
Na prática administrativa, observa o autor, os chamados estudos de ad-
ministração concentram-se na sociedade capitalista, predominantemente
nos problemas relacionados ao controle dos trabalhadores, através da
gerência, que constitui a coordenação desse modo de produção. Por isso,
ele enfatiza que em todos os campos e em particular na administração,
devem ser aproveitados os desenvolvimentos da ciência e da técnica, no
sentido de impulsionar o processo de mudança, para a conquista de uma
nova sociedade democrática, cuja prioridade seja o homem.
Em outro enfoque sobre transformação social e administração, o autor
analisa a escola, enquanto instituição que pode contribuir para a trans-
formação social, pois esta transformação não deve ser uma mera esca-
moteação de antagonismo, mas a eliminação de suas causas, ou seja, a
superação da sociedade de classes. Assim, o papel da educação esco-
lar, nesse processo de transformação social, está baseada segundo
Gramsci (1978), em duas instâncias:a sociedade política (com função de
coerção) e a sociedade civil (com função de persuasão). Para melhor
explicitar este aspecto, o autor se baseia em Saviani, que afirma que en-
quanto a sociedade política se fundamenta na coerção, constituindo uma
relação de dominação, a educação escolar se fundamenta na persua-
são. Ele entende, ainda, que a educação se revela como elemento de
transformação social, na medida em que ela, pelo seu caráter pedagógi-
co, se posiciona em favor da classe trabalhadora e pela apropriação do
saber historicamente acumulado, bem como o desenvolvimento de uma
consciência crítica da realidade.
Por outro ângulo, Henrique Paro, examina exaustivamente o caráter con-
servador da administração escolar vigente, verificando que de modo ge-
ral, os trabalhos teóricos publicados no Brasil, adotam implícita ou expli-
citamente, o pressuposto básico de que na escola, devem ser aplicados
os mesmos princípios adotados na empresa capitalista. E se a escola é
entendida desta forma, logicamente, ela se colocará ao lado dos interes-
ses do capital, que segundo Marx "domina tudo", não só na estrutura
econômica, como também em todo o conjunto da sociedade.
No tocante à administração escolar, especificamente, observa o autor
que esta tem-se caracterizado pelo conservadorismo, tanto na teoria co-
mo na prática, por faltar uma vinculação orgânica entre a utilização dos
recursos da escola e uma racionalidade externa que signifique sua ar
ticulação com as classes trabalhadoras.
Segundo o autor, a aplicação da administração capitalista na escola não
deu certo, como se pode constatar pela divisão tecnicista, que leva à bu-
rocratização das atividades e em nada contribui para sua finalidade edu-
cativa. Pelo contrário, esse processo conduz ao esvaziamento de seus
conteúdos, comprometendo a qualidade do ensino.
Por outro lado, Paro mostra, ainda, a função de gerência como controle
do trabalho na escola, que está presente nos manuais de Administração
Escolar, em especial aos de procedência norte-americana. Nesta gerên-
cia de modelo capitalista, há uma especial repercussão na figura do dire-
tor de escola, que assume dupla função: como educador e como geren-
te. Quanto a este aspecto, ele observa que os órgãos de direção, como
de praxe, bombardeiam a unidade escolar com grande número de leis,
pareceres, resoluções, portarias, regulamentos etc, assoberbando as
atividades do diretor, que se vê ocupado, sobretudo, em atender formali-
dades burocráticas, sobrando-lhe pouco tempo para dedicar-se às ativi-
dades pedagógicas da escola, na função de educador.
O autor estuda, ainda, o processo de produção pedagógica na escola,
mostrando que, enquanto a empresa capitalista alcança com eficiência
seu objetivo último de realizar a mais-valia, a escola, pela sua ineficiência
na busca de seus objetivos educacionais, acaba por se colocar contra os
interesses da sociedade, na medida em que mantêm apenas na aparên-
cia sua função específica de distribuir a todos o saber historicamente
acumulado.
É na escola particular, esclarece Paro, que se identificam melhor os
elementos de produção capitalista, na medida em que o ensino do profes-
sor toma-se um autêntico "trabalho produtivo", pois segundo Marx é "o
trabalho assalariado que, buscando a parte variável do capital, ainda pro-
duz mais-valia para o capitalista", ou seja, o patrão que faz da escola um
comércio lucrativo de sua empresa cultural.