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COLEÇÃO PROINFANTIL
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COLEÇÃO PROINFANTIL
MÓDULO IV
unidade 8
livro de estudo - vol. 1
Mindé Badauy de Menezes (Org.)
Wilsa Maria Ramos (Org.)
Brasília 2006
Ministério da Educação
Secretaria de Educação Básica
Secretaria de Educação a Distância
Programa de Formação Inicial para Professores em Exercício na Educação Infantil
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Os Livros de Estudo do PROINFANTIL foram elaborados tendo como base os Guias de Estudo do Programa de Formação
de Professores em Exercício – PROFORMAÇÃO.
Livro de estudo: Módulo IV / Mindé Badauy de Menezes e Wilsa Maria Ramos,
organizadoras. – Brasília: MEC. Secretaria de Educação Básica. Secretaria de
Educação a Distância, 2006.
114p. (Coleção PROINFANTIL; Unidade 8)
1. Educação de crianças. 2. Programa de Formação de Professores de Educação
Infantil. I. Menezes, Mindé Badauy de. II. Ramos, Wilsa Maria.
CDD: 372.2
CDU: 372.4
Ficha Catalográfica – Maria Aparecida Duarte – CRB 6/1047
L788
AUTORES POR ÁREA
Linguagens e Códigos
As unidades nesta edição foram reelaboradas por Maria
Antonieta Antunes Cunha, a partir das produzidas para a
1ª edição, na qual participaram também Lydia Poleck (Unidades
1, 7 e 8) e Maria do Socorro Silva de Aragão (Unidades 5 e 6).
Matemática e Lógica
As unidades nesta edição foram reelaboradas por Iracema
Campos Cusati (Unidades 1, 2, 3 e 8) e Nilza Eigenheer Bertoni
(Unidades 4, 5, 6 e 7), a partir das produzidas para a 1ª
edição, na qual participou também Zaíra da Cunha Melo
Varizo (Unidades 1, 2, 3 e 8).
Identidade, Sociedade e Cultura
As unidades nesta edição foram reelaboradas por Terezinha
Azerêdo Rios, a partir das produzidas para a 1ª edição, na
qual participou também Mirtes Mirian Amorim Maciel
(Unidades 1, 3, 5 e 7).
Projeto Gráfico, Editoração e Revisão
Editora Perffil
Coordenação Técnica da Editora Perffil
Carmen de Paula Cardinali, Leticia de Paula Cardinali
Diretora de Políticas da Educação Infantil e do Ensino
Fundamental
Jeanete Beauchamp
Diretora de Produção e Capacitação de Programas em EAD
Carmen Moreira de Castro Neves
Coordenadoras Nacionais do PROINFANTIL
Karina Rizek Lopes
Luciane Sá de Andrade
Equipe Nacional de Colaboradores do PROINFANTIL
Adonias de Melo Jr., Amaliair Attalah, Amanda Leal,
Ana Paula Bulhões, André Martins, Anna Carolina Rocha,
Anne Silva, Aristeu de Oliveira Jr., Ideli Ricchiero, Jane Pinheiro,
Jarbas Mendonça, José Pereira Santana Junior, Josué de Araújo,
Joyce Almeida, Juliana Andrade, Karina Menezes, Liliane Santos,
Lucas Passarela, Luciana Fonseca, Magda Patrícia Müller Lopes,
Marta Clemente, Neidimar Cardoso Neves, Raimundo Aires,
Roseana Pereira Mendes, Rosilene Silva, Stela Maris Lagos
Oliveira, Suzi Vargas, Vanya Barbosa, Vitória Líbia Barreto
de Faria, Viviane Fernandes F. Pinto
FUNDESCOLA - SEED / MEC
Organizadoras da Versão Original do PROFORMAÇÃO
Mindé Badauy de Menezes, Diretora do Departamento de
Planejamento e Desenvolvimento de Projetos / SEED, Wilsa
Maria Ramos, Coordenadora de Programas Especiais /
FUNDESCOLA
Coordenação Pedagógica da Versão Original
do PROFORMAÇÃO
Maria Umbelina Caiafa Salgado
Consultor em Educação a Distância da Versão Original
do PROFORMAÇÃO
Michael Moore
Consultoria do PROINFANTIL – Módulo IV
Lígia Maria Motta Lima Leão de Aquino,
Maria Cristina Leandro Paiva
Revisão Pedagógica do PROINFANTIL
Beatriz Mangione Ferraz
MÓDULO IV
unidade 8
livro de estudo - vol. 1
Programa de Formação
Inicial para Professores
em Exercício na Educação Infantil
A – INTRODUÇÃO 8
B – ESTUDO DE TEMAS
ESPECÍFICOS 12
LINGUAGENS E CÓDIGOS
ÁLBUNS E LIVROS DE IMAGENS .......................................................... 13
Seção 1 Signos e suas leituras........................................................... 1 4
Seção 2 – Àlbuns e livros de imagem .................................................. 22
Seção 3 – Análise de álbuns e livros de imagem ................................ 30
IDENTIDADE, SOCIEDADE E CULUTURA
QUESTÃO AMBIENTAL: O LOCAL E O GLOBAL ................................. 43
Seção 1 – Impactos ambientais ............................................................ 45
Seção 2 – Local e global: as escalas espaciais e temporais
do ambiente ..........................................................................
5 2
Seção 3 – Para cuidar do planeta Terra ............................................... 59
VIDA E NATUREZA
SAÚDE COMO INDICADOR DA QUALIDADE AMBIENTAL ................ 69
Seção 1 – Lixo: problema ou matéria-prima?...................................... 71
Seção 2 Águas muito mais perigosas ............................................... 78
Seção 3 – O verde tem de dar lugar ao cinza?.................................... 83
Seção 4 – Produzindo energia de forma mais limpa .......................... 88
C – ATIVIDADES
INTEGRADAS 98
D – CORREÇÃO DAS
ATIVIDADES DE ESTUDO 104
LINGUAGENS E CÓDIGOS......................................................... 105
IDENTIDADE, SOCIEDADE E CULTURA.................................. 108
VIDA E NATUREZA...................................................................... 111
SUMÁRIO
8
8
A - INTRODUÇÃO
9
Caro(a) professor(a),
Com esta unidade, você completa o seu curso e se titula. Sabemos que isso lhe traz muita
alegria. E nós nos alegramos com você porque o desafio foi vencido. Sua vontade e dedicação
foram mais fortes do que todas as dificuldades do caminho, e você chegou ao destino.
Como dissemos na Apresentação do Módulo IV, esta última etapa do PROINFANTIL vem sendo
um tempo de síntese, de organização do que foi trabalhado ao longo do curso. Em cada área
temática, você está revendo, ampliando e reorganizando, em nível mais elevado, os conteúdos
estudados desde o Módulo I. Veja como a Unidade 8 contribui para completar este processo.
A área de Linguagens e Códigos tem como ponto de partida um assunto apresentado na
Unidade 1 do Módulo I: os signos e suas subdivisões em ícones, índices e símbolos. Durante todo
o Curso, ao trabalhar com a leitura e produção de textos, você teve muitas oportunidades de
tratar os símbolos verbais. Mas, nesta Unidade 8, você vai focalizar especialmente os ícones,
aperfeiçoando sua capacidade de ler (interpretar) as ilustrações e outros tipos de ícones. Ficará
conhecendo os livros de imagem, que são obras literárias compostas só de imagens, e os álbuns,
que conjugam texto e imagens, porém com peso maior para essas últimas.
Na área de Identidade, Sociedade e Cultura, você vai estudar assuntos mais ligados
à Geografia, analisando as relações entre poluição e globalização. Vai rever assuntos
já estudados, como o desmatamento e a poluição do ar e da água, para refletir sobre
a qualidade do ambiente, no Brasil e no mundo. Ficará mais claro para você que os
problemas ambientais não têm fronteiras, pois a água ou o ar poluídos circulam por
toda a Terra, através das correntes de ar e correntes marítimas, não sendo geralmente
fácil medir ou delimitar a extensão de danos ambientais. Por isso, o compromisso
com a preservação do meio ambiente é muito sério. Precisamos cuidar do planeta
Terra, porque é a nossa morada. Você terá oportunidade de refletir sobre a
10
necessidade de desenvolver atitudes e iniciativas individuais e coletivas para a
preservação do meio ambiente. E aprenderá muitas formas de dar sua contribuição
como cidadão e como professor(a).
Esta reflexão se prolonga nos textos de Vida e Natureza, que focalizam a relação
entre a qualidade do ambiente e a saúde. Inicialmente, você vai retomar os problemas
ambientais e os danos à saúde provocados pelo lixo urbano, que já teve oportunidade
de discutir no Módulo I, na Unidade 8 dessa mesma área temática, lembra-se? Agora,
você vai ampliar seus conhecimentos, estudando a poluição do ar e da água provocada
pelo mercúrio usado nos garimpos. Verá como ele é altamente tóxico, provocando
danos ao sistema nervoso. Além disso, ficará conhecendo as doenças causadas pela
falta de saneamento básico e as conseqüências do uso excessivo do concreto associado
à falta de áreas verdes, nas cidades.
Os textos sugerem várias soluções para compatibilizar o progresso com uma boa
qualidade ambiental. As principais dizem respeito à reciclagem do lixo e ao uso de
fontes de energia menos poluidoras. Você vai verificar que tudo isso confirma a
importância das considerações apresentadas nos textos de Vida e Natureza –
Geografia sobre o compromisso com a preservação do ambiente.
Como é fácil perceber, os conteúdos de Linguagens e Códigos, Identidade,
Sociedade e Cultura e Vida e Natureza enfatizam a consciência de pertencer a
uma coletividade, realçando a importância da comunicação e os direitos e deveres
que todos os cidadãos têm quanto à busca do bem comum e da realização pessoal.
Você vai gostar de estudar tudo isso, pois, desse modo, poderá refletir sobre a Proposta
Pedagógica do PROINFANTIL e compreender melhor o significado do que vem
estudando nestes dois anos.
Desejamos que o estudo da Unidade 8 seja prazeroso e estimulante para você.
Bom trabalho!
11
12
B – ESTUDO DE TEMAS ESPECÍFICOS
12
13
IDENTIDADE, SOCIEDADE E CULTURA
ÁLBUNS E LIVROS DE IMAGENS
ABRINDO NOSSO DIÁLOGO
A Unidade 8 complementa a 7, que tratou da ilustração e de sua importância no
desenvolvimento do leitor. Trata-se de um uso especial da ilustração: álbuns (livros com
pouco texto e muita ilustração) e livros de imagens (em que as idéias são expressas por
imagens: ilustrações, desenhos, pinturas, fotos, esculturas, bonecos, bordados, dobraduras,
montagens feitas com diversos materiais representando personagens e situações etc.).
Você sabe que imagem é um ícone, signo análogo (parecido com semelhante) ao
objeto representado. Este é um tópico recorrente desde a primeira unidade do Módulo I,
até a atual, oitava e última de Linguagens e Códigos, Módulo IV. Veja só! Poderoso,
esse ícone. Vamos encontrá-lo, maravilhoso, como obra de arte, nos livros de literatura,
aqueles livros incríveis, resultado desse diálogo de imaginários que é a fantasia.
É uma unidade privilegiada, em virtude de seu objeto, de ilimitada riqueza conotativa
material da função poética da linguagem), indicador de mundos fantásticos e
prazerosos, legíveis para você e suas crianças, por meio de seu estudo, que, imagine,
além do mais, conta com a trilha sonora de Imagine, de John Lennon. É só imaginar...
DEFININDO NOSSO PONTO DE PARTIDA
Objetivos específicos desta área temática.
Caro(a) professor(a): Ao finalizar seus estudos, você poderá ter construído e sistema-
tizado aprendizagens como:
1. Relacionar signos e leituras correspondentes.
2. Caracterizar álbuns e livros de imagens.
3. Analisar álbuns e livros de imagens para provável aplicação em sua prática
pedagógica.
-
-
14
CONSTRUINDO NOSSA APRENDIZAGEM
A Unidade 8 é constituída de três seções: a primeira relaciona os diferentes tipos de
signos com as leituras correspondentes; a segunda caracteriza dois tipos de livros de
literatura, os álbuns e os livros de imagens; a terceira analisa álbuns e livros de imagens,
sugerindo possibilidades de seu aproveitamento na prática pedagógica.
Você poderá empregar 55 minutos no desenvolvimento da Seção 1, 55 minutos na 2
e 70 minutos na 3. Aproveite! E, é certo, com muito prazer!
Seção 1 – Signos e suas leituras
Ao finalizar seus estudos desta seção,
você poderá ter construído e sistematizado
a seguinte aprendizagem:
– Relacionar signos e leituras correspondentes.
Vamos fechar um círculo. Você começou a primeira unidade do Módulo I estudando
os signos. Agora, você termina a última (8ª) unidade do Módulo IV utilizando, aplicando
o estudo dos signos.
Um diagrama (tipo de imagem) para você recordar estudos anteriores:
-
15
Todo signo pode ser lido, isto é, entendido,
compreendido, interpretado em seu signifi-
cado. E cada tipo de signo (ícone ou imagem,
índice, símbolo) permite um tipo de leitura:
leitura icônica ou de imagens, leitura indicial
ou de indícios, leitura simbólica ou de
símbolos.
A
leitura icônicaleitura icônica
leitura icônicaleitura icônica
leitura icônica ou de imagens é mais
imediata, mais evidente, porque o ícone
(representante) é parecido com o represen-
tado: o desenho de uma casa lembra a casa,
tem semelhança com ela. Vendo um retrato de sua mãe, você não pode dizer,
imediatamente: é a minha mãe? É uma leitura de reconhecimento, de lembrança do
conhecido. O ícone, pela semelhança com o referente, conserva seu significado
mesmo longe do objeto representado; se você conhece o ícone, conhece ou reconhece
a coisa representada no todo ou em parte, já que ele é um signo revelador, figurativo,
denotativo, porém não o objeto, mas um outro: a sua imagem.
A
leitura indicialeitura indicia
leitura indicialeitura indicia
leitura indicial estabelece um relaciona-
mento direto ou próximo do representante
com o representado, porque eles aparecem
juntos, numa ligação verdadeira. Se você vê
a fumaça, pode concluir que há fogo, ou que
choveu por causa das poças d’água, ou que
aquelas nuvens baixas, enormes e escuras
prenunciam chuva. É uma leitura interessante
essa de índices ou indícios que são pistas,
indicações que levam o leitor a concluir ou deduzir logicamente alguma coisa: trabalho
de detetive, de Sherlock (Elementar, meu caro Watson:
se... entãose... então
se... entãose... então
se... então;
se se
se se
se esta pegada
é de um gato,
entãoentão
entãoentão
então passou um gato por aqui).
A
leitura simbólicaleitura simbólica
leitura simbólicaleitura simbólica
leitura simbólica já é mais complexa, porque não existe a menor ligação (real)
entre representante e representado. Essa relação só passa a existir depois de
convencionada, de combinada. Por que as letras g-a-t-o representam, querem dizer
gato, aquele felino? Porque foi um código combinado entre seus usuários, que
concordaram com aquela representação. Daí que, em línguas diferentes, diferentes
Luigi Mamprin
16
sinais são convencionados para gato: cat, gato, chat, gatto,
katze; ou, para cachorro: dog, perro, chien, cane, hund.
Assim, para ler o símbolo, primeiro é preciso aprender ou
descobrir o código, a chave para a leitura. (Você se lembra da
pergunta de CDA - “Trouxeste a chave?”, no poema da
Unidade 6? Volte àquela unidade e releia o poema, tão belo e
tão adequado ao nosso estudo.)
Atividade 1
Use as letras (a), (b) ou (c) para relacionar os signos e os tipos de leitura:
a) leitura de imagens (ícones) b) leitura de indícios c) leitura de símbolos
O gato é um animal
da família dos felinos.
Atirei o pau no gato-to-to
Mas o gato-to-to
Não morreu-reu-reu
17
Desses tipos de signos e suas leituras, vamos tratar do ícone ou imagem. Você acredita
que há pessoas que acham que só se podem ler os símbolos? Que livro de imagem
não possibilita leitura? Logo a nossa primeira leitura! São imagens o nosso contato
inicial com a vida, com o mundo. São leituras de imagens que formam os primeiros
conhecimentos da criança, que usa seus sentidos para captar as imagens que a
rodeiam, compreender seus significados e reagir a elas. É à leitura do mundo pela da
leitura das imagens que vão se acrescentar e interagir as leituras de índices e de
símbolos, na medida de seu desenvolvimento e de oportunidades.
A leitura de imagens é fundamental e imprescindível. É a capacidade de formar e de
ler imagens, de imaginar que vai permitir a leitura conotativa e criadora dos símbolos,
a leitura das entrelinhas. (Lembra-se de Lygia Bojunga na Atividade 3 da Seção 1 da
Unidade 6 deste Módulo IV? Pois é...)
Como todo preconceito, este, de que um livro de imagens não é leitura, não tem o
mínimo fundamento. Pelo contrário, permite uma leitura riquíssima. Para SANDRONI,
um livro de imagens é “obra para o pré-leitor e para o leitor adulto livre de
preconceitos. Capaz de perceber que essa rica leitura pictórica, na qual se
encontram tantas possibilidades de elaboração individual, é um caminho
fantástico para a apreensão e a compreensão do que seja o ato de ler, além, é
claro, de proporcionar um enorme prazer estético”.
Sobre leitura de imagens, leia a
4ª capa de qualquer um dos
livros da Coleção Olho Verde, da
Studio Nobel, de São Paulo. Aí
vai uma para você:
18
Importante!
- A leitura do mundo precede a leitura da palavra, daí que a posterior
leitura desta não possa prescindir da continuidade da leitura daquela.
Linguagem e realidade se prendem dinamicamente.
