
Veja-se que, se entre 1940 e 1981 nossa capacidade geradora instalada
de energia elétrica foi multiplicada por 20, o número de alunos das quatro
primeiras séries do 1» grau, o antigo primário, cresceu apenas seis vezes;
no mesmo período, passou de 2 milhões e 514 mil para 14 milhões e 707
mil. Mais de 70 por cento da população deixa de cumprir a escolaridade
obrigatória nos termos da Constituição.
Não desejo aqui, evidentemente, comparar crianças na mais promis-
sora das idades com quilowatts de energia elétrica. São, admito, elementos
que nada têm a ver uns com os outros. Ou melhor, que nada têm a ver en-
tre si, excetuando um ponto: o de que escolaridade e fornecimento de
energia elétrica são necessidades nacionais que serão atendidas na medida
da atenção governamental e do volume de recursos que lhes forem atri-
buídos.
O último Censo, que acaba de ter suas tabulações avançadas apresen-
tadas à população brasileira, fornece dados bastante instrutivos a esse res-
peito. Eis algumas de suas informações.
Dos 102 milhões e 421 mil brasileiros com mais de cinco anos, nada
menos do que 35 milhões e 902 mil não passaram pelos bancos escolares
ou, caso tenham freqüentado uma escola, nela permaneceram por período
inferior a um ano, tempo em que, concordam todos os educadores, seu
aproveitamento será nulo, invariavelmente.
Têm entre 7 e 9 anos (ou melhor, tinham há um ano, época em que se
procedeu ao Censo, em uma situação que, sabe todo mundo, não se alte-
rou desde então) exatamente 8 milhões e 384 mil crianças. Delas, 5 milhões
e 779 mil igualmente freqüentaram apenas um ano de escola ou menos
ainda do que isso. E já estão, registre-se, em um período de escolaridade
obrigatória.
Entre 10 e 14 anos estão 13 milhões e 549 mil brasileiros. E, deles, 2 mi-
lhões e 224 mil estão nessa mesma situação, sem escola por prazo suficien-
te para que venham a aprender alguma coisa.
O Censo revelou ainda a lentidão com que evolui, neste País, a taxa de
alfabetização. Veja-se: os analfabetos com mais de 15 anos compunham,
em 1940, 56,2 por cento da população nessa faixa etária; em 1950, eram 50,6
por cento; em 1960, somavam 39,5 por cento; em 1970, chegavam a 33,1
por cento; em 1980, com Mobral e tudo, eram ainda 26,1 por cento. São,
portanto, 21 milhões e 800 mil os brasileiros que, com mais de 10 anos, não
sabem ler e escrever, e 18 milhões e 900 mil os que, tendo mais de quinze,
igualmente não o sabem.
Todos esses dados nos dão o que pensar. Não há dúvida de que o nos-
so progresso em certos campos, dos quais citei apenas como exemplo o da
energia elétrica, foi muito maior do que em outros. Não há dúvida de que
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