigilância e acabam desobedecendo às leis dos
aditivos químicos, colocando em risco a saúde dos consumi-
dores. Atualmente, todas as indústrias que utilizam aditivos
devem respeitar as quantidades estabelecidas pela Anvisa,
bem como discriminá-los
no rótulo dos respectivos alimen-
tos. Falando nisso, vamos conhecer um pouco mais sobre a
rotulagem dos alimentos e como ela pode nos ajudar?
Todas as informações a respeito do alimento devem estar con-
tidas em seu rótulo, tais como: nome do produto, peso, ingre-
dientes, características e data de validade. No entanto, nem
sempre as informações presentes são de fácil entendimento.
Então vamos agora dar maiores esclarecimentos sobre os
rótulos e quais informações ele deve conter. Com maior co-
nhecimento dos rótulos você poderá optar por produtos mais
saudáveis na hora de fazer suas compras.
Em 21 de setembro de 2001 as empresas fabricantes de ali-
mentos e bebidas foram obrigadas por lei a colocar nos rótulos
dos seus produtos as seguintes informações: valor calórico,
carboidratos, proteínas, gorduras totais, gorduras saturadas,
colesterol, fibra alimentar, cálcio, ferro e sódio. Essas informa-
ções devem estar listadas da seguinte maneira:
• Denominação de venda do alimento: é o nome que indi-
ca a origem e as características do alimento. Por exemplo:
óleo de soja, gordura vegetal hidrogenada, cereal matinal à
base de trigo, leite UHT desnatado, biscoito recheado sabor
morango.
• Lista de ingredientes: essa listagem deve ser por ordem
decrescente da proporção, ou seja, do que mais está pre-
sente no alimento para o que menos é encontrado no ali-
mento. Os aditivos alimentares também devem fazer parte
da lista, sendo relatados por último.
• Peso líquido: no rótulo deve constar a quantidade de ali-
mento presente na embalagem, sendo expressa normal-
mente em mililitro (ml), litro (l), grama (g), quilo (kg) ou por
unidade.
Veja a Portaria n. 540
da Anvisa, que trata dos
aditivos alimentares, no site
<http://e-legis.anvisa.gov.
br/leisref/public/showAct.
php?id=88>.
Segundo a Anvisa, rótulo
dos alimentos é diferente de
embalagem. Rótulo é toda
inscrição, legenda, imagem e
gráficos que estejam escritos
impressos, estampados,
gravados ou colados sobre
a embalagem do alimento.
Embalagem é o recipiente
destinado a garantir a
conservação e facilitar o
transporte e manuseio dos
alimentos. Alguns tipos
de embalagens são: vidro,
plástico, papelão.
UNIDADE 4 – Alimentos industrializados e alimentos naturais
60
• Identificação da origem: devem ser indicados o nome e o
endereço do fabricante. Atualmente, a maioria das indús-
trias oferece aos clientes o Serviço de Atendimento ao Con-
sumidor (SAC), disponibilizando também no rótulo o telefo-
ne e o e-mail, para facilitar o contato em caso de dúvidas,
críticas ou sugestões.
• Identificação do lote: todo rótulo deve ter impressa uma
indicação em código que permita identificar o lote a que
pertence o alimento.
• Prazo de validade: deve estar presente de forma visível e
clara. No caso de alimentos que exijam condições especiais
para sua conservação, deve ser indicado o melhor local de
armazenamento (freezer, congelador, geladeira) e o venci-
mento correspondente. O mesmo se aplica aos alimentos
que podem se alterar depois de abertas suas embalagens.
O consumidor deve estar sempre atento à data de validade,
ao adquirir um alimento. Todo produto vencido deve ser
desprezado, pois, além de perder a garantia de qualidade
pelo fabricante, pode trazer riscos à saúde.
• Instruções sobre o preparo e uso do alimento: quando ne-
cessário, o rótulo deve conter as instruções necessárias so-
bre o modo apropriado de uso, incluídos a reconstituição e
o descongelamento.
• Informações nutricionais: todos os alimentos e bebidas
produzidos, comercializados e embalados na ausência do
cliente e prontos para oferta ao consumidor devem ter as
informações nutricionais presentes no rótulo. O modelo de
rotulagem nutricional, proposto pela Anvisa, encontra-se a
seguir. Obrigatoriamente a informação nutricional deve es-
tar por porção (fatia, copo, unidade) e os nutrientes devem
estar dispostos conforme a Tabela 13.
• Contém glúten: desde 1992 todos os produtores de alimen-
tos industrializados contendo glúten proveniente dos ingre-
dientes trigo, aveia, cevada e centeio e/ou seus derivados,
passaram a ter que incluir obrigatoriamente a advertência
no rótulo das embalagens, a fim de alertar os indivíduos
com doença celíaca, que não podem consumir tais alimen-
tos devido à intolerância ao glúten.
61
UNIDADE 4 – Alimentos industrializados e alimentos naturais
A doença celíaca é causada pela intolerância ao
glúten, uma proteína encontrada no trigo, aveia, ce-
vada, centeio e seus derivados ou em preparações que
contenham algum desses cereais. Por exemplo: mas-
sas, pizzas, bolos, pães, biscoitos, cerveja, uísque, vodka
e alguns doces. Ela se manifesta com diarréia, perda de
gordura nas fezes, vômito, perda de peso, inchaço nas
pernas, anemias, alterações na pele, fraqueza das unhas,
queda de pêlos, diminuição da fertilidade, alterações do
ciclo menstrual e sinais de desnutrição. Essa doença pro-
voca dificuldade do organismo de absorver os nutrientes
dos alimentos, vitaminas, sais minerais e água. A doença
só pode ser diagnosticada por meio de exames específicos.
Normalmente se manifesta em crianças com até um ano
de idade, quando começam a ingerir alimentos que con-
tenham glúten ou seus derivados. A demora no diagnós-
tico leva a deficiências no desenvolvimento da criança.
Em alguns casos se manifesta somente na idade adulta,
dependendo do grau de intolerância ao glúten, afetan-
do homens e mulheres.
• Alimentos para fins especiais: os alimentos para fins es-
peciais, ou seja, os formulados para atender necessidades
específicas, devem ter no rótulo a respectiva designação,
seguida da finalidade a que se destina (exemplos: diet, li-
ght, enriquecido em vitaminas, isento de lactose).
Em alguns casos, é obrigatória a utilização de alertas, como:
“Contém fenilalanina” (alimentos com adição de aspartame)
ou “Diabéticos: contém sacarose” (alimentos contendo açú-
car).
O que não pode estar presente no rótulo?
