
fundamentais do ser humano, no plano natural, em face da natureza total, visível e
invisível. A educação, sendo uma preparação do homem total para uma vida total,
não pode desdenhar nenhum aspeto, nem do homem nem da natureza, física ou
social. De modo que é uma atividade ao mesmo tempo especulativa o prática, ao
mesmo tempo científica, artística e moral. Em tudo o que toca a posição científica,
isto é ao estudo, à observação, ao conhecimento das coisas tais como são, tanto em
nosso mundo interior como em nosso contacto com o mundo exterior, está portanto
a educação em íntimo contacto com a atividade técnica, que é por natureza o
aspecto prático da especulação científica.
Em tudo, por seu lado, o que na educação se refere ks nossas possibilidades de
extrapolação do domínio dos fatos ou de orientação no domínio de nossas ações, a
educação está diretamente ligada à cultura. Como não podemos dissociar um
domínio do outro, como o homem é, ao mesmo tempo, um ser que vive no meio dos
fatos, das idéias, das formas possíveis e das normas do bem viver, é também
impossível dissociar, na educação, a atividade técnica e a atividade cultural, o homo
faber do homo sapiens.
Pertencendo, por natureza, ao domínio do que 6, consiste a técnica
eminentemente numa atividade prática. E nisso se distingue da ciência, de cuja
posição, como vimos, tanto se aproxima. A técnica é a ciência aplicada. Seu
contacto com a realidade é não apenas descritivo, como o da ciência. É também
modificativo. Ora a educação é igualmente uma atividade prática e, por conseguinte,
modificativa. Logo, técnica. Visa precisamente aperfeiçoar a natureza humana,
incutir-lhe hábitos bons e corrigir-lhe os maus. Visa' comunicar conhecimentos, não
apenas por amor do próprio conhecimento, mas para que eles se transformem em
vida. Ora tudo isso é, naturalmente, do domínio da técnica, filosòficamente
considerada e realísticamente aplicada. A cultura, por sua vez, 0 é uma atitude
especulativa, se bem que, por seu lado, esteja intimamente ligada, por sua natureza, à
arte e à moral, que são duas funções humanas de tipo prático e não especulativo.
Tudo isso mostra a interseção entre técnica e cultura, a sua inseparabilidade na tarefa
educativa. O ser humano, essa natureza total que a educação procura aperfeiçoar por
todos os modos, é também naturalmente especulativo e não apenas prático. Essa
vida, a que nos referimos como objeto prático da comunicação de conhecimentos
pelo estudo, tende a desprender-se das dimensões que a prendem à realidade
puramente prática. É precisamente a cultura que nos desprende do realismo prático
— a cultura literária, filosófica, artística, religiosa, — e dá ao homem a sua
dimensão integral. Sem a técnica a cultura se perde no domínio da facilidade e da
fantasia arbitrária. Logo da desordem mental e da diminuição da personalidade. Sem
a cultura, a técnica transforma os homens em simples elos de uma cadeia, na qual
falta o fecho capital — a liberdade. Não há, pois, educação