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LIVRO DO
PROFESSOR
MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO
FUNDESCOLA /PROJETO NORDESTE/SECRETARIA DE ENSINO FUNDAMENTAL
BRASÍLIA, 2000
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Livros Grátis
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2 3
Índice
Apresentação 5
O que precisa saber quem alfabetiza 7
Alfabetização e letramento 7
Como se aprende a ler e escrever 10
O que está escrito e o que se pode ler 24
Aprender a ler: um pouco de história 32
As idéias, concepções e teorias que sustentam a
prática de qualquer professor, mesmo quando ele
não tem consciência delas. 35
O que propor na sala de aula... 59
O que são: poemas, canções, cantigas de roda, adi-
vinhas, trava-línguas, parlendas e quadrinhas 59
É fundamental lembrar 63
Situações de aprendizagem 63
Exemplos de atividades 69
O que são: contos de fadas, mitos, lendas e fábulas 75
É fundamental lembrar 80
Situações de aprendizagem 80
Exemplos de atividades 85
O que são: textos informativos, textos
instrucionais e biografias 92
É fundamental lembrar 96
Situações de aprendizagem 97
Exemplos de atividades 101
Presidente
Fernando Henrique Cardoso
Ministro da Educação
Paulo Renato Souza
Secretária do Ensino Fundamental
Iara Glória Areias Prado
Fundo de Fortalecimento da Escola - Direção Geral
Antônio Emílio Sendim Marques
Coordenação Escola Ativa
Fernando Pizza
Elaboração: Ana Rosa Abreu, Claudia Rosenberg Aratangy, Eliane Mingues,
Marília Costa Dias, Marta Durante e Telma Weisz.
Texto final: Denise Oliveira
Projeto gráfico e edição de arte: Alex Furini e José Rodolfo de Seixas
Revisão: Elzira Arantes
Alfabetização – Livro do professor
© 2000 Projeto Nordeste/Fundescola/Secretaria de Ensino Fundamental
Qualquer parte desta obra poderá ser reproduzida desde que citada a fonte.
Este material foi inspirado nos módulos do projeto “Escola de Corpo e Alma” produzido
pela equipe pedagógica da Prefeitura de Salvador em 1996.
Esta obra foi editada para atender a objetivos dos Programas Projeto de Educação Básica para
o Nordeste e FUNDESCOLA, em conformidade com os Acordos de Empréstimo números 3663
BR e 4311 BR com o Banco Mundial, no âmbito do Projeto BRA95/013 do PNUD – Programa
das Nações Unidas para o Desenvolvimento.
Alfabetização : livro do professor / Ana Rosa Abreu ... [et al.]. Brasília :
FUNDESCOLA/SEF-MEC, 2000.
176 p.
1. Alfabetização. 2. Ensino fundamental. 3. Escola pública I. Abreu, Ana Rosa II.
Aratangy, Claudia Rosenberg III. Mingues, Eliane IV. Dias, Marilia Costa V. Durante,
Marta VI. Weisz, Telma VII. FUNDESCOLA VIII. MEC-SEF
CDD 379.24
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4 5
Caro professor,
Este livro foi feito com o intuito de ajudá-lo a planejar boas
atividades de alfabetização. É composto de duas partes: a
primeira, “O que precisa saber quem alfabetiza”, mais teó-
rica, deve ajudá-lo a compreender melhor o processo pelo
qual passam seus alunos quando estão aprendendo a ler e
escrever. A segunda, “O que propor em sala de aula”, mais
prática, contém informações, explicações, exemplos sobre
diferentes tipos de textos e suas possibilidades de uso em
sala de aula além de um texto específico sobre planeja-
mento e uma bibliografia comentada.
Tanto a primeira quanto a segunda não se esgotam
aqui, ou seja, é interessante que você procure se aprofundar
nos temas tratados, estudando a bibliografia indicada. E é
importante que você amplie, reestruture e invente situa-
ções de aprendizagem em alfabetização.
Seus alunos estão recebendo 3 volumes que contêm os
vários tipos de textos que estão sendo abordados aqui. Não
esqueça que cada região, cada cidade, cada lugar tem suas
cantigas, canções, lendas etc. Portanto esta coletânea pode
ser ampliada por você e por eles.
Esperamos que este material possa contribuir com seu
trabalho.
Mãos à obra!
EQUIPE DA SEF
APRESENTAÇÃO
O que são: listas, cartas e bilhetes 105
É fundamental lembrar 108
Situações de aprendizagem 109
Exemplos de atividades 112
Como planejar as atividades de alfabetização 119
Bibliografia comentada 151
6 7
Alfabetização e letramento
É da tradição pedagógica brasileira considerar a alfabeti-
zação como uma etapa escolar anterior ao ensino da lín-
gua portuguesa.
Estudos e pesquisas dos últimos vinte anos
1
têm mostra-
do que as práticas que centram a alfabetização apenas na
memorização das correspondências entre sons e letras em-
pobrecem a aprendizagem da língua, reduzindo-a a um con-
junto de sons a serem representados por letras. Em função
disso, essa visão mais tradicional da alfabetização vem sendo
questionada. Isso não significa que não seja necessário apren-
der as letras e os sons correspondentes. Significa que isto é
apenas uma parte do conteúdo da alfabetização. A alfabetiza-
ção é uma aprendizagem mais ampla e complexa do que o
“bê-a-bá”. Esta concepção ampliada do conteúdo da alfabeti-
zação acabou por levar a uma orientação pedagógica na qual,
além de aprender sobre as letras, os alunos aprendem sobre
os diversos usos e as formas da língua que existem num mun-
do onde a escrita é um meio essencial de comunicação.
Para ensinar os usos e as formas da língua para se
escrever em português, é necessário, sempre que possível,
fazê-lo em situações comunicativas. Significa ter como
unidade de ensino a unidade funcional da língua: o texto.
1
Ver bibliografia anexa.
8 9
Significa também trazer para dentro da escola a diversida-
de textual que existe fora dela, abrindo assim, para nossos
alunos, as portas do mundo letrado.
E o que vem a ser isso de “letramento”? Segundo os
Parâmetros Curriculares Nacionais:
Letramento, aqui, é entendido enquanto produto da participação
em práticas sociais que usam a escrita como sistema simbólico e
tecnologia. São práticas discursivas que precisam da escrita para
torná-las significativas, ainda que às vezes não envolvam as ativi-
dades específicas de ler ou escrever. Dessa concepção decorre o
entendimento de que, nas sociedades urbanas modernas, não existe
grau zero de letramento pois nelas é impossível não participar, de
alguma forma, de algumas dessas práticas.
Isto significa que as pessoas que vivem e trabalham nas
cidades, mesmo quando são analfabetas, têm sempre al-
gum conhecimento sobre as práticas sociais letradas. Por
exemplo: um analfabeto que vive na cidade sabe que para
descobrir para onde vai um ônibus é preciso ler o nome ou
o número dele, e apesar de não saber ler acaba descobrin-
do formas de resolver seus problemas de transporte: seja
pedindo a alguém que leia, seja memorizando o número.
Mas para poder participar realmente do mundo letrado, é
preciso muito mais que isso. É preciso, por exemplo, poder
ler jornais e livros. Tornar-se capaz de aprender coisas atra-
vés da leitura. Costumávamos pensar que bastava ser ca-
paz de decodificar para poder ler qualquer coisa. Hoje sa-
bemos que não é bem assim. Para ler jornais ou outros
textos de uso social é preciso conhecer não só as letras,
mas também o tipo de linguagem em que são escritos. Para
poder compreender o que se está lendo – e não apenas fa-
zer barulho com a boca como um papagaio – é necessário
construir uma familiaridade com a linguagem que se usa
para escrever cada gênero.
Mas o que é isso de “gênero”? Segundo os Parâmetros
Curriculares Nacionais:
Todo texto se organiza dentro de um determinado gênero. Os
vários gêneros existentes, por sua vez, constituem formas relati-
vamente estáveis de enunciados (…). Podemos ainda afirmar que
a noção de gêneros refere-se a “famílias” de textos que comparti-
lham algumas características comuns (…).
Os gêneros são determinados historicamente. As intenções
comunicativas (…) geram usos sociais que determinam os gêne-
ros, os quais dão forma aos textos. É por isso que, quando um
texto começa com “era uma vez”, ninguém duvida de que está
diante de um conto, porque todos conhecem esse gênero. Diante
da expressão “senhoras e senhores”, a expectativa é ouvir um
pronunciamento público ou uma apresentação de espetáculo, pois
sabe-se que nesses gêneros o texto, inequivocamente, tem essa
fórmula inicial. Do mesmo modo, podemos reconhecer outros
gêneros como: cartas, reportagens, anúncios, poemas etc.
Portanto, além do conhecimento sobre as letras, o professor
precisa ensinar a seus alunos, ao mesmo tempo, a linguagem
que se usa para escrever os diferentes gêneros. E a forma de
ensinar isso é trazendo para dentro da sala de aula a diversi-
dade textual que existe fora. É lendo para eles – em situações
onde essa leitura faça sentido – os mais variados textos. Prin-
cipalmente para os alunos de escolas rurais que, com fre-
qüência, não têm quase nenhum contato com textos e leito-
res. São exatamente essas crianças que mais dependem da
escola para ter acesso ao conhecimento letrado e é com rela-
ção a elas que é maior a responsabilidade do professor.
Em função dessa nova compreensão do que seja a tare-
fa de alfabetizar, este material de apoio inclui um conjunto
10 11
de textos de diferentes gêneros para serem usados com os
alunos e várias sugestões de atividades a serem realizadas
com esses textos. Tanto os textos como as atividades são
apenas amostras e sua função é dar ao alfabetizador uma
idéia das possibilidades de trabalho.
Como se aprende a ler e escrever
2
A criança e seu processo de alfabetização
As pesquisas sobre o processo de alfabetização vêm mos-
trando que, para poder se apropriar do nosso sistema de
representação da escrita, a criança precisa construir res-
postas para duas questões:
1. O que a escrita representa?
2. Qual a estrutura do modo de representação da escrita?
A escola considera evidente que a escrita é “um sistema de
signos que expressam sons individuais da fala” (Gelb, 1976)
e supõe que também para a criança isso seja dado a priori.
Mas não é. No início do processo toda criança supõe que a
escrita é uma outra forma de desenhar as coisas. Vamos dar
alguns exemplos que o professor pode reconhecer, na sua
prática diária, mas não tinha até então como interpretar.
Pediu-se a uma criança, que aprendeu a reproduzir a for-
ma escrita do nome de sua mãe (Dalva), que escrevesse a pala-
vra “mamãe”, cuja forma ela não conhecia. Ela escreveu, com
convicção, “Dalva”. E, questionada em relação à inadequação
da sua escrita, ficou perplexa com a incapacidade adulta de
compreender uma coisa tão evidente, isto é, que Dalva e ma-
mãe são a mesma pessoa e, portanto, a mesma escrita.
O que a criança não compreende é que a escrita represen-
ta a fala, o som das palavras, e não o objeto a que o nome se
refere. De uma pesquisa realizada em Recife reproduzimos as
seguintes informações da entrevista ocorrida no início do ano
letivo com uma criança cursando pela primeira vez a 1ª série:
Diante do par de palavras BOI/ARANHA:
Experimentador: Nestes cartões estão escritas duas palavras:
boi e aranha. Onde você acha que está escrito boi e onde está
escrito aranha?
Criança: Aqui está escrito boi (apontando para a palavra ARA-
NHA) e aqui está escrito aranha (apontando para a palavra BOI).
Experimentador: Por que você acha que aqui (BOI) está escrito
aranha e aqui (ARANHA) está escrito boi?
Criança: Porque essa daqui tá pequena e esse daqui tá grande.
Tia me ensinou que boi começa com A.
Vê-se, portanto, aqui, o divórcio entre o conhecimento da le-
tra e as hipóteses dessa criança a respeito da escrita. Para ela, a
escrita devia conformar-se à sua concepção ainda realística da
palavra, ou seja, coisas grandes têm nomes grandes e coisas pe-
quenas têm nomes pequenos.
3
Mas o fato é que, em vez de confirmar, a realidade, dentro e
fora da escola, desmente seguidamente a teoria que a cri-
ança construiu sobre o que a escrita representa. Desmente
e problematiza, obrigando a criança a construir uma nova
teoria, novas hipóteses. Ao começar a se dar conta das ca-
racterísticas formais da escrita, a criança constrói então
duas hipóteses que vão acompanhá-la por algum tempo
durante o processo de alfabetização:
2
Este texto é um fragmento do artigo “Como se aprende a ler e escrever ou, prontidão,
um problema mal colocado”, de Telma Weisz, publicado em Ciclo Básico, CENP/
Secretaria de Estado da Educação de São Paulo, 1988.
3
In Aprender pensando: contribuições da Psicologia cognitiva para a educação,
SEE Pernambuco/1983.
12 13
a) de que é preciso um número mínimo de letras – entre
2 e 4 – para que esteja escrito alguma coisa
4
e
b) de que é preciso um mínimo de variedade de
caracteres para que uma série de letras “sirva para ler”.
De início, a criança não faz uma diferenciação clara entre o
sistema de representação do desenho (pictográfico) e o da
escrita (alfabético), como se pode observar na escrita de
Reginaldo, 6 anos (22/8/84).
5
O contato, no universo urbano, com os dois sistemas –
da escrita e do desenho – permite estabelecer progressiva-
mente essa diferenciação. Mas, mesmo quando a criança
já tem claro que “desenha-se com figuras” e “escreve-se
com letras”, a natureza do sistema alfabético ainda perma-
nece um mistério a ser desvendado.
Ainda antes de supor a escrita como representação da
fala, a criança faz várias tentativas de construir um siste-
ma que se assemelhe formalmente à escrita adulta, bus-
cando registrar as diferenças entre as palavras por meio de
diferenças na quantidade, posição e variação dos caracteres
empregados para escrevê-las. Veja a escrita da Edinilda
(22/8/84).
4
A idéia de que uma letra sozinha “não serve para ler”, “não diz nada”, nos dá
uma pista para compreender a dificuldade das crianças, mesmo as mais avançadas,
com a escrita isolada dos artigos.
5
In Repensando a prática de alfabetização – as idéias de Emília Ferreiro na sala de
aula, Telma Weisz – Cadernos de Pesquisa/1985.
Reginaldo ainda não estabelece uma diferença clara entre o sistema
de representação da escrita e do desenho. As letras que aparecem
são as do seu nome, menos em “borboleta”, onde usa as do nome
de sua irmã Sandra.
1) (gato
←
)
2) (borboleta
←
)
3) (
→
cavalo)
4) (i, agora vou
fazer o boi.)
5) (gato) (bebe leite)
REGINALDO, 6 anos
Edinilda avançou mais que
Reginaldo. Ela supõe que “escreve-se
com letras”, mas ainda não
descobriu que as letras representam
sons. Sua hipótese – é preciso uma
hipótese para produzir qualquer
escrita – poderia ser descrita assim:
Para escrever (qualquer coisa) é
preciso de 7 a 9 letras (o nome dela
tem 8 letras).
Mas não podem ser sempre as
mesmas letras, nem na mesma
posição. Por isso ela varia o máximo
que pode dentro do seu limitado
repertório, o que, às vezes, exige
que ela invente algumas.
Edinilda já percebeu que a palavras
diferentes correspondem escritas
diferentes, mas não sabe a que
atribuir essas diferenças, pois não
descobriu ainda o que é que as
letras representam.
EDINILDA, 7 anos
14 15
Enquanto não encontra respostas satisfatórias para
as duas perguntas fundamentais: “o que a escrita repre-
senta?” e “qual a estrutura do modo de representação
da escrita?”, a criança continua pensando e tentando
adequar suas hipóteses às informações que recebe do
mundo. A descoberta de que a escrita representa a fala
leva a criança a formular uma hipótese ao mesmo tempo
falsa e necessária: a hipótese silábica.
A HIPÓTESE SILÁBICA
A hipótese silábica é um salto qualitativo, uma daquelas
“grandes reestruturações globais” de que nos fala Piaget.
Um salto qualitativo tornado possível pelo acirramento das
contradições entre as hipóteses anteriores da criança e as
informações que a realidade lhe oferece.
O que caracteriza a hipótese silábica é a crença de
que cada letra representa uma sílaba – a menor unidade
de emissão sonora. Veja, a seguir, três amostras de es-
crita silábica.
A hipótese com a qual essa menina trabalha é a de que
cada letra representa uma emissão sonora, isto é, uma
sílaba oral. É o tipo de escrita que Emília Ferreiro chama
silábica estrita. Cleonilda demonstra um razoável conheci-
mento do valor sonoro convencional das letras que, no en-
tanto, ela adapta às necessidades de sua hipótese conceitual.
A vogal “o”, por exemplo, vale “to” em gato, “bor” e “bo” em
borboleta, “lo” em cavalo e novamente “bo” em boi.
A escrita desse menino também é silábica. Mas, no caso
dele, esta hipótese entra em conflito com outra: a hipótese da
quantidade mínima de caracteres para que um conjunto de
letras possa ser considerado uma palavra. (No início do pro-
cesso de alfabetização, as crianças supõem que uma única
letra “não serve para ler”, o que varia de uma para outra é o
número de letras que é tido como mínimo, em geral entre 2 e
4.) O Lourivaldo exige três letras no mínimo, o que cria um
problema na escrita dos monossílabos e dissílabos. A solução
que ele encontrou foi agregar letras sem valor sonoro às pala-
vras com menos de três sílabas, o que acabou criando, em gato
e boi, uma discrepância entre a intenção da escrita e a inter-
pretação da leitura: na escrita a letra muda era a terceira, mas
na hora de ler preferiu considerar como muda a letra do meio.
Há também preocupação com o valor sonoro convencional.
CLEONILDA, 7 anos
(22/8/84)
LOURIVALDO, 8 anos
(22/8/84)
16 17
Essa é uma escrita silábica bem mais difícil de reco-
nhecer que as anteriores. Um caso em que o conheci-
mento que a professora construiu observando a criança
é que possibilita a interpretação. Daniel estava vivendo
um momento de conflito cognitivo. Vinha testando sua
hipótese silábica em todas as palavras a que tinha aces-
so, isto é, todas as que alguém lia para ele, e ficava visi-
velmente aflito com as letras que sobravam. A forma que
encontrou de acomodar a situação foi agregar letras
mudas no final, mas esse arranjo não era, de modo al-
gum, satisfatório. Seu desconforto durante a atividade
era visível: recusou-se a ler “borboleta” e “boi” e foi pre-
ciso insistir muito para que lesse “cavalo” e “gato”.
Dissemos que a hipótese silábica é falsa e necessá-
ria. Vamos analisar as duas partes dessa afirmação. Em
primeiro lugar, a questão da falsidade. Supor que cada
letra representa uma sílaba é falso com relação à con-
cepção adulta da escrita, à convenção social, que é al-
fabética. Mas não resta dúvida de que é muito mais
verdadeira que as hipóteses anteriores. Ela dá uma res-
DANIEL, 7 anos
(22/8/84)
posta verdadeira à primeira questão: “O que a escrita
representa?” O salto qualitativo é a descoberta de que
a escrita representa os sons da fala. Junto com a com-
preensão da natureza do objeto representado emerge a
necessidade de estabelecer um critério de correspon-
dência. Não é mais possível à criança atribuir global-
mente a palavra falada à sua escrita. Impõe-se a neces-
sidade de partir tanto a fala quanto a escrita e fazer
corresponder as duas séries de fragmentos. Nesse es-
forço, a criança comete um erro: supõe que a menor
unidade da língua é a sílaba. Um “erro” aliás muito ló-
gico se pensarmos na impossibilidade de emitir o fonema
isolado. A hipótese silábica é, então, parcialmente fal-
sa, mas necessária. Necessária como são necessários
“erros construtivos” no caminho em direção ao conhe-
cimento objetivo.
As pesquisas de Emília Ferreiro, em 1982, com 900
crianças que cursavam pela primeira vez a 1ª série da
escola pública em várias cidades do México, mostram
que mais ou menos 85% das crianças estudadas que
aprenderam a ler utilizavam a hipótese silábica em pelo
menos uma das quatro entrevistas realizadas durante o
ano. Isto é, a maioria das crianças precisou desse “erro
construtivo” para chegar ao sistema alfabético. Como o
intervalo entre as entrevistas era de 60 a 80 dias, fica
difícil saber se os 15% restantes passaram ou não por
esse erro construtivo. Mas uma coisa é certa: é impossí-
vel chegar à compreensão do sistema alfabético da es-
crita sem descobrir, em algum momento, que o que a
escrita representa é a fala.
Mas, no processo de alfabetização, a hipótese silábi-
ca é, ao mesmo tempo, um grande avanço conceitual e
uma enorme fonte de conflito cognitivo.
18 19
No entanto, a hipótese silábica cria suas próprias condições de con-
tradição: contradição entre o controle silábico e a quantidade mínima
de letras que uma escrita deve possuir para ser interpretável (por
exemplo, o monossílabo deveria se escrever com uma única letra,
mas quando se coloca uma letra só, o escrito “não pode ser lido”, ou
seja, não é interpretável); além disso, há contradição entre a interpre-
tação silábica e as escritas produzidas pelos adultos (que têm sem-
pre mais letras do que as que a hipótese silábica permite antecipar).
No mesmo período – embora não necessariamente ao mesmo
tempo – as letras podem começar a adquirir valores sonoros (silábi-
cos) relativamente estáveis, o que leva a uma correspondência com
o eixo qualitativo: as partes sonoras semelhantes entre as palavras
começam a se exprimir por letras semelhantes. E isto também gera
suas formas particulares de conflito. (Emília Ferreiro)
Imaginem como fica conflitante para a criança defron-
tar-se com o fato de que, por exemplo, sua escrita para
“pato” (AO) ficou igual à que ela produziu para “gato”.
Vocês devem estar se perguntando por que isso não
foi percebido até então; por que não se tornou observável
antes para nós, professores. A resposta é que não podí-
amos “ver” a escrita silábica por razões semelhantes à
de que a humanidade não pôde rever a idéia de uma
Terra plana enquanto não admitiu que esta é que girava
em torno do Sol e não o contrário. Foi necessária uma
concepção dialética do processo de aprendizagem, uma
concepção que permitisse ver a ação do aprendiz cons-
truindo o seu conhecimento, onde o professor aparece
não mais como o que controla a aprendizagem do aluno e
sim como um mediador entre aquele que aprende e o con-
teúdo a ser aprendido. Só a partir desse novo referencial
é possível imaginar que a criança aprenda algo que não
foi ensinado pelo professor.
A CAMINHO DA HIPÓTESE ALFABÉTICA
Vamos recapitular para não perder o fio. Vimos emergir das
pesquisas uma criança que se esforça para compreender a
escrita. Que começa diferenciando o sistema de representa-
ção da escrita do sistema de representação do desenho. Que
tenta várias abordagens globais, numa busca consistente da
lógica do sistema até descobrir – o que implica uma mudança
violenta de critérios – que a escrita não representa o objeto a
que se refere e sim o desenho sonoro do seu nome. Que nes-
se momento costuma aparecer uma hipótese conceitual que
atribui a cada letra escrita uma sílaba oral. Que essa hipó-
tese gera inúmeros conflitos cognitivos, tanto com as infor-
mações que recebe do mundo como com as hipóteses de quan-
tidade e variedade mínima de caracteres construídas pela pró-
pria criança. Veja a seguir as amostras de escrita da Cleonilda,
do Lourivaldo e do Daniel, de 22/8/84, onde isso aparece
com clareza.
CLEONILDA, 7 anos
(22/8/84) (30/11/84)
20 21
As escritas silábica e silábico-alfabética têm sido
encaradas como patológicas pela escola que não dis-
põe de conhecimento para perceber seu caráter
evolutivo.
Se o professor compreende a hipótese com que a cri-
ança está trabalhando, passa a ser possível problematizá-
la, acirrar – por meio de informações adequadas – as con-
tradições que vão gerar os avanços necessários para a
compreensão do sistema alfabético. E foi isso o que acon-
teceu com Cleonilda, Lourivaldo e Daniel, como se pode
ver nas amostras de escrita de 30/11/84 (na coluna da
direita, em cada um dos exemplos anteriores).
Cleonilda, que em 90 dias de aula estava alfabeti-
zada, não é capaz de articular oralmente nenhum en-
contro consonantal – nem no seu próprio nome. Ape-
sar disso, ou talvez por isso mesmo, das crianças que
se alfabetizaram nesse grupo era a que menos erros
de escrita cometia. Ela jamais escrevia “comi” para
“come”, como o Lourivaldo, que falava corretamente.
Reginaldo, como se pode ver no quadro seguinte, pela
evolução da cópia de seu nome, não tem orientação espa-
cial da escrita, “come” letras, espelha letras, tem traçado
inseguro, é incapaz de manter a ordem das letras na có-
pia (e tinha dificuldade para segurar o lápis)...
(14/6/84) Diante da recusa e
da ansiedade da criança, a
professora sugere o uso do
apelido Regi, em lugar de
Reginaldo, e oferece um
modelo para cobrir e copiar.
Daniel escreve alfabeticamente as palavras, mas regride ao nível silábico-
alfabético (de transição) na frase. É possível que isso tenha acontecido
porque estava preocupado com a separação das palavras. Foi o único
que não escreveu tudo junto, como seria normal. O que é coerente com
seu estilo: muito atento à forma adulta de escrever, buscando sempre
reproduzir suas características, mesmo sem compreender.
LOURIVALDO, 8 anos
(22/8/84) (30/11/84)
(gato-be-be-lei-te)
(ca-va-lo)
(bor-bo-le-ta)
(bo-_-i)
(ga-_-to)
DANIEL, 8 anos
(22/8/84) (30/11/84)
(ga-to)
(ca-va-lo)
(borboleta)
(o gato) (o gato bebe leite)
(boi)
(co-me)
(bo-i)
22 23
Em setembro e
outubro consegue
garantir a presença
de todas as letras e
parece começar a
se preocupar com a
ordem.
Em novembro descobre
que as letras
representam sons (ver
quadro abaixo) e a
questão da ordem das
grafias se resolve.
Dedica-se, então, a
posicionar corre-
tamente cada letra.
(assinatura na ausência de modelo)
(8/8/84)
(8/8/84)
(8/8/84)
(8/8/84)
(13/9/84)
(22/10/84)
(9/11/84)
(26/11/84)
(29/11/84)
1ª tentativa (rejeitada) de escrever mato.
Prof. – “Mato se escreve com que sílabas?”
(2ª tentativa)
Regi – “O ma do macaco.” (escreve M)
“O to do pato.” (escreve T)
“E a bolinha?” (apaga o T e substitui por O)
Prof. – “Agora escreve boi.”
Regi – (escreve B) “É o i (que falta)?”
Prof. – “O que você acha?”
Regi – “É.” (Escreve A)
(ma – to)
(bo – i)
(25/6/84) Aceita fazer “lição
de nome”, isto é, cobrir o
modelo e copiar embaixo.
Durante o mês de agosto,
Reginaldo se esforça para
copiar todas as letras do seu
nome, agregando-as aos
poucos. A conservação da
ordem das grafias do modelo
não tem ainda significado, o
que importa é a presença.
3) (cavalo)
4) (i, agora vou fazer o boi.)
5) (gato)
(bebe leite)
1) (gato)
2) (borboleta)
(19/6/84) Insiste em
copiar Reginaldo. Fica
muito infeliz com o
resultado.
24 25
uma figura e ela responde “uma” bola (ou “uma” boneca ou
“uma” bicicleta...) e quando perguntamos o que está escri-
to junto da bola ela diz apenas “bola” (ou “boneca”, ou “bi-
cicleta”, omitindo o artigo indefinido).
Essa distinção sutil é sistemática e caracteriza o que
Emilia Ferreiro chamou a hipótese do nome. Isto é, no
início, as crianças pensam que o que se escreve são apenas
os nomes. Investigando essas idéias infantis ela descobriu
coisas interessantes.
6
Uma de letras é a seguinte: as letras representam o nome dos
objetos. Santiago, um menino de 3 anos pertencente à classe
média, a mais jovem das crianças que acompanhamos longi-
tudinalmente, foi quem fez explicitamente essa afirmação.