• palavras, sinais ou desenhos que tornem a informação do
rótulo falsa, como, por exemplo: determinada quantidade
de chocolate equivale a 1 copo de leite;
• atribuir ao produto qualidades que não foram demonstra-
das, como, por exemplo: dizer que o consumo de certa
quantidade de um produto reduz o risco de doença do co-
ração;
UNIDADE 4 – Alimentos industrializados e alimentos naturais
62
• destacar a presença ou ausência de qualquer nutriente que
é próprio do alimento, como, por exemplo: óleo vegetal
sem colesterol, pois nenhum óleo vegetal possui coleste-
rol;
• indicar que o alimento possui propriedades terapêuticas ou
medicinais, como, por exemplo: previne a osteoporose.
A Tabela abaixo mostra como as informações nutricionais de-
vem estar presentes nos rótulos. Agora, como você já possui
conhecimentos a respeito dos nutrientes, poderá exercer seus
direitos e deveres de consumidor e também optar por alimen-
tos mais saudáveis.
Tabela 13: Informações nutricionais que devem estar contidas em
um rótulo de alimento
INFORMAÇÃO NUTRICIONAL
Porção de _____ g/ medida caseira
Quantidade por porção % VD (*)
Valor Energético kcal kJ
Carboidratos g
Proteínas g
Gorduras Totais g
Gorduras Saturadas g
Gorduras Trans g – –
Fibra Alimentar g
Sódio mg
Outros Minerais (1) mg ou mcg
Vitaminas (1) mg ou mcg
* Valores Diários de referência com base em uma dieta de 2.000 calorias. Seus valores
diários podem ser maiores ou menores dependendo de suas necessidades energéticas.
Os aditivos químicos, assunto que iniciou toda essa discussão
sobre rotulagem, devem, então, ser listados como ingredien-
tes do alimento, obedecendo à ordem decrescente de quanti-
dade, ou seja, o primeiro da lista apresenta-se em quantidade
maior do que o segundo, e assim sucessivamente até o últi-
mo, que está presente em menor quantidade do que todos os
outros listados antes dele.
Vá ao supermercado mais
próximo de sua casa e
analise os rótulos de
10 produtos diferentes;
procure pegar alimentos
de todas as seções do
supermercado. Veja se há
alguma irregularidade nos
rótulos; caso encontre,
entre em contato a Anvisa
pelo endereço eletrônico:
<http://www.anvisa.gov.br/
institucional/faleconosco/
mail.asp> e faça a denúncia
de irregularidade. Assim
você estará fazendo
seu papel de cidadão
fiscalizador.
63
IMPORTANTE
UNIDADE 4 – Alimentos industrializados e alimentos naturais
Agora que sabemos como são identificados os rótulos dos
alimentos, vamos ver as funções dos principais aditivos quí-
micos:
Corantes
Os corantes têm a função de “colorir” os alimentos, fazendo
com que os produtos industrializados tenham uma aparência
mais parecida com os produtos naturais, sendo assim mais
agradáveis, portanto, aos olhos do consumidor. Eles são ex-
tremamente comuns, já que a cor e a aparência têm um papel
importantíssimo na aceitação dos produtos pelo consumidor.
Uma gelatina de morango, por exemplo, que fosse transpa-
rente não faria sucesso. Um refrigerante sabor laranja sem co-
rantes ficaria com a aparência de água pura com gás, o que
faria que parecesse mais artificial, dificultando sua aceitação.
Os corantes são encontrados na grande maioria dos produtos
industrializados, como as massas, bolos, margarinas, sorve-
tes, bebidas, gelatinas, biscoitos, entre outros.
Aromatizantes
Os aromatizantes têm por função dar gosto e cheiro aos ali-
mentos industrializados, realçando o sabor e o aroma. Assim
como os corantes, os aromatizantes também fazem com que
os alimentos industrializados se pareçam mais com os produ-
tos naturais, pois, como já foi dito, isso é essencial na aceita-
ção do produto pelo consumidor.
Informar que um salgadinho artificial de milho tem sabor e
cheiro de presunto ou de churrasco torna-o mais atrativo, pois
o consumidor pode reconhecer naquele produto um sabor co-
nhecido, semelhante a outro produto não industrializado que
ele já comeu, causando a falsa impressão de que o produto
não é tão artificial assim.
Muitos alimentos não possuem em sua composição as frutas
que as embalagens anunciam, mas apenas aromatizantes que
lhes imitam o sabor e aroma. Por exemplo, alguns produtos
industrializados mostram em seu rótulo: “aroma idêntico ao
de pêssego”. Essa afirmação não garante que aquele alimento
tenha pêssegos em sua composição. O aroma, nesse caso,
pode ser imitado por alguma substância sintética, ou seja,
produzida pelas indústrias e não pela natureza.
UNIDADE 4 – Alimentos industrializados e alimentos naturais
64
Os aromatizantes podem ser encontrados em sopas, carnes en-
latadas, biscoitos recheados, bolos e sorvetes, entre outros.
Conservantes
Ao contrário dos corantes e aromatizantes, os chamados con-
servantes não possuem função de fazer com que os produtos
industrializados pareçam ser o que na realidade não são, ou
seja, naturais. Sua meta é evitar a ação dos microorganismos
que agem na deterioração dos alimentos, fazendo com que
durem mais tempo sem estragar. São encontrados em refrige-
rantes, concentrados de frutas, chocolates, sucos, queijos fun-
didos, margarinas, conservas vegetais, carnes, pães, farinhas
e em milhares de diversos outros alimentos industrializados.
Antioxidantes
Assim como os conservantes, os antioxidantes procuram
manter os alimentos em boas condições de consumo por mais
tempo. Eles têm sua principal aplicação em óleos e gorduras,
impedindo ou retardando sua deterioração, evitando a forma-
ção de “ranço”. Podem ser encontrados em sorvetes, leite em
pó instantâneo, leite de coco, produtos de cacau, conservas
de carne, cerveja, margarina, óleos e gorduras em geral, fari-
nhas, polpa e suco de frutas, refrescos e refrigerantes.
Estabilizantes
São utilizados para manter a aparência dos produtos, tendo
como principal função estabilizar as moléculas, pequenas par-
tes que compõem os alimentos. Ao misturar dois ou mais in-
gredientes, são os estabilizantes que permitem que o produto
final tenha, por inteiro, o mesmo aspecto e não características
diferentes de cada componente (emulsão).
Acidulantes
São utilizados principalmente nas bebidas e têm função pare-
cida com a dos aromatizantes. Os acidulantes podem modifi-
car a doçura do açúcar, além de conseguir imitar o sabor de
certas frutas e dar um sabor ácido ou agridoce nas bebidas.
São encontrados principalmente nos sucos de frutas e refrige-
rantes, entre outros.
65
IMPORTANTE
UNIDADE 4 – Alimentos industrializados e alimentos naturais
Sabemos que, na prática, nós não comemos apenas os aditi-
vos. Vejamos, na Tabela 14, alguns alimentos que geralmente
contêm esses ingredientes.
