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UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO
INSTITUTO DE F
´
ISICA
A Dualidade Maxwell-Chern-Simons/Autodual e
sua Extens˜ao para Espa¸cos ao-Comutativos
Marcelo Santos Guimar˜aes
Disserta¸ao de Mestrado apresentada ao Pro-
grama de os-gradua¸ao em F´ısica, Instituto
de F´ısica, da Universidade Federal do Rio de
Janeiro - UFRJ, como parte dos requisitos ne-
cess´arios `a obten¸ao do t´ıtulo de Mestre em
Ciˆencias (F´ısica).
Orientador: Cl´ovis Jos´e Wotzasek
Rio de Janeiro
Fevereiro de 2005
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A Dualidade Maxwell-Chern-Simons/Autodual e sua Extens˜ao
para Espa¸cos N˜ao-Comutativos
Marcelo Santos Guimar˜aes
Orientador: Cl´ovis Jos´e Wotzasek
Disserta¸ao de Mestrado submetida ao Programa de os-gradua¸ao em F´ısica, Ins-
tituto de F´ısica, da Universidade Federal do Rio de Janeiro - UFRJ, como parte dos
requisitos necess´arios `a obten¸ao do t´ıtulo de Mestre em Ciˆencias (F´ısica).
Aprovada por:
Dr. Cl´ovis Jos´e Wotzasek
(Presidente e Orientador)
Dr. Patricio Alfredo Gaete Duran
Dr. Henrique Boschi Filho
Dr. Eduardo Marino
(Suplente interno)
Dr. Silvio Paolo Sorella
(Suplente externo)
Rio de Janeiro
Fevereiro de 2005
i
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G963 Guimar˜aes, Marcelo Santos
A Dualidade Maxwell-Chern-Simons/Autodual e sua Extens˜ao para
Espa¸cos ao-Comutativos / Marcelo Santos Guimar˜aes - Rio de Janeiro: UFRJ/IF,
2005.
vii, 70f.
Orientador: Cl´ovis Jos´e Wotzasek
Disserta¸ao (mestrado) - UFRJ / Instituto de F´ısica / Programa de
os-gradua¸ao em F´ısica, 2005.
Referˆencias Bibliogr´aficas: f. 65-70.
1. Dualidade. 2. Eletrodinˆamica Topologicamente Massiva. 3. Espa¸cos
ao-Comutativos. 4. Mapa de Seiberg-Witten. I. Wotzasek, Cl´ovis Jos´e. II. Uni-
versidade Federal do Rio de Janeiro, Instituto de F´ısica, Programa de os-gradua¸ao
em F´ısica. III. A Dualidade Maxwell-Chern-Simons/Autodual e sua Extens˜ao para
Espa¸cos ao-Comutativos.
ii
Resumo
A Dualidade Maxwell-Chern-Simons/Autodual e sua Extens˜ao
para Espa¸cos N˜ao-Comutativos
Marcelo Santos Guimar˜aes
Orientador: Cl´ovis Jos´e Wotzasek
Resumo da disserta¸ao de Mestrado submetida ao Programa de os-gradua¸ao em
F´ısica, Instituto de F´ısica, da Universidade Federal do Rio de Janeiro - UFRJ, como
parte dos requisitos necess´arios `a obten¸ao do t´ıtulo de Mestre em Ciˆencias (F´ısica).
Neste trabalho estudamos o conceito de dualidade e sua extens˜ao para espcos ao-
comutativos. A equivalˆencia entre o modelo de Maxwell-Chern-Simons (uma teoria de
calibre) e a teoria de campos vetoriais conhecida como o modelo autodual, que ao pos-
sui simetria de calibre, ´e estabelecida primeiramente no espco ordin´ario (comutativo)
onde, para o caso das teorias livres, estudamos diferentes etodos para verificar essa du-
alidade. Consideramos especialmente o acoplamento dos modelos a fontes fermiˆonicas
demonstrando que a dualidade ´e mantida. Nesse caso apresentamos alguns resultados
originais que esclarecem e generalizam an´alises anteriores.
Presseguimos com um breve estudo sobre teorias de campos em espcos ao-comu-
tativos, onde discutimos as principais caracter´ısticas dessas teorias. Apresentamos o
mapa de Seiberg-Witten e o aplicamos a teoria de Maxwell-Chern-Simons ao-comu-
tativa. Conclu´ımos ent˜ao analisando a vers˜ao ao-comutativa da dualidade Maxwell-
Chern-Simons/autodual, enfatizando a importˆancia do estabelecimento da equivalˆencia
entre os observ´aveis f´ısicos das teorias.
Palavras-chave: Dualidade, Eletrodinˆamica Topologicamente Massiva, Espa¸cos
ao-Comutativos, Mapa de Seiberg-Witten.
Rio de Janeiro
Fevereiro de 2005
iii
Abstract
The Maxwell-Chern-Simons/Self-Dual Duality and it’s
Extension to Noncommutative Spaces
Marcelo Santos Guimar˜aes
Orientador: Cl´ovis Jos´e Wotzasek
Abstract da disserta¸ao de Mestrado submetida ao Programa de os-gradua¸ao em
F´ısica, Instituto de F´ısica, da Universidade Federal do Rio de Janeiro - UFRJ, como
parte dos requisitos necess´arios `a obten¸ao do t´ıtulo de Mestre em Ciˆencias (F´ısica).
In this work we study the concept of duality and its extension for noncommutative
spaces. The equivalence between the Maxwell-Chern-Simons model (a gauge theory)
and the vector field theory known as the self-dual model, which doesn’t possess gauge
symmetry, is established first in the ordinary space (commutative) where, for the case
of the free theories, we study different methods to verify this duality. We specially
consider the coupling of the models to the fermionic sources demonstrating that the
duality is maintained. In this case we present some original results that clarify and
generalize previous analyses.
We proceed with a brief study of field theories in noncommutative spaces, where we
discuss the main characteristics of these theories. We present the Seiberg-Witten map
and apply it to the noncommutative Maxwell-Chern-Simons theory. We then conclude
analyzing the noncommutative version of the Maxwell-Chern-Simons/self-dual duality,
emphasizing the importance of the establishment of the equivalence between the physical
observables of the theories.
Key-words: Duality, Topologically Massive Electrodynamics, Noncommutative
Spaces, Seiberg-Witten Map.
Rio de Janeiro
Fevereiro de 2005
iv
Agradecimentos
Minhas sinceras gratid˜oes ao professor Cl´ovis Wotzasek, meu orientador nesta tese,
pela liberdade concedida, pelos incentivos, os ensinamentos e pela paciˆencia com minhas
constantes d´uvidas.
Agrade¸co ainda aos meus primeiros orientadores no instituto, professora Ana Maria
Senra Breitschaft e professor Valmar Carneiro Barbosa, por todo o apoio e incentivo ao
somente durante minha gradua¸ao mas sempre demonstrando interesse pelo progresso
de minha forma¸ao e sempre dispon´ıveis.
Agrade¸co a todos os meus amigos do instituto, em especial ao Kazu, Alexandre,
Malena, Davi (que ´e o co-autor do artigo que motivou essa tese) e Jorge (que me
ajudou diretamente lendo e opinando sobre a tese e sempre me incentivando). Obrigado
a todos.
Tenho que agradecer ainda a todos os professores do instituto que contribu´ıram para
minha forma¸ao. Em especial, professor Takeshi Kodama (certamente uma das pessoas
mais inteligentes e abias que a conheci). Professora onica Bahiana pela enorme
paciˆencia e disponibilidade para tirar nossas d´uvidas, ao somente sobre f´ısica.
Cabe mencionar ainda os cursos que mais me marcaram. Destaco as aulas ines-
quec´ıveis do professor Marcus Ven´ıcius (onde eu aprendi ´algebra linear de verdade),
os cursos de mecˆanica quˆantica com o professor Takeshi Kodama que sempre est´a dis-
pon´ıvel para f alar de f´ısica, todos cursos que fiz com o professor An´ıbal Ramalho, os
cursos de eletromagnetismo com o professor Nelson Braga. Tamb´em os excelentes cur-
sos que fiz a na os-gradua¸ao: o curso de mecˆanica quˆantica com o professor Eduardo
Marino, o curso de mecˆanica estat´ıstica com o professor S´ergio Queiroz, o curso de
teoria de campos com o professor Henrique Boschi.
Agrade¸co a CAPES pelo apoio financeiro que recebi durante meu Mestrado.
Por fim agrade¸co `a minha ae, a quem dedico esta tese.
v
Conte´udo
1 Introdu¸ao 1
2 Dualidade 5
2.1 Introdu¸ao . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 5
2.2 Preliminares Sobre Dualidade . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 6
2.3 Dualidade Maxwell-Chern-Simons/Autodual . . . . . . . . . . . . . . . 11
2.3.1 M´eto do da Me stra . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 12
2.3.2 Proje¸ao Dual . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 13
2.3.3 Imers˜ao de Calibre . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 15
2.4 Dualidade MCS/AD na presen¸ca de fontes . . . . . . . . . . . . . . . . 16
3 Espa¸cos ao-Comutativos 23
3.1 Introdu¸ao . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 23
3.2 O Modelo de Landau . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 25
3.3 Sistema de Muitas Part´ıculas (Teoria dos Campos) . . . . . . . . . . . 28
3.3.1 Segunda Quantiza¸ao do Modelo de Landau . . . . . . . . . . . 28
3.4 A Quantiza¸ao de Weyl e o produto Moyal . . . . . . . . . . . . . . . . 31
3.5 O Mapa de Seiberg-Witten e a Teoria Topologicamente Massiva ao-
Comutativa . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 36
4 A Teoria Dual ao Modelo Topologicamente Massivo no Espa¸co N˜ao-
Comutativo 42
4.1 Introdu¸ao . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 42
vi
4.2 Dualidade na Teoria de MCS ao-Comutativa . . . . . . . . . . . . . . 44
4.2.1 Proje¸ao Dual . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 44
4.2.2 M´eto do da Me stra . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 48
5 Conclus˜oes e Perspectivas 50
A Um Exemplo: D ualidade ortice/Part´ıcula 53
B O etodo de Fadeev-Jackiw 58
C Correspondˆencia das
´
Algebras das Teorias MCSNC e ADNC 60
C.1 Proje¸ao Dual . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 60
C.2 M´etodo da Mestra . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 62
vii
Cap´ıtulo 1
Introdu¸ao
A existˆencia de duas formas distintas de descrever um mesmo sistema f´ısico pode pa-
recer uma manifesta¸ao de nossa ignorˆancia. Isso poderia significar que, de alguma
forma, algum aspecto ou princ´ıpio nos escapa resultando em uma aparente ambigui-
dade na descri¸ao do sistema. De fato a expe rimentamos sensa¸ao semelhante ao nos
confrontarmos com a mecˆanica quˆantica. Einstein considerava-a uma teoria incompleta,
mas hoje vemos que a aparente ambiguidade onda/part´ıcula inerente a todo sistema
suficientemente isolado (de forma que as propriedades quˆanticas sejam alidas), ´e mais
precisamente entendida como uma complementaridade. Descri¸oes aparentemente di-
ferentes se complementam para nos dar uma vis˜ao completa do fenˆomeno.
Essa observao capta a importˆancia e o c onsequente interesse nas chamadas teo-
rias duais. Para os nossos prop´ositos, dizemos que um sistema apresenta simetria de
dualidade quando existem duas formula¸oes matem´aticas equivalentes para descrevˆe-lo.
Compreender as rela¸oes entre as diferentes formas de descrever um sistema tem sido
de grande valia para a elucida¸ao de diversos problemas f´ısicos. Podemos citar como
um dos exemplos mais famosos a determina¸ao da temperatura cr´ıtica, que define a
transi¸ao de fase no modelo de Ising. Nesse caso a dualidade se manifesta na forma
como calculamos a fun¸ao de parti¸ao e reflete uma liberdade no ordenamento dos
termos da soma sobre os s´ıtios da rede.
Ter duas descri¸oes equivalentes de um mesmo fenˆomeno tem se mostrado muito
´util em diversas escalas de energia, desde aplica¸oes em mat´eria condensada at´e o es-
1
2
clarecimento de muitos aspectos das teorias de supercordas.
´
E uma propriedade carac-
ter´ıstica dos sistemas duais a invers˜ao dos regimes de acoplamento via transforma¸oes
de dualidade. Isso ´e uma consequˆencia de podermos interpretar a teoria dual como
a teoria na qual as excita¸oes fundamentais (part´ıculas, numa interpreta¸ao perturba-
tiva) ao as excita¸oes coletivas da teoria original (solu¸oes topologicamente ao triviais
das equa¸oes de movimento da teoria original, comumente conhecidas como olitons).
Dessa forma, o estudo de teorias com acoplamento forte (QCD, por exemplo) pode ser
facilitado encontrando-se a teoria dual que teria acoplamento fraco onde as t´ecnicas
perturbativas poderiam ser empregadas. O problema ´e que encontrar a teoria dual
pode ser ao ou mais dif´ıcil do que resolver o problema original.
Justamente por ser ao trivial, o estudo de t´ecnicas para se obter teorias duais em
recebendo grande aten¸ao recentemente e a an´alise de sistemas mais simples pode nos
fornecer uma id´eia mais clara do que significa duas teorias serem duais. E mais ainda,
essas teorias podem ter um interesse f´ısico pr´oprio. Vejamos, por exemplo, o caso que
trataremos nesta tese: a eletrodinˆamica topologicamente massiva definida em (2 + 1)D,
tamb´em conhecida como o mo de lo de M axwell-Chern-Simons. Uma extensa revis˜ao
de suas propriedades pode ser encontrada em [8]. Ess a teoria tem simetria de calibre
(nesta tese trataremos apenas do caso abeliano) e descreve uma excita¸ao massiva de
spin 1 que viola a simetria de paridade e tem helicidade definida. O modelo pode
ser usado em descri¸oes efetivas de alguns fenˆomenos planares em mat´eria condensada
devido `as peculiaridades do termo de Chern-Simons. Em especial, esse termo aparece
naturalmente na descri¸ao via teoria de campos do efeito Hall, o chamado fluido Hall
[36].
O aspecto do modelo de Maxwell-Chern-Simons que mais nos interessa nesta tese ´e o
fato de existir uma descri¸ao equivalente da teoria em termos de campos sem simetria de
calibre, a chamada teoria autodual. Essa caracter´ıstica ´e muito curiosa e desempenha
um papel decisivo na bosoniza¸ao em (2 + 1)D [58] e facilita enormemente os alculos
do modelo de Maxwell-Chern-Simons na rede [12], por exemplo.
Entretanto, ape sar de intensamente estudada, a dualidade MCS/AD na presen¸ca
3
de fontes, sejam estas dinˆamicas ou ao, o foi abordada bem recentemente. Um dos
aspectos dessa dualidade com fontes acopladas ao setor autodual da dualidade foi con-
siderado por [22] para caso de fontes fermiˆonicas e [23] para o caso bosˆonico. Um dos
objetivos desta tese ´e considerar o caso em que as fontes dinˆamicas de car´ater fermiˆonico
est˜ao acopladas ao setor Maxwell-Chern-Simons da dualidade.
O termo de Chern-Simons tamem nos revela um dos aspectos mais fascinantes
da dualidade, a conex˜ao entre ´areas aparentemente bem distintas da f´ısica. Susskind
[37] demonstrou que a teoria de Chern-Simons quando definida em um espa¸co ao-
comutativo (um espa¸co cujas coordenadas guardam uma rela¸ao de incerteza entre elas)
apresenta vantagens na descri¸ao do fluido Hall em rela¸ao `a vers˜ao comutativa. Por
sua vez, teorias de calibre ao-comutativas aparecem naturalmente em certos limites
de teorias de supercordas na presen¸ca de D-branas. Em especial pode-se mostrar [38]
que, considerando certos limites, a descri¸ao de D0-branas se movendo em D2-branas
na presen¸ca de um campo RR (uma 2-forma) pode ser feita pela teoria de Chern-
Simons ao-comutativa. Essa situa¸ao ´e an´aloga `a f´ısica do fluido Hall, o fluido seria
representado pela D2-brana, as excita¸oes pelas D0-branas e o campo magn´etico pelo
campo RR. De certa forma, essas teorias de D-branas cont´em a f´ısica do efeito Hall.
Por todas essas raz˜oes, ´e interessante investigarmos o an´alogo da dualidade Maxwell-
Chern-Simons/autodual no espa¸co ao comutativo. O estudo das rela¸oes de dualidade
nas extens˜oes ao-comutativas dos modelos Maxwell-Chern-Simons e autodual ser´a o
principal objetivo da segunda parte desta tese.
No cap´ıtulo 2 discutiremos as diferentes ecnicas empregadas para estabelecer a
dualidade Maxwell-Chern-Simons/autodual no espa¸co ordin´ario (comutativo). Estuda-
remos nesse caso tanto as teorias livres quanto as teorias acopladas com fontes dinˆamicas
(consideraremos apenas o caso de fontes fermiˆonicas). No cap´ıtulo 3 estudaremos al-
gumas propriedades dos espa¸cos ao-comutativos e apresentaremos o mapa de Seiberg-
Witten [48] (um mapa entre teorias definidas num espa¸co ao-comutativo e teorias de-
finidas no espa¸co ordin´ario, por´em dependentes do parˆametro de ao-comutatividade),
resultado que revigorou o interesse nas teorias ao-comutativas. No cap´ıtulo 4, em-
4
pregando as t´ecnicas discutidas no cap´ıtulo 2, encontraremos a teoria dual `a teoria
de Maxwell-Chern-Simons obtida pela aplica¸ao do mapa de Seiberg-Witten at´e pri-
meira ordem no parˆametro de ao-comutatividade. Finalmente no cap´ıtulo 5, ser˜ao
apresentadas as conclus˜oes e perspectivas.
Cap´ıtulo 2
Dualidade
2.1 Introdu¸ao
Este cap´ıtulo ´e dedicado ao estudo da equivalˆencia entre o modelo de Maxwell-Chern-
Simons e o modelo autodual. Essa equivalˆencia foi primeiramente demonstrada por
Deser e Jackiw em [21].