Enquanto olhava um novo carrinho de brinquedo, das primei-
ras idéias que as crianças elaboram em relação ao significado
de uma seqüência descobriu as letras impressas no objeto e,
apontando para estas letras, disse: “Aqui estão as letras. Elas
dizem o que é”. O texto escrito na verdade dizia MÉXICO, mas
Santiago achou que estava escrito “carro”. De modo seme-
lhante, as crianças acham que as letras impressas em uma
lata de leite dizem “leite”; que as letras em um relógio dizem
“relógio”, e assim por diante. O significado de um texto escrito
é, portanto, inteiramente dependente do contexto. Se o con-
texto for um livro com figuras, imagina-se que as letras “di-
gam” o nome dos objetos ilustrados. A proximidade espacial
entre a escrita e as gravuras é a informação relevante que as
crianças procuram para descobrir qual dos textos escritos po-
deria “dizer” o nome de cada objeto ilustrado.
No entanto, os seus problemas perceptivo-motores de-
sapareceram como por encanto, quando ele descobriu o que,
exatamente, as letras representavam. Pensem bem, que im-
portância têm a posição ou a ordem das letras, se para nós
elas são apenas desenhos?
O que esse texto tentou informar em linhas gerais é como
é que se aprende a ler. Tentamos mostrar que as dificulda-
des desse processo são muito mais de natureza conceitual e
muito menos perceptual, conforme pensávamos antes. E,
como nossa prática se baseava sobre o que sabíamos, é pre-
ciso repensá-la, não?
O que está escrito
e o que se pode ler
Como vimos anteriormente, as crianças constroem hipóte-
ses sobre como se escreve e muitos professores já ouviram
falar disso. No entanto, parte importante e pouco conhecida
das investigações sobre a aquisição da escrita se refere ao
que poderíamos chamar hipóteses de leitura, isto é, as idéias
que as crianças constroem sobre o que está ou não grafado
em um texto escrito e o que se pode ler ou não nele. As
crianças, antes de aprender a ler e escrever, constroem idéias
e distinções que parecem estranhas aos nossos olhos alfa-
betizados.
Crianças pequenas costumam pensar que qualquer coi-
sa que esteja escrita perto de uma figura deve ser o nome
da figura. Por exemplo, elas imaginam que se em uma cai-
xa de remédio há algo escrito deve ser “remédio” ou, quem
sabe, “pílulas”. A hipótese de que o que está escrito junto
de uma imagem deve ser seu nome fica evidente quando
perguntamos a crianças que não sabem ler o que se vê em
6
Experimento descrito no artigo “A interpretação da escrita antes da leitura
convencional”, capítulo do livro Alfabetização em Processo, de Emilia Ferreiro, Editora
Cortez. Usaremos a seguir vários fragmentos deste artigo para ajudar a explicar as
idéias da autora e os resultados dessas investigações.
26 27
O que caracteriza o nível 3 é a possibilidade de con-
siderar algumas propriedades do próprio texto escrito
em relação à imagem. Vejamos um exemplo – em outro
tipo de experimento – onde a criança considera as pro-
priedades quantitativas do texto, sem renunciar à idéia
de que só os nomes estão escritos.
Ana Teresa (5 anos e 3 meses) procura interpretar um texto de
três segmentos que acompanha a imagem de uma cena com
vários personagens. O texto é: “as galinhas comem” e Ana Te-
resa pensa que está escrito “gato, galinha, menino” um nome
para cada um dos segmentos, na ordem da esquerda para a
direita; trata-se de três nomes de personagens representados
na figura. Quando, porém, no mesmo dia, a mesma menina
procura interpretar outro texto de três segmentos que acompa-
nha uma figura com um único personagem, suas dificuldades
se tornam manifestas. A figura é um pato na água. O texto é “o
pato nada”. Ana Tereza começa tentando uma silabação do nome
“pato”, a fim de ajustar-se às segmentações do texto: atribui a
primeira sílaba (“pa”) ao primeiro segmento do texto (“o”) e a
segunda sílaba (“to”) ao resto do texto (“pato nada”). Esta solu-
ção não a satisfaz porque deve atribuir uma única sílaba a dois
segmentos. Tenta então outra solução: atribui o nome “pato” a
um dos segmentos maiores (“nada”), pensa que diz “água” no
outro segmento de quatro letras (“pato”) e, como não lhe ocorre
mais nada porque não há outros elementos na figura, atribui o
nome “cores” ao segmento restante (“o”).
Uma das idéias mais surpreendentes (surpreendentes para
nosso olhar alfabetizado, é claro) construídas pelas crian-
ças no início de seu contato com o mundo da escrita é a
distinção entre o que está escrito e o que se pode ler.
A idéia de que se deve escrever tudo o que se quer dizer
não é compreendida antes que a criança se alfabetize. Pelo
A um grupo de crianças entre 3 e 5 anos, de diferentes ori-
gens sociais – que a pesquisadora acompanhou durante dois
anos, realizando entrevistas individuais a cada dois meses –
apresentou-se um conjunto de cartões com imagens e um
conjunto de cartelas com textos escritos. Nenhuma das crian-
ças sabia ler ou conhecia de memória a forma do que estava
escrito nas cartelas. Solicitava-se a elas que agrupassem
em pares as figuras com os escritos que “combinassem” com
elas. Depois, pedia-se a cada criança que dissesse o que
estava escrito em cada uma. Emilia Ferreiro classificou as
respostas em três grupos, ou melhor, em três níveis:
As crianças no nível 1 deixam evidente que o significado atribuí-
do ao escrito (texto) depende inteiramente do contexto: o signifi-
cado do texto muda tantas vezes quanto varia o contexto. Por
exemplo, se um determinado texto tiver sido colocado em relação
à imagem de uma girafa, “ele diz girafa”, mas o mesmo texto es-
crito pode “dizer” outros nomes (“leão”, “cavalo” etc., se o conjun-
to de cartões ilustrados for um conjunto de animais). O mesmo
texto escrito pode “dizer” novamente “girafa”, se for outra vez co-
locado nas proximidades daquela imagem.(…)
As crianças no nível 2 já não aceitam que um texto escrito
dependa tão completamente do contexto e, nas entrevis-
tas, explicam:
• Areli (de 4 anos e 7 meses, pertencente à classe média)
argumenta que o texto escrito atribuído ao leão não
pode servir para outro animal, “porque é do leão”; o
texto escrito pertencente à girafa não pode servir para
outro animal, “porque diz girafa”.
• Victor (de 5 anos e meio, favelado) argumenta que o
texto escrito atribuído a uma espiga de milho não é
adequado para o homem, porque se o colocarmos perto
da figura de um homem “ele vai se chamar milho”.
28 29
gue repetir a oração quando lhe perguntamos: “o que
dizia o texto todo?”). É um problema de contraste de con-
cepções. Para poder utilizar a informação oferecida pelo
adulto (quando lê o texto para ela), a criança deveria
partir das suposições básicas de nosso sistema escrito:
que todas as palavras ditas estão escritas, e que a or-
dem da escrita corresponde à ordem da enunciação.
É interessante observar que as idéias das crianças so-
bre “o que está escrito” e “o que se pode ler” evoluem em
direção à correspondência termo a termo entre o falado e o
escrito, não dependendo para isso da decifração ou do co-
nhecimento das letras. Esta é uma evolução conceitual e
acredita-se que esteja relacionada às oportunidades de con-
tato com a escrita. Retiramos do mesmo artigo citado aci-
ma a transcrição de três entrevistas que nos parecem mui-
to esclarecedoras. A oração que nos servirá de exemplo é:
“Papai martelou a tábua”.
Entrevistador Erick (6 anos)
(Lê a oração.) O que diz? Papai martelou a tábua
Diz tábua em algum lugar? (Repassa o texto com o
dedo indicador, repetin-
do para si a oração e
logo mostra tábua)
Diz papai em algum lugar? (Mostra papai sem pes-
tanejar)
O que diz aqui? (martelou) (Repassa o texto desde
o começo, como antes.)
Martelou.
E aqui? (a) (Repete o mesmo proce-
dimento.) A.
contrário, descobrir que é necessário escrever tudo, sem
omitir nada, requer bastante experiência com a língua es-
crita. Emilia Ferreiro e colaboradores realizaram experi-
mentos com crianças de diferentes países, diferentes lín-
guas, diferentes idades e classes sociais, buscando com-
preender a natureza e a evolução dessa distinção entre “o
que está escrito” e “o que se pode ler”. E observaram que,
em torno dos 4 ou 5 anos, crianças urbanas costumam
pensar que apenas os substantivos precisam estar escritos
para que se possa ler um enunciado. Como quando uma
criança desenha, por exemplo, um menino jogando bola: o
que aparece no desenho é o menino e a bola, tudo o mais é
inferido por quem o interpreta quando olha para o desenho
e diz: “o menino está jogando bola”.
Vejamos um exemplo concreto para ajudar a compre-
ender:
7
Apresentamos e lemos para a criança a oração: “a
menina comprou um caramelo”. A criança a repete cor-
retamente (repetindo inclusive o assinalar contínuo que
acabamos de fazer). Se lhe perguntarmos onde está es-
crito “menina” ou “caramelo”, não terá dificuldades em
assinalar alguma das palavras escritas (não importa, no
momento, saber se a indicação é ou não correta), mas
não lhe ocorrerá que o verbo, e muito menos os artigos,
estejam escritos. De acordo com a análise realizada pe-
las crianças deste nível, existem partes escritas em de-
masia, e bastaria apenas duas palavras: “menina” e “ca-
ramelo” para se poder ler uma oração completa. O que
falta não é a memória imediata (já que a criança conse-
7
Transcrito de “A compreensão do sistema de escrita: Construções originais da
criança e informação específica dos adultos”, capítulo do livro Reflexões sobre a
alfabetização, de Emilia Ferreiro, Editora Cortez.
30 31
O que diz o texto todo? Papai martelou a tábua.
Onde está escrito tábua? (Mostra tábua).
O que diz aí? Tábua
E aqui? (a) …………
Diz algo ou não diz nada? Não, não diz nada.
Por quê? Tem uma letra só.
Mas para Laura apenas os nomes estão escritos. Tanto
que não teve dúvidas em transformar o verbo “marte-
lou” no substantivo “martelo”. Este não foi um procedi-
mento particular de uma criança. No caso desse enun-
ciado, várias crianças que estavam nesse momento do
processo transformaram “martelou” em “martelo”, uma
solução engenhosa para resolver a questão ali, naquele
momento.
Esta questão – a distinção entre “o que está escrito”
e “o que se pode ler” – evolui, evidentemente, na direção
inversa à da apresentação das entrevistas. Erick é mais
avançado que Silvia e esta, que Laura. No entanto os
três têm a mesma idade. Estamos enfatizando este fato
para marcar que na evolução das idéias sobre a escrita a
idade conta menos que o tempo de participação em situa-
ções e atividades onde a escrita está direta ou indireta-
mente presente. Se a idade fosse a variável mais impor-
tante, não existiriam adultos analfabetos.
As idéias infantis que descrevemos aqui são cons-
truções originais das crianças e dão inúmeras pistas ao
leitor atento sobre por que é importante oferecer à cri-
ança a oportunidade de se defrontar com textos nos quais
ela sabe o que está escrito ou pode deduzir a partir do
contexto. Colocá-la freqüentemente neste tipo de situa-
Como vemos, Erick consegue atribuir cada parte falada a
uma parte escrita, apesar de não saber ler.
Sílvia consegue atribuir o verbo (martelou) à sua escrita
mas lhe parece inadmissível que algo possa estar escrito
em um segmento com apenas uma letra. Imagina então
que esta letra possa ser um pedaço de um dos substan-
tivos, no caso o “ta”, de tábua.
Entrevistador Silvia (6 anos)
(Lê a oração.) O que diz? Papai martelou a tábua.
Onde está escrito papai? Aqui (papai).
E aqui? (martelou) Martelou
E aqui? (tábua) Tábua
E aqui? (a) Tá
Eu escrevi: papai Sim, papai martelou
martelou a tábua. a tábua.
Então o que diz aqui? Papai
(papai)
Aqui? (tábua) Tábua
E aqui? (a) Tá
→
Entrevistador Laura (6 anos)
(Lê a oração.) O que diz? Papai martelou a tábua.
Diz papai em algum lugar? Aqui (papai).
Diz tábua em algum lugar? Aqui (tábua).
O que diz aqui? (martelou) Martelo
E aqui? (a) …………
32 33
que conhecemos, ampliou-se muito o número de pes-
soas que sabiam ler sem que aparentemente tivessem
sido ensinadas. Historiadores como Jean Hébrard veri-
ficaram que esta alfabetização, que ninguém compre-
endia muito bem como acontecia, tinha relação com a
instrução religiosa.
No mesmo período histórico em que os livros deixa-
ram de ser produzidos a mão, copiados um a um, e pas-
saram a ser reproduzidos industrialmente, em tipografias
– graças à invenção de Gutenberg –, a Europa foi sacu-
dida por um movimento conhecido como a Reforma Pro-
testante. Este movimento foi desencadeado pelo padre
alemão Martinho Lutero, que se rebelou contra o Papa e
estabeleceu as bases doutrinárias que deram origem às
Igrejas protestantes. Uma das mudanças mais impor-
tantes era o direito de cada cristão à livre interpretação
das Escrituras. Isto é, o exercício da fé exigia o acesso
pessoal ao que estava escrito na Bíblia. Todo cristão ti-
nha o direito e o dever de se esforçar para buscar a pala-
vra de Deus, tentar compreender seus desígnios, atra-
vés das Sagradas Escrituras, o que então estava se tor-
nando possível, pois as bíblias impressas começavam a
estar ao alcance de muitos.
Na tradição católica, apenas os religiosos deveriam
saber ler. O acesso à palavra de Deus, para os católicos,
era mediado pelos padres, que a interpretavam. Para os
protestantes, no entanto, nenhum intérprete autoriza-
do, nenhuma tradição poderia se interpor entre o crente
(“mesmo se é uma miserável filha de moleiro, ou mesmo
uma criança de 9 anos”, escreveu Lutero) e as Escritu-
ras. Jean Hébrard conta que, no século XVII, na Suécia
e na Finlândia, países de forte presença luterana, prati-
camente toda a população era alfabetizada sem que exis-
ção é oferecer-lhe oportunidades para pensar sobre a
escrita, elaborar hipóteses, testá-las e reconstruí-las
progressivamente, apoiando-a em seu esforço para apren-
der a ler e escrever.
Para saber mais sobre este tema leia:
“A compreensão do sistema de escrita: construções
originais da criança e informação específica dos adul-
tos”, capítulo do livro Reflexões sobre a alfabetiza-
ção, de Emilia Ferreiro, Editora Cortez.
“A interpretação da escrita antes da leitura convenci-
onal”, capítulo do livro Alfabetização em processo, de
Emilia Ferreiro, Editora Cortez.
“Leitura sem imagem: a interpretação dos fragmen-
tos de um texto”, capítulo do livro Psicogênese da lín-
gua escrita, de Emilia Ferreiro e Ana Teberosky, Edi-
tora Artmed.
Aprender a ler:
um pouco de história
Quando pensamos em alfabetização, o que nos vem ime-
diatamente à cabeça é a sala de aula, a escola. Até a
recente publicação de estudos sobre a história da leitu-
ra, todos nós, caso nos perguntassem, responderíamos
que sempre foi na escola que se aprendeu a ler. Investi-
gações atuais sobre a história das práticas sociais de
leitura estão mostrando que nem sempre foi assim e essa
revelação está ajudando a produzir transformações muito
interessantes na didática da alfabetização.
O que aparece nas pesquisas dos historiadores é
que, muito antes da existência de escolas tal como as
34 35
dirigidas às crianças que ainda não sabem ler. Algumas
delas estarão entre as sugestões de atividades que você
vai encontrar mais à frente.
Para os interessados no tema da história das práti-
cas sociais de leitura:
CHARTIER, Roger. A ordem dos livros: leitores, autores
e bibliotecas na Europa entre os séculos XIV e XVIII.
Brasília: Editora Universidade de Brasília, 1994.
CHARTIER, Roger (org.). Práticas de leitura. São Paulo:
Estação Liberdade, 1996.
CAVALLO, Guglielmo e CHARTIER, Roger. História da
leitura no mundo ocidental (vols. I e II). São Paulo:
Editora Ática, 1998.
HÉBRARD, Jean. “A escolarização dos saberes elemen-
tares na época moderna”. Na revista Teoria e Educa-
ção, 2, 1990, págs. 65-110.
As idéias, concepções
e teorias que sustentam a
prática de qualquer professor,
mesmo quando ele não tem
consciência delas
8
Quando analisamos a prática pedagógica de qualquer
professor vemos que, por trás de suas ações, há sempre
um conjunto de idéias que as orienta. Mesmo quando
tissem escolas elementares. Como é possível uma coisa
dessas se hoje, mesmo com escolas, temos tanta dificul-
dade para alfabetizar todas as nossas crianças? Em pri-
meiro lugar, não havia uma preocupação específica com
a alfabetização, e sim com a catequese. O que importava
era a instrução religiosa.
Mas não são só os cristãos que têm escrituras sagra-
das. Também os judeus e os muçulmanos as têm. O es-
tudo da Torá pelos judeus e do Alcorão pelos maometanos
também tem muito a nos contar sobre práticas não
escolarizadas de alfabetização. E é com o estudo dessas
práticas que a didática da alfabetização tem aprendido
coisas importantes.
Tanto o estudo da Bíblia como o da Torá judaica,
bem como o do Alcorão, tinham em comum o fato de que
se lia, ou melhor, se recitava o texto sagrado em voz alta
até sua memorização. Saber o texto de cor e procurar no
escrito onde está o que se fala parece ter cumprido um
papel fundamental na difusão dessa alfabetização sem
escola, uma alfabetização cujo sucesso era atribuído a
uma espécie de iluminação de origem divina. Quando a
alfabetização passou a ser assunto escolar, a prática de
colocar os que não sabem ler diante de um texto desapa-
receu. Hoje nós a estamos recuperando, porque pode-
mos compreendê-la em seus fundamentos
psicopedagógicos e adaptá-la às nossas atuais necessi-
dades. É claro que não estamos propondo obrigar as
crianças a decorar enormes textos e recitá-los até não
agüentar mais. Mas o fato de compreendermos que essa
situação produzia um excelente espaço para a reflexão
sobre o modo de funcionamento da escrita tornou possí-
vel adaptá-la à nossa realidade. Assim, têm sido criadas
diversas atividades de leitura apoiadas em textos e
8
Texto extraído dos capítulos 4 e 5 do livro O diálogo entre o ensino e a aprendizagem
de Telma Weisz, Editora Ática, 1999.
36 37
dar o aluno a desentranhar a regra de geração do siste-
ma alfabético: que “b” com “a” dá “ba”, e por aí afora.
Centrada nesta abordagem que vê a língua como pura
fonologia, a cartilha introduz o aluno no mundo da escrita
apresentando-lhe um texto que, na verdade, é apenas um
agregado de frases desconectadas. Esta concepção de “tex-
to para ensinar a ler” está tão impregnada no imaginário
do professor que, certa vez, uma professora que se esforça-
va para transformar sua prática documentou em vídeo uma
aula e me enviou, para mostrar como já conseguia traba-
lhar sem a cartilha. A atividade era uma produção coletiva
de texto na lousa. O texto produzido pelos alunos e grafado
pela professora era o seguinte:
O SAPO
O sapo é bom.
O sapo come inseto.
O sapo é feio.
O sapo vive na água e na terra.
Ele solta um líquido pela espinha.
O sapo é verde.
Como se pode observar, cada enunciado é tratado como
se fosse um parágrafo independente. Exigências míni-
mas de coesão textual, como não repetir “o sapo” em
cada enunciado, nem sequer são consideradas. Só na
quinta frase aparece, pela primeira vez, um pronome
para substituir “o sapo”. E na sexta frase, lá está ele
de novo. Seria fácil concluir que a professora é que
não sabe escrever com um mínimo de coerência e coe-
são. Mas não era esse o caso. Além de saber escrever,
era uma ótima professora: empenhada e comprometi-
ele não tem consciência dessas idéias, dessas concep-
ções, dessas teorias, elas estão presentes.
Para compreender a ação do professor, é preciso analisá-
la com o objetivo de desvendar os seguintes aspectos:
• qual a concepção que o professor tem, e que se ex-
pressa em seus atos, do conteúdo que ele espera que
o aluno aprenda;
• qual a concepção que o professor tem, e que se expres-
sa em seus atos, do processo de aprendizagem, isto é,
dos caminhos pelos quais a aprendizagem acontece;
• qual a concepção que o professor tem, e que se ex-
pressa em seus atos, de como deve ser o ensino.
A teoria empirista – que historicamente é a que mais vem im-
pregnando as representações sobre o que é ensinar, quem é o
aluno, como ele aprende e o que e como se deve ensinar – se
expressa em um modelo da aprendizagem conhecido como de
“estímulo-resposta”. Este modelo define a aprendizagem como
“a substituição de respostas erradas por respostas certas”.
A hipótese subjacente a essa concepção é que o aluno
precisa memorizar e fixar informações – as mais simples e
parciais possíveis e que devem ir se acumulando com o
tempo. O modelo típico de cartilha está baseado nisso.
As cartilhas trabalham com uma concepção de lín-
gua escrita como transcrição da fala: elas supõem a es-
crita como espelho da língua que se fala. Seus “textos”
são construídos com a função de tornar clara (segundo
o que elas supõem) essa relação de transcrição. Em ge-
ral, são palavras-chave e famílias silábicas, usadas
exaustivamente – e aí encontram-se coisas como o “bebê
baba na babá”, “o boi bebe”, “Didi dá o dado a Dedé”. A
função do material escrito numa cartilha é apenas aju-
38 39
quantidade de informações. Na verdade, o modelo su-
põe apenas a acumulação. Os professores é que, con-
vivendo com alunos reais o tempo todo, acabam en-
contrando na figura do “estalo” a resposta para cer-
tas ocorrências aparentemente inexplicáveis. Porque
sabem que alguns entendem o sistema logo que apren-
dem algumas poucas famílias silábicas, enquanto ou-
tros chegam ao “Z”, de “zabumba”, sem compreendê-
lo. E já que não têm como entender essas diferenças,
buscam explicações no que se convencionou chamar
de “estalo”. Freqüentemente dizem: “O menino deu o
estalo”, ou “Ainda não deu o estalo, mas uma hora
vai dar”.
Para se acomodar a essa teoria, o processo de ensi-
no é caracterizado por um investimento na cópia, na
escrita sob ditado, na memorização pura e simples, na
utilização da memória de curto prazo para reconheci-
mento das famílias silábicas quando o professor toma
a leitura. Essa forma de trabalhar está relacionada à
crença de que primeiro os meninos têm de aprender a
ler e a escrever dentro do sistema alfabético, fazendo
uma leitura mecânica, para depois adquirir uma leitu-
ra compreensiva. Ou seja, primeiro eles precisariam
aprender a fazer barulho com a boca diante das letras,
para depois poder aprender a ler de verdade e a produ-
zir sentido diante de textos escritos.
Assim, os três tipos de concepção a que nos referi-
mos no início deste capítulo se articulam para produ-
zir a prática do professor que trabalha segundo a con-
cepção empirista: a língua (conteúdo) é vista como
transcrição da fala, a aprendizagem se dá pelo acúmulo
de informações e o ensino deve investir na
memorização. Na verdade, qualquer prática pedagógi-
da com seu trabalho e seus alunos. Apenas havia
interiorizado em sua prática o modelo de “texto” que
caracteriza a metodologia de alfabetização expressa nas
cartilhas. E de tal maneira, que nem sequer tinha cons-
ciência disso: foi preciso tematizar sua prática a par-
tir dessa situação documentada para que ela pudesse
se dar conta.
COMO A METODOLOGIA DE ENSINO
EXPRESSA NAS CARTILHAS CONCEBE OS
CAMINHOS PELOS QUAIS
A APRENDIZAGEM ACONTECE
Poderíamos dizer, em poucas palavras, que na concep-
ção empirista o conhecimento está “fora” do sujeito e
é internalizado através dos sentidos, ativados pela ação
física e perceptual. O sujeito da aprendizagem seria
“vazio” na sua origem, sendo “preenchido” pelas expe-
riências que tem com o mundo. Criticando essa idéia
de um ensino que se “deposita” na mente do aluno,
Paulo Freire usava uma metáfora – “educação bancá-
ria”– para falar de uma escola em que se pretende “sa-
car” exatamente aquilo que se “depositou” na cabeça
do aluno.
Nessa concepção, o aprendiz é alguém que vai jun-
tando informações. Ele aprende o “ba, be, bi, bo, bu”,
depois o “ma, me, mi, mo, mu” e supõe-se que em
algum momento, ao longo desse processo, tenha uma
espécie de “estalo” e comece a perceber o que é que o
“ma”, o “me”, o “mi”, o “mo” e o “mu” têm em comum.
Acredita-se que ele seja capaz de aprender exatamente
o que lhe ensinam e de ultrapassar um pouco isso,
fazendo uma síntese a partir de uma determinada
40 41
nado. Um exemplo disso são os professores que, encan-
tados com o que a psicogênese da língua escrita desven-
dou sobre o que pensam as crianças quando se alfabeti-
zam, passaram a ensinar seus alunos a escrever silabi-
camente. Que raciocínio leva a uma distorção desse tipo?
Se os alunos têm de passar por uma escrita silábica para
chegar a uma escrita alfabética, ensiná-los a escrever
silabicamente faria chegar mais rápido à escrita alfabé-
tica, pensam esses professores. Essa perspectiva só pode
caber em um modelo empirista de ensino, cuja lógica
intrínseca é organizar etapas de apresentação do conhe-
cimento aos alunos. Essa lógica não faz nenhum senti-
do em um modelo construtivista.
Outro tipo de entendimento distorcido, mais influ-
enciado por práticas espontaneístas, é o seguinte: dian-
te da informação de que quem constrói o conhecimento
é o sujeito, houve professores que entenderam que a in-
tervenção pedagógica seria, então, desnecessária. Se é o
aluno quem vai construir o conhecimento, o que os pro-
fessores teriam a fazer dentro da sala de aula? E passa-
ram a não fazer nada. Como se vê, é fácil nos perdermos
em nossa prática educativa quando não nos damos con-
ta do que orienta de fato nossas ações. Ou melhor, de
quais são as nossas teorias em ação.
CONTEÚDOS ESCOLARES SÃO OBJETOS
DE CONHECIMENTO COMPLEXOS,
QUE DEVEM SER DADOS A CONHECER,
AOS ALUNOS, POR INTEIRO
A mudança na concepção dos conteúdos oferecidos pela
escola provoca, de imediato, uma transformação enor-
me na oferta de informação aos alunos. Vamos continuar
ca, qualquer que seja o conteúdo, em qualquer área,
pode ser analisada a partir deste trio: conteúdo, apren-
dizagem e ensino.
PARA MUDAR É PRECISO RECONSTRUIR
TODA A PRÁTICA A PARTIR DE UM NOVO
PARADIGMA TEÓRICO
Quando se tenta sair de um modelo de aprendizagem
empirista para um modelo construtivista, as dificul-
dades de entendimento às vezes são graves. De uma
perspectiva construtivista, o conhecimento não é con-
cebido como uma cópia do real, incorporado direta-
mente pelo sujeito: pressupõe uma atividade, por par-
te de quem aprende, que organiza e integra os novos
conhecimentos aos já existentes. Isso vale tanto para
o aluno quanto para o professor em processo de trans-
formação.
Se o professor procura inovar sua prática, adotan-
do um modelo de ensino que pressupõe a construção
de conhecimento sem compreender suficientemente as
questões que lhe dão sustentação, corre o risco, grave
no meu modo de ver, de ficar se deslocando de um mo-
delo que lhe é familiar para o outro, meio desconheci-
do, sem muito domínio de sua própria prática – “mes-
clando”, como se costuma dizer.
O equívoco mais comum é pensar que alguns con-
teúdos se constroem e outros não. O que, nessa visão
“mesclada”, equivale a dizer que uns precisariam ser
ensinados e outros não. Em outros casos o modelo
empirista fica intocado e as idéias que as crianças cons-
troem em seu processo de aprendizagem são distorcidas,
a ponto de o professor vê-las como conteúdo a ser ensi-
42 43
e no vazio, mas a partir de situações nas quais ele possa
agir sobre o que é objeto de seu conhecimento, pensar
sobre ele, recebendo ajuda, sendo desafiado a refletir,
interagindo com outras pessoas.
Quando se acredita que o motor da aprendizagem é
o esforço do sujeito para dar sentido à informação que
está disponível, tem-se uma situação bastante diferente
daquela em que o aprendiz teria de permanecer tranqüi-
lo e com os sentidos abertos para introjetar a informa-
ção que lhe é oferecida, da maneira como é oferecida.
Em um modelo empirista a informação é introjetada, ou
não. Em um modelo construtivista o aprendiz tem de
transformar a informação para poder assimilá-la. Con-
cepções tão diferentes dão origem, necessariamente, a
práticas pedagógicas muito diferentes.
