
em virtude do grande crescimento demo-
gráfico de um grupo específico de estu-
dantes, aos quais nos referiremos como
"estudantes-em-risco". Tais estudantes
não têm recursos de família e da comu-
nidade para que tenham sucesso nas
escolas tal como são constituídas atual-
mente (Levin, 1986). Eles entram nas
escolas despreparados para aproveitar os
currículos regulares, e vão ficando para
trás no desempenho acadêmico. Os resul-
tados de seus exames indicam que eles se
encontram dois anos atrasados com
relação a outros estudantes, na faixa da
sexta série, e com quatro anos de atraso
ao término da décima-segunda série, caso
cheguem até lá. Mais da metade desses
estudantes não chega a completar o curso
secundário, em geral considerado
requisito mínimo para uma produtiva
entrada no mercado de trabalho america-
no. Em geral, tais estudantes são, em sua
maioria, provenientes de populações de
baixa-renda, de minorias, de imigrantes e
que, muitas vezes, não falam inglês e de
famílias constituídas por apenas um dos
pais. Eles representam cerca de um terço
do total de estudantes de escolas
elementares e secundárias (Levin, 1986;
Palias, Natriello, McDill, 1989), uma
proporção que vem aumentando rapida-
mente, por causa da significativa imi-
gração proveniente de áreas rurais e
pobres da Ásia e da América-Latina,
assim como da elevada taxa de natalidade
entre estas populações.
Esta expansão da população
estudantil em condição desfavorável pode
ter como consequência uma séria
deterioração da futura força de trabalho.
Na medida em que este número aumenta
e eles continuam a ter baixos níveis de
desempenho e elevados índices de eva-
são, um contingente cada vez maior de
participantes da força de trabalho estará
despreparada para os empregos disponí-
veis. Até mesmo funcionários de escritó-
rio, caixeiros, vendedores necessitam
habilidades básicas em termos de comu-
nicação oral e escrita, computação e
raciocínio, habilidades geralmente não
encontradas entre os estudantes em
desvantagem educacional. Um estudo
levado a efeito pelo governo federal
americano em 1976 constatou que, en-
quanto cerca de treze por cento daqueles
com dezessete anos de idade poderiam ser
classificados como funcionalmente
analfabetos, a proporção de semi-analfa-
betos englobava aproximadamente a
metade das populações em desvantagem
educacional (Avaliação Nacional de
Progresso Educacional - 1976). Sem in-
tervenções bem-sucedidas para se melho-
rar a difícil situação dos estudantes em
condição educacional desfavorável, os
empregadores e a economia como um
todo sofrerão com uma diminuição da
produtividade, maiores custos de treina-
mento e desvantagens em termos de
competitividade, assim como em termos
de receitas tributárias não arrecadadas.
Isto terá um maior impacto sobretudo nas
localidades, regiões e estados onde se
concentra tal força de trabalho educa-
cionalmente mal-preparada, resultando
também num impacto nacional. Estas
perdas econômicas coincidem com um
período de crescentes custos de serviços
públicos para as populações que são
prejudicadas por desempenhos educacio-
nais inadequados. Cada vez mais, maior
número de cidadãos precisará contar
com serviços de assistência pública para
sobreviver, assim como maior será o
número de adolescentes e adultos des-
preparados envolvidos em atividades ile-