A dualidade Maxwell-Chern-Simons/autodual tem consequˆencias f´ısicas muito im-
portantes. O mapeamento de uma teoria descrevendo ermions em uma teoria descre-
vendo osons ´e comumente conhecido na literatura pelo nome de b osoniza¸ao. Essa ´e
uma t´ecnica muito poderosa para o estudo de teorias quˆanticas de campos e sistemas em
mat´eria condensada. Em (1+1)D a t´ecnica de bosoniza¸ao ´e bem conhecida e estudada
[9, 10, 11]. Em (2 +1)D o problema foi investigado por diversos autores [54, 55, 56, 57].
Em especial, em ordem mais baixa no inverso da massa do ermion, foi estabelecido por
Fradkin e Schaposnik em [58] a equivalˆencia, para distˆancias grandes comparadas ao
comprimento de onda Compton do f´ermion, entre o modelo de Thirring (que descreve
f´ermions interagentes se movendo no plano) e o modelo de Maxwell-Chern-Simons (que
descreve osons de spin 1). Para isso, os autores primeiramente demonstraram direta-
mente a equivalˆencia entre as fun¸oes de parti¸ao do modelo de Thirring e do modelo au-
todual (para grandes distˆancias) e devido `a dualidade Maxwell-Chern-Simons/autodual,
conclu´ıram pela equivalˆencia entre o modelo de Maxwell-Chern-Simons e o modelo de
Thirring.
5
6
Uma outra aplica¸ao interessante da dualidade Maxwell-Chern-Simons/autodual
foi realizada em [12]. Nesse trabalho os autores estudaram as excita¸oes topol´ogicas
do modelo de Maxwell-Chern-Simons compacto (grupo U (1)), tais excita¸oes consis-
tem de pares monop´olo-antimonop´olo linearmente confinados por uma corda de fluxo
magn´etico devido ao termo de Chern-Simons. Esse resultado, sugerido por outros traba-
lhos [13, 14], foi confirmado estudando o modelo na rede. Na ao de Maxwell-Chern-
Simons, como veremos, o potencial de calibre A
µ
aparece explicitamente, tornando
dif´ıcil a formula¸ao de uma ao peri´odica e invariante de calibre na rede de tal forma
que o limite cont´ınuo seja bem definido. No entanto a ao autodual ´e definida com
campos que ao possue m simetria de calibre e portanto usando a dualidade foi poss´ıvel
determinar as propriedades do modelo de Maxwell-Chern-Simons na rede.
Na subse¸ao seguinte ser´a feita uma breve apresenta¸ao sobre os aspectos da du-
alidade eletromagn´etica e discutiremos a motivao para a dualidade Maxwell-Chern-
Simons/autodual. Nas subse¸oes seguintes faremos um estudo sistem´atico das diversas
t´ecnicas usadas para estabelecer essa dualidade. Primeiramente consideraremos a dua-
lidade entre as teorias livres e depois demonstraremos que a equivalˆencia ´e mantida na
presen¸ca de fontes.
2.2 Preliminares Sobre Dualidade
A teoria eletromagn´etica no acuo em (3 + 1)D, definida pelas equa¸oes de Maxwell
(c = 1):
E = 0, ×
E =
t
B,
B = 0, ×
B =
t
E, (2.1)
´e uma teoria altamente sim´etrica. Em particular, as equa¸oes (2.1) ao invariantes por:
(
E,
B) (
B,
E), (2.2)
que ao chamadas transforma¸oes de dualidade (o sinal negativo ´e consequˆencia da
assimetria entre tempo e espa¸co no espa¸co-tempo de Minkowski). Isso significa sim-
7
plesmente que, no acuo, campos el´etricos e magn´eticos ao fisicamente indistingu´ıveis.
A presen¸ca de cargas el´etricas acaba com essa simetria. Isso decorre da assimetria
por parte da mat´eria que parece ao conter cargas magn´eticas. Dirac [1, 2] considerou
a existˆencia de cargas magn´eticas para recuperar essa simetria e deduziu uma poss´ıvel
explica¸ao para a quantiza¸c ˜ao das cargas el´etricas (e magn´eticas).
Uma forma mais econˆomica (que deixa expl´ıcita a invariˆancia de Lorentz da teoria)
de escrever as equa¸oes de Maxwell (2.1) ´e atraes do tensor de campos F
µν
definido
por:
F
0i
= F
i0
= E
i
, F
ij
= ε
ijk
B
k
. (2.3)
ou:
F
µν
=
µ
A
ν
ν
A
µ
, (2.4)
onde A
µ
= (A
0
, A
i
) ao os potenciais, tais que E
i
=
0
A
i
+
i
A
0
e B
i
= ε
ijk
j
A
k
.
As equa¸oes (2.1) ficam:
µ
F
µν
= 0, (2.5)
µ
F
µν
= 0, (2.6)
onde
F
µν
=
1
2
ε
µνρσ
F
ρσ
´e conhecido como o dual Hodge do campo F
µν
. Observe que
a equa¸ao (2.6) ´e uma consequˆencia da defini¸ao de
F
µν
e portanto ´e uma identidade
(identidade de Bianchi). Por outro lado as equa¸oes de movimento (2.5) podem ser
obtidas minimizando em rela¸ao `a A
µ
a ao:
S
M
=
1
4
d
4
xF
µν
F
µν
. (2.7)
A transforma¸ao (2.2) fica:
F
µν
F
µν
,
F
µν
F
µν
, (2.8)
8
o sinal negativo vem da propriedade
∗∗
F
µν
= F
µν
, no espa¸co de minkowski. Essa
transforma¸ao nos sugere uma forma equivalente de descrever a teoria eletromagn´etica
no acuo em (3 + 1)D, considere a ao:
˜
S
M
=
1
4
d
4
x
F
µν
F
µν
, (2.9)
onde
F
µν
=
µ
˜
A
ν
ν
˜
A
µ
e
˜
A
µ
= (
˜
A
0
,
˜
A
i
) ao os potenciais, tais que B
i
=
0
˜
A
i
+
i
˜
A
0
e E
i
= ε
ijk
j
˜
A
k
. Nesse caso (2.5) ´e a identidade de Bianchi (consequˆencia de F
µν
=
1
2
ε
µνρσ
F
ρσ
).
Em (3 + 1)D a troca da identidade de Bianchi pela equa¸ao de movimento ´e um
resultado quase trivial da dualidade, pois
E e
B ao ambos vetores. A situa¸ao se torna
muito mais interessante em (2 + 1)D. Mantendo a defini¸ao F
µν
=
µ
A
ν
ν
A
µ
, vemos
que o campo magn´etico (componentes espaciais de F ) ´e um pseudo-escalar enquanto o
campo el´etrico ´e um vetor. A dualidade (2.2) ao existe mais. Nesse caso o dual Hodge
de F
µν
tem apenas um ´ındice:
F
µ
=
1
2
ε
µνρ
F
νρ
. (2.10)
Enquanto a equa¸ao de movimento ainda tem a forma (2.5), a identidade de Bianchi
agora ´e
µ
F
µ
= 0. Ent˜ao a pergunta ´e: qual ´e a lagrangeana que tem
µ
F
µ
= 0 como
equa¸ao de movimento? Para responder a essa pergunta observe que queremos tratar
(2.5) como uma identidade, como antes. Portanto, com F
µν
= ε
µνρ
F
ρ
, temos:
µ
F
µν
= ε
µνρ
µ
F
ρ
= 0, (2.11)
que tem solu¸ao:
F
µ
=
µ
φ, (2.12)
logo, a equa¸ao de movimento fica:
µ
F
µ
= 0
2
φ = 0, (2.13)
que, como sabemos, pode ser obtida da lagrangeana:
˜
L =
1
2
µ
φ∂
µ
φ. (2.14)
9
Ou seja, o eletromagnetismo em (2 + 1)D no acuo ´e equivalente `a teoria do campo
escalar ao-massivo. Isso ´e esperado pois a teoria quˆantica do eletromagnetismo em
(2 + 1)D descreve uma excita¸ao ao-massiva de spin 0. Um outro exemplo muito
interessante da f´ısica em (2 + 1)D e que revela diversos aspectos da id´eia de dualidade
pode ser encontrado no apˆendice A.
Uma teoria vetorial massiva em (3 + 1)D o ´e poss´ıvel se a teoria ao tiver s imetria
de calibre (mo delo de Proca), mas uma teoria vetorial massiva com liberdade de calibre
´e poss´ıvel em (2 + 1)D, ela ´e conhecida como a teoria de Maxwell-Chern-Simons:
L
MCS
=
1
4
F
µν
F
µν
±
m
2
A
µ
ε
µνρ
ν
A
ρ
. (2.15)
Essa teoria ´e invariante de calibre (se A
µ
A
µ
+
µ
φ, L
MCS
muda por uma derivada
total) e descreve uma excita¸ao massiva de spin 1 que viola a simetria de paridade e
cuja helicidade (±1) ´e definida pelo sinal do termo de Chern-Simons, suas propriedades
foram analisadas em [6]. A massa da excita¸ao tem sua origem no termo de Chern-
Simons A
µ
ε
µνρ
ν
A
ρ
. Esse termo ´e um invariante topol´ogico, significando que ele ao
depende da etrica. O termo de Chern-Simons ao ´e capaz de “sentir” a curvatura
do espa¸co-tempo. Por essa raz˜ao, a teoria (2.15) ´e tamem conhecida como o modelo
topologicamente massivo.
´
E natural nos perguntarmos se esse modelo guarda alguma rela¸ao com o modelo
de Proca em (2 + 1)D. Aparentemente a resposta seria ao pois o modelo de Proca
ao ´e invariante de calibre e al´em disso descreve duas excita¸oes massivas, enquanto
o modelo de Maxwell-Chern-Simons ´e invariante de calibre e descreve uma excita¸ao
massiva com helicidade definida. Mas ainda assim uma rela¸ao existe, vejamos isso com
mais detalhes. Considere o modelo de Proca em (2 + 1)D:
L
P
=
1
4
F
µν
F
µν
+
m
2
2
A
µ
A
µ
, (2.16)
cuja equa¸ao de movimento ´e:
µ
F
µν
+ m
2
A
ν
= 0, (2.17)
10
de onde segue a condi¸ao
µ
A
µ
= 0, deixando dois graus de liberdade massivos inde-
pendentes, de tal forma que a equa¸ao (2.17) pode ser reescrita como:
2
A
µ
+ m
2
A
µ
= 0. (2.18)
Mas em (2 + 1)D ´e poss´ıvel fazer a separa¸ao expl´ıcita das excita¸oes do modelo de
Proca, procedimento que Townsend, Pilch e Van Nieuwenhuizen [7] chamaram de “tirar
a raiz quadrada” da equa¸ao (2.17), observe que:
µ
F
µν
+ m
2
A
ν
= 0
δ
µ
ν
+ δ
µ
ν
2
m
2
µ
ν
m
2
A
ν
= 0, (2.19)
o operador acima pode ser escrito como:
δ
µ
ν
+ δ
µ
ν
2
m
2
µ
ν
m
2
=
g
µσ
+
1
m
ε
µρσ
ρ
g
σν
1
m
ε
σλρ
λ
, (2.20)
ou seja, um campo f
µ
que satisfaz
g
µσ
+
1
m
ε
µρσ
ρ
f
σ
= 0 ou
g
σν
1
m
ε
σλρ
λ
f
ρ
= 0,
imediatamente ´e solu¸ao de (2.19). Em resumo, o que fizemos foi separar as helicidades
que estavam “misturadas” na equa¸ao (2.17).
As equa¸oes de movimento para f
µ
:
g
µσ
1
m
ε
µρσ
ρ
f
σ
= 0, (2.21)
podem ser obtidas das lagrangeanas (uma para cada helicidade):
L
AD
=
1
2
f
µ
f
µ
1
2m
f
µ
ε
µνρ
ν
f
ρ
, (2.22)
onde AD significa autodual, que se refere `a propriedade exibida pelas equa¸oes de
movimento:
f
µ
= ±
1
m
ε
µρσ
ρ
f
σ
, (2.23)
pois, aplicando os operadores ±
1
m
ε
αβµ
β
dos dois lados de (2.23) obtemos:
1
m
ε
αβµ
β
f
µ
=
1
m
2
ε
αβµ
ε
µρσ
β
ρ
f
σ
=
δ
σ
α
2
m
2
+
σ
α
m
2
f
σ
= f
α
, (2.24)
11
onde foi usado que f
µ
satisfaz a equa¸ao de movimento (2.19). Esse proc edimento de
“tirar a raiz quadrada” da teoria evidenciando as componentes indep ende ntes pode
ser realizado diretamente na lagrangeana com a introdu¸ao de um campo auxiliar e
efetuando algumas redefini¸oes nos campos. A esse m´etodo a-se o nome de proje¸ao
dual [15, 16], discutiremos esse m´etodo em detalhes nas se¸oes seguintes.
´
E importante
mencionar ainda que o procedimento inverso, “soldar” as duas helicidades do modelo
autodual obtendo o modelo de Proca, pode ser generalizado no contexto das chamadas
p-formas massivas (o campo A
µ
´e uma 1-forma nesse contexto). O mecanismo da solda
desenvolvido em [17, 18, 19] foi aplicado por os nesse sentido em [20]. Nesse trabalho
mostramos que grupos podem ser associados `as opera¸oes de dualidade em diversas
dimens˜oes espa¸co-temporais e deduzimos a dependˆencia desses grupos com a dimens˜ao.
Finalmente estamos em posi¸ao de estabelecer a rela¸ao entre o modelo de Proca e
o modelo de Maxwell-Chern-Simons (como antecipamos essa rela¸ao ´e indireta). Ob-
serve que a teoria autodual descreve uma excita¸ao massiva de helicidade definida que
viola a simetria de paridade, o que nos sugere uma liga¸ao direta com o modelo de
Maxwell-Chern-Simons, embora o modelo autodual ao possua simetria de calibre.
Ainda assim, a proposta idealizada por Deser e Jackiw [21] ´e que o modelo autodual
´e equivalente ao modelo de Maxwell-Chern-Simons. O objetivo das pr´oximas se¸oes ´e
estudar as diferentes ecnicas que nos permitem estabelecer a dualidade entre as teorias
de Maxwell-Chern-Simons e autodual.
2.3 Dualidade Maxwell-Chern-Simons/Autodual
Nessa se¸ao vamos estudar a equivalˆencia entre o modelo de Maxwell-Chern-Simons
(MCS):
L
MCS
=
1
4
F
µν
F
µν
+
m
2
A
µ
ε
µνρ
ν
A
ρ
, (2.25)
onde F
µν
=
µ
A
ν
ν
A
µ
, e o modelo autodual (AD):
L
AD
=
1
2
f
µ
f
µ
1
2m
f
µ
ε
µνρ
ν
f
ρ
. (2.26)
12
Ambos os modelos descrevem uma excita¸ao top ologicamente massiva de spin 1 em
(2 + 1)D e violam simetrias de reflex˜ao.
A hist´oria ´e mais ou menos assim: em 1982 Deser, Templeton e Jackiw realizaram
um extenso estudo das propriedades do modelo de MCS [5, 6]. Algum tempo depois
Townsend, Pilch e van Nieuwenhuizen [7] propuseram o modelo AD, mas desconsidera-
ram a possibilidade dos modelos serem descri¸oes equivalentes da mesma f´ısica porque o
modelo de MCS ´e uma teoria de calibre ao contr´ario do modelo AD. Mas em [21], Deser
e Jackiw mostraram a equivalˆencia entre os dois modelos encontrando um mape amento
entre as ´algebras canˆonicas e identificando os respectivos tensores de energia-momento,
demonstraram ainda que ambas as teorias poderiam ser obtidas a partir de uma la-
grangeana comum denominada lagrangeana mestra.
2.3.1 M´etodo da Mestra
Nessa se¸ao vamos demonstrar a equivalˆencia entre a teoria de MCS e a teoria AD
utilizando o etodo da mestra. A lagrangeana mestra ´e obtida reduzindo a lagrangeana
de MCS para primeira ordem introduzindo um campo auxiliar
µ
):
L
MCS
=
1
2
(ε
µνρ
ν
A
ρ
)(ε
µλσ
λ
A
σ
) +
m
2
A
µ
ε
µνρ
ν
A
ρ
L
MCS
L
M
= Π
µ
(ε
µνρ
ν
A
ρ
) +
1
2
Π
µ
Π
µ
+
m
2
A
µ
ε
µνρ
ν
A
ρ
. (2.27)
Resolvendo para Π
µ
:
δL
M
δΠ
µ
= Π
µ
ε
µνρ
ν
A
ρ
= 0 (2.28)
e substituindo em L
M
obtemos :
L
M
= L
MCS
. (2.29)
Por´em, se resolvermos a mestra para A
µ
:
δL
M
δA
µ
= ε
µνρ
ν
Π
ρ
+
µνρ
ν
A
ρ
= 0 (2.30)
13
de onde inferimos que:
A
µ
=
1
m
Π
µ
+
µ
φ, (2.31)
onde φ ´e um campo escalar. Substituindo em L
M
e desconsiderando derivadas totais
(observe que dessa forma φ desaparece) obtemos a teoria dual ao modelo MCS conhecida
como autodual:
L
M
=
1
2
Π
µ
Π
µ
1
2m
Π
µ
ε
µνρ
ν
Π
ρ
= L
AD
. (2.32)
Uma observao importante que devemos fazer diz respeito `a elimina¸ao do campo
A
µ
. Pensando na integral funcional, eliminar A
µ
significa fazer uso da forma gaussiana
na qual ele aparece em L
M
e realizar a integra¸ao em A
µ
obtendo um determinante
funcional. Esse determinante deve carregar informa¸oes topol´ogicas que est˜ao contidas
no termo de Chern-Simons (que codifica a invariˆancia de calibre ao mais presente em
(2.32)). Para deixar claro essas considera¸oes, vamos usar um outro m´etodo para obter
a teoria AD, o m´etodo da proje¸ao dual.
