Download PDF
ads:
"Uma questão prática: a forma e a execução das
opções. Embora o Parecer :nº 283/62 não seja taxativo a respeito
da forma de se fazerem as opções, aconselha um máximo de flexi-
bilidade. Esse critério sempre nos pareceu o ideal mas é impra-
ticável, pelo menos em institutos pequenos como o nosso,dotados
"O currículo mínimo de Letras em vigor desde 1963,
baseado em Resolução do colendo Conselho Federal de Educação,ten-
do em vista o Parecer nº 283/62, prescreve 5 matérias obrigató-
rias e 3 optativas, escolhidas entre uma lista de 8 mais, lista
essa em que figura Filologia Romãnica e Teoria da Literatura
Consideremos inicialmente os problemas mais genéricos e, a se-
guir, os mais específicos.
O ponto crucial de tais sugestões diz respeito à
disciplina de Filologia Românica, e entendemos necessário trans-
crever-lhes os tópicos essenciais:
Temos por sumamente importante a matéria deste
processo, no qual a Faculdade de Filosofia, Ciências o Letras de
Marília, SP, apresenta sugestões da Professora Maria Thereza de
Camargo Biderman para o currículo mínimo de Letras.
Abgar Kenault.
FACULDADE DE FILOSOFIA, CIÊN
C
I
AS E LE
T
RAS DE MARÍLIA
S
P
Sugestões pura currículo mínimo de Letras.
ads:
Livros Grátis
http://www.livrosgratis.com.br
Milhares de livros grátis para download.
do reduzido número de salas de aula e igualmente de corpo docen-
te pequeno. Convém lembrar, a bem da verdade, que nós ainda go-
zamos de uma situação privilegiada em relação as escolas supe-
riores do País. Nas nossas viagens e contatos com outros cen-
tros de ensino superior no Brasil, verificamos amiúde quão ex-
cepcionais são as nossas condições de trabalho em escolas ofi-
ciais do Estado de São Paulo. Portanto, por maioria de razões,o
problema se colocará muito mais agudamente em outras faculdades,
ou universidades de outros Estados da União. Parece-nos, pois,
que uma visão realista e crítica da realidade brasileira deve dis_
tinguir o que é ideal (a ser mantido como meta) e o que é exequí-
vel. Voltando ao caso concreto das opções: o aluno deveria op_
tar livremente dentro da lista proposta pelo colendo Conselho Fe-
deral de Educação e outras matérias mais existentes dentro do
centro do estudos superiores que freqüenta. Contudo, para tanto,
necessário seria dispor de grande número de salas de aula e la-
boratórios , acrescidos de numeroso pessoal docente qualificado,
para que se pudessem multiplicar os cursos optativos e o aluno
pudesse assim compor livremente o seu currículo pleno. A expe-
riência tem demonstrado a impraticabilidade de tal medida. Era
Marília, no curso de Letras, o que fazemos é prescrever o currí-
culo pleno do 1º ao 3º ano , conforme o aluno escolha a área de
Vernáculo e Inglês (Francês ou Alemão) e deixar-lhe possibilidade
de opção no 4º ano, quando escolhe duas matérias livremente ,
dentro e fora da secção de Letras, desde que ele preencha os re-
quisitos exigidos pelas cadeiras responsáveis por aquelas disci-
plinas."Quanto à Teoria da Literatura englobada na lista das
matérias optativas, parece-nos que ela cabe melhor dentro do
currículo mínimo. O Parecer nº 283/62 não aconselhava a inclusão
dessa matéria no currículo mínimo em 1962 quando foi formula-do,
temendo improvisação condenável, já que ela figurava pela
primeira vez num currículo de Letras. Agora, porém, já transcor-
ridos sete anos, em que um bom número de profissionais qualifica-
dos já se formaram e outros se qualificarão dentro em breve, pa-
rece-nos que Teoria da Literatura poderia integrar o currículo
mínimo, sem grande risco para a qualidade do ensino ministrado .
