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INTRODUÇÃO
À DIDÁTICA
DE
EDUCAÇÃO
FÍSICA
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LIVRO TÉCNICO EDITADO PELA DIVISÃO DE
EDUCAÇÃO FÍSICA DO M. E. C. E DESTINA-
DO A DISTRIBUIÇÃO GRATUITA AOS ESPE-
CIALIZADOS.
EDIÇÃO MAIO 1969
DIVISÃO DE EDUCAÇÃO FÍSICA
MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO E CULTURA
BRASÍLIA, D. F.
BRASIL
INTRODUÇÃO
À DIDÁTICA
DE
EDUCAÇÃO
FÍSICA
PROGRAMA DE PUBLICAÇÕES
EDITOR: PROFESSOR LAMARTINE PEREIRA DA COSTA
DIVISÃO DE EDUCAÇÃO FISICA PALÁCIO DA CULTURA SALA 1111
RUA DA IMPRENSA, 16 RIO DE JANEIRO - GB
ALFREDO GOMES DE FARIA JR.
LICENCIADO EM EDUCAÇÃO FISICA E EM PEDAGOGIA
APRESENTAÇÃO
A iniciativa da Divisão de Educação Física do M.E.C. em
publicar a presente obra tem por objetivo, primordialmente,
oferecer subsídio aos alunos das Escolas Superiores de Educação
Física e aos nossos especializados, de modo geral, no referente
ao setor básico da Didática.
Nesse propósito, as considerações em evidência foram:
as Escolas Superiores de Educação Física são as únicas
que, entre as instituições qua preparam professores, não têm a
Didática, cujo objetivo específico é justamente o estudo das téc-
nicas de ensino, como disciplina constante de seus currículos;
a inclusão da Didática no currículo mínimo dessas Esco-
las, estudada atualmente pelo Conselho Federal de Educação,
exigirá, obviamente, material bibliográfico correspondente, e
o moderno conceito de Educação Física requer o que se
pode chamar de uma "nova técnica de ensino", que traduz, no
campo prático, os princípios teóricos já aceitos pela maioria dos
nossos professores de Educação Física.
O autor, salientando sempre a posição ocupada pelo educan-
do, como centro de todo o processo educacional, e a do moderno
professor de Educação Física, como autêntico educador, pro-
curou, simplesmente, adequar algumas normas e procedimentos,
aplicados, até hoje, empiricamente pelos professores de nossa
especialidade, aos princípios básicos recomendados pela Didá-
tica Geral.
Assim, foram estudadas prioritáriamente as três fases da
atividade discente o planejamento, a orientação e o controle
da aprendizagem em Educação Física ao mesmo tempo em
que se procurou desenvolver algumas considerações sobre aspec-
tos teóricos da Educação. _ .. '
Cumpre relevar ainda que o trabalho ora apresentado cons-
titui fase importante na evolução técnica do PROGRAMA DE
PUBLICAÇÕES da Divisão de Educação Fisica, que busca o
aperfeiçoamento dentro dos novos conceitos de comunicação.
A experiência assimilada pautará certamente as nossas futuras
publicações.
Considerando nossa diretiva, à frente da Divisão, de apoiar
decisivamente o aperfeiçoamento técnico da Educação Física
e dos Desportos, esperamos, com esse empreendimento, cumprir
mais uma etapa de nossos objetivos.
Tenente-Coronel Arthur Orlando da Costa Ferreira
Diretor da Divisão de Educação Física do M.E.C.
ÍNDICE
APRESENTAÇÃO
UNIDADE I
NOÇÕES FUNDAMENTAIS 1
A Pedagogia 2
A Educação ., 10
A Didática 23
UNIDADE II
O EDUCANDO 27
Aspectos Evolutivos do Educando 28
Considerações acerca dos exercícios físicos para crian-
ças e adolescentes 39
O dimorfismo sexual do educando e suas influências
nas práticas físicas 40
UNIDADE III
O PROFESSOR DE EDUCAÇÃO FÍSICA 44
Requisitos Básicos do Professor de Educação Física ... 46
O Professor de Educação Física e o Grupo Profissional
Pedagógico 51
O Professor de Educação Física e o Fenômeno da Lide-
rança 55
O Professor de Educação Física e a Ética Profissional .. 57
UNIDADE IV
FINALIDADES DA EDUCAÇÃO E OBJETIVOS DO
ENSINO DA EDUCAÇÃO FÍSICA 60
Finalidades da Educação 61
Objetivos do Ensino 61
Finalidades da Educação Brasileira 62
Objetivos da Educação Física 63
UNIDADE V
OS CONTEÚDOS 69
Alguns Aspectos a Considerar na Seleção dos Conteúdos 71
Algumas formas pelas quais os conteúdos se apresentam 77
UNIDADE VI
MÉTODO E CICLO DOCENTE 107
Primeira Parte
1 Método 108
2 Principais Métodos Empregados no Brasil 109
Segunda Parte
Ciclo Docente 142
a) O Planejamento do Ensino da Educação Física 143
b) Orientação da Aprendizagem 194
c) Controle da Aprendizagem 287
CONCLUSÕES 313
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 314
ÍNDICE DA MATÉRIA 319
UNIDADE !
NOÇÕES FUNDAMENTAIS
A PEDAGOGIA
Conceito de Pedagogia
Fontes e Evolução da Pedagogia
Objeto da Pedagogia
Características do Fenômeno Educativo
Divisão da Pedagogia
Disciplinas que Compõem a Pedagogia
A EDUCAÇÃO
Conceito de Educação
Alguns Aspectos da Educação Sistemática no Brasil
A DIDÁTICA
Conceitos de Didática
Objeto da Didática
Fontes da Didática
Âmbito da Didática
Didática Tradicional e Didática Moderna
Divisão da Didática
Didática de Educação Física
1
NOÇÕES FUNDAMENTAIS
A PEDAGOGIA
CONCEITO DE PEDAGOGIA
O têrmo Pedagogia existe desde a antigüidade clássica. Encontramo-lo,
uma das primeiras vezes, na tragédia "Orestes", de Eurípedes, passando a
ser empregado, a partir daí, por numerosos autores clássicos, modernos
ou contemporâneos.
A palavra Pedagogia provém de duas palavras gregas: "pais, paidós"
criança e "ago, agein" conduzir, guiar, dirigir. "Ped" é contração de
"paid"; "agog" é a raiz com duplicação ática de "ago" e "ia" é o sufixo
grego que dá valor ao substantivo. Portanto, Pedagogia, etimològicamente,
significa "guia ou condução da criança".
Por isso, na Grécia antiga, chamava-se pedagogo ao escravo liberto
encarregado de conduzir as crianças à palestra. Esta função existe desde
os tempos mais remotos da antiga civilização grega. No canto IX da Ilíada
é mencionada várias vezes a figura de Fênix, que, segundo os clássicos,
foi pedagogo de Aquiles.
O pedagogo conduzindo sua
pequena senhora.
Com o passar do tempo, o conceito inicial de Pedagogia começou a
modificar-se. No século II,o Clemente de Alexandria, no seu livro "O
Pedagogo", já faz menção a quatro significados para Pedagogia.
Uma vez abandonado o conceito etimológico por considerá-lo vago,
impreciso e insuficiente, procurou-se conceituá-lo como "arte de educar",
"ciência da educação" e até "ciência e técnica da educação". Estes concei-
tos, porém,o ainda confusos e limitativos.
Evoluiu-se depois para "ciência da arte de educar". Ciência, por
envolver conhecimentos certos e sistemáticos adquiridos por métodos
idôneos, e arte porque supõe uma realização.
Esta definição é ainda restritiva e unilateral, se estudados outros
aspectos da problemática. A Pedagogia, por exemplo, determina valores
éticos e sociais a serem atingidos pela educação, fazendo, assim, uma
especulação filosófica. Estabelece, também, como realizar a educação, po-
dendo, portanto, ser considerada uma técnica.
Desta forma, Pedagogia "seria, ao mesmo tempo, a filosofia, a ciência
e a técnica da educação".
Procura-se, atualmente, conceituá-la, também, tomando-se por base
o seu conteúdo: "Pedagogia é o conjunto de conhecimentos sistemáticos
sôbre o fenômeno educativo." Abrange, pois, o conjunto dos conhecimentos
acumulados, organizados e sistematizados com rigor científico, sôbre a
problemática da educação, através dos séculos.
FONTES E EVOLUÇÃO DA PEDAGOGIA
Fase do Empirismo Pedagógico
A Pedagogia era, inicialmente, um complexo de tradições educativas
advindas da observação e da experiência empírica de antigos mestres.
Sua única fonte era a experiência práticao metodizada. Apresen-
tava, de uma parte, grandes erros, princípios e normas contraproducentes,
onde predominavam a improvisação e o autodidatismo; de outra parte,
já estabelecia alguns princípios válidos e normas aceitáveis, que mais
tarde vieram a ser reavaliadas e reformuladas pela Pedagogia atual.
Fase da reflexão e crítica filosófica
Esta fase teve como iniciadores Sócrates, Platão e Aristóteles e surgiu
da necessidade de uma interpretação dos fins da educação, do estabeleci-
mento de novas normas e diretrizes da ação educativa e de atender às exi-
gências humanas e sociais da educação.
Platão.
Surge, a partir daí, a sistematização da Pedagogia, tornada uma disci-
plina racional e ordenada, possibilitando a elaboração da política educacio-
nal dos diferentes povos.
Fase da pesquisa científica
Esta fase inicia-se em fins do Século XIX estimulada por três grandes
fatôres fundamentais:
expansão do pensamento positivista,
controvérsia evolucionista e
rápida democratização da educação.
A expansão do positivismo teve como conseqüência no campo pedagó-
gico a pesquisa dos diversos aspectos da realidade e da natureza humana.
A controvérsia evolucionista, analisando tôda a evolução biológica e psi-
cológica da criança nas diferentes etapas evolutivas, proporcionou novos
dados psicológicos, sociológicos, higiênicos, biológicos, econômicos e artís-
ticos à educação. Foi quando surgiram os conhecimentos exatos e objetivos
sôbre os dados reais do fenômeno educativo. A democratização da educa-
ção aumentou a responsabilidade social da escola, exigindo a realização
de pesquisas sôbre os problemas concretos da infância e da adolescência.
Desta forma, pode-se compreender a grande complexidade da Peda-
gogia moderna e a riqueza e densidade dos conhecimentos que ela en-
volve.
OBJETO DA PEDAGOGIA
Pelo exposto, podemos compreender que o objeto específico da Peda-
gogia é o "estudo do fenômeno educativo".
CARACTERÍSTICAS DO FENÔMENO EDUCATIVO
O fenômeno educativo é constante por haver sempre uma geração
adulta atuando sôbre uma geração mais jovem. Desta forma, temos a
garantia de uma eficaz preservação da cultura e da continuidade da vida
social. É universal porque se processa através de todos os tempos e em
todas as comunidades do mundo, embora variando em intensidade e sis-
tematização. É irredutível poro se confundir nem se identificar com os
demais fenômenos da vida social.
DIVISÃO DA PEDAGOGIA
A Pedagogia Teleológica (do grego "teleos" fim; "logos" tratado)
preocupa-se com os fins e objetivos educativos; a Pedagogia Ontológica
(do grego "ontos" ser; "logos" tratado) estuda o que é a educação,
sôbre quem atua e quem a realiza; e a Pedagogia Mesológica (de "mesos"
meio; "logos" tratado) cuida dos meios e das formas mais indicadas
na realização da obra educativa.
Estes três aspectos da Pedagogia formam um todo inseparável tal o
seu íntimo relacionamento. Para maior esclarecimento, transcrevemos o
exemplo dado pela Professora Consuelo Buchon em seu livro "Pedagoga".
"Tomemos, como exemplo, a educação física que, por sua natureza,
pode parecer a mais alheia ao aspecto teleológico; para propor a alguém
um exercício de ginástica ou jogo temos que começar por conhecê-lo para
que a qualidade, método e duração guardem proporção com a idade e o
estado constitutivo do sujeito, e, mais ainda, deverá ser de tal modo que
coopere com o bem intelectual, moral e religioso; tanto quanto assim fôr,
será educativo. Seor assim, seo levar em conta o sujeito atual-
mente e o fim visado,o só tal exercício deixará de ser formativo, como
será aberração condenável."
DISCIPLINAS QUE COMPÕEM A PEDAGOGIA
Adotado o conceito de Pedagogia como "o conjunto de conhecimentos
sistemáticos sôbre o fenômeno educativo", foi possível agrupar as diferen-
tes disciplinas que compõem a Pedagogia:
I Disciplinas Filosóficas (descritivas e normativas)
História da Pedagogia
Filosofia Educacional
Política Educacional
II Disciplinas Científicas (descritivas ou experimentais)
Biologia Educacional
Psicologia Educacional
Sociologia Educacional
Estatística Educacional
História da Educação
Educação Comparada
III Disciplinas Técnicas (aplicadas)
Higiene Escolar
Administração Escolar
Organização Escolar
Didática Geral e Especial
Orientação Educacional
Psicoterapia Educacional
I Disciplinas Filosóficas
História da Pedagogia
A História da Pedagogia estuda a evolução da "teoria educacional"
relacionando suas diversas manifestações no curso da História com as
concepções religiosas ou filosóficas que lhe deram origem. Estuda, tam-
bém, o desenvolvimento do pensamento filosófico-pedagógico, através dos
tempos, caracterizando suas grandes etapas e os ideais que predominaram
em cada uma delas.
Filosofia Educacional
j A Filosofia Educacional estuda os princípios básicos e as finalidades
que devem nortear a educação. Determina os valores a serem atingidos
pela educação.
Política Educacional
Esta disciplina examina os problemas da educação em têrmos das ne-
cessidades sociais imediatas.
II Disciplinas Científicas
Biologia Educacional
A Biologia Educacional, objetivando garantir condições propícias à
educação das gerações mais jovens, estuda o desenvolvimento orgânico do
educando, suas diferenças individuais e as formas de atuar sôbre aquelas
diferenças. Analisa as influências da hereditariedade e do meio: os ca-
racteres herdados e adquiridos, o crescimento, o sistema glandular, as con-
dições ambientais, as atividades do sistema nervoso, a atividade muscular,
a fadiga, as doenças e suas profilaxias etc.
Psicologia Educacional
A Psicologia Educacional estuda as etapas evolutivas da psique das
crianças e dos adolescentes, o fenômeno da aprendizagem, a personalidade
em relação à sua formação e a sua adaptação ao meio etc.
Sociologia Educacional
A Sociologia Educacional estuda as relações entre o indivíduo e o
grupo, a natureza, do ponto de vista sociológico, do processo educativo,
os fins sociais da educação, as influências dos grupos sociais (família,
igreja, estado etc.) sôbre a educação. Analisa a correlação entre o sistema
escolar e os sistemas sociais.
Estatística Educacional
Estuda a educação do ponto de vista quantitativo, fornecendo ele-
mentos que permitem uma série grande de avaliações, seja acerca dos
dados biológicos e psicológicos da educação, seja acerca dos dados so-
ciológicos.
História da Educação
Estuda a evolução histórica dos sistemas e práticas educacionais, os
grandes educadores nos momentos históricos, a organização e o funciona
mento das experiências educacionais etc.
Educação Comparada
Estuda e correlaciona as realidades educacionais: leis, sistemas, ins-
tituições, métodos etc; as tendências pedagógicas de cada povo, os focos
de irradiação dessas tendências, a extensão dessa irradiação.
8
III Disciplinas Técnicas
Higiene Escolar
A Higiene Escolar estuda as condições materiais da escola, os regimes
de vida, de estudo e alimentação e as normas e cuidados de higiene física
e mental dos corpos docente, discente e administrativo da escola.
Administração Escolar
Estuda a estrutura e o funcionamento dos órgãos de administração
escolar, a hierarquia e a distribuição de funções, enfim aplica as técnicas
administrativas ao problema educacional.
Organização Escolar
Estuda a mobilização de todos os recursos (materiais, financeiros, de
pessoal etc.) de uma escola, com o objetivo de garantir maior eficiência,
maior rendimento e economia de tempo, de dinheiro e de trabalho.
Didática Geral e Especial
A Didática objetiva o ensino ou a direção técnica da aprendizagem.
A Didática Geral estuda as teorias, princípios e normas gerais, exa-
mina e critica os métodos de ensino, analisa e apresenta soluções para os
problemas comuns de diferentes níveis, ramos, disciplinas ou práticas
educativas.
A Didática Especial estuda os objetivos de cada disciplina ou prática
educativa, a programação dos conteúdos, os métodos e recursos específicos
e os problemas particulares inerentes ao ensino em questão.
Orientação Educacional ou Orientação Educativa (segundo a
L.D.B.)
"A Orientação Educacional é uma atividade pedagógica organizada em
bases científicas com caráter permanente, visando essencialmente ao aluno
e acidentalmente ao jovem, para integrar sua educação geral por meio da
atividade do orientador em cooperação com vários agentes pedagógicos
e mediante técnicas adequadas." (CADES)
A Orientação Educativa procura promover um ambiente capaz de
levar o educando a agir de forma positiva. É, ao mesmo tempo, uma pro-
moção, um projeto e um programa de ideais e valores. Ela age sub-repti-
ciamente de forma a modificar a conduta do educando dentro de um certo
prazo.
A Orientação Educativa é, também, uma aprendizagem de profundi-
dade, pois visa a realizar no indivíduo a sua maturidade. Procura fazer
com que o indivíduo ultrapasse níveis de aspirações próximos para atingir
outros que o levem a uma performance melhor. Considera-se a Orientação
Educacional como uma higiene mental,o no sentido vulgar da expres-
são, mas sim como uma prática terapêutica com base científica para aliviar
tensões ou conflitos do indivíduo, conduzindo ao equilíbrio.
Psicoterapia Educacional
Estuda as diferentes formas de anomalia mental e os desvios psicoló-
gicos da infância e da adolescência, estabelecendo técnicas de diagnóstico,
tratamento e reorientação psicológica. Elabora métodos especiais de en-
sino para alunos com problemas relacionados com a conduta, reatividade
e escolaridade.
A EDUCAÇÃO
CONCEITO DE EDUCAÇÃO
Vulgarmente, usamos a palavra educação quando nos queremos referir
ao grau de cultura, às atitudes, aos costumes sociais, à urbanidade e à
polidez de um determinado indivíduo. Êste conceito vulgar, impreciso,
vago e incompleto, baseado em noções ingênuas, contém, todavia, três
tônicas que, analisadas, poderão servir para melhor compreensão do real
significado do têrmo: a educação é algo que se adquire, que implica num
processo perfectivo relacionado com o social.
o há perfeito acordo entre os estudiosos sôbre as origens etimológi-
cas do têrmo educação. Uns afirmam-no derivado de "educare", que signi-
fica criar, alimentar. Outros asseveram que êle se originou de "educere",
composto de "ex", que significa direção para fora, e do verbo "ducere",
conduzir. Desta forma, significaria "tirar de dentro para fora".
Alguns dos grandes educadores do passado, baseando-se nas origens
etimológicas da palavra, emitiram conceitos distintos aparentemente
díspares.
Desta forma, João Frederico Herbart "considera que o que se propõe
à educação é introduzir materiais no educando, "alimento" que é preciso
dar ao espírito para que se desenvolva".
João Henrique Pestalozzi, partindo de outra origem do têrmo, assegura
que "a única coisa que o educador tem que conseguir é desenvolver os ger-
mens que se encontram no educando".
Pode, assim, parecer à primeira vista, considerando-se aquelas duas
origens, que existam dois conceitos distintos e inconciliáveis de educação.
Tal, no entanto,o ocorre, pois os dois significados completam-se, indi-
cando-nos os dois movimentos da educação: um de dentro para fora, no
sentido de um desenvolvimento e maturação próprios, e outro de fora para
dentro, que auxiliará àquele desenvolvimento. Desta forma, o processo
educativo obedece a dois princípios: um, intrínseco à natureza do educan-
do; outro, extrínseco a ela.
O conceito vulgar e o etimológico da educaçãoo satisfizeram aos
estudiosos que, desde a antigüidade, procuram melhor conceituá-la.
Assim, encontramos uma série de conceitos para o têrmo em questão,
alguns dos quais transcrevemos a seguir:
"A educação tem por fim evitar o erro e descobrir a verdade."
(Sócrates.)
"Educação consiste em dar ao corpo e à alma tôda a perfeição de
queo capazes." (Platão.)
"O verdadeiro escopo da educação é a obtenção da felicidade por
meio da virtude perfeita." (Aristóteles.)
"Educar é instruir a juventude e formar almas virtuosas." (Cí-
cero.)
Aristóteles
Spencer
Kant
Locke
'
;
Educar é saber dirigir e conter todos os movimentos da alma, de
modo a realizar sómente atos dignos de um ser racional." (Marco
Aurélio.)
"A educação tem por finalidade unir um espírito sadio a um corpo
sadio. A tarefa da educaçãoo é aperfeiçoar os jovens nas ciências,
mas prepará-los mentalmente de modo a serem capazes de abordar
qualquer uma delas se aplicarem no seu estudo." (Locke.)
'Educar é a arte de formar homens." (Rousseau.)
"O fim da educação é a formação do homem integral, habilitado
nas artes e indústrias." (Rabelaís)
"Educação é a arte de formar homens eo especialistas." (Mon-
taigne.)
"A finalidade da educação é proporcionar serviços mais efetivos
ao Estado e à Igreja." (Lutero.)
"Educação é o desenvolvimento integral do homem. É o domínio
de todas as coisas." (Comenius.)
"Educar significa o desenvolvimento natural, progressivo e siste-
mático de todas as forças." (Pestalozzi.)
"Educar é desenvolver proporcional e regularmente todas as dis-
posições do ser humano." (Kant.)
"O objeto da educação é realizar a vida confiante, pura, inviolável
e sagrada." (Froebel.)
"A educação é a arte de construir, de edificar e de dar as forças
necessárias." (Herbart.)
"Preparar-nos para uma vida completa é a função que deve de-
sempenhar a educação." (Spencer.)
Inúmeros outros conceitos de educação poderiam ser aqui mencio-
nados. Só Rufino Blanco, em sua Enciclopédia Pedagógica, refere-se a
cento e oitenta e quatro conceitos distintos de educação.
Como vimos, os conceitos de educação lançados até agorao ora des-
critivos, ora normativos. Os descritivos referem-se ao processo educacional
e os normativos aos fins a serem atingidos.
William F. Cunningham chega a um conceito plenamente satisfatório
quando o faz baseado em três grupos de transformações que intervêm no
processo educativo: habilidades, conhecimentos e ideais.
O homem, ao contrário dos animais, necessita de um longo período de
aprendizagem em substituição aos instintos existentes nos irracionais. Ins-
tintos significam "hábitos fixos de reação",o havendo, por conseguinte,
progresso na vida animal. O homem maduroo possui hábitos de com-
portamento hereditárioso modificados pela aprendizagem. Possui, isto
sim, um sem-número de habilidades que inicialmente nada mais eram que
capacidades. Um segundo grupo de transformações no processo educacio-
nal é a do crescimento em conhecimentos. O nascituro ignora tôda a he-
rança social, ao passo que o adulto tem conhecimento dela. O terceiro e
último grupo de transformações é a passagem dos impulsos aos ideais. Por
ideais compreendem-se os controles racionais da conduta humana sôbre
os instintos.
Desta forma, podemos conceituar educação como "o processo de cres-
cimento e desenvolvimento pelo qual o indivíduo assimila um corpo de
conhecimentos, demarca os seus ideais e aprimora sua habilidade no trato
dos conhecimentos para a consecução daqueles ideais".
ALGUNS ASPECTOS DA EDUCAÇÃO SISTEMÁTICA NO BRASIL
A educação, segundo suas influências, pode ser: assistemática, quando
é inconsciente, espontânea e ocasional, e sistemática, quando é intencio-
nal, consciente e seletiva.
A educação assistemática desenvolve-se ao sabor dos incidentes e das
circunstâncias fortuitas, sem que haja um planejamento anterior.o sen-
do ela seletiva, o indivíduo aprende coisas certas e coisas erradas, boas e
más, donde se pode aquilatar a responsabilidade educativa que pesa sôbre
es gerações adultas. O ser humano é assim, em grande parte, fruto dessa
educação assistemática.
A educação sistemática é, ao contrário da anterior, consciente, com
objetivos previamente traçados, crítica e sobretudo intencional. A educa-
ção sistemática é ministrada numa complexa e especializada instituição
nitidamente seletiva a Escola. De um modo geral, cada país congrega
os serviços escolares em sistemas de ensino, regionais e locais, queo
constituir, no todo, o seu sistema nacional de ensino.
Os diferentes sistemas possuem, por sua vez, níveis ou graus de ensino
que nada maiso do que a sua articulação vertical.
(adaptado de Lourenço Filho)
No Brasil, a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, Lei Fede-
ral n.° 4.024, procurando proporcionar uma "centralização de orientação"
permite à União criar um Sistema Federal de Ensino, ao mesmo tempo
que busca uma "descentralização de execução", quando permite aos Es-
tados e ao Distrito Federal organizarem seus próprios sistemas de ensino.
Esta Lei reconhece, ainda, três níveis ou graus de ensino: a Educação de
Grau Primário, a Educação de Grau Médio e a Educação de Grau Superior.
Julgamos necessário desenvolver neste trabalho algumas considera-
ções acerca dos diferentes níveis ou graus de ensino, visto que o docente
de Educação Física, dada a sua formação, possui habilitação profissional
que lhe permite atuar nos diferentes níveis.
A Educação de Grau Primário
Em nosso país, o critério geral escolhido para a graduação do ensino
é o das "idades sucessivas". Assim sendo, a educação de grau primário
é a que se destina à infância. Pela primeira vez, a Legislação brasileira
preocupou-se com a educação pré-primária quando a Lei n.º 4.024 a ela se
Visita de uma sala de aula de uma moderna escola primária
(Escola Guatemala, Rio de Janeiro).
refere dizendo que "se destina aos menores até sete anos, e será ministrada
em escolas maternais ou jardins de infância".
Quanto ao ensino primário, suas finalidadeso "o desenvolvimento
do raciocínio e das atividades de expressão da criança e a sua integração
no meio físico e social".
Procurou-se, também, tornar obrigatório o ensino primário a partir dos
sete anos e estender o curso a um mínimo de quatro anos e a um máximo
de seis.
Pesquisas feitas, e dentre elas salientam-se as do INEP, mostram-nos
quão deficiente é o ensino primário brasileiro. Em 1963, çalculou-se a exis-
tência de pelo menos 10 milhões de crianças na faixa etária de 7 a 11 anos,
sendo que dos 7 milhões das matriculadas no ensino primário mais da
metade se encontrava na primeira série. Êste fato se agrava com o pro-
blema da evasão escolaro evidente nas estatísticas de 1062, quando perto
de 1.200.000 crianças se evadiram durante o ano letivo, e mais de 1 milhão
delas o fizeram na primeira, segunda e terceira séries, sem que possuíssem
conhecimentos que nos permitissem afirmar que essas crianças estivessem
instruídas ou que fossem elementos produtivos do ponto de vista econô-
mico. Elas afastam-se da escola, por exemplo, sem ao menos conhecer a
História de sua Pátria, quando a evasão ocorre na primeira série. Outro
Aula de Educação Física numa moderna Escola Primária.
grande problema é o da reprovação escolar, dado que o número de repro-
vados chega, por vezes, a ultrapassar o de aprovados.
Desta forma,, considera-se o ensino que se restringe à primeira série
como um desperdício econômico.
A situação do professorado primário apresenta, também, um quadro
desalentador. Segundo dados obtidos pelo Primeiro Censo Escolar do Bra-
sil, 44% dos professôres primários em regência de classeo leigos, isto
e,o possuem qualquer formação profissional,o podendo, muitas vezes,
lecionar além da segunda série primária, pois um passo mais adianteo
deram na sua formação.
Assim sendo, é perfeitamente válido concluir que a Educação Física,
embora obrigatória por força de Lei neste nível de ensino, ficará prática-
mente esquecida por muito tempo em nossas escolas primárias. Nos gran-
des centros, entretanto, começamos a notar um maior interesse por parte
da direção das escolas em incluir efetivamente essa "prática educativa"
no currículo dos seus educandários.
Educação de Grau Médio
"A educação de grau médio, em prosseguimento à ministrada na es-
cola primária, destina-se à formação do adolescente." Êste artigo da Lei
Vista de uma sala de aula de um moderno Ginásio Secundário.
(G. E. Nun'Álvares Pereira Rio de Janeiro)
n.° 4.024 representa uma grande conquista para a educação brasileira, pois
começa a abandonar a idéia de que a escola média teria como finalidade
preparar jovens para os cursos superiores, substituindo-a pela idéia correta
de que sua finalidade é a formação da personalidade do educando.
O ensino médio brasileiro é, como se sabe, ministrado, atualmente,
em dois ciclos: o GINASIAL e o COLEGIAL. Desta forma, o têrmo "gi-
násio"o mais significa um tipo de ensino, mas sim o ciclo de um nível
ou grau de ensino. Todo o primeiro ciclo de ensino médio chama-se giná-
sio:, portanto, ginásio secundário, ginásio comercial, ginásio indus-
trial etc.
Da mesma forma, todo o segundo ciclo do ensino médio chama-se co-
légio ou "curso colegial", havendo, assim, colegial comercial, colegial in-
dustrial, colegial secundário etc.
Esses ramos, hoje em dia,o acesso à Universidade, ao contrário do
que ocorria anteriormente, quando só os alunos oriundos do curso secun-
dário podiam ingressar no nível superior.
Quanto à extinção gradual do Curso Ginasial Agrícola e a conseqüente
.proibição de os atuais educandários agrícolas realizarem exames de admis-
o a partir do ano letivo de 1969,o significa que o Govêrno pretenda
acabar com o ensino agrícola de grau médio, mas sim passá-lo para a es-
fera dos Ginásios Orientados para o Trabalho, isto porque só se recomenda
a profissionalização a partir do segundo ciclo.
No ensino médio, as condiçõesoo ruins ou até mesmo piores do
que no ensino elementar. Entretanto, êste grau de ensino é considerado
pelos especialistas como um dos fatôres básicos do desenvolvimento das
nações. O povo brasileiro descobriu, também, que é possível a mobilidade
vertical em nossa sociedade através dos conhecimentos e da formação que
uma boa escola lhe pode oferecer. Assim, a procura da escola torna-se cada
vez maior. A inexistência, porém, de todo um complexo social preparado
para receber as explosões demográficas, econômicas e sociais leva a nossa
rede escolar a uma situação angustiosa, onde nem a quantidade nem a
qualidadeo atendidas.
Dos 12 milhões de jovens em faixa etária correspondente à educação
de grau médio, somente 1.336.000 se matricularam em 1963 neste nível.
Estas matrículas estavam assim distribuídas:
Secundário 980.000
Comercial 200.000
Normal . 110.000
Industrial 39.000
Agrícola 7.000
Desta forma, num país de economia agrícola e onde se tenta uma-
pida industrialização, vemos quão irrisóriaso as matrículas nos ramos
correspondentes a essas atividades. O baixo índice das matrículas na escola
normalo nos permitem uma esperança de ver melhoradas as deficiên-
cias do professorado da escola primária brasileira.
Aula de Educação Física num moderno Ginásio Secundário.
A Educação Física, única "prática educativa" obrigatória existente nos
currículos de nossas escolas, para alunos até a idade de 18 anos, tem,
obviamente de se ressentir de tal problemática. Faltam instalações, ma-
terial didático e, sobretudo, o elemento humano altamente qualificado
para a tarefa de educar: o professor de Educação Física. Contudo, alguns
fatôres positivos começam a se fazer sentir em nossa especialidade. A ele-
vação da Educação Física à categoria de "prática educativa" despertou
um maior interesse de renovação no âmbito do magistério especializado,
visto que o êxito de sua missão passou a depender quase que exclusiva-
mente do interesse e prazer que consigam despertar em seus alunos, livres
da preocupação da nota para passar de ano, do conceito nas "provas prá-
ticas" e outros absurdoso evidentes nas disciplinas obrigatórias, com-
plementares e Optativas. Esta renovação obriga a realização de cursos de
aperfeiçoamento e até de pós-graduação, estimula o surgimento de novas
revistas e boletins especializados e a publicação de novas obras didáticas
igualmente especializadas.
O Ensino de Grau Superior
Nas diversas especialidades do ensino superior brasileiro, cujo objetivo
"é a pesquisa, o desenvolvimento das ciências, letras e artes, e a formação
de profissionais de nível universitário", estavam matriculados, em 1963,
100 mil estudantes, dos quais 20 mil concluíram os estudos.
Êste quadro desolador, à luz dos dados estatísticos, mostra-nos a real
situação da educação no Brasil, em que nos esquecemos, com facilidade
de que o "desperdício de inteligência é fator primordial de subdesenvol-
vimento e pobreza".
O ensino superior no Brasil felizmente começa a apresentar novas
perspectivas ao docente de Educação Física. Sua habilitação profissional
de nível superior permite-lhe lecionar em Escolas Superiores de Educação
Física e dirigir atividades físicas no seio das Universidades. Dá-lhe o di-
reito, ainda, de acesso aos cursos especiais de orientadores educativos
desde que possuidor de um estágio mínimo de três anos no magistério
público ou privado.
Atividades desportivas no Ensino Superior.
Conclusões
Finalmente, podemos afirmar que, sómente com a eliminação do
analfabetismo, com a melhoria da capacidade produtiva de nossos jovens,
com currículos mais simples e menos pretensiosos e com o emprego de
novos métodos de trabalho, podemos modificar o quadro comparativo abai-
xo mencionado,onde avulta a deficiência de nosso sistema escolar, compa-
rado com o dos E.U.A. e da U.R.S.S.
(Nílton Nascimento)
A DIDÁTICA
CONCEITOS DE DIDÁTICA
A Didática pode ser conceituada de duas formas:
em função de sua natureza e objeto;
em função do seu conteúdo.
Em função de sua natureza e objeto, a Didática "é a disciplina pedagó-
gica de caráter prático e normativo que tem por objeto específico a técnica
do ensino, isto é, a técnica de dirigir e orientar eficazmente os alunos na
sua aprendizagem".
Considerada em função do seu conteúdo, Didática "é o conjunto sis-
temático de princípios, normas, recursos e procedimentos específicos que
todo professor deve conhecer e saber aplicar para orientar seus alunos na
aprendizagem das matérias, tendo em vista seus objetivos educativos".
O primeiro conceito distingue a Didática das demais disciplinas pe-
dagógicas. O segundo, caracteriza o seu conteúdo específico.
OBJETO DA DIDÁTICA
O objeto específico da Didática é o estudo das técnicas do ensino.
FONTES DA DIDÁTICA
As principais fontes da Didática são:
a Filosofia Educacional, que contribui com as concepções, princí-
pios, diretrizes e conclusões;
a Biologia Educacional, a Sociologia Educacional e a Psicologia
Educacional, que contribuem com os resultados e conclusões de suas ex-
perimentações científicas;
a racionalização do trabalho, que contribui com as normas e cri-
térios;
a experiência prática.
ÂMBITO DA DIDÁTICA
o cinco os "componentes fundamentais" que a Didática procura ana-
lisar:
O educando;
O professor;
Os objetivos;
Os conteúdos;
Os métodos.
o esses cinco "componentes fundamentais" do ensino que a Didática
procura estudar, integrar funcionalmente e orientar.
O educando, encarado como ser humano em desenvolvimento,, com
suas capacidades, limitações, peculiaridades, tendências e interesses, é o
fator principal na situação escolar.
O professor, atuando como elemento incentivador, orientador e ava-
liador da aprendizagem dos alunos, tem a função verdadeira de educador
eo apenas de mero expositor ou instrutor.
Os objetivoso os fatôres dinamizadores de todo o trabalho escolar
o as metas necessárias que devem nortear todo o trabalho na escola,
nas salas de aula ou nos campos ou quadras de esportes.
Os conteúdos, podemos considerá-los assim,o os reativos emprega-
dos na educação, os elementos formativos necessários ao desenvolvimento
integral do educando.
Os conteúdos, também chamados de matéria de ensino, existem para
servir ao educando, na justa medida de sua capacidade.
Os métodos de ensino conjugam de forma apropriada todos os proce-
dimentos, técnicas e recursos, de forma a colimar os objetivos propostos,
com maior segurança, rapidez e eficácia.
"O bom método é a melhor maneira de fazer o aluno aprender." O
êxito de todo o trabalho escolar dependerá, em grande parte, da qualidade
do método usado.
Desta forma, é válido concluir que Didáticao é sinônimo de Me-
todologia.
A Metodologia estuda o método em si, sendo, portanto, uma parte da
Didática. O estudo do método é uma investigação estéril e abstrata para
a prática do ensino, se isolado dos demais componentes fundamentais da
Didática.
Por isso,o bem fundamentadas as inúmeras críticas que lheo
movidas, pois ela "fragmenta a realidade vital que caracteriza o ensino
moderno".
DIDÁTICA TRADICIONAL E DIDÁTICA MODERNA
A Didática Tradicional
Na Didática Tradicional, o mestre era o elemento humano preponde-
rante do processo de ensino. Despreocupado com as dificuldades de seus
discípulos, arbitrário e despótico, era, entretanto, um verdadeiro escravo
da própria matéria que lecionava.
O aluno era o elemento humano passivo: competia-lhe, apenas, ouvir,
decorar e obedecer subservientemente.
A matéria era um valor absoluto, que devia ser ensinada e aprendida
sem qualquer alteração ou revisão crítica. O método era a maneira de o
professor expor a matéria destituída de qualquer relacionamento humano.
A Didática Moderna
A Didática Moderna coloca o educando no centro de todo o processo
educativo.
Para êle, organiza-se a escola e ministra-se o ensino, os professôres
colocam-se a seu serviço.
O mestre é, apenas, o fator humano incentivador, orientador, assessor
do aluno. É o educador no plano mais significativo do têrmo.
Os objetivoso sentido, valor e direção ao trabalho escolar; os con-
teúdos, os meios necessários à formação do educando.
O método transfere-se do problema de ensino para o problema de
aprendizagem.
O Professor Luiz Alves de Matos, em seu livro "Sumário de Didática
Geral", apresenta um interessante quadro acerca das cinco questões fun-
damentais da Didática, que transcrevemos, data vênia, na íntegra:
"Didática Tradicional"
a quem se ensina?
quem ensina?
para que se ensina?
o que se ensina?
como se ensina?
"Didática Moderna"
quem aprende?
com quem o aluno aprende?
para que o aluno aprende?
o que o aluno aprende?
como o aluno aprende?
Componentes
Aluno
Mestre
Objetivo
. Matéria
Método
DIVISÃO DA DIDÁTICA
Didática Geral e
Didática Especial
- A Didática Geral
estabelece a teoria fundamental do ensino;
estabelece os princípios gerais, critérios e normas, que regulam o
trabalho docente;
examina criticamente os diferentes métodos e procedimentos de
ensino;
estuda os problemas comuns e os aspectos constantes do ensino nos
diferentes níveis, ramos, disciplinas ou práticas educativas;
analisa criticamente as grandes correntes do pensamento didático
hodierno e as tendências dominantes no ensino atual.
A Didática Especial
estuda os objetivos e as funções de cada disciplina ou prática edu-
cativa;
orienta na programação, na dosagem, e na distribuição dos con-
teúdos;
relaciona os meios auxiliares, as normas e os procedimentos meto-
dológicos com a natureza especial de cada disciplina ou prática educativa;
analisa a problemática do ensino que cada disciplina ou prática
educativa apresenta, e sugere os recursos e os procedimentos didáticos
mais adequados para resolvê-la.
DIDÁTICA DE EDUCAÇÃO FÍSICA
Depreende-se, pelo exposto, que Didática de Educação Física é uma
forma de Didática Especial. , .
Assim sendo, procura ela estudar: o educando em face desta pratica
educativa; o professor de educação física; os objetivos e funções dessa
prática, de acordo com os níveis ou graus de ensino, o tipo de experiência
educacional e da etapa evolutiva e grau de treinamento dos alunos. Orienta
na programação, na dosagem e distribuição dos conteúdos propostos. Es-
tuda e relaciona os métodos, os meios auxiliares, os recursos e procedi-
mentos didáticos.
Desta forma, analisaremos cada um dos componentes fundamentais
da Didática em face da Educação Física, nos capítulos subseqüentes.
A Didática divide-se em
UNIDADE II
O EDUCANDO
Aspectos evolutivos do educando
Infância
Adolescência
Considerações acerca dos exercícios físicos para crianças
e adolescentes
O dimorfismo sexual do educando e
suas influências nas práticas físicas
27
O EDUCANDO
A Didática atual colocou, como vimos anteriormente, o educando como
o centro de todo o processo educativo. O aluno, na escola moderna, é o
elemento pessoal para onde convergem os ilimitados esforços dos educa-
dores e da escola própriamente dita. Êle é ativo e empreendedor, sendo
necessário, ainda assim, orientá-lo e estimulá-lo na educação e na aprendi-
zagem, de forma a desenvolver-lhe as capacidades biológicas e intelectuais
e, Outrossim, formar-lhe o caráter e a personalidade.
Por isso, a escola é hoje em dia nitidamente pedocêntrica.
O homem, no sentido lato, é educado desde o começo do uso da razão
até quando, por doença ou velhice, começa a perder o controle de suas
faculdades racionais ou quando sobrevier a morte.
Desta maneira, isentamo-nos de erro quando dizemos que até o fim da
vida nos estamos aperfeiçoando. Inúmeros exemplos poderiam ser citados,
tais como a freqüência a cursos de aperfeiçoamento ou extensão, a pales-
tras culturais e científicas, a sermões e conferências, a Exercícios Espiri-
tuais, demonstrando que o próprio homem jamais considera encerrada a
sua formação espiritual.
Em sentido estrito, sómente a criança e o adolescenteo "sujeito-edu-
cando". Assim, só aquêles que aindao chegaram à maturidade precisam
de uma ação aperfeiçoadora. Adulto considera-se educado, estando ter-
minada, portanto, a educação sistemática.
Visto isso, o educando própriamente dito é o ser humano em seu estado
evolutivo, diferente do adulto em qualidade, quantidade e funcionalidade.
O professor de Educação Física em exercício, seja na escola primária,
seja na escola de nível médio, ou de curso superior (onde ingressa hoje em
dia um número cada vez maior de adolescentes), precisa conhecer o edu-
cando com a maior profundidade possível para oferecer um desempenho
gradativamente melhor de suas funções.
A seleção dos conteúdos e das formas de trabalho levadas a efeito
pelo professor de Educação Física depende do conhecimento do educando.
Dois aspectos importantes encontramos no estudo do educando perante
a Educação Física:
a etapa evolutiva do educando;
o sexo dêste.
ASPECTOS EVOLUTIVOS DO EDUCANDO
Os aspectos evolutivos do Educandoo estudados na Psicologia Evo-
lutiva, uma das divisões da Psicologia Educacional.
A Psicologia Educacional, no entender de Charles Skinner, "ocupa-se
unicamente, da experiência e da conduta dos seres humanos, enquanto
constituem uma resposta às situações educacionais. Seleciona do campo
total da Psicologia aquêles fatos e princípios que possuem um significado
geral para a vida e para a marcha da sociedade e um significado especial
para a aprendizagem e o ensino. Da mesma forma, ela se interessa também
por todos os aspectos e níveis do crescimento do desenvolvimento hu-
mano".
Divisão da Psicologia Educacional:
Métodos da Psicologia Educacional:
OBJETIVOS (coleta de dados através de questionários e testes, de forma
a dar tratamento estatístico dos resultados).
CLÍNICOS (Estudo de casos: biografias, provas projetivas de persona-
lidade etc.)
Aos professôres sómente é permitido o emprego dos métodos objeti-
vos, assim mesmo limitando-se ao emprêgo de questionários de interesses.
Os demais tipos de testes como os de personalidade, por exemplo,o de
emprego exclusivo do Psicólogo, segundo a recente regulamentação desta
profissão.
o temos a pretensão de fazer neste trabalho um estudo sôbre Psico-
logia Educacional, desejamos, apenas, salientar para o estudante ou do-
cente de Educação Física alguns tópicos importantes, e mencionaremos,
também, uma orientação bibliográfica a fim de que estes possam desenvol-
ver os assuntos de maior interesse, de acordo com as suas necessidades.
O ciclo vital pode ser dividido em três grandes períodos:
Período de crescimento;
Idade adulta;
Velhice.
No período de crescimento temos duas grandes fases do desenvolvi-
mento:
Infância e
Adolescência.
INFÂNCIA
A Infância é o período de vida que se prolonga do nascimento à ado-
lescência. É nesta fase que se formam os dinamismos fundamentais da
personalidade humana, respeitados os limites fixados pela hereditariedade.
Em comparação com os demais elementos da escala biológica, sabemos
que o homem possui uma infância maior do que a de qualquer outro
animal.
Do ponto de vista da satisfatória adaptação ecológica de tal forma
que permita uma existência autônoma, a criança recém-nascida encontra-
-se em inferioridade diante dos animais de outra espécie igualmente re-
cém-nascidos.
Para competição com estes em igualdade de condições, seria necessá-
rio, segundo o biologista A. Portmam, que a fase intra-uterina do homem
durasse vinte meses. Disto se conclui que a criança nascida de nove meses
de gestação necessita, durante o primeiro ano de sua vida extra-uterina,
cie cuidados especiais que se assemelhem às condições de vida anterior,
quando o organismo materno ainda a protegia de todas as prejudiciais
influências exteriores.
A Psicologia Educacional distingue duas posições no estudo dos pro-
blemas da Infância:
concepção da criança como adulto em miniatura (homúnculos);
concepção da criança como centro e objetivo final de qualquer con-
sideração pedagógica (pedocêntrica).
A Pedagogia hodiernao aceita a criança como adulto em miniatura.
Os educadores modernos sómente aceitam a concepção pedocêntrica.
O Crescimento
O organismo humano jamais deixa de crescer até chegar à sua com-
pleta maturação. É na infância, entretanto, que o crescimento predomina,
condicionando as demais funções do organismo. As modificações oriundas
do crescimentoo mais intensas e rápidas na infância.
Segundo Paul Godin, "o crescimento é a transformação contínua que
experimenta o corpo da criança em seu conjunto e em cada uma das suas
partes para tornar-se adulto." O crescimento absorve um terço da média
humana de vida.
Normalmente, êle se manifesta de maneira irregular acelerado, en-
tremeado de momentos de parada ou de crescimento.
Alguns autores, como Paul Godin, enunciaram leis de crescimento,
cujo estudo deixamos de proceder aqui porque o consideramos excessivo
aos objetivos a que nos propusemos neste trabalho. Recomendamos, entre-
tanto, um estudo complementar, que se afigura bastante útil ao professor
de Educação Física, atuando nesta área do desenvolvimento do educando.
O estudo da fase da iniciação glóssica também foi pors omitido, sendo
válida a recomendação acima apresentada.
As Necessidades da Criança
Segundo André Rey,o as seguintes as necessidades da criança:
a) Necessidade de Segurança.
Necessidade de proteção contra os perigos, castigos, dores, enfermida-
des e solidão.
Necessidades de auto-afirmação e autovalorização.
O desenvolvimento adequado da criança depende da segurança inte-
rior, que resulta da "Liberdade do Medo", "Liberdade de Angústia" e da
"Liberdade de qualquer forma de ansiedade".
A criança para conquistar essa segurança necessita de amparo afetivo,
carinho e ternura.
b) Necessidade de captação ou gôzo.
Através de formas materiais, captação de alimentos e da propriedade
e através de formas afetivas, captação de afetos, desejo de ser aprovado,
aceito, louvado e servido.
c) Tendências erótico-sexuais.
d) Necessidades de agressividade e de luta.
e) Necessidade de Liberdade e de Autonomia.
Vontade do poder, de ter independência, de isolar-se, às vêzes, de
vagabundear, de fazer gazeta.
f) Necessidades construtivas e produtivas, imaginativas, intelectuais
ou artísticas.
A Psicologia do Jogo Infantil
O jogo assume importância capital na fase lúdica da infância.
o nos deteremos aqui em estudar os diversos conceitos do jogo e
suas principais teorias, visto que tal estudo faz parte da Psicologia eo
da Didática.
Existem excelentes trabalhos sôbre o assunto, como o do Professor
Inezil Penna Marinho, "Jogos Principais Teorias", e o do Professor
Hanns Ludwig Lippmam, da Faculdade de Filosofia Ciências e Letras da
Universidade do Estado da Guanabara, "A Fase Lúdica da Infância e a
Psicologia do Jogo Infantil" (Unidade VI das súmulas de aula de Psico-
logia Evolutiva).
Dêste modo, esquematizaremos, a seguir, apenas as teorias mais im-
portantes, para facilitar as pesquisas sôbre o assunto.
TEORIA
Teoria do Descanso
ou do Recreio
Teoria do Atavismo
ou da Recapitulação
Teoria do Excesso
de Energia
Teoria de
Exercício
Preparatório
ou Prévio
Teoria do Exercício
Complementar ou
da Compensação
Teoria Catártica
Teoria do Jogo
Estimulante
AUTOR
Guts Muths,
Lazarus
e Schaller
Granville
Stanley Hall
Spencer
e Schiller
Karl Gross
Konrad Lange
Harvey A. Carr
H. Carr
RESUMO DA TEORIA
0 jogo seria uma forma de re-
creio, com o objetivo de propor-
cionar descanso ao organismo e
ao espírito fatigados.
Baseia-se na lei biogenética de
Haeckel (a ontogênese recapitu-
la a filogênese). Os jogos repre-
sentariam atividades das gera-
ções passadas, a criança recapi-
tularia aos estádios da civiliza-
ção.
A criança possuiria um excesso
de vitalidade e, poro ter ati-
vidades sérias, as energias se-
riam acumuladas e ela procura-
ria o jogo como forma de equi-
líbrio.
0 jogo é uma preparação para
a vida séria. Cada classe de ani-
mal utilizaria certos jogos que
correspondem às atividades dos
animais adultos de sua espécie.
A infância existe "para" brincar.
0 jogo teria por função desper-
tar tendências que se encontras-
sem latentes no indivíduo.
A função do jogo seria purgar
o indivíduo de tendências anti-
sociais, sexuais etc.
O jogo produziria no organismo,
entre outros estímulos, o neces-
sário ao crescimento dos órgãos.
O sistema nervoso seria benefi-
ciado com o jogo, que lhe ofe-
receria os estímulos indispensá-
veis ao exercício e ao desenvol-
vimento das suas funções.
TEORIA
Teoria Estrutural
Teoria da derivação
pela ficção
Teoria Hórmica
Teoria da
Recreação
Teoria da
Rivalidade
Teoria da
Necessidade
Biológica
Teoria da
Transfiguração
Teoria do Jogo
Infantil
AUTOR
F. J. J.
Buytendijk
Claparède
Taylor e (
Curti
Patrick
Mc Douga
11
Appleton
Inezil Pen
Marinho
Jean Piag
na
et
RESUMO DA TEORIA
0 jogo representa uma adapta-
ção incompleta que possui suas
próprias leis, o que fica coeren-
te consigo mesma no interior da
dinâmica infantil. "0 jogo exis-
te porque existe uma infância."
0 jogo seria um fenômeno da
derivação pela ficção.
A criança jogaria para se liber-
tar dos conflitos e satisfazer a
razões próprias.
A criança jogaria para "re-
crear-se", isto é, "criar-se nova-
mente".
O jogo existiria pela necessida-
de de satisfazer ao instinto de
rivalidade.
O tipo de jogo é determinado
de um lado pela necessidade da
criança, de outro pelo estádio do
seu desenvolvimento orgânico.
Pela Teoria da Transfiguração,
o passado, o presente e o futu-
ro estabelecem uma determina-
da ordem de evolução nos jogos
das crianças, evolução esta con-
dicionada aos seus interesses,
que, em última análise, busca-
riam oportunidades para satis-
fazer ao instinto da transfigu-
ração.
O jogo seria "menos uma forma
específica da conduta, do que
antes uma polarização da con-
duta geral, salvando-a entre as
demais formas de comporta-
mento em têrmos de assimila-
ção e de acomodação".
O estudo da infância se completaria com uma análise da "psicologia
da idade escolar", onde a Psicologia Evolutiva examinaria a observação
infantil, a psicologia da mentira da criança e a sua inteligência.
ADOLESCÊNCIA
Há pouco mais de meio século, apenas, é que os estudiosos de Psico-
logia Evolutiva passaram a admitir a existência de uma fase especial, com
características próprias, entre a infância e a idade adulta.
Adolescentes no recreio.
Até então, os fenômenos da adolescência eram atribuídos à vida levada
na infância, ou confundidos com as formas de conduta da idade adulta.
Abandonaram-se, hoje em dia,'as tentativas para delimitação crono-
lógica desta etapa do desenvolvimento.
É, na verdade, um estágio evolutivo importante, embora, como vimos,
os dinamismos fundamentais da personalidade já estejam definidos.
Etimològicamente, o têrmo adolescência vem de "adolescera", signifi-
cando a fase em que a gente cresce. É a fase da busca da maturidade e da
conquista da autonomia, em que o jovem descobre gradativamente o qua-
dro completo de suas possibilidades e limitações.
Todas as conclusões acerca da Psicologia da Adolescência assumem
um caráter temporário e condicional, visto que, em cada caso, depende do
sexo, dos fatôres de ordem física, cultural, étnicos, climáticos geográficos,
e, ainda, da situação sócio-econômica do ambiente.
A Adolescência Segundo os Psicólogos
Conforme a palavra de William Stern, a adolescência é sobretudo "a
época da descoberta dos valores e da diferenciação entre o valor do EU e
os valores do mundo".
A Adolescência Para os Educadores
Para os educadores, a adolescência é a "fase da realização progressiva
da personalidade através da escolha da existência".
É a fase da aprendizagem do uso apropriado da liberdade, quer seja
pelo discernimento ("insight"), quer seja através de ensaios e erros.
Este aprendizado só é possível, em grande parte, graças a acertada
ação de educadores pacientes e compreensivos.
É a etapa que constitui um estágio de treinamento para as grandes
opções da vida humana.