Tabela 14: Aditivos químicos geralmente presentes em alguns
alimentos – Riscos e dicas para tentar amenizar os efeitos
prejudiciais à saúde
Produto Aditivos possíveis Principal risco Dicas
Salsichas
Antioxidantes,
corantes e
realçadores de
sabor.
Os conservantes mais
usados em embutidos
(presunto, salsicha, lingüiça)
podem provocar câncer.
Mesmo as salsichas sem
corante não são alimentos
saudáveis.
Reduza ao mínimo o
consumo de
embutidos, dando
preferência às
carnes frescas.
Pudins e
iogurtes
Espessantes,
aromatizantes,
acidulantes,
conservantes e
corantes.
Nessa classe de produtos,
os corantes e conservantes
representam o maior risco.
Em excesso, podem
causar alergias e problemas
de disfunções no sistema
digestivo.
Pudins feitos em
casa e coalhadas
enriquecidas com
frutas frescas são
ótimas opções para
substituir.
Hambúrguer
Antioxidantes,
conservantes,
corantes,
estabilizantes e
realçadores de
sabor.
O glutamato monossódico,
um dos realçadores de
sabor, aparentemente pode
provocar câncer, mas novos
estudos ainda estão em
andamento para confirma-
ção.
Sempre que
possível, substitua o
hambúrguer
industrializado por
um caseiro, feito
com carne moída
fresca.
Gelatinas, ba-
las e doces
Acidulantes,
aromatizantes e
corantes artificiais.
Os corantes são os vilões,
pelo risco de alergias. A
longo prazo, há suspeitas de
que possam levar a danos
digestivos.
Uma boa substituição
são os doces casei-
ros. Salada de frutas
é uma opção que
alia sabor e saúde.
Sopa em pó
Aromatizantes,
conservantes,
corantes,
estabilizante e
realçadores de
sabor.
Utilizam conservantes à base
de sódio, que em excesso
pode causar problemas de
pressão ou mesmo
cardíacos.
Utilização do caldo
usado na cocção de
vegetais,
aproveitando
nutrientes naturais.
Carne en-
latada
Antioxidantes,
conservantes e
estabilizantes.
Sua cor é preservada pela
adição de grandes
quantidades de
antioxidantes e conservantes,
que podem originar
problemas circulatórios.
Utilizar, sempre que
possível, carnes
frescas, mesmo que
sejam cortes
baratos.
UNIDADE 4 – Alimentos industrializados e alimentos naturais
66
Um dos grandes problemas dos aditivos químicos são as con-
seqüências que estes podem trazer ao corpo humano. Não se
pode controlar a quantidade ingerida nem fugir deles, pois es-
tão presentes em todos os alimentos industrializados. Muitas
vezes, diferentes alimentos apresentam aditivos semelhantes,
o que torna o consumo cumulativo: vamos supor que você
comeu biscoitos pela manhã e salgadinhos à noite. Se am-
bos tiverem os mesmos aditivos químicos, você terá comi-
do duas vezes uma grande quantidade dessas substâncias.
Quanto maior o consumo de alimentos industrializados, pro-
porcionalmente maior será a ingestão de aditivos químicos.
Considerando esse aspecto cumulativo, é impossível prever
a sua toxicidade a longo prazo. As reações provocadas no
nosso organismo pelo consumo de aditivos químicos ainda
são objeto de pesquisas, porém sabe-se que existem casos
de reações alérgicas, desenvolvimento de câncer e problemas
no sistema digestivo, além de outros, decorrentes da ingestão
desses compostos.
Agrotóxicos
Os agrotóxicos são quaisquer produtos de natureza biológica,
física ou química que têm objetivo de exterminar pragas ou
doenças que ataquem as plantações. Os agrotóxicos podem
ser:
• Pesticidas ou praguicidas – combatem insetos em geral.
• Fungicidas – atingem os fungos.
• Herbicidas – eliminam as plantas invasoras ou daninhas.
67
UNIDADE 4 – Alimentos industrializados e alimentos naturais
Na tentativa de defender a agricultura contra tais perigos, a uti-
lização de agrotóxicos teve início na década de 1920 e, duran-
te a Segunda Guerra Mundial, eles foram utilizados até como
arma química. No Brasil, a sua utilização tornou-se evidente a
partir da década de 1960. Em 11 de julho de 1989 foi sancio-
nada a Lei n. 7.802/1989, que regula a pesquisa, a experimen-
tação, a produção, a embalagem e rotulagem, o transporte, o
armazenamento, a comercialização, a propaganda comercial,
a utilização, a importação, a exportação, o destino final dos re-
síduos das embalagens, o registro, a classificação, o controle,
a inspeção e a fiscalização de agrotóxicos, seus componentes
e afins. A partir dessa lei, os agricultores foram liberados para
comprar e utilizar, racionalmente, esses produtos.
Quando bem utilizados, os agrotóxicos impedem a ação de
agentes nocivos, sem estragar, contaminar ou prejudicar os
alimentos. Porém, se os agricultores não tiverem alguns cui-
dados durante o uso, os agrotóxicos podem afetar o ambiente
e a saúde das pessoas. Os erros mais comuns são:
• Utilização de doses de agrotóxicos maiores do que as ne-
cessárias.
• Realização da colheita antes do tempo de degradação para
o agrotóxico.
• Pulverização do agrotóxico sobre o próprio corpo.
O manuseio inadequado de agrotóxicos é, portanto, um dos
principais responsáveis pelo acúmulo dessas substâncias nos
alimentos. A ação delas no organismo humano pode ser rá-
pida (intoxicação aguda) ou lenta (intoxicação crônica), che-
gando, em alguns casos, a demorar anos para se manifestar.
A intoxicação por agrotóxicos tem causado diversas vítimas
fatais, além de abortos, fetos com má-formação, suicídios,
câncer, dermatoses (doenças da pele) e outras doenças. Se-
gundo a Organização Mundial da Saúde, há 20.000 mortes/
ano em conseqüência da manipulação, inalação e consumo
indireto de pesticidas nos países em desenvolvimento.
O Brasil hoje utiliza agrotóxicos em larga escala e as intoxica-
ções por essas substâncias estão aumentando tanto entre os
trabalhadores rurais que ficam expostos, como entre pessoas
que se contaminam por meio do consumo de alimentos. Al-
guns estudos já relataram a presença de agrotóxicos no leite
materno, o que poderia causar defeitos genéticos nos bebês
nascidos de mães contaminadas.
Você pode consultar a Lei
n. 7.802/1989 a qualquer
momento, pelo site do
governo ou da Anvisa, no
endereço <http://www.
planalto.gov.br/ccivil/leis/
L7802.htm>.