Aliás, a matéria deveria chamar-se Teoria da Literatura e Litera-
ads:
tura Comparada. Com efeito, em um curso de Letras importa,
não somente o estudo da metodologia da análise literária, mas
também o conhecimento das grandes obras da literatura
universal, estudo que só se pode enquadrar em tal cadeira. É
realmente inadmissível que um profissional de Letras se
diplome, por exemplo, em Vernáculas, e saia da universidade
conhecendo apenas obras das Literaturas Portuguesa e
Brasileira. A sua perspectiva da cria-ção artística seria
extremamente pobre e ele não teria condições críticas para
inserir a produção do gênio criativo luso-brasilei-ro dentro
do panorama universal, estabelecendo critérios válidos de
valoração estética, além de possuir assim uma ética distorci-
da da cultura literária. Por outro lado, essa matéria teria
in-teresse para estudantes de História, por exemplo, e até de
Ciên-cias Sociais, sobretudo se o seu programa não incluir
apenas téc-nicas de análise literária , mas a criação
literária do gênio hu-mano universal.
"Enfim, a Filologia Românica de que nos ocupamos
especificamente. Espanta-me que essa matéria tenha sido incluída
no currículo de Letras no Brasil, com essa denominação. Na
realidade a maioria dos cursos de Letras existentes entre nós ,
ministram Lingüística Românica Histórica (e não Filologia Româ-
nica). Aliás, essa era a única opção sensata. É preciso discri-
minar devidamente o conteúdo de uma cadeira de Romanística para
definir o que convém à formação de um profissional das Letras vi-
vendo da e na cultura brasileira. O grande valor científico do
trabalho do filólogo românico deve ocupar os romanistas euro-
peus e não os brasileiros, ou os americanos, em geral. Por ra-
zões várias: a eles cabe, de direito, antes de mais nada, essa
tarefa; além disso, os manuscritos inéditos a serem colecionados
encontram-se nas bibliotecas européias e só eles (os euro-
peus) dispõem dos elementos bibliográficos necessários para a e-
xecução válida desses trabalhos. Mesmo as grandes edições críti-
cas das grandes obras literárias do passado românico europeu
constituem tarefa mais adequada para quem trabalha do outro lado
do Atlântico. Se, por outro lado, pensarmos na precariedade dos
recursos disponíveis nas nossas bibliotecas universitárias brasi-
leiras (e em Marília temos uma excelente, em termos de Brasil) ,
constitui quase uma farsa tentar ministrar cursos de formação de
filólogos. Inversamente, o ensino da Lingüística Românica (e não
exclusivamente histórica) pode ter o máximo interesse na for-mação
de um professor secundário de Português, por exemplo, tra-balhando
no Brasil. O enquadramento da história e constituição da língua
portuguesa, dentro do contexto mais amplo das línguas latinas tem
importância, sem dúvida; sobretudo se o curso procu-rar dar
também uma visão global da cultura românica ocidental, da grande
herança social e artística que nos foi legada. Mas julgo que esse
seria o programa para o primeiro ano do curso.Num segundo ano
poder-se-ia estudar as modernas técnicas de análise
lingüística (a descrição estrutural, a estatística lingüística,
a lingüística computacional, o transformacionismo, a sociolingüís-
tica etc) utilizando as línguas românicas como matéria prima.
Trabalhando em harmonia com a cadeira de Lingüística, o profes-
sor de Lingüística Românica poderia exemplificar, através de
cursos monográficos aplicados às línguas latinas, as teorias ge-
rais formuladas por aquela cadeira. Para o aluno brasileiro é
muito mais interessante, mais fácil e mais útil, informar-se so-
bre a análise lingüística moderna, manipulando línguas mais a-
fins com a sua. E se depois o professor de Lingüística ampliar
o quadro, dentro do quadro universal de outras famílias lingüís-
ticas, a formação do estudante de Letras ganhara muito com isso.
Ainda mais: precisamos formar bons pesquisadores em Português
(nós nem mesmo conhecemos a nossa atual realidade lingüística
brasileira!)e bons professores secundários do vernáculo. Não é
ensinando às novas gerações brasileiras a caduca e discutível
gramática normativa do Português (cuja autenticidade ninguém é
capaz de provar) que prestaremos serviços à comunidade em forma-
ção. O estudo da moderna Lingüística Românica poderia ajudar
muito na constituição de uma nova consciência lingüística, quer a
nossa meta seja a formação de professores secundários de lín-
guas latinas modernas, de Português particularmente, quer seja o
encaminhamento de jovens lingüistas para a tarefa gigantesca e
urgente de conhecer e analisar a realidade lingüística do Bra-sil
contemporâneo.
