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A criação da nova habilitação no Rio de Janeiro é consi-
derada de grande interesse social pela ABRABI - Associação das
Empresas de Biotecnologia, - que congrega as empresas de bio-
tecnologia de âmbito nacional, participa da organização do
BI0-RI0/P0L0 de BIOTECNOLOGIA do Rio de Janeiro, juntamente
com a Universidade Federal do Rio de Janeiro, a Fundação Ins-
tituto Oswaldo Cruz, Prefeitura Municipal e O Ministério de
Ciência e Tecnologia. Prevê a ABRABI uma crescente demanda de
Técnicos por parte dessas empresas,estimando que poderá ir
além de 400 as ofertas de emprego, nos próximos anos, pois
A Secretaria de Ensino de 2º grau do Ministério da Educa_
ção encaminha a este Conselho o processo relativo ao pedido de
autorização, feito pela Escola Técnica Federal, RJ para im
plantar,no seu Curso,a Habilitação em Técnico de Biotecnolo -
gia. A razão do encaminhamento a este Conselho é o disposto no
art. 5º, letra c, da Lei 7.044/82 que determina: " para oferta
da habilitação profissional são exigidos mínimos de conteúdo e
duração a serem fixadas pelo Conselho Federal de Educação ".
Para a habilitação desejada não há currículo mínimo e duração
determinada.
D
om Lourenço de Almeida Prado
CRIAÇÃO DE HABILITAÇÃO EM BIOTECNOLOGIA (2
º
GRAU)
SECRETARIA DE ENSINO DE 2ºGRAU/MEC - ESCOLA FEDERAL DE
QUIMICA - RJ
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esse técnicos virão a atender a uma área que não ê bem atendida
pelos Técnicos de Química ou de Tecnologia de Alimentos.
Há realmente um acelerado desenvolvimento' da pesquisa apli-
cada. ã indústria na área da biotecnologia, em setores como indús
tria farmacêutica, alimentícia e química fina, que é de conheci-
mento de todos. E tão rápido é o desenvolvimento, tão larga é a
expansão de sua área de atendimento, com o surgimento de novas
aplicações concretas, que não será fácil definir o perfil de um
curso único mesmo de nível médio adequado a todas as especificações. Ê
um terreno ainda efervecente, sem uma tradição de ensino que
ajude a dar aos nomes das disciplinas e atividades um sentido
preciso, sobretudo no que se refere ã"sua dosagem adequada ao ní_
vel do curso. O mesmo nome significará medidas diferentes para
nível médio e nível superior. Daí a dificuldade para que se de-
fina um currículo mínimo capaz de caracterizar o curso, sem ser
nem omisso, nem opressivo.
Para que possa fazer uma idéia do que começa a ser solicita do da
escola e tende a ser, cada vez mais intensamente a ,ela con fiado e
dela esperado em aquisição de conhecimentos, habilidades e técnicas
para atender a essa área de atividades, tão antiga como prática
empírica, e tão nova, mais que nova, tão revolucionária, como
formação escolar, revolucionando grandes setores da indústria, da
medicina, da agricultura e da alimentação, basta perpassar, ainda
que somente com a ponta dos dedos, as páginas do número especial da
revista "La Recherche", sobre o futuro das biotecnologias (La
Recherche Special, L'Avenir de Biotechnologies, mai 1987 ). São 14
artigos que apresentam um balanço dos cami nhos que se vão abrindo
e alargando.
No centro de tudo está a Engenharia Genética, que, como diz
um dos articulistas (Julian Davies) "não é uma ciência, mas uma
reunião ou conjunto de técnicas para isolar e modificar genes" .
E, portanto, uma intervenção direta no núcleo fundamental do ser
vivo, isto é, no seu material genético, abrindo a possibilidade
de que se obtenham organismos vivos adantados às necessidades hu-
manas ou, aí o seu risco - ao que se presume ser necessidade hu-
mana. Como aconteceu - ou está acontecendo - com a indiscreta
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entrada da mão humana na atimidade do átomo, que Walter Disney , num
belo livro sobre "0 nosso amigo, o Átomo", compara com propriedade,à
história daquele pescador que, imprudente ou inadverti_ damente,
liberou, do pequeno vaso precioso, que recolhei em sua rede o gênio
que ali fora aprisionado, há milénios, e que,'uma vez liberto,
escapava ao controle e ameaçava matá-lo, (e hoje estamos vendo que
mesmo os átomos para a paz nem sempre são verdadeiramen_ re
pacificantes), assim também esta entrada, talvez ainda menos
discreta, da inteligência e do agir humano no que alguém qualificou
de invasão dos segredos de Deus, levantou e ainda levanta não
pequenos e bastante justificadas inquietações. Um novo génio meio
incontrolável é liberado de sua prisão milenar, a menos que acre-
ditemos, como se vai acreditando, que a" "necessidade e o acaso" já
realizaram, na longa história de vida sobre o planeta, todas as
combinações ou recombinações com força interior de permanência que
sao possíveis. Certo e que o susto e a apreensão eram gran -des
entre os cientistas e pesquisadores, há alguns lustres atrás, quando
num congresso, creio eu que em Palomar, na Califórnia, qui-seram
impor - de cientistas para cientistas - ã comunidade cientí-fica uma
espécie de censura ou de limites para a liberdade de pes_ quisar no
terreno genético, receiosos de que a manipulação imprudente, num
laboratório que não precisa de grandes equipamentos , resultasse,
sem o querer, numa variedade patogênica de bactéria , que se
disseminaria, sem que ninguém pudesse sustar a sua difusão.