2.3.2 Proje¸c˜ao Dual
Vamos usar a lagrangeana que chamamos de mestra como ponto de partida:
L
M
= Π
µ
(ε
µνρ
ν
A
ρ
) +
1
2
Π
µ
Π
µ
+
m
2
A
µ
ε
µνρ
ν
A
ρ
= (
m
2
A
µ
Π
µ
)(ε
µνρ
ν
A
ρ
) +
1
2
Π
µ
Π
µ
, (2.33)
redefinindo
m
2
A
µ
Π
µ
Π
µ
, obtemos:
L
M
= Π
µ
(ε
µνρ
ν
A
ρ
) +
1
2
(
m
2
A
µ
Π
µ
)(
m
2
A
µ
Π
µ
). (2.34)
Realizando a seguir uma rota¸ao nos campos A
µ
e Π
µ
como:
Π
µ
=
m
2
(A
+
µ
A
µ
)
A
µ
= A
+
µ
+ A
µ
, (2.35)
14
obtemos:
L
M
=
m
2
(A
+
µ
A
µ
)ε
µνρ
ν
(A
+
ρ
+ A
ρ
) +
m
2
2
A
µ
A
µ
=
m
2
A
+
µ
ε
µνρ
ν
A
+
ρ
m
2
A
µ
ε
µνρ
ν
A
+
ρ
+
m
2
A
+
µ
ε
µνρ
ν
A
ρ
m
2
A
µ
ε
µνρ
ν
A
ρ
+
m
2
2
A
µ
A
µ
=
m
2
A
+
µ
ε
µνρ
ν
A
+
ρ
m
2
A
µ
ε
µνρ
ν
A
ρ
+
m
2
2
A
µ
A
µ
, (2.36)
ou, renomeando mA
µ
= f
µ
e A
+
µ
= A
µ
:
L
M
=
m
2
A
µ
ε
µνρ
ν
A
ρ
+
1
2
f
µ
f
µ
1
2m
f
µ
ε
µνρ
ν
f
ρ
= L
CS
+ L
AD
, (2.37)
de forma que o termo de Chern-Simons que carrega a informa¸ao topol´ogica aparece
fatorado tornando expl´ıcitas as considera¸oes feitas na se¸ao anterior. Podemos ainda
constatar o car´ater dinamicamente in´ocuo do termo de CS quando consideramos o
processo desenvolvido acima do ponto de vista dos funcionais geradores. Consideremos
o funcional gerador correspondente `a lagrangeana mestra (2.33):
Z
M
=
DΠDAe
i
d
3
xL
M
. (2.38)
Pelo car´ater gaussiano do campo Π
µ
ele pode ser integrado (evidenciando seu papel de
campo auxiliar) e (2.38) ´e equivalente ao funcional gerador da teoria de MCS (Z
MCS
).
As etapas desenvolvidas acima podem ser aplicadas no contexto do funcional gera-
dor s em maiores problemas, as redefini¸oes (2.35) ao trivialmente implementadas na
medida do funcional (2.38) e nos levam `a conclus˜ao que:
Z
MCS
= Z
M
=
DΠDAe
i
d
3
xL
M
=
DA
DA
+
e
i
d
3
x(L
AD
(A
)+L
CS
(A
+
))
= Z
CS
Z
AD
, (2.39)
No formalismo do funcional gerador sabemos que as quantidades fisicamente relevantes
(fun¸oes de correla¸ao, por exemplo) ao obtidas a partir das derivadas do logaritmo
do funcional em rela¸ao a uma fonte externa. Veremos mais adiante que a dualidade
15
permanece alida na presen¸ca de fontes externas e que toda a informa¸ao sobre a
corrente est´a contida em Z
AD
ap´os a dualidade (Z
MCS
(J) = Z
CS
Z
AD
(J)) de forma
que o termo de CS de fato ao contribui, funcionando apenas como o portador da
informa¸ao sobre a liberdade de calibre (ausente na AD).
2.3.3 Imers˜ao de Calibre
De certa maneira os podemos pensar na teoria AD como uma MCS c om fixa¸ao de
calibre. Essa observao nos sugere ainda outra forma de estabelecer a dualidade entre
os dois modelos. A id´eia ´e “embutir” uma simetria de calibre na teoria AD obtendo
uma teoria invariante de calibre que esperamos que seja a MCS. Nesta se¸ao os vamos
ver como isso funciona.
Come¸cando com a teoria AD (2.26), vamos impor a simetria δf
µ
=
µ
.
´
E claro que
L
AD
ao ´e invariante sob essa transforma¸ao, a id´eia ent˜ao ´e adicionar contra-termos
at´e que obtenhamos uma lagrangeana invariante. Para come¸car vamos impor a pr´opria
equa¸ao de movimento de f
µ
como um v´ınculo introduzindo o campo auxiliar B, esse
termo claramente ao altera a dinˆamica dos campos f
µ
:
L
(1)
AD
= L
AD
B
µ
K
µ
, (2.40)
onde o ´ındice 1 serve como um contador das etapas iterativas e K
µ
´e o vetor de Euler
tal que:
K
µ
= f
µ
1
m
ε
µνρ
ν
f
ρ
, (2.41)
ou seja, K
µ
= 0 ´e a equa¸ao de movimento. A varia¸ao de L
(1)
AD
devido `a δf
µ
=
µ
´e:
δL
(1)
AD
= K
µ
µ
K
µ
δB
µ
δK
µ
B
µ
, (2.42)
definindo δB
µ
=
µ
, temos:
δL
(1)
AD
= δK
µ
B
µ
= B
µ
(
µ
1
m
ε
µνρ
ν
ρ
)
= B
µ
µ
= B
µ
δB
µ
=
1
2
δ(B
µ
B
µ
). (2.43)
16
Logo, se:
L
(2)
AD
= L
(1)
AD
+
1
2
B
µ
B
µ
, (2.44)
teremos δL
(2)
AD
= 0. Mas B ´e um campo auxiliar, vamos explorar sua natureza gaussiana
e elimin´a-lo de (2.44), obtendo:
L
(2)
AD
= L
AD
K
µ
B
µ
+
1
2
B
µ
B
µ
L
(2)
AD
= L
AD
1
2
K
µ
K
µ
. (2.45)
Observe que para o resultado (2.45) ´e importante que δf
µ
= δK
µ
.
Dessa forma, o resultado final ´e:
L
(2)
AD
=
1
2
f
µ
f
µ
1
2m
f
µ
ε
µνρ
ν
f
ρ
1
2
f
µ
1
m
ε
µνρ
ν
f
ρ
2
=
1
2m
2
(ε
µνρ
ν
f
ρ
)
2
+
1
2m
f
µ
ε
µνρ
ν
f
ρ
. (2.46)
Renomeando f
µ
= mA
µ
, para evidenciar o novo status do campo f
µ
como um campo
de calibre, temos:
L
(2)
AD
=
1
2m
2
(ε
µνρ
ν
f
ρ
)
2
+
1
2m
f
µ
ε
µνρ
ν
f
ρ
=
1
4
F
µν
F
µν
+
m
2
A
µ
ε
µνρ
ν
A
ρ
= L
MCS
. (2.47)
2.4 Dualidade MCS/AD na presen¸ca de fontes
To dos os etodos desenvolvidos nas se¸oes anteriores trataram das teorias livres. Para
se obter as quantidades f´ısicas relevantes em uma teoria de campos a presen¸ca de fontes
´e necess´aria, pois ´e a intera¸ao que proporciona a medida. Portanto ´e importante
garantir que essa dualidade tamb´em seja alida na presen¸ca de fontes.
O m´etodo da imers˜ao de calibre ´e particularmente ´util para estudarmos a dualidade
MCS/AD quando esses modelos est˜ao acoplados a fontes. Para ver isso vamos considerar
primeiramente o modelo AD acoplado minimamente a uma fonte externa:
L
J
AD
=
1
2
f
µ
f
µ
1
2m
f
µ
ε
µνρ
ν
f
ρ
eJ
µ
f
µ
. (2.48)
17
Impondo δf
µ
=
µ
, temos agora:
K
µ
= f
µ
1
m
ε
µνρ
ν
f
ρ
eJ
µ
, (2.49)
portanto δK
µ
=
µ
= δf
µ
e pelas considera¸oes que fizemos na se¸ao anterior, a teoria
dual ´e:
L = L
J
AD
1
2
K
µ
K
µ
=
1
2m
f
µ
ε
µνρ
ν
f
ρ
e
m
J
µ
ε
µνρ
ν
f
ρ
1
2m
2
(ε
µνρ
ν
f
ρ
)
2
e
2
2
J
µ
J
µ
. (2.50)
Fazendo f
µ
= mA
µ
obtemos:
L =
1
4
F
µν
F
µν
+
m
2
A
µ
ε
µνρ
ν
A
ρ
eA
µ
ε
µνρ
ν
J
ρ
e
2
2
J
µ
J
µ
= L
ε∂J
MCS
, (2.51)
onde uma integra¸ao p or partes foi realizada. Vemos que o acoplamento m´ınimo para
a teoria AD se traduz em um acoplamento “n˜ao-m´ınimo” para a MCS, o campo A
µ
se
acopla minimamente `a ε∂J e um termo de intera¸ao corrente-corrente (tipo Thirring)
aparece naturalmente. a foi observado em [22, 23] que esse termo ´e necess´ario para
manter a dinˆamica da fonte inalterada, o que ´e necess´ario pois a fonte ao participa do
processo de dualidade.
Para constatar isso, no caso fermiˆonico, vamos adicionar a lagrangeana de Dirac
nas teorias acima e obter as equa¸oes de movimento para o campo fermiˆonico nos dois
modelos.
Para o modelo AD:
L
J
AD
=
1
2
f
µ
f
µ
1
2m
f
µ
ε
µνρ
ν
f
ρ
eJ
µ
f
µ
+
¯
ψ(
µ
µ
M)ψ, (2.52)
obtemos (com J
µ
=
¯
ψγ
µ
ψ) a seguinte equa¸ao de movimento:
(
µ
µ
M)ψ = ef
µ
γ
µ
ψ. (2.53)
Por outro lado, a equa¸ao de movimento de f
µ
nos fornece:
eJ
µ
= f
µ
1
m
ε
µνρ
ν
f
ρ
=
g
µρ
1
m
ε
µνρ
ν
f
ρ
= R
1
µρ
f
ρ
(2.54)
18
No espa¸co dos momentos ´e acil verificar que a inversa de R
1
µρ
´e dada por:
R
µν
=
m
2
k
2
m
2
g
µν
+
i
m
ε
µρν
k
ρ
1
m
2
k
µ
k
ν
, (2.55)
que ´e o propagador da teoria AD tal que f
µ
= eR
µν
J
ν
e R
µν
R
1
νρ
= R
1
ρν
R
νµ
= δ
µ
ρ
.
Logo, obtemos a equa¸ao de movimento da teoria fermiˆonica sem nenhuma men¸ao aos
campos bosˆonicos da teoria AD como:
(
µ
µ
M)ψ = e
2
(R
µν
J
ν
)γ
µ
ψ. (2.56)
Por outro lado, partindo do modelo de MCS:
L
ε∂J
MCS
=
1
4
F
µν
F
µν
+
m
2
A
µ
ε
µνρ
ν
A
ρ
eA
µ
ε
µνρ
ν
J
ρ
e
2
2
J
µ
J
µ
+
¯
ψ(
µ
µ
M)ψ, (2.57)
e tomando varia¸oes com respeito aos campos fermiˆonicos, obtemos:
(
µ
µ
M)ψ = (
µνρ
ν
A
ρ
+ e
2
J
µ
)γ
µ
ψ. (2.58)
A equa¸ao de movimento de A
µ
nos fornece (com
F
µ
= ε
µνρ
ν
A
ρ
):
µνρ
ν
J
ρ
= ε
µρσ
ρ
F
σ
+ m
F
µ
= mR
1
µσ
F
σ
, (2.59)
que como a discutimos seguindo (2.54) e (2.55), podemos inverter facilmente:
F
µ
=
e
m
R
µν
ε
νσρ
σ
J
ρ
. (2.60)
Logo, obtemos a equa¸ao da dinˆamica fermiˆonica do ponto de vista do modelo de
MCS como:
(
µ
µ
M)ψ = (
e
2
m
R
µν
ε
νσρ
σ
J
ρ
+ e
2
J
µ
)γ
µ
ψ. (2.61)
Usando a defini¸ao de R
1
µν
:
1
m
ε
νσρ
σ
= g
νρ
R
1
νρ
, (2.62)
19
podemos escrever a equa¸ao fermiˆonica como:
(
µ
µ
M)ψ = (e
2
R
µν
J
ν
e
2
R
µν
R
1
νσ
J
σ
+ e
2
J
µ
)γ
µ
ψ
= e
2
(R
µν
J
ν
)γ
µ
ψ, (2.63)
que, como reivindicamos, possui a mesma estrutura que no caso AD (2.56). Este ´e um
importante resultado que demonstra que as fontes, mesmo dinˆamicas, ao participam
do processo de dualiza¸ao e que, portanto, ao podem ter sua dinˆamica alterada.
Embora o resultado acima sirva para demonstrar nossas hip´oteses sobre a possi-
bilidade de dualiza¸ao na presen¸ca de fontes ele ao est´a totalmente livre de cr´ıticas.
De fato como foi recentemente observado em [24] a ausˆencia de simetria de calibre no
modelo AD torna injustificado o uso de acoplamento m´ınimo neste caso. Seguindo esta
ogica o autor de [24] mostrou que mesmo para acoplamentos de fontes ao modelo AD
ao minimamente, o processo de dualiza¸ao ao altera a dinˆamica dos campos, bosˆonico
ou fermiˆonicos, acoplados ao par dual MCS/AD, embora mude consideravelmente a na-
tureza do acoplamento.
Na parte final desta se¸ao vamos seguir um caminho alternativo e aproveitar a
presen¸ca da simetria de calibre no setor MCS para estudar o comportamento das fon-
tes frente `as transforma¸oes de dualidade no caso de acoplamento m´ınimo com fontes
fermiˆonicas dinˆamicas.
Considere o modelo de MCS com acoplamento m´ınimo:
L
J
MCS
=
1
4
F
µν
F
µν
+
m
2
A
µ
ε
µνρ
ν
A
ρ
eA
µ
J
µ
. (2.64)
Propomos, pelo que estudamos acima, que a teoria AD correspondente tenha a forma:
L
ω
AD
=
1
2
f
µ
f
µ
1
2m
f
µ
ε
µνρ
ν
f
ρ
ef
µ
ω
µ
e
2
2
ω
µ
ω
µ
, (2.65)
onde ω
µ
dado por J
µ
= ε
µνρ
ν
ω
ρ
´e o chern-kernel da fonte associada `a corrente em
quest˜ao [25, 26]. Vamos verificar a seguir usando o etodo da imers˜ao de calibre
que, de fato, este ansatz para a vers˜ao AD nos leva via dualidade ao modelo MCS
20
minimamente acoplado `as fontes. Para isso calculamos inicialmente o vetor de Euler
do modelo,
K
µ
= f
µ
1
m
ε
µνρ
ν
f
ρ
µ
, (2.66)
que satisfaz δK
µ
= δf
µ
=
µ
.
´
E imediato que:
L = L
ω
AD
1
2
K
µ
K
µ
=
1
2m
f
µ
ε
µνρ
ν
f
ρ
e
m
f
µ
J
µ
1
2m
2
(ε
µνρ
ν
f
ρ
)
2
, (2.67)
com f
µ
= mA
µ
obtemos L = L
J
MCS
, minimamente acoplado com as fontes, como
proposto.
Para verificar a dinˆamica das fontes, prosseguimos como antes adicionando o termo
de Dirac. Mas temos que ser mais cuidadosos nesse caso pois ω depende de
¯
ψ de forma
ao local e possui liberdade de calibre (ω
µ
ω
µ
+
µ
φ). Fixando o calibre (
µ
ω
µ
= 0)
podemos obter a rela¸ao direta entre a corrente fermiˆonica e o chern-kernel apropriado
ao acoplamento do modelo AD:
ε
µνρ
ν
J
ρ
=
µ
ν
ω
ν
2
ω
µ
=
2
ω
µ
ω
µ
=
1
2
ε
µνρ
ν
J
ρ
d
3
yG(x y)ε
µνρ
(y)
ν
J
ρ
(y), (2.68)
onde
2
(x)
G(x y) = δ(x y). Dessa forma a equa¸ao de movimento do campo
fermiˆonico, no setor AD da dualidade ´e obtida tomando a varia¸ao com respeito ao
campo conjugado:
δS
AD
[
¯
ψ]
δ
¯
ψ
= (
µ
µ
M)ψ(x)
d
3
y
ef
µ
(y) e
2
ω
µ
(y)
δω
µ
(y)
δ
¯
ψ(x)
= 0, (2.69)
onde S
AD
[
¯
ψ] =
d
3
yL
ω
AD
. Mas (por uma integra¸ao por partes):
ω
µ
=
d
3
y
(y)
ν
G(x y)ε
µνρ
J
ρ
(y)
δω
µ
(y)
δ
¯
ψ(x)
=
(x)
ν
G(y x)ε
µνρ
γ
ρ
ψ(x)
=
(y)
ν
G(y x)ε
µνρ
γ
ρ
ψ(x), (2.70)
21
onde foi usado que
(x)
ν
G(x y) =
(y)
ν
G(x y). Logo:
(
µ
µ
M)ψ(x) =
d
3
y
ef
µ
(y) e
2
ω
µ
(y)
ν
(y)
G(y x)
ε
µνρ
γ
ρ
ψ(x)
=
d
3
yG(y x)
µνρ
ν
(y)
f
ρ
(y) e
2
ε
µνρ
ν
(y)
ω
ρ
(y)
γ
µ
ψ(x). (2.71)
Para eliminarmos a dependˆencia com respeito ao campo autodual utilizamos a equa¸ao
de movimento para f
µ
:
f
µ
= eR
µν
ω
ν
, (2.72)
que, junto com a equa¸ao (2.62) nos permitem escrever:
µνρ
ν
f
ρ
e
2
ε
µνρ
ν
ω
ρ
= me
2
(g
µρ
R
1
µρ
)R
ρσ
ω
σ
e
2
J
µ
= me
2
R
µσ
ω
σ
me
2
ω
µ
e
2
J
µ
, (2.73)
tal que a dinˆamica fermiˆonica no setor AD fica descrita pela seguinte equa¸ao:
(
µ
µ
M)ψ(x) = e
2
1
2
(mR
µσ
ω
σ
µ
J
µ
)
γ
µ
ψ(x). (2.74)
Para o setor MCS da dualidade procedemos de forma an´aloga. A ao deste setor
´e dada por:
L
J
MCS
=
1
4
F
µν
F
µν
+
m
2
A
µ
ε
µνρ
ν
A
ρ
eA
µ
J
µ
+
¯
ψ(
µ
µ
M)ψ, (2.75)
da qual obtemos a equa¸ao de movimento tomando varia¸oes como antes:
(
µ
µ
M)ψ(x) = eA
µ
γ
µ
ψ(x). (2.76)
Para eliminarmos a dependˆencia nos campos de calibre A
µ
, resolvemos as equa¸oes para
estes campos:
ε
µνρ
ν
A
ρ
=
e
m
R
µν
J
ν
, (2.77)
fixando o calibre (
µ
A
µ
= 0) resulta em:
A
µ
=
e
m
1
2
ε
µνρ
ν
(R
ρσ
J
σ
)
, (2.78)
22
que substituindo de volta em (2.76) resulta em:
(
µ
µ
M)ψ(x) =
e
2
m
1
2
ε
µνρ
ν
(R
ρσ
J
σ
)
γ
µ
ψ(x)
= e
2
1
2
(R
µσ
J
σ
J
µ
)
γ
µ
ψ(x)
= e
2
1
2
(mR
µσ
ω
σ
µ
J
µ
)
γ
µ
ψ(x), (2.79)
verificando (2.74). Isto demonstra, a posteriori, o ansatz adotado para a dualidade,
(2.65), assim como verifica que de fato as fontes fermiˆonicas embora possuam dinˆamica,
ao ao afetadas pela transforma¸ao de dualidade.