"Assim sendo, propomos que a matéria integrante
do currículo de Letras (mínimo ou pleno) seja Lingüística Români-
ca e não Filologia Românica . Talvez valesse a pena formar uma
comissão de lingüistas (da Lingüística Geral, da Lingüística
Portuguesa e da Lingüística Românica )para ser estudado um pro-
grama geral, a ser executado de maneira harmônica através do
país. Em Marília, costumamos discutir sempre os nossos programas
(os professores dessas três disciplinas) quando os elaboramos
para o ano seguinte".
Como se vê, a sugestão capital é que a Filologia
Românica seja substituída no currículo mínimo por Lingüística
Românica, surgindo em segundo plano a proposta de que as opções
sejam levadas a efeito no 4º ano.
Examinemos em primeiro lugar a substituição da
Filologia Românica por Lingüística Românica e comecemos pela
conceituação das duas disciplinas.
Entende-se por Filologia o estudo da língua na
literatura, e é nesse ponto precisamente que ela se extrema da
Lingüística, devendo ser assinalado, todavia, que em nossa lín-
gua a significação do termo pode ser mais ampla. É este o enten-
dimento que lhe dá o ilustre filólogo português Leite de Vascon-
cellos: "O estudo da nossa língua em toda a sua amplitude, e o
dos textos, em prosa e verso, que servem para a documentar".
A Filologia, ciência aplicada, consiste, pois,no
estudo científico de uma língua ou família de línguas por meio de
documentos, os quais são os textos, objeto da fixação, inter-
pretação e comentário. Para alcançar tais finalidades socorre-se
da Paleografia, da Arqueologia, da Numismática, da História, do
Folk-lore etc.
Cumpre ao filólogo tarefa extensa e dificultosa,
como seja verificar a época de um manuscrito, desvendar-lhe as
abreviaturas, que são sempre numerosas, apurar se teve em mãos
um autógrafo ou um apógrafo, verificar, no primeiro caso, se é
autêntico, no segundo se foi adulterado ou não; se se tratar do
exame de um impresso, o trabalho não será menos penoso, pois
corre ao filólogo o dever de indagar, entre várias edições,qual
a melhor ou, para usar o termo técnico apropriado, se uma edição
é princeps ou não, esclarecer o que o texto contém de dúbio,
obscuro e aparentemente ininteligível.
Já por Lingüística deve entender-se o estudo da
linguagem usada pelos homens, em suas manifestações como língua,
isto é, como sistema de sons vocais, meio pelo qual é usada a
linguagem, faculdade humana de expressão por meio desse sistema.
Seu objeto é a observação c interpretação dos fenômenos lingüís-
ticos, havendo uma Lingüística Especial - Lingüística Portuguesa,
por exemplo; Lingüística Comparativa - Lingüística Indo-Eu-
ropéia, por exemplo, e a Lingüística Geral, também denominada
Glossogia, Glotologia e Glótica. Quer como Lingüística Diacrô-
nica, que considera a linguagem historicamente, quer como Lin-
güística Sincrônica, que procede ao estudo descritivo de uma
língua, essa disciplina é bem diversa da Filologia em sua con-
ceituação e em seus objetivos.
Pode afirmar-se que a Lingüística tem por finali-
dade indicar os princípios ou tendências que regem a linguagem
humana em geral.
Assim, por exemplo, estabelece que os fenômenos
da semântica - alteração do significado das palavras ao longo do
tempo e tomada por ponto de partida a sua etimologia - cons-
tituem traço comum de todas as línguas.
Eis algumas definições das duas disciplinas, for-
muladas por especialistas modernos , entre os quais incluímos a
da insigne Professora Matilde Matarazzo Garginlo), da Faculdade
de Letras da UFRJ:
CONCEITO DE FILOLOGIA E LINGÜÍSTICA ROMÂNICA
1) Devoto, Giacomo: Dizionario delia Língua Italiana, Firen-
ze, Felice Le Monnier, 1971.
Filologia: (La) disciplina relativa alla ricostruzione ed
alla corretta interpretazione di documenti
litterari di un ambiente culturale definito:
Clássica-romanza-italiana ecc.
Lingüística: lo studio delle lingue nella loro storia, nel-
Lingüística: lo studio delle lingue nella loro storia, nel-
le loro strutture e nei loro rapporti con l
a
storia della cultura e le classi sociali.
(In Italia: Glottologia).
le loro strutture e nei loro rapporti con la storia
della cultura e le classi sociali.
(In Italia: Glottologia).
2) Bolelli; Tristano: Introduzione alla glottologla, Pisa, L.
Goliardica, 1961.
