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Universidade de São Paulo -USP
Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas – FFLCH
Departamento de Letras Clássicas e Vernáculas – DLCV
Alisson Alexandre de Araújo
ODEOLÍMPICADEPÍNDARO:TRADUÇÃOENOTAS
São Paulo
2005
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Alisson Alexandre de Araújo
OdeOlímpica:traduçãoenotas
Dissertação apresentada à Faculdade de
Filosofia, Letras e Ciências Humanas da
Universidade de São Paulo para obtenção do
título de mestre em Letras
Área de concentração: Letras Clássicas
Orientadora: Profª. Drª. Paula da Cunha Corrêa
SãoPaulo
2005
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Agradecimentos
À Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo – FAPESP, pelo apoio
concedido
À Professora Doutora Paula da Cunha Corrêa
A Giovana, Erika, Lia, Lucia, Flávia, Leonardo, Sandra e Marcus
Resumo
Araújo, A. A. 7ª Ode Olímpica e Píndaro: tradução e notas. 125 ff. Dissertação
(mestrado). Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São
Paulo, São Paulo, 2005.
A finalidade deste trabalho é realizar um comentário à 7ª Ode Olímpica de Píndaro.
Adicionalmente, procura demonstrar a maneira como a obra desse autor foi citada ou
aludida no mundo de língua grega, até a publicação, em 1515, da edição de Zacarias
Calierges, e como se formou a crítica pindárica nos séculos XIX e XX.
Palavras-chave: poesia grega arcaica; Píndaro; Odes Olímpicas; filologia; crítica
pindárica.
Abstract
Araújo, A. A. Pindar’s Seventh Olympian Ode: translation and notes. 125 ff. Faculdade
de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo, São Paulo, 2005.
This work aims to present a comment to Pindar’s 7th Olympian Ode. Additionally, it
intents not only to demonstrate the way Pindar’s work was mentioned or referred to in
Greek language until the publication of Zacarias Calierges’ edition, in 1515, but also
show how the pindaric criticism of XIX and XX centuries was shaped.
Keywords: Archaic Greek Poetry; Pindar; Olympian Odes; Philology; Pindaric Criticism.
Sumário
TUAPRESENTAÇÃOUT ...................................................................................................................4
TUCONHECIMENTO DO TEXTO DE PÍNDARO NO MUNDO DE LÍNGUA GREGA E SUA
FORTUNA CRÍTICA NOS SÉCULOS XIX E XX D.C.UT.....................................................................5
TU1.UT TUConhecimento do texto de Píndaro no mundo de língua gregaUT ..................................5
TU2.UT TUPíndaro nos séculos XIX e XX: a formação da apreciação modernaUT .......................28
TUA 7ª ODE OLÍMPICA DE PÍNDAROUT ..........................................................................................40
TUDiágoras e sua família, os EratidasUT...................................................................................40
TUOs mitosUT ............................................................................................................................41
TUPindari VII OlympiaUT..........................................................................................................43
TU7ª Ode Olímpica - TraduçãoUT .............................................................................................47
TUNotas à 7ª Ode OlímpicaUT ..................................................................................................51
TUBIBLIOGRAFIA ................................................................................................................122
4
Apresentação
Este trabalho está dividido em duas partes: 1) uma introdução sobre o conhecimento
da obra de Píndaro no mundo de língua grega – desde a primeira citação, no século V a.C., até
a publicação da primeira edição do texto do cinocefalense no mundo ocidental, no século XVI
d.C. – e sobre a formação da apreciação moderna do poeta, nos séculos XIX e XX d.C.; e 2)
uma tradução com notas da 7ª Olímpica.
Na primeira parte da introdução, apresentarei um rol de obras em que Píndaro foi
citado no mundo grego, desde a antiguidade até o fim do período bizantino, com o objetivo de
apontar, por meio da tradição indireta, as porções da obra que eram conhecidas em cada um
dos períodos abrangidos e, sobretudo, como e quando ocorreram as reduções do corpus inicial
que resultaram no conjunto de textos e fragmentos de que hoje dispomos. Dados sobre a
transmissão direta serão citados marginalmente, somente quando necessários para referendar
alguma afirmação ou quando forem suficientes para suprirem elementos da tradição indireta
referentes ao período em questãoTPF
1
FPT.
Na segunda parte da introdução, apresento uma síntese das obras, escritas entre o
século XIX e o século XX d.C., que influenciam e formam, em conjunto, a crítica pindárica
moderna. O objetivo, nesse segundo momento, é arrolar as principais teses defendidas na
crítica pindárica desde a publicação da edição de Boeckh, em 1811, desenhando um quadro
bastante sintético de como a obra de Píndaro é recebida e de que questões são consideradas
importantes pela crítica no período em questão.
Na parte final do trabalho, apresento notas exegéticas a um dos epinícios de Píndaro, a
Olímpica, com o objetivo de, primeiro, elucidar pontualmente as passagens da ode e,
segundo, de arrolar as diferentes explicações que foram propostas pelos comentadores,
antigos e modernos, a cada uma dessas passagens, oferecendo uma revisão da bibliografia
sobre a ode.
TP
1
PT Sobre a transmissão direta dos textos de Píndaro, cf. Turyn (1932), Galiano (1948:165-200) e Irigoin (1952).
5
Conhecimento do texto de Píndaro no mundo de língua grega - de
Heródoto à edição de Zacarias Calierges - e a fortuna crítica da obra nos
séculos XIX e XX d.C.
1. Conhecimento do texto de Píndaro no mundo de língua grega
As odes de Píndaro foram compostas por encomendaTPF
2
FPT. Destinavam-se a louvarem
homens ilustres, mortos ou vencedores nas principais competições esportivas pan-helênicas, e
deuses, em cujos templos ou festivais eram executadasTPF
3
FPT. Uma vez composta a ode, é provável
que Píndaro a escrevesse ou a fizesse escrever, para entregar cópias ao destinatário e ao
mestre de coro que a faria executarTPF
4
FPT. A apresentação da ode, nesse estado original, é objeto
de diversas especulações: a matéria-prima em que era escrita era possivelmente o papiroTPF
5
FPT e a
disposição do texto provavelmente não era feita em função dos elementos métricos, mas, sim,
como a prosa, conforme demonstram os mais antigos papiros literários e as inscrições
métricasTPF
6
FPT .
No caso do texto do mestre do coro, a notação musical, provavelmente do tipo
encontrado, mais tarde, nos papiros e nas inscrições, deveria ser colocada entre as linhas,
podendo haver um ou mais símbolos debaixo de cada sílabaTPF
7
F Além disso, é possível que,
TP
2
PT As únicas exceções apontadas pelos testemunhos antigos são: 1) as odes compostas por Píndaro para concorrer
em ágones poéticos, as quais, no entanto, remontam a um momento anterior a seu reconhecimento por toda a
Grécia e a sua atividade como poeta profissional, vide Plutarchi De gloria Atheniensium, 347f-348; (2) um
dafnefóricon que Píndaro teria composto, depois de se ter tornado célebre, para seu filho, Defanto, quando este
foi eleito dafneforo no festival das Dafnefórias, em Tebas, vide Eustathii Prooemium in Commentarii in Pindari
opera, 56 Drachmann.
TP
3
PT No caso das odes para homens, acredita-se que as encomendas eram feitas pela pessoa a ser louvada ou por
familiares; no das odes para deuses, que eram feitas por sacerdotes das divindades ou por patrocinadores das
celebrações. Embora a questão tenha sido discutida modernamente, cf. Drachmann (1891:XLII), não há
testemunhos se, no momento da encomenda, o encomendador fornecia os elementos que gostaria que fossem
abordados na ode.
TP
4
PT Há uma querela, na crítica contemporânea, sobre a forma de execução das odes de Píndaro. De um lado,
defende-se que, conforme a tradição antiga, eram executadas por um coro, que as cantaria e as dançaria, cf.
Burnett (1989:283-293) e Carey (1989:545-565); de outro, defende-se, com base na interpretação de passagens
de alguns epinícios, que pelo menos parte das odes eram executadas à maneira das monodias, por um cantor
solo, cf. Heath (1988: 180-95), Lefkowitz (1988:1-11) e Morgan (1993:1-15).
TP
5
PT O papiro era conhecido e utilizado pelos gregos desde o século VI a.C. De acordo com Irigoin (2001:35), as
tabuinhas de madeira cobertas com cera deixaram de ser utilizadas desde o século VI a.C., quando os
comerciantes gregos passaram a importar papiros do Egito.
TP
6
PT Timothei Fragmenta, 15 Page = Papyrus Berol. 9875; Anonymi Carmina conuiuialia, 917 Page = Papyrus
Berol. 13270. Cf. Dain (1933: 66) e Irigoin (1952:6).
TP
7
PT Sobre a notação musical grega, vide Aristoxeni Tarentini Elementa harmonica, 49 Da Rios. Sobre o tipo de
notação musical encontrado nos papiros e inscrições mais antigos, cf. Poehlmann (1960) e Poehlmann-West
(2001). A propósito da música grega em geral, cf Anderson (1994), Barker (1989), Mathiesen (1999), Gentili-
Pretagostini (1988) e Comotti (1979). Quanto à música na lírica coral grega, cf. Danielewicz (1966) e
Georgiades (1973).
6
nesse mesmo papiro, houvesse indicações sobre os movimentos do coroTPF
8
FPT. Outra cópia do
texto, provavelmente mais bem cuidada, deveria ser entregue ao destinatário da ode, como
recordação tangível de uma cerimônia memorávelTPF
9
FPT. De acordo com testemunhos antigos,
algumas dessas odes foram depositadas em templos: a 7ª Ode Olímpica teria sido gravada,
com letras de ouro, no templo de Atena, em LindosTPF
10
FPT, e o Hino a AmonTPF
11
FPT, gravado em uma
estela triangular no templo do deus em TebasTPF
12
FPT .
É a partir de tais documentos, públicos, que se devem ter constituído as primeiras
coleções de odes individuais, com difusão mais ou menos limitada, local ou regionalTPF
13
FPT, ao
âmbito de pessoas cultas ou das escolas. A adoção dessas odes, de caráter circunstancial, nos
programas escolares parece ter contribuído para proporcionar a elas longevidadeTPF
14
FPT. Entre os
adultos, as odes provavelmente eram executadas em simpósios, por um solista, à liraTPF
15
FPT.
Traços de coletâneas desse tipo podem ser encontrados em textos de autores posteriores a
Píndaro, principalmente nas obras dos atenienses dos séculos V e IV a.C., que nos chegaram
mais bem conservadas.
A primeira citação de uma ode de PíndaroTPF
16
FPT, a partir dos textos que foram
transmitidos desde a antiguidade, encontra-se em HeródotoTPF
17
FPT . O testemunho dos
comediógrafos, no entanto, é mais profícuo: apresenta uma visão de que, no século V, a
produção dos poetas líricos corais, embora conhecida, não era apreciada pelas novas gerações.
ÊupolisTPF
18
FPT diz que o desapreço pela obra de Píndaro, por parte dos jovens do século V a.C.,
devia-se à desafeição pelo belo, apontando que esse julgamento se aplicava também a outros
líricos, como Estesícoro, Álcman e SimônidesTPF
19
FPT. Da mesma forma, em As Nuves, Aristófanes
TP
8
PT A respeito das performances do coro grego, em geral, cf. Calame (1977), e na lírica coral, cf. Mullen (1982).
TP
9
PT Cf. Hubbard (2004:71-94).
TP
10
PT Gorgonis Fragmenta, 3 Müller.
TP
11
PT Pindari Fragmenta, 36 SM.
TP
12
PT Pausaniae Graeciae descriptio, IX 16. Evidenciam essa prática de guardar os poemas em templos os
fragmentos do Peã a Asclépio, de Sófocles, Fragmenta, 1a-b PMG, encontrados próximo ao Asclepídeon, em
Atenas, cf. Oliver (1940:302-14).
TP
13
PT Para Irigoin (1952:9), muitas dessas coletâneas poderiam ter sido compostas antes da morte do poeta,
conferindo-lhe, ainda em vida, sucesso. De acordo com Gentili (1995:LXXII), o mais provável é que as
coletâneas tenham sido compostas após a morte do poeta. Como não há evidências sobre o assunto, a solução da
questão, no entanto, há de permanecer apenas no âmbito da especulação.
TP
14
PT Sobre a utilização da poesia lírica grega em âmbito escolar, vide Aristophanis Nubes, 966-8.
TP
15
PT Sobre a utilização da poesia lírica grega em ambiente simposial, vide Aristophanis Nubes, 1355-6.
TP
16
PT Pindari Fragmenta, 169a.1 SM.
TP
17
PT Herodoti Historiae, III 38.
TP
18
PT Eupolidis Fragmenta, 366 Kock.
TP
19
PT Eupolidis Fragmenta, 139 Kock.
7
mostra um típico representante da nova geração de atenienses, o jovem Fidípides, dizendo que
Simônides era mau poetaTPF
20
FPT.
Passagens das obras de Aristófanes demonstram que odes de Píndaro eram conhecidas
em Atenas no século V a.C: em Os AcarnensesTPF
21
FPT, o comediógrafo alude ao ditirambo a
AtenasTPF
22
FPT; em Os Cavaleiros, cita a mesma odeTPF
23
FPT e, com uma ligeira alteração, o fragmento
de uma prosódiaTPF
24
FPT; em As AvesTPF
25
FPT, um dos personagens é um poeta que veio cantar, à maneira
de Simônides e mediante pagamento, ditirambos, partênios e odes à cidade fundada por
Pistéteros. Para louvar o fundador e a cidade de Nefelococugia, esse poeta emprega os
mesmos versos do hiporquema composto por Píndaro a Hierão, tirano da Sicília e fundador de
EtnaTPF
26
FPT. Em sua obra, Aristófanes alude ou cita três odes diferentes de Píndaro. O fato de ele
se limitar às primeiras palavras das odes pode indicar que eram poemas conhecidos pela
audiência, os quais, portanto, provavelmente pertenciam ao programa de obras líricas
ensinadas nas escolas de Atenas na segunda metade do século V a.C. ou a edições de textos
que, por ventura, houvesse na cidadeTPF
27
FPT.
No século IV a.C., Platão utiliza poemas de Píndaro em diversas de suas obras: no
MênonTPF
28
FPT, cita o nome do poeta e, em seguida, o início do hiporquema a Hierão; no FedroTPF
29
FPT,
TP
20
PT Aristophanis Nubes, 1355-1362. O testemunho da comédia, no entanto, deve ser contextualizado. Há de se
levar em conta que a comédia antiga, da qual Êupolis e Aristófanes são representantes, criticava as alterações
pelas quais a sociedade ateniense estava passando, apresentando-as como um declínio com relação aos valores
tradicionais. No caso da poesia, essa decadência era representada pela mudança de gosto: a passagem do apreço
pela poesia mais tradicional, representada pela lírica coral ou pelas tragédias de Ésquilo, ao gosto pela poesia
mais sofisticada, identificada por Aristófanes, em muitas de suas obras, com a de Eurípides, vide Aristophanis
Ranae, 1309-1363. Nesse sentido, em vez de representarem a declaração de uma posição pessoal do
comediógrafo, as menções da comédia antiga ao desapreço pela poesia lírica representam, na verdade, uma
crítica ao mau gosto da nova geração de atenienses, fortemente influenciados pela sofística e cada vez mais
distantes dos velhos valores. Porém, a despeito de pessoalmente Aristófanes poder considerar Píndaro um bom
poeta, ligado a valores tradicionais que estavam em decadência em Atenas, não se pode deixar de mencionar que
deveria ser estranho, aos olhos da audiência da comédia – no contexto da recente derrota da expedição ateniense
à Sicília e da guerra entre as confederações lideradas por Esparta e Atenas que, entre outras coisas, contrapunha
valores como democracia e aristocracia –, que um poeta que tinha louvado Atenas, no famoso ditirambo, pudesse
igualmente ter louvado, mediante pagamento, um tirano da Sicília. Aristófanes explora, comicamente, o fato que,
para o público, naquele momento especialmente, deveria parecer uma contradição.
TP
21
PT Aristophanis Acharnenses, 637-9.
TP
22
PT Pindari Fragmenta, 76 SM.
TP
23
PT Aristophanis Equites, 1329.
TP
24
PT Aristophanis Equites, 1264-6; Pindari Fragmenta, 89a SM. Essa mesma prosódia é imitada por Dionísio
Chalco, Fragmenta, 6 West, poeta elegíaco contemporâneo de Aristófanes.
TP
25
PT Aristophanis Aues, 917-945.
TP
26
PT Pindari Fragmenta, 105a-b SM. Aristófanes faz Pistéteros citar nominalmente o cinocefalense, Aues, 939-
945. A interpretação oferecida pelo escoliasta de Aristófanes, Scholia in Aristophanis Aues, 941 Dübner,
segundo a qual, após ter recebido de Hierão as mulas, Píndaro estar-lhe-ia, neste hiporquema, solicitando um
carro, parece devida à influência do pastiche do comediógrafo ateniense.
TP
27
PT O destaque concedido ao ditirambo a Atenas é perfeitamente compreensível; já o conhecimento do
hiporquema a Hierão testemunha a celebridade de que desfrutavam, em Atenas, no século V a.C., os tiranos da
Sicília, cf. Irigoin (1952:16).
TP
28
PT Platonis Meno, 76d.
8
o mesmo fragmento é referido, dessa vez, sem menção ao nome do poeta; no GórgiasTPF
30
FPT,
Cálicles cita, atribuindo-lhe a autoria, mas com uma alteração, o mesmo fragmento que
Heródoto havia citadoTPF
31
FPT . Essa mesma ode é citada 3 vezes nas Leis e uma vez no
ProtágorasTPF
32
FPT. As outras referências feitas por Platão são inéditas na tradição indireta até
então: no MênonTPF
33
FPT, cita o trecho de um trenoTPF
34
FPT ; na República
35
, três fragmentos de gênero
não identificadoTPF
36
FPT; no TeetetoTPF
37
FPT , outro fragmento de gênero não identificadoTPF
38
FPT. Entre as
citações inéditas, estão incluídas passagens de epinícios: no ProtágorasTPF
39
FPT, alude à
OlímpicaTPF
40
FPT; já no FedroTPF
41
FPT, Sócrates cita um trecho da 1ª ÍstmicaTPF
42
FPT ; no EutidemoTPF
43
FPT, são
citados os versos iniciais da 1ª Olímpica e, na RepúblicaTPF
44
FPT, um verso da 3ª PíticaTPF
45
FPT.
Após Platão, Isócrates alega que Píndaro, para compor o ditirambo à Atenas, teria sido
nomeado próxeno e recebido dez mil dracmasTPF
46
FPT . Pseudo-ÉsquinesTPF
47
FPT apresenta uma versão
segundo a qual, pela composição do mesmo ditirambo, Píndaro teria recebido dos atenienses o
dobro da multa à qual foi condenado em Tebas e que, além disso, em Atenas lhe teria sido
erigida uma estátua de bronze. Aristóteles, na RetóricaTPF
48
FPT, cita o início da 1ª OlímpicaTPF
49
FPT, um
partênioTPF
50
FPT e o fragmento já citado por HeródotoTPF
51
FPT.
Da análise de todas as citações e alusões a Píndaro nos autores dos séculos IV e V
a.C., nota-se que algumas odes foram referidas por mais de um deles: o ditirambo a Atenas,
citado por Aristófanes, Isócrates e Pseudo-Ésquines; a prosódia imitada por Aristófanes e por
Dionísio Chalco; o hiporquema a Hierão, citado por Aristófanes e Platão; o fragmento de
TP
29
PT Platonis Phaedrus, 236d.
TP
30
PT Platonis Gorgias, 484b.
TP
31
PT Pindari Fragmenta, 169a1 SM.
TP
32
PT Platonis Leges, 690bc, 714e-715a, 890a; Protagoras, 337d. A respeito do uso que Platão faz desse trecho de
Píndaro, alterando o sentido de ??µ??, de ‘costume’ para ‘lei natural’, cf. Croiset (1921:125-128) e Des Places
(1949: 169-179).
TP
33
PT Platonis Meno, 81abc.
TP
34
PT Pindari Fragmenta, 133 SM.
TP
35
PT Platonis Respublica, 331a, 365b e 457b.
TP
36
PT Pindari Fragmenta, 214, 213 e 209 SM.
TP
37
PT Platonis Theaetetus, 173e.
TP
38
PT Pindari Fragmenta, 292 SM.
TP
39
PT Platonis Protagoras, 324b
TP
40
PT Pindari Olympia, II 30.
TP
41
PT Platonis Phaedrum, 227b.
TP
42
PT Pindari Isthmia, I 2.
TP
43
PT Platonis Euthydemus, 304bc.
TP
44
PT Platonis Respublica, 408b.
TP
45
PT Pindari Pythia, III 96.
TP
46
PT Isocratis Antidosis, 166.
TP
47
PT Pseudo-Aeschinis Epistulae, IV 3.1.
TP
48
PT Aristotelis Rhetorica, 1364a.28, 1401a.18 e 1406a1.
TP
49
PT Pindari Olympia, I 1-2.
TP
50
PT Pindari Fragmenta, 96 SM.
TP
51
PT Pindari Fragmenta, 169a.1 SM.
9
espécie não identificada, conhecido por Heródoto, Platão e Aristóteles, e a 1ª Olímpica,
citada por Platão e Aristóteles. É possível que essas odes fizessem parte de uma edição
ateniense de Píndaro existente entre o final do século V e o início do século IV a.CTPF
52
FPT. Nota-
se, também, que as citações de epinícios foram muito mais raras do que as das outras espécies
de poesia coral praticadas pelo cinocefalense.
A partir das passagens citadas por Platão, percebe-se, ao menos, a variedade de odes
conhecidas pelo filósofo, sem que, no entanto, seja possível saber se eram também de
conhecimento de um público maior em Atenas. Entre as citações de epinícios, três são de odes
compostas a tiranos da Sicília: a 1ª Olímpica e a 2ª Pítica, a Hierão, e a 2ª Olímpica, a Terão.
O conhecimento dessas odes poderia estar associado às viagens de Platão à Sicília, sendo
necessário, no entanto, ressaltar que já Aristófanes havia mencionado o hiporquema a Hierão.
Nesse sentido, é provável que uma parte das odes escritas para os tiranos da Sicília fosse
conhecida em Atenas, o que, no entanto, não exclui a probabilidade de que Platão, quando na
Sicília, tenha podido ler ou ouvir cantar as odes das quais seus diálogos registram o
conhecimento.
Além disso, vê-se que são raras as citações de Píndaro pelos autores do século IV a.C.,
à exceção de Platão, o que parece demonstrar uma diminuição no conhecimento da poesia
lírica, causada, provavelmente, pela crescente importância adquirida pelo drama ateniense a
partir do século V a.C.
Fora de Atenas, nos anos que antecederam o florescimento da erudição alexandrina,
passagens de Píndaro figuraram na obra de geógrafos, historiadores e filósofos. Éforo Cimeu
discutiu, com base na versão pindárica para o rapto de Pélops por PosêidonTPF
53
FPT, um costume
cretenseTPF
54
FPT. Timeu TauromenitanoTPF
55
FPT tentou identificar as odes dedicadas a sicilianosTPF
56
FPT . Entre
os peripatéticos
57
, Aristoxeno cita dois fragmentos de Píndaro
58
e alude a ele em outras três
passagensTPF
59
FPT; Teofrasto cita o trecho de um hinoTPF
60
FPT, e, segundo testemunhos, Cameleão teria
escrito uma vida de Píndaro
61
e Dicearco falado sobre o poeta em sua obra Sobre as
competições musicaisTPF
62
FPT.
TP
52
PT Cf. Irigoin (1952:18-9).
TP
53
PT Pindari Olympia, I 28-9.
TP
54
PT Ephori Cumaei Fragmenta, 70 F 149 Jacoby.
TP
55
PT Acerca de Timeu, cf. Langher (1998:125).
TP
56
PT Vide Timaei Fragmenta, 566.10, 18, 19a, 20, 21, 28c, 32, 39b, 41a, 41c Jacoby.
TP
57
PT Cf. Podlecki (1969:114-137).
TP
58
PT Aristoxeni Tarentini Fragmenta, 87.7; 99.2 Wehrli. Pindari Fragmenta, 70b; 125 SM.
TP
59
PT Aristoxeni Tarentini Fragmenta, 76.5, 3; 82.9 Wehrli.
TP
60
PT Theophrasti Physicorum opiniones, 12.25 Diels; Pindari Fragmenta, 33e SM.
TP
61
PT Vide Chamaeleonti Fragmenta, 31.2, 32a, 32b Wehrli.
TP
62
PT Vide Dicaearchi Fragmenta, 22 Wehrli.
10
Apesar das poucas citações, há de se notar que, de todos os poetas líricos, Píndaro
somente desfrutara, no período anterior à fundação do Museu e da Biblioteca de Alexandria,
de uma reputação nominativaTPF
63
FPT, enquanto os outros poetas tinham seus nomes recobertos por
um silêncio quase total ou suas composições indiferenciadas em meio à tradição das sentenças
gnômicas. Note-se, ainda, que, nesse período, a poesia lírica não foi objeto de nenhum tratado
hermenêutico ou exegético específico, apesar das menções de Aristóteles, na PoéticaTPF
64
FPT, à
poesia ditirâmbica. A escassez de testemunhos contemporâneos ou proximamente posteriores
aos líricos parece indicar, senão a indiferença, pelo menos certo desapreço com relação a
essas obrasTPF
65
FPT. O fato de as citações, não somente de Píndaro, mas dos líricos em geral, serem
mais freqüentes em comediógrafos, que fizeram delas uso paródico, e entre filósofos, que
fizeram dela uso instrumental e demonstrativo, aponta que a exploração dessas obras por seus
valores poéticos não está em questão: as citações exploram, sobretudo, o fundo gnômico
dessas, como alguns dos papiros deixam entreverTPF
66
FPT .
A partir do fim do século V a.C., em virtude da reforma de Arquino, no arcontado de
Euclides, em 402-403 a.C, que estabeleceu o alfabeto iônico como oficialTPF
67
FPT, o texto de
Píndaro passou por um processo de metagramatização em AtenasTPF
68
FPT. A mesma iniciativa foi
tomada na primeira metade do século IV a.C por outras cidades gregas e contribuiu para a
difusão do comércio de livros. Graças a essa atividade comercial, conhecida em Atenas desde
o final do século V a.C., várias edições locais de Píndaro podem ter sido compiladas e
fundidas nos grandes centros livreiros de então, Atenas e Rodes. É provável que tivessem
maior valor no mercado obras inéditas ou pouco conhecidas dos autores célebres, o que pode
ter incentivado cidades e/ou cidadãos a extraírem de seus arquivos obras até então
desconhecidasTPF
69
FPT. O desenvolvimento dessa atividade comercial beneficiará, pouco tempo
depois, a fundação do Museu e da Biblioteca de Alexandria.
TP
63
PT Nas citações acima arroladas, Píndaro é citado nominalmente diversas vezes. Em uma delas, Platão, Meno,
81b, chama-o de poeta divino.
TP
64
PT Aristotelis Poetica, 1447a.14.
TP
65
PT Provavelmente ocasionado pela importância que o drama ateniense havia adquirido desde o final do século V
a.C., o qual, por exemplo, recebeu um tratamento exegético específico na própria Poética, de Aristóteles.
TP
66
PT Cf. Lasserre (1958:19) e Treu (1959:6,174).
TP
67
PT Sudae Lexicon s.u. Saµ??? ? d?µ??.
TP
68
PT As odes, que haviam sido escritas no antigo alfabeto ático, que não distinguia a duração das vogais /e/ e /o/,
tiveram de ser transcritas em alfabeto iônico, estabelecido, a partir de então, como o oficial. Como resultado
imediato desse processo, houve uma diferenciação fonética do texto: o /o/ longo de origem secundária passou a
ser grafado em Atenas como -?? e em Tebas como –?. A normalização se estabeleceu aos poucos, graças à
influência de Atenas no século IV a.C., tendo sido concluída com o trabalho dos eruditos de Alexandria, cf.
Irigoin (1952:23).
TP
69
PT Cf. Kenyon (1951), Platty (1968) e Irigoin (2001).
11
Com a fundação do Museu e da Biblioteca de Alexandria, no século III a.C., a obra de
Píndaro, assim como toda a produção poética remanescente do passado, torna-se objeto de
estudo e de revisão crítica e filológicaTPF
70
FPT. A atividade empreendida pelos filólogos
alexandrinos parece ter sido de dois tipos: classificação/catalogação dos autores e de suas
obras e estabelecimento de texto único dos autores a partir das variantes encontradas no
material bibliográfico disponível. Da primeira tarefa incumbiu-se Calímaco de Cirene, que em
seus PinakesTPF
71
FPT , colocou a poesia lírica na segunda das oito categorias entre as quais se
repartiram os autores antigosTPF
72
FPT.
Com relação à atividade de edição, Lícofron de Cálcis encarregou-se da comédia,
Alexandre Etolo da tragédia e do drama satírico e Zenódoto de Éfeso da poesia épica,
sobretudo, mas também de alguns poetas líricos, entre os quais PíndaroTPF
73
FPT. No entanto, parece
mais provável que o primeiro bibliotecário de Alexandria tenha realizado a correção,
d?????s??, da obra de Píndaro e não uma verdadeira edição, ??d?s??TPF
74
FPT. Os escólios conservam
traços de seu trabalho de correção nos epiníciosTPF
75
FPT e nos peãsTPF
76
FPT .
Da época em que Eratóstenes de Cirene esteve à frente da Biblioteca, não há notícia de
edições ou comentários específicos à obra de Píndaro. No entanto, é possível que algumas das
odes tenham sido comentadas em outros trabalhos produzidos na Biblioteca, como, por
exemplo, os de Istros de CireneTPF
77
FPT e de Euforião de CálcisTPF
78
FPT , que compuseram tratados
intitulados Sobre os poetas mélicos.
Aristófanes de BizâncioTPF
79
FPT, sucessor de Eratóstenes na direção da Biblioteca,
desempenhou papel fundamental na classificação da obra de Píndaro. De acordo com a Vida
TP
70
PT Cf. Negri (2004).
TP
71
PT Cf. Schmidt (1922) e Slater (1976:234-241).
TP
72
PT Cf. Harvey (1955:157-175).
TP
73
PT Cf. Pfeiffer (1968:117-8).
TP
74
PT A d?????s?? designava o trabalho crítico textual, i.e., correção por meio de diacríticos, compilação de
variantes, propostas de conjecturas etc., com circulação limitada ao gramático e a seus alunos. A ? ?d?s?? era
uma edição ou publicação destinada à difusão e à circulação geral, disponível para quem quisesse lê-la, cf.
Pfeiffer (1968:216), Van Groningen (1963:1-17) e Fraser (1972:447). Irigoin (1952:32) defende, com base no
escólio da 5ª Ode Olímpica, a?t? ? ?d? ?? µ?? t??? ?daf???? ??? ??, ?? d? t??? ??d?µ?? ?p?µ??µas?? ????et? ???d????,
que Zenódoto compôs uma edição de Píndaro. No entanto, como observa Gentili (1995:LXXV), a expressão ??
t??? ?daf???? não deve se referir necessariamente a uma ? ?d?s?? de Zenódoto, pois, em Eustácio, Opuscula,
142.47 Tafel, ?d?f??? designa um manuscrito muito antigo e em João Tzetzes, Chiliades, IV 202, um texto
autógrafo. Não se deve excluir a possibilidade de que o escoliasta estivesse se referindo aos manuscritos
pindáricos pré-alexandrinos, nos quais faltava a 5ª Ode Olímpica, que passou a ser atribuída com certeza a
Píndaro somente após a edição de Dídimo. Sobre as citações de Zenódoto nos escólios antigos, cf. Deas
(1931:14).
TP
75
PT Vide Scholia uetera in Pindari Carmina, Olympia, II 7a, III 52a e VI 92b Drachmann.
TP
76
PT Vide Scholia uetera in Pindari Peanes, 3.58a, 5.55, 5.59, 5.118, 5.119, 5.182f Diehl.
TP
77
PT RE IX, 2, col. 2270-2282.
TP
78
PT Vide Euphorionis Fragmenta, 1, 55, 56 e 58 Scheidweiler; Quintiliani Institutiones Oratoriae, XI 2.14.
TP
79
PT Cf. Callanan (1987).
12
de Píndaro contida no Papiro Oxirrinco 2438, o gramático dividiu as odes em 17 livrosTPF
80
FPT.
Essa divisão parece ter respondido a uma limitação técnica: o tamanho dos rolos de papiro
utilizados na Biblioteca de AlexandriaTPF
81
FPT.
A repartição das odes de Píndaro em livros seguiu critérios que mereceram algum tipo
de adaptação. Inicialmente, a escolha se deu em conformidade com as diversas modalidades
do lirismo coral, quase todas praticadas por Píndaro. Foi necessário, por causa da grande
quantidade de odes pertencentes a um mesmo gênero, repartir em dois ou mais papiros as
modalidades com maior número de poemas. No entanto, algumas das odes provavelmente não
se adaptaram a esses critérios, motivo pelo qual, no final do último livro de epinícios, o das
Neméias, foram acomodadas duas odes que, apesar de serem epinícios, não celebravam
vencedores nos Jogos Neméios, mas, sim, em jogos locais: a 9ª Neméia, em homenagem a
Crômio de Etna, vencedor em Sícion, e a 10ª Neméia, a Teaio de Argos, vencedor nas
Heraias; uma terceira ode, a 11ª Neméia, não é um epinício: celebra a instalação de um
prítane, Aristágoras, em TenedoTPF
82
FPT. A denominação de um dos livros contendo as odes de
Píndaro de ?e????sµ??a pa?????a, “partênios diferentes”, demonstra que Aristófanes de
Bizâncio teve problemas semelhantes na classificação de outras modalidades de poemas. De
acordo com a Vida Ambrosiana de Píndaro, a apresentação dos livros foi estabelecida de
acordo com um critério: os primeiros livros eram formados por odes compostas em honra dos
deuses ou por ocasião de cerimônias religiosas, e?? ?e???: hinos, peãs, ditirambos, prosódias,
partêniosTPF
83
FPT e hiporquemas; os restantes, por odes compostas em honra a homens, e??
? ????p???: encômios, trenos e epiníciosTPF
84
FPT.
No interior de cada livro, a classificação dos poemas também obedeceu a critérios: os
epinícios foram ordenados de acordo com a data de instituição dos jogos: Olímpicos, Píticos,
Ístmicos e Neméios, respectivamente. Dentro de cada livro, as odes foram dispostas de acordo
com a competição: corrida de carros puxados por cavalos, corrida de cavalos montados,
TP
80
PT O número de livros é confirmado por outras fontes: Vita Thomana I 7.15 Drachmann, Vita Ambrosiana, I 3.6
Drachmann; Sudae Lexicon s.u. ???da???; Eustathii Prooemium commentarii in Pindari opera, 34 Drachmann.
TP
81
PT Sobre o tamanho aproximado dos papiros utilizados na época, cf. Irigoin (1952:38), (1994:39-93) e
(1998:405-413). Os epinícios de Simônides, muito numerosos, foram classificados de acordo com a prova na
qual o destinatário fora o vencedor, vide Photii Lexicon s.u. ????????de? ?µ??a?; Scholia uetera in Aristophanis
Equites, 405 Jones-Wilson; os de Baquílides, menos numerosos, foram reunidos em um único rolo, sob o nome
de ?a?????d?? ?p??????, vide Apollonii Dyscoli De pronominibus, II 84.11 Schneider; Stobaei Anthologium, III
10.14. Além disso, certas categorias de odes de Píndaro foram dividas em mais de um livro: os ditirambos em
dois, os partênios em três e os epinícios em quatro.
TP
82
PT Cf. Irigoin (1952:42) e Harvey (1955:160).
TP
83
PT De acordo com Fócio, Bibliotheca, 320 a 3-4 Henry, os partênios constituíam, na verdade, um gênero misto:
eram compostos para os deuses, mas incluíam louvação a homens.
TP
84
PT A divisão das obras dos poetas em e?? ?e??? e e?? ?????p??? remonta a Platão, Respublica, 607a. Vide
Photii Bibliotheca, 319b32 - 320a9 Henry.
13
corrida de mulas, pancrácioTPF
85
FPT, luta, pugilato, pentatlo, corridas (hoplítica, dólicoTPF
86
FPT,
diaulosTPF
87
FPT ) e, por fim, os concursos musicais. Não importava se o vencedor era um adulto, um
adolescente ou uma criança. Na ordenação das odes, não foi considerada a ordem cronológica
em que as vitórias foram obtidas nem o local de origem do vencedor. Todavia, foi levada em
conta a importância do atleta. As Odes Píticas compostas em homenagem às vitórias nas
corridas de carros puxados por cavalos, por exemplo, foram ordenadas da seguinte maneira:
primeiro as dedicadas a Hierão, rei de Siracusa (1ª, 2ª e Píticas, compostas,
respectivamente, em 474 a.C., data desconhecida e 470 a.C.), depois para Arcesilau, rei de
Cirene ( e Píticas, compostas, ambas, em 462 a.C.), para Xenócrates de Agrigento (
Pítica, composta em 490 a.C.) e Mégacles de Atenas (7ª Ode Pítica, composta em 486 a.C.).
A única exceção a esses critérios de ordenação foi aberta à 1ª Olímpica, composta para
celebrar a vitória de Hierão de Siracusa na corrida de cavalos montados. De acordo com os
critérios de Aristófanes de Bizâncio, ela deveria vir após a 2ª Ode Olímpica, que celebrava
uma vitória de Terão de Agrigento na corrida de carros puxados por cavalos. De acordo com a
Vida Tomana de Píndaro, essa transgressão ocorreu porque a ode narra o mito de Pélops,
considerado como o primeiro vencedor de uma competição olímpicaTPF
88
FPT .
Além da divisão em livros, testemunhos antigos relatam que Aristófanes de Bizâncio
foi o responsável por estabelecer a colometria das odes de PíndaroTPF
89
FPT, colocando em cada
linha o que imaginava ser um membro das odes, o côlon, e por agrupar os cola em elementos
estróficos: estrofe, antístrofe e epodoTPF
90
FPT. Aristófanes de Bizâncio parece ter sido também o
responsável pela passagem terminológica de mélico, µe?????, a lírico, ???????, já que, após
ele, são raros os trabalhos com o nome de Acerca dos poetas mélicos, pe?? µe??p????PF
91
FPT.
TP
85
PT O pancrácio era um tipo de esporte de combate que misturava a luta e o pugilato, vide Herodoti Historiae, IX
105; Thucydidis Historiae, V 49; Aristophanis Vespae, 1191; Platonis Leges, 795b.
TP
86
PT A corrida mais longa das competições gregas. Nessa prova, os atletas deveriam percorrer a distância de 24
estádios, vide Xenophontis Anabasis, IV 8.27; Platonis Leges, 833b.
TP
87
PT A corrida dupla consistia em percorrer o estádio até um marco e, em seguida, voltar ao ponto de partida, vide
Pindari Olympia, XIII 36; Sophoclis Electra, 691.
TP
88
PT Vita Thomana, I 8.15 Drachmann.
TP
89
PT De acordo com Gentili (1995:LXXVI), a colometria de Aristófanes de Bizâncio se funda, como demonstram
papiros e códigos medievais, sobre elementos que se estendem do monômetro ao tetrâmetro. Segundo ele, o uso
do termo colometria não seria, então, apropriado à doutrina de Aristófanes de Bizâncio. Em Hefestião, por
exemplo, o côlon propriamente dito é um elemento métrico que não supera a medida de duas sizígias,
diferentemente do comma, que é inferior a duas sizígias – monômetro ou dístico catalético – e do verso, stichos,
que se estende do trímetro ao tetrâmetro, cf. Lomiento (1995:127-133).
TP
90
PT Vide Dionysii Halicarnensis De compositione uerborum, 26.113 Usener-Radermacher; Scholia uetera in
Pindari Carmina, Olympia, II.48a Drachmann.
TP
91
PT Cf. Pfeiffer (1968:182).
14
Entre os discípulos de Aristófanes, CalístratoTPF
92
FPT parece ter sido o autor de um comentário ao
poetaTPF
93
FPT e Diodoro TarsoTPF
94
FPT teria se ocupado de passagens da obra do cinocefalenseTPF
95
FPT.
Apolônio Eidógrafo, sucessor de Aristófanes de Bizâncio e predecessor de Aristarco
frente à Biblioteca de Alexandria, teria estabelecido uma classificação musical da poesia lírica
grega, distribuindo-a de acordo com os modos musicais: dórico, frígio e lídioTPF
96
FPT.
Aristarco da Samotrácia é, juntamente com Dídimo, o nome mais freqüentemente
citado nos escólios aos epiníciosTPF
97
FPT e é também citado nos escólios aos peãsTPF
98
FPT. A hipótese de
que teria produzido uma edição de Píndaro foi formulada por causa de um sinal aristarqueano,
um X, e de uma série de variantes e correções atribuídas a ele nos escóliosTPF
99
FPT . A ausência de
testemunhos antigos sobre essa edição, no entanto, torna sua existência uma conjecturaTPF
100
FPT.
Certamente produziu um comentário, que consistia o primeiro estudo completo da obra de
PíndaroTPF
101
FPT. Ao lado das observações de natureza gramatical propriamente ditas, majoritárias,
principalmente de sintaxe, os escólios registram outras, versando sobre questões mitológicas,
históricas e geográficasTPF
102
FPT . O valor do trabalho de Aristarco foi reconhecido por seus
contemporâneos e seu sucesso foi duradouro: perdurou como o comentário a Píndaro por
quase dois séculos e ofereceu as bases à obra de Dídimo.
Entre os discípulos de Aristarco, muitos parecem ter se ocupado em maior ou menor
grau das odes de Píndaro: Amônio de Alexandria, sucessor de Aristarco frente à Biblioteca,
compôs um comentário a Píndaro do qual restam sete fragmentosTPF
103
FPT, versando sobre
mitologia e crítica textual; CerideTPF
104
FPT parece ter composto um comentário à 4ª Pítica, em cujos
TP
92
PT RE X, 2 col. 1738-48.
TP
93
PT Scholia uetera in Pindari Carmina, Pythia, II, inscr. 41a; Isthimia, II inscr. 2a18; 19a2; V inscr. 1c1; Nemea,
III 1c18; VII 150a3 Drachmann.
TP
94
PT RE V, 1, col. 708-10.
TP
95
PT Scholia uetera in Pindari Carmina, Isthmia, II 54a Drachmann.
TP
96
PT Vide Etymologicum Magnum s.u.??d????f??, 295.53-56 Gaisford. No caso de Píndaro, supõe-se que Apolônio
tenha se valido das indicações dadas pelas próprias odes. Tais indicações, no entanto, são bastante esporádicas e
não permitiriam uma catalogação sistemática. No caso dos demais poemas, no entanto, é difícil imaginar como
uma classificação desse tipo tenha sido possível, uma vez que as notações musicais, se alguma vez estiveram
presentes nos papiros, já teriam deixado de ser copiadas bem antes do início do período alexandrino, cf. Gentili
(1995:LXXVIII).
TP
97
PT Seu nome foi citado setenta vezes nos escólios antigos aos epinícios.
TP
98
PT Vide Scholia uetera in Pindari Paeanes, II 61.2 Diehl.
TP
99
PT A hipótese foi levantada por Deas (1931:5-11).
TP
100
PT Irigoin (1952:52) aponta que o fato de as correções propostas por Aristarco não terem sido incorporadas na
vulgata pindárica, que permaneceu fiel ao texto de Aristófanes de Bizâncio, reforça a hipótese de que Aristarco
não tenha produzido uma edição, apenas comentado o texto.
TP
101
PT Cf. Feine (1883).
TP
102
PT Sobre o método de Aristarco, cf. Irigoin (1952:53–56), Gentili (1995:LXXVIII) e Wilson (1971:172).
TP
103
PT Scholia uetera in Pindari Carmina, Olympia, I 122c. Pythia, II inscr., IV 44b, 93b, 313a; Nemea, III, 16b, IV
53b Drachmann.
TP
104
PT Cf. Berndt (1906).
15
escólios seu nome aparece várias vezesTPF
105
FPT; o filho de Ceride, ApolônioTPF
106
FPT, é citado nos
escólios à 1ª PíticaTPF
107
FPT. De Aristodemo de AlexandriaTPF
108
FPT, temos notícia de que escreveu um
comentário em vários volumes sobre PíndaroTPF
109
FPT, do qual restaram algumas passagensTPF
110
FPT.
Outros discípulos de Aristarco citados nos escólios antigos são Dionísio CarmididaTPF
111
FPT e
Dionísio SidônioTPF
112
FPT. Além desses, há notícia de um discípulo de Aristarco denominado
Ptolomeu PindárionTPF
113
FPT, por causa de seus trabalhos sobre o poeta, dos quais, no entanto, não
sobreviveram testemunhos.
Rivais da Biblioteca de Alexandria, os filólogos da Biblioteca de Pérgamo
desempenharam papel primordial na edição de prosadores e de Homero, ocupando-se apenas
esporadicamente da obra de PíndaroTPF
114
FPT. Do primeiro gramático de Pérgamo, Crates de
MalosTPF
115
FPT, os escólios antigos trazem dois testemunhos de seu trabalho com os epiníciosTPF
116
FPT. A
existência, no entanto, de um comentário completo desse autor a Píndaro é pouco provável.
Além de Crates, há testemunhos de que se ocuparam do texto do cinocefalense os seguintes
filólogos de Pérgamo: Crisipo SoleuTPF
117
FPT, cujas explicações, concentradas nas quatro primeiras
Odes Ístmicas, versam sobre gramática, história e mitologia ou são simples paráfrases do
texto das odesTPF
118
FPT; Herácleon de TilotisTPF
119
FPT, que escreveu um Comentário a Homero e aos
poetas líricos, no qual provavelmente tratou de Píndaro; e Ptolomeu EpítetosTPF
120
FPT. Além
desses, Ártemon de PérgamoTPF
121
FPT e Asclepíades de MirleaTPF
122
FPT também estudaram Píndaro:
Ártemon teria escrito um comentário aos epinícios a soberanos sicilianosTPF
123
FPT e Asclepíades
TP
105
PT Scholia uetera in Pindari Carmina, Pythia, IV 18, 61, 156b, 188b, 195a, 258b, 313a, 446, 459 Drachmann.
Seu nome também aparece nos escólios à 1ª Neméia. O mais provável, no entanto, é que sua explicação sobre o
mito de Héracles narrado nesta Neméia tenha feito parte não de um comentário aos epinícios, mas de um tratado
sobre algum assunto específico.
TP
106
PT RE II, 1, col. 135.
TP
107
PT Scholia uetera in Pindari Carmina, Pythia, III 3a Drachmann.
TP
108
PT Scholia uetera in Pindari Carmina, Pythia, IV 44b, 93b, 313a; Nemea, III, 16b, IV 53b Drachmann.
TP
109
PT Athenaei Deipnosophistae, XI 495f Kaibel.
TP
110
PT Scholia uetera in Pindari Carmina, Olympia, VI 23a; X 55b-c, 83b; Nemea, VII 150a; Isthmia, I 11c, 79c,
85b Drachmann.
TP
111
PT Scholia uetera in Pindari Carmina, Olympia, X 55b; Nemea, VII 35a; Isthmia, I 79c Drachmann.
TP
112
PT Scholia uetera in Pindari Carmina, Pythia, I 172 Drachmann.
TP
113
PT Sudae Lexicon s.u. ?t??eµa???, ???e?a?d?e??; Scholia uetera in Iliadem, XXI 356b Erbse.
TP
114
PT Cf. Mielsch (1995:765-779).
TP
115
PT Sudae Lexicon s.u. ???t??.
TP
116
PT Scholia uetera in Pindari Carmina, Nemea, II 17c; Pythia, III 102b Drachmann.
TP
117
PT Sudae Lexicon s.u.???s?pp?? ??p??????d??.
TP
118
PT Seu nome aparece vinte e três vezes nos escólios, das quais vinte e uma vezes nos escólios às quatro
primeiras Ístmicas.
TP
119
PT Sudae Lexicon s.u. ???a?????.
TP
120
PT Scholia uetera in Pindari Carmina, Olympia, V 44c Drachmann. Cf. Montanari (1988:75-112).
TP
121
PT RE II, 2, col. 1446-7.
TP
122
PT Cf. Adler (1914:39).
TP
123
PT Scholia uetera in Pindari Carmina, Olympia, II 16b-c; V 1b; Pythia, I inscr. a, 31c; III 52b; Isthmia, II inscr.
a Drachmann.
16
um comentário a todos os epinícios, dos quais subsistem fragmentos entre os escólios,
versando sobre língua, mitologia e comparações com passagens de outros poetasTPF
124
FPT.
Um certo número de eruditos que dificilmente podem ser classificados em uma das
escolas antigas também comentou a obra de Píndaro. Menecrates de Nisa, considerado por
Estrabo como discípulo de AristarcoTPF
125
FPT, é citado nos escóliosTPF
126
FPT. AristônicoTPF
127
FPT parece ter
escrito um comentário à obra de Píndaro, do qual subsistem cinco referênciasTPF
128
FPT . Teon de
Alexandria, filho de Artemidoro, dedicou-se a comentar Píndaro: o Papiro Oxirrinco
2356TPF
129
FPT, que é um extrato do comentário aos versos 14-30 da 12ª Pítica, traz uma assinatura
que lhe atribui um comentário às Odes PíticasTPF
130
FPT. Além disso, seu nome está registrado nos
escólios antigosTPF
131
FPT.
O nome de outros eruditos aparece nos escólios. O mais provável, porém, é que suas
observações sejam oriundas não de um comentário específico a Píndaro, mas de tratados
sobre assuntos diversos. É o caso de Dionísio FasélitaTPF
132
FPT, que, em sua obra Sobre os poetas,
discutiu a 2ª PíticaTPF
133
FPT; de Apolodoro de AtenasTPF
134
FPT, que, no tratado Sobre os deuses, recontou,
com base na 10ª Neméia, o mito de Cástor e PóluxTPF
135
FPT ; de Teótimo, que citou um trecho da
Ode Olímpica no Sobre CyreneTPF
136
FPT e de Demétrio SquépsioTPF
137
FPT , cujo trecho citado nos
escólios pertence a seu Catálogo dos TroianosTPF
138
FPT
O mais importante dos comentadores alexandrinos de Píndaro foi DídimoTPF
139
FPT.
Escreveu comentários aos quatro livros de epinícios, como se presume dos escólios, e também
TP
124
PT Scholia uetera in Pindari Carmina, Olympia, VI 26; VIII 10e, 10i; Pythia, IV 36c, 61; Nemea, II 19
Drachmann.
TP
125
PT Strabonis Geographica, XIV 1.
TP
126
PT Scholia uetera in Pindari Carmina, Olympia, II 16c; Isthmia, IV 104g Drachmann.
TP
127
PT RE II, 1, col. 964-6.
TP
128
PT Scholia uetera in Pindari Carmina, Olympia, I 35c; III 31a; VII 154a; Nemea, I inscr. b Drachmann.
TP
129
PT Cf. Turner (1966:19-21).
TP
130
PT T??[???] t?? ???teµ?d???? ???d???? ?????????? ??p?µ??µa.
TP
131
PT Scholia uetera in Pindari Carmina, Olympia, V 42a Drachmann; Scholia uetera in Pindari Peanes, II
scholion 37 Diehl.
TP
132
PT RE V, I, col. 984.
TP
133
PT Scholia uetera in Pindari Carmina, Pythia, II inscr. Drachmann.
TP
134
PT RE II, 1, col. 2855-2886.
TP
135
PT De Luca (1999:151-164).
TP
136
PT Scholia uetera in Pindari Carmina, Olympia, VII 33a Drachmann.
TP
137
PT Cf. Pfeiffer (1968:382-4, 393-4).
TP
138
PT Scholia uetera in Pindari Carmina, Olympia, V 42a Drachmann. Cf. Gaede (1880). É necessário fazer
referência ao nome de Demétrio Falério, cuja obra foi situada por Chiron (1993:xxiv-xxxiii) no século II a.C. É
de se notar, porém, que, apesar das recorrentes citações de poetas líricos, não há nenhuma menção à obra de
Píndaro no De Elocutione.
TP
139
PT A probabilidade de que Dídimo tenha composto uma edição do texto de Píndaro, defendida por Wilamowitz
(1889:166-7) e por Deas (1931:20), não pode ser sustentada com base nos testemunhos antigos. O comentário de
Dídimo A Demóstenes, 1-54 Pearson-Stephens, é, na verdade, um comentário tradicional, não uma edição
comentada, e esse é o mesmo tipo de comentário encontrado nos escólios a Aristófanes e aos trágicos.
