
24
devido ao intenso esfor¸co empregado na dire¸c˜ao da unifica¸c˜ao das intera¸c˜oes funda-
mentais. Acredita-se que qualquer teoria que combine a mecˆanica quˆantica com a
gravita¸c˜ao deve alterar radicalmente nossa no¸c˜ao do espa¸co-tempo em distˆancias da
ordem do comprimento de Planck (∼ 10
−33
cm). De fato, a maior candidata `a teoria
unificadora, a teoria das cordas, cont´em teorias de campos em espa¸cos n˜ao-comutativos.
Essas teorias surgem naturalmente em certos limites no estudo de teoria de cordas aber-
tas terminando em D-branas na presen¸ca de um campo de Neveu-Schwarz. A id´eia de
que teorias de campos n˜ao-comutativos surgem como descri¸c˜oes efetivas na teoria das
cordas gerou uma enorme variedade de trabalhos.
1
Em geral, p or si s´o, teorias de campo definidas em um espa¸co-tempo n˜ao-comutativo
oferecem uma excelente oportunidade para se estudar as consequˆencias que uma de-
forma¸c˜ao na estrutura espa¸co-temporal pode ter sobre os fenˆomenos f´ısicos. As t´ecnicas
j´a comuns nos tratamentos das teorias de campos nos espa¸cos ordin´arios vˆem sendo es-
tendidas para espa¸cos n˜ao-comutativos (para uma revis˜ao ver pag. 997 de [33]). Mas
a variedade de novos fenˆomenos que surgem devido `a n˜ao-comutatividade n˜ao ´e com-
pletamenta entendida e muitos problemas tˆem que ser resolvidos ainda. Por exemplo,
ao postular rela¸c˜oes de comuta¸c˜ao do tipo [x
µ
, x
ν
] = iθ
µν
, ´e imediato que a simetria de
Lorentz ´e perdida. Essa rela¸c˜ao introduz ainda o novo parˆametro dimensional θ que
pode gerar problemas de renormaliza¸c˜ao.
Um problema caracter´ıstico que afeta a renormaliza¸c˜ao das teorias n˜ao-comutativas
´e a mistura UV/IV [34], ou seja, divergˆencias ultra-violetas est˜ao associadas a di-
vergˆencias infra-vermelhas. Essa mistura pode ser entendida heuristicamente olhando-
se para as rela¸c˜oes de comuta¸c˜ao entre as coordenadas que implicam em rela¸c˜oes de
incerteza do tipo ∆x∆y ≥ θ, de forma que se ∆x → 0 (UV) ent˜ao ∆y → ∞ (IV).
A an´alise perturbativa dessas teorias mostra que esses problemas s˜ao trat´aveis. Es-
sas quest˜oes n˜ao ser˜ao abordadas nessa tese mas discuss˜oes nesse sentido podem ser
encontradas em [33, 42, 47, 35].
1
O primeiro trabalho que fez uso da geometria n˜ao comutativa no contexto das teorias de cordas
foi [30]. Depois disso, com a descoberta das D-branas, diversos outros surgiram [31, 32, 48], para citar
alguns. Para uma revis˜ao completa do assunto ver [33, 47].