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UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO SUL
ESCOLA DE ADMINSITRAÇÃO
PROGRAMA DE PÓS
-
GRADUAÇÃO EM ADMINSITRAÇÃO
Karen Menger da Silva
A DINÂMICA DE GESTÃO DE PROJETOS EM REDES HORIZONTAIS
Porto Alegre
2008
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Karen Menger d
a Silva
A DINÂMICA
DE GESTÃO DE PROJETOS EM REDES HORIZONTAIS
Tese apresentada ao Programa de Pós-
Graduação em Administração, da Escola de
Administração da Universidade Federal do Rio
Grande do Sul, como requisito para a
obtenção do título de Doutor em
Administração.
Orie
ntador
: Prof. Dr. Paulo Antônio Zawislak
Porto Alegre
2008
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Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)
Dados internacionais de catalogação na Publicação (CPI)
Ficha elaborada pela Biblioteca da Escola de Administração
U
FRGS
S586d Silva, Karen Menger da
A dinâmica de gestão de projetos em redes horizontais /
Karen Menger da Silva.
2008.
181 f.; il.
Tese (doutorado)
Universidade Federal do Rio Grande do
Sul, Escola de Administração, Programa de Pós-Graduação em
Administração, 2008.
Orientador: Prof. Dr. Paulo Antônio Zawislak
.
1. Alianças estratégicas
Redes horizontais. 2. Gestão da
inovação
Redes de cooperação. 3. Gestão de projetos
Pequenas e médias empresas. I. Título.
CDU 658.5
AGRADECIMENTOS
Gostaria de agradecer a t
od
os
que tornaram este trabalho possível e me apoiaram
nest
a longa, difícil, mas engrandecedora e prazerosa trajetória. Agradeço
especialmente:
Ao meu orientador,
professor
Paulo Antônio Zawislak, pela ori
entação, compreensão
e amizade. Agradeço por ter
sempre
estimulado meu amadurecimento intelectual e
pessoal.
Aos professores Gilberto Dias da Cunha, Antônio Domingos Padula e Lilia Maria
Vargas
, pelas sugestões feitas no ensaio teórico e
no
projeto de tese
.
Aos bolsistas, ex-bolsistas e demais colegas do NITEC. Em especial, agradeço à
professora
Edi Madalena Fracasso,
pelo
exemplo acadêmico, bem como pelo
estímulo e carinho comigo.
Ao CNPq e à UFPR por fomentar a realização d
est
e trabalho.
Gostaria de agradecer, também,
aos
meus
amigos e meus familiares, que
compartilharam comigo momentos de aflição, dúvida, entusiasmo e realização.
Aos meus queridos amigos do PPGA/UFRGS Tatiana, João Batista, Dirk
,
Aurélia
,
Doriana,
Eduardo
e Moisés
, pelo apoio e carinho
de
sempre
.
Aos meus queridos amigos da PCU/UFPR. Em especial,
ao
professor
Fl
ávio
Zanette, pela amizade,
pelo
estímulo e
pela
confian
ça ao longo de toda a minha
trajetória acadêmica.
À minha avó Valdelina
e à
minha tia Valni, pelo carinho e pelas palavras de e
coragem em momentos decisivos d
o meu doutorado
.
Aos meus pais, Derly e Celiria, e aos meus irmãos, Marcelo, Vinicius e Rodrigo, que
sempre acreditaram em mim
.
Ao Jader,
a quem dedico esta tese,
com todo o meu amor...
Muito obrigada
!
Não fiq
ues em terreno plano
Não subas muito alto
O mais belo olhar sobre o mundo
Está a meia altura.
Nietzsche
RESUMO
A dinâmica de gestão de projetos em redes horizontais, com seus elementos
específicos de gestão, é o tema abordado nesta tese. Primeiramente são discutidos
os líderes de projeto, responsáveis pela coordenação direta dos projetos conduzidos
em rede. A seguir, são discutidas as ações de comunicação, responsáveis pela
realização da conectividade, ou seja, pela interligação da rede como um todo. Po
r
fim, são discutidos os times de projetos, responsáveis pela concretização da
complementaridade, isto é, pelo arranjo de competências na rede. A partir das
discussões teóricas a respeito dos elementos de gestão de projetos em redes, foi
elaborado um modelo de análise. Esse modelo foi então aplicado a dois casos de
redes horizontais do Estado do Rio Grande do Sul. Uma das principais contribuições
da pesquisa de aplicação do modelo de análise foi a constatação da importância,
nas redes pesquisadas, da fase de implementação dos projetos desenvolvidos pelos
times. Observou-se que trata-se de uma fase particularmente crítica para um projeto
conduzido por uma rede horizontal. A partir dessa constatação, cada um dos
elementos de gestão de projetos do modelo de análise proposto foi reconfigurado.
Como conclusão do trabalho, é possível afirmar que os líderes de projeto devem ser
capazes de exercer a coordenação direta das atividades e comunicar, a todos os
associados, os objetivos estratégicos a serem alcançados com a realização de um
projeto coletivamente. Para tanto, faz-se necessária a escolha de um líder
reconhecido por todos e com experiência no escopo do projeto. O líder de projeto
deve ser capaz de desenvolver uma dinâmica de trabalho a partir da delimitação da
contribuição de cada um dos membros do time. O líder também deve observar a
sistemática comunicação dos resultados do time aos demais associados, visando à
etapa futura de implementação de cada um dos projetos conduzidos em rede. Ao
esforço de coordenação dos deres soma-se a necessidade de formalização dos
fluxos de informação por meio das ações de comunicação. Por meio destas, a rede é
conectada, oportunizando a divulgação, a discussão dos projetos em execução e a
sua futura implementação para todas as empresas. Por fim, devem ser formados
times de projeto com atores oriundos de diferentes empresas. Com o suporte do
trabalho de coordenação dos líderes de projeto e de conexão da rede, por meio das
ações de comunicação, o arranjo de complementaridade de informações viabilizado
pela própria existência da rede ganha dinamismo. Os atores que compõem os times
podem ser coordenados dentro de uma lógica de interação e aprendizado contínuo,
que permita vencer o desafio de se alinharem atores oriundos de empresas
d
iferentes.