Paulo Freire
Atividade 2
Grifamos algumas partes do texto da 4ª capa de O caminho do caracol. Leia
essas partes grifadas. Elas reforçam bem as idéias que vêm sendo apresentadas,
não é mesmo?
Na coleção Olho Verde as histórias são contadas através das imagens. Você abre
o livro, lê desenho por desenho e, assim, chega ao final da história. Muitos pensam
que só as palavras podem ser lidas. Isso não é verdade. A gente pode ler desenhos
também. Em O caminho do caracol, por exemplo, as palavras não foram usadas
em lugar nenhum, fora o título, no entanto você vai encontrar um menino espiando
a cidade pela janela de seu quarto. Vai ver o menino sair pelo mundo montado no
lombo de um caracol. Vai ler, enfim, através dos desenhos, a história de uma viagem
cheia de magia e de encantamento. Para onde o menino vai? Será que ele volta? As
histórias da coleção Olho Verde têm todas um ponto em comum: falam da vida, da
fantasia e da natureza, usando imagens em vez de palavras.
Depois disso, uma tarefa para “você tirar de letra”(ou de imagem?): convença
do contrário uma pessoa que acha que um livro de imagens não possibilita a
leitura. Use dois argumentos:
1.
2.
Vamos conversar mais um pouco sobre a importância das imagens nos livros de
literatura? É uma conversa-leitura de dois textos.
19
Atividade 3
Texto 1
Imagem
No processo da elaboração da linguagem,
antes mesmo que a criança se exprima por
palavras, ela é sensível às imagens.Nesse processo,
a imagem tem um papel primordial. A imagem,
apesar de ser um material semiconcreto,
bidimensional, constitui-se numa comunicação
mais direta que o código verbal escrito, que se
representa de forma abstrata. Mas, sobretudo, a
ilustração é uma forma de comunicação estética. Além disso, a ilustração é
uma linguagem internacional, podendo ser compreendida por qualquer povo.
A imagem confere ao livro, além do seu valor estético, o apoio, a pausa e o
devaneio tão importante numa leitura criadora.
Chamamos de leitura criadora o resultado da percepção única e individual,
graças às combinações perceptivas que se realizam e que fazem com que nunca
uma pessoa descreva o que leu exatamente como a outra.
WERNECK, Regina Yolanda Mattoso. “A importância da imagem nos livros.” Ciência e Cultura, 35 (12),
dezembro, 1983, p.1834.
a) Com base no texto de Regina Werneck, escreva três frases sobre a impor-
tância da imagem nos livros:
1.
2.
3.
Reprodução
20
b) Explique, com suas palavras, leitura criadora:
Atividade 4
Texto 2
Coleção Vou Te Contar
Desde o início das civilizações, o homem
se expressa através de imagens que ele
capta, elabora e comunica. A represen-
tação de uma idéia através de um sím-
bolo visual (imagem) chama-se comuni-
cação visual. O alfabeto que usamos para
escrever é um conjunto de símbolos
visuais gráficos, que combinados for-
mam a palavra.
Palavra e imagem são duas velhas companheiras, uma pode completar e
enriquecer a outra, sem anular o valor próprio de cada uma.
Hoje vivemos um mundo cada vez mais voltado para a valorização de mensagem
rápida: a televisão, o cinema, as muitas marcas e embalagens de produtos,
cartazes etc.
Geralmente, quando lemos um livro ou quando alguém conta uma história,
podemos imaginar a cena escrita ou ouvida. Ela sempre será diferente de pessoa
para pessoa. Cada uma tem o seu arquivo de imagens e cria, de acordo com
sua ensibilidade, o visual imaginário.
Na coleção Vou Te Contar nós resolvemos inverter a situação, contando histórias
através de desenhos para que se possa criar individualmente o texto, utilizando
todos os vôos que a imaginação da criança quiser.
Texto de apresentação. Salamandra. Rio de Janeiro.
Reprodução
21
a) Qual o objetivo da coleção Vou te Contar?
b) Por quê?
Atividade 5
Retire, do Cantinho de Leitura, o livro de An-
gela Lago, Outra vez (Belo Horizonte: Migui-
lim, 1985).
Sinta-o, leia o título, o nome do autor e da
editora. Olhe bem as imagens da menina e do
cachorro, pense no que estão fazendo e onde.
Observe detalhes do quadro central e dos dois
menores, de cada lado: o que representam?
Descubra semelhanças e diferenças.
Vire o livro e dê uma boa olhada na 4ª
capa: olhe o todo e depois cada parte; vi-
sualize o todo novamente.
Abra o livro, passe página por página e
observe-as abertas, duas a duas, de cada
vez, formando uma página, até a última.
Qual a característica dessa última página?
Por que o livro se chama Outra vez?
Leia estes dois parágrafos de Laura San-
droni:
22
Em suaves tons pastéis, que lembram o estilo europeu de ilustração, Angela
Lago desenvolve uma narrativa pictórica em que o clima onírico predomina.
Nas figuras humanas, as vestimentas remetem à fantasia, enquanto nos animais
há detalhes a serem descobertos infinitamente.
O cenário situa o sonho numa cidade antiga, provavelmente mineira, como a
própria artista, em que telhados e janelas, ruas calçadas de pedras e fontes
trabalhadas, campanários e anjinhos barrocos convivem com bananeiras,
jabuticabeiras, macacos, borboletas, ratos, sapos, cabras e muitos outros bichos,
numa explosão tropical.
In O Globo,10/2/85, Domingo, Literatura Infantil.
Procure identificar o que eles indicam do livro. Procure e observe cada aspecto.
Quando chegar ao final, feche o livro, volte à 1ª capa e folheie-o “outra vez”. Faça
uma pausa. Outra vez?
Importante!
- “Devemos contar às crianças que ainda não sabem ler as mais belas
histórias e deixar ao seu alcance os mais preciosos livros de imagens. A
literatura oral e/ou oralizada e o livro de imagens serão assim dois pontos
de partida não excludentes, mas complementares, para que elas possam
compreender por conta própria que livro e literatura são prazer.”
Angela Lago
Seção 2 – Álbuns e livros de imagem
Ao finalizar seus estudos desta seção,
você poderá ter construído e sistematizado
a seguinte aprendizagem:
– Caracterizar álbuns e livros de imagens.
O primeiro parágrafo do Abrindo Nosso Diálogo desta unidade já caracteriza álbum e
livro de imagem. Releia-o, por favor. Para ilustrar, nada melhor do que o próprio livro,
você não acha?
23
Aprecie estas páginas de Maria vai com as outras, desenhos e história de Sylvia
Orthof, editado pela Ática, São Paulo.
Era uma vez uma ovelha chamada Maria.
Onde as outras ovelhas iam, Maria ia também.
Aprecie as duas primeiras páginas de O ratinho, o morango vermelho maduro e
o grande urso esfomeado, de Don e Audrey Wood, ilustrado por Don Wood, da
Brinque-Book, São Paulo.
Oi, Ratinho,
O que você está fazendo?
24
Aprecie as páginas 20 e 21 de Feliz aniversário, Lua, de Frank Asch (Petrópolis:
A&A&A, 1992).
É a história de um ursinho que queria dar um presente de aniversário para a lua.
Como não sabia o dia do aniversário, resolveu perguntar, subindo a uma árvore para
conversar com a lua, que não respondeu. “Talvez eu esteja muito longe”, pensou
Bino, “e, por isso, a lua não consiga me ouvir”.
Então, Bino atravessou o rio... e andou pela floresta até chegar ao topo das
montanhas.” Calculando que já estava perto da lua, Bino chamou “Olá!” e o eco
respondeu “Olá!”. Pensando estar conversando com a lua, Bino fica sabendo o dia
do aniversário e o presente desejado.
De volta à casa, quebra seu cofre-porquinho e compra
um chapéu para a lua. (Olhe novamente as imagens)
Porém, durante a noite o chapéu cai da árvore, e Bino,
ao encontrá-lo no chão da entrada de sua casa, pensa
que a lua também o presenteou com um chapéu.
Coloca-o na cabeça, mas ele é levado pelo vento. Faz
então o caminho de volta para contar à lua a perda do
chapéu. É uma conversa interessante que termina com
votos de feliz aniversário.
Naquela noite, Bino colocou o
presente no alto de uma árvore,
onde a lua poderia encontrá-lo.
E ficou esperando, enquanto a lua,
devagarinho, se aproximou, entre
os galhos, e experimentou o chapéu.
“Viva!”, gritou Bino, “Ficou ótimo!”
25
(A 4ª capa mostra o destino do chapéu: ninho de passarinhos.) Desse livro há um
vídeo muito interessante e que deve ser apresentado num diálogo com o livro e com
os leitores e assistentes: Crianças Criativas nº 5. Petrópolis: Ipê Amarelo Criação
Multimídia.
Observe as páginas 26 e 27 do livro A nova aventura do ratinho, de Monique
Félix, publicado pela Melhoramentos de São Paulo, 10ª ed. (outros livros da série:
O ratinho que morava no livro; O ratinho e a casa; O ratinho e o vento;
O ratinho e os opostos; O ratinho e os números; O ratinho e as cores; O ratinho
e o alfabeto).
Em geral, o rato vai andando pelas páginas em branco e começa a roer algum canto
da página direita; em cada página rói mais um pouco e a página branca vai se
destacando, abrindo ou enrolando, descobrindo alguma coisa. Por exemplo, no livro
A viagem do ratinho, é o mar que transborda da página e vai ocupando também a
página esquerda, onde o rato, já com a outra página roída inteira, vai dobrando-a e
fazendo algo. Nesse caso, um barquinho que usará para navegar no mar que tomou
conta das duas páginas.
Já no livro O ratinho e o vento, uma grande ventania joga o ratinho, com página e
tudo, para o lado esquerdo do livro, enquanto, pela janela aberta pela página roída,
vão aparecendo, junto com a ventania, penas voando, águia e avião enfrentando a
tempestade que vai diminuindo. Aparecem nuvens que vão mudando conforme o
tempo melhora e começa-se a ver a terra e sua paisagem, além de helicópteros,
outros aviões, pára-quedistas, balão. E o ratinho? A cada página vai ele montando
sua dobradura, que agora será um catavento. Rói um buraquinho em cada uma das
26
quatro pontas e as vai dobrando e prendendo no seu rabo, terminando com um nó.
Salta pela janela e desce como um helicóptero- rato de hélice de cata-vento. É uma
graça; precisa “olher”, olhar e ler.
Agora, observe a 1ª e a 4ª capas de Ida e volta, de Juarez Machado, pioneiro em
nosso país de livros sem texto, ou livros de imagem:
Esta é uma história circular que começa na capa, onde você vê um chuveiro que
acabou de ser usado e fechado (está caindo aquele último pingo). O movimento da
cortina mostra que quem tomou banho afastou-a rapidamente fazendo deslizar suas
argolas e dirigiu-se descalço (pegadas molhadas) para a direita, entrando no livro.
Dentro do livro as pegadas vão indicando as ações da personagem em locais
desenhados (o primeiro mostra um guarda-roupa aberto com vários tipos de roupa,
sapatos, material esportivo, acessórios). As pegadas descalças param diante do
27
guarda-roupa. O cabide vazio mostra que a personagem escolheu e vestiu um traje,
escolheu um par de sapatos, deixando a bota e o tênis. Já calçada (as pegadas que
saem são de solas de sapato), sai pela direita para passar para a outra página, onde...
acontecem muitas coisas e aventuras interessantes, que terminam com a personagem
descalçando o sapato ensopado de tinta verde, dentre as várias latas que ela derrubou
de bicicleta (de onde surgiu? Só vendo/lendo o livro para saber...). E, finalmente,
chegando ao chuveiro da 4ª capa, sujo de tinta verde (é o que dizem as pegadas),
onde fecha a cortina e abre generosamente o chuveiro, para aquele banho.
Atividade 6
a) Identifique, escrevendo ÁLBUM ou IMAGEM à frente do título do livro,
conforme ele seja um álbum ou um livro de imagem:
Maria vai com as outras
Ida e volta
Feliz aniversário, Lua
b) Caracterize ÁLBUM:
c) Caracterize LIVRO DE IMAGEM:
28
Muito bem! Continuando nosso estudo, o texto seguinte diz mais sobre o livro em
que predomina a imagem.
Leia como um LEITOR (gostou do recadinho maiúsculo?):
A importância das histórias sem texto para a criança
...além do talento gráfico desses desenhistas, é importante perceber sua
habilidade para construir toda uma narrativa seqüenciada, completa, sem
precisar de palavras... Sua capacidade de contar uma história de modo ágil,
vivo, usando traços moventes, conhecimentos da cor e domínio da página, das
páginas, do livro como um todo... De maneira harmônica, bonita, inteligente e
cutucante...
E, ao prescindir do verbo, dão toda possibilidade para que a criança o use...
...Oralizando essas histórias, colocando um texto verbal, desenvolvendo
algumas das situações apenas sugeridas (personagens que aparecem apenas
como figuração, como elemento de perturbação do todo ou para salientar um
momento ou uma possibilidade insólita), ampliando um detalhe proposto e
daí refazendo o todo, de modo novo e pessoal... Criando uma história a partir
duma cena colocada, misturando várias, musicalizando alguma relação,
sonorizando uma descoberta feita, inventando enfim as possibilidades mil que
narrativas apenas visuais (quando inteligentes e bem-feitas) permitem e
estimulam...
Fora o prazer de folhear um álbum (colorido ou branco e preto), que a magia
dum traço solto, duma cor poética, dum enquadramento insuspeito, dum sa-
ber ver diferente, dum refinamento no acabamento, permite e provoca... É
tão bom saber ver o belo ou descobrir o que é bonito sem que antes se
suspeitasse disso...
Esses livros (feitos para crianças pequenas, mas que podem encantar os de
qualquer idade) são sobretudoexperiências de olhar... De um olhar múltiplo,
pois se vê com os olhos do autor e do olhador/leitor, ambos enxergando o
mundo e as personagens de modo diferente, conforme percebem esse
mundo...
29
E é tão bom saborear e detectar tanta coisa que nos cerca usando este
instrumento nosso tão primeiro, tão detonador de tudo: a visão. Talvez seja
um jeito de não formar míopes mentais...
ABRAMOVICH, Fanny. Literatura Infantil, gostosuras e bobices. São Paulo: Scipione. 1991, pp. 32-33.
Atividade 7
Reflita sobre cada uma das seguintes frases de Fanny e faça um comentário:
a) E, ao prescindir do verbo, dão toda possibilidade para que a criança o use...
b) Esses livros (feitos para crianças pequenas, mas que podem encantar os de
qualquer idade).
Reprodução
30
c) Talvez seja um jeito de não formar míopes mentais...
Viva! Terminamos a Seção 2. Passemos, então, à Seção 3.Vamos?
Seção 3 – Análise de álbuns e livros de imagem
Ao finalizar seus estudos desta seção,
você poderá ter construído e sistematizado
a seguinte aprendizagem:
– Analisar álbuns e livros de imagens
para provável aplicação em sua prática
pedagógica.
Atividade 8
Escolha os livros que vai apresentar à suas crianças para seleção e leitura livre.
São livros que vão compor o Cantinho de Leitura, onde vão ficar expostos
tentando s crianças (isca para peixe).
É preciso escolhê-los, porque há de tudo no mercado editorial e nosso “Cantinho” só
deve ter obras de arte (texto, álbum, livro de imagem).
Lá, suas crianças escolhem livremente o livro e vão lê-lo. Vão verbalizar suas
impressões, apreciações, preferências, leituras particulares etc. E aí, professor(a)?
Vai ficar só de espectador, sem participar? Não vai conseguir nem que queira...
Portanto... você precisa conhecer o livro, tê-lo lido, interpretado, gostado mais, gostado
menos, se apaixonado (lembra-se dos “casos” da Lygia Bojunga? Pois é...). Precisa
ter usado suas experiências anteriores, sua visão de mundo, inferido, extrapolado e
participado do diálogo entre textos ou intertextualidade.
Para facilitar, vamos apresentar alguns títulos comentados. (Em geral, existem
disponíveis relações de livros pré-selecionados para ajudar essa escolha.) Aprecie os
seguintes:
31
Cena de rua
(Este livro foi sugerido no Módulo I.)
É de Angela Lago e mostra o dia de um menino de rua vendendo maçãs no sinal
luminoso e são vários os acontecimentos, melhor dizendo, ocorrências, envolvendo
diversas personagens. Se você comparar os tons pastéis, o desenho suave e poético
de Outra vez, da mesma autora, vai notar uma diferença gritante: cores primárias,
sem nuances, fortes, duras, cruas, carregadas como os acontecimentos, as situações
retratadas.
As crianças do Colégio Pitágoras (BH) fizeram um vídeo, Cena de rua, também só
com imagens, em que alternam as cenas do livro com iguais cenas reais (em preto e
branco) de meninos de rua. O efeito é de grande impacto.(Esse vídeo, de 5 minutos,
pode ser conseguido sem problemas.)
32
Para você, um comentário modelar e detalhado sobre o livro Outra vez, que deve
ajudá-lo(a) muito a analisar um livro de imagens. É um texto para consulta, leitura e
releitura, (verificar se não falta aqui alguma palavra) quando você for apresentar
esse livro para suas crianças:
Outra vezOutra vez
Outra vezOutra vez
Outra vez
O tema do amor é inesgotável. Vejamos como Ângela Lago aborda
metaforicamente as relações sentimentais entre uma garota negra e um menino
branco, que têm como contraponto a fidelidade do cão à sua dona e o
comportamento boêmio e aproveitador de um gato apaixonado. Aqui, como
em muitas obras dessa seleção, seres humanos e animais aparecem para
simbolizar comportamentos sociais que estão sendo postos à prova.
