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I - RELATÓRIO
23001.002222/90
-
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4
ZILMA GOMES PARENTE DE BARROS
E
xperiência
P
edagógica
FUNDAÇÃO UNIVERSIDADE DE
T
OCANTINS
A Reitora da Universidade Tocantis submete a
este Colegiado consulta referente ã experiência pedagógica
que a U n iversidade deseja por em ação.
0 fundamento da proposta é que, em virtude de
inúmeros fatores sócio-economicos e c u l t u r a i s que têem i m pedido
o desenvolvimento do ensino de 1º e 2º graus de boa qualidade,
grande parte da população brasileira não tem acesso ao
conhecimento considerado como m í nimo indispensável a
qualquer ser huma no, e m u i t o mais o de responder ãs
exigências do ensino superior.
Esta realidade se reflete num antagonismo: a
existência de vagas ociosas na Universidade, quando o
desafio que se impõe, é aumentar a capacidade da
U niv e r si d ad e , a fim de que possa atender ã demanda.
Sabe-se mesmo que as Universidades que u t i l i z a m
o concurso vestibular tradicional recebem em seus cursos
alunos despreparados e que em m u i t a s áreas a questão da
ociosidade de vagas não ocorre somente no vestibular, mas
é recriada dentro da própria Universidade por evasão ou
repetência.
Trata-se portanto de encontrar uma solução que
pos sa reverter o quadro atual do ingresso e da permancia
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O que a UNITINS propê, como experiência a ser testada
e avaliada, ê a realização de um concurso vestibular capaz de
oferecer a todos os candidatos iguais oportunidades de ingresso
no ensino superior e o desenvolvimento, durante o 1º ano, de um
Ciclo Básico com o objetivo de dar ao aluno oportunidades para
superar suas defic i ê n c ias acadêmicas, sob pena de ser eliminado/
caso não demonstre ca pacidade intelectual e interesse de
prosseguir o seu curso. Em contrapartida, a Universidade deverá
oferecer todas as condições para que isso ocorra.
A se1eção proposta se faria mediante a n álise do
histórico escolar do candidato, referente ãs 04 (quatro) últimas
séries do Ensino Fundamental e das 3 (três) séries do Ensino
Médio, observandos os seguintes critérios:
1. nos cursos em que o total de candidatos inscritos
for inferior ou igual ao numero total de vagas, o ingresso será
automático ;
2. nos cursos em que o total de candidatos inscritos
for superior ao número de vagas, haverá análise do histórico
escolar do candidato, considerando-se o seu aproveitamento pela
ordem decrescente dos pontos obtidos, até o limite das vagas
oferecidas.
No caso de ocorrência de empate na classificação, a deci
são será tomada mediante escolha do candidato que tenha maior média
em Língua Portuguesa e, persistindo o empate, a vaga será do
candidato mais idoso.
Caso ocorram vagas ociosas após fe i t o o concurso
vestibular, far-se-á o preenchimento mediante a adoção dos
seguintes critérios:
a) haverá uma segunda chamada aos candidatos
i n s c r i to s e que não foram classificados pelo concurso
vestibular, para concorrerem em suas respectivas áreas de
inscrição, aos cursos que registrarem vagas não preenchidas;
b) persistindo; ainda a existência de vagas ociosas
poderão elas ser preenchidas por portadores de diplomas de cursos supe-
riores, observados os critérios de afinidade do curso realizado
com o curso pretendido e a ordem numérica de inscrição.
Recebido na CESU o processo foi encaminhado à CLN para
que esta Câmara se manifestasse preliminarmente sobre um eventual
impedimento legal.
A CLN manifestou-se favoravelmente à apreciação da propo
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ta pelo Conselho, com base no art. 104 da Lei 4.024 de 20/12/61 que
dispõe:
"Art. 104: será permitida a organização de cursos ou
es colas experimentais, com currículos, métodos e períodos escolares
pro prios, dependendo o seu funcionamento, para fins de validade
legal, da autorização do Conselho Estadual de Educação, quando se
tratar de cursos primários e médios, e do Conselho Federal de
Educação, quando de cursos superiores ou de estabelecimentos de
ensino primário e médio sob a jurisdição de Governo Federal.
0 processo voltou à CESU, para "o exame dos
fundamentos e méritos da proposta de sua relevância para a
possível abertura de novas perspectivas ao ensino superior.
