
Segredos da Inconfidência
do despotismo esclarecido, como uma busca de so-
luções que mantivessem com maior eficiência o do-
mínio metropolitano. Almejava-se estabelecer maior
controle sobre a economia colonial e, em relação à
sociedade mineira, essas medidas tinham por prin-
cipal finalidade melhorar a administração, supervi-
sionando a produção de ouro, e aumentar a arreca-
dação.
Foi então que as casas de fundição entraram em
pleno funcionamento, para melhor arrecadar o quin-
to. A Coroa portuguesa visava coibir o contrabando,
atribuindo apenas a ele a diminuição da arrecadação,
sem admitir a justificativa de que, paralelamente, es-
tivesse ocorrendo também o esgotamento dos veios
auríferos.
Quanto ao pagamento do quinto, em 1750 a Coroa
portuguesa estabeleceu uma contribuição mínima de cem
arrobas de ouro ao ano, o que correspondia a 1.465,60
quilos. Caso essa quantia não fosse atingida, seria cobra-
da através da derrama, ou seja, todos os habitantes seriam
obrigados a contribuir para completar a diferença. Tal
ordem gerou toda sorte de abusos por parte das autori-
dades, espalhando o terror na região a cada vez que se
anunciava a cobrança da derrama.
A partir de 1763, a arrecadação deixou de atingir a
cota fixada de cem arrobas. Em 1768 houve nova der-
rama, que durou três anos. Dezessete anos depois,
quando foi anunciada novamente, a metrópole pre-
tendia arrecadar mais de 5 mil quilos de ouro!
Muitas manifestações de insatisfação, rebeliões e
revoltas marcaram o século XVIII na região das mi-
nas, quase sempre tendo como motivo a cobrança dos
impostos. Assim foi em Sabará, em 1714, no Morro
Vermelho, em 1715, e principalmente em Vila Rica, em
1720, onde eclodiu um movimento liderado por Felipe
dos Santos contra a criação das casas de fundição e
da Casa da Moeda.