UNIDADE 4 – Alimentos industrializados e alimentos naturais
68
Em quais alimentos os agrotóxicos podem ser encontrados?
São encontrados, principalmente, em vegetais (verduras, le-
gumes, frutas e grãos). Entretanto, alimentos de origem ani-
mal (leite, ovos, carnes e frangos) podem conter substâncias
nocivas que chegam a contaminar o organismo animal no mo-
mento em que este se alimenta de água ou de ração impreg-
nadas por agrotóxicos.
Atualmente, a população, não satisfeita em consumir alimen-
tos que possam conter resíduos tóxicos, está exigindo a pro-
dução de alimentos fabricados e armazenados sem agrotóxi-
cos. Os alimentos orgânicos – isentos de agrotóxicos – estão
ganhando a atenção dos consumidores interessados nesse
assunto.
A Anvisa é responsável por fiscalizar produtos contaminados
por agrotóxicos. Se uma empresa vender produtos que têm
contaminantes em excesso – a ponto de prejudicar o am-
biente ou a saúde – ela deverá sofrer advertência, multa ou
apreensão do produto.
Vá até um mercado e procure por produtos orgâ-
nicos. Registre em seu memorial se existe diferença de
preço entre produtos normais e orgânicos. Caso exista,
liste os motivos que poderiam justificar este fato.
Na prática, esta unidade nos mostra que devemos controlar
o consumo de alimentos industrializados, diversificando ao
máximo a alimentação. O ideal é utilizar alimentos naturais,
se possível orgânicos (ou sem agrotóxicos), consumindo os
industrializados quando não houver alternativa e, de preferên-
cia, em pequenas quantidades. Assim, eliminamos o risco de
estar acumulando altos níveis de substâncias químicas que
possam ser nocivas ao nosso organismo.
Verifique se o cardápio oferecido em sua
escola é composto por até 70% de alimentos básico.
Caso essa quantidade seja maior, informe ao seu tutor e
procure a pessoa responsável pela compra ou pedido de
alimentos para discutir a respeito desse assunto.
Você sabia que dos recursos
destinados ao PNAE, deve-
se utilizar, no mínimo, 70%
na aquisição de produtos
básicos. Essa é a realidade
que acontece em sua
escola? Converse com seu
tutor sobre esse assunto.
5
Conquistas de uma
alimentação saudável
UNIDADE 5 – Conquistas de uma alimentação saudável
70
Para se garantir uma boa saúde, alimentar-se de forma ade-
quada e saudável é fundamental. Como já discutimos, a ali-
mentação saudável pode prevenir muitas doenças, tais como
anemia, desnutrição, obesidade, além de diminuir os riscos de
infecções e auxiliar no bom desenvolvimento físico e mental
dos indivíduos.
A dieta ideal é aquela que fornece todos os nutrientes neces-
sários para o funcionamento perfeito do organismo. Devemos
lembrar também da qualidade desses alimentos, pois dar
preferência a alimentos naturais sem adição de substâncias
químicas, como agrotóxicos e outros aditivos, pode ajudar
na prevenção de doenças. Você já sabe que uma alimentação
saudável não é composta somente por frutas e verduras, já
que devemos comer os alimentos de todos os grupos – car-
boidratos, verduras e frutas, leguminosas, proteínas, leite e
derivados, açúcares e gorduras –, além disso devemos variar
entre os alimentos de cada grupo. Assim, receberemos os be-
nefícios de ter uma alimentação saudável.
Sabemos também que a obesidade é uma doença e que ela
pode ocasionar várias outras complicações, tanto físicas como
psicológicas. Os efeitos ruins da obesidade estão atingindo o
homem sem fazer diferença de idade, ou seja, o número de
crianças, adultos e idosos com sobrepeso e obesidade está
cada vez maior no mundo todo. O excesso de gordura corpo-
ral, que caracteriza a obesidade, na maioria das vezes é pro-
veniente de uma ingestão calórica diária superior ao gasto de
energia do indivíduo. A combinação de hábitos alimentares
saudáveis com a prática de atividade física é fundamental para
a manutenção do peso saudável, para a redução do risco de
doenças e para a melhoria na qualidade de vida.
Ter uma alimentação saudável pode trazer uma série de bene-
fícios, pois o fornecimento de todos os nutrientes em quan-
tidades adequadas é essencial para a manutenção do peso
saudável. Outra questão bastante discutida é que a alimen-
tação saudável aumenta a disposição para realizar atividades
intelectuais tanto na escola, proporcionado um melhor apren-
dizado, como no trabalho, melhorando o desempenho do tra-
balhador.
Em relação à saúde das pessoas, pesquisas indicam que al-
guns compostos presentes naturalmente nos alimentos, ou a
eles adicionados, são capazes de reduzir o risco de contrair
várias doenças graves, tais como cânceres e doenças do co-
UNIDADE 5 – Conquistas de uma alimentação saudável
71
IMPORTANTE
ração. Os alimentos que possuem tal característica são deno-
minados de alimentos funcionais, e deve ficar bem claro que
esses alimentos não curam as doenças, mas são capazes de
reduzir o risco de contraí-las. A tabela abaixo mostra alguns
alimentos e suas características funcionais.
Tabela 15: Alimentos funcionais, nutrientes e suas características
Alimento Nutriente Característica funcional
Cenoura, mamão,
abóbora
Vitamina A
Essenciais para a visão e
estimulam o sistema imunológico.
Amendoim, nozes, soja Vitamina E
Efeito protetor às doenças do
coração.
Laranja, limão, maracujá Vitamina C
Efeito protetor para câncer de
estômago e auxílio na absorção
do ferro.
Feijão, vegetais de folhas
verde-escuras
Ácido fólico
Efeito protetor de defeitos neurais
na formação do feto.
Leite e derivados,
gergelim
Cálcio Efeito protetor da osteoporose.
Azeite de oliva
Ácidos graxos monoin-
saturados
Efeito protetor sobre o câncer de
mama e de próstata.
Peixes de água fria Ômega 3
Efeito protetor em relação às
doenças do coração.
Óleos vegetais Ômega 6
Efeito protetor em relação às
doenças do coração.
Uva, ameixa, cereja Flavonóides
Efeito protetor em relação a
cânceres e ação antiinflamatória.
Como podemos ver, existem diversos alimentos que são ca-
pazes de nos oferecer proteção contra várias doenças; esses
citados acima são somente alguns exemplos que comprovam
a importância de se ter uma alimentação saudável e variada.