Diante da conclusão da CLN a mara de Ensino
Superior, em parecer preliminar, considerou viável a análise de
propostas alternativas de seleção de candidatos ao ingresso nos
cursos de gradua ção da Fundação Universidade de Tocantins,
devendo a interessada en viar a este Conselho o projeto detalhado
de sua proposta experimental para o Parecer conclusivo.
Volta agora a Instituição a este Conselho, com uma
expo sição detalhada do que chama "Modelo Experimental do Concurso
Vestibular e do Ciclo Básico da Unitins.
A análise da proposta requer observação especial dos
se guintes aspectos:
objetivo do ciclo básico; componentes do
currículo mecanismos de acompanhamento? controle e
avaliação.
0 Ciclo Básico i n s tituído na UNITINS tem como
objetivo principal dar oportunidades aos estudantes para
superarem as deficiências que trazem de sua formação acadêmica
anterior, colocando-os em condições de prosseguirem o seu curso com
melhor desempenho.
0 currículo do Ciclo Básico compõe-se das seguintes
dis cip1inas:
1. Disciplinas obrigatórias para todos os cursos:
1.1. Português
1.2. Matematica
2. Disciplinas obrigatórias para os cursos de uma
mesma rea:
2.1. Ci ê ncias Humanas
2.1.1. Introdução a Filosofia
2.1.2. Psico1ogia Geral
2.2. Ciências Biológicas e de Saúde:
2.2.1. Química Geral e Orgânica 2i2.2.
Histologia e Embriologia
2.3. Ciências Exatas e Tecnologia
2.3.1. Introdução ã Computação
2.3.2. Geometria Analítica e Álgebra Linear
3 . Disciplinas obrigatórias relacionadas com o curso de
opção do aluno
4. 0 ciclo básico será ainda complementado por até 2 dis
ciplinas relacionadas com cada curso ministrado pela UNITINS com o
objetivo de dar ao aluno condições de desenvolver estudos relacionados
a sua opção e, ao mesmo tempo, oportunizar-lhe a auto avaliação, como
forma de validar ou não sua escolha.
A carga horária prevista para o Ciclo Básico será de no
mínimo, 800 h/a anuais, excluindo-se a disciplina Educação Física.
Os objetivos específicos de cada disciplina e suas res-
pectivas ementas constituem o Anexo I deste Parecer.
. DOS MECANISMOS DE ACOMPANHAMENTO, CONTROLE E AVALIAÇÃO
1. DA APROVAÇÃO DO ALUNO
Os alunos deverão conseguir aprovação em todas as disci-
plinas do Ciclo Básico, realizadas durante o 1º ano, para terem acesso]
ao 2? ano de seu respectivo Curso.
Caso o aluno não obtenha êxito no 1º ano em todas as dis-
ciplinas, será concedida a ele, no ano subsquente, uma nova oportunida
de para concluir o seu Ciclo Básico.
No caso de reprovação continuada por dois anos em d i s c i -
plinas do Ciclo Básico, o aluno será jubilado.
2. PROCEDIMENTOS
2.1. Desempenho do aluno
0 desempenho do aluno será objeto de acompanhamento e ava
liação durante todo o período utilizando-se, para tanto, as técnicas d
avaliação formativa e avaliação somativa.
Para a avaliação formativa serio aplicados, permanentemen
te, questionários, entrevistas, análise de trabalhos acadêmicos, testes
dentre outros recursos, cujos dados serão registrados numa ficha indivi
dual de progresso do aluno.
A avaliação somativa será realizada em períodos bimestrais
estabelecidas pelo Calendário Escolar, quando se fará o registro do re-
sultado quantitativo obtido pelo aluno, segundo uma escala de valoração
definida pelo Regimento da UNITINS.
A avaliação somativa para efeito de aprovação final incidi
rá sobre o desempenho global do aluno, de acordo com os c r itérios fixados
também pelo Regimento.
2.2. Suporte Técnico/Responsabilidade
2.2.1. Avaliação do aluno feita pelo professor responsável
pela disciplina
2.2.2. Avaliação conjunta do aluno realizada por todos os
professores do Ciclo Básico.
2.2.3. Avaliação do desempenho do Professor (levantamento
de dados junto aos alunos através de questionário aplicado pelo professor
e análise dos resultados em conjunto com os demais professores do
Ciclo Básico, à fim de corrigir as possíveis falhas do planejamento do
ensino, como: superposição de conteúdos, distanciamento dos objetivos,
dificuldades pedagógicas, entre outros.
2.2.4. Orientação sistemática prestada pelo professor ao a-
luno que prestar dificuldades de acompanhamento do curso.
