
Gente colonial
restrito, em casamentos e batizados. Até mesmo o iní-
cio da moagem era motivo para comemorar.
Nas festas, os senhores da terra mostravam todo
seu poder e riqueza. Fernão Cardim, jesuíta que em
meados de 1580 visitou Pernambuco, observa:
Vestem-se, e as mulheres e filhos de toda sorte de velu-
dos, damascos e outras sedas, e nisto têm grandes ex-
cessos. As mulheres são muito senhoras, e não muito
devotas, nem freqüentam as missas, pregações, confis-
sões etc, os homens são tão briosos que compram
ginetes de 200 e 300 cruzados, e alguns têm três, qua-
tro cavalos de preço. São mui dados a festas. Casando
uma moça honrada com um vianês, que são os princi-
pais da terra, os parentes e amigos se vestiram uns de
veludo carmesim, outros de verde, e outros de damas-
co e outras sedas de várias cores, e os guiões e selas
dos cavalos eram da mesma seda que iam vestidos.
Aquele dia correram touros, jogaram canas, pato,
argolinha, e vieram dar visita ao colégio para os ver o
padre visitador; e por esta festa se pode julgar o que
farão nas mais, que são comuns e ordinárias. São so-
bretudo dados a banquetes, em que de ordinário andam
comendo um dia dez ou doze senhores de engenho jun-
tos, e revezando-se desta maneira gastam quanto têm,
e de ordinário bebem cada ano 50 mil cruzados de vi-
nhos de Portugal; e alguns anos bebem oitenta cruza-
dos dados em rol. Enfim em Pernambuco se acha mais
vaidade que em Lisboa, (in Araújo, 1997)
Nesses dias de festa, a população das vilas assistia
grandes espetáculos, ou até participava deles, pois as
procissões eram acompanhadas de cortejos magnífi-
cos, com carros alegóricos, alas fantasiadas, dançari-
nos e mascarados, e muita música. Há quem afirme
que nessas procissões estaria "o elo mais longínquo
dos desfiles carnavalescos".
Nessas ocasiões, a cidade se travestia, apresentan-
do uma movimentação e um colorido que contrasta-