´
E interessante observar que os ter-
mos necess´arios para garantir a invariˆancia da dinˆamica fermiˆonica ao completamente
fornecidos pelo procedimento de transforma¸ao de dualidade. Isto ´e diferente de outros
procedimentos onde tais termos ao em geral adicionados de forma ad hoc para garantir
tal independˆencia.
Nossa experiˆencia com as t´ecnicas desenvolvidas nesse cap´ıtulo e a existˆencia de
uma variedade de trabalhos com resultados aparentemente conflitantes no estudo das
extens˜oes ao-comutativas da dualidade MCS/AD [59, 60, 61, 62] nos estimularam a
abordar o problema da dualidade dos modelos MCS e AD no espa¸co ao-comutativo. No
cap´ıtulo seguinte discutiremos resumidamente a quest˜ao dos espa¸cos ao-comutativos e
enao no cap´ıtulo posterior ser˜ao apresentados nossos resultados referentes `a dualidade
MCS/AD no plano ao-comutativo.
Cap´ıtulo 3
Espa¸cos ao-Comutativos
3.1 Introdu¸ao
O conceito de espa¸cos ao-comutativos surgiu na f´ısica como a caracter´ıstica fundamen-
tal que define um sistema quˆantico. Formulado por Heisenberg, o princ´ıpio da incerteza
´e uma consequˆencia direta do estabelecimento das vari´aveis dinˆamicas como operado-
res e da defini¸ao de ao-comutatividade entre as vari´aveis de posi¸ao e momento. A
rela¸ao de incerteza entre essas vari´aveis redefine a estrutura do espa¸co de fase de tal
forma que a no¸ao de ponto ao mais faz sentido.
Da mesma forma, a ao-comutatividade das coordenadas do espa¸co de configura¸ao
do sis tema implicaria na impossibilidade de s ua localiza¸ao espacial. Heis enberg per-
cebeu que isso poderia ser usado para aliviar as divergˆencias que aparecem em teorias
de campos associadas as auto-energias das part´ıculas, divergˆencias essas que ocorrem
justamente pelo car´ater pontual das part´ıculas. Como em um espa¸co ao-comutativo
part´ıculas (objetos pontuais) ao podem ser definidas, ele imaginou que isso poderia ser
uma solu¸ao. Em 1947 Snyder [28, 29], seguindo esse caminho, publicou os primeiros
trabalhos dedicados a ao-comutatividade do espa¸co-tempo. Depois diss o o assunto
foi esquecido pois, al´em dos problemas que a id´eia trazia (n˜ao localidade, quebra da
invariˆancia de Lorentz,...), as t´ecnicas de renormaliza¸ao e regulariza¸ao foram desen-
volvidas.
Recentemente o interesse nas teorias ao-comutativas foi renovado em grande parte
23
24
devido ao intenso esfor¸co empregado na dire¸ao da unifica¸ao das intera¸oes funda-
mentais. Acredita-se que qualquer teoria que combine a mecˆanica quˆantica com a
gravita¸ao deve alterar radicalmente nossa no¸ao do espa¸co-tempo em distˆancias da
ordem do comprimento de Planck ( 10
33
cm). De fato, a maior candidata `a teoria
unificadora, a teoria das cordas, conem teorias de campos em espa¸cos ao-comutativos.
Essas teorias surgem naturalmente em certos limites no estudo de teoria de cordas aber-
tas terminando em D-branas na presen¸ca de um campo de Neveu-Schwarz. A id´eia de
que teorias de campos ao-comutativos surgem como descri¸oes efetivas na teoria das
cordas gerou uma enorme variedade de trabalhos.
1
Em geral, p or si o, teorias de campo definidas em um espa¸co-tempo ao-comutativo
oferecem uma excelente oportunidade para se estudar as consequˆencias que uma de-
forma¸ao na estrutura espa¸co-temporal pode ter sobre os fenˆomenos f´ısicos. As t´ecnicas
a comuns nos tratamentos das teorias de campos nos espa¸cos ordin´arios em sendo es-
tendidas para espa¸cos ao-comutativos (para uma revis˜ao ver pag. 997 de [33]). Mas
a variedade de novos fenˆomenos que surgem devido `a ao-comutatividade ao ´e com-
pletamenta entendida e muitos problemas em que ser resolvidos ainda. Por exemplo,
ao postular rela¸oes de comuta¸ao do tipo [x
µ
, x
ν
] =
µν
, ´e imediato que a simetria de
Lorentz ´e perdida. Essa rela¸ao introduz ainda o novo parˆametro dimensional θ que
pode gerar problemas de renormaliza¸ao.
Um problema caracter´ıstico que afeta a renormaliza¸ao das teorias ao-comutativas
´e a mistura UV/IV [34], ou seja, divergˆencias ultra-violetas est˜ao associadas a di-
vergˆencias infra-vermelhas. Essa mistura pode ser entendida heuristicamente olhando-
se para as rela¸oes de comuta¸ao entre as coordenadas que implicam em rela¸oes de
incerteza do tipo xy θ, de forma que se x 0 (UV) enao y (IV).
A an´alise perturbativa dessas teorias mostra que esses problemas ao trat´aveis. Es-
sas quest˜oes ao ser˜ao abordadas nessa tese mas discuss˜oes nesse sentido podem ser
encontradas em [33, 42, 47, 35].
1
O primeiro trabalho que fez uso da geometria ao comutativa no contexto das teorias de cordas
foi [30]. Depois disso, com a descoberta das D-branas, diversos outros surgiram [31, 32, 48], para citar
alguns. Para uma revis˜ao completa do assunto ver [33, 47].
25
Ainda que grande parte da motivao atual venha da teoria das cordas, a ao-
comutatividade das coordenadas encontra um terreno f´ertil na f´ısica de mat´eria con-
densada. A descri¸ao de um sistema de el´etrons se movendo num plano no qual se aplica
um campo magn´etico perpendicular apresenta uma f´ısica riqu´ıssima (respons´avel por
pelo menos dois prˆemios Nobel), mais especificamente, esse sistema se manifesta no
fenˆomeno do efeito Hall. Com um campo magn´etico forte o suficiente (para que, por
exemplo, possamos ignorar o spin do el´etron) esse sistema pode ser descrito efetivamente
por coordenadas ao-comutativas. O sistema de el´etrons tamb´em pode ser descrito por
campos, nesse caso falamos de um fluido Hall quˆantico [36] e a descri¸ao efetiva a longas
distˆancias pode ser feita via teoria de Chern-Simons. Mais recentemente Susskind [37]
propˆos que a descri¸ao mais eficiente seria com a teoria de Chern-Simons ao-comutativa
e de fato mostrou que ´e poss´ıvel obter concordˆancia quantitativa precisa com a teoria
de Laughlin [39]. Paredes e Barb´on [40] sugeriram ainda que, acrescentando o termo
de Maxwell, a teoria de Maxwell-Chern-Simons ao-comutativa poderia ser usada na
descri¸ao da transi¸ao de fase para o cristal de Wigner.
Nesse cap´ıtulo faremos um estudo resumido de espa¸cos ao-comutativos come¸cando
com o modelo de Landau com o prop´osito de apresentar o surgimento da ao-comutativi-
dade espacial em um sistema f´ısico, da´ı partiremos para o estudo de teorias de campos
em um espa¸co ao-comutativo. Introduziremos o produto Moyal, que codifica a estru-
tura ao-comutativa. Depois discutiremos o mapa de Seiberg-Witten que estabelece
uma dualidade entre teorias de calibre no espa¸co ao-comutativo e teorias de calibre
no espa¸co comutativo e aplicaremos o mapa a teoria de Maxwell-Chern-Simons ao-
comutativa.
3.2 O Mode lo de Landau
Nessa se¸ao estudaremos um exemplo bem simples do aparecimento das coordenadas
ao comutativas em f´ısica, no caso que consideraremos (modelo de Landau) a ao-
26
comutatividade ´e uma consequˆencia da redu¸ao do espa¸co de fase que faz com que
coordenadas espaciais se tornem canonicamente conjugadas entre si. Portanto, nesse
caso, a ao-comutatividade espacial serve como uma descri¸ao efetiva do sistema. Se-
guiremos, nessa e na pr´oxima se¸ao, a an´alise feita em [41] e [42].
O modelo de Landau descreve uma part´ıcula (ou sistema de part´ıculas) carregada
se movendo no plano sob a influˆencia de um campo magn´etico constante perpendicular
ao plano, a lagrangeana ´e:
L =
m
2
˙
x
2
e
c
˙
x ·
A V (x, y), (3.1)
onde, x = (x, y) = (x
1
, x
2
),
B = ×
A = Bˆz , m e e ao a massa e a carga da part´ıcula
e V ´e um potencial.
No calibre sim´etrico, o potencial vetor
A fica:
A = (
B
2
y,
B
2
x), (3.2)
com A
0
= 0, logo:
L =
m
2
˙
x
2
eB
2c
ε
ij
x
i
˙x
j
V (x, y), (3.3)
onde ´ındices repetidos somam.
O momento canonicamente conjugado `a x
i
´e:
p
i
= m ˙x
i
+
eB
2c
ε
ij
x
j
= Π
i
+
eB
2c
ε
ij
x
j
. (3.4)
Π
i
´e chamado de momento cinem´atico. O hamiltoniano pode ser encontrado via trans-
formada de Legendre:
H = p
i
˙x
i
L
=
1
2m
2
x
+ Π
2
y
) + V. (3.5)
Para entender a mecˆanica quˆantica desse sistema, primeiro vamos considerar o caso
com V = 0. Com as regras de comuta¸ao usuais da mecˆanica quˆantica ([x
i
, p
j
] = i¯
ij
e [x
i
, x
j
] = [p
i
, p
j
] = 0), obtemos:
i
, Π
j
] =
eB
c
i¯
ij
, (3.6)
27
vemos que as componentes do momento cinem´atico ao comutam. A estrutura dos
n´ıveis de energia pode ser obtida de forma trivial se observarmos que o hamiltoniano
(3.5) com V = 0 e as regras de comuta¸ao (3.6) ao mapeados na dinˆamica do oscilador
harmˆonico unidimensional:
H =
1
2m
2
x
+ Π
2
y
) =
P
2m
+
2
2
X
2
, (3.7)
com Π
x
= P e Π
y
=
2
X. Comparando [X, P ] = i¯h com (3.6) vemos que ω =
eB
mc
e
os n´ıveis de energia, que nesse contexto ao chamados de n´ıveis de Landau, ao:
E
n
= ¯(n +
1
2
) =
¯heB
mc
(n +
1
2
). (3.8)
Para B m a part´ıcula ´e projetada no estado fundamental (n´ıvel mais baixo de
Landau) E
0
=
¯heB
2mc
. Voltando a lagrangeana (3.3), nesse limite podemos desprezar a
energia cin´etica da part´ıcula e reintroduzindo V
2
temos:
L =
eB
2c
ε
ij
˙x
i
x
j
V (x, y). (3.9)
Observe que esse limite causa uma redu¸ao dimensional no espa¸co de fase, de fato,
agora o espa¸co de configura¸ao (o plano onde a part´ıcula se move ) ´e o pr´oprio espa¸co
de fase. E sse sistema ´e vinculado, para obter corretamente os comutadores (a partir
dos colchetes da teoria cl´assica) vamos usar o etodo de Fadeev-Jackiw descrito no
apˆendice B. Por (3.9) a
i
(x) =
eB
2c
ε
ij
x
j
que nos leva `a:
f =
0
eB
c
eB
c
0
f
1
=
0
c
eB
c
eB
0
, (3.10)
de tal forma que:
x
i
, x
j
= ε
ij
c
eB
[x
i
, x
j
] = i¯
ij
c
eB
. (3.11)
Ou seja, a part´ıcula desenvolveu uma incerteza em sua localiza¸ao. Para uma
part´ıcula carregada se movendo em um plano com um forte campo magn´etico per-
pendicular, a no¸ao de ponto ao faz sentido.
2
´
E claro que a estrutura dos n´ıveis ir´a mudar, mas vamos considerar V uma perturba¸ao, como a
separa¸ao entre os n´ıveis ´e da ordem de
B
m
isso ao ser´a muito restritivo
28
Foi nesse contexto que Peierls [44] usou a ao-comutatividade das coordenadas es-
paciais. Substituindo em V as c oordenadas ao-comutativas e prosseguindo com um
alculo perturbativo ele obteve corre¸oes ao n´ıvel mais baixo de Landau que possuem
um maior acordo com os resultados expe rimentais que o alculo feito usando-se coorde-
nadas comutativas. Estendendo a discuss˜ao acima a um sistema de el´etrons (V poderia
representar impurezas na amostra) temos um modelo efetivo para descrever o efeito
Hall quˆantico.
3.3 Sistema de Muitas Part´ıculas (Teoria dos Cam-
pos)
Na se¸ao anterior vimos como a ao-comutatividade das coordenadas espaciais surge
naturalmente como uma descri¸ao efetiva no modelo de Landau. A ao-comutatividade
naquele contexto se expressa como uma rela¸ao entre operadores que atuam num espa¸co
de Hilbert. No entanto, queremos estudar como a ao-comutatividade espacial altera
as teorias dos campos definidos nesse espa¸co. Como as coordenadas aparecem como
parˆametros na teoria dos campos ´e mais interessante trat´a-las como umeros reais
de tal forma que para manter a caracter´ıstica ao-comutativa do espa¸co teremos que
mudar a regra de multiplica¸ao dessas quantidades. Veremos nessa se¸ao que uma
regra natural de multiplica¸ao ao comutativa (por´em associativa) surge naturalmente
ao considerarmos a segunda quantiza¸ao do modelo de Landau.
3.3.1 Segunda Quantiza¸ao do Modelo de Landau
Queremos construir uma teoria de campos que descreva um sistema de el´etrons se
movendo em um plano cujas coordenadas ao comutam.
Classicamente o n´umero de el´etrons no plano ´e:
N
e
=
d
2
(x), (3.12)
29
onde:
ρ(x) =
N
e
I=1
δ(x x
I
). (3.13)
No formalismo da segunda quantiza¸ao, o operador n´umero
ˆ
N
e
´e definido, como em
(3.12), pelo operador densidade:
ˆρ(x) = ψ
(x)ψ(x), (3.14)
onde ψ
(x) e ψ(x) ao os operadores de cria¸ao e destrui¸ao, respectivamente, de
part´ıculas na posi¸ao x.
No processo de quantiza¸ao queremos manter a informa¸ao sobre a ao-comutativi-
dade das coordenadas. Pela transformada de Fourier de (3.13):
ρ(
k) =
1
2π
d
2
(x)e
i
k·x
=
1
2π
N
e
I=1
e
i
k·x
I
, (3.15)
definimos o operador:
ˆρ(
k) =
1
2π
N
e
I=1
e
i
k·
ˆ
x
I
, (3.16)
onde, pela se¸ao anterior:
[ˆx
i
, ˆx
j
] =
ij
, com θ
12
=
¯hc
eB
e θ
0i
= 0. (3.17)
Temos agora uma teoria de campos ao-comutativos, de fato:
[ˆρ(
k), ˆρ(q)] =
1
(2π)
2
N
e
I,J=1
e
i
k·
ˆ
x
I
e
iq·
ˆ
x
J
e
iq·
ˆ
x
J
e
i
k·
ˆ
x
I
=
1
(2π)
2
N
e
I=1
e
i
k·
ˆ
x
I
e
iq·
ˆ
x
I
e
iq·
ˆ
x
I
e
i
k·
ˆ
x
I
, (3.18)
onde foi usado que [ˆx
I
, ˆx
J
] = 0 para I = J (coordenadas de el´etrons distintos comutam).
Pela ormula de Baker-Campbell-Hausdorff (e
A
e
B
= e
A+B
e
1
2
[A,B]
), temos:
e
i
k·
ˆ
x
I
e
iq·
ˆ
x
I
= e
i(
k+q)·
ˆ
x
I
e
1
2
[
k·
ˆ
x
I
,q·
ˆ
x
I
]
= e
i(
k+q)·
ˆ
x
I
e
i
2
k
i
θ
ij
q
j
, (3.19)
30
logo:
[ˆρ(
k), ˆρ(q)] =
1
2π
ˆρ(
k + q)
e
i
2
k
i
θ
ij
q
j
e
i
2
k
i
θ
ij
q
j
=
i
π
ˆρ(
k + q) sin
1
2
k
i
θ
ij
q
j
, (3.20)
que ´e a algebra do operador de transla¸ao magn´etica no efeito Hall quˆantico fracion´ario
[45, 46]. Classicamente podemos definir a edia de uma fun¸ao f (x) qualquer:
f =
d
2
(x)f(x) =
d
2
kρ(
k)f (
k). (3.21)
No contexto da segunda quantiza¸ao a rela¸ao acima serve como um mapeamento entre
fun¸oes e operadores f (x)
ˆ
f (basta substituir ρ em (3.21) por ˆρ). Usando (3.20),
podemos calcular o comutador entre
ˆ
f e
ˆ
g e usando o mapa acima podemos deter-
minar como a ao-comutatividade se manifesta para as fun¸oes f e g. Vejamos como
isso funciona. Por (3.20) encontramos:
[
ˆ
f,
ˆ
g] =
d
2
k
d
2
q[ˆρ(
k), ˆρ(q)]f (
k)g(q)
=
1
2π
d
2
k
d
2
q ˆρ(
k + q)
e
i
2
k
i
θ
ij
q
j
e
i
2
k
i
θ
ij
q
j
f(
k)g(q), (3.22)
por outro lado, temos:
ˆρ(
k) =
1
2π
d
2
xˆρ(x)e
i
k·x
, (3.23)
e o primeiro termo de (3.22) fica:
1
(2π)
2
d
2
kd
2
qd
2
xˆρ(x)e
i(
k+q)·x
e
i
2
k
i
θ
ij
q
j
f(
k)g(q)
=
1
(2π)
2
d
2
kd
2
qd
2
xˆρ(x)e
i
k·x
1 + (
i
2
k
i
θ
ij
q
j
) + ...
e
iq·x
f(
k)g(q)
=
1
(2π)
2
d
2
kd
2
qd
2
xˆρ(x)
e
i(
k+q)·x
+
i
2
i
i
e
i
k·x
θ
ij
j
i
e
iq·x
+ ...