O crescimento físico de crianças e adolescentes representa
uma das conquistas proporcionadas por uma alimentação
saudável. Para um crescimento adequado, a presença de cál-
cio na alimentação é indispensável, pois esse mineral partici-
pa da formação dos ossos e dentes. As principais fontes de
UNIDADE 5 – Conquistas de uma alimentação saudável
72
cálcio são os leites e derivados, porém podemos encontrá-
lo em outros alimentos, como o gergelim e hortaliças verde-
escuras. Algumas pessoas podem vir a manifestar alergia ou
intolerância ao leite, diminuindo assim a possibilidade de con-
sumo desse alimento tão importante. Esse assunto será mais
amplamente abordado no nosso Módulo 16.
Não consumir alimentos que são fontes de cálcio implica maior
risco, principalmente para as mulheres, de adquirirem osteo-
porose, uma doença com controle, porém sem cura. Grande
parte do cálcio que ingerimos é depositada em nossos ossos.
Caso a ingestão de cálcio seja inferior ao que necessitamos,
o cálcio já depositado no osso será reabsorvido pelo nosso
organismo, ou seja, ocorrerá a desmineralização do osso, ca-
racterizando a osteoporose. As pessoas que possuem essa
doença apresentam maior facilidade de fraturar os ossos.
A manutenção da saúde óssea não depende somente do cál-
cio que ingerimos, ela também está relacionada à ingestão de
outros nutrientes, à exposição aos raios solares por períodos
adequados, para produção de vitamina D, e também à prática
de atividade física. Mais uma vez a atividade física está ligada
à alimentação para prevenção de doenças e melhoria da qua-
lidade de vida.
Como a atividade física auxilia na melhoria da
qualidade de vida?
A atividade física promove maior equilíbrio energético, o que
contribui para um melhor aproveitamento dos nutrientes dos
alimentos, sem acumular gordura no corpo. Manter uma vida
fisicamente ativa é muito importante, pois sabe-se que pes-
soas fisicamente em forma têm mais qualidade de vida, me-
lhor desempenho no trabalho, adoecem menos e as chances
de envelhecer com saúde aumentam. Esses benefícios tam-
bém se aplicam às crianças, para as quais a prática regular de
exercícios físicos também favorece um melhor desempenho
escolar, melhor convívio social com amigos e familiares e me-
nores chances de envolvimento com drogas ilícitas.
A Sociedade Brasileira
de Alimentos Funcionais
define alimento funcional
como aquele alimento ou
ingrediente que, além das
funções nutricionais básicas,
quando consumido como
parte da dieta usual, produz
efeitos metabólicos e/ou
fisiológicos e/ou efeitos
benéficos à saúde, devendo
ser seguro para consumo
sem supervisão médica.
A eficácia e a segurança
desses alimentos devem ser
asseguradas por estudos
científicos.
Visite o site <http://www.
sbaf.org.br/sbaf/alimentos_
funcionais.htm> e tenha
maiores informações sobre
os benefícios dos alimentos
funcionais.
UNIDADE 5 – Conquistas de uma alimentação saudável
73
IMPORTANTE
Fazer atividade física continuamente auxilia na mobilidade,
fortificação dos músculos, ossos e articulações, diminuindo as
chances de lesões nesses tecidos por algum esforço realizado
no trabalho, ou mesmo em momentos de lazer, atuando tam-
bém como fator protetor de doenças dos ossos e articulações.
Além disso, ajuda a manter as funções hormonais, imunológi-
cas e intestinais dentro das faixas de normalidade.
Educador Alimentar, agora você já compreende melhor o
quanto a alimentação das crianças e adolescentes de sua es-
cola é importante para que eles tenham melhor qualidade de
vida, ou seja, possam viver mais e com saúde, tenham um
melhor aprendizado e também estejam motivados para a prá-
tica de atividade física. Então, tente inserir na sua escola um
cardápio que contemple todos os grupos dos alimentos, em
especial as frutas e verduras. Você pode conversar com os res-
ponsáveis pela merenda escolar e falar que a presença desses
alimentos é fundamental para a saúde das crianças. Comente
a respeito de tudo que você já aprendeu até agora, sugira aos
professores que abordem a temática da alimentação saudável
em sala de aula e converse com os alunos a respeito do tema.
O importante é que de alguma forma as crianças se sintam
sensibilizadas e motivadas para a prática de hábitos de vida
saudáveis.
6
Segurança alimentar e
nutricional
UNIDADE 6 – Segurança alimentar e nutricional
76
O Conselho Nacional de
Segurança Alimentar e
Nutricional (Consea) foi
criado em 1993 e entre
suas ações buscou-se
traçar a situação real do
Brasil naquela época.
Posteriormente ele
foi desativado, sendo
substituído pelo Programa
Comunidade Solidária.
Em 2003, ele foi reativado
e a fome passou a ser
discutida novamente, vindo
a integrar as prioridades do
Governo Federal. Criou-se,
então, o Programa Fome
Zero que desenvolve ações
que visam a promoção
do Direito Humano à
Alimentação Adequada.
Como já vimos no Módulo 10, o conceito de alimentação é
diferente de nutrição. A alimentação está relacionada com a
produção de alimento, a disponibilidade, o igual acesso a ali-
mentos pela população e a capacidade de saciar a fome dos
indivíduos. Já a nutrição está relacionada à escolha por ali-
mentos saudáveis, ao preparo adequado, para preservar as
características nutricionais e as condições de saúde, higiene
e vida para melhor garantir a utilização dos alimentos em ter-
mos biológicos e sociais. Então, nutrir vai além de alimentar.
Vamos apresentar agora como esse conceito foi colocado em
prática no Brasil.
A questão da falta de disponibilidade e de acesso à alimenta-
ção por parte da população brasileira começou a ser discutida
na década de 1940. Foi nessa época que surgiram programas
assistenciais e de doação de alimentos que visavam diminuir
a fome e a desnutrição no País. Entretanto, não havia um enfo-
que específico que levasse em conta, também, características
da qualidade dos alimentos. Dessa forma, a garantia de uma
alimentação completa, incluindo conceitos mais abrangentes,
acabou ficando num segundo plano, estando em primeiro pla-
no a garantia de que a fome biológica fosse saciada.
Somente a partir da década de 1990 a questão do acesso a
alimentos de qualidade tomou conta do cenário de discussão
no País, surgindo ações mais estruturadas. Tais ações visaram
o estabelecimento de parcerias entre governos e produtores
rurais, o mapeamento das regiões mais carentes do Brasil e a
elaboração de estratégias que atingiriam essas regiões, o esta-
belecimento de formas de controle e fiscalização dos recursos
destinados aos programas, a busca da melhoria do perfil nu-
tricional da população brasileira e, também, o aumento da fre-
qüência e a melhoria no desempenho escolar das crianças.