17
aos peãsTPF
140
FPT e aos hinosTPF
141
FPT. É provável que tenha tratado de Píndaro também em seu tratado
Sobre os poetas líricosTPF
142
FPT. Os comentários de Dídimo versam principalmente sobre história,
mitologia, lexicografia, gramática e crítica textual. A importância de sua obra reside,
sobretudo, na vasta quantidade de informação consignada nos comentários que fez, a qual foi
obtida a partir do estudo de seus predecessoresTPF
143
FPT. O material erudito que Dídimo recolheu e
compilou em suas leituras, configurado em notas históricas, geográficas e interpretações de
passagens difíceis, tornou possível o entendimento de vários passos das odes. Seu nome
aparece setenta e quatro vezes nos escólios aos epinícios e é provável que uma série de
explicações sem atribuição de autoria também sejam suasTPF
144
FPT. Seu comentário foi, até a
segunda metade do século II d.C., o trabalho mais importante consagrado a Píndaro e
constituiu a principal fonte para a composição dos escólios antigos.
Após Dídimo, parece ter sido escassa a atividade filológica e gramatical sobre o texto
de Píndaro, apesar de não ter diminuído o interesse por sua obra. Os comentários gramaticais
posteriores a Dídimo registrados nos escólios antigos remetem sempre a detalhes de texto, não
havendo indícios suficientes para ver neles extratos de comentários completos ao texto de
Píndaro. Nessa categoria estão Élio HerodianoTPF
145
FPT e HefestiãoTPF
146
FPT.
Entre os séculos II a.C e I d.C., uma série de eruditos fez referência às obras de
Píndaro, principalmente em tratados sobre assuntos específicos: Filodemo de Gadara cita o
poeta três vezes no livro que restou de seu trabalho Sobre a músicaTPF
147
FPT; Dionísio de
Halicarnasso consagrou passagens de seus escritos retóricos ao cinocefalenseTPF
148
FPT. No tratado
Sobre a disposição das palavras, ao distinguir as três harmonias, a?st???, “austera”, ??af???
TP
140
PT Vide Philonis Herenii De adfinium vocabulorum differentia, 231 Nickau.
TP
141
PT Scholia uetera in Aristophanis Plutum, 9 Dübner. A base para a hipótese de que escreveu um comentário a
todas as odes de Píndaro é Lactâncio, Diuinae Institutiones, I 22.19.
TP
142
PT Vide Etymologicum Magnum s.u. ?µ??? Gaisford.
TP
143
PT A erudição de Dídimo é patente em seus dois epítetos: Calcenteros, “intestino de bronze”, pela sua vasta
quantidade de leituras, e Bibliolathas, “que esqueceu a quantidade de livros”, que leu e que escreveu, vide
Athenaei Deipnosophistae, IV 139 e Quintiliani Institutiones oratoriae, I 8.30. É de se notar a profusão de
citações de historiadores locais usadas por ele para explicar trechos dos epinícios, por exemplo, Istros,
historiador da Élida, Scholia uetera in Pindari Carmina, Olympia, VI 55a; Filistos, historiador da Sicília, Scholia
uetera in Pindari Carmina, Olympia, VI 158c; Piteneto, historiador de Egina, Scholia uetera in Pindari
Carmina, Nemea, VI 53a. Amintiano é o único historiador posterior a Dídimo cujo nome é citado nos escólios,
Scholia uetera in Pindari Carmina, Olympia, VI 52a Drachmann. Sobre Amintiano, vide Photii Bibliotheca,
97a9 Henry.
TP
144
PT Cf. Irigoin (1952:72-4).
TP
145
PT Aelii Herodiani De prosodia catholica, 489.13-19 Lentz.
TP
146
PT Scholia uetera in Pindari Carmina, Isthmia, V argumentum Drachmann.
TP
147
PT Philodemi De musica, XXI 10; XXVI 32; XXIX 28 Neubecker.
TP
148
PT Citações: Dionysii Halicarnassensis De antiquis oratoribus, II 2, Pindari Fragmenta, 159 SM; De
Demosthenis dictione, XXVI 15, Pindari Fragmenta, 159, 121 SM; Epistula ad Pompeium Geminum, 3.12.5,
Pindari Nemea, VII 53. Alusões: De Demosthenis dictione VII 50. XXXIX 42; De imitatione, 31.2.5-6 Usener-
Radermacher.
18
ou ??????, “elegante”, e ?????, “comum”, designa Píndaro como representante da primeiraTPF
149
FPT.
Trechos das odes são comentados por Lesbonax, em sua caracterização do schema beócioTPF
150
FPT.
Há notícia de que Epafrodito de QueronéiaTPF
151
FPT escreveu uma Exegese de Homero e
PíndaroTPF
152
FPT, da qual não subsistem fragmentos. O tratado Sobre a sublimidade
153
FPT contém uma
série de referências à poesia lírica. Na parte relativa ao estudo comparado dos méritos dos
diferentes poetas, o autor diz preferir a grandeza de estilo de Píndaro à mediocridade
impecável de BaquílidesTPF
154
FPT. Em sua obra apócrifa Sobre a músicaTPF
155
FPT e no tratado De que
modo um jovem deve ouvir os poetas
156
FPT, Plutarco evoca muitas vezes o poeta e o restante de
sua obra está condensada de referências pindáricasTPF
157
FPT.
No final do século I d.C, com a ascensão, no Império Romano, da Dinastia dos
Antoninos, há uma renovação cultural no mundo greco-romano, da qual são produtos a
fundação da Biblioteca de Adriano e a criação de cátedras de Estado para ensino de retórica e
de filosofia, em AtenasTPF
158
FPT. Nesse contexto, opera-se uma renovação filológica, obra de
gramáticos e lexicógrafos como Apolônio Díscolo, Harpocratião e Frínico. Acompanhando
essa renovação, realizou-se uma redução do cânone das obras clássicas: foram escolhidos os
autores e as obras que continuariam a ser estudados e transmitidos. Entre os líricos, foram
eleitos Safo e PíndaroTPF
159
FPT. Da obra de Píndaro, foram escolhidos apenas os quatro livros dos
epinícios. Os treze livros restantes foram excluídosTPF
160
FPT.
TP
149
PT Dionysii Halicarnassensis De compositione uerborum, XXII 42, 55, 57, 197 Usener-Radermacher. A ode
citada por Dionísio é um ditirambo a Atenas, Pindari Fragmenta, 75 SM. Além disso, ele usa Píndaro e
Estesícoro como exemplos para suas considerações métricas, De compositione uerborum, XIX 32 Usener-
Radermacher.
TP
150
PT Os schemata de Lesbonax são figuras gramaticais cujos nomes derivam dos poetas que as haviam empregado
com mais freqüência. O schema beócio foi chamado também de pindárico, cf. Blank (1988:139-40).
TP
151
PT RE V, 2, col. 2711-4.
TP
152
PT Cf. Lünzner (1866).
TP
153
PT Datado, provavelmente, do século I d.C.
TP
154
PT Pseudo-Longini De sublimitate, 33.5.1-11 Russell.
TP
155
PT Pseudo-Plutarchi De musica, 1133b, 1134d, 1136c, 1136f, 1137f, 1140f, 1142b Ziegler.
19
Para tornar a edição dos epinícios que surgiu a partir dessa operação seletiva apta à
finalidade didática que se pretendia, foram compilados os escólios, que foram baseados no
trabalho de Dídimo. A esse comentário de ordem geral, foram agregados os escólios métricos,
compostos provavelmente por Draco de EstratonicéiaF
161
F, os quais se aplicam aos quatro livros
de epinícios e são fortemente influenciados pela doutrina de Hefestião
162
.
É provável que, na composição dessa edição, que foi acompanhada de uma inovação
técnica, a passagem do volumen ao codexTPF
163
FPT, tenha havido a alteração na ordem dos livros: os
volumina contendo, respectivamente, as Odes Olímpicas, Píticas, Ístmicas e Neméias foram
transcritos nos codices com inversão dos dois últimos livros, e as Neméias foram colocadas
antes das ÍstmicasTPF
164
FPT. A tradição indireta oferece testemunhos dessa mudança: antes da época
da redução do cânone e, portanto, do acidente, as Ístmicas são citadas mais freqüentemente do
que as NeméiasTPF
165
FPT.
A redução parece ter ocorrido porque os escritores canônicos, utilizados no ensino
desde a antiguidade, tinham ficado restritos à condição de autores escolares. A maioria deles
não era lida senão nas escolas, e outros gêneros literários, como o romance, por exemplo, os
haviam substituído como leitura de entretenimento. Nesse sentido, optou-se por fazer uma
redução no conjunto das obras editadas em Alexandria, mantendo apenas as que tivessem
algum interesseTPF
166
FPT. No caso de Píndaro, os epinícios provavelmente foram escolhidos, a
despeito das odes de caráter religioso, em razão de seu caráter mais humano e por causa das
observações históricas e geográficas às quais se podiam prestarTPF
167
FPT. Além disso, é provável
que a persistência dos grandes jogos pan-helênicos tenha favorecido a escolha dessas odesTPF
168
FPT.
A tradição direta demonstra que, antes dessa seleção, os epinícios não eram as odes de
Píndaro mais copiadas: dos papiros datados de antes do século II d.C, cinco trazem os
TP
161
PT Vide Sudae Lexicon s.u. ??????.
TP
162
PT Cf. Irigoin (1958).
TP
163
PT De acordo com Irigoin (1952:98), a substituição do volumen pelo codex de papiros parece ter facilitado a
formação de uma obra comentada: no volumen, o espaço que separa as colunas de texto deixaria pouco lugar
para observações. No caso do codex, as margens permitiriam a cópia de um comentário mais desenvolvido. Essa
substituição teria proporcionado a existência de livros manipuláveis, com o conteúdo de diversos papiros, e a
ligação constante entre o texto e seu comentário, vide Themistii ??? t?? a?t????t??a ???st??t???, 60.8 Schenkl
TP
164
PT Cf. Deas (1931:49) e Irigoin (1952:100). A ordem primitiva foi conservada em diversas passagens dos
escólios, vide Vita Thomana, VI 5 Drachmann; Scholia uetera in Pindari carmina, Isthmia,argumentum 1-4
Drachmann.
TP
165
PT Plutarco cita sete vezes as Ístmicas e duas vezes as Neméias. Corício de Gaza, no século VI d.C., cita seis
vezes as Neméias e uma vez apenas as Ístmicas. A Vida métrica de Píndaro, por exemplo, que arrola os
epinícios em primeiro lugar entre as obras de Píndaro e as Neméias antes das Ístmicas, é posterior à redução.
TP
166
PT Considerações de caráter religioso também podem ter sido levadas em conta na escolha das obras que
continuariam a ser transmitidas.
TP
167
PT Vide Eustathii Prooemium commentarii in Pindari opera, 33 Drachmann.
TP
168
PT Essa hipótese, bastante plausível, foi formulada por Irigoin (1952:97).
20
peãsTPF
169
FPT, um os ditirambosTPF
170
FPT, um os partêniosTPF
171
FPT e apenas dois os epiníciosTPF
172
FPT. Para além de
Píndaro, a partir do século III d.C., os papiros literários, com raríssimas exceções, apresentam
apenas os autores e obras resultantes da redução do cânoneTPF
173
FPT.
A análise da tradição indireta ilustra o impacto dessa escolha sobre a transmissão dos
textos. Plutarco, no século I-II d.C., cita Píndaro quase cem vezes, das quais apenas vinte e
três são passagens de epinícios. Luciano, no século II d.C., cita Píndaro seis vezes, sendo três
passagens de epiníciosTPF
174
FPT. Nas Imagens de Filóstrato, o Velho, no século III d.C., essa
proporção já é bastante diferente: das 28 citações, 23 pertencem aos epiníciosTPF
175
FPT. No início
do século VI d.C., Corício de Gaza cita trinta vezes os epinícios e três vezes apenas os outros
livros.
Entre Plutarco e Corício de Gaza, a obra de Píndaro continua sendo bastante referida:
Máximo de Tírio cita um fragmento de espécie não identificada em seus DiscursosTPF
176
FPT;
Zenóbio Sofista cita Píndaro três vezes em seu Corpus ParemiográficoTPF
177
FPT. No tratado Sobre
a diferença entre as palavras afins, há citações de um peãTPF
178
FPT e de um epinícioTPF
179
FPT. Nas obras
dos lexicógrafos, também há inúmeras referências às odes de Píndaro: no Léxico dos dez
oradores áticos, Harpocratião alude à 1ª Pítica e a um ditiramboTPF
180
FPT; Frínico refere-se a um
fragmento de espécie não identificadaTPF
181
FPT e a um hinoTPF
182
FPT; Erotiano cita a passagem de um
TP
169
PT Papyrus Oxyrrhynchus 841, publicado em 1908; Papyri. Oxyrrhynchi 1791 e 1792, publicados em 1922;
Papyrus Berolinensis 13411, publicado em 1935; e Papiro della Società Italiana 147, publicado em 1913.
TP
170
PT Papyrus Oxyrrhynchus 1604, publicado em 1919.
TP
171
PT Papyrus Oxyrrhynchus 659, publicado em 1904.
TP
172
PT Papyrus Oxyrrhynchus 2092, publicado em 1931; Papyrus Florentianus III, publicado em 1948.
TP
173
PT Os últimos papiros contendo textos de Alceu e Baquílides, por exemplo, pertencem ao século III d.C.
TP
174
PT Luciani Hippias, VII 8; Gallus, VII 1-6; Pro imaginibus, XIX 17; De saltatione, 67.4-5; Timon, 41.8,
Icaromenippus 27.24; Pindari Olympia, I 1-4, duas vezes; VI 4-5; Fragmenta, 43; 74; 29 SM.
TP
175
PT Philostrati Maioris Imagines, II 12.
TP
176
PT Maximi Tyrii Dialexeis, XII 1a; Pindari Fragmenta, 213 SM.
TP
177
PT Zenobii Corpus paroemiographicum, II 18.5; V 20.1-6; um hiporquema, Pindari Fragmenta, 106.4 SM, um
epinício, Nemea, IV 54-8, e um fragmento de espécie não identificada, Fragmenta, 203 SM.
TP
178
PT Pindari Fragmenta, 66 SM.
TP
179
PT Pindari Isthmia, I 25.
TP
180
PT Harpocrationis Lexicon in decem oratores Atticos, 2.6, 232.5 Dindorf.; Pindari Fragmenta, 84 SM.
TP
181
PT Frínico cita a passagem como pertencente a um escólion, tipo poético não previsto na divisão de livros
proposta por Aristófanes de Bizâncio. Há outras três referências a escólia compostos por Píndaro, todas em
autores anteriores à edição de Aristófanes de Bizâncio: Chameleon, Aristoxeno e Teofrasto, respectivamente os
fragmentos 122, 125 e 128 SM. A hipótese é de que, se Píndaro compôs esse tipo de ode – o Fragmento 122
define-se como um escólion –, os exemplares, talvez muito poucos, tenham sido reagrupados em outro livro,
provavelmente no de encômios. cf. Harvey (1955:161).
TP
182
PT Phrynichi Praeparatio sophistica, 8.9, 63.2 de Borries; Pindari Fragmenta, 46 SM.
21
hiporquemaTPF
183
FPT; Élio Dionísio alude a um hinoTPF
184
FPT e Pausânias Aticista a um epinícioTPF
185
FPT. A
presença do cinocefalense na obra do orador Élio Aristides é bastante abundanteTPF
186
FPT .
Os trabalhos dos gramáticos do período também se ocupam da exploração do corpus
pindárico: HerodianoTPF
187
FPT, Apolônio DíscoloTPF
188
FPT e o que sobrou do tratado de métrica de
HefestiãoTPF
189
FPT utilizam os textos do poeta para exemplificar diversos fenômenos gramaticais e
métricos. A obra de Ateneu é abundante em testemunhos sobre Píndaro e sobre o trabalho de
eruditos e gramáticos a propósito de seus textos. Porfírio
190
, Himério
191
, Gregório
Nazianzeno
192
, Eusébio de Cesaréia
193
, Temístio
194
e Libânio
195
citam ou aludem a Píndaro,
com maior ou menor freqüência.
TP
183
PT Erotiani Vocum hippocraticum collectio, 50.1-5 Nachmanson; Pindari Fragmenta, 111.2-5 SM.
TP
184
PT Aelii Dionysii ??tt??? ???µata s.u. ?????? ??a??? Erbse; Pindari Fragmenta, 46 SM.
TP
185
PT Pausaniae Atticistae ?tt???? ???µ?t?? s??a????, s.u. ???µata Erbse; Pindari Isthmia, II 9.
TP
186
PT Aelii Aristidis ??? ??a, 8, 24; ??????, 10, 20; ?????s??, 29.21; ?a??? e?? ??s???p???, 40.3; 78.17; ??? ??te???a
?p???de???, 75.23, 78.17; ??p? ???e???d?? ?p?t?f???, 85.28, 88.11; ?a????????? ?? ?????? pe?? t?? ?a??, 236.11; ???
t? f??a? t?? ??s???p???, 255.27; ?e?? ?µ????a? ta?? p??es??, 526.13; ???d?a??? [Sp.], 546.22; ???? ???t??a pe??
??t??????, 37.2, 52.12, 53.5, 53.14, 53.18, 106.1; ???? ???t??a ?p?? t?? tett????, 125.18, 173.1, 188.4, 256.19,
260.12; 295.31, 296.7; ???? ?ap?t??a, 322.30; ????pt???, 360.34; ?e?? t?? pa?af???µat??, 378.27, 379.30; ?at?
t?? ???????µ????, 402.29; ???? t??? a?t??µ????? ?t? µ? µe?et??, 417.1 Dindorf.
TP
187
PT Citações: Herodiani De prosodia catholica, 81.32, 239.25, 489.17 e 18, 532.16; ?e?? ????a??? p??s?d?a?,
99.31; ?e?? pa???, 375.12, 387.16; ?e?? ??????af?a?, 505.15; ?e?? ???µ?t??, 619.2; ?e?? ???se?? ???µ?t??,
659.26 e 667.30; ????ß?ß??? pe?? t?? µ? p??ta t? ??µata ????es?a? e?? p??ta? t??? ???????, 784.2; ?e??
pa????µ??, 850.18; ?e?? µ??????? ???e??, 946.10 Lentz; ?a?e?ß??a? t?? µe????? ??µat??, 12.20 La Roche (Pindari
Pythia, IV 1; Olympia, V 54, I 75; Pythia, III 65; Olympia, I 28; Pythia, V 1; Fragmenta, 85, 294 SM;
Fragmenta, 294 SM; Olympia, V 54; Fragmenta, 184 SM (2X); Isthmia, VI 108; Nemea, 10.65; Pythia, I.85;
Fragmenta, 318 SM). Menções: Herodiani De prosodia catholica, 56.24, 266.22, 331.17, 416.1; ?e?? ?????? ?a?
?p???t?? ?a? p??s???????? µ???ß?ß???, 1.30; ?e?? d???????, 12.15; ?e?? ??????af?a?, 492.30, 570.19; ?e?? ???µ?t??,
627.1; ?e?? ??µ?t??, 789.45; ?e?? pa????µ??, 875.1; ?e?? ??µat???? ???µ?t??, 901.18 Lentz; De figuris [Sp.],
100.14 Spengel.
TP
188
PT Apollonii Dyscoli De pronomibus, 48.21; 57.16; 84.9 Schneider; De constructione, 213.15; 268.5; 316.2;
401.1 Uhlig. Pindari Fragmenta 5 SM; Olympia, IV 24; Fragmenta, 7, 5 SM; Olympia, IV 24; Fragmenta, 75.18
SM; Olympia, II 43.
TP
189
PT Hephaestionis Enchiridion de metris, 44.17, 18; 51.6, 7, 16, 17 Consbruch; Pindari Fragmenta 117, 118,
30.1, 35, 34, 216 SM. Hefestião compôs um tratado de métrica que serviu, durante muito tempo, de referência
para o estudo da métrica da poesia lírica. Essa obra, originariamente composta de 48 livros, sofreu mutilações
sucessivas e foi transmitida sob a forma de um epítome, Cf. Ophuijsen (1987).
190
Porphyrii De abstinentia, I 36.30, III 16.16; Isagoge, IV 2; Quaestionum Homericarum ad Iliadem
pertinentium reliquiae, X 252-3, XIV 246; Quaestionum Homericarum ad Odyssea pertinentium reliquiae, X
329 Shrader.
191
Himerii Declamationes et orationes, 28.5, 38.76, 39.11, 64, 43.9, 46.44, 47.7, 60.30, 34, 62.11, 14; 64.38
Colonna.
192
Gregorii Nazianzeni Epistulae, IX 1, X 2, CXIV 6, CLXXIII 4, CCIV 5; Orationes, 43.20.1; Contra Iulianum
Imperatorem, 35.636 Gallay.
193
Eusebii Praeparatio euangelica, III 13.19, VIII 14.51, X 12.27, XII 29.3, XIII 20.11, 27.5, 56.1 Mras.
194
Themistii ?e?taet??????, 101b2; ?asa??st?? ? f???s?f??, 246b1; ?e?? t?? µ? de?? t??? t?p??? ???? t??? ??d??s?
p??s??e??, 334c1 Schenkl.
195
Libanii Epistulae, 36.1, 288.1, 405.2, 430.13, 576.1, 1218.3, 1438.1; Orationes, 14.22, 34, 20.1, 22, 21.8,
64.13, 46; Declamationes, 1.62, 69, 70, 78, 87; Progymnasmata, IV 3.10, IX 6.3; Fragmenta de
declamationibus, 49.1.3, 49.3.1, 2, 19, 23, 25, 27, 28, 31, 34, 39 Foerster.
22
A partir do início do século IV d.C., há uma rarefação progressiva das citações e
alusões. Sinésio alude a Píndaro três vezesTPF
196
FPT, e Paladas mostra conhecimento da obra do
poetaTPF
197
FPT. Siriano cita quatro Olímpicas diferentes em um de seus comentários a
HermógenesTPF
198
FPT, e Hérmias de Alexandria cita três epiníciosTPF
199
FPT. Píndaro é citado ainda nos
trabalhos do gramático João FiloponoTPF
200
FPT e dos lexicógrafos Oro
201
, Órion de TebasTPF
202
FPT e
HesíquioTPF
203
FPT. Nesse último, das 16 citações, 8 são de epiníciosTPF
204
FPT, 6 de fragmentos já citados
anteriormenteTPF
205
FPT, 1 de um peã até então inédito na tradição indiretaTPF
206
FPT e 1 provavelmente
espúrioTPF
207
FPT. Além dessas, podem ser encontradas referências às obras de Píndaro em Teodósio
de AlexandriaTPF
208
FPT , EstobeuTPF
209
FPT e Imperador JulianoTPF
210
FPT.
A natureza das obras acima referidas mostra que as odes de Píndaro foram cada vez
menos objeto principal e único dos trabalhos em que figuraram, sendo utilizadas apenas
esporadicamente, para exemplificar explicações sintáticas, mitológicas, lexicográficas,
etimológicas, históricas, geográficas, morais etc., indiferenciadas entre numerosas outras
referências. Após o período dos eruditos alexandrinos, que se aplicaram a um exame
individualizado de Píndaro e de sua obra, os séculos seguintes utilizaram as obras editadas no
Museu, mas limitaram a abordagem a uma exploração ocasional e, na maior parte das vezes,
instrumental das odes. A obra de Píndaro, muito mais freqüentemente citada do que
explicada, tornou-se um repositório fechado de referências de várias naturezas.
TP
196
PT Synesii Calvitii encomium, 13.42; De insomniis, 13.41, 13.46.
TP
197
PT Anthologia Graeca, IX 175.
TP
198
P T Commentarium in Hermogenis librum pe?? ?de??, 5.2, 41.9 Rabe; Pindari Olympia, IX 100; VII 1-2; II 7, I 13.
TP
199
PT Hermiae Alexandrini In Platonis Phaedrum scholia, 21.28-9, 30.5, 168.26-8 Couvreur; Pindari Pythia,
IX.39-40; Olympia, II 54, 68-70.
TP
200
PT Joannis Philiponi De opficio mundi, 203-9-10 Reichardt. Filipono cita um fragmento de espécie
desconhecida até então inédito, Pindari Fragmenta, 205 SM.
TP
201
PT Ori Vocum Atticarum collectio, 4a.8 Alpers. Na verdade, trata-se de uma repetição do texto de Frínico, cf.
nota de rodapé nº 182.
TP
202
PT Orionis Etymologicum s.u. ?????.; Pindari Olympia, IX 2.
TP
203
PT Hesychii Lexicon s.u. ??????a , ???? ????e???, a?µa?????a?, ???t??, ??a??a? ??a?, ?µe?sas?a?, ???st?t?????,
ßa???p??, ?e?asf????, ???? ????????, ?µpa?, ???sf??a???, ?atap?µp?as?a?, ?e??a? f???e?, µ?aµ?????, ??µ?? ? p??t??
ßas??e??, Latte.
TP
204
PT Pindari Nemea, IV 10, VII 155, Olympia, I 90, Pythia, IV 194, V 74, VI 24, II 81, Fragmenta, 6a SM.
TP
205
PT Pindari Fragmenta, 23, 24, 30, 57, 169 e 229 SM.
TP
206
PT Pindari Fragmenta, 52a.3 SM.
TP
207
PT Pindari Fragmenta, 341 SM.
TP
208
PT Theodosii Alexandrini De grammatica, 58.28 Göttling.
TP
209
PT Stobaei Anthologium, II 1.8, 21; II 7.13; III 10.15, 11.15, 16, 17, 18, 38.22; IV 5.8, 9.3, 10.16, 16.6, 31.118,
35.15, 39.6, 45.1, 58.2 Wachsmuth-Hense. Pindari Fragmenta 39, 193 SM; Nemea, VI 1; Pythia, III 54;
Olympia, X 65; Nemea, V 30; Pythia, I 86; Fragmenta, 205 SM; Pythia, I 85; Nemea, IV 51; Fragmenta, 111
SM; Olympia, I.81; Fragmenta, 109 SM; Olympia, VII 30; Fragmenta, 134, 42, 160 SM; Cf. Campbell (1984:
51-57).
TP
210
PT Iuliani Imperatoris Epistulae, IV 37.8; ??seß?a? t?? ßas???d?? ????µ???, X 2; Pindari Olympia, VII 4; VI 3-4.
23
Com o fechamento, no século VI d.C., da Academia de Atenas, as obras da
antiguidade pagã deixaram de ser utilizadas no ensino e não foram copiadas nem comentadas
durante dois séculos, pelo menos. Até o século IX d.C., o interesse principal será por textos
teológicos e tratados técnicosTPF
211
FPT. É apenas de forma fragmentária que o conhecimento do
corpus pindárico se manifesta nesse período: na correspondência de Procópio de GazaTPF
212
FPT, na
obra de Corício de GazaTPF
213
FPT e de Agatias de MirinaTPF
214
FPT e no léxico de Estéfano de
BizâncioTPF
215
FPT. Textos de séculos posteriores, por exemplo, de QueroboscoTPF
216
FPT, testemunham, de
forma esparsa, a perpetuação do conhecimento de Píndaro durante esse período.
Com a reorganização da Universidade de Constantinopla por César Bardas, no século
IX a.C., é criada nessa instituição uma cátedra de gramática. O período que se abre com esse
evento, conhecido como Segundo HelenismoTPF
217
FPT, é acompanhado de uma nova transliteração:
a transcrição dos textos gregos, a partir do modelo em uncial, para caracteres minúsculosTPF
218
FPT.
A transliteração dos textos se operou de forma progressiva, à proporção que os eruditos da
época se reinteressavam pelas obras escritas em grego: inicialmente foram transcritas as obras
sacras e teológicas, em seguida tratados técnicos, como os de matemática e de astronomia; no
final do século IX d.C., as obras dos filósofos e oradores, no início do século X d.C., as dos
historiadores e, no final desse século, as dos poetas.
Esse renascimento do interesse pelas obras da antiguidade produziu uma série de
trabalhos eruditos nos quais a poesia de Píndaro comparece citada de forma discreta. João, o
Gramático, por exemplo, escreveu uma obra sobre os dialetos gregos, na qual abordava as
peculiaridades do dórico pindáricoTPF
219
FPT. A presença do poeta é notável também nos trabalhos
TP
211
PT Cf. Lemerle (1971:97).
TP
212
Procopii Gazaei Epistulae, 52.14; 63.3. Pindari Isthmia, I 1-2; Olympia, VIII 55.
TP
213
PT Cf. Boissonade (1846:34).
TP
214
PT Agathiae Myrinaei Historiae, V 84.11 Keydell; Pindari Isthmia, I 2.
TP
215
PT Stephani Byzantini Ethnica s.u. ??p?sa?, ???st??, ?????? e???f??sa.
TP
216
PT Cf. ODB I, 425. Vide Pindari Fragmenta, 184, 201, 86, 310 SM; Olympia, V 54; Isthmia, VII 51;
Choerobosci Prolegomena et scholia in Theodosii Alexandrini canones isagogicos de flexione nominum, 131.32,
149.7, 162.15, 209.5, 310.24, 383.5 Hilgard; Pindari Fragmenta, 318 SM; Choerobosci Prolegomena et scholia
in Theodosii Alexandrini canones isagogicos de flexione uerborum, 80.25 Hilgard.
TP
217
PT Cf. Hussey (1937).
TP
218
PT Cf. Irigoin (1952:124-133).
TP
219
PT Ioannis Grammatici pe?? d?a???t?? ?? t????????? ??aµµat???? te??????, 243.
24
enciclopédicos típicos da época, os etimológicosTPF
220
FPT , nas obras de FócioTPF
221
FPT, no SudaTPF
222
FPT, na
Antologia GregaTPF
223
FPT e no Léxico de ZonaraTPF
224
FPT.
O uso pedagógico das obras de PíndaroTPF
225
FPT no período bizantino devia-se ao interesse
pela língua empregada nas odes, que aparecia aos eruditos da época como uma koiné, uma
mistura todos os dialetosTPF
226
FPT, útil, portanto, para os exercícios gramaticais. Além disso, é de se
considerar que o caráter gnômico e parenético de algumas passagens poderia ter clara
utilização pedagógica.
Se, nos primeiros séculos do Segundo Helenismo, o interesse pelas obras gregas é
indiferenciado, a partir do século XII d.C. desenvolve-se uma atividade que dirige à produção
dos líricos, de Píndaro sobretudo, atenção especial. Os estudos métricos, que, de acordo com o
testemunho dos manuscritos, tiveram uma notável diminuição desde o fim da antiguidade,
renasceram. Isaac TzetzesTPF
227
FPT compôs um trabalho sobre os metros de PíndaroTPF
228
FPT, fortemente
influenciado por Hefestião. Seu irmão, João TzetzesTPF
229
FPT , alude ao cinocefalense em diversas
de suas obrasTPF
230
FPT e subsistem três observações de sua autoria reportando-se à 1ª ÍstmicaTPF
231
FPT.
Eustácio de Tessalônica compôs um comentário a Píndaro, do qual sobreveio apenas o
proêmioTPF
232
FPT. Miguel Itálico menciona passagens das odes em sua correspondênciaTPF
233
FPT .
Gregório de Corinto recorre com bastante freqüência ao poeta em sua obra sobre os dialetos
gregos
234
, e Ana Comena também alude a ele uma vezTPF
235
FPT.
Sob o reinado dos Paleólogos, no século XIII d.C., há um novo florescimento dos
estudos clássicos no oriente bizantino. Além de Constantinopla, Tessalônica assume um papel
TP
220
PT No Etimológico Genuíno, do século IX d.C., 15 vezes; no Etimológico Gudiano, do século XI d.C., 14 vezes;
no Etimológico Magno, do século XII d.C., 41 vezes, e no Etimológico Simeon, do século XII d.C., 7 vezes.
TP
221
PT Photii Bibliotheca, 7 vezes; Lexicon, 12 vezes.
TP
222
PT Sudae Lexicon, 56 vezes.
TP
223
PT Na Antologia, compilada por Constantino Cefalas, no século X d.C., o nome do poeta aparece 17 vezes.
TP
224
PT Pseudo-Zonarae Lexicon, 16 vezes.
TP
225
PT Vide Michaelis Pselli Miscellanea, 59.
TP
226
PT Gregorii Corinthii pe?? d?a???t??, 12 Schaeffer.
TP
227
PT Cf. Wilson (1983:190-2).
TP
228
PT Isaac Tzetzae De Metris Pindaricis, 59-162 Drachmann. Consiste de uma introdução à métrica grega,
seguida da análise, côlon por côlon, das Olímpicas e da 1ª Pítica.
TP
229
PT Cf. Wilson (1983:192-6).
TP
230
PT Vide Ioannis Tzetzae st???? pe?? d?af???? p???t??, 23-27 Cramer; Chiliades, I 8.618, 668, 688; II 617,
705; III 253, 884; IV 393, 774; V 466; VI 900; VII 19, 80, 411; IX 402, 483; X 731 Kiessling; Exegesis in
Homeri Iliadem, 7.15, 100.3, 132.7, 145.19 Hermann; Scholia in Hesiodi Erga, 584; Scutum, 154; Theogoniam,
311 Gaisford.
TP
231
PT Vide Scholia uetera in Pindari Carmina, Isthmia, I.51d Drachmann.
TP
232
PT Vide Eustathii Prooemium commentarii in Pindari opera. O título da obra em grego, p??????? t??
???da????? pa?e?ß????, indica que se tratava de um comentário a extratos e não à obra integral, cf. Negri
(2000).
TP
233
PT Cf. ODB II, 1368-9. Vide Michaelis Italici Epistulae, 20.6, 21.8, 37.16, 43.21 e 26 Gautier.
TP
234
PT Bolognesi (1953:113).
TP
235
PT Annae Comnenae Alexias, XIV 7.4.18 Leib.
25
importante como centro de erudição. Dessa escola provém Tomas MagisterTPF
236
FPT, a quem se
atribui uma edição comentada de PíndaroTPF
237
FPT, que, juntamente com os trabalhos de Demétrio
Triclínio e Manuel Moscopulos, constitui a base dos escólios recentes aos epiníciosTPF
238
FPT. Sua
obra, limitada às Olímpicas e às quatro primeiras PíticasTPF
239
FPT, consistia de escólios marginais e
de glosas interlineares, de caráter essencialmente gramatical, abrangendo sintaxeTPF
240
FPT e
morfologiaTPF
241
FPT, além de paráfrases a passagensTPF
242
FPT, visando a elucidá-las pontualmente.
Observações sobre a utilização de tropos, escolha e combinação de palavras, imitações
homéricas etc. são rarasTPF
243
FPT, e há ausência total de comentários sobre métrica. Existem, ainda,
explicações de natureza mitológicaTPF
244
FPT, históricaTPF
245
FPT e geográficaTPF
246
FPT. Magister também cita
Píndaro em suas ÉclogasTPF
247
.
Em Constantinopla, destacam-se Máximo PlanudesTPF
248
FPT e seus discípulos, entre os
quais Manuel Moscopulos. A composição de uma edição de Píndaro por Planudes é
hipotética: baseia-se na possibilidade de ele ser o autor dos escólios pindáricos encontrados
em um manuscrito do início do século XIV a.C.
249
FPT . Manuel MoscopulosTPF
250
FPT redigiu uma
edição das Olímpicas acompanhada de um comentárioTPF
251
FPT. Os comentários versam sobre
fonética, morfologia, sintaxe e semântica, mitologia, história e métrica.
Demétrio TriclínioTPF
252
FPT foi autor de duas edições dos epinícios: a primeira completa e a
segunda limitada às Olímpicas. A diferença na natureza do comentário das duas edições não
TP
236
PT Cf. Schartau (1973).
TP
237
PT Cf. Irigoin (1952:180-203).
TP
238
PT Scholia recentia in Pindari epinicia, editados em 1891, em Berlim, por E. Abel.
TP
239
PT Manuscritus Vratislaviensis Fridericianus Graecus 2, folio 53. Cf. Irigoin (1952:183).
TP
240
PT Sobre o emprego dos casos, vide Scholia recentia in Pindari Carmina, Olympia, VI 82 Abel; sobre o
emprego dos modos, Olympia, I 22 Abel.
TP
241
PT Vide Scholia recentia in Pindari Carmina, Olympia, I 85 Abel.
TP
242
PT Vide Scholia recentia in Pindari Carmina, Olympia, II 109-112 Abel. Essa concepção de comentário pontual
é diferente da de Eustácio, que pretendia compor uma sistematização da língua de Píndaro em geral, vide
Eustathii Prooemium commentarii in Pindari opera, 8, 21 Drachmann.
TP
243
PT Sobre o emprego de metáforas, vide Scholia recentia in Pindari epinicia, Olympia, VI 1 Abel; perífrases,
Scholia recentia in Pindari epinicia, Olympia, IX 73; imitações homéricas, Scholia recentia in Pindari epinicia,
Olympia, II 39.
TP
244
PT Sobre o nascimento de Atena, por exemplo, vide Scholia recentia in Pindari epinicia, Olympia, VII 65 Abel.
TP
245
PT Sobre a fundação das cidades da Sicília, por exemplo, vide Scholia recentia in Pindari epinicia, Pythia, I
118-25 Abel.
TP
246
PT Sobre as erupções do Etna, por exemplo, vide Scholia recentia in Pindari epinicia, Pythia, I 40 Abel.
TP
247
PT Vide Thomae Magistri Eclogae uocum Atticarum, 465.10-12 Ristschelii; Pindari Pythia, II 57-62.
TP
248
PT Cf. Robins (1993: 201-233).
TP
249
PT Manuscritus Neapolitanus II F 9. Esse manuscrito contém textos de Eurípides, Sófocles, Hesíodo, Teócrito e
Píndaro, havendo, para cada obra, um comentário, formado por escólios antigos e recentes, muitos dos quais
atribuídos a Máximo Planudes. De acordo com sua biografia, teria composto tratados sobre teologia, matemática,
traduzido textos do latim, além de ter editado e/ou comentado Teócrito, Hermógenes, Sófocles, Hesíodo,
Eurípides, Arato, Heródoto, Tucídides e Plutarco. Cf. Aubreton (1949:72-4) e Irigoin (1952:238).
TP
250
PT Cf. Krumbacher (1890:546-8).
TP
251
PT Irigoin (1952:271-85).
TP
252
PT Cf. Aubreton (1949).
26
permite ver a segunda como parte da primeira: enquanto o primeiro comentário repousava
sobre os escólios de Tomas Magister, aos quais foram aportados escólios métricos e escólios
antigos, o segundo utilizava os comentários de Magister e de Moscopulos. Na primeira
edição, as glosas das Olímpicas e das quatro primeiras Píticas eram baseadas na glosa de
Tomas Magister, sendo que as glosas às outras Píticas, às Neméias e às Ístmicas eram
originais; na segunda, eram agregadas às glosas de Tomas Magister as de MoscopulosTPF
253
FPT.
Além dessas produções, que tinham por objeto específico as odes de Píndaro, os textos
do cinocefalense continuaram, nesse período, a ser citados em obras de caráter geral, com
função instrumental ou exemplificativa: nos Escólios a Hesíodo, de João PediásimoTPF
254
FPT, nas
obras de Miguel AcominatoTPF
255
FPT, de Niceta AcominatoTPF
256
FPT , de Nicéforo GregorasTPF
257
FPT, de
Miguel ApóstoloTPF
258
FPT e de seu filho ArsênioTPF
259
FPT.
Os eventos políticos e militares ocorridos no século XV d.C. complicaram a situação
do ensino universitário em Bizâncio e ocasionaram a transferência dos estudos helênicos para
o Ocidente. A tomada de Constantinopla pelos turcos estimulou o êxodo de eruditos e de
manuscritos gregos para o Ocidente. Desde o século XIV d.C., gregos originários da Itália
meridional, como Leôncio de PilatosTPF
260
FPT, haviam introduzido no centro e no norte da
península o estudo da língua e literatura gregas. Uma carta de Andrônico Calisto a Demétrio
Chalcôndilo, datada de 1456, fornece informações sobre a presença do ensino de Píndaro na
ItáliaTPF
261
FPT. Entre os diversos eruditos que contribuíram para a difusão da cultura grega no
Ocidente, em particular na Itália, no âmbito da transmissão do texto de Píndaro, deve-se
mencionar o nome de Marco MussuroTPF
262
FPT. De acordo com um de seus alunos, ensinava, em
Pádua, no início do século XVI, gramática grega pela manhã e, à tarde, dava explicações
sobre poetas gregosTPF
263
FPT . Além disso, traduziu para o latim as cinco primeiras OlímpicasTPF
264
FPT e
utilizou uma cópia da segunda edição de Demétrio Triclínio para ministrar um curso sobre
TP
253
PT Cf. Irigoin (1952:331-64)
TP
254
PT Ioannis Pediasimi Scholia in Hesiodi Scutum, 627.8, 646.13 Gaisford; Pindari Olympia, I 28, 6.
TP
255
PT Michaelis Acominati Opera, I 79.16, 252.25, 266.15, 285.27; II 92.23, 125.6, 153.13, 186.26, 195.10,
239.15, 295.14, 314.19 Lampros; Pindari Pythia, I 86; Olympia, I 1; Fragmenta, 214 SM; Olympia, II 82, VII 1;
Pythia, II 80; Nemea, I 53; Fragmenta, 77 SM; Olympia, XI 19-20; Pythia, II 80; Olympia, VII 2.
TP
256
PT Nicetae Choniatae Historia, 230.87; 224.28; 229.61-2; 649.66; 226.76; 336.45; 5.94-5. Pindari Olympia, II
55, 81-2, 87-8; XIII 64; Pythia, II 23-48; 94-5; Isthmia, I 2.
TP
257
PT Nicephori Gregorae Historia Romana, I 337.11, III 391.15, Pindari Fragmenta, 213.3 SM; Olympia, II 87.
TP
258
PT Michaelis Apostolii Collectio paroemiarum, II 91.3; VII 95.9; XIII 7.2 Leutsch.
TP
259
PT Arsenii Apophthegmata, V 53f.9; VI 50b.2, 70k.2, X 33b.6; XII 31c.1; XV 25a1-2; XVIII 12b2 Leutsch.
TP
260
PT Cf. Pertusi (1964).
TP
261
PT Cf. Wilson (1992:116).
TP
262
PT Cf. Geanakoplos (1962:111-166) e Irigoin-Mondrain (1989:253-262).
TP
263
PT Cf. Geanakoplos (1962:120).
27
Píndaro, em 1509, o qual foi assistido por João CunoTPF
265
FPT . Marco Mussuro é provavelmente o
autor da primeira edição dos epinícios de Píndaro, publicada em 1513, em Veneza, por Aldo
Manúcio. Essa edição apresenta apenas o texto dos epinícios sem os escóliosTPF
266
FPT. Em 1515,
aparece nova edição de Píndaro, publicada por Zacarias Calierge, dessa vez, acompanhada
pelos escóliosTPF
267
FPT. Essas edições marcam, definitivamente, a introdução dos epinícios de
Píndaro na Europa OcidentalTPF
268
FPT. Foram tomadas de diferentes famílias de manuscritos e
constituíram importante subsídio para a formação do texto de Píndaro conforme o
conhecemos. As demais edições publicadas no século XVI foram praticamente reimpressões
dessas duasTPF
269
FPT .
Outra edição, contendo uma nova versão do texto e comentários, foi publicada por
Schmid, em Wittenberg, em 1616. Posteriormente, foram publicadas duas edições por I.
Benedictus, em 1620, em Saumur, e em 1697, em Oxford, com comentáriosTPF
270
FPT. A próxima
edição apareceria somente em 1773, em Göttingen, pelas mãos de Heyne, que publicaria uma
segunda versão em 1798—1799, novamente em Göttingen, e uma terceira, póstuma, em 1817,
em LeipzigTPF
271
FPT. As outras edições publicadas no século XVIII foram as de SchneiderTPF
272
FPT e de
BeckTPF
273
FPT.
TP
264
PT Manuscritus Selestadiensis 102, fol. 167-174. Cf. Irigoin-Mondrain (1989:257).
TP
265
PT Cf. Irigoin-Mondrain (1989:260).
TP
266
PT Aldo Manúcio anuncia, na dedicatória a André Navagero, a intenção de publicar um volume com os escólios
de Píndaro. A intenção, no entanto, parece não ter se concretizado, cf. Irigoin (1952:399).
TP
267
PT A edição, a primeira toda em grego impressa em Roma, contém, além dos quatro livros de epinícios, três
vidas de Píndaro e escólios métricos à 1ª Olímpica, cf. Tissoni (1992:169-181).
TP
268
PT Durante a Idade Média Ocidental, em um contexto majoritariamente cristão e latino, a poesia lírica grega não
teve muito espaço. As citações, quando existem, são esparsas e não refletem o conhecimento direto das obras,
mas alusões a referências feitas pelos autores canônicos latinos, Cícero, Salústio, Virgílio e Horácio. Exemplos
dessa prática podem ser encontrados em Prisciano, gramático latino de Constantinopla, que cita o nome de
Píndaro entre os nove líricos gregos, Institutiones grammaticae, XXVIII 32-2 Keil; e faz alusões a ele em
escritos sobre a métrica, Opera minora, 67, 2 Keil. Venâncio Fortunato o menciona três vezes em seus Poemata,
IX 7.9, III 4.13, V 6.27. Isidoro de Sevília também o cita incidentalmente nas Etymologiae, I 38.7, I 39.15, VIII
7.4.
TP
269
PT As edições de Ceporinus, publicada em 1526, em Basel; de Morel, publicada em 1558, em Paris; de
Raphelengius, em 1590, em Leiden; de H. Estéfano, em 1560, em Paris, e 1599, em Heidelberg, com
comentário, e de P. Estéfano, em 1599, em Genebra, com comentário e escólios, todas contendo apenas os
epinícios. Além dessas edições, foram publicados, no século XVI, as seguintes obras: (1) comentários, Portus, F.
Commentarii in Pindari Olympia, Pythia, Nemea e Isthmia. Genebra, 1583; Aretius, B. Commentarii
absolutissimi in Pindari Olympia Pythia Nemea Isthmia. Genebra, 1587; (2) traduções, Lonicer, I. Pindari
poetae uetustissimi, lyricorum facile principis, Olympia, Pythia, Nemea, Isthmia, per Ioan. Lonicerum latinitate
donata. Basel, 1535. Melanchthon, P. Pindari Olympia, Pythia, Nemea, Isthmia, per Philippum Melanchthonem
latinitate donata. Basel, 1558; Sudorius, N. Pindari opera omnia latino carmine reddita. Paris, 1575.
TP
270
PT No século XVII, além dessas edições, foram publicadas as seguintes traduções: Marini, F. Pindare. Paris,
1607; Lectius, J. Pindarus graece et latine. Genebra, 1614; Gausie, P. Pindare. Paris, 1626; Adimari, A. Ode di
Pindaro tradotte e dichiarate, con osservazioni e confronti di alcuni luoghi immitati o tocchi da Orazio Flacco.
Pisa, 1631.
TP
271
PT No século XVIII, foram publicadas as seguintes obras sobre Píndaro: (1) traduções, Fabricius, J. Omnia
Pindari quae exstant cum interpretatione latina. Veneza, 1762; Damm, C. Versuch einer prosaichen
Übersetzung der griechischen Lieder des Pindar. Berlin, 1770; e (2) comentários, De Pauw, J. Notae in Pindari
28
2. Píndaro nos séculos XIX e XX: a formação da apreciação moderna
Registrado o percurso que acompanhou o estabelecimento do texto de Píndaro
conforme o conhecemos, o interesse da investigação se volta ao processo de formação da
apreciação contemporânea da atividade e da produção poética do cinocefalense.
O conhecimento que se tem da crítica pindárica dos séculos XVI, XVII e XVIII é
escasso. Sabe-se, no entanto, que a abordagem dispensada às odes nesse período é
heterogênea: além das obras específicas sobre o poeta, representadas por comentários,
traduções e edições, citados no final da seção anterior, julgamentos sobre suas poesias fazem
parte de querelas literárias ocorridas no períodoTPF
274
FPT. Quanto às primeiras, faltam elementos
materiais suficientes para sua apreciação, visto que a maioria das obras teve circulação restrita
e não foi reimpressa. Além disso, parecem ter despertado pouco interesse nos comentadores
posteriores, os quais quase nunca as mencionam ou citam. Nesse sentido, a despeito do valor
histórico e exegético que possuem, estão à margem da tradição crítica que se forma a partir do
início do século XIX, em que as obras subseqüentes se apropriam ou refutam as anteriores em
favor do que consideram o melhor entendimento do poeta.
No segundo tipo de abordagem, o interesse pelo poeta está diluído em discussões para
além das circunscritas aos estudos clássicos, motivo que a torna pouco afim ao tratamento
aqui propostoTPF
275
FPT.
Com a publicação, a partir de 1811, da edição de Boeckh e do comentário de Boeckh e
DissenTPF
276
FPT, abre-se uma nova época na história da crítica pindárica. Além do significado que a
edição teve para o estabelecimento do texto, constituindo uma espécie de vulgata moderna à
qual todos os editores posteriores recorrem, os comentários suscitaram um debate que
envolveu o nome de todos os que se ocuparam da obra de Píndaro nos séculos XIX e XX. Os
Olympia, Pythia, Nemea, Isthmia. Utrecht, 1747; Mingarelli, D. Coniecturae de Pindari odis. Bonn, 1772;
Heyne, C. Additamenta ad lectionis uarietatem in Pindari carminum editione Gottingensi 1773 notatam.
Göttingen, 1791.
TP
272
PT Publicada em 1776, em Estrasburgo.
TP
273
PT Publicada em 1792, em Leipzig, com os escólios.
TP
274
PT Por exemplo, a querela entre Boileau, que apreciava a beau désordre de Píndaro, e Perrault, que achava os
versos do poeta insípidos e vazios.
TP
275
PT Para uma apreciação da fortuna de Píndaro nesse período, cf. Lempiecki (1930:28-39), Wilson (1974),
Sharrat (1977:97-114), Gelzer (1981, 81-115), Margolin (1981:129-151), Heath (1986:85-98) e Schmitz (1993).
TP
276
PT Boeckh (1811-1821). A obra é composta por dois volumes e dividida em quatro partes, sendo o primeiro
volume a edição de todos os epinícios e fragmentos supérstites, por Boeckh, e o segundo, o comentário aos
epinícios, cabendo a Boeckh as Olímpicas e as Píticas e a Dissen as Neméias e Ístmicas.
29
comentários de Dissen e Boeckh procuravam mostrar que as odes de Píndaro faziam sentido
como um todo, cada poema sendo uma obra na qual todas as partes estavam interligadas em
torno de um mesmo elemento. Com base nessa perspectiva de unidade poética, buscavam
parafrasear brevemente o conteúdo de cada uma das odes. A noção de que uma curta
paráfrase do ‘tema’ da ode poderia resumi-la deu origem à teoria do maius uinculus, i.e.,
haveria, em cada ode, um elemento comum a todas as suas partes e que poderia resumir seu
conteúdo F
277
. Essa teoria foi formulada de maneira estruturada, anos depois, por Dissen, na
edição comentada que publicou em 1830TPFPT. O método de Dissen consistia em isolar e extrair
dde cada poema esse elemento comum e apresentá-lo como a unidade da ode ou mesmo como
o equivalente da ode. Para Dissen, o maius uinculus era um Grundgedanke, que ele tentou
sintetizar por meio de gnomas, provérbios ou máximas, compostas por uma ou duas
sentenças.
A influência dessa teoria pode ser auferida do fato de que, a partir de Dissen, todos os
comentadores que se ocuparam de Píndaro, pelo menos até o final dos anos 1960, adotaram-
na como parâmetro, seja para defendê-la, seja para refutá-la: os que acreditavam na unidade
das odes de Píndaro procuraram encontrar a natureza desse maius uinculus; por outro lado, os
que negaram a unidade das odes tentaram apenas refutar a existência de um maius uinculus,
sem atentar para a possibilidade de a unidade ser devida a outros elementosTPF
278
FPT.
Logo após a publicação do segundo comentário de Dissen, Boeckh escreveu uma
resenha ao livroTPF
279
FPT , na qual defendeu a teoria do maius uinculus e propôs que fosse procurado
nas circunstâncias históricas em que as odes haviam sido compostasTPF
280
FPT. Para ele, os epinícios
seriam espécies de alegorias históricas, sendo os mitos narrados alegorias de passagens da
vida dos atletas louvados. De acordo com essa teoria, o método para encontrar a unidade de
cada ode pindárica consistia em analisar os epinícios formulando hipóteses de que algo
semelhante ao mito neles narrado acontecera com o homem que estava sendo louvado e
checar, por meio de outras alusões no poema e de fatos da vida do vencedor, se a hipótese era
verdadeiraTPF
281
FPT.