Adolescência, Puberdade e Juventude
Modernamente, tem-se adotado o critério estabelecido por Maurice
Debesse, que atribui ao têrmo adolescência um significado genérico, ou
utilizado quando se refere exclusivamente a dados psicológicos. Desta
forma, Puberdade emprega-se sómente para assinalar aspectos biológicos
resultantes das modificações fisiológicas do processo de maturação. A pa-
lavra Juventude, por fim, é utilizada, apenas, com referência aos aspectos
socioculturais.
Assim, dizemos "Juventude Transviada" eo "Puberdade Transvia-
da"; "Movimento Cultural em Prol da Juventude" eo "em Prol da
Puberdade".
Em resumo:
Adolescência
Puberdade
Juventude
usado com significação genérica ou referindo-se a da-
dos psicológicos
usado para os aspectos biológicos
usado para os aspectos socioculturais
Dificuldades Encontradas no Estudo da Adolescência
O estudo da adolescência é prejudicado por inúmeros fatôres, tais
como:
Falta de uma delimitação precisa das características específicas
desta fase evolutiva;
Impossibilidade de haver uma verdadeira intimidade entre adoles-
centes e adultos devida à timidez e desconfiança daqueles;
A problemática da "luta das gerações";
Amnésia da Juventude. As reminiscências da adolescência diluem-
-se em nossa memória muito mais do que em outras etapas evolutivas.
" A Hebelogia
Os estudos sôbre a adolescência, segundo Maurice Debesse, constituem
a especialização da Hebelogia ou Hebeologia.
Métodos de investigação
Os principais métodos de investigação da Hebelogia são:
Recordações da adolescência evocadas por adultos;
Questionários, redações e inquéritos;
Anamnese da adolescência;
Entrevistas;
Testes sociométricôs;
Testes projetivos;
Análise de cartas e diários;
Psicanálise etc.
37
Manifestações da Puberdade
A puberdade é marcada biològicamente por manifestações inconfun
díveis:
Aumento de altura e de peso;
Modificação da estrutura óssea;
Modificações na pressão arterial;
Modificações no metabolismo basal;
Aperfeiçoamento da coordenação motora;
Variações nas proporções das diferentes partes do corpo;
Funcionamento das glândulas sexuais;
Crescimento dos órgãos sexuais até as dimensões definitivas;
Aparecimento dos caracteres sexuais secundários.
Influência de Fatôres da Esfera Social Sôbre os Adolescentes
Principais influências que atuam sôbre os adolescentes:
O meio socioinstitucional influi grandemente sôbre os adolescentes.
Como exemplo, temos a ação da família, da escola, da Igreja e da comu-
nidade que neles atuam considerávelmente.
As idéias, ideologias e doutrinas constituem as principais influências
do meio sociocultural.
A ação dos fatôres da natureza é um exemplo que podemos mencionar
da influência do meio físico no adolescente.
Principais problemas dos adolescentes
Apresentamos abaixo os problemas dos adolescentes segundo o catálogo
elaborado por Ruth Stang, em "The Role of the Teacher in Personnell
Work", New York, Bureau Publications, Teacher College, Columbia Uni-
versity, 1953.
a) Problemas de saúde e de desenvolvimento físico;
b) Problemas escolares;
c) Problemas econômicos;
d) Problemas da esfera familiar;
e) Problemas religiosos;
f) Problemas morais e disciplinares;
g) Dificuldades resultantes de problemas da personalidade do edu-
cando;
h) Problemas sociais.
O conhecimento da problemática da adolescência é de capital impor-
tância para o professor de Educação Física.
Resta-nos, por fim, mencionar os objetivos evolutivos da adolescência,
e o fazemos valendo-nos do "esquema dos objetivos evolutivos da adoles-
cência" de Luella Cole:
a) A conquista da maturidade emocional;
b) A fixação de interesses heterossexuais;
c) A conquista da maturidade social;
d) A emancipação do controle do lar;
e) A conquista da maturidade intelectual;
f) A seleção de uma ocupação profissional;
g) O uso adequado das horas de lazer;
h) A aquisição de uma filosofia da vida.
CONSIDERAÇÕES ACERCA DOS EXERCÍCIOS FÍSICOS PARA
CRIANÇAS E ADOLESCENTES
Como dissemos, há nesta fase de crescimento um conjunto de trans-
formações corporais e psíquicas, um intenso movimento hormonal e situa-
ções biológicas que obrigam o educador a ter maiores cuidados na indica-
ção das atividades físicas. Entre outras, vale citar:
a) Evitar traumatismos justa-articulares pelo perigo de serem atingi-
das as cartilagens epifisárias numa fase em que é acentuado o
crescimento ósseo.
b) Orientar os exercícios chamados miogênicos, a fim deo levar o
adolescente à excessiva hipertrofia muscular, com prejuízo do cres-
cimento ósseo.
c) Considerar a insegurança da coordenação neuromuscular, refletida
na imprecisão dos movimentos dos membros, a fim de indicar os
tipos de atividades apropriadas, impedindo os exercícios que soli-
citem intensamente o sistema nervoso e as provas desportivas emi-
nentemente técnicas.
d) Com referência ao aparelho circulatório, a adolescência é a época
em que o volume e o peso do coração, em relação ao peso corporal,
o os menores de tôda a vida. Há disparidade entre o crescimento
do coração e o calibre da árvore arterial, e o coração apresenta
um estado de verdadeira dilatação fisiológica, pelo fato de a túnica
do miocárdioo acompanhar paralelamente o aumento do volu-
me do órgão base. Deve ser evitado o trabalho físico intenso, de
longa duração, pois que poderão acarretar uma irrigação periférica
deficiente e prejudicial com todas as suas conseqüências. Evitar,
também, as atividades de respiração retida, com bloqueio da caixa
torácica, que exigem maior potência de contração do ventrículo
direito para vencer a barreira pulmonar.
e) Considerar que a adolescência é a fase anaplástica (Preyer). Há
necessidade de uma maior energia de crescimento, o que diminui-
, evidentemente, a energia disponível para as atividades suple-
mentares dentro da equação geral que regula as trocas metabólicas.
En. Basal + En. de crescimento + En. disponível = En. total.
Como é óbvio, devem ser impugnadas as atividades que provoquem
grande dispêndio energético e com grande consumo e espoliação do
armazenamento protéico.
O DIMORFISMO SEXUAL DO EDUCANDO E SUAS INFLUÊNCIAS
NAS PRÁTICAS FÍSICAS
NA FECUNDAÇÃO
Várias teorias procuram explicar a razão de ser do sexo.
A teoria mais aceita é a Singâmica, que admite que o sexo é condicio-
nado no momento da fecundação, ou melhor, da anfimixia (fusão dos ga-
metas). Dependeria, então, da natureza dos cromossomos existentes nos
gametas.
Na mulher, o par de cromossomos sexuais apresenta dois cromossomos
iguais: XX sua fórmula é 2(23) + XX.
No homem, o par de cromossomos sexuais possui dois elementos di-
ferentes: o cromossomo X e um outro menor denominado Y. Formam, en-
tão, o par XY sua fórmula é 2 (23) + XY.
Por ocasião da mitose redutora da maturação, o homem produz dois
tipos de espermatozóides: um com o cromossomo X, outro com o cro-
mossomo Y.
Se o óvulo é fecundado pelo primeiro, forma-se um ôvo XX e o pro-
duto é do sexo feminino.
Se, ao contrário, é fecundado pelo portador de Y, forma-se um ôvo
XY e o produto é do sexo masculino.
Até a sétima semana de vida intra-uterina, embora o sexo já esteja
definido,o há ainda uma distinção morfológica do sexo. Existe apenas
um esbôço embrionário composto de um tubérculo genital, um par de pre-
gas genitais, delimitando uma fenda ou abertura urogenital.
Gradativamente, verifica-se a ovulação para o lado masculino ou femi-
nino. Se para o lado masculino, o tubérculo genital cresce, transforman-
do-se no pênis, as pregas de cada lado se unem, formando os escrotos
que envolvem os testículos; se a ovulação é para o lado feminino, o tu-
bérculo genital mantém-se atrofiado com o nome de clitóris; a abertura
urogenital divide-se para formar a uretra e a vagina e as pregas genitais
transformam-se nos lábios, que delimitam a vulva.
POR OCASIÃO DO NASCIMENTO
O indivíduo ao nascer já apresenta diferenças evidenteso apenas
na morfologia genital. Outras diferenças já se acentuam, tais como as
diferenças evidentes entre as médias de peso e altura do recém-nascido.
As do sexo masculinoo maiores.
DURANTE O CICLO VITAL
Durante a evolução, inúmeraso as diferenças evidentes, cada vez
mais acentuadas e caracterizadas.
DIFERENÇAS NO APARELHO LOCOMOTOR
(Sistema Ósseo, Muscular e Articular)
Sistema Ósseo
Tórax mais curto e mais estreito
Membros superiores mais curtos
Diâmetro biacromial menor que o bi-
trocanteriano (menor envergadura)
Região lombar da coluna vertebral
maior
Ângulo sacrovertebral mais proeminen-
te (condicionando maior propensão à
lordose)
Cintura pélvica quadris mais largos,
diâmetro bitrocanteriano maior
Membros inferiores mais curtos
Conseqüências
Menores possibilidades
nos arremessos
Cuidados especiais nas
indicações dos exercícios
Melhores condições de
equilíbrio maiores
facilidades nos exercícios
na trave
Genu-valgum fisiológico em virtude da
maior largura da bacia e do diâmetro
bitrocanteriano provocando uma con-
vergência inferior dos fêmures
Sistema Muscular
Os músculos na mulher constituem 36%
do peso, no homem 42% do peso onde
há mais massa, mais força, mais ação.
Menor força manual
Menor velocidade de contração
Menor tônus muscular
Músculos abdominais e do períneo (soa-
lho do abdômen)
Panículo a d i p o s o mais desenvolvido
(28,2% na mulher, contra 18,27o no
homem)
Sistema Articular
Ligamentos mais frágeis
Menor rendimento e me-
nor capacidade na marcha
e na corrida
Conseqüências
Menores possibilidades em
algumas provas atléticas
Adaptação do peso, do dis-
co e do dardo
Resultados inferiores nas
provas atléticas (Eleonor
Metheny)
Cuidados especiais na es-
colha dos exercícios, bus-
cando uma hipertrofia sem
hipertonia
Possibilidades mais próxi-
mas das do homem na na-
tação
Conseqüências
Maior cuidado na escolha
dos exercícios e das moda-
lidades
DIFERENÇAS NO SISTEMA NERVOSO
Principais Diferenças
Reações psicomotoras diferentes das do
homem
Comparação proporcional entre o peso
do cerebelo e o peso total do encéfalo
mulher com vantagem proporcional,
pois o cerebelo é o órgão coordenador
dos movimentos voluntários
Conseqüências
Predomínio da mulher nos
exercícios de equilíbrio
(trave, alguns exercícios
acrobáticos etc.)
DIFERENÇAS NO APARELHO CIRCULATÓRIO
Principais Diferenças
Orifícios cardíacos menores
Menor peso e volume do coração
Menor volume sistólico (na mulher 45
a 50 cc e no homem 75 a 80 cc)
Conseqüências
Maiores cuidados na esco-
lha dos exercícios e na in-
dicação de modalidades
desportivas
Menores possibilidades nos
trabalhos físicos
Êste estudo sôbre o dimorfismo sexual e suas influências nas práticas
físicas feito pelo Dr. Waldemar Areno é a principal justificativa para a
necessidade de indicar atividades físicas diferentes ao sexo feminino. O
conhecimento do educando, tanto em seus aspectos gerais quanto em seus
aspectos particulares é uma das tônicas que orientam a moderna Didá-
tica de Educação Física.
UNIDADE III
O PROFESSOR DE EDUCAÇÃO FÍSICA
REQUISITOS BÁSICOS DO PROFESSOR DE EDUCAÇÃO FÍSICA
Cultura Geral
Preparo Especializado em Educação Física e Habilitação Profissional
Vocação Para o Magistério de Educação Física
Aptidões Específicas Para o Trabalho Docente
O PROFESSOR DE EDUCAÇÃO FÍSICA E O GRUPO PROFISSIONAL
PEDAGÓGICO
Formação do Grupo Profissional Pedagógico
O Fenômeno da Estratificação do Grupo Profissional Pedagógico
O Professor de Educação Física e o Fenômeno da Estratificação
O PROFESSOR DE EDUCAÇÃO FÍSICA E O FENÔMENO DA
LIDERANÇA
Funções da Liderança
Tipos de Líderes
O PROFESSOR DE EDUCAÇÃO FÍSICA E A ÉTICA PROFISSIONAL
Conceito de Ética
A Ética Profissional
Relações do Professor
O PROFESSOR DE EDUCAÇÃO FÍSICA
A Didática Tradicional considerava o professor como fator pessoal
preponderante no processo educativo. A Didática Moderna, ao contrário,
considera o educando como centro de tôda a obra educacional. O educador
passa a atuar como elemento incentivador, orientador e controlador das
atividades formativas e informativas dos alunos, auxiliando-os e esclare-
cendo-os, programando as atividades e assessorando a respectiva execução.
À substituição do professor pelo aluno, como centro do processo edu-
cativo, John Dewey chamou com propriedade de "revolução copérnica",
em Educação.
John Dewey
Esta nova posição, ao contrário do que pode à primeira vista parecer,
passou a exigir dos mestres cada vez maiores responsabilidades. Assume
o educador importância capital em qualquer sistema ou planejamento
educacional, consideradas as suas responsabilidades para com o educando
e a sociedade.
O professor especializado em Educação Física, autêntico educador,
considera antes de tudo a personalidade do aluno. Torna-se o elemento
de ligação entre a escola e a comunidade, desenvolvendo uma dinâmica
entre esses grupos sociais.
REQUISITOS BÁSICOS DO PROFESSOR DE EDUCAÇÃO FÍSICA
o em número de cinco os requisitos básicos que deve possuir o do-
cente especializado em Educação Física:
Êstes cinco requisitos nem sempre se encontram num mesmo membro
do magistério ou num candidato ao correspondente mister. É bastante
comum encontrar indivíduos que possuem vocação autêntica sem que, no
entanto, possuam as aptidões específicas para o exercício do magistério.
Outros indivíduos, também, que, embora possuidores de verdadeira
vocação, com aptidões específicas para a profissão e de bom preparo
especializado, carecem de apreciável cultura geral, o que lhes dificulta a
perfeita comunicação com as crianças e adolescentes de hoje o muitas
vezes lhes impede o pleno sucesso profissional.
É tese totalmente superada que o professor, mesmo o altamente es-
pecializado como o é o de Educação Física,o necessita de sólida cultura
geral. O autêntico professor de Educação Física é necessáriamente um
estudioso, leitor assíduo, ávido de novos conhecimentos, com entusiasmo
pelos mais recentes progressos de cultura, da ciência e das artes, jamais
se limitando aos estreitos quadros da especialização de sua formação
profissional.
Cumpre-nos, ainda, fazer menção aos indivíduos que, embora dotados
de vocação inequívoca e possuidores de aptidões específicas para o exer-
cício do magistério altamente desenvolvidas, e que reúnem muitas vezes
um número regular de informações sôbre Educação Física,o possuem
a habilitação profissional correspondente à profissão. Formam estes in-
divíduos, no campo da Educação Física, a legião dos "curiosos", como a
dos "rábulas" na Advocacia e os "práticos" em Farmácia, Odontologia e
Agronomia. Com a criação das escolas de Educação Física em nível supe-
rior,o mais é possível admitir-se elementos "autodidatas" exercendo a
profissão sem a devida habilitação profissional. O impedimento do exer-
cício ilegal da profissão estimularia muitos dêsses elementos a realizarem
seus cursos regulares nas escolas superiores de Educação Física, para
obterem a indispensável habilitação profissional.
VOCAÇÃO PARA O MAGISTÉRIO DE EDUCAÇÃO FÍSICA
Kerschensteiner, notável pedagogo alemão, em seu livro "A Alma do
Educador", afirma que "se existe alguma profissão que exija vocação
profunda é a do mestre e educador, e que deve ser mestre unicamente
aquêle para quem esta profissão supõe o cumprimento de seu desígnio".
A atuação abnegada, as contrariedades surtas quando da busca do ideal,
as ingratidões sofridas, os baixos honorários e o labor oculto e silencioso
exigem no mestre a existência de uma verdadeira vocação.
A vocação gera-se no cerne da personalidade do homem. Poderíamos
conceituá-la como: "a propensão fundamental do espírito, sua inclinação
geral predominante para um determinado tipo de vida e de atividade, no
qual encontrará plena satisfação e melhores possibilidades de auto-reali-
zação".
Ela revela-se através de um quádruplo aspecto: a personalidade do
indivíduo, seus interesses, suas atitudes em face dos valores e ideais da
sociedade em que vive e a fé no poder da Educação.
A personalidade individual mais coerente com a vocação docente
caracteriza-se pelo temperamento áltero-cêntrico, forte equilíbrio emo-
cional, bom índice de inteligência, boa dose de sociabilidade, facilidade de
comunicação e, sobretudo, idealismo.
Os interesses individuais da verdadeira vocação para o magistério
manifestam-se pelas coisas do ensino, pela obra educativa, na aspiração
de um contínuo aperfeiçoamento cultural, na atração, simpatia e devoção
por crianças e adolescentes, pelo desejo de auxilia-los em suas lutas, na
resolução de seus problemas e na consecução de seus anseios, pelo in-
teresse específico do desenvolvimento total do educando, pelo estudo e
conhecimento dos objetivos da Educação Física na sociedade moderna.
As atitudes do educador em face dos ideais e valores da sociedade em
que vivemos, reavaliadas a cada passo à luz dos novos estudos da Socio-
logia Educacional e da Filosofia da Educação, a fé no poder da Educação
de conduzir o homem para obter uma vida melhor e até mesmo a alcançar
a felicidade, fazem do verdadeiro professor de Educação Física um crente
no humanismo, um otimista em relação à utilidade de seu próprio tra-
balho.
APTIDÕES ESPECÍFICAS PARA O TRABALHO DOCENTE
"As aptidões específicaso atributos ou qualidades pessoais que ex-
primem certa disposição natural ou potencial para um determinado tipo
de atividade ou trabalho."
Estes atributos da personalidade ou qualidades individuais quase sem-
pre completam o quadro da vocação. A capacidade profissional do indiví-
duo depende em grande parte da consonância existente entre vocação e
aptidões específicas.
As qualidades indispensáveis ao professor de Educação Física resul-
tam de uma soma de disposições psicofísicas, dentre as quais se destacam:
saúde e normalidade física;
postura correta;
voz audível, firme, agradável e convincente, dicção perfeita;
- domínio do vernáculo linguagem fluente, simples e objetiva;
boa visão e audição;
gesticulação moderada;
execução regular;
higidez mental;
bom humor;
inteligência;
boa memória;
atenção;
gosto pelas atividades físicas;
naturalidade e desembaraço;
imaginação, iniciativa, firmeza e perseverança;
habilidade em criar e conservar boas relações humanas com seus
alunos.
Os estudiosos da Didática Hodierna concordam em que as aptidões
específicas acima mencionadaso as principais para os professôres de
Educação Física.
Desenvolveremos, aqui, portanto, apenas argumentação sôbre uma
delas: a execução.
A evolução do conceito de Educação Física e a posição desta "prática
educativa" nos currículos das escolas modernas tornaram ultrapassada
a velha tese de que o professor de Educação Física deve ser primordial-
mente um excelente executante, dando assim mais importância ao do-
mínio das habilidades físicas. Atualmente, dá-se mais importância à sua
formação didático-pedagógica, tornando-se, portanto, mais necessário pre-
parar o professor para que melhor possa compreender o educando, de
forma a lidar melhor com seus discípulos (individualmente ou em grupo),
e para que busque a formação integral do aluno eo apenas aspectos de
seu desenvolvimento, como o físico, por exemplo.
Istoo significa que o docente abandone por completo o aspecto
"execução". Basta apenas que êle seja capaz de demonstrar com correção
as atividades, movimentações ou exercícios que propuser a seus alunos.
É mais importante, à luz da Pedagogia Moderna, que o professor seja
mais um educador do que um exímio executante.
PREPARO ESPECIALIZADO EM EDUCAÇÃO FÍSICA E
HABILITAÇÃO PROFISSIONAL
Até a criação das Faculdades de Filosofia e das Escolas Superiores de
Educação Física, todo o ensino médio de nosso País estava confiado a auto-
didatas, alguns dos quais, diga-se com reverência, autênticas revelações
de capacidade docente. A vocação e as aptidões específicas para o ma-
gistério, juntas ao esfôrço pessoal e ao estudo da especialidade, neles
supriam as lacunas oriundas da falta de uma formação sistemática para
o professorado.
Entretanto, muitos concluem precipitadamente que um curso sistemá-
tico de formação numa escola superior de Educação Física bastaria para
tornar qualquer candidato num protótipo do professor ideal. Ora, o curso
de licenciatura de Educação Física, que assegura preparo especializado
e a respectiva habilitação profissional, supõe encontrar candidatos dota-
dos dêsses pré-requisitos da vocação, das aptidões específicas e da cultura
geral, sem os quais qualquer formação profissional, por melhor que seja,
se tornará infecunda.
René Hubert, em seu "Traité de Pedagogie", exemplifica de forma
insofismável: "Um químico pode limitar seu horizonte ao conhecimento
da ciência química. Mas um professor de Químicao pode fazer o mes-
mo: o que êste tem de manejaroo apenas provetas e alambiques,
mas consciências humanas em formação; a sua missãoo é a de formar
químicos, mas homens que conheçam a Química."
Assim, vemos quão importante é conhecer bem a nossa especialida-
de Educação Física, mas também o é conhecer o educando cuja
aprendizagem vamos dirigir e as técnicas mais apropriadas para bem
orientá-lo, através de esmerada e conscienciosa habilitação profissional.
Quando a Didática fala em habilitação profissional, quer referir-se "ao
tirocínio teórico e prático das disciplinas que compõem o quadro da mo-
derna Pedagogia".
As disciplinas pedagógicas comparar-se-iam à estratégia e à tática,
para o militar, às ciências físicas e naturais, para o físico, às ciências jurí-
dicas e sociais, para o advogado.
o elas que lhes garantem o domínio das técnicas mais recomendadas
para a sua atuação prática, que lhes asseguram a possibilidade de encon-
trar as soluções para os problemas de nossa profissão, que desenvolvem o
tino profissional indispensável ao bom êxito do trabalho docente.
Na habilitação profissional para o magistério da Educação Física dis-
tinguimos três aspectos:
fundamentação pedagógica, onde o candidato desenvolveria um es-
tudo mais ou menos profundo de Filosofia da Educação, de Sociologia
Educacional, de História da Educação Física, de Administração Escolar,
de Psicologia Educacional e de Psicologia Aplicada à Educação Física;
fundamentação em assuntos biomédicos, onde o candidato travaria
contato com a Anatomia, a Fisiologia e Nutrição, a Cinesiologia, a Fisio-
terapia e a Traumatologia e os Socorros de Urgência;
habilitação técnica, em que o aluno, já familiarizado com a pro-
blemática educacional e com sólidos conhecimentos de assuntos biomédi-
cos, é iniciado no domínio das técnicas fundamentais da Ginástica e dos
Desportos.
Os princípios, as diretrizes, as normas e os critérios práticos de
ação, os programas, os métodos e os procedimentos didáticoso estudados,
debatidos, experimentados e aplicados pelo aluno sob a orientação dos
professôres especializados, já habilitados. A Didática Geral e a Didática
de Educação Física tomam, então, um papel de destaque até que surge
a etapa derradeira da integração do candidato na carreira do magistério
através da "prática de ensino".
A Educação Física passa, assim, do plano teórico para o plano concreto
de problemas práticos e imediatos a serem resolvidos pela ação direta
do candidato através de seu discernimento e de seus conhecimentos es-
pecíficos.
CULTURA GERAL
A escola moderna coloca o professor de Educação Física frente a crian-
ças e adolescentes que estão de posse, através dos mais diversos meios de
comunicação televisão, cinema, rádio, revistas, jornais etc., de um
sem-número de informações acerca das mais novas conquistas científicas,
culturais e artísticas. O mestre, nos seus diálogos com os jovens, é muitas
vezes interpelado sôbre acontecimentos de repercussão nacional ou mun-
dial. Faz-se necessário, pois, que êle se encontre preparado para satisfazer,
ainda que em linhas gerais, a curiosidade e o interesse dos alunos.
Com issoo se pretende que o professor seja capaz de dar profundas
explicações sôbre, por exemplo, astronáutica, física nuclear, op-art. política
internacional, obra de Bach ou mesmo que mencione de cor todos os mais
recentes recordes mundiais das diferentes modalidades, mas sim que, pelo
menos, seus conhecimentos, mais aprofundados dos que os dos jovens, lhe
permitam dialogar com estes sôbre um tema proposto.
O trato com os professôres das demais "disciplinas" ou "práticas edu-
cativas" envolve, também, um sem-número de conhecimentos que fogem
ao quadro limitado de nossa especialização. Nas reuniões com a direção
ou coordenação dos estabelecimentos de ensino, nas sessões das congre-
gações, nos simples intervalos das aulas, o docente de Educação Física
e, várias vezes, instado a manifestar opiniões que envolvem informações
o especializadas, isto é, ligadas a problemas da cultura e da educação.
É necessário, portanto, que êle possua uma boa cultura geral, o que evi-
tará, por certo, um fatal bloqueio naquelas comunicações.
Uma frágil cultura geral dificulta ou, até mesmo, impede o êxito
profissional do professor de Educação Física.
O PROFESSOR DE EDUCAÇÃO FÍSICA E O GRUPO PROFISSIONAL
PEDAGÓGICO
FORMAÇÃO DO GRUPO PROFISSIONAL PEDAGÓGICO
A educação é um fenômeno social produzido e encontrado em todas
as sociedades humanas. É uma função essencial da vida comunitária
Inconsciente e involuntária entre os povos primitivos, torna-se, porém,
consciente, intencional e sistemática nas altas civilizações, que desenvol-
vem e aperfeiçoam essa educação fundamental, através de escolas e ins-
tituições similares.
Os sistemas escolares, a escola e os mestres apenas desenvolvem, apri-
moram e enriquecem aquela educação original, inconsciente e involun-
tária.
A educação, ensina Durkhein, é, em última análise, a ação exercida
pelas gerações adultas sôbre as gerações que aindao se encontram pre-
paradas para a vida social, com objetivo de nestas últimas desenvolver
certo número de estados físicos, intelectuais e morais reclamados pela
sociedade ou meio a que particularmente se destinem.
A tarefa educativa, a princípio função exclusiva da família, fixou-se
depois no grupo religioso. O sacerdote, intérprete das coisas sagradas, re-
positório das lendas e tradições do grupo, compilador dos ritos e dos cân-
ticos da grei, desprendido inteiramente das coisas materiais, reclamou
para si a tarefa de primeiro preceptor. Assim foi na antigüidade entre os
egípcios, caldeus e hindus.
Na Idade Média, o ensino permaneceu em poder do grupo religioso,
nessa época apresentando uma orientação nitidamente cristã.
Sòmente na Idade Moderna, com a aplicação dos princípios da ra-
cionalização do trabalho e a especialização de funções, é que a educação
começou a concentrar-se progressivamente num grupo profissional dis-
tinto, o grupo profissional pedagógico. Êste constitui uma das formações
que tiveram origem e se desenvolveram dentro do grupo dos intelectuais,
distinguindo-se, entretanto, dos demais grupos desta categoria social.
O grupo dos intelectuais, segundo Alfred Weber, é uma ''formação
acima e fora das classes, caracterizando-se pela sua função socialo só
de produção, de crítica e de aperfeiçoamento, mas de organização, trans-
missão e circulação de bens e valores espirituais, que constituem a heran-
ça social de uma sociedade ou civilização determinada". Êste grupoo
constitui nem uma corporação nem uma classe, mas sim uma formação
social de caráter ocupacional. É um grupo aberto e em permanente reno-
vação, podendo organizar-se com elementos de todas as classes com a trí-
plice função social de criar, julgar e transmitir valores e ideais de deter-
minada sociedade.
Os educadores, responsáveis pela transmissão dêsses valores e ideais
através da palavra e do exemplo, ocupam, sem dúvida, o ápice da hierar-
quia dentro da categoria dos intelectuais.
O FENÔMENO DA ESTRATIFICAÇÃO DO GRUPO PROFISSIONAL
PEDAGÓGICO
Os princípios da divisão do trabalho e a crescente complexidade dos
sistemas escolares determinam uma especialização no próprio grupo pro-
fissional pedagógico. Surgem, portanto, subgrupos com suas característi-
cas e peculiaridades próprias, de acordo com os níveis, graus ou especia-
lidades do ensino.
Os interesses particulares de cada subgrupo e a falta de unidade do
grupo profissional pedagógico fazem com que os profissionais especiali-
zados se organizem em associações de âmbito restrito (associação dos pro-
fessôres primários, dos professôres secundários, dos professôres de Edu-
cação Física, por exemplo).
O crescimento quantitativo do grupo, a distribuição hierárquica de
seus elementos, de acordo com os níveis ou graus de ensino, e a organi-
zação racional do trabalho no campo da educaçãom dando origem ao
fenômeno de estratificação (formação de camadas) do grupo profissional
pedagógico.
Segundo Sorokin, a estratificação manifesta-se de duas formas fun-
damentais, a saber:
estratificação interprofissional, na forma de uma hierarquia entre
os diferentes grupos profissionais;
estratificação intraprofissional, ocorrida dentro de cada grupo pro-
fissional.
Pode-se determinar, através de diferentes processos de avaliação (in-
quéritos, dados estatísticos, questionários etc), a posição que o grupo
profissional pedagógico ocupa em relação ao grupo dos intelectuais ou a
outros grupos: industriários, engenheiros, comerciários, bancários e outros
(estratificação interprofissional).
É possível, também, realizar estudos sôbre estratificação intrapro-
fissional, determinando-se a posição dos subgrupos, as diferenças de ho-
norários etc.
A maioria dos problemas decorrentes dos processos de estratificação
o foi ainda solucionada nem ao menos suficientemente examinada.
O PROFESSOR DE EDUCAÇÃO FÍSICA E O FENÔMENO DA
ESTRATIFICAÇÃO
O conhecimento dessas formas de estratificação é importante para
que o professor de Educação Física possa compreender a problemática
que envolve o grupo profissional especializado a que êle pertence.
O estudo da estratificação interna do grupo profissional pedagógico
determinada pelas diferenças de nível de preparação profissional, de ho-
norários, de vantagens e regalias, as formas de inter-relacionamento entre
os diferentes grupos ou categorias de professôres, possibilita aos mestres
melhor interpretação de tôda esta problemática.
O professor de Educação Física julga-se, muitas vezes, preterido ou
mesmo vítima de discriminação pessoal, quando o seu subgrupo é que
se encontra envolvido por um dos mais interessantes fenômenos estuda-
dos pela Sociologia Educacional.
Evidencia-se claramente, hoje em dia, a superposição dos subgrupos
cujos elementoso mais ênfase à instrução sôbre aquêles cujos membros
se preocupam mais com a educação, fruto, talvez, do domínio que a
ciência e a tecnologia exercem sôbre a vida moderna.
A educação vê-se, assim, relegada a um plano secundário pela maior
ênfase dada à instrução. Mas é necessário ressaltar-se que educaçãoo
é apenas instrução.
Perde desta forma o professor, repetidamente, a consciência da obra
total da educação, limitando-se a atender, apenas, a aspectos ligados à sua
especialidade.
O professor de Educação Física deve considerar que a especialização
excessiva tende a deformar o homem e que a rotina diária estreita cons-
tantemente a visão de conjunto que devemos ter acerca da obra educativa,
e procurar, portanto, meios para combater e superar estes problemas
inerentes ao magistério.
No grupo profissional pedagógico distingue-se nitidamente a superpo-
sição de subgrupos em que é mais acentuada a exigência intelectual sôbre
aquêles em que esta parece menos marcante. Como exemplo, temos a for-
mação de subgrupos dos professôres de Física, Química, Matemática, His-
tória, superpondo-se aos de Educação Física, Educação Musical, Educação
Doméstica e outros.
Considera-se, hoje em dia, como exigência ética imperiosa a recons-
tituição e a reunificação do grupo profissional pedagógico, atualmente dis-
perso e fragmentado num sem-número de subgrupos.
Otto Wilmann propõe que a "unificação da corporação profissional"
seja concretizada através de uma vasta organização que congregue todo
o magistério dos diferentes graus, público ou privado. Esta associação
procuraria fazer com que seus filiados voltassem a ter uma "visão de con-
junto" de tôda a obra educativa, ampliasse-lhes a formação além dos
estreitos quadros de suas especialidades, ao mesmo tempo que facilitasse
a compreensão da tarefa que cabe individualmente a cada membro do
magistério.
A reforma universitária a ser executada no Brasil contribuirá bas-
tante para a eliminação daqueles processos de estratificação, ou pelo me-
nos os atenuará graças à criação dos institutos ou departamentos de
educação, dentro das universidades, faculdades ou escolas isoladas. Os fu-
turos mestres terão, a partir daí, uma formação básica comum no que
diz respeito aos problemas educacionais a par de suas especialidades.
Nós, professôres de Educação Física, devemos rejubilar-nos com essa
medida, que possibilitará aos futuros mestres adquirir mais sólidos conhe-
cimentos pedagógicos e obter mais fácil integração com os demais mem-
bros do grupo profissional pedagógico.
O PROFESSOR DE EDUCAÇÃO FÍSICA E O FENÔMENO
DA LIDERANÇA
A liderança é um fenômeno social dinâmico imposto pela situação
social do momento. A família, a igreja, a escola, a sociedade política e
outros grupos sociais condicionam diferentes tipos de liderança. Surge,
assim, um sem-número de tipos distintos de líderes. Desta forma, aquêle
fenômeno pode-se concretizar tanto no chefe de uma "Gang" como num
membro do corpo diplomático, ou num professor.
O líder só pode ser compreendido e interpretado como entidade dinâ-
mica, como parte dirigente do grupo social, enfim, como "precipitado"
social,o sendo, de forma alguma, um ser isolado e abstrato, alienado
completamente da realidade social.
O líder é o indivíduo que pelo equilíbrio de suas qualidades indivi-
duais de iniciativa e conformidade social, interpretando melhor do que
outros as aspirações e necessidades do grupo, consegue apresentar solu-
ções e orientar as atividades do mesmo.
A função do líder é de importância capital para a vida grupal. Segun-
do os sociólogos, ela só se inicia efetivamente quando um grupo de pessoas
se reúne em função de objetivos comuns, reconhece e aceita como líder
um determinado elemento que melhor interpretou os anseios e necessida-
des do grupo.
O processo de eleição ou escolha do lídero representa um papel
de grande importância. Importante é a aceitação e a identificação das
funções do líder pelo grupo social.
FUNÇÕES DA LIDERANÇA
Um autêntico líder, para correto exercício de suas funções, deve
saber:
orientar,
estimular,
interpretar e
dirigir democráticamente.
O verdadeiro líder é capaz de orientar os membros do grupo, esclare-
cendo-os quanto às diferentes soluções possíveis para cada problema,
quanto às conseqüências que poderão advir da solução adotada, deixando,
entretanto, que os elementos do grupo escolham livremente, respeitados
os interesses superiores do grupo.
Deve estar capacitado a estimular as atividades e as iniciativas indi-
viduais entre os elementos do grupo, fazendo com que esses elementos
participem da vida grupal, enriquecendo-as ainda mais com as caracte-
rísticas de sua própria personalidade.
O líder deve estar apto a interpretar os interesses e as necessidades
dos diversos membros do grupo, representando-os externamente como se
fossem os seus próprios.
Finalmente, deve saber defender democraticamente as funções da au-
toridade quando ameaçada por qualquer tendência capaz de comprometer
ou até mesmo dissolver a integridade do grupo.
É interessante, ainda, atentar para o fato de que quando o líder se
excede em suas funções, seja por excesso, tornando-se absorvente, seja por
falta, tornando-se fraco, desinteressado ou desleixado, o grupo torna-se en-
fraquecido e tende para a dissolução.
TIPOS DE LÍDERES
Como vimos anteriormente, o tipo de liderança é função do condicio-
namento social. Encontramos, entretanto, quando estudamos a tipologia
da liderança, outros tipos de condicionamento além do social. É o caso
da influência de certos fatores do condicionamento biológico na escolha
do líder. Por exemplo, o adolescente escolhe, muitas vezes, como líder
esportivo o elemento de "melhor físico" ou dotado de maior "habilidade
esportiva". Encontramos ainda, hoje em dia, pasmem os leitores, mesmo
entre adultos de determinados grupos profissionais, como policiais, estiva-
dores, bombeiros, atletas profissionais e professores de Educação Física,
o recrutamento dos líderes entre os indivíduos de maior força muscular
ou de físico mais avantajado.
Em algumas escolas, os monitores ou chefeso escolhidos entre os
indivíduos de físico mais desenvolvido, que se destacam do grupo por seu
peso, altura ou força muscular mais desenvolvida.
Estas qualidades físicasom nenhum valor seo forem acompa-
nhadas de qualidades morais e intelectuais e de um bom equilíbrio psí-
quico.
Entre os professores, encontramos dois tipos principais de líderes:
o carismático e
o democrático.
O líder "carismático" é um tipo que procura encarnar um ideal al-
truísta, julga-se o único possuidor da verdade, portador geralmente de
uma mensagem mística. É sempre absorvente e até mesmo em determi-
nados aspectos um egoísta. Este é o tipo de líder que tem dado ao mundo
os ditadores e que tem lançado a humanidade nas guerras.
A liderança democrática é a mais autêntica de todas. O membro do
grupo elevado à posição de líder em função do condicionamento social
deve, como vimos anteriormente, reunir qualidades físicas, morais e inte-
lectuais em perfeito relacionamento com seu equilíbrio psicológico.
O líder democrático estimula as iniciativas individuais permitindo
sempre a livre escolha das soluções para os problemas do grupo.
O PROFESSOR DE EDUCAÇÃO FÍSICA E A ÉTICA PROFISSIONAL
CONCEITO DE ÉTICA
Um dos mais importantes problemas que interessam ao estudante ou
professor de Educação Física é o que diz respeito à ética profissional.
Ensina-nos a Filosofia que a Ética ou Moral é "a ciência que define
as leis da atividade livre do homem" e que a mesma compreende a Ética
Geral e a Ética Especial. A primeira tem por fim "formular o juízo que
funda o valor absoluto das noções e dos primeiros princípios da Moral".
A Ética Especial, por sua vez, "aplica estes princípios universais às dife-
rentes formas de atividade humana".
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A ÉTICA PROFISSIONAL
Portanto, a ética profissional, ramo da ética especial, ocupa-se da apli-
cação daqueles princípios universais às diferentes profissões humanas.
Neste trabalho, referir-nos-emos somente à ética profissional dos pro-
fessôres de Educação Física.
RELAÇÕES DO PROFESSOR
Nossa profissão, por ser uma atividade humana que desempenha uma
função social, apresenta no seu exercício três (1) perspectivas:
a das relações do professor para com Deus; (2)
a das relações do professor para consigo mesmo;
a das relações do professor com os diferentes grupos sociais.
Analisemos e estudemos, portanto, as diferentes relações.
Relações Professor Deus
Os deveres do educador para com Deus se resumem na religião, que se
exprime pelo culto e pela prece.
Relações Professor consigo mesmo
Os diferentes relacionamentos pors mencionados aqui, considera-
dos em separado para melhor compreensão dos problemas de ética pro-
fissional, apresentam caráter de interdependência. Todavia, a maneira
como o professor se encara e trata a si próprio é considerada de capital
importância.
As exigências da ética profissional nas relações professor para consigo
mesmo procedem do princípio básico de que "a profissão há de aperfeiçoar
em primeiro lugar o homem que a exerce".
Portanto é necessário:
que a profissão escolhida corresponda à vocação;
considerar as limitações individuais quanto à capacidade e à pos-
sibilidade individuais de trabalho, evitando que, por desejo de be-
neficiar-se economicamente ou por qualquer outro motivo, ocorra
um dano psíquico (causado por fadiga ou desgaste) ou um dano
moral (causado pelo atendimento ou desempenho profissional
frouxo ou relaxado);
que a profissão jamais domine o homem, mas, pelo contrário, que
êste sempre a domine, evitando a rotina e a automatização, atuali-
zando-se constantemente e mantendo a liberdade do espírito de
modo queo se diminua ou se limite ao círculo em que atue;
que o docente acredite realmente no valor da educação e da "prá-
tica educativa" que ministra;
(1) Duas para os educadores ateus.
(2) Os educadores ateuso consideram a perspectiva dos deveres para
com Deus, que fundamentam e coroam os diferentes tipos de relacio-
namento.
que tenha o cuidado de planejar todas as etapas do trabalho esco-
lar e programar todas as atividades referentes à sua "prática edu-
cativa", tornando, desta forma, o ensino metódico, seguro, econô-
mico e eficiente;
que o professor mantenha sua conduta individual no mais elevado
nível, servindo-se para isso dos meios que a autocrítica lhe pro-
porciona.
Relações do Professor com os diferentes grupos sociais
Relações professor-comunidade
O educador, qualquer que seja sua especialidade, é sempre alvo de
constantes observações por parte dos membros da comunidade em que
atua. Seus atos e opiniões, suas concepções, convicções, atitudes e até
mesmo hábitos e preferênciaso continuamente focalizados, criticados e
algumas vezes imitados.
A vida do professor, ao contrário do que ocorre com a de outros pro-
fissionais, pertence à comunidade. Seu êxito profissional depende em
grande parte do apoio que o meio social lhe venha a oferecer.
O docente de Educação Física deve considerar os seguintes aspectos
em suas relações com a comunidade:
levar em conta que é o representante da sociedade na educação de
seus membros mais jovens e
que a família lhe outorga direitos e poderes para que haja pros-
seguimento e desenvolvimento da educação iniciada no lar.
O professor deve assumir, portanto, em sua vida profissional, pública
e privada, atitudes que inspirem o máximo de confiança e respeito na
família e na comunidade.
Relações professor escola
Os professôres têm, ainda, exigências éticas a cumprir em relação ao
estabelecimento de ensino em que militam. A tarefa educativa de uma
escola depende, em grande parte, do relacionamento dos mestres com a
direção do educandário. Êste relacionamento deverá ser feito de forma
franca e direta.
Os professôres de Educação Física devem observar os seguintes pon-
tos em suas relações com a escola:
cooperação e entrosamento com o setor administrativo;
observar o sigilo que deve existir quando da troca de informações
com a direção e dos debates surgidos nas reuniões da congregação
e com a direção;
evitar comentar com os alunos as questões relativas aos honorários
dos professôres;
evitar comentários públicos desfavoráveis ao estabelecimento,
criando, assim, um clima de descrédito e desconfiança prejudiciais
à formação do educando.
UNIDADE IV
FINALIDADES DA EDUCAÇÃO E OBJETIVOS DO ENSINO
DA EDUCAÇÃO FÍSICA
FINALIDADES DA EDUCAÇÃO
OBJETIVOS DO ENSINO
FINALIDADES DA EDUCAÇÃO BRASILEIRA
OBJETIVOS DA EDUCAÇÃO FÍSICA
1. Categoria dos Objetivos
2. Nomenclatura dos Objetivos
CONCLUSÕES
FINALIDADES DA EDUCAÇÃO E OBJETIVOS DO ENSINO DA
EDUCAÇÃO FÍSICA
FINALIDADES DA EDUCAÇÃO
Todo grupo social, em determinada época de sua História, possui em
sua consciência coletiva seus valores e ideais de vida e educação. Estes
o expressos de forma abstrata e genérica através do que se denomina
de finalidades.
Desta forma, as finalidades constituem os princípios fundamentais
sôbre os quais se construirá o Sistema Educacional daquele grupo social.
Tôda sistemática educacional escolas, professôres, orientadores, currí-
culos, programas etc. fundamentar-se-á nessas finalidades da educação.
Como exemplos de finalidades da educação poderíamos citar: "forma-
ção da personalidade integral"; "desenvolvimento da consciência huma-
nística", "formação da consciência cívica e patriótica"; "dar preparação
intelectual geral que possa servir de base a estudos mais elevados de for-
mação especial".
A Didática da Educação Física considera indispensável ao professor
de Educação Física o conhecimento das finalidades da educação, de forma
a bem planejar sua ação educativa.
Todavia, embora as finalidades indiquem os rumos da ação educativa, .
o guias pouco diretos do trabalho do professor em aula. Numa aula de
Educação Físicao podemos, por exemplo, "formar a personalidade in-
tegral". Esta será um resultado cumulativo das pequenas conquistas obti-
das parcelada e paulatinamente durante todo o tempo em que durar a
ação educativa.
OBJETIVOS DO ENSINO
Os objetivoso pequenas parcelas da aprendizagem alcançadas pelos
educandos, no dia a dia, sob a orientação, supervisão e controle seguro do
professor; exprimem de forma concreta as metas mais imediatas e par-
ticulares, ao alcance direto do professor em aula.
Assim, os objetivosoo meras abstrações teóricas, imprecisas e
intangíveis.o as etapas indispensáveis, os estágios intermediários para
a consecução das finalidades propostas.
A proposição precisa e clara dos objetivos é a etapa primeira de todo
planejamento educacional.
Os objetivos devem ser concebidos e expressos em têrmos concretos
de modificações de comportamento.
Eles devem ser transformados em "conquistas pessoais de cada aluno".
Desta forma, teremos esquemàticamente:
FINALIDADES DA EDUCAÇÃO BRASILEIRA
Os fins da educação nacionalo enunciados no Art. 1.° Título I
"Dos Fins da Educação", da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacio-
nal, Lei Federal n.° 4.024, de 20 de dezembro de 1961, cujo texto transcre-
vemos abaixo:
Título I
Dos Fins da Educação
Art. 1.° — A educação nacional, inspirada nos princípios de liberdade
e nos ideais de solidariedade humana, tem por fim:
a) a compreensão dos direitos e deveres da pessoa humana, do cida-
dão, do Estado, da família e dos demais grupos que compõem a
comunidade;
b) o respeito à dignidade e às liberdades fundamentais do homem;
c) o fortalecimento da unidade nacional e da sociedade internacional;
d) o desenvolvimento integral da personalidade humana e a sua par-
ticipação na obra do bem comum;
e) o preparo do indivíduo e da sociedade para o domínio dos recursos
científicos e tecnológicos que lhes permitam utilizar as possibilida-
des e vencer as dificuldades do meio;
f) a preservação e expansão do patrimônio cultural;
g) a condenação a qualquer tratamento desigual por motivo de con-
vicção filosófica, política ou religiosa, bem como a quaisquer pre-
conceitos de classe ou de raça.
Esta conceituação facilitou, sobremodo, a tarefa dos educadores. Resta,
apenas, a resolução do problema de como traduzir esses ideais em reali-
dades, vividas por discípulos e mestres nas salas de aula, nas quadras ou
campos de esportes.
OBJETIVOS DA EDUCAÇÃO FÍSICA
É bastante comum que professôres menos avisados confundam fina-
lidades da educação com objetivos do ensino, pois, quando interrogados a
respeito, perdem-se em divagações teóricas sôbre aquelas, nunca as rela-
cionando com o seu trabalho na quadra, campo, pista ou piscina.
Outros professôres confundem objetivos com conteúdo. Esta falsa
identidade entre objetivo e conteúdo revela-se comumente nas respostas
dadas quando a eles perguntamos sôbre qual o seu objetivo em determi-
nada aula, e nos respondem: "ensinar o passe de peito", no Basquete; ou
o "rolo simples para frente", na Ginástica Olímpica; ou, ainda, a "virada
de cambalhota", na Natação, por exemplo.
Isto seria a mesma coisa que, se interrogássemos um pedreiro sôbre
o objetivo de determinada obra sua, êle nos respondesse: "usar os tijolos,
a massa e a colher de pedreiro", ao invés de "construir um muro ou uma
parede".
Tais professôres confundem, portanto, objetivo com conteúdo, ou seja,
um dos meios empregados para atingir o objetivo proposto.
1. Categoria dos Objetivos
A Educação Física tradicional preocupava-se unicamente com as mo-
dificações anátomo-fisiológicas do aluno.
A Moderna Didática de Educação Física, emborao perca de vista
aquela preocupação anterior, procura enfatizar mais as modificações com-
portamentais do educando. A Educação Física, uma das muitas formas
pelas quais a Educação se apresenta, baseia-se, como vimos, em três gru-
pos de transformações: habilidades, conhecimentos e ideais.
Temos, assim, para fins de técnica docente, os produtos da apren-
dizagem, em fase antecipadora, classificados nessas três categorias básicas.
Esta divisão dos objetivos do ensino corresponde rigorosamente aos
fatos da aprendizagem, e eles, na maioria das vezes, concorrem simulta-
neamente para integrar uma mesma experiência educativa.
a) Habilidades
O homem maduroo possui hábitos hereditários de comportamento
o alterados pela aprendizagem instintos. Tem, sim, um sem-número
de habilidades que, inicialmente, nada maiso do que capacidades.
A transformação de capacidades em habilidades é que constitui a
primeira categoria dos objetivos educacionais.
Assim, quando encontramos em compêndios de Educação Física refe-
rências à "educação do movimento", por exemplo, nada mais faz o autor
que se referir a habilidades correr, saltar, equilibrar-se, executar movi-
mentos ou esforços com um mínimo de energia etc.
b) Conhecimentos
Qualquer habilidade, entretanto, implica óbviamente em algum conhe-
cimento. Mesmo no caso da maior habilidade do homem, a de pensar, ela
está condicionada, ainda, à posse de conhecimentos. "Ninguém pode pen-
sar seo tiver em que pensar."
Desta forma, todo indivíduo necessita de adquirir conhecimentos e
informações de maneira que possa situar-se inteligentemente no seu meio
físico e social.
O homem, como ser racional que é, age diante dos problemas com os
quais se defronta, partindo da percepção, procurando chegar à sua signi-
ficação e compreensão e daí à sua solução. Isto nada mais é que "crescer
em conhecimento".
Erra, portanto, aquêle que afirma que em Educação Físicao pode-
mos ter a preocupação de ministrar conhecimentos.
As noções de saúde e segurança escolar, o vocabulário e os têrmos
técnicos esportivos, as regras dos diferentes desportoso alguns dos
muitos conhecimentos e informações que a Educação Física transmite.
Como sabemos, uma área curricular jamais age isoladamente, mas sim
em íntima correlação com as demais. Dêste modo, numa aula em que es-
tejamos ensinando uma dança folclórica de origem negra, por exemplo,
estaremos correlacionando-a fatalmente com a Música, com a Geografia e
As noções de saúde constituem informações que a Educação Fisica transmite.
com a História. Surgirão, obviamente, informações e conhecimentos a
serem ministrados,o podendo o docente de Educação Física furtar-se
a fazê-lo.
c) Ideais
O desenvolvimento das habilidades e a aquisição do conhecimento,
todavia,o esgotam o conteúdo do processo educacional.
Há que considerar um terceiro grupo de transformações que ocorrem
no íntimo do indivíduo durante o processo de maturação.
No decurso desse processo, a criança sofre a influência de uma série
de impulsos necessidade de alimento, necessidades sexuais, de exalta-
ção do seu ego etc. que a sociedade procura atenuar através de con-
troles sociais.
Para a sociedade, um indivíduo que tenha crescido em habilidades e
cm conhecimentos para satisfazer a esses impulsos constitui mais um
passivo do que um ativo. E como exemplo poderíamos citar o Técnico
Esportivo, que pelo estudo e pela prática torna-se um preparador de cam-
peões, embora submeta seus pupilos a dopagens constantes, mostrando aí
quão falha foi sua educação.
Assim, aos controles sociais, que procuram impedir que os baixos im-
pulsos dominem o indivíduo, dá-se o nome de ideais. Os ideais formam
uma terceira categoria de objetivos, que intervém no processo a que de-
nominamos educação.
O professor de Educação Física deve procurar desenvolver ideais po-
sitivos como o de levar uma vida normal e sadia, de respeito às leis, de
cumprimento aos deveres escolares, de eficiência e esmero no trabalho es-
colar e um sem-número de outros.
As atitudes e as preferências aparecem aqui neste terceiro grupo de
transformações do comportamento do educando.
2 Nomenclatura dos Objetivos
Para efeito de sistematização do estudo e do trabalho do professor de
Educação Física, adotamos a nomenclatura dos objetivos recomendada pela
Didática Geral; teremos, assim, objetivos comuns, específicos, particulares
e imediatos.
a) Objetivos Comuns
Consideram-se como objetivos comuns aquêles mais genéricos que ca-
racterizam os produtos da aprendizagem visados por determinada área
curricular.
Assim, um currículo que inclua Educação Física e Instrução de Saúde
como uma de suas áreas apresentará um sem-número de objetivos comuns.
Por ocasião do planejamento, e isto veremos posteriormente, eles apa-
recerão no denominado "Planejamento Geral de Área Curricular".
b) Objetivos Específicos
A Didática Geral considera como objetivos específicos aquêles que
caracterizam os produtos da aprendizagem de determinada disciplina ou
prática educativa.
Assim, os objetivos a serem propostos para a Educação Física consti-
tuirão os objetivos específicos desta prática educativa.
Na fase do planejamento, os objetivos específicos aparecem mencio-
nados no "Plano de Curso".
c) Objetivos Particulares
Os objetivos especiais de cada unidade didática de um plano de curso
para Educação Física denominam-se, genéricamente, de Objetivos Parti-
culares. Desta forma, eles aparecem no chamado "Plano de Unidade".
d) Objetivos Imediatos
Os objetivos imediatoso aquêles que procuramos que os alunos atin-
jam em cada aula. Eles aparecem propostos no denominado "Plano de
Aula".
Chamamos atenção, ainda, para o fato de que essa nomenclatura dos
objetivos é puramente didática,o devendo existir entre os mesmos so-
lução de continuidade. Eleso apenas etapas de uma realização, como
podemos concluir pela figura abaixo:
CONCLUSÕES
Muitos estranharãoo têrmos colocado neste capítulo uma relação
padronizada de objetivos específicos da Educação Física. Fizemo-lo, entre-
tanto, propositadamente, baseando-nos em duas premissas que julgamos
relevantes:
Com o sancionamento da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Na-
cional, começamos a viver uma nova era na educação. Passamos de um
sistema altamente centralizado para outro em que predomina a descen-
tralização administrativa e pedagógica. Desta maneira, cada unidade esco-
lar tem o direito de definir sua política e filosofia educacionais, o currículo,
seus programas, os critérios de seleção, avaliação e promoção. Vivemos,
assim, um período que poderíamos chamar de múltiplas responsabilidades.