Esse é um livro que, ao contrário do que se pensa, não se dirige apenas ao pré-
leitor, isto é, àquele que ainda não foi alfabetizado. Por sua inventiva criação,
permite uma série de leituras, que podem ser feitas por adultos e crianças.
Trata-se de um livro de ilustrações, cuja história é narrada pelas imagens
puramente pictóricas. O texto verbal vai sendo elaborado oralmente pelo leitor.
Cada “cena” ou situação é mostrada em páginas duplas que se abrem para
mostrar um ambiente extremamente pormenorizado. O estilo detalhista da
ilustradora permite a apresentação de uma típica cidade mineira, contribuindo
para a transmissão de uma das identidades mais características da arquitetura
colonial brasileira.
Logo no primeiro par de páginas, observamos o casario, com telhados e sótãos,
um campanário e uma igreja que atestam a religiosidade da região, herdada
das missões jesuíticas.Árvores tropicais como a bananeira e o coqueiro
enriquecem a cor local e, juntamente com o calçamento de pedras e as fileiras
de bandeirolas, compõem um cenário acolhedor de uma cidade de interior das
Minas Gerais.
O nível de ficção e fantasia transparece sobretudo nos animais: na página
esquerda, o cão que carrega no rabo um balde e um tridente, o macaco deitado
no alpendre e um pássaro dormindo numa janela de telhado.Na página da
33
direita, um papagaio de óculos dorme em cima de uma placa, um rato descansa
num sótão, com travesseiro e cobertor, um gato caolho dorme numa casinha,
duas galinhas empoleiradas dormem (uma delas também usa óculos) e há ainda
um porco deitado na parte de trás do carro, “ancorado” num poste que sustenta
uma placa de trânsito.
É noite alta, de lua nova. Uma menina mulata, já preparada para dormir (com
os cabelos enrolados, camisola comprida e pantufas), leva um vaso de amores-
perfeitos, acompanhada por seu cão. Para onde irão? É preciso seguir além da
curva da rua e virar a página para saber. Quem vai receber o presente?
No segundo par de páginas, o foco narrativo se aproxima e vemos que a menina
seguiu além da igreja e foi dar na casa de um menino branco, o seu príncipe
encantado, que tem, sobre uma arca, livros, uma vela acesa, um globo terrestre
e um bule de café. Na parede da casa do menino, há um quadro com astros
celestes.
A história continua com o menino levando o vaso de flores para a casa de uma
vizinha, uma leoa quituteira, chamada Quimera. Com ela, troca as flores por
um prato de suspiros.A riqueza de detalhes continua.Há roupas na corda, uma
cabra que espreita e o cachorro que segue o menino. Do lado de dentro da
casa da leoa, o cenário é composto por um banco e uma mesa tipicamente
mineiros. Os ingredientes dos doces são caracterizados e o livro de receitas
será aberto nas páginas de sonhos e suspiros. Gatos se espalham preguiço-
samente pela casa.
34
Na cena seguinte, o menino volta comendo suspiros e D. Quimera se despede
dele, já tendo colocado o vaso de amores-perfeitos na janela, de onde a cabra
começa a puxar com a boca uma flor e o cão espreita, sendo observado por um
gato caolho.
No outro par de páginas, a história se complica com o roubo do vaso de flores
pelo gato caolho, enquanto o cachorro afugenta a cabra, que sai correndo.
Em seguida, o gato sobe no telhado e vai oferecer as flores roubadas a uma
gata faceira, enquanto o cão protesta embaixo.
O foco narrativo se volta para dentro da casa da gata, que recebe uma
declaração de amor de seu admirador. São secundados pelo cachorro, que late
embaixo, e pela cabra, que toca flauta. Cupido observa sentado num banco e
vários ratos se enternecem com a cena de amor.
Só que, de tão enlevado, o gato se desequilibra e deixa cair do telhado o vaso
de flores. Será que o cachorro conseguirá recuperar o vaso? Ou ele se quebrará
na queda?
A primeira hipótese é a verdadeira. O gato é repudiado pela amada e o cão
ganha o vaso, trazendo-o de volta para o local do início da história. Porém a
noite já passou e o sol aparece por trás das montanhas. O cão retorna ao lar e
devolve o vaso a sua dona, que o acaricia.
Fechando o livro, na última capa, observamos o interior da casa da menina,
que outra vez segura o vaso de amores-perfeitos. Nesse eloqüente texto
pictórico, várias histórias de amor são esboçadas: a da menina, a dos gatos e a
fidelidade do cão.
As três situações têm soluções diferentes. Subjazem aos microconflitos várias
indagações, baseadas numa leitura metafórica. O príncipe encantado saberá
apreciar a oferta dos amores-perfeitos?
Quantos de nós já trocamos amores-perfeitos por suspiros e sonhos feitos por
uma quimera?
O prazer do doce substitui o presente de amor?
A recompensa para o esforço da fidelidade se paga com um afago de agrade-
cimento?
35
Por outro lado, observamos uma série de comportamentos distintos: o da
menina apaixonada, o do menino guloso, o gato aproveitador, a gata mimada
e o cachorro vigilante
A estrutura circular da história remete ao começo do texto e convida para
novas leituras e interpretações.Trata-se, pois, de uma obra que possibilita vários
níveis de reflexão e observação, demonstrando que o emprego criativo da
imagem, no livro, pode também sugerir a fruição por diversas categorias de
público.
YUNES, Eliana, PONDÉ, Glória. Leituras e leituras da literatura infantil. São Paulo: FTD, 1988, pp. 86-
89.
Você viu quantas idéias podem ser lidas num livro de imagens? E isso sem falar na
intertextualidade, nas inferências e extrapolações... Que leitura! Que riqueza, hem?
Vale a pena explorá-la, não acha?
O passeio de Rosinha, de PAT HUTCHINS. Coleção Crianças Criativas. Petrópolis:
A&A&A, 1992.
O passeio de Rosinha O passeio de Rosinha
O passeio de Rosinha O passeio de Rosinha
O passeio de Rosinha é um álbum com o seguinte texto:
A galinha Rosinha foi passear à tardinha/ andou pelo quintal/ caminhou em
volta do lago/ passou por cima do monte de capim/ em frente ao moinho/
atravessou a cerca/ passou por baixo da colméias/ e voltou bem na hora do
jantar.
(Da
colméia
ou das
colméias)
36
A ilustração, em cores, rica em detalhes, sugestiva e muito criativa, estabelece incrível
diálogo com o texto. Seguindo a galinha Rosinha, aparece o tempo todo uma raposa,
caçando-a. Só que cada bote ou movimento que a raposa faz parapegar a galinha
acaba num desastre: pula em cima de um ancinho que bate em seu focinho; cai
dentro do lago e no monte de capim; é soterrada pela farinha do moinho; quando
salta a cerca, cai em cima de um carrinho, que dispara, passando batendo nas
colméias, enfurecendo as abelhas que saem em sua perseguição, enquanto a galinha
volta tranqüilamente a tempo para o jantar.
Não foi à toa que esse livro recebeu o prêmio Livro Notável, concedido pela American
Library Association – USA.
Encontra-se também em vídeo o nº 5 de Crianças Criativas, citado para Feliz
aniversário, Lua. A apresentação de um enriquece o outro, permitindo diálogo,
comparações, escolhas, novas formas, surpresa, prazer.
Talvez Eva Furnari seja a nossa mais
famosa autora de livros de
imagens, além de ilustrar muitos
livros de autores consagrados.
Agora, Eva partiu para um trabalho
com bonecos, do qual
TRUKSTRUKS
TRUKSTRUKS
TRUKS é o
primeiro livro, uma história de
transformações desastradas que
acabam bem, mas... com uma
surpresa que vai gerar discussões
entre suas crianças. Leia o texto da
4ª capa:
A Bruxinha que muita gente já conhece provou que tem mesmo talento e
transformou-se numa grande estrela! Ela é a personagem principal da peça
que Eva Furnari e o grupo Truks, de teatro de bonecos, vêm apresentando nas
escolas da cidade de São Paulo. Com histórias e bonecos criados pela própria
Eva e fotos de Gustavo Campos, Truks, o livro, é o primeiro de uma série colorida
e alegre, que vai agradar a todas as crianças.
37
Você vai se apaixonar pela história contada pelas imagens extraordinárias de Graça
Lima. Leia o que ela diz:
Noite de cãoNoite de cão
Noite de cãoNoite de cão
Noite de cão
Gosto muito de animais, em especial de cães. Sobre eles existem várias histórias
e muitos já se tornaram famosos, como o Rintintin, o Snoopy, a Lassie, o Pluto,
o Astor, a Dama e o Vagabundo etc. Quando eu era pequena, me diziam que
os cachorros, ao uivar para a lua cheia, anunciavam a chegada de fantasmas.
Apesar das histórias misteriosas que envolvem o cão, ele tem sido, através dos
tempos, o símbolo da amizade, da fidelidade, do companheirismo e do afeto.
Não raro encontramos expressões e provérbios que utilizam a sua imagem:
“bom pra cachorro”, “vai chover pra cachorro”, “fulano é um cão”, “cão que
ladra não morde” etc.
“Noite de cão” é uma dessas expressões e geralmente é utilizada para se dizer
que se teve uma noite ruim, cansativa. Resolvi então brincar com essa idéia e
imaginar como seria, para um cão, uma noite de cão.
Este livro,
As memórias da Bruxa OnildaAs memórias da Bruxa Onilda
As memórias da Bruxa OnildaAs memórias da Bruxa Onilda
As memórias da Bruxa Onilda,
recebeu o prêmio Monteiro Lobato
(FNLIJ 1990), categoria tradução: Altamente Recomendável. É um livro para crianças
de 8 a 80 anos, casamento feliz de texto e imagem. É interessante ler as orelhas do
livro e, se quiser um cinema de animação, fazer o que pede a coruja da 4ª capa, que
aparece em quadros no canto superior direito de cada página ímpar.
38
(Obs.: não confundir a Bruxa Onilda com a Bruxinha Atrapalhada, de Eva Furnari,
que também é ótimo.)
Dez sacizinhosDez sacizinhos
Dez sacizinhosDez sacizinhos
Dez sacizinhos é uma versão otimista da popular história africana Os dez negrinhos.
São excelentes as oportunidades de diálogo texto-ilustração.
39
ZOOMZOOM
ZOOMZOOM
ZOOM. Álbum de 64 páginas de ilustrações mutantes. Na 1ª página, bem grande, há
um desenho vermelho recortado, que na 2ª página, pelo efeito de zoom, mostra ser
parte da crista de um galo que aparece inteiro na 3ª página,em cima de uma cerca,
observado de uma janela por duas crianças. Estas, por sua vez, com o afastamento
do zoom, estão sobre um banco, vistas pela porta aberta de uma casa que vai aparecer
junto com outras e com diversos animais de uma fazenda, blocos móveis de um jogo
(de uma caixa sobre a mesa), manipulado por uma menina que está na capa de uma
revista segura por um menino que está no convés de um navio que... São inúmeras
situações, uma incluindo a outra, mostradas pelo zoom, cada vez mais em
profundidade.
Como incentivo, leia a 4ª capa do livro:
Este livro provocante, sem palavras, pode ser “lido” tanto de frente para trás
como de trás para frente. De qualquer maneira, é uma experiência
surpreendente!
Suas ilustrações saltam aos olhos como se o espectador tivesse se afastado
rapidamente de cada página.
ZOOM – O que você vê? Duas crianças brincando numa fazenda.
ZOOM - O que você vê? Duas crianças brincando com uma fazenda de brinquedo.
40
Mas não pare por aí. Justo quando você pensa que sabe onde está, ZOOM... de
novo!
Este livro inovador mudará suas idéias sobre tudo o que você vê. Os leitores
que se preparem para uma aventura não só surpreendente, como até
filosófica,pois nada é o que parece ser.
PARA RELEMBRAR
- Os signos podem ser ícones, índices, símbolos.
- Ícones, indícios e símbolos podem ser LIDOS (INTERPRETADOS).
- A leitura de gravuras, ilustrações e todo tipo de imagem é uma leitura icônica.
- A leitura do texto impresso ou manuscrito é uma leitura simbólica.
- Os livros de literatura só de ilustrações são os livros de imagem.
- Os livros de literatura que conjugam menos texto e mais imagem são os
álbuns.
- As leituras de imagens ou dos diálogos texto-imagem precisam fazer parte
da prática pedagógica do(a) professor(a).
ABRINDO NOSSOS HORIZONTES
Orientações para a prática pedagógica
Objetivo específico: realizar com suas crianças a análise de diferentes tipos de imagens.
Atividades sugeridas
1. No Módulo I, Unidade 2, Comunicação verbal e não-verbal, o item 3 trata de
análise das imagens e apresenta uma série de sugestões tão interessantes e
proveitosas, que as indicamos aqui para você relembrar pontos importantes desse
trabalho. Se você as tiver desenvolvido todas, parabéns; vale fazer novamente,
-
41
utilizando, é claro, imagens e livros diferentes. Se elas não tiverem sido de sua
escolha, agora é a hora. Aproveite!
2. Observação de imagens (descritivas e narrativas) pelas crianças. Utilize revistas,
jornais, livros-texto, livros ilustrados do Cantinho de Leitura. Peça às crianças que
criem um texto coletivamente a partir de suas “leituras” das imagens e ditem
para você.
GLOSSÁRIO
Afago: carícia ligeira, carinho.
Campanário: torre com sinos.
Detectar: descobrir.
Devaneio: sonho, fantasia, imaginação.
Excludente: que exclui, omite, deixa de fora.
Figuração: que aparece com papel secundário, sem importância.
Inferir: deduzir pelo raciocínio.
Insólito: contrário às regras, aos costumes; inabitual, incomum.
Insuspeitado: do qual não se desconfia ou suspeita.
Míope: de vista curta; na linguagem figurada, pouco inteligente, pouco perspicaz.
Onírico: referente a sonhos, fantasias, quimeras.
Prescindir: não levar em conta; pôr de lado.
Provocador: desafiador, estimulador, incitador..
Quimera: sonho, utopia, fantasia; monstro da mitologia grega com cabeça de leão,
corpo de cabra e cauda de dragão.
Subjazer: estar por baixo, escondido; estar subentendido, sem se manifestar.
Zoom: efeito de fotografia e de filmagem que faz um detalhe da imagem se aproximar
rapidamente.
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SUGESTÕES PARA LEITURA
MARTINS, Miriam Celeste et alii. Didática do ensino de arte. A língua no mundo.
Poetizar, fruir e conhecer. São Paulo: FTD, 1998.
A obra trata de aspectos didático-metodológicos relacionados ao ensino da arte e à
importância dessa área na formação da criança. Mostra como a arte pode ajudar em
uma formação mais integral, além de trazer interessantes reflexões sobre a prática
pedagógica.
VANOYE, Francis. “A expressão verbal e suas relações com outros meios de
expressão”. In: Usos da linguagem. Problemas e técnicas na produção oral e
escrita. São Paulo: Martins Fontes, 1996.
Esse texto apresenta uma interessante reflexão sobre a relação existente entre a
comunicação verbal e as demais formas de expressão humanas. Possibilita uma
reflexão importante sobre os cuidados e a importância de a comunicação processar-
se bem tanto na vida humana em geral quanto na prática pedagógica em particular.
43
IDENTIDADE, SOCIEDADE E CULTURA
QUESTÃO AMBIENTAL: O LOCAL E O GLOBAL
ABRINDO NOSSO DIÁLOGO
Olá, professor(a),
Chegamos à última unidade deste módulo. Esperamos que você esteja gostando dos
assuntos que selecionamos para você.
Você já ouviu dizer que a Terra está ficando mais quente? Dizem os cientistas que
sim. As temperaturas médias na superfície terrestre subiram entre 0,3
0
C 0,6
0
C desde
que começaram os registros, em 1860.
Os cientistas que estudam esse fenômeno – mudança do clima – dizem que uma das
causas do aumento da temperatura é o efeito estufa, fenômeno que você estudou
na Unidade 1 de Vida e Natureza, neste mesmo módulo, lembra-se? Os dez anos
mais quentes do século aconteceram desde 1980 e há sinais de que os anos 90 estão
sendo ainda mais quentes. BRASÍLIA ATENÇÃO (verificar informação ou colocar o
verbo no passado(foram), pois os anos 90 já passaram)
Os estudos mostram que a Terra ficará mais quente e mais úmida, com mais chuvas
e enchentes em algumas áreas. Em outros lugares poderão ocorrer secas e, de uma
forma geral, haverá um acréscimo no número de dias muito quentes.
Mesmo não podendo prever ao certo o que irá acontecer, o ritmo dos fenômenos
climáticos que estão ocorrendo mostra que devemos mudar a nossa relação, pois
muitas das nossas ações estão desequilibrando o ecossistema. Vamos descobrir os
principais problemas ambientais que afetam o planeta Terra na atualidade.
Neste módulo, estamos articulando a visão de mundo aos estudos da localidade para
entender os fenômenos como poluição das águas, do ar, efeito estufa em escala
planetária e local. Se você pensar bem, os rios que jogam a água no mar, o mar que
banha os continentes e a água que evapora e se move nas camadas da atmosfera
mostram que o ambiente não tem fronteiras. Assim, também, os problemas ambientais
não têm fronteiras.
-
44
Ao sujar um córrego, você não deve apenas pensar no córrego que passa pelasua
localidade, mas deve se lembrar de que aquele córrego é afluente de outro que
também leva as águas para outro e, assim, até lançar as águas ao mar.
Existem estudos que dizem que a água vai ser uma das mercadorias mais raras,
caras e cobiçadas daqui algumas décadas, conforme você estudou na Unidade 7, de
Vida e Natureza, neste módulo. Vamos pensar nisso, nos momentos em que utilizamos
água de forma pouco pensada, desperdiçando e sujando?