Hoje há mais tranquilidade e, com razão, muita esperança. A
medicina tem diante de si, como mostra esse número especial de "La
Recherche", a perspectiva de novos caminhos biológicos de
diagnósticos, novas possibilidades de tratamentos ou de retifica-
ção de doenças genéticas (como é exemplo a manipulação genética de
bactérias que permitem a produção industrial do hormonio de
crescimento), novos tipos de vacina ou, antes, chegar ã "vacina -
ção sem vacina", isto é, por uma atuação direta no sistema imuni-
tário.
Mas não é só no terreno da medicina. O artigo sobre "A Bio
tecnologia dos aditivos alimentares", de Pernette Langley-Danysz,
faz pensar numa estranha cozinha para o futuro. Na fatigante e
asfixiante área da mineração, há esperança de que uma bactéria ve-
nha ajudar os homens a extrair e purificar metais. Os perfumis -
tas nao precisarão mais esperar que as plantas cresçam, produzam suas
flores perfumadas de onde possam tirar as preciosas essências, pois
os laboratórios cultivarão as células responsáveis por essas
essências , sem o incomodo da planta inteira (Alegra-se o olfato,
entristecem-se os olhos que não verão a beleza das flores. Ha sempre
um risco em corrigir a lei de Deus ou, se preferirem, da natureza).
Mas voltemos o curso que se pretende criar.
PERFIL DO TÉCNICO
0 lugar do técnico de nível médio dessa área de pesquisa po-
derá ser delineado num provável perfil, que o desenvolvimento da mesma
ira definir mais precisamente, como habilitado a atuar na manutenção
de células animais e vegetais cultivadas in vitro , na obtenção de
produtos de microorganismos, no acompanhamento da produção e análise
desses produtos. Poderá ainda atuar na obtenção de DNA, clonagem, isto
é, isolamento de um genes desejado, amplificação e purificação de genes
clonados. Ainda na área de pesquisas, o técnico em biotecnologia parti
cipara na seleção de processos e na passagem destes da escala laborato
rial para a escola de produção industrial
Nesta área o técnico-tem como sua responsabilidade a seleção e
manutenção de cepas de microorganismos. Poderá ainda ter sob sua
respon sabilidade a produção em larga escala de plantas, a manutenção
e reno vação de estoques, a produção de inôculos e controle e
utilização dos mesmos.
Atuará ainda no controle de qualidades dos produtos obtidos,
no condicionamento, esterilização e manutenção dos produtos industria.
lizados.
CURRÍCULO
A definição de um currículo mínimo para o curso de formação do
Técnicos em Biotecnologia, no momento em que vivemos, encontra algumas
dificuldades..
1) A ausência de tradição na formação desse técnico. O nome
de uma disciplina ou atividade integrante de um currículo deve sempre
ser entendidas com apoio de pressupostos fundamentados em seu uso. 0
mesmo nome significará realidades diferentes, se aplicado em um curso
elementar, médio, superior ou pós-graduação. Biologia Celular
significará, conteúdo diverso conforme consta de currículo médioco
superior. 0 próprio plano de curso, que inclue programa, enviado pela
instituição que
postula o curso, isolado do contexto de que a proposta e de curso de
grau, poderia,sem dificuldade, ser entendido como de nível superi or.
2) A situação atual das pesquisas e aplicação em Biotecnolo
gia
Embora sejam muito antigos, no plano empirico, os empregos de
processos que hoje incluímos entre as Biotecnologias, como o é o uso dos
processos fermentativos, a Biotecnologia aparece hoje como algo de
revolucionário, É um terreno efervecente e quase explosivo, um campo de
pesquisa, conhecimentos, arte e aplicações em dinamismo de fonte ou
surgimento. Para onde irá a Biotecnologia?
Se pensarmos num curso de Biotecnologia de nível de grau,
poderiam logo perguntar: será um curso só? Ou serão vários cursos com
diversas habilitações profissionais? Ou mais provavelmente, será um
urso, com um núcleo central comum, e varias especificações para diver
sas habilitações? Essas incertezas atuais e, sobretudo, essas
incerte-zas quanto ao futuro das biotecnologias tornam imprudente e
precipita. da a definição de um currículo mínimo nacional para o curso
pretendido.
3) A Escola Técnica Federal de Química do Rio de Janeiro, e
pioneira, entre nos, na postulação de um curso de 2º grau de Biotecno-
logia. 0 currículo constante do processo e não só um currículo pleno
profissionalizante, mas pleno envolvendo toda a formação geral e espe-
cífica Diante disso, baixamos em diligência pedindo sugestão para um
currículo mínimo
0 currículo que nos foi sugerido não nos parece caracterizar a
especificidade do curso. É um currículo que pouco difere de um currículo
de Química. Acrescenta apenas a genérica Microbiologia e Pro_ cessos
Biotecnológicos. Seria isso suficiente para caracterizar um curso de
Biotecnologia, distinguindo-o do curso de Química?
II - VOTO DO RELATOR
Por estas razões o Parecer e voto do Relator é que:
1)
Não se deve, por enquanto, definir um currículo mínimo, deixando essa
definição para o termo dos estudos e experimentos propostos no seguimento deste
parecer e voto.
2)
Apresenta a título de sugestão ou de reflexão preliminar para estudos
posteriores, as seguintes observações e indicações:
Na estruturação desse currículo um curso técnico como o de Bio_
tecnologia, radicado, como é, nas disciplinas do Núcleo Comum, definido
A Camara de Ensino de lº e 2º Graus acompanha o voto do Rela-
tor.
Sala das Sessões, em 12 de novembro de 1987.
IV - DECISÃO DO PLENÁRIO
O Plenário do Conselho Federal de Educação aprovou , por unanimidade, a
Conclusão da Câmara.
Sala Barretto Filho , em 02 de 12 de 1987
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