Palavras
-chave: Redes horizontais. Redes de inovação. Gestão de projetos.
Pequenas e médias empresas.
ABSTRACT
Dynamics of project management in horizontal networks and their specific
management elements is the topic approached in this thesis. Firstly, project leaders,
in charge of direct coordination of projects carried out in networks, are discussed.
Next, communication actions in charge of connectivity are discussed: interconnection
of the network as a whole. Finally, project teams in charge of carrying out
complementarity are discussed: by arranging competences in the network. Analysis
model was applied to two horizontal networks of the Rio Grande do Sul State. One of
research s main contribution was the perception of how important impl
ementing stage
of projects developed by teams is. It has been observed that it is a very critical part of
a project carried out by a horizontal network. From this perception, each one of the
elements of proposed analysis model for project management has be
en
reconfigured. As a conclusion, it is possible to affirm that the project leaders must be
able to practice the straight coordination of the activities and to communicate the
strategic objectives to be reached through carrying out a project collectively. Thus, it
is necessary to choose a leader who is recognized by all people involved and who is
also experienced at project s field. Project leader must be able to develop a working
dynamics based on the contribution of each one of the members of the team. Th
e
leader will also have to point out systematic communication of the results of the team
to the associates, aiming at the future stage of implementation of projects developed
in the network. To the effort of leaders coordination, formalization of the info
rmation
flows through the communication actions adds up. Through this, the network is
connected, the projects being carried out and their future implementation are
disclosed for all the companies involved. Finally, project teams must be set with
agents from different companies. With the support of coordination job from project
and network connections leaders, and the formalization of the information flows,
through communication actions, the arrangement of information complementing in
the network gets more dynamic. Agents that make up team can be coordinated
through an interaction and continuous learning logics, which allows to overcome the
challenge of aligning actors coming from different companies.
Key
-words: Horizontal networks. Innovation networks. Project management. Small
and medium size firms
LISTA DE QUADROS
Quadro 1
Coleta de dados da primeira fase da pesquisa
................................
.......
69
Quadro
2
Redes indicadas como possíveis casos para o estudo
..........................
70
Quadro 3
Empresas fundadoras da Rede Ação Magistral
................................
.....
76
Quadro 4
D
iretoria da Rede Ação Magistral, gestão 2002
-
2004
............................
77
Quadro 5
Comissões formadas na fundação da Rede Ação Magistral
..................
78
Quadro
6
Subdivisão da primeira comissão técnica da Rede Ação Magistral
.......
80
Quadro 7
Empresas do estado de Santa Catarina que fazem parte da Rede Ação
Magistral
................................
................................
................................
.....................
81
Quadro 8
Redistribuição das comissões da rede Ação Magistral em janeiro de
2004
................................
............................................................................................
81
Quadro 9
Nova redistribuição das comissões da rede Ação Magistral em julh
o de
2004
................................
............................................................................................
82
Quadro 10
Comissões da rede Ação Magistral, gestão 2004
-
2006
.......................
83
Quadro 11
Diretoria da Rede Ação Magistral, ges
tão 2004
-
2006
..........................
83
Quadro 12
Comissão para revisão do estatuto da Rede Ação Magistral
...............
85
Quadro 13
Comissões da Rede Ação Magi
stral, gestão 2007
-
2008
......................
86
Quadro 14
Primeira comissão para o projeto dos filtros solares NoRed FPS15 e
FPS30
................................
................................
................................
.........................
88
Quadro 15
C
omissão definitiva para o projeto dos filtros solares NoRed FPS15 e
FPS30
................................
................................
................................
.........................
88
Quadro 16
Primeira comissão para o projeto da revista InformAção Magistral
.....
93
Quadro 17
Empresas do grupo G13
................................................................
.......
93
Quadro 18
Comissão para o projeto da revista InformAção Magistral em 2007
....
94
Quadro 19
Comissão para o projeto dos filtros solares NoRed FPS60 e NoRed
Kids
................................................................
................................
.............................
95
Quadro 20
Quadro geral dos líderes de projeto da Rede Ação Magistral
............
102
Quadro 21
Quadro geral da composição dos times da Rede Ação Magistral
......
107
Quadro 22
Empresas fundadoras da Rede Redemac
................................
..........
110
Quadro 23
Diretoria da Rede Redemac, gestão 2000
-
2003
................................
111
Quadro 24
Equipes formadas na fundação da Rede Redemac
...........................
112
Quadro 25
Equipes da Rede Redemac para o ano de 2003
................................
114
Quadro 26
Equipes da Rede Redemac para o ano de 2006
................................
116
Quadro 27
Equipe formada para a elaboração do Programa Qualificar
..............
122
Quadro 28
Primeira equipe para o projeto do Centro de Distribuição
..................
125
Quadro 29
Equipe para o projeto do Centro de Distribuição em 2007
.................
127
Quadro 30
Quadro geral dos líderes de projeto da Rede Redemac
....................
128
Quadro 31
Membros da diretoria atuando como líderes de projeto na rede
Redemac por ano
................................................................................................
.....
129
Quadro 32
Quadro geral da composição
dos times da rede Redemac
................
133
Quadro 33
Diretoria da Rede Ação Magistral, gestão 2007-
2008
........................
173
Quadro 34
Relação das empresa
s da Rede Ação Magistral em 2007
.................
174
Quadro 35
Diretoria da Rede Redemac, gestão 2004
-
2005
................................
175
Quadro 36
Equipes da Rede Red
emac para o ano de 2004
................................
176
Quadro 37
Equipes da Rede Redemac para o ano de 2005
................................
177
Quadro 38
Diretoria da Rede Redemac, ge
stão 2006
-
2007
................................
178
Quadro 39
Equipes da Rede Redemac para o ano de 2007
................................