Depois de estudar esta unidade, esperamos que você se sinta parte do ambiente e
responsável pela preservação e melhoria da qualidade de vida da sua localidade.
Vamos lá?
DEFININDO NOSSO PONTO DE CHEGADA
Os objetivos específicos desta área temática:
Ao finalizar seus estudos, você poderá ter construído e sistematizado aprendizagens
como:
1. Identificar problemas ambientais da atualidade.
2. Reconhecer a ausência de fronteiras para os principais problemas ambientais.
3. Analisar práticas ambientais comprometidas com a qualidade de vida da
população.
CONSTRUINDO NOSSA APRENDIZAGEM
Esta área temática foi dividida em três seções. A primeira trata dos problemas
ambientais da atualidade e procura discutir as causas desses problemas, como efeito
estufa, derrubadas, queimadas, uso indevido do solo. A segunda seção mostra como
os problemas ambientais, como a poluição atmosférica ou das águas, não têm
fronteiras, e na Seção 3 vamos analisar o desenvolvimento científico e tecnológico
não como causador de degradação ambiental, mas principalmente como possibilidade
de encontrar alternativas ara melhoria da qualidade de vida para a sociedade. Vamos
sempre estar chamando você a assumir a responsabilidade de provocar mudanças.
Gostaríamos que estudasse esta unidade por mais ou menos três horas, lendo e
resolvendo as atividades.
-
-
45
Seção 1 – Impactos ambientais
Ao finalizar seus estudos desta seção,
você poderá ter construído e sistematizado
a seguinte aprendizagem:
– Identificar problemas ambientais na atualidade.
Na Unidade 2 do Módulo II, nesta mesma área temática, você analisou um
desmoronamento, utilizando fotos e mapas. Você estudou que a erosão ocorre devido
à combinação de vários fatores, como chuva, declividade, tipo de solo desmatamento.
Lembra-se de que estudamos que a ação do homem na construção de estradas
acelera o processo de deslizamento? Nós podemos considerar que aquelas fotos que
você tem, naquela unidade, retratam um acontecimento que provocou um impacto
ambiental local, não acha? Vamos conhecer outros problemas que causam impactos
no ambiente da Terra.
área de vegetação nativa extinta área de mineração contaminando o solo e a água área sujeita a intenso processo de erosão
Figura 1: Impactos ambientais
Fonte: MARTINELLI, 1997.
Essa coleção de três mapas ajudará você a identificar problemas que causam impactos
ambientais no Brasil, atualmente.
46
Atividade 1
Vamos ler cada um dos mapas, para depois compará-los.
a) Veja cada mapa com atenção e diga quantos e quais problemas estão
representados neles.
b) Observando os mapas comparativamente, veja: qual dos problemas está
afetando maior extensão do território brasileiro?
Esses problemas, colocados nos três mapas da figura 1, estão ligados à ação das
pessoas.Tanto a extinção da vegetação nativa como a mineração que contamina o
solo e a água são provocadas pelas pessoas que retiram madeiras, minérios, constroem
estradas, casas, enfim, que usam o solo e alteram seu equilíbrio.
Ao comparar os mapas, podemos perceber que o problema que afeta grande parte
do território brasileiro é a extinção da vegetação nativa. Veja no mapa da figura 1
que esse problema afeta uma grande parte do litoral e da Região Centro- Sul. Vamos
estudar de perto o que aconteceu com as florestas tropicais.
Florestas tropicais
Florestas tropicais são as formações vegetais de maior diversidade, com árvores de
vários tamanhos e espécies. Essas florestas foram cobiçadas desde os tempos do
Brasil-Colônia, devido à riqueza e variedade de sua vegetação e de sua fauna. E
sabemos que pouco resta dela.
47
Um dos principais impactos ambientais que ocorrem em um ecossistema natural é a
devastação das florestas. Essa devastação, tanto nas florestas brasileiras como nas
florestas da África, ocorre devido a interesses econômicos. Lembra-se de que na
Unidade 6 desta mesma área temática, neste módulo, você estudou que a produção
brasileira participa do comércio internacional? As madeiras de lei atraem para a região
as companhias madeireiras nacionais e principalmente de outros países.
Colocamos algumas imagens para você refletir sobre a devastação das florestas.
Muitas vezes, as imagens comunicam alertas com mais força. Veja asfotos e analise
a situação das florestas brasileiras.
Figura 2
Atividade 2
Vamos analisar essa seqüência de imagens:
a) Descreva o que você vê em cada imagem.
48
b) Reflita, agora, sobre o que mostra o conjunto das três imagens. Veja que,
juntas, elas podem contar uma história em seqüência. Descreva, então,
comoseria a imagem foto, se a história continuasse.
O mapa da figura 1 e as três imagens da figura 2 são representações da realidade
brasileira. Você estudou que a sua localidade é o mundo. Você já sabe que
nenhuma região está isolada e que há uma interdependência de cidades, regiões,
países. Quando as madeiras extraídas aqui no Brasil são vendidas para outros
países, o nosso país está fazendo parte do comércio internacional. E entre os
parceiros do comércio há dependência mútua, porque quem vende, vende porque
há comprador.
Ao observar o mapa do mundo, você verá que o problema do impacto ambiental
causado pela devastação das florestas não acontece apenas no Brasil.
O comércio internacional movimenta mercadorias do mundo todo, desde café, soja,
ferro, petróleo, flores, madeira, seda, computadores, máquinas, comidas, roupas.
Nas negociações entre os países, aqueles que não têm muitas opções rasgam suas
terras, retiram suas árvores e minérios para poderem participar do mercado do
mundo. O território desses países mais pobres são mais afetados por impactos
ambientais.
Veja no mapa que colocamos a seguir como existem países que exportam madeira
no mundo!
Vamos ler e refletir sobre o que o mapa nos informa:
49
Figura 3: Movimento internacional da madeira
Fonte: PEREIRA,1993
Atividade 3
Observe o mapa e responda:
a) Quais são os países que exportam madeira?
b) Para onde as setas da exportação de madeira se dirigem?
50
Você já estudou em outras unidades que um fenômeno não pode ser analisado apenas
de uma forma, mas precisamos pensar em muitos fatores que estão interligados.
Então vamos por partes. Você lembra que na Unidade 6 deste mesmo módulo, nesta
mesma área temática, você estudou o mapa da divisão do mundo entre ricos e pobres,
o qual chamamos “Divisão Norte e Sul”? Esse mapa mostrou que existem países
ricos que investem muito dinheiro em áreas sociais como educação e saúde e que,
portanto, têm pequena porcentagem de analfabetos, mortalidade infantil; e outros
países, considerados pobres, que não investem em educação e têm grande
porcentagem de analfabetos.
Na análise da situação social e econômica desses países, estudamos que os países
pobres dependem dos países ricos para obter tecnologia, empréstimos e mercado de
compra. Assim, a relação entre os países no mercado internacional não é equilibrada.
Se um país pobre necessitar de empréstimo, acaba se submetendo às exigências dos
países que dirigem os bancos internacionais.
Podemos, por exemplo, analisar o caso particular do desmatamento. Ele ocorre
principalmente como conseqüência da:
- extração da madeira para fins comerciais;
- instalação de projetos agropecuários;
- implantação de projetos de mineração;
- construção de usinas hidrelétricas;
- propagação do fogo resultante de incêndios.
A exploração da madeira é feita clandestinamente ou, muitas vezes, por meio de
acordo com governos não comprometidos com a questão ambiental .Muitas vezes
existe um acordo com governos de outros países na comercialização da madeira,
projetos agrícolas e minerais, instalação de barragens. Esses projetos de grande escala
acabam provocando problemas no equilíbrio do ecossistema ambiental. Muitos desses
projetos são comandados por grandes grupos internacionais que não levam em conta
os interesses da população local. Sem recursos, essa população é obrigada a buscar
outros espaços para morar e produzir.
51
Atividade 4
Observando as imagens (figura 2) e o mapa (figura 3), escreva um texto de
mais ou menos três linhas para explicar as principais causas da diminuição das
florestas tropicais em nosso país.
Os incêndios e as queimadas de florestas são provocados para implementação de
atividades agropecuárias e também em projetos milionários que envolvem governo e
empresas multinacionais.
As conseqüências do desmatamento não podem ser delimitadas nem medidas com
exatidão, porque o desequilíbrio ecológico não tem fronteiras.
Você sabia que o solo da Amazônia é pobre e infértil? Praticamente ele serve apenas
para sustentar as árvores! É inacreditável que uma vegetação tão rica esteja em solo
tão pobre, não é mesmo? E se refletirmos sobre essa realidade, ela é na verdade
assustadora, pois o desmatamento provocará um verdadeiro colapso na
Amazônia.Você quer entender por quê? Vamos lá: a aparente contradição entre
uma floresta rica sobre solo infértil só pode ser explicada por uma perfeitacombinação
entre os elementos. Existe na realidade um perfeito reaproveitamentodos nutrientes
como folhas, galhos, animais com garantia de completa restituiçãoao solo por
apodrecimento, tanto das plantas como dos animais. Esse equilíbrio só se mantém
em conjunto: plantas, animais, chuvas, luz, calor, solo, microrganismos.Nenhum desses
elementos do conjunto pode faltar ou ser modificado.
Então, você entendeu a gravidade do desmatamento. O problema não será de uma
ou outra árvore que fará falta, mas sim que qualquer elemento retirado comprometerá
o equilíbrio desse ecossistema.
Se o desmatamento estiver ligado às queimadas, o problema ficará ainda mais
grave!
52
O ar que a fumaça da queimada polui na Amazônia ou na Mata Atlântica pode ser
levado a milhares de quilômetros de distância e provocar desequilíbrios em outros
países, outros continentes.
O ar circula sem fronteiras. Quando você ouve a previsão de tempo sobre a chegada
de uma frente fria, é sinal de que vêm vindo ventos frios lá do Pólo Sul, passando pela
Argentina e pelo Uruguai, antes de chegar à sua localidade. Você já pensou nisso?
Você estudou na Unidade 1 de Vida e Natureza, neste módulo, como a queima de
combustíveis fósseis, como petróleo, carvão e gás natural, libera CO
2
, o gás carbônico.
Quando as florestas são derrubadas e queimadas, todo o carbono contido nas árvores
e parte do que está no solo são liberados para a atmosfera. O gás carbônico, o vapor
d’água e outros gases formam uma barreira na atmosfera que deixa passar a luz do
Sol, mas retém o calor irradiado pela superfície terrestre. Esse fenômeno chama-se
efeito estufa. Você estudou na Unidade 2 do Módulo II desta mesma área temática
que existem ações das pessoas que podem interferir no ritmo da natureza. Assim
como existem acontecimentos que não dependem da ação das pessoas. O efeito
estufa, por exemplo, é um fenômeno da natureza, mas, quando o homem provoca
queimadas na floresta, ou queima petróleo, carvão ou gás natural, o gás carbônico é
liberado e acentua o calor provocado. Essas ações das pessoas desequilibram o
funcionamento do sistema natural e causam impactos no ambiente.
Seção 2 – Local e global: as escalas espaciais e temporais do ambiente
Ao finalizar seus estudos desta seção,
você poderá ter construído e sistematizado
a seguinte aprendizagem:
– Reconhecer a ausência de fronteiras para
os principais problemas ambientais.
Você já viu muitos mapas e os analisou geograficamente, não foi? Esperamos que
aos poucos os mapas ganhem significado para você, com informações que podem
ser interpretadas e estudadas.
O mapa pode muitas vezes ser mais esclarecedor do que um texto, porque ele fala
por meio de imagens. Veja o mapa que colocamos a seguir para que você entenda o
título desta seção: “Local e global: as escalas espaciais e temporais do ambiente”.
Esse título significa que podemos ter um problema na localidade, hoje, que você vê à
53
sua frente, como um rio poluído ou uma queimada. Esse problema não pode ser
estudado isoladamente, pois precisamos pensar na sua extensão para além do
observável. O que significa “além do observável”? Significa que existem
acontecimentos que estão relacionados a fatos que ocorreramanteriormente à
manifestação do problema à nossa frente. Esses problemas necessitam ser conhecidos
e analisados para se entender melhor o fenômeno que está sendo observado, para
além do espaço e tempo atuais. Por outro lado, precisamos entender que a água e o
ar não têm fronteiras e que, portanto, o que ocorre na nossa localidade pode se
espalhar por outros territórios, de forma que não podemos conhecer nem temos
controle sobre sua delimitação. Complicado? Nem tanto... vamos explicar melhor.
Vamos interpretar o mapa a seguir:
Figura 4: O meio ambiente sem fronteiras
Fonte: SCAZARETTO,1996
O título do mapa já nos permite refletir sobre a gravidade dos problemas ambientais:
eles não têm fronteiras. E a primeira informação que chama a nossa atenção é a
quantidade de agressões ambientais que ocorrem no planeta, não é mesmo? Outra
informação que o mapa traz é que o local que deu origem à agressão pode ser
identificado, mas a expansão de seus efeitos não pode ser medida nem mapeada.
54
O problema causado por derramamento de óleo, por exemplo, afeta a qualidade da
vida na água dos oceanos. Como podemos medir até onde o óleo se espalhará?
Veja o mapa de correntes marítimas (figura 6) para entender como as águas do
oceano se deslocam pelo mundo. Reflita sobre como um derramamento de oleo na
Baía de Guanabara, por exemplo, pode causar danos em localidades distantes.
Observando o mapa (figura 4), você percebe um quadrado verde que se localiza no
Brasil.Veja a legenda e você irá identificá-lo como desmatamento, certo? Esse
problema, de graves conseqüências ambientais, está ligado a outro igualmente grave,
igualmente agressor. Você já percebeu como o desmatamento é um problema que
traz conseqüências que não imaginamos. Se, além de desmatar, as pessoas
queimarem os restos da floresta, as conseqüências para o equilíbrio do ecossistema
ficam maiores. Veja de novo a seqüência das fotos da figura 2 e as reflexões que
você fez na Atividade 2!
Como medir o ar que poluímos? Se você soltar um pedaço de papel ao vento, ele
certamente nunca mais será encontrado... Assim será com a poluição do ar: é difícil
delimitar o efeito do gás carbônico que é liberado no ar com a queimada das florestas.
Atividade 5
Vamos entender melhor o que o mapa nos informa?
a) Veja os problemas representados no mapa (figura 4) e cite aqueles que
ocorrem no Brasil.
55
b) Qual o maior problema que ocorre no Brasil?
Vamos agora estudar também os problemas ambientais no ambiente das águas.
As águas: rios, lagos, oceanos...
Nosso planeta é constituído de águas, em sua maior parte. A água que recobre 3/
4 de nosso planeta não é eterna. Mas não basta haver água. Ela tem que ser
encontrada na hora certa e no lugar certo: de que vale a água em abundância
que causa inundações? De que vale a água subterrânea para pessoas que não
têm os meios para cavar um poço e utilizá-la? E acrescentaríamos: de que vale a
água contaminada?
Existem várias formas de utilização da água: navegação, pesca, higiene, geração
de energia, lavagem e resfriamento de máquinas industriais, produção de bebidas,
remédios etc.
Você já entendeu que não conseguimos delimitar o ar que poluímos. O mesmo
acontece com a água.
Ao observar o mapa de bacias hidrográficas do Brasil, você verá que o córrego
que passa pelo seu município é afluente de outro maior, e muitos rios formam
uma teia de rios, até serem lançados ao mar. O mar é outro lugar imenso, sem
limites. Todo ele está interligado. Então, a poluição que as pessoas causam no
córrego do próprio município não afeta apenas a vida daquela localidade. Vamos
entender melhor essa questão?
56
Figura 5: Bacias hidrográficas do Brasil
Fonte: MARTINELLI,1998.
atividade 6
Observe o mapa da figura 5.
a) Escreva o nome da bacia à qual pertence o rio que passa pela sua localidade.
b) Percorra o rio principal da bacia com o dedo e indique onde ele desemboca.
57
Atividade 7
Escreva uma frase mostrando que, se você jogar uma lata no córrego em sua
localidade, ela pode ir para o Oceano Atlântico.
O problema pára aí?
Você precisa refletir ainda sobre as latas e os outros objetos que se acumulam nos
córregos e provocam o transbordamento de suas águas. Os problemas são complexos,
de difícil análise. Vamos tentar entender a extensão do problema, analisando o mapa
de correntes marítimas.
Vamos observar o mapa a seguir:
Figura 6 – As correntes marítimas, movimento no mundo das águas
Fonte: DE SENE,1998.
58
Atividade 8
Vamos fazer a leitura do mapa como sempre temos feito.
a) O que mostra o mapa?
b) Quais os tipos de correntes marítimas que existem?
c) Quais os nomes das correntes que passam nas costas brasileiras?
d) Como é o trajeto da corrente do Brasil?
O córrego de sua localidade desemboca direta ou indiretamente no oceano .
Por outro lado, as correntes marítimas podem carregar e espalhar as coisas pelos
oceanos do mundo. Além dos problemas que ocorrem devido aos movimentos das
águas, você deve pensar nos seguintes itens:
- Ciclo da água. Além de pensar em rios, mares e oceanos, você deverá pensar
em circulação atmosférica também.
- Lençóis de água subterrâneos. Você vai entender que as coisas que jogamos
na terra podem comprometer a qualidade da água!
59
Veja no desenho a seguir (figura 7) como a água circula e como a contaminação do
solo pode afetar a qualidade da água subterrânea.Tente imaginar como o ciclo da
água da chuva pode contaminar a água que abastece sua casa, mesmo que ela
venha de um poço perfurado especialmente com essa finalidade!
Figura 7
Atividade 9
Vamos pensar então que precisamos entender os problemas ambientais como
globais e sem fronteiras. Faça um texto de mais ou menos quatro linhas
explicando o significado da frase: “Os problemas ambientais são globais e não
têm fronteiras”.
