
Por outro lado, o empresariado queixa-se de que os universitários diplomados
apresentam-se nos locais onde pretendem emprego, totalmente sem prática,
desconhecendo os modernos equipamentos, as técnicas exigidas, exigindo um
treinamento que deveria ter sido feito durante o período de graduação. É
compreensível que nem todas as universidades possam dispor da mais moder-
na tecnologia para que seus alunos se mantenham atualizados. Elas nao
possuem condições para se manterem aparelhadas e acompanharem as trans-
formações no campo científico e tecnológico; nao apenas devido às limitações
no sentido do alto custo e necessidade de altos investimentos, mas devido às
implicações de ordem propriamente educacional. Ocorre que muitas universi-
dades nao possuem estrutura institucional que lhes permita avançar em
atividades dessa ordem, e, por maior que seja o esforço delas neste sentido,
nunca poderão refletir a realidade na qual o estudante irá atuar.
Ao sair da escola, o jovem profissional deveria oferecer contribuição satisfató-
ria, imediata, efetiva, mas ele iniciará um novo aprendizado e só estará real-
mente preparado para a vida produtiva, quando absorvido no contexto da
empresa. Por esta razão, uma preocupação dos alunos reside na obtenção da
prática, na busca de experiência em uma atividade relacionada com o curso,
apoiado na sua compreensão das possibilidades de conciliar as duas atividades.
Se isto ocorresse de modo formal, institucionalizado, eles estariam se especia-
lizando, ganhando experiência, aprofundando conhecimentos, enriquecendo
seu patrimônio técnico, científico e cultural.
Tradicionalmente, a educação vem sendo concebida como ligada a um mo-
mento particular da vida ou a vida tem sido dividida em duas fases, a primeira,
a da preparação, de aprendizado formal; a segunda, de aplicação desse apren-
dizado. Além disso, a educação vem sendo baseada em conceitos estáticos,
correndo o risco de cair no fosso da estagnação, comprometendo gerações.
Isto representa uma força contra o desenvolvimento intelectual em face das
mudanças, inclusive de interpretações de teorias pedagógicas. O fato de que
a inteligência só se ativa diante de situações-problema, o processo educativo
que não desafia, pode atuar como fator limitativo do desenvolvimento desta
função. Por outro lado, o pensamento é, antes de tudo, uma forma de ação
que não cessa de diferenciar-se, organizar-se e apurar seu funcionamento
durante o desenvolvimento físico. Logo, a interação entre teoria e prática
exprime, para o estudante, o princípio fundamental para interpretar novas
experiências, em sua função e em sua força educativa.
Sob outro ângulo, o fato de não exercer atividade prática vinculada ao campo
de interesse, faz com que a obtenção do diploma se constitua numa quebra