179
Quadro 40
Diretoria da Rede Redemac, gestão 2008
-
2009
................................
180
Quadro 41
Equipe do Programa Qualificar em 2005
................................
............
180
Quadro 42
Equipe do Programa Qualificar em 2006
................................
............
180
Quadro 43
Equipe do Programa Qualificar em 2007
................................
............
181
Quadro 44
Relação das empresas da Rede Redemac em 2007
.........................
181
LISTA DE FIGURAS
Figura 1
A integração funcional
................................................................
...............
41
Figura 2
Dimensões da integração funcional na empresa
................................
......
42
Figura 3
Dimensões da integração das empresas em rede
................................
...
48
Figura 4
A dimensão da coordenação dos projetos
................................................
53
Figura 5
A dimensão da conectividade da rede
................................
......................
55
Figura 6
A dimensão da complementaridade na rede
............................................
59
Figura 7
Elementos para o modelo de análise
........................................................
64
Figura 8
Interação dos elementos que compõem o modelo de análise
.................
65
Figura 9
Modelo de análise proposto
................................................................
......
67
Figura 10
Modelo de análise consolidado
................................
.............................
146
SUMÁRIO
RESUMO
................................................................................................
......................
6
ABSTRACT
................................................................................................
..................
7
LISTA DE QUADROS
................................................................................................
..
8
LISTA DE FIGURAS
................................................................................................
....
9
INTRODUÇÃO
................................................................................................
...........
12
1 REDES DE EMPRESAS
................................
................................
.........................
18
1.1
I
NTRODUÇÃO
................................
................................
................................
.................18
1.2
A
NTECEDENTES TEÓRICOS
................................
................................
.............................
18
1.3
A
COORDENAÇÃO DE REDE
S
................................
................................
...........................
24
1.4
C
ONSIDERAÇÕES
FINAIS
................................
................................
................................
.
29
2 A ATIVIDADE DE INO
VAÇÃO EM REDE
................................
..............................
31
2.1
I
NTRODUÇÃO
................................
................................
................................
.................31
2.2
F
ATORES MOTIVADORES D
A ATIVIDADE DE INOVA
ÇÃO EM REDE
................................
........31
2.3
A
ESTRUTURAÇÃO DOS FL
UXOS DE INFORMAÇÃO
................................
............................
36
2.4
A
ORGANIZAÇÃO PO
R PROJETOS
................................................................
....................40
2.5
A
ORGANIZAÇÃO POR PRO
JETOS EM REDE
................................
................................
......44
2.6
C
ONSIDERAÇÕES FINAIS
................................
................................
................................
.
49
3 A DINÂMICA DE GEST
ÃO DE PROJETOS EM RE
DE
........................................
50
3.1
I
NTRODUÇÃO
................................
................................
................................
.................50
3.2
C
OORDENAÇÃO
................................
................................
................................
.............50
3.3
C
ONECTIVIDADE
................................
................................
................................
.............53
3.4
C
OMPLEMENTARIDADE
................................
................................
................................
...55
3.5
A
PRESENTAÇÃO DO MODEL
O DE ANÁLISE
................................
................................
........60
4 MÉTODO DE PESQUISA
................................................................
.......................
68
4.1
P
RIMEIRA FASE DA PESQ
UISA
................................................................
.........................68
4.2
S
EGUN
DA FASE DA PESQUISA
................................................................
.........................71
4.3
E
STRATÉGIA DE ANÁLISE
E PROPOSIÇÕES DE ES
TUDO
................................
.....................72
4.4
LIMITAÇÕES DO MÉTODO
................................
................................
................................
74
5 ANÁLISE DOS CASOS:
A REDE AÇÃO MAGISTR
AL
........................................
75
5.1
I
NTRODUÇÃO
................................
................................
................................
.................75
5.2
A
NÁLISE LONGITUDINAL
,
A PARTIR DO HISTÓRI
CO DA
R
EDE
A
ÇÃO
M
AGISTRAL
..................75
5.3
A
NÁLISE LONGITUDINAL
,
A PARTIR DOS PROJET
OS DA
R
EDE
A
ÇÃO
M
AGISTRAL
................86
5.3.
1 O projeto dos filtros solares NoRed FPS15 e FPS30
................................
...........87
5.3.2 O projeto da revista InformAção Magistral
................................
............................
92
5.3.3 O projeto de des
envolvimento dos filtros solares NoRed FPS60 e NoRed Kids
..95
5.4
A
NÁLISE TRANSVERSAL
,
A PARTIR DOS ELEMEN
TOS DE GESTÃO DE PRO
JETOS DA
R
EDE
A
ÇÃO
M
AGISTRAL
................................
................................
................................
................97
5.4.1 Análise dos líderes de projeto
................................
................................
...............97
5.4.2 Análise das ações de comunicação da rede
................................
.......................103
5.4.3 An
álise dos times de projeto da rede
................................
................................
..104
6 ANÁLISE DOS CASOS:
A REDE REDEMAC
................................
.....................
109
6.1
I
NTRODUÇÃO
................................
................................
................................
...............109
6.2
A
NÁLISE LONGITUDINAL
,
A PARTIR DO HISTÓRI
CO DA
R
EDE
R
EDEMAC
............................
109
6.3
A
NÁLISE LONGITUDINAL
,
A PARTIR DOS PROJET
OS DA
R
EDE
R
EDEMAC
..........................
117
6.3.1 O projeto dos produtos de marca própria
................................
...........................
118
6.3.2 O projeto de desenvolvimento de um programa de gestão da qualidade na rede
o Programa Qualif
icar Redemac
................................................................
..................120
6.3.3 O projeto do Centro de Distribuição da Redemac
................................
..............125
6.4
A
NÁLISE TRANSVERSAL
,
A PARTIR DOS ELEMEN
TOS DE GES
TÃO DE PROJETOS DA R
EDE
R
EDEMAC
................................
................................
................................
..........................
127
6.4.1 Análise dos líderes de projeto
................................
................................