AFIRMAR QUE O CONHECIMENTO
PRÉVIO É BASE DA APRENDIZAGEM NÃO
É DEFENDER PRÉ-REQUISITOS
Para aprender alguma coisa é preciso já saber alguma coi-
sa – diz o modelo construtivista. Ninguém conseguirá apren-
der alguma coisa se não tiver como reconhecer aquilo como
algo que se possa apreender. O conhecimento não é gerado
do nada, é uma permanente transformação a partir do co-
nhecimento que já existe. Essa afirmação – a de que o co-
nhecimento prévio do aprendiz é a base de novas aprendi-
zagens – não significa a crença ou defesa de pré-requisitos.
Tampouco esse tipo de conhecimento se confunde com a
matéria ensinada anteriormente pelo professor.
Se, por um lado, é o que cada um já possui de co-
nhecimento que explica as diferentes formas e tempos
de aprendizagem de determinados conteúdos que estão
com o exemplo da língua escrita para tornar mais claro
o que queremos dizer. Se o professor parte do princípio
de que a língua escrita é complexa, dentro de uma con-
cepção construtivista da aprendizagem ela deve ser –
mesmo assim e por isso mesmo – oferecida inteira para
os alunos. E de forma funcional, isto é, tal como é usada
realmente. Quando alguém aprende a escrever, está
aprendendo ao mesmo tempo muitos outros conteúdos
além do bê-á-bá, do sistema de escrita alfabética – por
exemplo, as características discursivas da língua, ou seja,
a forma que ela assume em diferentes gêneros através
dos quais se realiza socialmente.
Pensando assim, caberá ao professor criar situações que
permitam aos alunos vivenciar os usos sociais que se faz da
escrita, as características dos diferentes gêneros textuais, a
linguagem adequada a diferentes contextos comunicativos,
além do sistema pelo qual a língua é grafada, o sistema alfa-
bético. Para alguém ser capaz de ler com autonomia é preci-
so compreender o sistema alfabético, mas isso apenas lhe
confere autonomia. Qualquer um pode aprender muito so-
bre a língua escrita, mesmo sem poder ler e escrever auto-
nomamente. Isso depende de oportunidades de ouvir a lei-
tura de textos, participar de situações sociais nas quais os
textos reais são utilizados, pensar sobre os usos, as carac-
terísticas e o funcionamento da língua escrita.
Para os construtivistas – diferentemente dos
empiristas, para quem a informação deveria ser ofereci-
da da forma mais simples possível, uma de cada vez,
para não confundir aquele que aprende – o aprendiz é
um sujeito, protagonista do seu próprio processo de
aprendizagem, alguém que vai produzir a transforma-
ção que converte informação em conhecimento próprio.
Essa construção, pelo aprendiz, não se dá por si mesma
44 45
que o aluno deve escrever pondo em jogo tudo o que
sabe e pensa sobre a escrita – o professor deve usar
tudo o que sabe sobre as hipóteses que as crianças
constroem sobre a escrita para poder, interpretando o
que o aluno escreveu, ajudá-lo a avançar. Dentro des-
se contrato, quem “faz de conta” é a criança. Nesse
espaço em que a criança escreve “do seu jeito”, o pa-
pel do professor é delicado. Mas é semelhante ao de
alguém adulto que participa de uma brincadeira de
faz de conta sem entrar nela. Ao professor cabe orga-
nizar a situação de aprendizagem de forma a oferecer
informação adequada. Sua função é observar a ação
das crianças, acolher ou problematizar suas produ-
ções, intervindo sempre que achar que pode fazer a
reflexão dos alunos sobre a escrita avançar. O profes-
sor funciona então como uma espécie de diretor de
cena ou de contra-regra e cabe a ele montar o andai-
me para apoiar a construção do aprendiz.
COMO FAZER O CONHECIMENTO
DO ALUNO AVANÇAR
O processo de aprendizagem não responde necessaria-
mente ao processo de ensino, como tantos imaginam.
Ou seja, não existe um processo único de “ensino-apren-
dizagem”, como muitas vezes se diz, mas dois processos
distintos: o de aprendizagem, desenvolvido pelo aluno, e
o de ensino, pelo professor. São dois processos que se
comunicam, mas não se confundem: o sujeito do pro-
cesso de ensino é o professor, enquanto o do processo
de aprendizagem é o aluno.
É equivocada a expectativa de que o aluno poderá rece-
ber qualquer ensinamento que o professor lhe transmitir,
sendo tratados, por outro sabemos que a intervenção do
professor é determinante nesse processo. Seja nas pro-
postas de atividade, seja na forma como encoraja cada
um de seus alunos a se lançar na ousadia de aprender,
o professor atua o tempo inteiro.
NÃO INFORMAR NEM CORRIGIR SIGNIFICA
ABANDONAR O ALUNO À PRÓPRIA SORTE
Como já vimos, diante de um corpo de idéias tão novo
como a concepção construtivista da aprendizagem e o
modelo de ensino através da resolução de problemas, o
professor está também na posição de aprendiz. No en-
tanto, o conhecimento pedagógico é produzido coletiva-
mente, o que permite aos professores hoje aprender a
partir do que outros já aprenderam, tomando cuidado
com erros já cometidos por outros.
Um erro que precisa ser evitado por suas graves con-
seqüências é o desvio espontaneísta: como é o aluno
quem constrói o conhecimento, não seria necessário
ensinar-lhe. A partir dessa crença o professor passa a
não informar, a não corrigir e a se satisfazer com o que o
aluno faz “do seu jeito”. Essa visão implica abandonar o
aluno à sua própria sorte. E é muito importante que o
professor compreenda o que significa, do ponto de vista
da criança, o “vou fazer do meu jeito”.
Vamos usar a alfabetização novamente para
exemplificar. Quando uma criança entra na escola,
ainda não-alfabetizada, tanto ela quanto o professor
sabem que ela não sabe ler nem escrever. Ao propor
que ela se arrisque a escrever do jeito que imagina, o
que o professor na verdade está propondo é uma ati-
vidade baseada na capacidade infantil de jogar, de fa-
zer de conta. Em um contrato desse tipo – que reza
46 47
de objeto sociocultural real, sem transformar-se em
objeto escolar vazio de significado social.
É certo que nem sempre é possível organizar as atividades
escolares considerando simultaneamente esses quatro pres-
supostos pedagógicos. Isso é algo que depende muito do
tipo de conteúdo a ser trabalhado e dos objetivos didáticos
que orientam a atividade proposta. Mas os princípios aci-
ma apontam uma direção e é esta direção que convém não
perder de vista.
ALUNOS PÕEM EM JOGO TUDO O QUE
SABEM, TÊM PROBLEMAS A
RESOLVER E DECISÕES A TOMAR
Juntos, os dois primeiros pressupostos formam o pano
de fundo de uma proposta didática baseada na con-
cepção da aprendizagem como construção. Nesse sen-
tido, “pôr em jogo” o conhecimento que se tem não
significa simplesmente usá-lo, mas arriscar-se: o
aprendiz precisa testar suas hipóteses e enfrentar
contradições, seja entre as próprias hipóteses, seja
entre o que consegue produzir sozinho e a produção
de seus pares, ou entre o que pode produzir e o resul-
tado tido como convencionalmente correto. Ao falar
em “problemas a resolver”, não se está pensando em
problemas matemáticos, nem em perguntas para as
quais se devem encontrar respostas. De uma perspec-
tiva construtivista, o conhecimento só avança quan-
do o aprendiz tem bons problemas sobre os quais pen-
sar. É isso que justifica uma proposta de ensino base-
ada na idéia de que se aprende resolvendo problemas.
Construir situações que se orientem por esses pressu-
postos exige do professor competência para estabelecer os
exatamente como ele lhe transmite. O professor é que pre-
cisa compreender o caminho de aprendizagem que o aluno
está percorrendo naquele momento e, em função disso,
identificar as informações e as atividades que permitam a
ele avançar do patamar de conhecimento que já conquis-
tou para outro mais evoluído. Ou seja, não é o processo de
aprendizagem que deve se adaptar ao de ensino, mas o
processo de ensino é que tem de se adaptar ao de aprendi-
zagem. Ou melhor: o processo de ensino deve dialogar com
o de aprendizagem.
Nesse diálogo entre professor e aprendiz, cabe ao pro-
fessor organizar situações de aprendizagem. Mas o que
vem a ser isso? Elas consistem em atividades planeja-
das, propostas e dirigidas com a intenção de favorecer a
ação do aprendiz sobre um determinado objeto de co-
nhecimento, e esta ação está na origem de toda e qual-
quer aprendizagem. Não basta, no entanto, que sejam
planejadas, propostas e dirigidas para se constituírem
automaticamente em boas situações de aprendizagem
para os alunos. Para terem valor pedagógico, serem boas
situações de aprendizagem, as atividades propostas de-
vem reunir algumas condições, respeitar alguns princí-
pios. Boas situações de aprendizagem costumam ser
aquelas em que:
• os alunos precisam pôr em jogo tudo o que sabem e
pensam sobre o conteúdo que se quer ensinar;
• os alunos têm problemas a resolver e decisões a to-
mar em função do que se propõem a produzir;
• a organização da tarefa pelo professor garante a má-
xima circulação de informação possível;
• o conteúdo trabalhado mantém suas características
48 49
— Não tem importância, aqui ninguém ainda estu-
dou isso na escola, mas a gente aprende muitas coi-
sas fora da escola.
— Eu não, só o que eu sei é o que eu vi nos progra-
mas da TV Cultura e nos desenhos.
A valorização dos saberes construídos fora das situa-
ções escolares é condição para que os alunos tomem
consciência do que e do quanto sabem. Esses, ou
quaisquer conhecimentos que tenham, não são ne-
cessariamente conscientes, sistematizados ou corre-
tos do ponto de vista adulto. Mas é certo que eles
“estão em jogo” quando se aprende na escola, princi-
palmente quando as propostas de ensino são plane-
jadas para que assim seja.
Se, em uma situação de aprendizagem da multi-
plicação, por exemplo, o professor tem como objetivo
que seus alunos façam uso dos saberes que possuem
e que realizem operações de forma mais econômica,
deve propor atividades em que essas operações vão
se tornando mais complexas, levando-os, de fato, a
pôr em uso o que sabem, ao mesmo tempo em que
observam outras formas de resolução que não as pró-
prias. O professor pode agrupar os alunos em duplas
para participar de um jogo como o descrito a seguir,
de maneira que fiquem juntos um aluno que realiza
a operação utilizando procedimentos mais econômi-
cos e outro que não o faz. Jogos que colocam em ques-
tão a agilidade na resolução dos cálculos requerem,
dos que usam estratégias pouco avançadas, um es-
forço para aprender outras mais rápidas, que permi-
tam ganhar tempo.
desafios adequados para seus alunos, que são os que fi-
cam na interseção entre o difícil e o possível. Se a proposta
é difícil demais e impossível de realizar, o desafio não se
instaura para o aprendiz, pois o que está posto é um pro-
blema insolúvel no momento. Se a proposta é possível, mas
fácil demais, não há nem sequer desafio colocado. Portan-
to, o desafio do professor é armar boas situações de apren-
dizagem para os alunos: atividades que representem pos-
sibilidades difíceis, mas coloquem dificuldades possíveis.
Para que o aluno possa pôr em jogo o que sabe, a
escola precisa autorizá-lo e incentivá-lo a acionar seus
conhecimentos e experiências anteriores, fazendo uso
deles nas atividades escolares. Essa autorização não
pode ser apenas verbalizada pelo professor: é impor-
tante que ele prepare as atividades de maneira que isso
seja de fato requisitado.
Certa vez, uma professora que iniciava um traba-
lho sobre os pólos com seus alunos perguntou a eles o
que sabiam sobre os pingüins. Foi um alvoroço, mas
um menino que tinha se mudado para aquela escola
naquele ano não falou nada. A professora então se di-
rigiu a ele e perguntou:
— João, você conhece pingüim?
— Sim.
— Então o que sabe sobre ele?
— Nada.
— Como, nada? Algo você deve saber: como ele é, em
que tipo de lugar ele mora.
— É que a minha professora não deu pingüim no ano
passado.
50 51
sim como os dobros, os “quadrados” têm que ser memori-
zados, para facilitar. E começam a construir estratégias
de multiplicação: 9 caixinhas com 9 palitos é o mesmo
que 10 caixinhas com 9 palitos, menos 9 palitos; 8
caixinhas com 9 é igual a 81 (que já sabe de cor), menos
9. Dessa forma, as crianças vão compreendendo as pro-
priedades da multiplicação e, conseqüentemente, amplian-
do seus conhecimentos matemáticos.
No entanto, tratar-se de um jogo não garante, em si,
que a situação de aprendizagem seja interessante: existem
jogos extremamente enfadonhos, outros que não desafiam,
por serem muito fáceis ou muito difíceis. A vantagem que
um jogo do tipo acima apresenta para quem está apren-
dendo multiplicação é o fato de configurar uma situação
em que a agilidade no uso do tempo de resolução é um
fator importante: o jogo fica mais interessante se as estra-
tégias forem rápidas. Isso vai fazendo com que a tabuada
seja aprendida de forma inteligente. A limitação do tempo
– que é sempre uma variável em qualquer atividade huma-
na – é importante na construção de estratégias aritméticas
mais avançadas. Quando se restringe o tempo, as estraté-
gias têm de se tornar mais econômicas e isso, por sua vez,
exige um aprofundamento em relação à natureza da ope-
ração que está sendo realizada e às suas propriedades.
Em qualquer área de conhecimento é possível organi-
zar atividades que representem problemas para os alunos
e que demandem o uso do que sabem para encontrar solu-
ções possíveis.
Voltando aos princípios: quando dizemos que os alu-
nos devem ter problemas a resolver e decisões a tomar em
função do que se propõem a produzir, estamos nos refe-
rindo a uma questão de natureza ideológica, que tem enor-
mes conseqüências de natureza pedagógica (e vice-versa).
JOGO DE CAIXA DE FÓSFOROS
Material: 9 (ou 10) caixinhas de fósforo e palitos.
Participantes: 2 alunos ou 2 grupos.
Regras: O jogo envolve dois jogadores. Cada um deve
pôr a mesma quantidade de palitos em cada caixinha.
Pode-se usar 2, 3, 4, até 9 caixinhas e só se pode colo-
car até 9 palitos de fósforo em cada uma. Deve-se pre-
parar escondido a jogada que será proposta ao oponen-
te e colocar os palitos nas caixinhas, para que ele diga
quantos existem no total – este é o problema que a ele é
colocado. Um deles pega, por exemplo, 4 caixinhas e
põe 5 palitos em cada. O oponente terá de dizer quantos
palitos há ao todo, sem tirar os palitos das caixas para
contar. Quem acertar ganha 1 ponto.
Pontos: ganha pontos quem conseguir dar a resposta
correta. Se o que está na posição de dar a resposta er-
rar, o que propôs o desafio deve saber a resposta, caso
contrário perde um ponto.
Vencedor: ganha o jogo aquele que tiver mais pontos
no final de 10 rodadas (ou outra quantidade que se com-
bine previamente).
Um dos aspectos interessantes desse jogo é que o parcei-
ro que propõe o desafio tem sempre que saber o resulta-
do, porque se não souber e tiver que conferir o outro vai
ver, já que estão um de frente para o outro. Geralmente,
as crianças começam propondo cálculos com números bai-
xos: duas caixinhas com 3 palitos cada uma, 3 caixinhas
com 2 palitos cada. À medida que vão se soltando, pro-
põem coisas cada vez mais complexas. Adoram 9 vezes 9
ou 8 vezes 8. Uma das descobertas que fazem é que, as-
52 53
temente é a mesma atividade, a redação, em duas ativida-
des completamente diferentes. A própria correção, como
uma outra atividade, ganha sentido quando é tratada como
um esforço de buscar maior legibilidade e permite ao aluno
compreender que é necessário escrever dentro de padrões
convencionais, não para agradar ao professor, e sim para
poder ser lido com facilidade.
A ORGANIZAÇÃO DA TAREFA GARANTE A MÁXIMA
CIRCULAÇÃO DE INFORMAÇÃO POSSÍVEL
Informação é tudo o que de fato “acrescenta”. Livros e ou-
tros materiais escritos informam, a intervenção do profes-
sor informa, a observação de como um colega resolve uma
situação-problema informa, as dúvidas informam, as difi-
culdades informam, o próprio objeto com o qual os alunos
se debatem para aprender informa.
O conhecimento avança quando o aprendiz enfrenta
questões sobre as quais ainda não havia parado para
pensar. Quando observa como os outros a resolvem e
tenta entender a solução que os outros dão. Isso é o que
justifica a exigência pedagógica de garantir a máxima
circulação de informação possível na classe. Significa
permitir que as perguntas circulem e as respostas tam-
bém, e que cada aluno faça com isso – que é informação
– o que lhe é possível em cada momento. Para promover
a circulação de informações, é preciso que o professor
aceite que seu papel é o de um planejador de interven-
ções que favoreçam a ação do aprendiz sobre o que é
objeto de seu conhecimento. E que abra mão da posição
de ser o único informante da classe – posição muitas
vezes adotada não por autoritarismo, mas para evitar
que os alunos errem, pois, quando trocam livremente
Não adianta lamentar que a maioria dos alunos tenha como
único objetivo em sua vida escolar tirar boas notas e pas-
sar de ano, pois é a escola quem lhes ensina isso. Ensina
em atos, quando propõe tarefas cujo sentido escapa à cri-
ança e, freqüentemente, ao próprio professor. É fundamental
que os professores que têm compromisso político compre-
endam que é a alienação que educa para a alienação. Quan-
do falo de tarefas cujo sentido escapa à criança, não estou
me referindo a tarefas chatas, cansativas, e não estou pro-
pondo que se transforme a escola em um parque de diver-
sões. Aprender envolve esforço, investimento, e é justamente
por isso que em cada atividade os alunos devem ter objeti-
vos imediatos de realização para os quais dirigir o esforço
de equacionar problemas e tomar decisões. Esses objetivos
não precisam emergir do seu interesse, nem devem ser
decididos por eles. Propostos pelo professor, constituem-
se em parte da própria estrutura da atividade, de tal forma
que os alunos possam se apropriar tanto dos objetivos quan-
to do produto do seu trabalho.
Vou dar um exemplo. A produção de texto, ou, como é
mais conhecida, a redação, é uma atividade presente em
qualquer tipo de proposta pedagógica. O que varia é o mo-
mento em que se considera a criança apta a redigir textos.
A discussão sobre se é necessário escrever convencional-
mente ou não para começar a produzir textos envolve ques-
tões tanto do campo da lingüística (o que é um texto) quan-
to do campo da pedagogia (é necessário aprender para po-
der redigir, ou é necessário redigir para poder aprender?).
Mas nossa questão nesse momento não é essa e sim o sen-
tido do ato de redigir para o aluno.
Creio que ninguém discordaria que escrever para ser
lido é completamente diferente de escrever para ser corri-
gido. São dois sentidos distintos que tornam o que aparen-
54 55
que eu faço um ‘p’ para você”, ou “Não está vendo que é o
‘p’?”. E há, é claro, a possibilidade de o aluno que pergun-
tou ouvir de seu colega: “Padaria? Começa com ‘a’ ”– e se
dar por satisfeito. O medo de que eles aprendam errado,
em uma hora dessas, faz com que muitos professores re-
cuem e bloqueiem a circulação de informação.
Uma classe é, de certa forma, uma microssociedade. E
o professor estabelece o seu modo de funcionamento, mui-
to menos por ter montado um decálogo na parede – o que é
muito interessante, desde que seja discutido com os alu-
nos – mas, principalmente, por passar, através de seus pró-
prios atos, quais as atitudes que devem ser valorizadas,
quais não, que formas de relação são bem aceitas, quais
não. A classe incorpora isso tudo porque o professor está
no comando e é referência.
Os alunos muitas vezes discutem, defendem suas opi-
niões. E a atitude diante do que consideram um não-
saber do outro tem muito a ver, também, com o tempe-
ramento de cada um. Há crianças que não discutem, mas
não arredam pé; outras até discutem, mas acabam ce-
dendo. A questão central não é haver ou não discussão,
mas sim que cada um consiga formular o seu argumen-
to a favor ou contra uma dada questão. Aprende-se mui-
to quando se está exposto a uma argumentação e apren-
de-se mais ainda quando se tem que defender um ponto
de vista. O esforço de comunicar uma idéia sempre faz
avançar a compreensão e é altamente produtivo do pon-
to de vista da aprendizagem.
A interação entre os alunos não é necessária só porque
o intercâmbio é condição para o convívio social na escola:
a interação entre os alunos é necessária porque informa a
todos os envolvidos e potencializa quase infinitamente a
aprendizagem.
informações, expõem uns para os outros suas hipóte-
ses, muitas vezes erradas. A preocupação em evitar o
contato do aluno com a resposta errada é uma marca do
modelo empirista de ensino e está relacionada à idéia de
que ela vai se fixar em sua memória.
As crianças freqüentemente reproduzem o padrão de
comportamento que os adultos têm com elas. Em uma
classe onde o respeito intelectual com o processo de
aprendizagem dos alunos é baixo, é comum estes se van-
gloriarem dos seus saberes, gozarem e humilharem os
outros quando dão respostas inadequadas. Em uma clas-
se onde o professor cultiva a cooperação e o respeito
intelectual, os alunos costumam fazer o mesmo com os
colegas. Quando o professor proporciona situações de
intercâmbio e colaboração na sala de aula, eles podem
trocar informações entre si, discutir de maneira produ-
tiva e solidária e aprender uns com os outros. Para po-
der explicar para o colega que seu jeito de pensar está
incorreto, o aluno precisa formular com precisão e ar-
gumentar com clareza – e esta é uma situação muito
rica para sistematizar seus próprios conhecimentos.
Quando se contradiz e percebe isso, pode reorganizar
suas idéias e, dessa forma, seu conhecimento avança.
Em um ambiente de respeito e solidariedade os alunos
aprendem a dar as informações que julgam importantes
para o colega. Em uma sala de aula onde essa prática é
adotada, não é raro vê-los oferecendo informações parciais
uns para os outros e escutar diálogos do tipo: “Agora pen-
sa, para ver se você descobre”, “Repare bem, que você en-
contra a resposta”. É comum, também, ver uma criança
perguntando coisas do tipo “Com que letra começa pada-
ria?” e tendo como resposta “É com a mesma letra do nome
do Paulo” – uma resposta bastante diferente de: “Dá aqui
56 57
trabalha como vendedor na rua e não consegue resolver
problemas matemáticos simples na escola, é de se pen-
sar o que foi feito do ensino da matemática que a torna
algo tão pouco familiar. Claro que a questão que se colo-
ca para os alunos que vão bem nas contas “de rua” é
diferente: na escola aprende-se a linguagem matemática
escrita, que é pouco usada na rua. Mas não se pode dei-
xar de lado esta competência que o aluno já traz desen-
volvida e sobrepor a escolarização a ela.
Toda ciência ou prática social, quando se converte
em objeto de ensino escolar, acaba, inevitavelmente,
sofrendo modificações. A arte é diferente da Educação
Artística, o esporte é diferente da Educação Física, a
linguagem é diferente do ensino de Língua Portugue-
sa, a ciência é diferente do ensino de Ciências e assim
por diante. Mas é preciso cuidado para não produzir
invenções pretensamente facilitadoras, que acabam
tendo existência própria. Cabe à escola garantir a apro-
ximação máxima entre o uso social do conhecimento e
a forma de tratá-lo didaticamente. Pois se o que se
pretende é que os alunos estabeleçam relações entre o
que aprendem e o que vivem, não se pode, com o in-
tuito de facilitar a aprendizagem, introduzir dificulda-
des. Nesse sentido, o papel da escola é criar pontes, e
não abismos.
No momento em que compreendemos que não é pre-
ciso simplificar tudo que se oferece aos alunos, que eles
podem enfrentar objetos de conhecimento complexos –
desde que o professor respeite e apóie a forma pela qual
vão penetrando nessa complexidade –, também passa-
mos a abrir a escola para o mundo e fazer dela um ponto
de partida para a aventura do conhecimento. Nunca o
ponto de chegada.
O CONTEÚDO TRABALHADO DEVE
MANTER SUAS CARACTERÍSTICAS DE
OBJETO SOCIOCULTURAL REAL
Ao longo deste século, foram sendo criadas práticas que se
instalaram tão fortemente no senso comum, a ponto de
imaginarmos que sempre existiram, que tudo sempre foi
assim. A idéia de que para aprender na escola era necessá-
rio que os materiais fossem produzidos especialmente para
esse uso escolar criou uma espécie de muro, que não dei-
xava entrar na escola nada que fosse do mundo externo.
No livro Psicanálise da alfabetização, Bruno Bethelheim
mostra, por exemplo, como aconteceu uma involução dos
textos, através dos anos, para ensinar a ler em inglês. Em
nome de facilitar a aprendizagem, inventaram-se escritos
que apresentam a leitura como uma atividade esvaziada de
qualquer sentido.
No Brasil, esses escritos também se constituíram
em uma marca registrada, principalmente da escolari-
dade inicial. Isso não quer dizer que a descaracterização
dos conteúdos seja privilégio das primeiras séries. Mais
adiante pode-se encontrar uma outra invenção da es-
cola: a redação escolar, um gênero que não existe em
nenhum outro lugar além da escola. Trata-se, em ge-
ral, de um texto sem destinatário, que nunca será lido
de fato, a não ser pelo professor, com o objetivo exclu-
sivo de corrigi-lo.
E não é apenas o ensino da língua portuguesa que está
cheio de criações escolares, que em nada coincidem com
as práticas sociais de uso da língua, objeto de ensino na
escola. As demais áreas também possuem suas invenções
específicas, todas elas.
Quando um aluno, como os que eu tinha em 1962,
58 59
O QUE PROPOR
NA SALA DE AULA
O que são:
poemas, canções, cantigas de
roda, adivinhas, trava-línguas,
parlendas e quadrinhas
As adivinhas, as cantigas de roda, as parlendas, as
quadrinhas e os trava-línguas são antigas manifestações
da cultura popular, universalmente conhecidas e mantidas
vivas através da tradição oral.
São textos que pertencem a uma longa tradição de uso
da linguagem para cantar, recitar e brincar. A maioria de-
les é de domínio público, ou seja, não se sabe quem os
inventou: foram simplesmente passados de boca a boca,
das pessoas mais velhas para as pessoas mais novas.
Os poemas servem para divertir, emocionar, fazer pen-
sar. Geralmente têm rimas e apresentam diferentes
diagramações. São textos com autoria, isto é, geralmente
sabemos quem os fez.
Todos nós conhecemos poemas, pois são textos de co-
nhecimento popular. São parecidos com as canções, só
que não são musicados. Alguns são feitos especialmente
para crianças. Os poemas, assim como as quadrinhas e os
trava-línguas, “brincam” com os sons das palavras e com o
seu significado.
60 61
Canção de Dominguinhos e Anastácia
TENHO SEDE
Traga-me um copo d’água
Tenho sede
E esta sede pode me matar
Minha garganta pede
Um pouco d’água
E os meus olhos pedem
Teu olhar
A planta pede chuva
Quando quer brotar
O céu logo escurece
Quando vai chover
Meu coração só pede
Teu amor
Se não me deres
Posso até morrer.
As cantigas de roda são textos que servem para brin-
car e divertir. Com bastante freqüência se encontram
associadas a movimentos corporais em brincadeiras
infantis.
CAI BALÃO
Cai, cai balão
cai, cai balão
aqui na minha mão.
Não cai não, não cai não
cai na rua do sabão.
A poesia nada mais é do que uma brincadeira com as palavras.
Nessa brincadeira, cada palavra pode e deve significar mais de
uma coisa ao mesmo tempo: isso aí é também isso ali. Toda poe-
sia tem que ter uma surpresa. Se não tiver não é poesia: é papo
furado!
(J. Paulo Paes)
Poema de José Paulo Paes
CONVITE
Poesia
é brincar com palavras
como se brinca
com bola, papagaio, pião
Só que
bola, papagaio, pião
de tanto brincar
se gastam.
As palavras não:
quanto mais se brinca
com elas
mais novas ficam.
Como a água do rio
que é água sempre nova.
Como cada dia
que é sempre um novo dia.
Vamos brincar de poesia?
62 63
Se o mestre mandar!
Faremos todos!
E se não for?
Bolo!
As quadrinhas são estrofes de quatro versos, também cha-
madas de quartetos. As rimas são simples, assim como as
palavras que fazem parte do seu texto.