O professor de Educação Física passou a ter autonomia para escolher
os objetivos específicos que mais julgar adequados a seus alunos, dentro
de um mesmo estabelecimento de ensino, levando em conta os interesses
e as necessidades do educando e as disponibilidades locais. Em contrapar-
tida, dele se exige mais responsabilidade, pois se a êle coube a escolha
dos objetivos propostos, a êle cabe tôda a responsabilidade.
A segunda delas reside na confiança que depositamos nos professôres
de Educação Física, no que concerne à sua ética profissional.
O regime de centralização excessiva transformava o inspetor ou téc-
nico de Educação Física em uma espécie de detetive à procura de fraudes
e irregularidades, ao invés do mestre experiente e amigo que vem ao en-
contro do colega mais jovem ou menos experiente. E o nosso professorado
precisaria realmente ser vigiado de modo ao fraudar os atos escolares
ouo cumprir as suas obrigações? Se o professorado a que está entregue
a nossa juventude precisa ser vigiado rigorosamente, que podemos espe-
rar do futuro?
A unificação ou padronização dos "programas" impedia qualquer ex-
periência pedagógica e, por conseguinte, qualquer progresso na Educação
Física.
Para evitarmos erro semelhante, deixamos ao professor a tarefa de
idealizar os objetivos que proporá a seus alunos, chamando atenção, uma
vez mais, para a responsabilidade de tal ato.
UNIDADE V
OS CONTEÚDOS
ALGUNS ASPECTOS A CONSIDERAR NA SELEÇÃO DOS
CONTEÚDOS
ALGUMAS FORMAS PELAS QUAIS OS CONTEÚDOS SE
APRESENTAM
CONTESTES
JOGOS
ATIVIDADES RÍTMICAS
BRINQUEDOS CANTADOS
DANÇA
DESPORTOS
GINÁSTICA
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OS CONTEÚDOS
Denominamos "conteúdos" ao teor do ensino da Educação Física, atra-
s do qual serão atingidos os objetivos educacionais propostos. Desta
forma, poderíamos dizer que aquêles nada maiso do que reativos que,
uma vez selecionados, programados e dosados,m facilitar a aprendi-
zagem naquela "prática educativa".o os agentes utilizados pela Edu-
cação Física para exercer a integração das novas gerações no meio físico
c social, bem como para auxiliar no desenvolvimento da personalidade
dos educandos.
Unicamente com a finalidade de estabelecer comparação, poderíamos
dizer que os conteúdos da Educação Física correspondem à "matéria" das
demais disciplinas constantes dos currículos das escolas brasileiras.
Os conteúdos estão em função das necessidades e da capacidade real
do aluno em aprender. O alunoo existe para os conteúdos e sim estes
para servirem àquele.
Na Didática tradicional de Educação Física, o conteúdo era conside-
rado como um valor absoluto e autônomo ao qual os educandos deviam
conformar-se, executando-o integralmente, sem ao menos terem possi-
bilidade de introduzir uma nota pessoal. Resultava disso os jovens detes-
tarem as "sessões de educação física" nas escolas tradicionais. A rebeldia
instintiva de nossos alunos ensinara-nos quão errados estavam nossos
predecessores.
Os próprios professôres se escravizavam aos conteúdos, pois bastava
que os fizessem executar dentro das normas e padrões rígidos, onde
"tudo" estava previsto a duração exata das "sessões", o "número" de
repetições e o "ritmo" a exigir, de acordo com o ciclo a que pertencesse o
aluno, as "provas práticas" que o aluno deveria "vencer" para obter o "cer-
tificado" de Educação Física. O professor transformava-se, assim, num
mero monitor a quem cabia fazer executar fielmente os conteúdos pre-
vistos, sem possibilidade de qualquer alteração, revisão crítica ou reexame.
A moderna Didática de Educação Física propõe, entretanto, novos ru-
mos a serem seguidos. O reexame e a renovação surgiram em nossa especia-
lidade com bastante atraso, presos que estivemos aos esquemas de pensa-
mento predominantes no século passado. Assim, de conteúdos quase que
exclusivamente baseados na biologia, com objetivos especialmente de for-
mação corporal, estruturados num esquema mecanicista e atomista e, por-
tanto, necessariamente analíticos e segmentários, onde o estático predo-
minava sôbre o dinâmico, dentro do mais absoluto racionalismo, passamos
a selecionar conteúdos que objetivem uma formação global eo exclusi-
vamente física, que atendam aos interesses e às necessidades do educando,
que valorizem os aspectos dinâmicos e rítmicos, utilizando-se de formas
mais livres, totais e espontâneas.
Os jogos, os desportos, a dança e a ginástica feminina moderna co-
meçam, nas modernas escolas, a substituir as clássicas formas de trabalho.
A autodisciplina, a solidariedade, o altruísmo, a divisão do trabalho, a
maior individualização e ao mesmo tempo a maior socialização do homem
podem ser adquiridos no jogo e no desporto "onde a espontaneidade se
afirma e a improvisação força a inteligência à atividade".
Entretanto, para ministrarmos aulas de Educação Física dêste tipo, é
necessário colocar a inteligência, imaginação e sensibilidade lado a lado
com uma excelente formação especializada.
Visto isto,o é o conteúdo que deve ocupar a atenção do moderno
professor de Educação Física, mas sim os alunos, quando em contato com
estes conteúdos. Os educandos necessitam ser estimulados, orientados e
auxiliados nessa aprendizagem. O professor, assim, deixa de ser mero mo-
nitor para se tornar um guia ou orientador seguro do processo de aprendi-
zagem de seus discípulos. O ensino, por parte do professor, e a aprendi-
zagem, por parte dos alunos,oo atividades paralelas que tenham
nos conteúdos um ponto comum.o atividades complementares e corre-
latas com vista a um objetivo comum e unificador. Jamais nos devemos
esquecer que o elemento mais importante na escola é o educando.
ALGUNS ASPECTOS A CONSIDERAR NA SELEÇÃO
DOS CONTEÚDOS
A escolha dos conteúdos que integrarão nosso planejamento deve ser
cercado de alguns cuidados especiais, pois que aspectos importantes passam
comumente despercebidos nesse momento. Dentre esses aspectos, apresen-
tamos aqui alguns, a título unicamente de exemplo, em que a ordem de
apresentaçãoo está relacionada, em absoluto, com a importância dos
mesmos.
Considerar o Sexo do Educando
Considerando o dimorfismo sexual do educando, as atividades escolhi-
das poderão ser:
Considerar o Tipo de Experiência Educacional que a Escola se
Propõe Realizar
É erro bastante comum do estudante ou mesmo do docente de Edu-
cação Físicao levar em consideração o tipo de experiência que a escola
pretende realizar com os alunos. Assim, um professor de Educação Física
que venha a lecionar, por exemplo, numa "escola integrada", experiência
que vem tendo grande desenvolvimento ultimamente na Guanabara, ao
selecionar os conteúdos êle precisa levar em consideração êsse tipo de
escola.
Saída de um grupo de crianças e adolescentes de
uma unidade integrada.
A concepção integral do ensino baseia-se na premissa de que os têrmos
''ensino primário" e "ensino médio" designam "fases sucessivas de um
processo contínuo entre os quais tôda a distinção rigorosa seria arbitrária
e comprometeria a verdadeira continuidade do crescimento e da educação".
Abandonou-se, assim, a idéia de que a escola elementar e a escola de nível
médio eram duas formas distintas de ensino, destinadas, talvez, até, a
grupos sociais diferentes.
Uma vez concordes com esta conceituação, passa-se a admitir que todos
os jovens de uma comunidade devem receber educaçãoo completa
quanto permitam os recursos daquela.
Assim, a escola passa a atender, também, aos jovens bem dotados,
oriundos das camadas menos favorecidas economicamente da comunidade,
permitindo, ainda, que os menos dotados prossigam em seu aperfeiçoamen-
to até atingirem o limite máximo de desenvolvimento individual.
Um dos principais problemas da escola integrada é a transição de um
nível para outro sem choques, onde a Educação Física pode aparecer como
importante elemento integrador.
Quando o aluno chega à fase do ensino médio, êle já vem com um
lastro considerável de habilidades, conhecimentos e ideais adquiridos nas
cuias de Educação Física, da fase do ensino elementar. O docente terá, por
conseguinte, que selecionar os conteúdos de forma diferente do que o faria
numa escola de grau médio, onde o aluno entra sem qualquer experiência
anterior em Educação Física.
Se o professorr lecionar, por exemplo, num estabelecimento de en-
sino técnico-industrial, terá, também, de considerar alguns aspectos na
seleção dos conteúdos, visto que lá podemos encontrar inúmeros cursos
fundição, carpintaria, pintura, fiação e tecelagem, alfaiataria etc. exi-
gindo uma posição dominante no trabalho escolar de, de cócoras,
sentado etc. — e um determinado número de qualidades psicossomáticas
força, habilidade manual, equilíbrio, precisão de movimentos etc.
Assim, as atividades escolhidas deverão dar trabalho a sinergias mus-
culares pouco exploradas na aprendizagem profissional, proporcionar rela-
xamento da musculatura mais solicitada, evitar a instalação de vícios pos-
turais,o encontradiços nos industriários, e procurarão desenvolver, tam-
bém, qualidades psicossomáticas requeridas pela especialização a que os
alunos se estão dedicando.
Conclui-se, pois, que os conteúdos serão escolhidos, de modo geral,
procurando-se atender à formação integral e de uma forma especial, de
acordo com a natureza do curso em que o aluno estiver matriculado.
Estes dois exemplos, cremos nós,o o bastante para compreendermos
a importância do conhecimento da experiência educacional, levada a cabo
pela escola com nossos alunos, de modo a melhor selecionarmos os con-
teúdos mais adequados.
A Etapa Evolutiva do Educando
Os conteúdos escolhidos devem corresponder aos interesses e às ne-
cessidades da etapa evolutiva em que o educando se encontra, distinguin-
do-se, assim, atividades:
Indicadas para Crianças
Exemplo: Jogo
Indicadas para Adolescentes
Exemplo: Desporto
Fase de iniciação
As Experiências Anteriores do Educando em Face da Educação
Física
75
Outros importantes aspectos a considerar na seleção dos conteúdos
o as experiências anteriores do aluno, quando da prática da Educação
Física.
Geralmente, ao ingressar no nível médio é que o educando começa a
ter contato com as atividades físicas pela primeira vez. Assim sendo,o
necessários alguns cuidados na seleção das atividades, devendo começar
com atividades simples e fáceis, para, então, mais tarde, torná-las mais
difíceis e complexas.
Um grupo de crianças que, futuramente, ao ingressar na escola de
nível médio já terá um bom número de experiências anteriores em
Educação Física.
Um aluno de escola elementar que venha tendo em sua carreira escolar
aulas regulares de Educação Física, necessitará de conteúdos mais com-
plexos e avançados do "que um aluno que ingressa na escola de grau médio
sem contato anterior com essa "prática educativa".
Esses aspectoso podem nunca ser esquecidos na seleção dos con-
teúdos, embora haja outros a considerar.
ALGUMAS FORMAS PELAS QUAIS OS CONTEÚDOS SE
APRESENTAM
Os conteúdos aparecem geralmente grupados com formas definidas e
características próprias, que virão a constituir os meios de que o professor
lançaráo para atingir os objetivos propostos para sua ação educativa.
Deixaremos, agora, consignadas algumas dessas formas pelas quais
os conteúdos se grupam mais comumente.
CONTESTES
Os contesteso atividades físicas naturais, globais, em que as habili-
dades de um educandoo comparadas com as de outros, dentro de certos
limites especiais, onde, para isso, se introduz um fator de natureza psico-
lógica uma incentivação destinado a promover a necessária moti-
vação.
Assim, se induzirmos um aluno a saltar uma determinada distância,
êle estará executando a atividade natural de saltar. Ao passo que, se pro-
pusermos a dois ou mais alunos: "vamos ver quem salta mais longe?"
estaremos objetivando a mesma atividade anterior, do ponto de vista me-
cânico, mas completamente diversa sob o prisma psicológico. Aquela per-
gunta, o novo elemento introduzido, foi que possibilitou a transformação
da atividade num conteste.
Diferença Entre Conteste e Jogo
Os contestes distinguem-se básicamente dos jogos pelos seguintes as-
pectos particulares:
num contesteo, ao contrário de um jogo, interferência em
seus planos ou jogadas por ação dos opositores;
num conteste, as táticas, as estratégias e os ardisom lugar,
em contraposição com o que ocorre no jogo;
nos contestes, a iniciativa individual fica muito reduzida, ao passo
que no jogo ela é extremamente necessária.
Os contestes são, assim, uma das formas mais interessantes pelas quais
os conteúdos se apresentam e um dos meios mais interessantes de que o
mestre poderá usar em seu mister.
JOGOS
Os jogos constituem um dos mais interessantes meios de que os pro-
fessôres lançamo na sua tarefa de educar. Entretanto, os jogos, para
um observador menos atento, confundem-se, muitas vezes, com as "brin-
cadeiras livres" das crianças.
Essas "brincadeiras livres",o encontradiças nos recreios das escolas
e nas calçadas das ruas de nossas cidades, nada maiso do que atividades
lúdicas espontâneas, sem regras preestabelecidas, modificando-se constan-
temente segundo os interesses momentâneos ou mesmo ao sabor dos capri-
chos dos que dela participam.o há nestas atividades uma evolução re-
gular e constante, normas a serem seguidas ou mesmo uma meta a atingir.
Os jogos, entretanto, apresentam características claramente definidas,
como:
organização, simples ou complexa, com normas ou regras prefixa-
das, que deverão ser cumpridas por todos os participantes, havendo, comu-
mente, sanções para os infratores;
evolução, em que distinguimos claramente fases ou etapas adrede
previstas, com um momento culminante em que surge a vitória da habi-
lidade, da força ou da velocidade.
conhecimento dos objetivos a atingir de forma que os partipantes
idealizam, até mesmo, planos táticos, estratégicos e ardis;
forma de competição, cuja intensidade apresenta uma variação
muito grande.
A confusão entre jogos e brincadeiras livres agrava-se quando muitos
tradutores usam a palavra "jogo", indistintamente, para "play" e "game"
de sentidos diversos, uma vez que a primeira palavra apresenta um sen-
tido mais amplo do que a outra, fazendo com que em certos compêndios
tal prática se generalize.
Como vimos anteriormente, inúmeras teorias procuram explicar as
origens e as necessidades dos jogos.
Tal estudo, no entanto,o cabe à Didática, mas sim à Psicologia, pelo
que deixamos aqui de desenvolvê-las com profundidade. Todavia, qualquer
que seja a teoria aceita,o se deixarão de considerar os valores dos jogos
como coadjuvante do processo educacional.
Através dos jogos, poderemos contribuir sobremaneira para o desen-
volvimento integral do educando, uma vez que eles atuam sôbre o desen-
volvimento físico, psicológico e social dos alunos.
Classificação dos Jogos
Inúmeras foram as classificações propostas para os jogos, sendo que
uma das mais aceitas é a de CLAPARÈDE, que classifica os jogos infan-
tis em:
jogos que exercitam as funções gerais do homem;
jogos que exercitam as funções especiais do indivíduo.
Assim, teremos dentre a primeira categoria os seguintes tipos:
Jogos sensoriais que solicitam a ação dos órgãos dos sentidos
Exemplos:
"Quem trocou de lugar?"
Material Um lenço.
Formação Os alunos sentados formando um círculo.
No interior dele, um aluno sentado, com os olhos vendados.
Desenvolvimento — O professor indica por gestos dois alunos do
círculo para trocarem de lugar. O aluno de olhos vendados,
através do barulho procurará descobrir quais os que trocaram
de lugar, apontando-lhes a direção. Substituir, depois, o aluno
do centro.
"Quem é?"
Material Um lenço.
Formação Os alunos de pé em círculo, com um companheiro no
centro, de olhos vendados.
Desenvolvimento O professor escolherá um aluno que se aproxi-
mará do que está no interior do círculo. Êste, ainda de olhos
vendados, procurará descobrir quem é o companheiro, usando
para isso o tato (apalpar o cabelo, verificar o tipo de nariz, de
orelha etc.)
Variar os alunos durante o desenrolar do jogo.
Jôgo sensorial: "Quem é?"
Jogos psíquicos
o os que exercitam algumas funções ligadas
ao psiquismo do indivíduo.
Os jogos psíquicos podem ser subdivididos em: intelectuais
("Xadrez", "Damas", "Palavras Cruzadas" etc.) ou afetivos
(buscar um "tesouro" no lugar mais escuro da casa, por exem-
plo).
Exemplo:
"Gatinho com fome"
Formação Os alunos, sentados, formando um círculo. No inte-
rior, um aluno, sôbre quatro apoios, imitará o gato.
Desenvolvimento O aluno que está imitando o gato parará dian-
te de um companheiro do círculo e "miará" duas vezes. O aluno
escolhido pelo "gato" passará ao na cabeça daquele e dirá:
"Coitadinho do gatinho, parece que está com fome". Seo
controlar a emoção, dizendo a frase sem rir, perderá o jogo.
OBS.: Jogo psíquico, relacionado com o aspecto volitivo.
Jôgo Psíquico: "Gaíinho com fome."
Jogos Motores
o os que desenvolvem, segundo características
peculiares, a coordenação, a velocidade, a força etc.
Exemplos:
"Quem Prende, Desprende"
Formação Os alunos dispersos no pátio, de braços dados dois
a dois. Um par de alunos isolados dos demais.
Desenvolvimento Um dos dois alunos isolados perseguirá o ou-
tro. Êste, parao ser apanhado, deve segurar o braço do aluno
de um dos pares.
Imediatamente, o outro aluno desse par fugirá parao ser
alcançado pelo perseguidor.
"Bola Ligeira"
Material Uma bola leve.
Formação Os alunos de, formando um círculo, mantendo en-
tre si a distância aproximada de um metro.
Desenvolvimento O professor arremessa a bola a um aluno do
círculo, o qual, por sua vez, a atira rápidamente para outro
qualquer, cabendo a êste fazer o mesmo, e assim sucessivamente.
A bola pode ser lançada em qualquer direção ou ordem, deven-
do, apenas, ser movimentada com rapidez. O aluno que a deixar
cair será eliminado do jogo. Vencem os queo errarem.
Na segunda categoria jogos através dos quais o homem exercita
suas funções especiais encontramos os tipos seguintes:
Jogos de luta (ou competição) em que encontramos apêlo a deter-
minada habilidade, força, destreza, velocidade etc.
Exemplo:
"A Garrafa é Minha"
Material Uma corda forte com as duas extremidades unidas por
um nó direto.
Três maças (garrafas).
Desenvolvimento Cada aluno segurará a corda com uma das
mãos, formando, assim, um triângulo. Com ao livre, tentará
apanhar a maça que está no chão, aproximadamente a dois me-
tros de cada vértice.
Jogos de Caça
o jogos em que a criança se compraz em pro-
curar descobrir outras que estão escondidas, ou esconder-se para
queo seja descoberta.o os jogos de perseguição em que o in-
divíduo se esquiva ou persegue.
Exemplo:
"Quem tem medo do lobo?"
Material Bastão de giz.
Formação Desenham-se no chão duas linhas paralelas, separadas
por uma distância proporcional ao número e à capacidade dos
alunos. Êste espaço será a "floresta do lôbo", onde ficará um
aluno isolado; os demais, espalhados à vontade num lado do
pátio, fora da "floresta".
Desenvolvimento O lobo perguntará: "Quem tem medo do lo-
bo?" As crianças responderão em coro: "Ninguém!" e atraves-
sarão a "floresta" passando para o outro lado do pátio, evitando,
todavia, que o "lobo" consiga pegá-las. O "lobo" só poderá per-
seguir os alunos dentro da área estipulada a "floresta". Os
que forem sendo apanhados serão perseguidores lobos
juntamente com a primeira criança escolhida. Vence o último
a ser apanhado.
Jogos de Imitação
CLAPARÈDE distinguiu aqui duas varieda-
des: o jogo de imitação e o jogo com imitação. No primeiro, a
criança imita pelo simples prazer de imitar, constituindo uma "brin-
cadeira livre"; no segundo, a imitação é um dos elementos funda-
mentais para o desenvolvimento do jogo. Aqui só nos interessa êste
segundo tipo, do qual damos um exemplo abaixo.
Exemplo:
"Quem é o maestro?"
Formação As crianças sentadas em círculo. O professor escolherá
uma, que será afastada do grupo, e que terá de adivinhar quem
é o maestro, e outra para ser o regente.
Desenvolvimento O maestro imitará o som de um instrumento
musical e, imediatamente, será imitado pelas demais crianças
do grupo. A seguir, sem interrupção, imitará o som de outro
instrumento e as demais crianças passam a, fazê-lo também. O
aluno isolado procurará descobrir o maestro através de cuida-
dosa observação do grupo.
Jogo de Imitação: "Quem é o maestro?'
Jogos sociais
o aquêles em que a criança procura desenvolver
qualidades indispensáveis à sua vida na idade adulta.
Exemplo:
Uma partida de voleibol (sem preocupação de vitória do grupo, nem
do aspecto competitivo em primeiro plano, enfim, jogar pelo prazer
de jogar). Qualquer desporto coletivo poderia servir de exemplo,
respeitado esse espírito nitidamente recreativo.
Jogos familiares
o os que se relacionam com as funções da
família, nada mais que as brincadeiras livres praticadas pelas
crianças.
Exemplo:
"Brincadeira de boneca"; de "fazer comidinha" etc.
Assim pensamos ter dado uma visão geral do assunto que, naturalmen-
te, será desenvolvido e aprofundado pela cadeira especializada.
ATIVIDADES RÍTMICAS
A Educação Física, hoje em dia, adaptando-se às novas formas de ação
pedagógica, começa a empregar formas de trabalho queo as tradicionais.
Dentre aquelas, encontramos as atividades rítmicas, as quais, ao contrário
do que ocorria anteriormente,m sendo enfatizadas. O ritmo encontra-se
em todas as atividades de Educação Física.
Quando nos referimos a ritmo, fazemo-lo querendo significar o ritmo
próprio do corpo manifestado quando nenhuma de suas partes está restrita
nos seus movimentos. Estes passam através do corpo como ondas, coorde-
nados e sem tensão, evitando o desperdício de energia.
As atividades rítmicas aplicadas ao movimentom como objetivo:
"desenvolver a psicomotricidade;
dar leveza, amplitude e plasticidade aos movimentos;
disciplinar o praticante, física e psiquicamente;
assegurar perfeita coordenação, através da associação ritmo pa-
lavra movimento."
Esta educação no sentido rítmico deve iniciar-se na infância e esten-
der-se até a adolescência.
Na criança, os movimentos desenrolam-se bem equilibrados, sem
tensão, livres e sem limitações. O ritmo é uma característica normal da
criança.
Muitos professôres, precipitadamente, costumam intitular de "arrítmi-
co" a um educando queo consegue marchar o tempo todo, dentro de
um andamento. É necessário, entretanto, que o professoro se precipite
cm seu julgamento, visto que, muitas vezes, as dificuldades encontradas
o sinais de problemas de aprendizagem eo sintomas de arritmia. Uma
arritmia específica pressupõe uma arritmia geral, grave problema neuro-
lógico, e um diagnóstico apressado e mal feito muita pode prejudicar o
indivíduo. Por isso, recomenda-se:
o considerar ninguém arrítmico antes de um período mais ou
menos longo de contato com as atividades rítmicas;
jamais alijar o indivíduo da atividade, impedindo-o de desenvol-
ver-se nesse campo.
Como se nota, esse tipo de atividade torna-se valioso auxiliar na edu-
cação dos alunos, devendo constar sempre de nossas aulas de Educação-
sica. Quando nos utilizamos da rítmica, pomos em jogo as seguintes fa-
culdades:
ATENÇÃO
INTELIGÊNCIA
SENSIBILIDADE
MOVIMENTO
Atenção, evitando deixar passar qualquer coisa que estejamos es-
cutando.
Inteligência, procurando analisar e compreender o que estivermos
ouvindo.
Sensibilidade, quando sentimos o que estamos ouvindo, deixando-nos
levar pelo ritmo.
Movimento, no momento em que o corpo see em ação, à medida
que o ritmor captado.
Assim, certos movimentos, como, por exemplo, marchar, correr e sal-
utar,o relacionados com determinadas figuras rítmicas.
BRINQUEDOS CANTADOS
Os brinquedos cantados constituem uma das mais elementares formas
de atividades lúdicas.
Essas atividades permitem à criança aprender a usar o seu aparelho
fonador, possibilitando o treinamento da articulação da palavra; permite o
enriquecimento do vocabulário infantil, atende às solicitações da imagina-
ção infantil, enseja novas formas de criatividade, ao mesmo tempo que
contribui para o desenvolvimento anátomo-fisiológico do educando.
Os brinquedos cantados, desenvolvendo-se gradualmente em escala de
complexidade, estimulam, paulatinamente, as coordenações neuromuscula-
res, facilitando a posterior aprendizagem motora da dança. Assim, o brin-
quedo cantado, ao cabo de sua escala crescente, já apresenta muitos movi-
mentos que se identificam com os passos da dança.
Os brinquedos cantados, do mesmo modo que a dança, sofreram, no
Brasil, influências da cultura portuguesa, africana e brasilíndia. Outras in-
fluências também se fizeram sentir, como as da cultura alemã, francesa,
espanhola, inglesa e sueca.
Muitos dêsses brinquedos cantados já se apresentam com característi-
cas nitidamente nacionais, após sofrerem variações e transformações mui-
tas vezes lentas, porém bastante seguras.
Exemplos de Brinquedos Cantados:
"Ciranda, cirandinha..." influência lusa;
"Eu sou pobre, pobre, pobre..." influência francesa;
"A linda rosa juvenil..." influência sueca.
Êste tipo de atividade,o do agrado das crianças por envolver o jogo
e a música, parece estar desaparecendo nas grandes metrópoles modernas,
restringindo-se quase que sómente às escolas, onde, reconhecidos os seus
valores educacionais,o desenvolvidas.
DANÇA
Poderíamos dizer que a dança consiste numa coordenação estética de
movimentos corporais. A coordenação de movimentos, do ponto de vista
utilitário, existe em quase todos os trabalhos do homem, tais como:
no movimento executado pelos remadores, no ritmo dos joeireiros de ce-
reais, no dos malhadores do cânhamo, no dos lenhadores e em muitos outros.
Encontramos,, uma verdadeira perfeição plástica que, entretanto, nada
maiso do que "gestos plásticos elementares".
A dança se vale dêsses gestos e dêsses movimentos mesclando-se de
forma corrente, harmônica e dinâmica.
Esta elaboração plástica feita pelo homem está na dependência direta
de um estado de espírito que se traduz por uma sensação estética ou de
beleza.
Um famoso adágio chinês já dizia:
"Sob o estímulo da alegria, o homem faz palavras. Estas palavraso
bastam: êle as prolonga. As palavras prolongadaso bastam: éle as
modula. As palavras moduladaso bastam e, sem percebê-lo, suas mãos
gesticulam e seuss começam a mover-se. É a dança."
Princípios em que a Dança se Baseia:
O primeiro "estipula a lentidão ou a rapidez do movimento no tempo".
O segundo "determina o modo de atividade muscular com que os gestos se
sucedem uns aos outros, isto é, a sua força".
A dança possui, ainda, um elemento que até mesmo a música desco-
nhece "o ritmo plástico".
Características da Dança
foge à fantasia;
procura a realidade na expressão;
utiliza-se de movimentos e expressões naturais;
geralmente, procura manter o praticante no solo, despreocupado
com os saltos.
Valores da Dança
Valor Físico melhoria do desenvolvimento físico do praticante.
Valor Moral desenvolve o autodomínio, a perseverança, o cava-
lheirismo etc.
Valor Mental exercita e estimula a atenção, a imaginação, a me-
mória e o raciocínio. Excelente agente de caráter recreativo.
Valor Social desenvolve o senso de responsabilidade e o respeito
às normas sociais.
Facilita a benéfica convivência entre meninos e meninas, entre moças
e rapazes (co-educação).
agógico
dinâmico
Moderna ou Livre
Tipos de Danças mais Empregados nas Escolas: Folclórica
A dança livre começa, hoje em dia, a ser introduzida nas nossas escolas,
ainda que nem todos os educadores a aceitem.
Em outras nações, entretanto, como, por exemplo, os Estados Unidos
da América, este tipo de dança é ministrado sob a forma de iniciação, desde
os primeiros graus escolares, através dos denominados "Expressive Mo-
vements" e dos "Movement Patterns".
Em nosso País, alguns docentes desenvolvem a dança livre como
importante agente educacional, podendo-se citar, dentre esses educadores,
a Professora Maria Helena de Sá Earp.
A dança moderna começa hoje a ser introduzida em nossas escolas. Na
foto o grupo da Professora Maria Helena de Sá Earp.
Entretanto, é a dança folclórica que maior desenvolvimento encontra
em nossas escolas.
A dança folclórica é a dança tradicional de um povo, evoluindo à me-
dida que êste também o faz.
As danças brasileiras encontram suas raízes
nas danças:
portuguêsas
brasilíndias
negras
Encontramos, ainda, influências menores das danças alemãs, italianas,
russas e francesas.
Damos, a seguir, um exemplo da dança empregada numa escola
primária.
DANÇA DAS LANTERNAS
Apresentação da "Dança das Lanternas"
(Cada criança deverá segurar uma varinha com uma lanterna na ponta.
As lanternas serão usadas como caracterização para a dança, servindo no
fim para ornamentar o salão.)
Lanterninhas, lanterni-
[nhas,
Penduradas nas vari-
[nhas,
Todos vamos segurar
Para a dança começar.
Entram em duas
colunas paralelas,
o a volta no sa-
o e formam a
roda.
Uma roda colorida
Elas todaso formar;
Ao salão dá tanta vida
Parao João louvar.
Rodam, girando
para um lado e
para o outro.
Verdes, brancas, amare-
[las,
o importa qual ar
Foram feitas todas elas
Com carinho e muito
[amor.
Verdes para fora;
brancas para cima
e amarelas para o
centro.
As mãozinhas trabalha-
ram,
E agorao mostrar
Que o trabalho capri-
[chado
Dá prazer de se olhar.
Dão, novamente,
uma volta no sa-
lão, repetindo a fi-
gura.
De vitral ou pregueadas,
o importa como são,
De tirinhas recortadas
Todaso para S. João.
Lanternas de vi-
tralo um passo
para o centro da
roda. Lanternas
pregueadaso um
passo para fora da
roda, voltam à po-
sição inicial..
6
Lanterninhas, lanterni-
[nhas,
Penduradas nas vari-
[nhas,
Com cuidado segurar,
Sempre alegres a dan-
[çar.
Lanternas de tiri-
nhaso ao cen-
tro. Lanternas re-
cortadaso um
passo para fora da
roda. Voltam aos
lugares.
Passa, passa, lanterni-
[nha,
Dá a volta no salão,
Vai andando, lanterni-
[nha,
Até chegar à minha
[mão.
Os meninoso
um passo ao cen-
tro e recebem a
lanterna dao
de seu par; cami-
nham com ela pelo
centro da roda até
voltar ao lugar, en-
tregando a lanter-
ninha, novamente,
ao seu par.
Uns passinhos bem à
[frente,
lanterninha,
E de braço com seu par.
Gira, gira, gira, gira,
lanterninha,
Volta agora ao teu lu-
[gar.
Gira, gira, gira, gira,
lanterninha,
Gira ainda no lugar.
9
Um passeio prolongado,
lanterninha,
Deo dada com meu
[par
Sob um arco bem for-
[mado,
lanterninha,
Com cuidado irei passar.
Fileiras paralelas
defrontando-se, ca-
minham para o
centro.
Fileiras paralelas,
estendem os bra-
ços com as lanter-
nas para o centro,
formando um arco,
o par da extremi-
dade inicia a pas-
sagem. Caminham
até o fim para for-
mar o arco.
10
Numa linha sinuosa
Só contigo eu vou an-
[dar,
O que eu quero, lanter-
[ninha,
E a todos te mostrar.
Os alunos das ex-
tremidades de cada
fileira caminham
sozinhos, passando
pela frente e por
trás de cada com-
panheiro até che-
gar à outra extre-
midade da fileira
onde ficam para-
dos.
11
Terminando a dancinha
Em louvor a S. João,
Deixo a minha lanter-
[ninha,
Enfeitando o salão.
12
Lanterninhas, lanterni-
[nhas,
Penduradas nas vari-
[nhas
Acabamos de entregar
E a dança terminar.
Dão, novamente, a
volta no salão.
13
Batam palmas, muitas
[palmas
Digam viva ao João
Um adeus às lanterni-
[nhas
Que deixamos no salão.
o deixando as
lanterninhas cami-
nhando como na fi-
g u r a anterior e
saem pelo centro
em colunas.
DESPORTOS
Os desportoso formas de atividades físicas que se caracterizam, pri-
mordialmente, pelas regras, de caráter rígido e aceitas internacionalmente
que disciplinam essas atividades.
Os desportos são, dentre os inúmeros agentes da Educação Física, os
que mais correspondem aos interesses e às necessidades dos adolescentes
e dos adultos.
O desporto atrai, incita à ação, dá noções de divisão do trabalho, des-
perta o espírito de equipe, conduz ao esforço e à superação, desenvolve
a solidariedade e o altruísmo. No desporto, a espontaneidade se afirma e
a improvisação conduz a inteligência à atividade.
Desta forma, as atividades desportivas constituem, nas escolas moder-
nas, destacados agentes educativos.
Essa atividade, entretanto, por si sóo pode substituir todas as outras
usadas pela Educação Física.
Um bom programa para essa "prática educativa" deve conter vários
agentes, bem dosados e equilibrados, de forma que todos os objetivos pos-
sam vir a ser colimados.
Iniciação Desportiva" Basquetebol
Quanto à aplicação dos desportos a crianças, sómente a concebemos
sob a forma de uma "iniciação esportiva".
Esta iniciação deve ser iniciada por volta dos sete anos, quando do
ingresso na escola primária, sob a forma de jogo. Essa iniciação assume
um duplo caráter recreativo e formativo jamais se atendo, somente,
a iniciação na parte prática.
Iniciação esportiva subentende iniciação à vida de grupo; iniciação
ao esforço e iniciação à técnica.
Inúmeras classificações foram propostas para os desportos, cada uma
delas considerando um determinado ponto de vista.
Assim, se o fator considerador o número de praticantes, teremos:
DESPORTOS
COLETIVOS
INDIVIDUAIS
Se, ao contrário, fosse considerado o meio físico em que é praticado
teríamos:
DESPORTOS
AÉREOS,
AQUÁTICOS
TERRESTRES
Da mesma forma, se o elemento considerado fôsse o aspecto social,
encontraríamos:
DESPORTOS
PROFISSIONAL
AMADOR
Os desportos, consideradas as suas indicações ou contra-indicações para
o sexo do praticante, classificam-se em:
DESPORTOS
CARACTER1STICAMENTE FEMININO
CARACTERISTICAMENTE MASCULINO
INDISCRIMINADAMENTE MASCULINO
OU FEMININO
GINÁSTICA
A Educação Física atravessa atualmente um processo de renovação e
aperfeiçoamento. Daí surgirem, então, inúmeras conseqüências, queo
desde a simples enunciação de um novo conceito de Educação Física até
ao reexame dos meios a serem empregados.
Dentre os agentes da Educação Física que mais radicais transforma-
ções sofreram, encontramos a ginástica. Hoje em dia, ela busca uma forma-
ção global eo exclusivamente física, como ocorria anteriormente. Em-
prega formas mais naturais, livres e espontâneas, considerando primordial-
mente as necessidades e os interesses do educando.
O ritmo, o aspecto dinâmico, a criatividade substituem os elementos
estáticos, as formas rígidas e o trabalho analítico,o enfatizados na antiga
ginástica escolar.
O relaxamento muscular voluntário, a liberdade de movimento, a auto-
disciplina e a auto-atividade, a alegria, a iniciativa de pensamento e ação
o algumas das características da ginástica moderna.
Ginástica Para Crianças
A ginástica para crianças realiza-se naturalmente com características
de jogo. Dá-se à criança a oportunidade de trepar, de correr, de saltar,
Um grupo de crianças executando exercícios ginásticos num banco sueco
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de suspender-se, de caminhar usando as mãos, de lançar, de atacar e de-
fender-se, ao mesmo tempo que atua em seu mundo de fantasia, saltando
como um "macaco", andando como um "gato", "escalando montanhas",
chutando uma bola como seus ídolos. Desta forma, aprendem a movimen-
tar-se naturalmente e sem tensão.
Êste tipo de ginástica desperta na criança a autoconfiança, a perseve-
rança, a alegria de trabalhar, a segurança, obtendo um máximo de ren-
dimento de acordo com suas capacidades individuais.
Cabe lembrar que as reformas que se propugnamm que começar
pela base, isto é, pelo Ensino Primário, onde nós, professôres especializa-
dos, devemos começar a concentrar nossa atenção, seja através de nossa
atuação direta, seja através da preparação das professoras e regentes de
classe, segundo a nova concepção de Educação Física.
Ginástica Feminina Moderna
No campo dos exercícios físicos para a mulher, aquela ação reformista
deu origem à Ginástica Feminina Moderna. Estao constitui, como a
muitos pode parecer, um sistema ou método de ginástica, mas é, na ver-
dade, um movimento renovador com um sem-número de linhas de pen-
samento, tais como: a Austríaca, a Francesa, a Americana, a Alemã etc.
Ginástica Feminina Moderna
Grupo Unido de Ginastas", da Prof. Illona Peuker
A divulgação dêste movimento no Brasil está ligado a quatro professo-
ras: Margareth Froelich, mestra austríaca que ministrou aulas no Curso
de Aperfeiçoamento Técnico-pedagógico, em Santos 1953; Érica Sauei
e Maria Jacy da Escola de Educação Física e Desportos da Universidade
Federal do Rio de Janeiro, e Illona Peuker.
Duas componentes do "Grupo Unido de
Ginastas" executam um salto.
A ginástica feminina moderna busca uma forma de exercícios físicos
que possibilitem a participação total. Assim, existiria um movimento cor-
íespondente ao organismo humano, movimento êste que' abrange o corpo
todo e queo se compõe de movimentos isolados- dos diferentes
segmentos.
Assim, há que se considerar em primeiro lugar o ritmo, elemento
existente em tudo que possui vida. O ritmo é uma característica do mo-
vimento global, natural e expressivo, queo pode ser interrompido em
seu desenvolvimento.
ESQUEMA DE UMA AULA DE
G/NÁSTICA FEMIN/NA MODERNA
Objetivos das Diferentes Partes de Uma Aula de Ginástica Feminina
Moderna
1 INTRODUÇÃO OU AQUECIMENTO
Preparação fisiológica do organismo para a atividade física que se
seguirá. Desinibir, socializar e despertar o interesse pela atividade.
II FORMAÇÃO CORPORAL E EDUCAÇÃO DO MOVIMENTO
Fortalecimento do tronco, dos braços e das pernas. Melhoria da fle-
xibilidade e da elasticidade. Atender às necessidades de movimentação
dinâmica das alunas, aprimorando a capacidade de encontrar com rapidez
os pontos de partida para uma coordenação econômica da musculatura
III APLICAÇÃO
Esta é a parte principal e mais importante da aula e busca a aplicação
dos movimentos préviamente "educados".
IV VOLTA À CALMA
Acalmar fisiológica e psicológicamente. Término alegre da aula, de
forma harmoniosa e repousante.
TEMPO
Aprox.
5 min.
Aprox.
20 min.
Aprox.
20 min.
5 min.
Aprox.
DIVISÃO DA AULA
I) INTRODUÇÃO
OU
AQUECIMENTO
II) FORMAÇÃO
CORPORAL
E
EDUCAÇÃO
DO
MOVIMENTO
III) APLICAÇÃO
IV) VOLTA À
CALMA
CONTEÜDOS
Locomoções rápidas andando, cor-
rendo, saltitando nas mais diversas
trajetórias: em linha reta, em linha
curva e em linhas retas e curvas. Jo-
gos alegres e vivificantes.
1. FORMAÇÃO CORPORAL
Movimentos naturais como: abai-
xar, levantar, esticar, torcer, cir-
cundar, puxar, apoiar, empurrar
etc.
Os exercícios de Formação Corpo-
ral podem ser executados:
Individualmente
em pequenos grupos
a mãos livres
com "aparelhos manuais"
2. EDUCAÇÃO DO MOVIMENTO
MOLEJO "Qualidade de anima-
ção e maciez do movimento".
Exercícios de locomoção
batida de palmas
com aparelhos manuais
IMPULSO "ênfase do movi-
mento". Exercícios de saltar,
correr, balanceamento, lan-
çar, rolar, quicar etc.
1. "Associação de dois ou mais mo-
vimentos" por:
Combinação
Mudança
Passagem
2. "Jogos de Movimento" associa-
ção de movimentos de forma-
dica e coletiva.
3. "Composição de Movimentos".
Marchas lentas, exercícios de relaxa-
mento, comentários (informações e
conhecimentos).
Exemplos de elementos a serem empregados nas diferentes partes de
uma aula de Ginástica Feminina Moderna.
INTRODUÇÃO
1. Seguindo uma líder, deslocar-
se, em pequenas colunas, evitando
chocarem-se com as demais.
2. Formando pares, de mãos da-
das, saltitando livremente com mu-
dança de direção.
3. "Formar a Corrente".
As alunas fugindo de duas outras (pegadoras) que estão de mãos
dadas. As que forem pegadas incorporar-se-ão à "corrente". Quando esta
tiver seis alunas, começar a formar outra que passará a auxiliar a primeira.
FORMAÇÃO CORPORAL E EDUCAÇÃO DO MOVIMENTO
a) Formação Corporal
1. Efetuar um pequeno apoio
com as mãos elevando as pernas
alternadamente de modo que am-
bos oss percam o contato com o
solo durante alguns segundos.
3. Ajoelhada, sentar ao lado de
seus pés.
2. Empurrar uma companheira,
fazendo esta o possível parao
ser deslocada.
4. Deitada de costas, levar uma
bola até atrás da cabeça sómente
com auxílio dos pés.
5. Sentada, com as pernas em
afastamento lateral, passar simul-
tâneamente as pernas por cima das
maças.
6. Sentada, com o arco apoiado
no solo, contornar o bordo interno
do arco com as pernas unidas.
b) Educação do Movimento
1. Elevar e abaixar rapidamen-
te os calcanhares de modo que os
mesmoso toquem o solo (man-
ter os joelhos fixos para dar amplo
trabalho às articulações dos torno-
zelos) .
2. Três alunas de mãos dadas
correm quatro passos em frente, e
por um impulso, a aluna do lado
direito passa para o lado esquerdo.
APLICAÇÕES
1. "Salto com Reversão" A
aluna, durante o salto, lança a per-
na à frente e gira o quadril. Assim,
a perna que estava na frente passa
para trás: com um passo de valsa
completa-se o giro de volta inteira.
2. Lançar a bola em arco, com
transferência alta, por cima da ca-
beça, aparando-a com a outrao
efetuando o molejo.
VOLTA À CALMA
Posição aconselhada para ouvir os comentários feitos pela professora
ao término da aula. As alunas devem sentar-se comodamente de pernas
cruzadas, apoiando os braços bem relaxados sôbre as coxas. Nesta posição,
manter o maior relaxamento muscular possível.
UNIDADE VI
MÉTODO E CICLO DOCENTE
PRIMEIRA PARTE
1 MÉTODO
METODOLOGIA
CONCEITO DE MÉTODO
A IMPORTÂNCIA DO MÉTODO NA APRENDIZAGEM
DA EDUCAÇÃO FÍSICA
2 PRINCIPAIS MÉTODOS EMPREGADOS NO BRASIL
MÉTODO NATURAL AUSTRÍACO
EDUCAÇÃO FÍSICA DESPORTIVA GENERALIZADA
SEGUNDA PARTE
CICLO DOCENTE
A) O PLANEJAMENTO DO ENSINO DA EDUCAÇÃO FÍSICA
Planejamento Geral da Área da Educação Física
Plano de Curso
Plano de Unidade Didática
Plano de Aula
B) ORIENTAÇÃO DA APRENDIZAGEM
Motivação e Incentivação da Aprendizagem
Apresentação dos Conteúdos
Modernos Meios de Comunicação Audiovisuais Aplicados
à Educação Física
Atividades Extraclasse
Direção de Atividades Discentes
Integração e Fixação da Aprendizagem
C) CONTROLE DA APRENDIZAGEM
Disciplina em Classe
Manejo de Classe
Diagnose e Retificação da Aprendizagem em Educação Física
Avaliação da Aprendizagem em Educação Física
Divulgação de Resultados e Conclusões de Experiências ou Pesquisas
MÉTODO E CICLO DOCENTE
PRIMEIRA PARTE
1 MÉTODO
METODOLOGIA
Até há bem pouco tempo, discutia-se se os currículos das escolas supe-
riores de Educação Física deveriam conter o estudo da Didática ou da
Metodologia. Hoje, entretanto, todos estão concordes em que a Metodologia
constitui uma importante parte da Didática preocupada com a investigação
da verdade e com o estudo dos métodos. Êste estudo, todavia, revela-se
infecundo quando dissociado dos demais componentes fundamentais da
Didática — o educando, o mestre, os objetivos e os conteúdos.
Do ponto de vista filosófico, a Metodologia é "a parte da lógica apli-
cada que determina as leis particulares ou métodos especiais oferecidos
ao espírito pela natureza dos diferentes objetos a conhecer".
Importância da Metodologia para a Educação Física
O estudo dos métodos contribui de forma primordial para a raciona-
lização das atividades de Educação Física, possibilitando a apreciação dos
respectivos fundamentos científicos e filosóficos, bem como dos recursos
c procedimentos utilizados em busca dos objetivos a serem colimados. Co-
labora, assim, para a melhor racionalização do trabalho do professor de
Educação Física, quando em ação nas escolas.
CONCEITO DE MÉTODO
A palavra método significa, etimològicamente, "caminho para atingir
um fim". Hoje em dia, procura-se conceituar método dando-se-lhe um sen-
tido mais amplo, ainda que bastante ligado àquele significado inicial.
Assim, método seria a "ordenação racional e bem calculada dos recursos
disponíveis e dos procedimentos mais adequados para atingir determinado
objetivo da maneira mais segura, econômica e eficiente possível".
Em qualquer método distinguimos sempre:
os objetivos propostos;
os conteúdos a utilizar;
os meios e os recursos a empregar;
os procedimentos mais adequados;
a ordem ou seqüência mais racional;
o tempo disponível e o ritmo a imprimir ao trabalho.
Sòmente assim teremos uma autêntica racionalização da atividade
em busca dos objetivos propostos, respeitada uma visão realista dos fatos
de tal situação.
Hodiernamente,o mais se propugna pelo "método único", de que
o Método Francês, anteriormente adotado no Brasil, pode servir de exem-
plo: êle partia da falsa premissa de que todos os alunos reagiriam de forma
constante e uniforme aos mesmos procedimentos didáticos, independen-
temente das características pessoais do professor e dos educandos.
A Didática modernao admite, também, métodos "rígidos e estereo-
tipados", que predeterminam todos os "passos", técnicas e procedimentos
a serem seguidos pelo docente, com autonomia dos objetivos, dos conteúdos
a ministrar, da personalidade do professor e dos alunos.
O "verdadeiro método é função de todas essas variáveis da situação
do ensino", impossível de ser reduzido a um protótipo único.
Assim é que quedamo-nos apreensivos quando vemos alguns educa-
dores propugnarem por um "método único" de Educação Física" e o ado-
tarem na sua Unidade Federativa ou até em todo o Brasil. É como se
admitissem uma secreta e mágica eficácia do método adotado que justifi-
casse torná-lo obrigatório a todos os professôres de Educação Física.
O momento pedagógico atual, ao contrário, propugna por maior li-
berdade para o professor, exigindo-se-lhe. em contrapartida, maior res-
ponsabilidade em sua atuação didática.
Assim, para a Didática moderna, o bom professor é aquêle que está
em constante busca de um "método melhor", realista, eficaz, flexível, den-
tro das modernas técnicas de ensino e que se adapte às realidades em
que se situa o seu trabalho. A Didática Geral recomenda até que "cada
professor devidamente habilitado, partindo de diretrizes metodológicas se-
guras e atualizadas, pode e deve organizar seu próprio método, empenhando
nisso seu saber, sua experiência e sua imaginação criadora".
A IMPORTÂNCIA DO MÉTODO NA APRENDIZAGEM DA
EDUCAÇÃO FÍSICA
Os conteúdos do ensino constituem uma força potencial, embora ina-
tiva para fins de aprendizagem. Entretanto, ensinados através de um bom
método, enriquecem-se, contribuindo para o desenvolvimento da perso-
nalidade dos alunos, excitando-lhes a inteligência, incutindo-lhes novos
ideais, atitudes e preferências. O ensino sem método faz, muitas vezes,
com que o aluno se afaste para sempre das atividades físicas.
2 PRINCIPAIS MÉTODOS EMPREGADOS NO BRASIL
Inúmeros métodos de Educação Física foram empregados no Brasil
até que ficasse definida a tendência atual de emprego de métodos que
busquem um desenvolvimento integral eo apenas o físico; que melhor
se apliquem à massa, embora sem abandonar os infradotados ou os super-
dotados; e que se utilizem de formas de trabalho caracteristicamente na-
turais e globais.
Notamos entre o moderno professorado especializado brasileiro uma
opção entre o Método Natural Austríaco e a Educação Física Desportiva
Generalizada. Eis porque, neste trabalho, só nos preocupamos com estes
dois métodos, embora deixemos assinalado, como referências bibliográfi-
cas, o excelente trabalho sôbre Calistenia "Calistenia no Plano Geral
da Educação Física", do professor Cássio Rothier do Amaral, publicado
pela APEFEG 1965 e do livro "Sistemas e Métodos de Educação Física",
do professor Inezil Penna Marinho Gráfica Mercúrio SA. 1958, onde
encontramos informações pormenorizadas sôbre "Método Francês". "Mé-
todo Natural de Hebert", "Sistema de Ginástica Sueca" e "Sistema de
Ginástica Básica Dinamarquesa".
MÉTODO NATURAL AUSTRÍACO
DOUTRINA AUSTRÍACA DE EDUCAÇÃO FÍSICA
Evolução Histórica
Poucaso as fontes de que dispomos no Brasil para uma apreciação
da Doutrina Austríaca de Educação Física, que tanta influência tem exer-
cido ultimamente sôbre nosso professorado especializado. A principal da-
quelas fontes se nos oferece, apenas, num artigo do agregado alemão Jean
Ansler, traduzido e publicado no Boletim de Educação Física n.° 15, de
1957, da Divisão de Educação Física do Ministério da Educação e Cultura.
Podemos dividir o Histórico da Doutrina Austríaca de Educação-
sica, com finalidade exclusivamente didática, em três períodos:
das origens a 1933;
de 1933 a 1945 (Período do Ferro);
de 1945 até nossos dias.
1.° Período Das Origens até 1933
A educação no século XVII apresenta características singulares, uma
vez que patenteia uma transição entre o Humanismo e a Reforma, do
século XVI, e o Despotismo esclarecido do século XVIII. Começa a haver,
?. partir daí, maior intervenção do Estado na educação, principalmente
nos países protestantes, através do aprimoramento da legislação escolar.
Concomitantemente, introduzem-se novas idéias filosóficas e científicas,
nascendo daí uma nova didática no seio da Pedagogia.
O século seguinte XVIII é considerado como o "século pedagó-
gico por excelência", onde a educação se torna a primeira preocupação dos
reis, dos políticos e dos pensadores.
Politicamente, é a época do absolutismo esclarecido que, na Áustria,
atinge seu apogeu durante os reinados de Maria Teresa (1740-80) e de'
José II (1780-90). Nesta época, deu-se uma grande expansão ao ensino
elementar e superior, procurando-se universalizar a educação.
José II, imperador da Áustria, sob cujo rei-
nado deu-se uma grande expansão ao ensino.
Em 1744, em Kremsmuenster, funda-se a primeira academia de equi-
tação e, dois anos mais tarde, surge em Viena o Theresianum, uma espécie
de liceu aristocrático destinado a preparar o nobre cavaleiro austríaco,
capacitando-o a obter sucesso tanto na guerra como nos salões.
A seguir, a Educação Física austríaca sofre a influênciao oficial de
Guts Muths, uma vez que o nacionalismo efervescente na épocao permi-
tia influências alienígenas, que desenvolvia e aplicava ,em colégios filan-
trópicos "um método em que se utilizavam jogos e trabalhos manuais com
intenção de obter o desenvolvimento individual eclético".
Todavia, a introdução da prática das atividades físicas nos currículos
das escolas da época deveu-se à influência do prelado Milde, mais tarde
arcebispo de Viena, junto à côrte dos Habsburgos. Assim, em 1849, ela foi
admitida nos liceus, em caráter facultativo, e, em 1897, a título obrigatório.
Entre o sexo feminino, ela surgiu facultativamente, em 1900, e obrigató-
riamente, em 1913. No ensino elementar, preconizavam-se, em 1869, duas
horas semanais obrigatórias.
Em 1890, e êste é um marco importante, a doutrina austríaca de Edu-
cação Física já se delineava no sentido do Método Natural.
Com a primeira conflagração mundial, 1914-1918, interrompeu-se a re-
flexão teórica, e a preocupação voltou-se, unicamente, para a preparação
para a guerra.
Os Reformadores 1919-1933.
Com o término do conflito, retornam as reflexões interrompidas, e
tomam vulto os trabalhos de dois grandes educadores austríacos: Karl
Gaulhofer e Margarete Streicher.
