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que eu faço um ‘p’ para você”, ou “Não está vendo que é o
‘p’?”. E há, é claro, a possibilidade de o aluno que pergun-
tou ouvir de seu colega: “Padaria? Começa com ‘a’ ”– e se
dar por satisfeito. O medo de que eles aprendam errado,
em uma hora dessas, faz com que muitos professores re-
cuem e bloqueiem a circulação de informação.
Uma classe é, de certa forma, uma microssociedade. E
o professor estabelece o seu modo de funcionamento, mui-
to menos por ter montado um decálogo na parede – o que é
muito interessante, desde que seja discutido com os alu-
nos – mas, principalmente, por passar, através de seus pró-
prios atos, quais as atitudes que devem ser valorizadas,
quais não, que formas de relação são bem aceitas, quais
não. A classe incorpora isso tudo porque o professor está
no comando e é referência.
Os alunos muitas vezes discutem, defendem suas opi-
niões. E a atitude diante do que consideram um não-
saber do outro tem muito a ver, também, com o tempe-
ramento de cada um. Há crianças que não discutem, mas
não arredam pé; outras até discutem, mas acabam ce-
dendo. A questão central não é haver ou não discussão,
mas sim que cada um consiga formular o seu argumen-
to a favor ou contra uma dada questão. Aprende-se mui-
to quando se está exposto a uma argumentação e apren-
de-se mais ainda quando se tem que defender um ponto
de vista. O esforço de comunicar uma idéia sempre faz
avançar a compreensão e é altamente produtivo do pon-
to de vista da aprendizagem.
A interação entre os alunos não é necessária só porque
o intercâmbio é condição para o convívio social na escola:
a interação entre os alunos é necessária porque informa a
todos os envolvidos e potencializa quase infinitamente a
aprendizagem.
informações, expõem uns para os outros suas hipóte-
ses, muitas vezes erradas. A preocupação em evitar o
contato do aluno com a resposta errada é uma marca do
modelo empirista de ensino e está relacionada à idéia de
que ela vai se fixar em sua memória.
As crianças freqüentemente reproduzem o padrão de
comportamento que os adultos têm com elas. Em uma
classe onde o respeito intelectual com o processo de
aprendizagem dos alunos é baixo, é comum estes se van-
gloriarem dos seus saberes, gozarem e humilharem os
outros quando dão respostas inadequadas. Em uma clas-
se onde o professor cultiva a cooperação e o respeito
intelectual, os alunos costumam fazer o mesmo com os
colegas. Quando o professor proporciona situações de
intercâmbio e colaboração na sala de aula, eles podem
trocar informações entre si, discutir de maneira produ-
tiva e solidária e aprender uns com os outros. Para po-
der explicar para o colega que seu jeito de pensar está
incorreto, o aluno precisa formular com precisão e ar-
gumentar com clareza – e esta é uma situação muito
rica para sistematizar seus próprios conhecimentos.
Quando se contradiz e percebe isso, pode reorganizar
suas idéias e, dessa forma, seu conhecimento avança.
Em um ambiente de respeito e solidariedade os alunos
aprendem a dar as informações que julgam importantes
para o colega. Em uma sala de aula onde essa prática é
adotada, não é raro vê-los oferecendo informações parciais
uns para os outros e escutar diálogos do tipo: “Agora pen-
sa, para ver se você descobre”, “Repare bem, que você en-
contra a resposta”. É comum, também, ver uma criança
perguntando coisas do tipo “Com que letra começa pada-
ria?” e tendo como resposta “É com a mesma letra do nome
do Paulo” – uma resposta bastante diferente de: “Dá aqui