Roseira, dá-me uma rosa;
Craveiro, dá-me um botão;
Menina, dá-me um abraço,
que eu te dou meu coração.
É FUNDAMENTAL LEMBRAR...
A presença desses textos na sala de aula favorece a va-
lorização e a apreciação da cultura popular, assim como
o estabelecimento de um vínculo prazeroso com a leitu-
ra e a escrita.
Quando os alunos ainda não lêem e escrevem con-
vencionalmente, atividades de leitura e escrita com es-
ses textos, que pertencem à tradição oral e as crianças
conhecem de memória, podem possibilitar avanços nas
hipóteses dos alunos a respeito da língua escrita.
SITUAÇÕES DE APRENDIZAGEM
A seguir você encontrará uma lista de situações de sala de
aula que possibilitam a aprendizagem da língua escrita por
meio de atividades de leitura e escrita com textos de tradi-
ção oral.
As sugestões que seguem servem para trabalhar com
As adivinhas servem para divertir e provocar curiosida-
de. São textos curtos, geralmente encontrados na forma
de perguntas: O que é, o que é? Quem sou eu? Qual é?
Como? Qual a diferença?
O que é, o que é que cai em pé e corre deitado?
Resposta: A chuva.
Os trava-línguas brincam com o som, a forma gráfica e o
significado das palavras. A sonoridade, a cadência e o ritmo
dessas composições encantam adultos e crianças. O grande
desafio é recitá-los sem tropeços na pronúncia das palavras.
O RATO E A RITA
O rato roeu a roupa do rei de
Roma,
O rato roeu a roupa do rei da
Rússia,
O rato roeu a roupa do
RodovaIho...
O rato a roer roía.
E a rosa Rita Ramalho
do rato a roer se ria.
As parlendas são conjuntos de palavras com arrumação
rítmica em forma de verso, que podem rimar ou não.
Geralmente envolvem alguma brincadeira, jogo, ou mo-
vimento corporal.
Boca de forno
Forno
Tira um bolo Bolo
64 65
Leitura coletiva – Ler, cantar, recitar e brincar com textos
conhecidos. É fundamental que os alunos possam vivenciar
na escola situações em que a leitura esteja vinculada dire-
tamente ao desfrute pessoal, à descontração e ao prazer.
Leitura dirigida – Propor atividades de leitura em que os
alunos tenham de localizar palavras em um texto conheci-
do. Por exemplo: o professor lê o texto inteiro e depois pede
aos alunos que localizem uma palavra determinada (ex.:
“piano”, na parlenda “Lá em cima do piano”). A intenção é
que possam utilizar seus conhecimentos sobre a escrita
para localizar e ler as palavras selecionadas.
Leitura individual – Quando os alunos conhecem bastan-
te os textos, já podem começar a lê-los individualmente. E
nesse caso é importante que tenham objetivos com a ativi-
dade de leitura. Por exemplo: ler para escolher a parte de
que mais gosta, ler para depois recitar em voz alta para
todos etc.
Pesquisa de outros textos – Os alunos podem pesquisar
outros textos do mesmo gênero em livros, na família e na
comunidade. Podem, por exemplo, entrevistar pais, avós e
amigos a respeito de adivinhas, cantigas de roda, parlendas,
quadrinhas ou trava-línguas que conhecem; ou procurar
textos conhecidos no Livro do aluno. No caso dos poemas,
também é possível pesquisar autores da comunidade, au-
tores conhecidos no Brasil inteiro etc.
Rodas de conversa ou de leitura – Sentar em roda é uma
boa estratégia para socializar experiências e conhecimen-
tos, pois favorece a troca entre os alunos. A roda de con-
versa permite identificar o repertório dos alunos a respeito
vários textos: adivinhas, cantigas de roda, parlendas,
quadrinhas e trava-línguas, por isso é necessário que, ao
trabalhar cada um deles, você construa uma seqüência de
atividades que considere pertinentes para ensinar os seus
alunos.
Tirando dúvidas
As seqüências de atividades são planejadas e ori-
entadas com o objetivo de promover uma aprendi–
zagem específica e definida. São seqüenciadas com
intenção de oferecer desafios com graus diferentes
de complexidade, para que os alunos possam ir pau-
latinamente resolvendo problemas a partir de dife-
rentes proposições.
Referencial Curricular Nacional para Educação Infantil/MEC.
Leitura pelo professor – É importante que o professor faça a
leitura de vários textos do mesmo gênero (adivinhas, cantigas
de roda, parlendas, quadrinhas ou trava-línguas), de modo
que os alunos possam se apropriar de um amplo repertório
do texto em questão. Essa atividade de leitura pode ser diária
(na hora da chegada, na volta do recreio…), ou semanal. O
importante é que os alunos tenham um contato freqüente
com os textos, para que possam conhecê-los melhor.
Leitura compartilhada (professor e alunos) de textos co-
nhecidos – Em alguns momentos da rotina de sala de aula, o
professor pode ler junto com os alunos alguns textos (adivi-
nhas, cantigas de roda, parlendas, quadrinhas ou trava-lín-
guas) que os alunos conheçam bastante, para que possam
inferir e antecipar significados durante a leitura. Os textos
que serão lidos podem estar afixados na sala em forma de
cartaz, escritos na lousa ou impressos no livro do aluno.
66 67
ditada. Durante o processo de escrita, é fundamental que o
professor discuta com os alunos a forma de escrever as
palavras, pois isto favorece a aprendizagem de novos co-
nhecimentos sobre a língua escrita. Quando for possível,
liste coletivamente os títulos dos textos de que os alunos
mais gostam.
Reflexão sobre a escrita – Sempre que for possível favore-
ça a reflexão dos alunos sobre a escrita, propondo compa-
rações entre palavras que começam ou terminam da mes-
ma forma (letras, sílabas ou partes das palavras).
Aprendendo com outros – A interação com bons mode-
los é fundamental na aprendizagem, por isso é importan-
te que os alunos possam compartilhar atos de leitura e
observar outras pessoas lendo, recitando ou cantando os
textos que estão estudando. Desta forma podem apren-
der a utilizar uma variedade maior de recursos
interpretativos: entonação, pausas, expressões faciais,
gestos… O professor pode chamar para a sala de aula
alguns familiares ou pessoas da comunidade que gostem
de ler, recitar ou cantar para os outros. Também é possí-
vel levar para a sala de aula gravações de pessoas lendo,
cantando ou recitando.
Gravação – Se for possível, grave em fita cassete a leitura
ou recitação dos alunos de seus textos preferidos. Esta fita
pode compor o acervo da classe, ou ser um presente para
alguém especial.
Produção de um livro – Seleção dos textos preferidos para
a produção de uma coletânea (livro). Cada aluno pode es-
crever um de seus textos preferidos.
do texto que está sendo trabalhado e também suas prefe-
rências. A roda de leitura permite compartilhar momentos
de prazer e diversão com a leitura. No caso dos trava-lín-
guas, é interessante propor um concurso de trava-línguas
– falar sem tropeçar nas palavras.
Escrita individual – Escrever segundo suas próprias hi-
póteses é fundamental para refletir sobre a forma de escre-
ver as palavras. Por isso é importante criar momentos na
rotina de sala de aula em que os alunos possam escrever
sozinhos. Por exemplo: pedir que os alunos escrevam uma
parlenda que conhecem de memória, ou que escrevam a
cantiga de roda preferida. Vale ressaltar que, quando pro-
pomos a escrita de textos que os alunos conhecem de me-
mória, em que não há um destinatário específico, é funda-
mental aceitar as hipóteses e não interferir diretamente
nas produções: não se deve corrigir, escrever embaixo ou
coisa do tipo.
Tirando dúvidas
Nessas atividades de escrita, o aluno que ainda não
sabe escrever convencionalmente precisa se esforçar
para construir procedimentos de análise e encontrar
formas de representar graficamente aquilo que se pro-
põe a escrever. É por isso que esta é uma boa atividade
de alfabetização: havendo informação disponível e es-
paço para reflexão sobre o sistema de escrita, os alunos
constroem os procedimentos de análise necessários para
que a alfabetização se realize.
Escrita coletiva – O professor escreve na lousa, ou em um
cartaz, o texto que os alunos ditam para ele. Nesse caso é
absolutamente necessário que todos os alunos conheçam
bem a cantiga de roda, a parlenda ou a quadrinha que será
68 69
EXEMPLOS DE ATIVIDADES
Seguem algumas sugestões de atividades que você po-
derá tomar como modelo para elaborar outras para os
seus alunos:
EXEMPLO 1
O QUE É O QUE É
1. O PASSARINHO QUE MAIS VIGIA A GENTE?
BEM-TE-VI PAPAGAIO EMA
2. QUE CRESCE ANTES DE NASCER, E DEPOIS QUE
NASCE, PÁRA DE CRESCER?
UVA OVO CLARA
3. QUE SENDO APENAS SEU, É USADO MAIS PELOS
OUTROS DO QUE POR VOCÊ?
PÉ NARIZ NOME
4. QUE TEM PÉ DE PORCO, RABO DE PORCO, TEM
ORELHA DE PORCO, MAS NÃO É PORCO NEM PORCA?
FEIJOADA ARROZ MACARRÃO
5. A AVE QUE QUEREMOS NO QUINTAL E NUNCA
QUEREMOS NA CABEÇA?
PATO GALO PERIQUITO
6. DE NOITE APARECEM SEM SER CHAMADAS, DE
DIA DESAPARECEM SEM QUE NINGUÉM AS
TENHA ROUBADO?
SOL ESTRELAS BOLAS
Projetos – As propostas de aprendizagem também podem
ser organizadas por meio de projetos que proponham aos
alunos situações comunicativas envolvendo a leitura e es-
crita das adivinhas, cantigas de roda, parlendas, quadrinhas
ou trava-línguas. Essas propostas de trabalho podem con-
templar todas as séries, cada aluno contribuindo de acordo
com suas possibilidades. Exemplos: propor a realização de:
• um mural/painel de textos para colocar na entrada
da escola;
• um recital ou coral para pessoas da comunidade;
• um livro de textos, para presentear alguém ou para
compor a biblioteca da classe.
Como os textos produzidos nos projetos têm um leitor real,
o professor deve torná-lo o mais legível possível, com o
mínimo de erros, traduzindo a escrita dos alunos ou revi-
sando as escritas em que só faltam algumas letras.
Tirando dúvidas
Os projetos são excelentes situações para que os alunos
produzam textos de forma contextualizada; além disso,
dependendo de como se organizam, exigem leitura, escu-
ta de leituras, produção de textos orais, estudo, pesquisa
ou outras atividades. Podem ser de curta ou média dura-
ção, envolver ou não outras áreas do conhecimento e re-
sultar em diferentes produtos: uma coletânea de textos de
um mesmo gênero (poemas, contos de assombração ou
de fadas, lendas etc.), um livro sobre um tema pesquisado,
uma revista sobre vários temas estudados, um mural, uma
cartilha sobre cuidados com a saúde, um jornal mensal,
um folheto informativo, um panfleto, cartazes de divulga-
ção de uma festa na escola, um único cartaz…
Parâmetros Curriculares Nacionais - Língua Portuguesa/MEC
→
70 71
EXEMPLO 3
NOME:______________________________________________________
DATA:____________________________
O QUE É O QUE É
1. O QUE MUITA GENTE ACABA VIRANDO DEPOIS
QUE MORRE.
2. CAIXINHA DE BOM PARECER QUE NENHUM
CARPINTEIRO PODE FAZER.
3. TEM BICO MAS NÃO BICA; TEM ASA, MAS NÃO
VOA.
4. NASCE VERDE, VIVE PRETO E MORRE VERMELHO.
NÃO PODE FALTAR NUM CHURRASCO.
5. DE DIA TEM 4 PÉS, À NOITE TEM 6 E, ÀS VEZES, 8
PÉS.
6. TEM COROA, MAS NÃO É REI. TEM ESPINHOS E
NÃO É PEIXE.
7. QUE A GENTE COMPRA PARA COMER, MAS NÃO
COME.
7. QUE É MAIS ALTO SENTADO DO QUE EM PÉ?
GATO BOLA PIÃO
8 QUE TEM NA CASA E ESTÁ NO PALETÓ?
FORRO PANO BOTÃO
9. QUE VAI ATÉ A PORTA DA CASA MAS NÃO ENTRA?
CALÇADA CIMENTO PEDRA
10. QUE SE TEM EM CASA E NÃO SE QUER TER NA CASA?
FOGO GÁS TINTA
EXEMPLO 2
VAMOS ADIVINHAR AO CONTRÁRIO?
LEIA AS RESPOSTAS E INVENTE AS PERGUNTAS!
__________________________________________________________________________________________________________________________________________________________
Resposta: OVO
__________________________________________________________________________________________________________________________________________________________
Resposta: BULE
__________________________________________________________________________________________________________________________________________________________
Resposta: SOMBRA
→
72 73
EXEMPLO 4
POEMA: A FOCA
COMPLETE COM AS PALAVRAS QUE FALTAM,
CONSULTANDO AS DADAS ABAIXO.
QUER VER A
FICAR FELIZ?
É PÔR UMA .
NO SEU
QUER VER A FOCA
BATER ?
É DAR A ELA
UMA
QUER VER A FOCA
FAZER UMA ?
É ESPETAR ELA
NARIZ – BARRIGA – PALMINHAS – FOCA – SARDINHA – BOLA -
BRIGA – BEM NA BARRIGA.
8. FICA MAIS ALTO QUE UM HOMEM E MAIS BAIXO
QUE UMA GALINHA.
9. NA ÁGUA EU NASCI, NA ÁGUA ME CRIEI, MAS
SE NA ÁGUA ME JOGAREM, NA ÁGUA MORREREI.
10. QUEM ENTRA NÃO VÊ. QUEM VÊ NÃO ENTRA.
11. O NAVIO TEM EMBAIXO, A TARTARUGA TEM EM
CIMA E OS CAVALOS TÊM NAS PATAS.
RESPOSTAS
BULE O CARVÃO
O ABACAXI NOTÍCIA
CASCA DE AMENDOIM A CAMA
O CHAPÉU O GARFO
O CASCO O SAL
TÚMULO
74 75
O que são:
contos de fadas, mitos, lendas
e fábulas
A narrativa é a arte de contar histórias tão antiga quanto o
homem. Não há povo sem narrativa. As histórias narradas
sempre acompanharam a vida do homem em sociedade.
Através delas foi possível a preservação da cultura e du-
rante muito tempo foram a única fonte de aquisição e trans-
missão do conhecimento (formas orais). Além disso, as
narrativas estimulam a imaginação e povoam a mente de
idéias, pessoas, lugares, acontecimentos, desejos, sonhos…
A importância da narrativa nas diversas circunstân-
cias de vida gerou vários modos de se contar uma história,
ou seja, vários tipos de narrativas – lendas, contos, mitos,
romances, fábulas etc.
Os contos, mitos, lendas e fábulas são antigas expres-
sões da cultura que se eternizaram graças à tradição oral,
passada de uma geração para outra, e do texto impresso.
Os contos de fadas emocionam, divertem, criam
suspense, mexem com os sentimentos mais primitivos do
indivíduo. Neles, o bem e o mal aparecem claramente esbo-
çados, possibilitando perceber que a luta contra os proble-
mas faz parte da existência humana. Por ter suas origens
na tradição oral, muitos contos foram recebendo novos ele-
mentos, fazendo surgir muitas variações sobre o mesmo
enredo (diferentes versões).
São textos que mantêm uma estrutura fixa: partem de
um problema (como estado de penúria, carência afetiva,
conflito entre mãe e filho), que desequilibra a tranqüilidade
inicial. O desenvolvimento é uma busca de soluções, no
plano da fantasia, com introdução de elementos mágicos
EXEMPLO 5
VAMOS VER QUEM ADIVINHA?
VOU COMPRAR
UNS PRESENTINHOS
PARA MEUS BONS
AMIGUINHOS.
QUE SERÁ
QUE VOU DAR
VOCÊS VÃO ADIVINHAR...
PARA O JOÃO
VOU DAR UM PI
DEPOIS AO DIOGO
EU DOU UM JO
E PARA O ZECA
UMA PE
E AO NICOLAU
MAIS UMA BO
AO JULIANO
DOU UM PI
PARA O QUINZINHO
ESTE TREN
PARA O RENATO
VOU DAR UM GA
E AO CHIQUITO
UM PE
TODOS VÃO FICAR CONTENTES
COM ESTES LINDOS PRESENTES.
76 77
— Dou-lhe o meu colar.
O anãozinho pegou o colar, sentou-se diante da roda
e — zunzunzum! — girou-a três vezes e a bobina ficou
cheia. Então pegou outra, girou a roda três vezes e a
segunda bobina ficou cheia também. Varou a noite tra-
balhando assim e, quando acabou de fiar toda a palha e
as bobinas ficaram cheias de ouro, sumiu.
No dia seguinte…
Irmãos Grimm
As fábulas são pequenas narrativas que transmitem em
linguagem simples mensagens morais relacionadas ao com-
portamento no cotidiano. Em geral, a moral é acrescida
por um pensamento final.
Algumas fábulas possuem personagens humanas, mas
a maior parte delas mostra situações do dia-a-dia vividas
por seres personificados – animais com características hu-
manas. O comportamento dos animais representa os de-
feitos, as qualidades e os vícios dos seres humanos. É muito
comum a presença de provérbios populares.
Os mais famosos fabulistas (autores de fábulas) foram:
Esopo (Grécia, 600 A.C.) e La Fontaine (França, século XVIII).
No Brasil, Monteiro Lobato (século XX) e nos dias de hoje Millor
Fernandes, que as recriou de forma satírica e engraçada.
O LEÃO E O RATINHO
Um leão, cansado de tanto caçar, dormia espichado de-
baixo da sombra de uma boa árvore. Vieram uns rati-
nhos passear em cima dele e ele acordou. Todos conse-
guiram fugir, menos um, que o leão prendeu debaixo da
(fadas, bruxas, duendes, gigantes etc.). A restauração da
ordem acontece no final da narrativa, quando se volta a
uma situação de tranqüilidade.
RUMPELSTICHEN
Era uma vez um moleiro muito pobre que tinha uma
filha linda. Um dia, encontrou-se com o rei e, para se dar
importância, disse que a filha sabia fiar palha de ouro.
— Esta é uma habilidade que me encanta - disse o
rei. — Se é verdade o que diz, traga sua filha amanhã
cedo ao castelo. Eu quero pô-la à prova.
No dia seguinte, quando a moça chegou, o rei levou-
a para um quartinho cheio de palha, entregou-lhe uma
roda e uma bobina, dizendo:
— Agora, ponha-se a trabalhar. Se até amanhã cedo
não tiver fiado toda esta palha em ouro, você morrerá! -
depois saiu, trancou a porta e deixou a filha do moleiro
sozinha.
A pobre moça sentou-se num canto, e por muito
tempo ficou pensando no que fazer. Não tinha a menor
idéia de como fiar palha em ouro e não via jeito de esca-
par da morte. O pavor tomou conta dela, que começou a
chorar desesperadamente. De repente, a porta se abriu,
e entrou um anãozinho muito esquisito.
— Boa tarde, minha linda menina — disse ele. —
Por que chora tanto?
— Ah! — respondeu a moça entre soluços — O rei
me mandou fiar toda esta palha em ouro. Não sei como
fazer isso!
— E se eu fiar para você? O que me dará em troca?
→
→
78 79
ros. Quando Potira chegou à idade do casamento,
Itagibá adquiriu sua condição de guerreiro. Não ha-
via como negar que se amavam e que tinham esco-
lhido um ao outro. Embora outros jovens quises-
sem o amor da indiazinha, nenhum ainda possuía
a condição exigida para as bodas, de modo que não
houve disputa, e Potira e Itagibá se uniram com
muita festa.
Corria o tempo tranqüilamente, sem que nada per-
turbasse a vida do apaixonado casal. Os curtos perío-
dos de separação, quando Itagibá saía com os demais
para caçar, tornavam os dois ainda mais unidos. Era
admirável a alegria do reencontro!
Um dia, no entanto, o território da tribo foi invadido
por vizinhos cobiçosos, devido à abundante caça que
ali havia, e Itagibá teve que partir com os outros ho-
mens para a guerra.
Potira ficou contemplando as canoas que desciam
rio abaixo, levando sua gente em armas, sem saber
exatamente o que sentia, além da tristeza de se sepa-
rar de seu amado por um tempo não previsto. Não
chorou como as mulheres mais velhas, talvez porque
nunca houvesse visto ou vivido o que sucede numa
guerra.
Mas todas as tardes ia sentar-se à beira do rio, numa
espera paciente e calma. Alheia aos afazeres de suas
irmãs e à algazarra constante das crianças, ficava aten-
ta, querendo ouvir o som de um remo batendo na água
e ver uma canoa despontar na curva do rio, trazendo de
volta seu amado. Somente retornava à taba quando o
sol se punha e depois de olhar uma última vez, tentan-
do distinguir no entardecer o perfil de Itagibá.
Foram muitas tardes iguais, com a dor da sau-
dade aumentando pouco a pouco. Até que o canto
pata. Tanto o ratinho pediu e implorou, que o leão desis-
tiu de esmagá-lo e deixou que fosse embora. Algum tem-
po depois o leão ficou preso na rede de uns caçadores.
Não conseguindo se soltar, fazia a floresta inteira tremer
com seus urros de raiva. Nisso apareceu o ratinho e com
seus dentes afiados roeu as cordas e soltou o leão.
Moral: Uma boa ação ganha outra
Fábulas de Esopo/Companhia das Letrinhas
As lendas, assim como os mitos, são histórias sem au-
toria conhecida. Foram criadas por povos de diferentes
lugares e épocas para explicar fatos para os quais as
pessoas não tinham explicações, como o surgimento da
terra e dos seres humanos, do dia e da noite e outros
fenômenos da natureza. Também falam sobre heróis,
heroínas, deuses, deusas, monstros e outros seres fan-
tásticos.
AS LÁGRIMAS DE POTIRA
Muito antes de os brancos atingirem os sertões de
Goiás, em busca de pedras preciosas, existiam por
aquelas partes do Brasil muitas tribos indígenas, vi-
vendo em paz ou em guerra e segundo suas crenças
e hábitos.
Numa dessas tribos, que por muito tempo manteve
a harmonia com seus vizinhos, viviam Potira, menina
contemplada por Tupã com a formosura das flores, e
Itagibá, jovem forte e valente.
Era costume na tribo as mulheres se casarem
cedo e os homens, assim que se tornassem guerrei-
→
→
80 81
lendas e fábulas), de modo que os alunos possam se apro-
priar de um conhecimento que faz parte do patrimônio cul-
tural da humanidade e instrumentalizá-los para desfrutar
das narrativas literárias.
A atividade de leitura deve ser diária (na hora da che-
gada, na volta do recreio, antes da saída), pois é importan-
te que os alunos tenham um contato freqüente com os tex-
tos, para que possam conhecê-los melhor.
O professor necessita ler os textos antes, para se prepa-
rar para a leitura em voz alta, garantindo que os alunos pos-
sam ouvir a história tal qual está escrita, imprimindo ritmo à
narrativa e dando uma idéia correta do que significa ler.
Essas situações de leitura não devem estar vincu-
ladas a atividades de interpretação por escrito do tex-
to, pois são momentos em que se privilegia o ouvir. Nas
atividades de leitura, é importante comentar previa-
mente o assunto a ser lido: fazer com que os alunos
levantem hipóteses sobre o tema a partir do título; ofe-
recer informações que situem a leitura (autor, nome do
livro etc.); criar um certo suspense quando for o caso,
ou seja, propor situações em que os alunos possam
inferir e antecipar significados antes, durante e depois
da leitura. Para dar continuidade ao trabalho, o pro-
fessor deve buscar os livros na biblioteca da escola.
Reconto oral – Possibilita ao aluno, que não é leitor e
escritor convencional, saber mais sobre o texto, aproprian-
do-se oralmente da língua que se escreve. Não é uma si-
tuação em que o aluno deve decorar integralmente o tex-
to, mas recontá-lo a partir do que se apropriou da histó-
ria, não podendo transformar o enredo. Essa situação de
aprendizagem deve ser proposta a partir do momento em
que os alunos ampliaram o repertório desses tipos de tex-
da araponga ressoou na floresta, desta vez não para
anunciar a chuva, mas para prenunciar que Itagibá
não voltaria, pois tinha morrido na batalha.
E pela primeira vez Potira chorou. Sem dizer palavra,
como não haveria de fazer nunca mais, ficou à beira do rio.
Contos e lendas de amor, Editora Ática
É FUNDAMENTAL LEMBRAR...
Os contos, mitos, lendas e fábulas devem fazer parte do
cotidiano da sala de aula, para que os alunos possam apren-
der mais sobre eles, ampliando o repertório, descobrindo a
magia, conhecendo obras e autores consagrados, aproprian-
do-se da linguagem e estabelecendo um vínculo prazeroso
com a leitura e a escrita.
Uma das formas de esses textos entrarem na sala de
aula é através da leitura diária realizada pelo professor.
Lembre-se: os alunos que não sabem ler convencionalmente
podem “ler” através da leitura do professor.
SITUAÇÕES DE APRENDIZAGEM
A seguir você encontrará uma lista de situações de sala de
aula que possibilitam a aprendizagem da língua escrita por
meio de atividades de leitura e escrita.
As sugestões que seguem servem para trabalhar com
vários textos: contos, mitos, lendas e fábulas. Por isso é
necessário que, ao trabalhar cada um desses textos, você
construa uma seqüência de atividades que considere per-
tinentes para ensinar aos seus alunos.
Leitura pelo professor – É importante que o professor faça
a leitura de vários textos do mesmo gênero (contos, mitos,
82 83
produção dos principais elementos presentes no texto-
fonte, mas, algumas vezes, também ao uso das mesmas
expressões e palavras que estão no livro. Podemos pro-
por às crianças a reescrita de alguma notícia na TV, de
uma lenda, de uma história etc. Toda atividade de rees-
crita supõe a imitação do escrever do outro: “do jeito
que está no livro”, “do jeito que sai no jornal” etc.
Referencial Curricular Nacional da
Educação Infantil/MEC
Escrita coletiva – O professor escreve na lousa, ou em um
cartaz, o que os alunos ditam para ele. Neste caso é absolu-
tamente necessário que todos os alunos conheçam bem o
conto, a lenda ou fábula. Durante o processo de escrita do
texto, é fundamental que o professor discuta com os alunos
a forma de escrever as palavras, pois isso favorece a apren-
dizagem de novos conhecimentos sobre a língua escrita.
Reflexão sobre a escrita – Sempre que for possível, favo-
recer a reflexão dos alunos sobre a escrita, propondo com-
parações entre palavras que começam ou terminam da
mesma forma (letras, sílabas ou pedaços).
Pesquisa de outros textos: – Os alunos podem pesquisar
outros textos do mesmo gênero em livros, na família e na
comunidade. Podem, por exemplo: entrevistar pais, avós e
amigos a respeito de lendas, fábulas e contos que conhe-
cem; ou procurar textos conhecidos no caderno do aluno.
Rodas de conversa ou de leitura – Sentar em roda é uma
boa estratégia para socializar experiências e conhecimen-
tos, pois favorece um ambiente de troca entre os alunos.
tos. Ao recontar, o aluno deve tanto procurar manter as
características lingüísticas do texto ouvido como esfor-
çar-se para adequar a linguagem à situação de comuni-
cação na qual está inserido o reconto (é diferente recontar
para os colegas de classe, numa situação de “Hora da His-
tória”, por exemplo, e recontar para gravar uma fita cas-
sete que comporá o acervo da biblioteca). Essa atividade
poderá ser realizada com ajuda e orientação do professor
e de colegas.
Escritas produzidas pelos alunos – Escrever segundo suas
próprias hipóteses é fundamental para refletir sobre a escri-
ta. Por isso é importante criar momentos na rotina de sala
de aula em que os alunos possam escrever sozinhos ou em
duplas. Por exemplo: escrita da lista dos personagens do
conto; escrita de um novo título para o texto; reescrita de
fábulas, contos, mitos e lendas conhecidas; reescrita trans-
formando partes – modificando o cenário, o final, as carac-
terísticas de uma personagem, dando outro título etc.; es-
crita de textos a partir de outros conhecidos – um bilhete ou
carta de um personagem para outro, um trecho do diário de
um personagem, uma mensagem de alerta sobre os perigos
em uma dada situação, um convite; uma notícia informan-
do a respeito do desfecho de uma história etc.
