bailarinos, e garantirão permanência neste mercado. Entretanto, poderão participar
democraticamente de uma atividade artística que até então não lhes era permitida. Poderão
ainda, utilizar os conhecimentos adquiridos nas aulas de balé clássico para um possível
investimento em outras áreas a fins tais como, professores, preparadores físicos, circo, teatro,
música, e principalmente conhecer uma outra realidade, que com certeza se apresenta menos
cruel do que aquela que estão acostumados a lidar no dia a dia das favelas.
O projeto Dançando para não dançar se propõe ainda, a dar suporte sócio-educativo às crianças
e adolescentes, juntamente com suas famílias. Fazendo com que as famílias participem de forma
efetiva, comprometida e principalmente como estimuladora fundamental para que o aluno cresça
e apareça, mas desta vez nas manchetes de jornais como um cidadão que através de seu talento
melhorou sua qualidade de vida, e não mais como um inimigo da sociedade.
Tudo isto só foi possível porque o Projeto foi formado por uma equipe de profissionais
competentes que deram conta, não só do desenvolvimento da atividade em si, as aulas de dança,
mas também aos jovens que enfrentam a difícil e nova relação estabelecida entre a criança e o
jovem atendido, com a realidade que vai encontrar ao freqüentar as aulas na escola de dança do
Teatro municipal. Para tal contamos como principal instrumento de apoio, o fato da dança através
de uma linguagem muito própria, ter o poder de trabalhar a auto-estima numa relação mútua entre
o psico e o social. Assim como, oferece no seu desenvolvimento uma relação direta com o auto-
conhecimento, com momentos de prazer e alegria funcionando ainda como estimuladora da vida
e do verdadeiro sentido de cidadania.
O Projeto Dançando para não Dançar vem há 05 (cinco) anos desenvolvendo suas ações, com
100 (cem) crianças, moradoras das seguintes favelas do Rio de Janeiro : Pavão-Pavãozinho,
Cantagalo, Rocinha e Mangueira.
Desde 1997, o Projeto implantou suas ações em uma importante comunidade do Rio de Janeiro.
Utilizando uma sala do CIEP Nação Mangueirense, na vila Olímpica da Mangueira, o ?Dançando
para não Dançar? pôde estender suas propostas a 40 (quarenta) crianças moradoras do Morro da
Mangueira.
Ainda neste ano, foram inscritas mais 12 (doze) crianças para participarem da prova de seleção
da Escola de Dança Maria Olenewa, cujo a especialidade está em preparar o aluno para o
ingressar no Corpo de Baile do Teatro Municipal do Rio de Janeiro. Fato que resultou na
aprovação de 100% do total de encaminhados, chegando a um número de 31 (trinta e um) alunos
aprovados naquele tão concorrido concurso.
Diante do elevado número de aprovação, consequentemente aumentou a procura pelo projeto. O
interesse de meninos e meninas dentro das comunidades cresceu, tendo como resultado a
inscrição de mais de 200 crianças, que aguardam vaga.
Podemos constatar avanços significativos, referentes aos problemas comportamentais que
havíamos observado no início do trabalho. Do ponto de vista técnico, durante as 5 horas
semanais de trabalho, ressaltamos o domínio da linguagem básica do ballet, a correção das
posturas, amadurecimento muscular, noção e adoção natural do trabalho em equipe e
flexibilidade.
A alimentação e a saúde dessas crianças também teve que ser garantida, pois participar de aulas
de ballet, ou qualquer outra atividade que demande exercício físico, a criança precisa,
necessariamente, de uma boa alimentação e bom estado de saúde. Para tal, o projeto contou
com cestas básicas doadas pela empresa Nestlé.