Gaulhofer, oriundo de uma família tradicional de Styria, realizou seus
estudos secundários em Graz. Interessava-se por música, teatro e esportes,
chegando a participar de competições de ginástica de aparelho, represen-
tando seu clube. Ainda em Graz,z seus estudos superiores, lecionando,
depois, matemática, história natural, física e ginástica. No magistério, passa
por sucessivas etapas da carreira: professor titular, doutorado, estágio
pedagógico, em Graz, e atinge a cátedra.
Durante a guerra, combate na frente russa e nos Alpes, sendo pro-
movido e condecorado.
Em 1919 é convidado pelo ministério a colaborar na reforma do en-
sino. Foi, então, paaá Viena., num centro intelectual de primeira cate-
goria, tem oportunidade de desenvolver inúmeras atividades: conselheiro
técnico, inspetor de Educação Física, diretor do Instituto para formação
de professôres, colaborador em revistas.
É nesta época que sua carreira cruza com a de Margarete Streicher.
Margarete Streicher, nascida em Viena, de uma família de músicos e
fabricantes de pianos, realiza seus estudos até atingir o nível superior,
onde obtém o doutorado em letras e o de professora de Ginástica e His-
tória Natural. Viaja ao exterior, inclusive à Suécia, estagia nas escolas
de Cohland, Dalcroze e Mesendieck e adquire vasta experiência, que vai
da ginástica ortopédica para inválidos de guerra até à natação e aos des-
portos coletivos.
Entre 1919 e 1931 idealiza, junto com Gaulhofer, a reforma da linha
austríaca do pensamento relacionado com a Educação Física. Todos os
programas, técnicos e práticos, de ensino foram feitos em conjunto, mas
é impossível precisar-se qual a parte que coube a cada um destes notáveis
educadores.
Restava, sómente, aos reformadores, a busca de um elemento que fôsse
um iniciador e um experimentador prático das novas idéias. Êste foi en-
contrado em A. Slama, que desde 1909 praticava, empiricamente, um-
todo natural, num ginásio, sôbre aparelhos clássicos.
Os reformadores partiram de duas proposições iniciais: "fundamentar
cientificamente a Educação Física" e "introduzir um Método Natural". A
obra da reformao foi, porém, divulgada, exceto uma síntese provisória
publicada sob a forma de artigo, em 1927.
2.º Período de 1933 até 1945 (Período de Ferro)
Em 1932, o sistema parlamentar alemão entrou em completa decadên-
cia, uma vez que nenhum chanceler podia conservar a maioria no Reichstag.
Em janeiro de 1933, um grupo de industriais, banqueiros e Junkers con-
venceram Von Hindenburg a nomear Adolf Hitler chanceler, acreditando
poderem controlá-lo nos seus excessos.
Uma vez no poder, Hitler persuadiu Von Hindemburg a dissolver o
Reichstag e a convocar novas eleições, o que foi realizado em breve. Ao
reunir-se pela primeira vez, o recém-eleito Reichstag concedeu a Hitler
poderes práticamente ilimitados. Logo depois, arriou-se a bandeira da Re-
pública de Weimar substituindo-a pela suástica do nacional-socialismo. A
nova Alemanha foi proclamada como Terceiro Reich.
Pairou, então, sôbre o mundo a sombra da guerra.
O nazismo aboliu tôda a autonomia austríaca a partir do Anschluss,
em 1938.
No ensino da Educação Física, o nacional-socialismo adotou o sistema
Neuendorf para todo o Terceiro Reich.
Tal sistema tem por base as experiências efetuadas por Jahn em Ha-
senheide e que se acham na origem do Turnen alemão.
Segundo o sistema, os exercícios relacionavam-se com quatro grupos,
de acordo com o fim proposto:
Fim higiênico movimentos formativos;
Fim voluntário acrobacias em aparelhos;
Fim social jogos agonísticos coletivos;
Fim vital diversões e passatempos.
Esse sistema serve quase que exclusivamente à preparação bélica. Es-
portes como o boxe e o futebol jogado "virilmente" eram particularmente
encorajados.
O regulamento alemão de 1937, que regulamentava a prática da Edu-
cação Física nas escolas, dizia, ao referir-se à escola de meninos:
"No Centro de Educação Física está a performance agonística. A Edu-
cação Física deve conduzir o escolar pela maturidade do corpo e da perfor-
mance à maturidade militar."
Diante disso, êste sistema, adotado oficialmente pelo Estado Totali-
tário nazista,z com que a reforma de Gaulhofer fosse esquecida.
3.° Período de 1945 até nossos dias
Após a realização das tarefas mais urgentes do pós-guerra, a Doutrina
Austríaca volta-se ao pensamento de Gaulhofer com tal vigor que, à pri-
meira vista, o torna irreconhecível.
Atualmente, a doutrina teórica da Educação Física Austríaca é repre-
sentada por Burger, diretor da estação de Abergurgl, no Tirol, e por Groll,
atuante na capital.
Segundo as teses de Burger e Groll o "fim da Educação Física escolar
austríaca é o desenvolvimento optimum do homem total, isto é, o desen-
volvimento de sua fôrça,o sómente o desenvolvimento das fôrças cor-
porais, mas, ainda, das fôrças morais e espirituais. Os fins aos quais se
propõe são, então, de ordem formal e pedagógica, independente do tempo.
Em qualquer medida que, no detalhe, os fins materiais desempenham um
papel, a iniciação nas atividades cotidianas e criadoras essenciais à vida e
pela vida permanece em primeiro plano".
A doutrina austríaca baseia-se nos seguintes princípios:
Performance componente esportiva;
Formação Corporal componente gímnica;
Compensação influência sueca;
Estética do Movimento tradições de Turnen e da rítmica.
Burger e Groll estabeleceram entre esses quatro temas uma hierar-
quia. Assim, a Formação Corporal relaciona-se diretamente à Performance
às quais a Estética do movimento e a Compensação se subordinam segundo
o esquema a seguir.
Nota: A espessura das flexas exprimem a intensidade das relações.
Esta disposição é, entretanto, surpreendente, tentando-nos a inscrever
a compensação em um nível biológico subnormal "no grupo de uma ativi-
dade de luxo". Todavia, esta disposição simétrica é válida, uma vez que
corresponde a uma simples operação lógica eo abrange uma classifica-
ção estabelecida entre indivíduos.
O método proposto baseia-se numa Pedagogia ativa e natural, partindo
de premissas simples e objetivas, onde avulta a de uma "conduta de vida
próxima da natureza", em que até o terreno de exercícios é, sempre que
possível, a natureza e seus acessórios. Os exercícioso naturais e utilitá-
rios marchar, correr, saltar, lançar etc.
O procedimento didático fundamental consiste em uma acumulação
de experiências diretas do movimento,o se prescrevendo uma forma
estereotipada na execução, mas sim uma conformidade do gesto com os
dados corporais e com a eficácia prática.
Esta é uma análise bastante sumária da Doutrina Austríaca de Edu-
cação Física, mas que, todavia, nos permite compreender o espírito filo-
sófico e científico do Método Natural Austríaco.
Êste método foi introduzido no Brasil pelo Professor Gerhard Schmidt.
Karl Gaulhoíer
Gerhard Schmidt
ESQUEMA DE UMA AULA DE
EDUCAÇÃO FÍSICA SEGUNDO O
MÉTODO NATURAL AUSTRÍACO
Objetivos das Diferentes Partes de Uma Aula Segundo o Método
Natural Austríaco
I INTRODUÇÃO
Preparação fisiológica, psicológica e social dos alunos;
Criação de uma atmosfera favorável ao trabalho;
Expansão das energias acumuladas.
II FORMAÇÃO CORPORAL E EDUCAÇÃO DO MOVIMENTO OU
ESCOLA DE MOVIMENTOS E POSTURA
Trabalho total do corpo.
Formação e fortalecimento orgânico e muscular;
Prevenção da má atitude aperfeiçoamento dos movimentos;
Colaboração e reconhecimento de responsabilidades.
III PERFORMANCE E HABILIDADE ARTÍSTICA OU HABILIDADE
E APLICAÇÃO DESPORTIVA
Efeitos sôbre o caráter;
Aquisição de habilidades e ideais;
Melhoria da coordenação neuromuscular;
Velocidade e resistência.
IV VOLTA À CALMA
Acalmar fisiològicamente e psicológicamente;
Eliminar a excitação das disputas;
Término alegre da aula;
Informações e Conhecimentos;
Educação dos sentidos.
TEMPO
5 minutos
aprox.
15 a 20
minutos
aprox
20 a 25
minutos
aprox.
5 minutos
aprox.
DIVISÃO DA AULA
I) INTRODUÇÃO
II) ESCOLA DE
MOVIMENTOS
E POSTURA
OU FORMA-
ÇÃO CORPO-
RAL E EDUCA-
ÇÃO DO
MOVIMENTO
III) HABILIDADE
E APLICAÇÃO
DESPORTIVA
OU PERFOR-
MANCE E HA-
BILIDADE
ARTÍSTICA
IV) VOLTA À
CALMA OU
CONCLUSÃO
CONTEÚDOS
Exercícios de aquecimento e vivifi-
cantes
Jogos e Revezamentos com mui-
ta movimentação;
Movimentos rápidos de corrida e
saltos.
Exercícios Naturais
movimentos globais ainda que
trabalhem mais determinados
segmentos;
exercícios de fôrça (empurrar,
puxar etc), agilidade, destreza,
equilíbrio etc.
Exercícios feitos individualmente ou
em pequenos grupos, em forma de
jogo ou não. Com aparelhos, em apa-
relhos ou sem aparelhos. Preocupa-
ção com: o número de repetições, a
graduação em dificuldade e intensi-
dade e o ritmo.
Aplicação dos valores obtidos ou
observados na parte anterior
Ginástica Olímpica (Solo e Apa-
relhos) ;
Jogos e Desportos (Atletismo,
Andebol, Basquetebol, Volibol
etc.);
Danças.
O conteúdo escolhido obedecerá a
um planejamento prévio; assim, um
programa que inclua Andebol e
Atletismo terá essas duas Unida-
des didáticas desenvolvidas nesta
parte da aula, iniciando-se uma-
mente após o término do total de
aulas dedicadas à outra.
Atividades calmantes
Jogos calmantes, alegres, senso-
riais, mímicos etc.
Comentários de ordem técnica,
tática, moral cívica ou educa-
cional.
Exemplos de Exercícios que podem vir a ser empregados nas duas
primeiras partes de uma aula do Método Natural Austríaco.
I INTRODUÇÃO
Correr, pisar no plinto
e saltar
Saltar uma escada
Revezamento
II FORMAÇÃO CORPORAL E EDUCAÇÃO DO MOVIMENTO
Saltitar para a esquer-
da e logo a seguir para
a direita
Caminhar usando os pés Deitado, em decúbito ventral, ele- Com as pernas
e as mãos. Mudança var simultâneamente braços afastadas girar o
de direção e pernas tronco e agarrar o
calcanhar
Ajoelhado, procurar
encostar a cabeça no
solo
Partindo da posição
ajoelhada, elevar os
quadris o mais
alto possível
Partindo da posição
deitada, executar
uma ponte
Executar uma série de sal-
tos sucessivos mantendo as
pernas unidas e flexio-
nadas
Com as mãos no
solo executar um
pequeno apoio
elevando as
pernas
EXERCÍCIOS COM BOLA
Bater a bola empregan-
do uma só mão
Lançar a bola para o
alto com auxílio doss
Mantendo a bola prêsa
nos pés, tocar o solo
atrás da cabeça
Lançar a bola para o
alto e apanhá-la com
uma mão
Saltar num só pé,
em tôrno da bola
Lançar a bola ao solo e
efetuar um giro sôbre
si mesmo
Caminhar ou saltar
mantendo a bola
sôbre a cabeça
Girar correndo em tor-
no da bola, com um
dedo sôbre a mesma
Trazer a bola para si sómente
com auxílio dos pés
EXERCÍCIOS COM ELÁSTICO
Saltitar contornando
o elástico
Passar sob o elástico
Saltar sôbre o elástico
passando de frente
Correr e saltar pro-
curando tocar o
elástico com
a mão
Saltar procurando to-
car o elástico com a
cabeça
Passar para o outro
lado do elástico,
apoiado sómente
pelos braços
Chutar o elástico com o peito do pé
Passar o elástico elevando
a perna e procurando não
tocar no mesmo
Passar sôbre o elástico
"engatinhando"
Saltar sôbre o elástico passando
de lado
EXERCÍCIOS COM BASTÃO
Saltar, com as pernas
flexionadas, mantendo
os braços estendidos à
frente
De pé, equilibrar
bastão na palma
da mão. Andar
para frente
e para trás
Sentar, equilibrando o
bastão na palma
da mão
Segurando o bastão,
passar a perna por
entre os braços
Balançar, puxando o
bastão de encontro
as pernas
Saltar sôbre o bastão com
as pernas esticadas
Ajoelhado, tronco e braços na
vertical, fazer a plexão
do tronco
Soltar o bastão, girar rápida
o corpo e pegar aquêle antes
que caia no solo
Segurar o bastão com uma
mão, passar sob o braço sem
soltar aquêle
Saltar girando no ar.
Procurar efetuar
uma volta
completa
EDUCAÇÃO FÍSICA DESPORTIVA GENERALIZADA
Os princípios da Educação Física Desportiva Generalizada foram es-
tabelecidos por técnicos do "Instituí National des Sports" e apre-
sentados em dezembro de 1945, sob a forma de um "Projeto de Dou-
trina de Educação Esportiva". Êste projeto, que teve como relator o Di-
retor Técnico do "Instituí National des Sports", Maurice Baquet, cons-
tava de um opúsculo de vinte e quatro páginas, apresentando os seguin-
tes temas: "Generalidades", "Diretrizes Técnicas e Pedagógicas", "Apren-
dizagem do Desporto para Crianças e Adolescentes", "A Competição", "For-
mas de Competição", "Justificação da Especialização", "Perigos da Espe-
cialização", "O Treinamento Desportivo", "Considerações Gerais".
A elaboração dessa doutrina partiu de prévios contatos com os Mem-
bros da Comissão de Elaboração da Doutrina de Educação Desportiva,
designados pela Direction des Sports, e com os técnicos e representantes
de cada Federação.
Hoje em dia, o Instituí National des Sports, lançandoo dos mais
variados meios de comunicação, procura divulgar os "Princípios da Edu-
cação Física Desportiva Generalizada", contando, para isso, com excelente
equipe de professôres e técnicos onde pontificam as figuras de Maurice
Baquet, Auguste Listello, Pierre Clerc e Roger Crenn.
Auguste Listello
A Educação Física Desportiva Generalizada foi introduzida no Brasil
pelo Professor Auguste Listello, durante os Cursos de Aperfeiçoamento
Técnico-pedagógicos realizados anualmente em Santos.
Princípios da Educação Física Desportiva Generalizada
Ao elaborarem os princípios que norteariam a Doutrina de Educação
Física Desportiva Generalizada, partiram os franceses do princípio da
educação integral. Assim, a Educação Física deixa de preocupar-se unica-
mente com os aspectos físicos do desenvolvimento do educando, para atuar
simultâneamente sôbre o corpo, o espírito, o caráter e até mesmo sôbre
o senso social.
A elaboração dessa doutrina considerou uma série de aspectos em que
se distingue a preocupação de colocar o fator psicológico como elemento
preponderante. Assim, os exercícios até então executados por obrigação
passariam a ser efetuados por prazer ou, ainda, por uma imperiosa ne-
cessidade. Desta forma, oferecer-se-iam atividades físicas indistintamente
a jovens e adultos.
Os desportos, as atividades lúdicas, a vida ao ar livreo tônicas en-
contradas na juventude em qualquer parte do mundo civilizado. A Edu-
cação Física Desportiva, considerando estas manifestações de vida, orga-
nizou seu método tomando como base os jogos, partindo de uma emulação
sadia e da competição elementar.
Esta premissa atinge, ainda, uma característica dos tempos atuais, em
que buscamos atingir uma despreparada massa sem abandonarmos uma
elite.
As atividades desportivas proporcionaram ao educando oportunidade
de adquirirem hábitos higiênicos, sentido de equipe, noções de divisão do
trabalho, de desenvolvimento da resistência, do altruísmo, da solidarie-
dade, ao mesmo tempo em que êle obtém maior individualização.
O desporto aparece, desta maneira, como um meio de formação e pre-
paração do indivíduo para a vida.
Etapas da Educação Física Desportiva
ESPECIALIZADA
INICIAÇÃO DESPORTIVA
GENERALIZADA
ESPECIALIZADO
TREINAMENTO DESPORTIVO
GENERALIZADO
ETAPAS
DA
EDUCAÇÃO
FÍSICA
DESPORTIVA
Neste trabalho, considerando seus objetivos fundamentais, trataremos
tão-sómente da Iniciação Desportiva Generalizada, embora mencionemos
uma bibliografia recomendada para aquêles que desejarem informações
sôbre as demais etapas da Doutrina em questão.
Iniciação Desportiva Generalizada
Finalidades
A "Iniciação Desportiva", forma, aliás, mais simples de educação des-
portiva, deve objetivar à realização concomitante ou sucessiva, através do
movimento corporal, das seguintes ações:
"INICIAÇÃO A VIDA SOCIAL E COLETIVA", através do jogo e
da competição desportiva elementar entre grupos;
"INICIAÇÃO AO ESFORÇO", progressivo e dosado em relação à
faixa etária e à capacidade fisiológica dos educandos;
"INICIAÇÃO TÉCNICA", através da aprendizagem dos gestos des-
portivos.
Começo da Iniciação Desportiva
A iniciação desportiva deve começar por volta dos 6 ou 7 anos de
idade do educando, sob a forma de jogo. A carência de atividade apresenta-
-se no indivíduo sob a forma de jogo, quando criança, e sob a forma de
desporto, quando adolescente ou já adulto.
A iniciação desportivao procura atender a determinado grupo de
indivíduos, aos bem dotados fisicamente, por exemplo, mas sim a todos
indiscriminadamente.
Por volta dos 6 ou 7 anos deve
começar a iniciação desportiva
Classificação das Atividades Físicas Desportivas
As atividades na Educação Física Desportiva foram grupadas da se-
guinte forma:
Denominação dos grupos de
atividades
Jogos recreativos
Corridas e saltos
Lançamentos
Agilidade
Aparelhos
Jogos de equipe, com bola
Luta e fôrça
Folclore
Natação
Grandes atividades ao ar livre
Observações
Jogos calmantes e alegres
Diversos jogos
Diferentes tipos (o salto é con-
siderado como prolongamento
da corrida)
Diferentes tipos
Agilidade no solo e exercícios
de arrôjo
Exercícios em aparelhos - Trepar
Desportos Coletivos
Desportos de fôrça Haltero-
filismo
Folclore
Natação, saltos ornamentais,
mergulhos e salvamento
Diferentes tipos
ESQUEMA DE UMA AULA DE
EDUCAÇÃO FÍSICA
DESPORTÍVA GENERALIZADA
Objetivos das Diferentes Partes de Uma Aula de Educação Física
Desportiva Generalizada
I AQUECIMENTO
Preparação psicofisiológica. Solicitação prudente das articulações dos
músculos e das grandes funções. Criação de uma atmosfera favorável ao
trabalho. Expansão das energias acumuladas, observando-se o fator ordem.
II FLEXIBILIDADE E DESENVOLVIMENTO MUSCULAR
Fortalecimento orgânico e muscular. Prevenção da má atitude cor-
poral. Melhoria da coordenação neuromuscular. Flexibilidade das articula-
ções Equilíbrio.
III EXERCÍCIOS DE AGILIDADE E ENERGIA ("CRAN")
Efeitos sôbre o caráter. Adquirir o domínio do corpo, a autoconfiança
e o contrôle nervoso. Desenvolvimento do senso de responsabilidade.
IV APLICAÇÕES DESPORTIVAS
Aspectos psíquicos, sociais e morais da formação do educando. Auto-
-expressão e contrôle emocional. Criação de hábitos. Desenvolvimento de
habilidades. Adaptações do organismo às variações do esfôrço. Capacidade
de iniciativa e raciocínio rápido.
TEMPO
Aproxima-
damente
5 minutos
Aproxima-
damente
10 minutos
Aproxima-
damente
10 minutos
Aproxima-
damente
20 minutos
DIVISÃO DA AULA
I) AQUECIMEN-
TO
(Introdução)
II) EXERCÍCIOS
DE FLEXIBI-
LIDADE E DE-
SENVOLVI-
MENTO
MUSCULAR.
III) EXERCÍCIOS
DE AGILIDA-
DE E DE
ENERGIA
("CRAN")
IV) APLICAÇÕES
DESPORTI-
VAS
CONTEÚDOS
CORRIDAS E MARCHAS EM
DIFERENTES ANDAMENTOS
FLEXIBILIDADE DOS BRAÇOS
EXERCÍCIOS PARA DESEN-
VOLVIMENTO MUSCULAR
DOS BRAÇOS
FLEXIBILIDADE DAS
PERNAS
EXERCÍCIOS PARA DESEN-
VOLVIMENTO MUSCULAR
DAS PERNAS
FLEXIBILIDADE DO TRONCO
EXERCÍCIOS PARA DESEN-
VOLVIMENTO MUSCULAR DO
TRONCO (região dorsal, dorso-
lombar e abdominal)
EXERCÍCIOS DE EFEITOS GE-
NERALIZADOS
EXERCÍCIOS DE
RELAXAMENTO
ACROBACIAS ELEMENTARES
DE SOLO
EXERCÍCIOS ACROBÁTICOS
COM AUXÍLIO E COM
COMPANHEIROS
SALTOS ACROBÁTICOS
SALTOS EM APARELHOS
SALTOS SÔBRE OBSTÁCULOS
EXERCÍCIOS COM USO DE
APARELHOS
EXERCÍCIOS UTILITÁRIOS
NATAÇÃO (mergulho e
salvamento)
DESPORTOS COLETIVOS
- DESPORTOS INDIVIDUAIS
DESPORTOS DE ATAQUE E
DEFESA (combate)
- DANÇA
VOLTA À CALMA
Considerando-se o ritmo da aula, a distância do local da aula para o
vestiário, as atividades escolares subseqüentes, a volta à calma se
justifica ou não.o há regra geral estabelecida.
Forma de Jogo
Quando uma atividade física é regida por uma ou várias regras, fixadas
por um conceito individual ou de organização coletiva, e onde o aluno a
pratica com plena liberdade de ação, dizemos que há uma "forma de jogo"
Quando os idealizadores do método dizem jogo ou forma de jogo querem
dizer competição luta contra a distância, o tempo ou o adversário. O
próprio têrmo "forma" imprime uma diretriz precisa à atividade, enquan-
to que a palavra jogo pode significar simplesmente recreação.
Exemplos:
1. Um grupo de alunos organiza um jogo de futebol de salão na
quadra da escola e convida um colega para arbitrar a partida. Jogam livre-
mente, de acordo com suas capacidades físicas e seus conhecimentos técni-
cos, embora obedecendo às decisões do árbitro.
Assim temos uma forma de jogo de futebol de salão. Os alunos jogam
a sua maneira, livres, com a partida desenrolando-se sem interrupções,
para corrigendas ou observações.
2. Bola ao Fundo
Uma vez delimitada a área do jogo, marcam-se linhas paralelas às li-
nhas de fundo, destas distante l,50m. Teremos, assim, duas áreas no fundo
da quadra (observar a figura). Dividem-se os alunos em dois grupos. Cada
grupo destaca um aluno para ficar na área contrária ao seu grupo, área
essa onde os demais alunoso podem entrar.
Procurar fazer chegar a bola, por meio de passes (toleram-se dois ou
três passos com a bola) ao companheiro que está na área adversária. Cada
vez que uma equipe conseguir fazê-lo atribui-se-lhe um ponto.
Forma Coletiva de Trabalho
Sempre que o trabalho é apresentado com uma organização coletiva
com intenção de iniciação ou aperfeiçoamento, individual ou coletivo,
diz-se que há uma "forma coletiva de trabalho".
Exemplos:
1. Tomemos o primeiro exemplo anterior em que tínhamos a forma
de jogo de futebol de salão, em que a atividade desenrolava-se livremente.
A partir do momento em que o professor de Educação Física solicita aos
alunos que ajustem os seus desempenhos a determinados princípios técnicos
ou táticos, teremos uma "forma coletiva de trabalho".
135
2. Outro exemplo que podemos deixar aqui consignado é o de cons-
tituição de "pirâmides". Abaixo vemos algumas pirâmides elementares,
compostas de poucos alunos, de forma a facilitar a rapidez e a ordem que
devem caracterizar essa execução.
3. Outro exemplo Passar o medicinebol por cima da cabeça estando
os alunos de, dispostos em coluna, com um pequeno espaço entre cada
um. O primeiro passa para o segundo, êste para o terceiro e assim sucessi-
vamente. Quando chegar ao último, o medicinebol deve retornaro mais
por cima da cabeça, mas sim pelo lado. Os alunos devem, então, fazer uma
rotação do tronco.
Esta forma de trabalho pode transformar-se em forma de jogo com me-
dicinebol se colocarmos duas ou mais colunas competindo entre elas.
VOLTA
Forma de Trabalho em Pequenos Grupos
Quando a execução de um exercício, de uma fase de um jogo ou de
uma evolução, envolve dois ou três alunos, ou quando muito quatro, de-
nomina-se "forma de trabalho em pequenos grupos". Esta forma de traba-
lho pressupõe assistência, ajuda, participação e cooperação entre os com-
panheiros que constituem o grupo.
Exemplos:
1. Dois a dois, saltar e girar no ar com auxílio do companheiro.
138
2. Em pares, de mãos dadas, saltitar usando a ponta doss para
executar o movimento.
3. Executar a "parada de mão" com auxílio de um companheiro.
139
Forma Individual de Trabalho
É a forma em que o aluno realiza a atividade sem ajuda, dentro do
seu próprio ritmo ou dentro de um ritmo sugerido pelo professor.
Exemplos:
Parada de antebraços
Ajoelhado, mantendo um pé mais avançado do que outro, ante-
braços no colchão tendo as palmas das mãos para baixo. Cotovelos
afastados na largura dos ombros.
O aluno joga a perna de trás para cima, seguindo-se a outra até
que ambas estejam na vertical.
2. Rodar o arco e passar correndo através do mesmo. Repetir várias
vezes.
3. Acertar, com a bola de andebol, a faixa existente numa parede.
SEGUNDA PARTE
CICLO DOCENTE
"Ciclo Docente" é a denominação dada pelo Professor Luiz Alves de
Mattos ao "conjunto de atividades exercidas, em sucessão ou ciclicamente,
pelo professor para dirigir e orientar o processo da aprendizagem dos seus
alunos, levando-o a bom termo". É, nada mais, nada menos, que o método
em ação.
As atividades típicas de um bom professor de Educação Física distri-
buem-se por três grandes fases:
PLANEJAMENTO ORIENTAÇÃO CONTROLE
Assim, o docente, no desempenho de suas funções, estará sempre: ora
planejando, ora orientando, ou controlando a aprendizagem de seus alunos,
para colimar os resultados finais desejados.
Essas três fases se intercalam e entrosam num processo dinâmico e
contínuo de férteis interações e vivências educativas entre professor e
alunos.
Ensinar, segundo a Moderna Didática, é dirigir e orientar o processo
da aprendizagem dos alunos, atividade complexa que se desdobra nas fases
fundamentais apontadas.
Ministrar um curso, de acordo com a moderna concepção, é dar exe-
cução efetiva a todas as fases do "ciclo docente", visando a assegurar aos
alunos uma aprendizagem autêntica e eficaz.
O "ciclo docente" repete-se em escala mais abreviada, porémo me-
nos eficiente, no âmbito mais restrito de uma unidade didática e até mesmo
ao de uma aula.
Ensinaro é apenas demonstrar exercícios, explicar regras e táticas,
fazer executar e jogar. É garantir a real assimilação dos conteúdos pelos
alunos mediante atividades bem planejadas, orientadas e controladas.
A Didática Tradicional dava mais ênfase ao uso dos métodos, à apre-
sentação dos conteúdos, à demonstração do exercício ou do gesto pelo pro-
fessor, ao resultado das "provas práticas". A Didática Moderna preocupa-se
mais com a motivação, a direção de atividades e a diagnose e retificação da
aprendizagem.
A Educação Física passou a preocupar-se com os demais aspectos do
desenvolvimento do educando, queo apenas o físico.
Procuraremos, a seguir, analisar sucintamente, cada uma das fases do
"ciclo docente" e seus problemas peculiares, sugerindo procedimemos espe-
cíficos para cada uma delas.
A) O PLANEJAMENTO DO ENSINO DA EDUCAÇÃO FÍSICA
O ensino, seja de uma disciplina, seja de uma "prática educativa", para
se tornar uma atividade direcional realmente eficiente tem necessidade
de combater dois grandes males que o desvitalizam e lhe reduzem o ren-
dimento:
a rotina e
a improvisação.
FATÔRES QUE
ROTINA DESVITALIZAM IMPROVISAÇÃO
O ENSINO
A Didática moderna recomenda, no caso, como único e eficaz remédio,
o Planejamento. Êste é hodiernamente considerado como:
a etapa inicial de todo o trabalho docente;
uma exigência imperiosa da ética profissional;
um recurso de bom contrôle administrativo.
143
Conceito
"Planejamento é a previsão de todas as etapas do trabalho escolar e a
programação de todas as atividades, de forma que o ensino se torne eficaz,
seguro e econômico."
144
Características de um Bom Planejamento
a) Unidade nenhum planejamento pode tornar-se realmente eficaz
se tiver uma multidão de idéias antagônicas contra as quais lutar. A uni-
dade tem por fim fazer convergir todas as atividades para a conquista dos
objetivos propostos.
b) Continuidade o planejamento deve prever as diferentes etapas
do trabalho a que nos propomos realizar.
c) Flexibilidade deve êle revestir-se de flexibilidade, facilitando
possíveis reajustamentos, sem quebra de sua unidade e continuidade.
d) Objetividade e Exeqüibilidade devemo-nos basear nas condições
reais e imediatas do local, tempo, recursos, interesses e necessidades dos
alunos etc.
e) Clareza e Precisão o enunciado do Planejamento deve ser feito
em estilo sóbrio e claro, objetivo e concreto.
Técnica do Planejamento
Sondagem e Prognose
Até o sancionamento da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacio-
nal, vigorava a prática obrigatória de obedecer aos "programas oficiais" que
já estariam perfeitamente dosados e calibrados de acordo com o nível de
escolaridade dos alunos. Essa premissa, todoss sabemos,o correspon-
dia à realidade como provavam os fatos diáriamente. Com a promulgação
da Lei 4.024, aquela práticao irracional e contraproducente perdeu sua
razão de ser.
Desta forma, cada professor tem a possibilidade de organizar seu pró-
prio programa atendendo às capacidades, aos interesses e às necessidades
dos alunos.
Entretanto, para elaborar qualquer tipo de planejamento precisa o
professor de dispor de um bom número de dados e informações sôbre os
alunos que orientará. Para isso, deve êle efetivar uma sondagem inicial de
modo a conhecer a personalidade dos alunos, suas capacidades, suas limi-
tações, suas experiências anteriores, seus interesses e aspirações, de forma
a poder estabelecer com relativa segurança os objetivos a serem visados,
elaborar um programa com os conteúdos a desenvolver, escolher o método
mais conveniente a adotar.
De posse dêsses dados, pode o professor fazer uma prognose do que
se poderá esperar, em têrmos de aprendizagem, da turma que lhe foi
confiada.
Desta forma, a prognose da aprendizagem em Educação Física consiste
na previsão dos resultados que podem ser esperados das turmas e dos alu-
nos sob nossa responsabilidade.
Essa fase de sondagem e prognose da aprendizagem vem sendo apon-
tada pelos didatas modernos como uma das mais importantes para a ela-
boração de um planejamento.
Em Educação Física, podemos distinguir dois grandes tipos de Pla-
nejamento:
Planejamento em Âmbito de um Sistema Escolar;
Planejamento em Âmbito de uma Unidade Escolar.
O Planejamento em Âmbito de um Sistema Escolar é aquêle elaborado
de forma a abranger quaisquer atividades de Educação Física dentro de
um Sistema Escolar, seja nacional, seja estadual.
O Planejamento em Âmbito de uma Unidade Escolar é o elaborado
para as atividades da Educação Física numa Faculdade, Escola, Colégio,
Ginásio, Instituto etc. Distinguimos quatro tipos de planos neste âmbito:
Planejamento Geral da Área da Educação Física;
Plano de Curso;
Plano de Unidade;
Plano de Aula.
PLANEJAMENTO GERAL DA ÁREA DA EDUCAÇÃO FÍSICA
Êste planejamento também denominado "Planejamento Global" ou
"Planejamento de Conjunto" é elaborado de forma a regular todas as ati-
vidades ligadas à Educação Física dentro de uma unidade escolar,
No preparo do mesmo devem participar: um membro da Direção do
educandário, o Orientador Pedagógico da escola, o Coordenador de Educa-
ção Física e todos os professôres dessa "prática educativa" em exercício no
estabelecimento de ensino.
O Planejamento Geral deve abranger os seguintes itens, que podem vir
a ser acrescidos de outros.
Cabeçalho e Apresentação neste item, consignaremos o nome da
"prática educativa" Educação Física, o nome do educandário, o ano
letivo e o tipo de plano "Planejamento Global"; a seguir, é aconselhável
fazer uma apresentação do plano de maneira simples e objetiva.
Delimitação de Área Curricular neste item procuraremos delimitar
a área curricular sob a responsabilidade dos professôres de Educação-
sica da escola.
Objetivos Comuns e Avaliação da Aprendizagem consignar os obje-
tivos comuns da área curricular.
Atividades Extraclasse assinalar as atividades discentes relacionadas
com a vida social, esportiva e recreativa do estabelecimento de ensino que
ficarão afetas à supervisão e orientação dos professôres de Educação Física.
A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional faculta aos estabele-
cimentos de ensino a organização de seus próprios critérios de verificação
e avaliação do rendimento escolar.
Assim sendo, é necessário que esse critério seja uniformizado dentro
do educandário, devendo, por isso, constar do Planejamento Geral da Área.
Local para a prática e instalações sob êste título incluiremos as ins-
talações e os locais que os professôres poderão dispor para ministrar suas
aulas.
Ainda aqui podemos apresentar o inventário do material esportivo que
o estabelecimento possui no momento.
Planos de Curso dos Professôres deverão, também, constar aqui os
Planos de Curso de todos os professôres de Educação Física em exercício
no estabelecimento.
Aperfeiçoamento didático-pedagógico do pessoal docente a moderna
Didática reconhece como fundamental o aperfeiçoamento do pessoal do-
cente. Assim, a coordenação de Educação Física e o Serviço de Orientação
Pedagógica da escola devem promover um trabalho sistemático naquela
sentido.
No Plano Geral deverá constar como esse trabalho será desenvolvido.
Cronograma o cronograma assinala os períodos do ano letivo em que
se desenvolverão as diferentes etapas do planejamento em questão. Uma
maneira simples de organizar um cronograma é fazê-lo sob a forma que
denominamos de "Tipo Horóscopo". Para isso, traçamos três círculos com
mesmo centro e raios diferentes. Isto feito, dividimos os dois círculos mais
externos em tantas partes quantos forem os períodos marcantas do ano
letivo. A seguir, fazemos a correspondência dos períodos com as fases do
planejamento global.
Uma vista no desenho eliminará qualquer dúvida que porventura ainda
exista.
EXEMPLO DO CRONOGRAMA
Bibliografia deixaremos consignado no plano a bibliografia usada
na elaboração do mesmo, obedecendo às normas internacionais adotadas
para referências bibliográficas, que são:
1 organizar as referências segundo ordem alfabética de nomes dos
autores;
2 referências de revistas:
a) sobrenome completo do autor (ou autores) e iniciais dos pri-
meiros nomes;
b) ano da publicação, entre parêntesis;
c) título do artigo;
d) título da revista;
e) número do volume es da publicação;
f) primeira e última páginas.
Exemplo:
SANTOS, L. (1964): "O Halterofilismo" Arquivos da Escola Na-
cional de Educação Física e Desportos n.° 19
junho págs. 135-142.
3 referências de livros:
a) sobrenome completo do autor (ou autores) e iniciais dos pri-
meiros nomes;
b) ano da publicação, entre parêntesis;
c) título do livro;
d) nome da firma editôra e cidade sede;
e) número da página de onde foi retirada a referência.
Exemplo:
PEREIRA DA COSTA, L. (1967): "A Atividade Desportiva nos Cli-
mas Tropicais e uma Solução Ex-
perimental: o Altitude Training".
Imprensa do Exército, Rio de Ja-
neiro, pág. 54.
Estas normas devem ser adotadas sempre que houver necessidade de
fazer referências bibliográficas em planejamento, artigos e trabalhos a pu-
blicar etc.
PLANO DE CURSO
O Plano de Curso nada mais é do que uma previsão global de todos os
trabalhos do professor e dos alunos durante todo o tempo que durar o curso.
Consiste quase que tão-sòmente na distribuição e balizamento crono-
métrico do trabalho, sem grandes preocupações pelas minúcias dos con-
teúdos e pormenores do método.
Em Educação Física costumava-se chamar o Plano de Curso de "Plano
Anual de Trabalho", denominação esta incorreta, se considerarmos que
um curso pode ter a duração de um ano, de um semestre, de um trimestre
ou até menos.
PLANO DE UNIDADE DIDÁTICA
Êste tipo de plano restringe-se a cada uma das unidades didáticas, já
contendo mais pormenores sôbre o conteúdo e as atividades a desenvolver.
Nota-se, atualmente, como uma das tendências da Didática moderna,
um maior desenvolvimento dêste tipo de planejamento em detrimento do
terceiro tipo o Plano de Aula.
PLANO DE AULA
O Plano de Aula prevê o desenvolvimento do conteúdo e as formas de
trabalho dentro do âmbito particularizado de cada aula, na seqüência pro-
posta de cada unidade.
Um plano de unidade didática bem pormenorizado reduz muito a ne-
cessidade da elaboração de planos para cada aula de uma mesma unidade.
Os três tipos de planos acima descritos, nada maiso do que três fases
de um planejamento, buscando uma progressiva particularização à medida
que se aproxima o momento de sua execução em aula.
Muitos professôres, alguns até de alto gabarito,o inimigos ferrenhos
da Didática. Um dos principais argumentos por eles usados é que o plane-
jamento os coloca como numa "camisa de força", retirando do ato de en-
sinar todo o poder criador do mestre.
Realmente algumas "didáticas", que somente procuram determinar
Tantos minutos para a motivação, tantos para a formação corporal, outros
tantos para a volta à calma, caem no total ridículo.
A imposição dos mesmos objetivos para todos os jovens estudantes, o
chamado "programa único", e a utilização de um só método só podem ser
aceitas por um professor de Educação Física extremamente medíocre.
A sensibilidade em determinar os objetivos e o método a adotar, as
contribuições puramente pessoais, semelhantes àquelas momentâneas ins-
pirações dos artistas e vimos que educar também é uma arte, os mo-
mentos de elevação e comunhão espiritualo predicados que só os possuem
os verdadeiros mestres.
A Didática é uma disciplina que dia a dia evolui, visto que se baseia
numa das Ciências mais modernas a Psicologia. O que se pede aos edu-
cadores, nos dias que correm,o é a aceitação de um formulário adrede
preparado, mas sim uma atitude experimental.
Entretanto, recusar a Didática, que a esta altura já se tornou uma con-
quista da humanidade no terreno educacional, é puro preconceito, caturrice
ou inércia intelectual.
Lembremo-nos do que diz P. Lebret: "Há uma técnica.o aprendê-la
e utilizá-la é tentar Deus."
Assim, procuraremos, agora, analisar sucintamente cada um cios três
tipos de Plano mencionados, consignando alguns exemplos como meras hi-
póteses de trabalho eo como fórmulas prontas que viriam ar em
dúvida a criatividade de cada mestre.
PLANO DE CURSO
Como vimos, êste tipo de Plano é uma antevisão do conjunto de todo
o trabalho docente e discente enquanto durar o curso.
Com o Plano de Curso, objetiva-se assegurar que o total-hora reservado
ao currículo seja aproveitado da melhor forma possível, garantindo uma
aprendizagem real por parte dos educandos.
Uma vez feita a sondagem inicial sôbre o tipo de alunos que estarão
sob sua orientação, estabelecidos os objetivos específicos que propõem que
seus alunos atinjam, sempre considerando os interesses e as necessidades
do educando e a experiência educacional que os envolvem, organizará o
professor seu Plano de Curso.
Tomando por base o programa elaborado pelos professôres do seu esta-
belecimento, para um determinado ano escolar, e o calendário escolar do
ano em curso, o docente procurará deixar consignada a marcha dos traba-
lhos escolares, balizando-os cronomètricamente de modo a assegurar-lhes
integral execução.
O Plano de Curso contém, comumente, as seguintes partes:
Cabeçalho - registro do nome da "prática educativa" Educação Físi-
ca, nome do estabelecimento de ensino, nível e ano de escolaridade da
turma, designação da turma, ano letivo e nome do professor.
Objetivos Específicos relação dos objetivos específicos, propostos pelo
professor, alcançados pelos alunos até o término do curso. Estes objetivos,
como vimos anteriormente, devem ser concebidos em têrmos de transfor-
mações a serem operadas no comportamento do educando.
Os objetivos devem ser em pequeno número e enunciados de forma
clara e precisa, podendo, ainda, vir a ser discriminados por categoria (habi-
lidades conhecimentos ideais).
Escalão Cronológico das Aulas aqui ficarão consignados os dias em que
a turma terá aula com o professor.
Para organizar êste escalão, consulta-se o calendário escolar, verifi-
cando-se quantos dias de aula nos estão realmente reservados, depcontan-
do-se os feriados, dias santificados, aniversário do estabelecimento de en-
sino etc. Do total bruto encontrado deduzem-se 20% como margem de
segurança para os imprevistos eventuais, faltas, doenças, interrupção das
aulas. Em colégios queo dispõem de local coberto para a prática da
Educação Física, recomenda-se deduzirem-se 25% do total bruto.
Tomando-se por base o total líquido encontrado, distribuem-se as uni-
dades didáticas que se deseja desenvolver.
Divisão do Conteúdo em Unidade baseando-se no programa elaborado
pelos professôres da unidade escolar, segundo as franquias concedidas pela
Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, distribuímos os conteúdos
por unidades didáticas.
O número de unidadeso é de grande importância, embora costume-
mos desenvolver três ou quatro delas no máximo. O importante é a sua
dosagem, em intensidade e técnica, ao nível de capacidade real do edu-
cando, de forma a produzir os resultados finais desejados.
A distribuição das unidades será feita levando-se em consideração a
sua importância; o grau de dificuldade, a extensão dos conteúdos a serem
ministrados.
Desta forma, estará o professor apto a prever com relativa certeza a
data do início e do término de cada unidade escolhida.
Nesta parte do Plano de Curso, devemos fazer a previsão, também, do
tempo a ser despendido com os exames biométricos. Evita-se, assim, minis-
trarmos hoje uma aula sôbre voleibol, amanhã outra de basquete, depois
uma de futebol, ou têrmos de nos utilizar do "programa por temporada",
que nada mais é do que o planejamento do ensino em unidades como
recomenda a Didática.
Material e Meios Auxiliares nesta parte do plano, devemos deixar consig-
nado o material que pretendemos usar, de preferência relacionando-o com
a unidade didática a que servirá.
Os meios auxiliares projeções luminosas, quadros murais, álbum se-
riado etc. também devem,, aparecer discriminados.
Método ou Formas de Trabalho a seguir, o professor deve fazer referên-
cia ao método ou às formas de trabalho que irá utilizar.
Relação das Atividades Discentes aqui relacionaremos as atividades ex-
traclasse que pretendemos realizar com os alunos da turma competições,
visitas, excursões, clube da turma etc.
Bibliografia considera-se interessante mencionar no Plano de Curso a
bibliografia que utilizamos para a sua elaboração, de acordo com as normas
nacionais adotadas para bibliografias.
Observações só estará completo o Plano do Curso com um espaço vazio
destinado às observações que faremos durante o desenvolvimento prático
do mesmo. Estas observações assumem grande importância se considerar-
mos a necessidade de elaborarmos futuros planejamentos.
Vejamos, agora, alguns exemplos concretos de Plano de Curso.
PLANO DE CURSO EDUCAÇÃO FÍSICA 4° ANO PRIMÁRIO
NÍVEL 5 ESCOLA GUATEMALA "CLUBE DE DANÇA" 1967
Prof. M. M. G. TURMAS 15 e 16 DANÇAS FOLCLÓRICAS NACIONAIS
E ESTRANGEIRAS
I Objetivos Específicos
1. Aquisição de coordenação motora plasticidade equilíbrio.
2. Conhecimentos sôbre os trajes típicos, costumes, clima e topogra-
fia (Geografia) Origens das danças (História).
3. Ideais de saúde e normalidade física, respeito aos direitos e deveres
para com os demais membros do grupo, tolerância e colaboração.
Atitudes positivas e civismo.
Co-educação.
II Escalão das aulas
1. Aulas todas as terças-feiras e quartas-feiras, no período de 13,30
às 16,30 horas.
1.° semestre: 26 aulas 20% = 21
2.° semestre: 34 aulas 20% = 28
Total bruto: 60 aulas/Total líquido = 49
Distribuição do Tempo
1.° semestre: Introdução 1 aula
Unidade I Exercícios Rítmicos .... 3 aulas
Unidade II Principais formações .... 1 aula
Unidade III Passos fundamentais ... 4 aulas
Unidade IV Origens das danças brasi-
leiras 1 aulas
Unidade V Danças brasileiras com
miscigenação indígena ... 4 aulas
Nota: O resto das aulas será reservado para ensaios da
Festa Junina, prevista no planejamento escolar
como festa obrigatória 4 aulas
TO TAL 21 aulas
2.° semestre: Unidade VI Danças brasileiras com
miscigenação européia . . o aulas
Unidade VII Danças brasileiras com
miscigenação negra 8 aulas
Unidade VIII Danças estrangeiras 8 aulas
Nota: As 4 aulas restanteso dadas como margem para
qualquer eventualidade.
Além das unidades acima, a Dança Social também
fará parte do Planejamento. Elas serão dadas nos
finais das aulas 4 aulas
TOTAL 28 aulas
III Divisão da Matéria por Unidades
1.° Semestre
Calendário
3.
a
e 4.
a
Abril
4 5
11
12
18
19
25
26
Maio
2
3
9
10
16
17
23
24
30
31
Junho
5
6
12
13
19
20
26
27
Unidade
Introdução
Unidade I
Exercícios
Rítmicos
Unidade II
Principais
Formações
Unidade III
Passos
Fundamentais
Unidade IV
Origens
das
danças
brasileiras
Divisão da
Matéria
Finalidades
Objetivos
Imitativos
Expressivos
Criativos
Círculo
Coluna
Alas
Deslize
Saltito
Sapateio
Corrido
Batida de Pé
Balanceio
Sarandeio
Passo Unido
Passo de Batuque
Giro
Passo Cruzado e
outros
Povos que
influenciaram
Trajes
Climas
Costumes
História
Meios
auxiliares
Quadros sinóticos
Gráficos
Piano
Discos
Gráficos rítmicos
Gráficos
Gravuras
Piano e disco
Gravuras
Diapositivos
Gráficos
Piano
Discos
Mapas
Gráficos
Gravuras
Discos
Piano
Julho
3
4
10
11
Unidade V
Danças brasileiras
com miscigenação
indígena
Nozaniná
Çairê
Baião e outras
Mapas
Gravuras
Trajes
Discos
Diapositivos
Piano
2.° Semestre
Agosto
1
2
8
9
16
22
23
29
30
Setembro
4
5
11
12
18
19
25
26
Outubro
3
4
10
11
17
18
24
25
31
Unidade VI
Danças brasileiras
com miscigenação
européia
Unidade VII
Danças brasileiras
com miscigenação
negra
Origens
Porquê
Trajes
História
Danças que vivifi-
caram no Rio de
Janeiro
Danças do Sul e
outras
REVISÃO
Origens
Trajes
Estados a que
pertencem
Instrumental de
Origem
As Danças mais
características
Mapas
Trajes
Gráficos
Discos
Diapositivos
Piano
Gravuras
Instrumentos
Piano
Discos
Mapas
Gravuras
Diapositivos
Novembro
6
7
13
14
21
22
28
29
Dezembro
5
6
12
Unidade VIII
Danças
estrangeiras
Origens
Trajes
Instrumental
Danças típicas
PREPARAÇÃO
PARA
0
NATAL
Piano
Discos
Mapas
Diapositivos
Gravuras
BIBLIOGRAFIA: Correia Gifoni, M. A. (s/d)
Danças Folclóricas Brasileiras
OBSERVAÇÕES:
PLANO DE CURSO
GINÁSIO ESTADUAL NUN'ÁLVARES PEREIRA
CURSO GINASIAL SÉRIE 2.
a
EDUCAÇÃO FÍSICA
SEXO: MASCULINO TURMA 31 ANO: 1968
Prof. J. R.
I. OBJETIVOS ESPECÍFICOS
Os objetivos visados pelo presente Planoo os referidos no Plane-
jamento Geral para a Área de Educação Física do Ginásio Estadual
Nun'Álvares Pereira, a saber:
1. desenvolvimento da força e da resistência geral;
relaxamento muscular voluntário;
coordenação de movimentos (automatismos);
hábitos de:
saúde física e mental;
(nos trabalhos discentes) pontualidade, disciplina, segurança,
seriedade etc;
(sociais) sociabilidade, cortesia, cavalheirismo, compreensão,
tolerância etc;
(morais) honestidade, lealdade, sinceridade, prudência etc.
habilidades específicas:
acrobacias simples, iniciação num esporte coletivo e iniciação num
esporte individual;
2. informações e conhecimentos;
3. ideais, atitudes e preferências, e outras.
Obs.: Quanto aos dois últimos itens, serão eles abordados e de-
senvolvidos nos dias de chuva, ou noutros em queo seja
possível a realização de atividades práticas.
II. ESCALÃO DAS AULAS
As aulas serão às segundas e quartas-feiras, no período de 12:00 às
12:50 horas.
A turma receberá:
1.° semestre: 31 aulas 20% 25
2.° semestre: 30 aulas 20% 24
TOTAL: 61 aulas desconto de 20%: 49 aulas
1.° SEMESTRE
Calendário
2.
a
s e 4.
a
s
Março
11
13
18
20
25
27
Abril
2
3
8
10
15
17
22
24
29
Maio
6
8
13
15
20
22
27
29
Junho
3
5
10
12
17
19
24
26
Didática
Unidade
Divisão da Matéria
Auxiliares
Material e Meios
EXAMES BIOMÉTRICOS
UNIDADE I
-INICIAÇÃO
AO
ATLETISMO
I) Corrida de velocidade
Partida
Chegada
Aferição da passada
Verificação dos
resultados
II) Saltos
Salto em altura
Estilo peito
Salto grupado
Estilo tesoura
Verificação dos
resultados
Salto em distância
Salto estilo rã
Verificação dos
resultados
Bloco de Saída
Fotos
Gráficos
Cronômetros
Fotos
Gráficos
Fotos
Gráficos
Fotos
Gráficos
Trena
Fotos
Gráficos
2.° SEMESTRE
Calendário
Agosto
5
7
12
14
19
21
26
28
Setembro
2
4
11
16
18
23
25
30
Outubro
2
7
9
14
16
21
23
28
30
Novembro
4
6
11
13
Unidade
Didática
UNIDADE II
-INICIAÇÃO
AO
FUTEBOL
DE
SALÃO
Divisão da Matéria
I) O passe
II) O chute
III) Condução de bola
IV) Regra
V) Tiro livre
VI) Reinicio de jogo
VII) O "penalty"
VIII) A prática
IX) O jogo
X) O sistema
XI) As táticas
Material e Meios
Auxiliares
Bolas
18 em
diante
Exames Biométricos
ATIVIDADES LIVRES
De acôrdo com o "Planejamento Geral para a Área de Educação Físi-
ca", as instalações e materiais de Educação Física estarão à disposição dos
alunos dos turnos matutino e vespertino, todas as terças-feiras, que poderão
realizar atividades físicas de sua livre escolha, bastando, tão-sòmente, a
prévia indicação da hora, local e atividade desejada, ressalvando-se, na-
turalmente, as atividades extraclasse já programadas para o dia a fim de
evitar coincidência de hora e local.
BIBLIOGRAFIA:
SANTOS, E. (s/d); Apostilas de Futebol, ENEFD.
GONÇALVES, O. (s/d). Notas de Aula Atletismo,
ENEFD.
OBSERVAÇÕES:
PLANO DE UNIDADE DIDÁTICA
O Plano de Unidade Didática difere fundamentalmente do Plano de
Curso por apresentar maiores especificações sôbre os conteúdos e por-
menorizar as atividades e as formas de trabalho a desenvolver.
Cada unidade didática pode ser considerada como um verdadeiro curso
em miniatura, condensado ou abreviado sôbre determinado conteúdo.
Prefere-se a denominação "Plano de Unidade Didática", ao invés de
"unidade de conteúdo", porque uma unidade envolve um ciclo docente
completo.
É de bom alvitre que só se organize o planejamento de cada unidade
após o início das aulas do ano letivo, óbviamente excetuando a primeira
unidade, que terá de ser organizada antes. O planejamento feito com muita
antecedência foge geralmente à realidade, visto que ainda desconhecemos
o nível de desenvolvimento dos alunos nas atividades de Educação Física.
Recomenda a Didática Geral que se planeje a unidade seguinte quando
estivermos executando a segunda metade da anterior.
Êste plano fracionado é que possibilitará atingirmos uma das mais im-
portantes características de um planejamento, a flexibilidade.
Um plano de unidade consta geralmente de:
Cabeçalho contendo o nome da "prática educativa" Educação Físi-
ca, o nome do educandário, o nível e o ano de escolaridade, a designação
da turma, o ano letivo em curso, o nome do professor, o número e o título
da unidade e o âmbito cronológico da mesma.
Objetivos Particulares onde estarão consignados os objetivos a serem
atingidos nessa unidade e que decorrem dos objetivos específicos estabele-
cidos no plano de curso. Mais uma vez repetimos, sem receio de nos tor-
narmos prolixos, que estes objetivos devem ser os mais práticos e concre-
tos possíveis, verdadeiras parcelas dos objetivos específicos do curso, po-
dendo ser atingidos a curto prazo.