Tirando dúvidas
Reescrita: reescrever é reelaborar um texto fonte (bons
textos conhecidos, utilizados como referência). Isto é feito
conservando, retirando ou acrescentando elementos com
relação a ele. Portanto, reescrita não é reprodução lite-
ral: é uma versão própria de um texto já existente. A
reescrita de textos coloca a necessidade de a criança
recordar para escrever depois, levando-a não só à re-
→
84 85
Como os textos produzidos nos projetos têm um leitor real,
o professor deve torná-lo o mais próximo do correto, tradu-
zindo a escrita dos alunos ou revisando as escritas em que
só faltam algumas letras.
EXEMPLOS DE ATIVIDADES
Seguem algumas sugestões de atividades que você pode-
rá tomar como modelo para elaborar outras para os seus
alunos:
EXEMPLO 1
COM CERTEZA VOCÊ JÁ CONHECE ESTA
HISTÓRIA. LEIA E DESCUBRA O SEU NOME.
Era uma vez uma menina que ao nascer recebeu
um presente de uma bruxa: aos dezesseis anos ela iria
morrer.
Seus pais ficaram muito tristes.
Então, a fada madrinha, que ainda não havia pre-
senteado a menina, disse:
– Eu não posso desfazer o feitiço, mas a menina
não morrerá, “mas dormirá sono profundo durante cem
anos”.
Todos respiraram aliviados.
As fadas madrinhas, que eram três, sugeriram ao
rei que a menina fosse criada na floresta…
Uma roda de leitura permite compartilhar momentos de
prazer e diversão com a leitura.
Aprendendo com outros – A interação com bons mode-
los é fundamental na aprendizagem; por isso, é importan-
te que os alunos possam compartilhar atos de leitura e
observar outras pessoas lendo ou recontando. Desta for-
ma podem aprender a utilizar uma variedade maior de
recursos interpretativos: entonação, pausas, expressões
faciais, gestos… O professor pode chamar para a sala de
aula alguns familiares ou pessoas da comunidade, que
gostem de contar ou ler para outros. Também é possível
levar para a sala de aula gravações de pessoas lendo e
contando histórias.
Projetos – As propostas de aprendizagem também podem
ser organizadas por meio de projetos que proponham aos
alunos situações comunicativas envolvendo a leitura e a
escrita dos textos (lendas, fábulas, mitos e contos). Essas
propostas de trabalho podem contemplar todas as séries,
cada aluno contribuindo de acordo com suas possibilida-
des. Exemplos: propor a realização de:
• Mural de personagens: descrição das personagens
mitológicas (características físicas, poderes, moradia
etc.) acompanhada de ilustrações que correspondam
às descrições.
• Seleção dos textos preferidos para a produção de uma
coletânea (livro) – podem escrever ou selecionar os
textos para presentear alguém ou para compor a bi-
blioteca da classe.
• Reconto oral de contos conhecidos para um público
específico (outra classe, comunidade etc.).
86 87
EXEMPLO 3
Leia o conto e escreva uma continuação para ele.
O PESCADOR E A MÃE-D’ÁGUA
PESCADORES E CAMPONESES HABITAVAM AQUELAS TERRAS QUE
HOJE A ÁGUA COBRE, O IGARAPÉ DO TARUMÃ. PERTO DALI CORRIA
O RIO, LERDO E LARGO. CORRIA SEMPRE E NELE O POVO PESCAVA.
VEIO UM TEMPO, PORÉM, EM QUE OS HOMENS, ENTRANDO
DE BARCO PELO RIO, NÃO VOLTAVAM QUASE NUNCA. SUAS CA-
NOAS, ABANDONADAS, ÀS VEZES BOIAVAM, BOIAVAM E VINHAM
ENCALHAR NO RASO. ÀS VEZES APENAS OS RESTOS DELAS ERAM
ENCONTRADOS – MAS O MAIS DAS VEZES NEM ISSO: TANTOS
HOMENS FORAM PESCAR E NOVA NOTÍCIA NÃO SE TEVE DELES
OU DE SEUS BARCOS.
OS PESCADORES QUE SOBREVIVIAM REMAVAM DE VOLTA COM
REDE E SAMBURÁ VAZIOS.
ERA A MÃE-D’ÁGUA QUE ASSIM QUERIA.
DIZIAM QUE ELA, COM SUA VOZ, CANTANDO COM MARAVI-
LHA, TINHA ATRAÍDO ESSAS CANOAS MAIS E MAIS RIO ADENTRO.
CONTAVAM QUE ESSES BARCOS, ARRASTADOS SEM CONTROLE, AÍ
VIRAVAM OU AFUNDAVAM.
DEU-SE QUE NINGUÉM SE ARRISCOU A PESCAR DE NOVO NAS
ÁGUAS MEDONHAS. SEM PEIXE, AS PESSOAS DORMIAM COM FOME.
O MILHO COLHIDO NEM CHEGAVA PARA TODOS. FRUTAS, SE HOU-
VESSE, NÃO BASTAVAM: MENINOS ADOENTADOS, MULHERES VIÚ-
VAS E MAGRAS, ANCIÃOS ENFRAQUECIDOS.
DENTRE OS JOVENS PESCADORES, UM DELES HOUVE QUE MAIS
SE ATORMENTOU EM VER TODA A GENTE DEFINHAR POR MEDO E
FOME. SEM DIZER NADA A NINGUÉM, MONTOU NUMA CANOA,
RASGOU CAMINHO NO RIO E, BEM LÁ DENTRO, LANÇOU A REDE.
EXEMPLO 2
Troca-bolas era um menino que trocava tudo: o que falava, o
que comia, o que fazia, e até as histórias que contava. Ele foi
contar uma história para sua irmãzinha e se saiu com esta:
Era uma vez uma menina muito bonita, com pele
branca como a neve, que vivia no castelo de uma ma-
drasta muito má.
Um dia, ela colocou um chapeuzinho vermelho e foi
levar doces para a vovozinha.
Aí, ela ia subindo uma escada e perdeu o sapatinho
de cristal.
Por isso, a bruxa prendeu a coitadinha numa torre e
os cabelos dela ficaram compridos, e o príncipe subia para
papear com ela, agarrando-se nas tranças da menina.
Mas, de vez em quando, a bruxa mandava ela botar
o dedinho para fora para ver se estava gordinho, porque
a bruxa só gostava de crianças gordinhas.
Mas daí a menina fugiu e foi jogando pedrinhas co-
loridas pelo caminho para não se perder na floresta.
Foi aí que apareceu o Lobo Mau com uma maçã en-
venenada e soprou a casa de madeira onde a menina
tinha se escondido....
Trocando as bolas, de Pedro Bandeira
Quais as histórias que Troca-Bolas misturou?
→
88 89
EXEMPLO 4
Estes são trechos de histórias que você já conhece.
Leia-os e escreva o título de cada uma delas.
— Nenhuma outra será minha esposa, a não ser
aquela em cujo pé couber este sapatinho de ouro.
Então as duas irmãs ficaram muito contentes, por-
que tinham pés bonitos. A mais velha entrou no quarto
e quis experimentar o sapatinho, e sua mãe ficou junto
dela. Mas ela não conseguiu fazer caber nele o dedão do
pé. Então a mãe lhe entregou uma faca e disse:
— Corta fora esse dedão! Quando fores rainha, não
precisarás mais andar a pé.
Agora já era o terceiro dia desde que eles saíram da
casa do pai. Recomeçaram a caminhada, mas só se
aprofundavam cada vez mais na floresta, e se não lhes vies-
se ajuda logo, morreriam de fome. Quando foi meio-dia,
eles viram um lindo passarinho branco como a neve pou-
sado num ramo, o qual cantava tão bem que eles pararam
para escutá-lo. E quando terminou, bateu asas e saiu vo-
ando na frente deles, e eles o seguiram, até que ele chegou
a uma casinha, sobre cujo telhado pousou. E quando che-
garam bem perto, viram que a casinha era feita de pão e
coberta de bolo, e as janelas eram de açúcar transparente.
EM SUA CINTURA, A PEIXEIRA NOVA REBRILHAVA, NUM DURO DUE-
LO COM A LUZ DO SOL. O MOÇO DESAFIOU-SE A SÓ VOLTAR PARA
A ALDEIA COM O SAMBURÁ PESADO DE PEIXES. ERA MANHÃ E ALI
ELE FINCOU-SE.
À TARDINHA PUXOU A REDE, ELA VEIO VAZIA TAL E QUAL AN-
TES. LANÇOU-A DE VOLTA N’ÁGUA, APESAR DE O CÉU JÁ PESAR
COM SINAIS DA NOITE.
MANHÃ SEGUINTE, NADA DE NOVO. SOMENTE UNS PEIXES
MIÚDOS, UMAS POUCAS PIABAS QUE ELE PRÓPRIO ALMOÇARIA PARA
SUPORTAR MAIOR ESPERA. REPETIU O VELHO GESTO DE ARREMES-
SAR A REDE NO RIO.
FORAM TRÊS DIAS SEGUIDOS E IGUAIS, SEM A REDE OBEDECER
AOS DESEJOS DO PESCADOR. E, NAQUELA NOITE, A LUA APARE-
CEU INCHADA NO CÉU. ELE JOGOU A REDE, ADORMECEU, SÓ LHE
SOBRAVA AGUARDAR O OUTRO DIA.
ACONTECE QUE, EM MEIO À MADRUGADA, SEU SONO FOI
INTERROMPIDO,
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EXEMPLO 6
Descubra quem é ele. Escreva o nome do personagem e faça
uma ilustração bem caprichada.
ELE É UM MENINO PELUDO QUE TOMA CONTA DA CAÇA NAS FLO-
RESTAS. SÓ ADMITE QUE OS CAÇADORES CACEM PARA COMER.
AOS QUE MATAM POR MATAR, DE MALVADEZA, E AOS QUE MATAM
FÊMEAS COM FILHOTES QUE AINDA NÃO PODEM VIVER POR SI
MESMOS, ELE PERSEGUE, SEM DÓ. TEM CABELOS E PÉS VIRADOS
PARA TRÁS…
ELE É O ______________________________________ .
EXEMPLO 5
Descubra quem é ele. Escreva o nome do personagem e faça
uma ilustração bem caprichada.
ELE É UM DIABINHO DE UMA PERNA SÓ QUE ANDA SOLTO PELO
MUNDO, ARMANDO REINAÇÕES DE TODA SORTE E ATROPELANDO
QUANTA CRIATURA EXISTE. TRAZ SEMPRE NA BOCA UM PITINHO
ACESO E, NA CABEÇA, UMA CARAPUÇA VERMELHA…
ELE É O ___________________________.
92 93
Os textos biográficos têm uma ampla utilização social e
escolar. Socialmente são fontes importantes de informação
sobre personagens da história da humanidade, e na escola
aparecem com freqüência para apresentar a vida de persona-
gens cuja ação é considerada relevante no acontecer históri-
co. São narrativas sobre a vida de outra pessoa ou sobre a
própria vida, articuladas em função de uma linha temporal
(cronologia). Os fatos citados e os dados apresentados são
fiéis ao que realmente aconteceu na vida do biografado.
ZUMBI, O SENHOR DA GUERRA
Em 1965, um recém-nascido foi um dos poucos sobre-
viventes de um ataque a um vilarejo no Quilombo dos
Palmares. O bebê foi levado e dado a um padre, Antônio
Melo. Padre Antônio batizou a criança como Francisco.
Francisco era franzino e pequeno. Aprendeu a rezar e
foi coroinha. Aos 15 anos, Francisco fugiu para o
quilombo e mudou de nome: Zumbi – “senhor da guer-
ra”, no dialeto banto. Em Palmares, ele cresceu rápido.
Aos 24, já era comandante de todo o quilombo.
Com mão de ferro, Zumbi venceu, mandou matar
seus rivais internos e preparou-se para a batalha final.
Incorporou todos os homens às milícias. Multiplicou
postos de vigilância. Despachou espiões para os povoa-
dos. Executou desertores. Por dezesseis anos venceu os
ataques à sua terra.
Nas senzalas, acreditava-se que Zumbi era imortal.
Em 20 de novembro de 1695, um ano depois da derrota
para o bandeirante, o senhor da guerra morreu em uma
emboscada. A data marca, 300 anos depois, o Dia Nacio-
nal da Consciência Negra.
Revista Nova Escola – Agosto de 1995
O que são:
textos informativos, textos
instrucionais e biografias
Todos estes textos têm uma função predominantemente
informativa, pois são utilizados para registrar informações
a respeito de assuntos diversos. Por isso através deles po-
demos ter acesso a uma enorme variedade de informações.
Em geral, conduzem o leitor de forma bastante direta ao
assunto do texto, utilizando frases curtas e estruturadas
de forma simples (sujeito e predicado).
Os textos informativos, também chamados de enci-
clopédicos ou de divulgação científica, têm como função
principal apresentar ao leitor informações sobre fatos, da-
tas, acontecimentos, novas descobertas, personalidades,
generalizações, conclusões etc. São informativos,
explicativos e diretivos. São textos que abordam com obje-
tividade e precisão um tema base, através de uma trama
predominantemente descritiva. Possuem uma organização
das informações em torno de blocos de assunto, geralmen-
te demarcados por subtítulos. São encontrados em jornais,
revistas, livros e enciclopédias.
Estes textos apresentam uma diagramação específica,
e freqüentemente contêm ilustrações e gráficos para com-
plementar a informação escrita.
FRESCO
Nos países quentes do norte da África, as pessoas usam
várias camadas de roupas bem largas. O ar entre as
roupas age como um isolante que impede a transpiração
de se evaporar e o corpo se mantém fresco.
Livro Card. 1; Coleção Sabe Tudo
94 95
diâmetro. Encha esses saquinhos com a massa de fubá e
amarre a boca de cada um, deixando um espaço entre a
massa e o amarrilho. À medida que os for enchendo e
amarrando, deite-os num caldeirão de água fervente, le-
vemente adocicada.
Quando endurecerem, a pamonha está cozida. Vá re-
tirando-os então e levando-os para uma peneira, a fim
de que escorrerem bem.
Tire as pamonhas dos saquinhos enquanto quentes,
mas depois de bem escorridas. Sirva-as frias, com café
ou café com leite.
VASSOUROBOL
Material necessário
• 1 bola
• 2 vassouras
• 2 cadeiras
Modo de jogar
O grupo é dividido em duas equipes, e os jogadores são
numerados individualmente.
Cada equipe se posiciona na linha de fundo da ex-
tremidade do campo de jogo, um ao lado do outro, na
ordem da numeração feita.
Sobre cada linha de fundo é colocada uma cadeira,
que servirá como gol ou meta, e sobre cada cadeira é
colocada uma vassoura comum. Uma bola é colocada no
centro do campo de jogo.
Ao sinal do educador, que enuncia um determinado
número, os dois jogadores de cada equipe correspon-
dentes a esse número pegam as vassouras e, utilizando-
Os textos instrucionais dão orientações precisas
para a realização de diversas atividades: jogar, cozinhar,
cuidar de plantas ou de animais, montar um brinquedo,
usar um eletrodoméstico etc. Existem vários tipos de
textos instrucionais: receitas, manuais, regulamentos,
contratos, instruções etc. Especificamente as receitas e
os manuais costumam ser divididos em duas partes: uma
contém listas de elementos a serem utilizados (ingredien-
tes, ferramentas, peças etc.) e a outra explica como pro-
ceder. As instruções habitualmente são encontradas na
forma imperativa (misture) ou infinitiva (misturar).
Exemplos:
PAMONHA DO NORTE
Ingredientes
½ quilo de fubá
Leite grosso de um coco
Açúcar a gosto
Uma pitada de sal
1 colherinha (chá) de manteiga
Erva-doce
Leite, o quanto baste
Modo de fazer
Ponha em uma vasilha funda o fubá, o leite de coco, o
sal, a manteiga e leite suficiente para formar um min-
gau grosso.
Adoce então a gosto e junte a erva-doce, depois de
esfregá-la um pouco entre os dedos.
Costure à máquina uns saquinhos de algodãozinho
grosso, com uns 15 cm de comprimento por 10 cm de
96 97
SITUAÇÕES DE APRENDIZAGEM
A seguir você encontrará sugestões de situações em sala
de aula que possibilitam a aprendizagem da língua escrita
por meio de atividades de leitura e escrita, com textos que
tenham função informativa.
As sugestões que seguem servem para trabalhar com
textos informativos, textos instrucionais e biografias. Por
isso é necessário que, ao trabalhar cada um destes textos,
você construa uma seqüência das atividades que conside-
ra pertinentes para ensinar aos seus alunos.
Leitura pelo professor – É importante que o professor crie
situações em que possa ler para seus alunos vários textos
de um mesmo gênero: textos informativos, textos
instrucionais ou biografias. Isto é fundamental, pois o con-
tato freqüente com os textos é que lhes permite compreen-
der suas características, usos e funções. É possível criar
momentos na rotina escolar em que o professor lê para os
seus alunos alguns textos que apresentam informações
sobre um assunto que estejam estudando, ou no qual te-
nham interesse. É fundamental que esses momentos de
leitura não estejam sempre atrelados à realização de tare-
fas. A ênfase deve estar na leitura e na conversa sobre o
que compreenderam e aprenderam com o texto lido.
Leitura compartilhada (professor e alunos) de textos
conhecidos – Alguns textos do Livro do aluno, ou que este-
jam copiados na lousa ou em um cartaz, podem ser lidos
de forma coletiva. A partir da leitura do título do texto, o
professor pode perguntar aos alunos quais informações eles
esperam encontrar no texto. Isso é importante para criar
expectativas que possam ser confirmadas, ou não, com a
leitura. Em seguida o professor pode ler o texto em voz alta
as como tacos de hóquei, tentam empurrar a bola para
dentro da meta adversária.
A rodada termina após todos os jogadores terem sido
chamados e os pontos são contados. Recomenda-se que a
numeração seja feita considerando uma correspondência
com o grau de habilidade de cada criança.
Variações
Em vez de vassouras, são utilizados os pés e os gestos do
futebol, ou as mãos e os gestos do handebol.
É FUNDAMENTAL LEMBRAR…
Através de todos os tipos de texto é possível obter informa-
ções, porém existem alguns cuja finalidade está mais volta-
da para o registro de conhecimentos sobre determinados
assuntos. São esses textos que buscamos quando quere-
mos registrar ou obter novas informações sobre determina-
dos assuntos. Por isso é fundamental que, na escola, os alu-
nos tenham oportunidade de aprender sobre esses textos,
pois isto lhes confere mais autonomia como estudantes.
Saber utilizar esses textos possibilita:
1. acesso a novas informações;
2. registro de informações relevantes e organização do
pensamento, na medida em que favorece o estabeleci-
mento de relações entre elas.
Na escola, a melhor forma de ensinar as práticas sociais de
leitura e escrita é propor aos alunos situações em que, de
fato, tenham de usar textos para localizar, selecionar, re-
gistrar informações sobre algum assunto que estejam es-
tudando.
98 99
tos lidos. Essas situações de sentar em roda podem ser
diárias, semanais ou quinzenais. O importante é que os
alunos tenham oportunidade de, regularmente, desenvol-
ver hábitos e procedimentos relacionados à função infor-
mativa da língua escrita. Para isso é possível criar a “Hora
das curiosidades”, ou a “Roda de Informações Curiosas
sobre…”, o “Momento científico” etc.
Escrita individual – Escrever segundo suas próprias hi-
póteses é fundamental para refletir sobre a forma de escre-
ver as palavras. Por isso é importante criar momentos na
rotina de sala de aula em que os alunos possam escrever
sozinhos. Por exemplo: pedir aos alunos que escrevam um
texto sobre um assunto que estejam estudando; que escre-
vam um título para um texto lido; que reescrevam uma
biografia ou uma receita conhecida; que inventem novas
receitas ou regras para jogos etc.
Escrita coletiva – O professor escreve na lousa, ou em um
cartaz, o texto que os alunos ditam para ele. Neste caso é
absolutamente necessário que todos os alunos conheçam
o conteúdo que devem abordar. Por exemplo: se for uma
receita, que saibam a receita de memória; se for uma bio-
grafia, que saibam sobre a vida do biografado. Durante o
processo de escrita do texto, é fundamental que o profes-
sor discuta com os alunos a forma de escrever as palavras,
pois isto favorece a aprendizagem de novos conhecimentos
sobre a língua escrita.
Reflexão sobre a escrita – Sempre que for possível, deve-
se favorecer a reflexão dos alunos sobre a escrita, propon-
do comparações entre palavras que começam ou terminam
da mesma forma (letras, sílabas ou pedaços).
e os alunos acompanham em silêncio, ou um aluno pode
ler alto e os outros acompanham… Depois todos podem
conversar sobre o que compreenderam, o que não sabiam,
o que acharam mais curioso… Essa situação é uma boa
estratégia para adquirir fluência na leitura.
Leitura dirigida – Propor atividades de leitura em que os
alunos tenham que localizar palavras em um texto conhe-
cido. Por exemplo: o professor lê o texto inteiro e depois
pede aos alunos que localizem quantas vezes aparece uma
palavra determinada (ex.: “morcego”, em um texto sobre
este animal). A intenção é que os alunos possam utilizar
seus conhecimentos sobre a escrita para localizar e ler as
palavras indicadas.
Leitura individual – Se for um texto pequeno e que os
alunos já conhecem por meio de uma leitura feita pelo pro-
fessor, é possível que possam ler individualmente. E nesse
caso é fundamental que tenham objetivos com a atividade.
Por exemplo: ler para encontrar uma informação, ou para
explicar alguma coisa para outra pessoa.
Pesquisa de outros textos – Os alunos podem pesquisar
outros textos do mesmo gênero em livros, na família e na
comunidade. Podem, por exemplo, procurar textos em li-
vros, revistas e jornais que encontrem na escola ou em casa.
Rodas de leitura e de conversa – Sentar em roda é uma
boa estratégia para socializar experiências e conhecimen-
tos, pois favorece um ambiente de troca entre os alunos.
Uma roda de leitura e conversa permite identificar o reper-
tório dos alunos a respeito do texto que está sendo traba-
lhado, e também conhecimentos sobre o assunto dos tex-
100 101
EXEMPLOS DE ATIVIDADES
Seguem algumas sugestões de atividades que você poderá to-
mar como modelo para elaborar outras para os seus alunos:
EXEMPLO 1
O ANIMAL MAIS
ALTO DO MUNDO É A GIRAFA
A GIRAFA É UM MAMÍFERO HERBÍVORO QUE SE ALIMENTA DE FO-
LHAS DAS ÁRVORES. CHEGA A TER 6 METROS DE ALTURA E A PESAR
1,5 TONELADA. É DONA DE UMA LÍNGUA DE 45 CENTÍMETROS E
AS LONGAS PERNAS DE 2,5 METROS LHE DÃO UM OUTRO TÍTULO: É
O BICHO QUE DESFERE O COICE MAIS VIOLENTO. COM UM SÓ
GOLPE DE PATAS DIANTEIRAS, PODE MATAR UM LEÃO.
A IDADE MÉDIA DESSE ANIMAL É DE 25 ANOS, MAS MUITAS
MORREM ANTES DE COMPLETAR O PRIMEIRO ANO DE VIDA NAS
GARRAS DOS LEÕES, SEU PRINCIPAL PREDADOR.
Adaptação. Os caminhos da Terra;
fevereiro/1999; número 2.
Leia o texto e preencha o quadro
ALIMENTAÇÃO ALTURA PESO PREDADOR
Produção de um livro – A partir de uma seleção de textos,
produzir uma coletânea (livro), por exemplo, reunindo in-
formações relevantes sobre um assunto, ou receitas de pra-
tos que adoram comer etc. Cada aluno pode escrever um
dos textos que irá compor o livro.
Projetos – As propostas de aprendizagem também podem
ser organizadas por meio de projetos que proponham aos
alunos situações comunicativas envolvendo a leitura e a
escrita destes textos (textos informativos, textos
instrucionais e biografias). Essas propostas de trabalho
podem contemplar todas as séries, cada aluno contribuin-
do de acordo com suas possibilidades. Exemplos: propor a
realização de:
• um mural/painel com informações sobre um deter-
minado assunto, para colocar na entrada da escola;
• um seminário para pessoas da comunidade escolar
(alunos, professores e pais);
• um livro de receitas para presentear alguém da família;
• um livro sobre algum assunto de interesse comum
para compor a biblioteca da classe (animais, história
do Brasil, município em que moram etc.);
• um livro com instruções de brincadeiras infantis para
trocar com outra escola;
• um jornal mural ou um jornal impresso da escola.
Como os textos produzidos nos projetos têm um leitor real,
o professor deve torná-lo o mais próximo do correto, tradu-
zindo a escrita dos alunos ou revisando as escritas em que
só faltam algumas letras.
102 103
EXEMPLO 3
Responda: O que são fungos?
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___________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________
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Agora, ouça a leitura do texto e verifique se o que
você pensava estava mais ou menos correto.
FUNGOS
UM DOS CINCO REINOS EM QUE SÃO CLASSIFICADOS OS SERES
VIVOS. INICIALMENTE, ESSA CLASSIFICAÇÃO SE RESTRINGIA A APE-
NAS DOIS REINOS: ANIMAIS E PLANTAS. COM O AVANÇO DAS PES-
QUISAS CIENTÍFICAS, PORÉM, AS DIFERENÇAS ENTRE REINOS (PLAN-
TAS, ANIMAIS, FUNGOS, MONERAS E PROTISTA) TORNOU-SE MAIS
EVIDENTE. EMBORA SE ASSEMELHEM A PLANTAS, COMO OS CO-
GUMELOS QUE CRESCEM DEBAIXO DAS ÁRVORES, OS FUNGOS NÃO
TÊM FOLHAS E NÃO REALIZAM A FOTOSSÍNTESE, ISTO É, NÃO PRO-
DUZEM O PRÓPRIO ALIMENTO. O REINO DOS FUNGOS ABRANGE
CERCA DE 100 MIL ESPÉCIES. CERTAS DOENÇAS SÃO CAUSADAS
POR FUNGOS MICROSCÓPICOS, COMO O SAPINHO E O PÉ-DE-ATLE-
TA. O BOLOR TAMBÉM É CONSTITUÍDO POR MINÚSCULOS FUNGOS.
A CERVEJA E O PÃO SÓ PODEM EXISTIR POR CAUSA DOS FUNGOS
QUE FORMAM A LEVEDURA DE CERVEJA E O FERMENTO DO PÃO.
Adaptação. Dicionário ilustrado de ecologia.
Revista Terra. Editora Azul.
Anote as dúvidas que ficaram a partir da leitura.
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EXEMPLO 2
Organizem-se em duplas e leiam o texto.
ELEFANTES
UM ELEFANTE PODE ALCANÇAR 4 METROS DE ALTURA E PESAR
6,9 TONELADAS. A TROMBA É USADA PARA LEVANTAMENTOS,
ALIMENTAÇÃO, PARA BEBER E ESPIRRAR ÁGUA, CHEIRAR, TOCAR
E PRODUZIR SONS COMO DE TROMPETE. TEM UM PAR DE PRE-
SAS, USADAS PARA DEFESA E QUEBRA DE VEGETAÇÃO. TEM PER-
NAS GROSSAS E PÉS AMPLOS E CHATOS PARA SUSTENTAR O
PESADO CORPO, ALÉM DE GRANDES ORELHAS QUE FUNCIONAM
COMO ABANADORES PARA MANTER O CORPO REFRESCADO.
Adaptação. Animais. Atlas visuais. Editora Ática.
ESCREVA O QUE VOCÊ APRENDEU SOBRE OS ELEFANTES, QUE NÃO
SABIA ANTES DE LER O TEXTO.
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DEIXAR A MASSA DESCANSAR POR 10 MINUTOS. FAZER OS
________________ E COLOCAR EM UMA ________________________ UNTA-
DA COM MANTEIGA E FARINHA.
AGORA, QUE JÁ DESCOBRIMOS AS PALAVRAS QUE ESTAVAM
FALTANDO, PODEMOS EXPERIMENTAR ESSA RECEITA.
O que são:
listas, cartas e bilhetes
Alguns textos têm forte presença na nossa vida cotidia-
na, para comunicar informações e também para expres-
sar a experiência vivida: sentimentos e opiniões. Por
exemplo: propagandas, anúncios, listas, diários, cartas
e bilhetes.
As cartas e bilhetes servem para a comunicação por
escrito para um destinatário ausente. O destinatário pode
ser uma pessoa ou um grupo de pessoas. Estes textos
têm um grande valor social, pois são usados por todos,
mesmo pelos que não sabem ler e escrever, que recor-
rem a outros para a escrita ou a leitura.