.............128
6.4.2 Análise das ações de comunicação da rede
................................
.......................129
6.4.3 Análise dos times de projeto da rede
................................
................................
..131
7 MODELO DE ANÁLISE
REVISITADO
................................................................
.
135
7.1
I
NTRODUÇÃO
................................
................................
................................
...............135
7.2
M
ODELO DE ANÁLISE REC
UPERADO
................................
................................
..............136
7.3
C
ONTRIBUIÇÕES AO MODE
LO DE ANÁLISE
................................
................................
......140
7.4
M
ODELO DE ANÁLISE CON
SOLIDADO
................................
................................
.............145
8 CONCLUSÃO
................................................................................................
........
151
REFERÊNCIAS
................................................................................................
........
158
ANEXO A
................................................................................................
.................
170
ANEXO B
................................................................................................
.................
172
ANEXO C
................................................................................................
.................
173
ANEXO D
................................................................................................
.................
175
12
INTRODUÇÃO
O estudo das redes de empresas se concentra, via de regra, na análise
das vantagens que as relações de cooperação oferecem e dos elementos que
viabilizam a coordenação da atividade econômica por meio das relações de
cooperação. As redes de empresas constituem uma opção para aperfeiçoar
competências e operações por meio da complementaridade de ativos,
principalmente para as pequenas empresas. Ainda, as redes podem propiciar um
processo sinérgico de aprendizagem e geração conjunta de competências inéditas
às empresas.
O acesso à informação e a possibilidade de geração conjunta de
competências que esse tipo de arranjo proporciona potencializam a atividade de
inovação em rede. As razões que fundamentam tal afirmação são as ligações
estabelecidas entre as empresas, o conteúdo informacional que trafega através das
mesmas, bem como as suas características (empresas semelhantes o suficiente
para permitir o trabalho conjunto, e diferentes o suficiente para contribuir com novas
informações).
Tal como acontece na empresa individual, faz-se necessário que a rede
adote elementos de gestão que possam fixar e estruturar os fluxos de informação.
Caso contrário, é pouco provável que o processo de inovação como um todo se
traduza efetivamente num esforço coletivo de geração de novas competências,
tangibilizadas em novos produtos e processos com valor econômico. Portanto, parte
-
se do pressuposto de que, uma vez formada a rede, há que se estruturar um
13
processo de gestão de projetos em conjunto que permita a consecução de todas as
tarefas que um projeto de inovação exige.
A diferença fundamental entre o processo de gestão de projetos em uma
empresa individual e o mesmo processo em rede é que a gestão de projetos em
rede é um fluxo de informações organizadas, porém com uma lógica de interação e
aprendizado contínuo, ou seja, com uma dinâmica específica. Os fluxos de
informação para desenvolvimento de projetos em conjunto se dão a partir de at
ores
oriundos de culturas organizacionais diferentes, que trazem para um projeto em rede
questões de ordem cultural, organizacional e estratégica que refletem, antes dos
objetivos da rede, os objetivos das suas empresas de origem. Para dar conta de
todas as tarefas de um projeto em rede, faz-se necessária uma estrutura de
coordenação que viabilize a integração de recursos, o fluxo de informações e a tomada
de decisão na rede.
Ao longo dos anos, a literatura sobre geso de projetos se concentrou na
empresa
individual e evoluiu nos modelos organizacionais. Essa evolução partiu do
modelo seqüencial de gestão de projetos, seguido do modelo matricial, da engenharia
simultânea, até o desenvolvimento integrado de produtos. Este último modelo de
gestão de projetos, atualmente discutido, baseia-se na integração total entre os
diferentes profissionais (internos e externos à empresa), dentro das distintas
expertises
que um projeto de inovação requer. Ou seja, na base do desenvolvimento integrado já
desponta a necessidade de informação e trabalho coletivo nos projetos de inovação.
Pode
-
se afirmar ainda que, na sua evolução, os modelos organizacionais de gestão de
projeto foram todos baseados na estruturação dos fluxos de informação ao longo das
fases de desenvolvimento
de um projeto.
14
Certamente a gestão de projetos em redes de empresas não se apresenta
da
mesma forma que na empresa individual. O grande desafio é coordenar a
dinâmica inerente ao arranjo de atores oriundos de empresas diferentes. Logo, a
questão que se coloca diz respeito a como viabilizar a integração funcional e o fluxo
de informações entre empresas distintas que conduzem projetos de forma conjunta.
Essa questão se desdobra em outras: como organizar projetos em redes
de empresas? Como coordenar os atores envolvidos? Quais as estratégias de
comunicação adotadas? Quais os critérios para selecionar as empresas
participantes? Enfim, quais são os elementos de gestão de projetos próprios às
redes de empresas? Reunindo essas indagações, a questão de pesquisa que este
trabalho enfrenta é a seguinte: como formalizar e coordenar o fluxo de informações
necessário à realização de projetos em conjunto, a partir do arranjo de competências
entre atores organizacionais oriundos de empresas diferentes? Ou seja, como é a
d
inâmica de gestão de projetos conduzidos em redes de empresas?
A partir da questão de pesquisa definiu-se, como objetivo geral de estudo,
analisar a dinâmica de gestão de projetos em redes horizontais.
Para
operacionalizar esse objetivo geral, foram definidos os seguintes
objetivos específicos:
1) Identificar e analisar projetos de inovação nas redes selecionadas;
2) Identificar e analisar os elementos de gestão de projetos adotados
pelas redes;
3) Analisar como são estruturados e coordenados os fluxos de i
nformação
nas redes.
15
Para desenvolver esses objetivos, optou-se pelo método qualitativo,
utilizando
-se como estratégia de pesquisa o estudo de casos de redes horizontais.
Para tanto, foram selecionadas duas redes formadas no estado do Rio Grande do
Sul que executam projetos em conjunto
,
visando a estabelecer os contornos da
atividade de gestão de projetos em redes horizontais. Foram escolhidas as redes
Ação Magistral (rede de farmácias de manipulação) e Redemac (rede de lojas de
materiais de construção).
