
atitude pensante e consciente, que assume características de reflexividade, constituindo-se em
uma atividade reorganizadora necessária à teoria. Portanto, esse é um sujeito diferente do
proposto pelo pensamento cartesiano, é um sujeito que participa da construção do
conhecimento utilizando não apenas a razão, mas também as sensações e intuições. Ou seja, é
um sujeito que necessita colocar-se no centro de seu próprio mundo e ocupar seu lugar de
“eu” (MORAES, 2003b). Originariamente, o indivíduo, do latim individuum, significa, em
sentido físico, “o indivisível, o que não pode mais ser reduzido pelo procedimento de análise”
(ABBAGNANO, 2003). E para o paradigma da complexidade e o pensar complexo, o
indivíduo não pode mais ser concebido a partir da ótica dualista corpo/mente, razão/emoção.
A virada conceitual encontra seu eixo fundante no fato de que somos uma unidade, mais que a
soma de particularidades. Corpo/mente, razão/emoção, são constituintes de um ser individual
dotado de qualidades de sujeito. Para tanto, Morin (2000, p. 108) considera o indivíduo a
partir de sua evolução, centrado nos aspectos biológicos, como suporte para outras discussões.
Assim, refere-se ao homem (indivíduo) como “sapiens/demens”, caracterizando-o como:
[...] um ser duma afectividade intensa e instável, que sorri, ri, chora, um ser
ansioso e angustiado, um ser gozador, ébrio, extático, violento, furioso,
amante, um ser invadido pelo imaginário [...] um ser subjectivo cujas
relações com o mundo objectivo são sempre incertas, um ser sujeito ao erro
e à vagabundagem, um ser úbrico que produz desordem.
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O indivíduo é constituído pelo erro, pela certeza, pela incerteza, pela ordem e pela
desordem, é um ser que se encontra em permanente estado de evolução, construção e recons-
trução, num processo de auto-organização. Quando fala da natureza humana, Morin (2000, p.
145) lança uma pergunta: “O que é o homem?”, encontrando explicações para além das
fronteiras biológicas e evolucionistas, ressaltando a necessidade de ligarmos o homem, antes
dicotomizado:
Precisamos de ligar o homem razoável (sapiens) ao homem louco (demens),
ao homem produtor, ao homem técnico, ao homem construtor, ao homem
ansioso [...] numa cara com muitas facetas, em que o hominídeo
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se trans-
forme definitivamente em homem. [...] Esta diversidade só pode ser compre-
endida a partir de um princípio simples de unidade. Ela só pode encontrar-se
na unidade de um sistema hipercomplexo (MORIN, 2000, p. 145).
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Esta caracterização surge como explicação para o fato de Morin considerar o homem como sendo, ao mesmo
tempo, sapiens e demens, da categoria da ordem e da desordem, objetivo e subjetivo.
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A esse respeito vale ressaltar que Morin considera que a ciência do homem ainda não surgiu, mesmo que o
homo sapiens existia há cerca de 100.000 a 50.000 anos, que a cidade e o estado existam há cerca de 10.000 anos
e a filosofia há 25.000 anos. Segundo ele, vivemos ainda na idade de ferro planetária (MORIN, 2003a).