TP
277
PT Dissen (1830). Est enim omnis omnino classici operis ratio haec, ut totum ponatur ubique, ut et singulis
quisque locus, singula quaeque pars unitate placeat, et alius maius uinculum adsit omnes partes complectens.
TP
278
PT Young (1964:584-641).
TP
279
PT Boeckh (1830:1-34).
TP
280
PT Boeckh (1830:25).
TP
281
PT No caso da 7ª Olímpica, por exemplo, Boeckh havia proposto, em 1821, que os mitos, todos narrando
histórias que começaram mal mas que tiveram um final feliz, aludissem à situação difícil em que se encontrava a
aristocracia ródia no período, da qual a família de Diágoras fazia parte, cf. nota 27(a).
30
HermannTPF
282
FPT, também em uma resenha, defendia que as odes não tinham unidade e
que, além disso, o trabalho de Dissen negligenciava o gênero dos poemas e a visão de mundo
do poetaTPF
283
FPT. A prática filológica preconizada por Hermann baseava-se no princípio,
explicitado por ele, de que a única maneira pela qual alguém poderia julgar adequadamente as
obras antigas seria lê-las e se interessar por elas como se fosse um grego antigo, de modo que
pudesse apreciá-las de acordo com sua intuição, sem métodos apriorísticosTPF
284
FPT. Com relação
às obras de Píndaro, apontava que as odes continham partes em poesia, por exemplo, a
narração dos mitos, que eram as passagens mais agradáveis, e partes em prosa ou não-
poesiaTPF
285
FPT e que, portanto, não poderiam ter unidadeTPF
286
FPT.
RauchensteinTPF
287
FPT tentou combinar algumas das idéias de Dissen e de Hermann. Em sua
obra, incluiu um capítulo sobre a visão de mundo de Píndaro e um sobre o gênero dos poemas
e discutiu a teoria do maius uinculus. Para ele, embora haja um maius uinculus responsável
pela unidade das odes e sua natureza seja realmente a de um pensamento fundamental
subjacente a cada poema, seu conteúdo não poderia ser reduzido em uma frase. Argumentava
que o maius uinculus de cada ode era modificado e visto de várias maneiras na própria ode e
que eram essas modificações e redeclarações de idéias similares que davam unidade ao
poemaTPF
288
FPT.
SchmidtTPF
289
FPT retoma a idéia de alegoria histórica proposta por Boeckh. Ele argumentava
que a motivação para a composição de um epinício não era apenas a vitória de um atleta em
uma competição esportiva pan-helênica, mas que deveria haver uma motivação histórica, a
qual, para um bom entendimento da ode, deveria ser identificada. Nesse sentido, defendia que
o conteúdo de cada ode deveria ser explicado a partir da situação histórica que motivou sua
composição. Para Schmidt, esses motivos deveriam ser buscados na vida de Píndaro, e o
método para descobri-los consistia em analisar a biografia do poeta associando-a às odes
produzidas por ele em cada período, para identificar o desenvolvimento das idéias e da arte do
poeta ao longo de sua vida. Assim, com base na identificação de várias fases da vida do
TP
282
PT Hermann (1831).
TP
283
PT Hermann considerava que a poesia de Píndaro pertencia a um gênero mais alto de lírica do que a praticada
por Safo, Alceu e Álcman. A partir das observações de Hermann, estudos sobre a visão de mundo de Píndaro são
profusos no século XIX e influenciam parte da crítica do século XX, como se verá a seguir.
TP
284
PT Hermann (1834:8).
TP
285
PT Hermann (1831:76).
TP
286
PT Essa concepção, embora tenha sido abandonada por um tempo, foi retomada, posteriormente, com algumas
adaptações, por outros comentadores que negavam a unidade dos epinícios, como, por exemplo, Wilamowitz,
para quem Hermann era o único crítico do século XIX, além de Drachmann e dele mesmo, digno de ser lido.
TP
287
PT Rauchenstein (1843).
TP
288
PT Rauchenstein (1843:132).
TP
289
PT Schmidt (1862).
31
cinocefalense, explicou muitas odes como se fossem atitudes de Píndaro com relação a
eventos políticos recentesTPF
290
FPT.
Posteriormente, CroisetTPF
291
FPT tentou explicar a unidade da ode como um entrelaçamento
de imagens e pensamentos, que se evocam, completam-se e se corrigem uns aos outros,
deixando no espírito do auditório uma impressão difícil de formular com precisão pelos
processos lógicos e abstratos da prosaTPF
292
FPT. Ele refuta, assim como Rauchenstein, a
possibilidade de parafrasear uma ode com uma sentença, mas recupera a noção de maius
uinculus em sua postulação de que a unidade da ode está relacionada com uma idéia lírica que
existe a priori e que prenuncia a composição de cada odeTPF
293
FPT.
MezgerTPF
294
FPT também defendia a tese do maius uinculus. Observou que, em cada ode,
havia palavras que eram recorrentes e que, além disso, as passagens que tinham palavras em
comum possuíam outras similaridades, de conteúdo ou de contextoTPF
295
FPT. Concluiu, então, que
as palavras repetidas eram elos significativos e que a unidade da ode deveria ser buscada por
meio das passagens em que ocorriamTPF
296
FPT.
BuryTPF
297
FPT aderiu a ambas as teorias, à do maius uinculus e à da palavra recorrente. No
entanto, se, por um lado, aplicava mecanicamente os postulados de Mezger à interpretação
das odes, por outro, salientava que a noção de maius uinculus somente seria válida para a
exegese do texto se, para cada ode, fossem identificados vários elementos unificadores, os
quais, combinados, seriam os responsáveis pela unidade dos poemasTPF
298
FPT.
A obra de Fraccaroli sintetiza e marca o fim do período de prevalência da teoria do
maius uinculusTPF
299
FPT. Seus comentários às odes são baseados, sobretudo, na revisão da tradição
crítica do século XIX. Com relação à abordagem histórica das odes, defende que, apesar de
ser tediosa, era, muitas vezes, útil, desde que com limites e finalidades bem definidos, pois a
história não poderia ser perseguida como um fim quando a matéria em questão era a
poesiaTPF
300
FPT. Discordava de que os epinícios pudessem ser resumidos em curtas paráfrasesTPFFPT,
TP
290
PT Schimidt concordava com a proposta de Boeckh de que a 7ª Ode Olímpica refletia a situação política
conturbada de Rodes no tempo de Diágoras, cf. nota 27(a).
TP
291
PT Croiset (1880).
TP
292
PT Croiset (1880:330).
TP
293
PT Segundo Croiset (1880:332), Píndaro, antes de compor a ode, pensava placidamente, até que uma idéia lírica
lhe sobreviesse.
TP
294
PT Mezger (1880).
TP
295
PT Mezger (1880:26).
TP
296
PT Mezger (1880:40), no entanto, exageradamente, acreditava que as palavras recorrentes teriam de estar na
mesma posição, no mesmo verso nas estrofes correspondentes.
TP
297
PT Bury (1892).
TP
298
PT Bury (1892:89). Um método semelhante ao de Bury foi utilizado por Fennell (1879) e (1883).
TP
299
PT Fraccaroli (1894).
TP
300
PT Fraccaroli (1894:157).
32
argumentando que a unidade do poema não poderia ser buscada em um único elemento e que
diversos fatores contribuíam para ela
301
. Segundo ele, a unidade das odes era baseada em dois
elementos, o elogio da vitória e a visão pessoal de PíndaroTPF
302
FPT. Defendeu que subordinações
complexas e associações de pensamento eram métodos freqüentemente utilizados por Píndaro
para indicar relações reais entre assuntos diferentesTPF
303
FPT e que a recorrência não somente de
palavras, mas também de imagens e idéias, criaria a unidade formal e factual do poemaTPF
304
FPT , de
modo que todos os elementos da ode estariam apontando uns para os outros. Além disso,
antecipou, em alguns pontos, a noção, mais tarde conhecida como ‘composição em anel’,
observando, nas odes, a forma narrativa em que um curto sumário antecede uma narrativa
mais longa, a qual, por sua vez, fecha-se retomando o sumário inicialTPF
305
FPT. Fraccaroli, no
entanto, dizia que Píndaro vivia em uma fase pré-lógica e que, portanto, não era consciente de
sua arte, sendo a unidade dos poemas conseguida de forma espontâneaTPF
306
FPT.
Depois de 1880, a defesa do maius uinculus como elemento de unidade das odes
deixou de prevalecer na interpretação pindárica, embora tenha continuado a exercer
influência. Do período que antecede o predomínio da teoria anti-unitarista e histórica de
Wilamowiz na crítica pindárica, é digno de menção o trabalho de GildersleeveTPF
307
FPT . Embora
ocasionalmente utilize elementos provenientes da teoria do maius uinculusTPF
308
FPT, seu trabalho é
marcado pela não-tentativa de expor uma teoria interpretativa que dê conta de todos os
aspectos dos epinícios. Seu método consistia em oferecer explicação pontual para passagens
individuais das odes, sem se preocupar em descobrir o elemento unificador dos poemas.
Em 1886, Wilamowitz publicou um comentário à 6ª OlímpicaTPF
309
FPT. Nele, discute a fonte
do mito, a situação histórica e as circunstâncias políticas em que a ode foi composta e alguns
aspectos da geografia grega. Sobre o texto da ode nada é dito. Essa abordagem baseia-se na
baixa avaliação que Wilamowitz fazia de Píndaro como poetaTPF
310
FPT, julgamento que, devido à
TP
301
PT Fraccaroli (1894:147).
TP
302
PT Fraccaroli (1894:159).
TP
303
PT Fraccaroli (1894:138) dizia que os estudiosos do século XIX tinham dificuldade de entender essas relações
de pensamento e consideravam, portanto, que o poeta estivesse se movendo aleatoriamente de um assunto a
outro.
TP
304
PT Fraccaroli (1894:34-5).
TP
305
PT Fraccaroli (1894: 385).
TP
306
PT Fraccaroli (1894:112).
TP
307
PT Gildersleeve (1885).
TP
308
PT Ele utiliza, por vezes, expressões como ‘dominant thought’, p. 228, e ‘fundamental thought’, p. 202.
TP
309
PT Wilamowitz-Moellendorf (1886:162-85).
TP
310
PT Wilamowitz-Moellendorf, (1886:173). Juízo semelhante já havia sido expresso por Schroeder, em 1885,
quando havia publicado uma bibliografia sobre a poesia lírica grega, na qual defendia que Píndaro não era tão
bom poeta como se havia imaginado desde a antiguidade, cf. Schroeder (1885:339-69).
33
influência do filólogo, foi predominante até a segunda década do século XX. Seu método
consistia em utilizar as odes de Píndaro, que, de acordo com ele, não tinham valor literário
algum, como fonte histórica para estudos de genealogia, etimologia, geografia etcTPF
311
FPT .
Wilamowitz também rejeitou a validade da crítica pindárica de então: apontou que nada do
que havia sido escrito sobre Píndaro no século XIX deveria ser consideradoTPF
312
FPT.
Influenciado por Wilamowitz, DrachmannTPF
313
FPT argumentou que era impossível haver
unidade nos epinícios, por causa dos elementos tradicionais neles contidos – mitos, louvação
direta ao vencedor, gnomas etc. –, que eram muito variados para serem unificadosTPF
314
FPT. Em
favor de sua tese, afirmou: 1) que os mitos não eram parte do elogio ao atleta, tendo, na
verdade, a função de celebrar os deuses durante a cerimônia de comemoração do vencedor, e
que, portanto, não tinham conexão com o restante da odeTPF
315
FPT; 2) que as transições entre as
diferentes partes da ode feitas por associação de palavras não tinham verdadeiro valor
unificadorTPF
316
FPT; 3) que, nos epinícios, havia poucas passagens poéticas e muitas sem valor
poético, retomando o postulado de Hermann. Além disso, defendia que, pelo fato de serem
ocasionais, os epinícios não tinham valor artístico e, utilizando-os como fontes históricas,
interessou-se pelas circunstâncias em que as odes eram contratadas, fazendo conjecturas sobre
o valor pago por cada estrofe, por exemploTPF
317
FPT.
Diferentemente de Drachmann, que procurou mostrar a não-unidade de Píndaro com
um arrazoado geral sobre os epinícios, Jurenka comentou várias odes individualmente,
utilizando o método drachmanniano para apontar, em cada comentário, as impossibilidades da
tese unitaristaTPF
318
FPT.
Romagnoli publicou, na Itália, um livro tributário às teses de Wilamowitz, no qual,
porém, defendia que havia virtudes estéticas e artísticas nos mitos narrados nos epiníciosTPF
319
FPT.
TP
311
PT A mesma abordagem foi proposta por Wilamowitz em (1901:1273-1318) e (1908:328-52).
TP
312
PT Exceção feita ao trabalho de Hermann, cf. nota de rodapé nº 280.
TP
313
PT Drachmann (1891).
TP
314
PT Drachmann (1891:XXVI).
TP
315
PT Drachmann (1891:XXXIII).
TP
316
PT Drachmann (1891:XL).
TP
317
PT Drachmann (1891:XLII).
TP
318
PT Jurenka (1900:313-5), (1893:152-5), (1893:1-34), (1895:1-20), (1893:1057-66) e (1895:180-96).
Gildersleeve, em 1894, publicou uma resenha dos últimos trabalhos na área da crítica pindárica, (1894:501-509).
Com relação à crítica historicista, de Jurenka e Drachmann, afirmava que a história tinha uma finalidade limitada
em termos de crítica literária; por outro lado, referindo-se à teoria do maius uinculus, observava que uma ode
não poderia ser parafraseada por uma única oração ou elemento, visto que a unidade poética é como a unidade de
uma corda com vários fios.
TP
319
PT Romagnoli (1910). A terceira parte do livro é intitulada “I contributi di Wilamowitz”. Antes do lançamento
do livro de Romagnoli, foram publicadas, pelos anti-unitaristas, duas obras de grande importância para a crítica
pindárica posterior: em 1903, a edição da primeira parte dos escólios antigos, por Drachmann e, em 1908, a
edição de toda a obra do poeta, por Schroeder.
34
Já para DornseiffTPF
320
FPT , a artisticidade das odes estaria em algumas imagens, sendo todo o
restante dos epinícios incompreensívelTPF
321
FPT. De acordo com ele, essa incompreensibilidade
deve-se não à complexidade das odes, mas, sim, à disparidade das partes: a poesia de Píndaro
seria caracterizada por transições bruscas e elementos irrelevantes e os mitos poderiam ser
escolhidos aleatoriamente, pois não tinham nenhuma relação direta com o restante do
poemaTPF
322
FPT. Dornseiff sugere que o sentimento de desamparo diante de uma ode pindárica
poderia ser remediado pelo entendimento da maneira como os topoi convencionais do gênero
operavamTPF
323
FPT.
Em 1921, aparece a obra que sintetiza e marca o fim da era wilamowitziana na crítica
pindárica, Pindaros, de WilamowitzTPF
324
FPT. A finalidade do livro é reconstruir a vida de Píndaro
e as circunstâncias que o influenciaram. Depois de descrever a geografia das regiões em que
Píndaro nasceu e em que atuou como poeta e de realizar uma reconstrução especulativa de
todas etapas de sua vida, Wilamowitz apresenta a discussão de uma série de poemas
individuais, nos quais trata da história da família do vencedor louvado em cada epinício, das
circunstâncias políticas em que viveram, das relações com o poeta, das circunstâncias em que
foi realizado o contrato etc. Além disso, tenta encontrar a fonte dos mitos e trata da etimologia
de alguns termos utilizados nos epinícios. Ele, por vezes, aborda o texto das odes, mas essa
abordagem tem ou finalidades biográficas ou para comparar o uso que Píndaro fez de
determinado mito com o feito por outros poetas. Com relação à unidade das odes, afirmava
que ela não existia e que o importante seria buscar a unidade do homemTPF
325
FPT. A obra de
Wilamowitz, mais pela importância de seu autor, passou a ser a mais citada na crítica
pindárica e influenciou bastante as gerações posterioresTPF
326
FPT.
Cerca de quatro décadas após o lançamento de Isyllos von Epidauros e do início do
predomínio do historicismo anti-unitarista wilamowitziano, SchadewaldtTPF
327
FPT voltou a defender
a tese da existência de uma unidade nas odes de Píndaro. Ele apresentou uma distinção entre
unidade objetiva e unidade subjetiva dos epinícios. Argumentou que os epinícios tinham duas
finalidades: 1) uma objetiva, louvar o vencedor, que seria traduzida nas convenções poéticas
TP
320
PT Dornseiff (1921).
TP
321
PT Dornseiff (1921:113).
TP
322
PT Dornseiff (1921:76).
TP
323
PT Dornseiff (1921:76). Apesar desse enunciado, Dornseiff, em nenhum momento, desenvolve uma explicação
de sua proposta.
TP
324
PT Wilamowitz-Moellendorf (1921).
TP
325
PT Wilamowitz-Moellendorf (1921:392).
TP
326
PT A obra de Bowra (1964) é praticamente toda devotada às teses de Wilamowitz.
TP
327
PT Schadewaldt (1928).
35
do gênero epinício: alusões aos fatos históricos pertinentes à louvação do vencedor, menção à
vitória, louvação da excelência do vencedor, de seus antepassados, de sua cidade, de suas
outras vitórias, elementos gnômicos, mitos etc.; 2) uma subjetiva, expressar uma posição
pessoal do poeta, não necessariamente vinculada ao encômio ao atleta. De acordo com ele,
essa unidade subjetiva poderia ser resumida em uma summa sententiaTPF
328
FPT. Na análise que
apresenta de alguns poemas, procura demonstrar que, nas primeiras odes que compôs, Píndaro
seguia estritamente o programa poético, enquanto, nos poemas da maturidade, sua visão
pessoal prevalecia sobre a finalidade encomiástica, criando uma oposição entre as finalidades
objetiva e subjetiva, que seriam unificadas, no corpo da ode, pelo processo de associação de
palavrasTPF
329
FPT. No estudo que faz do programa poético de Píndaro, Schadewaldt apresenta a
primeira abordagem cuidadosa do gênero epinício. Nesse estudo, identifica uma série de
elementos convencionais do gênero e os encontra ocorrendo sistematicamente em diversas
odesTPF
330
FPT.
Na resenha que faz de SchadewaldtTPF
331
FPT e em sua obra mais importanteTPF
332
FPT , Hermann
Fraenkel defende que a unidade das odes de Píndaro existe e que um maius uinculus é o único
meio pelo qual ela pode ocorrerTPF
333
FPT. Descarta, porém, a possibilidade de encontrar unidade nas
odes individualmente. Afirma, então, que há um maius uinculus de todo o corpus pindárico,
que transcende os poemas individuais e que deve ser buscado no poeta e em seu mundo. Pelo
estudo de algumas odes, conclui que esse maius uinculus é a ??et?TPF
334
. , ‘excelência’. H.
Fraenkel argumenta que Píndaro acredita no valor das coisas sobre as quais compõe versos e
que, quando elogia, por exemplo, a excelência do vencedor e de sua família, está não apenas
cumprindo seu programa poético, mas também expondo convicções pessoais. Nesse sentido,
retoma a proposta, desenvolvida por Schadewaldt, da existência de um elemento objetivo e de
um elemento subjetivo nos epinícios. Preocupado em demonstrar a unidade do corpus
pindárico por meio do conteúdo das odes, Hermann Fraenkel diz que, em termos artísticos,
Píndaro não teria muito a oferecer, sugerindo que suas odes são úteis sobretudo como fonte
para o entendimento do pensamento de Píndaro e de seu mundoTPF
335
FPT. A partir dessa concepção,
tenta reconstruir, a partir da análise das odes, a visão de mundo e a filosofia de Píndaro.
TP
328
PT Schadewaldt (1928:332-3).
TP
329
PT Schadewaldt (1928:264, 293, 298).
TP
330
PT Schadewaldt (1928:266, 277, 278 e 284).
TP
331
PT H. Fraenkel (1930:1-20).
TP
332
PT H. Fraenkel (1951).
TP
333
PT H. Fraenkel (1951:129).
TP
334
PT H. Fraenkel (1930:18).
TP
335
PT H. Fraenkel (1930:19).
36
Ainda nos anos 30, CoppolaTPF
336
FPT defendeu que todos os epinícios de Píndaro eram, na
verdade, parte de um grande e único poemaTPF
337
FPT. De acordo com sua concepção, uma imagem,
por exemplo, presente em um epinício deveria ser sempre lida com o mesmo significado em
todos os epiníciosTPF
338
FPT. O tema da grande ode, formada por subpoemas, seria a dissolução da
civilização dórica. O método utilizado por Coppola, fortemente influenciado pela
sociologiaTPF
339
FPT, baseava-se na comparação entre as civilizações dórica e jônica, contrastando-as
em termos de que a civilização dórica, fundamentada na ??et? f??, ‘excelência inata’,
representaria a aristocracia, e a jônica, fundamentada na especulação filosófica, a
democraciaTPF
340
FPT.
No ano posterior, Illig, influenciado pela tese de Schadewaldt de que existia um
programa poético pindárico, publicou um estudo sobre as passagens narrativas dos epinícios,
focando-se, sobretudo, nas formas de narração e de transição entre as narrativasTPF
341
FPT. Seu
objetivo era demonstrar que os mitos presentes nos epinícios não eram desconexos do restante
do poema nem narrados de forma aleatória, mas, sim, artistica e significativamente elaborados
e estruturados dentro das odes. Como resultado da análise de alguns epinícios, demonstrou a
existência de uma técnica narrativa responsável pela coesão de alguns poemas, a qual designa
‘composição em anel’: Píndaro faria uma declaração e, então, a desenvolveria; após tê-la
desenvolvido, retomaria a declaração inicial e procederia com a narrativaTPF
342
FPT.
Uma tentativa de alteração nos rumos da crítica pindárica foi feita por NorwoodTPF
343
FPT.
Observando que a artisticidade de Píndaro era geralmente ignorada, seu objetivo era
demonstrar que as odes tinham valor estético. Para refutar a posição de H. Fraenkel de que
Píndaro era um filósofo e não um poeta, tomou, assim como Coppola, todo o corpus dos
epinícios como um grande texto e passou a apontar inconsistências de pensamento entre as
partesTPF
344
FPT . Assim, após ter demonstrado que Píndaro era um mau pensadorTPF
345
FPT, passou a se
TP
336
PT Coppola (1931).
TP
337
PT Coppola (1931:XVI).
TP
338
PT Coppola (1931:81). De acordo com ele, a vasilha de ouro presente no início da 7ª Olímpica, por exemplo,
deveria ter o mesmo significado da encontrada na 4ª Pítica: ambas seriam símbolos apropriados a uma ocasião
solene.
TP
339
PT Assim como Coppola, também Jaeger (1936:204) vê as odes de Píndaro como uma fonte para estudos de
sociologia.
TP
340
PT Coppola (1931:220).
TP
341
PT Illig (1932).
TP
342
PT Illig (1932:55). Sobre a maneira como essa técnica narrativa ocorre na 7ª Ode Olímpica, cf. nota 49(a).
TP
343
PT Norwood (1945).
TP
344
PT Norwood (1945:62).
TP
345
PT Norwood (1945:23, 24, 261). No caso da 7ª Olímpica, a qual Norwood chama de obra-prima de Píndaro, ele
diz que o símbolo unificador é o da rosa/Rodes que nasce do mar e que todas as alusões ao domínio vegetal,
?µp????... d??s?, no verso 2, ?a?p?? f?e???, no 8, ?µp?a??a? ... ???µa?ta? , no 26, s?????? ??a?a?, no 29, sp??µa
37
concentrar nas odes individuais para mostrar que faziam sentido apenas como obras de arte.
Sua conclusão foi de que a unidade dos poemas somente poderia se dar no plano estético, e
descreveu, então, o mecanismo por meio do qual essa unidade ocorreria: haveria, em cada
ode, um símboloTPF
346
FPT, ao qual todas as imagens e vocabulário do poema se refeririam.
Norwood retomou, assim, a teoria de Dissen de que um único elemento seria responsável pela
unidade dos poemas. Contudo, em vez de parafrasear o conteúdo da ode com uma única frase,
reduziu-o a um único símboloTPF
347
FPT.
Assim como Norwood, DucheminTPF
348
FPT também tratou o corpus pindárico como um
continuum. O objetivo de sua obra era revelar, a partir da análise dos poemas, as crenças da
sociedade em que Píndaro viveu. Considerando que mais nenhum progresso poderia ser feito
pelo estudo individual das odes, procurou estudar o simbolismo de todo o corpusTPF
349
FPT. Nesse
sentido, centrada na análise de fontes sobre religiões antigasTPF
350
FPT, na mitologia grega e de
outros povosTPF
351
FPT e em algumas odes, principalmente a 2ª Olímpica, conclui que uma das
preocupações essenciais de Píndaro é com a imortalidade pessoal, sendo suas odes a principal
fonte antiga para idéias sobre imortalidade da alma, reencarnação e outros assuntos
relacionados com os mistérios antigosFPT.
Entre 1955 e 1962, as obras mais significativas escritas sobre Píndaro foram as de
Burton
352
, que trata das Odes Píticas, dando grande importância ao contexto histórico em que
foram compostas e executadas, e a de Méautis
353
, na qual mescla crítica literária, o método
histórico de Wilamowitz e o sociológico de Coppola: assim como Coppola, tenta demonstrar
a importância do contraste entre as civilizações dórica e jônica para a formação da obra de
Píndaro
354
; como Wilamowitz, busca explicar a maneira pela qual a cronologia dos eventos e
as condições locais afetaram o pensamento de Píndaro e, conseqüentemente, a formação da
obra
355
.
f?????, no verso 48, e te?e?ta?e? d? ????? ????fa? ?? ??a?e?? pet??sa?, no 68, referem-se a esse símbolo principal,
cf. (1945:139-145) e notas 2(b) e 62(b).
TP
346
PT Em nenhuma passagem do livro, Norwood conceitua símbolo.
TP
347
PT A teoria de Norwood é retomada por Finley (1955:3-22), que, no entanto, acredita que os símbolos têm um
valor pré-definido, por exemplo, a água é o símbolo da poesia, o ouro, dos heróis, e o sol, das divindades, e que
são transferidos de uma ode para outra, constituindo parte do que ele chama de ‘pensamento simbólico’.
TP
348
PT Duchemin (1955).
TP
349
PT Duchemin (1955:12).
TP
350
PT Duchemin (1955:219).
TP
351
PT Duchemin (1955:53, 293-6).
352
Burton (1962).
353
Méautis (1962).
354
Méautis (1962:42).
355
Méautis (1962:45).
38
Em 1962, Bundy lançou o trabalho que marcou o final da querela sobre a unidade das
odes de PíndaroPF
356
. Nele, observou que os estudos pindáricos até então apresentavam o poeta
como um homem emocionalmente descontrolado, cujos trabalhos eram caracterizados por
uma moral irrelevante e, principalmente, pela falta de coerênciaTPF
357
FPT. Afirmou que todos esses
julgamentos estavam equivocados e que seria necessário reiniciar a crítica pindárica,
rejeitando todos os métodos de estudo até então empregadosTPF
358
FPT. Bundy argumentou que os
epinícios foram compostos apenas para a audiência que assistiu sua primeira execução, a qual
estava interessada somente na louvação ao atletaTPF
359
FPT. Para ele, os epinícios não teriam
interesse universal, pois eram obras circunstanciais, regidas por normas pré-estabelecidas,
cuja única finalidade era o encômio a homens específicosTPF
360
FPT. O objetivo de sua obra seria,
então, identificar a gramática temática e motivacional do gênero epinício, apresentando suas
principais convenções.
O trabalho de Bundy marca o fim do período da busca de um elemento unificador das
odes de Píndaro. Seus Studia Pindarica influenciam fortemente a crítica pindárica dos anos
39
2) outras abordam temas estudados pelos comentadores dos séculos XIX e XX, como as
imagens das odesTPF
365
FPT, a religiosidadeTPF
366
FPT, o pensamento de PíndaroTPF
367
FPT, o contexto histórico
em que as odes foram compostasTPF
368
FPT etc.; 3) as que se debruçam sobre pontos até então não
discutidos, como a forma de execução das odesTPF
369
FPT.
Outro grupo de trabalhos, bastante representativo desse período, é o dos comentários
detalhados a odes individuais, que, retomando uma tradição que remonta aos escoliastas,
propõem-se a oferecer análises minuciosas de cada uma das odes, abordando pontualmente os
aspectos que possibilitam o entendimento de cada um dos poemas de Píndaro e,
adicionalmente, oferecendo uma revisão da bibliografia sobre as odes em questãoTPF
370
FPT.
Uma síntese da atenção que alguns dos diversos comentadores referidos nas páginas
anteriores dedicaram à 7ª Ode Olímpica será apresentada nas notas que seguem, as quais
procuram se filiar à vertente da crítica pindárica mencionada no parágrafo anterior.
??s– e –a?s– em particípios presentes, particípios aoristos, acusativos e verbos na 3ª pessoa do plural, é de que
Píndaro usa mais eolismos do que qualquer outro poeta da lírica coral.
TP
365
PT Com relação às imagens das odes, os estudos contemporâneos buscam sistematizar imagens recorrentes nas
odes de Píndaro, como, por exemplo, Perón (1974), que estuda as imagens marítimas presentes nos epinícios, e
Steiner (1986), que propõe uma teoria geral das imagens pindáricas.
TP
366
PT Nesse campo, prevalecem os estudos influenciados pela abordagem antropológica de Duchemin, por
exemplo, o trabalho de Jouan (1979:354-367), que defende que a obra de Píndaro é um repositório de crenças
antigas, fortemente tributárias à fonte délfica.
TP
367
PT Nessa vertente, estão os estudos interessados em aspectos da visão de mundo de Píndaro, por exemplo, a
obra de Medda (1987:109-131), que explora a visão de Píndaro sobre a relação entre homens e bens materiais.
TP
368
PT Podlecki (1984) é fortemente tributário às teses de Wilamowitz: centra-se na análise de como as
circunstâncias históricas influenciam a composição das odes de Píndaro e Baquílides. Mullen (1973:446-9)
utiliza o método biográfico de análise dos epinícios para identificar, nas odes, as posições de Píndaro com
relação a Atenas.
TP
369
PT Por exemplo, Mullen (1982), Burnett (1989:283-293), Carey (1989:545-565), Lefkowitz (1988:1-11) e
Morgan (1993:1-15).
TP
370
PT Entre essas, destacam-se Braswell (1988), (1992) e (1998) e Verdenius (1987) e (1988), com seus
comentários detalhados, focados no esclarecimento do sentido de cada palavra e na revisão da bibliografia sobre
as odes em questão.
40
A 7ª Ode Olímpica de Píndaro
Diágoras e sua família, os Eratidas
A 7ª Ode Olímpica de Píndaro celebra a vitória de Diágoras de Rodes no pugilato nos
Jogos Olímpicos de 464 a.CTPF
371
FPT. Talvez o mais famoso pugilista da antiguidade, Diágoras
pertencia a uma família da aristocracia da cidade rodiana de Iálisos, os Eratidas, de
ascendência heróica, de Héracles, e famosa pela enorme quantidade de vitórias conseguidas
nos jogos pan-helênicos. Além de Diágoras, campeão nos quatro principais jogos, Olímpicos,
Píticos, Ístmicos e Neméios, e em uma série de competições de menor expressãoTPF
372
FPT, seus três
filhos foram vencedores em Olímpia: Damageto, no pancrácio, nos Jogos Olímpicos de 452 e
448 a.C., Acusilau, no pugilato, em 448 a.C, e Dorieus, no pancrácio, em 432, 428 e 424 a.C,
além de oito vezes nos Jogos Ístmicos, uma vez nos Neméios e uma nos Píticos. Dois netos de
Diágoras também foram coroados junto ao Alfeu: Éucles, filho de Calipateira, vencedor no
pugilato entre 420 e 410 a.C., e Pissirrodes, filho de Ferenice, vencedor no pugilato para
homens em 448 a.C. e para rapazes antes de 395 a.CTPF
373
FPT.
No relato de suas viagens, Pausânias diz ter visto, em Olímpia, estátuas erigidas para
Diágoras e sua famíliaTPF
374
FPT, e os testemunhos diretos, obtidos das escavações próximas ao
templo de Zeus, em Olímpia, revelaram uma série de fragmentos de inscrições em que os
nomes do pugilista e de seus filhos aparecemTPF
375
FPT. Tal renome gerou uma série de anedotas
sobre a família de Diágoras: em 448 a.C., ocasião em que foram vencedores em Olímpia
Damageto e Acusilau, um espartano, ao ver que os ambos os filhos de Diágoras haviam sido
coroados no mesmo dia, teria declarado: “Morra, Diágoras; mas não subirá ao Olímpo”TPF
376
FPT , e
os demais presentes o teriam carregado e lhe lançado flores, considerando-o abençoado por
causa dos seus filhosTPF
377
FPT.
Dos ancestrais de Diágoras, nenhum parece ter tido destaque em competições
esportivas. Seu bisavô, Damageto, reinavaTPF
378
FPT em Iálisos quando Aristomenes chegou à ilha,
vindo do exílio da Messênia. Aconselhado pelo oráculo de Delfos a desposar a filha do
TP
371
PT Scholia uetera in Pindari Carmina, Olympia, VII inscr. metr. 3-4 Drachmann.
TP
372
PT Cf. notas 80(c) a 86(b).
TP
373
PT Pausaniae Graeciae descriptio, VI 7.
TP
374
PT Pausaniae Graeciae descriptio, VI.7.
TP
375
PT Dittenberger-Purgold (1896:150-159).
TP
376
PT Plutarchi Pelopidas, 34.6.4; Ciceronis Tusculanae disputationes, I 111.1-10.
TP
377
PT Pausaniae Graeciae descriptio, VI 7.3.
TP
378
PT Pausaniae Graeciae descriptio, IV 24.
41
melhor dos gregos, Damageto desposou a filha de AristomenesTPF
379
FPT e teve um filho chamado
Dorieus, o qual, por sua vez, teve um filho chamado Damageto, pai de Diágoras e,
provavelmente, um magistrado em Rodes no tempo da composição da 7ª OlímpicaTPF
380
.
De sua descendência, além do extraordinário sucesso conseguido nas competições
esportivas, fontes antigas revelam outras informações. Dorieus e Pissirodes, quando de suas
vitórias olímpicas, estavam representando a Túria, porque haviam sido expulsos de Rodes por
causa da ascensão de forças democráticas na ilha. Após alguns anos, Dorieus teria retornado a
Rodes, quando da reconquista do poder pelos aristocratas, com a ajuda da Liga do
Peloponeso. Em 411 a.C., teria equipado uma esquadra de 14 navios, com os quais navegava
pelo Helesponto, quando foi aprisionado pelos atenienses, que, impressionados com seu
renome, o teriam libertado. Alguns anos depois, no entanto, quando Rodes estava novamente
sob influência de Atenas, Dorieus foi aprisionado pelos espartanos e condenado à morteTPF
381
FPT .
Com relação à família, a última notícia que se tem é a do massacre da qual foi vítima, em 395
a.C., em Rodes, por partidários de AtenasTPF
382
FPT.
Os mitos
Estruturalmente, a ode está dividida em cinco tríades. Na primeira, Pindaro descreve,
na estrofe, a oferta de um presente de grande valor, uma vasilha toda de ouro dada ao jovem
noivo em uma cerimônia de contrato de casamento, para, em seguida, na antístrofe, compará-
la com a oferta do epinício ao vencedor. O epodo apresenta o nome do vencedor, Diágoras, de
sua cidade, Rodes, e de sua família, os Eratidas. As três tríades narram mitos relacionados
com a cidade de Rodes: a colonização por Tlepólemo, o nascimento de Atena e a origem dos
sacrifícios sem fogo à deusa e, por fim, o surgimento da ilha do mar e sua oferta a Hélio. A
tríade final retoma informações sobre outras vitórias de Diágoras e fecha-se com uma gnoma
sobre a dessultoriedade da fortuna.
Os três mitos escolhidos, narrados de forma regressiva, do mais recente para o mais
antigo, relatam histórias que começaram mal, mas que tiveram um final feliz: o assassinato
cometido por Tlepólemo o levou à colonização de Rodes; o esquecimento do fogo por parte
dos Heliadae para cultuar Atena gerou o reconhecimento de seu esforço e a oferta de
TP
379
PT Cf. nota 4 (a).
TP
380
PT Cf. nota 17(b).
TP
381
PT Thucydidis Historiae, III 8; VIII 35; Xenophontis Hellenica, I 1.2-5; I 5.19.
TP
382
PT Anonymi Hellenica, 228-250 Jacoby.
42
habilidades manuais superiores às dos outros homens; e a omissão de um quinhão de terra a
Hélio, quando ocorreu a divisão do mundo entre os deuses, resultou na tutela do deus sobre
Rodes. Por outro lado, à medida que o tempo recua e que a importância do ente envolvido
aumenta – Tlepólemo, um herói, os Helíades, semi-deuses, Hélio, um deus – uma diminuição
na gravidade do delito ocorre: do assassinato, passando pelo esquecimento, à omissão.
43
Pindari VII Olympia
(Snell-Maehler)
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44
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(65) ?e??a? ??te??a?, ?e?? d' ????? µ??a?
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???p?s? ???a? ?sses?a?. te?e?ta?e? d? ????? ????fa?
?? ??a?e?? pet??sa?· ß??ste µ?? ?? ???? ?????
(70) ??s??, ??e? t? µ?? ??e??? ? ?e??????? ??t???? pat??,
p?? p?e??t?? ????? ?pp??· ???a ???d? p?t? µ???e?? t??e?
?pt? s?f?tata ???µat' ?p? p??t???? ??d??? pa?ade?aµ?????
pa?da?, ?? e?? µ?? ??µ????
p?esß?tat?? te ?????s?? ?te?e? ???d?? t ?p?te??e d' ????
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46
? t??? ??t??? s?µf???? ???t??? ????? ??ap???µ?
?stata? ????????? ???a??t?,
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(80) µ???? te ???s?essa p?µp? ?a? ???s?? ?µf' ???????. t?? ???es? ??a???a?
?stefa??sat? d??, ??e??? t' ?? ??s?µ? tet????? e?t?????,
?eµ?? t' ???a? ?p' ????, ?a? ??a?aa?? ?? ?????a??.
? t' ?? ????e? ?a???? ???? ???, t? t' ?? ????ad??
???a ?a? T?ßa??, ?????? t' ????µ??
(85) ????t???,
????a?? t?????? te ??????' ??????· ?? ?e?????s?? t' ??? ?te??? ?????a
??f?? ??e? ?????. ???' ? ?e? p?te?, ??t??s?? ??taß?????
µed???, t?µa µ?? ?µ??? te?µ?? ????µp?????a?,
??d?a te p?? ??et?? e????ta. d?d?? t? ?? a?d??a? ?????
(90) ?a? p?t ' ?st?? ?a? p?t? ?e????. ?pe? ?ß???? ?????? ?d??
e???p??e?, s?fa dae?? ? te ?? pat???? ???a? f???e? ?? ??a???
???e??. µ? ???pte ??????
sp??µ' ?p? ?a?????a?t??· ???at?d?? t?? s?? ?a??tess?? ??e?
?a??a? ?a? p????· ?? d? µ?? µ???? ??????
(95) ????t' ?????a? d?a???ss??s?? a??a?.
47
7ª Ode Olímpica - Tradução
Para Diágoras de Rodes, pugilista
Estrofe A
Assim como alguém, de rica mão tendo pego uma vasilha, dentro borbulhante com orvalho de
videira, oferece-a, toda de ouro, vértice dos haveres, ao jovem genro, ao beber primeiro, de
casa para casa, (5) tanto a graça do simpósio quanto o novo enlace honrando, e, desse modo,
aos amigos presentes faz-lhe invejável por causa do harmonioso casamento;
Antístrofe A
também eu, enviando a vitoriosos homens, vencedores em Olímpia e Pito, néctar vertido,
dádiva das Musas, doce fruto do meu peito, (10) obtenho deles o favor; é afortunado quem a
valorosa fama cobrir; ora a um ora a outro a Graça, que aflora vida, vela na dulcíssona
forminge e, ao mesmo tempo, nos instrumentos panfônicos, os aulos.
Epodo A
E agora, ao acompanhamento de ambos, com Diágoras desembarquei, hineando a marítima
filha de Afrodite e ninfa de Hélio, Rodes, (15) para que a um homem prodigioso, direto no
combate, que junto ao Alfeu obteve a coroa e também junto a Castália, eu louve, recompensa
do pugilato, e a seu pai, Damageto, que agrada à Dike, os quais a ilha de três cidades, perto do
promontório da Ásia de vasto espaço, habitam com lança argiva.
Estrofe B
(20) Quero, desde o início, a partir de Tlepólemo, durante a proclamação, corrigir o relato
comum a eles, descendência de vasta força de Héracles. Pois se orgulham de provir, por parte
de pai, de Zeus; e por parte da mãe, Astidaméia, de serem Amintoridas. Em torno dos ânimos
dos homens erros (25) inumeráveis pendem; é impossível descobrir isto:
Antístrofe B
o que agora e também no final é melhor sobrevir a um homem. Pois, atingindo com cetro de
dura oliveira o irmão bastardo de Alcmena, Licímnio, que vinha dos tálamos de Midea, em
Tirinto (30), [Tlepólemo], o outrora colonizador desta terra, o matou, irado. Os distúrbios do
ânimo desnorteiam mesmo alguém sábio. Consultou então o oráculo, tendo ido ao deus.
48
Epodo B
E a ele o de cabelo de ouro, de seu fragrante santuário, falou de uma viagem de naus desde o
cabo de Lerna direto até um lar cingido de mar onde uma vez o grande rei dos deuses regara
com flocos de ouro a cidade, (35) quando, pelas técnicas de Hefesto, pelo machado forjado do
bronze, Atena no alto da cabeça do pai tendo surgido deu estze,anddo csuerra;rnaagraara
49
Estrofe D
E que de Hélio, ausente, ninguém assinalou um lote; assim, desprovido de quinhão deixaram-
no, (60) puro deus. Em favor do que se fez lembrar, Zeus novo sorteio ia fazer; mas [Hélio]
não permitiu; pois disse que ele mesmo via dentro do mar cinzento crescer desde o fundo uma
terra multinutriz para homens e propícia para rebanhos.
Antístrofe D
Ordenou que imediatamente Láquesis de diadema de ouro (65) as mãos erguesse, que o
grande juramento dos deuses não dissesse em falso e que junto com o filho de Crono anuísse
que [a ilha], quando emersa para o radiante éter, doravante lhe haveria de ser privilégio. E foi
cumprido o essencial das palavras que caíram na verdade: brotou do mar úmido
Epodo D
(70) a ilha, e tem-na o pai gerador de raios agudos, condutor dos cavalos que respiram fogo;
aí, a Rodes ele se tendo unido, gerou sete filhos, que as mais hábeis inteligências no tempo
dos primeiros homens herdaram; desses filhos um gerou Camiros, Iálissos, o mais velho, e
Lindos; cada um possuía, (75) após terem dividido a terra paterna em três, uma das cidades, e
seus domicílios foram nomeados como eles.
Estrofe E
Aí doce redenção por evento lamentável para Tlepólemo está estabelecida, líder fundador dos
Tiríntios, como para um deus, (80) e procissão de ovelhas que exalam cheiro de gordura
queimada e disputa de competições, com cujas flores Diágoras coroou-se duas vezes; também
no renomado Istmo quatro vezes foi tocado pela fortuna, e, em Neméia, uma após a outra
[venceu] e também na pedregosa Atenas.
Antístrofe E
O bronze em Argos o conheceu e também os artefatos na Arcádia e em Tebas e os certames
periódicos (85) dos beócios e Pelena; em Egina, é vencedor seis vezes. E entre os mégaros
tem não diferente numeração o edito de pedra. Zeus pai, que guarda o dorso de Atabíris, honre
o preceito do hino aos vencedores olímpicos
50
Epodo E
e ao homem que com o punho a excelência descobriu. Dê-lhe respeitosa graça (90) tanto dos
cidadãos quanto dos estrangeiros; pois pelo caminho inimigo do excesso ele segue reto,
claramente tendo aprendido o que o espírito correto dos valorosos pais lhe proclamava. Não
oculte, [Zeus], a semente comum de Caliánax; com as graças dos Eratidas tem festas também
a cidade; em uma e mesma porção de tempo (95) ora numa ora noutra direção sopram
rapidamente as brisas.
51
Notas à 7ª Ode Olímpica
1(a). f???a?: em Homero, é uma vasilha, provavelmente com asasTPF
383
FPT, usada para ferver
líquidosTPF
384
FPT e também como urna funeráriaTPF
385
FPT. Depois de HomeroTPF
386
FPT, é uma vasilha larga e
rasa, sem asa nem pé, usada para várias finalidades: a) para fazer libaçõesTPF
387
FPT; b) para beber,
sobretudo vinhoTPF
388
FPT, mas também águaTPF
389
FPT ; c) para ungüentosTPF
390
FPT; d) para medicamentosTPF
391
FPT e
outros compostos, sobretudo nos escritos alquímicosTPF
392
FPT; e) como oferenda votivaTPF
393
FPT; f) e
também como ornamento em portas e telhadosTPF
394
FPT. O fato de o escudo ser denominado
f????TPF
395
FPT, provavelmente devido a sua forma larga e rasa, foi utilizado por Aristóteles para
exemplificar o conceito de metáforaTPF
396
FPT. Outras indicações sobre a forma dessa vasilha são
dadas por dois fragmentos, um de SafoTPF
397
FPT e um de CratinoTPF
398
FPT.
A utilização do símile por ela introduzido suscitou diversas interpretações sobre seu
significado e implicações: a) a presença da vasilha na primeira parte do símile teria sido
inspirada pelas circunstâncias em que a ode seria executada, um simpósioTPF
399
FPT; b) a imagem da
vasilha de ouro seria utilizada para indicar que a idéia de presente simbolizada na vasilha,
concebida em hierarquia, uma vez que ela passa da rica mão do futuro sogro para a ainda não
tão rica mão do futuro genro, por meio de um intermediário, ressoaria na de as Musas
TP
383
PT ?µf??et??, adjetivo que acompanha f????? em algumas passagens de Homero, Ilias, XXIII 270, 616, foi
entendido de maneiras diferentes pelos comentadores: segundo Ateneu, Deipnosophistae, XI 103.3-12, refere-se
às asas que haveria nos lados das f???a? homéricas, que seriam uma espécie de caldeirão raso e com asas, ou ao
fato de a f???a homérica não ter base; segundo Apolodoro Gramático, Fragmenta, 243a Müller, o vocábulo
remetia à possibilidade de a vasilha poder ficar em pé pela boca, mas não pela base; segundo Aristarco, apud
Athenaei Deipnosophistae, XI 103.12-14, o adjetivo se referiria ao fato de a vasilha poder ficar em pé seja pela
boca seja pela base; para Dionísio Trácio, Fragmenta, 28 Linke, a denominação referir-se-ia ao formato
arredondado da vasilha.
TP
384
PT Homeri Ilias, XXIII 270.
TP
385
PT Homeri Ilias, XXIII 243.
TP
386
PT Aristonici De signis Iliadis, XXIII 270, 5 Friedlaender.
TP
387
PT Herodoti Historiae, II 151.
TP
388
PT Xenophontis Symposium, II 23-4; Etymologicum Gudianum s.u. ?pe?f?a??? Sturz.
TP
389
PT Aeliani Varia Historia, I 32.36-7.
TP
390
PT Xenophanis Fragmenta, 1.1-3 West.
TP
391
PT Pseudo-Galeni De remediis parabilibus, XIV 542.11; Hippocratis De mulierum affectibus I, 146.11.
TP
392
PT Anonymi Fragmenta Alchemica, De margaritis, II 368.18-23; Anonymi Fragmenta Alchemica, Acta
Iustiniani, II 385.19-386.6.
TP
393
PT Anonymi Anthologia Graeca Appendix, Epigrammata Dedicatoria, 53 Cougny.
TP
394
PT Agatharchidis De mari Erythraeo [excerpta], 102.13 Müller; Diodori Siculi Bibliotheca Historica, III 47.
TP
395
PT A imagem foi usada por Timoteu, Fragmenta, 21 LP. Vide etiam Anaxandridis Fragmenta, 80 Kock.
TP
396
PT Aristotelis Rhetorica, 1412b34-1413a3; Poetica, 1457b20-2.
TP
397
PT Sapphi Fragmenta, 192 LP, em que o adjetivo ???sast???a??? parece fazer referência à forma do fundo da
vasilha.
TP
398
PT Cratini Fragmenta, 50 Kock, em que o adjetivo ßa?a?e??µf????? parece se referir a uma protuberância central
geralmente encontrada no fundo dessas vasilhas. Vide etiam Athenaei Deipnosophistae, XI 104.1-28;
Licophronis Fragmenta, 25 Strecker; Didymi Fragmenta, 42 Schmidt; Theopompi Fragmenta, 3 Kock.
TP
399
PT Puech (1922: 94).
52
ofertarem o dom da ode aos vencedores nas competições esportivas por meio do poetaTPF
400
FPT; c)
a vasilha seria um presente passado de geração a geração para simbolizar a perpetuação da
família e a imortalização de seus membros por meio de seus descendentesTPF
401
FPT, ?????e? ???ade,
o que teria seu equivalente no néctar, fonte de vida perpétua e metáfora adequada para a
função imortalizadora que pretendiam ter os epinícios de Píndaro; d) a f???a teria alguma
importância particular na cerimônia dos ródios em honra a Diágoras, pois, em uma inscrição
descrevendo o inventário de oferendas depositadas no templo de Atena em Lindos uma dos
primeiros objetos mencionados é justamente uma f???a de ouro oferecida à deusa por
Tlepólemo, herói colonizador de RodesTPF
402
FPT. Apesar da plausibilidade de todas as hipóteses
acima arroladas, as principais funções do símile são evocar a atmosfera de festividade em que
o epinício seria executado e sugerir que a ode, assim como a vasilha toda de ouro, era um
refinado objeto de valor, sendo importante também a idéia de munificência introduzida por
?f?e???.
1(b). ? ? e? t??: oração comparativa condicional com matiz próximo ao das orações
temporaisTPF
403
FPT. A comparação em seu conjunto é regida por ? ?, não por ? ? e?, sendo e? t??
uma seqüência relativa. A estrutura, semelhante à encontrada em uma passagem da IlíadaTPF
404
FPT ,
pode ser classificada, por um lado, tanto como geral quanto como particular e, por outro, tanto
como real quanto como potencial. Esse é o único caso de sua obra supérstite em que Píndaro
utiliza uma comparação explicitamente estruturada, típica da épica homérica, já que, em todos
TP
400
PT Norwood (1945:144); Lawall (1961:35).
TP
401
PT Young (1968:73) aponta que, no caso da vasilha dada por Belerofonte a Eneu, passada posteriormente por
Tideu, filho de Eneu, a Diomedes, seu filho, como um símbolo de ?e??a, Homeri Ilias, VI 215-226, embora não
se lembre de seu pai, Diomedes conhece o significado simbólico da vasilha e do fato de ela ter sido passada de
geração para geração. Ressalta que a vasilha na cerimônia de casamento deve ter função análoga, sendo, no
entanto, um símbolo de família mais do que de ?e??a. Ele explica que, na Grécia, a vasilha ofertada pelo pai da
noiva a seu genro completava a cerimônia formal de casamento e que, depois de ela ser entregue, o casamento
era considerado legal e finalizado, sendo a vasilha de ouro o símbolo não apenas do acordo entre genro e sogro,
mas também do próprio casamento, como demonstrado por Ateneu, Deipnosophistae, XIII 35.26-31. Várias
objeções podem ser feitas a essa hipótese: a) não era a oferta da vasilha, mas, sim, a realização do contrato de
casamento, no qual a entrega da vasilha poderia ou não ocorrer, que formalizava legalmente o casamento; b) a
passagem de Ateneu citada para fundamentar essa concepção diz respeito, na verdade, a evento fora do mundo
grego; c) essa passagem não se refere a uma cerimônia de noivado ou casamento, mas, sim, à escolha, por parte
de uma mulher, de um estrangeiro para ser seu marido. Cf. Braswell (1976:233-242).
TP
402
PT Blinkenberg (1915: 11-2); Defradas (1974, 34-50). f???a? de ouro ou de prata são comumente usadas como
oferendas votivas, vide Herodoti Historiae, I 50; II 151; VII 154.
TP
403
PT Fernández-Galiano, M. (1956:217).
TP
404
PT Homeri Ilias, V 597-600.
53
os outros casos, prefere estruturas breves e implícitas, introduzidas por ? ?, ? spe?, ? ? ?te,
? te ou compostas com a simples justaposição do elemento comparante ao comparadoTPF
405
FPT.
