
com o exemplo da língua escrita para tornar mais claro o que
queremos dizer. Se o professor parte do princípio de que a
língua escrita é complexa, dentro de uma concepção
construtivista da aprendizagem ela deve ser -mesmo assim e por
isso mesmo - oferecida inteira para os alunos. E de forma
funcional, isto é, tal como é usada realmente. Quando alguém
aprende a escrever, está aprendendo ao mesmo tempo muitos
outros conteúdos além do bê-á-bá, do sistema de escrita
alfabética - por exemplo, as características discursivas da língua,
ou seja. a forma que ela assume em diferentes gêneros através
dos quais se realiza socialmente.
Pensando assim, caberá ao professor criar situações que
permitam aos alunos vivenciar os usos sociais que se faz da
escrita, as características dos diferentes gêneros textuais, a
linguagem adequada a diferentes contextos comunicativos, além
do sistema pelo qual a língua é grafada, o sistema alfabético.
Para alguém ser capaz de ler com autonomia é preciso
compreender o sistema alfabético, mas isso apenas lhe confere
autonomia. Qualquer um pode aprender muito sobre a língua
escrita, mesmo sem poder ler e escrever autonomamente. Isso
depende de oportunidades de ouvir a leitura de textos, participar
de situações sociais nas quais os textos reais são utilizados,
pensar sobre os usos, as características e o funcionamento da
língua escrita.
Para os construtivistas - diferentemente dos empiristas, para
quem a informação deveria ser oferecida da forma mais simples
possível, uma de cada vez, para não confundir aquele que
aprende - o aprendiz é um sujeito, protagonista do seu próprio
processo de aprendizagem, alguém que vai produzir a
transformação que converte informação em conhecimento
próprio. Essa construção, pelo aprendiz, não se dá por si mesma