
"Tal argumentação encerra, pelo menos, três equívocos:
1º) as necessidades, atuais e futuras, de médicos no local em que se
vai situar uma escola náo precisam ser consideradas no momento de decidir
quanto ã oportunidade de criação dessa escola;
2º) a escola médica não p recisa estar articulada programática
mente com os serviços de saúde locais, e não tem compromisso com a comu
n i d a d e a que deve servir;
3º) cabe ã escola médica a responsabilidade pelos c i c l o s básico
e clínido do curso de graduação, sendo o estágio curricular da competên
cia dos serviços de saúde.
0 curso de graduação em medicina é peça inteiriça, de responsa
bilidade intransferível da escola médica, cujo, razão maior de sua cria ção, a
obriga a planejar e executar todo o programa de formação médica de acordo
com as necessidades de saúde e o perfil de morbimorta1idade população a que
deve prestar serviço.
A desinformação quanto a conceitos e diretrizes norteadoras da
formação dos médicos, acrescidas, lamentavelmente, da precária supervisão
dos órgãos competentes, explica a existência de escolas com número
excessivo de alunos; cursos teóricos; professores, em elevado percentual ,
fora do local em que ficam tais escolas, e com regimes de trabalho
incompatíveis com a prestação de serviços assistenciais; e internos dis
t r i b u i d o s por dezenas de hospitais, desvinculados dos propósitos da es-
cola.
A questão não é nova. Já em 1979, o então Secretário da Educa-ção
Superior, dirigiu ofício ãs instituições educacionais, recomendando
"evitar deslocamento de alunos para outras cidades do país, devendo o
internato ser realizado onde a escola, ou o curso, sob íntima superisão de
sua administração.
A reiteração de uma argumentação falaciosa, utilizada pela Fa-
culdade de Medicina de Vassouras, desta vez colocada por ingénuos estu-
dantes, não tem, como se viu, a menor fundamentação didático-pedagócia. A
orientação didática e a supervisão permanente e contínua a que devem
estar subordinados os alunos, sao obrigações do corpo docente da escola. A
manutenção permanente, em São Paulo, de um grupo de médicos, ainda que ex-
alunos de Vassouras, para acompanhamento e fiscalização do intrnato nos
hospitais convêniados os não muda a situação. Pode até piorala. Como se
sabe, a Facuídade de Medicina de Vassouras insiste em manter um alunado
quantitativamente superior ã sua real capacidade didática; é a ú n i c a
escola médica no país que abriga um curso em cinco anos; anos estes que, na
prática, se reduzem a quatro, quando a escola permi-