As cartas podem ser de vários tipos. Podemos es-
crever cartas pessoais, convites, cartas literárias, car-
tas de solicitação etc. O estilo que se emprega na escri-
ta de uma carta está diretamente relacionado ao grau
de familiaridade que se tem com o destinatário. Na es-
crita de cartas para pessoas próximas recorre-se ao
estilo informal; para pessoas que não são íntimas re-
corre-se ao formal. Com alunos em fase de alfabetiza-
ção o ideal é trabalhar com as cartas pessoais, que ser-
EXEMPLO 4
ESCREVA UM TÍTULO PARA A NOTÍCIA
_______________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________
EXEMPLO 5
ONTEM, VERINHA COMEU UM PÃO DELICIOSO NA CASA DE SUA
AVÓ. ELA PEDIU A RECEITA, MAS SE ESQUECEU DE ANOTAR ALGU-
MAS PALAVRAS. VAMOS VER SE CONSEGUIMOS RESOLVER O PRO-
BLEMA DELA.
PÃO DE MANDIOQUINHA
INGREDIENTES
5 _____________________________ COZIDAS E AMASSADAS
2 OVOS INTEIROS
1 TABLETE DE FERMENTO BIOLÓGICO
1 COLHER DE SOBREMESA DE SAL
1 COPO DE LEITE
MEIO PACOTE DE ________________________ DE TRIGO
________________________ PARA UNTAR
MODO DE PREPARAR
DISSOLVER O FERMENTO COM UM POUQUINHO DE AÇÚCAR E LEI-
TE. DEPOIS ACRESCENTAR OS ________________________________, A
MANDIOQUINHA E O SAL. POR ÚLTIMO ACRESCENTAR, AOS POU-
COS, O ___________________ E A FARINHA, ATÉ A MASSA SOLTAR DAS MÃOS.
→
106 107
Rio de Janeiro, 2 de março de 1992.
Oi, Guilherme!
Outro dia eu olhei no mapa pra ver onde é que é
Pelotas. Puxa! Como a gente ficou longe de repente,
hein? Eu não tinha nem pensado que Pelotas era tão
lá no finzinho do Brasil.
O meu pai diz que carioca morre de frio aí no Sul
quando chega o inverno. Então eu pensei que você
tem que vir passar as férias de julho no Rio. Aqui em
casa, é claro. Primeiro, pra não morrer de frio. Se-
gundo, pra gente ir junto à praia, que nem ia antes.
Hoje foi o primeiro dia de aula.
Achei tão esquisito você não estar lá.
Lembra? A gente se conheceu na primeira série.
Depois foi junto pra 2
a
. E você falou: será que no
ano que vem a gente vai junto pra 3
a
?
E foi. Então combinou que ia junto pra 4
a
.
E foi também.
E aí nem combinou mais nada, porque era claro
que a gente ia junto pra 5
a
.
E aí você se muda pro Rio Grande do Sul.
Ora, francamente.
Só você foi embora: o resto da turma é toda a
mesma.
Mas entraram duas garotas novas. Uma é metida
a besta, mas em compensação se chama Renata, que
eu acho um nome lindo. A outra parece legal, mas
não desgruda da Renata.
Assim fica difícil.
Ah! Mas tem uma novidade: nossa escola agora
dá bolsa de estudo pra aluno pobre.
vem como meio de comunicação entre pessoas que es-
tão distantes fisicamente e contam acontecimentos, sen-
timentos e emoções experimentadas pelo autor do tex-
to. São as que começam com um cabeçalho informando
o lugar e a data da sua produção, assim como quem é o
destinatário da carta. Em seguida há a mensagem e,
por último, a despedida, que inclui uma saudação e a
assinatura do autor.
Alguns autores utilizam as cartas como forma de ex-
pressão literária, ou seja, produzem livros em que toda
a trama é construída a partir da correspondência entre
os personagens (veja o exemplo neste volume: Uma ar-
madilha para o conde Drácula, de Heloísa Prieto). Ou-
tros, ainda, coletam a correspondência de autores con-
sagrados ou personalidades para compor biografias mais
completas.
Os bilhetes têm a mesma função e seguem a mesma
organização das cartas, porém a mensagem é mais enxuta
e informal.
Exemplos
Alô, Guilherme! Tudo bem por aí?
Hoje aconteceu um negócio sensacional: peguei um
peixe!!!
Um abracíssimo do Rodrigo.
PS: O Tuca tá me ensinando um bolão de macetes de
pescaria, e a gente já combinou que todo sábado de
manhã vai pescar. Com chuva ou sem chuva.
Lygia Bojunga Nunes.
Tchau. Editora Agir, Rio de Janeiro.
→
108 109
tuações em que, de fato, tenham de usar textos para
comunicar algo a alguém, e as cartas e bilhetes são
textos adequados para essas situações de aprendi-
zagem.
SITUAÇÕES DE APRENDIZAGEM
A seguir você encontrará sugestões de situações de sala
de aula que possibilitam a aprendizagem da língua es-
crita por meio de atividades de leitura e escrita, com tex-
tos que tenham função informativa.
As sugestões que seguem servem para trabalhar com
cartas, bilhetes e listas. Por isso é necessário que, ao
trabalhar cada um destes textos, você construa uma se-
qüência de atividades que considere pertinentes para
ensinar aos seus alunos.
Leitura pelo professor (cartas e bilhetes) – Para que os
alunos possam saber mais sobre esses tipos de textos, é
importante que o professor selecione cartas e bilhetes
literários ou recebidos e crie momentos de leitura na ro-
tina escolar. Nessas situações de aprendizagem a ênfase
deve estar na apreciação, diversão, nos tipos de infor-
mações que aparecem e nos estilos dos autores.
Leitura compartilhada (cartas e bilhetes) – As cartas
e bilhetes dos quais os alunos também tenham a cópia
podem ser lidos de forma coletiva. O professor pode per-
guntar aos alunos o local onde foi escrito, quem é o
remetente, quem é o destinatário, que informações es-
peram encontrar no texto. Isso é importante para criar
expectativas que possam ser confirmadas, ou não, com
a leitura. Em seguida o professor pode ler o texto em
E então tem também um garoto novo: bolsista.
Ouvi dizer que ele mora na favela; se chama Turíbio
Carlos e sentou no mesmo lugar que você sentava. Mas
não falou nem olhou pra ninguém.
Quem sabe o emprego do teu pai não dá certo e vocês
voltam aqui pro Rio?
Não tô querendo que o teu pai fique sem emprego,
não é isso, mas é que eu acho tão chato não ver mais
você do meu lado lá na classe.
E a escola aí, é legal?
Um grande abraço do Rodrigo
Lygia Bojunga Nunes. Tchau.
Livraria Agir Editora, Rio de Janeiro.
É FUNDAMENTAL LEMBRAR…
Listar significa relacionar nomes de pessoas ou coi-
sas para a organização de uma ação. Por exemplo:
lista de convidados para uma festa, lista dos produ-
tos para comprar, lista dos compromissos do dia, lis-
ta das atividades que serão realizadas na sala de aula
etc. Por ter uma estrutura simples, a lista é um texto
privilegiado para o trabalho com alunos que não sa-
bem ler e escrever convencionalmente, mas é neces-
sário que o professor proponha a escrita de uma lista
que tenha alguma função de uso na comunidade ou
na sala de aula. A escrita de listas de palavras que
começam com a mesma letra ou outras similares são
inadequadas, pois descaracterizam a função social
deste texto.
Na escola, a melhor forma de ensinar as práticas
sociais de leitura e escrita é propondo aos alunos si-
110 111
feridos etc. Vale ressaltar que, quando propomos a es-
crita de textos em que não há um destinatário específi-
co, é fundamental aceitar as hipóteses e não interferir
diretamente nas produções: não se deve corrigir, escre-
ver embaixo ou coisa do tipo.
Escrita individual de cartas e bilhetes – É importante
propor situações em que os alunos escrevam esses tipos
de textos, a partir das hipóteses que têm da escrita. Por
exemplo: reescrita de cartas literárias; escrita de cartas e
bilhetes a partir de outro texto conhecido – um bilhete ou
carta de um personagem para outro.
Escrita coletiva – É importante que o professor crie situa-
ções de escrita de cartas e bilhetes que tenham função de
comunicação. Considerando que os alunos estão em pro-
cesso de alfabetização, o mais adequado seria propor a es-
crita coletiva de carta para um destinatário real. Neste caso
é absolutamente necessário que todos os alunos saibam
sobre o conteúdo que devem abordar. Por exemplo: escrita
de uma carta para uma editora pedindo livros, para partici-
par de um concurso, para uma outra escola, para um aluno
específico de uma escola etc. Durante o processo de escrita
do texto, é fundamental que o professor discuta com os alu-
nos a forma de escrever as palavras e a organização do tex-
to, pois isto favorece a aprendizagem de novos conhecimen-
tos sobre a língua escrita.
Reflexão sobre a escrita – Sempre que for possível, favo-
recer a reflexão dos alunos sobre a escrita, propor compa-
rações entre palavras que começam ou terminam da mes-
ma forma (letras, sílabas ou pedaços). As listas são ótimos
textos para a realização dessas atividades.
voz alta e os alunos acompanham em silêncio. Essa si-
tuação é uma boa estratégia para aprender a ler.
Leitura de listas – É importante propor atividades de
leitura em que os alunos são os leitores. Por exemplo:
atividades em que recebam uma lista com os títulos dos
contos lidos ou dos personagens conhecidos, e tenham
que localizar determinados personagens ou títulos; lei-
tura da lista de ajudantes do dia; da lista de atividades
que serão realizadas no dia; da lista dos aniversariantes
do mês etc.
Pesquisa de outros textos – Os alunos podem trazer car-
tas recebidas pela família para a leitura realizada pelo pro-
fessor na roda de leitura.
Rodas de leitura e de conversa – Sentar em roda é
uma boa estratégia para socializar experiências e co-
nhecimentos, pois favorece a troca entre os alunos. Uma
roda de leitura e conversa permite identificar o reper-
tório dos alunos a respeito do texto que está sendo tra-
balhado, e também conhecimentos sobre o assunto dos
textos lidos.
Escrita individual de listas – Por ser um tipo de texto
simples, as atividades de escrita de listas possibilitam
que os alunos pensem muito mais na escrita das pala-
vras (que letras usar, quantas usar, comparar outras
escritas etc.). O professor deve propor atividades de es-
crita de listas das quais os alunos possam de alguma
forma fazer uso. Por exemplo: escrever a lista dos contos
lidos, a lista dos animais que já foram estudados e dos
que ainda pretendem estudar, lista dos personagens pre-
112 113
EXEMPLO 2
VOCÊ JÁ OUVIU MUITOS CONTOS E CONHECE MUITOS PERSONA-
GENS. ESCREVA UMA LISTA DE PERSONAGENS E O NOME DE UM
CONTO EM QUE O PERSONAGEM APARECE.
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EXEMPLO 3
AMANHÃ NÓS IREMOS FAZER UMA SALADA DE FRUTAS. PARA OR-
GANIZAR NOSSA SALADA, PRECISAMOS PENSAR NA LISTA DE FRU-
TAS QUE PODEREMOS COLOCAR NELA.
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EXEMPLOS DE ATIVIDADES
Seguem algumas sugestões de atividades que você poderá to-
mar como modelo para elaborar outras para os seus alunos.
EXEMPLO 1
O DUENDE DAS MATAS
SACI É UM ELEMENTAL PARECIDO COM UM GAROTINHO NEGRO
DE UMA PERNA SÓ. QUANDO UMA PESSOA ENTRA NA FLORES-
TA VIRGEM COM A INTENÇÃO DE DESTRUÍ-LA, O SACI LHE PRE-
GA PEÇAS, PREPARA ARMADILHAS E LHE DÁ SUSTOS DE ARREPI-
AR. MAS É AMOROSO E PROTETOR COM OS AMIGOS HUMA-
NOS, IMPEDINDO QUE COBRAS E ARANHAS OS AMEACEM. SUA
BRINCADEIRA PREDILETA É ESCONDER-SE DENTRO DE UM REDE-
MOINHO OU ENTÃO, FINGINDO SER UM PEQUENO VAGA-LUME,
ESPIONAR PESSOAS. SE QUISER CONQUISTAR UM SACI, DÊ-LHE
UM PRATINHO DE DOCES E ELE JAMAIS SE ESQUECERÁ DE VOCÊ.
FAÇA UMA LISTA DOS PERSONAGENS LENDÁRIOS DE QUE VOCÊ
JÁ OUVIU FALAR.
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114 115
EXEMPLO 6
PARA LER E SE DIVERTIR
UMA ARMADILHA PARA O CONDE DRÁCULA
Londres, 29 de junho de 1894.
Lenora, minha prima,
Perdi o sono, por que será? Mamãe recebeu uma
visita diferente. Depois do jantar, ouvimos um
barulho enorme. Eram cavalos relinchando. Al-
guém bateu à porta. Watson, nosso mordomo, foi
abrir.
Era um homem esquisito: branco, magro, ves-
tido de preto. Meu cão Brutus começou a latir. O
homem ficou parado na porta. Disse a Watson que
uma roda de sua carruagem havia quebrado. Ma-
mãe convidou o desconhecido para entrar. Ele deu
um sorriso largo, estranho.
Talvez eu estivesse com sono, mas quando ele
passou diante do espelho, ele não apareceu. Ma-
mãe ofereceu chá ao estrangeiro. Ele disse que seu
nome era Drácula e que morava num lugar cha-
mado Transilvânia. Escreva.
Edgard
EXEMPLO 4
ESTES SÃO OS TÍTULOS DE ALGUNS CONTOS QUE FORAM LIDOS
NA RODA DE LEITURA. PRIMEIRO VOCÊS DEVEM RECORTÁ-LOS,
DEPOIS FAREI UM DITADO E VOCÊS DEVEM ENCONTRAR O TÍTU-
LO DITADO.
A bela e a fera
A bela adormecida
A bruxa solomé
O patinho feio
O gato de botas
Os três porquinhos
EXEMPLO 5
RAPUNZEL ESTÁ TRANCADA NA TORRE E O JOVEM PRÍNCIPE OUVIU
SUA VOZ E SE APAIXONOU, MAS NÃO TENDO COMO SUBIR NA
TORRE RESOLVEU ESCREVER UM BILHETE DE AMOR PARA SUA AMA-
DA E ENVIÁ-LO POR UM PÁSSARO.
ESCREVA O BILHETE QUE O PRÍNCIPE ENVIOU PARA RAPUNZEL.
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OS TRÊS PORQUINHOS
O GATO DE BOTAS
O P
A
TINHO FEIO
A BRUXA SOLOMÉ
A BELA ADORMECIDA
A BELA E A FERA
116 117
mano. Não têm reflexo no espelho. Você tem certeza que
esse conde Drácula não aparece no seu espelho?
Escreva rápido.
Lenora
Londres, 2 de agosto de 1894.
Lenora,
Tenho certeza! Ele não aparece no espelho! Ontem à
noite me escondi para olhar o reflexo de Drácula na
hora em que ele passava na frente do espelho. Aconte-
ceu a mesma coisa: só enxerguei o nosso fiel Watson.
Nada de conde! Ele é mesmo um vampiro!
Foram encontradas mais três crianças caídas no ce-
mitério. Todas com mordidas no pescoço. E agora?
Edgard
Bristol, 15 de agosto de 1894.
Edgard,
Você precisa agir logo. Quem recebe uma segunda mor-
dida vira vampiro também. Você tem certeza que ele ain-
da não mordeu sua mãe, minha querida tia Lili?
Preste atenção! Aquele livro dizia que vampiros não
gostam de flores, alho e nem cruzes. Para matá-los, é
preciso espetar uma estaca no coração deles. Ou, então,
colocá-los à luz do sol. Pense numa solução e me conte.
Lenora
Bristol, 8 de julho de 1894.
Edgard, meu primo,
Que coincidência: ontem tia Ágata me contou uma his-
tória horrorosa. Era uma lenda sobre um tal de Drácula,
um conde que morava na Transilvânia. Ele era muito
mau. Convidava as pessoas para ir ao seu castelo e elas
sumiam. Convidou tanta gente que sua cidade quase
ficou vazia. Até que o conde desapareceu, ninguém sabe
como. A história é antiga. Será que o amigo de sua mãe
é parente desse mesmo conde?
Escreva. Sua prima
Lenora
Bristol, 25 de julho de 1894.
Edgard,
Agora quem não dorme mais sou eu. Cris, filha da tia
Ágata, me contou que titia esconde no sótão uma cole-
ção de livros de terror. Ela acha que as crianças não
devem ler seus livros e diz que lá está cheio de ratos e
aranhas. É mentira. A senhorita Marple, a governanta,
nunca deixaria isso acontecer.
Subimos, escondidas, até o sótão. É um lugar
cheio de livros antigos. Escolhemos o mais velho.
Seu título é Mortes no Nilo. É um livro sobre lendas
do Egito. Cris leu um pedaço sobre vampiros. Você
já ouviu essa palavra?
Vampiros são mortos-vivos. Vivem à noite porque
morrem com a luz do sol. Alimentam-se de sangue hu-
→
118 119
Como planejar
as atividades de
alfabetização
Esta parte do material reúne atividades específicas para
alunos com escrita não-alfabética. As propostas de ati-
vidade são acompanhadas de uma espécie de “ficha téc-
nica”, onde estão relacionados os objetivos, caracterís-
ticas da atividade, indicações metodológicas e outras
informações úteis para o professor – dentre elas, algu-
mas possibilidades de modificação da proposta para
torná-la adequada aos alunos já alfabetizados.
Trata-se de situações de ensino e aprendizagem
orientadas pelo princípio metodológico da resolução de
problemas, em que a alfabetização é concebida como
uma atividade de análise e reflexão sobre a língua. São
atividades que têm sido validadas pela prática de mui-
tos alfabetizadores, uma vez que favorecem a alfabeti-
zação de crianças, jovens e adultos.
São alguns modelos de referência que se constituem
em um repertório considerável de situações de ensino e
aprendizagem do sistema alfabético da escrita.
Uma atividade se transforma em outra se, por exem-
plo, de individual passa a ser em dupla ou realizada
com toda a classe – e vice-versa. O mesmo ocorre se for
feita com ajuda ou sem ajuda, com ou sem consulta,
com ou sem rascunho, de uma só vez ou em duas ou
mais vezes, no caderno ou em papel especial para ser
exposto em um mural, com letras móveis, com cartões,
na lousa, no computador ou a lápis…
Na alfabetização, como no caso de praticamente to-
dos os conteúdos escolares, uma boa situação de apren-
Londres, 26 de agosto de 1894.
Lenora,
Consegui! O conde caiu na minha armadilha! Troquei
os potes de chá. Em vez de chá preto, mamãe deu ao
conde chá de flor de jasmim. Ele deu um gole e cuspiu
tudo no chão. Tossiu tanto que parecia que a garganta
dele soltava fumaça. Sua cara ficou ainda mais branca.
Levantou-se, pediu desculpas e foi embora.
Dei flores à mamãe para enfeitar a casa. Ela gostou.
Depois, escondi dentes de alho nos vasos e debaixo dos
tapetes. Todos reclamam de um cheiro meio esquisito.
Edgard
Londres, 4 de setembro de 1894.
Lenora,
Que sorte! O Senhor Harker veio nos visitar. Disse que o
conde Drácula voltou para a Transilvânia de navio. Ma-
mãe achou estranho ele ter ido embora sem se despedir.
O senhor Harker disse que não gostava do conde e
que eles tinham umas contas a acertar. Por isso, ele
também viajou para a Transilvânia.
Quase contei a ele que o conde era um vampiro.
Mas adultos nunca conversam essas coisas com crian-
ças. Eles pensam que crianças são medrosas. Eu não
sou. Cada vez que me lembro daquele vampiro conven-
cido cuspindo chá, morro de rir.
Até a volta.
Edgard Allan
Heloísa Prieto. Vice-versa ao contrário.
Companhia das Letrinhas
120 121
ADIVINHAÇÕES E CRUZADINHAS
Tipo de atividade: Leitura
Duração aproximada: 20 minutos
Objetivos (capacidades que se pretende que os alu-
nos desenvolvam):
• “ler” antes de saber ler convencionalmente;
• compreender a natureza da relação oral/escrito;
• utilizar o conhecimento sobre o valor sonoro con-
vencional das letras (quando já sabem) /trabalhar
em parceria com alunos que fazem uso do valor
sonoro (quando não sabem);
• utilizar estratégias de antecipação e checagem.
Procedimentos didáticos.
O professor deve:
• ajustar o nível de desafio às possibilidades dos alunos,
para que realmente tenham problemas a resolver;
• organizar agrupamentos heterogêneos produtivos,
em função do que os alunos sabem sobre a escrita
e sobre o conteúdo da tarefa que devem realizar;
• garantir a máxima circulação de informação, pro-
movendo a socialização das respostas e dos pro-
cedimentos utilizados pelos grupos;
• no caso das cruzadinhas, explicar e demonstrar
como é que se preenche uma na lousa, se os
alunos não tiverem ainda familiaridade com a
atividade.
dizagem é uma situação desafiadora, ou seja, ao mesmo
tempo possível e difícil para o aluno. Geralmente isso ocor-
re quando:
9
• os alunos precisam pôr em jogo tudo que sabem e pensam
sobre o conteúdo em torno do qual o professor organizou a
tarefa;
• os alunos têm problemas a resolver e decisões a tomar em
função do que se propõem a produzir;
• o conteúdo trabalhado mantém suas características de ob-
jeto sociocultural real sem transformar-se em objeto escolar
vazio de significado social;
• a organização da tarefa pelo professor garante a máxima
circulação de informação possível.
O terceiro item é um dos principais argumentos em fa-
vor de uma alfabetização centrada na leitura e na es-
crita de textos. E vale ressaltar que “um texto não se
define por sua extensão. O nome que assina um dese-
nho, a lista do que deve ser comprado, um conto ou
romance, todos são textos. A palavra ‘pare’, pintada no
asfalto em um cruzamento, é um texto cuja extensão é
de uma única palavra”.
10
Texto é todo trecho falado ou
escrito que constitui um todo coerente dentro de uma
determinada situação discursiva, dentro de uma situa-
ção social real.
9
Conforme Telma Weisz.
10
Parâmetros Curriculares Nacionais de Língua Portuguesa - 1ª a 4ª série, MEC/
1997.
122 123
MODELO 1
NOME:____________________________________________________
DATA__________________SÉRIE:__________________
PARA RESOLVER ESTAS ADIVINHAS, SIGA ESTES PASSOS:
1. LEIA OU ESCUTE AS PERGUNTAS E AS RESPOSTAS.
2. ESCOLHA A QUE LHE PARECE CERTA.
3. DISCUTA COM SEU AMIGO A SUA ESCOLHA.
4. CIRCULE A PALAVRA QUE VOCÊS ESCOLHERAM.
ESPERO QUE GOSTE DESTAS ADIVINHAS!
1. O QUE É, O QUE É, QUE FOI FEITO PARA ANDAR MAS NÃO ANDA?
RATO RUA REI
2. O QUE É, O QUE É, QUE TEM LINHA, MAS NÃO É CARRETEL; FALA,
MAS NÃO TEM BOCA; OUVE, MAS NÃO TEM OUVIDO?
TATU TAPETE TELEFONE
3. O QUE É, O QUE É, QUE TEM CABEÇA MAS NÃO TEM
CABELO; TEM TEMPO, MAS NÃO TEM FOLGA?
RELÓGIO RETALHO RIQUEZA
4. O QUE É, O QUE É, QUE SOBE E DESCE E NÃO SAI DO LUGAR?
ESCADA ESCOLA ESPELHO
Procedimentos dos alunos
Nas adivinhações, os alunos devem:
• ouvir a leitura da adivinhação, que pode ser
feita pelo professor ou por um aluno que já sai-
ba ler convencionalmente;
• saber a resposta correta – a turma pode
respondê-la antes que cada aluno procure a res-
posta entre as palavras;
• encontrar a resposta sozinho;
• discutir com o parceiro ou com o grupo a esco-
lha feita individualmente;
• marcar a palavra escolhida pelo grupo/dupla.
Nas cruzadinhas:
• observar todas as figuras;
• escolher uma para iniciar;
• contar o número de quadradinhos correspon-
dente à figura escolhida – assim saberá quantas
letras tem a palavra a ser procurada;
• consultar a lista de palavras
11
para descobrir
qual é a certa;
• socializar as respostas encontradas.
11
As cruzadinhas só são viáveis para os alunos não-alfabetizados se tiverem uma
lista de palavras para consulta, como as que aparecem nos Modelos 2 e 3. Essa
lista também tem sido chamada de “banco de palavras”.
124 125
MODELO 3
NOME:____________________________________________________
DATA__________________SÉRIE:__________________
DICAS PARA UMA CRUZADINHA:
1. Dê uma olhada em todas as figuras.
2. Escolha uma para iniciar.
3. Conte o número de quadrinhos da figura escolhida: assim você saberá
quantas letras tem a palavra.
4. Leia a lista de palavras com este número de letras, para descobrir qual é a
certa.
Bom trabalho!
5 6
PORCO CADELA
CINTO CHAPÉU
PORCA CHOVEU
CINCO PINOTE
PONTE PICOLÉ
7 8
CAVEIRA MADEIRAS
CADEIRA MELANCIA
COMIDAS MORADIAS
MACHADO ELEFANTE
MALHADO CARAMUJO
4 5 6 7
BOLA LEQUE COELHO BESOURO
MOLA FOLHA CORDA CADEIRA
MEIA NINHO PIRATA MOCHILA
BOLO COBRA CORNETA
LEITE BALANÇA
DICAS PARA UMA CRUZADINHA:
1. Dê uma olhada em todas as figuras.
2. Escolha uma para iniciar.
3. Conte o número de quadrinhos da figura escolhida: assim você saberá
quantas letras tem a palavra.
4. Leia a lista de palavras com este número de letras, para descobrir qual é a
certa.
MODELO 2
126 127
• No caso das adivinhações, pode-se manter a ativida-
de tal como está proposta para os alunos não-alfabe-
tizados, mas os que já lêem devem realizá-la autono-
mamente. Outra variação possível é a seguinte: eles
recebem apenas as adivinhações sem as respostas e
a tarefa é respondê-las por escrito.
Intervenção do professor
O professor deve caminhar pela sala observando qual o
procedimento que os alunos estão utilizando para realizar
a atividade. É importante colocar questões para os que só
prestaram atenção, por exemplo, nas letras do início da
palavra – e que por isso fizeram escolhas inadequadas –
para que eles possam passar a observar também as letras
finais ou intermediárias.
Ao final, é preciso socializar as respostas, discutindo
como foram encontradas. Essa finalização é tão importan-
te como o restante da atividade, pois possibilita que todos
confrontem suas hipóteses iniciais com as de outros cole-
gas e possam aprender também nesse momento.
Durante esse tipo de atividade, quando os alunos têm
dúvidas, vale a pena remetê-los a um referencial de pa-
lavras estáveis (conhecidas de memória): os textos poé-
ticos memorizados (músicas, poesias, parlendas…) são
privilegiados para isso. Esses textos podem ser escritos
em cartazes, afixados na classe ou colados no caderno.
Uma boa solução é criar um Caderno de Textos só para
esta finalidade, para que fique fácil utilizá-lo sempre que
necessário. A idéia não é que o aluno copie as palavras
do modelo, mas que possa utilizar a escrita convencio-
nal como referência. Por exemplo, quando ele pergunta
como se escreve esta ou aquela palavra, o professor pode,
Adequação da atividade considerando o
conhecimento dos alunos
Alunos não-alfabetizados
Os alunos com escrita silábica, que já fazem uso do valor
sonoro das letras, podem ser agrupados com alunos com
escrita silábica que fazem pouco ou nenhum uso do valor
sonoro, com alunos de escrita silábico-alfabética ou de es-
crita pré-silábica.
É fundamental que os alunos com escrita pré-silábica
não sejam agrupados entre si para realizar esse tipo
atividade: para eles, é importante a interação com alu-
nos que já sabem que a escrita representa a fala, o que
eles ainda não descobriram.
A atividade deve sempre considerar a possibilidade de
realização dos alunos, portanto, a lista de palavras, tanto
das cruzadinhas como das adivinhações, pode variar em fun-
ção do que eles conseguem fazer. Por exemplo, numa adivi-
nhação as palavras podem começar e terminar com a mesma
letra, o que aumenta o nível de dificuldade da atividade.
É preciso cuidar para que as cruzadinhas sejam sem-
pre bem nítidas, com letras e quadrinhos não muito pe-
quenos e desenhos bem feitos, para que os alunos não se
confundam.
Alunos já alfabetizados
• A cruzadinha deve ser utilizada como atividade de
escrita: nesse caso, a tarefa é escrever as palavras e
não encontrá-las na lista. As questões principais que
se colocam aos alunos são ortográficas.