Um grande passo foi dado em 2006 com a sanção da Lei Or-
gânica de Segurança Alimentar e Nutricional (Losan) pelo Pre-
sidente da República, e esse fato pode ser considerado como
um novo marco legal, ou seja, agora o acesso à Alimentação
Adequada é um direito garantido por lei. Toda essa legisla-
ção teve seu embasamento no Direito Humano à Alimentação
Adequada (DHAA). Segundo a Organização das Nações Uni-
das (ONU), o direito à alimentação adequada é um direito hu-
mano inerente a todas as pessoas. Esse direito inclui o acesso
regular, permanente e irrestrito, quer diretamente ou por meio
de aquisições financeiras, a alimentos seguros e saudáveis,
em quantidade e qualidade adequadas e suficientes, corres-
Para obter maiores
informações a respeito
do Consea visite o site
<https://www.planalto.gov.
br/Consea/exec/index.cfm>.
UNIDADE 6 – Segurança alimentar e nutricional
77
IMPORTANTE
pondentes às tradições culturais do seu povo e que garanta
uma vida livre do medo, digna e plena nas dimensões física e
mental, individual e coletiva.
O que é segurança alimentar e nutricional?
Todas as pessoas têm direito a uma alimentação saudável,
acessível, de qualidade, em quantidade suficiente e de modo
permanente. Isso é o que chamamos de segurança alimentar
e nutricional. Ela deve ser totalmente baseada em práticas ali-
mentares promotoras da saúde, sem nunca comprometer o
acesso a outras necessidades essenciais.
A segurança alimentar e nutricional é um direito de todo brasi-
leiro e nela se ressalta que as particularidades e características
culturais de cada região devem ser respeitadas. Além disso,
é dever
do poder público respeitar, proteger, promover, infor-
mar, monitorar, fiscalizar e avaliar a realização do direito hu-
mano à alimentação adequada, bem como garantir as ações
para que ele seja concretizado.
O conceito de alimentação adequada envolve todos os nu-
trientes necessários ao indivíduo, sendo que as condições so-
ciais, econômicas, culturais, climáticas e ecológicas também
fazem parte desse conceito. Assim sendo, as relações entre o
comer e o meio ambiente devem ser trabalhadas em conjun-
to, a fim de se atingir o objetivo ideológico do Direito Huma-
no à Alimentação Adequada (DHAA). Baseado nesse princípio
ideológico, a
Losan se fundamenta no conceito e na prática da
agricultura familiar e sustentável.
UNIDADE 6 – Segurança alimentar e nutricional
78
O que é agricultura familiar?
É quando um grupo familiar de produtores agrícolas realiza de
forma participativa todo o processo produtivo, desde a esco-
lha da cultura, diversificação, tipo de plantio até o escoamento
da produção de alimentos. Essa forma de cooperativa propi-
cia melhores condições de vida no campo, melhora o convívio
familiar – pois permite maior proximidade com os filhos –, pre-
serva o meio ambiente e a biodiversidade, além de resgatar
formas tradicionais de cultivo. Dessa forma ela agrega o valor
social dos agricultores à qualidade dos produtos. Sua impor-
tância é ainda maior considerando-se que cria oportunidades
de trabalho local, reduzindo o êxodo rural, diversifica a ati-
vidade econômica e busca promover o desenvolvimento de
pequenos e médios municípios.
Por que no Brasil criaram-se políticas que visam
esse tipo de agricultura?
As políticas públicas a favor da agricultura familiar tiveram iní-
cio no Brasil a partir de meados da década de 1990, sendo
que os fatores principais que motivaram o surgimento des-
sas políticas públicas são: a crescente necessidade de ações
governamentais em relação ao quadro de exclusão social e
o fortalecimento dos movimentos sociais rurais, como, por
exemplo, o Movimento dos Sem-Terra (MST).
Outra questão a ser levada em consideração pela Losan no
sentido de promover os DHAA é a agricultura sustentável, que
busca por meio de métodos alternativos, tais como agricultu-
ra orgânica, controle biológico e natural de pragas, o desen-
UNIDADE 6 – Segurança alimentar e nutricional
79
IMPORTANTE
volvimento de uma agricultura com menor prejuízo possível
ao meio ambiente e à saúde humana. Dentro desses objetivos
também está a criação de comunidades agrícolas mais lucra-
tivas, ou seja, os conceitos de agricultura familiar e de agri-
cultura sustentável estão intimamente ligados, construindo
o ideal filosófico fortemente defendido pelo Governo e pelas
comunidades que as praticam.
Como a comunidade escolar deve usufruir dos
benefícios que a agricultura familiar e sustentável
oferece?
Como você, Educador Alimentar, já sabe, as escolas públi-
cas recebem verbas do Governo Federal que são destinadas
à compra de alimentos para a merenda escolar, sendo esta
ação parte integrante do Programa Nacional de Alimentação
Escolar (PNAE). Essas verbas devem ser complementadas pe-
los governos locais e estaduais, ou seja, estados e municípios
devem repassar recursos financeiros para contribuir com a
melhor qualidade da merenda escolar. Os responsáveis pela
compra dos gêneros alimentícios de sua escola ou mesmo
de todas as escolas do município podem, juntamente com
os membros da comunidade escolar, desenvolver ações que
promovam o incentivo a esses tipos de agricultura e, por sua
vez, adquirir alimentos com mais qualidade, contribuindo tan-
to para a saúde dos escolares como para o desenvolvimento
da região onde a escola se situa.
UNIDADE 6 – Segurança alimentar e nutricional
80
Não é só o Governo Federal que tem a obrigação de
destinar verbas para a merenda escolar; busque se in-
formar se na sua cidade o governo local está tendo essa
atenção para complementar os recursos da merenda esco-
lar. Você, como peça importante na formação dos hábitos
alimentares saudáveis das crianças, deve desempenhar o
papel de fiscal, a fim de garantir uma merenda mais nu-
tritiva.
É bastante comum encontrarmos escolas que já possuem al-
ternativas para aquisição de gêneros alimentícios com custos
menores e com mais qualidade, auxiliando, portanto, a com-
plementação da merenda escolar e o fornecimento de uma
refeição com maior valor nutritivo. Entre essas alternativas
podemos citar a construção de hortas dentro do ambiente es-
colar e, dessa forma, a presença mais freqüente de verduras
na merenda. Além disso, é possível envolver os alunos em to-
dos os processos da construção da horta, despertando neles
o interesse pela preservação e cuidado com o meio ambiente,
e também auxiliando no processo de mudança do comporta-
mento alimentar no sentido de aumentar o consumo de ver-
duras.
Você, Educador Alimentar, com todas essas informações, pode
buscar os responsáveis pela merenda escolar da sua escola e
propor a criação de ações que visem garantir o Direito Huma-
no à Alimentação Adequada dentro da sua comunidade.
Na nossa próxima unidade vamos dar alguns exemplos de
municípios que conseguiram melhorar a merenda escolar, as-
sim como promover o desenvolvimento local.