Consignação Esquemática dos Conteúdos mencionando os conteúdos e os
temas abrangidos pela unidade. Quando a unidade didática é extensa su-
gere-se dividi-la em subunidades, objetivando atingir maior eficiência di-
dática.
Assim, por exemplo, numa unidade como Atletismo, poderíamos esco-
lher três subunidades corrida de velocidade, salto em distância e salto
em altura.
Os conteúdos a desenvolver seriam então consignados esquemàtica-
mente corrida de velocidade: partida do bloco, a passada, a chegada
salto em distância salto grupado, salto em estilo tesoura, a elaboração de
marcas salto em altura determinação da perna de impulsão o estilo
, a elaboração de marcas.
Meios a Empregar relação dos meios que o professor pretende empregar,
material necessário, meio de comunicação a ser utilizado e outras especi-
ficações.
Atividades docentes e atividades discentes neste tipo de plano já come-
çamos a consignar as atividades do professor e dos alunos, ainda que sem
as minúcias do plano de aula.
Bibliografia a bibliografia empregada na elaboração do plano deve ser
também mencionada.
Observações ao término do plano de unidade, julgamos de grande valia
reservar um local para nossas observações durante o desenrolar do Curso,
e que servirão de subsídios para futuros planejamentos.
A seguir, a título unicamente de exemplo, damos alguns planos de
unidade de diferentes atividades físicas, usando a técnica que acabamos
de descrever.
PLANO DE UNIDADE DIDÁTICA
Atividade: Dança 3.° ano Nível 4 Unidade III: Danças do Sul
Escola Guatemala Turma 11 Aulas 3.
a
s-feiras Prof. M. M. G.
Ámbito: 5 a 19 de agosto de 1969
Objetivos da Unidade: conseguir que os alunos, mediante sua aprendiza-
gem:
a) adquiram conhecimentos sôbre a região sul;
b) compreendam a formação do povo na região;
c) aprendam os passos que caracterizam as danças,
principalmente no Rio Grande do Sul.
l.
a
aula (5 de agosto)
1 Motivação Inicial:
diapositivos sôbre
o Rio G. do Sul -
(10 min.)
2 Comentários sôbre
os diapositivos
(5 min.)
3 Apresentação da
Unidade:
I) Explicação do ves
tuário;
II) Vocabulário da Re-
gião existente na
letra da canção:
Balaio;
III) Apresentação da
música com grava-
ção original;
IV) Divisão da turma
em grupos;
V) Aprendizado da
melodia e da letra;
VI) Verificação.
2.
a
aula (12 de agosto)
1 Motivação: gravu-
ras com as princi-
pais danças do Rio
G. do Sul (10
min.)
2 Continuação da
unidade:
I) Aprendizagem
através de conta-
gem dos passos ca-
racterísticos:
a) Passo de desli-
ze;
b) Sapateado.
II) Explicação e exe-
cução da coreogra-
fia com contagem
rítmica.
III) Verificação atra-
s de perguntas.
3.
a
aula (19 de agosto)
1 Motivação: can-
ções do Rio G.
do Sul
2 Comentários sôbre
as canções.
3 Continuação da
Unidade:
I) Recordação da par
te prática já ensi-
nada.
II) Colocação da me
lodia na coreogra
fia.
III) Final de aula com
um grupo formado
pelos que melhor
se adaptaram ao
estilo da dança.
IV) Comentários da
unidade.
BIBLIOGRAFIA:
ALVES DE MATTOS, L. (1960) Sumário de Didática Geral (Editora
Aurora 3.
a
Edição).
CÔRTES, P. e LESSA, B. (1961) Manual de Danças Gaúchas (Editora
Irmãos Vitale 2.
a
Edição).
OBSERVAÇÕES:
PLANO DE UNIDADE
EDUCAÇÃO FÍSICA 1.° ANO GINASIAL PROF. N. Z. B.
UNIDADE III GINÁSTICA FEMININA
C. E. PROF. LOURENÇO FILHO
ÂMBITO: 13 de março a 29 de maio
OBJETIVOS PARTICULARES
SOCIALIZAÇÃO
PARTICIPAÇÃO ESPONTÂNEA
MOBILIDADE ARTICULAR
ELASTICIDADE
FORÇA
EQUILÍBRIO
COORDENAÇÃO
DESEMBARAÇO
HABILIDADE
ESPÍRITO DE COOPERAÇÃO
1.ª Aula 13/3
PARTE INICIAL
Chamada
Jogo vivificante
PARTE PRINCIPAL
I) Formação corporal
Exercícios sem
material visan-
do ao fortaleci-
mento dos bra
ços, das pernas
e do tronco.
II) Educação do movi-
mento
Material em
uma das mãos
(maça)
Balanceamentos
simples, visan-
do ao plano sa-
gital.
PARTE FINAL
Jogo calmante.
2.
a
Aula 20/3
PARTE INICIAL
Chamada
Deslocamentos
PARTE PRINCIPAL
I) Formação corporal
Exercício à
o livre, visan-
do ao fortaleci-
mento das pernas
e braços.
II) Educação do movi-
mento
Material em
uma das mãos
(maça)
Balanceamentos
simples, visando
ao plano fron-
tal.
PARTE FINAL
Jogo calmante.
3.
a
Aula 27/3
PARTE INICIAL
Chamada
Corrida
PARTE PRINCIPAL
I) Formação corporal
Exercícios com
material (ma-
ça) visando à
flexibilidade e
à mobilidade
a r t i c u1 ar do
corpo.
II) Educação do movi-
mento
Material em
uma das mãos
(maça)
Balanceamentos
simples, combi-
nando plano sa-
gital com plano
frontal.
PARTE FINAL
Música acompa-
nhada ao ritmo
de palmas.
4.
a
Aula 3/4
PARTE INICIAL
Chamada
Deslocamentos
Corridas
PARTE PRINCIPAL
I) Formação corpo-
ral
Exercícios com
material (ma-
ça) visando à
força muscular
II) Educação do mo-
vimento
Material nas 2
mãos (2 maças)
Balanceamento
visando ao pla-
no sagital
Acompanhados
por música
PARTE FINAL
Jogo calmante
visando ao ritmo.
5.
a
Aula 10/4
PARTE INICIAL
Chamada
Jogo vivificante
PARTE PRINCIPAL
I) Formação corporal
Exercícios
acompanhados
por música a
fim de dar co-
ordenação e
equilíbrio ao
corpo
II) Educação do movi-
mento
Material nas 2
mãos (2 maças)
Balanceamento
visando ao pla-
no frontal
Acompanhados
por música.
PARTE FINAL
Jogo calmante
aproveitando o
material.
6.
a
Aula 17/4
PARTE INICIAL
Chamada
Evoluções
PARTE PRINCIPAL
I) Formação corporal
Exercícios vi-
sando às ativi-
dades naturais
do corpo com
suas finalidades
II) Educação do movi
mento
Material nas 2
mãos (2 maças)
Balanceamentos
combinados no
plano sagital e
frontal
Acompanhado
por música.
PARTE FINAL
Comentários sô
bre o balancea-
mento e a
transferência.
7.
a
Aula 24/4
PARTE INICIAL
Chamada
Evoluções e suas
trajetórias em li-
nha reta.
PARTE PRINCIPAL
I) Formação corporal
Exercícios com
companheira
sem material.
8.
a
Aula 8/5
PARTE INICIAL
Chamada
Evoluções e suas
trajetórias em linha
curva.
PARTE PRINCIPAL
I) Formação corporal
Exercícios com
companheira
com material
9.
a
Aula 15/5
PARTE INICIAL
Chamada
Evoluções e suas
trajetórias (associa-
ções de linhas retas
e curvas). /
PARTE PRINCIPAL
I) Formação corporal
Exercícios com
material acom-
panhados por
música adequa-
da (maça)
II) Educação do movi-
mento
Exercícios com
material
(maça)
Balanceamentos
seguidos de des-
locamentos,
giros etc.
Acompanhados
por música.
PARTE FINAL
Exercícios respira-
tórios com música.
II) Educação do movi-
mento
Exercícios com
material
(maça)
Aos pares, ba-
lanceamentos
em função da
companheira,
com mudanças
de lugares, de
mãos dadas etc.
Acompanhados
por música.
PARTE FINAL
Palestra sôbre asso-
ciações de movi-
mentos.
II) Educação do movi-
mento
Exercícios com
material
(maça)
Em círculo
Variações dos
deslocamentos
e balanceamen-
tos.
PARTE FINAL
Jogo rítmico
calmante.
10.
a
Aula 22/5
PARTE INICIAL
Chamada
Evoluções acompanhadas por
música
PARTE PRINCIPAL
I) Formação corporal
Exercícios com material
(maça)
Exercícios de flexibilidade,
força etc.
ll.
a
Aula 29/5
PARTE INICIAL
Chamada
Jogo vivificante (aplicando evo-
luções)
OBS.: As evoluções podem ser
variadas de acordo com o plano
a seguir. Assim como: corren-
do, saltitando, saltando, andan-
do etc.
PARTE PRINCIPAL
I) Formação corporal
Exercícios com material
(maça)
Exercícios de força, equilí-
brio, agilidade etc.
II) Educação do movimento
Livres associações de movi-
mentos, dando início a uma
pequena série.
PARTE FINAL
Exercícios respiratórios
II) Educação do movimento
Livres associações de movi-
mentos, continuação da aula
anterior.
PARTE FINAL
Exercícios respiratórios
BIBLIOGRAFIA
"GINÁSTICA FEMININA" (1965) EsEFE
PLANO DE UNIDADE DIDÁTICA
OBSERVAÇÕES:
EDUCAÇÃO FÍSICA 3.° ANO GINASIAL -- TURMA 305
GINÁSIO ESTADUAL NUN'ÁLVARES PEREIRA Prof. J. R.
UNIDADE II "INICIAÇÃO AO FUTEBOL DE SALÃO"
ÂMBITO 5 de agosto a 13 de novembro de 1968
AULAS às 2.
a
s e 4.
a
s-feiras
OBJETIVOS PARTICULARES
Permitir a aquisição de:
habilidades nos elementos fundamentais do jogo — o chute, a condução
de bola e o passe; aperfeiçoamento da coordenação motora e desenvolvi-
mento da resistência geral;
informações e conhecimentos sôbre as regras do jogo, os sistemas e as
táticas mais empregadas; noções de segurança e primeiros socorros;
atitudes de sociabilidade, lealdade, disciplina e sinceridade.
AULAS
Agosto
5
7
12
14
19
21
26
28
UNIDADE
DIDÁTICA
(F. SALÃO)
SUBUNIDADES
I) 0 Passe
II) O Chute
III) Condução de
bola
IV) A regra
DIVISÃO DOS
CONTEÚDOS
Passe c/ lado int. do
pé
Passe c/ lado ext. do
pé
Passe de bico
Passe de cabeça
Chute de peito de pé
Chute de "bico"
Chute a gol
Condução c/ o lado
int. do pé
Condução c/ o lado
ext. do pé
Condução c/ ambos
oss
Regras fundamentais
(orientação)
Início das práticas
coletivas
MATE-
RIAL E
MEIOS
AUXI-
LIARES
BOLAS
Setembro
2
4
9
11
16
18
23
25
30
Outubro
2
7
9
14
16
21
23
28
30
Novembro
em
diante
V) Tiro livre
VI) Reinicio de
jogo
VII) 0 "penalty"
'
VIII) 0 jogo
IX) Os sistemas
X) As táticas
Exames Biométricos
Tiro livre direto
Tiro livre indireto
Colocação da
"barreira"
Tiro de gol
Arremesso lateral
Arremesso de canto
Técnica da cobran-
ça do "penalty"
Orientação sôbre o
modo de jogar nas
diversas posições
O goleiro
Execução dos fun-
damentos de jogo
já apresentados
Aplicação de siste-
mas de jogo simples
O "2-2"
0 "1-2-1"
O "3-1"
Orientação sôbre a
utilização de táticas
simples
Deslocamentos e
penetrações
Dá-e-segue
(tabelinha)
Execução de exercí-
cios referentes às
atividades ministra-
das
OBSERVAÇÕES:
1 SANTOS, E. (1966) APOSTILA SÔBRE FUTEBOL DE SALÃO
ENEFD.
2 REGRAS DE FUTEBOL DE SALÃO FCFS.
OBSERVAÇÕES:
PLANO DE AULA
O Plano de Aula procura fazer uma previsão do desenvolvimento a
dar aos conteúdos e às atividades discentes e docentes no âmbito de cada
aula.
Como vimos anteriormente, o desenvolvimento que os planos de uni-
dadem tendo ultimamente quase que dispensa os planos de aula, res-
quícios da teoria herbartiana de ensino, que, por analogia com outras dis-
ciplinas, foram incorporados à Educação Física.
A particularização minuciosa dos planos da unidade jáo prática-
mente suficientes para uma boa ação docente.
Entretanto, como constituem parte das exigências que se fazem aos
candidatos a ingresso no magistério público e como podem vir- a ser de
grande auxílio para os docentes recém-egressos de nossas escolas superiores
de Educação Física, procuraremos desenvolver êste tipo de planejamento
de forma bastante particularizada e enfática.
Os Planos de Aula obedecem às diretrizes universais recomendadas
pela Didática Geral e constam de:
Cabeçalho contendo a expressão Educação Física, o nome do estabeleci-
mento de ensino, o nível, o ciclo e o ano de escolaridade, a designação
da turma, o ano letivo, o nome do docente, o tema e a indicação da unidade
didática da qual faz parte, a data, a duração, o horário da aula e o número
de alunos da turma.
Objetivos Imediatos os objetivos propostos devem ser de alcance ime-
diato, portanto passíveis de ser colimados dentro do tempo de aula, ex-
pressos em têrmos de aquisições por parte dos alunos, concretos e clara-
mente definidos.
A determinação precisa destes objetivos possibilitará a seleção e a
dosagem dos conteúdos, a escolha dos procedimentos didáticos, dos meios
a empregar, do material e da área a ser utilizada.
Escala Cronométrica do Desenrolar da Aula o balizamento cronométrico
da aula serve apenas como uma orientação para o professor, dando uma
indicação aproximada do tempo que disporá para desenvolver os conteúdos
propostos.
Nenhum professor pode nem deve tentar seguir rigidamente essa escala
cronométrica, sob pena de ver perder um sem-número de momentos de
inspiração criadora e de comunhão espiritual que surgem durante a aula.
A rigidez cronométrica só poderia ser admitida por "receituários didá-
ticos de pedagogos de fancaria", segundo a expressão de Lauro de Oliveira
Lima, ou por docentes de Educação Física extremamente medíocres.
Recomenda-se, atualmente, dividir a aula de Educação Física em três
partes: uma parte inicial, uma parte principal e uma parte final. Tal pro-
posição partiu da observação e da análise de que todos os métodos de Edu-
cação Física apresentam uma estrutura padrão contendo essas partes.
Desta forma, qualquer que seja o método ou a atividade empregados,
podemos consignar em nosso plano estas três partes, embora respeitando
a nomenclatura e as divisões dos métodos.
Nos exemplos que encontramos mais adiante, isto ficará, do ponto de
vista prático, mais esclarecido.
Os Conteúdos aqui serão enunciados os conteúdos propostos, isto é, os
"reativos específicos" que o professor e os alunos desenvolverão buscando
alcançar os objetivos propostos.
Os conteúdos selecionados deverão ser expressos no Plano de Aula, em
estilo simples e objetivo, de modo a facilitar a ação docente, servindo como
roteiro, e desprovidos de quaisquer pretensões literárias. Pode-se, ainda,
ilustrar o plano com desenhos, ou gráficos.
Atividades Docentes — o relacionamento das atividades que o professor
desenvolverá na aula permitirá uma ação mais metódica e eficaz em vista
dos objetivos colimados.
Atividades Discentes aqui mencionaremos as formas de trabalho que o
professor proporá a nossos alunos, as formações e os deslocamentos que
terão de efetuar, enfim todas as atividades dos alunos durante a aula.
Meios e Materiais Auxiliares nesta parte deixaremos assinalados os
meios que vamos empregar, bem como o material necessário ao bom desen-
volvimento da aula.
Bibliografia recomenda-se colocar, ainda, no Plano de Aula, a bibliogra-
fia que utilizarmos ao elaborá-lo.,
Observações Finalmente, deixamos um espaço reservado para nossas
observações, que nos poderão ser de grande valia futuramente.
Mencionamos, a seguir, alguns exemplos de Planos de Aula. onde ob-
servamos uma orientação comum, embora divirjam entre si em estilo, estru-
turação e disposição, visto que um plano de aula é essencialmente par-
ticular.
PLANO DE AULA EDUCAÇÃO FÍSICA
Escola Guatemala Turma 7 Nível 3 — 2.° ano Primário 1967
Dia 6 de agosto Duração da Aula: 30 min. Prof. AGFJ
Exercícios naturais com bastão
OBJETIVOS IMEDIATOS:
Parte Inicial: aquecimento muscular, preparação psicológica e fi-
siológica para o trabalho que virá a ser realizado,
adaptação ao material que será usado.
Parte Principal: trabalho total do corpo, fortalecimento muscular e or-
gânico. Prevenção da má atitude corporal. Colabora-
ção e reconhecimento de responsabilidades, conserva-
ção do material a ser empregado, segurança no em-
prego do mesmo.
Parte Final: acalmar fisiològicamente e psiquicamente Elimina-
ção da excitação. Término alegre da aula.
Tempo
5
min.
aprox.
Conteúdo
Parte Inicial
Introdução
"Corrida com
mudança de
direção"
Atividades
Docentes
Grupar os
alunos em três
colunas.
Colocar os
bastões no solo
com intervalos
regulares.
E xplicação
do exercício.
Controle da
atividade.
Indicar o se-
gundo grupo.
Indicar o
terceiro grupo.
Atividades
Discentes
Sentados, em
coluna por três de
acordo com o esta-
belecido pelo pro-
fessor.
Atenção às
explicações e à de-
monstração.
Os alunos da
coluna indicada
passarão correndo
entre os bastões
sem ultrapassar os
companheiros e
mantendo distân-
cia entre os mes-
mos.
Os demais
sentados.
Material
bastões
20
minu-
tos
apro-
xima-
da-
mente
Parte Principal
Formação corpo-
ral e educação
do movimento
I) Saltar giran
do no ar. Procurar
efetuar uma volta
completa.
II) Colocar as
mãos no solo e sal
tar para o outro
lado do bastão. Re-
petir para o lado
contrário.
Explicação dos
exercícios
Cada aluno com
o seu bastão.
Atenção às ex
p
1
i c a ç ões e de-
monstração.
Saltar conforme
foi proposto.
III) Sentado
manter o corpo em
"esquadro" com o
bastão sob as per-
nas.
Demonstração
dos exercícios.
Soltar o bastão |
colocando as mãos
do outro lado do
mesmo.
Manter as per
nas esticadas com
o bastão sob as
mesmas.
5
min.
aprox
IV) Equilibrar
o bastão nas costas
da mão. Parado e
andando.
V) Sentado, de
pernas cruzadas,
braços estendidos
á vertical, fazer a
rotação do tronco.
Parte Final
Volta à Calma
Jogo:
"VENENO"
Controle da
atividade.
Explicação do
jogo.
Dispor os alu-
nos na formação
que melhor con-
vier.
Controle das
atividades.
Equilibrar o
bastão.
Efetuar.
Passar o bastão
para os compa-
nheiros. Um aluno
isolado dirá em
voz alta: Veneno!
A criança que
estiver com o bas-
o será eliminada
do jogo. Os alunos
podem estar dis-
postos em círculo
ou em colunas,
sentados ou de.
BIBLIOGRAFIA:
Prochownik, H. (s/d) Apostilas sobre Método Natural Austríaco
IV Estágio Internacional de Educação Física.
OBSERVAÇÕES:
PLANO DE AULA DE GINÁSTICA FEMININA NA ESCOLA PRIMÁRIA
CURSO: "Educação Física na Escola Primária".
PROFESSORA: NZB
LOCAL: Colégio Estadual Professor Lourenço Filho.
DATA: 4-9-1968.
HORÁRIO: 20 horas.
DURAÇÃO DA AULA: 50 minutos.
NÚMERO DE ALUNAS: 30.
IDADE: 8 a 10 anos.
MATERIAL DISPONÍVEL: maças.
OBJETIVOS IMEDIATOS: mobilidade articular, elasticidade, socializa-
ção, memorização, atenção, ritmo.
DESENVOLVIMENTO DO PLANO DE AULA
TEMPO
3
a
5
min.
aprox.
CONTEÚDO
I PARTE:
AQUECIMENTO
corrida livre; bati-
da de palmas durante a
corrida; intercalando
com a corrida, palmas e
saltos no lugar.
II PARTE: EDUCA-
ÇÃO DA ATITUDE
1 (Posição Inicial)
(P.I.):s unidos, Maça
(M) nao direita, ro-
dar a M; para um lado
e para outro.
ATIVIDA-
DES
DOCENTES
explica-
ções;
demons-
tração;
correções;
explicação;
posição I;
demons-
tração;
correção;
ATIVIDA-
DES DIS-
CENTES
apanhar o
material e
colocá-lo
no solo;
atenção;
execução;
1 alunas
na P. L;
atenção;
M. à fren-
te;
execução;
MATE-
RIAL
maças
dispersas
no solo
cada
aluna
com
sua M.
2 P.I.:s unidos,
M. nao direita, lan-
çar a M. para cima e
apanhá-la com essa mão.
idem, com a outra
mão.
idem, alternando
as mãos.
3 P.I.: sentada, per-
nas estendidas à frente,
M. nao direita para
diagonal, atrás; trocar
a M. de mão, com fle-
o de tronco à frente
sem desencostar a M. do
solo.
4 Idem, P.I. do ex.3
trocar a maça de
o à frente do corpo
(flexão de tronco à fren-
te) e acima da cabeça
(posição deitada); a M.
faz um círculo sem de-
sencostar do solo.
5 P.I.: em, atrás
da M. círculo de direita
(inicia-se com a perna
esquerda para o lado di-
reito) círculo de es-
querda (vice-versa).
6 P.I.: em, atrás
da M.; saltar para um
lado e para o outro e em
seguida para frente e
para cima da maça.
explicação;
posição I;
demons-
tração;
correção;
explicação;
posição I;
demons-
tração;
correção;
explicação;
posição I;
demons-
tração;
correção;
explicação;
posição I;
demons-
tração;
correção;
explicação;
posição I;
demons-
tração;
correção;
alunas na
P. I.;
atenção;
execução;
lança-
mento da
maça;
alunas na
P. L;
atenção;
execução;
flexão de
tronco à
frente;
alunas na
P. I.
atenção
execução
flexão e
extensão
do tronco
alunas na
P. I.
atenção
execução
passos mo-
lejados
alunas na
P. I.
atenção
execução
saltos para
lateral e
para
frente
cada
aluna
com
sua
maça
cada
aluna
com
sua
maça
cada
aluna
com
sua
maça
maça
no solo à
frente do
corpo
maça
no solo à
frente do
corpo
III PARTE: EDUCA-
ÇÃO DO MOVIMENTO
1 P.I.: em, M.
nao direita à frente,
balancear a M. no pla-
no sagital.
Idem, com a outra
mão.
2 P.I.: em, M.
nao direita à frente,
circundação da M. no
plano sagital.
Idem com a outra
mão.
Idem trocar a M.
de mão.
3 P.I.: em, afas-
tamento lateral, perna
leve esquerda, M. na
o direita para o lado,
balancear a M. no pla-
no frontal.
4 P.I.: em, afas-
tamento lateral, perna
leve esquerda, M. na
o direita para o lado;
circunduação da M. no
plano frontal.
5 P.I.: em, afas-
tamento lateral, M. no
chão, passo de deslize
para um lado e para o
outro.
6 P.I.: idem, exer-
cício 5; seguido de pal-
mas.
explicação;
•posição I;
- demons-
tração;
-correção;
explicação;
-posição I;
- demons-
tração;
-correção;
idem;
alunas
na P. I.
atenção
execução
balancea-
mento
alunas na
P. I.
atenção
execução
- circun-
dação
explicação;
posição I;
demons-
tração;
correção;
explicação;
posição I;
demons-
tração;
correção;
explicação;
posição I;
demons-
tração;
correção;
alunas
na P. I.
atenção
execução
balancea-
mento
alunas na
P. I.
atenção
execução
circun-
dação
alunas na
P. I.
atenção
execução
idem
15
min.
aprox.
IV PARTE:
APLICAÇÃO
Associação de movi-
mentos dados na 3.
a
par-
te da aula.
Música: "SERENO"
1) Sereno, eu caio, eu
caio / Sereno, deixai
cair / Sereno da madru-
gada.
2o deixou ninguém
dormir.
3a Minha vida,
4
ai, ai,
ai / 3b É um barquinho,
"ai, ai, ai / 5a Navegan-
do por mares estranhos.
3c Quem me dera,
4
ai,
ai, ai / 3d Que eu tives-
se,
1
ai, ai, ai / 5b O fa-
rol dos teus olhos cas-
tanhos.
1 M. nao direi-
ta, balancear a M. no
plano sagital (para trás
e para frente) seguido
de circundação.
2 Idem,
esquerda.
com ao
OBS.: para executar
os exercícios seguintes
dar 1/4 da volta.
3a 2 passos de des-
lize para frente;
4 3 batidas com a
M. no chão;
3b 2 passos de des-
lize para a direita;
4 Idem;
ensina-
mento da
música;
ensina-
mento
série;
associa-
ção dos
movimen-
tos à-
sica;
demons-
tração;
correção.
alunas no
lugar
memori-
zação da
música
memori-
zação da
série
atenção
cada
uma com
sua
maça
execução
da série
(inicial-
mente par-
tes, depois
a série
tôda).
5a balancear a M.
no plano frontal (para
um lado e para o outro)
seguido de circundação,
trocando deo (es-
querda) ;
3c Idem, para di-
reita;
4 Idem;
3d Idem, para es-
querda;
5b Idem,o di-
reita.
BIBLIOGRAFIA:
Apontamentos de "Ginástica Feminina" (s/d) Es E F E.
Saur, E. (1967) Súmulas de Aula ENEFD.
OBSERVAÇÕES:
PLANO DE AULA
EDUCAÇÃO FÍSICA MÉTODO NATURAL AUSTRÍACO
IV ESTÁGIO INTERNACIONAL DE EDUCAÇÃO FÍSICA
LOCAL: I.P.Q.N. Rio de Janeiro 1960
Duração: 50 min. Prof. H. P.
OBJETIVOS IMEDIATOS
"Motivação": Preparação fisiológica, social e psicológica dos alunos, atmos-
fera favorável ao trabalho.
"Escola de Movimentos e Postura": trabalho total do corpo, aperfeiçoa-
mento dos movimentos.
"Habilidade e Aplicação Desportiva": melhoria da coordenação muscular
efeitos sôbre o caráter.
' Volta à Calma": acalmar fisiológica e psiquicamente.
TEMPO
5
min.
aprox.
CONTEÚDO
"Motivação": Cabo-de-
Guerra.
Ao comando do profes-
sor encostar uma das
pontas do cabo na
parede.
"ESCOLA DE MOVI-
MENTOS E POSTURA"
1) Rodar a corda de ci-
ma para baixo e os
alunos passam cor-
rendo.
ATIVIDA-
DES
DOCENTES
explica-
ção do
jogo
comando
do início
do jogo
controle
da ativi-
dade
correção
dos erros
explica-
ção dos
exercícios
ATIVIDA-
DES DIS-
CENTES
alunos em
duas equi-
pes coloca-
dos em la-
dos opos-
tos da cor-
da
puxar em
sentido
contrário
ao dos ad-
versários
passar
correndo
MATE-
RIAL
uma
corda
uma
corda
15
min.
aprox.
25
min.
aprox.
2) Saltar a corda em
movimento ondulan-
te.
3) Saltar a corda dois
ou mais ao mesmo
tempo.
4) Corda suspensa a
passar dependurado
pelos braços e per-
nas.
5) Manter-se em equilí-
brio na corda.
"Habilidade e
Aplicação"
1) Rolo dois a dois de
mãos dadas.
2) Rolo três a três de
mãos dadas.
3) Rolo segurando os
tornozelos dos com-
panheiros dois a dois.
4) Idem a três.
5) Tanque.
6) Tanque duplo.
movimen-
tação da
corda
controle
das ativi-
dades
correção
dos erros
explica-
ção do
exercício
controle
das ativi-
dades
correção
dos erros
saltar a
corda
saltar em
grupos de
dois
saltar em
grupos de
três e quatro.
Atraves-
sar a corda
equili-
brar-se
preparação
do mate-
rial
atenção às
explica-
ções
execução
do exer-
cício
uma
corda
dois
colchões
5
min.
aprox.
"Volta à Calma"
Com gestos ou imitando
instrumentos musicais.
0 comandante inicia e
os demais o imitam.
O aluno isolado procura
adivinhar quem é o co-
mandante.
explica-
ção do
jogo
controle
da ativi-
dade
correção
dos erros
sentados
em círculo
um aluno
procurara
adivinhar
o coman-
dante
um outro
escolhido
será o co-
coman-
dante
os demais
imitando
o coman-
dante.
nenhum
BIBLIOGRAFIA:
Schmidt, G. (s/d) Notas do I Estágio Internacional de Ed. Fis.
Prochownik, H. (s/d) Apostila para o Curso Superior da ENEFD.
OBSERVAÇÕES:
PLANO DE AULA
EDUCAÇÃO FÍSICA GINÁSIO ESTADUAL NUN'ALVARES PEREI-
RA 1968
CURSO GINASIAL 1° ano TURMA 104 Prof. AGFJ
Método Natural Austríaco Unidade II Iniciação ao Basquete
Dia 9 de abril 1.° Tempo das 7h às 7h50 min. 30 alunos
OBJETIVOS IMEDIATOS:
Parte Inicial: Introdução (Motivação)
preparação fisiológica,
social e psicológica dos
alunos - criação de uma
atmosfera favorável ao
trabalho que se seguirá
Parte Principal: a) Formação corporal e edu-
cação do movimento (Escola
de movimentos e postura)
trabalho físico total do
corpo
colaboração e reconhe-
cimento da responsabi-
lidade
b) Performance e Habilida-
de Artística (Habilidade e
Aplicação Desportiva)
iniciação ao Basquete-
bol
noções de como condu-
zir a bola
regras básicas
Parte Final:
Volta à Calma
acalmar fisiológica e
psiquicamente; elimi-
nar a excita ção das
disputas.
TEMPO
5
min.
aprox.
10
min.
aprox.
CONTEÚDO
PARTE INICIAL
INTRODUÇÃO: Jo-
go "Bola nas Pernas"
Um dos alunos de posse
da bola procurará acer-
tar as pernas de um de
seus companheiros
Estes procurarão evi-
tar que a bola os atinja
fugindo dentro da área
preestabelecida
Quemr acertado
passará a lançar a bola.
PARTE PRINCIPAL
a) "Formação Corpo-
ral e Educação do
Movimento"
Carrinho de mão,
mantendo o ventre
para cima com auxí-
lio de um companhei-
ro.
Um sentado de per-
nas unidas e o com-
panheiro saltando por
cima.
Mãos dadas de fren-
te, forçar o compa-
nheiro a ficar de joe-
lhos.
Flexão e extensão da
cabeça contra a resis-
tência de um compa-
nheiro.
Flexão e extensão do
tronco, com as pernas
flexionadas tendo o
auxílio de um com-
panheiro
De pernas trançadas
luta de tração.
ATIVIDA-
DES DO-
CENTES
Explica-
ção do
jogo
Controle
da ativi-
dade
Eventual
partici-
pação
Explica-
ção do
exercício.
Controle
da ativi-
dade.
Participa-
ção, caso o
número to-
tal de alu-
nos seja
ímpar.
ATIVIDA-
DES DIS-
CENTES
Um aluno
com a bola
procurando
acertar as
pernas de um
companheiro
Os demais
alunos cor-
rendo
Exercícios
com os alu-
nos formando
grupos de
dois.
Um executa o
exercício, o
outro ajudan-
do. Trocar ao
sinal do pro-
fessor.
Colaboração
com o com-
panheiro que
está exe-
cutando.
MATE-
RIAL
uma bola
de
volibol
nenhum
30
min.
aprox.
5 min.
aprox.
b) "Performance e Ha-
bilidade Artística"
Iniciação ao Basque-
tebol.
Iniciar jogando.
Cada dois grupos jogam
durante cinco minu-
tos.
Ao cabo destes, entram
mais duas equipes e
assim sucessivamen-
te, até todos os gru-
pos terem jogado
duas vezes.
PARTE FINAL
"Volta à Calma"
Jogo "Quem erra sai"
um aluno jogando
a bola como um "pas-
se de peito". Os de-
mais de braços cru-
zados. Quem errar
o jogando a bola
ou ameaçando sem
ser a sua vez sai do
jogo.
Dividir a
turma em seis
grupos de 5
alunos.
Numerar
cada duas
equipes.
Explica-
ções a intro-
duzir:
lateral, con-
dução correta
da bola, fal-
tas, lance li-
vre, controle
da atividade.
Correção
de erros.
Explicação
do jogo.
Controle da
atividade.
Permane-
cer junto aos
seus compa-
nheiros de
equipe.
Atenção às
explicações.
Aguardar
a vez de jo-
gar.
Entrar ra-
pidamente na
quadra.
Procurar
jogar aten-
dendo às "Re-
gras" apren-
didas.
Alunos de
pé na quadra
em círculo,
de braços
cruzados.
No centro
um aluno jo-
gando a bola
para os com-
panheiros.
Quemo
pegar a bola
ou descruzar
os braços sai
do jogo.
Bola de
basque
tebol
Duas ces-
tas para
basque-
tebol
Uma
bola
de
basque-
tebol
BIBLIOGRAFIA:
Prochownik, H. (1960) Apostila do IV Estágio Internacional de
Educação Física.
Schmidt, G. (s/d) Notas do I Estágio Internacional de Ed. Física.
Alves de Iracema, P. M. (1968) Apostila do I Ciclo de Estudos
sôbre Ed. Física Basquetebol
OBSERVAÇÕES:
PLANO DE AULA
EDUCAÇÃO FISICA BASQUETEBOL 2.
a
AULA
Duração 45 minutos Prof. M. D.
OBJETIVOS IMEDIATOS:
Prática dos fundamentos conhecidos
Movimentação lateral.
Prática da movimentação lateral associada ao
passe de peito
TEMPO
10 min
aprox.
TO DA AULA
A) PARTE INICIAL
OU DE AQUECI-
MENTO
1) Atendendo o co-
mando do professor: to-
car e segurar determi-
nados objetos ou partes
do corpo de um compa-
nheiro.
2) Correndo à vonta-
de, o professor vai redu-
zindo a área em que é
permitido correr, mu-
dar de direção, girar, pa-
rar etc, até que todos
os alunos estejam em
uma parte muito peque-
na do campo (utilizar
as marcações da quadra
de basquete).
B) PARTE PRIN-
CIPAL
I Prática do passe
de peito com ambas as
mãos
trocar passes obedecen-
do ao diagrama acima.
ATIVIDA-
DES DO-
CENTES
Explicação
do jogo.
Comando
determinando
o que deve
ser tocado.
Explicação
do jogo, de-
limitação da
área.
Controle
da atividade.
Explicação
do funda-
mento.
Designa-
ção da posi-
ção dos alu-
nos na qua-
dra.
ATIVIDA-
DES DIS-
CENTES
Atenção às
explicações.
Correndo
à vontade.
Atenção às
explicações.
Correndo
à vontade,
mudando de
direção etc.
Atenção às
explicações,
formação se-
gundo o co-
mando do
professor.
Atenção às
explicações.
MATE-
RIAL
nenhum
II Demonstração,
descrição e prática da
posição de guarda e da
movimentação lateral.
III Prática da mo-
vimentação lateral com
troca de passes de peito
com ambas as mãos
dois a dois, dirigindo-se
para a mesma direção.
IV Demonstração,
descrição e prática da
bandeja.
O primeiro aluno da
coluna, dirigindo-se pa-
ra a cesta, tira a bola
das mãos do companhei-
ro que se encontra pa-
rado e com o braço
estendido lateralmente,
, então, o passe a que
tem direito, salta e exe-
cuta a bandeja.
V Pequeno jogo:
corrida de revezamento,
dois a dois, com movi-
mentação lateral e tro-
ca de passes de peito.
Controle
da atividade.
Demons-
tração da po-
sição e da
movimenta-
ção.
Dispor dos
alunos em
grupos.
Controle
da atividade.
Explica-
ção do fun-
damento.
Dispor os
alunos em
coluna.
Controle
da atividade.
Dividir
alunos em
dois grupos.
Explicar o
jogo.
Controlar
a atividade.
Prática da
movimenta-
ção lateral
com troca de
passes, for-
mação dois a
dois distan-
tes de 3 a 5
metros.
Os alunos em
coluna ligei-
ramente
oblíquos em
direção à
cesta.
Um dos alu-
nos de posse
da bola.
Atenção às
explicações.
Executar o
jogo.
30
min.
aprox.
Cinco
bolas
de
basque-
tebol
5
min.
aprox.
C) PARTE FINAL
JOGO: "Almofada
Perigosa"
Entregando uma al-
mofada a cada um dos
alunos que se encon-
tram no centro do cír-
culo, o professor venda-
rá os olhos de ambos e,
mudando-os de localiza-
ção, determinará que
um procure acertar a
almofada no outro, sem
largá-la.
(Variação) Em
uma outra vez, antes de
iniciado o jogo, o pro-
fessor poderá tirar a
venda dos olhos de um
dos alunos sem que o
outro saiba; isto trará
maior atrativo ao jogo.
Dispor os
alunos senta-
dos em cír-
culo.
Explica-
ção do jogo.
Vendar os-
olhos dos
dois alunos
que estão de
.
Entregar
as almofadas.
Dar início
ao jogo.
Controlar
a atividade.
Tirar a
venda dos
olhos de um
dos alunos.
Os alunos
sentados em
círculo.
Atenção às
explicações.
Dois alunos
de pé no cen-
tro do cír-
culo.
Duas
almofa-
das e
dois
lenços
BIBLIOGRAFIA:
Daiuto, M. (1960) Basketball Metodologia do Ensino c Trei-
namento Brasil Editôra.
OBSERVAÇÕES:
PLANO DE AULA DANÇA
Tema: Formas Básicas de Locomoção: a) Andar
b) Correr
c) Saltitar
Local: Escola Guatemala Auditório
Nível 4 — Turma 11
Prof.
a
M. M. G.
Data 13-4-68
Objetivos; Aquisição de Coordenação Motora
Desenvolver a plasticidade nas formas básicas
Desenvolver: flexibilidade, agilidade e equilíbrio
TEMPO
30
minutos
20
minutos
DESENVOL-
VIMENTO
Motivação: Projeção de
diapositivos das formas
de locomoção utilizadas
em dança.
1) O queo e quais
o as formas básicas:
a) Andar:
Marcha normal
Andar molejando
Andar balancean-
do.
Com melodias gravadas
no Magnetofone foi fei-
ta a demonstração se-
guida de execução pelos
alunos em grupos de 6:
b) Correr:
Andadura Mode-
rada
Corrida Molejada
Correr deslizando
PROCEDI-
MENTOS DI-
DÁTICOS
Interrogatório
inicial
Demonstração
pelo professor
Participação
ativa da turma
Demonstração
pelo professor
Execução
pelos alunos
MEIOS
AUXILIARES
Magnetofone
Diapositivos
Projetor
10
minutos
c) Saltitar/Saltar:
"Hop". Saltitar
sôbre um pé
"Jump" pular
caindo sôbre os
doiss
"Skip" Saltar,
a 1 t ernadamente,
sôbre um pé e ou-
tro, com um pas-
so i n t ermediário
o "hop", sen-
do que o passo
tem duração dife-
rente. Nesta parte,
os alunos executa-
o junto com o
professor.
Demonstração
pelo professor.
Execução pelos
alunos
Magnetofone
Magnetofone
BIBLIOGRAFIA:
Moreira Gayoso, M. (1968): Apostilas do Curso de Educação Física na
Escola Primária Dança
OBSERVAÇÕES:
B) ORIENTAÇÃO DA APRENDIZAGEM
MOTIVAÇÃO E INCENTIVAÇAO DA APRENDIZAGEM
Motivação
O processo de ajustamento de um indivíduo ou de um grupo ao meio
físico e social é condicionado por um sem-número de fatores, dentre os
quais encontramos os motivos ou propósitos. Realmente, a conduta humana
seria inexplicável e incompreensiva, se deixássemos de considerar esses
elementos que impelem o indivíduo à ação, à reação, ao esforço, à luta e
até mesmo ao sacrifício.
Os propósitos e os motivos, quanto à sua duração e persistência, podem
ser:
transitórios e
permanentes.
o transitórios ou incidentes quando condicionam a conduta do indi-
víduo durante um curto espaço de tempo, algumas horas ou alguns dias,
sem que marquem profundamente a personalidade do indivíduo.
o permanentes quando marcam profundamente a personalidade do
indivíduo, desde a sua infância até a sua morte.
A dinâmica psicológica da motivação distingue três momentos dis-
tintos:
/
No primeiro deles há a conscientização do que uma pessoa, objeto,
conhecimento ou situação representa na vida do indivíduo ou do grupo
social. Essa apreensão do valor pode resultar de uma descoberta pessoal,
de uma sugestão de outrem ou da aceitação social que tal valor social tiver
e pode representar algo valioso por si mesmo ou uma etapa para atingir
um fim último.
O segundo momento é o cerne de processo da motivação, pois a mera
conscientização dos valoreso basta para impelir o indivíduo à ação, isto
porqueo chegamos a estabelecer uma relação de conveniência ou possi-
bilidade, entre aquêles valores e o nosso ego. O homem faz como que uma
estimativa pessoal da relação entre o valor e o seu nível de aspiração.
O valor situado fora desse nívelo tem força motivadora.
Assim, a motivação só é possível graças ao relacionamento:
O terceiro momento da motivação surge logo após o estabelecimento
dessa relação com a polarização de tôda a sua energia e empenho, esforço
concentrado, organizado e persistente até atingir o valor desejado
Esteso os três momentos ou fases da motivação, tanto do comporta-
mento humano geral como da aprendizagem da Educação Física.
Assim, é interessante lembrar ao docente desta "prática educativa"
que:
A motivação positiva, pelo exemplo, pelos incentivos, pela per-
suasão e pelo elogio, é mais eficiente do que a motivação negativa,
obtida através de gritos, repreensões, ameaças e castigos. A exce-
lência dos resultados e a economia de esforços assim o comprovam.
Motivação da Aprendizagem, da Educação Física
A aprendizagem, em geral e em particular, da Educação Física exige do
educando:
esforço e atenção;
autodisciplina;
perseverança.
É erro bastante comum pensar que para haver aprendizagem basta
ensinar bem e exigir que os alunos aprendam. Entretanto, o indivíduo só
aprende aquilo em que está interessado. Assim, somente o interesse, o de-
sejo e o prazer atuarão no espírito dos educandos como justificação para
o seu trabalho e esforço de aprender.
Desta forma, vemos que somente a motivação é capaz de despertar o in-
teresse e a atenção dos alunos e, por conseguinte, levá-los a trabalhar com
prazer, empenho e entusiasmo.
A moderna Didática de Educação Física preconiza a substituição das
atividades físicas feitas por obrigação pelas feitas por prazer. Por outro lado,
recomenda-se que se desperte no adulto o desejo de exercitar-se volunta-
riamente durante tôda a sua existência. Uma aprendizagem eficiente quan-
do da sua educação sistemática, tornará essa meta exeqüível.
Todo professor de Educação Física constrói a imagem do aluno ideal
interessado, colaborador, autodisciplinado, entusiasta e trabalhador que
nada mais é do que o aluno motivado.
No ensino moderno de Educação Física a figura do professor surge
como aquela que propicia as condições psicológicas e ambientais necessárias
para que essa motivação se concretize no íntimo dos alunos, tornando pos-
sível uma aprendizagem realmente eficaz.
Alguns fatôres de Motivação
Alguns fatôres de motivação no que concerne à Educação Física são:
A personalidade do professor seu entusiasmo pela Educação-
sica, seu dinamismo, seu bom humor, sua segurança e firmeza, sua
linguagem, sua aparência física, sua polidez. O interesse que o do-
cente revela pelas dificuldades, problemas e conquistas de seus alu-
nos é também importante fator motivacional. O renome do pro-
fessor como atleta ou técnico esportivo exerce igualmente influên-
cia motivadora.
O material e os instrumentais auxiliares de ensino usados nas au-
las banco sueco, plinto) colchões, espaldares, bolas, cestas, bali-
zas, projetores, filmes, gravadores, vitrolas e discos tornam o
aprendizado mais atraente.
O método e as formas de trabalho jogos, contestes, competições,
desportos, as atividades extraclasse exercem também grande
influência motivadora.
O local da aula as quadras, o ginásio, a pista, o campo, a piscina
bem cuidados, limpos e bem conservados constitui importante
fator motivacional.
Incentivação
A Didática moderna considera a função incentivadora do mestre na
condução da aprendizagem como a mais importante dentro da técnica do-
cente. De forma a colimar um desenvolvido grau de motivação interior
nos educandos, a moderna Didática sugere ao docente técnicas e procedi-
mentos de incentivação da aprendizagem. Estas técnicas e procedimentos,
entretanto,o significam regra preconizada, segura e infalível para pro-
vocar a motivação, visto que esta é um "fenômeno psicológico interior".
Desta foram, chama-se "incentivação da aprendizagem, ao condicio-
namento psicológico do ambiente da aula, ao poder sugestivo da palavra,
aos meios auxiliares empregados, aos procedimentos didáticos empregados,
ao calor humano pessoal com o qual o professor reconhece o esforço dos
alunos e sugere, orienta, estimula e elogia a atividade dos mesmos".
Alguns Procedimentos de Incentivação
Analisemos, agora, alguns procedimentos cuja eficiência tem sido com-
provada em Educação Física.
Procedimentos Verbais Apropriados
Um dos procedimentos mais importantes é o do professor mostrar in-
teresse pelo rendimento da aprendizagem de seus alunos por intermédio
da palavra. Sempre é possível descobrir algo num aluno, mesmo que êste
seja desinteressado e indolente, que seja digno de um incentivo ou elogio.
O importante é somente prestar atenção parao deixar passar o momento
oportuno para fazê-lo.
Os erros e as faltas devem ser corrigidos, evidentemente, porém sem
que as palavras usadas possam ferir ou magoar o educando.
O pior que pode fazer nesse campo um professor é ser indiferente.
Fazer vista grossa às faltas e aos erros é procedimento queo é tolerado
nem mesmo pelo infrator.
O professor deve mostrar entusiasmo tanto pelos progressos do grupo
quanto pelo progresso individual de seus alunos. O progresso deve ser ana-
lisado tomando-se por base o próprio indivíduo eo a média do grupo.
Assim, os menos dotados ao ultrapassarem certos obstáculos merecem ter
seus feitos comentados, da mesma forma que os mais bem dotadosm
suas performances celebradas.
Procedimento do Interesse Pelos Resultados das Habilidades Ad-
quiridas.
O interesse dos resultados pode tornar-se um valioso elemento incen-
tivador da aprendizagem, desde que encarada com os devidos cuidados.
Assim, por exemplo, o aluno menos dotado jamais sofrerá influência
Incentivadora quando tiver seus resultados confrontados com os dos alunos
médios ou dos superdotados da turma. Entretanto sentem grande satis-
fação quando realizam com êxito os exercícios, as competições ou provas
obtendo resultados superiores aos seus rendimentos habituais. O que im-
porta a estes alunoso é saltar um sarrafo alto, por exemplo, mas sim-
plesmente poder saltá-lo, ainda que esteja baixo.
Os testes em Educação Física poderão, também, servir como fatôres
de incentivação da aprendizagem. Quando nos referimos a testes,o dese-
jamos absolutamente que estes se 'confundam com as obsoletas "provas prá-
ticas" ou "provas de suficiência ou eficiência física", hoje totalmente su-
peradas.
Aplicação de "Contestes"
Os contestes nada mais são, como vimos, que atividades físicas natu-
rais, globais, na qual se introduz um fator de incentivação que a maioria
das vezes desperta a motivação.
Assim, ao invés de propormos a um aluno uma corrida até determina-
do ponto, propomos a dois ou mais, por exemplo, "ver quem alcança pri-
meiro tal ponto". Êste elemento novo que transforma a atividade num
conteste é nada mais nada menos que um fator de incentivação.
Assim, perguntas como:
"Vamos ver quem salta mais longe?"
"Vamos ver quem é capaz de...?"
"Vamos ver quem chega primeiro?"
o procedimentos altamente incentivadores.
É necessário, entretanto, que o professor esteja atento, de forma a equi-
librar os concorrentes, de acordo com as possibilidades individuais. A fór-
mula empregada pela professora Liselott Diem "Quem é capaz de. .. ?"
baseia-se, também, na incentivação.
Iniciar o Aprendizado de um Desporto Jogando
A Didática tradicional de Educação Física recomendava, ao ministrar-
mos iniciação desportiva, os chamados "educativos", as "sessões de estudo",
explicações profundas sôbre as regras do jogo e outros procedimentos.
Hoje em dia, a moderna Didática de Educação Física recomenda: "ini-
ciar jogando".
Esta recomendação é feita exclusivamente por se tratar de um impor-
tante processo de incentivação.o nos devemos preocupar se de início
o jogo sair confuso, hesitante e feio. O que desejamos é que os educandos
fiquem motivados pela nova modalidade. As regras, os fundamentos, a cor-
reção de defeitos ficarão para um pouco mais tarde, quando os alunos já
tiverem aceitado tal atividade.
Procedimento do Sucesso Imediato
Esta técnica de incentivação consiste em propor exercícios, jogos ou
formas de trabalho de fácil sucesso imediato.
A seguir assegurar as condições necessárias para sua fácil realização
fazendo com que os alunos repitam a atividade proposta, comentando, por
fim, o sucesso por eles obtido.
Procedimento da Competição
A competição, considerados todos os seus riscos e excessos, é excelente
fator de incentivação. A competição como procedimento incentivador pode
ser conduzida como:
Competição entre alunos da mesma turma ou grupo;
Competição entre grupos equivalentes da mesma escola ou escolas vi-
zinhas.
Procedimento das Entrevistas Informais
As entrevistas informais constituem importante fator de incentivação.
Nesta oportunidade procuraremos convencer o aluno de sua capacidade mal
aproveitada, mostrar-lhe as possibilidades reais de progresso individual,
Sugerir formas de trabalho que possam contribuir para a melhoria alme-
jada, elogiar os acertos e progressos e outros tópicos que necessitem ser
abordados.
Procedimento da Participação do Professor
Um dos mais importantes procedimentos incentivadores é o da partici-
pação do professor na atividade física proposta. Os alunos gostam realmente
de ver o mestre participar juntamente com eles. É preciso, entretanto, que
a participação seja moderada de modo ao agir inversamente, isto é, de-
sincentivando-os com uma performance longe do alcance do aluno.
Estes procedimentos sugeridosoo os únicos possíveis de ser apli-
cados, mas sim apenas exemplos, cabendo ao professor de Educação Física
usar a sua sensibilidade e poder criador para idealizar muitos outros que
a ocasião exigir. Da mesma forma as técnicas sugeridaso apresentam,
de maneira alguma, um caráter de infalibilidade, produzindo sempre bons
resultados. A aplicação dos mesmos depende, também, da empatia do co-
nhecimento de relações humanas do professor.
Emprego de Material Como Fator de Incentivação
O emprego de material nas aulas de Educação Física, recomenda a Di-
dática Especial desta "prática educativa", só deve. começar quando os alunos
já tiverem um relativo domínio dos movimentos livres e já estiverem fami-
liarizados com a rotina de trabalho que se imprimiu à atividade Então, o
emprego do material aparecerá como fator de incentivação da aprendiza-
zem. Esta recomendação é válida tão-sòmente quandoo se tratar de
iniciação esportiva.
O aluno que já domina o movimento livre passará novamente a ter de
se concentrar em face do novo elemento que se interpôs na execução do
exercício, procurando vencer o novo obstáculo com que se deparou.
Assim, o educando poderá repetir um mesmo movimento utilizando di-
ferentes materiais sem que essa repetição,o necessária nas classes que
se iniciam em Educação Física, se torne enfadonha.
A seguir, à guisa de ilustração, damos alguns elementos de ginástica
com diferentes materiais.
Conclusões
Finalmente, queremos deixar claro queo basta apenas lançar uma
incentivação inicial mediante algumas frases sôbre a importância e o valor
do que vai ser ensinado e seus efeitos futuros ou mesmo aplicar algum dos
procedimentos indicados.
E necessária uma constante introdução de procedimentos incentivado-
res de forma a manter viva a motivação despertada nos alunos, levando-os
a atividade e à autodisciplina.
Ao acenarmos com os valores e vantagens com o objetivo de incenti-
vação, devemos levar em conta, ainda, a realidade imediata. Assim, o anún-
cio de um torneio interno, feito através dos órgãos de divulgação escolar
jornal mural, jornalzinho etc., que em breve se realizará, contém
forte carga incentivadora.
Levanta-se, ainda, com freqüência, dúvida quanto à possibilidade de
uma motivação que abranja tôda a turma. Realmente, as diferenças indi-
viduais dos alunos existem, mas, bem aproveitadas, constituirão um rico
repositório de possibilidades motivadoras, se considerarmos que hoje em
dia a Educação Física utiliza cada vez mais o trabalho em grupo
O professor de Educação Física começa, hoje em dia, a abandonar a
idéia do "grupamento homogêneo", deixando de fazer exigências monó-
tonas, rígidas e uniformes para todos os alunos.
Muitos mestres temem o perigo de um excesso de motivação e suas
posteriores conseqüências. Um aluno excessivamente motivado tenta uma
marca além de suas possibilidades e sofre um acidente. Numa competição
dois alunos se desavêm e se agridem pelo motivo acima descrito. Outro
aluno, desejando participar de uma das equipes esportivas de sua escola,
falta às demais aulas para "melhor poder treinar".