×
×f(
k)g(q)
=
1
(2π)
2
d
2
kd
2
qd
2
xˆρ(x)f(
k)e
i
k·x
e
i
2
i
θ
ij
j
g(q)e
iq·x
=
d
2
xˆρ(x)f(x)e
i
2
i
θ
ij
j
g(x)
=
d
2
xˆρ(x)f(x) g(x), (3.24)
31
onde f (x) g(x) f(x)e
i
2
i
θ
ij
j
g(x) ´e conhecido como o produto Moyal. Procedendo
da mesma forma para o segundo termo de (3.22) obtemos finalmente:
[
ˆ
f,
ˆ
g] =
ˆ
[f, g]
, (3.25)
onde [f, g]
= f g g f . Isso nos sugere uma regra para definir teorias de campos
ao comutativos, basta substituir a multiplica¸ao usual por multiplica¸ao Moyal. Na
pr´oxima se¸ao formalizaremos essas id´eias (ver em particular (3.44)).
3.4 A Quantiza¸ao de Weyl e o produto Moyal
Nessa se¸ao vamos generalizar a discuss˜ao feita anteriormente formalizando a conex˜ao
entre a ao-comutatividade de operadores e a ao-comutatividade de fun¸oes via pro-
duto Moyal. Vamos discutir apenas os pontos principais, para mais detalhes ver [47],
no qual esta se¸ao foi baseada.
No contexto da quantiza¸ao canˆonica, Weyl introduziu um algor´ıtmo para asso-
ciar um operador quˆantico a uma fun¸ao cl´assica das vari´aveis do espa¸co de fase. O
mapeamento ´e definido com a ajuda da transformada de Fourier. Dada a fun¸ao f(x):
f(x) =
1
(2π)
D
2
d
D
k
˜
f(k)e
ik
i
x
i
, (3.26)
definimos o s´ımbolo de Weyl:
ˆ
W[f] =
1
(2π)
D
2
d
D
k
˜
f(k)e
ik
i
ˆx
i
, (3.27)
como o operador correspondente `a f. Cabe a observao que ˆx
i
na exponencial ao
operadores hermitianos. Como na se¸ao anterior e diferentemente da se¸ao 3.5, os
operadores ao identificados pelo s´ımbolo circunflexo. Ao fazer isso estamos adotando
o ordenamento de Weyl:
ˆ
W[e
ik
i
x
i
] = e
ik
i
ˆx
i
. (3.28)
Observe ainda que se f ´e real
ˆ
W[f] ´e hermitiano.
32
Podemos escrever o mapeamento (3.27) de uma forma mais sugestiva:
ˆ
W[f] =
d
D
xf(x)
ˆ
∆(x), (3.29)
onde:
ˆ
∆(x) =
1
(2π)
D
d
D
ke
ik
i
(ˆx
i
x
i
)
. (3.30)
Vemos que
ˆ
∆(x) ´e hermitiano e funciona como uma base para os operadores tendo
f(x) como coordenadas. Observe que se os ˆx
i
comutam obtemos
ˆ
∆(x) = δ
D
(ˆx x),
logo
ˆ
W[f] = f(ˆx), ou seja, ao tendo problemas de ordenamento, para encontrar o
operador correspondente `a f(x) basta realizar a substitui¸ao:
x ˆx. (3.31)
Mas se as coordenadas ao comutam,
ˆ
∆(x) ´e um operador altamente ao trivial.
A mecˆanica quˆantica nos diz como podemos definir a opera¸ao de derivada para
operadores, as rela¸oes de comuta¸ao quˆanticas na representa¸ao de posi¸ao ficam h =
1):
[ˆx
i
, ˆp
j
] =
ij
[x
i
, i∂
j
] =
ij
[
i
, x
j
] = δ
ij
[ˆp
i
, ˆp
j
] = 0 [
i
,
j
] = 0.
Definimos ent˜ao o “operador derivada” generalizando (3.31) para as derivadas defi-
nindo:
x ˆx (3.32)
ˆ
. (3.33)
De forma que:
[
ˆ
i
, ˆx
j
] = δ
ij
(3.34)
[
ˆ
i
,
ˆ
j
] = 0. (3.35)
33
Enao, de (3.30) temos:
[
ˆ
i
,
ˆ
∆(x)] = [
ˆ
i
, ˆx
j
]
ˆ
j
ˆ
∆(x) =
ˆ
i
ˆ
∆(x) =
i
ˆ
∆(x). (3.36)
Logo, por (3.29):
[
ˆ
i
,
ˆ
W[f]] =
d
D
xf(x)[
ˆ
i
,
ˆ
∆(x)]
=
d
D
xf(x)
i
ˆ
∆(x)
=
d
D
x∂
i
f(x)
ˆ
∆(x)
=
ˆ
W[
i
f], (3.37)
onde uma integra¸ao por partes foi realizada.
Naturalmente podemos definir tamb´em a opera¸ao de integra¸ao. A partir do ope-
rador derivada definimos o operador transla¸ao:
[
ˆ
i
,
ˆ
∆(x)] =
i
ˆ
∆(x) e
a
i
ˆ
i
ˆ
∆(x)e
a
i
ˆ
i
=
ˆ
∆(x a). (3.38)
Definindo a opera¸ao tra¸co (T r) com propriedade c´ıclica, atuando em operadores,
segue de (3.38) que:
T r
ˆ
∆(x) = T r
ˆ
∆(x a), (3.39)
portanto o tra¸co ao depende de x.
´
E conveniente definirmos a normaliza¸ao T r
ˆ
∆(x) =
1 de forma que, por (3.29):
T r
ˆ
W[f] =
d
D
xf(x). (3.40)
Vemos que a integra¸ao no espa¸co ao-comutativo ´e representada pela opera¸ao tra¸co.
Para estudar mais a fundo as propriedades da rela¸ao entre as fun¸oes e os opera-
dores ´e importante encontrar o mapa inverso, ou seja, como obter fun¸oes a partir de
operadores. a vimos que
ˆ
∆(x) pode ser tomado como uma base para operadores com
f(x) como coordenada (3.29). Vamos ver agora que devido `a simetria entre ˆx
i
e x
i
na defini¸ao de
ˆ
∆(x) (3.30) podemos, de forma semelhante, considerar
ˆ
∆(x) uma base
para f(x) com
ˆ
W[f] como coordenadas.
34
Para estabelecer essa propriedade temos que provar que os
ˆ
∆(x) formam um con-
junto ortonormal. De fato, usando a ormula de Baker-Campbell-Hausdorff(e
ik
i
ˆx
i
e
iq
i
ˆx
i
=
e
i(k+q)
i
ˆx
i
e
i
2
k
i
θ
ij
q
j
), temos:
ˆ
∆(x)
ˆ
∆(y) =
d
D
k
(2π)
D
d
D
q
(2π)
D
e
i(k+q)
i
ˆx
i
e
i
2
k
i
θ
ij
q
j
e
ik
i
x
i
iq
i
y
i
=
d
D
k
(2π)
D
d
D
q
(2π)
D
d
D
ze
i(k+q)
i
z
i
ˆ
∆(z)e
i
2
k
i
θ
ij
q
j
e
ik
i
x
i
iq
i
y
i
, (3.41)
onde usamos (3.28). Por (3.41) e usando T r
ˆ
∆(x) = 1, obtemos:
T r(
ˆ
∆(x)
ˆ
∆(y)) =
1
(2π)
D
d
D
k
d
D
qδ
D
(k + q)e
i
2
k
i
θ
ij
q
j
e
ik
i
x
i
iq
i
y
i
=
1
(2π)
D
d
D
ke
ik
i
(xy)
i
= δ
D
(x y), (3.42)
onde usamos o fato de θ
ij
ser antissim´etrico. De forma que ´e imediato por (3.29) que:
f(x) = T r(
ˆ
W[f]
ˆ
∆(x)). (3.43)
A fun¸ao f(x) definida dessa forma a partir de um operador quˆantico ´e chamada de
fun¸ao distribui¸ao de Wigner. Temos enao uma correspondˆencia biun´ıvoca entre
campos de Wigner e operadores de Weyl (correspondˆencia Weyl-Wigner).
Essa correspondˆencia nos permite representar a multiplica¸ao de operadores por um
produto (n˜ao-comutativo) de fun¸oes:
T r
ˆ
W[f]
ˆ
W[g]
ˆ
∆(x)
= T r
d
D
yf (y)
ˆ
∆(y)
d
D
zg(z)
ˆ
∆(z)
ˆ
∆(x)
=
d
D
y
d
D
zf (y)g(z) ×
×T r
d
D
k
(2π)
D
d
D
q
(2π)
D
d
D
we
i(k+q)
i
w
i
e
i
2
k
i
θ
ij
q
j
e
ik
i
y
i
iq
i
z
i
ˆ
∆(w)
ˆ
∆(x)
=
d
D
y
d
D
zf (y)g(z)
d
D
k
(2π)
D
d
D
q
(2π)
D
e
i(k+q)
i
x
i
e
i
2
k
i
θ
ij
q
j
e
ik
i
y
i
iq
i
z
i
=
1
(2π)
D
d
D
k
d
D
qe
i(k+q)
i
x
i
f(k)g(q)e
i
2
k
i
θ
ij
q
j
=
1
(2π)
D
d
D
k
d
D
qe
ik
i
x
i
f(k)e
i
2
i
θ
ij
j
g(q)e
iq
i
x
i
35
= f(x)e
i
2
i
θ
ij
j
g(x)
= f(x) g(x), (3.44)
que ´e, como sugerido no final da se¸ao anterior, o pro duto Moyal. Abaixo, resumiremos
algumas importantes propriedades do produto Moyal.
1. Produto Moyal entre exponenciais
Usando a ormula de Baker-campbell-Hausdorff e a correspondˆencia Weyl-Wigner:
e
ikx
e
iqx
= e
i(k+q)x
e
i
2
k
i
θ
ij
q
j
(3.45)
2. Representa¸ao de Fourier
Essa propriedade foi demonstrada na dedu¸ao da equa¸ao (3.44):
(f g) (x) =
1
(2π)
D
d
D
k
d
D
qe
i(k+q)
i
x
i
f(k)g(q)e
i
2
k
i
θ
ij
q
j
(3.46)
3. Associatividade
Usando a representa¸ao de Fourier (3.46) essa propriedade segue imediatamente:
[(f g) h] (x) = [f (g h)] (x) (3.47)
4. Integra¸ao do produto Moyal
Integrando (3.46) no espa¸co e us ando a antissimetria de θ
ij
obtemos:
d
D
x (f g) (x) =
d
D
x (g f) (x) =
d
D
kf (k)g(k) =
d
D
xf(x)g(x), (3.48)
5. Propriedade c´ıclica
Essa propriedade ´e consequˆencia direta da propriedade 4:
d
D
x (f
1
f
2
...f
n
) (x) =
d
D
x (f
2
...f
n
f
1
) (x) (3.49)
Observe que a ao-comutatividade das coordenadas espaciais pode ser representada
substituindo-se o produto usual por produto Moyal com as coordenadas tomando valores
reais:
x
i
, x
j
=
ij
. (3.50)
36
Enao para definir uma teoria de campos ao-comutativos ao vamos acrescentar
`as rela¸oes de comuta¸ao (num formalismo da quantiza¸ao canˆonica) comutadores do
tipo [φ
i
(x), φ
j
(y)] =
ij
δ(x y), que seria o natural em analogia com a mecˆanica
quˆantica ao-comutativa [49]. A id´eia ´e considerar teorias de campos ordin´arias por´em
substituindo-se a regra usual de multiplica¸ao pelo produto Moyal.
3.5 O Mapa de Seiberg-Witten e a Teoria Topolo-
gicamente Massiva ao-Comutativa
Nessa se¸ao vamos apresentar o mapa de Seiberg-Witten [48] e aplic´a-lo a teoria de
Maxwell-Chern-Simons ao comutativa.
Uma teoria de campos ao-comutativos ´e uma teoria intrinsecamente ao local (o
produto Moyal introduz derivadas de ordem arbitr´arias) o que pode gerar problemas
de ao-causalidade e, ao quantizar, problemas de ao-unitaridade.
Para evitar problemas de causalidade vamos considerar que o parˆametro de ao-
comutatividade ao p ossui componentes temporais (θ
i0
= 0), ou seja, a coordenada
temporal comuta com todas as co ordenadas. Como a foi discutido, definiremos o
espa¸co ao-comutativo pelo produto Moyal:
x
i
, x
j
=
ij
. (3.51)
Queremos construir teorias de campo nesse espa¸co, em especial teorias de calibre.
No caso geral de teorias ao-abelianas definimos o produto Moyal entre matrizes ape nas
substituindo o produto usual de suas componentes pelo produto Moyal. Dessa forma,
a partir das defini¸oes usuais dos campos e transforma¸oes de calibre:
δ
λ
A
µ
=
µ
λ + i [λ, A
µ
]
F
µν
=
µ
A
ν
ν
A
µ
i [A
µ
, A
ν
]
δ
λ
F
µν
= i [λ, F
µν
] , (3.52)
37
definimos os campos e transforma¸oes no espa¸co ao-comutativo da forma:
ˆ
δ
ˆ
λ
ˆ
A
µ
=
µ
ˆ
λ + i
ˆ
λ,
ˆ
A
µ
ˆ
F
µν
=
µ
ˆ
A
ν
ν
ˆ
A
µ
i
ˆ
A
µ
,
ˆ
A
ν
ˆ
δ
ˆ
λ
ˆ
F
µν
= i
ˆ
λ,
ˆ
F
µν
, (3.53)
onde usamos a nota¸ao de [48] em que, diferentemente da se¸ao anterior, o circunflexo
indica quantidades multiplicadas via produto Moyal e ´e imp ortante notar que (3.53)
se reduz `a (3.52) para θ 0. Observe ainda que mesmo no caso da simetria U (1) as
transforma¸oes de calibre ao-comutativas ao ao triviais.
O caso que estamos interessados ´e a teoria de Maxwell-Chern-Simons abeliana:
L
MCS
=
1
4
F
µν
F
µν
+
m
2
ε
µνρ
A
µ
ν
A
ρ
. (3.54)
No espa¸co ao-comutativo, definimos a teoria de Maxwell-Chern-Simons com uma
estrutura semelhante `a teoria ao-abeliana
3
:
L
MCSN C
=
1
4g
ˆ
F
µν
ˆ
F
µν
+
m
2g
ε
µνρ
ˆ
A
µ
ν
ˆ
A
ρ
2i
3
ˆ
A
µ
ˆ
A
ν
ˆ
A
ρ
. (3.55)
onde g tem dimens˜ao de massa assim como
ˆ
A.
Seiberg e Witten [48] estudando cordas abertas terminando em D-branas na presen¸ca
de um campo de Neveu-Schwarz descobriram que, depois de considerar certos limites
semelhantes aos considerados no modelo de Landau com o campo de Neveu-Schwarz
no papel do campo magn´etico, a teoria dos campos na D-brana era uma teoria de
Yang-Mills ao regularizada. Ao regularizar a teoria, eles perceberam que usando o
m´eto do de separa¸ao de pontos, devido `a caracter´ıstica do pr´oprio m´etodo (no processo
de regulariza¸ao por separa¸ao de pontos, campos distintos nunca est˜ao no mesmo
ponto), a teoria obtida era uma Yang-Mills ao-comutativa. Por outro lado, usando a
regulariza¸ao de Pauli-Villars a teoria seria a Yang-Mills ordin´aria. Como a f´ısica ao
3
De fato, pode-se mostrar que assim como no caso ao abeliano [6], o parˆametro m (massa to-
pol´ogica) tamb´em ´e quantizado [50, 51]. Isso ´e muito importante para a descri¸ao do efeito Hall (como
mencionamos na introdu¸ao) e se traduz na quantiza¸ao da taxa de preenchimento (filling fraction) no
efeito Hall quˆantico fracion´ario
38
pode depender do etodo de regulariza¸ao ´e natural supor que as duas teorias sejam
duais. Seiberg e Witten enao conjecturaram que deveria existir um mapeamento entre
a teoria comutativa e a ao-comutativa.
Como a discutimos, no caso de uma teoria com simetria de calibre U(N), quando
substitu´ımos o produto usual por produto Moyal, ´e claro que o grupo de simetria ir´a
mudar. Seguindo Seiberg e Witten, no caso da teoria U (1), que estamos interessados,
a invariˆancia de calibre da teoria comutativa se expressa por:
δ
λ
A
µ
=
µ
λ, (3.56)
enquanto que na teoria ao-comutativa ´e:
ˆ
δ
ˆ
λ
ˆ
A
µ
=
µ
ˆ
λ + i
ˆ
λ
ˆ
A
µ
i
ˆ
A
µ
ˆ
λ, (3.57)
que tem estrutura ao-abeliana. Se existe um mapeamento entre essas teorias, ao pode
ser um mapeamento entre os grupos pois esse seria um mapeamento entre uma teoria
abeliana e uma ao-abeliana, o que ´e imposs´ıvel. Temos que s er menos restritivos e
observar que para que a f´ısica ao mude (condi¸ao definidora da dualidade) ´e suficiente
termos a preservao das classes de equivalˆencia de calibre, ou seja:
ˆ
A(A) +
ˆ
δ
ˆ
λ
ˆ
A(A) =
ˆ
A(A + δ
λ
A). (3.58)
Para que (3.58) ao represente um mapeamento entre grupos, Seiberg e Witten consi-
deraram que
ˆ
λ =
ˆ
λ(λ, A), ou seja, o parˆametro de calibre ao-comutativo ´e fun¸ao ao
apenas do parˆametro comutativo mas tamb´em do campo de calibre comutativo.