128 129
Procedimentos didáticos. O professor deve:
• ajustar o nível de desafio às possibilidades dos alu-
nos para que realmente tenham bons problemas a
resolver;
• organizar agrupamentos heterogêneos produtivos,
em função do que os alunos sabem e do conteúdo
da tarefa que devem realizar;
• garantir a máxima circulação de informação, pro-
movendo a socialização das respostas e dos proce-
dimentos utilizados pelos grupos;
• relembrar as histórias em que aparecem as falas
utilizadas na atividade. Vale ressaltar a importância
de os alunos terem um repertório de textos literári-
os conhecidos: se o professor não lê diariamente para
a classe, é necessário que o faça;
• apresentar a tarefa para os alunos esclarecendo o
que deve ser feito.
Há algumas variações possíveis:
1. Ler as falas e pedir aos alunos que encontrem o
nome do personagem (por exemplo: Hoje a lição é
descobrir quem está falando… Eu vou ler a fala e
vocês vão achar o nome do personagem).
2. Ler o nome do personagem para os alunos iden-
tificarem a sua fala (por exemplo: Quem se lem-
bra o que disse a Chapeuzinho Vermelho para o
Lobo mau disfarçado de vovozinha? Vamos ten-
tar encontrar esta fala e depois ligar com
‘Chapeuzinho Vermelho’).
eventualmente, pedir que a encontre num texto que está
no Caderno de Textos.
Evidentemente, não é possível acompanhar todos os
grupos de alunos numa mesma aula, por isso é importante
que o professor organize um instrumento de registro onde
vá anotando quais alunos pôde acompanhar de perto no
dia, para que tenha um controle que lhe permita progres-
sivamente intervir junto a todos. O professor é um infor-
mante privilegiado, mas não é o único: se as atividades e
agrupamentos forem bem planejados, os alunos aprende-
rão muito uns com os outros, mesmo que o professor não
consiga intervir junto a todos os alunos todos os dias.
Sempre que possível, é importante levar livros de adivi-
nhas e revistas de cruzadinhas (que são vendidas em ban-
cas de jornal e livrarias), para que os alunos conheçam os
portadores destes textos, ou seja, “onde eles ficam”.
DESCUBRA QUEM ESTÁ FALANDO...
Tipo de atividade: Leitura
Duração aproximada: 20 minutos
Objetivos (capacidades que se pretende que os alunos
desenvolvam):
• “ler” antes de saber ler convencionalmente;
• compreender a natureza da relação oral/escrito;
• utilizar o conhecimento sobre o valor sonoro con-
vencional das letras (quando já sabem) ou trabalhar
em parceria com alunos que fazem uso do valor so-
noro (quando não sabem);
• utilizar estratégias de antecipação, inferência e
checagem.
130 131
MODELO 4
NOME:____________________________________________________
DATA__________________SÉRIE:__________________
DESCUBRA DE QUEM SÃO AS FALAS ABAIXO E LIGUE
AO PERSONAGEM:
VOVÓ, PARA QUE ESTA
BOCA TÃO GRANDE?
QUEM QUER CASAR COM
A DONA BARATINHA
QUE TEM FITA NO
CABELO E DINHEIRO NA
CAIXINHA?
RAPUNZEL, SOLTE SUAS
TRANÇAS.
ESPELHO, ESPELHO,
FALA E DIZ:
QUEM É A MAIS BELA
DESTE PAÍS?
PRÍNCIPE
MADRASTA
BARATINHA
CHAPEUZINHO
VERMELHO
Procedimentos dos alunos. Os alunos devem:
• Situação 1: ler a frase ditada pelo professor e en-
contrar o nome dos personagens.
• Situação 2: ler a frase equivalente à fala do persona-
gem (a partir de uma “dica” do professor, como a
que aparece acima, no caso do “Chapeuzinho Ver-
melho”), buscando ajustar o texto que já conhece ao
que sabe que está escrito.
• Discutir com o seu parceiro.
• Marcar a resposta.
• Socializar para a classe.
132 133
Alunos já alfabetizados
• Podem ler autonomamente tanto as frases como a
lista de personagens.
• Podem trabalhar em parceria com alunos com escrita
não-alfabética, lendo as frases enquanto estes encon-
tram o personagem, ou ajudando-os a ler as frases –
fazendo assim o papel de parceiro mais experiente.
Intervenção do professor
O professor deve circular pela sala observando qual o
procedimento que os alunos estão utilizando para reali-
zar a atividade. É importante colocar questões problema-
tizadoras em função do que sabe que os alunos pensam
sobre a escrita.
Ao final, podem socializar as respostas, discutindo
como foram encontradas.
Durante esse tipo de atividade, quando os alunos têm
dúvidas, vale a pena remetê-los a um referencial de pa-
lavras estáveis.
Evidentemente, não é possível acompanhar to-
dos os grupos de alunos numa mesma aula, por isso
é importante que o professor organize um instru-
mento de registro onde vá anotando quais alunos
pôde acompanhar de perto no dia, para que tenha
um controle que lhe permita progressivamente in-
tervir junto a todos.
Sempre que possível, é importante levar os livros de
onde retirou as falas dos personagens, para que os alu-
nos conheçam os portadores desses textos.
Adequação da atividade considerando o conhecimen-
to dos alunos
Alunos não-alfabetizados
Os alunos com escrita silábica, que já fazem uso do valor
sonoro das letras, podem ser agrupados com alunos com
escrita silábica que fazem pouco ou nenhum uso do valor
sonoro, com alunos de escrita silábico-alfabética ou de es-
crita pré- silábica.
É fundamental que os alunos com escrita pré-silábica
não sejam agrupados entre si para realizar esse tipo
atividade: para eles, é importante a interação com alu-
nos que já sabem que a escrita representa a fala, o que
eles ainda não descobriram.
A atividade deve sempre considerar a possibilidade de
realização dos alunos, portanto o seu formato pode va-
riar em função disso. Uma variação no caso da Situa-
ção 1, por exemplo, é relacionar outras duas palavras
que começam e terminam com as mesmas letras, além
das respostas corretas, para que os alunos tenham que
fazer escolhas (como no caso da cruzadinha com a lis-
ta de palavras); assim o grau de dificuldade torna-se
maior.
No caso da alfabetização de jovens e adultos, evi-
dentemente, a proposta tem que ser adequada à faixa
etária. O “Descubra quem está falando” pode, por
exemplo, utilizar falas de personagens de outras his-
tórias ou pode-se criar uma variação – o “Descubra
quem está cantando”, onde se tem que fazer
corresponder nomes de músicas a seus intérpretes.
134 135
• ajudar os alunos a decorar o texto (a recitar ou cantar
e não a memorizar sua escrita);
• certificar-se – caso os alunos tenham acesso ao texto
escrito (no Caderno de Textos ou num cartaz) – que
neste momento não o consultem, pois assim a ativi-
dade se transformaria em uma situação de cópia, o
que não é a proposta neste caso.
Procedimentos dos alunos. Os alunos devem:
• saber o texto de cor;
• ordenar as partes do texto, ajustando o falado ao es-
crito;
• discutir suas hipóteses com os colegas;
• socializar os resultados de seu trabalho.
ORDENAÇÃO DE TEXTOS POÉTICOS
Tipo de atividade: Leitura
Duração aproximada: 30 minutos
Objetivos (capacidades que se pretende que os alunos de-
senvolvam):
• “ler” antes de saber ler convencionalmente;
• estabelecer correspondência entre partes do oral e
partes do escrito, ajustando o que sabe de cor à escri-
ta convencional;
• utilizar o conhecimento sobre o valor sonoro conven-
cional das letras (quando já sabem)/trabalhar com
alunos que fazem uso do valor sonoro (quando não
sabem);
• utilizar estratégias de antecipação e checagem;
• ampliar o repertório de músicas, poesias, parlendas e
quadrinhas.
Procedimentos didáticos. O professor deve:
• ajustar o nível de desafio às possibilidades dos alu-
nos, para que realmente tenham problemas a resol-
ver;
• organizar agrupamentos heterogêneos produtivos, em
função do que os alunos sabem sobre a escrita e so-
bre o conteúdo da tarefa que devem realizar;
• garantir a máxima circulação de informação, promo-
vendo a socialização das respostas e dos procedimen-
tos utilizados pelos grupos;
136 137
Adequação da atividade considerando o conhecimento
dos alunos
Alunos não-alfabetizados
Os alunos com escrita silábica, que já fazem uso do valor
sonoro das letras, podem ser agrupados com alunos com
escrita silábica que fazem pouco ou nenhum uso do valor
sonoro, com alunos de escrita silábico-alfabética ou de es-
crita pré-silábica.
É fundamental que os alunos com escrita pré-silábica
não sejam agrupados entre si para realizar esse tipo
atividade. Para eles, é importante a interação com alu-
nos que já sabem que a escrita representa a fala.
A atividade deve sempre considerar a possibilidade de
realização dos alunos, portanto o seu formato pode variar
em função disso: os alunos podem, por exemplo, ordenar
os versos ou as palavras, a depender do conhecimento que
já possuem – ordenar os versos é mais fácil do que ordenar
as palavras.
No caso da alfabetização de jovens e adultos, é preciso
selecionar textos adequados à faixa etária. No lugar de
parlendas, por exemplo, pode-se optar por poemas, pro-
vérbios ou canções.
Alunos já alfabetizados
• Podem receber letras soltas para escrever o texto (ou tre-
chos dele, se for longo): nesse caso, o professor deve
informá-los de que estão recebendo a quantidade exata
de letras e, portanto, ao final da atividade, não pode fal-
tar nem sobrar. Muitas questões interessantes podem se
MODELO 5
NOME:____________________________________________________
DATA__________________SÉRIE:__________________
ESTAVA ESCREVENDO A PARLENDA “LÁ EM CIMA
DO PIANO” E MISTUREI TODOS OS SEUS VERSOS.
VOCÊ PODE ORDENÁ-LOS?
RECORTE E COLE NO SEU CADERNO.
TEM UM COPO DE VENENO
QUEM BEBEU MORREU
O CULPADO NÃO FUI EU
LÁ EM CIMA DO PIANO
VARIAÇÃO:
LÁ
UM
FUI
O
CIMA
EM
EU
DE
TEM
DO
NÃO
PIANO
COPO
CULPADO
VENENO
QUEM
BEBEU
MORREU
138 139
LISTAS DE NOMES PRÓPRIOS E TÍTULOS
Tipo de atividade: Escrita e leitura (no Modelo 5) e
Escrita (no Modelo 6)
Duração aproximada: 20 minutos
Objetivos (capacidades que se pretende que os alunos
desenvolvam):
• escrever listas de palavras/textos significativos;
• constituir um repertório de palavras estáveis.
Procedimentos didáticos. O professor deve:
• ajustar o nível de desafio às possibilidades dos
alunos, para que realmente tenham problemas a
resolver;
• organizar agrupamentos heterogêneos produtivos,
em função do que os alunos sabem sobre a escrita e
sobre o conteúdo da tarefa que devem realizar;
• garantir a máxima circulação de informação, pro-
movendo a socialização das respostas e dos proce-
dimentos utilizados pelos grupos;
• ler a proposta definindo o que devem fazer.
Procedimentos dos alunos. Os alunos devem:
Nas listas de nomes da classe:
• escrever o nome de 15 amigos da classe – eles po-
dem escrever a partir das suas hipóteses ou podem
consultar uma lista para copiá-los (que pode estar
no Caderno de Textos);
• separar o nome das meninas e dos meninos es-
colhidos.
colocar nesse momento, como a ortografia de algumas
palavras: quando o aluno escreve a palavra errada, de-
pois não consegue se resolver com as letras disponíveis,
pois utilizou letras que depois precisa e não tem. Se, por
exemplo, escreveu palavras que levam “ss” e “rr” com “r”
e “s”, certamente sobrarão letras ao final da montagem,
obrigando-o a pensar sobre as causas disso.
• Podem escrever o texto no caderno, ao invés de montá-
lo com letras soltas.
Intervenção do professor
O professor deve circular pela sala, observando qual o pro-
cedimento que os alunos estão utilizando para realizar a
atividade. É importante colocar questões como as coloca-
das pelas professoras dos programas de vídeo apresenta-
dos no Módulo. O professor pode, por exemplo, pedir a al-
guns alunos que encontrem trechos do texto apontando
onde diz “copo de veneno” etc.
Ao final, podem socializar as respostas, discutindo como
foram encontradas.
Durante este tipo de atividade, quando os alunos têm
dúvidas, vale a pena remetê-los a um referencial de pala-
vras estáveis.
Evidentemente, não é possível acompanhar todos os
grupos de alunos numa mesma aula, por isso é importante
que o professor organize um instrumento de registro onde
vá anotando quais alunos pôde acompanhar de perto no
dia, para que tenha um controle que lhe permita progres-
sivamente intervir junto a todos.
Sempre que possível, é importante levar os livros de
onde se transcreveu os textos utilizados, para que conhe-
çam seus portadores.
140 141
SEPARE OS NOMES DAS MENINAS E DOS MENINOS:
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MODELO 7
NOME:____________________________________________________
DATA__________________SÉRIE:__________________
VOCÊ JÁ CONHECE ESTAS HISTÓRIAS. ESCREVA OS TÍTULOS DELAS.
1.
_________________________________________________________
2.
__________________________________________________________
3.
__________________________________________________________
4.
__________________________________________________________
5.
__________________________________________________________
Nas listas de títulos de histórias:
• reconhecer as imagens correspondentes às histórias;
• saber os títulos das histórias;
• escrever os títulos;
• compartilhar suas escritas com os colegas.
MODELO 6
NOME:____________________________________________________
DATA__________________SÉRIE:__________________
ESCREVA O NOME DE QUINZE ALUNOS DE NOSSA SALA.
(VOCÊ PODE CONSULTAR A LISTA COLADA NO CADERNO DE TEX-
TOS, SE PREFERIR.)
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_______________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________
→
142 143
matizadoras que ajudem os alunos a avançar em seus co-
nhecimentos.
No caso da escrita de nomes de colegas da sala, os
alunos podem consultar a lista de nomes, que pode es-
tar no Caderno de Textos ou num cartaz na sala, já que
um dos objetivos desta atividade é que construam um
repertório de palavras estáveis, que possam contribuir
para a sua produção escrita em outros momentos.
A escrita do nome parece ser uma peça-chave para o início
da compreensão da forma de funcionamento do sistema de
escrita. Por esse motivo, propomos uma possível iniciação
do ensino da leitura e sua interpretação a partir do próprio
nome. As razões são estas:
• tanto do ponto de vista lingüístico como do gráfico, o nome
próprio de cada criança é um modelo estável;
• o nome próprio é um nome que se refere a um único objeto,
com o que se elimina, para a criança, a ambigüidade na
interpretação;
• o nome próprio tem valor de verdade, porque se refere a uma
existência, a um saber compartilhado pelo emissor e pelo
receptor;
• do ponto de vista da função, fica claro que marcar, identifi-
car objetos ou indivíduos faz parte dos intercâmbios sociais
da nossa cultura.
(…) A escrita do nome próprio é uma boa situação para tra-
balharmos com modelo, uma vez que dá informação à criança
sobre as letras, quantidade, variedade, posição e ordem delas,
além de servir de ponto de referência para confrontar as idéias
dos alunos com a realidade convencional da escrita.
1 2
Adequação da atividade considerando o conhecimen-
to dos alunos
Alunos alfabetizados e não-alfabetizados podem realizar
a atividade da mesma forma. Para os que escrevem alfa-
beticamente, colocam-se prioritariamente questões re-
lacionadas à ortografia das palavras; para os que ainda
não escrevem alfabeticamente, a situação de escrita exi-
ge pensar sobre o quê e como escrever, o que já coloca
bons problemas para serem solucionados, especialmen-
te se estiverem agrupados criteriosamente.
É fundamental que os alunos com escrita pré-silábica
não sejam agrupados entre si para realizar esse tipo de
atividade. Para eles é importante interagir com alunos
que já sabem que a escrita representa a fala.
A atividade de escrita de títulos de história pode ser feita
a partir da apresentação, pelo professor, das imagens
correspondentes e pode ser feita com a imagem impressa
na própria folha de atividade (se houver essa
possibilidade). Em não havendo facilidade para a
apresentação das imagens, pode-se criar a seguinte
variação: o professor lê um trecho da história, para que
os alunos identifiquem a que título corresponde.
No caso da alfabetização de jovens e adultos, as
histórias devem ser selecionadas considerando sua
adequação à faixa etária.
Intervenção do professor
O professor deve caminhar pela sala observando qual o
procedimento que os alunos estão utilizando para realizar
a atividade. É importante colocar questões proble-
12
Teberosky, Ana. Psicopedagogia, da Linguagem Escrita. Editora Unicamp. Trajetória
Cultural/1989.
144 145
DITADO CANTADO
Tipo de atividade: Leitura
Duração aproximada: 30 minutos
Objetivos (capacidades que se pretende que os alunos
desenvolvam):
• “ler” antes de saber ler convencionalmente;
• estabelecer correspondência entre partes do oral e
partes do escrito;
• utilizar estratégias de antecipação e checagem.
Procedimentos didáticos. O professor deve:
• ajustar o nível de desafio às possibilidades dos
alunos, para que realmente tenham problemas a
resolver;
• organizar agrupamentos heterogêneos produti-
vos, em função do que os alunos sabem sobre a
escrita e sobre o conteúdo da tarefa que devem
realizar;
• garantir a máxima circulação de informação, pro-
movendo a socialização das respostas e dos proce-
dimentos utilizados pelos grupos;
• assegurar-se de que a música é de conhecimento
dos alunos, de que eles a sabem de memória. Eles
não devem conhecer o texto escrito de cor: devem
saber cantar.
As propostas de escrita de lista podem ter muitas
variações, desde o seu conteúdo até a atividade que
será desenvolvida com ela. Por exemplo, a partir da
lista de brinquedos ou histórias (se os alunos forem
crianças); programas de tevê ou cantores da prefe-
rência do grupo (se os alunos forem adultos), o pro-
fessor pode ditar e eles terem de circular as palavras
ditadas (o que é uma atividade de leitura), ou trans-
crever da lista o que é da preferência individual (o
que é uma atividade de leitura e cópia).
Estamos considerando listas as relações de pa-
lavras de um mesmo campo semântico – animais,
frutas, compras de supermercado, títulos de histó-
rias ou músicas, nomes de pessoas ou personagens
etc. O fato de o aluno saber de que categoria são as
palavras da lista permite que utilize estratégias de
antecipação e inferência, o que não seria possível
se as listas fossem de palavras iniciadas por uma
determinada letra, quando as possibilidades são in-
finitas. Como já se disse antes, a atividade só é de-
safiadora se for ao mesmo tempo possível e difícil
para o aluno: se for possível e fácil demais, não há
desafios colocados, e se for difícil, porém impossí-
vel de realizar (pelo fato de exigir do aluno mais do
que ele consegue), também não há desafios coloca-
dos. Encontrar palavras numa relação em que elas
começam todas com a mesma letra, sem saber qual
é a categoria a que pertencem, é praticamente im-
possível para quem ainda não sabe ler de forma con-
vencional, mas sabendo qual é a categoria, é uma
atividade possível e desafiadora.
146 147
LEVOU UM COICE
CRIOU UM GALO
COMEU UM PEDAÇO
DE JENIPAPO
FICOU ENGASGADO
COM DOR NO PAPO
CAIU NO POÇO
QUEBROU A TIGELA
TANTAS FEZ O MOÇO
QUE FOI PRA PANELA.
A arca de Noé, de Vinícius de Moraes.
Editora José Olympio.
Adequação da atividade considerando o conhecimento
dos alunos
Alunos já alfabetizados
Podem realizar um ditado convencional, escrevendo aqui-
lo que o professor dita ou aquilo que ouve no gravador –
desde que o texto não seja muito longo (eles não rece-
bem, portanto, o texto impresso).
Alunos não-alfabetizados
Os alunos com escrita silábica, que já fazem uso do valor
sonoro das letras, podem ser agrupados com alunos com
escrita silábica que fazem pouco ou nenhum uso do valor
sonoro, com alunos de escrita silábico-alfabética ou de es-
crita pré-silábica.
Procedimentos dos alunos. Os alunos devem:
• conhecer a música;
• cantar a música, buscando identificar as partes do
escrito;
• marcar onde o professor faz a pausa na música;
• socializar sua resposta.
MODELO 8
NOME:____________________________________________________
DATA__________________SÉRIE:__________________
O PATO
LÁ VEM O PATO
PATA AQUI, PATA ACOLÁ
LÁ VEM O PATO
PARA VER O QUE É QUE HÁ.
O PATO PATETA
PINTOU O CANECO
SURROU A GALINHA
BATEU NO MARRECO
PULOU NO POLEIRO
NO PÉ DO CAVALO
→
148 149
bro é o nome das letras. Por isso, vocês devem me
dizer com que letras devo escrever e tudo o mais que
devo fazer para pôr na lousa o começo da música. Os
demais alunos devem acompanhar em seus textos o
que está sendo ditado e corrigir quando houver algo
errado.”
É comum que os alunos já alfabetizados ditem o
texto sem informar ao professor a separação das pa-
lavras e que tenham erros ortográficos, uma vez que
não receberam o texto fonte. Neste momento, os de-
mais alunos, que são exatamente os que ainda não
lêem convencionalmente, por terem o texto em mãos
assumem o papel de informantes privilegiados.
É fundamental que os alunos com escrita pré-silábica
não sejam agrupados entre si para realizar esse tipo
atividade. Para eles, é importante a interação com alu-
nos que já sabem que a escrita representa a fala.
A atividade deve sempre considerar a possibilidade de
realização dos alunos: o tamanho da música ou do trecho
selecionado, por exemplo, deve ser compatível com o que
eles conseguem realizar.
No caso da alfabetização de jovens e adultos, o texto
tem que ser adequado à faixa etária.
Intervenção do professor
O professor pode utilizar uma fita cassete ou um
CD com músicas que os alunos apreciem (como acon-
tece no vídeo “Pensando se Aprende. Pensando se
aprende a ler e escrever”), ou ditar o texto de forma
convencional – pode ser uma música, um pequeno
texto informativo ou um trecho de um conto, por
exemplo. Ao ditar, deve fazê-lo sem silabar, lendo o
texto pausadamente, mas de forma natural. O texto
poético oferece várias pistas para os alunos pelo seu
ritmo e disposição gráfica; já o informativo ou nar-
rativo coloca mais dificuldades. A escolha do texto
deve ter como critério sua adequação, considerando
as possibilidades de realização dos alunos.
Ao final da atividade, o professor pode pedir aos
alunos que já lêem convencionalmente que ditem, para
ele escrever na lousa, um trecho do que escreveram.
Pode fazer isso a partir da seguinte orientação:
“Vamos fazer de conta que eu esqueci como se faz
para escrever textos, que a única coisa que ainda lem-
150 151
Esta é uma bibliografia muito reduzida, que indi-
ca apenas alguns dentre os principais materiais
cuja leitura se recomenda a todo professor que
ensina a língua portuguesa nas séries iniciais da
escolaridade. Inicialmente, estão indicados os li-
vros que os professores alfabetizadores, interes-
sados em conhecer ou ampliar seus conhecimen-
tos sobre como alfabetizar considerando os pro-
cessos de aprendizagem da leitura e da escrita,
devem ler e discutir com seus pares. Em seguida,
estão indicados alguns livros que tratam de ques-
tões relacionadas direta ou indiretamente ao en-
sino e à aprendizagem de conteúdos escolares. Por
último, estão indicados dois livros que contribu-
em para o aprofundamento de conhecimentos so-
bre aspectos da língua portuguesa cujo domínio é
necessário para promover um ensino de melhor
qualidade, tanto das práticas de leitura como de
produção de texto. Nas observações finais estão
relacionados dois materiais da maior importân-
cia, mas fora de circulação comercial atualmente.
BIBLIOGRAFIA
COMENTADA
152 153
escrita e propostas didáticas considerando esse
conhecimento; atividades de trabalho com dife-
rentes textos; aspectos relacionados à reflexão
metalingüística; conteúdos de gramática; dispo-
sição gráfica dos textos impressos e tipos de le-
tra; e, por fim, uma série de sugestões didáti-
cas, o que inclui quinze variações possíveis para
as atividades de leitura e escrita.
Estratégias de leitura, de Isabel Solé, Editora Artes
Médicas
O livro escrito por Isabel Solé aborda a leitu-
ra sob diferentes aspectos e apresenta dife-
rentes formas de trabalhar com o ensino da
leitura. Alguns dos principais conteúdos: o
processo da leitura; leitura na escola; leitura
e compreensão; compreensão leitora e apren-
dizagem significativa; alfabetização/ensino
inicial da leitura; estratégias de compreensão;
tipos de texto e expectativas do leitor; objeti-
vos da leitura; leitura compartilhada; ensino
do procedimento de resumo; avaliação da lei-
tura e algumas propostas didáticas para en-
sinar os alunos a compreender textos na Edu-
cação Infantil e no ensino fundamental. Tra-
ta-se de um livro necessário para todos os pro-
fessores que se interessam por aprofundar
seus conhecimentos sobre a leitura para po-
der ensinar mais e melhor, para poder formar
alunos leitores de fato.
PARA SABER ORGANIZAR UMA
PRÁTICA DE ALFABETIZAÇÃO CENTRADA
NA APRENDIZAGEM
Aprendendo a escrever — perspectivas psicológicas
e implicações educacionais, de Ana Teberosky, Edi-
tora Ática
“O saber dos professores”; “O saber das crian-
ças”; “Sobre o sistema de escrita”; “Sobre as ati-
vidades”; “Sobre outros gêneros”; “Outros conhe-
cimentos”; “O que as crianças não sabem”; e
“Exemplos e sugestões para a prática” são os
títulos dos oito capítulos deste livro, que ofere-
ce contribuições muito importantes para todo
alfabetizador. Como a própria autora comenta
na Apresentação, o livro é sobre “dizer, ler e es-
crever, aprender e ensinar”; fala das crianças
para os educadores e também sobre os educa-
dores, uma vez que a eles é destinado; descreve
o processo de aprendizagem e oferece sugestões
para o ensino. Os dois primeiros capítulos tra-
tam do “saber dos professores sobre o que as
crianças sabem” e trazem atividades interessan-
tíssimas de simulação – uma estratégia
metodológica cada vez mais utilizada nas práti-
cas de formação de professores. Os outros seis
capítulos abordam o conhecimento da “lingua-
gem-que-se-escreve” (memória, representação e
percepção); as funções da linguagem escrita; a
evolução do conhecimento sobre o sistema de
154 155
dizagem ajudam o professor a planejar o ensino?
É possível que o professor ensine uma coisa e o
aluno aprenda outra? Como fazer o conhecimen-
to do aluno avançar? Quando corrigir e quando
não corrigir? Como fazer bons usos da avalia-
ção? Essas são algumas das principais questões
a que o livro procura responder. Além disso, o
último capítulo é uma defesa do desenvolvimen-
to profissional permanente dos professores como
condição para uma educação escolar de qualida-
de. O livro conta com vários depoimentos de edu-
cadores que relatam suas experiências de ensi-
no – e de aprendizagem –, o que constitui uma
bela ilustração dos conteúdos tratados nos dife-
rentes capítulos. Embora não seja um texto des-
tinado exclusivamente aos alfabetizadores, há
inúmeros exemplos de atividades de leitura e es-
crita na fase inicial da escolaridade que justifi-
cam a sua indicação nesta categoria.
Psicopedagogia da linguagem escrita, de Ana
Teberosky, Editora Trajetória Cultural/Unicamp
Trata-se de um livro cuja leitura é imprescin-
dível para todo professor que queira conhecer
ou ampliar seus conhecimentos sobre a alfa-
betização. Nos diferentes capítulos, aborda ba-
sicamente situações de ensino e aprendizagem
da linguagem escrita para crianças de 5 a 8
anos, que são organizadas da seguinte forma:
“A escrita de nomes”; “A escrita de títulos”; “A
Literatura infantil: uma nova perspectiva da alfabeti-
zação na pré-escola, de Lúcia Lins Browne Rego, Edi-
tora FTD
Este livro traz contribuições valiosas não só
para os professores de Educação Infantil mas
também do 1ª ciclo do ensino fundamental. As
principais temáticas abordadas: as caracterís-
ticas da língua escrita; os limites que a práti-
ca pedagógica tradicional tem imposto à apren-
dizagem dos alunos; a importância dos mode-
los de referência para a produção de texto; a
criação de textos falados como se fossem es-
critos; a literatura infantil como caminho para
a alfabetização; critérios de escolha de textos
para os alunos; a importância da leitura feita
pelo professor, especialmente quando os alu-
nos ainda não sabem ler… O livro apresenta
uma série de textos infantis, muitos dos quais
acompanhados de uma análise feita pela auto-
ra, em que é possível perceber o impacto da
leitura na produção textual das crianças e os
modelos de texto escrito nos quais elas se ba-
seiam quando produzem os seus próprios.