Nestes exemplos e em outros semelhantes que poderíamos citar, o que
houve realmenteo foi excesso de motivação, mas sim motivação mal
orientada e mal conduzida. O professoro apoiou a motivação com reco-
mendações de bom senso ou êste faltou aos educandos apesar das reco-
mendações do docente.
Entretanto, o que é mais comum de encontraro é o excesso de mo-
tivação e sim a sua ausência, fazendo surgir a legião dos alunos "dispen-
sados".o é possível que continuemos a usar procedimentos didáticos er-
rados, impedindo que nossos jovens dêem expansão ao movimento instin-
tivo que os conduz ao ar livre e à atividade lúcida e esportiva.
índices de Motivação de uma Aula de Educação Física
Numa aula de Educação Física motivada, os conteúdos e as formas de
trabalho prendem de maneira absorvente a atenção de todos os alunos. Os
alunos atentos e interessados desencorajam as brincadeiras paralelas e
as interrupções desnecessárias de colegas menos interessados. Reconhecen-
do seus erros e falhas, procuram imediatamente corrigi-los. A colaboração
com o mestre e os companheiros forma a tônica da aula, manifestando
desagrado e surpresa ao ouvirem o sinal que assinala o término da aula.
Durante o recreio ou intervalo continuam a comentar a atividade que reali-
zaram. Estes comentários e discussões processam-se entre si, com o pro-
fessor que ministrou a aula e, muitas vezes, até com os professôres de
outras disciplinas e outras práticas educativas.
Estas reações e atitudes dos alunos proporcionam ao professor um
índice seguro de que suas aulas estão sendo bem motivadas.
APRESENTAÇÃO DOS CONTEÚDOS
Após o planejamento do trabalho e uma vez obtida a motivação dos
alunos começamos a fase de execução própriamente dita. Esta fase de
execução apresenta, entretanto, etapas claramente caracterizadas, sendo
que a primeira delas é a da "apresentação dos conteúdos em aula". É, para
os educandos, o primeiro contato com o conteúdo selecionado e que passará
a ser o alvo de todo o trabalho escolar que se seguirá.
Esta fase, útil e imprescindível,o conduz, contudo, os alunos a resul-
tados finais conclusivos. Os baixos índices de aprendizagem em Educação
Físicao devidos à falsa suposição de que a aprendizagem possa realizar-se
em uma ou mais aulas em que desenvolvemos um determinado conteúdo.
É bastante comum vermos professôres ministrando hoje uma aula de bas-
quetebol, amanhã uma de volibol, a seguir uma de futebol e assim suces-
sivamente e, entretanto, desejando com isso obter o aprendizado de um des-
porto em uma ou duas aulas.
A aprendizagem é um processo complexo e lento de assimilação, no
qual colaboram inúmeras atividades e procedimentos,o sendo possível,
assim, passar do "nada saber" ao domínio das habilidades desejadas com
uma aula, por mais "magistral" que esta tenha sido.
Essas primeiras aulas servem apenas para obter a compreensão inicial
dos conteúdos, primeira etapa do processo de assimilação e integração dos
mesmos.
A essa primeira fase executiva chama-se 'Apresentação dos Conteúdos
em Aula".
A apresentação dos conteúdos pode ser feita através de inúmeros pro-
cedimentos de apresentação, tais como os que procuraremos analisar logo
a seguir
Linguagem Didática
Erroneamente pode-se supor que a linguagem em Educação Física
aparece como um mero acessório dispensável, visto que ela aparece com
mais constância nas disciplinas dos currículos das nossas escolas. Isto já
é, para nossa especialidade, uma vantagem, pois a Didática moderna conde-
na o excesso de verbalismoo encontradiço em nosso ensino.
Entretanto, a linguagem é um dos procedimentos bastante importante
na apresentação dos conteúdos em Educação Física.
A linguagem empregada pelo professor de Educação Física, quando
ministrando aula, é tipicamente didática e situa-se entre a linguagem vul-
gar cotidiana e a linguagem formal e solene da oratória.
A linguagem didática possui aspectos nitidamente educativos, e disso
o devemos esquecer-nos, pois:
fazemos com que os alunos se acostumem a uma linguagem correta
e apurada;
desenvolvemos nos educandos a apreciação e o bom gosto pela
boa linguagem;
desenvolvemos em nossos alunos o hábito de falar com clareza e
correção.
Assim, a linguagem didática deve ser:
gramaticalmente certa-;
limitada dentro das normas de propriedade e polidez.
Hoje em dia, uma área curricular jamais age isolada das demais, mas
sim em íntima interação. Desta forma,o pode o docente de Educação
Física furtar-se a orientar, pelo exemplo e pelo estímulo, seus alunos no
correto emprego do vernáculo, cerrando fileiras em torno dos demais pro-
fessôres e em especial dos de Português.
A linguagem didática, quanto ao estilo, deve ser:
simples e fluente;
direta e concisa;
clara e acessível;
exata e precisa;
gramaticalmente correta.
Quanto à elocução, a linguagem didática deve ser:
bem articulada;
enunciada com voz clara;
animada e enfática.
As palavraso devem substituir a demonstração dos gestos e dos
movimentos propostos, mas sim precedê-la.
É procedimento bastante correto, do ponto de vista da Didática de
Educação Física, que se descreva oralmente o exercício, gesto ou movi-
mento proposto, vindo, logo a seguir, a demonstração do mesmo. Com isso,
estaremos obrigando sempre nossos alunos a um tipo de raciocínio abstrato,
que logo a seguir será confirmado ouo pela demonstração.
Dewey já dizia: "A superioridade humana sôbre os animais consiste
em poder substituir um objeto ou fato real por símbolos lingüísticos que o
exprimem adequadamente."
A linguagem correta e perfeita elocução, contribui, como vimos, como
forte elemento incentivador. tornando nossas aulas mais animadas e
atraentes.
Demonstração Didática
Recomenda a Didática que, logo após a explicação oral do gesto, exer-
cício ou movimento proposto, se faça a demonstração prática do mesmo. A
demonstração cresce em importância segundo a complexidade do conteúdo
proposto e do grau de desenvolvimento dos alunos em Educação Física.
A demonstração é, nada mais nada menos, que uma exemplificação
prática do que se propõe realizar. Ela procura complementar a explana-
ção verbal do mestre tornando-a mais concreta e real.
Tipos de Demonstração
A demonstração pode ser:
pessoal ou direta, quando realizada pelo próprio professor, exigin-
do-se dêste uma execução pelo menos razoável. A Didática tradi-
cional de Educação Física recomendava êste tipo como o ideal, pas-
sando a exigir-se dos professôres execuções impecáveis;
substitutiva ou indireta, quando realizada por um dos alunos, com
o auxílio do professor. Êste tipo é o mais recomendado hoje em
dia, pois deixa o docente livre para coordenar sua explicação com
a demonstração que está sendo feita; liberta-o também da preten-
o de ser excelente executante em todas as modalidades despor-
tivas, sobrando-lhe tempo para ser um autêntico educador eo
um mero "monitor".
Para os alunos que demonstram há também vantagens, pois à medida
que executam adquirem mais habilidades, e aquêles que aprendem com
niais rapidez terão seu tempo ocupado, evitando que dispersem sua atenção.
Dentro do ciclo docente, a demonstração tanto pode ser procedimento
iniciador como complementador de um assunto novo. O importante é saber
que ela nunca aparece isolada.
Interrogatório
Outro procedimento recomendado, ainda que de uso mais restrito,
é o interrogatório, que tem por objetivo "despertar e dirigir a atividade
reflexiva dos alunos".
O interrogatório é útil para:
Recordar informações e conhecimentos, ou habilidades necessárias
para dar seguimento ao que se procura fazer com que o aluno aprenda.
Exemplo: durante o desenrolar de uma partida de um esporte coletivo,
quando a equipe adversária penetra com facilidade na defesa da outra, o
professor interrompe o jogo e, através de perguntas a um aluno ou a tôda
equipe, faz com que o grupo descubra o erro de marcação, recorde-se da
tática defensiva a empregar ou conclua por uma nova forma de defesa.
Servir como elemento incentivador, de forma a provocar a moti-
vação dos alunos.
Exemplo: ao iniciar uma nova unidade didática, como a "iniciação ao
volibol", perguntar ao grupo quem teve oportunidade de assistir ao jogo
Brasil x Japão, por exemplo, ocorrido na semana anterior. Interrogar os
que viram sôbre aspectos que interessem como fator de incentivação.
Os grandes eventos esportivos em âmbito nacional, estadual ou mesmo
escolaro fontes inesgotáveis de perguntas de caráter incentivador.
Manter a atenção dos alunos prevenindo distrações indisciplinares.
Exemplo: o professor, dirigindo-se a um aluno que se tenha distraído
momentaneamente, faz perguntas ao aluno de forma a interessá-lo nova-
mente no que está sendo aprendido.
Estimular a reflexão e dirigir o raciocínio do aluno.
Exemplo: um aluno num esporte coletivo, como o basquetebol, está
marcando o seu adversário pela frente. Êste já conseguiu consignar vários
pontos. O professor, através de hábeis perguntas, pode levar o aluno que
estava marcando errado à reflexão e à conclusão da maneira correta de
marcar.
Diagnosticar pontos fracos na aprendizagem dos alunos.
Um aluno executa o exercido e o grupo observa. O professor interroga a turma
e uma criança pede permissão para responder.
Verificar o rendimento da aprendizagem.
Algumas normas a atentar durante a formulação de perguntas:
adaptar ao nível mental a capacidade dos alunos as perguntas
feitas pelo professor de Educação Física numa turma de primário terão,
fatalmente, de ser diferentes das feitas para uma turma de nível médio;
devem ser claras, simples e precisas, evitando perguntas que possam
ser desdobradas em outras, como "quando, como e com quem?";
o devem sugerir nem conter a resposta;
devem exigir na resposta frases completas eo sómente um "sim"
ou "não";
devem ser convidativas, interessantes e estimulantes.
MODERNOS MEIOS DE COMUNICAÇÃO AUDIOVISUAIS
APLICADOS À EDUCAÇÃO FÍSICA
O Processo da Comunicação
Esbôço Histórico
O uso dao pelo homem, quer indicando uma direção ou demons-
trando movimento, quer procurando dar uma noção de tamanho, de altura,
estabeleceu o que podemos considerar como o primeiro processo de co-
municação. Entretanto, a gesticulação e mesmo os gritoso eram sufi-
cientes ao homem em suas necessidades de comunicação com seus seme-
lhantes. Desenvolveu êle, então, o que chamamos de linguagem.
Segundo Giácomo Gregório, linguagem "é o complexo de sinais orais,
audíveis, de que a humanidade se serve para representar e comunicar
idéias". Êste conceito usa a linguagem em geral como meio de expressão
do pensamento. A linguagem, no entanto, pode ser, como se sabe, oral ou
escrita. A linguagem oral "é um sistema de sinais fonéticos natural e in-
tuitivamente empregados para exprimir o pensamento".
A linguagem escrita "é um conjunto de sinais visuais que, por conven-
ção, representa as idéias". Segundo observação de Masparo "é uma pintura
abreviada".
Os elementos de composição das diferentes combinações de sinais estão
reunidos no alfabeto.
A linguagem escrita, sistema de sinais permanentes, de acôrdo com
o alfabeto, pode ser classificada em:
Ideográfica;
Hieroglífica e
Fonética.
A linguagem ideográfica é aquela cujos sinais representam idéias. A
linguagem hieroglífica é aquela cujos sinaiso simultâneamente ideográ-
ficos e fonéticos. E, por fim, a linguagem fonética é aquela cujos sinais re-
presentam os sons.
Com o passar do tempo, o homem cada vez mais foi aprimorando
os processos de comunicação, chegando ao uso dos aparelhos eletrônicos,
(•orno o rádio e a televisão, que constituem alguns dos mais complexos
daqueles processos. Hoje, o Brasil já está ligado ao mundo, no campo da
comunicação, via satélite artificial.
A Importância da Comunicação na Época Atual
O aumento da natalidade verificado no mundo e, também, o aumento
do período médio de vida humana, resultante da diminuição do índice de
mortalidade, acarretaram inúmeras conseqüências. Pode-se citar dentre
estas a necessidade de desenvolvermos processos de comunicação de forma
a atender à demanda causada por essa explosão demográfica.
Inúmeras descobertas, invenções e conquistas aumentaram a quanti-
dade de conhecimentos que o homem tem que dominar. Alguns conceitos
científicos antigos vão-se tornando obsoletos, obrigando a elaboração de
novas teses e verificação de hipóteses.
Sòmente o aprimoramento dos processos de comunicação poderá tornar
acessível à grande massa do povo essas novas descobertas e conquistas.
Elementos Componentes da Comunicação
. Em qualquer que seja o processo de comunicação empregado, distin-
guimos sempre: ,
O comunicador (quem comunica);
A mensagem (o que comunica);
Os meios de comunicação (como comunica);
O público (a quem comunica).
O comunicador deve planejar e estudar a mensagem a ser transmitida
e apresentar-se ao seu público preparado e dominando a técnica que vai
empregar.
A mensagem, por seu turno, precisa estar à altura do público. Deve ser
ciara, precisa, significativa e necessária.
Os meios de comunicação a serem utilizados devem obedecer a um cri-
tério de objetividade, de correto emprego conjugado e de proporcionalidade
à audiência.
O público precisa ser esclarecido, de forma a ficar interessado no con-
teúdo da mensagem, elucidado em todas as dúvidas surgidas, no sentido de
integrá-lo no assunto apresentado.
Bloqueios da Comunicação
Qualquer fator que prejudique a comunicação denomina-se "bloqueio
de comunicação". Os bloqueios podem partir:
a) Do comunicador, quando êsteo se apresenta preparado, quando
o planeja a comunicação, quando escolhe mal os meios de comunica-
ção etc.
b) Da mensagem, quando está situada acima do público ou é aplicada
indevidamente.
c) Do público, quando êste, por fatôres de ordem física ou psíquica,
o alcança a mensagem.
d) Dos meios de comunicação quando inadequados.
As Tendências do Meio de Comunicação
As tendências dos meios de comunicação seguem as seguintes etapas
dentro da comunidade: familiar, escolar, vizinha, local, estadual, nacional
e mundial.
Alcance e Eficiência Entre os Meios de Comunicação
_J
Quando a comunicação é individual, o alcance é baixo, mas a eficiência
é alta. Por exemplo: um professor ao ensinar individualmente aos seus
alunos obterá uma aprendizagem eficiente, embora o alcance de sua comu-
nicação seja baixa, pois somente um aluno será atingido por sua comu-
nicação.
Quando se trata de um grupo, o alcance é médio e a eficiência também
é média. Por exemplo: um professor ao lecionar para uma turma de cin-
qüenta alunos obterá um alcance médio, pois êle é apenas um e seus alunos
constituem um grupo relativamente grande. A eficiência, portanto, será
média.
Quando se trata de massa, o alcance é alto, porém a eficiência cai bas-
tante, podendo ser considerada até baixa. Como exemplo temos o caso da
"Rádio Escola" em que um professor ao dar a sua aula estará alcançando
uma grande massa de alunos. Todavia, a eficiência será baixa, pois esse
tipo de aulao permite o diálogo.o permite ainda ao professor verificar
as reações fisionômicas de seus alunos e, através delas, manter ou modificar
o rumo de suas comunicações.
Os Modernos Meios de Comunicação Aplicados ao Ensino
Esboço Histórico
Inúmeros professôres pouco informados proclamam os meios de co-
municação, principalmente os audiovisuais, aplicados ao ensino, como uma
conquista moderna. Os estudiosos do problema, entretanto, estão concordes
em afirmar que tal emprego é mais antigo do que a própria instituição da
escola como organismo regular.
Descobriu-se no Egito uma esteia, datando de milênio antes de Cristo,
que diz: "Quando os olhos vejam, quando os ouvidos ouçam, tudo chegará
ao coração." Como sabemos, os egípcios consideravam o coração como o
centro da inteligência, oferecendo com aquela sentença, portanto, uma irre-
futável noção de ensino audiovisual.
Na índia, a palavra "rupaca" designava certa espécie de obra teatral,
e o teatro indiano sempre foi profundamente educativo.
Na Idade Média, os religiosos usavam o teatro som e imagem vi-
va para suprir as deficiências dos fiéis, geralmente analfabetos. Mais
tarde, em 1654, Comenius proclamava, em sua "Didática Magna" e na
"Enciclopédia Viva", o emprego dos métodos ativos no ensino. No seu
"Orbis Sensualium Pictus", primeiro livro didático que se publicou no
mundo, inaugurou o emprego de imagens em livros.
Comenius
Quarta e quinta páginas do primeiro livro didático publicado no mundo
"Orbis Sensvalium Pictus".
Enfim, os murais, os mapas, a lousa em que o professor escreve nada
maiso do que instrumentais auxiliares de comunicação audiovisuais apli-
cados ao ensino.
No Brasil, os Jesuítas também se utilizavam do teatro para a catequi-
zação do gentio de forma a quebrar o rigor do "RATIO ESTUDIORUM".
Mas o emprego sistemático dos meios de comunicação audiovisuais no
Brasil teve início realmente com os fatos seguintes: Em 1939, os Esta-
dos Unidos da América sentiram necessidade de aumentar a sua impor-
tação de borracha,-recorrendo, então, ao Brasil. Os seringais da Amazônia
encontravam-se, todavia, em áreas de difícil acesso. A falta de braços, a
presença de índios e as doenças tropicais que assolavam aquela região tor-
navam a tarefa quase que impossível. Em 1940, o governo americano propõe
ao brasileiro a criação do "Serviço Especial de Saúde Pública" (SESP),
para iniciar o saneamento da região. Médicos, sanitaristas, enfermeiros,
brasileiros e americanos, iniciam o "Programa da Amazônia" levando farto
material de informações cartazes, livros, cartilhas, folhetos ilustrados
etc. — e usam largamente os então chamados "recursos audiovisuais".
Com o advento da Segunda Guerra Mundial e a posterior mobilização
de nossas Forças Armadas, surgiu a necessidade de preparar nossos milita-
res para o uso do material bélico que aqui aindao fôra introduzido.
Os instrutores norte-americanos vieram para o Brasil e organizaram
cursos de aperfeiçoamento para a nossa oficialidade.
Para acelerar o processo da instrução, empregaram os ainda denomi-
nados "recursos audiovisuais" quadro-negro, pranchas explicativas ("flip
charte"), maquetas, modelos, diapositivos ("slides"), diafilmes ("film
strip") etc.
Em 1949, Harry Truman propõe a "cooperação técnica de governo para
governo", surgindo daí o Ponto IV, que representa uma assistência mútua,
financeira, diplomática e cultural. Esta entidade, através de seus cursos
de aperfeiçoamento, difundiu entre o professorado brasileiro os modernos
meios de comunicação audiovisuais.
Os Modernos Meios de Comunicação Audiovisuais Aplicados à
Educação Física
O primeiro trabalho de que tomamos conhecimento acerca dos meios
de comunicação audiovisuais aplicados à Educação Física foi elaborado pela
Prof.ª Maurete Augusto e apresentado no Segundo Congresso Luso-Brasi-
leiro de Educação Física, que teve lugar no Rio de Janeiro, em 1963. Tal
trabalho era intitulado "A Educação Física e os Meios Audiovisuais".
Em 1967, a Associação Brasileira de Educaçãoz realizar no Rio de
Janeiro o primeiro Congresso Brasileiro de Audiovisuais. Neste congresso,
a Comissão XI era denominada "Audiovisuais na Educação Física" e tratava
de todos os assuntos relacionados com a aplicação dos meios de comuni-
cação audiovisuais aplicados a esta "prática educativa". Foram apresenta-
dos nesta comissão dois trabalhos inéditos, o do Prof. Aloyr Queiroz de
Araújo e do Prof. Alfredo Gomes de Faria Júnior.
Em 1968, a Divisão de Educação Física fazia publicar o livro Técnicas
Audiovisuais nas Escolas de Educação Física, de autoria do Prof. Aloyr
Queiroz de Araújo.
Importância
Os sentidos na aprendizagem
Estudos de psicologia mostram-nos que os indivíduos, geralmente, se
lembram de:
DO QUE OUVEM DO QUE VÊEM
DO QUE OUVEM E VÊEM
DO QUE FALAM DO QUE FAZEM
Necessidade de um reforço visual ou ícone.
A observação do gráfico acima permite-nos concluir que muitas vezes
a imagem mental formada pelo comunicador difere frontalmente da ima-
gem mental formada pelo receptor após a formação da imagem acústica da
palavra. Surge, portanto, a necessidade de utilizarmos um reforço visual ou
ícone.
O professor de Educação Física, por mais aptidões que tivesse, seria
incapaz de reproduzir os gestos de todos os exercícios e de todos os funda-
mentos dos diferentes desportos com a precisão necessária. Nas escolas de
Educação Física, a formação profissional baseia-se principalmente no
"aprender fazendo". Mais tarde, já formado, habitua-se êste professor a
"dar aulas executando". Abandona, assim, progressivamente, o hábito de
descrever os movimentos.
O docente de Educação Física cada vez mais é solicitado pela direção
das escolas e entidades educacionais a proferir palestras, conferências, aulas
inaugurais etc, quando surge a necessidade dêste professor estar preparado
para utilizar-se das modernas técnicas de comunicação audiovisuais.
Pesquisas
Inúmeros tipos de pesquisas poderão vir a ser efetuadas no campo da
Educação Física através dos modernos meios de comunicação audiovisuais.
O domínio destas técnicas permitirá aos professôres uma série de con-
clusões oriundas de resultados das pesquisas a serem efetuadas, modifican-
do, talvez, muitos conceitos até então aceitos.
Profundidade de conhecimentos
Como vimos anteriormente, o professor de Educação Física procura,
através de agentes físicos, desenvolver habilidades, proporcionar conheci-
mentos e informações e despertar ideais, atitudes e preferências.
Assim sendo, quando ministrando informações ou conhecimentos, tem
êle necessidade de acelerar cada vez mais o processo do ensino e nada
melhor para fazê-lo do que a utilização de modernos meios e técnicas de
comunicação.
Os Auxílios Audiovisuais
A observação do desenho acima permite-nos concluir que tudo gira
em torno destes auxílios: o auxílio visual, o auxílio sonoro e, ainda, da
combinação dos dois, formando os auxílios audiovisuais, que constituem a
base dêste tipo de comunicação.
Auxílios visuais
Compreendemos por auxílios visuais:
1. Símbolos escritos.
2. Documentos gráficos:
ilustrativos;
informativos.
3. Modelos tridimensionais.
4. Modelos reais.
5. Imagem projetada num anteparo:
imagens fixas;
imagens animadas.
Auxílios sonoros
Compreendemos por auxílios sonoros:
1. Linguagem oral.
2. Emissões de rádio.
3. Reproduções sonoras de discos.
4. Reproduções de registros magnéticos.
Auxílios audiovisuais
Compreendemos por auxílios audiovisuais:
1. Imagem projetada num anteparo acompanhada de emissões sonoras.
2. Emissões de imagens e sons através da televisão.
3. Emissões de imagens e sons para o ensino programado.
4. Dramatizações.
Cumpre-nos, ainda, deixar aqui consignada uma explicação que julga-
mos de capital importância, tal a diversidade de conceitos que envolve a
questão de nomenclatura no campo da comunicação, sôbre o que seriam os
materiais didáticos.
"Materiais didáticos" Transparências, películas cinematográficas,
discos, fitas magnéticas com "mensagem di-
dática".
Classificação dos materiais
A. fim de sistematizar, no plano das possibilidades nacionais, os dife-
rentes "materiais auxiliares dos meios de comunicação audiovisuais", o
Prof. Manuel Ribeiro de Moraes apresentou esses materiais grupados da
seguinte forma:
Instrumentais auxiliares
Instrumentais auxiliareso certos materiais constantes do equipa-
mento escolar, usados pelo professor e pelos alunos, com a finalidade de
acelerar o processo de aprendizagem em classe.
Instrumentais auxiliares para auxílios visuais
1. Quadro-negro;
2. Quadro para afixações:
de flanela;
metálico;
metálico recoberto de feltro;
para exposições;
para avisos;
para jornal de parede;
articulados;
dobradura (quadro de pregas) etc.
3. Álbuns para assuntos didáticos (álbum seriado);
4. Álbuns simples;
5. Álbuns
conjugados;fixa
6. Equipamentos e acessórios para projeções luminosas
animada
Instrumentais Auxiliares Para Auxílios Sonoros
1. Equipamento e acessórios para auxílios sonoros.
2. Equipamento e acessórios para Laboratórios de Línguas Vivas.
Instiumentais Auxiliares Para Auxílios Audiovisuais
1. Equipamento e acessórios para auxílios audivisuais.
2. Equipamentos acessórios para Ensino Programado.
3. Dramatizações diversas.
INSTRUMENTAIS AUXILIARES PARA AUXÍLIOS VISUAIS
ÁLBUM PARA ASSUNTOS DIDÁTICOS (ÁLBUM SERIADO)
O "Álbum para Assuntos Didáticos", também conhecido por "Álbum
Seriado", é um dos mais importantes instrumentais auxiliares de ensino.
O seu correto emprego transforma-o em valioso MEIO DE COMUNICA-
ÇÃO entre o professor e o aluno.
Conceito
"É uma coleção de páginas ilustradas que desenvolvem um tema em
forma progressiva, facilitando a aprendizagem".
Especificações Técnicas
a) Utilidade
Um excelente meio de comunicação para ilustrar:
aulas;
sessões de treinamento;
palestras;
conferências;
demonstrações.
Pode ser usado, também, como:
elemento de exposições;
álbum de ilustrações.
b) Vantagens
O referido álbum apresenta inúmeras vantagens, tais corno:
construção simples e econômica;
é portátil;
acondiciona e conserva ilustrações;
apresenta o assunto em seqüência lógica;
serve como roteiro;
desperta a atenção e mantém o interesse';
facilita a compreensão e a memorização.
c) Sugestões quanto à aplicação:
apresentação do histórico dos diferentes desportos que vamos
ensinar;
coletânea de regras dos diferentes desportos;
nomenclatura das marcações e dimensões de campos, quadras, pis-
tas etc;
seqüência dos exercícios de uma série de ginástica;
tabela de jogos de um torneio ou de um campeonato;
noções de higiene, segurança e saúde escolar; e muitas outras apli-
cações.
Preparação do Instrumental
a) Confecção
MATERIAL NECESSÁRIO
Duas placas no tamanho de ...
50x60 cm de papelão grosso, dura-
tex temperado, duratex comum,
compensado ou mesmo madeira
comum, com espessura média de
0,4 cm
Dois pedaços do material escolhi-
do no tamanho de 5x50 cm.
Esparadrapo ou adesivo para unir
as duas peças, se o material esco-
lhidoor papelão, usamos qua-
tro dobradiças com os respectivos
parafusos, parafusos com borbo-
leta de mais ou menos 8 cm de
comprimento.
Meio metro de cordão grosso ou
fio plástico.
b) Montagem
Fazer dois furos em cada pedaço
Unir com dobradiças, esparadrapo ou adesivo, de acordo com o
material escolhido, cada placa menor com as correspondentes maiores,
pelo lado de fora.
Juntar os dois conjuntos com os parafusos e prendê-los com as bor-
boletas.
Prender as folhas por entre as placas
com auxílio dos parafusos e das borbo-
letas.
Barbante ou fio plástico coms nas ex-
tremidades.
Para prender as folhas ou suporte,
afrouxar as borboletas, retirar a capa
superior, colocar as folhas, recolocar
a capa e as borboletas, apertá-les
bem.
Para manter o suporte aberto, fazer
um furo na extremidade inferior de
uma das placas e um corte na extre-
midade da outra.
Colocar, então, o cordão. Abrir,
prender o cordão na extremidade cor-
tada da outra placa.
Podemos, também, usar um cordão coms nas extremidades. As
partes inferiores das placas ficarão presas pelos nós.
c) Complementos
Papel jornal (mais barato);
Papel apergaminhado;
Papel Superbom;
Cartolina;
Textos Impressos;
Ilustrações;
Pincel Atômico e Caneta Hidrográfica;
Carga de tinta;
Normógrafo;
Figuras Recortadas;
Ponteiro Auxiliar.
d) Uso conjugado
O álbum Seriado pode ser conjugado com:
Quadro-Negro
Pintar por dentro uma das placas em verde-escuro ou preto, embora
sua área seja limitada pela pequena área de serviço.
Quadro de Flanela ou Quadro Magnético
Cobrir com flanela ou feltro, por dentro, ou outra placa, fazendo um
pequeno quadro de flanela. Utilizar uma placa metálica, sob o feltro,
para o quadro magnético.
2. QUADRO DE FLANELA
Um quadro de flanela, fêltro, lã ou camurça que utilizado com imagi-
nação torna-se um excelente meio de comunicação entre o professor e o
aluno.
Especificações Técnicas
a) Forma
As formas mais comumente encontradas são:
quadrangular e retangular.
b) Tamanho
O tamanho menor recomendado é de 0,50 x 0,50m. Tamanhos menores
o proporcionam rendimento devido à sua reduzida área de utilização.
Recomenda-se como tamanho ideal o de 0,80 x l,00m. Quando fixo em
sala de aula sugere-se o de 0,72 x 0,92m.
c) Vantagens e utilidade
Vantagens
econômico;
simples;
de fácil manejo;
estimula a participação do aluno;
desperta a atenção;
mantém o interesse.
Utilidade
apresentação de esquemas ilustrados;
apresentação do assunto em seqüência;
ilustrações de palestras e aulas;
serve para diferentes tipos de demonstrações;
facilita estudos comparativos.
d) Conservação
A conservação do instrumental é simples e econômica.
Recomenda-se o uso de benzina para limpeza do feltro.
e) Sugestões quanto à aplicação
estudo e demonstrações de esquemas táticos;
organização de torneios e campeonatos;
regras dos diferentes desportos;
formações e deslocamentos;
noções de higiene, segurança e saúde escolar.
f) Instalação
Fixo: Quando é confeccionado e co-
locado na parede, geralmente ao lado
do quadro-negro.
Sugere-se, quando da instalação,
que se dê uma pequena inclinação na
parte inferior, de modo a facilitar a
aderência do material que nele será
aplicado.
Deslocável: quando se apresenta sôbre cavaletes, fixado a suportes es-
peciais ou sôbre um porta-quadros ou porta-gravuras.
Para que o quadro de flanela ou quadro de feltro fique em posição
correta no porta-quadro, é necessário que coloquemos um pequeno anteparo
ontre os dois instrumentais. Êste simples expediente evitará que o quadro
de feltro fique dobrado na emenda das duas partes.
Existe, ainda, um tipo "desmontável" lançado recentemente no mer-
cado especializado. Êste tipo foi idealizado para professôres que se deslocam
para pontos distantes, pelo professor Manoel Ribeiro de Moraes.
g)r
Usam-se as seguintes côres na confecção do quadro: cinza-escuro,
branco, azul-claro e verde-escuro.
h) Material Empregado
Emprega-se com maior sucesso o fêltro, o que vem fazendo que êste
substitua a "clássica" flanela. Usa-se, ainda, a, a camurça e o veludo,
que, no entanto,o mais caros e exigem maiores cuidados na sua uti-
lização.
0 Confecção
Material necessário: duas placas de compensado ou duratex 0,40 x
x 0,50m; flanela ou feltro 0,80 x l,00m; percaline e cola.
Colar as duas placas de duratex ou
compensado, deixando um pequeno
intervalo entre as mesmas, usando
para isso duas tiras de percaline ou
papel grosso. Figura ao lado.
Cortar as sobras das tiras como mos-
tramos na figura ao lado.
Colocar o feltro ou a flanela, esti-
cando-o de modo ao aparecerem
dobras ou franzidos.
Fazer um acabamento nas bordas
com percaline.
Procedimentos Didáticos
planejar a utilização;
colocar o quadro em local visível;
manter-se ao lado do quadro de modo ao impedir ou dificultar
a visibilidade do mesmo;
usar um ponteiro auxiliar, para conduzir a atenção;
inclinar ligeiramente o quadro para facilitar a aderência das figs.;
guardar o material, lixa, contralixa;
empregar figuras coloridas;
usar o quadro conjugado com outro instrumental.
3. PORTA-QUADROS OU PORTA-GRAVURAS
Peça constante do instrumental auxiliar que serve de apoio para dife-
rentes materiais, melhorando a visão da peça exposta.
Especificações Técnicas
a) Vantagens e Utilidades
Vantagens
Esse instrumental apresenta várias vantagens, tais como
construção simples e econômica;
fácil de ser transportado;
uso simples;
melhora a visão da peça exposta;
desperta a atenção;
mantém o interesse.
Utilidade
Constitui uma peça útil para manter:
cartazes;
quadros de feltro;
quadros magnéticos;
quadros murais;
letreiros etc.
b) Preparação do Instrumental
Confecção
Traçar num molde duas figuras iguais ao modêlo ao lado (fig. 2).
Aconselha-se como medida 66 cm de altura por 32 cm de largura
inferior, ângulo de 88° que, todavia,o impede a confecção em ou-
tros tamanhos.
Trace com o molde a figura
num papelão, compensado ou
duratex. Recorte ou serre as
duas peças iguais.
Corte as sobras das tiras
como mostramos na fig.
Cole as duas peças, deixando
um pequeno intervalo entre
as mesmas, usando, para isso,
duas tiras de papel grosso e
cola (em ambos os lados do
suporte).
4. QUADRO METÁLICO
O quadro metálico, também chamado de quadro magnético ou imantó-
grafo, é um dos instrumentais auxiliares, cujo emprego ultimamente mais
tem sido difundido.
Especificações Técnicas
a) Utilidade
Excelente para ilustrar aulas, palestras e conferências.
b) Vantagens
Apresenta as mesmas vantagens do quadro deflanela acrescidas, en-
tretanto, de outros dados que:
o material fica mais bem fixado ao quadro com a utilização dos
imãs do que com a da lixa.
que o instrumental pode aparecer conjugado com quadro-negro,
quadro de flanela ou álbum seriado.
c) Sugestões Quanto à Aplicação
marcar no quadro as linhas do campo ou quadra;
estudo e demonstração de esquemas táticos;
avisos;
noções de higiene, segurança e saúde escolar;
estudo e demonstrações de formações e deslocamentos.
d) Preparação do Instrumental
Geralmente confeccionado no tamanho de 0
:
80 x l.OOm, retangular, por-
tanto, em placa galvanizada.
Se desejarmos conjugá-lo com quadro-negro, revestimos a placa com
231
tinta própria para quadro-negro. Se quisermos conjugá-lo com quadro de
flanela, devemos revesti-lo com fêltro ou flanela.
Procedimentos Didáticos
Fixar as gravuras com os ímãs e usá-lo com quadro de flanela.
5. QUADRO-NEGRO
O quadro-negro é um dos instrumentais auxiliares constantes do equi-
pamento escolar moderno. É um excelente meio de comunicação entre pro-
fessor e aluno, simples e econômico.
Especificações Técnicas e Preparação do Instrumental
a) A Confecção
A confecção desse instrumental envolve o emprego de materiais como:
cimento, aço, madeira. Ultimamente, empregam-se materiais especiais como
o duratex, pano, couro ou encerado, ardósia, vidro e plástico lavável.
O acabamento do instrumental utiliza tinta, metal e madeira. A tinta
utilizada deve ser resistente, lavável, fôsca e porosa. No Brasil, encontra-
mos predominando as côres: preta, verde-escuro e cinza-escuro. Atualmen-
te, começam a ser usadas as cores: verde-claro, branca e amarela, que se-
gundo pesquisa feita na Inglaterra permitem uma leitura 10% mais rápida
por adultos e crianças. Fazem parte do acabamento as molduras e os acessó-
rios: apagador de giz, depósito de giz, cordões, trilhos e cortinas,
n) Instalação
Quanto à instalação, o quadro-negro pode ser:
Fixo
Quando é confeccionado ou colocado na parede exigindo cuidados espe-
ciais na escolha do local apropriado para sua instalação.
Sugere-se, quando da instalação, que se dê uma pequena inclinação na
parte superior do mesmo de forma a melhorar a visibilidade, impedindo os
reflexos da luz. Usa-se, também, iluminar a superfície do quadro com
lâmpadas fluorescentes, protegidas por um quebra-luz. Quandor con-
feccionado em vidro ou plástico translúcido, sugerimos a iluminação por
trás do quadro.
Deslocável
O tipo deslocável pode apresentar-se sob diversas formas:
apoiado sôbre cavaletes ou suportes especiais (fig. abaixo).
Seu tamanho mais ou menos reduzido permite o deslocamento na sala
de aula. Com isso, podemos corrigir a incidência de luz sôbre a sua super-
fície, ocorrência bastante comum em nossas salas de aula, geralmente
adaptadas.
Êste tipo pode ser manejado até pelos próprios alunos (fig. abaixo).
Ainda entre os de tipo deslocável, encontramos os conjugados com
outros instrumentais.
No desenho ao lado encontramos
um exemplo conjugado a álbum
seriado.
Para isso, basta pintarmos uma das faces internas do álbum com tinta
própria para quadro-negro.
O quadro-negro de enrolar é extremamente útil ao professor, que pode
levá-lo para diferentes lugares, de acordo com as suas necessidades (figura
abaixo).
Sua confecção é simples. Um pedaço de plástico grosso, fosco e ligeira-
mente poroso, adquirido nas cores adequadas, dispensando, portanto, a
pintura de sua superfície, preso a duas hastes de madeira, nas extremida-
des superior e inferior, permite têrmos êste instrumental auxiliar pronto
para uso.
O tipo giratório (figura acima) permite a utilização do instrumental
em suas duas faces. Uma das extremidades é presa à parede da sala por
meio de um eixo que permite, assim, o giro do mesmo.
Na figura anterior mostramos o tipo "conjugado em trilhos". Nesse
instrumental podemos encontrar o quadro-negro conjugado à tela de pro-
jeções, quadro de feltro, quadro magnético, mural etc.
Sua construção implica na estruturação de uma parede falsa revestida
por um daqueles instrumentais No interior, o quadro-negro fica alojado
sôbre trilhos. O professor, de acordo com suas necessidades, fará correr o
instrumental que desejar usar.
Existe ainda o tipo de "altear e baixar", "guilhotina" ou "deslizante".
Êste tipo oferece maior área de serviço.
c) Materiais Complementares
Alguns materiais complementam o quadro-negro, tais como: giz co-
mum, branco ou em cores, giz indelével, protetor, apara pautas, apagador
(lã, camurça, feltro ou espuma), ponteira auxiliar, réguas, compasso, es-
quadros (45°, 50°, 60°), transferidores, matrizes perfuradas e moldes di-
versos.
d) Conservação
Embora a conservação do equipamento escolaro seja da competência
única do professor, a Didática moderna recomenda que êste seja informado
dos processos de conservação daquele.
Após a utilização do mesmo, devemos usar o apagador no sentido de
cima para baixo. Para manter em bom estado o quadro-negro, devemos
limpá-lo uma vez por semana com um pano úmido. Tal operação dificultará
o acúmulo do pó de giz sôbre sua superfície, o que acabaria por torná-la bri-
lhante, dificultando, ainda, a escrita no mesmo.
235
Alguns Procedimentos Didáticos
1 Planejar com antecedência o assunto, considerando a área do qua-
dro-negro a ser utilizado.
2 Preparar os materiais auxiliares de uso no quadro-negro.
3 Manter-se ao lado do quadro, de modo ao impedir a visibilidade
do mesmo.
4 _ Usar a letra de fôrma, atentando para o fato de que a uma distância
de 8m a letra aparece 20 vezes menor.
5 Escrever somente no momento exato.
6 Estimular o uso do quadro, pelos alunos.
7 Para conduzir a atenção do grupo, usar o ponteiro auxiliar.
8 Usar giz der para contrastar.
9 Ilustrar os assuntos com desenhos simples.
10 Apagar o quadro após o término da aula.
Algumas sugestões.
a) Ampliar gravuras pelo sistema de quadrículas
b) Molde
Fazer o contorno em cartolina ou madeira.
Recortar ou serrar obtendo-se o molde.
c) Matrizes Perfuradas
Ilustrações desenhadas numa cartolina que perfuramos depois com um
vazador.
Bater com o apagador impregnado de giz. Completar o desenho cobrin-
do com giz a figura pontilhada.
d) Giz Semi-Indelével
Prepara-se uma solução saturada de açúcar, utilizando-se água fria
e açúcar. Mistura-se até o ponto de saturação.
Prepara-se outra solução composta de 1 (uma) parte da solução
saturada para 2 (duas) de água fria.
Coloca-se 1 ou mais pedaços de giz, nesta 2.
a
solução, pelo tempo
de 5 a 10 minutos (é o tempo em que cessam as bolhas provocadas
pelo giz).
Rétira-se o giz e seca-se ligeiramente numa toalha de papel.
Para se conservar esse giz assim preparado, deve-se guardá-lo num
vidro fechado.
Deve ser usado com cuidado, pois fica quebradiço.
Para ser removido o traçado feito por esse giz, usa-se um pano
úmido.
e) Divisão do quadro-negro em campos
(Gráfico extraído do livro do Prof. Luiz Alves
de Mattos Sumário de Didática Geral)
Esta divisão deve obedecer a uma boa ordem didática de maneira a
assegurar melhor compreensão do assunto.
Materiais Ilustrativos e Informativos
Materiais Ilustrativos
As ilustraçõeso eficientes meios auxiliares de ensino. De uma ma-
neira geral, denominamos ilustrações às estampas e às gravuras.
ILUSTRAÇÕES
ESTAMPAS (FOTOGRAFIAS)
GRAVURAS (reproduções impressas em jornais e
revistas)
a) Vantagens
o fáceis de obter.
o excelentes meios de comunicação.
Constituem elementos motivadores.
Podem apresentar diferentes áreas de estudo.
b) Limitações
o elementos estáticos.
o materiais bidimensionais.
Geralmenteo pequenos.
c) Fontes de obtenção mais comuns
Jornais;
Revistas;
Folhinhas;
Livros;
Catálogos;
Folhetos de turismo.
d) Meios de aplicação
1. Quadros
para
afixações
de flanela
de fêltro
metálico
dobradura
articulados etc.
2. Álbuns para assuntos didáticos.
3. Cartazes.
4. Jornais murais.
5. Painéis de Exposições.
e) Montagens e conservação de ilustrações
As ilustrações devem ser montadas para protegê-las e conservá-las por
mais tempo. Assim, o professor e alunos poderão utilizá-las mais fácilmente.
A montagem das ilustrações permite que possamos guardá-las ou ar-
quivá-las.
f) Técnicas de montagem
Usamos, geralmente, cartolina, papel cartão ou papel colorido.
Para a colagem, geralmente usamos goma' arábica, cola de farinha,
fita gomada, cola polar, cola de madeira, cola tudo, cada uma com suas
características e finalidades próprias.
Nenhuma dessas colas, entretanto, oferece as vantagens da cola de
borracha, também chamada cola de sapateiro ou cola cimento.
Tipos permanente
de
colagem temporária
g) Procedimentos didáticos
1.° Selecionar as ilustrações, considerando:
os objetivos;
o alcance do público;
a qualidade.
2.° Observar:
a) a composição centro de interesse; equilíbrio, luz e sombras:
b) as cores harmoniosas e reais,
h) Arquivo de ilustrações
O arquivo de ilustrações permite melhor conservação desse material:
economiza tempo na procura do material e facilita a sua utilização.
i) Organização
l.
a
Fase Coleta do material
Selecionar todos os recortes e separá-los por Assunto. A seguir guar-
dá-los em envelope ou em pastas de papelão tipo "classificadores".
2.
a
Fase Montagem das ilustrações
Montar as ilustrações de acordo com as técnicas aprendidas ante-
riormente, escrevendo no verso notas explicativas sôbre as mesmas.
3.
a
Fase Guardar as ilustrações montadas
a) Em arquivos.
b) Envelopes.
c) Em pastas.
Organizar um índice.
O índice deve ser simples e flexível.
b)
Materiais Informativos
Certos materiais e técnicas, com o objetívo de informar, estabelecem
comunicações por escrito entre diferentes grupos. Entre outros, encontra-
mos: quadro de aviso, jornal de parede, folhetos, jornais, revistas, bole-
tins etc.
Os jornais, folhetos, boletins informativos poderão ser feitos em mi-
meógrafo, duplicador, copiador etc.
Duplicador de gelatina
a) Vantagens
simples e de fácil manejo;
econômico.
Utilidade
Esse duplicador serve para:
reproduzir textos, gráficos, desenhos;
preparar trabalhos, apostilas, súmulas, questionários etc.
c) Confecção
1. Material Necessário: 42 folhas de gelatina branca;
1/2 litro de glicerina (ou 2 copos);
3/4 de litro de água (,ou 3 copos);
1 panela ou lata, 1 colher de pau, 1 tabuleiro de
alumínio.
Picar a gelatina e deixá-la de molho de uma a duas
horas para dissolver. Juntar a glicerina e ferver
em fogo lento durante cerca de hora e meia até a
mistura tomar a consistência de mel.
Mexer vagarosamente. Coar para tirar a espuma, a fim de evitar de-
feitos na impressão.
Deixar esfriar quarenta e oito horas.
Nota: As instruções sugeridas foram transcritas do Audiovisual em
Revista Ano II, n.° 7 — dezembro de 1960.
2. Preparação:
Duplicador a álcool
a) Vantagens
manual;
simples manejo;
cópias em cores;
tiragem média de 300 a 500 cópias por matriz;
confeccionado em material durável.
r>) Utilidade
Os duplicadores a álcool servem para:
reproduzir textos;
preparar roteiros, apostilas ou súmulas de aulas;
preparar provas e testes;
reproduzir mapas, gráficos e desenhos;
preparar avisos, circulares e informações úteis,
c) Especificações técnicas
A maioria dos duplicadores apresenta as seguintes características
comuns:
uma cópia a cada volta da manivela;
bandeja de papéis com guia para margem;
bandeja receptora de papéis;
tamanho máximo dos papéis: 23cm x 35cm;
almofada para encharcar de álcool.
d) Preparação de Matrizes
Ao preparar a matriz, usar o carbono hectográfico voltado para cima.
Retirar a fita da máquina de escrever e usar um estilete para desenhos
eu textos manuscritos.
6. EQUIPAMENTOS E ACESSÓRIOS PARA PROJEÇÕES LUMINOSAS
Projeções Luminosas
As projeções luminosas constituem valiosos meios de comunicação
audiovisuais ao alcance direto do moderno professor de Educação Física.
O esquema que se segue mostra os principais tipos de projeções lumi-
nosas utilizadas em classe.
Projeções Fixas
Como vimos, encontramos dois tipos de projeção fixa: episcopia e
diascopia.
Denomina-se "episcopia" ("epi" sôbre; "skopein" ver) a projeção
feita por reflexão e "diascopia" ("dia" através; 'skopein" ver) a
projeção feita por transparência.
1) Episcopia
Os aparelhos para projeção fixa por reflexão denominam-se EPISCÓ-
PIOS. Estes aparelhos projetam corpos opacos gravuras, fotografias,
páginas de livros, moedas, folhas, insetos, tabelas, desenhos etc, através
da luz refletida sôbre eles. A lâmpada ilumina o corpo opaco, cuja imagem
e refletida por um espelho inclinado e projetada numa tela por meio de
um sistema de lentes. A imagem assim projetada, entretanto, apresenta
menos luminosidade do que a projetada por diascopia, exigindo, na maio-
ria das vezes, completo escurecimento do ambiente.
a) Vantagens
facilidade de obtenção dos materiais a projetar;
permite a ampliação de ilustrações e textos;
desperta e prende a atenção;
flexibilidade no emprego;
projeta o movimento de pequenos objetos.
b) Cuidados a Observar
conservar o projetor encapado;
usar uma placa de vidro resistente ao calor sôbre a página do livro
que se deseja projetar.
2) Diascopia
Os diascópios, aparelhos para projeção fixa através de transparências,
apresentam-se sob inúmeros aspectos. No tipo mais comum, chamado ge-
ralmente de "projetor fixo", a lâmpada envia raios luminosos em todas as
direções. O condensador capta estes raios enfeixando-os sôbre a imagem
a projetar. Após atravessá-la, esses raios convergem sôbre a objetiva, que
projeta na tela a imagem ampliada e invertida.
Desta forma, é necessário colocar a imagem entre o condensador e a
objetiva já invertida, de forma que ao chegar à tela já esteja em posição
normal.
Os projetores com lâmpadas até 100Wo necessitam do emprego de
ventilador e alguns deles podem ser manejados por controle remoto.
a) Vantagens
facilmente transportável;
projeção com apenas o escurecimento parcial da sala;
útil para demonstrações estáticas;
projeta imagem brilhante;
fácil de conjugar com outros instrumentais;
projeta diapositivos e diafilmes;
econômico.
3) Retroprojeção
A retroprojeção nada mais é que um tipo de projeção fixa em diascopia
em que a mesma é feita por cima do ombro do professor, na tela colocada
atrás da mesa, onde êle se encontra voltado para a turma.
O Retroprojetor
Existem, no mercado especializado, retroprojetores de várias proce-
dências e marcas
Entretanto, a maioria deles apresenta determinadas ca-
racterísticas comuns, tais como:
projeta transparências "por sôbre a cabeça" (overhead);;
lâmpada de 500 watts;
espelho côncavo no interior da caixa do aparelho, por baixo do
estôjo onde é encaixada a lâmpada, de forma a concentrar os raios
luminosos e refleti-los novamente;
a luz atravessa, de baixo para cima, duas placas de vidro translúcido
superpostas;
- objetivo situado num "eixo-suporte";
duas lentes de curta distância focai e um espelho plano, inclinado
em 45°;
ventilador;
regulador e fixador de foco.
a) Vantagens
aparelho facilmente transportável;
projeção sem escurecimento da sala;
substitui o quadro-negro;
projeta imagem brilhante;
torna a aula mais dinâmica;
facilidade em conjugá-lo com outros instrumentais;
materiais didáticos simples de confeccionar pelo professor.
b) Cuidados a observar
evitar deixar a lâmpada acesa desnecessariamente, economizando
a "duração" da mesma;
o movimentar o projetor com a lâmpada acesa, evitando, assim,
que o filamento se parta, queimando a lâmpada;
desligar a corrente evitando balançar o aparelho;
diminuir a intensidade, usar uma folha de acetato ou papel celofane
colorido.
Principais Tipos de Transparência
1. Diapositivos
Diversas denominações incorretaso dadas aos diapositivos, tais como
micropelículas, transparências e principalmente "slides". A palavra "slide".
de origem inglesa, significa: deslizar, resvalar. Assim, refere-se à maneira
pela qual o diapositivo se desloca em dispositivo especial, isto é, "o dia-
positivo funciona em "slide" (deslizando) nas corrediças do dispositivo
próprio".
Desta forma, a denominação correta é DIAPOSITIVO, que significa
"através do positivo" (dia através; positivo positivo).
a) Características
O diapositivo mais comum é a película de acetato de celulose de
35 mm.
O quadro tem o formato de 24mm x 36mm.
b) Montagem
O diapositivo deve ser montado numa moldura de cartão dúplex,
plástica ou metálica.
c) Tipos
A película utilizada pode ser:
em prêto e branco ou
colorida
d) Transformação
Os diafilmes podem ser transformados em diapositivos, bastando para
isso cortar os quadros, queo de 18mm x 24mm, e encaixá-los em mol-
duras apropriadas.
e) Conservação
Para a boa conservação dos diapositivos, sugerimos:
montar o diapositivo com as mãos calçadas com luvas;
segurar o diapositivo pela moldura;
usar no arquivo ondeo guardados pequenos invólucros de sili-
cagem;
usar um fotoscópio para estudar os diapositivos;
separar os diapositivos atacados por fungos dos demais.
f) Utilização
O diapositivo é utilizado em projetores denominados diaprojetores,
também conhecidos incorretamente por projetores fixos.
g) Procedimentos didáticos
estudar a seqüência das imagens;
relacionar o assunto da série a projetar com o tema da aula;
considerar o roteiro que acompanha a série apenas como um guia;
expor cada quadro somente de 1 a 2 minutos;
o exagerar no número de quadros projetados;
dar explicações sucintas sôbre cada quadro.
2) Diafilmes
Várias denominaçõesm sendo dadas ao Diafilme, sendo que a maioria
delas incorretas. Filmetrips, Filmslides, Filmes em Tiraso algumas delas.
A denominação correta a ser empregada, entretanto, é DIAFILME
(dia através; filme película).
a) Características
O "diafilme" é uma seqüência de imagens fixas, transparentes, em
película de acetato de celulose, de 35mm de largura, com perfura-
ções laterais
Os quadros de seqüênciao de formato de 18mm x 24mm x 36mm.
O diafilme apresenta, em média, de 10 a 70 quadros aproximada-
mente.
b) Transformação
Sugere-se a transformação do diafilme em diapositivo cortando-o e
colocando-o em molduras.
c) Tipos
Os diafilmes podem apresentar-se:
em preto e branco ou
coloridos.
ri) Conservação
segurar o diafilme sem marcar com os dedos a película propriamente
dita. fazendo-o pelas partes laterais;
deslizar a película no projetor com cuidado parao arranhá-la;
passar uma flanela fina após a projeção;
enrolar o diafilme com a emulsão para fora;
usar no arquivo envelope de silicagel;
e) Desvantagens
menor que o diapositivo;
maior cuidado na conservação;
apresenta uma seqüência obrigatória.
f) Procedimentos didáticos
estudar a seqüência das imagens;
relacionar cem o assunto da aula;
calcular o tempo de projeção.
3) Transparências para Retroprojetor
a) Características
Transparência em celofane, plástico ou acetato, no tamanho de
2l.5cm x 28cm.
b) Montagem
Montar a transparência em molduras especiais de cartão no tama-
nho de 32cm x 32cm.
A transparência é colada na moldura com auxílio de fita adesiva.
c) Preparação
Para escrever na transparência, utilizar lápis cera, pincel atômico, ca-
neta hidrográfica etc.
MOLDURA DE CARTÃO PARA TRANSPARÊNCIA
(RETROPROJETOR)
TAMANHO : 5 VEZES MAIOR
Os traços ou escritos feitos com lápis cera podem ser apagados com
flanela.
Para apagar os traços feitos com pincel atômico, usar tetracloreto de
carbono.