Vamos resolver (3.58), ou seja, encontrar
ˆ
A como fun¸ao de A, at´e primeira ordem
em θ primeiro. Faremos isso no caso geral, para uma teoria U(N). Definindo
ˆ
A =
A + A
(A) e
ˆ
λ = λ + λ
(λ, A) com λ
, A
= O(θ), obtemos de (3.58):
A
µ
+ A
µ
+
µ
λ +
µ
λ
+ i[λ + λ
, A
µ
+ A
µ
]
= A
µ
+
µ
λ + A
µ
(A + δ
λ
A)
A
µ
(A + δ
λ
A) A
µ
µ
λ
i[λ, A
µ
] i[λ
, A
µ
]
=
1
2
θ
ij
(
i
λ∂
j
A
µ
+
j
λ∂
i
A
µ
) + O(θ
2
),
39
onde os comutadores ao os usuais ([A, B] = AB BA).
Pode ser verificado que essa equa¸ao ´e resolvida por:
ˆ
A
µ
(A) = A
µ
1
4
θ
ij
{A
i
,
j
A
µ
+ F
jµ
} + O(θ
2
)
ˆ
λ(λ, A) = λ +
1
4
θ
ij
{
i
λ, A
j
} + O(θ
2
), (3.59)
onde {A, B} = AB + BA. De
ˆ
A(A) dado por (3.59) obt´em-se:
ˆ
F
µν
= F
µν
+
1
4
θ
ij
(2 {F
µi
, F
νj
} {A
i
, D
j
F
µν
+
j
F
µν
}) + O(θ
2
), (3.60)
onde D
µ
=
µ
+ i[ , A
µ
] (que no caso abeliano fica D
µ
=
µ
). Para verificar que (3.59)
de fato ´e solu¸ao de (3.58) (at´e primeira ordem em θ) Seiberg e Witten notaram que as
´unicas propriedades do produto Moyal que precisam ser usadas ´e a associatividade e:
δθ
ij
θ
ij
(f g) =
i
2
δθ
ij
f
x
i
g
x
j
, (3.61)
que segue imediatamente de:
f(x) g(x) f (x)e
i
2
i
θ
ij
j
g(x), (3.62)
e conclu´ıram, brilhantemente, que o problema que acabamos de resolver (encontrar
ˆ
A(A) at´e primeira ordem em θ) ´e equivalente a encontrar o mapeamento entre uma
teoria ao-comutativa com parˆametro θ (
ˆ
A(θ)) e outra com parˆametro θ+δθ (
ˆ
A(θ+δθ))
em primeira ordem em δθ. Dessa forma, adaptando (3.59) e (3.60), equa¸oes diferenciais
descrevendo como
ˆ
A(θ) e
ˆ
λ(θ) variam em fun¸ao de θ podem ser imediatamente escritas:
δ
ˆ
A
µ
(θ) = δθ
ij
θ
ij
ˆ
A
µ
(θ) =
1
4
δθ
ij
ˆ
A
i
,
j
ˆ
A
µ
+
ˆ
F
ij
δ
ˆ
λ(θ) = δθ
ij
θ
ij
ˆ
λ(θ) =
1
4
δθ
ij
i
ˆ
λ,
ˆ
A
j
δ
ˆ
F
µν
(θ) = δθ
ij
θ
ij
ˆ
F
µν
(θ) =
1
4
δθ
ij
2
ˆ
F
µi
,
ˆ
F
νj
ˆ
A
i
,
ˆ
D
j
ˆ
F
µν
+
j
ˆ
F
µν
,(3.63)
onde {A, B}
= A B + B A e
ˆ
D
µ
=
µ
+ i[ ,
ˆ
A
µ
]
. Essas ao as equa¸oes de
Seiberg-Witten.
A id´eia agora ´e aplicar esse mapa `a teoria de Maxwell-Chern-Simons ao-comutativa
(MCSNC) definida por (3.55), para isso ´e muito importante o resultado obtido por
40
Grandi e Silva [52]. Eles mostraram que o termo de Chern-Simons ao-comutativo ´e
mapeado no termo de Chern-Simons comutativo, ou seja, no caso abeliano o termo
c´ubico ´e cancelado pelo mapa. Vejamos como isso funciona. A ao de Chern-Simons
ao-comutativa ´e:
S
CSN C
=
d
3
x
m
2g
ε
µνρ
ˆ
A
µ
ν
ˆ
A
ρ
2i
3
ˆ
A
µ
ˆ
A
ν
ˆ
A
ρ
, (3.64)
que pode ser escrita como:
S
CSN C
=
d
3
x
m
2g
ε
µνρ
ˆ
A
µ
ν
ˆ
A
ρ
2i
3
ˆ
A
µ
ˆ
A
ν
ˆ
A
ρ
=
d
3
x
m
2g
ε
0ij
2
ˆ
A
0
i
ˆ
A
j
2i
ˆ
A
0
ˆ
A
i
ˆ
A
j
+ ε
i0j
ˆ
A
i
0
ˆ
A
j
=
d
3
x
m
2g
ε
ij
ˆ
A
0
ˆ
F
ij
+
˙
ˆ
A
i
ˆ
A
j
, (3.65)
onde a defini¸ao de
ˆ
F (3.53) e a propriedade 4 do produto moyal foram usados. O que
Grandi e Silva fizeram foi mostrar que usando (3.63) para calcular a varia¸ao da ao
(3.65) ao variar o parˆametro θ, obt´em-se:
S
CSN C
θ
µν
= 0, (3.66)
ou seja, S
CSN C
ao depende de θ e portanto S
CSN C
= S
CS
. Mencionamos na introdu¸ao
que o modelo de Chern-Simons ao-comutativo tinha vantagens em rela¸ao ao modelo
de Chern-Simons comutativo na descri¸ao do fluido Hall, como foi demonstrado por
Susskind [37]. Na demonstra¸ao de Grandi e Silva [52], derivadas totais foram descar-
tadas para obter o resultado (3.66). Vemos portanto que devem ser as propriedades de
borda (as derivadas totais na lagrangeana) do modelo (3.64) as respons´aveis p elo seu
sucesso na descri¸ao do fluido Hall, essa conclus˜ao foi obtida no trabalho de Barb´on e
Paredes [40].
Dessa forma, na lagrangeana (3.55) s omente o termo de Maxwell ´e afetado, com
(3.60), que podemos escrever como (caso abeliano):
ˆ
F
µν
= F
µν
+ θ
ij
(F
µi
F
νj
A
i
j
F
µν
) , (3.67)
41
obtemos, at´e primeira ordem em θ:
L
MCSN C
=
1
4g
F
µν
F
µν
+
m
2g
ε
µνρ
A
µ
ν
A
ρ
1
2g
F
µν
θ
ij
(F
µi
F
νj
A
i
j
F
µν
) . (3.68)
Como estamos considerando θ
0i
= 0, podemos escrever sem risco de ambiguidade θ =
θ
12
. Descartando algumas derivadas totais escrevemos (3.68) como:
L
MCSN C
=
1
4g
F
µν
F
µν
+
m
2g
ε
µνρ
A
µ
ν
A
ρ
1
8g
θ
ij
F
ij
F
µν
F
µν
=
1
2g
(1 + θ
F
0
)
F
µ
F
µ
+
m
2g
A
µ
F
µ
. (3.69)
O prop´osito do pr´oximo cap´ıtulo ´e encontrar a teoria dual `a (3.69).
Cap´ıtulo 4
A Teoria Dual ao Modelo
Topologicamente Massivo no
Espa¸co ao-Comutativo
4.1 Introdu¸ao
Nesse cap´ıtulo vamos obter a teoria dual ao modelo de MCS ao-comutativo definida
no cap´ıtulo anterior (3.69). Com as informa¸oes acumuladas nos cap´ıtulos anteriores
estamos aptos a abordar essa quest˜ao, nossos resultados est˜ao publicados em [53].
O mapa de Seiberg-Witten, como pode ser inferido pelo que discutimos no cap´ıtulo
anterior, ao ´e definido para teorias sem simetria de calibre, de forma que o podemos
estudar a vers˜ao ao-comutativa dessas teorias pelo m´etodo usual de substituir o pro-
duto ordin´ario por produto Moyal. A dualidade no entanto nos oferece uma alternativa,
veremos que para um e spa¸co com pequena ao-comutatividade, ou seja, com parˆametro
de ao-comutatividade θ muito menor que a ´area caracter´ıstica do problema (de forma
que possamos desprezar termos de ordem θ
2
) ´e poss´ıvel encontrar o an´alogo da teoria
AD no espa¸co ao-comutativo (tal que para θ 0 recuperamos (2.26)).
No caso comutativo a dualidade MCS/AD foi usada no contexto da bosoniza¸ao
[58] para estabelecer a equivalˆencia entre o modelo de Thirring de f´ermions massivos e
a teoria de MCS (que descreve osons) no limite de grandes comprimentos de onda (em
rela¸ao ao comprimento de onda Compton dos ermions). Teorias de calibre planares
tˆem se revelado de enorme interesse no estudo de muitos fenˆomenos como supercondu-
42
43
tividade com alta temperatura cr´ıtica e o efeito Hall quˆantico. Como a discutimos an-
teriormente acredita-se que uma descri¸ao ao-comutativa de alguns desses fenˆomenos
pode apresentar vantagens quantitativas nos resultados [37, 44]. Acreditamos portanto
que o estudo da dualidade MCS/AD no espa¸co ao-comutativo ´e importante.
Recentemente arios artigos tocaram na mesma quest˜ao de encontrar a extens˜ao
ao-comutativa da dualidade MCS/AD [59, 60, 61, 62]. Diversas ecnic as foram em-
pregadas nesses trabalhos levando a resultados bem distintos. Em [59], o etodo da
mestra, ap´os aplica¸ao do mapa de Seiberg-Witten, foi empregado (discutiremos essa
abordagem em detalhes na subse¸ao 4.2.2). Em [60] por´em, a mestra foi definida antes
da aplica¸ao do mapa de Seiberg-Witten, sendo portanto necess´aria uma extens˜ao do
mapa levando ao risco de tornar a dualidade mal definida. O ponto crucial no entanto
´e que em nenhum dos dois trabalhos foi verificada a equivalˆencia entre as equa¸oes de
movimento ou observ´aveis das teorias duais. Em [61] por outro lado, o problema foi
estudado sem referˆencia ao mapa de Seiberg-Witten de tal forma que o resultado ´e ao
perturbativo em θ tornando dif´ıcil a compara¸ao direta com os outros trabalhos.
Em [62], foi argumentado que a teoria de MCSNC (3.69) seria equivalente `a teoria de
MCS ordin´aria (2.25). Para chegar a essa conclus˜ao uma an´alise da ´algebra obedecida
pelos campos foi realizada. O autor corretamente observou que obter a ao de uma
teoria a partir de outra ao estabelece necessariamente a dualidade e por isso partindo
da representa¸ao da ´algebra obedecida pelos campos da teoria de MCSNC ele obteve
uma outra representa¸ao obedecida pelos campos que o autor identificou com os campos
da teoria AD no espa¸co comutativo. No entanto, da mesma forma que nos outros
trabalhos, ao foi realizada a ve rifica¸ao das equa¸oes de movimento.
Esses resultados conflitantes nos motivaram a estudar a quest˜ao tendo em vista
nossa experiˆencia anterior no caso comutativo (conforme cap´ıtulo 2). Nesse cap´ıtulo
apresentaremos nossos resultados. Primeiro discutiremos o conte´udo de nosso artigo
[53], encontraremos a teoria dual ao modelo de MCSNC utilizando o etodo da proje¸ao
dual e verificaremos a equivalˆencia das equa¸oes de movimento dos dois modelos a partir
de uma correspondˆencia expl´ıcita entre os respectivos campos. Essa correspondˆencia
44
tamb´em ser´a utilizada para identificar as ´algebras obedecidas pelos respectivos cam-
pos. Depois, esses mesmos procedimentos ser˜ao desenvolvidos considerando o m´etodo
da mestra. Veremos nesse contexto que a estrutura ao-comutativa e o fato de nos
restringirmos `a ordem primeira em θ introduz uma maior liberdade em rela¸ao ao caso
comutativo de tal forma que as teorias duais obtidas pelo m´etodo da proje¸ao dual e
pelo etodo da mestra diferem nesse caso, mas ao de forma conflitante pois ambas
equivalem `a teoria de MCSNC e portanto ao equivalentes entre si. Nesse sentido talvez
seja mais preciso falar de uma trialidade.
4.2 Dualidade na Teoria de MCS N˜ao-Comutativa
4.2.1 Proje¸c˜ao Dual
Nessa se¸ao, partindo de (3.69), vamos obter a lagrangeana mestra (ou interpolante)
via redu¸ao da ordem temporal e ent˜ao, conforme discutido na subse¸ao 2.3.2, vamos
obter a teoria dual. O conte´udo dessa se¸ao ´e o tema de um trabalho que desenvolvemos
que culminou em um artigo publicado no PLB [53].
Por (3.69), temos:
gL
M
= Π
µ
F
µ
+
1
2
(1 θ
F
0
) Π
µ
Π
µ
+
m
2
A
µ
F
µ
, (4.1)
onde escrevemos g do lado esquerdo da equa¸ao para ao sobrecarregar as manipula¸oes
subsequentes. Para recuperar (3.69) extremizamos S
M
=
d
3
xL
M
em rela¸ao `a Π
µ
e
desprezamos termos de ordem θ
2
.
Como em (2.3.2) queremos fatorar L
M
em um setor dinamicamente inerte (res-
pons´avel pela informa¸ao da s imetria de calibre) e um setor dinˆamico que seria o an´alogo
do modelo AD no espa¸co ao-comutativo. Antes por´em ´e conveniente evidenciar as de-
rivadas temporais de A
µ
(explicitar o setor simpl´etico), para isso definimos:
χ
µ
= Π
µ
1
2
θδ
0
µ
Π
ν
Π
ν
, (4.2)
de forma que, em primeira ordem em θ:
Π
µ
= χ
µ
+
1
2
θδ
0
µ
χ
ν
χ
ν
. (4.3)
45
Substituindo em (4.1), obtemos:
gL
M
=
χ
µ
+
m
2
A
µ
F
µ
+
1
2
(1 + θχ
0
) χ
µ
χ
µ
, (4.4)
de maneira que podemos colocar o setor simpl´etico em uma forma canˆonica definindo:
p
µ
= χ
µ
+
m
2
A
µ
, (4.5)
tal que:
gL
M
= p
µ
F
µ
+
1
2
p
µ
m
2
A
µ
p
µ
m
2
A
µ
1 + θ
p
0
m
2
A
0

. (4.6)
Agora podemos seguir os passos da se¸ao (2.3.2) e realizar a proje¸ao dual estabelecida
pelas transforma¸oes canˆonicas:
A
µ
= A
+
µ
+ A
µ
p
µ
=
m
2
A
+
µ
A
µ
, (4.7)
que nos leva `a:
gL
M
=
m
2
A
+
µ
ε
µνρ
ν
A
+
ρ
+
m
2
2
1 A
0
A
µ
A
µ
m
2
A
µ
ε
µνρ
ν
A
ρ
. (4.8)
Com esse resultado alcan¸camos nosso objetivo. Analogamente `a subse¸ao 2.3.2 fato-
ramos L
M
em dois setores: um termo de CS puro que ao corresponde a graus de
liberdade propagantes e carrega a simetria de calibre da teoria original e um termo que,
consequentemente, cont´em toda a informa¸ao dinˆamica da teoria original e, semelhante
`a AD, ao tem simetria de calibre. Por isso vamos chamar esse termo de teoria AD
ao-comutativa (obtida via proje¸ao dual):
gL
ADN CP D
=
1
2
(1 θf
0
) f
µ
f
µ
1
2m
f
µ
ε
µνρ
ν
f
ρ
, (4.9)
onde redefinimos f
µ
= mA
µ
. Observe que se θ 0 recuperamos L
AD
eq. (2.26).
Para provar diretamente a dualidade vamos primeiramente estabelecer a equiva-
lˆencia entre as equa¸oes de movimento das teorias L
ADN CP D
(4.9) e L
MCSN C
(3.69).
Para isso ´e conveniente recolocar os´ındices no parˆametro θ (mas ainda fica subentendido
46
que θ
0i
= 0). Vamos definir
θ
µ
=
1
2
ε
µνρ
θ
νρ
, onde somente
θ
0
= 0. Variando (3.69) em
rela¸ao `a A
µ
, obtemos:
1
g
ε
µνρ
ν
mA
ρ
F
ρ
F
ρ
θ
α
F
α
1
2
F
α
F
α
θ
ρ
= 0, (4.10)
da mesma forma, variando (4.9) em rela¸ao `a f
µ
, obtemos:
1
g
f
µ
1
mg
ε
µνρ
ν
f
ρ
1
g
f
µ
θ
α
f
α
1
2g
f
α
f
α
θ
µ
= 0. (4.11)
Para θ = 0, sabemos que a correspondˆencia entre as equa¸oes de movimento se a para:
f
µ
=
F
µ
. (4.12)
Esperamos ent˜ao que a correspondˆencia entre as equa¸oes acima se estabele¸ca para uma
rela¸ao do tipo:
f
µ
=
F
µ
+
θ
ν
X
νµ
, (4.13)
onde X
νµ
= X
νµ
(
F
µ
) ´e uma fun¸ao do campo
F
µ
de ordem zero em θ. Substituindo
(4.13) em (4.11), mantendo, como sempre, somente a primeira ordem em θ, obtemos:
F
µ
+
θ
ν
X
νµ
F
µ
θ
α
F
α
1
2
F
α
F
α
θ
µ
1
m
ε
µνρ
ν
F
ρ
1
m
ε
µνρ
ν
(
θ
α
X
αρ
) = 0, (4.14)
comparando com (4.10), que pode ser escrita da seguinte forma:
F
µ
1
m
ε
µνρ
ν
F
ρ
1
m
ε
µνρ
ν
(
F
ρ
θ
α
F
α
)
1
2m
ε
µνρ
ν
(
F
α
F
α
θ
ρ
) = 0, (4.15)
´e imediato que se:
X
νµ
=
F
ν
F
µ
+
1
2
F
α
F
α
g
νµ
, (4.16)
podemos identificar as duas equa¸oes. Obtemos assim o mapeamento expl´ıcito entre as
vari´aveis das duas teorias:
f
µ
=
F
µ
+
θ
ν
F
ν
F
µ
+
1
2
F
α
F
α
θ
µ
, (4.17)
47
que podemos inverter (at´e primeira ordem em θ):
F
µ
= f
µ
θ
ν
f
ν
f
µ
1
2
f
α
f
α
θ
µ
. (4.18)
Essa correspondˆencia nos permite demonstrar diretamente a equivalˆencia entre as
´algebras da MCSNC e da ADNCPD. Reservamos os detalhes dos alculos para o
apˆendice C. De (4.9) obtemos a ´algebra:
{f
0
(x), f
0
(y)} = gθ (f
i
(x) + f
i
(y))
i
(x)
δ (x y) ,
f
0
(x), f
i
(y)
= g (1 + 3θf
0
(x))
i
(x)
δ (x y) ,
f
i
(x), f
j
(y)
= mgε
ij
δ (x y) , (4.19)
que ´e equivalente, via (4.18), `a ´algebra derivada de (3.69) obtida em [62]
1
E
i
(x), E
j
(y)
= mgε
ij
(1 + 2θB(x)) δ (x y)
gθ
ε
kj
E
i
(x) + ε
ki
E
j
(y)
(x)
k
δ (x y)
E
i
(x), B(y)
= gε
ij
(1 + θB(x))
(x)
j
δ (x y) ,
{B(x), B(y)} = 0, (4.20)
onde E
i
= ε
ij
F
j
e B =
F
0
.
