95
Vários objetivos inter-relacionados desencadearam essa proposta. Um deles era a produção de texto
escrito e as ações requeridas na escrita-leitura-reescrita-releitura. Paralelamente, os educadores teri-
am que interagir com o sistema computacional (abrir os documentos, salvá-los, minimizá-los) e
aplicar os recursos básicos do Editor de Texto (copiar, colar, inserir, formatar, entre outros).
O desenvolvimento de diferentes tipos de texto permitia a introdução de novos recursos do aplicativo
e vice-versa, estabelecendo-se uma permanente interação entre a natureza da atividade e seus desdo-
bramentos (produção de texto escrito e multiplicidade de contextos de produção) e os recursos ofereci-
dos pelo Editor de Texto.
A introdução de uma nova idéia no texto pode provocar a necessidade de empregar um novo recur-
so da ferramenta computacional que auxilie o autor a explicitá-la, ilustrá-la ou representá-la. Neste
caso, a atividade de produzir um texto escrito pode desencadear o uso de uma outra ferramenta
computacional que seja pertinente ao assunto que está sendo abordado; por exemplo, a inserção de
uma planilha de dados que sirva como argumento do próprio texto. Esta é uma das funções, portanto,
da atividade Liga-ferramenta.
A dinâmica do Projeto Pedagógico deve prover condições para que os textos produzidos circulem
entre os participantes
11
. Para tanto, foi criada uma área de trabalho comum para que cada participan-
te pudesse disponibilizar sua produção. Os participantes assumiram, assim, o papel de “leitor” do
trabalho do outro, manifestando suas críticas, sugestões, alterações de mudanças – tanto em relação
ao conteúdo quanto em relação ao formato dos textos –, contribuindo, assim, para a reescrita dos
trabalhos de acordo com a opinião de cada autor. Tais sugestões impulsionaram, também, usos de
outros recursos do aplicativo.
Da mesma forma, certos recursos do aplicativo podem gerar novas idéias que transformam o texto
originalmente concebido. A possibilidade de formatá-lo em colunas, inserir símbolos e figuras, pode suge-
rir outro. Um texto pode ter sido originalmente idealizado para ser didático, voltado a um público estrita-
mente escolar. Por exemplo, à medida que o autor resolve transformá-lo em um texto jornalístico, sua
posição muda em relação a ele, bem como seu interlocutor. Essa mudança provoca a ocorrência de
operações lingüísticas que transformam o texto como um todo, originando um produto diferente.
No entanto, nem sempre esse “vaivém” acontece de forma espontânea. Cabe ao formador provocar
a ocorrência dessas necessidades, com o intuito de revelar as relações que podem ser estabelecidas
entre a atividade e a ferramenta computacional, por meio de novos contextos de uso. É a partir da
ação, do fazer, que o educador poderá compreender tais relações
12
.
A reflexão sobre a ação pedagógica sinaliza o momento da introdução de novos recursos, ferra-
mentas computacionais ou mudanças de atividades. Esses sinais são dados pela observação e análise
que o formador faz das ações dos educadores durante o processo de aprendizagem. Nesse nível, é
necessário saber lidar com a singularidade de cada um e com as necessidades do grupo como um todo,
de modo a manter o grau de engajamento dos participantes do curso. Assim, as intervenções individu-
ais que visam ao esclarecimento, auxílio e sugestão de modos diferentes de ação são importantes, bem
como momentos de discussão em grupo, os quais denominamos de Parada Obrigatória. Essa estraté-
gia prevista na dinâmica de encaminhamento do Projeto Pedagógico pode se referir a muitos assuntos
inter-relacionados, desde a resolução comentada de uma determinada atividade, objetivando a com-
preensão dos conceitos envolvidos e o confronto de diferentes formas de solucionar tal problema, de-
monstradas pelos educadores, até discussões, neste caso, de caráter pedagógico que procuram
recontextualizar a experiência vivida no âmbito escolar. De qualquer forma, a Parada Obrigatória
11
Em se tratando de
produção de texto escrito,
é importante que haja a
circulação do mesmo, pois
ela “faz parte das condições
de produção, especialmente
quando o autor tem ciência
das instâncias pelas quais
circulará o seu texto, pois
essa informação vai
determinar, ao produzir seu
trabalho, uma postura de
maior ou menor
compromisso, selecionando
estratégias que julga mais
eficazes para atingir seu
público”. (Azevedo &
Tardelli, 1997, p. 42)
12
Outro aspecto de igual
importância no contexto do
curso foi focalizar a função
da ferramenta
computacional em uso no
processo educativo, a fim
de que o educador
reconhecesse a pertinência
da ferramenta nesse
contexto específico, não
como um auxílio para
“passar a limpo”, mas como
parte da atividade de
escrever-ler-reescrever-reler.
PROJETO PEDAGÓGICO