As transparências podem ser feitas, ainda, com auxílio de máquinas
copiadoras thermo-fax.
d) Conservação
conservar as transparências em molduras;
arquivar em álbuns ou pastas as transparências.
c) Utilização
Essas transparênciaso utilizadas no "retroprojetor".
1) Procedimentos didáticos
preparar as transparências de acordo com os conteúdos a serem
ministrados;
- usar indicadores de plástico coloridos;
usar máscaras para cobrir parte da transparência;
lazer experimentações com o retroprojetor.
Projeções an madas
Como vimos anteriormente, as projeções animadas podem-se apresentai
sob duas for mas:
MUDA
SONORA
Os aparelhos usados neste tipo de projeção intitulam-se "projetores
cinematográficos", mudos ou sonoros. Neste trabalho, desenvolveremos,
principalmente, êste último tipo.
De maneira geral, os projetores cinematográficos sonoros compreendem
três dispositivos que, iuncionando em conjunto, constituem o aparelho pro-
priamente dito:
mecanismo que permite a passagem de luz por uma série de foto-
grafias fixas, sob a forma de película transparente, em rápida su-
cessão;
mecanismo que faz a trilha sonora da película passar entre a fonte
luminosa e uma célula fotelétrica, de modo a produzir som;
amplificador que amplia os fracos impulsos sonoros de maneira
que se ouçam os sons em geral e as vozes em volume natural.
Visto isso, qualquer professor de Educação Física, certo de que a pe-
lícula deve passar no aparelho fazendo com que "ocorra a parada de cada
quadro diante da luz. de forma a produzir uma imagem visual" e "deslize
suave e continuamente entre a lâmpada e a célula fotelétrica. permitindo
que se produza um som claro c audível", é perfeitamente capaz de usai
qualquer tipo indiscriminado de projetor cinematográfico, independente-
mente de sua experiência anterior com esse aparelho.
A maioria dos projetores traz um diagrama para a colocação da pe-
lícula no mesmo e um roteiro do funcionamento, permitindo, assim, que,
com uns 10 minutos de praticagem, o docente fique apto a operar o apa-
relho.
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a) Vantagens
permite visualizar os conteúdos, de forma eficiente;
emprega movimento, o que coloca as projeções animadas em plano
superior às demais técnicas de comunicação audiovisual emprega-
das pela Educação Física;
permite a alteração do tempo pela fotografia, registrando, desta
forma, movimentos que se desenrolam com muita rapidez para
serem apreendidas pelo olho humano;
inclui os sons ambientais, o que permite maiores possibilidades no
seu emprego;
emprega a narração;
utiliza a cor, quando houver necessidade; os filmes coloridos moti-
vam mais, enquanto que os projetados em preto e branco apresen-
tam melhor os detalhes;
permite ao professor de Educação Física e ao Técnico Desportivo
a realização de um sem-número de pesquisas;
desperta o interesse e aperfeiçoa a aprendizagem dos alunos.
As Películas Cinematográficas Na seleção de películas cinematográ-
ficas, o professor de Educação Física deve considerar:
a) Contribuição do filme para o ensino
a película deve conter informações autorizadas e atualizadas; mui-
tos filmes apresentam erros crassos do ponto de vista didático e
educativo;
a película deve estar de acordo com a faixa etária em que se en-
contram os alunos;
o filme deve contribuir para a melhoria da situação da aprendiza-
gem da turma;
deve estar relacionado com a unidade didática que estivermos de-
senvolvendo.
b) Qualidades Técnicas do Filme
o filme deve apresentar fotografia de boa qualidade;
o filme mudo facilitará explicações do professor, de acordo com o
nível de compreensão da turma;
o filme sonoro deve permitir que se ouça o som o mais claramente
possível;
oferecer qualidade e autenticidade da côr;
apresentar boa organização;
deve fazer-se acompanhar de um roteiro didático.
c) Procedimentos Didáticos
Inúmeras oportunidades de emprego de projeções animadas surgem
ao desenrolar de um programa de Educação Física.
Entretanto, elas podem ser resumidas em:
utilização como incentivação da aprendizagem e
apresentação técnica de conteúdos.
Vejamos alguns procedimentos do professor a considerar:
antecipar o vocabulário usado no filme porque, do contrário, poderá
vir a prejudicar a compreensão do mesmo;
criar condições ambientais para a boa projeção do filme;
avaliar a experiência adquirida pelos alunos por intermédio do
filme;
incluir em seu plano de curso as projeções que irá realizar,o se
limitando apenas a efetuar a projeção nos "dias de chuva".
d) Sugestões
Filmes educativos sôbre higiene, segurança e saúde escolar, que
podem ser obtidos por empréstimo no INEP INCE Legações
Estrangeiras, Firmas Comerciais e Industriais etc;
Filmes sôbre técnicas desportivas;
Filmes sôbre eventos desportivos Jogos Olímpicos, Jogos Pan-
-Americanos etc.
Instrumentais Auxiliares Para Auxílios Sonoros
Equipamento e Acessórios Para Auxílios Sonoros
TOCA-DISCOS
Hoje em dia, encontramos no comércio especializado fonógrafos de ex-
celente qualidade ainda que sob a forma de toca-discos. Aos professôres de
Educação Física recomenda-se o tipo alimentado por pilhas, que funcione
em três velocidades: 78, 45 e 33 1/3 r.p.m. e que seja portátil.
a) Vantagens
econômico;
versátil;
útil às aulas de Ginástica Feminina Moderna, Dança etc.
b) Procedimentos Didáticos
preexaminar os discos a usar;
testar o fonógrafo;
escolher a música de acôrdo com o conteúdo a ministrar.
TOCA - DISCO DE TRÊS l/ELOCIDADES
c) Alguns Cuidados a Dispensar aos Discos
O acúmulo de poeira nos discos prejudica a reprodução do som, po-
dendo até mesmo fazer com que fique arranhado. A poeira adere
mais facilmente à gordura deixada pelos dedos na superfície do
disco quando o seguramos incorretamente.
Recomenda-se, por isso, pegar o disco mantendo o polegar no bordo
e os demais dedos no rótulo respectivo;
Outra forma adequada seria segurar o disco com os dedos de ambas
as mãos no bordo do mesmo.
Guardar os discos em posição vertical, exatamente como fazemos
com os livros.
Para desempenar um disco, coloque-o na capa, sôbre uma mesa bem
plana, com alguns livros sôbre o lado empenado.
Para limpar os discos, usar uma flanela, fina e macia, ligeiramente
molhada.
Verificar constantemente as condições da agulha.
GRAVADORES E MAGNETOFONES
Até há algum tempo, cs registros sonoros eram quase sempre feitos
em discos. Hoje em dia, dá-se preferência ao uso de gravadores magnéticos
de fitas ou magnetofones. Êste aparelho recebe esta denominação por fixar,
magnèticamente, numa fita plástica recoberta por uma fina camada de
oxido de ferro, as imagens sonoras.
Ao gravarmos, as ondas sonoraso captadas por um microfone que as
transforma em impulsos elétricos variáveis. Estes, por sua vez,o con-
duzidos a um pequeno ímã sôbre o qual a fita desliza com rapidez, em con-
tato direto. O revestimento metálico da fita guarda as impressões magnéti-
cas de forças variáveis que correspondem aos impulsos originais criados
pelas ondas sonoras da música e da voz. Imediatamente podemos ouvir a
gravação feita, uma vez que as invisíveis impressões magnéticas excitam a
''cabeça magnética", dando origem a impulsos elétricos que, uma vez am-
pliados, atuam sôbre o diafragma do alto-falante para produzir ondas so-
noras iguais às originais.
a) Vantagens
mais econômico do que o toca-discos;
melhoria da dicção do próprio professor;
podemos gravar sómente os trechos de músicas que nos interessam;
permite a correção de erros, "apagando-se" a fita;
pode ser levado para a quadra, campo, ginásio ou piscina, ser do
tipo alimentado com pilhas;
fácil de operar;
reproduz os sons com fidelidade;
permite a volta da fita a trechos anteriores da gravação.
b) Sugestões quanto à utilização
empregar quando deva ministrar Ginástica Feminina Moderna, Dan-
ça, Natação Sincronizada, séries de solo em Ginástica Olímpica,
aulas de Ginástica Calistênica etc;
quando dirigir recreação;
para correção dos próprios defeitos de dicção.
Instrumentais Auxiliares Para Auxílios Audiovisuais
A TELEVISÃO
A televisão representa no campo da comunicação uma verdadeira sín-
tese audiovisual. Seu campo de aplicação na Educação Física no Brasil é
ainda bastante restrito, limitando-se a tentativas individuais de técnicos
desportivos quem empregando, em seus treinamentos o processo do
"video-tape"
Nem mesmo nossas escolas superiores de Educação Física apresentaram
tentativas nesse terreno.
Acreditamos, entretanto, que dentro em pouco a televisão terá um
grande desenvolvimento entre nós.
Teremos, assim, possibilidades de manter nossos professores e técnicos
atualizados no que concerne aos avanços de nossa especialidade, bem como
iniciaremos uma nova fase de pesquisas em Educação Física.
A INSTRUÇÃO PROGRAMADA
Esta técnica de ensino encontra suas origens num modelo de teste or-
ganizado por S. L. Pressey, em 1926, na Universidade de Ohio. Entretanto,
só foi realmente estruturada por B. F. Skinner e sua equipe da Universida-
"Máquina de ensinar"
de de Harvard, por volta de 1954. Êste processo adquiriu notoriedade,
também, pelos instrumentos que, às vezes, utiliza: as "máquinas de ensi-
nar". Inúmeros estabelecimentos educacionais, industriais e militaresm
realizando pesquisas de forma a testar a validade do método, o que aliás,
hoje em dia,o é contestado.
A Instrução Programada tem por base a análise científica da aprendi-
zagem, sendo, portanto, a aplicação da psicologia experimental ao ensino.
O princípio psicológico conhecido como "reforço à conduta", que recomen-
da que se recompense a conduta certa e admite, uma vez obtido êxito,
surja um convite à repetição e que esta se transforme em hábito, fornece
o subsídio para a elaboração dessa técnica.
Assim, as informações e os conhecimentoso apresentados em peque-
nas doses, ordenados de forma racional, partindo do simples para o com-
plexo, até ao nível de instrução que se pretenda atingir. O aluno, graças
a um processo de auto-instrução, adquire por essa técnica os conhecimentos
desejados, tornando-se aquêle elemento ativo dentro do processo do en-
sino, como recomenda a Didática Moderna. O fracionamento das dificulda-
des, o desenvolvimento gradual do conteúdo a aprender fazem parte da
técnica que, assim, procura tornar o estudo agradável, eliminando os aspec-
tos que possam parecer menos atraentes ao estudante.
O "programa" consiste no conteúdo elaborado por etapas de dificulda-
des escalonadas, permitindo ao aluno assimilar a matéria e cometer um
número mínimo de erros. A eficiência de um programa é função do número
de respostas corretas que obtém o instruendo.
O programa realmente mais comum, elaborado segundo as diretrizes
estabelecidas por Skinner, se caracteriza por informações pouco extensas,
respostas dadas pelo aluno, perguntas construídas de modo a evitar o erro,
seqüência sucessiva de quadros, seja correta ouo a resposta dada ao
quadro precedente. Êste tipo é, também, denominado de "Programa Linear
e Contínuo".
Outro tipo de programa apresentado é o construído segundo a técnica
propugnada por Crowder. Caracteriza-se pela forma de múltipla escolha
e por organizar a seqüência dos quadros de informações, baseada na natu-
reza das respostas dadas. Denomina-se, também, Programa Diversificado.
Ramificado, Intrínseco ou Descontínuo.
O material didático empregado em Instrução Programada varia muito.
O programa pode ser impresso em papel, apresentar-se sob a forma de
filmes, diafilmes ou diapositivos, que serão oferecidos ao estudante por meio
de livros ou da "máquina de ensinar". A forma de apresentação pouco im-
porta, o que importa é o conteúdo e a elaboração do programa.
Em nossas escolas superiores de Educação Física, nas chamadas "ma-
térias teóricas' predominam as aulas em estilo tradicional a preleção.
A Instrução Programada procura eliminar as deficiências das aulas tradi-
cionais; transmite n informação, verifica se foi recebida, corrige, sempre
que necessário, as interpretações errôneas; a aprendizagem é feita no pró-
prio ritmo do aluno, o estudante participa de uma forma ativa; permite
a liberação do professor, de forma a buscar melhor relacionamento. Esta
técnica, entretanto,o tem a pretensão de substituir todos os trabalhos
da classe, como,, por exemplo, o diálogo professor-aluno, mas pode tornar-se
uma valiosa peça no processo educacional.
A importância da Instrução Programada reside no fato de que constitui
um meio eficiente de auto-instrução, utilizável em diversas matérias cons-
tantes dos currículos de nossas escolas de Educação Física.
Considera-se êste processo como ideal para ser usado por países em de-
senvolvimento ou que estão reexaminando os currículos e programas de
suas escolas.
Há que considerar o fato de que, em regiões longínquas de nosso País,
êle pode tornar-se excelente veículo de modernas informações e conheci-
mentos de nossa especialidade, transmitidos através de um programa ela-
borado por professôres especializados e atualizados.
A Instrução Programada pode vir a ser um dos principais meios de
informação para todos aquêles que se candidatam a um dos "Exames de
Suficiência" organizados pela Divisão de Educação Física, do Ministério da
Educação e Cultura.
Todos os programas apresentam duas características:
a apresentação da resposta (elaborada pelo aluno ou de múltipla
escolha);
a seqüência dos quadros (linear ou diversificada).
Encontramos, na maioria das vezes, os programas do tipo linear de
respostas elaboradas pelo aluno. Por conseguinte, neste trabalho,s nos
deteremos sòmente neste tipo.
A forma de trabalho exercida pelo aluno, denomina-se "Ciclo de Ins-
trução", que consiste em:
leitura do quadro que contém a informação;
resposta do aluno, atendendo às instruções do texto;
confronto da resposta que deu com a resposta certa colocada em
lugar próprio;
passagem ao quadro seguinte, começo de um novo ciclo.
Damos a seguir um pequeno glossário usado em Instrução Programada:
Programa seqüência de quadros apresentados ao aluno, em etapas
de dificuldades escalonadas, permitindo ao estudante assimilar o
conteúdo da matéria, cometendo um número mínimo de erros.
Quadro ou Item parte da matéria que o aluno precisa estudar. Um
quadro pode apresentar uma informação, uma pergunta, uma frase
incompleta, ou um parágrafo inteiro.
Na maior parte dos programas, os quadros apresentarão uma per-
gunta que exigirá uma resposta do estudante. Essa resposta é con-
firmada antes que o estudante passe ao. quadro seguinte.
Estímulo — é a sugestão à resposta contida em cada texto de informa-
ção. O estímulo é primordial para se obter a resposta.
Resposta comportamento do estudante ante um estímulo que lhe foi
oferecido sob a forma de questões para completar ou opções a fazer.
Reforço correção apresentada imediatamente após uma resposta.
Seqüência ordem de apresentação dos quadros que formam um pro-
grama.
Texto Programado programa apresentado em forma de livro, dis-
pensando a "máquina de ensinar".
Aquisição conhecimento que o aluno assimilou ao término de um
programa ou seqüência do mesmo.
Desaparecimento Gradual desaparecimento gradual das sugestões ou
"deixas".
ATIVIDADES EXTRACLASSE
Inúmeras foram as atividades propostas e realizadas pelos alunos a par
das atividades regulares das escolas, com propósitos educativos, socializa-
dores, recreativos ou assistenciais, desde a antigüidade até nossos dias.
Estas atividades nenhuma novidade representam no campo_da Didá-
tica. Nova, entretanto, é a atitude com que estão sendo encaradas e reava-
liadas em face da renovação da escola e a atual conceituação de "currículo".
O têrmo "currículo", tradicionalmente significava matérias ensinadas
na escola ou a seriação dos estudos.
Modernamente, recebeu um emprego mais amplo, significando "todas
as experiências do educando sob a responsabilidade da escola".
Esta nova conceituação acarretou várias conseqüências inevitáveis.
Dentre elas, podemos mencionar a modificação da denominação de "ativi-
dades extracurriculares" e "co-curriculares", como eram conhecidas as ati-
vidades livremente organizadas pelos alunos, para a de "atividades extra-
classe" ou "atividades complementares".
Por conseguinte, hoje em dia, as "atividades extraclasse" representam
área integrante e obrigatória do currículo de uma escola moderna.
As atividades extraclasse 'interessam de forma bastante particular aos
especialistas em Educação Física. O professor desta "prática educativa",
graças à sua instrução técnico-profissional, à sua formação como educador
e ao contato mais natural e direto que estabelece com os alunos, tem sido
nas escolas modernas, solicitado a orientar, acompanhar e assessorar os alu-
nos na realização de alguns tipos de atividades complementares.
CONCEITO
"São atividades realizadas pelo educando, fora do ambiente formalista
das classes, ainda que sob a responsabilidade da escola, com objetivos mais
educativos que informativos, representando um complemento indispensá-
vel e integrador no plano geral da educação."
Características
As atividades extraclasse ou atividades complementares apresentam as
seguintes características:
decorrem da livre e espontânea iniciativa dos alunos, que resolvem
eu se comprometem a participar das reuniões e trabalhos;
apresentam forma grupal ou socializada de ação com base na organi-
zação dos alunos de uma mesma turma ou de todo o corpo discente do
educandário;
proporcionam atividades de caráter prático e realístico.
Funções
Aquelas atividades desempenham as seguintes funções:
contribuem para mais fácil integração social do educando;
estimulam e desenvolvem o espírito de iniciativa e capacidade cria-
dora;
proporcionam ao educando experiências semelhantes às da vida
diária;
estimulam e desenvolvem o gosto pelas atividades de pesquisa e es-
tudo autônomo dos alunos.
Categorias
Podemos classificar as atividades extraclasse em duas categorias:
as diretamente relacionadas com o programa de estudo de uma ou
mais disciplinas ou práticas educativas constantes do currículo do estabele-
cimento de ensino;
as queo estão diretamente relacionadas com os estudos, mas sim
com a vida social, esportiva, artística e recreativa da escola.
Aos professôres de Educação Física interessam sobretudo estas últimas.
Modalidades
As modalidades de atividades extraclasse mais comuns, em que os pro-
fessôres de Educação Físicao chamados a intervir como supervisoreso
as seguintes:
Campismo;
Clubes e Grêmios esportivos, recreativos ou sociais;
Exposições;
Grupo Folclórico;
Grupos Esportivos (ginástica feminina, judô, ginástica de solo etc.);
Grupos Artísticos (teatro, dança etc.);
Órgãos de redação, divulgação e publicidade escolar especializados;
Reuniões Sociais;
Visitas e Excursões etc.
Honorários dos professôres
Todas as atividades extraclasse devem ser supervisionadas e orienta-
das por um membro do corpo docente do estabelecimento de ensino, desig-
nado pela Direção ou escolhido pelos alunos e, neste caso, referendado pela
administração da escola. A supervisão e orientação de atividades extraclas-
seo consideradas parte integrante dos trabalhos docentes, fazendo jus.
o professor, aos honorários de acordo com o número de horas a elas dedica-
das nas escolas particulares. Nos estabelecimentos públicos, sejam estaduais,
sejam federais, o número de horas dedicadas a atividades extraclasse pelo
professor deve ser deduzido do total máximo de horas a que êle está obri-
gado a cumprir, por força de regulamento.
CAMPISMO
O "Campismo", técnica de acampar com confôrto e segurança, grande-
mente difundido na Europa, somente agora começa a desenvolver-se no
Brasil.
A possibilidade de estabelecer um íntimo contato com a natureza, seja
na praia, seja no campo ou na serra, de maneira confortável, segura e eco-
nômica, começa a atrair um sem-número de praticantes entre nós.
Anteriormente, o campismo era encarado mais como um meio do que
como um fim, isto é, era necessário acampar para caçar, fazer alpinismo ou
mesmo pescar. Poucos acampavam pelo simples prazer de passar dias e
noites em contato com a natureza.
Os acampamentos representam formas de atividades extraclasse das
rnais interessantes e agradáveis, por isto julgamos necessário incluir o cam-
pismo entre as atividades complementares a que os especialistas em Edu-
cação Físicao mais comumente chamados a organizar.
Existe no Brasil um órgão que controla e difunde esta prática entre nós,
o "Camping Club do Brasil". Já possuímos, também, três campos em fun-
cionamento: no Clube dos 500 (Via Dutra), em Cabo Frio e Campos do
Jordão, estando em construção os de Ibatuba, Ouro Preto, Angra dos Reis,
Teresópolis, Itatiaia, Barra da Tijuca e Santo André.
Para estudantes e professôres existe a "Associação Brasileira de Al-
bergue da Juventude", sociedade civil, sem finalidade lucrativa, apolítica
e arreligiosa, filiada à "Federation International D'Alberges de Jeunesse",
a qual lhes possibilita hospedagem, em todo o mundo, com um mínimo
de dispêndio.
Fachada da sede da
"A.B.AJ.", na Guana-
bara R. Diomedes
Trota n.° 332. Ra-
mos (ZC-24) - Rio
Organização e funcionamento
A organização e o funcionamento desse tipo de atividade exige uma
série de medidas e procedimentos a serem tomados pelos alunos e professô-
res. Após as medidas iniciais, pedido de autorização para a realização da
atividade e escolha do supervisor, sugerimos:
Procedimentos Discentes
Aos educandos interessados na atividade cabe:
tomar a iniciativa das atividades;
programar e escolher o local do acampamento;
estabelecer a política dos meios (contribuições, aplicação e con-
trole) ;
executar as atribuições específicas que lhes forem confiadas;
manter as atitudes e normas disciplinares anteriormente estabele-
cidas.
Procedimentos Docentes
Cabe ao professor:
estimular e incentivar a iniciativa dos alunos;
levar os alunos a definirem os objetivos a atingir através da ati-
vidade;
orientar os alunos quanto à escolha do local do acampamento;
sugerir aos alunos e orientá-los na programação das atividades;
acompanhar e assessorar os alunos na organização e na realização
do acampamento;
obter dos responsáveis pelos alunos menores a necessária autoriza-
ção, por escrito;
orientar os alunos quanto às medidas de segurança e higiene a se-
rem adotadas.
Objetivos
possibilitar, durante um relativo espaço de tempo, um contato mais
íntimo dos alunos com a natureza;
- proporcionar ao educando oportunidade para enfrentar com êxito
as dificuldades raramente encontradas nos grandes centros urbanos;
desenvolver nos alunos o gosto pela observação sistemática do am-
biente;
satisfazer a curiosidade e o interesse que crianças e adolescentes
m ao deparar com novas paisagens geográficas;
proporcionar mais liberdade, exigindo-se maior responsabilidade;
facultar ao próprio professor melhor conhecimento de seus alunos
de forma a estreitar cada vez mais os laços de simpatia, amizade
e compreensão entre um e outros;
aplicação prática das noções de higiene.
Atividades Sugeridas
Inúmeraso as atividades que poderiam ser levadas a efeito num
acampamento. Nenhuma outra forma de atividade complementar possibi-
litao grande número de práticas a promover durante a estada no mesmo.
Passeios e excursões Durante o tempo de permanência num acam-
pamento, poderão ser organizados passeios, excursões, visitas a locais de
interesse geral e a pontos pitorescos, próximos ao local onde se fixou o
acampamento. Deve-se, contudo, realizá-los em pequenos grupos, mas de
forma a nunca se deixar o acampamento abandonado.
Jogos e desportos — É extremamente interessante organizar sessões de
jogos ou desportos, apropriados à localização e à área disponível do acam-
pamento e de conformidade com os interesses do grupo. O professor de
Educação Física deve cuidar de distribuir os horários destas sessões de
modo ao transtornar a rotina de trabalho do acampamento.
Improvisação de um campo de
futebol num acampamento.
Atividades artísticas Atividades artísticas realizadas de maneira in-
formalo altamente interessantes de se levar a efeito em acampamentos
escolares. Os números de música, de canto, pequenas dramatizações etc.
o formas que se adaptam bem ao ar livre.
Atividades culturais Surgirão da observação sistemática do meio
ambiente, oportunidade para debates e esclarecimentos dos aspectos novos
que forem surgindo.
Atividades religiosas Deverão ser reservados alguns momentos du-
rante o dia para as atividades religiosas dos alunos, respeitando-se-lhes os
credos individuais.
Procedimentos Didáticos
A organização e o funcionamento de um acampamento exigem dos
professôres um grande número de procedimentos didáticos.
Escolha do local Numerososo os critérios adotados na escolha de
um local para o acampamento. Sugere-se, geralmente, que êle seja armado
próximo ao local, em que exista água nascente ou corrente. As barracas
devem ser armadas longe de matas cerradas, áreas onde possam ocorrer des-
lizamento de encostas ou de pedras.
Aconselha-se, Outrossim, que se dê preferência a locais adrede prepa-
rados e já conhecidos e utilizados para tal prática.
Os participantes — A velha praxe de levar todos os alunos a partici-
parem da atividade extraclasse aqui focalizada, é prática inteiramente
abandonada. Sugere a Didática que o número máximo de participanteso
deve ultrapassar de trinta. Os acampamentos deverão ser apenas para ra-
pazes ou somente para moças. Os alunos participantes, se menores, deverão
apresentar autorização prévia de seus responsáveis.
Ao professor supervisor cabe formular convites a membros do corpo
docente e administrativo da escola para integrarem a equipe que organizará
e acompanhará a atividade.
O equipamento Facilmente podemos concluir que o equipamento
necessário à realização da prática depende de inúmeros fatôres distância,
natureza do local escolhido, tempo de permanência, número de participan-
tes, grau de treinamento na atividade e características gerais do grupo que
participará da atividade extraclasse.
O equipamento é de duas espécies: individual e coletivo:
O equipamento individual consta de:
Mochila de lona forte, com correias ajustáveis ao tamanho do alu-
no. A arrumação da mochila é muito importante. Deve-se começar a arru-
má-la pelas peças maiores (toalha de banho, uniformes), dobrando-se de
modo a acolchoar a parte que ficará sôbre as costas do educando. Coloque-
-se, depois, dobrada, as peças de roupa menores, deixando-se os objetos mais
duros e contundentes (sapatos, saco de pratos etc.) para a parte da frente
da mochila. Deve-se dispor as peças de maneira que se possa encontrá-las
com facilidade mesmo no escuro.
Bornal — é uma bolsa de lona, usada quando se efetuam pequenos
deslocamentos ou curtas excursões. Usa-se para levar calção ou maio, toa-
lha, merenda etc.
Lagarto saco para dormir, acolchoado e com "eclair". Sugere-se
colocar dentro do lagarto pijama, toalha, sabonete, dentifrício e escova, de
modo a ter tudo ào à hora de dormir.
Objetos para higiene individual estes objetos (pentes, tesoura
de unhas, desodorante, talco, escova, pasta e fio dental) podem ser acon-
dicionados em um saco plástico.
Cantil cantil com capa protetora para conservar a temperatura
do líquido eo sujar a roupa.
Saco com talher completo, prato de alumínio ou ágata, guardanapo.
pano de prato e caneca de alumínio.
Tesoura, agulha e linha e lanterna elétrica.
Caderno ou bloco, lápis e borracha.
Agasalho e capa plástica.
Repelente.
Recomenda-se aos alunos queo levem jóias ou objetos de valor dada
a natureza da atividade.
O equipamento coletivo consta, geralmente, de:
Barracas de lona.
Sacos de Lyster para armazenamento de água.
Cozinha portátil (fogões, panelas etc.).
Mantimentos feitas as previsões das necessidades.
Geladeira de isopor.
Lampiões e lanternas.
Facões, pás, machados.
Caixa com medicamentos, incluindo sôro antiofídico polivalente.
Repelente.
Higiene As normas de higiene a serem adotadas devem ser as mais
rigorosas .possíveis. Os compêndios e cartilhas de saúde trazem todas as
indicações necessárias ao professor.
Fazemos referência aqui apenas ao tratamento que devemos dispensar
à água nos acampamentos.
A água deve ser depositada nos sacos de Lyster (reservatório de lona)
com capacidade para vinte litros, nos quais é feito o tratamento por hipo-
clorito de cálcio. O agente, geralmente acondicionado em ampolas de vidro,
é colocado nos sacos à razão de 75 centigramas (ampola e meia) por saco.
Dez minutos depois da adição do reagente, dosa-se o cloro residual, utili-
zando-se a solução de ortotoluidrina e o resultado é apreciado pela colora-
ção obtida.
Havendo dificuldade para a utilização dos sacos de Lyster, podemos
usar individualmente um dos dois processos seguintes:
Hipoclorito de cálcio dissolver 50 cg em 10 cc de água, colocar a
solução em um vidro e pingar uma gota da mesma solução em cada cantil
cheio de água. Agitar bem, podendo-se consumi-la meia hora depois.
Com iodo, 3cc de soluto de iodo (tintura) para cada cantil. Agitar
e consumir depois de meia hora.
CLUBES
Clube é uma forma de associação voluntária cujos membros se orga-
nizam em torno de objetivos comuns. Estes objetivos podem ter caráter
recreativo, esportivo, social, cultural, religioso ou até mesmo econômico.
A duração do funcionamento do clube, portanto, dependerá do tempo
que perdurar o interesse comum do grupo.
Hodiernamente. os clubes, em geral, apresentam um quádruplo as-
pecto: desportivo, recreativo, social e cultural.
Os clubes escolares representam uma das mais valiosas atividades
extraclasse postas em prática pelas escolas modernas.
Os professôres de Educação Física são, na maioria das vezes, chamados
a orientar esse tipo de atividade extraclasse, quando os objetivos dos clubes
o desportivos, recreativos ou sociais.
Organização e funcionamento
Obtida autorização superior e escolhido o professor-supervisor, pro-
cura-se organizar o clube segundo os princípios seguintes:
Procedimento Discente
Compete aos discentes interessados na atividade:
tomar a inicistiva das atividades;
definir os objetivos do clube;
programar e executar as atividades do clube;
decidir sôbre o tipo de direção e organização a ser emprestada à
atividade;
prever e executar as formas de controle (relatórios, balanços etc.);
estabelecer a política de meios (coleta, aplicação e controle de fun-
dos e recursos).
Procedimento Docente
Ao professor-supervisor cabe:
estimular e incentivar a iniciativa dos alunos;
levá-los a definir os objetivos da atividade extraclasse;
sugerir e orientar os alunos na programação das atividades;
acompanhar e assessorar os alunos na organização e realização das
atividades e nos controles adotados;
orientar os alunos na elaboração do estatuto da novel entidade e nas
assembléias gerais.
Objetivos
A organização de um Clube de Alunos numa escola tem por objetivos:
permitir melhor relacionamento entre a escola e a comunidade:
contribuir para mais fácil integração social dos alunos;
ocupar com propriedade as horas de lazer dos alunos do estabeleci-
mento:
desenvolver atividades esportivas, sociais e recreativas para os cor-
pos docente e discente do educandário.
Atividades Sugeridas
Inúmeraso as atividades que um clube de alunos pode desenvolver
em sua programação regular:
atividades desportivas torneios internos de diferentes modalida-
des esportivas, campeonatos intercolegiais, organização de representações
esportivas para participar de jogos e torneios e campeonatos (Jogos da
Primavera, Jogos Infantis, Jogos Intercolegiais, Jogos Abertos das diferen-
tes estâncias hidromineraís, Campeonatos da CBDU etc.) e um sem-número
de outras;
atividades recreativas jogos de salão, reuniões, sessões de cinema
e teatro, torneios-relâmpago etc;
atividades sociais reuniões sociais, comemorações de aniversários,
reuniões dançantes, concurso de danças e várias outras.
Procedimentos Didáticos
Recomendam-se os seguintes procedimentos didáticos na organização
de um Clube de Alunos:
definição do caráter do qual aquêle estará revestido desportivo,
social, recreativo etc;
características de acordo com a etapa evolutiva do desenvolvi-
mento em que se encontrem os participantes, os clubes podem ser caracte-
risticamente:
infantis organizados pelas crianças na escola elementar (de
futebol, por exemplo),
juvenis organizados pelos adolescentes nas escolas de nível
médio,
adultos organizados nas Universidades, Faculdades ou Escolas
Superiores ("Associações Atléticas");
aspecto geral os clubes, quanto aos seus aspectos legais, podem
ser:
com personalidade jurídica;
sem personalidade jurídica;
organograma um clube de alunos em sua organização interna
pode apresentar o seguinte organograma:
GRUPO FOLCLÓRICO
Uma das mais interessantes e profícuas atividades extraclasse postas
em prática pelas escolas modernas é o Grupo Folclórico Escolar.
É, na maioria das vezes, orientado e assessorado pelos docentes de
Educação Física, Educação Musical, História e Geografia, o que possibilita
mais perfeita interação de áreas curriculares afeitas àqueles profissionais.
Organização e funcionamento
Obtida a prévia aprovação da Direção ou da Coordenação do educandá-
rio para a realização da atividade sugerida pelos alunos e destacado o mem-
bro do corpo docente que supervisionará a atividade, escolhido pela direção
do estabelecimento ou indicado pelos alunos após prévio entendimento
com a administração da escola, procura-se organizar a atividade de acordo
com as seguintes normas:
Procedimentos Discentes
Compete ao corpo discente interessado na atividade em questão
-
tomar a iniciativa das atividades;
elaborar e programar as atividades do Grupo Folclórico;
executar as atividades programadas;
decidir sôbre o tipo de direção e organização a ser emprestado à
atividade;
prever e executar as formas de controle (relatórios, balanços etc.);
estabelecer a política de meios (coleta, aplicação e controle de fun-
dos e recursos).
Procedimentos Docentes
Ao professor-supervisor e aos professôres que forem chamados a cola-
borar na organização do grupo folclórico compete:
estimular e incentivar a iniciativa dos alunos;
levá-los a definir os objetivos da atividade extraclasse em questão;
sugerir e orientar os alunos na programação das atividades;
acompanhar e assessorar os alunos na organização e na realização
das atividades propostas e nos controles adotados.
Objetivos
O grupo folclórico escolar, forma concreta de atividade extraclasse,
deve numa escola moderna procurar:
proporcionar melhor interação entre as áreas de Educação Física,
Educação Musical, História e Geografia;
possibilitar c estudo, de forma não-acadêmica, das nossas tradições,
expressas em nossas danças, músicas, costumes etc;
desenvolver hábitos de pesquisa folclórica;
permitir cada vez melhor relacionamento da escola com a comu-
nidade.
Atividades sugeridas
o inúmeras as atividades que o grupo folclórico poderia levar a efeito
durante o ano letivo. Vejamos algumas que poderão ser sugeridas pelo su-
pervisor aos alunos que integram o grupo:
Exposições Organização de exposições periódicas cujos temas pode-
o ser escolhidos dentre os seguintes: instrumentos musicais, amuletos,
fetiches, trajes, coletâneas de orações, receitas, símbolos, apelidos, pregões,
maldições, meios de chamar animais ou de lhes dar ordens, desenhos de
rendas e bordados, tipos de casa, cestaria, vasos etc.
Uma exposição de "Ex-Votos", com exemplares do nordeste brasileiro.
(Foto da Revista Brasileira de Folclore nº 13).
Demonstrações — O grupo poderia proceder a demonstrações de dan-
ças folclóricas. Estas demonstrações, representações calcadas no folclore,
o muitas vezes confundidas, por pessoas menos avisadas, com folclore.
Folclore é um produto da cultura do povo. Nele podemo-nos inspirar, dele
podemo-nos utilizar, porém jamais poderemos vir a criar. O folclore é a
própria vida do povo em tôda a sua plenitude.
As apresentações públicas no teatro ou na escola representam para o
folclore sua projeção no meio erudito, sendo válidas e excelentes se reali-
zadas corretamente.
Demonstração de Capoeira de Angola Bahia
273
Reuniões musicais A promoção de reuniões musicais (mímica
folclórica) periódicaso formas interessantes de atividades para o grupo
folclórico.
A correta difusão de repertório da música e do canto popular é um
instrumento educacional bastante válido e útil.
A colaboração dos professôres de Educação Musical é imprescindível
a êste tipo de atividade.
Conjunto instrumental do Jongo, vendo-se a "macumba" em primeiro plano
(Foto da Revista Brasileira do Folclore n.° 21)
Comemorações « As comemorações de dias especiais ou feriados
(Natal, Reis e outros),' no âmbito da comunidade ou da escola, podem ser,
também, organizadas pelo grupo.
Entre estas comemorações é necessário incluir as do "Dia do Folclore",
22 de agosto (decreto 56.747, de 17 de agosto de 1965); elas se estendem por
tôda uma semana, a "Semana do Folclore".
Sessões literárias Nas sessões literárias é indispensável a colabo-
ração dos professôres de Português na organização e execução do planeja-
mento. As lendas, narrativas, estórias, contos, provérbios etc.o alguns dos
elementos que podem vir a ser empregados nessas sessões.
Um sem-número de outras programações poderia ser sugerido aos alu-
nos componentes do grupo folclórico, de acordo com as possibilidades e dis-
ponibilidades materiais existentes na escola.
Procedimentos didáticos
Inicialmente definidos os objetivos e escolhidas as atividades a serem
desenvolvidas pelo grupo folclórico durante o ano letivo, sugere a Didática
que façamos:
Distribuições das atividades Utilizando-se o calendário escolar, pro-
curaremos distribuir as atividades do Grupo Folclórico pelo ano letivo,
considerando:
os diferentes tipos de atividades a realizar que devem ser distribuí-
dos de forma alternada na programação;
a época escolhida para a realização das atividades, para queo
coincida com períodos de sobrecarga escolar (período de provas, estágios
ou exames);
a semana do Folclore e mais particularmente o Dia do Folclore como
pontos altos da programação do Grupo Folclórico Escolar.
Distribuição das tarefas Programadas as atividades do Grupo Fol-
clórico, procuraremos distribuir as tarefas por grupo de:
Alunos planejadores e organizadores de exposições, de exibições de dan-
ça e de conjuntos musicais etc.
Professôres de Educação Musical, na supervisão e orientação das reu-
niões musicais, organização de conjuntos musicais, planeja-
mento de exposições sôbre instrumentos musicais e assesso-
ramento de pesquisas no que diz respeito ao folclore mu-
sical ;
de Educação Doméstica, na orientação de exposições sôbre
desenhos de rendas e bordados, receitas, cestaria, vasos etc;
de Educação Física, na organização de demonstrações de
luta (capoeira, por exemplo), danças, práticas esportivas
populares etc;
de História, na orientação em pesquisas folclóricas, aspectos
evolutivos, organização de exposições sôbre religiões e
crenças populares etc;
de Geografia, na organização de exposições e reuniões cujos
aspectos geográficos devam ser focalizados;
de Português, na orientação e supervisão de sessões literá-
rias etc.
Os alunos devem-se revezar na organização e execução das tarefas
propostas, de.forma ao ficarem limitados a determinados aspectos do
estudo do Folclore
É provável que um grande número de leitores fique surpreso de ver.
num trabalho de Didática Especial, um grande número de solicitações feitas
aos diversos docentes de diferentes disciplinas ou práticas educativas. Tal,
no entanto,o representa novidade nem inovação no campo da Didática
moderna, pois seo mais é admitida uma disciplina ou prática educativa
isolada no currículo sem perfeita interação com áreas afins, quanto mais
aceitar um professor completamente desvinculado do espírito de equipe
que norteia os trabalhos numa escola moderna.
É, hoje em dia, totalmente inadmissível o professor individualista, alie-
nado do trabalho em grupo que orienta a Educação moderna.
Do especialista em Educação Física exige-se, cada vez mais, profundos
conhecimentos especializados, alicerçados em sólida formação cultural e pe-
dagógica.
ÓRGÃOS DE DIVULGAÇÃO JORNAL MURAL
Os órgãos de divulgação, redação e publicidade escolar especializados
em assuntos relacionados com a Educação Física, os desportos, a instrução
de saúde e a higieneo atividades extraclasse que recebem a supervisão
e a orientação dos professôres de Educação Física.
Dentre estes órgãos, podemos destacar o Jornal Mural como uma fonte
permanente de informações, interesse e atenção e que permite a participa-
ção de um número muito grande de alunos.
Organização e funcionamento
Obtida a autorização da direção do educandário para o funcionamento
e escolhido o supervisor, procura-se organizar a atividade, baseando-se nos
seguintes princípios recomendados pela Didática:
Procedimentos Discentes Compete aos alunos interessados na ati-
vidade:
tomar a iniciativa das atividades;
organizar, programar e preparar o Jornal Mural;
escolher e selecionar os assuntos de maior interesse.
Procedimentos Docentes
Compete aos professôres:
estimular e incentivar a iniciativa dos alunos;
levar os alunos a definirem os objetivos da atividade;
sugerir aos alunos e orientá-los quanto aos temas a escolher quando
da preparação do mural.
Objetivos
Os principais objetivos a atingir através do Jornal Mural são:
servir de fonte informativa sôbre temas relacionados com a educa-
ção física, os desportos, a recreação, a instrução de saúde e a hi-
giene;
levar o aluno a aperfeiçoar-se na linguagem escrita;
articular a escola com o lar e a comunidade;
refletir o dinamismo da escola;
permitir o aperfeiçoamento dos alunos nas escolas técnicas usadas
para a elaboração de murais;
ressaltar e cultuar os sentimentos cívicos e de solidariedade humana
através dos exemplos dados pelo esporte.
Temas Sugeridos
Inúmeros podem ser os temas usados no Jornal Mural:
Educação Física divulgação do moderno conceito de Educação Física,
a formação do professor de Educação Física no Brasil e no mundo, ativida-
des mais usadas em Educação Física, demonstrações de ginástica pelos
alunos do próprio estabelecimento, demonstrações realizadas em outros
países (Lingíada, Espartaquiada e outras), exemplos de ordem moral e
cívica dados através desta prática educativa, posição da mesma no currí-
culo, e um sem-número de outras.
Desportos conceito de desporto; diferença entre jogo e desporto, di-
ferentes classificações dos desportos, e os mais difundidos no Brasil, des-
portoso praticados em nosso país, os acidentes esportivos, exemplos de
perseverança, coragem e lealdade obtidos através da prática dos espor-
tes etc.
Instrução de saúde uso da água, os alimentos, doenças contagiosas e
seus processos profiláticos, a saúde, o esporte e a educação físicao uns
poucos dentre os vários temas que podem ser desenvolvidos.
Higiene — a higiene individual, a higiene na escola e no lar, higiene
das instalações esportivas, cuidados com o material esportivo.
Recreação conceito de recreação, as necessidades do homem em face
da recreação, maneiras de empregar com propriedade as horas de lazer, a
recreação na escola etc.
Um grupo de alunos observa um jornal mural.
277
Procedimentos Didáticos
Na organização e confecção do Jornal Mural recomendam-se os seguin-
tes princípios:
Características O Jornal Mural pode ser feito de madeira, duratex,
fazenda, corda, cartão corrugado ou celotex. Êle pode ser:
fixo;
móvel.
Localização Podemos colocá-lo no corredor, na sala do Dep. de Edu-
cação Física, no ginásio, ou no saguão. A-colocação do mesmo em função da:
altura;
iluminação;
facilidade de acesso.
Preparação Após definidos os objetivos e selecionado o material,
recomenda-se usar títulos visíveis à distância, empregando:
sentenças que promovam identificação;
afirmações provocantes;
perguntas.
Os títulos poderão ser ilustrados, utilizando-se para isso de:
recortes;
gravuras e fotografias;
material tridimensional.
A atenção e o interesse podem ser estimulados por meio de:
cores (no máximo três por mural) e formas;
criação de centros de interesse;
unidade de apresentação (murais simples, com um mínimo de ilus-
trações e legendas, divisão de textos longos em trechos pequenos,
equilíbrio de linhas, cores e formas).
Para fixar o material, podemos usar:
alfinetes coloridos;
percevejos esmaltados;
fitas adesivas;
grampeador.
Calendário — O Jornal Mural, para despertar o interesse e prender a
atenção, deve ser constantemente renovado em seu conteúdo, aconselhan-
do-se a utilização de um calendário para:
trocar o Jornal Mural;
planejar a preparação do mesmo.
VISITAS E EXCURSÕES
A escola tradicional pouca importância atribuía às visitas e excursões,
considerando-as como meros divertimentos nas folgas escolares.
A Didática moderna, considerando a vida como principal fonte de saber
e da experiência educativa, encara as visitas e as excursões como um dos
mais valiosos tipos de atividades extraclasse.
Efetivamente, quando bem planejadas e conduzidas,o um cunho de
autenticidade às atividades escolares, oferecendo reais vantagens para a
aprendizagem dos alunos.
Organização e funcionamento
Inicialmente, obtém-se autorização da administração da escola para a
organização e funcionamento desta atividade sugerida pelos alunos.
A seguir, o Diretor ou o Coordenador designará um membro do corpo
docente para acompanhar e assessorar os alunos no planejamento e na exe-
cução da atividade proposta. Algumas vezes, os próprios alunos, após ante-
riores entendimentos, indicam à Direção da escola o professor que deseja-
riam ter como supervisor.
Tomadas estas medidas iniciais, procura-se organizar os trabalhos den-
tro das seguintes normas indicadas pela Didática:
Procedimentos Discentes
Aos alunos interessados na atividade extraclasse cabe:
tomar a iniciativa das atividades;
elaborar e programar as Visitas e Excursões;
estabelecer a politica dos meios (coleta, aplicação e controle de
fundos e recursos);
executar as atribuições específicas que lhes forem atribuídas indi-
vidualmente ou dentro do grupo;
manter as atitudes e normas disciplinares anteriormente estabe-
lecidas.
Excursão a cavalo.
(Fotos do livro "Um Bolsista Brasileiro
na França" Prof. Joaquim Trotta)
Excursão a pé.
Procedimentos Docentes
Compete aos membros do corpo docente chamados a colaborar na orga-
nização de visitas e excursões:
estimular e incentivar a iniciativa dos alunos;
levar os alunos a definirem os objetivos da visita ou excursão a ser
efetuada;
sugerir aos alunos e orientá-los na programação da atividade;
acompanhar e assessorar os alunos na organização e na realização
das atividades propostas e nos controles adotados;
estabelecer contato prévio com a administração do estabelecimento,
empresa ou órgão a ser visitado, clube ou local onde se realizará
a excursão;
obter dos responsáveis pelos alunos menores autorização por escrito.
Objetivos
Os principais objetivos visados nas visitas e excursões são:
enriquecer e ampliar o campo da experiência e compreensão da vida
por parte dos alunos;
permitir ao professor um melhor conhecimento de seus alunos e es-
tabelecer com eles laços mais estreitos de simpatia, compreensão
e camaradagem;
relacionar a escola com a comunidade;
satisfazer a curiosidade e o interesse que crianças e adolescentes
m ao defrontarem-se com novas paisagens geográficas, novos am-
bientes humanos, sejam sociais, sejam ocupacionais;
dar oportunidade a que os alunos exercitem os corretos preceitos de
disciplina individual e coletiva;
desenvolver o senso de realidade do educando.
Atividades Sugeridas
Diversaso as visitas e excursões que podemos levar a efeito como
atividades extraclasse, dependendo, naturalmente, do interesse, da região,
das disponibilidades em pessoal e recursos e de vários outros fatôres. Apre-
sentamos, por isso, apenas algumas atividades dentre as inúmeras que po-
dem ser sugeridas e idealizadas pelos professôres:
Visitas às diversas Escolas de Educação Física, Museus de Educa-
ção Física civis ou militares, a clubes ou associações,
estádios, fábricas de produtos alimentícios, órgãos assisten-
ciais, exposições públicas, a outros estabelecimentos de en-
sino, centros de saúde e outros mais.
Excursões — a pontos pitorescos, ao campo, praia ou serra etc.
Procedimentos Didáticos
Sugerem-se, aos professôres de Educação Física que estiverem organi-
zando e supervisionando visitas e excursões, os seguintes procedimentos
didáticos:
realizar a visita pessoalmente, antes de fazê-la com os alunos, co-
lhendo todas as informações que possam vir a interessar condu-
ção, horário dos transportes, custo das passagens, tempo de duração
da viagem, locais onde obter alimentação e socorros de emergência,
secções, aspectos, lugares ou fatos que mereçam a atenção do grupo;
combinar com a direção do estabelecimento, clube ou órgão o dia e
a hora em que a visita se realizará;
solicitar a designação de um funcionário, recepcionista ou técnico
para acompanhar a visita fornecendo as explicações necessárias;
aproveitar o contato que a atividade favorece para melhor conhecer
seus alunos;
manter durante a atividade um clima de disciplina onde existam,
também, bom humor, camaradagem e alegria;
exigir dos alunos um "relatório" sôbre a visita ou excursão reali-
zada;
levar os alunos a redigirem um ofício de agradecimento à entidade
visitada e às autoridades que favoreceram a iniciativa.
DIREÇÃO DE ATIVIDADES DISCENTES
Dentro da fase do "ciclo docente" denominada "orientação da apren-
dizagem", procuramos estudar, como vimos anteriormente, dois tipos bas-
tante importantes: a incentivação e motivação da aprendizagem e a apre-
sentação dos conteúdos. Através da motivação, obtém-se a atenção dos
educandos, ao mesmo tempo que se desperta o interesse, a curiosidade e o
desejo de dominar as habilidades queo ser ensinadas.
A apresentação dos conteúdos torna familiar os gestos, os movimentos,
os dados essenciais e outros aspectos do assunto a desenvolver. Essa apre-
sentação, todavia,o é suficiente para que haja um real aprendizado, pois
o se pode pretender que os alunos dominem um desporto, por exemplo,
com apenas algumas aulas sôbre o mesmo. Para que a aprendizagem chegue
a bom têrmo é necessário que os alunos realizem trabalhos práticos ou de
aplicação.
Entramos, dessa forma, em nova etapa na "orientação da aprendiza-
gem", a que se dá o nome de "direção de atividades discentes". Para essa
etapa, a Didática Moderna recomenda que se destinem 70% do tempo re-
servado para tal Unidade Didática.
Trabalhos Práticos e Aplicações
Em nenhuma outra "disciplina" ou "prática educativa" o princípio da
atividade preconizado pela escola renovada aparece com tamanho destaque
quanto na Educação Física. É fácil verificar que ninguém aprende a nadar
ouvindo explicações e vendo demonstrações de técnica de natação, mas sim
entrando na água e exercitando-se nos movimentos apropriados do nado.
Inúmeraso as atividades que podem vir a ser propostas aos alunos,
dependendo isto de um sem-número de fatôres: conteúdos a desenvolver,
método a empregar, meios a utilizar, procedimentos didáticos mais reco-
mendados etc.
O Trabalho Individual e o Trabalho Socializado na Aprendizagem
O Trabalho Individual na Aprendizagem da Educação Física
O trabalho individualizado parte da premissa de que existem diferen-
ças individuais entro os alunos, tanto no que diz respeito ao seu desenvolvi-
mento físico, quanto nas suas características psicológicas. Jamais se en-
contram dois alunos iguais no que tange às aptidões específicas, à resistên-
cia à fadiga, ao nível de maturação, e no que diz respeito aos ideais, atitudes
e preferências manifestadas.
O resultado das modernas pesquisas no campo da biologia e no da psico-
logia puseram por terra a idéia da formação de "grupamentos homogêneos",
que tanto empolgou a Educação Física há 40 anos. Tais pesquisas compro-
varam a inexeqüibilidade de se obter uma perfeita homogeneização dos
"grupamentos".
Podemos, quando muito, tornar homogênea uma turma de alunos em
relação a um ou vários aspectos idade cronológica, sexo, procedência
social, quociente intelectual etc., mas isto constituirá sempre uma homo-
geneização relativa; as diferenças individuais que persistirem serãoo
grandes que anularão quaisquer tentativas de padronização desejadas para
fins de ensino. Tais diferenças, entretanto, apresentam diretrizes gerais
que, uma vez admitidas, permitem a elaboração de novos planos de ensino,
cuja característica é a individualização do trabalho escolar.
Êste tipo de trabalho tem-se revelado extraordináriamente eficaz no
treinamento desportivo de equipes de clubes e equipes escolares.
Como exemplo disso, poderemos consignar o treinamento moderno dos
nadadores, feito, atualmente, com base nos princípios da individualização
do trabalho. O nadador recebe ao ingressar no recinto da piscina o seu trei-
namento do dia. Imediatamente após a troca de roupa, faz a sua série básica
de ginástica, caindo na água logo depois para ó "aquecimento" específico.
A seguir, inicia a série predeterminada de esticões 20 de 50 metros, com
1 minuto de intervalo, por exemplo, controlando, êle mesmo, o tempo dos
esticões e os respectivos intervalos com auxílio do "cronômetro gigante".
Terminada essa fase, o nadador finaliza o treinamento realizando exercí-
cios específicos para pernas e braços.
Desta forma, o professor de Educação Física, ou o técnico, fica dispen-
sado de controlar o tempo-intervalo de cada membro da equipe, passando
a dedicar-se a correções de estilo, observações técnicas, considerações de
caráter tático, análise dos programas de treinamento etc.
Com o trabalho individualizado, cada aluno passa a trabalhar dentro
do seu próprio ritmo, ao mesmo tempo que desenvolve o senso de respon-
sabilidade e iniciativa.
A adoção dêste modêlo de trabalho permite atender aos alunos que
estejam requerendo cuidados especiais, como os portadores de defeitos de
postura escoliose, cifose, lordose etc. e os que revelarem extraordiná-
rias aptidões para determinada atividade.
O trabalho individual pode, também, vir a ser adotado nas escolas
superiores de Educação Física e,, a Instrução Programada surgirá como
uma peça valiosa nesse processo de auto-instrução.
Organização do trabalho individualizado:
sondagem inicial para identificar: aptidões, interesses, preferências,
grau de treinamento etc, de cada aluno;
levantamento de antecedentes individuais e familiares;
entrevistas;
sessões de orientação.
Baseados nessa sondagem, organizaremos um "programa de trabalho",
"mínimo", para os alunos infradotados e, "enriquecidos", para os super-
dotados.
Com essa estrutura, os professôres ascendem à posição de guias eo
mais de uma autoridade incômoda.