1(c). t??: há, no mínimo, duas possibilidades para identificação do referente desse pronome
indefinido: (a) o referente é o pai da noiva, que, tendo pego a vasilha de ouro, oferece-a ao
futuro genroTPF
406
FPT; (b) o pronome é uma designação indefinida de alguma figura intermediária
que propõe o brinde ao genro em nome do sogroTPF
407
FPT. Na verdade, o conhecimento que se tem,
a partir de fontes antigas, da cerimônia de ?????s??TPF
408
FPT não permite identificar com precisão a
identidade de quem geralmente propunha o brinde nessa cerimônia. Em um fragmento de
SafoTPF
409
FPT, o brinde ao noivo fica a cargo de Hermes, o arauto dos deuses; em uma passagem da
IlíadaTPF
410
FPT , na descrição de um juramento, é também um arauto que mistura o vinho e prepara
libaçõesTPF
411
FPT. Ambas as cerimônias celebrariam uma espécie de acordo entre duas partes e,
com base na analogia, é verossímil admitir que seja também um intermediário a fazer o brinde
que ratifica o acordo descrito nesse proêmio.
1(d). ?f?e??? ?p? ?e????: os adjetivos com sufixo -e(?)?? expressam relação direta com o
substantivo do qual derivamTPF
412
FPT, de modo que ?f?e(?)??, derivado de ?fe???, ‘riqueza’,
significa ‘pertinente à riqueza’, i.e., ‘rico’TPF
413
FPT. Esse é o sentido do vocábulo em todas suas
outras ocorrências nas odes de PíndaroTPF
414
FPT. Adicionalmente, o adjetivo abarca também a
noção de munificente, com a implicação de que, assim como o sogro com o genro, as Musas
são generosas com o vencedor, idéia presente também em outros epiníciosTPF
415
FPT.
TP
405
PT Pindari Pythia, I 44; IV 122. Cf. Hummel (1993:328-333) e Gentili (1995:461).
TP
406
PT Scholia uetera in Pindari Carmina, Olympia VII 1b Drachmann. Cf. Hartung (1855:87), Gildersleeve
(1890:184), Bowra (1964:25), Young (1968:71) e Verdenius (1987:42).
TP
407
PT Brown (1984, 33-46).
TP
408
PT Cf. nota 5(b).
TP
409
PT Sapphi Fragmenta, 141 LP.
TP
410
PT Homeri Ilias, III 245-258.
TP
411
PT O que parece ser, na épica, uma função regular do arauto, vide Homeri Odyssea, VII 163-5; XVIII 423-26;
Antimachi Fragmenta, 21, 22 Wyss.
TP
412
PT Cf. Schwyzer (1939:466-468).
TP
413
PT E.g. d???e(?)?? de d?????, Homeri Odyssea, XXIV 251-3; ß??te(?)?? de ß??t??, Archilochi Fragmenta, 17
West; ?te??? de ?te??, Pindari Isthmia, III/IV 83-6 S-M; Scholia uetera in Pindari Carmina, Olympia, VII 1a
Drachmann. Cf. Frisk (1954: 125) e Braswell (1976:234).
TP
414
PT Em Píndaro, sempre ‘rico’, vide Olympia, I 8-11; Pythia, XI 13-16; Nemea, I 13-5, VII 19-20; Fragmenta,
122 1-2, 124a-b SM. A palavra tem o mesmo sentido em Homeri Ilias, II 569-70; Odyssea, I 164-5; Hesiodi
Theogonia 973-4.
TP
415
PT Pindari Olympia, XI 7-8; Nemea, III 7-9; Isthmia, V 22-25. Moscopuli Scholia recentia in Pindari Epinicia,
Olympia, VII, 1-17.46 Abel; Hesychii Lexicon, s.u. p???s??d????. Cf. Young (1968:72) e Verdenius (1987:42).
54
A interpretação da preposição envolve dificuldadesTPF
416
FPT, pois tanto ????TPF
417
FPT, ‘tendo
pego’, quanto d???seta?,TPF
418
, ‘presentea’, podem exigir o sentido de origem que ?p? indica.
A solução parece ser considerar a construção como um exemplo do uso coincidente do
particípio aoristo, encontrado comumente quando o verbo principal é também aoristo,
independente do modo, e quando ele e o particípio aoristo descrevem a mesma ação ou
diferentes elementos ou aspectos da mesma ação totalTPF
419
FPT.
A identidade do dono da mão que oferta a vasilha para que se faça o brinde foi
amplamente debatida pelos comentadores modernos: 1) Hartung propôs que o pai da noiva
recebeu a vasilha como presente de algum rico amigo em um momento anterior à cerimônia
descrita no símileTPF
420
FPT; 2) Bowra interpreta o dono da mão como a divindade protetora do
enlaceTPF
421
FPT; 3) Young observa que, como a vasilha é muito provavelmente um presente passado
de geração a geração, para simbolizar a perpetuação da família em seus novos membros,
dever-se-ia considerar a possibilidade de ela ter sido um presente não de um amigo rico
qualquer, mas, sim, do sogro do pai da noiva. Como, porém, o particípio aoristo ???? não
poderia apontar para um evento tão remoto como a cerimônia de ?????s??T do pai da noiva,
propõe, então, que a mão a oferecer a vasilha seja a de um escravo que esteja servindo aos
convivas no banquete e que ?f?e??? não remeteria à riqueza financeira do dono da mão, mas
TP
416
PT Essa dificuldade parece ter levado a maioria dos comentadores a procurarem um sentido especial para a
preposição nessa passagem. Bergk (1878) e Jurenka (1895:185) não concordam com a lição transmitida nos
manuscritos e corrigem ?p? ?e???? por ?p? ????? e t?? ?f?e??? ?p? ?e??e?? ??, respectivamente, mas os papiros
descobertos no século XX d.C., Papiro della Società Italiana 1277, do séc. II d.C., e Papiro Oxirrinco 1614, do
séc. V ou VI d.C., trazem a lição ?f?e??? ?p? ?e???? ????, cf. Irigoin (1952:86 e 115) e Pieraccioni (1948:287-
288). De Jongh (1865), Gildersleeve (1890:184) e Fernández-Galiano (1956:217) propõem que ?p? tem a
conotação de ‘livremente’, como ?p? ???ssa? em Olympia, VI 13; não há, porém, na 6P
a
P
Olímpica um particípio,
e ?p? ???ssa? e?pe?? é uma expressão comum em grego antigo, cf. Stephani Thesaurus Graecae Linguae, s.u.
???ssa, 659; st?µa, 805 Dindorf. Puech (1922), Farnell (1923), Sandys (1937) e Norwood (1945:42) entendem
a preposição como tendo valor instrumental, ‘com sua mão’, mas o uso instrumental da preposição é pós-
clássico, vide Strabonis Geographica, XVII 3; Diodori Siculi Bibliotheca Historica, V 29. Cf. Kühner-Gerth
(1898:458) e Chantraine (1953:94).
TP
417
PT Homeri Ilias, XXIV 579; Solonis Fragmenta, 5.2 West; Aeschyli Septem contra Thebas, 777; Aristophanis
Pax, 560.
TP
418
PT Critiae Fragmenta, 6.3 West.
TP
419
PT Homeri Ilias, XV 126-7; Euripidis Hippolytus, 289-92; cf. Braswell (1976:235). Quanto à colocação da
preposição em relação com os termos que ela rege, Hummel (1993:148) nota que o termo anástrofe pode ser
aplicado também à acentuação tônica da preposição que introduz uma locução, ocorrendo quando a preposição é
posposta ao termo que ela rege, desde que ele esteja isolado, como em Pindari Nemea, VI 58-9. Nessa passagem
da 7P
a
P
Olímpica, porém, como a preposição está interposta, ela é, na realidade, átona. Essa atonização ocorre
sempre que a preposição está intercalada na locução, embora certos editores como Schroeder e Snell-Maehler
façam a distinção entre a atonicidade, quando o núcleo da locução segue a preposição, como na 7P
a
P
Olímpica, e a
tonicidade da preposição, quando esse núcleo precede a preposição, como em T?ß?? ?p? ?adµe???, Isthmia,
III/IV 71 SM.
TP
420
PT Hartung (1855: 88).
TP
421
PT Bowra (1964:25).
55
apenas a sua munificênciaTPF
422
FPT; 4) Gildersleeve e Verdenius defendem que não está em questão
o recebimento, pelo pai da noiva, da vasilha de ouro pelas mãos de outra pessoa: para eles, o
sogro deu a vasilha de ouro ao futuro genro a partir de suas próprias ricas mãosTPF
423
FPT . Todavia,
com base nas fontes antigas arroladas na nota 1(c) e na estrutura da comparação – assim como
um intermediário/arauto entrega ao genro um valioso presente ofertado pelo sogro, também o
poeta dá ao atleta uma excelente ode oferecida pelas Musas – o mais provável é admitir que
um intermediário, tendo recebido a vasilha das ricas mãos do pai da noiva, proponha o brinde
e entregue o presente ao nubente.
2(a). ??d??: uso adverbial já encontrado em HomeroTPF
424
FPT.
2(b). ?µp???? ... d??s?: uma perífrase para vinho. Apesar de ter sido identificada como
uma metáfora pouco ousada por comentadores modernos, com base na declaração de que o
vinho seria água em forma latente
425
, a imagem foi citada por Siriano para exemplificar a
declaração de Hermógenes de que os poetas subvertem as palavras. A explicação de Siriano
para essa subversão é de que os poetas gostam de se expressar por meio de tropos e
perífrasesTPF
426
FPT . Depois de Píndaro, d??s?? foi usado metaforicamente por outros autores para se
referir a diversos elementos, nem sempre líquidosTPF
427
FPT.
Para os gregos, o vinho tinha reconhecidamente poder sacroTPF
428
F, e Píndaro apresenta,
repetidamente, suas odes como uma bebida ou corrente seja de água, de vinho ou de melTPF
429
FPT,
estando essas imagens sempre associadas com o tópos do poder imortalizador da poesiaTPF
430
FPT,
cf. nota 10(b). Na estrutura do símile, a expressão corresponde semanticamente a ??????
?a?p?? f?e??? e, na comparação, parece haver a declaração de uma ordem ascendente de valor,
pois, se descrever o vinho borbulhando em uma vasilha de ouro é algo esplêndido, o
TP
422
PT Young (1968:71).
TP
423
PT Gildersleeve (1890:184) e Verdenius (1987:42).
TP
424
PT Homeri Ilias, VIII 98.
TP
425
PT Verdenius (1987:42).
TP
426
PT Syriani Commentarium in Hermogenis librum ?e?? ?de?? ????? I.6, p. 41.3-14 Rabe.
TP
427
PT Sangue, Aeschyli Agamemnon, 1388-90; esperma, Aristophanis Equites, 1285; óleo, Philodemi Anthologia
Graeca, V 3.1-3; mel, Philostrati Heroicus, p. 750.27-30 Kayser; açúcar, Oribasii Collectiones medicae, X
27.19.
TP
428
PT Cf. Kircher (1910) e Crowther (1979:1-17).
TP
429
PT Pindari Olympia, VI 90-1; Nemea, III 76-80; VII 11-2, 61-3; Isthmia, III/IV 90-90b S-M; V 22-5; VI 1-3, 74-
5; VII 16-19. Digno de nota é o fato de que as outras duas ocorrências de d??s?? em Píndaro, Isthmia, VI 62-4;
Pythia, V 98-100, são também em imagens relacionadas à poesia epinicial.
TP
430
PT Verdenius (1987:43) explica, com base em Hesiodi Theogonia, 1-4, que Píndaro compara suas odes a vários
líquidos que poderiam representar a água em forma latente porque a água era vista pelos gregos como a mais
56
oferecimento de néctar é algo ainda mais precioso. Além disso, o néctar é colocado em um
plano muito mais alto quando se menciona sua origem: enquanto o vinho é produto da videira,
o néctar é ?????? ?a?p?? f?e???, verso 8, e ???s?? d?s?? , verso 7TPF
431
FPT.
2(c). ?a??????sa?: normalmente utilizado para fazer referência ao som de líquidos, seja da
chuva, do mar ou de água ferventeTPF
432
FPT. É, provavelmente, um verbo onomatopaico.
3(a). d???seta?: aoristo subjuntivoTPF
433
FPT. A mudança do subjuntivo para o indicativo ???e
pode ser comparada com a que ocorre em uma passagem da IlíadaTPF
434
FPT, em que o ponto mais
importante da comparação é expresso no subjuntivo, enquanto os detalhes e incidentes
subordinados são expressos no indicativoTPF
435
FPT. Píndaro tem ? ? e? apenas nessa passagem e ? ?
?te somente uma vez com indicativoTPF
436
FPT , enquanto Homero tem ? ? e? tanto com indicativo,
quanto com subjuntivo, uma vez cadaTPF
437
FPT. O modo marca feito repetido ou indeterminado,
enquanto o aoristo enfatiza o caráter pontual da açãoTPF
438
FPT. Tem f???a? como objeto ?p?
?????? com ????TP
F
439
FPT.
elementar substância da vida, tida como um meio de inspiração divina que coloca o poeta em contato com a vida
universal, tornando os poemas uma espécie de elixir da vida.
TP
431
PT Young (1968:73); Hooker (1985: 63-70). Norwood e Lawall (1961:40) afirmam que a referência à videira é
parte da textura verbal que aponta o símbolo da rosa/Rodes nascendo do mar como elemento unificador da ode.
TP
432
PT Do mar, Euripidis Hippolytus, 1210-2; de um líquido em uma vasilha, Flavii Philostrati Vita Apollonii, III
25.32-5; da chuva, Lycophronis Alexandra, 79-80; de água fervente, Zosimi Alchemistae De Virtute [Praxis A],
II 109.4.
TP
433
PT Boeckh (1821:163); Kühner-Gerth I (1898:171-2). Outras propostas: para Dissen (1830), futuro indicativo;
para Fennell (1879:75), futuro gnômico.
TP
434
PT Homeri Ilias, XI 414-20.
TP
435
PT Monro (1891:112).
TP
436
PT Pindari Nemea, VIII 40. A edição do verso 40 da 8P
a
P
Neméia não é unânime: Schroeder (post Boeckh), por
exemplo, a??eta? d' ??et?, ????a?? ???sa?? ?? ?te d??d?e?? ?sse?, / <??> s?f??? ??d??? ?e??e?s ' ?? d??a???? te p???
????? /a????a. Diferentemente, Snell-Maehler (post Vogt), pelo fato de ?sse? ser estranho ao metro na posição em
que se encontra, editam a passagem da seguinte forma ??sse? d' ??et?, ????a?? ???sa?? ?? ?te d??d?e?? ,/ <??>
s?f??? ??d??? ?e??e?s ' ?? d??a???? te p??? ????? /a????a, sendo que, nesse caso, a ocorrência de ? ? ?te, como todas
as outras na obra supérstite de Píndaro (Olympia, VI 2; Pythia, XI 40; Nemea, IX 16 e Isthmia, VI 1), seria em
contextos sem verbo expresso. Para o rol de todas as lições propostas para essa passagem da 8P
a
P
Neméia até 1923,
cf. o aparato crítico de Schroeder (1923:323).
TP
437
PT Com indicativo, Homeri Ilias, XIII 491-5; com subjuntivo, Homeri Ilias, IX 481-3. Gerber (1987:85)
concorda que a presente passagem é um caso em que aoristo subjuntivo e indicativo são encontrados dentro do
mesmo símile. Aponta, no entanto, que toda vez que ? ? e? ocorre em Homero é sempre seguido seja pelo
subjuntivo, seja pelo optativo, nunca pelo indicativo, o que não é uma afirmação verdadeira, visto que, em
Homeri Ilias, XIII 492, o verbo ?spet? está no indicativo.
TP
438
PT Cf. Fernández-Galiano (1956:217). Contra Verdenius (1987:44), que também considera que se trata de um
subjuntivo, mas expressando eventualidade, e que a mudança para o indicativo ???e pode ser explicada pelo fato
de que o poeta perde gradualmente a visão do início relativo de sua sentença.
TP
439
PT Lesbonactis De figuris, 31b.1-4; Apollonii Dyscoli De constructione, 127.14; 170.20. Cf. Des Places (1947:
72) e (1962: 11).
57
4(a). ?aµß?? : ?aµß??? denomina várias formas de parentesco por casamento: a) os parentes
dos noivos em geralTPF
440
FPT; b) o noivoTPF
441
FPT; c) o cunhado, seja o marido da irmãTPF
442
FPT ou o irmão da
esposaTPF
443
FPT; d) o sogroTPF
444
FPT; e) o maridoTPF
445
FPT; f) o genro, como aquiTPF
446
FPT. Foi levantada a hipótese
de que a utilização do símile, envolvendo a cerimônia de contrato de casamento, estaria
baseada na relação que Píndaro buscaria estabelecer entre noivo e atletaTPF
447
FPT. Testemunhos
antigos apontam que, na Grécia antiga, um noivo, em sua idealizada forma, deveria ser
notável por sua virilidade, combinando excelência física e vigor, condições
inequivocadamente também exigidas de um atleta. De acordo com Himério, algumas
passagens da poesia de Safo apresentavam imagens que representavam características ideais
para os membros do casalTPF
448
FPT. No caso do noivo, o ideal seria Aquiles. Embora o Pelida fosse
considerado belo, e beleza fosse parte do elogio convencional ao nubente, a ênfase em seus
feitos sugere um diferente ponto de comparação: a virilidade de Aquiles, que, na épica, era
um paradigma da jovial excelênciaTPF
449
FPT. Entre os fragmentos de Safo, dois parecem aludir ao
fato de que o noivo deveria ser notável por sua excelência física: um, transmitido por Miguel
ItálicoTPF
450
FPT, no qual o noivo era comparado com ?pp?? ?e???f????, ‘cavalos vitoriosos’, imagem
relacionada com excelência física na épicaTPF
451
FPT, utilizada sempre se referindo a Aquiles; e
outroTPF
452
FPT em que o ponto de comparação parece ser o tamanho e a força de Ares. Da mesma
forma, Menandro Retor também recomenda que se deva louvar o noivo por sua excelência
física e vigorTPF
453
.
A despeito da possibilidade de a imagem poder ter sido escolhida com base em alguma
relação entre noivo e atleta, a comparação funda-se no fato de que tanto a comemoração da
vitória quanto a celebração da união de duas famílias por meio de um contrato de casamento
TP
440
PT Aeschyli Agamemnon, 699-708.
TP
441
PT Sapphi Fragmenta, 112 LP.
TP
442
PT Homeri Ilias, V 472-4.
TP
443
PT Sophoclis Oedipus tyrannus, 68-72.
TP
444
PT Euripidis Andromacha, 639-41.
TP
445
PT “Generum uero pro marito positum multi accipiunt iuxta Sappho, ?a??e, ??µfa, ?a??e, t?µ?e ??µß?e, p???a
(Sapphi Fragmenta, 116 LP), sic et Pindarus ?? t??? pa??s?? (Pindari Fragmenta, 65b Schr.)”. Servii In Vergilii
Georgicon libros, I 31.
TP
446
PT Pindari Isthmia, III/IV 76-8 SM. Cf. Rumpel (1883: 97), Fernández-Galiano (1956:217) e Slater (1969: 98).
TP
447
PT Brown (1984:46-8).
TP
448
PT Himerii Orationes, IX 185-191 Colonna.
TP
449
PT Homeri Ilias, I 243-4, XVI 271-4. Píndaro, em diversas passagens, enfatiza que dos atletas era exigido
grande vigor físico, vide Olympia, I 96, sobretudo nos epinícios para vencedores em disputas de luta, pugilato e
pancrácio, onde geralmente faz menção ao p???? envolvido nas competições, Olympia, V 15-6, XI.4-6; Isthmia, I
41-6, III/IV 17-17b, 61-5, V 15-6, 22-5, VI 10-4, VIII 1-8; Nemea, IV 1-3, VI 17-24, VII 74-9, X 24; Achaei
Fragmenta, 4.1-3 Snell.
TP
450
PT Michaelis Italici Oratio ad Michaelem Oxeitem, 115 Wirth.
TP
451
PT Homeri Ilias, XXII 21-4, 162-6.
TP
452
PT Sapphi Fragmenta, 111 LP.
58
são cerimônias jubilosas. Além disso, ao recorrer a uma das convenções do epinício, a de
apresentar as odes como presentes de amigoTPF
454
FPT, Píndaro buscaria sublinhar a relação
recíproca e benévola entre poeta e destinatário da odeTPF
455
FPT.
4(b). ?ea??? : a determinação, pelas fontes antigas, de a que idade ?ea??a? se refere apresenta
várias possibilidades. Os escoliastas antigos glosam ?ea??? ?aµß?? por ??µa?? ??µf?? TPF
456
FPT.
Em Aristóteles, ??µ? e ??µ????te? são usados com relação aos que estão entre a ?e?t?? e a
???a?, ou seja, entre a idade em que o corpo chega ao auge e a em que a mente chega ao
ápiceTPF
457
FPT. Em um fragmento de Sófocles, ?ea??a? parece cobrir, genericamente, a idade entre a
infância e a velhice, n52, e1 Tj104.25 0 TD /F4 14.2 T9-0.6525 Tc 0 ??µa?
59
como no trecho de XenofonteTPF
465
FPT em que são oferecidos, além de uma vasilha de prata, um
escravo, um cavalo branco e roupasTPF
466
FPT. Desse costume, o verbo assumiu também o
significado de ‘beber antes e, então, presentear com a vasilha a pessoa convidada beber’TPF
467
FPT,
passando a ser usado em três acepções: a) ‘beber antes ou primeiro’TPF
468
FPT; b) ‘brindar
alguém’TPF
469
FPT; c) ‘presentear à pessoa brindada com a vasilha com a qual se fez o brinde’TPF
470
FPT e,
conseqüentemente, ‘presentear (com qualquer coisa)’TPF
471
FPT. Na construção do verbo, pode haver
três complementos: em dativo, da pessoa convidada a beber, em acusativo, da coisa que se
bebe, e em genitivo, da pessoa em nome de quem se brindaTPF
472
FPT . Como ‘dar a vasilha’ e ‘beber’
não podem ser ações sincrônicas, nessa passagem o particípio presente está expressando uma
ação precedente à do verbo principalTPF
473
FPT, ‘ao beber primeiro’, e, além disso, tem apenas o
significado de ‘beber da vasilha de vinho antes da pessoa honrada com o convite para beber’,
a noção de ‘presentear’ sendo dada por d???seta?TPF
474
FPT.
4(d). ?????e? ???ade: a expressão ocorre pela primeira vez em PíndaroTPF
475
FPT e, posteriormente,
apenas em autores tardiosTPF
476
FPT. O Imperador Juliano a glosa como f??? pa?? f????TPF
477
FPT .
Originalmente, deveria aludir ao fato de que o sogro, em sua casa, dava a vasilha para que o
genro a levasse para a casa deleTPF
478
FPT, pois a cerimônia de ?????s?? realizar-se-ia na casa da
noivaTPF
479
FPT.
TP
465
PT Xenophontis Anabasis, VII 3.26-7.
TP
466
PT Segundo Crítias, esse costume de fazer a p??p?s?? ofertando um presente, ?p?d??e?s?a?, e mencionando o
nome da pessoa homenageada foi importado da Ásia pelos espartanos, Fragmenta, 6 West.
TP
467
PT Anacreontis Fragmenta, 62 Page.
TP
468
PT Beber antes, Hippocratis De diaeta in morbis acutis, IV.17-21; beber primeiro, Hippocratis De morbis, II.
70.11.
TP
469
PT Theopompi Fragmenta, 32.9 Koch.
TP
470
PT Aeschylus Fragmenta, 212c3 Mette; Demosthenis De Corona, 296; Athenaei Deipnosophistae, I 21.23-25.
Harpocratião, Lexicon in decem oratores Atticos, 259.10-12, explica que, em Demóstenes, o verbo é usado
metaforicamente, por p??d?d?µ?.
TP
471
PT Stephani Comici Fragmenta, 1.1-3 Koch; Plutarchi Galba, XVII 5.6-11.
TP
472
PT
60
4(e). p?????s??: a colocação do adjetivo está conforme uma tendência dos poetas arcaicos de
apresentar uma coisa primeiro e somente depois os detalhesTPF
480
FPT. É atestado pela primeira vez
no séc. V a.C.TPF
481
FPT e é provavelmente formado por analogia ao homérico pa????se??TPF
482
FPT,
correspondendo à relação p???a???? : pa?????e??TPF
483
FPT. Na maioria das ocorrências, o
adjetivo está relacionado com objetos pertencentes a deuses ou heróisTPF
484
FPT, mas aqui, como no
mencionado fragmento de Álcman, trata-se apenas de um epíteto descritivo de um artefato.
4(f). ????f?? ?te????: ????f? no sentido de “a/o melhor” é encontrado apenas em
PíndaroTPF
485
FPT, sempre na construção superlativa ????f? + genitivo plural, à exceção da
Pítica, em que a expressão ? d? ?a???? ?µ???? / pa?t?? ??e? ????f??, equivalente à
hesiódica ?a???? d' ?p? p?s?? ???st??TPF
486
FPT, é construída com genitivo singularTPF
487
FPT. Segundo os
TP
479
PT Cf. nota 5(b) e Harrison (1968:1-9). Verdenius (1987:45) corretamente afirma que o presente estabelece a
ligação entre as duas famílias, como na Ilíada, VI 220.
TP
480
PT Homeri Ilias, XV 343-5; Hesiodi Opera et dies, 405-6; Solonis Fragmenta, 13.43-6 West.
TP
481
PT Em um encômio de Baquílides a Hierão de Etna, morto em 467 a.C., Encomiorum fragmenta, V 5-14 Irigoin.
Em Píndaro, aparece nessa passagem da 7P
a
P
Ode Olímpica, de 464 a.C., e também na 4P
a
P
Pítica, 66-8, de 462 a.C.
É também a única forma a aparecer na poesia dramática: na tragédia, tanto em partes líricas, Sophoclis Electra,
512-15, como em partes faladas, Sophoclis Aiax, 91-3; na comédia, em um canto coral, Aristophanis Nubes,
598-600. Na épica posterior, a única forma encontrada é pa????se??, Apollonii Rhodii Argonautica, IV.118-122,
1396-8, 1434-5; Nonni Dionysiaca, V 120-3. Nos outros gêneros de poesia hexamétrica, ambas as formas são
encontradas: pa????se??, nos epigramas de Paulo Silenciário, Anthologia Graeca, V 248.1-2, de Asclepíades,
Anthologia Graeca, XVI 70.3, e nos hexâmetros bucólicos de Bíon, Epitaphius Adonis, 74-5; e p?????s?? nos
epigramas de Agatias, Anthologia Graeca, IX 153.3, e de Macedônio, Anthologia Graeca, XI 380.3-4. Na prosa,
a palavra aparece apenas tardiamente, sendo encontrada somente na forma p?????s??, vide Harpocrationis et
Cyranis Cyranides, I 5.7; Luciani Dialogi meretricii, XII 3.1-4; Theophanis Continuati Chronographia, p.
250.12-8 Bekker. É digna de menção sua ocorrência em vários escritores bizantinos, Gregorii Nysseni In
Canticum canticorum, VI 44.18-20 Langerbeck; Basilii Epistulae, 341.1.5-8; Pauli Silentiarii Descriptio Sanctae
Sophiae 752-4; Philis Carmina, II 16.1-2; Constatini Porphyrogeneti Imperatoris De sententiis, p. 13.4-7
Boissevain; Constatini Porphyrogeneti Imperatoris Oratio de translatione Chrysostomi, p. 318.30-2
Diobounyotes; Cyrilii Commentarii in Joannem II, p. 166.5-8 Pusey etc.
TP
482
PT Homeri Ilias, II 445-9; Hesiodi Theogonia, 333-5; Hymnus Homericus in Dianam IX, 1-6; Hymnus
Homericus in Dianam XXVII, 1-6; Stesichori Fragmenta, S8 1-4 Page. O adjetivo também aparece em Álcman,
na forma pa????s???, Fragmenta, 1.64-73 PMG.
TP
483
PT Ambas as formas já registradas em Homero: pa?????e??, vide Homeri Odyssea, VIII 403; pa???????,
Odyssea, XVIII 378. Similarmente, o drama registra apenas a forma p???a????: Aeschyli Septem contra Thebas,
590-1; Sophoclis Antigone, 141-3; Electra, 195-6; Euripidis Heraclidae, 275-6; Phoenisae, 119-122, 1243-4;
Orestes, 444. Cf. Craig (1969:243-5) e Braswell (1988:159).
TP
484
PT Em Homero, Ilias, II 448, relacionado com as franjas do elmo de Atena; em Hesíodo, Theogonia, 333-5, com
maçãs de ouro; em Estesícoro, Fragmenta, S8 1-4 Page, com a casa das Hespérides; no primeiro Hino Homérico
a Ártemis, 1-6, com o carro de Ártemis; no segundo Hino Homérico a Ártemis, 5, com o arco da deusa; em
Sófocles, Aiax, 91-3, com despojos de guerra oferecidos por Ájax a Atena e com o carro de Enômao, sabotado
por Mírtilo, Electra, 512-15; em Aristófanes, Nubes, 598-600, com a casa de Ártemis; em Eurípides, com
relação ao velo de ouro, Medea, 1-6, 480; com o copo em que Aquiles oferece o sangue de Polixena a seu pai já
morto, Hecuba, 525-30; e com um colar em forma de serpente ofertado por Atena a recém-nascidos, Ion, 1427-9.
TP
485
PT Pindari Olympia, I 12-3, II 12-3; Nemea, I 13-5, 33-4, IX 8-9, X 31-2.
TP
486
PT Hesiodi Opera et dies, 694; Theognis Elegiae, 401-2 Young; Bacchylidis Epinicia, XIV 16-7.
TP
487
PT Pindari Pythia, IX 78-9.
61
escoliastas antigosTPF
488
FPT, a expressão ????f?? ?te???? é derivada da IlíadaTPF
489
FPT. A noção é a de
que o sogro dá seu bem mais valioso ao genro, como Menelau a Telêmaco, na OdisséiaTPF
490
FPT.
5(a). s?µp?s???: simpósio era a denominação geral para um evento mais longo, do qual, na
realidade, era apenas uma das fases. As etapas desse evento eram as seguintes: de?p???TPF
491
FPT, o
banquete propriamente dito; s?µp?s???, em que vinho, mas não comida, era servido;
??µ??TPF
492
FPT, procissão festiva e, muitas vezes, ruidosa pelas ruas da cidade, acompanhada de
canto e dança; e, algumas vezes, pa?a??a?s??????TPF
493
FPT, espécie de serenata feita do lado de
fora da porta fechada da pessoa cobiçada ou à entrada de um prostíbulo.
A primeira descrição de um evento semelhante a um simpósio ocorre em Homero, na
narração do banquete oferecido por Alcinoo, rei dos Feácios, a OdisseuTPF
494
FPT. Apesar da
presença de elementos típicos do simpósio como se conhecerá posteriormente, por exemplo,
consumo de vinho, um poeta, Demódoco, que entretem os convivas com canções, jogos, troca
de presentes
495
FPT, a passagem não se refere a um simpósioTPF
496
FPT, dados, por exemplo, sua
duraçãoTPF
497
FPT e a quantidade de convivas presentesTPF
498
FPT. Depois de Homero, descrições de
simpósios – que provavelmente floresceram por volta do século VII a.C., perdurando como
uma instituição do mundo greco-romano até o século VI d.C.TPF
499
FPTsão abundantes na poesia e
na prosa grega antiga. Uma das mais célebres narrações de um simpósio foi feita por
TP
488
PT Scholia uetera in Pindari Carmina, Olympia, VII, 6d 1-2 Drachmann.
TP
489
PT Homeri Ilias, X 216; XXIV 232-5.
TP
490
PT Homeri Odyssea, IV 614. Cf. Willcock (1995:114). Bresson (1979:104) defende que a expressão designa não
apenas a posse de maior valor do sogro, mas, sim, a peça de mais alto valor entre todas as existentes no mundo.
TP
491
PT Matronis Conuivium atticum, 1-122.
TP
492
PT Aristophanis Plutus, 1040; Platonis Theathetus, 173d5.
TP
493
PT Plutarchi Amatorius, 753a12. Lyrica Adespota Fragmenta, 1 Powell é um exemplo de pa?a??a?s??????. O
tópos é frequente na epigramática grega e na poesia latina, vide Rufini Anthologia Graeca, V 103; Propertii
Elegiae, I 16; Ovidii Amores, I 9; Tibulli Elegiae, I 2; Catulli Carmina, LXVII.
TP
494
PT Homeri Odyssea, VIII 38-420; IX 3-11.
TP
495
PT Cf. Hug (1960: 1266-1270) e Henderson (2000:6-26).
TP
496
PT O evento é chamado, por Homero, de da??, Odyssea, VIII 38. O mesmo termo é posteriormente empregado
por Solon, Fragmenta, 4.7-10 West, com referência a um evento de confraternização entre amigos.
TP
497
PT O evento dura um dia inteiro, vide Homeri Odyssea, VIII 1; XIII 17-8; e sua narração se estende do Canto
VIII ao Canto XIII.
TP
498
PT Além das cinqüenta e duas pessoas envolvidas na preparação da viagem de Odisseu, que seriam partícipes do
banquete (v.35 e 48), Homero faz referência à enorme quantidade de pessoas que encheram os salões do palácio
e à quantidade de comida preparada para o evento, Odyssea, VIII 57-61. Ilustrativos da quantidade de convivas
normalmente presentes a um simpósio são os versos de Álcman, ????a? µ?? ?pt? ?a? t?sa? t?ap?sda? /µa??????
??t?? ?p?stef??sa? / ???? te sas?µ? te ??? pe????a?? /pedeste ???s?????a, Fragmenta, 19 1-4 Page.
TP
499
PT Cf. Henderson (2000:9-10).
62
Xenofonte, em cuja ocasião estava sendo celebrada a vitória de Cálias na prova de pancrácio
para jovens durante as PanatenéiasTPF
500
FPT .
A cena da vasilha apresentada na primeira parte do símile pode ser a descrição de uma
cerimônia de ?????s??TPF
501
FPT, ‘contrato’, primeira fase do casamento grego, ??µ??. Embora
ocorresse em sua casa, a noiva não participava, já que sua presença e desejos eram
irrelevantes, do ponto de vista legal, para efetivação do contrato, celebrado entre seu
responsável, ??????, e o noivoTPF
502
FPT. Após essa cerimônia, realizada com a presença de membros
de ambas as famílias e de amigos, o casal passava a ser legalmente casado. A essa fase se
seguiria, em qualquer momento, a ??d?s??TPF
503
FPT, a remoção da noiva da casa de seu pai para a de
seu noivo, completando assim, de fato e de direito, o casamentoTPF
504
FPT. O fato de o contrato
ocorrer durante um simpósio mostra que a noiva não deveria estar presente, já que, no
simpósio, diferentemente de seu equivalente romano, o convivium, nenhuma mulher, à
exceção de flautistas, dançarinas, criadas para servir vinho e hetairaiTPF
505
FPT, era admitida,
especialmente em cidades dóricas, onde havia mesmo a tradição de homens e mulheres
comerem separadamenteTPF
506
FPT.
5(b). ?????: um complemento acusativo, não um acusativo adverbial nem uma preposição,
pois o sogro não honra o genro ‘por causa do simpósio’TPF
507
FPT, mas, ao dar a vasilha, honra a
atmosfera de alegria do simpósioTPF
508
FPT. O uso de ????? como acusativo adverbial e como
TP
500
PT Xenophanis Fragmenta, 1 West; Pindari Fragmenta, 124 a-b-c S-M; Nemea, IX 48-52; Bacchylidis
Encomiorum Fragmenta, 3 Irigoin; Critiae Fragmenta, 6 West; Theognis Elegiae, I 467-496 Young; Platonis
Symposium; Athenaei Deipnosophistae; Plutarchi Quaestiones conuiuales; Septem sapientium conuiuium;
Luciani Symposium; Anonymi Carmina conuiualia, 1-34 PMG; Dioscori Fragmenta, 28 Heitsch etc. Cf. Von
der Mühl (1976: 483-505).
TP
501
PT Platonis Leges, 774e; Isaei De Pyrrho, 28.5-9, 53.1-3. Cf. Erdmann (1934:225-49), Braswell (1976:241),
Rubin (1980:248-252) e Brown (1984:38). Verdenius (1988:45) não aceita a conclusão de que se trata de uma
cerimônia de ?????s??, pois, de acordo com ele, a comparação do epinício com a vasilha de ouro não seria
significativa se a vasilha servisse apenas para confirmar um acordo prévio.
TP
502
PT Cf. Jones (1956:176).
TP
503
PT Cf. Erdmann (1934:250-266).
TP
504
PT Sobre as fases do casamento grego, cf. Harrison (1968:1-9).
TP
505
PT Mulheres nuas, provavelmente hetairai, aparecem em descrições de simpósios em vasos coríntios do final do
século VI a.C, cf. Carpenter (1995:152).
TP
506
PT Aristotelis Politica, 1274 b 10; Ciceronis In Verrem, I 66.10. Cf. Erdmann (1934:17-8). É inócua a hipótese
de que s?µp?s??? estaria sendo usado aqui como substantivo coletivo, designando não a cerimônia, mas as
pessoas presentes ao evento, Gildersleeve (1890:185) e Fernández-Galiano (1954:217). Embora haja a
possibilidade de, como designação de um evento coletivo, s?µp?s??? ter o sentido colateral de ‘participantes do
simpósio’, esse uso é tardio, vide Plutarchi Septem sapientium conuiuium,157d11-14; Quaestiones conuiuales,
704d1-6; Scholia uetera in Pindari Carmina, Olympia, VII 8a Drachmann.
TP
507
PT Como defendem, por exemplo, Gildersleeve (1890:185) e Willcock (1995:114).
TP
508
PT Braswell (1976:237), apesar de concordar que se trata da coordenação de dois substantivos, considera que é
estranho o sentido de ‘honrar a ????? do simpósio’. Argumenta que nenhum dos significados usualmente
atribuídos a t?µ??, ‘honrar’, ‘estimar’, concerta-se com ????? nessa passagem e propõe que seria de se esperar
63
preposição não ocorre na poesia grega arcaicaTPF
509
FPT . As ocorrências na poesia arcaica
classificadas sob essa entrada nos léxicos modernos são, na verdade, usos apositivos do
acusativo ?????, nos quais se mantém o sentido básico de ‘graça’, o qual é bastante colateral
ou inexistente quando ????? é empregado como preposição ou mesmo como acusativo
adverbialTPF
510
FPT. Pertencente ao mesmo campo semântico de ?a??e??, ????? significa
propriamente “graça”, em seis sentidos básicos: 1) graça exterior, charme, belezaTPF
511
FPT; 2)
glória, sucessoTPF
512
FPT ; 3) boa vontade, gentileza, da parte do agenteTPF
513
FPT; 4) gratidão, da parte do
beneficiárioTPF
514
FPT; 5) favor, feito ou retribuídoTPF
515
FPT; 6) deleite, gratificaçãoTPF
516
FPT, como nessa
passagem, em que se refere à graça oriunda da atmosfera festiva do simpósioTPF
517
FPT. É
freqüentemente referida como uma das características do simpósioTPF
518
FPT .
5(c). ??d??: denomina a conexão/parentesco entre duas famílias por meio de casamento de
seus membrosTPF
519
FPT. Não é necessário tomar a palavra como sinônimo ??dest??TPF
520
FPT, que indica
a mesma conexão/parentesco, mas especificamente designando uma das pessoas que contraiu
o parentesco, seja o padrastoTPF
521
FPT, o cunhadoTPF
522
FPT, o sogroTPF
523
FPT ou o genroTPF
524
FPT. O sentido aqui
parece ser mesmo mais genérico, ‘enlace’.
um dativus commodi, s?µp?s?? , em vez do genitivo dependente s?µp?s???, resultando no sentido “concedendo
charme em honra da festa e honrando seu genro”. Ele observa que, no Manuscrito A, o Código Ambrosiano
C222, o mais velho dos que contêm a obra supérstite de Píndaro, há a lição s?µp?s?? in linea com ?? sobrescrito
ao ômega, e que a lição supra-escrita seria a da tradição manuscrita que o escriba estaria copiando. Segundo ele,
a corrupção em s?µp?s??? teria ocorrido pelo fato de o uso especial de t?µ?? ac. rei et dat. pers. não ter sido
entendido pelo copista. O mais provável, no entanto, é que, no Manuscrito Ambrosiano, s?µp?s?? seja um mero
erro de copista, pois ?? e ? são facilmente confundíveis em escrita minúscula.
TP
509
PT Cf. West (1978:709) e Maclachlan (1993:161-4).
TP
510
PT Semonidis Fragmenta, 7.104.
TP
511
PT Homeri Odyssea, II 12; Hesiodi Opera et dies, 65; Aeschyli Agamemnon, 417.
TP
512
PT Pindari Olympia, I 18; VIII 57, 80.
TP
513
PT Hesiodi Opera et dies, 190; Aeschyli Supplices, 960.
TP
514
PT Homeri Ilias, IV 95; Odyssea, IV 95; Pindari Pythia, I 76.
TP
515
PT Homer Ilias, V 211, 874; Odyssea, V 307.
TP
516
PT Pindari Olympia, X 78; Euripidis Supplices, 79.
TP
517
PT Vetta (1983:35-39) observa que ?????, juntamente com ?s???a, vide Solonis Fragmenta, 4.7-10 West; Pindari
Pythia, 4.293-7, Nemea, 9.48-52, ?a??a, vide Stesichori Fragmenta, 148, 210 PMG, e e?f??s???, vide Homeri
Odyssea IX.3-11, Xenophanis Fragmenta, 1.4 West, são palavras comuns em poesia simposial.
TP
518
PT Theognis Elegiae, I 496 Young; Dionysi Chalci Fragmenta, 1.3 West; Plutarchi Quaestiones conuiuiales,
622b2, 713e7. Na épica, a ????? é referida também como uma característica da da??, Homeri Odyssea IX 3-11;
Hesiodi Opera et dies, 723.
TP
519
PT Herodoti Historiae, VII 189; Sophoclis Oedipus Coloneus, 379; Euripidis Phoenisae, 77; Thucydidis
Historiae, II 29. Cf. Willcock (1995:114).
TP
520
PT Como em Aeschyli Supplices, 331; Scholia uetera in Pindari Carmina, Olympia, VII, 8c e 8d Drachmann;
Thomae Magistri Scholia recentia in Pindari carmina, Olympia, VII, 1-17.32 Abel. Cf. Fernández-Galiano
(1956:218), Brown (1984:42) e Verdenius (1988:47).
TP
521
PT Demosthenis Pro Phormione, 31.3.
TP
522
PT Euripidis Hecuba, 834; Andocidis De mysteriis, 50.4.
TP
523
PT Aristophanis Thesmophoriazusae, 74; Demosthenis De falsa legatione, 118.3.
TP
524
PT Antiphonis De choreuta, 12.8-9; Isocratis Helenae encomium, 43.2.
64
5(d). t?µ?sa??: rege os dois acusativos coordenados por te...teTPF
525
FPT. É coincidente com
d???seta?, como se fosse um aoristo subjuntivoTPF
526
FPT. Não tem aqui valor de ação anteriorTPF
527
FPT,
tendo provavelmente significado causativoTPF
528
FPT . Em grego arcaico, t?µ?? tinha um sentido
concreto, nomeadamente ‘conferir um objeto tangível, t?µ?,TPF
529
FPT a alguém em sinal de
deferência’TPF
530
FPT. Nesse caso, o presente do sogro honra o simpósio porque mostra deferência ao
ambiente festivo do eventoTPF
531
FPT.
5(e). <?>???: ???, pronome adjetivo possessivo de terceira pessoa singular ou plural,
equivalente ao homérico ??TPF
532
FPT, é a lição dos manuscritos e escólios. BergkTPF
533
FPT propôs a
correção para ????, argumentando que ??? seria ocioso nessa passagem e que a perda de letras
iniciais e a omissão de ? são acidentes freqüentes nos manuscritos de PíndaroTPF
534
FPT. A correção
de Bergk confere melhor sentido ao texto e, adicionalmente, traz o benefício de não tornar
necessário entender ??d?? como equivalente a ??dest??TPF
535
FPT.
5(f). ?? d?: provavelmente um advérbioTPF
536
FPT, ‘e desse modo’, formando o clímax da cena
apresentada nos cinco primeiros versosTPF
537
FPT. Em Píndaro, o emprego adverbial de ?? é
freqüente no início de frases, diante de uma partícula de ligaçãoTPF
538
.
TP
525
PT Germanii Scholia recentia in Pindari Epinicia, Olympia, VII, 1-12.5. Argumentou-se que te...te estaria
unindo dois elementos assimétricos: a locução ????? s?µp?s??? ‘em honra do simpósio’, sendo ????? preposição e
s?µp?s??? substantivo coletivo, e <?>??? ??do?, ‘o novo enlace’, cf. Fernández-Galiano (1945:217). Apesar de
te...te nem sempre unir elementos sintaticamente paralelos, vide Homeri Ilias, III 80, esse tipo de coordenação,
entre um elemento com valor adverbial e um nominal, não tem paralelos em língua grega, cf. Verdenius
(1972:98-9) e Braswell (1976:236).
TP
526
PT Pindari Pythia, IV 189. Cf. Gildersleeve (1890:185), Kühner-Gerth I (1898:197-200), Schwyzer II
(1950:300) e Braswell (1988:115-6).
TP
527
PT Cf. Fernández-Galiano (1956:218).
TP
528
PT Cf. Hummel (1993:345).
TP
529
PT Pindari Pythia, IV 260.
TP
530
PT Ilias I 505; II 4; VIII 372; XV 77; XVI 237; XIX 607; Sophoclis Aiax, 687-8.
TP
531
PT Cf. Greindl (1938:32-9).
TP
532
PT Pindari Olympia, VI 59; Fragmenta, 5.2 SM; Pythia, II 91. Cf. Hummel (1993:174).
TP
533
PT Bergk (1843:93), seguido por Snell-Mähler (1987).
TP
534
PT Sobre os erros e omissões nos manuscritos de Píndaro, cf. Young (1965:247-273).
TP
535
PT Cf. Verdenius (1987:47) e Brown (1984:42).
TP
536
PT Não uma tmese, como defendem Scholia recentia in Pindari Carmina, Olympia VII, 1-12.6 Abel, Kühner-
Gerth II (1904: 535) e Pierson (1857:384). A despeito do argumento estilístico, a distinção entre uso adverbial,
prevérbio e tmese é pouco operativa na poesia arcaica (e na língua grega em geral). O uso adverbial nessa
passagem é defendido por Thomas Magister, Scholia recentia in Pindari Carmina, Olympia, VII, 1-17.12 Abel,
Bossler (1862:17-8), Farnell (1923:33), Gildersleeve (1890:185), Fernández-Galiano (1956:218), Slater
(1968:174), Braswell (1976:239), Verdenius (1988:47), Hummel (1993:159) e Willcock (1995:115).
TP
537
PT Como em Sophoclis Antigone, 420-1; Electra, 713-4. Cf. Bossler (1862:17-8), Gildersleeve (1890:185) e
Braswell (1976:239). Fernández-Galiano (1956:218) e Willcock (1995:115), por outro lado, defendem que, a
despeito de alguma tautologia com o significado do genitivo absoluto f???? pa?e??t??, o sentido de ?? mais
adequado à passagem seria ‘entre eles’, como em Homeri Ilias, II 588.
65
6(a). f???? pa?e??t??: genitivo absolutoTPF
539
FPT. ?a??t??, sintaticamente, rege um
complemento objeto genitivo, ?µ?f????? e????, e, logicamente, implica um dativo de agente
(ou de pessoa envolvida), o qual, entretanto, é expresso como um genitivo absolutoTPF
540
FPT.
6(b). ???? ??? ?a??t??: equivale a p???? t??a + adjetivoTPF
541
FPT. ?a??t?? é adjetivo verbal
passivo. A referência à inveja que recai sobre o vencedor é um tópos em PíndaroTPF
542
.
6(c). ?µ?f????? e????: genitivo de causa de ?a??t??TPF
543
FPT . e??? designa, também em outras
passagensTPF
544
FPT, por metonímia, casamento ou união sexual. ?µ?f?????, nessa passagem é
provavelmente uma reminiscência de um passo da OdisséiaTPF
545
FPT.
7(a). ?a? ???: introduz o segundo elemento do símileTPF
546
FPT , por ? ? ?a? ??? ou ??t? ?a?
???TPF
547
FPT.
7(b). ???ta?: na épica, néctar e ambrosia são, respectivamente, a bebida e a comida dos
deusesTPF
548
FPT. Em Álcman, contudo, o néctar é uma comidaTPF
549
FPT e, em Safo, a ambrosia uma
bebidaTPF
550
FPT. Constituem um alimento particular, que pode ser consumido gota a gotaTPF
551
FPT, pelo
TP
538
PT Pindari Fragmenta, 70b.10-7 SM; Olympia, VII 43-4, XIII 22-3. Cf. Schwyzer (1950:419-26) e Hummel
(1993:159).
TP
539
PT Cf. Fernández-Galiano (1956:218), Braswell (1976:240) e Willcock (1995:114).
TP
540
PT Os adjetivos verbais passivos são construídos ou com o dativo de pessoa participante/envolvida, Aeschyli
Persae, 710; Platonis Symposium, 197d;TP
PTou com ?p? + genitivo, Isocratis Philippus, 69.1. Além disso,
participação pessoal jamais é expressa por genitivo sem preposição, cf. Schwyzer (1950:149-50) e Braswell
(1976:240).
TP
541
PT Homeri Ilias, II 599; IX 483; Odyssea, V 136; VI 229.
TP
542
PT Pindari Olympia, VI 74-6, VIII 55; Pythia I 84; Nemea, IV 37-43, VIII 20-2; Isthmia, II 43. Cf. Bowra
(1964:186-7), Lloyd-Jones (1973:126), Stoneman (1976:191-2), Verdenius (1982:32-3), (1988:47) e Bulman
(1992).
TP
543
PT Os escoliastas antigos, Scholia uetera in Pindari carmina, Olympia, VII 10a Drachmann, glosam a passagem
por f???? d? pa???t?? ?p???se? a?t?? ????t?? U??e?aU t?? ?µ?f????? e????.
TP
544
PT Pindari Isthmia, VIII 30; Olympia, IX 44. Cf. Rumpel (1883:188), Slater (1969:208) e Braswell (1976:241).
TP
545
PT Homeri Odyssea, VI 182-184. Cf. Gildersleeve (1890:185), Bowra (1969:25), Sullivan (1982:215-223),
Verdenius (1972:12) e Bolmarcich (2001:205-13). Braswell (1976:240) argumenta que, em todas as passagens
em que há menção a ?µ?f??s???, Homeri Ilias, XXII 263; Hesiodi Theogonia, 60; Theognis Elegiae, 81 Young;
Aristophanis Aues, 631-2, as pessoas que estão de acordo estão sempre explicitamente indicadas, e que, na 7P
a
P
Olímpica, como apenas o sogro e o genro são individualmente mencionados, ?µ?f????? e???? pode-se referir
somente ao acordo entre eles dois. É impossível, no entanto, entrever um sentido para e??? de acordo com essa
interpretação.
TP
546
PT Pindari Olympia, X 91; Nemea, II 3.
TP
547
PT Cf. Willcock (1995:115) e Gildersleeve (1890:185).
TP
548
PT Homeri Odyssea, V 93, Hymnus Homericus In Cererem I, 49; Hymnus Homericus In Apollinem I, 10.
TP
549
PT Alcmanis Fragmenta, 42 Page.
TP
550
PT Sapphi Fragmenta, 141 LP.
TP
551
PT Pindari Pythia, IX 63.
66
narizTPF
552
FPT ou mesmo sem consciência por quem o tomaTPF
553
FPT. Em duas passagens de Píndaro, o
néctar, quando dado a mortais, confere-lhes imortalidadeTPF
554
FPT. Analogamente, é usado como
metáfora para a própria poesiaTPF
555
FPT, aludindo ao poder imortalizador dos epinícios, o qual, ao
lado da comparação de suas odes com bebidas oferecidas ao vencedorTPF
556
FPT, cf. nota 2(b), é um
tópico bastante freqüente em sua obraTPF
557
FPT .