A importância de se analisar a dinâmica de gestão de projetos em redes
horizontais pode ser vista sob duas perspectivas. No campo teórico, os resultados da
pesquisa possibilitarão gerar e acumular conhecimentos com respeito à dimica de
gestão de projetos em redes horizontais, tema pouco explorado. O volume de
trabalhos sobre gestão de projetos em redes de empresas é consideravelmente menor
do que o volume dos que investigam empresas individuais. Além disso, inúmeros
trabalhos sobre o tema redes de empresas apontam para a necessidade de se
compreender a dinâmica das relões de cooperação. No campo normativo, acredita-
se
que, a partir do entendimento da dinâmica do processo de gestão de projetos em
redes horizontais, políticas públicas de fomento à inovação, voltadas para os acordos
de cooperação e a estruturação de redes horizontais, possam ser aperfeiçoadas.
Ao todo, a tese está organizada em oito capítulos, além desta
introdução.
No primeiro capítulo
discutem
-se os antecedentes teóricos das redes de emp
resas:
a questão da coordenação da atividade econômica via acordos de cooperação, bem
como as especificidades desse tipo de arranjo. No capítulo 2 explora-
se
especificamente a atividade de inovação em redes. O objetivo desse capítulo é
pontuar a discussão a respeito da necessidade da organização por projetos nas
redes.
16
No terceiro capítulo, aborda-se a dinâmica de gestão de projetos em
redes de empresas. O objetivo é discutir os elementos de gestão específicos dos
projetos em redes de empresas. Primeiramente, são focalizados os elementos que
realizam a complementaridade de competências nas redes, a aprendizagem
conjunta e a geração de novas competências. Em seguida, são discutidos os
elementos que viabilizam a coordenação da atividade conjunta. Por último, s
ão
apresentados os elementos que realizam a conectividade da rede, conferindo
dinâmica à gestão de projetos em conjunto. Os elementos de gestão de projetos
são reunidos em um modelo de análise que é apresentado ao final do capítulo.
No capítulo 4, aborda-se o método de pesquisa que sustentou a escolha
das redes e dos projetos analisados, bem como a coleta e a análise dos dados que
serão tratados qualitativamente à luz do modelo de análise.
No capítulo 5, o modelo de análise é aplicado ao estudo da gestão
de
projetos na rede Ação Magistral. Para tanto, foram analisados três projetos: o projeto
de desenvolvimento dos filtros solares NoRed FPS15 e FPS30, o projeto de
desenvolvimento da revista InformAção Magistral e o projeto de desenvolvimento do
protetor facial e da linha de filtros solares para crianças
NoRed FPS60 e NoRed
Kids.
No capítulo 6, o modelo de análise é aplicado ao estudo da gestão de
projetos na rede Redemac. Para tanto, foram analisados três projetos: o projeto de
desenvolvimento da linha de produtos de marca própria, o projeto de
desenvolvimento do programa de gestão da qualidade na rede (Programa Qualificar
Redemac) e o projeto de desenvolvimento do centro de distribuição da rede.
No capítulo 7, consolida-se o modelo de análise a partir de contribuições
que surgem das constatações levantadas nos casos estudados. Por fim, no capítulo
17
8, apresentam-se as conclusões finais da tese e indicam-se sugestões para a
continuidade da pesquisa sobre o tema.
18
1 REDES DE EMPRESAS
1.1 Introdução
Neste
primeiro capítulo serão discutidos aspectos gerais sobre as redes
de empresas que possam ser recuperados na análise da gestão de projetos em
redes. A discussão será iniciada pelas razões que levam as empresas a constituírem
acordos de cooperação, a origem das redes de empresas. Na seqüência serão
discutidos os
elementos
para operacionalizar as redes.
1.2 Antecedentes teóricos
Segundo Foss e Loasby (1998), o debate em torno das redes de
empresas nos remete ao problema da eficiência na
coordenação
da ativ
idade
econômica. A ênfase na coordenação, por sua vez, remonta às questões da divisão
do trabalho, da dispersão do conhecimento e, conseqüentemente, da necessidade
de se constituírem meios pelos quais todos os recursos necessários à atividade
produtiva possam ser apropriadamente reagrupados e coordenados, seja por meio
do mercado, da hierarquia ou da cooperação inter-empresas. O processo de
coordenação esligado, então, ao esforço progressivo de alinhamento dos atores
envolvidos para a execução de uma dad
a tarefa ou
um
dado
projeto.
19
A discussão sobre a cooperação como forma de coordenação e a
formação das redes de empresas está sustentada no trabalho de Richardson (1972).
No artigo intitulado The Organization of Industry, o autor discute a questão da
coope
ração entre as empresas como uma forma de coordenar a atividade
econômica em relação às duas formas preponderantes no debate acadêmico até
aquele momento: a empresa e o mercado.
Essa
dicotomia empresa-mercado foi
estabelecida por Coase (1937) para explicar
as razões da existência das empresas.
A empresa, segundo Coase (1937), é vista como o arranjo institucional
que substitui a contratação constante de fatores de produção no mercado por outra
forma de contratação, caracterizada pela reunião do maior número possível destes
dentro da empresa. O objetivo é economizar os custos de transação em que a
empresa incorre cada vez que vai ao mercado para negociar e contratar os fatores
de produção (por exemplo,
matéria
-
prima
, recursos humanos, bens de capital, entre
ou
tros).
Mas a opção pela internalização de fatores de produção dentro de uma
mesma empresa, ou seja, dentro de um sistema hierárquico próprio, que destina aos
fatores contratados sua utilização produtiva
,
tem limite. Ou seja, aqui abre
-se espaço
para a disc
ussão
dos
limites de crescimento da empresa relacionados à sua gestão.
