O cavaleiro foi até a Rua de Santa Alexandrina, e voltou patati, patatá, patati, patatá! e as
janelas não se tinham aberto!
O passeio foi novamente renovado à tarde, - o tenente passou, tornou a passar, - continuavam
fechadas as janelas!
Malditas janelas!...
Durante quatro dias o namorado foi e veio, a cavalo, a pé, de bonde, fardado, à paisana: nada!
Aquilo não era uma casa: era um convento!
- Mas, ao quinto dia -
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h! ventura! - ele viu sair do convento um molecote que se dirigia para a
venda próxima. Não refletiu: chamou-o de parte, untou-lhe as unhas e interpelou-o.
Soube nessa ocasião que ela se chamava Andéía. Soube mais que o marido era empregado
público e muito ciumento: proibia expressamente à senhora sair sozinha e até chegar à janela
quando ele estivesse na rua. Soube, finalmente, que havia em casa dois cérebros; uma tia do
marido e um jardineiro muito fiel ao patrão.
Mas o providencial moleque nesse mesmo dia se encarregou de entregar à patroa uma cartinha
do inflamado tenente, e a resposta - digamo-lo para vergonha daquela formosa desmiolada - a
resposta não se fez esperar por muito tempo.
Ei-la:
"O senhor pede-me uma entrevista e não imagina como desejo satisfazer a esse pedido, porque
também o amo. Mas uma entrevista como?... onde?... quando?... Saiba que sou guardada à
vista por uma senhora de idade, tia dele, e por um jardineiro que lhe é muito dedicado. Pode ser
que um dia as circunstâncias se combinem de modo que nos possamos encontrar a sós... Como
há um deus para os que se amam, esperemos que chegue esse dia: até lá, tenhamos ambos
um pouco de paciência. Mande-me dizer onde de pronto o poderei encontrar no caso de ter que
preveni-lo de repente. O moleque é de confiança."
Na esperança de que o grande dia chegasse, o Tenente Remígio Soares mudou-se
imediatamente para perto da casa de D. Andréia; procurou e achou um cômodo de onde se via,
meio encoberta pelo arvoredo, a porta da cozinha do objeto amado. Dessa porta D. Andréia
fazia-lhe um sinal convencionado todas as vezes que desejava enviar-lhe uma cartinha.
III
Diz a clássica sabedoria das nações que o melhor da festa e esperar por ela.