7(c). ??t??: originariamente ‘vertido’TPF
558
FPT , daí, mais tarde, em sentido geral, ‘fluído’,
‘líquidoTPF
559
FPT’. Os escólios antigos glosam-na por a?t???t??TPF
560
FPT, mas o sentido é inadequado à
passagemTPF
561
FPT . Por outro lado, grande parte dos comentadores modernosTPF
562
FPT prefere o sentido
de ‘líquido’, ‘fluído’ o qual, no entanto, é tardioTPF
563
FPT . Nessa passagem, deve ser conservado o
sentido original, ‘vertido’, com a implicação de ‘cuidadosamente preparado antes de poder ser
servido’TPF
564
FPT.
7(d). ???s?? d?s??, ?????? ?a?p?? f?e???: uma declaração sobre a relação que se
estabelece entre o poeta e as Musas, demonstrando que o epinício é, simultaneamente, um
dom das Musas e um produto da f??? do poetaTPF
565
FPT. Essa passagem aponta, por um lado, a
inadequação da atitude de comentadores modernos que assumem que a inspiração
necessariamente envolve êxtase ou possessão e que o poeta inspirado não toma parte no
processo de composição, sendo, portanto, inspiração e técnica incompatíveisTPF
566
FPT; por outro,
aponta a inconsistência da posição, também de comentadores modernos, de que Simônides,
Baquílides e Píndaro, sobretudo, insistiam no fato de que eram os produtores das odes por
TP
552
PT Homeri Ilias, XIX 39.
TP
553
PT Homeri Ilias, XIX 347-8 e 352-3.
TP
554
PT Pindari Olympia, I 62-4, Pythia, IX 63.
TP
555
PT Pindari Fragmenta, 94b.76, 194.4 SM.
TP
556
PT Pindari Nemea, III 76-9; Isthmia, VI 2-3.
TP
557
PT Pindari Olympia, X 91-6; Nemea, VI 30, VII 12, VIII 40; Isthmia, III/IV 58-9 SM.
TP
558
PT Aeschyli Eumenides, 682.
TP
559
PT Alexandri Aphrodiensis In librum de sensu commentarium, 105.17 Wendland.
TP
560
PT Scholia uetera in Pindari carmina, Olympia, VII, 12a Drachmann. A mesma glosa é encontrada em Élio
Aristides, ??? t? f??a? t?? ??s???p???, 255.26 Dindorf.
TP
561
PT Usado para descrever água corrente, Hesiodi Fragmenta, 204.140 M-W; lágrimas, Nonni Dyonisiaca, VI 9; e
leite materno, Dyonisiaca, XXIV 131.
TP
562
PT Cf. Gildersleeve (1890:185), LSJ s.u. ??t?? III e Fernández-Galiano (1956:218).
TP
563
PT Pauli Silentiarii Anthologia Graeca, VI 66.7.
TP
564
PT Pindari Olympia, VI 91; Isthmia, V 25, VI 2-3. Cf. Norwood (1945:144), Lehnus (1980:120), Verdenius
(1987:48) e Willcock (1995:115).
TP
565
PT Cf. Murray (1981).
TP
566
PT Conceituação inspirada na idéia platônica de inspiração poética como ?????s?asµ?? ou µa??a, vide Platonis
Ion, Apologia Socratis, 22a-c; Meno, 99c-e; Phaedrus, 245; Leges, 682a; 719c-d. Cf. Havelock (1963:156) e
Grube (1965:2).
67
causa do recebimento de pagamento, não fazendo alusão à inspiraçãoTPF
567
FPT. Desde a épica
homérica, os poetas ao mesmo tempo em que expressam a crença em sua dependência da
Musa, também enfatizam sua participação na composiçãoTPF
568
FPT. Em Píndaro, essa posição está
presente em várias outras odesTPF
569
FPT.
7(e). ???s?? d?s??: a inspiração poética caracterizada como dom das Musas é um tópos da
poesia arcaicaTPF
570
FPT . Em Píndaro, a inspiração das Musas, filhas de Mnemosine, determina os
aspectos factuais das odesTPF
571
FPT, enquanto a das Graças/Cárites determina os efeitos da poesia
sobre a audiênciaTPF
572
FPT, cf. nota 11(c). Píndaro usou exclusivamente a forma eólica ???saTPF
573
FPT,
que, apesar de ser encontrada muito cedo na tradição lírica coralTPF
574
FPT, não era a utilizada por
BaquílidesTPF
575
FPT.
7(f). ??????: a utilização de adjetivos ligados à esfera do paladar para caracterizar as odes é
muito comum em PíndaroTPF
576
FPT, sendo ?????? a palavra mais freqüentemente empregada nesse
contextoTPF
577
FPT, cf. nota 11(e). Essa predileção pode estar relacionada com a comparação que ele
faz de si mesmo com uma abelhaTPF
578
FPT, a portadora da divina inspiraçãoTPF
579
FPT.
TP
567
PT Cf. Svenbro (1976:6).
TP
568
PT Homeri Odyssea, VIII 44-5, XXII 347-8; Archilochi Fragmenta, 1 West. Cf. Dodds (1951:1-18).
TP
569
PT Pindari Olympia, III 4-6; Nemea, IV.6-8; Fragmenta, 150 SM; Bacchylidis Epinicia, XII 1-3, XIII 187-198.
TP
570
PT Hesiodi Theogonia, 104; Archilochi Fragmenta, 1 West; Solonis Fragmenta, 13.51-2 West; Alcmanis
Fragmenta, 59b.1-2 Page; Sapphi Fragmenta, 32 LP; Anacreontis Fragmenta, 1, 3.7-9 Page; Theognis Elegiae,
237-54, 1055-8 Young; Pindari Fragmenta, 52h.14-20 SM; Bacchylidis Epinicia, III 3, V 4; Dythirambi, V 3;
Fragmenta dubia, 3.2 Irigoin.
TP
571
PT Pindari Fragmenta, 52f.51-2 SM.
TP
572
PT Pindari Olympia, XIV 5-6; Nemea, IX 53-5, cf. Verdenius (1979:13). Para a conexão entre Musas e Graças,
vide Pindari Olympia, IX 26; Pythia, V 45, VI 1-2; Nemea,VI 32, cf. Giannotti (1975:69).
TP
573
PT Para uma discussão sobre a origem das formas em -?s- na lírica coral, cf. Pavese (1972:103) e Forssman
(1966).
TP
574
PT Eumeli Fragmenta Lyrica, 13.1 Kinkel. Cf. Bowra (1963:145).
TP
575
PT Em Baquílides, sempre ???sa, vide Epinicia, II 11; III 92; V 193; IX 3, 87; X 11; XIII 189. As exceções são
Epinicia, V 4, onde ???sa é provavelmente um erro de copista (a forma ???sa aparece no verso 193 do mesmo
poema), e Fragmenta, 3.2 Irigoin, de autenticidade duvidosa, cf. Braswell (1988:62). Em Simônides, coexistem
as duas formas: ???sa, Fragmenta, 72a.1.1 Page; Anthologia Graeca, XIII 28.12 Beckby; e ???sa, Fragmenta,
17.1-2 West; Anthologia Graeca, VII 25.1 Beckby.
TP
576
PT Cf. Kaimio (1977:158).
TP
577
PT Pindari Olympia, I 109; X 3; Pythia, X 56; Nemea, V 3; IX 3; Isthmia, II 7; VIII 8; Fragmenta, 52b.101;
52i.75; 152 SM.
TP
578
PT Pindari Pythia, X 54; Fragmenta, 152 S-M; Simonidis Fragmenta, 593 Page; Bacchylidis Epinicia, X 10;
Platonis Ion, 534b.
TP
579
PT Cf. Scheinberg (1979:16) e Verdenius (1982:5).
68
7(g). ?a?p?? f?e???: a poesia é caracterizada como ?a?p?? f?e??? em outras duas odesTPF
580
FPT,
e a f??? é a fonte da poesia de Píndaro em outros epiníciosTPF
581
FPT.
8(a). p?µp??... ?e???f????? ??d??s??: referências ao envio da poesia são freqüentes nos
epiníciosTPF
582
FPT. Foram levantadas pelos comentadores duas possibilidades de leitura do verbo
p?µp? nessa passagem: 1) tomá-lo no sentido literal, significando que Píndaro não esteve
presente a Rodes para a execução do epinício, sendo imaginária a viagem aludida logo após,
cf. nota 13 (c). Em favor dessa interpretação, alega-se que, nos mesmos Jogos Olímpicos em
que Diágoras de Rodes venceu no pugilato, em 464 a.C., Xenofonte de Corinto conquistou as
vitórias na corrida no estádio e no pentatlo, igualmente celebradas por Píndaro em uma ode, a
13P
a
P
Olímpica, e que, dados a distância entre Corinto e Rodes e os meios de transporte da
época, era impossível que poeta estivesse presente nas duas comemorações
contemporâneasTPF
583
FPT; 2) o verbo teria valor convencional e a viagem teria sido real, sobretudo
por causa do acurado conhecimento que Píndaro mostra, no curso da ode, dos costumes e da
geografia de RodesTPF
584
FPT.
O verbo p?µp? faz parte do quadro metafórico do proêmio e tem, na verdade, tanto
nessa passagem como em outros epiníciosTPF
585
FPT, significado programático, ou convencional,
descrevendo a prática de Píndaro: como poeta que compõe epinícios, ele envia odes a homens
vitoriososTPF
586
FPT, dos quais Diágoras é um exemplar. Reconhecer que o significado da expressão
é convencional não responde, no entanto, se o poeta esteve ou não presente à execuçãoTPF
587
FPT.
TP
580
PT Pindari Pythia, II 73; Nemea, X 12.
TP
581
PT Pindari Olympia, II 90, X 53; Nemea, IV 80.
TP
582
PT Expressões de envio são encontradas em Pindari Olympia, X 85; Pythia, II 68; Nemea, III 77, IV 18, IX 1-3;
Isthmia, II 47-8; Fragmenta, 124ab2 SM; Bacchylidis Epinicia, V 12, 197; Fragmenta encomiarum, 3.3, 5.6
Irigoin. Cf. Farnell (1923:51).
TP
583
PT Cf. Boeckh (1821:164-9), Wilamowitz (1922:363), Von der Mühl (1963:27), Fernández-Galiano (1956:6) e
Hooker (1985:68). O critério para supor que Píndaro esteve em Corinto, e não em Rodes, foi a ausência de
referências ao envio do epinício na 13ª Olímpica.
TP
584
PT Cf. Farnell (1932:51) e Bowra (1964:360-1).
TP
585
PT Pindari Pythia, II 68; Nemea, III 77, IV 18; Fragmenta, 124ab2 SM.
TP
586
PT Cf. Gentili (1965:81) e Tedeschi (1985:43).
TP
587
PT Na passagem do século XIX para o século XX, Kenyon (1897:40) e Columba (1898:88) levantaram a
hipótese de que o verbo p?µp? tinha, nos epinícios de Píndaro e Baquílides, sempre valor convencional.
Posteriormente, Bornemann (1928:152-3) apontou que o verbo tinha, já em Homero, valor de ‘acompanhar’,
‘apresentar’, postulando assim haver participação pessoal dos poetas em todas as execuções, sem exceções. A
posição prevalente, no entanto, é a de que o envio da poesia era a prática e a presença do poeta a exceção, cf.
Dissen (1843:91) e Tedeschi (1985:30).
69
9(a). ???s??µa?: na épica, o verbo é sempre empregado com relação aos deuses, em contextos
em que se busca obter-lhes o favor, sobretudo por meio de oferendas e sacrifíciosTPF
588
FPT.
Posteriormente, é utilizado também relativamente a mortaisTPF
589
FPT, heróis ou não, como nessa
passagemTPF
590
FPT . Os comentadores modernos apresentaram duas objeções à possibilidade de o
verbo ter sido empregado com relação a mortais nessa passagem: 1) dever-se-ia conservar o
significado que o verbo tem na épica, tendo como objeto os deusesTPF
591
FPT e entendendo-se o
poema como uma espécie de libação em favor dos vencedoresTPF
592
FPT. A dificuldade em admitir
essa interpretação está justamente na necessidade de se subentender um acusativo ?e???,
suposição pouco provável, dado o fato de os deuses não terem sido mencionados até então por
PíndaroTPF
593
FPT; 2) o sentido homérico teria sido escolhido porque o poeta, ao conceder o dom das
Musas aos vencedores, estaria elevando-os ao nível dos deuses ou dos heróisTPF
594
FPT. Não há
paralelo para essa idéia em Píndaro, havendo, sim, diversas passagens em que ele avisa sobre
o perigo de os homens almejarem ir além de sua condição de mortaisTPF
595
FPT.
Digna de nota é a brevidade do terceiro verso do sistema estrófico, composto por
apenas um elemento rítmico, uma dipodia iâmbica.
10(a). ????µp?? ????? te: Píndaro cita, no início, apenas os dois certames de maior
prestígio, os Jogos Olímpicos e os Píticos. Um catálogo mais extenso das vitórias de Diágoras
será relatado ao final da ode, cf. nota 77(a). Os Jogos Olímpicos eram a mais importante das
quatro manifestações esportivas de caráter nacional na Grécia antiga. Relacionados com o
mito de Pélops, que teria vencido Enômao em uma corrida de carros, matado-o e tomado-lhe a
filha, Hipodaméia, em casamento, acreditava-se que tivessem tido origem nos jogos fúnebres
realizados junto ao túmulo do heróiTPF
596
FPT. Foram instituídos em 776 a.C., em Olímpia, e se
realizavam a cada quatro anos, entre o fim de julho e o início de agosto, em honra a Zeus. O
prestígio dos Jogos, juntamente com seu caráter periódico, fez que as Olimpíadas, ou o
período de quatro anos entre a realização de dois certames, tornassem-se o ponto de referência
TP
588
PT Homeri Ilias, I 100, 386; Odyssea, III 419; Hesiodi Opera et dies, 338.
TP
589
PT ???s??µa? + ac. + dat., ‘aplacar alguém por meio de algo’, ‘pedir o favor a alguém por meio de algo’. Vide
Herodoti Historiae, VIII 112; Platonis Phaedo, 95a6; Plutarchi Cato Minor, 61.7.3. Cf. Farnell (1923:51) e
Fernández-Galiano (1956:218).
TP
590
PT A mesma idéia é expressa em outras odes, vide Pindari Olympia, X 12; Pythia, I 75-6.
TP
591
PT Cf. H. Fraenkel (1955:359), Slater (1969:245) e Brown (1984:44).
TP
592
PT De fato, o néctar é usado para fazer libações em Tragica Adespota Fragmenta, 722a1 Kannicht-Snell, e
Píndaro, em outra ode, fala em libação de ode, Isthmia, VI 9; vide etiam Dionysii Chalci Fragmenta, 1 West.
TP
593
PT Cf. Verdenius (1972:8).
TP
594
PT Vide Horatii Carmina, I 1.6. Cf. Lawall (1961:36), Vian (1974 :335) e Hooker (1985:65).
TP
595
PT Pindari Isthmia, V 14; Olympia, V 24. Cf. Woodbury (1979:130).
70
essencial na cronologia dos antigos. O programa dos Jogos era composto inicialmente apenas
de competições de ginástica, tendo sido ampliado posteriormente para disputas de luta,
pancrácio, pugilato, pentalo, corrida de carros puxados por cavalos, corrida de carros puxados
por mulas, corrida sobre cavalos, corrida com armas e competições para rapazes (estádio, luta,
pugilato e pentatlo). O prêmio era uma coroa de olivaTPF
597
FPT.
Os Jogos Píticos têm seu nome derivado do local, ????, em que jazia o corpo da
serpente sagrada Pito, morta após violenta luta contra ApoloTPF
598
FPT. Para comemorar a morte da
serpente, Apolo instituiu, em Delfos, os Jogos Píticos, executando ele mesmo um canto
citaródico, composto de seis partes, as quais ilustravam diversos momentos da lutaTPF
599
FPT. Em
sua fase inicial, foram uma competição citaródica, consistindo na execução de um hino que
invocava o feito do deusTPF
600
FPT. Ocorriam a cada oito anos, aludindo ao período durante o qual
Apolo teve de expiar a morte da serpenteTPF
601
FPT, e tinham como prêmio artefatos feitos de ouro e
bronze. No entanto, em 582 a.C., o programa dos jogos foi reestruturado e ampliado, com a
inclusão de todas as provas atléticas e eqüestres constantes do programa dos Jogos Olímpicos,
além de competições de citarística, aulética e aulodiaTPF
602
FPT. Passaram a ser celebrados
regularmente a cada 4 anos, no terceiro ano de cada Olimpíada, e a terem como prêmio uma
coroa de louro, recolhida no vale de Tempe, na TessáliaTPF
603
FPT.
10(b). ? d' ??ß???, ?? f?µa? ?at????t' ??a?a?: ??ß???, ?? é uma tradicional fórmula
gnômica de beatificaçãoTPF
604
FPT. O adjetivo implica abundância material, nem sempre como favor
dos deusesTPF
605
FPT. O renome provém do fato de que o vencedor será imortalizado em uma ode, cf.
nota 20(b), sem a qual a felicidade da vitória não poderia ser completaTPF
606
FPT .
TP
596
PT Pindari Olympia, I 90. Há outra versão, relatada por Píndaro em outras odes, que indica Héracles como herói
fundador dos Jogos Olímpicos, vide Olympia, II 3; III 11; Nemea, X 32.
TP
597
PT A coroa de oliva tornou-se tão prestigiosa e ambicionada entre os gregos que, segundo Heródoto, Historiae,
VIII 26, esse costume suscitou o estranhamento da parte de Xerxes e de sua corte.
TP
598
PT Hymnus Homericus in Apollinem, 38.
TP
599
PT Scholia uetera in Pindari carmina, Pythia, argumentum 1b Drachmann; Strabonis Geographica, IX 3; Photii
Bibliotheca, 320a33 Henry.
TP
600
PT Pausaniae Graeciae descriptio, X 7.
TP
601
PT Plutarchi De defectu oraculorum, 421c.
TP
602
PT Strabonis Geographica, IX 3; Vide Pausaniae Graeciae descriptio, X 7. Cf. Gardiner (1930) e Bernardini
(1988).
TP
603
PT Aeliani Varia Historia, III 1.
TP
604
PT Hesiodi Theogonia, 96; Hymnus Homericus In Musas et Apollinem, 4; Alcmanis Fragmenta, 1.1.37 Page;
Pindari Fragmenta, 137.1 SM; Bacchylidis Epinicia, V 50. Sobre o valor catafórico do primeiro pronome, cf.
Chantraine (1942:278) e Hummel (1993:176).
TP
605
PT Cf. LSJ s.u. ??ß??? e Verdenius (1987:50).
TP
606
PT Sobre o tópos do poder imortalizador da poesia epinicial, vide Pindari Pythia, V 46; X 22. Cf. Fernández-
Galiano (1954:218). Com relação à frase f?µa? ?at????t' ??a?a?, vide Homeri Ilias, XVII 143; Mimnermi
71
10(c). ?at????t?: a tradição manuscrita apresenta a forma de indicativo ?at????t’,
enquanto um papiro fragmentário, publicado em 1948TPF
607
FPT, dá o subjuntivo ?at????t’, lição
adotada pelos editores desde então. Em declarações de caráter proverbial começando com
??ß???, ?st?? ou similares, tanto o indicativo quanto o subjuntivo podem ser usados, sendo o
uso do indicativo para situações mais específicasTPF
608
FPT e o do subjuntivo para as mais geraisTPF
609
FPT.
Nessa passagem, como Píndaro está falando genericamente, não tendo ainda Diágoras em
foco, o que ocorre apenas após a fórmula de transição, ?a? ???, cf. nota 13(a), o uso do
subjuntivo é mais apropriadoTPF
610
FPT.
11(a). ????te d' ?????: expressa o motivo, tipicamente arcaico, da dessultoriedade não
somente da fortunaTPF
611
FPT, mas também do elogio configurado em epinícioTPF
612
FPT. A idéia de
vicissitude aponta para a preciosa natureza da vitória ora celebradaTPF
613
FPT. A alternância entre
boa e má fortuna é retomada no final da ode, cf. nota 95(a).
11(b). ?p?pte?e?: na épica, o verbo se refere à supervisão de trabalhos feitos por outras
pessoasTPF
614
FPT. Em Ésquilo, é empregado com relação a deuses tutelaresTPF
615
FPT, tendo, porém, em
uma passagem, o sentido de vigiar para punirTPF
616
FPT. Em Píndaro, refere-se a deuses, com o
significado de ‘olhar favoravelmente’TPF
617
FPT, assim como ocorre com ?f????TPF
618
FPT,
?p?d????µa?TPF
619
FPT e ?p?s??p?? TPF
620
FPT.
Fragmenta, 15.1 West; Ibyci Fragmenta, 22a.3 Page; Pindari Pythia, I 96; Herodoti Historiae, VII 3. Cf.
Verdenius (1976:246).
TP
607
PT Papiro della Società Italiana, 1277. Cf. Pieraccioni (1948:288).
TP
608
PT Pindari Fragmenta, 137.1 SM; Pythia, I 96.
TP
609
PT Pindari Olympia, III 11; Nemea, III 70, IX 44.
TP
610
PT Pieraccioni (1948:288), Irigoin (1952:87), Fernández-Galiano (1956:218), Verdenius (1987:50) e Young
(1968:74).
TP
611
PT Homeri Odyssea, IV 236; Hesiodi Opera et dies, 843; Archilochi Fragmenta, 13.7 West; Solonis Fragmenta,
13.76 West; Theognis Elegiae, 157 Young; Phocylidis Fragmenta, 16.1 Diehl; Aeschyli Prometeus uinctus, 278.
TP
612
PT Pindari Olympia, XII 5; Pythia, III 104, VIII 77, X 54, XI 42; Isthmia, III/IV 23-4 SM.
TP
613
PT Cf. Bundy (1962:7) e Young (1968:75).
TP
614
PT Homeri Odyssea, XVI 140; Hesiodi Opera et dies, 767.
TP
615
PT Aeschyli Septem contra Thebas, 640; Choephoroe, 1.
TP
616
PT Aeschyli Eumenides, 220.
TP
617
PT Pindari Nemea, IX 5. Em Olympia, XIV 16, 22, Pythia, III 85 e Isthmia, II 18, as formas de ???? e d????µa?
também têm o mesmo sentido de olhar favoravelmente, vide Scholia uetera in Pindari Carmina, Isthmia, II,
26b1 Drachmann. Cf. Verdenius (1982:18), (1983:29) e (1987:50).
TP
618
PT Homeri Odyssea, XIII 214; Solonis Fragmenta, 13.17 West; Herodoti Historiae, I 124.
TP
619
PT Hesiodi Opera et dies, 268.
TP
620
PT Sophoclis Antigone, 1136; Euripidis Iphigenia Taurica, 1414.
72
11(c). ?????: em Homero, as Graças/Cárites são as acompanhantes de AfroditeTPF
621
FPT, conferem
beleza às jovens e excelem elas mesmas nesse quesitoTPF
622
FPT. Sua função é tornar a beleza
atrativa, especialmente em sentido eróticoTPF
623
FPT. Em Hesíodo, da mesma forma, de seus olhos
flui ????TPF
624
FPT, e emprestam charme a Pandora, ao colocarem colares de ouro em seu pescoçoTPF
625
FPT.
Hesíodo lhes atribui mais um papel: elas vivem no Monte Olimpo próximo às MusasTPF
626
FPT e
atribuem charme à musica e à dançaTPF
627
FPT. Em ambos os autores, uma das Graças/Cárites é a
esposa de Hefesto e personifica o charme de seu trabalho com o metalTPF
628
FPT, cf. nota 35(c).
Píndaro retoma a tradição épica: por duas vezes, cita-as junto com AfroditeTPF
629
FPT, mas
parece interessado mais em seu aspecto estético do que erótico. Em sua obra, ?????, em
primeiro lugar, significa o charme proveniente da poesia, cf. nota 5 (b), e ele parece
considerar esse charme como um poder divinoTPF
630
FPT, o qual determina os efeitos da poesia sobre
a audiênciaTPF
631
FPT. Ele professa a tradição de que a poesia é para deleitar a audiênciaTPF
632
FPT e,
repetidamente, aponta que suas odes são doces e deleitosasTPF
633
FPT, cf. notas 7(f) e 11(e), sendo
todo esse deleite e doçura devidos às Cárites/GraçasTPF
634
FPT. Além disso, encontra as palavras
apropriadas com a ajuda dessas divindadesTPF
635
FPT e considera as odes como um produto de sua
atividadeTPF
636
FPT. Todavia, o charme concedido pelas Cárites/Graças nem sempre é de natureza
estética, podendo incidir sobre uma realização bem sucedida, especialmente uma vitória em
uma competição esportivaTPF
637
, cf. nota 93(a). Píndaro acredita que a fama torna-se permanente
e que uma vitória é imortalizada apenas se for cantada em uma ode, a qual também é uma
?????TPF
638
FPT. Nesse sentido, coloca a celebração do vencedor sob a proteção das
Cárites/GraçasTPF
639
FPT .
TP
621
PT Homeri Ilias, V 338; Odyssea, VIII 364; XVIII 194.
TP
622
PT Homeri Odyssea, VI 18.
TP
623
PT Homeri Ilias, XIV 276.
TP
624
PT Hesiodi Theogonia, 910.
TP
625
PT Hesiodi Opera et dies, 73-4.
TP
626
PT Hesiodi Theogonia, 64.
TP
627
PT Homeri Odyssea, VIII 175; XXIV 197-8.
TP
628
PT Em Homero, Ilias, XVIII 44, seu nome é Caris; em Hesíodo, Theogonia, 945, é Aglaia, a mais jovem das
Cárites/Graças.
TP
629
PT Pindari Pythia, VI 1; Fragmenta, 52f.3-4 SM.
TP
630
PT Pindari Olympia, IX 27; III 7.
TP
631
PT Pindari Nemea, IX 53-5. Cf. Anastase (1975:213-20), Duchemin (1955:57-8) e Verdenius (1983:13-4).
TP
632
PT Homeri Ilias, IX 186-9; Odyssea, I 346-7; VIII 44-5; XVII 384-5; Hesiodi Theogonia, 37, 51, 96-103;
Sapphi Fragmenta, 160 LP.
TP
633
PT Pindari Olympia, VI 105; Nemea, I 18; Isthmia, VII 20.
TP
634
PT Pindari Olympia, XIV 5-6.
TP
635
PT Pindari Nemea, IV 7-8.
TP
636
PT Pindari Isthmia, VIII 16.
TP
637
PT Pindari Olympia, V 102, VI 76, VIII 57.
TP
638
PT Pindari,Olympia, X 94; Isthmia III/IV 90 SM.
TP
639
PT Pindari Olympia, IV 9, XIV 15-20. Cf. Verdenius (1983:12-5).
73
11(d). ?????µ???: um hápax, em cuja formação estão presentes ??? e ????? e cujo paralelo
mais próximo é ß?????µ???, no Hino Homérico a AfroditeTPF
640
FPT. O significado do adjetivo é
causativo, ‘que faz a vida florescer’TPF
641
, uma predileção pindáricaTPF
642
FPT, com a implicação de que
o epinício, por meio das Cárites/Graças, mantém a memória da realização e de seu autor
vivasTPF
643
FPT, cf. notas 2(b), 7(b) e 10(b). Na construção do epíteto, pode estar sendo levado em
conta o fato de que as Graças/Cárites eram originalmente deusas da fertilidadeTPF
644
FPT. Uma outra
possibilidade é de que o epíteto seja sugerido pelo nome de uma das Graças/Cárites, TáliaTPF
645
FPT.
Tália seria a Cárite/Graça capaz de tornar a execução de um epinício uma alegre ocasião
festiva, por ser a personificação da festividade, ?a??aTPF
646
FPT.
É uma idéia bastante recorrente em Píndaro a de que a fama do vencedor é como uma
planta que ‘floresce’ por meio do epinícioTPF
647
FPT.
11(e). ?d?µe?e?: a caracterização estética de Píndaro para a música é geralmente tomada à
esfera do paladar, com a utilização de termos como ??????, ?d??, e compostos com µe??-, cf.
nota 7(f)TPF
648
FPT. Em ?d?µe?e?, o epíteto se refere à doçura dos tons da forminge e,
provavelmente, também ao canto acompanhado pela música que o instrumento produz, já que
a segunda parte do composto (-µe???) refere-se geralmente a cantar ou falarTPF
649
FPT.
12(a). ??µa: advérbio, equivalente a ?' ?µaTPF
650
FPT, provavelmente oriundo de construções como
t? s? ?' ?µa ??a?? ?a? ?µ' ?µµ???? ????µ??? ???TPF
651
FPT. A construção tem sentido melhor
TP
640
PT Hymnus Homericus in Venerem, 189.
TP
641
PT Pindari Fragmenta, 70a.14 SM. Cf. Gildersleeve (1890:186), Farnell (1922:51), Fernández-Galiano
(1954:118), Young (1968:75), Verdenius (1987:51) e Willcock (1995:116).
TP
642
PT Pindari Olympia, I 105; X 4; XIV 16; Isthmia, II 28; Fragmenta, 30.6 SM.
TP
643
PT Esse mesmo tópos está presente em outras passagens, vide Pindari Olympia, X 91-6; Nemea, VI 30; VII 12;
VIII 40; Isthmia, III/IV 58-9 SM. Cf. Duchemin (1955:42-3, 248-9, 283-4) e Verdenius (1987:51).
TP
644
PT Pausaniae Graeciae descriptio, IX 35. Cf. Puech (1922:94), Duchemin (1955:73) e Fauth (1964:1135-7).
TP
645
PT Pindari Olympia, XIV 15. Cf. Young (1968:74).
TP
646
PT Sobre a associação das Cárites/Graças com festas, vide Hesiodi Theogonia, 64-5; Pindari Olympia, X 76-7.
Cf. Verdenius (1972:247-8) e (1983:28).
TP
647
PT Pindari Olympia, X 95-6; XII 15; Nemea, VIII 40; Isthmia, III/IV 22 SM. cf. Verdenius (1983:28).
TP
648
PT Cf. Kaimio (1977:158-9).
TP
649
PT Em Píndaro, o adjetivo, em todas suas outras ocorrências, refere-se a canto: do coro, Pindari Olympia, XI 14;
de um ??µ??; Pindari Pythia, VII 70; Nemea, II 25; Isthmia, VII 20; em Anacreonte, Fragmenta, 49a.1 Page, do
canto de uma andorinha. Em outros poetas, refere-se a instrumentos, seja de cordas, Sapphi Fragmenta, 156 LP,
Sophoclis Fragmenta, 238 Radt, seja de sopro, Sapphi Fragmenta, 44.24 LP, Nonni Dionysiaca, I 39, 466; XX
332; XXIV 237; XXIX 287.
TP
650
PT Hesiodi Theogonia, 677. Cf. Gildersleeve (1890:186) e Verdenius (1987:51).
TP
651
PT Homeri Ilias, XXIV 773. Vide Pindari Pythia, XII 25; Isthmia, II 11; Sophoclis Phoenisae, 772.
74
do que se o advérbio for encarado como equivalente a ?aµ?TPF
652
FPT, já que, nesse caso, a
implicação seria de que a poesia de Píndaro freqüentemente, mas não sempre, confere
imortalidade ao atleta louvado.
12(b). ?d?µe?e? µ?? f??µ???? paµf????s? t ' ?? ??tes?? a????: construção ?p? ??????TPF
653
FPT.
A preposição rege f??µ???? e ??tes??TPF
654
FPT, adicionados por te. O sentido é ‘ao
acompanhamento deTPF
655
FPT’, propriamente ‘na presença de’TPF
656
FPT.
12(c). paµf????s? ?? ??tes?? a????: a???? é genitivo apositivoTPF
657
FPT. ??tea parece ser aqui
usado devido ao fato de o aulo ser um instrumento composto, usualmente, de partes
separadas: o corpo, dividido em duas partes, onde estavam os orifícios a serem pressionados
com os dedos; ??µ??, que é o bulbo propriamente ditoTPF
658
FPT; ?f??µ??? TPF
659
FPT, que era a parte à
qual a palheta bucal era ligada, e a palheta bucalTPF
660
FPT.
12(d). paµf????s?: epíteto já aplicado por Píndaro, em outras passagens, ao auloPF
661
FPT. O aulo
é caracterizado também como p??????d?? em outros autoresTPF
662
FPT, sendo que ambos os
adjetivos parecem indicar sua possibilidade de modulação, sua versatilidade melódica, o
grande número de tons que o instrumento pode produzir
663
– por meio de técnicas de controle
de respiração e dos lábios, por exemploTPF
664
FPT – em contraste com outros instrumentos,
principalmente de corda, como a liraTPF
665
FPT.
TP
652
PT Cf. Fernández-Galiano (1954:219), Slater (1968:230) e Willcock (1995:116).
TP
653
PT Lesbonacis De figuris, 31b.1-4; Apollonii Dyscoli De constructione, 127.14; 170.20; Cf. Des Places
(1947:72) e (1962:11).
TP
654
PT Pindari Olympia, VIII 47; Isthmia, I 29. Cf. Gildersleeve (1890:186), Verdenius (1987:52) e Hummel
(1993:151). Willcock (1995:116) acredita que se trata de um dativo não preposicionado adicionado a um dativo
regido de preposição.
TP
655
PT Pindari Olympia, V 19; VI 7; Pythia, V 104; Isthmia, V 27, 54.
TP
656
PT Cf. LSJ s.u. ?? A I 5b e Verdenius (1987:52).
TP
657
PT Cf. Kühner-Gerth I (1898:264), Fernández-Galiano (1956:219) e Verdenius (1987:52).
TP
658
PT Eupolidis Fragmenta, 267 Kock; Pollucis Onomasticon, 4.70.
TP
659
PT Pherecratis Fragmenta, 242 Kock; Ptolemaeis Harmonica, 1.3.76; Hesychii Lexicon, s.u. ?f??µ???.
TP
660
PT Cf. Willcock (1995:117), West (1992:87) e Landells (1995:27).
TP
661
PT Pindari Pythia, XII 19; Isthmia, V 27.
TP
662
PT Lyrica Adespota, 29b.1.2 Page.
TP
663
PT Cf. Kaimio (1977: 149).
TP
664
PT Cf. Barker (1984:58).
TP
665
PT Platonis Respublica, 399c-d.
75
12(e). f??µ???? t' ?? ??tes?? a????: forminge e aulos estão associados em outras odes de
PíndaroTPF
666
FPT. A forminge era um instrumento de corda. Testemunhos arqueológicos da idade
micênicaTPF
667
FPT apontam f??µ??? e ???a como dois tipos diferentes de instrumentos: a lira tinha
como caixa de ressonância uma carapaça de tartaruga, à qual eram aplicados os braços,
enquanto a forminge pertencia à família das cítaras, nas quais os braços são a continuação da
caixa harmônicaTPF
668
FPT. Em Homero, no entanto, f??µ??? e ???a??? são denominações
intercambiáveis para o instrumento de corda de Apolo e dos aedosTPF
669
FPT: uma lira de caixa com
base redonda. Em Píndaro, f??µ???TPF
670
e ???aTPF
671
referem-se ao mesmo instrumento,
provavelmente uma lira de caixa (de qualquer forma), sendo essa intercambialidade presente
também em outros autoresTPF
672
FPT. É difícil, portanto, estabelecer a que instrumento
especificamente Píndaro estar-se-ia referindo. Uma indicação segura é que se tratava de um
instrumento de sete cordasTPF
673
FPT . Somente a partir do século IV a.C., a poesia passa a registrar
uma distinção entre ???a?a, ???a e ß??ß?t??TPF
674
FPT, e a f??µ??? deixa de ser mencionada.
a????, em grego, significa propriamente ‘tubo’TPF
675
FPT. O instrumento aulo era uma
espécie de pífano, com buracos para os dedos e uma palheta. O instrumentista, na maioria das
vezes, tocava dois aulos ao mesmo tempo, um em cada mão, de modo que freqüentemente há
referência a a????, no plural. Nos poemas homéricos, é mencionado apenas duas vezes: como
instrumento militarTPF
676
FPT e na descrição das festividades de um casamentoTPF
677
FPT. Homero não o
menciona em uma série de ocasiões em que seria usado posteriormente, como na execução de
trenos, peãsTPF
678
, sacrifíciosTPF
679
FPT etc. A opinião geral é de que isso se deveria ao fato de o aulo
TP
666
PT Pindari Olympia, III 8; X 93-4; Nemea, IX 8; Isthmia, V 27.
TP
667
PT Cf. Gentili (1995:327).
TP
668
PT Cf. Paquette (1984:86).
TP
669
PT f??µ??? em Homeri Ilias, I 603; IX 186, 194; XVIII 495, 569; XXIV 63. Odyssea, VIII 67, 99, 105, 254, 257,
261, 537; XVII 262, 270; XXI 406, 430; XXII 332, 340; XXIII 133, 144; ???a??? em Ilias, II 600; III 54; XIII
731; XVIII 570; Odyssea, I 153, 159, VIII 248.
TP
670
PT Pindari Olympia, I 17; III 8; IX 13; Pythia, I 1, 97; II 71; IV 296; Nemea, IV 5, 44; V 24; IX 8; Isthmia, II 2;
V 27; Fragmenta, 59.9; 129.8; 140a.61 SM.
TP
671
PT Pindari Olympia, II 47; VI 97; X 93; Pythia, VIII 31; X 89; Nemea, III 12; X 21; XI 7; Fragmenta 215.9 SM.
TP
672
PT Theognis Elegiae, 761, 778-92 Young; Simonidis Fragmenta, 6.1a5 Page; Aeschyli Supplices, 697;
Bacchylidis Epinicia, I 1; IV 7; XIV 13; Aristophanis Aues, 219; Thesmophoriazusae, 327; Euripidis Phoenisae,
822-5.
TP
673
PT Pindari Pythia, II 70; Nemea, V 24.
TP
674
PT Platonis Respublica, 399d; Aristotelis Politica, 1314a19-40; Aristoxeni Fragmenta, 102 Wehrli; Anaxilae
Fragmenta, 15 Kock; Ptolemaei Harmonica, 1.16; 2.16 Düring; Aristidis Quintiliani De musica, II 16.28-34.
TP
675
PT Homeri Ilias, XVII 297; Odyssea, XIX 227; XXII 18.
TP
676
PT Homeri Ilias, X 13.
TP
677
PT Homeri Ilias, XVIII 495. Cf. West (1992:82) e Landels (1999:26), que apontam que essas passagens são
adições tardias ao texto da Ilíada.
TP
678
PT Archilochi Fragmenta, 121 West; Euripidis Troiades, 126.
TP
679
PT Alcaei Fragmenta, 307 LP.
76
ser um instrumento que carecia de dignidadeTPF
680
FPT . A razão, no entanto, deve ser a introdução
tardia do instrumento na cultura grega, proveniente talvez da Ásia Menor ou SíriaTPF
681
FPT . É
significativo que o aulo estivesse conectado com Dioniso, que os gregos acreditavam tratar-se
de uma divindade asiática cujo culto fora importado e posteriormente helenizadoTPF
682
FPT. No
tempo de Píndaro, era utilizado em uma série de contextos: a) para acompanhamento de
corosTPF
683
FPT; b) para acompanhamento de cantor soloTPF
684
FPT; c) acompanhamento de falaTPF
685
FPT; d) em
contextos esportivosTPF
686
FPT; e) em cultos religiososTPF
687
FPT; f) no dramaTPF
688
FPT; g) na medicinaTPF
689
FPT; h) em
contextos militaresTPF
690
FPT; i) acompanhando outros instrumentosTPF
691
FPT ; j) como instrumento
soloTPF
692
FPT; h) em simpósiosTPF
693
FPT.
13(a). ?a? ???: expressão freqüentemente utilizada por Píndaro para marcar a passagem de um
preâmbulo ou narração de mito para a ocasião específica a ser cantada na ode, i.e., o nome do
vencedor, o evento, sua família, sua terraTPF
694
FPT. Secundariamente, indica que a Graça/Cáris, que
vela ora um ora outro vencedor, volta-se, no momento, para DiágorasTPF
695
FPT.
TP
680
PT Havia duas tradições sobre a origem do aulo: uma segundo a qual seria uma criação de Atena, vide Pindari
Pythia, XII 161; Aristotelis Politica, 1341b2; outra, de acordo com a qual seria uma criação humana, de Mársias,
Hiagnis e Olimpo, vide Platonis Respublica, 399e; Pseudo-Plutarchi De musica, 1132f, 1133d-f, 1134e-1135b,
1136c, 1137a-d, 1143b-c; Athenaei Deipnosophistae, XIV 18.40; Dioscoris Anthologia Graeca, 9.340, Sudae
Lexicon, s.u. ? ??µp??; Apollodori Bibliotheca, I 24.2. A falta de dignidade do aulo, sujeito a críticas desde o
século V a.C., vide Pratinas apud Athenaei Deipnosophistae 617c-f, parece ter tido origem na história da disputa
entre Marsias e Apolo, simbolizando o pretenso confronto entre o que era racional e puramente grego, a lira de
Apolo, e o aulo de Marsias e Dioniso, simbolizando o que era estrangeiro, emocional e irracional,
presumivelmente baseado em Platão, Respublica, 399e.
TP
681
PT A sugestão do Hino Homérico a Hermes, 452, de que o aulo era conhecido na Grécia antes dos instrumentos
de corda contradiz o tratamento do aulo como um instrumento estrangeiro que teria usurpado a posição da lira,
vide Plutarchi De cohibenda irae, 456b-d; Diodori Siculi Bibliotheca historica, III.592; Pseudo-Plutarchi De
musica, 1131f, 1132e-1133a. Cf. West (1992:82).
TP
682
PT Diodori Siculi Bibliotheca historica, III 592.
TP
683
PT Hesiodi Scutum, 281; Sapphi Fragmenta, 44.24 LP; Euripidis Alcestis, 347; Scholia uetera in Aeschinis In
Timarchum, I 10.3 Schultz.
TP
684
PT Euripidis Helena, 185; Xenophontis Symposium, 6.4; Aristotelis Problemata, 918a23 Bekker.
TP
685
PT Xenophontis Symposium, 6.3; Pseudo-Plutarchi De musica, 1141a.
TP
686
PT Pseudo-Plutarchi De musica, 1140c-d; Pausaniae Graeciae descriptio, V 7; VI 14.
TP
687
PT Euripidis Bacchae, 160; Hymnus Homericus in matrem deorum, 3.
TP
688
PT Aristophanis Ranae, 1317; Aristotelis Politica, 1341a.
TP
689
PT Theophrasti Fragmenta, 87 Wimmer; Auli Gellii Noctes Atticae, IV 13.
TP
690
PT Thucydidis, Historiae, V 70; Plutarchi Lycurgus, 21.3.4; Pseudo-Plutarchi De musica, 1140c.
TP
691
PT Homeri Ilias, XVIII 523-6; Archilochi Fragmenta, 93a5 West; Euripidis Troiades, 126; Xenophontis
Symposium, 3.1.
TP
692
PT Pseudo-Plutarchi De musica, 1141c; Pindari Fragmenta, 140b.3 SM; Euripidis Iphigenia Aulidensis, 577.
TP
693
PT Theognis Elegiae, 825; Euripidis Ion, 1177; Aristophanis Vespae, 1219; Platonis Symposium, 174e-176e.
TP
694
PT Pindari Olympia, I 105; III 36; IX 5; X 81; Pythia, I 50; VI 44; IX 73; Nemea, VI 8; Bacchylidis Epinicia, VI
10; IX 25; XI 37. Cf. Bundy (1962:5), Young (1968:75) e Brown (1984:42).
TP
695
PT Cf. Verdenius (1987:52).
77
13(b). ?p' ?µf?t????: ?p? + genitivo é freqüentemente usado para marcar acompanhamento
musicalTPF
696
FPT.
13(c). ?at?ßa?: aoristo convencional, comparável ao futuro de mesmo valorTPF
697
, cf. nota
20(a). A informação é aparentemente contraditória com p?µp?? ... ?e???f????? ??d??s??,
cf. nota 8(a). A imagem do desembarque do poeta é um motivo convencional do epinício e
alude ao início da execução da odeTPF
698
FPT.
14(a). ?µ????: ?µ??? é um verbo programático dos epiníciosTPF
699
FPT. O sentido é ‘celebrar em
ode’TPF
700
FPT, sem conotação religiosa. Na poesia arcaica, ?µ??? e seus correlatos indicavam
genericamente uma composição poéticaTPF
701
FPT, podendo designar tanto um hino aos deusesTPF
702
FPT
quanto um canto em homenagem a homensTPF
703
FPT, fosse um trenoTPF
704
FPT, um canto simposial, um
epinício ou um canto de amorTPF
705
FPT. A partir de Platão, ?µ??? assume o significado preciso de
canto de louvor aos deusesTPF
706
FPT e se contrapõe ao encômio, canto em honra aos homensTPF
707
FPT .
14(b). t?? p??t?a? pa?d' ??f??d?ta? ??e????? te ??µfa?, ??d??: complemento ?p? ??????
dos verbos ?µ???? e ?at?ßa?TPF
708
FPT. Píndaro descreve Rodes como ilha e ninfa ao mesmo
TP
696
PT Hesiodi Scutum, 281; Archilochi Fragmenta, 58.12 West; Theognis Elegiae, 825 Young; Pindari Olympia,
IV 2; Charontis Fragmenta, 9.14 Müller; Aristophanis Acharnenses, 1001. Cf. Gildersleeve (1890:186),
Verdenius (1987:52) e Willcock (1995:117).
TP
697
PT Cf. Bundy (1962:21, 27), Slater (1969:92) e Hummel (1993:244).
TP
698
PT Pindari Olympia, I 111; Nemea, IV 74; Isthmia, V 21; VI 57. Cf. Bernardini (1984:161).
TP
699
PT Pindari Olympia, I 8, 105, II 1, III 3, VI 6, 27, 87, 105, VIII 54, IX 48, XI 4; Pythia, I 60, 79, II 14, III 64, IV
3, V 100, VI 7, VIII 57, X 53; Nemea,I 5, III 11, 65, IV 11, 16, 83, V 42, VI 33, VII 13, 81, VIII 50, IX 3,
Isthmia, I 16, 63, II 45, IV 3, 21, 43, V 20, 63, VI 62, VII 20.
TP
700
PT Cf. Slater (1969:518).
TP
701
PT Hesiodi Opera et dies, 657; Pindari Fragmenta, 29 SM, em que o verbo serve para descrever igualmente um
hino para heróis, cidades, homens e deuses.
TP
702
PT Hesiodi Theogonia, 11.
TP
703
PT Homeri Odyssea, VIII 429; Hymnus Homericus in Apollinem, 161.
TP
704
PT Pindari Isthmia, VIII 60; Fragmenta, 128c6 SM; Phrynichi Fragmenta, 69.3 Kock, Euripidis Rhesus, 976.
TP
705
PT Pindari Isthmia, II 3.
TP
706
PTPlatonis Leges, 700b; Respublica, 607a; Symposium, 177a6; Aristotelis Poetica, 1448b; Euripidis Hippolitus,
56; Demosthenis In Midiam, 51.5. Em Platão, tem também o significado de ‘repetir’, ‘citar’, Leges, 871a,
Protagoras, 317a. Em Lísias, Epitaphius, 2, e Xenofonte, Memorabilia, 4.2.33, contemporâneos de Platão, o
significado genérico anterior ainda ocorre.
TP
707
PT Cf. Gentili (1995:P
P
640-1).
TP
708
PT Cf. Most (1986:55) e Hummel (1993:83,102). Para outros exemplos de verbos de movimento com
complemento acusativo em Píndaro, vide Olympia, VI 83, VIII 38, 54, IX 71, 93, X 87, XIV 20-1, Pythia, IV 52,
55, V 29, 52-3, VIII 54-5, IX 51-2, X 32, XI 34-5; Nemea, I 38, X 37-8; Isthmia, II 48, III/IV 50 SM, VI 21, VII
7, 44; Fragmenta, 52a.7, 75.5,19 SM. Cf. Schwyzer II (1950:67-8). Essa construção, típica da poesia épica, é
considerada, na lírica coral, um arcaísmo, cf. Braswell (1988:132) e Hummel (1993:101).
78
tempoTPF
709
FPT. Na ode, emprega a denominação da ilha/ninfa apenas nos casos oblíquos, onde é
idêntica à palavra grega para rosa, ambigüidade que é explorada, posteriormente, na imagem
da ilha que brota das profundezas do mar, cf. nota 70(b).
A genealogia de Rodes aqui descrita pode ser uma invenção de Píndaro, não sendo
encontrada em nenhuma outra fonte antigaTPF
710
FPT. De acordo com a genealogia tradicional, a mãe
de Rodes era Anfitrite ou HáliaTPF
711
FPT e seu pai Posêidon. A ilha poderia estar sendo chamada de
filha de Afrodite por causa de sua belezaTPF
712
FPT e pelo fato de que, assim como a deusa, nasce do
marTPF
713
FPT.
15(a). e???µ??a?: ‘que vai direto contra o adversário no combate’TPF
714
FPT. O epíteto ocorre
também em um epigrama atribuído a SimônidesTPF
715
FPT e, posteriormente, na forma do
substantivo ???µa???, em HeródotoTPF
716
FPT, sendo, em ambos autores, em contexto militar, a
respeito de combate em campo aberto.
15(b). pe??????: na épica, epíteto empregado a deusesTPF
717
FPT e heróisTPF
718
FPT, principalmente, mas
também a coisasTPF
719
FPT. O equivalente pe??? é utilizado com relação a monstrosTPF
720
FPT. O sentido
parece ser próximo ao de de????. Diágoras era excepcionalmente alto, especialmente para o
padrão gregoTPF
721
FPT, medindo quatro côvados e cinco dedos, cerca de 1,96mTPF
722
FPT.
TP
709
PT Essa ambivalência é explorada no decorrer de toda a ode. Vide Pindari Fragmenta, 52f.124-40, onde Egina
também é ilha e ninfa.
TP
710
PT Pindari Olympia, X 4, onde Alatéia é descrita como filha de Zeus, e Olympia, VIII 82, onde Angelia é a filha
de Hermes, provavelmente outras genealogias inventadas por Píndaro. Cf. Wilamowitz (1922:363) e Fernández-
Galiano (1956:219).
TP
711
PT Scholia uetera in Pindari carmina, Olympia, VII, 24c Drachmann. Halía era irmã dos Telquines. Após ter
pulado no mar, recebeu o nome de Leucotéia. Era cultuada como uma divindade pelos Ródios, vide Diodori
Siculi Bibliotheca historica, V 55.
TP
712
PT Scholia uetera in Pindari carmina, Olympia, VII, 24f Drachmann. Cf. Verdenius (1987:53) e Willcock
(1995:117).
TP
713
PT Cf. Lehnus (1981:178).
TP
714
PT A mesma expressão ocorre, de forma analítica, em Homero, ???? µa??sas?a?, Ilias, XVII 168. Vide Scholia
uetera in Pindari Carmina, Olympia, VII, 27a,c Drachmann. Cf. Verdenius (1987:53).
TP
715
PT Simonidis Anthologia Graeca, VII 442.1; Plutarchi Sertorius, 10.3.1.
TP
716
PT Herodoti Historiae, IV 102, 120.
TP
717
PT Homeri Ilias, V 395, VII 208; Hesiodi Theogonia, 159.
TP
718
PT Homeri Ilias, III 229, XI 820, XXI 527.
TP
719
PT Homeri Ilias, VIII 424; Odyssea, III 290; Hesiodi Theogonia, 179.
TP
720
PT Homeri Odyssea, IX 428; XII 87; Hymnus Homericus in Apollinem, 374. Cf. Von der Mühl (1975:437).
TP
721
PT Cf. Verdenius (1949:296-7).
TP
722
PT Scholia uetera in Pindari carmina, Olympia, VII 28a Drachmann. Cf. Wilamowitz (1922:361), Mylonas
(1944:280) e Verdenius (1987:54).
79
15(c). pa?' 'A?fe?? ... ?a? pa?? ?asta??? : Alfeu é um rio de Olímpia, que corria próximo
ao santuário de ZeusTPF
723
FPT. Castália é uma fonte em DelfosTPF
724
FPT. O coroamento próximo a eles
simboliza vitórias nos Jogos Olímpicos e Píticos, respectivamente, cf. nota 10(a).
15(d). stefa??s?µe???: voz média, ‘coroou-se’TPF
725
FPT. Na épica, stefa??? é atestado
sobretudo na forma passivaTPF
726
FPT. Todavia, em duas ocorrências, a presença de complemento
acusativo aponta a possibilidade de voz médiaTPF
727
FPT, cf. 80(c). Assim como na épica, em
PíndaroTPF
728
FPT parece menos importante a questão do autor do coroamento do que a do
beneficiárioTPF
729
FPT.
16(a). ?f?a...a???s? : em Píndaro, a???s? pode definir o elogio em geralTPF
730
FPT, mas, em muitas
passagensTPF
731
FPT, como nesse caso, é verbo programático, que explicita a própria finalidade da
poesia epinicial. A escolha entre a???s? ou ?pa???s? é simplesmente uma alternativa
métricaTPF
732
FPT.