Nos termos de Coase (1937), a expansão da empresa, em função da internalização
dos fatores de produção, avança até o ponto em que
essa
economia de custos de
transação é compensada por deseconomias administrativas. A expansão da
empresa leva à internalização de diferentes atividades, à ampliação da sua
distribuição espacial, entre outras conseqüências, complexificando a tarefa de
administrá
-
la.
Isso
posto, tendo o crescimento da empresa limitado até certa
20
quantidade de fatores de produção internalizados, os demais serão transacionados
no mercado.
Richardson (1972) abre espaço para outra forma de coordenação da
atividade econômica, trazendo à tona a questão da cooperação entre as empresas
como uma alternativa à hierarquia e ao mercado para acessar e coordenar os
fatores de produção. Para o autor, a essência da cooperação reside no fato de que
as empresas envolvidas aceitam algum grau de obrigação e se comprometem em
relação a sua conduta futura. O autor cita exemplos de relações de cooperação
entre empresas e dos elementos utilizados para estabilizá-las, deixando claro que
essas
relações podem assumir infinitas combinações de
obrigações
-
garantias
, bem
como do grau de formalização que poderão requerer. Mas o fato é que os acordos
de cooperação se diferenciam das transações reguladas pelo mercado, em que
,
segundo o autor, não há expectativa de que a relação continue, mas exclusivamente
o ato isolado de
compra
-
venda
entre o vendedor e seu comprador, regulado pelo
sistema de preços.
O autor se baseia, então, nas premissas de Penrose (1959), da Teoria da
Dependência de Recursos, para explicar as diferenças entre as empresas em função
do estoque de competências (conhecimentos, experiências e habilidades) que cada
empresa possui. Sendo assim, as empresas se especializam tecnicamente e, como
resultado, dada a multiplicidade de conhecimentos necessários à atividade
produtiva, tem-se uma divisão geral do conhecimento na indústria. É nesse ponto
que o autor desenvolve a noção de complementaridade, ou seja, da necessidade
de
as
empresas estabelecerem relações externas e
recomporem
a base de
conhecimentos
dispersos
na indústria, coordenadas de forma quantitativa e
qualitativa.
21
Richardson (1972) dá ênfase às relações entre empresas que realizam
atividades complementares não similares. Ou seja, o autor ênfase às relações de
cooperação verticais, caracterizadas pela colaboração entre empresas que visam
a
compartilhar competências e
a
reduzir riscos e incertezas. Para o autor, a noção de
coordenação quantitativa e qualitativa está relacionada ao fato de as empresas
ajustarem não volumes de produção e demanda, mas
também
especificações
técnicas para o desenvolvimento de produtos e processos, com a resultante
transferência de tecnologia. De acordo com o autor, as empresas ajustam
quantitativamente e qualitativamente seus planejamentos e metas individuais. Daí o
surgimento de distintos arranjos institucionais e a existência das redes de
cooperação: elas existem dada à necessidade de se coordenar de perto atividades
complementares e não similares (RICHARDSON, 1972, p. 892).
Entretanto, além das relações de cooperação vertical, também é possível
que empresas que realizam atividades similares estabeleçam acordos d
e
cooperação para se complementar, dando origem às relações de cooperação
horizontais. Para compreender
essa
dinâmica, faz-se necessário retomar as
proposições da Teoria Evolucionária. Segundo Nelson e Winter (1982), as empresas
sofrem processos idiossincráticos de desenvolvimento das suas competências,
condicionados por suas escolhas passadas, fato que explica a heterogeneidade
entre as empresas (ou seja, dos seus estoques de competências).
Aliadas
às
noções de cooperação e complementaridade de Richardson
(1972
), as relações de
cooperação horizontais podem surgir, então, da reunião de empresas que realizam
atividades similares, mas que possuem competências distintas e visam
a
atingir um
determinado padrão de capacitação.
22
De acordo com Gulati (1998), as redes horizontais reúnem empresas com
similaridades que se suplementam, em função das competências que podem ser
ampliadas e aperfeiçoadas. Conforme Ahuja (2000), as redes horizontais dão origem
a um processo sinérgico de aprendizado coletivo potencializado pelo fato de as
empresas trabalharem com tecnologias similares. Ainda, outros objetivos
econômicos podem motivar acordos de cooperação horizontal; por exemplo, o
acesso a novos mercados, a redução dos custos de produção ou
o
aumento da
capacidade produtiva e do poder de barganha para firmar contratos de fornecimento
ou exportação.
Segundo Foss (1999), o processo sinérgico de aprendizado coletivo é
talvez uma das mais importantes competências das redes: o aprendizado coletivo
dado o nível de integração entre as empresas.
Conforme
o autor, esse tipo de
aprendizagem não eleva as competências individuais de cada empresa, como
também
proporciona
a geração de competências que as empresas dificilmente
desenvolveriam de forma isolada. Para tanto, o autor se baseia na análise feita por
Marshall
dos distritos industriais, que evidencia a competição mediada pela
cooperação,
o processo interativo de troca de informações entre as empresas e
as
inovações em maquinaria,
em
processos e na organização dos negócios resultant
e
da aprendizagem coletiva.
Portanto, a discussão sobre a origem das redes está fundamentada nas
noções de eficiência na coordenação da atividade econômica via cooperação entre
os agentes competentes envolvidos.
Essa
forma de coordenar se diferencia pelo t
ipo
de relação estabelecida entre as empresas e está fundamentada na
complementaridade de competências para a execução integrada de determinadas
23
atividades, podendo resultar em um processo sinérgico de aprendizado coletivo e
geração de novas competências.