Em Florianópolis, capital
do Estado de Santa
Catarina, as ações de
agricultura familiar e
sustentável foram iniciadas
em 2001 por seis escolas;
hoje essas ações estão
sendo praticadas por 102
escolas do estado, gerando
desenvolvimento local e
práticas saudáveis pelos
escolares.
7
Experiências de
sucesso na gestão do
PNAE
UNIDADE 7 – Experiências de sucesso na gestão do PNAE
82
A promoção da saúde no ambiente escolar está sendo tratada
como um tema de grande importância por organismos nacio-
nais e internacionais ligados às áreas de saúde e educação.
O desenvolvimento de atividades promotoras da saúde tem
papel fundamental para a expansão do tema na comunidade
escolar e assim ganhar espaço no cenário mundial.
Sabe-se que para promover atividades para a melhora da saú-
de, tanto individual como coletivamente, é necessária a cria-
ção de meios que facilitem o acesso às informações sobre
práticas saudáveis, para gerar conhecimento sobre os bene-
fícios que essas atitudes trarão para aqueles que decidirem
exercê-las. O nosso curso é um exemplo de atividade promo-
tora de saúde dentro do ambiente escolar, pois a formação
de um Educador Alimentar é essencial para a propagação de
bons hábitos alimentares a toda a comunidade escolar.
Vimos na nossa unidade “Conquistas de uma alimentação sau-
dável” o quanto a alimentação balanceada e em quantidades
adequadas contribui para o bom desempenho das crianças e
adolescentes na escola e traz muitos outros benefícios já co-
mentados. Com o intuito de também garantir meios para uma
boa aprendizagem, o Governo brasileiro criou o Programa Na-
cional de Alimentação Escolar (PNAE), que se encontra bem
detalhado no Módulo 12. Você, Educador Alimentar, é peça
fundamental para o bom funcionamento desse programa, vis-
to que você é quem tem o contato direto com os alunos na
hora das refeições. Sendo assim, exercer seu papel de educa-
dor trará grandes benefícios a toda comunidade escolar.
Para podermos ilustrar como é possível fazer mudanças em
nossa merenda a fim de se obter uma merenda mais saudável,
capaz de promover o desenvolvimento da comunidade local
e também a melhoria da saúde dos alunos, vamos mostrar
algumas experiências que deram certo.
Merenda sustentável
O custo de algumas verduras pode se tornar mais barato
quando criamos as hortas dentro das escolas ou mesmo uma
horta municipal ou comunitária que fornecerá alimentos para
as escolas da rede de ensino. Além disso, essa prática garante
o fornecimento de uma merenda mais variada, e conseqüen-
temente mais saudável, podendo até gerar desenvolvimento
econômico local.
Anualmente a Organização
Não-Governamental (ONG)
Ação Fome Zero promove
um concurso com várias
categorias de premiação
para Gestões Eficientes da
Merenda Escolar.
Saiba como participar do
Prêmio Gestor Eficiente.
Visite o site <http://www.
apoiofomezero.org.br> e leia
o regulamento.
UNIDADE 7 – Experiências de sucesso na gestão do PNAE
83
IMPORTANTE
Algumas ações bastante interessantes, que visam esse propó-
sito, foram implementadas por cidades em várias regiões do
País, sendo que a tabela abaixo descreve o que já foi feito. En-
tão você, Educador Alimentar, tendo conhecimento dos bons
exemplos, pode se tornar um multiplicador dessas ações, e
assim estará contribuindo para o crescimento de sua comu-
nidade.
Tabela 16: Ações e efeitos gerados nas localidades que exerceram
atividades de sustentabilidade na merenda escolar
Local Ação Efeito
Capanema (PR)
Criação de hortas nas
escolas do município
e utilização de
produtos da região na
merenda (açúcar
mascavo, banana,
polpa de fruta).
Economia de 85% dos
recursos destinados
à compra de frutas e
verduras.
Desenvolvimento local.
Primavera do Leste
(MT)
Criação de hortas
comunitárias
fornecedoras de
frutas e verduras para
as escolas do
município.
Merenda mais
nutritiva e variada.
Desenvolvimento local.
João Pessoa (PB)
Seleção e compra dos
alimentos que farão
parte do cardápio
escolar.
Maior contato da
comunidade escolar
com os Gestores do
PNAE.
Cardápios especificados
de acordo com a
realidade e preferência
de cada escola.
Redução em 20% da
evasão escolar.
Desenvolvimento local.
UNIDADE 7 – Experiências de sucesso na gestão do PNAE
84
Local Ação Efeito
Santa Catarina
Compra dos gêneros
perecíveis pelas
escolas e
não-perecíveis pela
Secretaria de
Educação do estado.
Economia, pois como
a compra dos
não-perecíveis é
realizada para todo o
Estado de SC, os
gêneros saem por um
custo menor.
Maior variedade no
cardápio e adequação
de acordo com cada
microrregião do
estado.
Desenvolvimento local.
Aracy (BA)
Criação de centro de
comercialização de
produtos agrícolas
destinados às escolas.
Merenda mais nutritiva
e variada.
Desenvolvimento local.
Bebedouro (SP)
Criação de uma
pequena indústria de
suco de laranja.
Suco natural na
merenda escolar.
Desenvolvimento local.
Canindé do São Fran-
cisco (SE)
Substituição do leite
em pó por leite de
cabra.
Desenvolvimento local.
Pelotas (RS)
Compra de alimentos
orgânicos para compor
a merenda escolar,
proveniente de
cooperativa local.
Melhor qualidade da
merenda.
Desenvolvimento local.
Lucas do Rio Verde
(MT)
Criação de hortas em
todas as escolas do
município e parcerias
com empresas
fornecedoras de
materiais e assessoria
no plantio.
Merenda escolar mais
nutritiva e variada.
UNIDADE 7 – Experiências de sucesso na gestão do PNAE
85
IMPORTANTE
Promoção de hábitos alimentares saudáveis
Um dos principais objetivos do PNAE é fornecer uma merenda
de qualidade, composta por alimentos saudáveis, a fim de pro-
mover a saúde dos alunos e também um melhor desempenho
deles na escola. Sendo assim, a implementação de práticas
que promovam a alimentação saudável é fundamental para
que os escolares tenham bons hábitos alimentares. Tendo em
vista a necessidade de ações que contemplem essa questão,
alguns locais realizaram ações específicas de promoção da ali-
mentação saudável em suas escolas.
Podemos notar também que as ações de sustentabilidade da
merenda escolar buscaram promover a alimentação saudável,
pois o simples fato de inserir mais frutas e verduras no cardá-
pio da merenda escolar já incentiva o aumento do consumo
desses alimentos. Mais uma vez, você, Educador Alimentar,
deve se espelhar nos bons exemplos de iniciativas, para que
as crianças da sua comunidade escolar tenham melhor quali-
dade de vida, por meio de uma prática alimentar mais saudá-
vel. Veja agora na tabela abaixo alguns desses exemplos.