Observe que a no caso comutativo existe uma ambiguidade na correspondˆencia
f
F , pois se identificarmos:
f
µ
=
F
µ
, (4.21)
na equa¸ao de movimento do modelo AD livre, obteremos da mesma forma a equa¸ao
de movimento da MCS, nesse caso a ambiguidade ´e trivial. No caso ao-comutativo,
devido `a aproxima¸ao de primeira ordem em θ que estamos adotando, existe ainda
outra fonte de ambiguidade. Falaremos disso na pr´oxima se¸ao.
1
A ´algebra calculada em [62] ´e um p ouco diferente da (4.20) devido a um erro de sinal e a ausˆencia
da constante g
48
4.2.2 M´etodo da Mestra
Nessa se¸ao vamos utilizar o etodo da mestra, desenvolvido originalmente em [21] para
o caso comutativo como vimos na subse¸ao 2.3.1, para obter a teoria dual `a MCSNC
(3.69). Veremos que o resultado difere do obtido via proje¸ao dual na se¸ao anterior,
o que, a princ´ıpio, poderia representar uma falha do m´etodo. Mas vamos mostrar que
nesse caso tamem existe uma identifica¸ao entre as equa¸oes de movimento por meio
de uma nova correspondˆencia entre os campos f
µ
e
F
µ
.
Comecemos com a lagrangeana mestra (4.1). Prosseguindo com o m´etodo da mestra
vamos resolver para A
µ
e substituir em L
M
. Escrevendo L
M
na forma:
gL
M
= A
µ
ε
µνρ
ν
Π
ρ
+
1
2
Π
µ
Π
µ
1
2
A
µ
ε
µνρ
ν
(
θ
ρ
Π
α
Π
α
) +
m
2
A
µ
ε
µνρ
ν
A
ρ
, (4.22)
podemos eliminar A
µ
atrav´es de sua equa¸ao de movimento:
ε
µνρ
ν
Π
ρ
1
2
ε
µνρ
ν
(
θ
ρ
Π
α
Π
α
) +
µνρ
ν
A
ρ
= 0, (4.23)
obtendo:
gL =
1
2
Π
µ
Π
µ
1
2m
Π
µ
ε
µνρ
ν
Π
ρ
+
1
2m
Π
µ
ε
µνρ
ν
(
θ
ρ
Π
α
Π
α
) , (4.24)
ou, renomeando Π f, identificamos (4.24) com a suposta teoria AD ao-comutativa
obtida pelo m´etodo da mestra:
gL
ADN CM
=
1
2
f
µ
f
µ
1
2m
f
µ
ε
µνρ
ν
f
ρ
+
1
2m
f
µ
ε
µνρ
ν
(
θ
ρ
f
α
f
α
) , (4.25)
que difere de (4.9) obtida via proje¸ao dual.
Podemos verificar diretamente que a correspondˆencia:
F
µ
= f
µ
1
m
f
µ
θ
α
ε
αβγ
β
f
γ
, (4.26)
verifica a equivalˆencia das equa¸oes de movimento. De fato, as equa¸oes de movimento
da teoria MCSNC escrita em termos do campo
F
µ
ao (4.10):
m
F
µ
ε
µνρ
ν
F
ρ
ε
µνρ
ν
(
F
ρ
θ
α
F
α
) +
1
2
θ
ρ
ε
µρσ
σ
(
F
α
F
α
) = 0, (4.27)
49
enquanto as equa¸oes de movimento do modelo (4.25) ao:
mf
µ
ε
µνρ
ν
f
ρ
+ f
µ
θ
ρ
ε
ρλσ
λ
f
σ
1
2
θ
ρ
ε
ρλµ
λ
(f
σ
f
σ
) = 0. (4.28)
Notemos que, conforme hav´ıamos menc ionado, trabalhar at´e ordem θ introduz uma
ambiguidade. Por (4.28) vemos que a seguinte igualdade ´e alida na camada de massa:
θmf
µ
= θε
µνρ
ν
f
ρ
, (4.29)
qualquer corre¸ao `a (4.29) ser´a de ordem sup erior em θ. Dessa forma, substituindo
(4.26) em (4.27) obtemos:
mf
µ
+ ε
µνρ
ν
f
ρ
f
µ
θ
ρ
ε
ρλσ
λ
f
σ
+
1
2
θ
ρ
ε
ρλµ
λ
(f
σ
f
σ
) +
1
m
ε
µνρ
ν
f
ρ
θ
α
ε
αβγ
β
f
γ
ε
µνρ
ν
(f
ρ
θ
α
f
α
) = 0, (4.30)
mas usando (4.29) os dois ´ultimos termos se cancelam e reobtemos (4.28).
Da mesma forma que fizemos no caso da proje¸ao dual podemos confirmar nosso
resultado observando que f
µ
e
F
µ
, relacionados por (4.26), satisfazem diferentes repre-
senta¸oes da mesma ´algebra. De (4.28) obtemos
2
:
{f
0
(x), f
0
(y)} = 0,
f
0
(x), f
i
(y)
= g (1 2θf
0
(x))
i
(x)
δ (x y) ,
f
i
(x), f
j
(y)
= mgε
ij
δ (x y) , (4.31)
que pela correspondˆencia (4.26) equivale `a (4.20).
2
detalhes no apˆendice C
Cap´ıtulo 5
Conclus˜oes e Perspectivas
Podemos considerar o conceito de dualidade como um dos mais abrangentes na descri¸ao
dos fenˆomenos naturais. Experimentamos atualmente um intenso esfor¸co na dire¸ao da
unifica¸ao de diferentes ´areas da f´ısica e certamente a dualidade tem papel decisivo nesse
sentido. Com a crescente complexidade na descri¸ao dos fenˆomenos, ter descri¸oes
alternativas para um mesmo fenˆomeno ou mesmo constatar que diferentes sistemas
exibem a mesma f´ısica ´e sem d´uvida de crucial importˆancia. Recentemente verificamos
isso no ˆambito da teoria das supercordas. O que ficou conhecido como segunda revolu¸ao
das supercordas nada mais ´e que o estabelecimento de uma teia de rela¸oes duais entre
as diversas teorias que at´e ent˜ao pareciam conflitantes entre si. Na f´ısica de baixas
energias, a determina¸ao da temperatura cr´ıtica no modelo de Ising, sem a necessidade
de entrar em alculos complicados, foi uma das primeiras demonstra¸oes da utilidade
do conceito de dualidade.
Nesse trabalho estudamos os diversos aspectos da dualidade MCS/AD. Em particu-
lar apresentamos dois resultados originais que certamente contribuem para um maior
entendimento do conceito de dualidade, considerando a presen¸ca de fontes dinˆamicas e
a extens˜ao dessa dualidade para espa¸cos ao-comutativos.
No cap´ıtulo 2 revisamos o caso comutativo com a presen¸ca de fontes dinˆamicas.
Nessa oportunidade exploramos detalhadamente os diferentes m´etodos usados para es-
tabelecer essa dualidade no caso livre. Durante nossa an´alise, ficou evidente o car´ater
topol´ogico do termo de Chern-Simons quando usamos o etodo da proje¸ao dual. O
50
51
mais importante nesse cap´ıtulo por´em, foi o estabelecimento dessa dualidade tamb´em
para as teorias acopladas a fontes fermiˆonicas dinˆamicas. Nessa ocasi˜ao observamos que
a presen¸ca de termos tipo Thirring (corrente-corrente) ´e crucial para manter inalterada
a dinˆamica fermiˆonica durante o processo de dualidade, o que condiz com o papel de
espectadores desempenhado pelos f´ermions nesse processo. Pelo nosso m´etodo esses ter-
mos ao precisam ser inclu´ıdos de forma ad hoc e aparecem como consequˆencia natural.
Constatamos ainda que o acoplamento m´ınimo para uma teoria se manifesta em um
acoplamento ao-m´ınimo para a sua parceira dual, para isso a defini¸ao do chern-kernel
da corrente foi fundamental. Esses resultados generalizam alguns estudos anteriores
[22, 23].
ao tratamos do caso do acoplamento com a mat´eria bosˆonica, esse caso foi estu-
dado em [23] (para acoplamento m´ınimo com o modelo AD) onde foi observado que
existem dificuldades decorrentes da estrutura ao trivial dos acoplamentos que levam a
uma dep endˆencia expl´ıc ita do propagador da AD com o campo bosˆonico. Planejamos
considerar esse caso posteriormente.
Na segunda parte dessa tes e, ap´os uma breve revis˜ao sobre o tratamento de teorias
de campo em espa¸cos ao-comutativos, prosseguimos, inspirados por diversos resultados
conflitantes [59, 60, 61, 62], na busca pela teoria dual ao modelo de Maxwell-Chern-
Simons no espa¸co ao-comutativo (MCSNC), ver eq.(3.69), este obtido atraes do mapa
de Seiberg-Witten at´e primeira ordem no parˆametro de ao-comutatividade θ. Perce-
bemos que a restri¸ao `a primeira ordem em θ introduz alguma liberdade na defini¸ao da
teoria dual, dessa forma fomos capazes de obter dois modelos equivalentes ao modelo
MCSNC (e portanto equivalentes entre si). Para confirmar essa equivalˆencia, verifica-
mos a correspondˆencia entre as equa¸oes de movimento e as ´algebras das teorias. Vemos
portanto que os m´etodos desenvolvidos para estabelecer a dualidade no caso comutativo
ao trivialmente generalizados para o caso ao-comutativo. Esse resultado ´e importante
tendo em vista que estes ao etodos bem gerais utilizados para comprovar rela¸oes de
dualidade entre outras teorias.
Devido `as recentes especula¸oes sobre as vantagens exibidas pelos modelos ao-
52
comutativos na descri¸ao de alguns fenˆomenos efetivamente planares em mat´eria con-
densada, os resultados apresentados aqui tˆem grande potencial para aplica¸oes nesse
sentido.
Para finalizar, ´e necess´ario mencionar algumas quest˜oes que ao abordamos mas
que podem nos servir como objetos de estudo no futuro. Primeiro ´e uma poss´ıvel
an´alise quˆantica perturbativa no esp´ırito dos recentes estudos em teorias de campos em
espa¸cos ao-comutativos. alculos podem ser simplificados com o uso da dualidade aqui
discutida. Segundo, o acoplamento com fontes no caso ao-comutativo. ao tratamos
desse ponto pois a forma exata dos acoplamentos, via mapa de Seiberg-Witten, ainda
ao est´a clara para os. Certamente esse ´e um problema que abordaremos no futuro.
Outro ponto, talvez o mais importante, surge ao observarmos que ao existe ainda
um mapa equivalente ao mapa de Seiberg-Witten para teorias sem simetria de calibre.
Seria portanto interessante se pud´essemos relacionar a dualidade entre os campos A
µ
e f
µ
dos modelos MCSNC e ADNC, respectivamente, com uma dualidade entre cam-
pos
ˆ
A
µ
e
ˆ
f
µ
[61] das respectivas teorias definidas com produto Moyal. Dessa forma,
poder´ıamos estabelecer o an´alogo do mapa de Seiberg-Witten relacionando f
µ
e
ˆ
f
µ
.
Apˆendice A
Um Exemplo: Dualidade
ortice/Part´ıcula
Neste apˆendice veremos um exemplo bem intuitivo de algumas propriedades e ecnicas
envolvidas no processo de dualidade, o que segue ´e baseado no excelente livro de A. Zee
[3].
Consideremos uma teoria em (2 + 1)D descrevendo a dinˆamica de um campo com-
plexo com potencial da forma V (φφ
) = λ(φφ
v
2
)
2
:
L
0
=
µ
φ∂
µ
φ
V (φφ
). (A.1)
Queremos encontrar solu¸oes cl´assicas para essa teoria que sejam est´aveis e tenham
energia finita. A configura¸ao assinotica do campo tem que anular o potencial para
que sua contribui¸ao `a energia seja finita. De forma geral exigimos que:
φ ve
inθ
para r . (A.2)
Para que φ seja un´ıvoca, n tem que ser inteiro. Essa lagrangeana possui uma simetria
global (φ e
φ, α = cte) que implica na corrente de Noether:
J
µ
= i(φ∂
µ
φ
φ
µ
φ). (A.3)
Para uma configura¸ao est´atica do campo, assintoticamente teremos:
J
i
= 2v
2
n∂
i
θ, (A.4)
53
54
que em coordenadas polares vemos que o possui a componente
ˆ
θ, ou seja, a corrente
circula no infinito. Por isso chamamos essa configura¸ao de ortice. Mas temos um
problema, consideremos a energia da configura¸ao est´atica:
E =
d
2
x[
i
φ
i
φ + λ(φ
φ v
2
)
2
]. (A.5)
Observe o primeiro termo. Na regi˜ao r (coordenadas polares), temos:
φ
φ =
v
2
r
2
θ
e
inθ
θ
e
inθ
=
v
2
n
2
r
2
, (A.6)
que nos leva `a:
d
2
x(
i
φ
i
φ)
0
dr
1
r
, (A.7)
que diverge logaritmicamente.
Para contornar esse problema vamos introduzir uma intera¸ao com o campo ele-
tromagn´etico elevando a simetria global a uma simetria local. Isso significa fazer a
substitui¸ao:
i
φ D
i
φ =
i
φ ieA
i
φ, (A.8)
onde A ´e o potencial de calibre e e ´e a constante de acoplamento.
Podemos agora impor uma condi¸ao em A
i
tal que D
i
φ 0 para r :
D
i
φ = 0 = ivn∂
i
θ ieA
i
v A
i
n
e
i
θ, para r . (A.9)
Dessa forma a energia, que agora ´e:
E =
d
2
x[D
i
φ
D
i
φ + λ(φ
φ v
2
)
2
] +
1
2
(
E
2
+ B
2
) (A.10)
onde
E e B ao os campos el´etrico e magn´etico
1
, respectivamente, ´e finita.
O campo A, que ´e puro gauge assintoticamente (A.9), ´e respons´avel por dar um
fluxo magn´etico a configura¸ao, de fato:
fluxo =
d
2
xB =
C
A · d
l =
2π
0
A
θ
r =
2π
0
1
r
θ
(
e
)r =
2πn
e
(A.11)
1
Observe que em 2 + 1 dimens˜oes o campo magn´etico ´e um pseudo-escalar.
55
onde C ´e o contorno em r .
Observe que o fluxo ´e quantizado, essa propriedade ´e muito curiosa e ´e um efeito
de natureza puramente quˆantica [4] observado experimentalmente em supercondutores
tipo II.
2
Observe ainda que a regi˜ao assinotica pode ser identificada com um c´ırculo (S
1
), a
mesma topologia de φ nessa regi˜ao. De fato, φ mapeia S
1
em S
1
φ(r ) ve
inθ
,
o n´umero n define mapeamentos homotopicamente distintos, em linguagem mais formal
isso significa que:
Π
1
(S
1
) = Z, o 1 subscrito se refere a S
1
.
Uma imagem intuitiva dessas considera¸oes pode ser feita se pensarmos em um anel
(S
1
) onde enrolamos um el´astico (S
1
), uma volta corresponde `a n = 1 e claramente
(com o el´astico sempre sobre o anel) ao podemos deformar essa situa¸ao em uma
na qual o el´astico a duas voltas (n = 2) no anel. Dizemos que para um dado n a
configura¸ao ´e topologicamente est´avel.
Pode-se mostrar que de forma mais geral, temos:
Π
n
(S
n
) = Z (A.12)
que significa que o n-´esimo grupo de homotopia de S
n
´e Z.
O fato de esses grupos serem ao triviais nos informa imediatamente que podemos
procurar por solu¸oes com caracter´ısticas topol´ogicas especiais
3
Mas voltando aos ortices, vamos pensar fisicamente no que est´a acontecendo. Con-
sideremos uma regi˜ao distante o suficiente do centro do ortice, de tal forma que
φ = ve
inθ
mas A
µ
ao ´e puro gauge. Nesse caso a lagrangeana (A.1) pode ser escrita
como:
L
0
= v
2
(n∂
µ
θ eA
µ
)
2
, (A.13)
2
Lembre que n veio da propriedade de unicidade do campo complexo, na an´alise dos supercondutores
n vem da propriedade de unicidade da fun¸ao de onda
3
Em (3 + 1)D considera¸oes an´alogas nos levam ao monop´olo de ’t Hooft-Polyakov.