Trabalho Socializado na Aprendizagem da Educação Física
O trabalho socializado é o mais empregado em Educação Física, ainda
que empiricamente, na maioria das vezes. Esse tipo de trabalho estimula
a colaboração, a lealdade e a assistência entre os alunos, ao mesmo tempo
que desenvolve o senso de responsabilidade do indivíduo para com o grupo.
Assim, quando em nossas aulas passamos da proposição de exercícios
individuais para exercícios com pequenos grupos ou quando fazemos com
que nossos alunos passem a preparar o material para os próprios colegas
de equipe, estamos preconizando uma forma socializada de trabalho.
Modalidades mais comuns
agrupamento espontâneo, quando os alunos se reúnem em grupos,
escolhendo-se livremente;
agrupamento sugerido, em que o professor de Educação Física reúne
os alunos em grupos para a realização de determinada tarefa.
Organização do Trabalho Socializado
constituição dos grupos;'
escolha do lider (eleição dentro do próprio grupo) para uma deter-
minada tarefa ou espaço de tempo;
estabelecimento das tarefas pelo professor;
acompanhamento da marcha dos trabalhos de cada grupo pelo do-
cente;
avaliação dos resultados.
O trabalho socializado pressupõe, também, um trabalho individual de
execução de tarefas que lhe couberem dentro do grupo e do aprimoramento
individual.
Trabalho Individual e Trabalho Socializado
Nas escolas modernas, procura-se harmonizar estas duas tendências,
de acordo com as circunstâncias e as necessidades e interesses momentâ-
neos que envolvam a prática da Educação Física.
INTEGRAÇÃO E FIXAÇÃO DA APRENDIZAGEM
A etapa seguinte do processo do ensino, compreendida, ainda, na fase
da "orientação da aprendizagem", que se segue à direção de atividades dis-
centes, denomina-se "integração e fixação da aprendizagem". Aqui, o pro-
fessor desenvolve com seus alunos procedimentos que objetivam integrar
e fixar os conteúdos ministrados.
É uma etapa que tanto temos descurado no ensino da Educação Física,
posto que seja fundamental ao bom desenvolvimento do processo do ensino
dessa "prática educativa". O baixo rendimento verificado em algumas tur-
mas deve-se, em grande parte, à supressão do tempo reservado à integração
e à fixação da aprendizagem.
Integração da Aprendizagem
A Didática de Educação Física recomenda dois procedimentos técnicos
como sendo os mais importantes para obtermos a integração da aprendi-
zagem:
RECAPITULAÇÃO
ITERAÇÃO
Recapitulação
A recapitulação permite que os educandos adquiram uma síntese retros-
pectiva dos conteúdos ministrados, evitando que se atenham à perspectiva
analítica das etapas iniciais.
Assim, por exemplo, a recapitulação de um fundamento já ensinado
o passe picado, em basquete que viesse tendo um. emprêgo limitado na
prática do jogo, passa a ter maior importância quando os alunos descobrem
situações do jogo em que tal fundamento é o mais apropriado para ser
usado. Desta forma, a recapitulação, eliminando a visão analítica daquele
ensinamento, proporciona uma nova perspectiva, dando aos alunos uma
aprendizagem ideativa.
Técnicas de Recapitulação
Apresentação de problemas e situações. Exemplo: o professor, orien-
tando um grupo que se inicia no andebol, arma os ataques de um
grupo adversário de forma que os alunos da outra equipe tenham
que utilizar todas as formas de defesa já aprendidas.
Recapitulação sob prisma diferente. Exemplo: uma turma que esteja
desenvolvendo uma unidade didática sôbre GINÁSTICA OLÍMPI-
CA e já tenha aprendido alguns exercícios elementares de solo
rolo para frente, avião, parada de três apoios, estrela etc. poderá
recapitular estes elementos através de uma série simples organizada
pelo professor ou, até mesmo, pelo próprio aluno.
Momentos mais Empregados para a Recapitulação
imediata recapitulação feita ao término de cada aula;
por unidade recapitulação levada a efeito ao fim de cada unidade
didática, podendo abranger tôda uma aula;
cumulativa recapitulação geralmente feita ao término do ano le-
tivo, abrangendo todas as unidades didáticas desenvolvidas durante
o curso.
Iteração
Iteração é o procedimento didático mais recomendado para integrar a
aprendizagem das habilidades que procuramos desenvolver em Educação
Física.
Ela consiste na exercitação regular e intensiva do conteúdo ministrado
ate se atingir o grau de perfeição, segurança e rapidez.
Exemplo: um aluno que já conheça, no Judô, a técnica de projeção
denominada O-Goshi só dominará realmente essa técnica com a sua repe-
tição constante, em número bastante elevado.
Com isso, entretanto,o queremos dizer que a eficiência seja função
do número de repetições mecânicas, mas sim desse em íntimo relaciona-
mento com o interesse, o desejo e o grau de concentração do nraticante
aplicados ao exercício.
Técnica da Iteração
desenvolver uma incentivação inicial;
assegurar a "compreensão reflexiva" do conteúdo, explicando o
porquê de cada pormenor;
demonstrar ou fazer demonstrar o que se deseja ensinar;
iniciar os alunos na prática desejada;
levar os alunos a repetir, intensa e atentamente, o conteúdo a in-
tervalos regulares;
estabelecer períodos de prática com maiores intervalos.
Fixação da Aprendizagem
A fixação da aprendizagem passa a ser um dos motivos de maior preo-
cupação do professor de Educação Física, quando esta "prática educativa"
começa a preocupar-se com informações e conhecimentos a serem desen-
volvidos.
Vimos, anteriormente, que sómente se pode obter uma fixação de 90%
se o indivíduo participa ativamente do processo de aprendizagem, isto é,
quando êle "faz".
É neste momento que tudo o que foi compreendido e assimilado pelo
educando se torna consolidado e reforçado contra o esquecimento e o desuso.
Os conhecimentos e as informações sôbre saúde e higiene, regras de
segurança, noções de primeiros socorros precisam ser incorporados à vida
dos próprios alunos. Assim, a fixação dos conteúdos deve começar a preo-
cupar sériamente o docente de Educação Física criterioso.
C) CONTROLE DA APRENDIZAGEM
DISCIPLINA EM CLASSE
A palavra "disciplina" é usada com um grande número de significados.
Assim, quando um professor se refere à "disciplina", quer aludir, certa-
mente, ao grau de organização ou de ordem por êle imposta a sua turma.
Outro significado muito usado é o concernente ao "sistema" pelo qual a
ordem é estabelecida. E, finalmente, como última interpretação, encontra-
mos o têrmo "punição" como sinônimo de disciplina.
Estes três significados, entretanto, apresentam um ponto comum o
de admitir a relação de disciplina com o comportamento humano.
Faz-se necessária, portanto, uma análise mais aprofundada do assunto,
uma vez que um bom conhecimento da dinâmica do comportamento é fun-
damental na orientação do educando.
Tomemos, agora, o exemplo de um comportamento ligado à problemá-
tica da disciplina.
Consideremos que o professor viesse a descobrir que Paulo furtara
uma bola de futebol de salão pertencente ao colégio. Se o professor casti-
gasse o aluno, acusando-o de larápio, ou o expusesse ao julgamento da
turma pelo feio ato praticado, estaria dando mais importância ao efeito, aí
perfeitamente visível, do que às causas que determinaram tal comporta-
mento. A punição poderia evitar, talvez, a repetição da ação, mas em nada
ajudaria Paulo a resolver os seus problemas.
Um professor mais esclarecido encararia o fato de outra forma. Conver-
saria particularmente com Paulo, sem se mostrar agastado, procuraria ouvir
a estória que êle contasse, compreenderia quais as necessidades básicas
que êle estaria procurando satisfazer daquela forma e como se sentia com
respeito à sua reprovável ação.
Como solução imediata, faria com que Paulo restituísse a bola ao edu-
candário, embora soubesse que isso seria uma medida de emergência, de vez
que o furto é apenas um sintoma.
Possivelmente, Paulo teria roubado por ser portador de problemas, isto
é.o teria ainda aprendido a respeitar a propriedade alheia, ou talvez
nunca tivesse tido a oportunidade de ter sua própria bola.
A restituição do objeto ou mesmo a aplicação de uma puniçãoo
resolveria o problema de Paulo, sendo necessário descobrir-se aquilo que
o levou a tal atitude.
A Natureza do Comportamento Humano
Ojemann desenvolveu uma equação de comportamento em função de
três fatôres em interação:
Forças Motivadoras
Como vimos anteriormente, a motivação é fator imprescindível ao com-
portamento humano.
Os motivos ou propósitos impelem o homem à ação, ao esforço e à luta.
Os motivos variam em intensidade de indivíduo para indivíduo.
Recursos Individuais
Para atender aos reclamos das forças motivadoras, o homem tem seus
recursos de natureza física, nervosa e mental.
A força muscular, a memória, a inteligência, as aptidões físicas, a coor-
denação motora, o espírito inventivo etc.o os recursos usados para sa-
tisfazer às forças motivadoras.
Se um indivíduoo possui determinados recursos para satisfazer a
suas forças motivadoras, isto se reflete através de um mau comportamento.
Ambiente Físico Imediato
Os fatôres ambientais que envolvem um indivíduo influem, também,
no seu comportamento.
O ambiente físico pode fornecer os elementos materiais de que êle
necessita para satisfazer a suas forças motivadoras da mesma forma que
pode inibi-las em outros casos.
Em Educação Física os problemas disciplinares ocorrem com menor
freqüência do que nas aulas das outras "disciplinas" e "práticas educati-
vas". O aluno, geralmente, gosta de atividade e é nesta hora que êle tem
oportunidade de expandir suas energias, trocar idéias com seus companhei-
ros, enfim conviver socialmente com os outros membros do grupo.
Para o controle disciplinaro existem fórmulas mágicas nem regras
infalíveis, por isso que estamos lidando com pessoas portadoras de perso-
nalidades completamente diferentes. Assim, uma solução que tenha sido
empregada com êxito com determinado aluno pode revelar-se totalmente
ineficaz quando aplicada a outro.
Mesmo assim, arriscamo-nos a fazer algumas sugestões que encontram
apoio em estudos e pesquisas feitas por vários educadores e psicólogos.
288
Prevenção dos Problemas Disciplinares
Todoso concordes em afirmar que é mais fácil e também melhor para
o professor e para o aluno uma atitude ou ação que evite o problema disci-
plinar do que a ação quando o mesmo já se tenha estabelecido.
O professor pode prevenir um comportamento inadequado, pela obser-
vação acurada dos indícios e pelo conhecimento de seus alunos.
Assim, se um aluno de posse de uma bola mostrar intenção de arre-
messá-la às costas de um companheiro distraído, por exemplo, o professor
deve procurar evitar que o conflito se estabeleça, recolhendo ou pedindo
a bola ao aluno ameaçador. Com isso, estará evitando fazer disso um inci-
dente, transformando o fato numa verdadeira situação de aprendizagem.
A instalação de problemas disciplinares pode ser evitada quando:
desenvolvemos um interessante programa de aprendizagem; nenhum
procedimento preventivo produz tantos resultados quanto o desenvolvi-
mento de um fascinante programa de aprendizagem que vá ao encontro
dos interesses e necessidades dos alunos;
o existe excesso de alunos na turma; o número excessivo de
alunos na turma favorece a instalação de desordens, tumultos e rixas, pre-
judicando qualquer tentativa para o bom andamento do processo de ensino;
as instalações do educandário favorecem a prática da Educação-
sica; a existência de boas instalações esportivas, longe ou pelo menos iso-
ladas do prédio do colégio, a oportunidade do uso de vestiárioso fatôres
que favorecem a instalação de uma boa disciplina;
a existência material para a Educação Física; muitas vezes a indis-
ciplina é uma reação inconsciente dos alunos contra a penúria material
da escola;
trabalho ativo de todos os alunos da turma;
a atividade está entregue a professôres hábeis, seguros, bem humo-
rados e esclarecidos;
há concordância dos sistemas de disciplina empregados; o aluno se
sente totalmente inseguro quando sofre uma sanção por parte de um pro-
fessor, ao passo que outros mestreso consideram grave a falta cometida,
deixando de punir o aluno; se as ordens e as regras dadas por dois ou mais
professôres se harmonizam, o aluno atende; em caso contrário, a tendência
é desobedecer;
o aluno reconhece os efeitos do seu comportamento sôbre os outros;
a criança aprende a compreender quando seus atos ferem os outros fisica-
mente; o adolescente aprende a compreender quando o fazem emocional-
mente;
convicção no método disciplinar aplicado — a falta de convicção no
sistema adotado gera, também, indisciplina.
"A existência de material, evita muitas vezes, problemas
'disciplinares".
Soluções de Emergência Para os Problemas Disciplinares
Uma vez instalada a indisciplina, faz-se necessária a aplicação de so-
luções de emergência.
A solução de emergência, segundo Rolf Muuss, está numa posição
intermediária entre a antiga fórmula da "disciplina punitiva" e a do "ex-
cesso de brandura"o em voga na década de vinte, quando predominavam
a educação progressiva e a teoria psicanalítica aplicada à educação.
O objetivo do emprego de soluções de emergência é conseguir o contro-
le da situação no momento, antecipando, por conseguinte, a ajuda perma-
nente que deve ser aplicada.
A eficiência na condução dos problemas de disciplina depende, em
grande parte, da possibilidade de o professor evitar considerar o mau com-
portamento como uma afronta pessoal.
Muitas explosões emocionais dos alunos nem sempre se dirigem contra
a pessoa do professor, mas sim contra a figura que o professor pode vir a
representar, isto é, sempre uma "autoridade".
A análise das causas da indisciplina deve abrangero sómente as
manifestações fraude, mentira etc., mas, também, as manifestações
de angústia, medo, solidão etc.
Um aluno tímido, inibido e solitário revela problemas psicológicos da
mesma forma que o aluno turbulento.
O professor, aplicando uma solução de emergência "tratamento do
sintoma", estará dando início ao esforço para ajudar o educando, evitan-
do a repetição da situação-problema.
Algumas Sugestões de Soluções de Emergência
Polarização em outra direção das forças motivadoras interromper
uma ação, tornar o aluno um elemento útil na aulao alguns tipos de
mudança de direção das forças motivadoras.
Assim, se um aluno, valendo-se de pedrinhas encontradas no local da
aula, procura atirá-las em seus colegas, pode vir a ter mudada a direção
de suas forças motivadoras, pelo menos na ocasião, com uma simples frase
do professor:
"Paulinho" em quem você vai atirar a pedrinha?
O aluno, descoberta a sua intenção, eo mais podendo esconder-se no
anonimato, possivelmente,o tentará mais atirar a pedrinha.
Uma distração momentânea do aluno pode vir a ser corrigida, também,
através de uma sugestão:
"Roberto", venha mostrar-nos como executar o passe de "peito"
As suas forças motivadoras passam a ser dirigidas para um objetivo
bem definido.
Alguns sinais ou atitudes do professor possibilitam, também, essa pola-
rização das forças motivadoras. Assim, o fixar o olhar no aluno, o parar
de falar, o franzir as sobrancelhas, o bater palmas, o aproximar-se do aluno
o alguns dos meios eficazes de que se valem os professôres.
O bom humor no processo da indisciplina — o sadio bom humor (não
confundir com ridicularização ou sarcasmo) pode servir como procedimento
para suavizar uma situação tensa. O sucesso do emprego do humor é função
da criatividade e flexibilidade do professor.
Um grupo de alunos ao entrar na quadra pendura-se nas balizas de
futebol de salão. O professor, em lugar de usar uma reprimenda, diz:
o local da nossa próxima visita já está escolhido. Será no jardim zoológico,
pois há um interesse muito grande pela vida dos macacos."
Uma pesquisa de Redl constatou que as crianças encaram o "humor
come um agente de serenidade baseado na segurança".
Mudando os fatôres em relação ao meio social neste tipo de solução
de emergência o professor muda o relacionamento entre o aluno indisci-
plinado e o meio físico social.
Afastamento brando o professor faz com que o aluno troque de
lugar, longe de outro, perto do professor etc.
Algumas vezes, bem poucas, é verdade, torna-se necessário enviar o
aluno à presença do diretor ou do coordenador, mas isto somente como
medida extrema.
Êste procedimento pode surtir efeito se evitarmos o exagero na sua
utilização. Em casos de extrema gravidade, a direção do educandário pode
suspender o aluno por alguns dias, até que um entendimento entre o pro-
tessor e os pais possa fornecer informações adicionais.
Afastamento pela força em alguns casos, o afastamento brando re-
vela-se ineficaz, obrigando o professor a empregar a força física. Quando
nos referimos ao uso da força física,o queremos dizer que a mesma ve-
nha a ser usada para castigar, vingar ou medir forças, mas sim quando
houver perigo de danos físicos ou contra a propriedade.
Assim, no caso de um sério desfôrço físico, os alunosm de ser sepa-
rados, muitas vezes, com emprego da força.
Da mesma forma, se um aluno criança ou mesmo adolescente esti-
ver usando perigosamente tesoura, canivete, faca, fósforos etc, e se recusar
a entregá-los voluntariamente, esses objetos devem ser retirados à força.
Tais casos, felizmente, constituem exceções, terminando muitos des
nossa carreira sem têrmos feito tal tipo de intervenção.
Reexame da situação em algumas ocasiões, é necessário modificar
tôda a situação de uma turma. Uma conversa franca dos alunos com o pro-
fessor e mesmo entre eles leva a conclusões que acarretam uma mudança
radical da situação do ensino na turma.
Outros Procedimentos que não Soluções de Emergência
Inúmeros procedimentoso empregados em nossas escolas no con-
trôle de disciplina, encontrando-se entre eles:
A retenção após as aulas prática que vem sendo abandonada por
servil de "reforço" Skiner à conduta errada. Uma turma detida após
as aulas deve ser liberadao logo as coisas melhorem no aspecto disci-
plinar.
Retiradas de privilégios — a pequena quantidade de coisas que os alu-
nos realmente gostam desencoraja tal medida.
Eis aqui algumas considerações que gostaríamos de fazer no que con-
cerne ao problema da disciplina.
MANEJO DE CLASSE
O denominado "manejo de classe" nada mais é que o controle e a super-
visão efetivos que o docente exerce sôbre uma turma de alunos de forma
a criar e manter nas aulas uma atmosfera favorável ao bom desenrolar dos
trabalhos escolares. Isto deve ser conseguido pelo desenvolvimento nos
alunos de hábitos de ordem, disciplina e trabalho e de atitudes de res-
ponsabilidade.
O "manejo de classe" objetiva, principalmente:
criar uma atmosfera de ordem e disciplina para que o trabalho possa
ser bem desenvolvido nas quadras, campos, pistas, ginásios e pis-
cinas;
garantir um efetivo aproveitamento do tempo de aula, proporcio-
nando um maior rendimento;
desenvolver atitudes de responsabilidade, sociabilidade, colaboração,
amor ao trabalho, honestidade, lealdade e franqueza;
permitir a criação de hábitos de higiene, asseio, ordem e correta
conduta individual e social.
Normas Sugeridas Para o Manejo de Classe
A Moderna Didática de Educação Física sugere algumas normas que
podem vir a ser observadas quando do manejo de classe. Dentre elas des-
tacamos:
Ocupar tôda a turma com o trabalho que se pretende desenvolver.
A indisciplina de uma turma, em Educação Física, é quase sempre fruto
da ociosidade dos alunos.
"Ocupar tôda a turma com um trabalho ativo"
A ausência de um trabalho que absorva a atenção e o interêsse dos
alunos induzindo-os a praticá-lo é que gera essa inércia e conseqüente-
mente a indisciplina.
O professor,-muitas vezes, contribui para esse estado de coisas, quando
se ocupa de alguns alunos individualmente e deixa os demais sem tarefas
definidas e imediatas a cumprir. A escolha de uma atividade queo ofe-
reça possibilidade material de ser executada, por exemplo uma turma
de quarenta alunos e uma só bola para treinamento do saque em volibol,
coloca os alunos em disponibilidade para brincadeiras, chacotas, tumultos
e até mesmo rixas.
Desta forma, o docente deve começar o trabalho com tôda a turma, po-
larizando a atenção dos alunos para a tarefa, dando-lhes ocupações imedia-
tas e bem definidas para só então procurar atender aos problemas ou difi-
culdades de cada aluno individualmente.
Assim, o ideal será a "participação ativa de tôda a turma", que muitas
vezeso pode ser alcançado por deficiências materiais de nossas escolas,
as quais, em sua grande maioria,o possuem instalações e material ade-
quado para a prática da Educação Física.
Nestas circunstâncias, recomendam-se outros procedimentos didáticos,
tais como os que se seguem:
Atenuar a falta de espaço e de material com a divisão da turma em
grupos.
A falta de espaço para as aulas de Educação Física e a quase total
inexistência de material para essa atividadeo duas constantes em nossas
escolas. Estes dois fatôres são,o raro, geradores de atitudes de indisci-
plina por parte dos alunos.
Cabe ao professor especializado, entretanto, procurar atenuar tais ca-
rências, e uma das soluções que podem vir a ser adotadas é a da divisão
da turma em grupos proporcionais ao espaço para os exercícios e ao ma-
terial disponível.
Exemplo: na foto, anterior, vemos uma turma de crianças e maula de
Educação Física ministrada em uma varanda de reduzidas dimensões. A
turma foi dividida em três grupos, dos quais um executa os exercícios e cs
demais observam. Logo a seguir, outro grupo trabalhará e, pouco depois,
será a vez do último executar os movimentos da aula.
Estabelecer e comunicar a rotina de trabalho que adotará em suas
aulas.
Nada melhor para tumultuar uma aula de Educação Física do que as
"surpresas" diárias, que envolvem os alunos, de responsabilidade única do
professor que, hoje, por exemplo, faz a chamada no início da aula e amanhã
ao término da mesma; um dia exige formatura antes de iniciar os trabalhos
e no dia seguinte deixa de fazê-lo; numa aula, faz com que os alunos pre-
parem o material a usar e, na aula seguinte, êle mesmo faz questão de
dispô-lo; deixa ao sabor de seu humor a aceitação ouo dos alunos retar-
datários para tomarem parte na aula.
Como se observa, faz-se necessário estabelecer uma rotina de trabalho
que, uma vez posta em prática, se converterá em excelente elemento
coadjuvante para um efetivo manejo de classe.
Exemplo: damos agora, a título de exemplo, alguns itens que poderão
vir a ser considerados no estabelecimento de uma rotina de trabalho, que,
uma vez estabelecida, deverá ser comunicada a todos os alunos:
períodos adotados para aferições de pêso e altura (Exame Biomé-
trico);
formatura, antes do início dos trabalhos;
chamada antes do início da aula;
critério a adotar quanto a atrasos, faltas ou permissão para sair
da aula;
funcionamento dos grupos de trabalho;
atitude, sociabilidade e comportamento que se dispensará aos alu-
nos e que se espera ter em recíproca;
responsabilidade dos alunos quanto ao material;
atividades a desenvolver nos dias de chuva, casoo se disponha
de local coberto;
verificação da aprendizagem.
Como estes, outros itens poderão ser organizados em função das ne-
cessidades, dos conteúdos a desenvolver ou do método a adotar.
Na fotografia vemos uma fase da rotina de trabalho adotado para a
turma em grupo de alunos preparando o material que vai ser usado por
tôda a turma.
Impor-se pelo exemplo.
Outro importante fator coadjuvante para se obter um bom manejo de
classe é o que podemos chamar de "imposição pelo exemplo".
Quer isto dizer que a pontualidade do professor, o seu autocontrôle, o
o protelamento do início da aula, oo prolongamento da aula além do
sinal do término da mesma, a maneira de tratar os alunoso alguns exem-
plos que, feitos sem alarde, marcarão profundamente os alunos e contri-
buem para o "manejo de classe".
Apresentar-se à turma seguro do que vai ensinar.
Como vimos anteriormente, a improvisação é um dos importantes fa-
tôres que desvitalizam o ensino e, falta-nos agora dizer, prejudica total-
mente o bom manejo de classe.
A improvisação torna o professor inseguro e impaciente, que, preocupa-
do como está com suas deficiências,o lhe resta "tempo" para uma efi-
ciente direção de classe.
Idealizar exercícios na hora da aula, criar formas de trabalho no mo-
mento estabelecem hiatos na aula, produzindo indisciplina.
Ao contrário, o mestre que se apresenta perante a turma seguro do que
vai ensinar, com as atividades todas planejadas, terá fatalmente um melhor
domínio da turma e maior sucesso no seu trabalho.
Rodízio dos alunos nas funções de responsabilidade.
A Didática de Educação Física sugere, ainda, que o professor, ao invés
de monopolizar todas as funções de responsabilidade da aula, passe a dis-
tribuí-las entre seus alunos. Para isso, pode-se adotar um rodízio entre os
alunos, de forma a dar-lhes oportunidades de colaborar nos trabalhos de
classe.
O antigo sistema de adotar "guias" e "monitores" permanentes, na
maioria das vezes os "melhores" alunos, deve ser totalmente abolido, dado
seu caráter antidemocrático, e que cria privilégios e tira dos demais as
oportunidades de assumirem deveres de responsabilidades.
Exemplos: podemos dar oportunidades aos alunos para:
chefiar grupos de trabalho;
fazer a chamada;
preparar, guardar e conservar o material de Educação Física;
demonstrar exercícios, gestos ou movimentos;
manipular os "instrumentais auxiliares" quando da utilização dos
meios e técnicas de comunicação audiovisuais;
apanhar filmes selecionados pelo professor em filmotecas;
organizar o "JORNAL MURAL" de Educação Física.
Nesta outra fotografia, podemos ver um grupo de alunas responsável
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pela conservação e guarda do material colchão. Na semana seguinte
êste grupo será substituído por outro. Além do aspecto já abordado da
delegação de responsabilidades, há uma atitude coletiva de maiores cuida-
dos a dispensar ao material de Educação Física.
DIAGNOSE E RETIFICAÇÃO DA APRENDIZAGEM EM
EDUCAÇÃO FÍSICA
A diagnose e a retificação da aprendizagem constituem a fase do tra-
balho docente em que o professor de Educação Física procura diagnosticar
as dificuldades encontradas pelos alunos, quando da assimilação dos con-
teúdos ministrados para, logo a seguir, retificar e atualizar a aprendizagem
antes que os erros e as deficiências se tornem crônicos.
Assim, se estamos ensinando o estilo "crawl" a uma turma de alunos,
devemos reservar, periódicamente, um dia ou mais de treinamento para
observar os defeitos e as dificuldades encontradas pelos alunos. Estaremos,
portanto, aproveitando um momento em que a mecânica dos movimentos
ainda está sendo instalada.
Êste é, aliás, o momento exato para efetuarmos as correções antes que
os erros se instalem de forma práticamente irremediável.
Os técnicos desportivos e os professôres de Educação Física que dirigem
equipes sempre lastimam o desperdício de indivíduos possuidores de grande
talento, mas que se apresentam ao treinamento com um grande número de
vícios e defeitos de ordem técnica. Tal fato ocorre poro ter o professor
que ministra a iniciação desportiva ao nadador dado bastante atenção à
fase da diagnose e retificação da aprendizagem, limitando-se a ensinar os
"fundamentos" julgados básicos.
Por isso, a moderna Didática da Educação Física dá ênfase tôda espe-
cial à fase da diagnose e retificação da aprendizagem, considerando-ao
importante quanto a da motivação e a do manejo de classe. Desta forma,
diminui-se o tempo dedicado às aulas comuns em favor dessa importante
fase, possibilitando, assim, que o ensino se torne mais rendoso e eficiente.
Diagnose da Aprendizagem
As dificuldades encontradas na aprendizagem em Educação Física de-
correm, freqüentemente, da problemática de cada educando em relação ao
que foi ensinado, uma vez que aí entra em jogo uma série de fatôres, como
as diferenças individuais, coordenação motora, capacidade específica para
aprender etc. Isto faz com que esta fase do trabalho do professor de Edu-
cação Física assuma um caráter predominantemente individualizador.
Para êste trabalho, pode o docente lançaro de inúmeros procedi-
mentos, tais sejam:
observação sistemática de cada aluno;
aplicação de testes específicos;
- entrevistas informais de caráter individual;
interrogatórios;
seqüências fotográficas ou filmagem do aluno em ação.
Através dêsses procedimentos, podemos reconhecer qual a problemáti-
ca de cada aluno em relação à aprendizagem, verificando:
quais os erros e defeitos apresentados;
se ocorrem freqüentemente lapsos de atenção;
se a incompreensão e o domínio dos conteúdos decorrem de falhas
de memória ou de raciocínio;
se redundou da escassez de exercícios práticos para consolidar a
aprendizagem;
quais as atitudes e reações especiais que interferem diretamente
na aprendizagem.
Em certas ocasiões, podemos encontrar problemas mais profundos que
estejam fora da ação direta do professor ou até mesmo da escola.
Assim, podemos encontrar:
precário estado de saúde do aluno;
má alimentação;
desajustamento social;
desajustamentos de natureza psicológica (imaturidade, frustrações,
insegurança, medo, agressividade etc).
Nestes casos, o professor deve encaminhar o problema ao Orientador
Educativo ou aos responsáveis pelo aluno, que o conduzirão ao médico ou
ao psicólogo, conforme o caso o exigir.
A partir daí, o docente procurará sempre colaborar com as especifica-
ções do tratamento recomendado pelos especialistas, evitando a repetição
de condições desfavoráveis que possam agravar a problemática manifesta-
da. O professor de Educação Física deve colocar-se sempre ao lado do aluno,
incentivando-o, acompanhando-o no tratamento e aplaudindo-o nos seus
esforços e nos seus sucessos.
Retificação da Aprendizagem
De posse daquelas informações, passamos a esta seguinte, prevenindo
que a repetição do erro se transforme em hábito e se incorpore de tal forma
que erradicá-lo será tarefa longa, difícil e penosa.
A retificação da aprendizagem baseia-se numa simples premissa
eliminar progressivamente os erros, substituindo-os por acertos.
Assim, quando um professor de Educação Física estivesse desenvolven-
do uma determinada "Unidade Didática" Iniciação ao Basquete, por
exemplo — e aí estivesse ensinando o "passe por cima da cabeça com ambas
as mãos", a seqüência seguida seria normal.
Uma explicação sôbre o "fundamento" seguida de uma demonstração
prática do tipo de passe em questão. Neste exato momento, pelo menos
teóricamente, os alunos ficam conhecendo o tal passe, mas, embora com a
aprendizagem bem encaminhada, eles aindao conseguem executá-lo, pois
aindao o praticaram. O mestre, a seguir, oportunidade a que todos os
"Aplicação do passe no desenrolar do jogo".
alunos treinem esse passe. Surgirá, evidentemente, um sem-número de
erros. Cada um deles será diagnosticado e imediatamente o professor efe-
tuará as correções até que a maioria dos alunos consiga efetuar o "funda-
mento" de forma certa., então, podemos afirmar que os alunos aprende-
ram e que, portanto, sabem efetuar o "passe por cima da cabeça com ambas
as mãos".
A seguir, novas repetições serão sugeridas, de maneira que haja uma
real fixação da aprendizagem e, então, sim, estarão os alunos aptos a exe-
cutar o passe, com segurança e rapidez com um mínimo de esforço.
A próxima etapa, um novo aprendizado, seria a aplicação do passe no
desenrolar de uma partida.
Com o exposto, concluímos facilmente que a diagnose e a retificação
da aprendizagem é uma fase indispensável para que haja uma sólida apren-
dizagem em Educação Física.
AVALIAÇÃO DA APRENDIZAGEM EM EDUCAÇÃO FÍSICA
Os resultados do ensino da Educação Física constituem, em seu con-
junto, o que se convencionou chamar de "rendimento escolar em Educação
Física". Êste rendimento escolar, entretanto,o se limita sómente a aqui-
sições no campo físico do desenvolvimento do educando, mas sim ao con-
junto de contribuições para o desenvolvimento da personalidade do aluno
a ela incorporadas de forma definida e inequívoca. Desta forma, para nós,
rendimento escolar em Educação Física significa modificações de compor-
tamento do educando.
Transformações dessa natureza, como vimos anteriormente, constituem
os objetivos propostos pelo professor, os quais, findo o processo de apren-
dizagem, devem apresentar-se como aquisições definitivamente incorpora-
das à personalidade do aluno.
Esse rendimento precisa, contudo, ser avaliado, o que vem constituir
uma nova e importante fase do trabalho docente.
Avaliação da Aprendizagem
Conforme já expusemos, a extensão do sucesso de um curso de Edu-
cação Física depende da qualidade e da quantidade das aprendizagens rea-
lizadas e, conseqüentemente, da modificação do comportamento do edu-
cando. Em outras palavras, quando um aluno incorpora uma experiência
de aprendizagem, modifica seu comportamento e passa a agir diferente-
mente daquele queo foi submetido a tal processo de aprendizagem ou
queo logrou o mesmo êxito.
Um aluno, por exemplo, que tenha aprendido a nadar durante o curso
passa a encarar aspectos da vida de forma diferente maior confiança
em si próprio; maiores oportunidades de convívio com outros jovens de
sua idade, moças e rapazes, que freqüentam a mesma praia ou piscina; mais
uma forma de ocupar suas horas de lazer etc. e, até mesmo, a olhar a
natureza de forma diferente, vendo o mar como um amigo, fonte inesgo-
tável de prazeres.
Todavia, as modificações de comportamento podem ser avaliadas (iden-
tificadas, aferidas e comparadas) e, destarte, estaremos apreciando o su-
cesso do ensino pors ministrado.
Denomina-se "Avaliação da Aprendizagem em Educação Física" o pro-
cesso que procura identificar, aferir, investigar e analisar as modificações
de comportamento que, num sentido progressivo, aproximam o aluno dos
objetivos propostos, através das variadas experiências de aprendizagem
propiciadas pelo curso ministrado pelo professor.
É bastante recente a preocupação dos professôres de Educação Física
acerca de uma avaliação mais ampla e apropriada do seu próprio ensino.
Até então, avaliar a aprendizagem em Educação Física significava cumprir
um preceito legal por meio da aplicação dos "exames práticos", influência
nefasta do "Regulamento Geral de Educação Física" Método Francês,
tarefa infecunda para a reflexão em nossa especialidade.
OBJETIVOS DA AVALIAÇÃO
A avaliação permite que o aluno reconheça suas aptidões, habilidades,
capacidades e limitações e o acompanhamento de seus progressos, que
farão com que êle procure desenvolver-se, cada vez mais, de acordo com as
suas possibilidades individuais.
Ao professor, a avaliação permite apreciar o seu próprio ensino, estimar
os métodos empregados e sua atuação como planejador, orientador e con-
trolador das atividades discentes, além de permitir-lhe uma graduação
melhor da tarefa.
A avaliação permite à direção da escola uma reavaliação do currículo
e dos programas adotados e posterior adaptação à realidade escolar.
Quanto ao orientador educativo, a avaliação feita pelo professor for-
nece um grande número de dados que favorecerão o atendimento indivi-
dualizado e até mesmo permitirão identificar as dificuldades do meio
escolar.
Por último, a comunicação dos resultados de uma avaliação aos pais
do aluno em muito poderá ajudá-los a reformular algumas atitudes com
relação ao filho.
FORMAS DE AVALIAÇÃO
A avaliação restrita vale-se de técnicas com a preocupação de obter
dados quantitativos concernentes a uma determinada situação tanto do
ensino como da aprendizagem.
Exemplo: "subir 5,50m de corda lisa, sem auxílio dos pés. Partida
sentado" (V. Prova para obter o "Certificado Secundário de Educação
Física" "Método Francês").
A avaliação intermediária já apresenta uma investigação mais comple-
ta, buscando obter dados complementares e qualitativos.
Exemplo: "Teste de precisão no arremesso do Andebol". Traçar na
parede um retângulo com as medidas oficiais do gol (2m x 3m), demar-
cado como no desenho que se segue. Os cinco arremessos serão efetuados de
uma distância de 7 metros, usando-se o "arremesso parado, com queda".
Após os cinco arremessos, efetuará mais cinco, agora usando o "arremesso
em movimento, de longa distância". O aluno recebe a bola, aproximada-
mente a 12 metros do gol, e, após uma pequena progressão, três passos no
máximo, efetuará o arremesso.
Somam-se os pontos obtidos nos dois tipos de arremesso, consideran-
do-se o valor atribuído às zonas atingidas pelos mesmos. Se o arremesso
r para fora ou sôbre as linhas que substituem a baliza,o serão atri-
buídos pontos. No caso de eles atingirem as linhas limítrofes das zonas,
serão atribuídos os pontos de menor valor.
303
Como vemos, esta avaliação já envolve um aspecto qualitativo, sendo,
portanto, superior à avaliação restrita usada antigamente.
A avaliação ampla é a mais recomendada por fornecer um maior-
mero de dados, porque se vale de diferentes técnicas e medidas, procurando
atingir áreas mais profundas.
Êste tipo procura avaliar os três grupos de transformações que preten-
demos atingir através de nossas aulas de Educação Física habilidades,
conhecimentos e ideais, atitudes e preferências, obtendo um panoramao
completo quanto possível do indivíduo.
Para uma avaliação desse tipo, podemo-nos valer de três técnicas
principais:
observação sistemática;
testes padronizados;
análise das informações cumulativas.
A observação sistemática de diversos tipos de performances e compor-
tamentos pode ser feita durante o desenrolar de diversas situações naturais
ou controladas.
Os testes padronizados já encontram bastante aceitação entre nós,
havendo um trabalho sério organizado pelo D.E.F.E. deo Paulo, divulga-
do em 1964.
O ajustamento pessoal e social do educando também é passível de ava-
liação através de testes de personalidade que, hoje em dia, no Brasil, so-
mente podem ser aplicados por psicólogos. Outras técnicas, entretanto
estão ao alcance do professor de Educação Física, como, por exemplo, o em-
prego de sociogramas. ,
As preferências individuais podem, também, ser avaliadas através de
' questionários de interesses", preparados pelo professor de Educação Física.
E, por fim, a análise das informações cumulativas, constantes nas "fi-
chas cumulativas" de cada aluno que se encontre sob sua responsabilidade.
A ficha cumulativa consta de um formulário padronizado de forma a
conter todas as indicações sôbre cada aluno. O arquivo das fichas cumula-
tivas é organizado pelo "Serviço de Orientação Educativa" (S.O.E.), de
existência obrigatória em todos os educandários, segundo a Lei de Diretrizes
e Bases da Educação Nacional.
Deixamos de desenvolver neste trabalho a avaliação ampla, por têrmos
conhecimento de que já está sendo preparado um trabalho que em breve
será publicado, sob a forma de livro, pela Divisão de Educação Física do
Ministério da Educação e Cultura.
Assim, evitando a duplicidade de recursoso nefasta à administração
de qualquer órgão, omitimo-nos de desenvolver o tópico sôbre a avaliação
ampla, que, naturalmente, aparecerá mais completo e profundo em tal pu-
blicação.
DIVULGAÇÃO DE RESULTADOS E CONCLUSÕES DE EXPERIÊNCIAS
OU PESQUISAS
O trabalho do professor de Educação Físicao poderá ser considera-
do como concluído senão quando os resultados de seu trabalho e as con-
clusões das experiências e pesquisas realizadas forem divulgadas.
Algumas escolas exigem dos docentes de Educação Física relatórios
onde encontraremos informações de caráter genérico sôbre o trabalho que
o professor desenvolveu durante o curso. Desta forma, faz-se necessário
estabelecer algumas normas, para a elaboração de relatórios, que possam
vir a ser adotadas pelos professôres que assim o desejarem.
Elaboração de Relatórios
Os relatórios devem primar pela simplicidade e objetividade, pela cla-
reza e precisão de seus enunciados e sobretudo corresponder à realidade.
Podemos abordar num relatório os itens assim discriminados:
Cabeçalho e Apresentação contendo o nome do educandário, o nome da
"prática educativa" Educação Física, o ano letivo e o nome do professor
responsável pelo relatório. A título de introdução, é interessante fazer-se
uma apresentação que contenha uma justificativa superficial do porquê do
relatório e uma apreciação do trabalho desenvolvido.
Objetivos Específicos e Avaliação — é recomendável enunciar os objetivos
estabelecidos no início do curso de modo que facilite o entendimento de
quemr ler o relatório. A avaliação do rendimento do ensino poderá apa-
recer nesse item do relatório.
Unidades Didáticas Desenvolvidas — a seguir, mencionaremos as Unidades
Didáticas desenvolvidas durante o curso.
Atividades Discentes relação de todas as atividades desenvolvidas pelos
alunos durante a duração do curso horário e natureza das mesmas.
Métodos e Meios Empregados devemos deixar, ainda, consignado no
relatório os métodos e os meios que empregamos ao desenvolver as unidades
didáticas.
Material Utilizado é bastante interessante, também, fazer-se uma refe-
rência ao material utilizado.
Aperfeiçoamento Didático-pedagógico do Pessoal Docente se o relatório
abranger uma equipe de professôres, o líder, ou o coordenador, deverá
consignar o que foi feito para o aperfeiçoamento didático-pedagógico dos
professôres sob sua coordenação. Se o relatórior individual, tal reco-
mendação deixa de se fazer necessária.
Sugestões Para o Próximo Curso consignação de algumas sugestões pa-
ra um próximo curso que poderão vir a ser consideradas pela Direção da
Escola ou organizadores do curso.
Damos a seguir um exemplo de relatório individual:
ESCOLA G.
INEP SEC
EDUCAÇÃO
FÍSICA
Relatório Anual
1968
Prof. A. G. F. J.
O presente relatório tem por objetivo fazer uma avaliação das ativida-
des de Educação Física, realizadas em 1968, que estiveram sob nossa res-
ponsabilidade.
O primeiro período do ano letivo iniciou-se normalmente; entretanto,
o seu término foi antecipado de duas semanas, tendo em vista o momento
político que a Guanabara atravessava naquela época. Com isso, as crianças
tiveram ums de férias, ao contrário do que ocorria em anos anteriores
quando tinham apenas quinze dias.
O segundo período desenrolou-se dentro da normalidade, com as ativi-
dades desenvolvendo-se como prevíamos no Plano de Curso.
Considerando a nossa experiência de sete anos nessa escola, podemos
afirmar que 1968 foi o ano em que os alunos apresentaram maior rendi-
mento em Educação Física.
Introduzimos, como principal modificação na orientação que vimos
imprimindo, o controle do pêso e da altura das crianças, através de duas
aferições anuais. Levando em consideração o espírito que norteia os tra-
balhos nesta escola, fizemo-lo experimentalmente com crianças do primeiro
ano escolar. Dentro de algum tempo os resultados obtidos poderão fornecer
subsídios a futuras pesquisas no campo do desenvolvimento físico de nossas
crianças.
OBJETIVOS ESPECÍFICOS PROPOSTOS
Quando da elaboração do Plano de Curso para 1968, estabelecemos os
Objetivos Específicos da Educação Física para as turmas da Escola G
segundo três categorias:
a) habilidades e aspectos físicos do desenvolvimento do educando;
b) informações e conhecimentos;
c) ideais, atitudes e preferências (vide Plano de Curso).
UNIDADES DIDÁTICAS DESENVOLVIDAS
1." ano primário
UNIDADE I "Iniciação à Ginástica Olímpica"
1 SOLO pequenos apoios
rôlo simples para frente
vela
avião
salto da coragem
pequenas séries (combinação de
exercícios)
2 EXERCÍCIOS SÔBRE APARELHO
a) Plinto trepar
saltos simples
b) Banco Sueco atravessar
equilíbrio
exercícios com o banco
UNIDADE II "Iniciação ao Atletismo"
1 CORRIDAS jogos de iniciação
UNIDADE III "Iniciação com Bolas"
bater
conduzir
passar
arremessar
2." ano -primário
UNIDADE I "Iniciação à Ginástica Olímpica"
1 SOLO pequenos .apoios
rôlo para- frente
rôlo para trás
rã
avião
salto da coragem
esquadro
roda (estrela)
2 EXERCÍCIOS SOBRE APARELHOS
a) Plinto trepar
saltos simples
b) Banco Sueco atravessar
escorregar
equilíbrio
exercícios com D banco
UNIDADE II "Iniciação ao Atletismo"
1 CORRIDAS jogos de iniciação
2 SALTOS altura
jogos de iniciação
distância
UNIDADE III "Iniciação com Bolas"
bater
conduzir
passar
transportar
3." e 4.° ano primários
UNIDADE I "Iniciação ao Atletismo"
1 CORRIDAS E REVEZAMENTOS
2 SALTO EM ALTURA
3 SALTO EM DISTÂNCIA
UNIDADE II "Ginástica Olímpica"
1 SOLO
2 SALTOS SOBRE O PLINTO
UNIDADE III "iniciação ao Basquete'
1 GRANDE JOGO (Basquetinho)
2 REGRAS BÁSICAS
3 FUNDAMENTOS
condução
drible
passes
arremessos
prática do jogo
ATIVIDADES DOCENTES
1. Distribuição das Aulas
1.º ano duas (2) aulas semanais para cada turma
2.° ano duas (2) aulas semanais para cada turma
3.° ano uma (1) aula semanal para cada turma
4.° ano uma (1) aula semanal para cada turma
2. Duração das Aulas
1." ano 20 minutos
Total bruto 20 horas
2.º ano 30 minutos
Total bruto 30 horas
3.º ano 50 minutos
4.° ano 50 minutos
Total bruto 25 horas
ATIVIDADES DISCENTES
Horário
Segunda
T. 9
T. 13
T. 14
T. 4
Terça
T. 6
T. 7
T. 8
T. 1
T. 3
Quarta
T. 1
T. 2
T. 5
T. 3
Quinta
Folga
Coletiva
Sexta
T. 12
T. 10
T. 11
Sábado
T. 6
T. 7
T. 8
T. 2
T. 4
T. 5
MÉTODOS EMPREGADOS
1 Natural Austríaco
2 Desportiva Generalizada
MATERIAL EMPREGADO
Colchões Plinto Banco Sueco Banco Curto Bolas de Bor-
racha Quadro-negro Giz Apagador Bastões Arcos
Maças Fitas coloridas Apito Sino Lenços
Balança e Antropômetro
SUGESTÕES PARA 1969
Uso da expressão "Educação Física" por todos os professôres e fun-
cionários da Escola quando se referindo a essa prática educativa.
Emprego da expressão "Educação Física" em todos os documentos,
ofícios, circulares, ordens de serviço, horários, livros de ponto e pla-
nejamentos.
Material necessário para ser adquirido:
banco sueco 1;
fitas coloridas 20 (4 cores diferentes);
cestas móveis para basquete 2;
bolas de borracha 10;
colchões 2.
Aferições de peso e altura de todos os alunos que freqüentam as
aulas de Educação Física.
Comunicação de Resultados de Experiências e Pesquisas
A comunicação e a divulgação dos trabalhos dos professôres de Educa-
ção Física devem obedecer a certas normas e técnicas especiais. Deixamos
de enunciá-las aqui uma vez que a Divisão de Educação Física do Ministério
da Educação e Cultura já está preparando um livro específico sôbre o as-
sunto.
CONCLUSÕES
Hoje em dia, cada vez. mais se faz necessário ao docente de Educação
Física um conhecimento mais aprofundado sôbre Educação. Cientes dêste
fato, procuramos tecer algumas considerações que julgamos fundamentais
sôbre Pedagogia, Educação e Didática, dependendo, também, a idéia da
necessidade de uma maior reflexão no que diz respeito à Didática de Edu-
cação Física.
A seguir, vimos, com algum cuidado, dois aspectos fundamentais a con-
siderar no educando, centro de todo o processo educacional, os aspectos
evolutivos e o dimorfismo sexual e suas influências nas práticas físicas.
Logo depois, analisamos os requisitos julgados básicos para um profes-
sor de Educação Física, aspecto esse descurado tanto por ocasião do ingresso
nos cursos superiores de nossa especialidade, quanto no momento da rea-
lização de concursos para ingresso nos quadros do magistério oficial.
Buscamos, depois, mostrar que a discriminação que parece existir con-
tra o professor de Educação Física nada mais é do que um fenômeno de
natureza sociológica estratificação, fruto de uma época em que avulta
a importância da ciência e da tecnologia e, por conseguinte, valorizam-se
mais os elementos ligados à instrução do que os que se preocupam com
a educação.
Em continuação, ressaltamos a responsabilidade do professor de Edu-
cação Física na escolha dos objetivos que irá propor para seus alunos, con-
forme as franquias proporcionadas pela Lei de Diretrizes e Bases da Edu-
cação Nacional e na seleção dos conteúdos a desenvolver. Ao mesmo tempo,
procuramos mostrar a tendência existente de orientar a escolha dos con-
teúdos no sentido da prática dos Desportos e de uma Iniciação Desportiva,
segundo se trate de adolescentes ou crianças, de modo a atingir uma grande
massa de praticantes.
Mais adiante, tecemos algumas considerações sôbre os dois métodos de
Educação Física mais empregados no Brasil o Método Natural Austríaco
e a Educação Física Desportiva Generalizada preferência essa demons-
trada pelo professorado brasileiro.
A moderna concepção de Educação Física exigiu o que poderíamos
chamar de uma "nova técnica de ensino" capaz de traduzir no campo prá-
tico a evolução técnica já aceita pela maioria dos educadores.
Essa técnica de dirigir e orientar a aprendizagem consiste, como vimos,
na execução das fases da atividade discente pors estudadas signifi-
cando para o moderno professor de Educação Física:
A PLANEJAR baseado numa sondagem prévia e num prognóstico
realista dos resultados;
B ORIENTAR a aprendizagem dos alunos, incentivando-os, apre-
sentando os conteúdos através de boa apresentação didática, dirigindo as
atividades discentes, assegurando a integração e fixação dos conteúdos;
C CONTROLAR a aprendizagem, manejando a turma com habili-
dade e mantendo a disciplina, fazendo periódicamente sondagens e retifica-
ções, avaliando os resultados.
O moderno professor de Educação Física, com mais liberdade de ação
e maiores responsabilidades, é, hodiernamente, considerado com um au-
têntico educador.
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Moderna" Apostila do Curso de Educação Física na Escola Primária CE.
Prof. Lourenço Filho.
ZANON BARREIRO, N. (1968): "Plano de Aula Ginástica Feminina Moderna"
Apostila do Curso de Educação Física na Escola Primária CE. Prof.
Lourenço Filho págs. 7, 8 e 9.
ÍNDICE DA MATÉRIA
Adolescência 35
Adolescentes, Influências de Fatô-
res da Esfera Social sôbre os 38
Adolescentes, Principais Proble-
mas 39
Álbum para Assuntos Didáticos
(Álbum Seriado) 222
Apresentação dos Conteúdos 206
Atividades Discentes, Direção do
282
Atividades Extraclasse 262
Avaliação da Aprendizagem em -
Educação Física 301
Brinquedos Cantados 87
Campismo 264
Ciclo Docente 142
Ciclo Vital 30
Comunicação, o Processo da 210
Conhecimentos 64
Contestes 77
Conteúdos 70
Controle de Aprendizagem 287
Crescimento - 31
Criança, As Necessidades da 32
Cultura Geral 50
Dança 87
Dança Folclórica 90
Dança Moderna 89
Demonstração Didática 208
Desportos 95
Diafilmes 248
Diagnose da Aprendizagem em
Educação Física 298
Diapositivos 247
Diascopia 244
Didática 23
Didática de Educação Física 26
Dimorfismo Sexual do Educando e
suas Influências nas Práticas' Físi-
cas 40
Disciplina em classe 287
Divulgação de Resultados e Con-
clusões de Experiências ou Pesqui-
sas 306
Educação 10
Educação Física Desportiva Gene-
ralizada 127
Educação de Grau Médio 18
Educação de Grau Primário 16
Educação Sistemática, Alguns As-
pectos da 13
Educando, Aspectos Evolutivos do
28
Ensino de Grau Superior 20
Episcopia 243
Estratificação do Grupo Profis-
sional Pedagógico 52
Ética Profissional 57
Exercícios Físicos para Crianças e
Adolescentes, Considerações Acêr-
ca dos 39
Fenômeno Educativo, Característi-
cas do — 5
Finalidades da Educação 61
Finalidades da Educação Brasilei-
ra 62
Grupo Profissional Pedagógico,
Formação do 51
Ginástica 97
Ginástica para Crianças 97
Ginástica Feminina Moderna 98
Gravadores 256
Grupo Folclórico 271
Hebelogia ou Hebeologia 37
Habilitação Profissional 49
Habilidades 64
Ideais 66
Incentivação 198
Infância 31
Integração e Fixação da Aprendi-
zagem 284
Interrogatório 208
Instrução Programada 258
Iteração 286
Jogos 78
Jornal Mural 276
Juventude 36
Liderança, Fenômeno da 55
Líderes, Tipos de 57
Linguagem Didática 206
Manejo de Classe 292
Materiais Ilustrativos e Informati-
vos 238
Método, Conceito de 108
Método, Importância na Aprendi-
zagem da Educação Física 109
Método Natural Austríaco 110
Métodos, Principais Empregados
no Brasil 109
Metodologia 108
Modernos Meios de Comunicação
Audiovisuais
Aplicados à Educação Física
210 217
Motivação 105 195
Objetivos Comuns 66
Objetivos do Ensino 61
Objetivos do Ensino da Educação
Física 63
Objetivos Específicos 66
Objetivos Imediatos 67
Objetivos Nomenclatura dos 66
Objetivos Particulares 67
Orientação da Aprendizagem - 195
Pedagogia — 2
Planejamento do Ensino da Educa-
ção Física 143
Plano de Aula 172
Plano de Curso 152
Plano de Unidade Didática 163
Porta-Quadros ou Porta-Gravuras
229
Professor de Educação Física 45
Prognose 145
Projeções Animadas 251
Projeções Fixas 243
320
Projeções Luminosas, Equipamen-
tos e Acessórios 243
Quadro de Flanela 226
Quadro Metálico 231
Quadro Negro 232
Recapitulação 285
Relações do Professor 58
Relatório 306
Retificação da Aprendizagem - 299
Retroprojeção 245
Sondagem 145
Televisão 258
Toca-Discos 254
Trabalho Docente, Aptidões Espe-
cíficas 48
Trabalho Individual 282
Trabalho Socializado 282
Transparências, Principais Tipos
de 247
Transparências para Retroprojetor
249
Vocação para o Magistério de Edu-
cação Física 47
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