
católico, se refere as manifestações do Congado, em homenagem a Nossa Senhora do Rosário.
Segundo o Atlas de festas populares de Minas Gerais, existem no Estado 326 Festas do Rosário,
presentes em diversas regiões do Estado. No período da mineração, estas festas eram conhecidas
como festas de escravos e remontam à história de Chico Rei, personagem mítico e considerado
primeiro rei dos negros escravos em Minas Gerais. Segundo Martins, 1991, Chico Rei teria sido
o Rei Ganga Zumba Galanga, Rei do pequeno reino africano Congo dos Quicuios, trazido como
escravo para Vila Rica juntamente com grande parte de sua corte, no princípio do século XVIII,
e que, de acordo com estórias locais, teria se tornado muito rico com a exploração de uma mina
abandonada e libertado vários escravos, criando a primeira irmandade dos negros livres de Vila
Rica. Desta forma, a origem da festa no Brasil em homenagem a Nossa Senhora do Rosário
estaria ligada à figura deste personagem, pois teria sido considerado um milagre da santa a sua
liberdade. Para pagar promessa para Nossa Senhora, Chico Rei teria organizado a primeira festa
dos negros no Estado, ocorrida na Igreja de Santa Efigênia e Nossa Senhora do Rosário de Alto
Cruz, na antiga Vila Rica, em 1747. As festividades do Congado, nome genérico dado aos diversos
grupos vinculadas ao culto do santo de devoção, aparecem então sob forma de reprodução
simbólica da história tribal, com a coroação dos reis do Congo, a representação das lutas entre
as monarquias negras contra o colono escravizador, as trocas de embaixadas, etc. De Vila Rica,
a tradição festiva africana se disseminou por todo o território das Minas Gerais.
De acordo com Côrtes, 2000, as festas realizadas em agosto, setembro e outubro são
promovidas pelas Irmandades e compõem-se de duas partes: a litúrgica, de conteúdo católico,
incluindo missas e outros ofícios religiosos; e a folclórica, constituída pela subida do mastro,
espetáculos pirotécnicos, números musicais e a presença dos reinados e suas guardas. Essas
guardas, por vezes chamadas de batalhões, são unidades religiosas ou grupos autônomos,
com denominação particular e estandarte próprio, cujos aspectos rítmicos, indumentárias,
movimentos e cantos são distinguidos entre oito grupos: o Candombe, o Moçambique, o Congo,
os Marujos, os Catopés, os Cavaleiros de São Jorge, o Vilão, e os Caboclos, também conhecidos
como tapuios, botocudos, caiapós, tupiniquins, penachos. A maioria dos estudiosos dá ao papel
da Irmandade e da Festa de Nossa Senhora do Rosário um importante elemento na integração
do negro junto à sociedade brasileira. Agrupado em torno de uma devoção, o povo escravo
procurou manter sua dignidade e aspirava sua valorização como ser humano dotado de conheci-
mentos, que merecia ser tratado com dignidade.
Um segundo aspecto referente à cultura de Minas seria a designação de Caipira, adjetivo
normalmente associado ao povo mineiro. Segundo Cascudo, 1988, caipira é o nome que
designa o habitante do campo, equivalente a aldeão e camponês em Portugal. Símbolo das
principais manifestações relacionadas às caipiradas, ou reuniões de caipiras em festas votivas,
as Folias de Reis, segundo o Atlas da Secretaria de Geociências de Minas Gerais, estão pre-
sentes em 336 cidades do Estado, e constituem uma tradição portuguesa que perdura até os
dias de hoje. Já foram registrados mais de 220 grupos na confederação das Folias de Reis do
Estado, presentes nas festas natalinas existentes no Estado. Nestas festas são comuns danças
como o Calango, o Lundu, o Carneiro, o Batuque, o Pastoril, as Pastorinhas entre outras, que
(Re)conhecer diferenças, construir resultados
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