56
onde a dinˆamica de A
µ
foi omitida pois ao participar´a dos alculos que seguem.
vamos introduzir um campo auxiliar
µ
):
L
1
= Π
µ
(n∂
µ
θ eA
µ
)
1
2v
2
Π
µ
Π
µ
, (A.14)
Integrando Π
µ
, reobtemos L
0
. Da forma como foi definido, θ ´e uma vari´avel angular e
portanto ao ´e un´ıvoca, isso ´e essencial para o que segue. Vamos escrever θ na forma:
θ(x) = χ(x) + α(x), (A.15)
onde χ ´e uma fun¸ao bem comportada (suave, cont´ınua, ...) e α conem as propriedades
que tornam θ descont´ınua. A lagrangeana (A.14) fica:
L
1
= nχ∂
µ
Π
µ
+ nΠ
µ
µ
α eΠ
µ
A
µ
1
2v
2
Π
µ
Π
µ
. (A.16)
Vemos que χ ´e um multiplicador de lagrange impondo a condi¸ao:
µ
Π
µ
= 0, (A.17)
que nos permite introduzir um novo campo de calibre (a
µ
):
Π
µ
= ε
µνρ
ν
a
ρ
. (A.18)
A lagrangeana fica:
L
1
=
µνρ
ν
a
ρ
µ
α
µνρ
ν
a
ρ
A
µ
1
2v
2
(ε
µνρ
ν
a
ρ
)
2
= na
µ
ε
µνρ
ν
ρ
α
µνρ
ν
a
ρ
A
µ
1
4v
2
f
µν
f
µν
, (A.19)
onde uma derivada total foi omitida e f
µν
=
µ
a
ν
ν
a
µ
. Observe a importˆancia do
car´ater singular de α, pois de outra forma ter´ıamos ε
µνρ
ν
ρ
α = 0. Mas o que esse
termo representa? Vemos que
µνρ
ν
ρ
α se acopla ao campo de gauge a que possui
dinˆamica tipo Maxwell, portanto esperamos que esse termo represente uma corrente.
Para ver o que isso significa vamos olhar para a componente 0 desse termo. Integrando
no plano temos:
n
d
2
0ij
i
j
α = n
d
2
x × α = n
d
l · α = 2πn. (A.20)
57
Fica claro dessa forma que:
j
µ
=
n
2π
ε
µνρ
ν
ρ
α, (A.21)
´e a corrente associada aos ortices.
´
E muito interessante observar tamb´em que o termo
que se acopla ao campo de gauge original A
µ
representa a corrente do campo complexo
φ, ou seja, J
µ
=
µνρ
ν
a
ρ
. Isso ´e caracter´ıstico em ecnicas de bosoniza¸ao (aqui
estamos bosonizando um oson!). Portanto a dinˆamica do campo a
µ
´e determinada pelo
comportamento das excita¸oes do campo φ, mas precisamente, a dinˆamica de Maxwell
de a
µ
est´a associada a uma intera¸ao corrente-corrente (tipo thirring) do campo φ
((ε∂a)
2
=
J
2
e
2
).
Obtemos assim a representa¸ao dual do sistema onde os ortices ao vistos como
part´ıculas acopladas minimamente ao campo “eletromagn´etico” a. Podemos ir mais
longe na analogia e introduzir um campo complexo que cria e destr´oi ortices e an-
tiv´ortices e reescrever (A.19) como:
L
1
=
1
4v
2
f
µν
f
µν
+ D
µ
ΦD
µ
Φ
W (ΦΦ
) A
µ
J
µ
, (A.22)
onde D
µ
=
µ
i2πa
µ
e W ´e um potencial determinado pelo comportamento dos
ortices a curtas distˆancias. Com essa forma para a teoria, a dualidade adquire um
significado completo, pois impondo a condi¸ao W 0 para r , podemos prosseguir
exatamente como antes. De fato, o ortice da teoria acima possui um “fluxo magn´etico”
associado a a
µ
(como antes, para que a energia da configura¸ao est´atica seja finita
devemos ter a
i
1
2π
i
θ para r ):
fluxo =
d
2
ij
i
a
j
=
d
l · a =
dx
i
1
2π
i
θ = 1, (A.23)
mas J
µ
=
µνρ
ν
a
ρ
, de forma que a carga do “v´ortice” ´e:
d
2
xJ
0
= e
d
2
ij
i
a
j
= e, (A.24)
que ´e a carga do campo original φ. Logo o ortice do ortice ´e a part´ıcula original!
Apˆendice B
O M´etodo de Fadeev-Jackiw
O etodo de Fadeev-Jackiw [43] ´e uma alternativa ao etodo de Dirac [27]. A id´eia
´e come¸car com uma lagrangeana de primeira ordem nas derivadas temporais. Isso
sempre pode ser feito via transformada de Legendre (´e isso que fazemos para obter o
hamiltoniano). Dessa forma, a lagrangeana fica:
L( ˙q, q) L( ˙p, p, ˙q, q) = p ˙q H(p, q), (B.1)
na verdade L( ˙p, p, ˙q, q) ao depende de ˙p.
Usando uma nota¸ao gen´erica (ξ) para as vari´aveis (p, q), a lagrangeana pode ser
escrita como:
L = a
i
(ξ)
˙
ξ
i
H(ξ), (B.2)
onde ξ
i
= ξ
i
(t). As equa¸oes de Euler-Lagrange nos fornecem:
L
ξ
i
=
˙
ξ
j
a
j
ξ
i
H
ξ
i
=
d
dt
a
i
(ξ) =
˙
ξ
j
a
i
ξ
j
, (B.3)
ou, com f
ij
=
a
j
ξ
i
a
i
ξ
j
:
˙
ξ
j
f
ij
=
H
ξ
i
. (B.4)
Normalmente, como
L
˙
ξ
i
= a
i
(ξ), diz-se que o momento canˆonico est´a vinculado a depen-
der ape nas das coordenadas e assim para estabelecer o formalismo canˆonico, o etodo
de Dirac ´e aplicado.
58
59
Mas, como foi observado por Fadeev e Jackiw, p odemos estabelecer o formalismo
canˆonico diretamente se f
ij
possui uma inversa f
ij
, de fato, as equa¸oes de movimento
seguem diretamente de (B.4):
˙
ξ
i
= f
ij
H
ξ
j
. (B.5)
Estamos interessados nos colchetes da teoria, de tal forma que:
˙
ξ
i
=
ξ
i
, H
=
ξ
i
, ξ
j
H
ξ
j
. (B.6)
´
E imediato, por (B.5) e (B.6), que:
f
ij
=
ξ
i
, ξ
j
. (B.7)
Para quaisquer fun¸oes F
1
(ξ) e F
2
(ξ):
{F
1
, F
2
} =
F
1
ξ
i
f
ij
F
2
ξ
i
. (B.8)
Logo para encontrar os colchetes da teoria prec isamos encontrar a inversa de f
ij
. Se
f
ij
for singular ou ao possuir uma inversa, enao v´ınculos ter˜ao que ser considerados
e o tratamento se torna mais complicado, mas ao trataremos desse caso nessa tese.
Apˆendice C
Correspondˆencia das
´
Algebras das
Teorias MCSNC e ADNC
C.1 Proje¸ao Dual
Pelo m´eto do da proje¸ao dual obtemos a teoria:
gL
ADN CP D
=
1
2
(1 θf
0
) f
µ
f
µ
1
2m
f
µ
ε
µνρ
ν
f
ρ
. (C.1)
Essa teoria possui um v´ınculo (o momento canonicamente conjugado `a f
0
ao ´e defi-
nido), poder´ıamos seguir o etodo de Dirac [27] (ou o etodo de Fadeev-Jackiw [43])
para obter os colchetes de Poisson da teoria, mas vamos proceder definindo os colchetes
para f
i
e obter os de f
0
considerando f
0
= f
0
(f
i
). A componente µ = 0 das equa¸oes
de movimento obtidas de (C.1) ´e:
f
0
1
m
ε
ij
i
f
j
1
2
θf
i
f
i
3
2
θf
0
f
0
= 0. (C.2)
O momento canonicamente conjugado `a f
i
´e, por (C.1):
Π
i
=
1
mg
ε
ij
f
j
, (C.3)
postulando as rela¸oes canˆonicas:
f
i
(x), Π
j
(y)
= δ
i
j
δ (x y) ,
f
i
(x), f
j
(y)
= mgε
ij
δ (x y) , (C.4)
60
61
e usando (C.2) e (C.4), temos:
f
0
(x), f
i
(y)
=
1
m
ε
kl
k
f
l
(x) +
1
2
θf
k
(x)f
k
(x) +
3
2
θf
0
(x)f
0
(x), f
i
(y)
=
1
m
ε
kl
k
(x)
mgε
li
δ (x y)
+ θf
k
(x)
mgε
ki
δ (x y)
+ 3θf
0
(x)
f
0
(x), f
i
(y)
f
0
(x), f
i
(y)
= g (1 + 3θf
0
(x))
i
(x)
δ (x y) + mgθε
ij
f
j
(x)δ (x y) , (C.5)
onde termos de ordem superior em θ foram desprezados. Temos ainda, por (C.2), (C.4)
e (C.5):
f
0
(x), f
0
(y)
=
1
m
2
ε
ij
i
(x)
ε
kl
k
(y)
f
j
(x), f
l
(y)
+
θ
m
f
i
(x)ε
kl
k
(y)
f
i
(x), f
l
(y)
+
θ
m
f
i
(y)ε
kl
k
(x)
f
l
(x), f
i
(y)
+
3θ
m
f
0
(x)ε
kl
k
(y)
f
0
(x), f
l
(y)
+
3θ
m
f
0
(y)ε
kl
k
(x)
f
l
(x), f
0
(y)
=
1
m
2
i
(x)
ε
ki
k
(y)
(mgδ (x y)) +
θ
m
f
i
(x)
i
(y)
(mgδ (x y))
+
θ
m
f
i
(y)
i
(x)
(mgδ (x y)) +
3θ
m
f
0
(x)ε
kl
k
(y)
g
l
(x)
δ (x y)
+
3θ
m
f
0
(y)ε
kl
k
(x)
g
l
(y)
δ (x y)
= θg (f
i
(x) + f
i
(y))
i
(x)
δ (x y) , (C.6)
onde foi usado que
i
(y)
δ (x y) =
i
(x)
δ (x y) e que termos do tipo
ε
ij
i
(x)
j
(y)
δ (x y) ao identicamente nulos.
De posse da correspondˆencia obtida no cap´ıtulo 4:
F
µ
= f
µ
θ
ν
f
ν
f
µ
1
2
f
α
f
α
θ
µ
= f
µ
θf
0
f
µ
1
2
f
α
f
α
θδ
µ
0
, (C.7)
obtemos, com E
i
= ε
ij
F
j
e B =
F
0
:
{B(x), B(y)} =
f
0
(x), f
0
(y)
3θ (f
0
(x) + f
0
(y))
f
0
(x), f
0
(y)
θf
i
(y)
f
0
(x), f
i
(y)
θf
i
(x)
f
i
(x), f
0
(y)
= θg (f
i
(x) + f
i
(y))
i
(x)
δ (x y) gθf
i
(y)
i
(x)
δ (x y) + gθf
i
(x)
i
(y)
δ (x y)
= 0 (C.8)
62
e:
E
i
(x), B(y)
=
ε
ij
F
j
(x),
F
0
(y)
= ε
ij
{f
j
(x), f
0
(y)} 3θf
0
(y)ε
ij
{f
j
(x), f
0
(y)} θf
k
(y)ε
ij
{f
j
(x), f
k
(y)}
θf
0
(x)ε
ij
{f
j
(x), f
0
(y)} θε
ij
f
j
(x) {f
0
(x), f
0
(y)}
= gε
ij
(1 + 3θf
0
(x))
(x)
j
δ (x y) + mgθf
i
(x)δ (x y)
3gθf
0
(y)ε
ij
(x)
j
δ (x y) mgθf
i
(y)δ (x y) gθf
0
(x)ε
ij
(x)
j
δ (x y)
= gε
ij
(1 θf
0
(x))
(x)
j
δ (x y) ,
= gε
ij
(1 + θB(x))
(x)
j
δ (x y) , (C.9)
finalmente:
E
i
(x), E
j
(y)
=
ε
ik
F
k
(x), ε
jl
F
l
(x)
= ε
ik
ε
jl
{f
k
(x), f
l
(y)} ε
ik
ε
jl
θf
0
(x) {f
k
(x), f
l
(y)} ε
ik
ε
jl
θf
k
(x) {f
0
(x), f
l
(y)}
ε
ik
ε
jl
θf
0
(y) {f
k
(x), f
l
(y)} ε
ik
ε
jl
θf
l
(y) {f
k
(x), f
0
(y)}
= mgε
ij
δ (x y) + mgε
ij
(f
0
(x) + f
0
(y)) δ (x y)
ε
ik
ε
jl
gθf
k
(x)
(x)
l
δ (x y) ε
ik
ε
jl
gθf
l
(y)
(x)
k
δ (x y)
= mgε
ij
(1 2θf
0
(x)) δ (x y) gθ
ε
jk
ε
il
f
l
(x) + ε
ik
ε
jl
f
l
(y)
(x)
k
δ (x y)
= mgε
ij
(1 + 2θB(x)) δ (x y)
gθ
ε
kj
E
i
(x) + ε
ki
E
j
(y)
(x)
k
δ (x y) . (C.10)
(C.8), (C.9) e (C.10) verificam a ´algebra obtida em [62] para o modelo MCSNC.
C.2 M´etodo da Mestra
Nesse caso temos:
gL
ADN CM
=
1
2
f
µ
f
µ
1
2m
f
µ
ε
µνρ
ν
f
ρ
+
1
2m
f
µ
ε
µνρ
ν
(
θ
ρ
f
α
f
α
)
=
1
2
f
µ
f
µ
1
2m
f
µ
ε
µνρ
ν
f
ρ
+
1
2m
f
α
f
α
θε
ij
i
f
j
, (C.11)
63
cuja componente µ = 0 das equa¸oes de movimento ´e:
mf
0
ε
ij
i
f
j
+ f
0
θε
ij
i
f
j
= 0
f
0
=
1
m
ε
ij
i
f
j
1
θ
m
ε
kl
k
f
l
. (C.12)
Observe que o fato de nos restringirmos `a θ
0i
= 0
θ
i
= 0 faz com que a estru-
tura simpl´etica de (C.11) seja a mesma que de (C.1), logo o momento canonicamente
conjugado `a f
i
continua sendo dado por (C.3) de forma que tamb´em nesse caso:
f
i
(x), f
j
(y)
= mgε
ij
δ (x y) . (C.13)
Usando (C.12), temos:
f
0
(x), f
i
(y)
=
1
m
ε
kl
k
f
l
(x)
θ
m
2
ε
kl
k
f
l
(x)ε
mn
m
f
n
(x), f
i
(y)
=
1
m
ε
kl
k
(x)
mgε
li
δ (x y)
2
θ
m
2
ε
kl
k
(x)
f
l
(x)
mgε
mn
ε
ni
m
(x)
δ (x y)
= g
i
(x)
δ (x y) 2g
θ
m
ε
kl
k
(x)
f
l
(x)
i
(x)
δ (x y)
= g
i
(x)
δ (x y) 2gθf
0
(x)
i
(x)
δ (x y) , (C.14)
onde na ´ultima passagem usamos que θmf
0
= θε
ij
i
f
j
, que segue de (C.12) a menos
de termos de ordem superior em θ. Temos ainda:
f
0
(x), f
0
(y)
=
1
m
ε
ij
i
f
j
(x),
1
m
ε
mn
m
f
n
(y)
2
θ
m
ε
ij
i
(x)
f
j
(x)
1
m
ε
kl
k
f
l
(x),
1
m
ε
mn
m
f
n
(y)
2
θ
m
ε
ij
i
(y)
f
j
(y)
1
m
ε
kl
k
f
l
(x),
1
m
ε
mn
m
f
n
(y)
=
g
m
ε
ij
i
(x)
j
(y)
δ (x y)
2
θ
m
ε
ij
i
(x)
f
j
(x)
g
m
ε
kl
k
(x)
l
(y)
δ (x y)
2
θ
m
ε
ij
i
(y)
f
j
(y)
g
m
ε
kl
k
(x)
l
(y)
δ (x y)
= 0. (C.15)
Com a correspondˆencia:
F
µ
= f
µ
1
m
f
µ
θε
ij
i
f
j
= f
µ
θf
µ
f
0
, (C.16)
64
´e imediato que:
{B(x), B(y)} =
F
0
(x),
F
0
(y)
= 0, (C.17)
onde foi usado (C.15). Temos ainda:
E
i
(x), B(y)
=
ε
ij
F
j
(x),
F
0
(y)
= ε
ij
{f
j
(x), f
0
(y)} + θf
0
(x)ε
ij
{f
j
(x), f
0
(y)} + 2θf
0
(y)ε
ij
{f
j
(x), f
0
(y)}
= gε
ij
(x)
j
δ (x y) 2gθε
ij
f
0
(y)
(x)
j
δ (x y)
+gθf
0
(x)ε
ij
(x)
j
δ (x y) + 2gθf
0
(y)ε
ij
(x)
j
δ (x y)
= gε
ij
(1 + θf
0
(x))
(x)
j
δ (x y)
= gε
ij
(1 + θB(x))
(x)
j
δ (x y) , (C.18)
e:
E
i
(x), E
j
(y)
=
ε
ik
F
k
(x), ε
jl
F
l
(x)
= ε
ik
ε
jl
{f
k
(x), f
l
(y)} + ε
ik
ε
jl
θf
0
(x) {f
k
(x), f
l
(y)} + ε
ik
ε
jl
θf
k
(x) {f
0
(x), f
l
(y)}
+ε
ik
ε
jl
θf
0
(y) {f
k
(x), f
l
(y)} + ε
ik
ε
jl
θf
l
(y) {f
k
(x), f
0
(y)}
= mgε
ij
δ (x y) mgε
ij
(f
0
(x) + f
0
(y)) δ (x y)
+ε
ik
ε
jl
gθf
k
(x)
(x)
l
δ (x y) + ε
ik
ε
jl
gθf
l
(y)
(x)
k
δ (x y)
= mgε
ij
(1 + 2θf
0
(x)) δ (x y) + gθ
ε
jk
ε
il
f
l
(x) + ε
ik
ε
jl
f
l
(y)
(x)
k
δ (x y)
= mgε
ij
(1 + 2θB(x)) δ (x y)
gθ
ε
kj
E
i
(x) + ε
ki
E
j
(y)
(x)
k
δ (x y) , (C.19)
verificando a ´algebra tamem nesse caso.
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