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das diferenças de desempenho na escola, pondo em destaque a leitura em voz alta pelo
adulto e as experiências precoces com livros.
Neste período emergiu também um vasto corpo de pesquisas que investigavam a
relação entre o desenvolvimento de uma capacidade para refletir sobre as unidades sonoras
das palavras e as diferenças individuais na aprendizagem inicial da leitura e da escrita em
sistemas alfabéticos de escrita ( Carraher e Rego 1980, 1984, Cardoso- Martins 1990).
No entanto, na literatura científica internacional as relações entre esta capacidade
denominada de consciência fonológica e a aprendizagem da leitura e da escrita tem sido
objeto de muitas controvérsias. Para alguns pesquisadores a capacidade de refletir sobre
fonemas é uma conseqüência da exposição à aprendizagem de sistemas alfabéticos de
escrita, pois sendo o fonema uma unidade abstrata, as escritas alfabéticas só poderiam ser
aprendidas através do ensino explícito sobre essas unidades e sua relação com as letras do
alfabeto. Entre os defensores desta posição estão os pesquisadores do grupo de Bruxelas
cujas investigações focaram principalmente em comparações entre adultos alfabetizados e
analfabetos ( Morais, Cary, Alegria e Bertelson 1979; Morais, Cluytens, Alegria e Content
1989) e em estudos de treinamento (Content , Kolinsky, Morais e Bertelson (1986) para
ensinar crianças de 4 a 5 anos a segmentar fonemas. Estes estudos tiveram resultados
pouco consistentes em relação às crianças mais novas, uma vez que em tais treinamentos
se partia do pressuposto de que seria possível ensinar sobre fonemas independentemente do
nível evolutivo do aprendiz.
O argumento do grupo de Bruxelas está centrado no fonema, mas há outras
dimensões da consciência fonológica como, por exemplo, as segmentações intra-silábicas,
envolvendo o fonema inicial e a rima e a segmentação silábica. A capacidade para
segmentar e, sobretudo, para categorizar essas unidades, percebendo semelhanças e
diferenças entre as mesmas, se desenvolve antes de a criança se tornar alfabetizada e seria
preditora do sucesso na aprendizagem posterior da leitura e da escrita ( Bradley e Bryant
1987, Goswami e Bryant 1990).
Os resultados emergentes destas pesquisas foram até certo ponto desconsiderados
pelos defensores da abordagem psicogenética, pois estes pesquisadores embora reconheçam
que as crianças desenvolvem capacidades metafonológicas, isto é, se tornam capazes de
refletir sobre os segmentos sonoros das palavras (Ferreiro 2004), argumentam que a