Tabela 17: Ações e efeitos gerados nas localidades que exerceram
atividades de promoção de alimentação saudável na merenda
escolar
Local Ação Efeito
Primavera do Leste
(MT) e Lucas do Rio
Verde (MT)
Utilizar as hortas como
objeto de estudo.
Aprendizado das
crianças, professores
e funcionários das
escolas.
Caçador (SC)
Nutricionista do
município visita as
escolas e realiza
atividades de educação
nutricional com
professores e
merendeiras.
Maior contato da
comunidade escolar
com o nutricionista,
promoção de
atividades que visam
hábitos alimentares
saudáveis.
Paragominas (PA)
Prêmio Merenda
Escolar Saudável, que
busca a adesão de
escolas para a prática
de criação de hortas
escolares.
Merenda mais nutritiva
e variada.
Melhor adesão das
escolas.
Esteio – (RS)
Desenvolvimento de
atividades de educação
nutricional com alunos
das escolas do
município.
Promoção da
alimentação saudável.
Redução no
desperdício da
merenda.
UNIDADE 7 – Experiências de sucesso na gestão do PNAE
86
Podemos observar que algumas ações de promoção da ali-
mentação saudável contemplaram atividades de educação
nutricional e utilização das hortas como exemplo prático. Des-
sa forma os alunos podem aprender o valor nutricional dos
alimentos, saber quais alimentos compõem uma refeição sau-
dável e quais aqueles que devem ser evitados. Outro exemplo
de ação de promoção da alimentação saudável é a realização
de visitas na cozinha da escola, pois assim você, Educador Ali-
mentar, poderá mostrar aos alunos como devem ser prepara-
dos os alimentos e ao mesmo tempo promover maior integra-
ção entre você e os alunos, facilitando o processo de mudança
de hábitos. Essas ações, dentro da escola, com o objetivo de
aumentar o contato dos alunos com os vários aspectos da ali-
mentação podem ser sistemáticas, ou seja, os alunos podem,
por exemplo, regularmente ter “aulas de culinária saudável”.
Cursos de capacitação
Escolha uma receita saudável, de preferên-
cia que inclua frutas e/ou verduras em seus
ingredientes e que seja de fácil preparo, e convide
as crianças para ajudar na tarefa.
Sugestão de receita: Suco de maracujá com couve.
Ingredientes: 2 maracujás grandes, 2 folhas de couve-
manteiga picadas, 1 litro de água e 4 colheres de sopa
rasas de açúcar. Bata tudo no liquidificador, coe e sir-
va para as crianças. Rende 6 copos.
Você, Educador Alimentar, exerce um papel muito importante
na formação escolar dos alunos, por isso a sua atualização
em relação às boas práticas de produção de refeições, bem
como em técnicas que evitam o desperdício, é fundamental
para que a merenda da sua escola tenha qualidade higiênica
e nutricional.
Sabendo do seu grande valor, Educador Alimentar, alguns
gestores da merenda escolar oferecem cursos de capacitação
para as merendeiras de suas cidades. Outro fator que tam-
bém vem sendo levado em consideração é a necessidade de
melhorar a qualidade das atividades em seu local de trabalho,
por isso, cursos para evitar as Lesões por Esforços Repetitivos
UNIDADE 7 – Experiências de sucesso na gestão do PNAE
87
IMPORTANTE
(LER) também estão sendo oferecidos por algumas cidades. O
reconhecimento da importância do seu trabalho pode motivá-
lo a produzir merendas mais saudáveis e de qualidade e fazer
de você um promotor de bons hábitos alimentares.
A tabela abaixo mostra algumas ações que visam melhorar o
trabalho do Educador Alimentar.
Tabela 18: Ações e efeitos gerados nas localidades que realizaram
cursos e capacitação de merendeiros
Local Ação Efeito
Capanema (PR)
Capacitação de merendeiras
para o aproveitamento total dos
alimentos.
Economia e merenda mais
nutritiva.
Rio Pardo (RS)
Elaboração do Manual de Boas
Práticas na produção de
refeições.
Orientação adequada às
merendeiras e melhores
condições higiênicas na
produção da merenda
escolar.
Piracicaba (SP)
Criação do Dia da Merendeira,
com realização de curso que visa
evitar as Lesões por
Esforços Repetitivos.
Melhor qualidade no trabalho
da merendeira e
reconhecimento do seu
importante papel nas
atividades escolares.
Suzano (SP)
Cursos mensais de capacitação
de merendeiras para as Boas
Práticas de Produção de Re-
feições.
Melhor qualidade da
merenda.
Maior cumprimento de
cardápios.
Outras ações que visam uma melhor qualidade da
merenda escolar
Outras ações também são empregadas na gestão do PNAE
a fim de otimizar seus recursos e também garantir uma me-
renda mais saudável aos alunos. A tabela abaixo traz alguns
exemplos que deram certo e se mostraram eficientes em suas
proposições.
UNIDADE 7 – Experiências de sucesso na gestão do PNAE
88
Tabela 19: Ações e efeitos gerados nas localidades que exerceram
atividades que visam otimizar os recursos do PNAE e melhorar a
qualidade da merenda
Local Ação Efeito
Piracicaba (SP)
Proibição de alimentos
enlatados na merenda
escolar.
Merenda mais nutritiva
e variada.
Maranhão
Informatização dos
dados da merenda
escolar em relação ao
custo e qualidade
nutricional.
Eficiência no controle
do custo e da qualidade
nutricional da merenda
escolar.
Você pôde perceber o quanto o PNAE tem se mostrado impor-
tante para os alunos que dele se beneficiam e também para a
comunidade local. A Gestão do PNAE deve ser eficiente a fim
de que seus recursos sejam bem empregados e todos os seus
objetivos alcançados. Você, como ator importante da comuni-
dade escolar, inserido no contexto global das ações do PNAE,
deve procurar fazer em sua escola um ambiente promotor da
saúde, visando uma melhor e mais completa educação das
crianças e qualidade de vida de todos.
REFERÊNCIAS
89
IMPORTANTE
REFERÊNCIAS
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Dispõe sobre a pesquisa, a experimentação, a produção, a
embalagem e rotulagem, o transporte, o armazenamento, a
comercialização, a propaganda comercial, a utilização, a im-
portação, a exportação, o destino final dos resíduos e emba-
lagens, o registro, a classificação, o controle, a inspeção e a
fiscalização de agrotóxicos, seus componentes e afins, e dá
outras providências. Diário Oficial da União, Brasília, jul. 1989.
Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil/leis/L7802.
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