Dos usos homéricos para ?f?a, final e temporal, Píndaro mantém apenas o
primeiroTPF
733
FPT, o que é considerado um arcaísmoTPF
734
FPT. Embora admitida a construção com futuro
indicativoTPF
735
FPT, a???s? é, nessa passagem, subjuntivo aoristo com vogal breveTPF
736
FPT.
TP
723
PT Pindari Olympia, I 20, 92; II 13; III 22; V 18; VI 34, 58; IX 18; X 48; XIII 35; Nemea, I 1; VI 18; Isthmia, I
66. Cf. T ParkeT (1978:199-219).T T
TP
724
PT Pindari Olympia, IX 17; Pythia, I 39, IV 163, V 31; Nemea, VI 37, XI 24.
TP
725
PT Cf. Kühner-Gerth I (1898:113, 116), Schwyzer II (1950:232, 757), Fernández-Galiano (1956:219) e
Verdenius (1987:54).
TP
726
PT Homeri Ilias, V 739; XV 153; Odyssea, X 195. Cf. LSJ s.u. stefa??? I e Wackernagel (1920:137), que
prescrevem que o verbo, na épica, é utilizado apenas na voz passiva.
TP
727
PT Homeri Ilias, XVIII 485; Hesiodi Theogonia, 382.
TP
728
PT Na voz ativa, vide Pindari Olympia, I 100; Nemea, XI 21; Isthmia, II 16, XIV 24, em que a voz é ativa, mas o
sentido é fortemente passivo; na voz média, com sentido fortemente passivo, Olympia, XII 17; Nemea, VI 19;
Pythia, VIII 19; na voz passiva, Olympia, IV 11. Vide o uso análogo de ??ad?? na voz média em Nemea, XI 28;
Isthmia, I 28, II 16.
TP
729
PT Cf. Hummel (1993:213).
TP
730
PT Pindari Olympia, IX 14, 48; Pythia, III 13, IV 140, IX 95; Nemea, I 72, III 29; Isthmia, VII 32, VIII 69;
Fragmenta, 215a.3 SM.
TP
731
PT Pindari Olympia, IV 14, X 100; Pythia, I 43; Nemea, IV 93, VII 63, VIII 39; Isthmia, V 59; Fragmenta, 81.2
SM. Cf. Slater (1969:19).
TP
732
PT Cf. Braswell (1988:274).
TP
733
PT Pindari Olympia, VI 23, XIV 22; Pythia, I 72, IV 2, 92, 218, V 62, XI 9, XII 20; Nemea, III 59; Isthmia, IV
54; Fragmenta, 128.2 SM.
TP
734
PT Cf. Hummel (1993:346).
TP
735
PT Homeri Ilias, XVI 242; Odyssea, IV 163, XVII 6. Cf. Chantraine (1953:273).
TP
736
PT Cf. Fernández-Galiano (1956:220), Gerber (1987:83-90) e Willcock (1995:117).
80
16(b). p??µ?? ?p???a: a expressão está em aposição ao complemento interno não expresso
de a???s?, explicitando que a louvação epinicial, o a????, é a recompensa pela vitória no
pugilatoTPF
737
FPT.
Originalmente, ?p???a e o correlato p???? designam o pagamento, em dinheiro, por
um crime ou injúria, feito por quem o cometeu à pessoa prejudicadaTPF
738
FPT, ou a retribuição por
serviço ou ação meritória, paga ao agente da ação pelo beneficiárioTPF
739
FPT. O genitivo que
geralmente o complementa indica a pessoa prejudicada ou a ação pela qual se está sendo
recompensado. Em Píndaro, prevalece o segundo uso, geralmente uma referência ao hino que
recompensa a vitória em uma competição esportivaTPF
740
FPT. Essa passagem está relacionada com o
motivo da ?????, a necessidade de o poeta celebrar a vitória como forma de pagamentoTPF
741
FPT. O
poeta, portanto, ao compor o poema, estaria quitando uma dívida, provavelmente associada ao
pagamento que recebeu pelo epinício.
O pugilato era um dos mais antigos esportes entre os gregos. Deuses e heróis são
apresentados como vencedores em competições de pugilato ou como ilustres pugilistas, por
exemplo, Apolo, Héracles, Tideu, PolideucesTPF
742
FPT. Teseu teria sido seu inventorTPF
743
FPT e os heróis
homéricos já o conheciam e o praticavamTPF
744
FPT. A competição para homens foi introduzida nos
Jogos Olímpicos na 23ª Olimpíada e para rapazes na 37ªTPF
745
FPT. Os lutadores utilizavam uma
espécie de luva, ?µ??te?, de couro, enrolada das mãos até a altura do cotovelo, para tornar os
golpes mais poderosos. Essas luvas eram utilizadas pelos pugilistas desde as épocas mais
remotas e, na épica, parecem ter sido usadas luvas apenas de couroTPF
746
FPT, diferentes das fornidas
com chumbo e ferro, empregadas posteriormenteTPF
747
FPT. Um dos métodos mais utilizados pelos
lutadores consistia em não iniciar a pugna atacando o antagonista, mas, inicialmente,
permanecer na defensiva, para fatigá-loTPF
748
FPT. Era considerada uma grande vitória quando o
pugilista derrubava o oponente e saía da luta sem ferimentos, sendo os princípios básicos do
TP
737
PT Cf. Kühner-Gerth I (1898:284-5), Gildersleeve (1890:186), Schwyzer II (1950:74,76), Fernández-Galiano
(1956:220), Vian (1974:335), Verdenius (1987:54) e Willcock (1995:117).
TP
738
PT Homeri Ilias, IX 632-6, XIII 659, XIV 483. Cf. Hewitt (1927:144-53) e Gentili (1995:374).
TP
739
PT Aeschyli Supplices, 626; Chophoroe, 792-3. Cf. Braswell (1988:149).
TP
740
PT Pindari Pythia, I 59, II 14; Isthmia, III 7, VIII 4; Nemea, I 70; VII 16.
TP
741
PT Cf. Bundy (1962:10) e Carey (1981:28).
TP
742
PT Pausaniae Graeciae descriptio, V 7, VIII 2; Theocriti Idyllia, XXIV 113; Apollodori Bibliotheca, III 6.4.
TP
743
PT Scholia uetera in Pindari Carmina, Nemea, V 89 Drachmann.
TP
744
PT Homeri Ilias, XXIII 691; Odyssea, VIII 103.
TP
745
PT Pausaniae Graeciae descriptio, V 8.
TP
746
PT Homeri Ilias, XXIII 684.
TP
747
PT Pausaniae Graeciae descriptio, VI 23, VIII, 40; Vergilii Aeneis, V 405; Statii Thebaida, VI 732.
TP
748
PT Dionis Chrysostomi Orationes, XXIX 10.2; Eustathii Commentarii ad Homeri Iliadem, 1322.29 Valk.
81
esporte infligir golpes e não se expor a perigos, p???? ?a? f??a??TPF
749
. O pugilista utilizava
seu braço direito principalmente para o ataque e o esquerdo como proteção para sua cabeça,
pois a maior parte dos golpes eram dirigidos à parte superior do corpo, e os ferimentos na
cabeça eram muito perigosos e, muitas vezes, fatais. Em algumas representações de pugilistas,
o sangue é visto escorrendo de seus narizes, e os dentes estão freqüentemente quebradosTPF
750
FPT.
As orelhas, especialmente, estavam expostas a grande perigo e, no caso dos que lutavam com
freqüência, eram geralmente muito mutiladasTPF
751
FPT . Para protegê-las de golpes mais severos,
coberturas de metal, ?µf?t?de?, eram utilizadas, as quais, no entanto, não eram empregadas
em competições públicas, mas apenas nos ginásios e palestras, ou nas competições para
rapazesTPF
752
FPT. O esporte era regulado por algumas regras: os pugilistas não poderiam se abraçar
ou usar os pés para derrubar os adversáriosTPF
753
FPT. Casos de morte durante ou logo após a luta
parecem ter sido freqüentesTPF
754
FPT, mas havia punições para esse tipo de acidenteTPF
755
FPT, cf. nota
27(a). Se ambos os lutadores se mostravam cansados sem, no entanto, querer desistir da luta,
poderiam descansar por alguns instantesTPF
756
FPT. A luta terminava apenas quando um dos
oponentes, batido pelo cansaço ou por ferimentos, declarava-se vencido, geralmente
levantando a mãoTPF
757
FPT, ou em caso de nocauteTPF
758
FPT. O esporte era mais largamente difundido
entre os jônios do que entre os dórios e parece ter sido proibido por Licurgo em EspartaTPF
759
FPT.
Era considerado como um treinamento útil para finalidades militares e, como parte da
educação, era tido por não menos importante do que outros tipos de exercícios ginásticosTPF
760
FPT,
sendo recomendado até mesmo como remédio contra vertigens e dores de cabeça crônicasTPF
761
FPT.
17(a). pat??a te ?aµ???t??: a família de Diágoras gozou de admirável reputação na
antiguidade por causa de suas vitórias nos jogos pan-helênicos. Não há notícia, porém, de que
algum de seus antepassados tenha desfrutado de algum renome por causa de sucessos obtidos
TP
749
PT Ioannis Chrysostomi Adversus Iudaeos, 48 846.52; In catenas Sancti Petri, 17.8; Plutarchi Quaestiones
conuiuiales, 642d; Pausaniae Graeciae descriptio, VI 12.
TP
750
PT Apollonii Rhodii Argonautica, II 785; Theocriti Idyllia, II 126; Vergilii Aeneis, V 469; Aeliani Varia
História, X 1.9.
TP
751
PT Platonis Protagoras, 342c-e; Martialis Epigrammata, VII 32. 5.
TP
752
PT Pollucis Onomasticon, II 82; Etymologicum Magnum s.u. ? µf?t?de? Gaisford.
TP
753
PT Plutarchi Quaestiones conuiuiales, 642d; Luciani Anacharsis, 3.
TP
754
PT Scholia uetera in Pindari Carmina, Olympia, V 34 Drachmann.
TP
755
PT Pausaniae Graeciae descriptio, VI 9; VIII 40.
TP
756
PT Apollonii Rhodii Argonautica II 86 ; Statii Thebaida, VI 796.
TP
757
PT Plutarchi Lycurgus, 19.
TP
758
PT Pausaniae Graeciae descriptio, VI 10.
TP
759
PT Pausaniae Graeciae descriptio, VI 2; Plutarchi Lycurgus, 19.
TP
760
PT Luciani Anacharsis, 3; Plutarchi Cato Major, 20.
TP
761
PT Aretaei De curatione diuturnorum morborum, I 3.10.
82
em concursos atléticos. Diágoras era bisneto, filho e pai de homens chamados DamagetoTPF
762
FPT.
Seu bisavô reinava em Iálisos quando Aristomenes chegou à cidade, vindo exilado da
Messênia. Aconselhado pelo oráculo de Delfos a desposar a filha do melhor dos gregos,
desposou a filha de Aristomenes, cf. nota 4(a), e teve um filho chamado Dorieus, o qual, por
sua vez, teve um filho chamado Damageto, pai de Diágoras e avô de Damageto, vencedor do
pancrácio para homens nos Jogos Olímpicos de 452 e 448 a.C., de Acusilau, vencedor do
pugilato para homens nos Jogos Olímpicos de 448 a.C., de Dorieus, vencedor do pancrácio
para homens nos Jogos Olímpicos de 432, 428 e 424 a.C., de Calipateira, mãe de Eucles,
vencedor do pugilato para homens nos Jogos Olímpicos entre 420 e 410 a.C., e de Ferenica,
mãe de Pissirrodes, vencedor do pugilato para homens nos Jogos Olímpicos de 448 a.C. e do
pugilato para rapazes nos Jogos Olímpicos antes de 395 a.CTPF
763
FPT .
17(b). ?d??ta ????: indica que o pai de Diágoras era provavelmente um magistrado em
RodesTPF
764
FPT. Boeckh levantou a hipótese de que ele fosse um prítaneTPF
765
FPT , mas a existência de
prítanes em Rodes em 464 a.C. é assaz incertaTPF
766
FPT. A mesma construção é encontrada na 3ª
Ode ÍstmicaTPF
767
FPT. Dique é, ao lado de suas irmãs, Eunomia e Irene, uma das HorasTPF
768
FPT. Filhas
de Zeus e de Têmis, simbolizam não somente a ordem sócio-políticaTPF
769
FPT, regulando a riqueza
e impedindo o nascimento de ?ß???, mas também as estações do anoTPF
770
FPT, presidindo o ciclo da
vegetaçãoTPF
771
FPT. Em Olímpia, havia uma estátua das Horas, sentadas em um trono, ao lado de
Têmis, datada da primeira metade do século VI a.CTPF
772
FPT.
18(a). t??p???? ??s?? ?a???ta?: as três cidades que formavam Rodes eram Lindos, Iálisos e
CámirosTPF
773
FPT , cf. nota 73(a).
TP
762
PT Pausaniae Graeciae descriptio, IV 24.
TP
763
PT Pausaniae Graeciae descriptio, VI 7; Ciceronis Tusculanae disputationes, I 111.1-10. Cf. Green (1918:267-
271) e Pouiloux (1970:210-3).
TP
764
PT Cf. Farnell (1923:51), Verdenius (1987:54) e Willcock (1995:117).
TP
765
PT Cf. Boeckh (1821:171), Gildersleeve (1890:186) e Verdenius (1972:23).
TP
766
PT Cf. Ryan (1994:251-252).
TP
767
PT Pindari Isthmia, III/IV 33 SM.
TP
768
PT Hesiodi Theogonia, 902; Pindari Olympia, IV 1, IX 60, XIII 6, 17; Fragmenta, 30.6, 52a.6, 75.14 SM;
Aeschyli Septem contra Thebas, 662.
TP
769
PT Pindari Pythia, 8.1; Agamemnon, 383; Eumenides, 539; Demosthenis In Aristogitonem, I 35.1.
TP
770
PT Xenophontis Hellenica, II 1.1.
TP
771
PT Hesiodi Opera et dies,75; Fragmenta, 204.144 M-W; Pindari Olympia, XIII 17; Fragmenta, 30.6 SM; Alexis
Fragmenta, 266.1 Kock; Theocriti Idyllia, XV 104.
TP
772
PT Pausaniae Graeciae descriptio, V 17. Cf. Gildersleeve (1890:229), Farnell (1923:89), Kirkwood (1982:207) e
Gentili (1995:563, 604).
TP
773
PT Homeri Ilias, II 655; Scylacis Periplus, 99.13-4; Diodori Siculi Bibliotheca historica, V 57; Tzetzae Scholia
in Licophronis Alexandram, 923.
83
18(b). ??s?a? e???????? ... p??a? ?µß??? : a costa asiática projeta ao norte de Rodes um
apêndice que se divide em dois braços: a península de Cnidos, a noroeste, e o braço mais
curto, ao sul, que finda no cabo Cinossema e se estende em direção a RodesTPF
774
FPT. De acordo
com os escoliastas antigos, o promontório da Ásia é a cidade de Arucanda, na LíciaTPF
775
FPT, cujo
primeiro nome foi Êmbolos, por causa de sua localização entre Rodes e a ÁsiaTPF
776
FPT.
Derivado de ?µß???e?? , ?µß????, designa diversos objetos pontiagudos, que podem
ser introduzidos em algoTPF
777
FPT, tendo sido mais freqüente seu uso na linguagem náutica,
correspondendo à protuberância que certos navios de guerra tinham na parte exterior da roda
de proa para romper a carena de navios adversários, quando contra eles investissemTPF
778
FPT. Em
sentido geográfico, significa promontórioTPF
779
FPT.
O nome Ásia pode ser o epônimo da esposa de Prometeu ou derivado de Asies, nome
do filho de CótisTPF
780
FPT. Originalmente, designava a Líbia, posteriormente estendendo-se para o
interior da Iônia e, daí, para todo o continenteTPF
781
FPT.
18(c). e????????: epíteto homérico para cidadesTPF
782
FPT, com o sentido de ‘espaçoso’TPF
783
,
provavelmente derivado de ?????, com abreviação métricaTPF
784
FPT, mais o elemento e???-, que
confere caráter superlativoTPF
785
FPT. Embora a hipótese de que seja oriundo de ?????, com
84
enfraquecimento semânticoTPF
786
FPT, seja igualmente plausível, em nenhuma de suas ocorrências
há conexão com dançaTPF
787
FPT.
19(a). ???e?? s?? a??µ?: essa referência aos lanceiros argivos que vieram de Tirinto
introduz a história de seu estabelecimento em Rodes sob a liderança de Tlepólemo. ???e??
aqui é um caso de emprego de adjetivo equivalente ao genitivo objetivo de substantivos, uso
muito freqüente na poesia grega em geralTPF
788
FPT. a??µ? está sendo aqui utilizado
metonimicamente, por a??µata?TPF
789
FPT.
20(a). ??e??s?: futuro convencional, cf. nota 13(c). Não aponta para um momento posterior
ao da execução da ode: a promessa veiculada no futuro é cumprida quando da pronunciação
da palavra. Esse uso da primeira pessoa do futuro indicativo é frequente nos epiníciosTPF
790
FPT. A
interpretação bundyanaTPF
791
FPT de que se trata de um elemento típico do epinício, ao concentrar-se
apenas na dimensão poética da ode para rechaçar um conjunto de práticas equivocadas na
interpretação pindárica de até entãoTPF
792
FPT, parece desconsiderar o próprio valor modal-temporal
do futuro, que, na sua especificidade, presta-se, mesmo fora do epinício, a esse tipo de
construçãoTPF
793
FPT.
20(b). t??s??: dativo de finalidade
794
FPT, depende de ???????? e de d?????sa?TPF
795
FPT. Seu
referente não são apenas Diágoras e seu pai, mas a família toda, ???a????? ?????, seu
apostoTPF
796
FPT.
TP
786
PT Cf. LSJ s.u. e???????? e Slater (1968:211).
TP
787
PT Sempre com espaço, vide Sapphi Fragmenta, 44.12 LP; Anacreontis Anthologia Graeca, VI 135.1;
Simonidis Anthologia Graeca, VII 301.2, 512.2; Bacchylidis Dithyrambi, VI 1; Epinicia, X 31; Carmina
popularia, 21.2.
TP
788
PT Aeschyli Supplices, 1053, 1064; Prometheus uinctus, 855-6; Agamemnon, 212. Cf. Kühner-Gerth I
(1898:262) e Schwyzer (1950:177-8).
TP
789
PT Euripidis Heracles, 276. Para outros exemplos de usos metonímicos, a arma pelo guerreiro, vide Herodoti
Historiae, V 30; Xenophontis Anabasis, I 7.10; Euripidis Phoenisae, 442. Para outros exemplos de uso do
singular com referente coletivo, vide Pindari Pythia, I 6, IV 255-6; Nemea, VII 73. Cf. Kühner-Gerth I (1898:12-
3), Schwyzer (1950:42), Verdenius (1987:55) e Hummel (1993:51).
TP
790
PT Pindari Olympia, I 36, II 2, 101, IV 19, VI 21, 86, IX 27, X 12, XI 14, XIII 50, 87, 104; Pythia, I 75, II 62,
IX 75-6; Nemea, V 16; Isthmia, VII 39, IV 72.
TP
791
PT Cf. Bundy (1962:21) e Willcock (1995:118).
TP
792
PT Cf. Apresentação, p. 28-37.
TP
793
PT Homeri Ilias, I 181. Cf. Kühner-Gerth I (1898:172-3) e Schwyzer II (1950:292).
TP
794
PT Cf. Hoekstra (1962:15-23).
TP
795
PT Cf. Boeckh (1821:170) e Fernández-Galiano (1956:220).
TP
796
PT Cf. Verdenius (1987:55), Hummel (1993:126) e Willcock (1995:118).
85
20(c). ?? ?????: especificado pelo aposto ?p? ??ap???µ??TPF
797
FPT . Na narrativa, o passado
mítico parece se confundir com o passado histórico realTPF
798
FPT. A narrativa remonta ao tempo da
colonização de Rodes pelos argivos. Tlepólemo, filho de Héracles, era o rei de Argos. Após
assassinar seu tio, Licímnio, foi obrigado a se exilar e, seguindo um oráculo de Apolo, fundou
Rodes, de onde partiu contra Tróia com nove nausTPF
799
FPT. Em Tróia, foi morto por SarpedonTPF
800
FPT.
A história da colonização de Rodes por Tlepólemo é relatada na IlíadaTPF
801
FPT.
21(a). ????? ... ?????: o relato é comum porque o que Píndaro vai contar em seguida diz
respeito não apenas a Diágoras e a sua família, mas a toda a cidadeTPF
802
FPT. Píndaro emprega
ambas as formas, a homérica ?????TPF
803
FPT e a hesiódica ??????TPF
804
FPT, cf. nota 92(a).
21(b). ????????: Píndaro freqüentemente fala de poesia em termos de mensagens e
mensageirosTPF
805
FPT. ??????? é um termo técnico, designando a função do arauto, que proclama
o nome dos vencedores dos jogosTPF
806
FPT, cf. notas 1(d) e 7(d). Nessa passagem, o sentido é ‘fazer
um anúncio público’, sendo Píndaro o próprio anunciador da mensagemTPF
807
FPT.
21(c). d?????sa? ?????: ‘corrigir a história’TPF
808
FPT, pois o radical d????- sempre abarca a idéia
de correçãoTPF
809
FPT . É de se notar que os dicionários e léxicos modernos oferecem um sentido à
parte para o verbo nessa passagem, enquanto, para todas as outras palavras com a mesma raiz,
TP
797
PT Cf. Gildersleeve (1890:187), Fernández-Galiano (1956:220), Verdenius (1987:56) e Willcock (1995:118).
TP
798
PT Cf. Starr (1979:393-9).
TP
799
PT Homeri Ilias, II 653, Apollodori Bibliotheca, II 8.
TP
800
PT Homeri Ilias, V 627; Diodori Siculi Bibliotheca historica, IV 58; V 59.
TP
801
PT Homeri Ilias, II 653-70.
TP
802
PT Pindari Olympia, X 11, XIII 49; Pythia, VI 15, IX 93; Isthmia, I 46, VI 65; Sophoclis Oedypus Tyrannus,
261; Antigone, 202. Cf. Gildersleeve (1890:187), Verdenius (1987:56) e Willcock (1995:118).
TP
803
PT Além de Homero, ocorre também na poesia e prosa iônica, vide Archilochi Fragmenta, 110.1 West; Heracliti
Fragmenta, 80.2 Diels-Kranz; Herodoti Historiae, IV 12; na lírica, Bacchylidis Epinicia, X 12; e, raramente, no
drama ático, Aeschyli Septem contra Thebas, 76; Sophoclis Aiax, 180, em cantos corais.
TP
804
PT Pindari Olympia, II 50, X 11; Pythia, III 2, IV 222, V 102; Nemea, I 32, IV 12; Isthmia, VII 24; Fragmenta,
109.1 SM. A forma ????? ocorre apenas uma vez em Hesíodo, Fragmenta, 1.6 M-W.
TP
805
PT Pindari Olympia, IX 25; Pythia, II 4; Nemea, V 3, VI 57.
TP
806
PT Pindari Pythia, I 32, IX 2. Cf. Nash (1990:34) e Gentili (1995:589).
TP
807
PT Pindari Pythia, IV 278; Fragmenta, 70b.24 SM. Cf. Verdenius (1987:56) e Braswell (1988:382).
TP
808
PT Cf. Norwood (1945:258), Fernández-Galiano (1956:220), Van Groningen (1960:355), Defradas (1974:38) e
Verdenius (1987:57). Outras propostas: Gildersleeve (1890:187), ‘narrar corretamente’; Young (1968:78),
‘exaltar, colocar de pé’; Willcock (1995:118), ‘colocar em ordem’, já que, segundo ele, Píndaro mais adiciona
detalhes do que corrige a versão homérica.
TP
809
PT d?????s?? como ‘correção’ em Platonis Leges, 642a3; Aristotelis Politica, 1270a40; Sophisti elenchi, 175a36.
Posteriormente, passa a designar, tecnicamente, a atividade do filólogo e o próprio filólogo, vide Plutarchi
Alexander, 2.8.4; Diodori Siculi Bibliotheca historica, XVI 82; Scholia uetera in Homeri Iliadem, VII 238c2, IX
57 Erbse. Cf. Apresentação, p. 11, nota de rodapé nº 74.
86
prescrevem a idéia de correçãoTPF
810
FPT . A correção de mitos é freqüente na obra supérstite de
PíndaroTPF
811
FPT. Os pontos sobre os quais a correção incide são: a) na versão homérica da
históriaTPF
812
FPT, Tlepólemo foge de Tirinto por causa das ameaças que sofre da família de
Licímnio, ávida por vingar o assassinato do parente; na versão contada nessa ode, o exílio é
vaticinado pelo oráculo de Apolo, cf. nota 31(a), o que demonstra a piedade de Tlepólemo; b)
na versão tradicional da históriaTPF
813
FPT, o assassinato de Licímnio fora involuntário, mas Píndaro
diz que Tlepólemo estava irado, cf. nota 30(b); c) Píndaro explica, etiologicamente, que os
tradicionais sacrifícios sem fogo realizados em Rodes têm por motivação o esquecimento do
fogo por parte dos HeliadaeTPF
814
, cf. nota 48(e). A diferença no nome da mãe de Tlepólemo, em
Homero Astióquia, em Píndaro Astidaméia, cf. nota 23(b), parece ser apenas uma variante de
tradiçãoTPF
815
FPT.
22(a). ???a????? e???s?e?e? ?????: a árvore genealógica de Tlepólemo é a seguinte:
Eléctrion é pai de Licímnio e Alcmena, que unida a Zeus gerou Héracles, que se uniu a
Astidaméia, filha de Amíntor, e, dessa união, gerou Tlepólemo.
e???s?e??? é um epíteto homérico para PosêidonTPF
816
FPT. Em Píndaro, é aplicado não
somente a deuses, heróis e seus descendentesTPF
817
FPT, mas também a uma cidade, à excelência e à
riquezaTPF
818
FPT. O elemento e???-, que confere ao composto valor superlativo, eleva a alto grau a
idéia de poder presente na segunda parte do compostoTPF
819
FPT. A conexão mítico-histórica de
Argos e Rodes era reconhecida por TucídidesTPF
820
FPT. O nome de um dos filhos de Diágoras,
Dorieus, aponta o reconhecimento de sua linhagem dóricaTPF
821
FPT.
23(a). e????ta?: ‘orgulham-se de (serem)’, com e??a? elípticoTPF
822
FPT.
TP
810
PT Cf. LSJ s.u. d?????? I 2 a , ‘fazer um relato de forma correta’; II ‘corrigir’, ‘restaurar a ordem’; Bailly s.u.
d?????? I, ‘por no caminho correto’; II 2 ‘corrigir’.
TP
811
PT Pindari Olympia, I 25-53; Pythia, III 27-9. Cf. Defradas (1969:127-34).
TP
812
PT Homeri Ilias, II 665-6.
TP
813
PT Apollodori Bibliotheca, II 170.
TP
814
PT Cf. Sfyroeras (1993:1-26).
TP
815
PT Segundo os escoliastas antigos, a fonte para esse nome é Hesíodo, Fragmenta, 190 M-W. Cf. Farnell
(1923:51).
TP
816
PT Homeri Ilias, VII 455, VIII 201; Odyssea, XIII 140.
TP
817
PT Pindari Olympia, XIII 80; Pythia, VII 2; Isthmia, II 18; Nemea, III 36.
TP
818
PT Pindari Olympia, XII 2, IV 10; Pythia, V 1.
TP
819
PT Cf. Gentili (1995:512).
TP
820
PT Thucydidis Historiae, VII 57.
TP
821
PT Pausaniae Graeciae descriptio, VI 7. Cf. Sfyroeras (1993:21).
87
23(b). t? d' ??µ??t???da? µat???e? ??st?daµe?a?: ??st?daµe?a? está em aposição ao
advérbio, na origem um genitivo-ablativo, µat???e?, ‘por parte de mãe’TPF
823
FPT.
A mãe de Tlepólemo em Homero é Astioque, filha de Filante, rei da ÉfiraTPF
824
FPT. Em
Píndaro, é Astidaméia, filha de Cleóbule e Amíntor, rei dos Dolópios, na Tessália, pai de
Fênix e tutor de AquilesTPF
825
FPT. Uma terceira tradição o faz filho de AstigenéiaTPF
826
FPT.
24(a). ?µf? d' ?????p?? f?as?? ... ??d?? t??e??: primeira das cinco gnomas da ode, cf.
30(c), 43(c), 53(c) e 94(a), e que pode ser vista como comum aos três mitos. O sentido é o de
que uma situação ruim pode se transformar, no final, em bem permanenteTPF
827
FPT: o assassinato de
Licímnio conduz Tlepólemo a fundar Rodes; apesar de esquecerem o fogo para fazerem
sacrifícios a Atena, os ródios são agraciados pela deusa com a supremacia nas artes manuais;
Hélio, apesar de esquecido no compartilhamento da terra pelos deuses, recebe Rodes como
tutela, cf. nota 27(a).
24(b). ?µp?a??a?: em Pindaro, refere-se sempre a erros gravesTPF
828
FPT. Comporta a idéia de perda
ou ofuscamento da mente que leva à ruína, assim como a ?t?, à qual, por vezes, associa-
seTPF
829
FPT. Pode também estar vinculada a ?ß???TPF
830
FPT.
25(a). ???µa?ta?: assim como a pedra sobre Tântalo, vários erros pendem em torno das
f???e? dos homensTPF
831
FPT. Uma imagem relativa à possibilidade de, subitamente, mesmo um
homem piedoso, cometer um erroTPF
832
FPT.
TP
822
PT Outros exemplos de e???µa? com e??a? elíptico: Homeri Odyssea, XIV 199; Pindari Pythia, IV 97; Aeschyli
Supplices, 314; Euripidis Fragmenta, 696.3 Nauck.
TP
823
PT Pindari Pythia, II 48; Isthmia, III 17; Herodoti Historiae, VIII 99. Cf. Lejeune (1939:46).
TP
824
PT Homeri Ilias, II 658; Apollodori Bibliotheca, II 7; Philostrati Heroicus, II 14.
TP
825
PT Homeri Ilias, IX 448; X 26.
TP
826
PT Pherecydis Fragmenta, 37a2 Müller.
TP
827
PT Outros exemplos dessa mesma idéia, Pindari Olympia, XII 5-12; Hesiodi Opera et dies, 293-4. Cf. Farnell
(1923:52), Fernández-Galiano (1956:221), Verdenius (1987:58) e Willcock (1995:120). Outra explicação
possível é a de que essa seja uma gnoma sobre a alternância entre boa e má fortuna, cf. Jurenka (1895:190), para
quem os três mitos não têm nada em comum.
TP
828
PT Pindari Isthmia, VI 29; Pythia, II 30, III 13, XI .26; Empedoclis Fragmenta, 115.49 Diels-Kranz, referindo-
se a assassinato.
TP
829
PT Pindari Pythia, III 13; Theognis Elegiae, 629-32 Young. Cf. Gentili (1995:410).
TP
830
PT Pindari Pythia, II 28-30; Hesiodi Opera et dies, 16; Ibyci Fragmenta, 29.2 Page; Aeschyli Agamemnon,
1212.
TP
831
PT O mesmo verbo é utilizado nas referências à Pedra de Tântalo em Arquíloco, Fragmenta, 91.14 West, e na
Olímpica, I 57, cf. Perón (1974:194). Na 1ª Ístmica, o verbo encontra-se em uma metáfora náutica: o f?????,
assim como nuvens, está suspenso em torno dos f???e? dos homens, Isthmia, II 43. cf. Verdenius (1987:59).
88
27(a). ?a? ???: o fato de todos os mitos da ode relatarem uma situação ruim que, no final,
transforma-se em bem permanente, cf. nota 24(a), foi apontado por comentadores como um
indício de que a vitória de Diágoras teve origem em algum erro ou negligência do pugilista,
quiçá que ele tivesse matado em luta seu oponenteTPF
833
FPT. Segundo esses comentadores, ?a?,
nessa passagem, teria valor adverbial, ‘também’, e reforçaria a hipótese. Casos de mortes
durante ou logo após as lutas são, de fato, relatadas nas fontes antigas, cf. nota 16(b): um deles
é o de Cleomedes de Astipaléia, que matou seu oponente. Como conseqüência, foi privado do
prêmio a que tinha direito pela vitóriaTPF
834
FPT. Com relação a Diágoras, não há, em nenhuma das
fontes antigas, relato sobre o fato de ter matado um adversário, embora Pausânias tenha
contado a história do pugilista e de sua famíliaTPF
835
FPT.
Outros comentadores preferem ver na escolha dos mitos uma motivação políticaTPF
836
FPT. A
família de Diágoras pertencia à aristocracia ródia. Seu bisavô Damageto havia sido rei de
Iálisos. Apesar de ter sido uma das fundadoras da Liga de Delos, Rodes manteve seu regime
aristocrático. No entanto, essa manutenção não se deu de maneira tranqüila: embora no início
Atenas ainda não tivesse imposto a seus aliados um regime semelhante ao seu,
progressivamente, à medida que a aliança voluntária ia se transformando em sujeição, os
aristocratas ródios passaram por uma situação difícil. A condição da família de Diágoras no
final do século V a. C. era complicada: o terceiro filho de Diágoras, Dorieus, teve de se exilar
na Túria, assim como seu sobrinho PissirrodesTPF
837
FPT. Posteriormente, Dorieus foi feito
prisioneiro pelos atenienses, sob acusação de cooperar com os espartanosTPF
838
FPT, mas foi
libertado pela assembléia dos atenienses, para, logo em seguida, ser condenado à morte em
Esparta. Por fim, a família de Diágoras sucumbiu, no século IV a.C., ao golpe dos
democratasTPF
839
FPT.
TP
832
PT A mesma metáfora ocorre em outras odes de Píndaro, vide Isthmia, VIII 14-5; Olympia, VI 74. Cf. Jurenka
(1895:186) e Young (1968:82).
TP
833
PT Essa interpretação foi proposta inicialmente por Dissen (1830) e adotada posteriormente por Fernández-
Galiano (1956:221).
TP
834
PT Pausaniae Graeciae descriptio, VI 9.
TP
835
PT Pausaniae Graeciae descriptio, IV 24, VI 7.
TP
836
PT Cf. Boëckh (1821:177) e Bowra (1964:146).
TP
837
PT Thucydidis Historiae, III 8; Pausaniae Graeciae descriptio, VI 7.
TP
838
PT Thucydidis Historiae, VIII 35.
TP
839
PT Hellenica Oxyrhynchia, 15.2-3 Bartoletti. Cf. Pouillox (1970:208-9).
89
??? é conjunção e ?a?, advérbioTPF
840
FPT. O sentido é ‘pois Uaté mesmoU o colonizador desta
terra...’, não ‘pois UtambémU o colonizador...’. A expressão introduz a história de Tlepólemo
para ilustrar a gnoma declarada no verso 24.
27(b). ????µ??a? ?as????t?? ?????: Alcmena era filha de Eléctrion e de Lisídice, gerada
por Pélops, filho de Tântalo, e Hipodaméia, filha de Enomao. Tinha nove irmãos legítimos:
Gorgófono, Estratóbates, Filonomos, Celeneu, Anfímaco, Lusínomo, Quirímaco, Anáctor e
ArquelauTPF
841
FPT. Píndaro diz que Licímnio era filho ilegítimo de Eléctrion, ?????, palavra que
designa filho nascido da união com alguém de condição social inferior, como um escravo, ou
de uma relação fora do casamentoTPF
842
FPT . O nome de sua mãe era provavelmente Midea, da
Lícia, cf. nota 29(b)TPF
843
FPT.
????µ??a é a forma encontrada em Píndaro e nas partes líricas da tragédiaTPF
844
FPT, apesar
da opinião de Schröder de que a forma dórica seria ????µ??a, a qual, no entanto, ocorre
apenas uma vez, em SimônidesTPF
845
FPT.
29(a). ????µ????: irmão de Alcmena e tio de Héracles. Único filho de Eléctrion a sobreviver
ao ataque de Táfio e dos filhos de Pterelau, deixou Tirinto com Anfitrião e AlcmenaTPF
846
FPT . Seu
nome aparece em outro epinício, no qual seu filho, Éonos, é designado como o primeiro
vencedor de uma corrida nos Jogos Olímpicos, quando de sua instituição por HéraclesTPF
847
FPT. Seu
nome sobreviveu por longo tempo na tradição argiva: Pausânias diz ter visto seu túmulo em
ArgosTPF
848
FPT. Foi o epônimo de uma cidadela de Tirinto, a LicímniaTPF
849
FPT.
TP
840
PT Euripidis Medea, 314; Xenophontis Memorabilia, I 2.11. Cf. Denniston (1950:108-9), Smyth-Messing
(1956:640), Young (1968:82) e Willcock (1995:120).
TP
841
PT Plutarchi Theseus, 7.3.1; Apollodori Bibliotheca, II 53; Scholia uetera in Pindari carmina, Olympia, VII 49a
Drachmann.
TP
842
PT Homeri Ilias, II 272, IV 499, V 70, VIII 284; Herodoti Historiae, V 94; Aristophanis Aues, 1650, 1656;
Platonis Apologia Socratis, 27d8; Plutarchi Themistocles, 1.3.
TP
843
PT Apollodori Bibliotheca, II 53; Scholia uetera in Pindari carmina, Olympia, VII, 49a Drachmann.
TP
844
PT Pindari Pythia, IV 172, IX 85; Nemea, I 49, X 11; Isthmia, I 12, IV 55, VI 30; Fragmenta, 172.3 SM;
Sophoclis Trachiniae, 97, 644; Euripidis Hippolytus, 553; Troiades, 805.
TP
845
PT Simonidis Fragmenta, 4.1.3 Page. A lição foi transmitida apenas pelo Manuscrito Laurentianus 32.52, cf.
Irigoin (1952:321).
TP
846
PT Apollodori Bibliotheca, II 55.
TP
847
PT Pindari Olympia, X 66.
TP
848
PT Pausaniae Graeciae descriptio, II 22.
TP
849
PT Strabonis Geographica, VIII 6.
90
29(b). ?????t ' ?? ?a??µ?? ??d?a?: uma explicação de ?????, cf. nota 27(b)TPF
850
FPT. Midea,
mãe de Licíminio, era o epônimo de uma pequena cidade da ArgólidaTPF
851
FPT , a nordeste de
Tirinto, onde Eléctrion havia reinadoTPF
852
FPT. O local foi citado como a pátria de Éonos, filho de
Licímnio, em outro epinícioTPF
853
FPT.
30(a). t?sd? p?te ?????? ????st??: ???? é uma palavra própria da poesia. Nessa passagem
tem o sentido de ‘território geográfico específico de um povo’TPF
854
FPT, já encontrado em
HomeroTPF
855
FPT. p?te combina-se comf0 T(?mo de umab e Tw (??75 Tw Bu6 Tw (l675 Tw e73nTjF2 e praPfe -5doPT) F) 0 futu (:coloniz0.9799 Tc 0.4RoF) r Tj3.7222 8.25 Tf0194 -22.5 TD -0l0278 3lemTD /F153 Tf0.2778 Tc (FPT) Tj2.25 0 TD /F2 12 Tf0.0404 Tc 4.4596 Tw (, já7encontrado em) Tj-352.5 -21.75 TD -0.179 Tc 0 Tw (Homero) Tj38.25 0 TD /F1 0.75 Tf0.2778 Tc (TPF) TjFPT2F1 0.75 633TD /F4 12 Tf75 Tf40 Tj358.5 0 TD /F1 0.7555Tj2.25 j18.25 T2453 2.25 5.25 pel(:) imei (:vez2 12Puma nda TD /F120(?????) Tj27 0 TD /F2 12 Tf0 Tc (, ) Tj7.5 0 TD /F3 12 Tf0.362 Tc (cf.) Tj1280 TD /F2 12 Tf-0.1007 Tc 1.6007 Tw ( nota 27(b)) Tj54.75 0 TD /F15 Tf0.2778 3 5.F2 8.25 Tf0 Tw e730512.25 5 Tb0.375 Tc (t?s) Tj0.1.5 -5.25 TDc (2f0 Tc (, ) Tc (ef0.70648 TD /F8 14.25 Tf-0.300375 Tc 592F2 e p:2 8apre 0 0.9799 Tc 0 TD imeTD /F2motiv.25 pel(:c78 3le (:2453 .25s(TP5.2a Tc2778 80.37Tf0.375 Tc (088875 Tc 553 Tc (??12 corre.9799 Tcria 0.4Puma nda T aF2mito nar5.25 TD /F121 Tf-0.0713 Tc 1.1960.75 f0 Tc (, ) I1 0.5a3 Tc 128 Tj358.5 0 TD /F1 0.754j6 0 ???345F2 e pra TD /n9 Tc 2453 ..25 8a2motiv..9799 Tc par TD /F10(a). ) Tjo Tj3.7462 8.25 Tf0.5760.2778 1820.2778 Tc ss (Fto5.25 TD /F1D /r 0l0278 3lemTD /F1203.75 Tf0.2778 Tc (FPT) Tj2.25 05 TD -0.0523 Tc 4.3856 Tw (tem o sentido de ‘terr9encontrado em) Tj-352.5 -21.75 TD -0.179 Tc 0 Tw (Homero) Tj38.25 0 TD /F1 0,TD /F19(t?s) Tj0.130 Tc (. ) Tw e(cf.2778 0 358.5 0 TD /F1 0.7557j6 0 ??9327 TD - (Tta 21(c0.3De acor TD / Apolodoro, Tj3.7432 8.25 Tf0.530(a)..75 2 TD -0l0278 3lemT:) etend5 0golpearTD / o bast9 Tc prescrav5 eglig0 e, mas5 TD /F1D /T) -5.er278 s 5 -5.20D /F1 0.75 Tf0624) Tj1.437F2 e p.25 fatalm0 e atingi(FPT) Tj5 0????) Tj27 0 TD /F2 12 Tf0 Tc (, ) Tj7.5 0Tc 4.3856 Tw (tem o sentido de ‘ter60omf0 T(?mo de umab e Tw (??75 Tw Bu6 Tw (l6381) Tj1.4472 TD -.3Diodoro S03 Tul TD 0 que o t /.25 golpea25 pel/Tob -513.u ( e2778 T260.37Tf.75 Tf061975 Tc TcF2 e p Tc discuss9 Tc, mas5n9 Tc revel(:F2motivo0 Tquerel( 610????) Tj27 0 TD /F2 12 Tf0 Tc (, ) Tj7.5 0Tc 4.3856 Tw (tem o sentido de ‘ter61omf0 T(?mo de umab e Tw (??75 Tw Bu6 Tw (l678375 Tc T83 TD -.3Osescoliastas5( igos diz 12que Tj3.7790.37TfF1 0.75 Tf06) Tj1.24 TD /F2 houve 2tre l) Tc disputar honr TeTP5 260???) Tj27 0 TD /F2 12 Tf0 Tc (, ) Tj7.5 0 TD /F3 12 Tf0.362 Tc (cf.) Tj1620 TD /F2 12 Tf-0.1007 Tc 1.6007 Tw ( nota 27(b)) Tj54.75 0 TD /F15 Tf0.2778 209 TfTf.75 Tf031375 T)) 31375 ) A2motiv..9799 Tc p6r c78 3le (:36TP5ia .25stituir Tc 0oss9 55vel atenu( e par TT aTc ss (FtoD /F2 8. TfTf.75 Tf041375 Tc 002F2 e pD /e TD /36r 0l0278 3lemT,/36r ) ivarTT ato5.25) emedi 0.9799 Tc. E12Plat9 Tc, hF) Tjtes23u51s d5 -5.20D 61/F4 12 00 Tc (, ) D /F190Tj54.7 D /F1ET7.F2 8 T8 Tc 1447 Tc re fBT7.F2 8 02 Tf-027 0 TD /F2 12 Tj6 0 Tj7(b)) T4./F3 12 Tf6 TD /F2 12de ‘terr0omf0 .F2 8-4./F3 12 0 TD /F2 12 Tj6 0 27(b)) Tj54.75 0 9 Tc 1.6007 91) Tj1.2 TD /F2 E12.25 T,TD /F1570????) Tj274 9 Tc 1.600756510 Tc (, ) Tcaµf0.7065)) Tj54.75 0 9 Tc 1.600716 f0 Tc.46 2 TD -aPfe ePT) sem) e a Tc 0ar e espeTD /Ffica0 Tcasa, ) incipalm0 e prc78 4modo -5.erno, Tj3.10/F2 1120.375 T.139 Tc 1.60072824) Tj1 (, ) I1ias7(b)8Tj54.75 0 9 Tc 1.60Tf0324) Tj1.3454F2 e praIII 142;TD /F10 Tf-0.0713 T9 Tc 1.60071024 -22.5 TD -Odyssea75 Tc (t?s) Tj0.10 9 Tc 1.60071321??75 T39 Tc 1.60072824??75 T39 Tc 1.60071024 -22.5 TD -Odyssea75 Tc (t?s) Tj0.10 9 Tc 1.600711975 Tc 15Tw ( e praIII 413, XXII 143. E12Puma nda Tra /3lu (ljtem sem) e /T)n TD /.2512 habi 0.9799 Tcria , Tj3.108 111 Tf-0.1039 Tc 1.60071316 -22.5 TD -Olympia75 Tc4
91
que, em termos legais, assassinatos não premeditados, cometidos em um acesso súbito de
cólera, poderiam ser considerados homicídios involuntáriosTPF
863
FPT.
30(c). a? d? f?e??? ta?a?a? pa??p?a??a? ?a? s?f??: segunda gnoma do epinício, cf.
notas 24(a), 43(c), 53(c) e 94(a). Comentário a respeito do efeito da cóleraTPF
864
FPT. ta?a?? é
termo da linguagem médica, associado a distúrbios fisiológicosTPF
865
FPT, principalmente,
mentaisTPF
866
FPT. Os distúrbios das f???e? afetam Tlepólemo a despeito da s?f?a do heróiTPF
867
FPT.
30(d). pa??p?a??a?: uma imagem náutica, cf. nota 45(a). Em Homero, o verbo se refere,
propriamente, ao desvio, por força dos ventos, da nau de sua rota corretaTPF
868
FPT. O uso
metafórico, referente à confusão mental, já é, contudo, também encontrado na OdisséiaTPF
869
FPT.
30(e). ?a? s?f??: s?f?a designa o conhecimento, em vários sentidosTPF
870
FPT, cf. notas 53(c) e
71(d). Aqui, provavelmente, ‘sábio’, ‘habilidoso’, que sabe tomar a atitude convenienteTPF
871
FPT,
que sabe agir em todas as circunstânciasTPF
872
FPT. Tlepólemo não era um assassino insensato, daí o
fato de ele ter ido consultar o oráculo de Delfos para se aconselhar a respeito do que tinha
feito e do que deveria fazerTPF
873
FPT.
31(a). µa?te?sat? d' ?? ?e?? ?????: em mais de uma oportunidade, Píndaro narra a
consulta que colonizadores faziam ao oráculo de Delfos antes de se colocarem em rotaTPF
874
FPT . A
consulta ao oráculo délfico de Apolo bem como sua função como conselheiro de colonização
são pós-homéricasTPF
875
FPT. O exílio por homicídio, porém, é um traço da sociedade homéricaTPF
876
FPT e
está, na épica, associado a muitas lendas de colonizaçãoTPF
877
FPT .
TP
863
PT Platonis Leges, 866d. Cf. Defradas (1974:42).
TP
864
PT Homeri Ilias, IX 553-4, XVIII 108.
TP
865
PT Hippocratis Coa praesagia, 10.3.
TP
866
PT Platonis Phaedrus, 66d; Respublica, 602c; Aristotelis Politica, 1268b4. Sorani De fasciis, I 46.
TP
867
PT Cf. Sullivan (1989:155).
TP
868
PT Homeri Odyssea, IX 81, XIX 187; Pindari Nemea, X 6.
TP
869
PT Homeri Odyssea, XX 346. Eurípides utiliza o verbo metaforicamente, para se referir a uma flecha que não
acerta o alvo, Hippolytus, 240. Cf. Verdenius (1987:60).
TP
870
PT Cf. Gladigow (1965).
TP
871
PT Theognis Elegiae, 790 Young; Aeschyli Fragmenta, 390.1 Radt; Platonis Protagoras, 360d.
TP
872
PT Platonis Respublica, 519a2.
TP
873
PT Cf. Willcock (1995:121).
TP
874
PT Pindari Olympia, VI 38; Pythia, IV 4-8, V 57-62.
TP
875
PT O epíteto ???a??ta? foi usado para honrar Apolo em colônias fundadas por aconselhamento do oráculo
délfico, vide Pindari Pythia, V 60; Fragmenta, 140a.58; Thucydidis Historiae, VI 3; Supplementum
Epigraphicum Graecum, IX 7.26 Pleket; Carmina Epigraphica Graeca, 314 Hansen.
92
Embora a preposição ?? tenha como regime geralmente lugares, seu emprego regendo
nome de pessoas é admitido no caso em que a ênfase é no local em que a pessoa está ou
moraTPF
878
FPT.
32(a). ???s???µa?: epíteto empregado com referência a várias divindadesTPF
879
FPT, sobretudo
ApoloTPF
880
FPT. O ouro é um símbolo de radiância e imperecibilidade e, como tal, é, em Píndaro,
característico dos deuses e de seus pertencesTPF
881
FPT, cf. notas 4(e) e 64(a). Pode também ser uma
referência à cor loira dos cabelos de ApoloTPF
882
FPT .
32(b). e??de??: no santuário de Delfos havia uma fenda na terra, coberta por uma trípode,
cujas emanações eram consideradas um perfume deliciosoTPF
883
FPT. Pode-se referir também ao
loureiro que havia ao lado dessa trípodeTPF
884
FPT ou ao incenso queimado no altar de ApoloTPF
885
FPT.
32(c). ?a?? p????... e????: a imagem de que o caminho em linha reta é o melhor é um tópos
pindáricoTPF
886
FPT.
33(b). ?? ?µf????ass?? ??µ??: uma ilha. O circunlóquio pode ser uma emulação da
formulação do oráculoTPF
887
FPT ou própria do estilo pindáricoTPF
888
FPT. ??µ?? é, nessa passagem,
TP
876
PT Em Homero, além de Tlepólemo, há os casos de Medonte, Lícofron, Epigeu, Pátroclo e Teoclímeno, Ilias, II
665, XIII 696, XV 432, XVI 573, XXIII 87; Odyssea, XV 272. Há, além disso, na família de Tlepólemo, a
história de Anfítrion, que, após matar, acidentalmente, Eléctrion, pai de Alcmena, teve de se exilar, vide Hesiodi
Scutum, 11-12.
TP
877
PT Outras histórias de colonização de cidades geradas por conflitos em família ocorrem em Homeri Ilias, II 625-
30; Bacchylidis Epinicia, XI 59-81; Herodoti Historiae, V 42; Plutarchi Aetia Romana et Graeca, 294e;
Pausaniae Graeciae descriptio, VII 2. Cf. Farnell (1923:51-2), Fernández-Galiano (1956:222), Parke-Wormell
(1956:49-81), Defradas (1974:42), Dougherty (1992:28-44), (1994:42-3) e Willcock (1995:121).
TP
878
PT Pindari Olympia, II 38. Cf. Kühner-Gerth I (1898:468), Schwyzer II (1950:459) e Verdenius (1995:60).
TP
879
PT De Dioniso, Hesiodi Theogonia, 947; de Eros, Anacreontis Fragmenta, 13.2 Page; Euripidis Iphigenia
Aulidensis, 548; de Zéfiro, Alcaei Fragmenta, 327 LP.
TP
880
PT Tyrtaei Fragmenta, 3b.4 Jacoby; Diodori Siculi Bibliotheca historica, VII 12; Alcmanis Fragmenta, S1
Page; Bacchylidis Epinicia, IV 2; Isylli Fragmenta, 50 Powell. Em Píndaro, sempre de Apolo, vide Pindari
Olympia, VI 41; Fragmenta, 52e.41 SM.
TP
881
PT Pindari Fragmenta, 222 SM; Olympia, I 42; Pythia, I 1, III 94; Nemea, X 88; Isthmia, III/IV 60 SM, VII 5,
49. Cf. Lorimer (1936:30), Des Places (1949:77), Duchemin (1955:193), Fowler (1984:133), Verdenius
(1987:61) e Willcock (1995:121).
TP
882
PT Alcmanis Fragmenta, 1.54 Page.