Seção 3 – Para cuidar do planeta Terra
Ao finalizar seus estudos desta seção, você poderá ter
construído e sistematizado a seguinte aprendizagem:
– Analisar práticas ambientais comprometidas com a
qualidade de vida da população.
Após conhecer as diferentes formas de poluição ambiental, e entender que os
problemas ambientais não obedecem a fronteiras, vamos respirar um pouco para
refletir sobre as soluções que existem. A poluição não é um fenômeno impossível de
Água limpa
Água contaminada
LIXO
60
se combater. Os problemas podem ser estudados, as causas investigadas pelas ciências
e as soluções podem ser desenvolvidas por meios técnicos e científicos. Certamente foi
a industrialização que provocou uma grande parte dos fenômenos poluidores: fumaça
das fábricas, gases dos carros, caminhões, motosserras etc. Mas podemos pensar que
a ciência indica caminhos: pesquisas estão sendo feitas com a preocupação de propor
alternativas para se resolver ou prevenir os casos de poluição.
Existem soluções mais diretas, como tratamento de esgotos, coleta seletiva e
reciclagem de lixo, utilização de filtros em chaminés de indústrias. Também muitas
pesquisas estão se desenvolvendo na busca de formas alternativas de obtenção de
energia que possam diminuir a utilização de petróleo. Carros não poluentes, movidos
a baterias elétricas, energia solar, energia eólica etc., também estão sendo testados.
Existem ainda soluções indiretas, como o desenvolvimento dos meios de comunicação,
que diminuem o trânsito de pessoas e carros nas vias urbanas.
Por isso, não podemos colocar as indústrias no banco dos réus. É preciso sempre ver
as coisas de vários ângulos.
De um lado, foi o desenvolvimento industrial que aumentou o índice de emissão de
gases na atmosfera. Por outro lado, o desenvolvimento industrial, científico e
tecnológico trouxe também algumas soluções.
Os países desenvolvidos poluem mais. Mas são eles que têm também gastado mais
dinheiro em pesquisas para melhorar a qualidade de vida, descobrindo energia
alternativa que polua menos.
Desenvolvimento não pode ser entendido como sinônimo de destruição do meio
ambiente. Preservar significa ter um compromisso com a biodiversidade. A idéia de
preservação como contemplação das belezas naturais não ajuda a entender os
mecanismos do funcionamento do ecossistema. Para um compromisso com a qualidade
de vida, é preciso ir além da contemplação danatureza. É preciso entender como ela
funciona, sentir-se parte dela, ter participação comprometida com busca de
informações, ações inteligentes e refletidas. Sabedoria significa pensar além do tempo
atual, pensar nas gerações futuras. É importante que você procure se informar sobre
as formas como algumas localidades estão resolvendo problemas semelhantes, como,
por exemplo, a coleta seletiva de lixo e o desenvolvimento de projetos para
reaproveitamento de produtos de plástico, lata e vidro.
61
Propostas possíveis para a melhoria da qualidade de vida: o que fazer?
É preciso diminuir os níveis atuais das emissões de gases-estufa. Para isso, é necessário
desenvolver tecnologias que economizem energia e reduzam a emissão de
poluentes.Também é preciso racionalizar as atividades industriais de transportes e
reduzir a queima de florestas.
O habitat do homem é a superfície terrestre. Nela você mora, sobrevive, respira,
utiliza água, planta... Todos os elementos da paisagem, como solo, habitações, clima,
estradas, viadutos, vegetação, prédios, avenidas, praças, rios, mar, formam o meio
ambiente. Todos os que nela habitam devem cuidar para que ela seja habitável sem
prejuízo da qualidade de vida.
Atividade 10
Explique com suas palavras por que dizemos que desenvolvimento não pode
ser considerado contrário a preservação.
Atividade 11
As pesquisas sobre carros elétricos, sobre utilização de energia eólica e solar
podem diminuir a emissão de gases. Por isso, não podemos colocar as indústrias
no banco dos réus. É preciso sempre ver as coisas de vários ângulos, não cha?
Escreva a sua opinião: a indústria é sempre prejudicial ao meio ambiente?
62
No ambiente rural, também o uso do solo pode provocar danos ao ambiente. Você
estudou no Módulo II, Unidade 2, que os cortes em área de declividade podem acelerar
o processo de erosão, principalmente em épocas de chuvas fortes e abundantes.
Então, em áreas com declividade não se planta?
Veja os desenhos abaixo:
AB
Ao se retirar a cobertura vegetal em área de encosta, o que aconteceu? O solo ficou
exposto aos ventos e à chuva e a erosão foi facilitada e acelerada. No entanto, ao
utilizar técnicas adequadas para plantar, esse problema pode ser evitado. Compare
os desenhos A e B para acompanhar a nossa análise:
No caso do desenho A, a retirada da mata e a plantação fazem com que a proteção
dada pelas árvores e raízes que seguram o solo diminua e, com isso, o processo de
erosão pode ocorrer de forma a prejudicar sua fertilidade. Primeiro, porque a parte
superficial do solo irá escorrer declive abaixo, e depois porque no solo nu, sem a
proteção das raízes, a água da chuva vai se infiltrar rapidamente para camadas
inferiores, levando a fertilidade para partes mais profundas. Esse fenômeno, que se
chama lixiviação, é uma das causas do empobrecimento dos solos em regiões
desmatadas.
No desenho B, a plantação foi colocada obedecendo às curvas de nível, que são
linhas que seguem em pontos de mesma altitude. As curvas de nível serviram para
traçar um nivelamento para que a plantação ocorresse em degraus. Esse sistema,
também chamado de terraceamento, ajuda a segurar a terra, impedindo-a de
escorrer encosta abaixo e protegendo o solo, que ficará menos exposto à erosão.
63
Essa forma de plantio também evitará que a terra seja jogada no leito dos rios, causando
transbordamento das águas por ocasião da estação das chuvas.
Dessa forma, podemos dizer que certas técnicas desenvolvidas por estudos científicos
possibilitam uma ocupação do solo que prejudique menos o ambiente.
Atividade 12
Volte a observar os dois desenhos A e B e analise-os, comparando as duas
formas de plantar. Coloque falso (F) ou verdadeiro (V) para as afirmações sobrea
análise dos desenhos a seguir:
a) ( ) A solução do desenho B é mais adequada para se preservar a fertilidade
do solo, porque reduz os efeitos da erosão.
b) ( ) O desenho A mostra que mesmo se plantando com técnica adequada,
haverá danos ao meio ambiente.
c) ( ) As duas formas de plantações ocorrem em relevo acidentado e precisam
de proteção contra o vento.
d) ( ) O desenho B mostra que a utilização de técnicas adequadas diminui
danos no meio ambiente, mesmo que se plante em terreno inclinado.
e) ( ) A retirada da cobertura vegetal provocará erosão tanto no caso
mostrado no desenho A como no caso do desenho B.
f) ( ) O desenho B mostra que a ocupação do solo em encosta deve obedecer
às curvas de níveis, para protegê-lo da erosão.
Você percebeu que ocupar o solo não significa desequilibrá-lo, assim como
desenvolvimento não é sinônimo de ameaça ao equilíbrio da natureza. Se as pessoas
que se dedicam à investigação científica foram inteligentes para desenvolver tantas
tecnologias, poderão também criar e inventar formas de melhor usar o solo e de
produzir energia, sem que isso signifique danos ao meio ambiente. É preciso estar
sempre atento às formas de uso do solo, para que possamos usá-lo sem destruir. É
preciso perseguir três atitudes fundamentais:
64
- Conhecer cada vez melhor como funcionam a natureza, seus elementos, as
leis naturais que os governam: seus ritmos, suas necessidades.
- Desenvolver técnicas adequadas e diferenciadas para cada ecossistema.
- Desenvolver planos de desenvolvimento baseados em conhecimentos
científicos sobre a natureza e sua ecologia.
Essas três atitudes exigem a formação de sujeitos com consciência ecológica, sujeitos
que se interessem e participem da busca do conhecimento. Participaçãoresponsável
significa provocar mudanças comprometidas com soluções para a qualidade de vida.
É importante que os projetos de educação ambiental não sejam meramente festivais
de plantio de árvores ou de coleta seletiva do lixo. Tais projetos devempossibilitar estudos
e participação de crianças e professores em ações efetivas eduradouras para a melhoria
da qualidade de vida. Pode haver “festivais de plantio de árvores” com o objetivo de
melhorar a diversidade. Um projeto de coleta seletiva de lixo no bairro pode ser proposto
com o objetivo de reutilizar e reciclar materiais como alumínio, vidro e papéis. É
importante que as crianças de vocês sejam cidadãos comprometidos e entendam que
com a reciclagem de lixo haverá diminuição de retirada de recursos naturais.
Vamos pensar em substituir o verbo consumir por valorizar. Vamos fazer com que o
lucro não seja uma febre desmedida, mas haja empenho em desenvolver atitudes
que melhorem o ambiente para nós mesmos e para as futuras gerações.
Chegamos, assim, ao final desta unidade. Esperamos que tenha gostado e,
principalmente, que você tenha ficado preocupado com ações que prejudicam equilíbrio
da natureza. Esperamos que esteja motivado a desenvolver atitudes refletidas para a
preservação e passe a estudar formas de conviver com a natureza sem destruí-la.
O texto seguinte é para ler, refletir e pensar, principalmente porque sozinhos não
conseguimos mudar o mundo, mas certamente a nossa atitude, mesmo que individual,
é um bom começo.
Numa linda manhã, havia um rapaz na praia.
Ele estava jogando as estrelas-do-mar de volta para a água.
Uma pessoa passou perto e perguntou o que fazia.
Ele respondeu: estou devolvendo a vida para essas estrelas, porque, com
a maré cheia, elas foram abandonadas na areia e vão morrer.
65
A pessoa ficou com pena do rapaz e disse: mas são tantas, isso que você
faz não fará diferença para o problema!
O rapaz continuou... pegou uma estrela, jogou na água e disse:
Para esta fez diferença!
PARA RELEMBRAR
- Esperamos que tenha ficado claro que existem problemas muito sérios no
Brasil e no mundo que prejudicam o equilíbrio da natureza.
- A devastação da floresta é muito grave. Devemos refletir sobre a realidade
da floresta amazônica, uma vez que a exuberância de suas matas se mantém
devido ao equilíbrio de seus elementos. Desmatá-la pode significar o colapso
do equilíbrio, provocando sérios danos ao ambiente.
- Você entendeu que problemas ambientais não têm fronteiras e que, por
isso, o compromisso com o meio ambiente é muito sério. O ar ou a água que
poluímos fazem parte da circulação global, através das correntes de ar e
correntes marítimas, e são difíceis de serem medidos e delimitados.
- Precisamos cuidar do planeta Terra, porque é a nossa morada. As atitudes
individuais e coletivas devem ser refletidas, assim como estimuladas as
investigações científicas sobre melhoria da qualidade de vida. Buscar
conhecimento, estudar, investigar é um importante caminho para a formação
da consciência e de atitudes responsáveis para com o meio ambiente.
- Ficam o recado, exemplos de problemas, exemplo de soluções... Agora é
com você!
ABRINDO NOSSOS HORIZONTES
Orientações para a prática pedagógica
Objetivo específico: implantar na instituição de Educação Infantil a coleta seletiva de
lixo, favorecendo o desenvolvimento de posturas que valorizam a preservação do
meio ambiente.
-
66
Professor(a), apresentamos a seguir uma sugestão de projeto que você poderá
desenvolver com suas crianças e assim colocar em prática o que você estudou nesta
unidade.
Atividades sugeridas
Sugestão de projeto para instituição de Educação Infantil:
- Organize a coleta seletiva do lixo em sua instituição de Educação Infantil e procure,
em sua localidade, lugares onde as crianças possam vender latas, vidros e papéis.
Se você conseguir um dinheiro considerável, faça alguma melhoria em sua sala.
Neste momento, você pode pedir a elas sugestões para que participem da decisão
de melhorar a organização do espaço escolar.
Professor(a), para realizar este trabalho, considere os conteúdos abordados na
temática Vida e Natureza desta mesma unidade, pois eles o(a) ajudarão na
compreensão de uma série de questões relacionadas à reciclagem.
GLOSSÁRIO
Biodiversidade: combinação equilibrada dos diversos elementos vivos do ambiente.
Ecossistema: conjunto de agentes da natureza que mantém o equilíbrio do ambiente.
Eólico: proveniente do vento; energia eólica significa energia produzida por meio da
utilização do movimento dos ventos.
Infértil: contrário de fértil. Solo fértil é aquele rico em nutrientes.
Poluidor: aquilo que polui, ou seja, agentes de poluição que sujam a água, o ar, o
solo.
Racionalizar: tornar racional, agir pela razão e não pela emoção.
Tributário: rio tributário é rio que leva suas águas para rios maiores, dentro de uma
mesma bacia hidrográfica.
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SUGESTÕES PARA LEITURA
BRANCO, Samuel Murgel. O desafio amazônico. São Paulo: Moderna, 1989.
Este livro analisa o ambiente da Amazônia, considerando a integração de seus
elementos como sistema integrado. Embora trate de um ambiente particular da
Amazônia, é bastante esclarecedor para quem quiser entender melhor o significado
de equilíbrio ecológico e de biodiversidade.
DIRANI, Ademar. Férias na fazenda ecológica. Goiânia: CEGRAF, UFG, 1989.
É um livro de leitura leve, porque discute os problemas ecológicos tanto do meio rural
como do meio urbano através da história de uma família em férias numa fazenda.Tem
também um amplo glossário das principais palavras do texto.
MARTINELLI, Marcelo. Moderno Atlas Geográfico. São Paulo: Moderna, 1998.
O atlas é um importante auxiliar para os estudos da Geografia.Você encontrará os
mapas que servirão para você viajar, localizar o seu município e pensar de forma
global, porque existem mapas regionais, do Brasil e do mundo, por temas!
SENE, Eustáquio, MOREIRA, João Carlos. Geografia. Espaço geográfico e
globalização.
Estes autores trabalham a questão ambiental de forma muito atual, com ilustrações
bem interessantes. É possível ver a espacialidade dos fenômenos, o problema central,
para que o estudo seja geográfico. (estranho, ou “para que quando o... )
68
69
VIDA E NATUREZA
SAÚDE COMO INDICADOR DA QUALIDADE
AMBIENTAL
ABRINDO NOSSO DIÁLOGO
Olá, professor(a)!
Nas unidades que precederam a esta, você estudou assuntos que relacionavam as
necessidades do homem, a partir da sua percepção do ambiente, com as soluções
criadas para satisfazê-las por meio das transformações da matéria e da energia.
Você já parou para pensar no quanto sujamos o ambiente? Praticamente todas as
atividades produtivas do homem geram resíduos como lixo, esgoto e poluentes, que
alteram significativamente a qualidade do ambiente. Em muitos casos há prejuízos,
que surgem como problemas de saúde nas populações que têm contato com esses
resíduos.
Estaríamos então condenados a viver num mundo cada vez mais poluído e sujo? Não
necessariamente! Existem outras possibilidades de produção e cuidados com o
ambiente que iremos estudar nesta unidade.
Mas as populações humanas crescem; o que fazer, então? Usar a tecnologia a favor
do homem, respeitando determinadas normas impostas pelo ambiente. O desrespeito
a essas normas pode implicar, no futuro, grandes dificuldades na manutenção da
vida.
Será que a qualidade de vida dos homens das cavernas era melhor? Parece brincadeira,
não é? Mas tendo em vista todos os problemas ambientais que temos hoje, essa é
uma pergunta que muita gente se faz, e essa reflexão será fundamental ao longo da
Unidade 8 .
A constatação desses problemas não deve significar uma parada de tudo o que
produzimos e uma volta à vida nas cavernas. Afinal, o homem é diferente dos outros
animais por sua ilimitada capacidade criadora. A partir do momento em que nos
conscientizamos sobre esses problemas, devemos refletir sobre nossas práticas e
questionar nossos modos de produção. É muito importante que tal questionamento
-
70
seja feito em sala de atividade com as crianças, para que elas formem suas opiniões
sobre essas questões.
Nesta unidade, iremos justamente relacionar as necessidades do homem, a produção
de bens e verificar a relação de custo e benefício que se estabelece quando tais
necessidades se chocam com a qualidade de vida das pessoas.
Professor(a), você chegou ao final de nosso curso, e o conhecimento construído neste
percurso certamente mudou sua maneira de encarar a realidade.
Provavelmente seu horizonte se ampliou. Então é hora de refletirmos de forma mais
global sobre os problemas ambientais e suas soluções. É o que pretendemos nas
quatro seções desta última unidade de Vida e Natureza.Vamos lá?
DEFININDO NOSSO PONTO DE CHEGADA
Os objetivos específicos desta área temática:
Ao finalizar seus estudos, você poderá ter construído e sistematizado aprendizagens
como:
1. Analisar os problemas do acúmulo de lixo e a solução da reciclagem.
2. Avaliar o nível de degradação ambiental provocada pela atividade do
garimpo do ouro.
3. Refletir sobre os custos e os benefícios do desenvolvimento tecnológico.
4. Identificar algumas fontes alternativas de energia utilizadas atualmente pela
sociedade.
CONSTRUINDO NOSSA APRENDIZAGEM
Esta unidade vai ajudá-lo com conhecimentos básicos que você possa juntar aos que
já possui, ao analisar e se posicionar sobre os principais problemas ambientais e a
qualidade de nossa vida. Na Seção 1, trataremos do problema da produção e da
reciclagem do lixo; você deverá dedicar 45 minutos a seu estudo. Na Seção 2, será a
vez de estudarmos a poluição das águas pelo mercúrio; você precisará de cerca de
-
-
71
55 minutos para estudá-la. Na Seção 3, falaremos sobre as relações de custo e
benefício do desenvolvimento tecnológico; seu estudo deverá ocupar
aproximadamente 55 minutos. Na Seção 4, você vai conhecer fontes alternativas de
energia e deverá dedicar cerca de 45 minutos a seu estudo.
