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de Matemática, para que todos os alunos
conseguissem entender e desenvolver as
atividades, ela proporcionou espaço para que
eles utilizassem suas próprias lógicas e
métodos para a realização das atividades. Em
momento nenhum houve, por parte da
professora, imposição de um método ou outro,
ficando a critério do aluno seguir o método
usado por ela.
Em umas das avaliações
dadas pela professora Ana, no módulo 4, que
consistia em resolver equações do 2º grau, um
dos alunos perguntou se era necessário usar a
Fórmula de Báskara. Ana disse que se ele
soubesse fazer de outra forma, poderia fazê-
lo. (Capítulo 1, p. 36)
Em outro momento de
observação, no módulo 4B, a professora Ana
pede para que os alunos resolvesse as
situações que envolviam equações do 1º grau.
Ela abriu espaço para que os alunos
resolvessem as atividades da forma que
julgavam melhor, abrindo espaço para lógicas
diferentes da usual e para que os alunos
pudessem expressar com suas palavras as
resoluções e resultados. (Capítulo 1, p. 38)
O professor Lourival, também
de Matemática, em observação do módulo 3G,
falou que não era necessário que os alunos
decorassem a tabuada, permitindo que os
alunos olhassem na tabela ou contasse nos
dedos.
No momento em que uma das
alunas reclamou, dizendo que a Matemática é
“matemas”, pode-se encontrar ma-
neiras específicas de raciocinar e
inferir”.
Todos têm suas
“ticas” para resolver problemas e,
segundo Knijnik (2000), as práticas
escolares baseadas no pensa-
mento etnomatemático problema-
tizam a cientificidade, a
neutralidade e assepsia da
Matemática acadêmica e trazem à
cena as "outras" matemáticas,
silenciadas na escola.
A Matemática
aprendida na escola, por sua
formalidade e abstração, contribui
para a exclusão. Para que a
Matemática deixe de ser filtro social
ou barreira para o sucesso do
aluno, o educador, ao trabalhar o
seu conteúdo, deve respeitar o
contexto em que seus alunos estão
inseridos, usar em suas aulas as
matemáticas trazidas à escola por
eles. O educar matematicamente,
segundo a Etnomatemática,
significa ir além dos conteúdos; é
transcender a barreira das
disciplinas e construir consciência
crítica em âmbito social, cultural e
político.
Para isso,
segundo Scandiuzzi (2002b), a
Matemática que é ensinada na
escola, abordada isoladamente,
obriga-nos a conversar em termos
de complexidade, de amplidão, de
um mundo mais aberto e dinâmico
a todas as realidades, em que ela
passe a ser percebida num entorno
mais global.
É respeitando
o saber/fazer/ser dos alunos que a
Etnomatemática lida com o caráter
excludente da Matemática escolar;
é valorizando os conhecimentos
matemáticos adquiridos fora da
escola que conseguimos educar
matematicamente e fazer com que
os alunos sejam conscientes de
sua existência e, conscientes,
façam-se sujeitos vivendo com o
mundo, ao invés de viverem no
mundo; e, conseqüentemente,
sujeitos de sua inclusão, que