Lingüística: oggetto e studio di tutte le manifestazioni
del linguaggio, delle lingue in se stesse, nella
loro storia e nella loro diffusione geografica.
3) Migliorini, Bruno: Prontuario Etimologico della lingua I-
taliana, Paravia, 1969.
Filologia: studio delle letterature (amore delle lettere) .
4) E. B. Vidos: Manuale di Lingüística romanza. Firenze,
Olschki, ultima edizione dall'olandeso di G.
Francescato.
Lingüística romanza: (la) linguistica romanza include me
todìdi ricerca per i fenomeni linguistici:
fonetica, morfologia, sintassi.
5) Monteverdi, A: Manuale di avviamento agli studi romanzi,
Mllano, Casa ED. Francesco Vallardi, 1962.
Filologia romanza: e'la scienza che studia tutte le lin-
gue e le letterature romanze, in tutto il loro svol
gimento storico dalle più lontane origini sino ai
nostri giorni.
6) Tagliavini, Carlo: Le origini delle lingue neolatine, Bo-
logna, 1972.
Filologia romanza: lo studio delle lingue, letterature e
dialetti romanzi.
Em suma, Lingüística é a ciência da linguagem (em alemão :
Sprachwissenschaft).
Lingüística Românica estuda a evolução fonética, morfosin-
tática de uma ou várias línguas neolatinas
(ex.: o português, o italiano etc).
Filologia Românica é a ciência que estuda as línguas por
intermédio dos textos literários (especial-
mente arcaicos e medievais) e sua transmissão
através dos séculos.
Modernamente, ampliou seu campo de estudos
para a língua, os dialetos e todos os fenô-
menos de cultura de um povo ou de vários po-
vos por meio de textos escritos. É um estudo
sincrônico e diacrônico, em termos com-
parativos, auxiliado pela geolinguística,pe-
la Psicolingüística e pela sociolingüistica.
O simples confronto dessas definições revela, não
apenas a diferença entre as duas matérias e os seus respectivos
objetos, senão também a dificuldade muito maior que o ensino o a
aprendizagem da Filologia Românica implicam em comparação com a
Lingüística Românica.
Tal dificuldade origina-se indubitavelmente, do
conteúdo da primeira, que reclama o estudo da língua em toda a , sua
amplitude na literatura, isto é, pelos textos, em prosa e verso,
utilizados como elementos de documentação.
Ora, por um lado, estudo de tal natureza e vulto não
parece caber num currículo mínimo; por outro lado, raros ,
raríssimos serão os estudantes que se apresentem razoavelmente
aparelhados para enfrentá-lo; além disso, são ainda mais raros do
que os alunos os mestres de Filologia Românica existentes no Brasil
(na Faculdade de Letras da UFRJ há um titular e um as-sistente para
516 alunos) e, por fim, sao igualmente poucas as bibliotecas que
disponham do material para o estudo dos textos, freqüentemente
constantes de edições raras. Ressalve - de passagem -
que a biblioteca da Faculdade de Letras está entre as melhores, se não
for a melhor do país, pelo fato de haver incorporado a coleção
Trata-se, pois, simultaneamente de duas ordens de
dificuldades: didáticas, quer discentes, quer docentes, e mate-
riais, que em conjunto aconselham vivamente a substituição, no
currículo mínimo de Letras, da disciplina Filologia Românica
pela disciplina Lingüística Românica, a qual, pela sua con-
ceituação, natureza e objeto, pode figurar no currículo nomeado,
concorrendo poderosamente para a formação de bons professores de
Língua Portuguesa, ao passo que, ao menos por agora, não é
fácil a formação de professores de Filologia entre nós, que ê o
a que se destina um curso de Filologia Românica. De resto, o
ensino que dessa disciplina se vem ministrando em nosso País
mais não é, em verdade, do que Lingüística Românica Histórica.
Que se cuide de repor as cousas em seus exatos
termos e se restabeleça o real e factível em área de tamanha
significação e tantas repercussões práticas é, pois, natural,
desejável, imperioso.
O que se poderia fazer, sem prejuízo para o ensi-
no de Lingüística Românica e com geral vantagem para os
estudan-tes, é recomendar que se proceda a uma comparação das
estruturas de línguas românicas, - o próprio português, o
francês, o espanhol, o italiano - o que não requereria
conhecimento profun-do das línguas estrangeiras, mas apenas
informações sobre suas estruturas, nem tampouco estudo profundo
dos textos, como ocorre no estudo da Filologia Românica.