O diálogo entre o ensino e a aprendizagem, de Telma
Weisz, Editora Ática
Um livro destinado aos interessados exatamente
nisto: no diálogo entre o ensino e a aprendiza-
gem. O que sabe uma criança que parece não
saber nada? Que conhecimentos sobre a apren-
156 157
intervenção pedagógica” para educadores que
acreditam que apenas saber ler e escrever não
é mais suficiente – aos alunos e a todas as pes-
soas – no mundo de hoje.
Alfabetização de adultos: leitura e produção de tex-
tos, de Marta Durante, Editora Artes Médicas
Este livro aponta a viabilidade de uma prática de
educação de adultos que considera o texto como
unidade básica do processo de ensino e aprendi-
zagem da Língua Portuguesa. Está organizado em
duas partes: na primeira, discute temas como de-
senvolvimento e aprendizagem de jovens e adul-
tos, os efeitos da escolarização no processo de
desenvolvimento e a concepção sobre o processo
de ensino e de aprendizagem da língua escrita.
Na segunda parte, discute a prática de alfabeti-
zação de jovens e adultos a partir de um projeto
pedagógico.
A prática educativa - como ensinar, de Antoni Zabala,
Editora Artes Médicas
Se o que se pretende é aprofundar os conhecimen-
tos sobre os diferentes tipos de conteúdo escolar –
fatos, dados, conceitos, princípios, procedimentos,
valores, normas e atitudes – e formas de trabalhar
didaticamente com eles, este livro é imprescindí-
vel. Uma das maiores contribuições trazidas por
Antoni Zabala é a abordagem dos diferentes ti-
pos de conteúdo considerando as estratégias de
reescrita de textos narrativos em situação de
produção coletiva”; “A escrita de poemas”; e “A
escrita de notícias”. O que não falta neste li-
vro, portanto, são atividades de aprendizagem
inicial da leitura e da escrita com diferentes
gêneros textuais. Também este é um texto em
que o ensino dialoga com a aprendizagem, pois
é permeado o tempo todo pela intenção de con-
jugar as idéias das crianças com os requisitos
do ensino.
PARA SABER MAIS SOBRE O ENSINO
E A APRENDIZAGEM DE DIFERENTES
CONTEÚDOS
Além da alfabetização, organizado por Ana Teberosky
e Liliana Tolchinsky, Editora Ática
Este livro contém onze artigos de diferentes au-
tores, inclusive das organizadoras: “Além da
alfabetização”; “Para que aprender a escrever?”;
“Aprender sons ou escrever palavras?”; “Escre-
ver como deve ser”; “Compor textos”; “Escre-
ver melhor: a técnica da redação”; “Aprenden-
do a ensinar”; “Ensinar a escrever”; “Desenhar,
escrever, fazer números”; “Ler não é o inverso
de escrever”; “A aquisição da linguagem mate-
mática: símbolo e significado”. O propósito das
organizadoras é “oferecer elementos de refle-
xão teórica, de pesquisa e de experiências de
158 159
é uma abordagem muito interessante. Caracte-
rizam lingüisticamente vários gêneros literários,
jornalísticos, de informação científica, instru-
cionais, epistolares, humorísticos e publicitá-
rios. Além disso, descrevem e analisam vários
projetos de trabalho com os alunos envolvendo
a leitura, a escrita e conteúdos de reflexão so-
bre a língua: “Teatro para um dia de festa na
escola”; “Carta de despedida para alunos da 8ª
série”; “Jornal mural para o pátio da escola”;
“Mostra de contos infantis”; “Monografia sobre
governos argentinos nas últimas décadas”; “Ex-
perimentos e Campanhas de Saúde”.
Escrita e alfabetização, de Carlos Alberto Faraco, Edi-
tora Contexto
O livro de Faraco permite ao professor conhecer
a organização do sistema gráfico da língua por-
tuguesa e seus princípios básicos. Descreve como
são representadas as consoantes, as vogais e os
ditongos. São muito úteis os quadros de síntese
apresentados de duas maneiras: a partir das
unidades sonoras e a partir das letras. É um li-
vro para se fazer uma leitura inicial – que revela
haver muito mais regularidade no sistema orto-
gráfico do que se imagina –, mas tendo claro que
o domínio do assunto só se dará se for transfor-
mado em livro, não de cabeceira, mas de mesa
de trabalho. Trata-se de uma contribuição valio-
sa para orientar as atividades propostas para o
trabalho com conteúdos ortográficos.
aprendizagem, as estratégias de ensino, a orga-
nização de agrupamentos produtivos na classe,
as formas de organização didática e a avaliação.
O livro se organiza em oito capítulos, con-
forme se segue: “Unidades de análise da práti-
ca educativa”; “A função social do ensino e a
concepção sobre os processos de aprendiza-
gem”; “As seqüências didáticas e as seqüên-
cias de conteúdo”; “As relações interativas em
sala de aula: o papel dos professores e dos alu-
nos”; “A organização social da classe”; “A or-
ganização dos conteúdos”; “Os materiais
curriculares e outros recursos didáticos”; e “A
avaliação”.
Escola, leitura e produção de textos, de Ana María
Kaufman e María Helena Rodríguez, Editora Artes
Médicas
Muitas informações úteis sobre as característi-
cas dos diferentes gêneros textuais e várias
sugestões de projetos de trabalho com os alu-
nos: eis as principais contribuições de Escola,
leitura e produção de textos. Para saber mais
sobre como se organizam os diferentes textos,
quais são suas peculiaridades gramaticais e
discursivas, que tipo de função eles têm, como
é possível trabalhá-los didaticamente, este é um
livro necessário. As autoras apresentam os tex-
tos classificados simultaneamente de acordo
com sua função e trama predominantes, o que
160 161
Construtivismo na sala de aula, César Coll e outros
autores, Editora Ática
Este livro é composto de sete artigos de diferen-
tes autores: “Os professores e a concepção cons-
trutivista”, Isabel Solé e César Coll; “Disponibili-
dade para a aprendizagem e sentido da aprendi-
zagem”, Isabel Solé; “Um ponto de partida para a
aprendizagem de novos conteúdos: os conheci-
mentos prévios”, Mariana Miras; “O que faz com
que os alunos aprendam os conteúdos escola-
res?”, Terasa Mauri; “Ensinar: criar zonas de de-
senvolvimento proximal e nelas intervir”, Javier
Onrubia; “Os enfoques didáticos”, Antoni Zabala;
“A avaliação da aprendizagem no currículo es-
colar: uma perspectiva construtivista”, César
Coll e Elena Martín. Todo professor que se inte-
resse em aprender um pouco mais sobre a con-
cepção construtivista de ensino e aprendizagem
deve ler os artigos deste livro, que são da maior
utilidade do ponto de vista pedagógico.
Oficina de leitura, de Ângela Kleiman, Editora Pon-
tes/Unicamp
A autora parte do pressuposto que o ensino da
leitura é fundamental para solucionar problemas
relacionados ao aproveitamento escolar insufi-
ciente: “ao fracasso na formação de leitores pode-
se atribuir o fracasso geral do aluno na escola”.
O livro pretende, portanto, contribuir para um
ensino de leitura que forme de fato leitores – bons
Ler e escrever, muito prazer!, de Beatriz Cardoso e
Madza Ednir, Editora Ática
Trata-se de um livro que oferece diferentes con-
tribuições aos professores das séries iniciais do
ensino fundamental. As autoras abordam ques-
tões como: a importância de bons diagnósticos
para a atuação pedagógica; o trabalho com dife-
rentes tipos de texto na sala de aula; a necessi-
dade de destinatários reais para os textos pro-
duzidos pelos alunos; propostas de redação es-
colar; condições necessárias para o trabalho co-
letivo e para a colaboração intelectual entre os
alunos; possibilidades de interação de alunos com
diferentes níveis de conhecimento; o lugar do erro
no processo de aprendizagem; a avaliação como
instrumento de diagnóstico e diálogo… O livro é
resultado de uma importante e desejada parce-
ria: entre a universidade e a rede pública – nesse
caso, mais especificamente entre uma professo-
ra universitária e uma professora de ensino fun-
damental. A sala de aula de Marialva foi o cená-
rio principal das histórias pedagógicas relatadas
neste livro, que conta com retalhos de literatura
“costurados” nessas histórias – ou seja, ao mes-
mo tempo que se descreve e se analisa uma série
de propostas de ensino e aprendizagem escolar,
lança-se mão de textos literários relacionados,
de alguma forma, aos temas em discussão. Em
alguns capítulos, há algumas produções escri-
tas de crianças, preciosas e muito “reveladoras”.
162 163
“Como as crianças aprendem a norma ortográfi-
ca?”; “Análise crítica das práticas usuais de ensi-
no da ortografia”; “Definindo princípios norteado-
res para o ensino de ortografia”; “Refletindo sobre
a ortografia a partir de textos”; “Atividades de re-
flexão sobre as palavras fora de textos”; “Usando o
dicionário e revisando as produções infantis”. Den-
tre as muitas contribuições oferecidas por este li-
vro, uma é especialmente importante de se desta-
car: a reflexão sobre a necessidade de haver metas
estabelecidas para o ensino da ortografia em cada
turma e de se seqüenciar os conteúdos ortográfi-
cos nas diferentes séries.
Uma história da leitura, de Alberto Manguel,
Companhia das Letras
Eis um livro para os apaixonados pela leitura ou
dispostos a por ela se apaixonar… Afinal, como já
se pode ler em sua capa, “a leitura é a mais civili-
zada das paixões e sua história é uma celebração
da alegria e da liberdade”. Todo o livro é uma nar-
rativa em primeira pessoa, onde o autor conta –
muito mais do que uma – muitas histórias da lei-
tura e de muitos leitores ao longo da História. Divi-
de-se em duas partes: “Atos de leitura” e “Os pode-
res do leitor”, onde se poderá saber um pouco mais
sobre leitores silenciosos, o aprendizado da leitura,
a leitura ouvida, o autor como leitor, a leitura do fu-
turo, roubo de livros, leituras proibidas… e outras
tantas curiosidades sobre o assunto.
leitores de diferentes gêneros textuais. As
temáticas tratadas se estruturam em seis capí-
tulos: “Leitura e aprendizagem”; “A concepção
escolar de leitura”; “Como lemos: uma concep-
ção não-escolar do processo”; “O ensino da leitu-
ra: a relação entre modelo e aprendizagem”; “A
interface de estratégias e habilidades”; “A cons-
trução do sentido do texto”. Ao longo de todo o
livro, há uma série de textos “retirados” de jor-
nais, revistas e livros (e, às vezes, produzidos por
alunos), que são analisados pela autora a partir
das temáticas tratadas no capítulo em que apa-
recem. Uma das grandes contribuições deste li-
vro é a reflexão sobre possibilidades de trabalho
com textos informativos de diferentes gêneros.
Ortografia: ensinar e aprender, de Artur Gomes de
Morais, Editora Ática
Devo corrigir os textos espontâneos de meus alu-
nos? Devo considerar os erros na hora de avaliá-
los? Como ensinar ortografia sem recorrer aos exer-
cícios tradicionais? Em resposta a essas questões
que se colocam a praticamente todos os professo-
res, este livro propõe um enfoque construtivista
para o ensino da ortografia. Divide-se em duas
partes – “Aprender ortografia” e “Ensinar ortogra-
fia” – e se organiza em oito capítulos: “Ortografia: o
que é? Para que serve? Por que ensiná-la?”; “A nor-
ma ortográfica do português: o que o aluno pode
compreender? O que ele precisa memorizar?”;
164 165
ordenar o tempo”; “Segmentação do texto”; “Ar-
gumentação”; “Modos de citação”; “Coerência tex-
tual”; “Coesão textual”; “Narração”; “Descrição”;
“Dissertação”; “Progressão discursiva”; “Recur-
sos gramaticais”; entre outros. Quanto mais os
professores estudarem conteúdos desse tipo, me-
lhores condições terão de contribuir para o de-
senvolvimento da competência leitora e escritora
de seus alunos.
Literatura e redação, de Irene Araújo Machado, Edi-
tora Scipione
Também este é um livro cujo interlocutor pri-
vilegiado é o aluno de Ensino Médio, especial-
mente dos cursos de Magistério. E também
se recomenda aos professores comprometidos
com a ampliação de seus conhecimentos so-
bre a língua que ensinam. O estudo da narra-
tiva e dos gêneros literários e A literatura como
forma de cultura são dois eixos importantes
de organização dos conteúdos deste livro, que
se distribuem em treze capítulos: “A tradição
oral na literatura”; “Conto popular: a sabe-
doria do imaginário popular”; “O conto mara-
vilhoso: o mundo sem verdades nem menti-
ras”; “Fábulas: no tempo em que os animais
falavam pelos homens”; “O discurso narrati-
vo: a preservação da oralidade na escrita”;
“Lenda: uma explicação exemplar para as coi-
sas da vida”; “Saga: a personagem no tempo
PARA AMPLIAR O CONHECIMENTO
PESSOAL DA LÍNGUA PORTUGUESA
Para entender o texto – Leitura e redação, de José
Luiz Fiorin e Francisco Platão Savioli, Editora
Ática
Este é um livro didático destinado mais especifi-
camente a alunos do Ensino Médio. Possui 44
lições, todas estruturadas em quatro partes: ex-
posição teórica de conteúdos relacionados à lei-
tura e produção textual; texto comentado em que
se analisa os conteúdos tratados teoricamente na
parte anterior; exercícios de aplicação de conhe-
cimentos sobre os conteúdos abordados; e uma
proposta de produção de texto que também su-
põe uso dos conhecimentos adquiridos. A inclu-
são na bibliografia comentada de um livro didá-
tico como este justifica-se principalmente pelas
duas partes iniciais de cada uma das lições: a
exposição teórica e o texto comentado, ambos de
muito boa qualidade. Embora o interlocutor pri-
vilegiado deste livro seja o aluno de Ensino Mé-
dio, Para entender o texto – Leitura e Redação
contribui para a formação também dos professo-
res, uma vez que lhes permite aprofundar o co-
nhecimento sobre conteúdos da maior relevân-
cia para o trabalho docente. Alguns deles: “A
noção de texto”; “As relações entre os textos”;
“Níveis de leitura de um texto”; “Estrutura pro-
funda do texto”; “As várias possibilidades de lei-
tura de um texto”; “Modos de narrar”; “Modos de
166 167
Por trás das letras. Volume único, FDE/SEE, São
Paulo
Publicação concebida para uso articulado com a
série de programas de vídeos didáticos de mes-
mo nome, ambas de autoria de Telma Weisz. A
série Por trás das letras é composta de quatro
programas que contêm atividades desenvolvidas
pela autora junto a alunos de escolas públicas
da periferia de São Paulo, em fase de alfabetiza-
ção e pós-alfabetização. São eles: Erumaveis,
Falando devagarinho, Deu no jornal e De casa
para a escola, cada qual focalizando mais espe-
cificamente o trabalho com determinados gêne-
ros textuais – contos; cantigas, parlendas e poe-
mas; textos de jornal; e textos do cotidiano. A
defesa do uso articulado dos dois materiais (tex-
to impresso e programas de vídeo) é feita pela
autora na apresentação do texto “Por suas pró-
prias características de linguagem, vídeos não fa-
vorecem uma abordagem em profundidade. Eles
permitem apenas levantar, apontar algumas
questões. O que não constitui nenhum problema
quando se trata de uma reportagem, por exem-
plo. Em nosso caso, no entanto – tratava-se de
produzir material de apoio à capacitação em ser-
viço de professores alfabetizadores –, esta limi-
tação obrigou-nos a complementá-lo com mate-
rial impresso para poder aprofundar algumas
questões, detalhar aspectos que pudessem pas-
sar despercebidos, retomar alguns conceitos e,
especialmente, remeter às fontes através das in-
e no espaço”; “Mito: as origens da narrativa”;
“Discurso indireto: o primeiro estágio na arte
de narrar”; “Epopéia: a poesia como tecnolo-
gia cultural”; “Tragédia: os heróis aprendem
a falar e a expor suas idéias”; “Comédia: o
mundo do riso levado a sério”; “Crônica: uma
prosa à toa”. A metodologia utilizada para o
estudo dos conteúdos prevê as seguintes es-
tratégias: introdução teórica para apresenta-
ção dos aspectos fundamentais do gênero em
questão; atividade de leitura, expressão oral,
estudo e interpretação de textos, pesquisa,
dramatização, ilustração; roteiros de leitura;
e oficinas de redação. Evidentemente, assim
como no caso anterior, as atividades de uso
do conhecimento sobre os conteúdos estuda-
dos não são a razão principal da indicação
deste livro, mas sim o tratamento teórico dado
a questões que integram o repertório de sa-
beres necessários a todo professor que ensi-
na a língua portuguesa. Além disso, algumas
das atividades propostas são perfeitamente
adaptáveis aos alunos das séries iniciais do
ensino fundamental.
OUTROS SUBSÍDIOS
Há duas publicações muito úteis para professores de
Educação Infantil e Ensino Fundamental, além dos
livros propostos nesta bibliografia:
168 169
3. A criança de 3 a 7 anos
4. A socialização da criança
5. Brincar
6. Jogos e brincadeiras na Pré-escola
7. Artes
8. A expressão artística na Pré-escola
9. Ciências
10. Ciências na Pré-escola
11. Música e dança
12. A escola, as crianças e as histórias
13. Números e algarismos
14. Aritmética na Pré-escola
15. Língua Portuguesa
16. A Língua Portuguesa na Pré-escola
17. A avó, o dinossauro e o Deus
18. Atuação do professor
19. Pressupostos pedagógicos
20. A formação das crianças e dos professores
MATERIAL DE LEITURA E
PESQUISA PARA USO COM OS ALUNOS
Sugere-se a bibliografia abaixo como uma espécie
de kit básico que deve estar acessível às salas de
aula das séries iniciais, se o objetivo é que os alu-
nos tenham contato com bons textos, de diferentes
dicações bibliográficas”. O programa Falando
devagarinho é parte integrante do Módulo “Alfa-
betizar com textos”.
Professor da Pré-escola. Volumes 1 e 2, MEC/Fun-
dação Roberto Marinho
São dois livros concebidos em conjunto com vinte
programas de televisão realizados pela Fundação
Roberto Marinho. Os programas tratam das dife-
rentes áreas de conhecimento, sendo que os de nú-
meros 15 e 16 abordam especificamente o trabalho
de Língua Portuguesa. Todos constam do catálogo
de programas apresentados pela TV Escola e, em-
bora o título da série seja Professor da Pré-escola,
de um modo geral são muito úteis também para os
professores do 1
o
ciclo do ensino fundamental inte-
ressados em compreender como as crianças pen-
sam, brincam, aprendem e se desenvolvem. O pro-
grama número 15 é parte integrante do Módulo “Al-
fabetizar com textos”. Os dois volumes impressos
reúnem vinte artigos sobre diferentes temas, cada
qual relacionado a um dos programas de televisão.
Os títulos dos artigos e programas são coinciden-
tes, entretanto – embora mais rico e mais produtivo
– não necessariamente precisam ser utilizados de
forma articulada, uma vez que foram concebidos
para ter “vida própria”. São eles:
1. Infância
2. Por onde devo ir-me daqui?
170 171
Dicionário Aurélio. Editora Nova Fronteira (ou outro
de boa qualidade).
Enciclopédia Larousse ou Conhecer (ou outra com
linguagem não muito acadêmica).
Geoatlas. Maria Elena Simieli. Editora Ática.
Gramática atual. Faraco e Moura. Editora Ática (ou
outra de boa qualidade).
O diabo dos números. Hans Magnus Enzensberger.
Companhia das Letras.
O guia dos curiosos. Marcelo Duarte. Companhia das
Letras.
Revistas Superinteressante. Editora Abril.
Sabes por quê? O Grande Circo da Ciência (Júnior).
Kathy Wollard – Debra Solomon. Editora
Gradiva Júnior.
OUTRAS SUGESTÕES DE LIVROS
DE LITERATURA
Muitos dos livros abaixo relacionados não são
aqueles que os alunos das séries iniciais conse-
guem ler com autonomia, mas são livros cujos tex-
tos os encantam quando lidos pelo professor; além
disso, costumam encantar também aos professo-
res. Por essa razão, estão sugeridos como com-
plementos ao acervo das escolas, caso já não os
possuam.
gêneros, não apenas literários. As indicações são
apenas uma referência: os materiais podem ser subs-
tituídos por outros similares do mesmo gênero – o
que importa é que estejam disponíveis para o traba-
lho com os alunos. Isso significa ter um kit que cir-
cula pelas classes ou, quando possível, um kit para
cada classe. Como se trata de uma bibliografia mui-
to elementar, evidentemente pode e deve ser amplia-
da com outros materiais.
Literatura
Contos Brasileiros/Coleção: A leitura é uma aventu-
ra. Organização e Edição Sérgio Faraco. Edito-
ra L&PM.
Contos de Grimm. Tradução de Tatiana Belinky. Edi-
ções Paulinas.
Esopo – Fábulas completas. Neide Smolka. Editora
Moderna.
O livro das virtudes. Uma antologia de William J.
Bennett. Editora Nova Fronteira.
Para gostar de ler/Contos (Vol. 9). Editora Ática.
Para gostar de ler/Crônicas (Vol. 7). Editora Ática.
Para gostar de ler/Poesias (Vol. 6). Editora Ática.
Informativos de diferentes gêneros
Almanaque Abril 99. Editora Abril.
As coisas são assim – pequeno repertório científico
do mundo que nos cerca. John Brockman. Com-
panhia das Letras.
172 173
Modernos
A bolsa amarela. Lygia Bojunga Nunes. Editora José
Olympio.
A casa da madrinha. Lygia Bojunga Nunes. Editora
José Olympio.
A história de dois amores. Carlos Drummond de
Andrade. Editora Record.
A história do unicórnio. Otfried Preussier. Editora Ática.
A pedra arde. Eduardo Galeano. Edições Loyola.
A professora de desenho e outras histórias. Marcelo
Coelho. Companhia das Letras.
A vassoura encantada. Chris Van Allsburg. Editora Ática.
A vida do elefante Basílio. Érico Veríssimo. Editora
Globo.
Alexandre e outros heróis. Graciliano Ramos. Edito-
ra Record.
As aventuras do avião vermelho. Érico Veríssimo.
Editora Globo.
As bruxas. Roald Dahl. Editora Martins Fontes.
Coleção Piririca da Serra. Eva Funari. Editora Ática.
Como contar crocodilos. Margaret Mayo. Companhia
das Letrinhas.
Contos da Rua Brocá. Editora Martins Fontes.
De olho nas penas. Ana Maria Machado. Editora
Salamandra.
Duendes e gnomos. Heloísa Prieto. Companhia das
Letras.
Era urso? Esdras do Nascimento. Edições de Ouro.
Clássicos
Branca de Neve e outros contos de Grimm. Tradução
de Ana Maria Machado. Editora Moderna.
Chapeuzinho Vermelho e outros contos de Grimm. Tra-
dução de Ana Maria Machado. Editora Moderna.
Clássicos Infantis. Consultoria de Nelly Novaes Coe-
lho. Editora Moderna.
Coleção Lendas Medievais. Mônica de Souza e
Adriana Ramos. Editora FTD.
Contos de Andersen. Editora Paz e Terra.
Contos de Grimm. Vol. 1 e 2. Tradução de Maria He-
loísa. Editora Ática.
Contos de Perrault. Editora Itatiaia.
Contos de Shakespeare. Tradução de Mário
Quintana. Editora Globo.
Contos escolhidos. Andersen. Editora Globo.
Contos escolhidos. Grimm. Editora Globo.
Fábulas italianas. Ítalo Calvino. Companhia das Letras.
O livro ilustrado dos mitos. Neil Philip. Editora Mar-
co Zero.
O Minotauro. Adaptação de Orígenes Lessa. Ediouro.
O saci. Monteiro Lobato. Editora Brasiliense.
Reinações de Narizinho. Monteiro Lobato. Editora
Brasiliense.
Série Reencontro. Vários autores. Editora Scipione.
Sete contos russos. Recontados por Tatiana Belinky.
Companhia das Letrinhas.
Tristão e Isolda. Anônimo. Editora Francisco Alves.
174 175
Fontes.
Rip Van Winkle. Washington Irving. Editora Ática.
Rosa Maria no castelo encantado. Érico Veríssimo.
Editora Globo.
Sangue fresco. João Carlos Marinho. Editora Moderna.
Série O pequeno Nicolau. Sempé. Editora Martins Fontes.
Série O pequeno vampiro. Angela Sommer. Editora
Martins Fontes.
Populares
Askeladden e outras histórias. Organização de
Francis H. Aubert. Edusp.
Contos de animais fantásticos. Editora Ática.
Contos de artimanhas e travessuras. Editora Ática.
Contos de assombração. Editora Ática.
Contos de lugares encantados. Editora Ática.
Contos de piratas, corsários e bandidos. Editora Ática.
Contos populares para crianças da América Latina.
Editora Ática.
Contos, mitos e lendas para crianças da América La-
tina. Editora Ática.
João pobre João. Luís Diaz. Editora Formato.
Folclore brasileiro
Contos ao redor da fogueira Rogério Andrade Barbo-
sa. Editora Agir.
Malasaventuras. Pedro Bandeira. Editora Moderna.
Meu primeiro livro de folclore. Ricardo Azevedo. Edito-
ra Ática.
Fadas, magos e bruxas. Heloísa Prieto. Companhia
das Letras.
Flicts. Ziraldo. Editora Melhoramentos.
Histórias da Preta. Heloísa Pires Lima. Companhia
das Letras.
Luas e luas. James Thurber. Editora Ática.
Matilda. Roald Dahl. Editora Martins Fontes.
O conde de Frutreson. João Carlos Marinho. Editora
Moderna.
O diário do lobo: a verdadeira história dos três porquinhos.
Jon Suiszka. Companhia das Letrinhas.
O gênio do crime. João Carlos Marinho. Editora Moderna.
O homem que calculava. Malba Tahan. Editora
Record.
O livro de Berenice. João Carlos Marinho. Editora
Moderna.
O menino maluquinho. Ziraldo. Editora Melhoramentos.
O pequeno papa-sonhos. Michael Ende. Editora Ática.
O pintinho que nasceu quadrado. Regina Chamlian.
Editora Pioneira.
O teatro de sombras de Ofélia. Michael Ende. Editora Ática.
O urso com música na barriga. Érico Veríssimo. Edi-
tora Globo.
Os colegas. Lygia Bojunga Nunes. Editora José Olympio.
Os Minpins. Roald Dahl. Editora Martins Fontes.
Os três porquinhos pobres. Érico Veríssimo. Editora Globo.
Outra vez Os três porquinhos pobres. Érico Veríssimo.
Editora Globo.
Raposas e fazendeiros. Roald Dahl. Editora Martins
176
Fábulas
Fábulas de Esopo. Companhia das Letras.
Fábulas de La Fontaine. Editora Itatiaia.
Fábulas e lendas da Índia. Editora Shakti.
Poesias
A arca de Noé. Vinícius de Moraes. Companhia das
Letras.
A poesia é uma pulga. Sylvia Orthof. Editora Atual.
Antologia poética de Manuel Bandeira. Editora
Martins Fontes.
Berimbau e outros poemas. Manuel Bandeira. Edito-
ra Nova Fronteira (esgotado, no momento).
Comboio, saudades e caracóis. Fernando Pessoa. Edi-
tora FTD.
Di-versos hebraicos. Tradução de Tatiana Belinky.
Editora Scipione.
Di-versos russos. Tradução de Tatiana Belinky. Edi-
tora Scipione.
Lé com cré. José Paulo Paes. Editora Ática.
O nariz de vidro. Mário Quintana. Editora Moderna.
Ou isto ou aquilo. Cecília Meireles. Editora Nova
Fronteira.
Poemas malandrinhos. Almir Correa. Editora Atual.
Poemas para a Infância. Henriqueta Lisboa. Ediouro.
Poemas para brincar. José Paulo Paes. Editora Ática.
Poesia fora da estante. Vera Aguiar (coord.). Edi-
tora Projeto.
Rimas no país das maravilhas. José Paulo Paes. Edi-
tora Ática.
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