
UNIDADE 3 – A organização dos espaços na administração de materiais
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1 A inter-relação dos espaços da escola
Educador(a), o texto a seguir retrata, em linhas bem humora-
das, uma realidade comum a boa parte das escolas de educa-
ção básica, cujos espaços convencionalmente administrados,
ao invés de momentos de convivência e coletividade, geram
obstáculos à constitiuição da vida em sociedade e aos prepa-
ros a cidadania. Vamos lê-lo.
O Hino Nacional
O pátio era pequenino e torto. E, pior ainda, era coberto. Sei lá de
quem foi a idéia de “cobrir” o pátio, pois ficava tudo escuro, mesmo
durante o dia. Nos dias de chuva, aquilo era insuportável. O telhado
era de telhas de fibrocimento, e a água caindo fazia o maior barulho.
Era impossível conversar, ouvir ou entender qualquer coisa. Os pro-
fessores imploravam: “Shiuuu! Silêncio, crianças!” Mas
a escola era pequena e, se não ficássemos ali no recreio,
acho que não caberíamos em nenhum outro lugar.
Essa foi a escola onde estudei e fiz o curso primário. E este
o principal problema dela: o pátio. Não, não posso chamar
aquilo de pátio. Passávamos o recreio num lugar mínimo, en-
trecortado e apertado. E éramos muitas crianças. Muitas.
Um dia, aquele piso já foi de cimento, ótimo pra bater bola.
Mas resolveram “melhorar”. Foi quando apareceu, depois
de uma reforma durante as férias, um piso cerâmico, mo-
derno e… liso de tudo. Bastava alguém derrubar um pin-
go de suco ou entrar de sapato molhado que… pimba!
O maior tombo! Também não era possível jogar futebol, vô-
lei ou outros jogos que precisavam de espaço, pois um dos
campos ficava sempre muito maior que o outro. O pátio afu-
nilava e, lá no fundo, quase não cabiam duas pessoas.
Um dia houve uma comemoração. Acho que era o dia da
Proclamação da República. Todos os alunos, professores e
funcionários cantariam o Hino ao mesmo tempo. Juntos.
Tinham arrumado até um bandeira, linda. Fizemos uma fila, e ficou
a maior montoeira de gente. É que não cabiam todos os alunos em
linha reta, por classe. A fila fazia uma curva lá no fundo, em “L”, por
vezes até em “U”, fazendo com que alguns alunos ficassem do lado
de outros, mas na direção oposta. Era, por força do espaço, uma
estranha comemoração. Começamos a ficar aflitos. Não é desres-
peito dar as costas para a Bandeira Nacional? Era, na nossa opinião.
Ninguém queria ficar de costas, ou torto. Começamos a empurrar.
Não sei quem foi o primeiro, talvez tenha sido um garoto grandão,
lá de trás. Só sei que todo mundo queria respeitar a data, ou seja, de
frente e em pé, oras! E começou um empurra-empurra, que foi cres-
cendo, crescendo… como uma avalanche. E, claro, não deu. Fomos
caindo, na maior farra, uns sobre os outros, feito cartas de baralho,
escorregando no piso. Até as professores foram ao chão. A única