A DOENÇA DO FABRÍCIO
Artur Azevedo
O Fabrício era amanuense numa repartição pública, e gostava muito da
Zizinha, filha única do Major Sepúlveda.
O seu desejo era casar-se com ela, mas para isso era preciso ser promovido
porque os vencimentos de amanuense não davam para sustentar família.
Portanto, o Fabrício limitava-se à posição de namorado, esperando ansioso o
momento em que pudesse ter a de noivo.
Um dia, o rapaz recebeu uma carta de Zizinha, participando-lhe que o pai, o
Major Sepúlveda, resolvera passar um mês em Caxambu, com a família, e
pedindo-lhe que também fosse, pois ela não teria forças para viver tão longe
dele.
Sorriu ao amanuense a idéia de ficar uma temporada em Caxambu,
hospedado no mesmo hotel que Zizinha. Sendo como era, moço econômico,
tinha de parte os recursos necessários para as despesas da viagem; faltava-
lhe apenas a licença, mas com certeza o ministro não lha negaria.
Enganava-se o pobre namorado. O ministro, a quem ele se dirigiu
pessoalmente, perguntou-lhe de carão fechado:
- Para que quer o senhor dois meses de licença?
- Para tratar-me.
- Mas o senhor não está doente!
- Estou, sim, senhor; não parece, mas estou.