Cada professor terá sob a sua responsabilidade o acompanha-
mento de 05 a 07 alunos, de modo que possa prestar, individualmente ou
em pequenos grupos, orientação acadêmica em conformidade com as d i ficul-
dades diagnosticadas.
2.2.5. Apresentação de relatório final das atividades exer
cidas pelo professor, a fim de subsidiar a análise global dos resultados
e propiciar futuras pesquisas sobre a experiência.
DO PRAZO DE DURAÇÃO
A experiência será realizada no prazo máximo de 04 (quatro)
anos .
A correção das possíveis falhas demonstradas pelo processo de
avaliação será feita a cada ano, a fim de aperfeiçoar o modelo face aos
objetivos propostos.
A proposta prevê ainda formas de avaliação permanente de experiência em cada etapa de seu
processamento Assim, uma Comissão Especial Permanente do Concurso Vestibular devera apresentar relatório dos
resultados relativos ao desenvolvimento do processo.
O controle de qualidade do Ciclo Básico será realizado, mediante avaliação qualitativa do
progresso do aluno
II - VOTO DA RELATORA
1. Considerando-se que se trata de uma Universidade recim-cria da, com um papel
relevante na formação dos recursos humanos necessários ao desenvolvimento do Estado de Tocantins,
também recém-criado, numa região de poucos recursos;
2. Considerando-se ainda que a proposta é boa no que diz respei to aos seus objetivos,
planejamento curricular e mecanismos de controle
e avaliação da experiência;
3. Considerando que examinada pela Câmara especializada, a pro posta não apresenta
impedimento legal;
4. Considerando, finalmente, que a UNITINS so estará oferecendo em 1991 um novo curso
- Licenciatura em Pedagogia;
Voto no sentido de que a experiência proposta seja aprovada inicialmente, para a sua
aplicação por um ano letivo, ao longo do qual a Universidade avaliara o processo, enviando a este
Conselho os relatórios de acompanhamento e avaliação a partir dos quais poderá vir a ser solicitada a sua
extensão a outros cursos.
III - CONCLUSÃO DA CÂMARA
A Câmara de Ensino Superior acompanha o voto da Relatora
Sala das Sessões, em 11 de outubro de 1990.
ANEXO I
1. Disciplinas obrigatórias para todos os cursos:
1.1. Português
Objetivos:
A Função do estudo do Português no Ciclo Básico será a de
criar condições ao aluno para um permanente trabalho criativo, que possa
desenvolver-lhe suas potencialidades para o exercício das reflexões, abstração,
analise e síntese - num processo de descober ta da Língua como instrumento da
atividade de pensar e instrumento da atividade de expressão.
EMENTA: Pratica de leitura e produção de textos dissertativos ou ensaísticos.
Os vários níveis de leitura. Exploração de correção linguística, processos
lógicos e relacionais. 0 sistema nominal, o sintagma preposicional e sintagma
verbal estudos a partir de textos elaborados pelos alunos. Análise de textos
literários.
1.2. Matemática
Objetivos:
0 conteúdo a ser ensinado em Matemática deverá ser um veículo
para o desenvolvimento de ideias fundamentais, conveniente_ mente articuladas,
tendo em vista as grandes metas que são a instru mentação para a vida e o
desenvolvimento do raciocínio, no caminho nara a construção de uma autonomia
intelectual.
EMENTA: Aprofundamento de conteúdo aplicados no ensino de 2º grau. A Matemática
como forma expressiva e sua evolução dentro de uma cul tura histórica. Teoria dos
conjuntos. Relações e Funções. Logaritmo, função exponencial. Matrizes e
Determinantes. Solução de sistemas de equações lineares. Sequencias. Progressões
aritmética
2.1. Ciências Humanas
2.1.1. Introdução à Filosofia
0 curso visa basicamente colocar para o aluno do Ci clo Básico, as
questões gerais como os quais se ve envolvida a Filosofia, de modo claro e sistemático,
a partir da indagação do que e a Propria Filosofia e progressivamente abordar os temas
princi pais da disciplina, inclusive noções elementaresda lógica moderna. EMENTA:
Evolução do pensamento filosófico. Abordagem de temas ge rais da metafísica. 0 ato de
pensar. Percepção, juízo e raciocínio. Indução e Dedução. A formalização do Pensamento.
Lógica simbólica, funções, quantificação, verdade lógica. Modelo e Métodos.