Seção 1 – Lixo: problema ou matéria-prima?
Ao finalizar seus estudos desta seção,
você poderá ter construído e sistematizado
a seguinte aprendizagem:
– Analisar os problemas do acúmulo de lixo
e a solução da reciclagem.
Existem várias formas de se avaliar a qualidade de vida e a educação de um povo.
Entre elas está o tratamento dado a seus rejeitos (lixo, esgoto etc.).
Você não acha que educação e qualidade de vida estão
muito relacionadas?
Atividade 1
Leia o texto abaixo e depois responda às questões apresentadas.
Há lugares onde as pessoas jogam lixo em terrenos vazios, favorecendo o
aparecimento de moscas e mau cheiro. Além disso, por não disporem de fossas,
o esgoto é canalizado para os rios, poluindo a água.
a) De que forma a presença do lixo e do esgoto interfere na qualidade de vida
das pessoas?
72
b) Essas pessoas melhoram sua qualidade de vida jogando o lixo e o esgoto
longe de suas casas? Justifique sua resposta.
Veja, a seguir, fragmentos de uma reportagem sobre a composição do lixo nas casas
de duas pessoas no Rio de Janeiro, a patroa (Maria Fernanda) e sua empregada
(Maria de Fátima, ou “Santinha”).
(...) Santinha vai pouco a pouco listando os restos que compõem o lixo da casa
própria, onde mora com dois irmãos na favela. “É mais coisa de comida, né?
Cascas de legumes, principalmente batata e cenoura (...), sacos de arroz e feijão,
latas de óleo e refrigerante (...) A maioria do que vai fora é mesmo casca e
pedaço que não se aproveita.” * (...) Matéria orgânica é coisa rara no lixo de
Maria Fernanda, que gasta por mês cerca de R$ 500,00. (...) O extra na despensa
de Maria Fernanda vem do vidro: garrafas de uísque, vinho e azeite (...). Potes
de vidro de azeitona, geléia e requeijão não faltam nunca. Santinha, por outro
lado, nem se lembra de produtos em embalagens quebráveis.
Fonte: Jornal do Brasil, 7/1999.
Atividade 2
Quais são as diferenças entre os lixos das duas pessoas da reportagem que
você acabou de ler?
73
O lixo pode conter uma enorme diversidade de materiais. O acúmulo desses materiais
é uma característica das sociedades industrializadas. Nas sociedades pré-industriais,
os restos de comida viravam alimento para os animais, as sobras de madeira das
construções eram utilizadas como lenha, os retalhos de tecido eram costurados,
formando colchas.
Professor(a), você prestou atenção na frase marcada com
um asterisco na reportagem (*)? Viu no texto como muita
coisa pode ser reaproveitada? Que tal trabalhar o tema do
reaproveitamento com suas crianças?
Você já observou como em nosso lixo há uma
grande quantidade de produtos agrícolas?
Grande parte do lixo das cidades é
constituída por resíduos dos produtos que
vieram do campo. O problema é que esses
resíduos não voltam para o solo agrícola na
forma de adubos, por exemplo. Além disso,
eles se juntam a outros resíduos produzidos
nas cidades, como vidro, lata, plástico e
papel.
Com a industrialização, milhares de tone-
ladas de lixo químico passaram a ser lançados
nos rios e lagoas ou enterrados em locais
chamados de aterros sanitários. Mas será
que isso resolve?
Nos aterros, o lixo é enterrado e sofre
reações químicas de decomposição durante
muito tempo, produzindo substâncias tóxicas
que se infiltram no solo, contaminando-o. A infiltração dessas substâncias que são
levadas pela água da chuva vai provocar a contaminação das águas subterrâneas
(lençol freático), que são retiradas dos poços para o consumo da população.
Professor(a), que tal tentar descobrir junto com suas
crianças onde é depositado o lixo que vem das casas delas?
Aterro sanitário. Note que o lixo é enterrado
com camadas de terra.
Alvaro Motta
74
As montanhas formadas de lixo são um ambiente favorável para a vida de ratos,
baratas, moscas e mosquitos, criando focos de doenças.
Veja abaixo o tempo de decomposição dos materiais mais comuns no lixo:
No Brasil, são coletadas por dia centenas de milhares de toneladas de lixo doméstico.
A maior parte é deixada a céu aberto, em terrenos abandonados ou em áreas
alagadas. Nos aterros sanitários, é jogada uma parte menor. Pouco é transformado
em adubo orgânico.
Então, como você vê, a sociedade industrializada cria bens de consumo, como alimentos,
embalagens, objetos de utilidades diversas, roupas, calçados, eletrodomésticos etc.
Todos nós, por vários motivos, utilizamos tais objetos. Entretanto, a eliminação deles é
que vem se tornando um problema. O que fazer com as embalagens vazias, os sacos e
os copos plásticos, um aparelho sem conserto, pilhas e baterias etc. etc.?
Você estudou na Unidade 1 deste módulo alguns ciclos da matéria e viu que ela pode
ser transformada. O lixo acumula uma infinidade de materiais e pode ser considerado,
na verdade, matéria-prima fora do lugar. Por exemplo, parte do lixo pode ser utilizada
para a produção de gás.
Então, professor(a), você não acha que esse problema tem
solução?
Papel – de 3 a 6 meses
Borracha – tempo indeterminado
Chiclete – mais ou menos 5 anos
Madeira pintada – cerca de
13 anos
Vidro – 1.000.000 anos
Náilon – mais de 30 anos
Filtro de cigarro – cerca de
5 anos
Plástico – mais de 100 anos
Pano – de 6 meses a 1 ano
Metal – mais de 100 anos
75
No Brasil, as porcentagens dos principais materiais que vêm no lixo e que são reciclados
são estas: papelão – 70%; lixo sólido orgânico – 1,5%; plásticos rígidos – 15%; vidro
– 35%; e latas de aço – 35%. A reciclagem movimenta R$ 1 bilhão no país. Isso ainda
é pouco comparado a países como Estados Unidos e Japão. O que acontece quando
não se recicla é que mais árvores deverão ser cortadas, mais minas devem ser
escavadas, mais energia é gasta nas fábricas e nas usinas e mais poluição é lançada
no ar, na água e no solo, para se produzirem objetos feitos desses materiais.
Copos – um caso polêmico: Por razões de higiene e de economia, bares de diversas
cidades substituíram os copos de vidro pelos de papel. O papel é feito da celulose,
que é extraída da madeira das árvores. Isso implica o corte de mais árvores para
matéria-prima. O copo de vidro dura muito mais, e o de papel é utilizado uma só vez.
Com o uso de copos de plástico, diminuiu um pouco o uso de papel. Mas o de plástico
também só se usa uma vez, leva mais tempo para se decompor e é mais difícil de
reciclar do que o papel. O vidro é feito de minerais e é reciclável.
Professor(a), o que fazer então?
Responderemos com 3 palavras, que começam com a letra r.
- Reduzir a quantidade de lixo.
- Reutilizar o que for possível (garrafas, embalagens, caixas, restos de comida,
latas etc.).
- Reciclar (transformar) a matéria, para que ela possa ser reutilizada.
Atividade 3
Baseado no que você acabou de ler, assinale V (verdadeiro) ou F (falso) nas
afirmativas a seguir.
a) ( ) Podemos reduzir a quantidade de lixo não colocando no prato mais
comida do que podemos comer.
b) ( ) Transformar copos usados de papel em novo papel para fabricar jornal
não diminui a quantidade de lixo.
76
c) ( ) Quando reutilizo uma lata vazia, transformando-a em um vaso de
planta, estou mantendo o lixo em casa.
d) ( ) Reduzir a quantidade de lixo significa não desperdiçar qualquer mate-
rial e usar as coisas com economia.
Devemos evitar o uso de embalagens não recicláveis, bem como as descartáveis,
que aumentam a quantidade de lixo. É também recomendável o uso de produtos
biodegradáveis, uma vez que eles se decompõem mais rapidamente.
Professor(a), que tal levar embalagens recicláveis vazias
de diversos produtos para a instituição de Educação
Infantil e mostrar às crianças o que são materiais
recicláveis?
Preste muita atenção!
Nem todas as embalagens vazias podem ser reutilizadas sem risco para a saúde
das pessoas. Antes de reutilizar alguma embalagem, devemos ler no rótulo delas
se existe algum aviso recomendando que ela não seja reutilizada. Por exemplo:
uma lata de óleo diesel não pode ser utilizada para água para beber.
77
Usina de separação de lixo.
A separação do lixo em recipientes selecionados para papel, latas, vidro, plástico e
matéria orgânica (restos de alimentos etc.) facilita muito o trabalho de reciclagem.
Existem diversas usinas de reciclagem espalhadas pelo país.
A população também tem se organizado em cooperativas de catadores de lixo,
que o vendem já separado para as empresas de reciclagem. Atualmente, muitas
pessoas vivem da coleta e venda de latinhas de bebidas, que são recicladas em sua
maior parte.
Atividade 4
Agora que você está concluindo a seção, numere a segunda coluna de acordo
com a primeira, ligando cada objeto ao seu modo de reaproveitamento.
1. garrafas de vidro ( ) guardar temperos
2. cascas de vegetais ( ) guardar líqüidos
3. latas ( ) fazer vasos para plantas
4. potes de vidro ( ) colocar lixo que vai ser levado pelo
caminhão da limpeza
5. saco de plástico ( ) adubar plantas
Joel Rocha
78
Seção 2 – Águas muito mais perigosas
Ao finalizar seus estudos desta seção,
você poderá ter construído e sistematizado
a seguinte aprendizagem:
– Avaliar o nível de degradação ambiental
provocada pela atividade do garimpo do ouro.
Professor(a), você vai estudar nesta seção o exemplo de um dos mais graves problemas
ambientais, no qual é possível perceber uma clara relação entre a atividade econômica
e a perda da qualidade ambiental.
A atividade do garimpo do ouro é desenvolvida por um método de extração do metal
que utiliza o mercúrio.
O mercúrio é um metal líquido, encontrado na natureza, no solo e na atmosfera, em
sua forma inorgânica. Origina-se da atividade dos vulcões e é transportado na
atmosfera por grandes distâncias, depositando-se nos solos.
O mercúrio pode causar maiores danos quando se evapora, pois se torna mais tóxico.
Seus vapores, quando são inalados, ou seus compostos, quando ingeridos, podem ser
facilmente absorvidos por nosso organismo, sendo altamente nocivos à saúde.
À temperatura ambiente, o mercúrio se evapora lentamente, envenenando plantas e
animais, que são contaminados ao se alimentarem, ou pela respiração nas proximidades
de locais onde se produzem ou se utilizam grandes quantidades de mercúrio.
O que está nos preocupando muito é que as águas da região
amazônica recebem cerca de 250 toneladas de mercúrio
anualmente! Isso significa a contaminação de uma das
regiões mais ricas em água doce e peixes do mundo!
Reflita nisso, baseado no que você já sabe sobre a
importância da água para a sociedade.
Além da Amazônia, uma outra região belíssima, o Pantanal Mato-Grossense também
está muito contaminado pela atividade do garimpo.
O caso mais conhecido de contaminação por mercúrio ocorreu na Baía de Minamata,
no Japão. Essa baía, situada numa região pesqueira, foi contaminada por mercúrio
proveniente de esgotos industriais sem tratamento.
79
Nessa baía, era grande a atividade pesqueira; como ela era fechada, os despejos
não tinham saída e ficavam retidos: as algas foram contaminadas e consumidas por
moluscos que, por sua vez, foram consumidos por peixes e, finalmente, consumidos
pela população local, o que provocou a morte de pescadores e o nascimento de
crianças com lesões físicas.
Veja na figura como o mercúrio se espalha no ambiente, acumulando-se nos seres vivos.
Embora o mercúrio líquido não seja tóxico, no ambiente aquático microorganismos o
transformam em uma substância orgânica denominada metilmercúrio (CH
3
Hg), que
contamina os organismos que alimentam os peixes pequenos, e aí o mercúrio se
espalha por toda a cadeia alimentar, num processo de acumulação que oferece sérios
riscos à saúde humana.
No garimpo, o mercúrio é utilizado misturando-se ao ouro, formando uma liga que,
sendo de mercúrio, é denominada amálgama; os garimpeiros fazem essa mistura
para facilitar a separação de impurezas do ouro. Quando a liga é aquecida, o mercúrio,
que é muito volátil, evapora-se, ficando apenas o ouro.
Pa
Hg em várias formas
I
H
PI
Hg oxidado
Pg
Pe
Z
P
S
CH
3
Hg+
Metilação
Sedimentos
Aeróbica
Pg Fitoplâncton
Pe Zooplântico
Z Peixe pequeno/
cons. primário
Pg Peixe grande;
cons. secundário
I Isento
Pa Pássaro
Pi Planta aquática
H Homem
S substância dissolvida
80
Atividade 5
Extraia do parágrafo anterior as informações que explicam a separação do
ouro quando ele está sob a forma de amálgama.
O método é utilizado por milhares de garimpeiros, ampliando
as possibilidades de ocorrência de danos à saúde, o que faz
os casos de intoxicação pelo vapor do mercúrio serem
bastante preocupantes.
Professor(a), imagine os prejuízos à saúde dos garimpeiros.
Não poderíamos pensar que garantias esses trabalhadores
terão se ficarem doentes por manipularem o mercúrio?
Quais são os perigos que essa atividade apresenta?
A doença denominada Mal de Minamata se manifesta por
distúrbios no sistema nervoso central, resultando em perda
de equilíbrio e redução da visão, entre outros sintomas.
Há indicações de que, se a contaminação ocorrer durante a
gestação ou pouco após o nascimento, os danos que afetarão
as crianças serão permanentes. Já nos adultos, os prejuízos
podem ser temporários.
Você deve se lembrar do que estudamos sobre os órgãos
dos sentidos na Unidade 3; então, pense no quanto ficam
prejudicadas as atividades de uma pessoa contaminada por
mercúrio.
Segundo relatório da Superintendência para o Desenvol-
vimento da Pesca, muitas pessoas já morreram na região do
João Ramid
81
rio Madeira, em Rondônia, e do rio Tapajós, no Pará, devido à contaminação por
contato direto com vapor de mercúrio no garimpo, ou pelo consumo de peixes, uma
boa parte de sua dieta alimentar.
Na tentativa de fazer um diagnóstico da população do Tapajós, no Pará, a
equipe da neurotoxicologista canadense Donna Mergler, da Universidade de
Quebec, usou amostras de fios de cabelos como indicadores da contaminação
por mercúrio. Foram encontrados índices médios entre 10 a 15ppm*. A
Organização Mundial da Saúde aceita a concentração, em mulheres grávidas,
de até 10ppm, mas diversos países usam como limite 6ppm.
“Constatamos leve falta de coordenação motora, destreza manual e redução
nas funções visuais.(...) a contaminação humana ocorre através do consumo
constante de peixes. Mas os pesquisadores são unânimes em um ponto: os
peixes não podem ser banidos das dietas das populações que vivem à beira de
rios e lagos, porque na dieta destas pessoas, as vitaminas A e B e as proteínas
não serão adquiridas em outras fontes de seu cardápio.”
Para Donna, a solução é a educação ambiental nas sociedades. Nas vilas do
Tapajós, ensinamos quais peixes têm menor concentração de metilmercúrio,
cujos índices mais elevados estão nos peixes carnívoros. O mais indicado é
consumir os peixes herbívoros (vegetarianos).
Ciência Hoje, v. 26, nº 152, ago./99.
*ppm = partes por milhão. No texto, significa dizer que em 1 milhão de partes da amostra existiam de 10
a 15 partes de mercúrio.
Atividade 6
Explique por que a elevação dos índices de mercúrio ocorre nos peixes
predadores.
82
A atividade do garimpo não é a única fonte de contaminação por mercúrio
Não podem ser esquecidas as contribuições de outras fontes que poluem a atmosfera
com o metal: combustível fóssil, gás natural, queima de lixo e indústria de produção
de soda cáustica.
Na Amazônia, o desmatamento e as queimadas da floresta fazem com que o mercúrio
inorgânico, que existe naturalmente em grande quantidade nesses solos, seja
transportado para o sistema aquático. Sem a cobertura vegetal, os solos expostos à
chuva sofrem erosão e lixiviação (lavagem do solo), o que libera o mercúrio para a
água.
Diminuindo-se os desmatamentos e as queimadas, substituindo-se os combustíveis
fósseis por fontes renováveis de energia, o mercúrio natural permaneceria nos solos,
não contribuindo para o aumento dos danos causados ao ambiente.
Professor(a), você acabou de ver que, embora o mercúrio tenha utilidade na produção
de ouro e em outras atividades humanas, ele também acarreta sérios prejuízos ao
ambiente e, conseqüentemente, à vida do homem. Cria-se então um dilema: por um
lado, a satisfação da necessidade humana de sobrevivência e, por outro, os prejuízos
causados ao se satisfazerem tais necessidades.
Atividade 7
Leia as afirmativas a seguir e assinale C (certo) ou E (errado) em relação à
poluição do ambiente por mercúrio.
a) ( ) A diminuição das queimadas e do uso de combustíveis fósseis pode
reduzir a poluição por mercúrio.
b) ( ) O mercúrio jogado nas águas contamina somente os peixes, e por isso
não faz mal ao homem.
c) ( ) É importante, para reduzir a poluição por mercúrio, buscar novos
métodos de separação do ouro e de produção de soda cáustica.