A posição do professor seria, nesse caso, a do lin-
guista, que compara a estrutura de línguas exóticas, as quais
não pode conhecer com profundidade, e não a posição do filólogo.
Demais disso, a Lingüística Românica abre oportu-
nidade a cuidadoso estudo da diacronia da nossa língua.
Apesar das razões apresentadas pela Faculdade de
Filosofia,Ciências e Letras de Marília, não se nos afigura con-
veniente a inclusão de Teoria da Literatura no currículo mínimo,
pois esse currículo, pela sua mesma natureza, não deve ser so-
brecarregado; além disso a sugestão de ensinar Literatura Com-
parada como parte da Teoria da Literatura levaria facilmente a
uma espécie de história das literaturas e comprometeria, sem dú-
vida, a aquisição dos conhecimentos técnicos indispensáveis à
critica literária. Assinale-se que até o começo deste século a
Filologia se denominava Ciência das Literaturas Comparadas.
Para obviar ao inconveniente apontado na judicio-
s
a
exposição da ilustre Professora Maria Tereza Camargo Biderman,
que aponta o perigo de limitar ao estudante os seus conhecimentos
à Literatura Brasileira e à Literatura Portuguesa, deixando de
lado as grandes obras de caráter universal, poderiam os profes-
sores recomendar a leitura, por eles orientada, de livros essen-
ciais, na língua estrangeira que irão lecionar. Aliás, quem es-
colhe um curso de letras por gosto real jamais deixa de ler au
tores estrangeiros de importância; o comum até está em com e-
l
es
travar relações antes de ingressar no curso. O perigo não é tão
grave como parece prima facie.
Finalmente, por várias razões de ordem prática in-
dicadas no processo - insuficiente número de salas, de laborató-
rios, de professores e outras mais, que não ocorrem na Faculda
d
e
de Filosofia, Ciências e Letras de Marília, mas aparecem em
muitas outras instituições (por exemplo - a Faculdade de Letras
da UFMG), tais como incompatibilidade de horários, opções ofere-
cidas apenas em matérias que não se conjugam com as já estuda-
das, turmas excessivamente grandes ou excessivamente pequenas -
parece-nos conveniente que se permita a opção no 4º ano, proce-
dendo-se como propõe a primeira das institu
i
ções citadas, isto
é, "prescrever o currículo pleno do 1º ano ao 3º, conforme o a-
luno escolha a área das Vernáculas e Inglês, Francês ou Alemão,
e deixar-lhe possibilidade de opção no 4º ano, quando escolhe
duas matérias livremente, dentro e fora da Seção de Letras, des_
de que preencha os requisitos exigidos pelas cadeiras responsá-
veis por aquelas disciplinas". Acrescente se que o mesmo se
É muito desejável que, ao estudar assunto de tal
relevância, este Conselho reestude a questão do mínimo de horas-
aula total do curso para,o efeito de fixar o mínimo de horas de-
dicadas à disciplina que o aluno irá lecionar.
Para obviar ao inconveniente apontado na judicio-sa exposição da
ilustre Professora Maria Tereza Camargo Biderman, que aponta o
perigo de limitar ao estudante os seus conhecimentos ã Literatura
Brasileira e ã Literatura Portuguesa, deixando de lado as grandes
obras de caráter universal, poderiam os professores recomendar a
leitura, por eles orientada, de livros essen-ciais, na língua
estrangeira que irão lecionar. Aliás, quem es-colhe um curso de
letras por gosto real jamais deixa de ler au-tores estrangeiros
de importância; o comum até está em com e-les travar relações
antes de ingressar no curso. O perigo não é tão grave como parece
prima facie. Finalmente, por várias razões de ordem
prática indicadas no processo - insuficiente número de salas, de
laboratórios, de professores e outras mais, que não ocorrem na
Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Marília, mas
aparecem em muitas outras instituições (por exemplo - a Faculdade
de Letras da UFMG), tais como incompatibilidade de horários,
opções oferecidas apenas em matérias que não se conjugam com as
já estudadas, turmas excessivamente grandes ou excessivamente
pequenas -parece-nos conveniente que se permita a opção no 4º
ano, procedendo-se como propõe a primeira das instituições
citadas, isto é,"prescrever o currículo pleno do 1º ano ao 3º,
conforme o a-luno escolha a área das Vernáculas e Inglês, Francês
ou Alemão, e deixar-lhe possibilidade de opção no 4º ano, quando
escolhe duas matérias livremente, dentro e fora da Seção de
Letras, des_ de que preencha os requisitos exigidos pelas
cadeiras responsáveis por aquelas disciplinas". Acrescente-se que o
mesmo se aplica às demais línguas românicas. É muito desejável
que, ao estudar assunto de tal
No momento, quem se prepara a fim de ensinar Português e
mais uma língua estrangeira é obrigado ao mesmo número de
horas-2200-que alguém que pretenda ensinar apenas
Português e Literaturas Vernáculas. Isso quer dizer que se
exige menos tempo de estudo da nossa lin gua do estudante
que pretenda ensiná-la e também ensinar uma lingua
estrangeira, isto ê, 2200 horas nos dois casos. Por outras
palavras : o chamado diploma duplo exige o mesmo tempo de
estudo que o diploma que habilita para o ensino de
Português apenas.