2.1.2. Psicologia Geral
A disciplina Psicologia Geral e incluída no Ciclo Ba. sico em razão de
sua importância na compreensão do ser humano em seus aspectos emocionais, cognitivos,
psicomotores e sociais.
Seu estudo possibilita a aquisição de conhecimentos sobre o homem, sua
natureza e suas motivações subjetivas num trí plice aspecto: o do auto-conhecimento do
indivíduo: o da melhoria de suas relações interpessoais; e o da sua inserção na vida
social. EMENTA: 0 surgimento da Psicologia. A Psicologia como Ciência: seu objeto de
estudo e sua metodologia. Princípios releventes do com portamento social. Princípios
gerais do desenvolvimento e aprendi zagem humanas.
2.2. Ciências Biológicas e da Saúde
2.2.1. Química Geral e Orgânica
Objetivo:
A disciplina Química Geral e Orgânica ocupa-se de assuntos básicos e
comuns à todos os cursos do Centro de Ciências Biológicas e da Saúde, o que por si so
justifica a relevância dada a ela, com sua inclusão no Ciclo Básico da área biológica e
prê-re quisito para acesso aos anos profissionalizantes dos cursos. EMENTA:
Classificação periódica dos elementos. Reações Químicas. Oxi-redução. Equivalentes
Químicos. Eletroquímica. concentração hi drogemônica. Compostos de Coordenação de íons
complexos. Termoquí mica. Conceito e importância da Química Orgânica. Compostos orgâ
nicos naturais. Síntese total e parcial. Azo e Diazo compostos. Co rantes e
substancias coradas. Compostos heterocíclicos. Éteres e lípidos. Aminoácidos
e proteínas. Glucídèos.
2.2.2. Histologia e Embriologia
Objetivos
Com esta disciplina pretende-se, também, ultrapassar as linhas
gerais, que o estudante já conheceu na Biologia ministra da no 2? grau,
revisando-as para iniciar o aprofundamento dos co nhecimentos sobre as células,
os tecidos e a formação embrionária , as quais somadas aos conhecimentos
anatómicos, formam a base e o sustentáculo necessário ã compreensão dos
fenômenos e dos mecanis mos fisiológicos, bioquímicos, farmacológicos,
patológicas, ocor rentes nos seres vivos.
EMENTA: Citologia Geral. Estudo dos tecidos. Estudo da histologia sistémica.
Embriologia geral e especial.
2.3. Ciências Exatas e Computação
2.3.1. Introdução a Computação
Objetivo
A escolha da disciplina Introdução à Computação no Ciclo
Básico da área de Ciências Exatas e Tecnologia visa introdu zir o aluno
universitário no mundo da computação, de modo que pos sa compreender sua
linguagem e seus modos operacionais. Com os conhecimentos básicos alcançados,
o aluno será capaz de fazer do computador um instrumento auxiliar de seus
estudos e de suas pesqui sas futuras.
EMENTA: Evolução da Ciência da Computação. Ambiente computacional. Estrutura Geral
do Computador. Fluxo de Dados. Software. Aplicações do Computador. Sisitemas de
Numeração e Representação de Dados. Con ceitos de Sistemas Operacionais.
Algarítmos. Introdução ã Progra mação em Linguagem de alto nível.
2.3.2. Geometria Analítica e Álgebra Linear
A disciplina Geometria Analítica e Álgebra Linear e importante
no Ciclo Básico, porque os seus conteúdos constituem a base para o estudo de
várias disciplinas dos cursos da área de Ciências Exatas e Tecnologia, pela sua
presença na maioria dos cur rículos dos cursos.
E importante nessa fase, que o aluno compreenda as leis básicas do
calculo vetorial clássico e a geometria analítica em suas dimensões. 0 avanço da
disciplina.deve levar em conta que os conceitos abstratos nem sempre são
assimilados completamente em estudos anteriores. Alguns deles estarão sendo
retomados, em paralelo, na disciplina Matemática.
EMENTA: Plano. Cênicas. Espaço. Quadráticos. Sistemas Lineares e Ma trizes.
Espaços Vetoriais. Base e Dimensão. Transformações Lineares e Matrizes de
Transformações Lineares. Autovalores e Autovetores.
IV - DECISÃO DE PLENÁRIO
O Plenário do Conselho Federal de Educação aprovou, com abstenção
dos Consº Ib Gatto Falção, Manoel Gonçalves Ferreira Filho, Pe Amaral Rosa
E Yugo Okida.
Sala Barreto Filho, em 11 de 10 de 1990.
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