TP
883
PT Plutarchi De defectu oraculorum, 437c6.
TP
884
PT Hymnus Homericus In Mercurium, 65; Scholia in Aristophanis Plutum, 213; Lucretii De rerum natura, I 739.
Cf. Verdenius (1987:61).
TP
885
PT Cf. Gildersleeve (1890:187), Fernández-Galiano (1956:222) e Willcock (1995:12).
TP
886
PT Pindari Olympia, VI 103, XIII 28; Isthmia, V 60.
TP
887
PT Pindari Pythia, IX 59. Cf. Gildersleeve (1890:187) e Fernández-Galiano (1956:23).
TP
888
PT Pindari Isthmia, III 12. Cf. Verdenius (1987:61).
93
‘habitação’TPF
889
FPT. ?µf????ass?? é um adequado epíteto para uma ilhaTPF
890
FPT, provavelmente
criado por Píndaro a partir do homérico ?µf???t?? TPF
891
FPT.
34(a). ???a p?t? ß???e ... ????a: Píndaro introduz aqui a narração do segundo mito da ode:
quando Atena nasce da cabeça de Zeus, Hélio diz para seus filhos serem os primeiros a
cultuarem-na, cf. nota 42(b), mas eles, no afã de cumprirem a ordem paterna, esquecem o
fogo necessário para prepararem as oferendas. É provavelmente um mito etiológico do
costume ródio de realizar sacrifícios sem fogo no altar de Atena em Lindos.
34(b). ???a p?t?: é um artifício da poesia grega arcaica em geral introduzir uma narrativa por
meio de oração relativa, adjetiva ou adverbialTPF
892
FPT. Píndaro freqüentemente o emprega para
iniciar o relato de um mito, seja comTPF
893
FPT ou sem p?teTPF
894
FPT. A história de Rodes, que na ode é
narrada regressivamenteTPF
895
FPT, agora volta para o momento anterior (p?te) ao da chegada de
Tlepólemo à ilhaTPF
896
FPT.
34(c). ß???e ?e?? ßas??e?? ? µ??a? ???s?a?? ??f?dess? p????: uma chuva de ouro sobre
Rodes já tinha sido narrada por HomeroTPF
897
FPT. No relato pindárico, no entanto, a chuva de ouro
foi recuada do tempo da colonização por Tlepólemo para o tempo dos Heliadae, os primeiros
TP
889
PT Pindari Fragmenta, 52d.1 SM; Herodoti Historiae, V 92. Cf. LSJ s.u. ??µ?? II 1 e Bowra (1964:209-11).
TP
890
PT Usado posteriormente apenas por Xenofonte, De vectigalibus, I 7.3, e por Estrabo, Geographica, IX 1.
TP
891
PT Homeri Odyssea, I 50, 198, XII 283; Hesiodi Theogonia, 983. Esse epíteto homérico foi utilizado duas vezes
por Píndaro, Isthmia, I 8 e Fragmenta, 350 SM. Em Heródoto, ?µf???t?? também aparece na citação de um
oráculo délfico, Historiae, IV 163, 164.
TP
892
PT Homeri Ilias, I 2; Odyssea, I 1; Hesiodi Theogonia, 2; Opera et dies, 3; Fragmenta, 1.3 M-W; Hesiodi
Scutum, 57; Ilia parua, I 2 Bernabé; Thebais, I 1 Bernabé; Alcaei Fragmenta, 34a.5; 308b.2, 325.2 LP;
Bacchylidis Epinicia, IX 40; XI 40.
TP
893
PT Pindari Olympia, III 13; Pythia, III 5; IV 4, 20; IX 5; X 31; XII 6; Fragmenta, 70b.27; 333a.9 SM.
TP
894
PT Pindari Olympia, I 25; II 70; V 74; VI 29; VIII 31; IX 42, 70; X 24; XIII 63; Pythia, XI 17; VI 30; Nemea,
VIII 6. Cf. Bundy (1962:8), Young (1968:3) e Braswell (1988:64-5).
TP
895
PT A narração em ordem regressiva é comum em Píndaro, Pythia, III, IV; Nemea, X. Cf. Starr (1979:346-7).
TP
896
PT Gildersleeve (1890:61) defende que a narração regressiva desempenha aqui função específica. Segundo ele, o
paralelismo entre as três histórias, todas mostrando que uma situação ruim pode conduzir a um bem permanente,
é combinado com um duplo clímax: 1) no status dos personagens, cuja importância é ascendente, de Tlepólemo
aos Heliadae e, por fim, ao próprio Hélio; 2) no da gravidade da falta, que é descendente, do assassinato ao
esquecimento e, por fim, à simples ausência. Verdenius (1987:62) acrescenta que esse procedimento estaria
associado à idéia, comum na poesia arcaica, de que o que é mais remoto é mais valioso, cf. Groningen (1953:44-
5), Norwood (1945:142) e Bernardini (1984:181).
TP
897
PT Homeri Ilias, II 270; Hymnus Homericus In Apollinem, 98, 135-6. A versão pindárica é recontada por
Estrabo, Geographica, XIV 2, e Filóstrato, Imagines, II 27. Em duas outras passagens, Píndaro relata fenômenos
de chuva de ouro, Pythia, XII 17 e Isthmia, VII 5, na qual ele coloca Zeus fazendo chover ouro quando de sua
união com Alcmena e não com Danae, como no relato tradicional.
94
habitantes de Rodes, cf nota 49(a). Trata-se de uma alusão à riqueza e prosperidade da ilha,
assim como em HomeroTPF
898
FPT, e também ao florescimento das artes na cidade.
35(a). ???? ' ??fa?st?? t???a?s?? ... ß?? : quando a primeira esposa de Zeus, Métis, estava
grávida, o Cronida fora avisado por Urano e Gaia de que ela geraria filhos muito sábios e
fortes: primeiro Atena, que se equipararia ao pai em inteligência e força e, posteriormente, um
filho que seria rei dos homens e dos deuses. Para evitar que seu reinado fosse colocado em
perigo, Zeus engoliu Métis e, por isso, Atena nasceu de sua cabeçaTPF
899
FPT.
35(b). ????a: sem indicação temporal precisa, refere-se ao contexto geral do nascimento de
AtenaTPF
900
FPT . A chuva de ouro parece ter caído no momento posterior ao nascimento da deusa,
em recompensa aos sacrifícios que os Heliadae lhe fizeram. Antes de Píndaro, o advérbio
ocorre poucas vezesTPF
901
FPT, sendo, porém, freqüente nas odes do cinocefalenseTPF
902
FPT, no drama e na
prosa áticaTPF
903
FPT.
35(c). ??fa?st?? t???a?s??: instrumental, ‘pelas técnicas de Hefesto’. t???a?s?? pode ter
aqui o sentido de: 1) arte de Hefesto, ou seja, a técnica de ferreiro própria ao deusTPF
904
FPT, graças à
qual conseguiu abrir a cabeça de Zeus em duas partes para propiciar o partoTPF
905
FPT; 2) artifícios
de Hefesto, de caráter mágico, pelos quais o deus também era proverbialmente conhecido, e
por meio dos quais conseguiu a proeza de parir Atena da cabeça de ZeusTPF
906
FPT. A assistência de
Hefesto é relatada também em outra odeTPF
907
FPT. Em outras fontes, o parteiro foi PrometeuTPF
908
FPT. O
evento foi motivo de sátira para LucianoTPF
909
FPT.
TP
898
PT Cf. Verdenius (1987:62) e Willcock (1995:122).
TP
899
PT Hesiodi Theogonia, 885-900, 925-27; Hymnus Homericus In Minervam, 1-18; Stesichori Fragmenta, 233
Page; Scholia uetera in Apollonii Rhodii Argonautica, IV 1310 Wendel.
TP
900
PT Pindaro Olympia, I 26; cf. Cantilena (1997:209-216).
TP
901
PT Homeri Odyssea, XII 198; Theognis Elegiae, 1275 Young. Ocorre duas vezes nos epigramas atribuídos a
Simônides, Anthologia Graeca, VI 217.1, VII 513.2.
TP
902
PT Pindari Olympia, IX 31; Pythia, I 48, IV 28; Isthmia, VII 4; Fragmenta, 52m.12, 52s.9, 124a-b.5 SM.
TP
903
PT Aeschyli Fragmenta, 609a.7 Radt; Sophoclis Aiax, 1144; Euripidis Troiades, 70; Aristophanis Nubes, 607;
Demosthenis In Midiam, 78.1; Platonis Gorgias, 509e; Xenophontis Cyropaedia, 1.2.4; Thucydidis Historiae,
VII 73.
TP
904
PT Homeri Ilias, XVIII 468; Hesiodi Theogonia, 60.
TP
905
PT Pindari Nemea, I 25 (no plural); Homeri Odyssea, III 433, VI 234. Cf. LSJ s.u. t???? I 1.
TP
906
PT Pindari Pythia, II 32, IV 249 (no plural); Nemea, IV 58 (no plural); Homeri Odyssea, VIII 327 (no plural);
Hesiodi Theogonia, 496 (no plural); Hesychius Lexicon, s.u. t????· ?p?st?µ?. ? d????. Cf. LSJ s.u. t???? I2. Cf.
Braswell (1988:343).
TP
907
PT Pindari Fragmenta, 34 SM; Scholia uetera in Platonis Timaeum, 23e5 Greene.
TP
908
PT Euripidis Ion, 452-7; Apollodori Bibliotheca, I 3. Outros parteiros: Hermes, Sosibii Fragmenta, 7.1 Müller;
Palamon, Musaei Fragmenta, 12,1 Diels-Kranz; Philodemi De pietate, 1.31 Obbink.
TP
909
PT Luciano Dialogi Deorum, 13.
95
Hefesto era, em Homero, filho de Zeus e de HeraTPF
910
FPT. De acordo com tradições
posteriores, era filho apenas de Hera, que lhe teria gerado por inveja ao fato de Atena ter
nascido apenas de ZeusTPF
911
FPT. Era considerado o deus do fogo e estava conectado, nesse sentido,
com as erupções vulcânicasTPF
912
FPT e com a arte da forjaTPF
913
FPT. Em Homero, tinha seu próprio
palácio no Olimpo, no qual havia uma bigorna e vinte foles, que funcionavam
automaticamente a partir das ordens do deusTPF
914
FPT. Em autores posteriores, sua oficina estava
situada embaixo do Etna ou em uma das ilhas vulcânicas vizinhasTPF
915
, e seus ajudantes eram
os CiclopesTPF
916
FPT . Era representado como sendo coxoTPF
917
FPT, mas com braços e peito fortesTPF
918
FPT.
Movimentava-se com o auxílio de duas servas, feitas engenhosamente de ouro, com o poder
de caminharem sozinhas, para que ele pudesse se apoiar nelasTPF
919
FPT. Era o autor de artefatos
miríficos, para homens e deuses, muitas vezes conectados com mágicaTPF
920
FPT. Sua esposa
convivia com ele em seu palácio, mas a identidade dela varia: na Ilíada, era Cáris/Graça, na
Odisséia, Afrodite, e na Teogonia, AglaiaTPF
921
FPT, cf. nota 11(c).
Assim como Atena, Hefesto é o doador da arte aos mortais e, juntamente com ela,
ensinou aos homens as artes que adornam e embelezam a vidaTPF
922
FPT , cf. nota 50(b). Em Atenas,
os dois tinham um festival em comum: os Calquéios, realizados pelos ferreiros, e eram
Il1m pudesum festiena, Hefes e vam
FPT
96
sua homenagem, e nos Hefastéios, em que havia uma corrida de tochas dedicada a eleTPF
923
FPT.
Também em Esparta era representado no templo de Atena CalquéiaTPF
924
FPT.
36(a). ?a??e??t? pe???e?: dativo instrumental, assim como t???a?s??TPF
925
FPT. p??e??? é o
machado com duas lâminas opostasTPF
926
FPT, distinto do ?µ?p??e????, de uma lâmina apenasTPF
927
FPT , e
do s??a???, machado de batalha. Não é o instrumento habitual de Hefesto, mas aparece nos
ombros do deus no Vaso de Perseus F1704, datado entre 570–560 a.C.
36(b). pat???? ???a?a?a ????f?? ?at ' ???a? ??????sa?sa: seria de se esperar ??TPF
928
FPT , mas
Atena sobe ao topo da cabeça do pai para dar o grito de guerra. ??????sa?sa, usado por
Homero apenas no aoristoTPF
929
FPT, é forma eólicaTPF
930
FPT .
37(a). ????a?e? ?pe?µ??e? ß?? : ‘gritou ??a??’, o grito de guerraTPF
931
FPT, como convém a uma
divindade marcialTPF
932
FPT. De acordo com a versão relatada pela primeira vez por Estesícoro,
Atena nasceu da cabeça de Zeus já completamente armadaTPF
933
FPT.
?pe?µ???? expressa a excessiva intensidade do grito em termos da distância a que
pôde ser ouvido, µ????TPF
934
FPT . O adjetivo é usado com relação a dimensões físicasTPF
935
FPT , sobretudo
geográficas, seja com relação a distânciaTPF
936
FPT ou alturaTPF
937
FPT. A indicação seria de que o grito, de
tão alto, teve longo alcanceTPF
938
FPT.
TP
923
PT Herodoti Historiae, VIII 9.
TP
924
PT Pausaniae Graeciae descriptio, III 17.
TP
925
PT Pindari Pythia, III 11. Cf. Kühner-Gerth I (1898:411) e Hummel (1993:129).
TP
926
PT Homeri Ilias, XIII 391, XXIII 114 ; Odyssea, V 235.
TP
927
PT Herodoti Historiae, I 215.
TP
928
PT Homeri Ilias, X 162; Odyssea, XXII 23; Pindari Nemea, X 87; Isthmia, VI 8. Cf. Gildersleeve (1890:63),
Verdenius (1987:63) e Willcock (1995:123). Farnell (1923:53) defende que o sentido seja ‘do alto’, porque as
pinturas em vaso do período arcaico mostram Atena ‘nascendo e pulando da testa de Zeus’. Da mesma forma,
Fernández-Galiano (1954:223) defende que ?at ' ???a? significa ‘da parte superior da cabeça’, ou seja, da testa.
TP
929
PT Homeri Ilias, IX 193; Odyssea, III 149, XXII 23.
TP
930
PT Sapphi Fragmenta, 44.11 LP; Pindari Fragmenta, 52u.15 SM.
TP
931
PT Homeri Ilias, XII 138, XVI 78; Hesiodi Theogonia, 686; Pindari Pythia, I 72; Nemea, III 60; Isthmia, VII 10.
Em Fragmenta, 78.1 SM, Alalá aparece personificada, a filha da guerra.
TP
932
PT Euripidis Hercules, 906; Orientis Graecae Inscriptiones, 229.70 Dittenberger; Inscriptiones Graecae, I 5.913
Gartringen.
TP
933
PT Stesichori Fragmenta, 233 Page; Hymnus Homericus In Minervam, 5-6; Tzetzae Scholia in Lycophronis
Alexandram, 355; Philostrati Imagines, II 27; Scholia in Apollonii Argonautica, IV 1310.
TP
934
PT Pindari Olympia, X 72; Homeri Ilias, II 224, III 81.
TP
935
PT Herodoti Historiae, VIII 140.
TP
936
PT Aeschyli Prometheus uinctus, 561.
TP
937
PT Herodoti Historiae, VII 128, 129.
97
38(a). ???a??? d' ?f???? ??? ?a? Ga?a µ?t??: a presença de Urano e Gaia nessa passagem
provavelmente está relacionada com seu envolvimento na história do nascimento de Atena, cf.
nota 35(a)TPF
939
FPT. É plausível a hipótese de que tenham tido medo não apenas por causa do
estrondoso grito, mas também porque a deusa já nasceu completamente armada. f??ss? pode
ter o sentido de ‘tremer’, mas também de ‘eriçar/arrepiar os pêlos’ sob o efeito do medo. Com
acusativo, ‘tremer/arrepiar-se (de medo) diante de’TPF
940
FPT.
39(a). t?te ?a?: introduz a segunda parte do segundo mito. Refere-se ao período
imediatamente posterior ao nascimento de Atena, ‘e nesse momento’.
39(b). fa?s?µß??t??: é a forma eólica do epíteto homérico faes?µß??t??TPF
941
FPT. Atestada pelos
manuscritos e escoliastas, fa?s?µß??t?? é o resultado da vocalização do dígama em fa???.
Não há, portanto, necessidade de restaurar a forma homéricaTPF
942
FPT.
39(c). ??pe?????da?: em Homero, ?pe???? designa o próprio Hélio, seja como epítetoTPF
943
,
seja como o próprio nome do deusTPF
944
FPT. Todavia,??pe?????da também é um epíteto homérico
para Hélio, na única ocorrência em que ?pe???? não se refere a ele, mas a seu paiTPF
945
FPT. A
tradição mais largamente representada na poesia arcaica é a de que Hipérion é um titã, filho
de Gaia e Urano, que, unindo-se a sua irmã, Téia, teria gerado três filhos, Hélio, Selene e
ÉosTPF
946
FPT.
Hélio era concebido como um deus jovem que, a cada dia, emergia do oceano, no
leste, e cavalgava, em seu carro, puxado por quatro cavalos que respiravam fogo, através do
TP
938
PT Aeschyli Eumenides, 201; Sophoclis Oedypus Coloneus, 1139. Cf. Kaimio (1977:155).
TP
939
PT Duchemin (1955:116) defende que a presença dos deuses se justificaria pela localização geográfica do
templo de Atena em Lindos. Farnell (1923:53), Young (1968:84) e Willcock (1995:123) acreditam que o fato de
a terra e o céu tremerem é o índice de um efeito cósmico de grande magnitude. No relato do nascimento de
Atena no Hino Homérico dedicado a ela, 10-3, o céu, a terra e o mar se agitaram, mas o grito, de terror, foi dado
pela terra. Farnell acrescenta que, em uma reprodução do evento no frontão do Partenon, em Atenas, em vez de
Urano e Gaia, Hélio e Selene assistem ao nascimento da deusa.
TP
940
PT Homeri Ilias, XI 383, XIV 775; Sophoclis Antigone, 997.
TP
941
PT Aplicado a Hélio, Homeri Odyssea, X 138, 191; Hesiodi Theogonia, 958; Euripidis Heraclidae, 750; mas
também a Éos, vide Homeri Ilias, XXIV 785; Bacchylidis Epinicia, XIII 95. Cf. Verdenius (1987:64).
TP
942
PT Como propõe Schroeder (1922:125). Cf. Farnell (1923:53).
TP
943
PT Homeri Ilias, VIII 480; Odyssea, I 8, XII 133, 263, 346, 374.
TP
944
PT Homeri Ilias, XIX 398; Odyssea, I 24.
TP
945
PT Homeri Odyssea, XII 176.
TP
946
PT Hesiodi Theogonia, 134, 374, 1011; Eumeli Fragmenta epica, 3.3 Bernabé; Stesichori Fragmenta, 8.1 Page;
S17.1 Page; Mimnermi Fragmenta, 12 West. Verdenius (1987:64) defende que, mesmo em Homero, Hipérion é
sempre o pai de Hélios e que a derivação da denominação de pai para filho está relacionada com uma
interpretação equivocada do comparativo do adjetivo ?pe???, presente na fórmula ?pe?????? ??e?????.
98
céu, descendo à noite, no oeste. Devido a sua posição privilegiada, via e conhecia tudo e era
freqüentemente invocado como testemunha em juramentos. Seu culto provém do oriente da
Grécia e ele era reverenciado em vários locais no Peloponeso, especialmente em Rodes, onde,
a cada ano, eram celebrados jogos em sua homenagem, os Heliéios. Testemunha dessa
reverência era a gigantesca estátua, construída em 280 a.C., no porto de Lindos, por Cares,
conhecida como Colosso de Rodes, a sexta das sete maravilhas do mundo antigo, que era uma
representação de Hélio, medindo cerca de 32 metros de alturaTPF
947
FPT.
40(a). µ????? f????as?a? ?????: ‘cuidar da obrigação prestes a vir’, quer dizer, após Atena
instalar-se na acrópole de Lindos. µ?????, usado aqui absolutamente, exprime a proximidade
do eventoTPF
948
FPT. ????? se refere a obrigação imposta por Hélio a seus filhosTPF
949
FPT, de construírem
o altar e nele realizarem o culto a Atena, cf. notas 42(a), 42(b), 42(c) e 42(d).
41(a). pa?s?? f?????: os Heliadae, os sete filhos de Hélio com a ninfa Rodes e primeiros
habitantes da ilha de Rodes. Seus nomes são Óquimo, Cércafo, Macareu, Áctis, Tenages,
Tríopas e Cândalos. Eram todos hábeis astrólogos e marinheiros, cf. nota 71(d). Cândalos,
Macareu, Tríopas e Áctis, por invejarem as habilidades de Tenages nas ciências e no mar,
assassinaram-no e fugiram para Cária, Cós, Egito e Lesbos, respectivamente. Os quatro
desposaram ninfas; Cândalos prosseguiu viagem; Tríopas fundou a cidade de Cnidos; Actis
fundou Heliópolis; Macareu casou-se com sua irmã, Cánace, tornou-se o rei de Lesbos e
assumiu o poder de todas as ilhas vizinhas. Sua filha, Metimna, casou-se com Lesbos.
Óquimo e Cércafo permaneceram em Rodes. Óquimo, o mais velho, casou-se com a ninfa
Hegetória e assumiu o poder da ilha. Sua filha, Cidipe, casou-se com seu tio Cércafo, que
sucedeu Óquimo no comando da ilha, e, juntos, tiveram três filhos: Lindos, Cámiros e Iálisos,
que dividiram Rodes em três partes e deram-lhes seus nomesF
950
FFFP, cf. nota 73(a). Outros filhos
de Hélio são Electríone, Hélia, Mérope, Febe, Dióxipe, Etes, Circe, Pasífae, Lampetia,
Faetusa, Faeton, Etéria, Egiale e Égle, as três últimas conhecidas como HelíadesTPF
951
FPT .
TP
947
PT Philonis Byzantinii De septem orbis spectaculis, IV; Strabonis Geographica, XIV 2; Plinii Secundi Naturalis
Historia, XXXIV 41-5; Constantini Porphyrogeniti De administrando imperio, 20-1.
TP
948
PT Pindari Olympia, XII 9; Pythia, IX 49; Nemea, VII 17. Cf. Chantraine (1953:307), Gildersleeve (1890:188),
Fernández-Galiano (1956:223) e Willcock (1995:123).
TP
949
PT Pindari Olympia, I 45; Pythia, VIII 33. Cf. Verdenius (1987:64).
TP
950
PT Diodori Siculi Bibliotheca historica, V 57; Strabonis Geographica, XIV 2; Stephani Byzantini Ethnica s.u.
??µ????; Scholia uetera in Pindari Carmina, Olympia, VII 131 Drachmann. Posteriormente, os ródios são
doutamente denominados de Cercafides, vide Apollonidis Anthologia Graeca, IX 287.2; XVI 49.3.
99
42(a). ? ? ?? ?t?sa?e?: construção híbridaTPF
952
FPT. 1) oração epexegética de µ?????... ?????TPF
953
FPT.
Trata-se de um caso em que o optativo oblíquoTPF
954
FPT, raro em Píndaro, está substituindo um
subjuntivo + ??, pois a oração elucida o sentido de µ?????... ?????; 2) oração final, que se
mistura ao desenvolvimento epexegético de µ????? ?????, mas em ligação com o verbo
f????as?a?TPF
955
FPT.
42(b). p??t??: de acordo com o mito, Atena deveria habitar a cidade que, após seu
nascimento, primeiro lhe oferecesse sacrifícios. Hélio, velando por seus filhos, os ródios,
apressou-se em avisar-lhes para que fossem os primeiros a cultuarem a deusa; mas eles se
esqueceram de levar o fogo, elemento imprescindível para a validade do sacrifício. Com isso,
Cécrops, rei mítico de Atenas, adiantou-se-lhes, realizou os sacrifícios utilizando fogo e assim
a deusa se instalou em AtenasTPF
956
FPT. O adjetivo, que pressupõe prioridadeTPF
957
FPT, provavelmente é
uma menção ao mito. Píndaro, no entanto, além dessa possível alusão, não relata a disputa.
42(c). ß?µ?? ??a???a: ‘altar visível’TPF
958
FPT, uma alusão ao templo construído na acrópole de
Lindos.
42(d). seµ??? ??s?a? ??µe???: ??s?a originalmente designa sacrifícios envolvendo fogo e
esse é o sentido em HomeroTPF
959
FPT. Todavia, em Eurípides, designa qualquer oferenda aos
deusesTPF
960
FPT e não há certeza se, no tempo de Píndaro, ??s?a tinha sempre a acepção de
TP
951
PT Apollonii Rhodii Argonautica, IV 604; Ovidii Metamorphoses, II 340.
TP
952
PT Pindari Pythia, IV 6-7. Cf. Stahl (1907:488).
TP
953
PT Cf. Verdenius (1987:64) e Hummel (1993:271, 347).
TP
954
PT Pindari Olympia, IX 59-60, X 28-30; Pythia, IX 115-116, XII 19-21; Nemea, III 58-63.
TP
955
PT Gildersleeve (1890:188) interpreta ? ? ?? como ?p?? ?? devido a f????as?a?, envolvendo o ‘modo’ de realizar
a ação, como em Homeri Odyssea, XVII 362; Demosthenis Philippica, III 8; Xenophontis Cyropaedia, I 2.5.
Willcock (1995:14) defende que se trata de um uso de ? ? ?? + optativo de finalidade, após tempo secundário na
oração principal, como em Homeri Ilias, XIX 328-32. Todavia, nessa passagem homérica, em que ? ? ?? é
igualmente seguido de dois optativos coordenados, nenhuma palavra exige uma epexegese. Cf. Chantraine
(1953:272).
TP
956
PT Para o relato da história, vide Zenonis Fragmenta, 1.62 Müller; Philostrati Imagines, II 27.3. Cf. Jurenka
(1893:187-9). Sfyroeras (1993:9) acrescenta que, em termos míticos, ao se imaginar que, nascida Atena,
atenienses e ródios apressam-se em levar o fogo para o cume de suas acrópoles e a serem os primeiros a
honrarem a deusa com sacrifício solene, pode-se ver o modelo de corrida de tochas que ocorria nas Panatenéias.
TP
957
PT Pindari Olympia, VI 75, VIII 45, X 58; Pythia, III 43, IX 119; Nemea, VI 18; Isthmia, VI 3.
TP
958
PT Alcaei Fragmenta, 129.2 LP; Sophoclis Oedypus Coloneus, 910. Alguns dos epítetos da deusa demonstram
sua predileção por acrópoles, por exemplo, Ácria, Hesychii Lexicon s.u ????a; e Oxiderca, Pausaniae Graeciae
descriptio, II 24.
TP
959
PT Homeri Ilias, IX 219, 231; Scholia uetera in Homeri Iliadem, IX 219b,d Erbse. Cf. Casabona (1956:70-5) e
Chantraine (1968:448-9).
TP
960
PT Euripidis Fragmenta, 912.4 Nauck. Em Aristófanes, designam sacrifícios envolvendo fogo, vide Aues, 566.
sacrifício envolvendo fogoTPF
961
FPT. seµ??? ‘solene’, ‘conforme o rito’TPF
962
FPT. ??µe??? aqui equivale a
p??e?s?a?TPF
963
FPT.
43(a). pat?? te ??µ?? ???a?e? ????: ??µ?? ???a?e? é uma expressão homéricaTPF
964
FPT. Na poesia
arcaica, ?a??? exprime a sensação de prazer físico que se expande pelo corpo, gerada por um
sentimento que atinge ??µ??, ?a?d?a, ?t??, f??? etc.TPF
965
FPT. É usada também na linguagem
médica, denotando a sensação de bem-estar físicoTPF
966
FPT.
43(b). ???e?ß??µ? : um hápax, com formação aparentada a ???e????a????TPF
967
FPT . No composto,
o elemento inicial não se flexiona com a declinação do substantivo, permanecendo no
dativoTPF
968
FPT, como em d????t?p??TPF
969
FPT . Remete ao barulho da arma de AtenaTPF
970
FPT e retoma a
imagem da deusa nascendo completamente armada, portando uma herança paterna, o trovão.
43(c). ?? d' ??et?? ?ßa?e? ... ????? ?d?? ??? f?e???: terceira gnoma da ode, cf. notas
24(a), 30(c), 53(c) e 94(a).
43(d). ??et??: ??et? é uma palavra fundamental no vocabulário poético de Píndaro. Pode
designar tanto a aptidão para se atingir o sucessoTPF
971
FPT quanto o próprio sucesso atingido graças
a essa aptidãoTPF
972
FPT, cf. nota 89(a). Para se alcançar a ??et?, são fundamentais f??, ‘habilidade
inata’, p????, trabalho exaustivo’, e favor dos deuses. Na presente passagem, deve ser
tomada no sentido de ‘excelência como aptidão para se atingir o sucesso’.
TP
961
PT Cf. Farnell (1923:53) e Fernández-Galiano (1956:223).
TP
962
PT Hymnus Homericus In Cererem, 476-8; Sophoclis Trachiniae, 765-6.
TP
963
PT Pindari Pythia, IV 29, 112-3; Olympia, XIII 53; Homeri Ilias, I 116; Solonis Fragmenta, 13.46 West;
Aeschyli Prometheus uinctus, 782; Agamemnon, 1059; Sophoclis Aiax, 13.
TP
964
PT Homeri Ilias, XXIII 47, 600, XXIV 119; Odyssea, IV 549, VI 156, XV 379.
TP
965
PT Pindari Olympia, II 13; Archilochi Fragmenta, 25.2 West; Alcmanis Fragmenta, 59a.2 Page; Theognis
Elegiae, 531 Young; Bacchylidis Epinicia, XVII 130.
TP
966
PT Hippocratis De mulierum affectibus, I 69.18. Cf. Latacz (1967:220-231), Verdenius (1987:65) e Gentili
(1995:332). Sfyroeras (1993:6) aponta a curiosa relação entre a expressão ?? ??? ??µ?? e a definição etimológica
proposta por Sócrates para ??µ??, “??µ??d? ?p? t?? ??se?? ?a? ??se?? t?? ????? ???? ?? t??t? t? ???µa, Platonis
Cratylus, 419e2.
TP
967
PT Pindari Olympia, XIII 77; Pythia, IV 194.
TP
968
PT Cf. Schwyzer I (1939:452) e Braswell (1988:279).
TP
969
PT Pindari Nemea, III 60, VII 9.
TP
970
PT Eurípides também emprega ß??µ?? para descrever barulho de armas, Heraclidae, 832; Phoenisae, 113. Cf.
Verdenius (1985:65).
TP
971
PT Pindari Nemea, IV 14; Isthmia, III 13.
TP
972
PT Pindari Olympia, XI 6; Nemea, V 23. Para um tratamento da ??et? na poesia grega arcaica, cf. H. Fränkel
(1968:613-5); especificamente em Píndaro, cf. Bowra (1964:171-6).
44(a). p??µa???? a?d??: uma passagem de interpretação difícil. a?d?? é o núcleo do sujeito
da oraçãoTPF
973
FPT. Seu sentido básico é ‘distância respeitosa’, de onde ‘reverência’, ‘respeito’ e
mesmo ‘temor (respeitoso)’TP
F
974
FPT. É usado com relação a pessoas que merecem algum tipo de
deferênciaTPF
975
FPT: reisTPF
976
FPT , parentesTPF
977
FPT, suplicantesTPF
978
FPT, convidadosTPF
979
FPT etc. Como uma deusa,
Aidos senta-se ao lado de ZeusTPF
980
FPT e, juntamente com Nêmesis, pune os que são
desrespeitosos com os paisTPF
981
FPT. Em Píndaro, constrói-se com genitivo, sendo o complemento a
pessoa/coisa pela qual se demonstra a?d??TPF
982
FPT.
p??µ??e?a é um dos aspectos da µ?t??. Designa a capacidade de antever a
possibilidade de sucesso em uma empreitadaTPF
983
FPT e/ou de tomar todas as providências para que
não haja imprevistos na consecução de uma açãoTPF
984
FPT. p??µa??? é um adjetivo e pode ser
interpretado de, pelo menos, quatro maneiras: a) como adjetivo substantivado, com sentido
neutro, ‘aquilo que é prudente’TPF
985
FPT; b) como um adjetivo com sentido passivo ‘quem foi
avisado previamente’TPF
986
FPT; c) com sentido ativo, ‘quem tem/mostra precaução’TPF
987
FPT ; d) como
uma personificação de Prometeu, o epônimo da precauçãoTPF
988
FPT.
No contexto da ode, p??µa??? parece se referir a Hélio, que, na condição de deus que
vê tudoTPF
989
FPT, avisou, com antecedência, seus filhos para cuidarem previamente de uma
TP
973
PT Wilamowitz (1922:363) considera que a?d?? pode ser uma forma de genitivo, equivalente a a?d???, por erro de
metagramatização, cf. Apresentação, p. 10, nota de rodapé nº 68.
TP
974
PT Cf. Erffa (1937:78).
TP
975
PT Zeus ? ?d???? é invocado em defesa das suplicantes, vide Aeschyli Supplices, 192.
TP
976
PT Homeri Ilias, IV 402.
TP
977
PT Pindari Olympia, VIII 59-61.
TP
978
PT Homeri Odyssea, IX 271.
TP
979
PT Homeri Odyssea, VII 165.
TP
980
PT Sophoclis Oedipus Coloneus, 1268. Em Platão, Aidos é mãe de Dique, vide Leges, 943e.
TP
981
PT Hesiodi Opera et dies, 200; Pausânias relata que havia um altar para ??d?? na ágora em Atenas, Graeciae
descriptio, I 17.
TP
982
PT Pindari Pythia, IV 218. Cf. Braswell (1988:302).
TP
983
PT Pindari Nemea, XI 46; Isthmia, I 40; Fragmenta, 52i.25 SM. Cf. Gentili (1995:519). Em Lícofron,
???µa????? é um epíteto de Zeus, Alexandra, 537.
TP
984
PT Cf. Bowra (1964:225).
TP
985
PT Platonis Laches, 188b1; Thucydidis Historiae, IV 92. Cf. LSJ s.u. p??µa???.
TP
986
PT Cf. Garrod (1915:131).
TP
987
PT Cf. Kühner-Gerth I (1898:60, 198), Schröder (1922:134) e Willcock (1995:125).
TP
988
PT Aeschyli Prometheus uinctus, 86. Sfyroeras (1993:6) afirma que mesmo que não haja uma referência
ao nume nessa passagem, p??µa???? sugere à audiência a divindade, pois Prometeu hipostatiza o princípio geral
da gnoma e sua aplicação particular no caso dos Heliadae. Fernández-Galiano (1956:224) aponta que os ródios
esqueceram não só a precaução, como também o fogo, dádiva de Prometeu aos homens. De acordo com essa
interpretação, sp??µa f?????, no verso 48, seria uma referência ao fogo que a divindade roubou de Zeus e
concedeu aos homens, vide Hesiodi Opera et dies, 50-2, 510; Luciani Prometheus, 2.
TP
989
PT Uma amostra dessa habilidade de Hélio é o fato de ele ver Rodes nascer do mar antes de todos os outros
deuses presentes à partilha do mundo, até mesmo Zeus, cf. nota 62(a).
obrigação que ainda estava por vir, µ????? f????as?a? ?????, i.e., para cultuarem a deusa
primeiro, p??t??, que os atenienses.
Nesse sentido, a?d?? p??µa???? deve ter o significado de ‘respeito a quem mostra
precaução’, uma referência ao fato de os Heliadae terem obedecido o conselho de seu
precavido pai.
45(a). ?p? µ?? ßa??e? ... ??? f?e???: outra metáfora náutica, cf. nota 30(d), a nuvem turba a
percepção do timoneiroTPF
990
FPT e o faz desviar do curso correto. É a segunda parte da gnoma, em
oposição à parte anteriorTPF
991
FPT. µ??, adversativo, enfatiza o contrasteTPF
992
FPT: o esquecimento é o
contrário da precauçãoTPF
993
FPT.
48(a). t??: pronome demonstrativoTPF
994
FPT , os Heliadae.
48(b). ???ßa?: para a acrópole de LindosTPF
995
FPT, ??s?? ?? ????p??e?, onde haveria
posteriormente o templo de Atena, cf. nota 42(c), no qual, segundo uma fonte antiga, essa ode
teria sido gravada com letras de ouroTPF
996
FPT. Nessa ode, não há menção alguma ao fato de Atena
ter escolhido Atenas e não RodesTPF
997
FPT como sua moradia, cf. nota 42(b).
48(c). sp??µa f?????: expressão criada possivelmente a partir da homérica sp??µa p????TPF
998
FPT.
Há, provavelmente, uma relação entre a ode de Píndaro e o mito etiológico das
PanatenéiasTPF
999
FPT: Hefesto, ou PrometeuTPF
1000
FPT , desejando Atena, perseguiu-a e, não conseguindo
alcançá-la, ejaculou na coxa da deusa. Usando uma peça de lã, ela teria limpado o sêmen e
TP
990
PT Para a mesma relação entre f??? e esquecimento, vide Pindari Pythia, IV 41. Cf. LSJ s.u. f??? I 3. Verdenius
(1987:68) defende que o sentido de f??? nessa passagem é ‘campo de visão mental’, como ?f?a?µ?? em Homeri
Ilias, III 306.
TP
991
PT Homeri Ilias, II 33; Pindari Olympia, II 95.
TP
992
PT Cf. Denniston (1950:350).
TP
993
PT A repetida menção a nuvens, cf. nota 49(b), foi considerada como um alerta de Píndaro a possíveis
extravagâncias políticas dos ródios, cf. Boeckh (1821:178). Vian (1974:335) considerou que essa reiterada
menção a nuvens formava a trama imagética da ode.
TP
994
PT Pindari Pythia, III 19, IV 148, 165; Isthmia, II 45. Cf. Denniston (1950:537) e Hummel (1993:174).
TP
995
PT Cf. Von der Mühl (1963:199).
TP
996
PT Gorgonis Fragmenta, 3 Müller.
TP
997
PT Vide Pindari Nemea, V 18 e Fragmenta, 180.2 SM, onde enuncia que nem sempre é benéfico que a verdade
mostre sua face, sendo o silêncio, muitas vezes, a escolha mais sábia.
TP
998
PT Homeri Odyssea, V 490, única ocorrência de sp??µa em Homero. sp??µa p???? ocorre em outro epinício, vide
Pindari Pythia, III 37.
TP
999
PT Herodoti Historiae, VIII.44; Apollodori Bibliotheca, III 14; Eratostenis Cataterismi, 1.13; Hygini Fabulae,
166; Astronomica, II 13.2; Androtionis Fragmenta, 1 Müller; Harpocrationis Lexicon in decem oratores Atticos,
68.12 Dindorf. Cf. Sfyroeras (1993:3).
jogado o tecido fora, o qual caiu na terra e deu origem a Erictônio. Erictônio teria sido
educado por ela em seu templo na acrópole de Atenas e, posteriormente, instituído as
Panatenéias e conferido aos atenienses o nome da deusa. sp??µa poderia, assim, estar sendo
usado de forma ambivalente. De acordo com Apolônio Ródio, o sacrifício sem fogo dos
ródios seria por causa de sua inimizade para com Hefesto, que teria tentado estuprar
AtenaTPF
1001
FPT .
48(d). ????te? ... ??: a colocação do advérbio de negação no final da sentença é um fato
excepcional, que enfatiza a negaçãoTPF
1002
FPT. É normal a ocorrência de ?? na última posição da
frase na prosa ática, mas apenas em frases balanceadas por µ?? ou d?TPF
1003
FPT.
48(e). ?p????? ?e????: referência etiológica aos sacrifícios realizados sem uso do fogo em
Rodes
1004
. Provavelmente oferendas sem sangue, como frutas, bolos, grãos e vinho, como as
que eram destinadas às divindades ctônicasTPF
1005
FPT. Esse tipo de oferenda era bastante comum na
GréciaTPF
1006
FPT, mas no caso de Atena deve ter parecido anormal, principalmente se se considera a
maneira como a deusa era cultuada no mais famoso dos festivais dedicados a ela, as
Panatenéias, também relacionado com o dia de seu nascimento
1007
FPT, cf. notas 42(b) e 48(c), em
que um dos eventos centrais era a competição do fogo novo por meio de uma corrida de
tochasTPF
1008
FPT. De acordo com as regras da corrida, o vencedor deveria não apenas chegar
49(a). ?e????s? ... ??ate??: apesar do descuido dos Heliadae, Atena concedeu-lhes grandes
dons, mesmo não tendo escolhido Rodes como moradiaTPF
1011
FPT. A menção é à mesma chuva de
ouro citada anteriormente, cf. nota 34(c)
1012
. A apresentação que Píndaro faz dos eventos
segue um hábito estilístico comum a ele: introduz um elemento do mito e, então, desenvolve a
narrativa; após tê-la desenvolvido, retoma o elemento inicialmente declarado e dá seqüência à
odeTPF
1013
FPT.
49(b). ?a???? ??a??? ?ef??a?: a nuvem adquire a cor do ouro que carrega. As noções de
cor e de brilho estão associadasTPF
1014
FP, cf. nota 32(a).
50(a). ?e????s? µ?? [?e??] p???? ?se ???s?? : alguns editores propõem que, em vez de
?e????s? µ??, tenha-se ?e????? ? µ?? , a fim de que se explicite o sujeito de ?seTPF
1015
FPT. Por outro
lado, os mais velhos manuscritos de Píndaro trazem a lição ?e?? no final do verso 49, a qual
foi adotada em algumas edições modernasTPF
1016
FPT. A palavra ?e??, todavia, é contrária ao metro.
O mais simples é manter ?e????s? µ??, transmitido pelos manuscritos, e retirar a lição
contrária ao metro, pois é evidente que Zeus é o sujeito de ?se e de ??a???, já que era
comumente assumido que a chuva dele provinhaTPF
1017
FPT .
Chuvas de ouro marcam o nascimento de deuses e heróis também em outros
poemasTPF
1018
FPT. p???? ???s?? é acusativo cognatoTPF
1019
FPT.
50(b). a?t? d? sf?s?? ?pase t???a? p?sa? ?p???????? G?a???p?? ???st?p????? ?e?s?
??ate??: t???a? é complemento de ? paseTPF
1020
FPT, e ??ate?? é infinitivo epexegéticoTPF
1021
FPT, com
TP
1011
PT Sfyroeras (1993:7) observou que não havia paralelos, nas fontes antigas, para o fato de os ródios terem sido
recompensados por suas boas intenções. Segundo ele, de acordo com o pensamento grego arcaico, boas
intenções, em oposição a atos, dificilmente seriam recompensadas. Há de se observar que, no entanto, os ródios
de fato realizaram o rito, apesar de não conforme prescrito, motivo pelo qual receberam um dom menor do que o
dos atenienses, cujo prêmio foi ter a deusa como habitante de sua cidade.
TP
1012
PT Fernández-Galiano (1956:224), Von der Mühl (1963:200), Ruck (1968:131) e Wilcock (1995:123).
TP
1013
PT Pindari Pythia, III 8-11 e 38, IX 5-6 e 68, Nemea, X 55-9 e 90. Esse procedimento foi identificado, em
1932, por Illig e recebeu a denominação de Ringkomposition, ‘composição em anel’, cf. Apresentação, p. 36.
TP
1014
PT Pindari Olympia, VI 55; Pythia, IV 225; Fragmenta, 70b.10 SM; Bacchylidis Epinicia, III 56; Cf.
Gildersleeve (1890:188), Verdenius (1987:69) e Braswell (1988:233).
TP
1015
PT A lição foi proposta inicialmente por Mingarelli (1772) e retomada por Gildersleeve (1890), Schroder
(1922) e Turyn (1952).
TP
1016
PT Cf. Snell-Mähler (1987).
TP
1017
PT Em Homero, o sujeito de ?? é sempre Zeus, Ilias, XII 25; Odyssea, XIV 457; Hesiodi Theogonia, 488;
Herodoti Historiae, II 13. Posteriormente, o verbo ou é impessoal, Hesiodi Opera et dies, 552; Herodoti
Historiae, I 87, ou tem como sujeito as nuvens, Aristophanis Nubes, 368; Luciani Verae Historiae, 2.14.
TP
1018
PT Pindari Pythia, XII 17, no nascimento de Perseu; Isthmia, VII 5, no nascimento de Héracles; Callimachi
Hymnus in Delum, 260, no nascimento de Apolo.
complemento no genitivo, ?p????????TPF
1022
FPT , e acompanhado de um dativo instrumental, ?e?s?
???st?p?????TPF
1023
FPT. Encontrar Atena como a única doadora das artes manuais aos mortais é sem
precedentes e faz do relato de Píndaro único, pois Hefesto é freqüentemente associado com a
deusa nessa funçãoTPF
1024
FPT, cf. nota 35(c). A técnica que Atena concede aos Heliadae, por outro
lado, corresponde ao que em outras fontes é o produto da arte de Hefesto: produzir artefatos
que se assemelham a seres vivosTPF
1025
FPT.
52(a). ???a d? ????s?? ??p??tess? ?' ?µ??a ???e???? f????: Píndaro provavelmente se
inspira no que diz Homero sobre as obras de HefestoTPF
1026
FPT. ????s?? ?µ??a é composto a partir
do homérico ???s? e??????a?. ??p? tem, originalmente, o significado de ‘mover-se’TPF
1027
FPT,
principalmente de animais quadrúpedes, sendo posterior a acepção de arrastar-se, para
descrever o movimento de répteis
1028
FPT. ???e???? f???? ???a significa literalmente ‘os
caminhos levavam/traziam artefatos’, mas deve equivaler a ‘os artefatos iam pelas ruas’TPF
1029
FPT.
De acordo com as fontes antigas, a arte de fazer estátuas mágicas, que tinham o poder
de caminhar, era uma habilidade de Hefesto, cf. nota 35(c), de DédaloTPF
1030
FPT e dos
TelquinesTPF
1031
FPT, que teriam habitado Rodes antes do grande dilúvioTPF
1032
FPT, cf. nota 53(b).
53(a). ?? d? ????? ßa??: como ßa??????TPF
1033
FPT, homérico, e ßa??d????TPF
1034
FPT, pindárico. ?????
é uma palavra importante no vocabulário poético de Píndaro: designa o renome que passa de
TP
1019
PT Aristophanis Nubes, 1280. Cf. Kühner-Gerth I (1898:308-9).
TP
1020
PT Cf. Gildersleeve (1890:188). Fernández-Galiano (1956:225) constrói t???a? como acusativo de relação
unido a ??ate??.
TP
1021
PT Pindari Olympia, IX 66; Homeri Ilias, XXIII 151.
TP
1022
PT Homeri Ilias, I 79, 288; Odyssea, XV 74; Aeschyli Prometheus uinctus, 149; Sophoclis Aiax, 1337.
TP
1023
PT Pindari Olympia, VIII 20; Isthmia, III 13; Euripidis Heracles, 612; Aristophanis Acharnenses, 648.
TP
1024
PT Pindari Fragmenta, 52i.66; Homeri Odyssea, VI 232; Hymnus Homericus In Vulcanum, 1-3.
TP
1025
PT Homeri Ilias, XVIII 417. Sobre t???a em geral, cf. Schärer (1930:4-5), especificamente em Píndaro, cf.
Bowra (1964:4-5).
TP
1026
PT Homeri Ilias, XVIII 418.
TP
1027
PT Pindari Fragmenta, 106 SM; Homeri Ilias, XVI 447. Cf. Ruijgh (1957: 133-4).
TP
1028
PT Herodoti Historiae, I 140; IV 183. Cf. Chantraine (1968:374).
TP
1029
PT Para outro exemplo da tendência de Píndaro de transpor as funções de sujeito e objeto, cf. nota 83(b).
Gildersleeve (1890:189) e Fernández-Galiano (1956:225) argumentam que o trecho se refere a estátuas que
estavam colocadas nas ruas e que não há referência a que elas se movimentavam. Sfyroeras (1993:15) aponta
que f???? tem aqui o sentido de “produzir”, “gerar”, como em Homeri Odyssea, IV 229, IX 131; Hesiodi Opera
et dies, 117; Herodoti Historiae, VI 139; Platonis Timaeus, 24c, e que a frase seria uma alusão a alguma forma
de autoctonia.
TP
1030
PT Euripidis Hecuba, 838; Platonis Euthyphro, 15b; Meno, 97d.
TP
1031
PT Strabonis Geographica, XIV 2. De acordo com Kassel (1983:2-4), as histórias sobre estátuas que se movem
parecem refletir, por meio do mito, a admiração dos gregos da idade arcaica pela arte realística, vide Homeri
Ilias, XVIII 584-9; Hesiodi Theogonia, 584.
TP
1032
PT Diodori Siculi Bibliotheca historica, IV 76; V 56; Zenonis Fragmenta, 1.2-11 Müller.
geração a geração graças ao poder imortalizador do epinícioTPF
1035
FPT. Nesse caso, entretanto, a
fama dos ródios não está associada à louvação por um poeta, mas a sua excelência nas artes
manuais por causa do dom concedido a eles por AtenaTPF
1036
FPT.
ßa???, propriamente ‘profundo’, significa, já em Homero, também ‘alto’TPF
1037
FPT, pois o
sentido é o da extensão entre duas extremidadesTPF
1038
FPT. A expressão, portanto, pode ser
entendida como semelhante à épica ????? ???a??? ??e?TPF
1039
FPT.
53(b). da??t? ... te???e?: desde HeyneTPF
1040
FPT, tem-se visto nessa passagem uma alusão aos
Telquines. Esses seres míticos teriam habitado Rodes antes dos Heliadae e de lá teriam
partido por causa de uma grande enchente que inundou a ilha e propiciou que, posteriormente,
ela ressurgisse do marTPF
1041
FPT, cf. nota 62(b).
Na verdade, as informações supérstites sobre os Telquines são raras e desencontradas.
Seriam filhos de Posêidon e de TálassaTPF
1042
FPT e, como tais, seres marinhos, sem pés e com
barbatanas no lugar das mãosTPF
1043
. Outro mito diz que teriam sido encarregados, por Rea, de
criar, juntamente com a Oceanida Cáfira, PosêidonTPF
1044
FPT . Outra tradição diz que os nove
Curetes que acompanharam Rea a Creta e que criaram Zeus eram TelquinesTPF
1045
FPT. Foram
identificados também como os cães de Acteon transformados em homensTPF
1046
FPT. Seus nomes
eram MilasTPF
1047
FPT, AtabírioTPF
1048
FPT, Ante, Megalésio, Hormeno, Licos, Nícon, SímonTPF
1049
FPT, Críson,
Argíron, ChalconTPF
1050
FPT.
TP
1033
PT Homeri Ilias, XVI 596. Posteriormente, o próprio Homero seria chamado, eruditamente, de ßa??????, vide
Phillipi Anthologia Graeca, IX 575.5.
TP
1034
PT Pindari Pythia, I 66.
TP
1035
PT Pindari Olympia, I 23, 93, VIII 11, IX 101, X 21, 95; Pythia III 111, IV 174; Nemea, VII 63, IX 39; Isthmia,
VI 25, VII 29.
TP
1036
PT Pindari Pythia, I 66; Nemea, VIII 36.
TP
1037
PT Homeri Ilias, II 147, 148; Odyssea, 135; Herodoti Historiae, V 92.
TP
1038
PT Pindari Pythia, X 15; Aeschyli Prometheus uinctus, 652; Supplices, 554; Sophoclis Aiax, 130; Euripidis
Phoenisae, 648; Herodoti Historiae, IV 53. Cf. Farnell (1923:55).
TP
1039
PT Homeri Ilias, VIII 92; Odyssea, VIII 74, IX 20, XIX 108.
TP
1040
PT Cf. Heyne (1817:123).
TP
1041
PT Cf. Herter (1960:197-224).
TP
1042
PT Diodori Siculi Bibliotheca historica, V 55; Nonni Dionysiaca, XIV 40.
TP
1043
PT Eustathii Commentarium ad HomeriIliadem. 771.
TP
1044
PT Diodori Siculi Bibliotheca historica, V 55; Strabonis Geographica, XIV 2; Pausaniae Graeciae descriptio,
IX 19.
TP
1045
PT Strabonis Geographica, X 47.
TP
1046
PT Eustathii Commentarium ad HomeriIliadem, 771.
TP
1047
PT Hesychii Lexicon s.u. ???a?.
TP
1048
PT Stephanii Byzantinii Ethnica s u. ??taß?????.
TP
1049
PT Tzetzae Chiliades, VII 124, XII 835; Zenobii Corpus paroemiographicum, V 41.
TP
1050
PT Eustathii Commentarium ad HomeriIliadem, 772; Vide Diodori Siculi Bibliotheca historica, V 55.