83
Seção 3 – O verde tem de dar lugar ao cinza?
Ao finalizar seus estudos desta seção,
você poderá ter construído e sistematizado
a seguinte aprendizagem:
– Refletir sobre os custos e os benefícios
do desenvolvimento tecnológico.
Professor(a), como você já estudou na Seção 1, cada tipo de material leva um tempo
diferente para ser decomposto naturalmente. A decomposição dos materiais ocorre
através de processos químicos, físicos e biológicos. Entretanto, o crescimento da
população humana e a industrialização estão fazendo com que a quantidade de
materiais diariamente extraídos do ambiente, transformados e jogados de volta na
forma de resíduos seja muito alta. A velocidade de decomposição e reutilização desses
materiais pelo ambiente é menor do que a de sua produção.
Atividade 8
Que conseqüência podemos esperar do fato de a velocidade de despejo de
materiais no ambiente ser maior do que a de reciclagem natural?
Se existe uma acumulação gradual de resíduos indesejáveis no ambiente, a vida nele
vai ficando cada vez menos saudável, você não acha? Temos visto que determinados
problemas de saúde são mais freqüentes em locais poluídos. Desse modo, percebemos
que saúde e qualidade ambiental estão relacionadas.
Professor(a), que tal pensar junto com suas crianças sobre
as condições em que elas vivem e as doenças mais
freqüentes entre elas?
84
Quem não gostaria de morar próximo à praia? Seja de rio ou de mar, viver próximo
a esses locais pode ser muito agradável, além de haver facilidade para pesca,
agricultura e outros usos que podemos fazer da água. Mas será sempre assim?
Veja nas reportagens a seguir como a alteração da qualidade do ambiente pode
afetar a saúde.
Agressões ao rio e ao ser humano
(...) as primeiras agressões ao “Velho Chico” começam a pouco mais de 50km
depois dos limites do parque, com o garimpo de diamantes e o despejo de
esgoto sem tratamento da cidade de Vargem Bonita. (...) a mesma água
contaminada com metais pesados, agrotóxicos e esgoto não-tratado que as
comunidades e fábricas vão despejando sem cuidado é a que consome a
população ribeirinha. São cerca de 13 milhões de habitantes na região, quase
10% da população brasileira.
Fonte: Ecologia e Desenvolvimento, 3/1994.
Celia Apolinário
Atividades humanas ligadas ao rio: pesca, transporte, lavagem de roupa etc.
O óleo derramado pelas embarcações no rio polui suas águas.
85
Um mar de esgoto – Obra
em emissário submarino vai
emporcalhar as praias do Rio
de Janeiro por duas semanas
Os moradores do Rio de Janeiro
terão de suspender seu passa-
tempo preferido (...) as praias rece-
berão 3 bilhões de litros de esgoto
sem tratamento (...) Quem entrar
no mar corre risco de ter diarréia,
hepatite e micoses. (...) sete trechos de praia apresentavam taxas de coliformes
fecais acima do suportável. As praias ficaram vazias.
Fonte: Veja, 4/1999.
Atividade 9
Enumere os fatores discutidos nos textos apresentados que diminuíram a
qualidade do ambiente de rio e praias e os problemas de saúde que originaram.
Como você acabou de ver, alguns problemas de saúde podem surgir em função da
diminuição da qualidade do ambiente. As micoses (doenças de pele) são provocadas
por fungos presentes nas fezes de animais. A hepatite (doença que afeta o fígado)
pode ser transmitida por vírus que se propagam por meio da água, dos alimentos e
das mãos sujas. As moscas também podem facilitar sua transmissão.
No Brasil, cerca de 65% das internações hospitalares infantis ocorrem por causa de
doenças transmitidas por água não-tratada. São vermes, diarréias, hepatite etc.
Aproximadamente 80% das consultas médicas feitas por causa desses problemas
têm o mesmo motivo: contaminação por ingestão de água não-tratada.
Ari Lago
86
Podemos tirar duas conclusões a partir dessas informações. A primeira reflete a própria
importância da água para nós: o tratamento da água e dos esgotos (saneamento
básico) e a educação sobre os hábitos de higiene já reduziria muito a ocorrência de
doenças. Em segundo lugar, os tipos de doenças e o número de pessoas enfermas
são indicadores da qualidade do ambiente onde elas vivem.
Professor(a), que tal pensar na qualidade da água de sua
instituição de Educação Infantil?
Sabemos que a disponibilidade de água não é a mesma em todas as regiões, mas a
falta de esgoto e água tratada agrava mais ainda a situação. Em 1999, o estado de
Pernambuco teve um aumento do número de pessoas doentes por causa da cólera.
Essa doença é provocada por bactérias que se propagam em condições de falta de
higiene e de saneamento básico.
Sem chuvas, a população da zona rural de Pernambuco teve de recorrer à água suja
de rios, açudes e poços contaminados pelo esgoto das casas.Contudo, apenas 20%
dos pernambucanos são servidos por rede de esgoto. A população sofreu com a
doença, que provoca fortes diarréias e vômitos.
Vários são os fatores que agravam a doença. Além da falta de saneamento básico,
há falta de informação da população, que joga os dejetos no mar e nos rios. Vemos
então que a qualidade da água utilizada pela população teve repercussão no ambiente
onde ela vive.
Que outros fatores você julga serem importantes para
avaliar a qualidade do ambiente onde você vive?
A urbanização e o crescimento não planejado das cidades também são responsáveis
pela queda da qualidade do ambiente. Ao longo desse processo, o homem modifica
a paisagem: as árvores vão sendo derrubadas, os brejos aterrados, rios canalizados e
morros e lagos tendem a desaparecer, dando lugar a avenidas, prédios e pontes.
O concreto é um bom condutor de calor e aquece o ambiente, levando a um
desconforto térmico. Já as árvores, perdem calor pela transpiração. Faça o teste e
verifique onde você se sente melhor num dia de calor: embaixo de uma boa sombra
ou de um telhado?
87
Pense no ambiente da sua instituição de Educação Infantil.
Ele é agradável para seu trabalho e para as crianças?
O lixo e outros materiais acumulados transformam-se em criadouros de mosquitos
transmissores de doenças, como a dengue, que provoca fortes dores de cabeça,
febre e diarréia.
A poluição do ar provoca tosse, irritação nos olhos e até problemas na fase de
desenvolvimento dos bebês. A gente se pergunta: existem soluções para tais problemas?
Numerosos estudos têm sido feitos no mundo inteiro, com experiências bem-sucedidas
de recuperação da qualidade ambiental. Podemos destacar a reciclagem de lixo, o
controle da poluição pelo uso de filtros nas chaminés das indústrias e escapamento dos
automóveis, tratamento dos esgotos industrial e doméstico, reflorestamento e preser-
vação de áreas selvagens, uso de combustíveis menos poluentes, entre muitas outras.
De qualquer forma, para que possamos manter uma boa qualidade ambiental e de
vida, é necessária uma tomada de consciência, ou seja, cada um deverá fazer sua
parte, pensando no planeta inteiro.
Atividade 10
Associe a lista de problemas ambientais a seguir às possíveis soluções.
a – Desmatamento
b – Lixo
c – Poluição atmosférica
d – Esgoto
( ) Reutilizar, reduzir e reciclar tudo o que
for possível.
( ) Fazer fossas longe dos rios, plantações e
poços.
( ) Não queimar lixo e regular motores para
não emitir fumaça.
( ) Não derrubar árvores desnecessariamente.
88
Seção 4 – Produzindo energia de forma mais limpa
Ao finalizar seus estudos desta seção,
você poderá ter construído e sistematizado
a seguinte aprendizagem:
– Identificar algumas fontes alternativas
de
energia utilizadas atualmente pela
sociedade.
Quando você estudou a questão energética na Unidade 6, percebeu que o aumento
do consumo de energia, provocado pelos modernos sistemas de produção e de
transporte e pelos equipamentos que garantem o nosso conforto, tende a produzir o
esgotamento das fontes naturais de energia de biomassa, especialmente energia
fóssil (petróleo). Isso se constitui num desafio que a sociedade moderna tem de
ultrapassar.
Até quando o petróleo vai existir na natureza, disponível
para suprir o consumo energético cada vez maior, que
mantém o desenvolvimento da nossa sociedade?
O mundo atual se desenvolve na dependência da reserva de compostos orgânicos
que ficaram soterrados há milhões de anos. Estes deram origem ao petróleo, que
usamos para fabricar a gasolina, o óleo diesel, o gás de cozinha etc.
A existência desses compostos orgânicos de origem vegetal e animal, na forma de
petróleo, gás natural, carvão e turfa, deve-se a condições muito particulares ocorridas
em certo período da História da Terra, há milhões de anos, e que dificilmente voltarão
a se repetir. Isso é um motivo de graves preocupações e da busca de outras fontes
de energia, ainda pouco exploradas.
O álcool metílico (CH
3
OH) e o álcool etílico (C
2
H
5
OH) são substâncias largamente
empregadas como fonte de energia. O álcool metílico é produzido na destilação da
madeira e o álcool etílico, aqui no Brasil, é obtido da cana-de-açúcar, por fermentação do
melaço, que é a garapa, o caldo de cana, concentrado. Portanto, uma fonte renovável.
Isso não é interessante – o caldo de cana ser
transformado em combustível? Se você mora perto de
alguma plantação de cana, pode estar certo de que parte
da colheita é destinada à produção de álcool.
89
Os carros fabricados em nosso país são projetados para um combustível que é uma
mistura de gasolina com o máximo de 24% de álcool etílico sem água.
A queima do álcool produz menor quantidade de monóxido de carbono, mas um
outro tipo de poluente é liberado para a atmosfera: são os aldeídos.
Os aldeídos são um conjunto de substâncias orgânicas que
têm em sua fórmula o grupo de átomos H-C=O, além de
carbono e hidrogênio. A maioria desses compostos irrita os
olhos, mucosas e vias respiratórias.
A indústria automobilística buscou uma solução para o problema e passou a utilizar
os aparelhos chamados catalisadores, que são instalados nos escapamentos dos
automóveis. Sua função é acelerar as reações químicas que transformam os gases
poluentes em outros não poluentes, tais como o CO
2
e o N
2
. Você os estudou na
Unidade 1, nos ciclos do carbono e do nitrogênio, lembra?
Produtos obtidos a partir da
cana-de-açúcar e processo de
fabricação de açúcar refinado e
combustíveis.
Cana-de-açúcar
(1 tonelada)
Trituração em
moenda
Garapa
Açúcar escuro
Concentração e
cristalização
Melaço
Fermentação
Mosto
Fermentado
Refinação
Açúcar comum
(sacarose)
Etanol
(70 litros)
Óleo fúsel
e resíduo
Destilação
CO
2
CO
N
2
O
2
NO
x
90
Atividade 11
A partir do texto que você acabou de ler, cite duas vantagens do uso do álcool
como combustível.
a)
b)
Conscientes de que os gases liberados pelos automóveis podem tornar o ambiente
urbano insuportável, vários fabricantes de veículos estão buscando saídas.
Veja uma notícia recente
O primeiro sedan do mundo movido a hidrogênio, o P2000 HFC, foi
apresentado ontem pela Ford Motor Company em seu laboratório de
pesquisas científicas (...) utiliza um sistema de propulsão que aposenta o
tradicional motor de combustão interna (...) uma verdadeira revolução
ecológica, com nível zero
de emissão de poluentes (...). A meta é lançar o
carro no mercado em 2004.
Jornal do Brasil, 17/8/99.
Uma outra boa notícia
“Para a alegria dos ecologistas, que defendem o emprego de fontes renováveis
e livres de poluição, o Brasil está entrando na era da energia eólica, gerada a
partir da força dos ventos (...) na praia cearense da Taíba, (...) dez enormes
cataventos com potência total de 5 megawatts vão produzir energia suficiente
para abastecer um município de 50 mil habitantes. Até julho, mais duas
centrais
estarão funcionando, elevando para 180 mil o número de pessoas
atendidas.”
Época, 25/1/99.
91
Atividade 12
Retorne à Unidade 6, na tabela que informa os índices do poder calorífico de
alguns combustíveis, e compare a quantidade de calor produzida na combustão
de 1kg de hidrogênio com a mesma massa dos outros combustíveis. Escreva a
equação da combustão do hidrogênio. Qual sua conclusão?
Professor(a), a partir da atividade que acabou de realizar, você verificou a importância
do hidrogênio como fonte de energia “limpa”. Um carro movido a hidrogênio produz
vapor d’água, e não os vários gases tóxicos e poluentes que são produzidos na
combustão da gasolina.
Economizar é também renovar.
Vamos encerrar nossa seção falando do gás natural, uma mistura gasosa aprisionada
em bolsões no subsolo de algumas regiões.
Foi inaugurado recentemente o Gasoduto Brasil-Bolívia, com 3.150km de extensão
total, dos quais 2.593km em território brasileiro; ele começa na Bolívia, entra em
terras brasileiras por Corumbá, no Mato Grosso do Sul, e termina na Refinaria de
Canoas. Esse combustível produz energia de uma forma mais “limpa’’ do que o
petróleo ou o carvão, pois polui menos o ambiente.
Usado na indústria, permite que haja uma economia entre 40% e 50% do consumo
de energia, devido a sua capacidade calorífica, lançando menos CO
2(g)
por unidade
de energia produzida. No Rio de Janeiro, o gás de cozinha que vem do petróleo está
sendo substituído por gás natural. Além disso, há vários anos ele já é usado em algumas
cidades brasileiras como combustível automotivo.
92
Percurso do gasoduto Brasil – Bolívia.
Atividade 13
Você acabou de estudar diversas fontes de energia. Há fontes que se renovam,
enquanto outras, não. A seguir, assinale R nas fontes renováveis de energia e
NR nas não-renováveis.
a) ( ) petróleo
b) ( ) vento
c) ( ) hidrogênio
d) ( ) álcool
e) ( ) carvão
93
O uso de fontes alternativas de energia ainda é pequeno. Você pode comprovar isso
propondo como atividade para suas crianças a verificação de que tipo de combustível
é mais utilizado nas imediações de onde moram. Basta perguntar a quem possui
carro, motocicleta, trator, gerador de eletricidade ou barco a motor. Veja com as
crianças quais são os combustíveis mais comumente utilizados.
O que gostaríamos que você tenha compreendido nesta seção é que existem soluções
para alguns problemas que a humanidade vai enfrentar no futuro próximo, a
diminuição da disponibilidade de combustíveis fósseis e o aumento da poluição por
eles produzida. Nosso futuro, professor(a), vai depender de nossa sabedoria em utilizar
os recursos que a natureza nos oferece de forma mais racional, sem desperdícios,
sem sujeira, preservando a qualidade do ambiente onde vivemos. Você já está fazendo
isso ao estudar os temas que apresentamos.Vamos em frente!
PARA RELEMBRAR
- O homem produz uma série de resíduos na forma de lixo, que pode ser
doméstico ou decorrente das atividades produtivas. A crescente
industrialização e o aumento da produção agrícola têm aumentado a
quantidade de lixo nas cidades.O lixo é composto de diversos materiais, muitos
deles tóxicos, que podem se acumular no ambiente por dezenas de anos e
poluir o solo, os rios e o mar. A solução para tal problema foi encontrada na
reciclagem desses materiais.
- Entre os principais poluentes da água está o mercúrio. Esse metal é utilizado
para separar as impurezas do ouro em garimpos. O mercúrio é altamente
tóxico, provocando danos ao sistema nervoso. A contaminação pode se dar
pelo contato com seus vapores ou pelo consumo de água e peixes de regiões
contaminadas. A queima de lixo, a produção de soda cáustica, a queima de
combustíveis fósseis e as queimadas também liberam mercúrio para o
ambiente em sua forma tóxica.
- A qualidade do ambiente e a saúde estão fortemente ligadas. No Brasil, a
falta de saneamento básico é responsável por um grande número de doenças.
Essas doenças são fortes indicadores da qualidade do ambiente.
94
- Nas grandes cidades, o concreto toma cada vez mais o espaço do verde das
plantas, transformando-as num ambiente desagradável para se viver, pelo
excesso de calor, poluição sonora e atmosférica.Todos esses fatores reduzem
a qualidade de vida das pessoas que são atraídas para morar nesses lugares
pelas facilidades que eles apresentam.
- Existem soluções para se compatibilizar o progresso com uma boa qualidade
ambiental. Cada vez mais se faz necessário reciclar o lixo e utilizar fontes de
energia menos poluidoras. As fontes renováveis de energia, como o álcool
combustível e a energia eólica, representam boas perspectivas para o fu-
turo, pois algumas delas não poluem o ambiente, ou poluem muito menos
do que os derivados do petróleo.
ABRINDO NOSSOS HORIZONTES
Orientações para a prática pedagógica
Objetivo específico: demonstrar o reaproveitamento do lixo doméstico.
Atividade sugerida
A atividade que sugerimos é a do reaproveitamento de materiais que fazem parte do
“lixo”que é jogado fora. O objetivo é demonstrar para as crianças que muitas coisas
que jogamos fora devem, na verdade, ser reaproveitadas de diversas formas e, com
isso, diminuir a quantidade de lixo jogado fora.
Você pode começar pelos materiais utilizados em sala de atividade. Vamos dar alguns
exemplos de como reutilizar alguns, mas muito do que pode ser feito vai depender
de sua criatividade. Procure discutir com as crianças a melhor forma de reaproveitar
materiais: elas certamente terão sugestões interessantes. Essa pode ser uma maneira
estimulante e alegre de trabalhar esses conceitos com elas.
1. Papel – os dois lados devem ser utilizados. Mesmo quando um dos lados for
impresso, o lado oposto (em branco) pode ser aproveitado para rascunhos. O
papel ainda pode ser empregado para fazer trabalhos com dobraduras
(barquinhos, chapéu de soldado, balões, bandeiras etc.).