A providência apontada encerra mais do que a
evidente virtude de melhorar a preparação do professor; evitará
a distribuição do total de horas de acordo com interesses que
raramente coincidem com os do ensino: política interna dos
estabelecimentos, atribuição de trabalho a professores que, sem
isso, perderiam o regime de 40 horas e, pois, parte dos
vencimentos, estudo de disciplinas dispensáveis im-posto apenas
em razão de haver professores disponíveis, etc.
II - VOTO DO RELATOR
Em face do exposto é nossa opinião que:
a) a disciplina Filologia Românica deve, no currículo mí-
nimo de Letras, ser substituída pela disciplina Linguistica Românica;
b) os estudos de Língua Portuguesa compreenderão a Gra-
mática Histórica, a História da Lingua, a Semantica e a Lexicografia;
c) uma comparação das estruturas das Línguas Românicas é
recomendável;
d) a leitura orientada de grandes obras de caráter uni-
versal é indispensável;
e) a opção a que têm direito os estudantes poderá ser
feita nos últimos semestres desde que satisfaçam as exigências
estabelecidas para a lingua e as literaturas vernáculas e para a
língua francesa, a italiana, a espanhola, a inglesa, a alemã, etc. e
as respectivas lite-raturas;
f) o mínimo de horas-aulas consagradas ao estudo da Língua
Portuguesa e Literatura Vernáculas deve ser o consignado para a
licenciatura nessa matéria, ficando o estudante, se quiser combinar o
diploma que o habilite a lecionar Lingua Portuguesa com o de
habilitação para lecionar uma língua estrangeira, obrigado a mais 780
horas de estudo de Língua Portuguesa ou, melhor, a mais um ano de es-
tudo para a integralização do currículo.
III - CONCLUSÃO
Sala das Sessões, em 02 de junho de 1982.
Presidente:
Relator:
Livros Grátis
( http://www.livrosgratis.com.br )
Milhares de Livros para Download:
Baixar livros de Administração
Baixar livros de Agronomia
Baixar livros de Arquitetura
Baixar livros de Artes
Baixar livros de Astronomia
Baixar livros de Biologia Geral
Baixar livros de Ciência da Computação
Baixar livros de Ciência da Informação
Baixar livros de Ciência Política
Baixar livros de Ciências da Saúde
Baixar livros de Comunicação
Baixar livros do Conselho Nacional de Educação - CNE
Baixar livros de Defesa civil
Baixar livros de Direito
Baixar livros de Direitos humanos
Baixar livros de Economia
Baixar livros de Economia Doméstica
Baixar livros de Educação
Baixar livros de Educação - Trânsito
Baixar livros de Educação Física
Baixar livros de Engenharia Aeroespacial
Baixar livros de Farmácia
Baixar livros de Filosofia
Baixar livros de Física
Baixar livros de Geociências
Baixar livros de Geografia
Baixar livros de História
Baixar livros de Línguas
Baixar livros de Literatura
Baixar livros de Literatura de Cordel
Baixar livros de Literatura Infantil
Baixar livros de Matemática
Baixar livros de Medicina
Baixar livros de Medicina Veterinária
Baixar livros de Meio Ambiente
Baixar livros de Meteorologia
Baixar Monografias e TCC
Baixar livros Multidisciplinar
Baixar livros de Música
Baixar livros de Psicologia
Baixar livros de Química
Baixar livros de Saúde Coletiva
Baixar livros de Serviço Social
Baixar livros de Sociologia
Baixar livros de Teologia
Baixar livros de Trabalho
Baixar livros de Turismo