Os relatos sobre os Telquines podem ser sintetizados em três tradições diversas: 1) os
Telquines seriam cultivadores do solo e ministros dos deuses e, como tais, vieram de Creta
para Chipre e então para Rodes, ou vieram de Rodes para Creta e então para a Beócia. Rodes,
também chamada de TelquinisTPF
1051
FPT, era considerada sua principal morada, onde habitavam as
três cidades da ilhaTPF
1052
FPT . Teriam abandonado a ilha porque previram que ela seria inundada e,
então, espalharam-se em diferentes direções: Licos foi para a Lícia, onde construiu o templo
de Apolo Lício, que havia sido cultuado pelos Telquines em Lindos com o nome de Apolo
TelquínioTPF
1053
FPT . Alguns de seus irmãos teriam ido para Teumessus, na Beócia, onde instituíram
o culto a Atena TelquíniaTPF
1054
FPT – Telquínia seria também epíteto de Hera, que teria sido
cultuada sob esse nome em lálissos e CamirosTPF
1055
FPT; 2) seriam feiticeiros e divindades
invejosasTPF
1056
FPT. Seus olhos e rostos eram considerados destrutivosTPF
1057
FPT. Tinham o poder de
fazer cair granizo, chuva e neve e de assumir a forma que quisessemTPF
1058
FPT. Misturavam água do
Estige com enxofre para destruir animais e plantasTPF
1059
FPT. Rea, Apolo e Zeus são apresentados
como seus inimigosTPF
1060
FPT : diz-se que Apolo assumiu a forma de um lobo e os destruiuTPF
1061
FPT e
que Zeus os teria matado com uma inundaçãoTPF
1062
FPT; 3) seriam exímios artistas, considerados
como inventores de várias técnicas e responsáveis pela construção das primeiras imagens dos
deuses. Trabalhavam com bronze e aço e teriam feito a foice de Cronos e o tridente de
PosêidonTPF
1063
FPT.
Todavia, os principais relatos sobre os Telquines são tardiosTPF
1064
FPT. As fontes mais
antigas não os associam nem com Rodes nem com feitiçariaTPF
1065
FPT. A associação com trapaças,
ßas?a??a, foi feita pela primeira vez por Xenomedes, que, da mesma maneira que Calímaco
TP
1051
PT Strabonis Geographica, XIV 2.
TP
1052
PT Ovídio chama os Telquines de Ialysii, Metamorphoses, VII 365. Vide Eustathii Commentarium ad Homeri
Iliadem, 291.
TP
1053
PT Diodori Siculi Bibliotheca historica, V 5.
TP
1054
PT Pausaniae Graeciae descriptio, IX 19.
TP
1055
PT Diodori Siculi Bibliotheca historica, V 5.
TP
1056
PT Sudae Lexicon s.u. ß?s?a??? ?a? ???te?; Strabonis Geographica, XIV 2; Eustathii Commentarium ad Homeri
Iliadem, 941, 1391.
TP
1057
PT Ovidii Metamorphoses, VII 365; Tzetzae Chiliades, XII 814.
TP
1058
PT Diodori Siculi Bibliotheca historica, V 5.
TP
1059
PT Strabonis Geographica, XIV 2.
TP
1060
PT Scholia in Apollonii Rhodii Argonautica, I 1141.
TP
1061
PT Servii In Vergilii Aeneidos libros, IV 377.
TP
1062
PT Ovidii Metamorphoses, VII 367.
TP
1063
PT Diodori Siculi Bibliotheca historica, V 5; Strabonis Geographica, XIV 2; Callimachi Hymnus in Delos, 31.
TP
1064
PT Diodori Siculi Bibliotheca historica, V 55; Strabonis Geographica, XIV 6; Suetonii ?e?? ß?asf?µ??? ?a?
p??e? ???st? , 4.31 Taillardt.
TP
1065
PT Stesichori Fragmenta, 265 Page; Bacchylidis Fragmenta ex operibus, incertis, 24.5 Irigoin.
fará mais tardeTPF
1066
FPT, apresenta-os como habitantes de CéosTPF
1067
FPT. A associação com Rodes é
posterior a Píndaro.
A suposição de Heyne de que essa passagem se refere aos Telquines fundamentou-se
na hipótese de que Píndaro, com essa frase, pretendia mostrar que os Heliadae, apesar de
exímios artistas, diferentemente dos Telquines, não praticavam feitiçariaTPF
1068
FPT. Todavia, a
sentença é uma gnoma e não há evidência de que os Telquines estariam associados a Rodes
no tempo de PíndaroTPF
1069
FPT.
53(c). da??t? d? ?a? s?f?a µe???? ?d???? te???e?: quarta gnoma da ode, cf. notas 24(a),
30(c), 43(c) e 94(a). da??t? é o particípio aoristo de ?d???, verbo defectivo, no dativo, e tem o
sentido ‘para quem aprendeu’TPF
1070
FPT. s?f?a designa o conhecimento, em vários sentidosTPF
1071
FPT.
Aqui no sentido de detenção de uma habilidade, conhecimento de uma técnicaTPF
1072
FPT, cf. notas
30(e) e 71(d). Em Píndaro, a palavra é usada freqüentemente com relação à músicaTPF
1073
FPT e à
poesiaTPF
1074
FPT. No presente caso, pode-se aplicar também à habilidade dos ródios em produzir
artefatos. É o sujeito da oração, com quem se combina o atributo adnominal µe????. ?d????
significa ‘sem artifícios’, ‘sobre o que não há suspeita de dolo’. d???? originalmente tem
sentido concretoTPF
1075
FPT, ‘artifício’TPF
1076
FPT, mas também pode ser usado em sentido abstrato,
‘engano’TPF
1077
FPT. Nesse passo, o sentido concreto prevalece. ?d???? é o predicadoTPF
1078
FPT.
54(a). fa?t?: introduz o terceiro mito. Mais uma vez, há uma regressão no tempo, cf. nota
34(b), para o momento anterior ao surgimento de Rodes, quando os deuses partilhavam o
mundo entre si.
TP
1066
PT Callimachi Fragmenta, 75 Pfeiffer, que cita o próprio Xenomedes.
TP
1067
PT Xenomedis Fragmenta, 3 Müller, que teria vivido, provavelmente, no século V a.C.
TP
1068
PT Cf. Farnell (1933:55) e Bowra (1965:339).
TP
1069
PT Cf. Ruck (1968:129-132), Defradas (1974:47), Bresson (1980:52) e Young (1987:152-157).
TP
1070
PT Homeri Ilias, XV 411; cf. Kühner-Gerth I (1898:429) e Schwyzer II (1950:189).
TP
1071
PT Cf. Gladigow (1965).
TP
1072
PT Homeri Ilias, XV 412; Pindari Olympia, II 56, IX 107; Pythia, III 54, IV 263; Fragmenta, 52h.4, 52n.40,
61.1, 133.4, 209, 260 SM.
TP
1073
PT Hymnus Homericus In Mercurium, 483, 511.
TP
1074
PT Solonis Fragmenta, 13.52 West; Pindari Olympia, I 116, IX 38; Pythia, I 12, IV 248, VI 49; Nemea, VII 23;
Isthmia, VII 18; Fragmenta, 52g.20, 353 SM. Cf. Verdenius (1983:29) e Braswell (1988:342).
TP
1075
PT Refere-se, originalmente, a um artefato utilizado por pescadores para apanhar peixes, vide Homeri Odyssea,
XII 252. cf. LSJ s.u. d????.
TP
1076
PT Homeri Ilias, VI 187, VIII 276, 494, XIX 137; Hesiodi Theogonia, 82; Batrachomyomachia, 116; Pindari
Olympia, IX 91; Pythia, II 39, III 32, XI 18; Nemea, V 26.
TP
1077
PT Homeri Ilias, VII 141; Odyssea, IX 406; Aeschyli Prometheus uinctus, 215; Sophoclis Oedipus Tyrannus,
960.
TP
1078
PT Horatii Carmina, IV 4.3. Cf. Wilamowitz (1922:367) e Verdenius (1987:73).
54(b). fa?t? d' ?????p?? pa?a?a? ??s?e?: os escólios informam que não fontes anteriores a
Píndaro sobre as histórias da partição da terra entre os deusesTPF
1079
FPT e da emergência de Rodes
do marTPF
1080
. É possível que Píndaro as tenha derivado de tradições locais ródiasTPF
1081
FPT.
56(a). ?? pe???e? p??t?? : p??t?? designa aqui o mar profundo, o local de tráfego, o p?t??
das naus. pe????? tem como significado básico ‘alto mar’, ‘mar aberto’TPF
1082
FPT. Algumas vezes,
é empregado no sentido específico de ‘superfície’, ‘extensão do mar’, especialmente quando
combinado com outras palavras designando corpo de águaTPF
1083
FPT, cf. nota 69(a).
58(a). ?pe??t?? ... ??e????: Píndaro não declara a razão da ausência de Hélio à partição do
mundo feita pelos deusesTPF
1084
FPT. Hélio foi o único Titã que se recusou a lutar contra Zeus e era
pouco provável que fosse esquecido na partilha do mundoTPF
1085
FPT, cf. nota 39(c).
58(b). d' ??t?? ??de??e? ????? ... ???a? ??????t?? ??p??: a passagem remete a um
sorteio: ??de?????a? é ‘apontar aquilo que é devido a alguém’TPF
1086
FPT e ?????, palavra poética,
tem sentido passivo, ‘o lote conquistado em um sorteio’TPF
1087
FPT. ??????t??, ‘desprovido de’,
passivo de ???????, indica que o deus não tomou parte no sorteio, ficou sem um ??????, a
pedrinha ou o pedaço de madeira marcado por cada participante do sorteio com seu sinal
TP
1079
PT O único testemunho análogo é Homero, Ilias, X 189-192, em que Posêidon descreve a principal divisão do
mundo entre ele e seus irmãos, Hades e Zeus. O relato de Píndaro é provavelmente criado com base nessa
passagem, visto que o vocabulário empregado, notadamente as formas verbais, é muito parecido. Vide Hesiodi
Theogonia, 885. Cf. Robertson (1941:69), Verdenius (1987:74) e Willcock (1995:129).
TP
1080
PT Os relatos sobre a enchente que teria inundado Rodes e causado o êxodo ou a morte dos Telquines são
posteriores, Ovidii Metamorphoses, VII 367; Eustathii Commentarium ad Homeri Iliadem, 291.
TP
1081
PT Pindari Nemea, I 34. Farnell (1923:55) aponta que o mito da partição geral da terra entre várias deidades
deve ser a sistematização de lendas locais encontradas esporadicamente, como a da disputa de Atena e Posêidon
pela Ática. Young (1968:87) e Verdenius (1987:74) argumentam que Píndaro inventou a história e que, para
mascarar o fato de que a inventou, utilizou o artifício de enfatizar sua origem remota, técnica posteriormente
utilizada também por Platão, Timaeus, 21a7.
TP
1082
PT Homeri Ilias, XIV 16; Odyssea, III 179. Cf. Frisk (1972) e Chantraine (1968).
TP
1083
PT Pindari Fragmenta, 140b.6 SM; Homeri Ilias, XXI 59; Odyssea, V 335; Aeschyli Persae, 109-12; Euripidis
Heracles, 400; Apolonii Rhodii Argonautica, II 608. Cf. Lesky (1947:11), Fernández-Galiano (1956:226),
Verdenius (1987:74) e Braswell (1988:346).
TP
1084
PT A ausência de Hélio poderia ter ocorrido por causa de um eclipse, cf. Norwood (1945:143), ou, mais
provavelmente, porque estaria realizando sua jornada diária pelo céu, vide Homeri Ilias, XI 2, e, portanto, não
poderia estar presente no momento do sorteio, cf. Welcker (1834:381).
TP
1085
PT Servii In Vergilii Aeneidos libros, VI 280. Cf. Vian (1974:325).
TP
1086
PT Homeri Ilias, XIX 83; Herodoti Historiae, VIII 141.
TP
1087
PT Pindari Nemea, X 85; Aeschyli Eumenides, 400.
distintivo e jogado dentro de um elmo ou vaso, para ser sorteadoTPF
1088
FPT. Seu complemento é o
genitivo ???a?TPF
1089
FPT.
60(a). ????? ?e??: ????? é um epíteto tradicional para se referir à pureza da luz do solTPF
1090
ou,
mais geralmente, a seus poderes elementaresTPF
1091
FPT .
61(a). µ?as???t?: depoente, ‘em favor do que se fez lembrar’TPF
1092
FPT. Ao regressar, Hélio
chamou a atenção para a omissão cometida.
61(b). ?µpa???: lição dos manuscritos e escólios, é uma palavra raríssima, encontrada apenas
nessa passagem e em uma inscrição na Melitéia, no século III a.C., onde, no entanto, designa
um contratoTPF
1093
FPT. Em Píndaro, provavelmente deriva do verbo ??ap????, de p????
‘lançar’TPF
1094
FPT ou ‘retirar’TPF
1095
FPT o ??????, com prefixo ??a, indicando repetiçãoTPF
1096
FPT: ‘um novo
lance de sortes’TPF
1097
FPT.
61(c). µ???e? ??µe?: como um verbo de finalidade, µ???? pode ser construído com
infinitivo aoristo ou, mais comumente, com infinitivo presente. Como verbo de pensamento, a
norma é que se construa com infinitivo futuroTPF
1098
FPT, como seria de se esperar nessa passagem.
A construção com infinitivo aoristo pode ser explicada pelo fato de a duração interna do
evento designado pelo verbo não estar sendo considerada
1099
. Nesse caso, o aoristo não
exprime anterioridadeTPF
1100
FPT.
TP
1088
PT Homeri Ilias, III 316, 325, VII 175, 182, XXIII 325; Odyssea, X 206, XIV 209.
TP
1089
PT Homeri Odyssea, XI 490; Aeschyli Eumenides, 353; Euripidis Bacchae, 33, 40. Cf. Kühner-Gerth I
(1898:363, 382, 401-2), Schroeder (1922:126), Farnell (1923:55) e Schwyzer II (1950:132).
TP
1090
PT Aeschyli Prometheus uinctus, 280; Sophoclis Electra, 86. Cf. Roloff (1953:114) e Moulliner (1952:270-8).
TP
1091
PT Pindari Pythia, I 21; Sophoclis Oedipus Tyrannus, 1425-8. Plutarco, Numa, 9.5-6, relata que, quando o fogo
perpétuo de Delfos era extinto, não poderia ser substituído por nenhum outro fogo, a não ser uma nova chama do
puro fogo do sol.
TP
1092
PT Homeri Odyssea, V 118. Cf. Schwyzer I (1938:760).
TP
1093
PT Inscriptiones Graecae IX, I 188.15 Dittenberger.
TP
1094
PT Ativo, vide Homeri Ilias, III 316, 324, VII 181; Odyssea, X 206.
TP
1095
PT Médio, vide Homeri Ilias, XV 191, XXIV 400; Herodoti Historiae, III 128; Sophoclis Antigone, 396.
TP
1096
PT Cf. LSJ s.u. ??a F3.
TP
1097
PT Cf. Verdenius (1987:75) e Willcock (1995:128). Gildersleeve (1890:189) e Fernández-Galiano (1956:224)
defenderam que se tratava de uma tmese, ??a ... t????a?, cf. nota 5(g).
TP
1098
PT Cf. Gildersleeve (1890:189).
TP
1099
PT Cf. Kühner-Gerth I (1898:179), Bakker (1966:3-15) e Verdenius (1987:76).
TP
1100
PT Pindari Olympia, VIII 32. Cf. Szemernyi (1951:346-369) e Hummel (1993:249).
62(a). e?pe a?t?? ????: infinitivo subordinado ao verbo dicendi e?pe com o sujeito do
infinitivo no nominativo, por ser o mesmo do verbo principalTPF
1101
FPT. É natural que Hélio
perceba a ilha crescendo, já que, de sua posição, vê tudo o que há para verTPF
1102
FPT, cf. nota 39(c),
e pode olhar verticalmente para dentro do oceano.
62(b). a???µ??a? ped??e?: a ilha de Rodes nasce como uma rosa desde o fundo do mar, e
Píndaro certamente está aludindo à ambivalência de ??d??, nos casos oblíquos, ‘rosa’ e
‘Rodes’ igualmenteTPF
1103
FPT. Descrição acurada do ponto de vista geológico, já que as ilhas ao sul
do Egeu são os picos de antigos vulcões. O mar está a mais de 3.000 metros de profundidade
a leste de Rodes e o Monte Atabíris, ponto mais alto da ilha, está a 1.240 metros acima do
nível do marTPF
1104
FPT.
63(a). p???ß?s???: como o homérico p???ß?te????TPF
1105
FPT.
64(a). ???s?µp??a ???es??: Láquesis é a Moira que determina a parte que cabe a cada
indivíduo e, portanto, intervém a propósito de partilha realizada por meio de sorteioTPF
1106
FPT,
?????, cf. nota 58(a). ???s?µp??a é um epíteto homérico, aplicado aos cavalos dos deuses,
provavelmente uma referência ao arreioTPF
1107
FPT. Posteriormente, aplica-se às próprias divindades
e numesTPF
1108
FPT, referindo-se a diademas ou tiaras de ouro. Sobre o ouro, cf. nota 32(a).
65(a). ?e??a? ??te??a?: um gesto de juramento, como aqui, mas também de preceTPF
1109
FPT.
65(b). ?e?? d' ????? µ??a? µ? pa?f?µe?: o juramento pelas águas do rio EstigeTPF
1110
FPT. Estige
é o nome do principal rio do HadesTPF
1111
FPT, o décimo braço do OceanoTPF
1112
FPT. É apresentada
TP
1101
PT Sophoclis Oedipus Coloneus, 932; Platonis Phaedo, 59e5.
TP
1102
PT Homeri Ilias, III 277.
TP
1103
PT Norwood (1945:139-145) diz que o símbolo unificador dessa ode é o da rosa/Rodes que nasce do mar e que
todas as alusões ao domínio vegetal, ?µp???? ... d??s?, no verso 2, ?a?p?? f?e???, no 8, ?µp?a??a? ... ???µa?ta?, no
26, s?????? ??a?a?, no 29, sp??µa f?????, no verso 48, e te?e?ta?e? d? ????? ????fa? ?? ??a?e?? pet??sa?, no 68,
referir-se-iam a esse símbolo principal. Cf. nota 2(b).
TP
1104
PT Cf. Willcock (1995:128).
TP
1105
PT Homeri Ilias, III 89, XI 770; Odyssea, XI 365.
TP
1106
PT Hesiodi Theogonia, 218; Scutum, 258; Apollodori Bibliotheca, I 13.
TP
1107
PT Homeri Ilias, V 358, 363, 720, VIII 382; Pindari Olympia, XIII 65.
TP
1108
PT Horas, Hymnus Homericus In Venerem, 5, 12; Pindari Fragmenta, 30.6 SM; Musas, Hesiodi Theogonia,
916; Pindari Pythia, III 89; Isthmia, II 1; Urânia, Bacchylidis Epinicia, V 13; e Ártemis, Euripidis Hecuba, 465.
TP
1109
PT Pindari Isthmia, VI 41; Aristophanis Aues, 623.
TP
1110
PT Homeri Ilias, XV 37; Odyssea, V 185; Hesiodi Theogonia, 400; Scutum, 784; Hymnus Homericus in
Apollinem, 83.
também como uma ninfa, filha de Oceano e de Tétis, que habita uma majestosa gruta
sustentada por colunas de prata na entrada do HadesTPF
1113
FPT . Unida a Palas, gerou Zelo, Nique,
Bia e Cratos. Foi a primeira divindade a oferecer sua ajuda e a de seus filhos a Zeus contra os
Titãs. Em retribuição, seus filhos puderam viver para sempre junto ao Cronida e ela se tornou
a divindade para quem os juramentos mais solenes eram feitosTPF
1114
FPT. Quando um dos deuses
jurava pelo Estige, Íris buscava uma vasilha de ouro contendo água do rio, a qual o deus que
não cumprisse a promessa era obrigado a beber. Como resultado, ficava sem voz durante um
ano e banido do Conselho dos Deuses por noveTPF
1115
FPT .
pa??f?µ? indicando a ação de perjurar ocorre apenas em PíndaroTPF
1116
FPT.
67(a). ???? ?????? s?? pa?d? ?e?sa?: Zeus compromete-se a observar o juramento com um
movimento de cabeça, gesto que lhe é característico também em outras obrasTPF
1117
FPT.
67(b). ?? ?efa??: ‘para ele’, metonimicamente, a cabeça pela pessoaTPF
1118
FPT.
68(b). te?e?ta?e? d? ????? ????fa? ?? ??a?e?? pet??sa?: uma metáfora de domínio
vegetal. ????? ????fa?, ‘o essencial das palavras’
1119
, refere-se ao pedido de Hélio a Zeus e
Láquesis. As palavras são sementes que caíram, pet??sa?
1120
FPT, na verdade, ?? ??a?e?? , a
partir das quais brotou a ilha de RodesTPF
1121
FPT, ß??ste ?? ???? ????? ??s??, cf. nota 62(b).
69(a). ???? ?????: um epíteto tradicional para o marTPF
1122
FPT, cf. nota 56(a).
TP
1111
PT Homeri Ilias, II 755, VIII 369, XIV 271; Vergilii Georgica, IV 480; Aeneis, VI 439.
TP
1112
PT Homeri Odyssea, X 511; Hesiodi Theogonia, 789.
TP
1113
PT Hesiodi Theogonia, 361, 778; Apollodori Bibliotheca, I 2; Callimachi Hymnus in Jovem, 36.
TP
1114
PT Hesiodi Theogonia, 383; Homeri Odyssea, V 185, XV 37; Apollonii Rhodii Argonautica, II 191; Apollodori
Bibliotheca, I 2; Vergilii Aeneis, VI 324, XII 816; Ovidii Metamorphoses, III 290; Silii Italici Punica, XIII 568.
TP
1115
PT Homeri Ilias, VIII 369; Hesiodi Theogonia, 775-806; Platonis Respublica, 387b. Cf. Bollack (1958:1).
TP
1116
PT Pindari Pythia, IX 43; Nemea, V 32, VIII 32; Hesychius s.u. p??fas??. Cf. Verdenius (1987:77) e Gentili
(1995:600).
TP
1117
PT Homeri Odyssea, IX 223, XVI 283, XVII 730; Pindari Pythia, I 71; Isthmia, VIII 46; Fragmenta, 70d17
SM.
TP
1118
PT Pindari Olympia, VI 60; Homeri Ilias, XI 55, XVIII 81, XXIII 96; Odyssea, I 343; Sophoclis Antigone, 1;
Euripidis Rhesus, 326. Cf. Onians (1953:95).
TP
1119
PT Pindari Pythia, III 80; Fragmenta, 52iA.13; Iuliani Imperatoris ??? t?? ßas???a ?????? p??? Sa???st???, 21.2,
onde a expressão tem o sentido de ‘resumo’, ‘síntese’.
TP
1120
PT Pindari Olympia, XII 10; Herodoti Historiae, VII 163.
TP
1121
PT Herodoti Historiae, III 64; Thucydidis Historiae, II 41. Cf. Norwood (1945:140) e Willcock (1995:129).
TP
1122
PT Pindari Pythia, IV 40; Homeri Ilias, I 312; Odyssea, III 71, IV 458; Euripidis Hellena, 1209; Iphigenia
Aulidensis, 948; Fragmenta, 636.6; Aristophanis Pax, 140; Theocriti Idyllia, VII 53-4.
70(a). ??e? t? µ?? ??e??? ? ?e??????? ??t???? pat??: ??e? propriamente ‘ter (sob sua
tutela)’, tradicionalmente dito de deuses e heróis tutelaresTPF
1123
FPT. ?e??????? designa o ancestral
de uma família, seja um deusTPF
1124
FPT ou um mortalTPF
1125
FPT.
71(a). p?? p?e??t?? ????? ?pp??·: Hélio era concebido dirigindo pelo céu um carro de
quatro rodas puxado por quatro cavalos que respiravam fogo: Pirois, Éos, Éton e FlêgonTPF
1126
FPT,
cf. nota 39(c).
71(b). ???d? p?t? µ???e??: de sobre a ninfa Rodes, cf. nota 14(b).
71(c). t??e? ?pt? ... pa?da?: sobre os sete filhos de Hélio e Rodes, cf. nota 41 (a). t??e?
pode ser usado também com relação ao paiTPF
1127
FPT.
71(d). s?f?tata ???µata: a atividade intelectiva dos Heliadae chegava a resultados que
demonstravam o grau máximo de s?f?a, os quais os fazia exceler entre os homens de então,
cf. notas 30(e) e 71(d). Sobre as habilidades dos Heliadae, cf. nota 41(a).
72(a). ?p? p??t???? ??d???: ?p? + genitivo é uma expressão homéricaTPF
1128
FPT, ‘no tempo
de’TPF
1129
FPT.
73(a) ? ? e?? µ?? ??µ???? p?esß?tat?? te ?????s?? ?te?e? ???d?? te: cf. nota 41(a).
Iálisos recebe a distinção, p?esß?tat??TPF
1130
FPT, porque Diágoras vem da cidade que leva seu
nomeTPF
1131
FPT. Outras fontes relatam que, quando fugiam do Egito, três filhas de Danaus, Camira,
TP
1123
PT Thucydidis Historiae, II 74; Xenophontis Cyropaedia, VIII 3.24.
TP
1124
PT Pindari Olympia, VIII 16; Pythia, IV 167.
TP
1125
PT Pindari Olympia, XIII 105. Cf. Vian (1981:267).
TP
1126
PT Euripidis Hippolytus, 740; Platonis Timaeus, 22c; Apolonii Rhodii Argonautica, IV 595; Aristolelis
Metereologica, 345a15; Pausaniae Graeciae descriptio, II 3; Diodori Siculi Bibliotheca historica, V 23;
Anaxagorae Testimonia, 1.42 Diels-Kranz. A história de Faeton ilustra como era difícil que alguém diferente de
Hélio pudesse domar esses cavalos.
TP
1127
PT Homeri Ilias, XIII 450; Odyssea, V 489.
TP
1128
PT Homeri Ilias, V 637, XIII 332.
TP
1129
PT Hesiodi Opera et dies, 111; Herodoti Historiae, VI 98, VIII 44.
TP
1130
PT Na épica, o filho mais velho é considerado o melhor, vide Homeri Ilias, X 707; Hesiodi Opera et dies, 17.
Cf. Verdenius (1987:80).
TP
1131
PT Cf. Wilamowitz (1922:362), Von der Mühl (1963:201) e Willcock (1995:129).
Iálissa e Linda, construíram, em Rodes, um templo para Atena LíndiaTPF
1132
FPT e que Tlepólemo,
ao construir as três cidades, nomeou-as em homenagem as essas DanaidesTPF
1133
FPT.
77(a). t???: o relativo marca o fim da seção mítica e a retomada da louvação a Diágoras e a
sua família por meio do catálogo de vitórias. A menção aos jogos em honra de Tlepólemo
introduz a enumeração de outros sucessos de Diágoras, além dos já mencionados
anteriormente, cf. nota 10(a).
77(b). t??? ??t??? s?µf???? ???t??? ????? ??ap???µ? ?stata?: após sua morte, em
Tróia, pelas mãos de SarpedonTPF
1134
FPT, cf. nota 20 (c), a esposa de Tlepólemo, Filozoe, instituiu
jogos funerais em sua honra, os TlepoleméiosTPF
1135
FPT. ??t??? denominava, propriamente, a
quantia de dinheiro, pagaTPF
1136
FPT ou recebidaTPF
1137
FPT, pela libertação de cativosTPF
1138
FPT, mas foi usada
também, em sentido derivado, para designar a expiação de um crimeTPF
1139
FPT. s?µf???? geralmente
é um eufemismo para crimes, especialmente assassinatoTPF
1140
FPT. Tlepólemo recebe as honras
concedidas pelos ródios, as procissões e os jogos, como forma de reconhecer a expiação do
assassinato de LicímnioTPF
1141
FPT, cf. notas 20(c) e 30(b).
78(a). ????????? ???a??t?: Tirinto era uma cidade rochosa na planície de Argos, entre
Náuplia e o mar. Tinha como êponimo um dos filhos de Argos ou a filha de Halus, irmã de
AnfitriãoTPF
1142
FPT. Além de se referir aos chefes de expedições colonizadorasTPF
1143
FPT, ???a??ta? foi
também um epíteto sob o qual Apolo foi cultuado em colônias fundadas por aconselhamento
do oráculo délfico, cf. nota 31(a).
79(a). ? spe? ?e? : os cultos a heróis eram desconhecidos na épica homérica. No entanto,
escavações demonstram que, no período micênico, túmulos de homens ilustres eram locais de
culto. Hesíodo alude à influência que mortais de origem divina tinham sobre a vida dos
TP
1132
PT Herodoti Historiae, II 91.
TP
1133
PT Strabonis Geographica, XIV 6.
TP
1134
PT Homeri Ilias, V 627; Diodori Siculi Bibliotheca historica, IV 58, V 59.
TP
1135
PT Tzetzae Scholia in Lycophronis Alexandra, 911 Scheer.
TP
1136
PT Demosthenis Contra Nicostratum, 12.1, 13.3.
TP
1137
PT Thucydidis Historiae, VI 5; Platonis Respublica, 393d.
TP
1138
PT Platonis Respublica, 393d; Xenophontis Hellenica, VII 2.16.
TP
1139
PT Aeschyli Choephoroe, 48; Apollonii Rhodii Argonautica, IV 704.
TP
1140
PT Herodoti Historiae, I 35; III 50; Sophoclis Oedipus Tyrannus, 99, 833; Platonis Leges, 854d.
TP
1141
PT Pindari Pythia, V 106; Isthmia, VIII 1.
TP
1142
PT Pausaniae Graeciae descriptio, II 25; Stephani Byzantini Ethnica, s.u. ??????.
TP
1143
PT Herodoti Historiae, IX 86; Xenophontis Hellenica, VI 8.6; Pausaniae Graeciae descriptio, X 32.
homens ou ao culto que lhes eram devidos. Posteriormente, essa crença espalhou-se pela
Grécia, por meio do culto a homens cujas mortes colocaram-nos em uma posição privilegiada
e que podiam, em alguns casos, fazer o bem ou o mal aos mortais. Os mais distintos
guerreiros dos tempos pré-históricos passaram a ser considerados heróis, sendo muitos deles
tidos como filhos de deuses com mulheres mortais. Entre esses, mesmo os sem origem divina,
mas que se distinguiam por causa de sua excelência, de modo que pareciam participar da
natureza divina, passaram a merecer alta distinção após sua morte. Posteriormente, mesmo
homens mortos recentemente eram exaltados à categoria de heróis, como Leônidas em
Esparta e Harmódio e Aristogéiton em AtenasTPF
1144
FPT . Os colonizadores ou fundadores de
cidades eram especialmente considerados como dignos de culto: quando o fundador era
desconhecido, algum herói era selecionado em seu lugar e, na maior parte dos casos, era
considerado também como o ancestral titular das famílias mais tradicionais da cidade, não
havendo praticamente nenhuma cidade em que não houvesse heróis cultuados ao lado de suas
divindades mais altas: alguns como espíritos tutelares, outros como heróis da cidade, como os
Dióscuros em Esparta, os Eácidas em Egina e Teseu na Ática. Havia muitos festivais em
homenagem a eles, muitos pequenos e sem importância, restritos a poucas pessoas, outros
celebrados por toda a cidade, não inferiores aos mais importantes festivais em honra dos
deuses, principalmente no caso dos heróis fundadores de cidades. No contexto de festivais
maiores, era comum haver competições esportivas. Muitos heróis tinham altares erigidos
sobre seus túmulos, conhecidos como t? ????? , os quais, no entanto, eram mais baixos que
os dos deuses. Eram típicas oferendas aos heróis mel, vinho, água, leite, óleo e o sangue de
vítimas sacrificadas, cuja carne era queimadaTPF
1145
FPT.
80(a). µ???? te ???s?essa p?µp?: ???s?? significa propriamente ‘exalar odor de gordura
(na hora do sacrifício)’TPF
1146
FPT. Como no momento da procissão as vítimas estariam vivas,
???s?essa , adjetivo homéricoTPF
1147
FPT, deve ter valor proléptico, ‘que exalarão cheiro de gordura
queimada’TPF
1148
FPT, apesar da falta de paralelos para esse uso.
TP
1144
PT Herodoti Historiae, V 55-56; VI 109, 123; Thucydidis Historiae, I 20, VI 54-57; Pseudo-Platonis
Hipparchus, 229a; Platonis Symposium, 182a; Aristotelis Politica, 1311a; Aeliani Varia Historia, XI 8;
Polyaenei Strategemata, VIII 45.
TP
1145
PT Pindari Pythia, V 95; Herodoti Historiae, VI.38; Thucydidis Historiae, V 11. Sobre os cultos a heróis no
período arcaico, cf. Farnell (1921), Nilsson (1961:378), Habicht (1970), Antonaccio (1995) e Currie (2005).
TP
1146
PT Homeri Ilias, I 317, VIII 549; Aristophanis Equites, 1320.
TP
1147
PT Homeri Odyssea, X 10.
80(b). ???s?? ?µf ' ???????: ???s?? aqui possivelmente refere-se à atividade dos atletasTPF
1149
FPT ,
não à dos juizes da competiçãoTPF
1150
FPT. Constrói-se com ?µf?, com o significado de ‘em’TPF
1151
FPT.
Trata-se de uma referência às TlepoleméiasTPF
1152
FPT.
80(c). t?? ???es? ??a???a? ?stefa??sat? d??: de acordo com os escoliastas, nos Jogos
Tlepoleméios o prêmio era uma coroa de rosas de álamo brancoTPF
1153
FPT. Sobre o verbo
?stefa??sat?, cf. nota 15(d).
81(a). ??e??? t' ?? ??s?µ? tet????? e?t????? ?eµ?? t' ???a? ?p' ????: após relatar os
triunfos de Diágoras entre seus cidadãos, Píndaro faz menção aos jogos pan-helênicos mais
importantes depois dos Olímpicos e Píticos, cf. nota.10(a): os Ístmicos e os Neméios.
Os Jogos Ístmicos tinham seu nome derivado do Istmo de Corinto e eram realizados
em sua parte mais estreita, entre a costa do Golfo Sarônico e o pé oeste das montanhas Enéas,
no estádio em frente ao templo de Posêidon, a quem eram dedicadosTPF
1154
FPT. Na entrada do
templo, havia uma galeria de estátuas dos vencedores e um bosque de pinheiros.
Originalmente, eram jogos funerais, instituídos por Sísifo, em homenagem a
Melicertes/Palemon e eram realizados à noiteTPF
1155
FPT. Posteriormente, foram rehabilitados por
Teseu, que os dedicou a Posêidon. Os atenienses tinham o direito de ocupar as posições mais
proeminentes no estádio, e havia uma lei, atribuída a Sólon, segundo a qual o ateniense que
obtivesse vitória nos Jogos Ístmicos receberia uma recompensa de 100 dracmasTPF
1156
FPT. O
programa dos jogos incluía corridas de cavalos montados, corridas de carros puxados por
cavalos, luta, pancrácio, pugilato e competições musicaisTPF
1157
FPT. O prêmio para os vencedores
era, inicialmente, uma coroa de folhas de pinheiro, posteriormente de heraTPF
1158
FPT. Realizavam-se
no primeiro mês da primavera, no segundo e quarto anos de cada Olimpíada.
TP
1148
PT Cf. Fernández-Galiano (1956:228). Verdenius (1987:81) defende que o sentido do adjetivo é meramente
‘gorda’, vide Homeri Ilias, I 146; Odyssea, XVIII 145.
TP
1149
PT Sophoclis Trachiniae, 266; Electra, 684; Aristophanis Ranae, 779.
TP
1150
PT Cf. Bowra (1964:356) e Verdenius (1987:82).
TP
1151
PT Pindari Isthmia, V 55; Nemea, II 17; Herodoti Historiae, VI 129.
TP
1152
PT Istris Fragmenta, 60b Müller. Nas inscrições agonísticas em forma de catálogo de vitórias, recolhidas por
Dittenberger, datadas do século III a.C., há diversas menções aos Jogos Tlepoleméios. Outros jogos importantes
em Rodes, os Heliéios, começaram a ocorrer somente após 408 a.C., cf. Wilamowitz (1922:363).
TP
1153
PT Scholia uetera in Pindari carmina, Olympia,VII, 147b Drachmann.
TP
1154
PT Pausaniae Graeciae descriptio, II 7; Strabonis Geographica, VIII 6.
TP
1155
PT Apollodori Bibliotheca, III 4; Pausaniae Graeciae descriptio, II 1; Plutarchi Theseus, 25.
TP
1156
PT Plutarchi Solon, 23.
TP
1157
PT Pausaniae Graeciae descriptio, V 2; Polybii Historiae, XVII 29; Plutarchi Quaestiones conuiuiales, 676f.
TP
1158
PT Plutarchi Quaestiones conuiuiales, 677b.
Os Jogos Neméios ocorriam em Neméia, na Argólida. Foram instituídos,
originalmente, pelos sete guerreiros que se dirigiam a Tebas, em homenagem a Ofeltes,
denominado desde então Arquemoro. De acordo com a história, quando os sete guerreiros se
dirigiam à Tebas, passaram por Neméia. Como estavam com muita sede, ao encontrarem
Hipsípile, que estava carregando Ofeltes, filho de um sacerdote de Zeus e de Eurídice,
pediram a ela que lhes informasse o caminho para a fonte mais próxima. Enquanto Hipsípile
mostrava aos heróis o caminho, deixou Ofeltes sobre a relva e ele foi morto por uma serpente.
Os sete, então, mataram a serpente e instituíram jogos funerais em homenagem a
Ofeltes/Arquemoro, os quais se celebrariam a cada três anosTPF
1159
FPT . Posteriormente, quando
Héracles matou o Leão de Neméia, reviveu os jogos antigos e fê-los serem celebrados em
honra a ZeusTPF
1160
FPT. Originalmente, tinham caráter militar e dele apenas guerreiros poderiam
participar; depois, passaram a ser abertos a todos os gregos. Em seu programa havia as
seguintes provas: corrida de cavalos montados, corrida com armas, luta, corrida de carros
puxados por cavalos, lançamento de discos, pugilato, arremesso de dardos, tiro com arco e
flecha e disputas musicaisTPF
1161
FPT. O prêmio dado aos vencedores era, inicialmente, uma coroa de
ramos de oliva e, posteriormente, uma coroa de ápioTPF
1162
FPT.
A seqüência cronológica de instituição dos jogos influenciou a ordenação dos livros de
epinícios feita pelos filólogos alexandrinos: Olímpicas, Píticas, Ístimicas e NeméiasTPF
1163
FPT.
82(a). ???a? ?p' ????: a construção indica duas vitórias consecutivasTPF
1164
FPT.
82(b). ?a? ??a?aa?? ?? ?????a??: os jogos realizados em Atenas eram os Panatenéios, os
Heracléios e os Eleusinos, não sendo possível definir a qual deles Píndaro está se
referindoTPF
1165
FPT. ??a?a?? é um epíteto homérico para ÍtacaTPF
1166
FPT que, posteriormente, tornou-se
um convencional epíteto de AtenasTPF
1167
FPT.
TP
1159
PT Pausaniae Graeciae descriptio, II 15; Apollodori Bibliotheca, III 6.
TP
1160
PT Pindari Nemea, III 65.
TP
1161
PT Pausaniae Graeciae descriptio, II 15, VIII 50; Plutarchi Philopoemen, 11.
TP
1162
PT Pindari Nemea, IV 88, VI 42.
TP
1163
PT Sobre a divisão da obra de Píndaro em livros e a inversão na ordem dos dois últimos livros, cf.
Apresentação, p. 12 e 19.
TP
1164
PT Platonis Respublica, 369c; Xenophontis Cyropaedia, II 1.4.
TP
1165
PT Cf. Fernández-Galiano (1956:229).
TP
1166
PT Homeri Ilias, III 201; Odyssea, I 274.
TP
1167
PT Pindari Olympia, XIII 38; Nemea, VIII 11; Aeschyli Eumenides, 1011; Aristophanis Acharnenses, 75.
83(a). ? t ' ?? ????e? ?a???? ???? ???: uma referência ao ? sp??, competição que era parte
do grande festival realizado em Argos para Hera, chamado de Heraia ou Hecatombéia, em
que o prêmio concedido aos vencedores era um escudo de bronze, cujo orgulho pela posse se
tornara proverbialTPF
1168
FPT. Os Heraia eram celebrados a cada cinco anos. Uma das grandes
solenidades que ocorriam na ocasião era uma magnífica procissão ao templo de Hera, entre
Argos e Micenas: muitos jovens reuniam-se em Argos e marchavam, armados, em direção ao
templo da deusa, ao qual eram precedidos por cem bois, que eram sacrificados e tinham sua
carne distribuída entre os cidadãos – por isso o festival também era chamado de
HecatombéiaTPF
1169
FPT. Os Jogos ocorriam no estádio próximo ao templo, na estrada para a
acrópoleTPF
1170
FPT. Em uma das provas, um escudo de bronze era colocado em um local de difícil
acesso sobre o teatro, e o jovem que conseguisse alcançá-lo recebia-o, juntamente com uma
coroa de mirta como prêmioTPF
1171
FPT. A competição ocorria antes da procissão e o vencedor se
dirigia para o Heraion carregando seus prêmiosTPF
1172
FPT. Os Jogos teriam sido instituídos por
Acrísio e PretoTPF
1173
FPT ou por ArquinoTPF
1174
FPT.
Um objeto conhecer o sucesso de um atleta é uma expressão que ocorre em outras
odes de PíndaroTPF
1175
FPT . Para outro exemplo da tendência de Píndaro de transpor as funções de
sujeito e objeto, cf. nota 52(a).
83(c). t? t' ?? ????ad?? ???a ?a? T?ßa??: os prêmios na Arcádia, provavelmente nos
Jogos Lícios, celebrados em honra de Zeus, no Monte Lício, eram trípodes e vasilhas de
bronzeTPF
1176
FPT. Em Tebas, nos jogos conhecidos como Heracléios ou Iolaéios, os prêmios
também eram artefatos de bronzeTPF
1177
FPT.
84(a). ?????? t' ????µ?? ????t???: ????µ?? ‘fixados em calendário’TPF
1178
. Na Beócia, eram
realizados os Jogos Erotídios, no Hélicon, em honra a Eros, os Jogos Eleutérios, em Platéia,
TP
1168
PT Pindari Nemea, X 23, Zenobii Corpus paroemiographicum, VI 52; Hesychii Lexicon s.u. ???? ?a??e???,. Cf.
Farnell (1923:56) e Arnold (1937:436-440).
TP
1169
PT Herodoti Historiae, I 31; Ciceronis Tusculanae Disputationes, I 47; Scholia uetera in Pindari Carmina,
Olympia, VII 152 Drachmann.
TP
1170
PT Pausaniae Graeciae descriptio, II 24.
TP
1171
PT Pindari Nemea, X 41.
TP
1172
PT Strabonis Geographica, VIII 3.
TP
1173
PT Aeliani Varia Historia, III 24.
TP
1174
PT Scholia uetera in Pindari Carmina, Olympia, VII 152 Drachmann.
TP
1175
PT Pindari Olympia, VI 99. Cf. Perón (1976:65).
TP
1176
PT Pindari Olympia, IX 95, XIII 107. Cf. Puech (1922:99).
TP
1177
PT Pindari Olympia, IX 99.
TP
1178
PT Pindari Isthmia, II 38; Pythia, XI 7; Nemea, X 28.
em homenagem aos mortos na Grande Batalha, os Jogos Trofônios, na Lebadia, os Jogos
Anfiareios, em Oropos, e os Jogos Itônios, em QueronéiaTPF
1179
FPT. Não há como saber em qual
desses jogos Diágoras conquistou as vitórias mencionadas por Píndaro.
86(a). ????a?? t ?????? te ??????' ??????: os jogos em Pelena, na Acaia, eram
celebrados no invernoTPF
1180
FPT, em honra a Hermes, e o prêmio era um mantoTPF
1181
FPT. Em Egina,
havia os Jogos Ajaqueios, os Jogos Delfínios, em honra a Apolo Delfínio e a Ártemis
Delfinia, os Jogos Eácios e os Jogos EnonéiosTPF
1182
FPT .
O texto da passagem é incerto: a maioria dos manuscritos mais antigos tem os nomes
dos lugares no nominativo, com os acentos variando. Pela resposta métrica, seria esperado
∪∪ , o que significa que ????a?? teria um ? final breve e ?????? um ? final
longo, contrários ao usual ?e????? (= ?e?????) e ??????. Diferentes foram as soluções
aplicadas pelos diversos editores: (a) Bergk e Gildersleeve editaram ????a?? t' ?????a,
apontando que ????a?? tem um ? curto final também na 13ª OlímpicaTPF
1183
FPT, descrito como
abreviamento eólico por Gildersleeve, e que a forma ?????? é encontrada no Hino Homérico
a ApoloTPF
1184
FPT ; (b) Verdenius, alegando o fato de a irregularidade da resposta métrica ser
permitida com nomes própriosTPF
1185
FPT, aceita ????a??, mas edita o normal ??????,
interpretando um coriambo no lugar de um metro iâmbico, ; (c) Boeckh, Bowra e
Snell-Maehler editam ??????, no dativo, e assumem que Píndaro usou um leve anacoluto por
causa da variedadeTPF
1186
FPT.
86(b). ?? ?e?????s?? t' ??? ?te??? ?????a ??f?? ??e? ?????: os jogos em Mégara são os
Alcatéios, em honra de AlcatosTPF
1187
FPT, filho de Pélops e Hipodaméia, que matou o leão de
Cíteron, que havia matado Euipo, filho do Rei MegareuTPF
1188
FPT. Por esse feito, recebeu do rei a
TP
1179
PT Scholia uetera in Pindari carmina, Olympia, VII 84 Drachmann.
TP
1180
PT Cf. Fernández-Galiano (1956:229).
TP
1181
PT Pindari Olympia, IX 98, XIII 109; Nemea, X 44. Cf. Farnell (1923:57).
TP
1182
PT Pindari Nemea, V 44.
TP
1183
PT Pindari Olympia, XIII 109.
TP
1184
PT Hymnus Homericus In Apollinem, 31.
TP
1185
PT Pindari Isthmia, IV 45.
TP
1186
PT Boeckh (1821:174).
TP
1187
PT Pindari Isthmia, VIII 68; Nemea, V 46.
TP
1188
PT Pindari Isthmia,VIII 67; Apollodori Bibliotheca, II 4, III 12.
mão de sua filha, Euecme, e o direito de sucedê-lo no trono de Mégara, cuja acrópole era
nomeada em homenagem ao heróiTPF
1189
FPT.
Geralmente, as decisões ou votos da assembléia, ??f??, eram inscritos em colunas,
st??a?, e, provavelmente, em Mégara, gravavam-se em coluna similar os nomes dos
vencedores nos Jogos Alcatéios
1190
FPT.
87(a). ??t??s?? ??taß?????: o ponto mais alto de Rodes, onde havia um templo de ZeusTPF
1191
FPT,
cultuado regularmente em montanhas, como o Olimpo e o Ida. Atabírio é também o nome
atribuído a um dos Telquines, cf. nota 53(b).
88(a). t?µa µ?? ?µ??? te?µ?? ????µp?????a?: te?µ??, ‘o que está estabelecido’, indica o
reconhecimento, por Píndaro, de que sua profissão está sujeita a regrasTPF
1192
FPT. ?µ??? te?µ??
????µp?????a? é o hino devido, segundo os preceitos da arte encomiástica do epinício, aos
vencedores nos Jogos OlímpicosTPF
1193
FPT.
89(a). ??et??: não ‘a aptidão para alcançar o sucesso’, cf. nota 43(d), mas, aqui, o próprio
sucesso atingido graças a essa aptidão.
89(b). a?d??a? ?????: a graça digna de respeitoTPF
1194
FPT, cf. notas 5(d) e 44(a).
90(a). ?d?? e???p??e?: a imagem do caminho reto como o melhor é um tópos pindáricoTPF
1195
FPT,
cf. nota 32(c).
91(a). s?fa ... ???e??: o elogio dos pais do vencedor é também um tópos do epinícioTPF
1196
FPT. As
???a? f???e? TPF
1197
FPT são as dos pais de Diágoras, que lhe proclamaram ensinamentos como se
fossem um oráculo, ???e??TPF
1198
FPT.
TP
1189
PT Pausaniae Graeciae descriptio, I 42.
TP
1190
PT Cf. Fernández-Galiano (1956:230).
TP
1191
PT Strabonis Geographica, X 54, XIV 6.
TP
1192
PT Pindari Olympia, VI 69, XIII 29; Isthmia, VI 20; Nemea, IV 33.
TP
1193
PT Aeschyli Supplices, 1034; Agamemnon, 304.
TP
1194
PT Pindari Olympia, XIII 115.
TP
1195
PT Pindari Nemea, I 25, II 7, X 12; Fragmenta, 108 SM.
TP
1196
PT Pindari Olympia, II 7; Pythia, IV 117, V 76, X 2.
TP
1197
PT Pindari Olympia, VIII 24; Pythia, X 68.
TP
1198
PT Pindari Isthmia, I 39-40.
92(a). µ? ???pte ?????? sp??µ' ?p? ?a?????a?t??: Calíanax é provavelmente um ancestral
de DiágorasTPF
1199
FPT. O destinatário desse imperativo, assim como de t?µa e d?d??, é ZeusTPF
1200
FPT.
Trata-se de um voto para que o Cronida não deixe de ser favorável à família, ?????? sp??µa,
de DiágorasTPF
1201
FPT.
93(a). ???at?d?? t?? s?? ?a??tess?? ??e? ?a??a? ?a? p????: ??at?da? é uma referência a
Eratos, um rei mítico de ArgosTPF
1202
FPT. A ode de Píndaro é a única fonte em que a família de
Diágoras é chamada de Eratidas.
?a??tess?? são os deleites pela vitória dos EratidasTPF
1203
FPT , cf. nota 5(b), que geram
festividades na cidade. A vitória de um atleta representa uma glória não apenas para ele e sua
família, mas para toda a cidadeTPF
1204
FPT.
94(a). ?? d? µ?? µ???? ?????? ????t ' ?????a? d?a???ss??s?? a??a?: uma imagem
náuticaTPF
1205
FPT , cf. notas 30(d) e 45(a), e uma gnoma típica usada por Píndaro no fechamento das
odesTPF
1206
FPT, cf. notas 30(c), 43(c), 53(c) e 94(a). Uma alusão aos perigos que podem advir do
elogio excessivo: a implicação é de que as mudanças de fortuna atingem os homens porque
um vento adverso começa a soprar enquanto um favorável ainda está soprando. µ?? significa
‘em uma mesma’TPF
1207
FPT. d?a???ss? é encontrado apenas duas vezes na língua gregaTPF
1208
FPT:
derivado da forma simples a???ss?, raríssima, que designa luz bruxuleanteTPF
1209
FPT. Tem o
sentido de ‘mover-se rapidamente em diferentes direções’. Sobre ????t' ?????a?, e o motivo
da dessultoriedade da fortuna, cf. nota 11(a).
A função da gnoma é não só a de contrabalançar a tendência otimista da ode, mas
também a de pedir para que Zeus continue a favorecer Diágoras e sua famíliaTPF
1210
FPT.
TP
1199
PT Scholia uetera in Pindari Carmina, Olympia, VII, 170c Drachmann.
TP
1200
PT Homeri Ilias, XXIII 242; Hesiodi Opera et dies, 6. Cf. Farnell (1923:57).
TP
1201
PT Cf. Verdenius (1987:86).
TP
1202
PT Pausaniae Graeciae descriptio, II 36. Cf. Farnell (1923:57).
TP
1203
PT Pindari Olympia, I 18; VIII 57.
TP
1204
PT Pindari Olympia, II 1-3; Bacchylidis Epinicia, XI 10-2. Cf. Slater (1984:245).
TP
1205
PT Pindari Pythia, III 104-5; Isthmia, III/IV 23-4 SM.
TP
1206
PT Vide o encerramento das Olímpicas 1, 3, 5 e 8 e das Píticas 8 e 12.
TP
1207
PT Pindari Olympia, XIII 37; Homeri Ilias, III 238.
TP
1208
PT Bacchylidis Fragmenta encomiarum, 3.8 Irigoin.
TP
1209
PT Sapphi Fragmenta, 2.7 LP; Sophoclis Fragmenta, 542 Radt. Cf. Stanford (1939:132), Frisk (1954:59) e
Chantraine (1968:67).
TP
1210
PT Cf. Verdenius (1987:87).
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