
a) No estudo de uma língua estrangeira não se busca apenas adquirir a
habilidade de lê-la, entendê-la e falá-la, isto é, não se visa apenas
instrumentalizar o educando com o domínio de um segundo idioma, mas se
visa, ao mesmo tempo, inseri-lo rio espírito de toda uma civilização, de
que a língua ê apenas a face exterior e comunicativa. E nesse ponto, a
civilização francesa, ademais da própria riqueza intrínseca. que
apresenta, como uma das maiores contribuições culturais feita ao mundo
latino e ocidental, tem, para com o Brasil, um grau de afinidade
realmente excepcional. Porque se, historicamente, como disse Capistrano
de Abreu, os jesuítas civilizaram o processo colonial português, foi com
a chegada e a adoção da cultura francesa, que as elites brasileiras,
sobretudo no século 19, aceleraram o seu desenvolvimento artístico e
intelectual. A Missão Francesa de D. João VI, os viajantes franceses
(cientistas, escritores e artistas) que percorreram e, por palavras e
imagens, descreveram o Brasil, o condoreirismo hugueano da poesia
romântica, o pensamento conteano que fez a Republica, a criação das
academias de letras e a edificação dos grandes teatros de opera, ao
modelo francês, as influências napoleônicas na organização universitária
e na codificação do direito civil, as missões militares, a própria
formação da Universidade de São Paulo, com sua primeira geração de
mestres gauleses, e tantos outros exemplos, dizem alto da presença e da
integração dessa civilização em face da nossa. Gerações inteiras de
brasileiros se beneficiaram, através dessa proximidade, das virtudes da
famosa clarté, quer no pensar, quer no expressar o pensamento.
E até hoje França e Brasil, apesar da engraçada guerra das lagostas e de
uma frase mal humorada de De Gaulle, continuam irmanados numa crescente
e promissora-cooperação científica, tecnológica, comercial e intelectual,
de que diariamente temos notícia, pelos tratados governamentais assinados
pela voz das agências internacionais de
b) Uma segunda e forte razão estaria no próprio processo de aprendizagem,
dadas as afinidades de origem entre as línguas portuguesa e francesa. A
mesma e já referida Maria Junqueira Schmidt dá notícia das pesquisas
levadas a cabo pelo Prof. George Rice, da Universidade da Califórnia,
sobre o estudo comparativo da aprendizagem de duas ou mais línguas
estrangeiras em escolas secundarias, as quais concluem pela maior
facilidade de transfer no domínio da segunda pelo que já se sabe da
primeira. E conclue sua observação, dizendo: "Bem avisado andou o