Sendo assim, é possível definir amplamente as redes como o conjunto de
relações de cooperação estabelecidas tanto entre empresas concorrentes quanto
entre clientes e fornecedores, cumprindo uma função econômica. As redes se
caracterizam por relações que se prolongam no tempo, uma vez que possuem valor
estratégico para as empresas envolvidas. No transcurso do tempo, as redes
sofrem
processos de adaptação que podem contribuir para a sua estabilização e o seu
desenvolvimento. Sendo assim,
podem
-
se
observar diferentes estágios no processo
de evolução das redes. Entretanto, isso não é determinístico, pois a dinâmica das
redes origem a trajetórias idiossincráticas (nem todas as redes alcançarão os
mesmos estágios). Ainda, as redes configuram estruturas que não se desenvolvem
livres de riscos e custos: é necessário o investimento de tempo e de recursos nas
negociações para a construção e
a
manutenção das relações de cooperação
(RICHARDSON, 1972 e 1998; JARILLO, 1988; GRANDORI; SODA, 1995; DOZ,
1996;
HUMAN
; PROVAN, 1997;
OSBORN
; HAGEDOORN, 1997; GULATI, 1998;
FOSS, 1999;
DAS
; TENG, 2000; KOGUT, 2000; HAGEDOORN
;
DUYSTERS, 2002;
HANNA
;
WALSH, 2002;
PANICCIA, 2002; RITTER
;
GEMÜNDEN, 2003).
A dinâmica das redes impõe uma série de desafios gerenciais: em
função das
circunstâncias em que se formam e das contingências que enfrentam, os
gestores podem lançar mão de diferentes mecanismos para operacionalizar e
viabilizar a ação conjunta. Dado o processo de adaptação que as redes atravessam
ao longo do tempo, algumas podem aprofundar a relação de cooperação e evoluir
nas atividades realizadas conjuntamente. Via de regra, tem-se a formação da rede e
a constituição de uma estrutura de coordenação que condiciona e,
24
concomitantemente, se adapta ao desenvolvimento da rede (
SAKO
, 1992;
GRANDORI
; SODA, 1995; GRANDORI, 1997; JONES; HESTERLY; BORGATTI,
1997;
HUMAN
; PROVAN, 1997 e 2000;
NOOTEBOOM
et al., 2000; POPPO;
ZENGER, 2002; BOEHE
;
SILVA
;
ZAWISLAK, 2004;
TEIXEIRA, 2005).
Segundo
Nooteboom (2004), a escolha e
a
eficácia dos
elem
entos
para
operacionalizar a rede dependem de condições como os objetivos da relação de
cooperação, as características das empresas participantes, a tecnologia, os
mercados e o ambiente institucional. De acordo com Foss (1999), os
elementos
estão ligados diretamente ao aprendizado coletivo: a comunicação entre as
empresas e as ligações pessoais trazem, ao mesmo tempo, estabilidade à estrutura
de coordenação e variedade dada a extensão da difusão do conhecimento na rede.
Nooteboom (2004) argumenta que a consolidação de uma estrutura de coordenação
é necessária para a consecução dos objetivos comuns e a recuperação de todo o
investimento feito na rede. Entretanto, o autor alerta que uma estrutura demasiado
imbricada pode criar inflexibilidades que prejudicaria
m o processo de inovação.
1.3 A coordenação de redes
Retomando Foss e Loasby (1998), o processo de coordenação está
ligado ao esforço progressivo de alinhamento dos atores envolvidos para a
execução de
uma
dada tarefa ou um dado projeto. Segundo Nooteboom (2004), é
um processo interativo e constante de negociação
versus flexibilização em função de
mudanças ambientais e comportamentais. É a necessidade de investimento na
relação.
25
A constituição de uma estrutura de coordenação está ligada à questão do
risc
o relacional, ou seja, aos fatores dificultadores do pleno desenvolvimento das
relações inter-empresas. O risco relacional,
conforme
Nooteboom (2004),
compreende o risco da perda de recursos, os riscos de
hold
-
up e
spill
-over
, além dos
riscos denominados sociais. No primeiro caso, temos a questão da apropriação
indevida de recursos por terceiros. No segundo (
hold
-up risk), temos o risco de que
parceiros usem de forma oportunista a dependência pela demanda dos seus
produtos. O risco de
spill
-over está relacionado ao risco de difusão e imitação de
conhecimento da empresa pelos seus competidores. Por fim, o risco social está na
exposição demasiada das fragilidades da empresa (de conhecimento, por exemplo)
que possam dificultar ou destruir futuras relações inter-empresas (NOOTEBOOM,
2004). O objetivo então é encontrar meios para coibir
ou
minimizar as chances de
risco relacional, de comportamento oportunista, constituindo-se uma estrutura de
coordenação que salvaguarde as relações inter
-
empresas.
O contrato configura o principal mecanismo de salvaguarda das
transações segundo a abordagem da Economia dos Custos de Transação
(MENARD, 2004). O contrato constitui um meio para garantir a existência de uma
relação de troca estável. Segundo Williamson (1985), os contratos são mecanismos
legais que criam homogeneidade (estabilidade) em um ambiente de incerteza. O
respeito ao contrato garante, de certa forma, que aconteça de fato o que se espera.
Nesse
sentido, o contrato, por considerar o acordo formal das partes, está na
essência da cooperação, considerada uma transação que certamente tem e causa
atritos para as empresas participantes (ZAWISLAK, 2004).
Os contratos podem viabilizar o processo de coordenação das redes em
vários aspectos. Neles podem ser especificados critérios para a seleção de novos
26
parceiros e amesmo o seu número máximo. Os contratos podem fixar o tempo de
duração da relação de cooperação, o que poderá gerar subsídios para a sua
continuidade, dada a possibilidade de testar a disposição e o comprometimento dos
parceiros.
Contratos bem elaborados, ao darem suporte técnico às relações de
cooperação,
restringem as oportunidades para o surgimento do comportamento
oportunista, quando os conflitos internos começam a minar essas relações
.
Entretanto, segundo Grandori e Soda (1995), a coordenação efetiva de redes de
empresas requer um complexo conjunto de instrumentos em função das
necessidades de ajustamento mútuo, coordenação do fluxo de informações e
resolução de problemas enfrentados pelo conjunto de agentes envolvidos nas redes.
Além da questão do monitoramento, os autores sugerem a composição de um
conjunto de instrumentos baseados na comunicação e no fortalecimento das
relações interpessoais.