-
95
2. Caixas de papelão – podem ser utilizadas para guardar o material das crianças,
fazer casinhas de bonecas, montar minicidades etc.
3. Garrafas plásticas – podem ser cortadas para fazer potes para lápis, vasos para
plantas, guardar líqüidos, fazer lixeirinhas individuais para as crianças etc.
4. Latas – podem ser utilizadas para colocar plantas etc.
5. Restos de vegetais – podem ser misturados à terra para que seus elementos
químicos sejam reaproveitados pelas plantas, ou servir de alimento para animais.
GLOSSÁRIO
Biodegradável: material que se decompõe no ambiente, pela ação de microor-
ganismos.
Coliformes fecais: bactérias que vivem naturalmente no sistema digestivo humano.
Quando detectadas no ambiente, indicam sua contaminação por fezes liberadas
através de esgotos.
Enfermo: doente.
Eólico: diz-se daquilo que se relaciona com o vento.
Neurotoxina: substância de alto poder agressivo, que, mesmo em baixa concen-
tração, danifica o sistema nervoso.
Rejeito: resíduo que já não tem utilidade.
Turfa: matéria esponjosa constituída de restos vegetais em variados graus de
decomposição e que se forma dentro da água, em lugares pantanosos, onde é escasso
o oxigênio.
Unânime: resultante de acordo comum; relativo a todos.
Volátil: substância que se transforma facilmente em gás e evapora. O álcool, por
exemplo, é muito volátil.
96
SUGESTÕES PARA LEITURA
TOKITAKA, S., GEBARA, H. O verde e a vida. Compreendendo o equilíbrio e o
desequilíbrio ecológico. São Paulo: Ática, 1991.
Nesse livro, o(a) professor(a) vai encontrar elementos que possa levar para sua prática
pedagógica, além de complementar seus estudos sobre as questões da alteração do
ambiente e da qualidade de vida. Os temas são introduzidos de forma criativa e
associados à realidade da criança. A linguagem é clara e o material é rico em
informações sobre os principais problemas ambientais.
VASCONCELOS, J. L., GEWANDSZNAJDER, F. Programas de saúde. São Paulo: Ática,
1989.
O livro trata da educação para a saúde. Informa sobre os principais tipos de doenças
que atingem as populações humanas, seus sintomas, formas de tratamento e
prevenção. Trabalha o conteúdo dentro do contexto social e econômico, mostrando
que saúde não pode ser tratada como um fenômeno isolado.
97
98
C - Atividades integradas
99
Caro(a) professor(a),
Vamos concluir as reflexões que vimos desenvolvendo, desde a Unidade 1 deste
Módulo, sobre a relação entre teoria e prática educativa e a especificidade do trabalho
docente. Como dissemos na Introdução, esta discussão final focaliza as contribuições
da Unidade 8, mas vai além dela, tirando conclusões para o Módulo IV e para o curso
como um todo.
Gostaríamos de começar perguntando: quem é você, professor(a)? Você é um(a)
cidadão(ã) brasileiro(a) e um(a) profissional da educação que está prestes a se titular.
Que diferença faz sua titulação?
Certamente ela significa que você completou sua educação básica e, assim, está
exercendo a cidadania de um modo mais completo, pois conseguiu um direito social
que, até agora, lhe havia sido negado. Indica, além disso, que você deu um passo
importante em sua formação, e sua identidade como profissional da educação ficou
mais definida. Em vários momentos, já falamos nessa identidade, pois ela é um dos
pressupostos que orientam a proposta pedagógica do PROINFANTIL. Agora, é
importante sintetizarmos essas referências.
Comecemos pela dimensão da cidadania. Você notou que os conteúdos das áreas
de Linguagens e Códigos; Matemática e Lógica; Identidade, Sociedade e
Cultura; e Vida e Natureza funcionam como instrumentos para ajudá-lo(a) a dominar
os conhecimentos sistematizados disponíveis na sociedade? Com eles, você está
concretizando o direito que tem como cidadão(ã) de compreender a realidade em
que vive, conhecendo os processos políticos e culturais que caracterizam o mundo
moderno e os princípios científicos e tecnológicos que explicam a realidade e dão as
bases para a organização da produção na atualidade.
Essa articulação entre o(a) professor(a) e o(a) cidadão(ã) manifesta-se em muitos
pontos dos conteúdos que você estudou nesta unidade e durante todo o curso, dando
elementos para a formação de um(a) cidadão(ã) e um(a) profissional consciente e
100
comprometido com o bem-estar da coletividade. A partir deles, podemos dizer que,
como todos os cidadãos, o(a) professor(a) tem de saber lidar com a diversidade, como
condição para viver em uma coletividade e exercer sua cidadania. Tem também de
agir e interagir politicamente, por meio da participação democrática, do compromisso
com a transformação e da promoção do bem comum.
Mas, além de cidadão, o(a) professor(a) é também um(a) profissional possuidor(a) de
um instrumental de trabalho e um pensador com uma visão política de seu campo de
atuação.
Mas a (re)significação da prática pedagógica deu-se também a partir da área de
Fundamentos da Educação, especialmente pelo conhecimento do Sistema
Educacional no Brasil, que tem a especificidade de fazer algumas articulações entre
o contexto social e o contexto escolar. Assim, contribui para a construção tanto dos
saberes curriculares quanto dos saberes pedagógicos.
Embora seja fácil perceber as múltiplas relações que existem entre as três dimensões
da identidade profissional do(a) professor(a) (cidadão, profissional e pensador), nem
sempre é tão simples traduzi-las para o campo da formação, conseguindo a integração
curricular desejável. Não basta adotar posições teóricas avançadas quanto à
organização do currículo, trabalhando com áreas ou blocos de conhecimentos ou
anunciando a intenção de fazer uma abordagem interdisciplinar. É necessário criar
espaços curriculares especificamente destinados a promover a integração dessas
três dimensões da identidade e da formação do profissional da educação.
Esperamos que você se sinta, hoje, um(a) profissional da educação, comprometido
politicamente com a conquista da cidadania para você próprio e para as crianças. Se
for assim, você terá conseguido dar novo significado ao seu trabalho e terá superado
visões mais estreitas da ação docente, como as de professor-sacerdote, professor-
técnico etc.
Mas queremos que você continue estudando e aprimorando sua prática pedagógica..
Esperamos que você tenha oportunidade de participar de programas de formação
continuada, como determina a LDB. Sua meta seguinte será a graduação em nível
superior, não é mesmo? Esperamos também que melhorem suas condições de
trabalho, que você possa ter um plano de carreira e, assim, progredir e realizar-se
profissionalmente. Temos certeza de que o PROINFANTIL ofereceu-lhe alguns dos
elementos necessários para lutar por tudo isso!
101
SUGESTÕES PARA A SEXTA REUNIÃO QUINZENAL
Atividade eletiva
SUGESTÃO 1
Você está terminando o PROINFANTIL. Durante dois anos, conviveu com colegas,
tutor(es), professores(as) da AGF... e conosco também: afinal, tentamos sempre ter
você(s) em mente, quando escrevíamos as nossas unidades.
Agora, nesta última sessão de sábado, discuta com os colegas o que significou essa
caminhada de dois anos. Quais foram os ganhos, quais foram as dificuldades, quantas
foram superadas?
Registrem os resultados da discussão sob a forma de um pequeno texto (pode ser um
poema, se alguém do grupo quiser tentar) e organizem um grande painel para
apresentá-los. Tentem fazer uma apresentação com forte presença de elementos
não-verbais, como desenhos, gravuras e fotografias. Se quiserem fazer algum outro
arranjo além do painel, podem usar também objetos que tenham significado para
vocês (trabalhos das crianças etc.).
SUGESTÃO 2
Esta sugestão é parecida com a primeira, mudando apenas a forma de organizar e
apresentar os fatos. Propomos que você e seu grupo construam coletivamente uma
linha de tempo, mostrando o que aconteceu de importante para vocês, desde que
começou o PROINFANTIL. Para isso, é necessário que cada um procure identificar os
marcos mais importantes desse processo, ressaltando suas expectativas iniciais, os
conhecimentos que trazia ao entrar para o curso, os conteúdos ou assuntos que mais
lhe chamaram a atenção, as maiores dificuldades e o modo como foram superadas,
as contribuições que o curso lhe trouxe para a prática pedagógica, os sentimentos
que experimentava quando conseguia fazer as atividades indicadas nos módulos.
102
SUGESTÃO 3
Na mesma linha de balanço final do curso, vocês podem organizar uma discussão em
torno do perfil de saída do PROINFANTIL, que é um resumo das competências que
tínhamos em mente quando elaboramos a proposta do Programa. Veja no Guia Geral
o perfil e os domínios do professor da Educação Infantil.
SUGESTÃO 4
Sugerimos que você construa, junto com seus colegas, um mural sobre a importância
da preservação ambiental. Para isso, junte revistas ou jornais e selecione notícias
sobre os temas tratados aqui. Depois monte o mural, tendo o cuidado de casar texto
e ilustração, de acordo com o que estudou na área de Linguagens e Códigos. Ao
colocar sua matéria no mural, explique-a para seus colegas e discuta-a brevemente
com eles. Ao final desta atividade, o mural terá várias matérias, cada uma
representando o interesse específico de quem a selecionou. Você poderá aproveitar
para discutir quais são os principais problemas ambientais da região onde cada um
mora.
103
104
D - Correção das atividades
de estudo
105
LINGUAGENS E CÓDIGOS
Atividade 1
A, C, B, A, C.
Atividade 2
Argumentos possíveis:
- Se você olha a imagem e entende seu significado, sabe o que ela quer dizer,
então, você leu. Logo, a imagem possibilita leitura.
- “A leitura do mundo precede a leitura da palavra.”
- Um livro de imagens não apresenta palavras, mas conta uma história
completa, dentro das características da narração: princípio-meio-fim.
Atividade 3
a) 1. A criança percebe e manipula imagens antes das palavras.
2. A imagem é uma representação concreta e o símbolo, uma representação
abstrata.
3. A ilustração é uma forma de comunicação estética.
106
4. A imagem, além da arte, permite a pausa, o sonho ou devaneio,
importantes na criação.
b) Leitura criadora é a individual, de cada um, única, diferenciada.
Atividade 4
a) Objetivo da coleção: criação individual do texto usando todos os vôos que
a imaginação da criança quiser.
b) Porque cada criança tem o seu arquivo de imagens e cria, de acordo com
sua sensibilidade, um visual imaginário.
ou
Porque as leituras diferem de pessoa para pessoa.
Atividade 5
São instruções que devem ser seguidas, em ordem, na análise do livro “Outra
vez”.
Se você fizer direito, você saberá; será como uma revelação. Além do mais, por
acréscimo, ficará feliz.
Atividade 6
a) Maria vai com as outras - ÁLBUM
Ida e volta - IMAGEM
Feliz aniversário, Lua - ÁLBUM
b) ÁLBUM é o livro que usa texto e imagem dialogando.
c) LIVRO DE IMAGEM é o que só se expressa por ícones.
107
Atividade 7
a) Porque não usa o oral ou o escrito (verbo), força a verbalização. Transborda.
A criança não agüenta ficar só com as imagens, precisa falar sobre elas, dar-
lhes existência verbal, principalmente as menores, que acompanham seus atos
com a fala (você já notou?). Ela quer partilhar, compartilhar, comentar. Vai ler
imagens oralmente ou por escrito muito mais extensa e profundamente do
que lendo o texto simbólico.
b) É claro! Não há idade ou limite para se apreciar o belo, a arte, captar o
encanto embutido ou disfarçado nas imagens, chegar à fruição estética.
c) O míope tem “vista curta”, visão limitada, campo visual reduzido. Com isso
perde muito do todo, não alarga sua visão periférica. Se a pessoa não tem
“olhos para ver”, imagine as maravilhas que vai perder... É preciso ampliar
a visão das coisas, especialmente ter uma mente aberta, capaz de “ler
grande”, sem fronteiras e preconceitos.
Atividade 8
Esta é a atividade típica do “aprender a aprender”, do “aprender fazendo”.
Não há outro jeito. Claro, você pode confiar em listas organizadas por
especialistas, mas é diferente. Veja por si mesmo: use seus conhecimentos, sua
intuição, sua experiência, o seu gosto, o seu prazer. Você vai se desenvolver
pouco a pouco e aperfeiçoar seu “tato”, acurar seu “olhar”, refinar suas
percepções. Tenha certeza disso e não desanime. Sucesso!
108
IDENTIDADE, SOCIEDADE E CULTURA
Atividade 1
a) Três: área de vegetação nativa extinta, área de mineração contaminando o
solo e a água, área sujeita a intenso processo de erosão. Esses problemas
estão ligados à ação antrópica, isto é, à ação das pessoas.
b) Extinção da vegetação nativa.
Atividade 2
a) Foto 1: Floresta tropical, mostrando muitas árvores de variados tamanho e
tipo.
Foto 2: Motosserra cortando toras de árvores, e uma imensa área com
floresta ao fundo; na frente, área onde a floresta foi derrubada.
Foto 3: Imensa área depois da queimada.
b) A resposta é de natureza pessoal, mas o(a) professor(a) Cursista deverá deixar
clara a idéia de que a quarta foto, certamente, indicaria a existência de um
deserto.
Atividade 3
a) Brasil, países africanos, Indonésia.
b) Para os países do Hemisfério Norte, os países ricos: Estados Unidos, países
europeus.
BRASÍLIA:
NÃO SÃO
FOTOS,
NÃO
EXISTE
MOTOSSERA...
109
Atividade 4
A cobiça de empresas estrangeiras de países ricos as faz adquirir terras e
desenvolver projetos agropecuários, de mineração, construção de hidroelétricas
e principalmente exportação de madeira. Todos esses empreendimentos
devastam a cobertura vegetal de nossos territórios.
Atividade 5
a) Derramamento de petróleo, acidente nuclear, emissão de CO2(ver número
subsc.), desmatamento, pesca predatória, chuva ácida, exportação de
dejetos.
b) O desmatamento.
Atividade 6
a) Resposta pessoal, que depende da localidade onde o Cursista vive.
b) No mar, no Oceano Atlântico.
Atividade 7
No Brasil, os córregos, por menores que sejam, vão com suas águas para um rio
maior, que, diretamente ou indo para um rio ainda maior, deságua no Oceano
Atlântico.
110
Atividade 8
a) Continentes, oceanos e correntes marítimas frias e quentes.
b) Frias e quentes.
c) Corrente do Brasil e corrente Norte Equatorial.
d) Esta corrente passa pela nossa costa leste no sentido sul.
Atividade 9
O ar e a água são ambientes que ligam todo o mundo, por isso dizemos que
não há fronteiras no ambiente, ou seja, não podemos parar uma poluição
causada no ar ou na água e não conseguimos também delimitar as
conseqüências desse tipo de estrago.
Atividade 10
Resposta pessoal. O(A) professor(a) cursista deverá considerar que o
desenvolvimento tecnológico e científico pode mostrar caminhos racionais para
a ocupação do solo.
Atividade 11
Resposta pessoal. Sugestão de resposta possível:
Nem todas as indústrias causam danos ao meio ambiente. Mas a própria indústria
pode diminuir os danos ao meio ambiente colocando filtros e tratando a água
poluída antes de lançá-los na atmosfera ou na água.
Atividade 12
a) V b) F c) F d) V e) V f) V
111
VIDA E NATUREZA
Atividade 1
a) O lixo produz mau cheiro e atrai animais que transmitem doenças. O esgoto
suja a água dos rios e provoca doenças nas pessoas que usam essa água.
b) Não, porque irá causar os mesmos problemas em outro lugar.
Atividade 2
O lixo da patroa tem mais produtos industrializados, enquanto o da empregada
tem maior proporção de matéria orgânica.
Atividade 3
a) V b) F c) F d) V
Atividade 4
( 4 ) ( 1 ) ( 3 ) ( 5 ) 2 )
Atividade 5
No garimpo, o mercúrio é utilizado misturado ao ouro, formando uma liga
denominada amálgama. A liga é aquecida e o mercúrio, que é muito volátil, ou
seja, se transforma em vapor, se separa e fica apenas o ouro.
112
Atividade 6
O mercúrio ingerido por um animal fica no seu corpo e passa para os outros
animais que dele se alimentam. Dessa forma, a concentração de mercúrio
aumenta a cada etapa da cadeia alimentar. Isso ocorre porque os peixes
predadores se alimentam de outros peixes que já se alimentaram de vários
outros, os quais, por sua vez, já acumularam este mercúrio no seu corpo.
Atividade 7
a) C b) E c) C
Atividade 8
A diferença entre as velocidades de produção de resíduos e a sua reciclagem
do ambiente leva ao acúmulo destes.
Atividade 9
Despejo de esgoto e produtos tóxicos no mar e no rio levam à contaminação
da água, prejudicando a pesca e o consumo. Propicia o aparecimento de doenças
como a hepatite, micoses e diarréia.
Atividade 10
( b ) ( d ) ( c ) ( a )
113
Atividade 11
a) É uma fonte renovável de energia.
b) Polui menos que a gasolina.
Atividade 12
Comparando-se a quantidade de calor produzida por 1kg de todos os
combustíveis, conclui-se que o hidrogênio é o melhor deles, pois produz a maior
quantidade de calor liberado em relação aos outros combustíveis.
H
2
(g) + 1/2 O
2
(g) H2
O
(g) (Não é poluente!)
Atividade 13
a) NR b) R c) R d) R e) R
Esta obra foi composta na Editora Perffil
e impressa na Esdeva, no sistema off-set,
em papel off-set 90g, com capa em papel
cartão supremo 250g, plastificado
brilhante, para o MEC, em março de
2006. Tiragem: 10.000 exemplares.
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