
do curso é de 6 anos. Não há de ser por aí que se venha a determinar a du
ração de um curso. Mais vale saber equilibrar o que deve ser aprendido
com o que deve ser feito, isto é balancear conhecimento e habilidade,
para fixar a duração do curso.
A análise dos currículos plenos dos cursos da área da
Saúde, de modo geral, demonstra que eles se acham atufados de matéria des
cartável. Ora, não basta saber, é preciso, também saber utilizar o que se
sabe. E so com c exercício da atividade psico-motora,isto é, com a experi
ência que o treinamento dá se aprende a usar o conhecimento. Camões já sa
bia disso. Hoje em dia, em muitos casos, o esquecimento encobriu esta no-
ção básica
No caso em apreço, eu me pergunto se os dois cursos não
poderiam ser concluídos em 4 anos, obedecidas as cargas horárias estipu-
ladas na resolução pertinente. Uma des razões alegadas para a reativação
destes cursos foi a urgente necessidade local destes profissionais, como
experiência do mercado de trabalho. Reduzida a duração do curso, mais de-
pressa se satisfaria esta exigência..
O vezo de ingurgitar currículos não é somente nosso. Criou-
se nas sociedades ocidentais um sistema hierárquico de status social. pelo
qual as profissões* são diferentemente valorizadas. Entre os critérios
desta hierarquização se incluem a duração do curso, significando mais
educação, e a experiência profissional, isto é, mais atividade psicomotora,
portanto, mais treinamento prático, mais experiência.
O que se dá é que naquela escala de valores educação conta
mais de que experiência, conhecimento teórico elaborado vale mais do que a
habilitação técnica. Porisso, os cursos de maior duração são mais
estimados.
Se, porém, este sistema contribui para realçar certas pro
fissões, ele etá longe de satisfazer a todos, na medida em que deixa mui-
to a desejar na prestação de serviços integrados, coordenados, àqueles que
deles precisam.
Um outro aspecto a considerar na apreciação des currículos
destes dois cursos deriva de princípios que devem estar presentes na
construção curricular na área da saúde. Refiro-me ao fato de que esta
construção deve adequar-se à estrutura dos serviços. No caso, a aplicação
do métodoepidemiológico é da maior importância, porque o perfil nosológico
regional deve constituir c referencial privilegiado para o que o aluno deve
aprender. A questão é deveras complexa para nós no Brasil porque o nos_ so
espectro nosológico é muito amplo, abrangendo desde as chamadas doenças da
miséria, num extremo, até as doenças ditas da opulência, no outro. Além do
que, fatores outros, fora do âmbito da biologia, contribuem para