Entram em cena os mecanismos relacionais para coordenação de redes
de empresas. Autores como Nooteboom et al. (2000), Nooteboom (2004) e Poppo e
Zenger (2002) defendem que os contratos e os mecanismos relacionais são
elementos que se complementam na sustentação e
na
coordenação das relações.
Na perspectiva dos autores, os contratos provêem uma estrutura de referência
técnica, que pode e deve ser complementada por outros mecanismos de
coordenação.
Parte
-se do pressuposto de que as redes constituem arranjos entre
empresas economicamente motivadas para a ação conjunta, que, no transcurso do
tempo, acabam por desenvolver mecanismos relacionais que contribuem para a
estabilização
desses
acordos e a adaptação das empresas (SAKO, 1992). Os
27
mecanismos relacionais estariam relacionados à qualidade dos vínculos e à
geração
de confi
ança
a partir do comprometimento dos agentes envolvidos na relação de
cooperação. Ou seja, a confiança é considerada aqui um produto da relação de
cooperação. A necessidade de se
adotarem
mecanismos contratuais de
coordenação está ligada, então, à operacionalização das relações de cooperação,
ou seja, ao aspecto técnico do seu funcionamento, à existência de parâmetros para
a ação.
Dentre os mecanismos relacionais de coordenação, destacam-se as
normas de conduta, as sanções coletivas e a reputação das empresas. Com relação
às normas de conduta, Jones, Hesterly e Borgatti (1997) abordam essa questão
referindo
-
se
à criação de um sistema de valores e premissas amplamente
compartilhados
dentro da rede de empresas. Os autores recomendam fomentar a
socialização entre os membros, por exemplo, aproveitando boletins ou eventos para
difundir normas e valores comuns. A criação de premissas, normas e valores
comuns pode
reduzir o risco de comportamento oportunista. Entretanto, conforme os
autores, a criação de uma cultura
macro pode demorar muitos anos.
Com relação às sanções coletivas, Jones, Hesterly e Borgatti (1997, p.
931)
esclarecem que estas envolvem membros do grupo punindo outros membros
que violam normas, valores e objetivos do grupo, passando de simples rumores a
a expulsão . São essas sanções que aumentam o custo do comportamento
oportunista e podem reduzir os custos de monitoramento dentro da rede. Por fim,
com relação à reputação, Jones, Hesterly e Borgatti (1997) e Nahapiet e Ghoshal
(1998) defendem que e
sse
elemento permite aumentar a confiabilidade das trocas
inter
-empresas. A reputação dos integrantes da rede se define ao longo do trabalho
conjunto, expondo quem possui habilidades ou conhecimentos que podem ser
28
aproveitados pelos demais. Além disso, a reputação define se um associado é
suficientemente fiel ou confiável para trocar informações e conduzir projetos em
conjunto. Segundo os autores, valores e premissas amplamente
compartilhados
e
o
mecanismo
da reputação dos associados se reforçam mutuamente
e,
em conjunto
,
são considerados propícios para reduzir os custos de coordenação, pois como
resultado podem minimizar as chances de comportamento oportunista dos agentes.
Conforme Sako (1992), as empresas podem aprender a trabalhar juntas e
desenvolver meios para minimizar as chances de comportamento oportunista no
interior das redes. Segundo Grandori e Soda (1995), é possível partir da premissa
de
que o processo de coordenação (tanto contratual quanto relacional) pode ser
acelerado por
elementos
de gestão, ligados também à aproximação, ao alinhamento
de objetivos e
à organização das atividades realizadas em conjunto.
Deve
-se trabalhar, também, na perspectiva da organização estratégica
das redes, para que os planos estratégicos possam ser devidamente formulados e
implantados, resultado de um processo de alinhamento de objetivos comuns. Ou
seja, deve-se trabalhar na perspectiva de uma maior visão estratégica dos ganhos
que podem ser acessados pelas empresas.
Parte
-se do pressuposto de que a falta
de informações ou de visão dos empresários sobre os acordos de cooperação
sua
dinâmica, seus benefícios e seus parceiros potenciais
constitui um fator dificultador
à ação conjunta (HANNA
;
WALSH, 2002).
Sendo assim, os
elementos
de gestão de redes se fazem necessár
ios
uma vez que a organização administrativa e o planejamento das redes de empresas
são fundamentais para o seu êxito. A fim de
se
manter a relação de cooperação no
longo prazo, comunicação sistemática, negociações e decisões devem acontecer.
Ou seja, os e
lementos
de gestão das redes guardam estreita ligação com a questão
29
da coordenação das redes,
vista
anteriormente. A premissa é que
elementos
de
gestão possam viabilizar a ação em redes de empresas, promovendo o processo de
coordenação pela aproximação,
pe
lo
alinhamento e
pela
gestão dos atores
envolvidos
(GRANDORI
; SODA, 1995; DOZ, 1996; GRANDORI, 1997;
JONES
;
HESTERLY
; BORGATTI, 1997; HUMAN; PROVAN, 1997; GULATI, 1998; KOGUT,
2000; AHUJA, 2000; RITTER
;
GEMÜNDEN, 2003).
1.4 Considerações finais
Este capítulo teve como propósito inicial entender o porquê de as
empresas constituírem acordos de cooperação e formarem redes. Tais acordos
estão fundamentados na necessidade de complementar competências para a
execução de determinadas atividades. A partir da formação da rede, que se
compor e estabilizar uma estrutura de coordenação que permita o trabalho conjunto:
a realização da complementaridade de competências, o aprendizado coletivo e a
geração de novas competências para a consecução dos objetivos estratégicos que
motivaram o acordo.
Como foi dito anteriormente, dado o processo de adaptação que as redes
atravessam ao longo do tempo, algumas podem aprofundar a relação de
cooperação e evoluir nas atividades realizadas conjuntamente. Outras podem
percorrer caminhos distintos e encerrar as operações conjuntas em um dado
momento.
Na hipótese de evolução da rede, a partir da sua formação e
da
composição da estrutura de coordenação, deve-se considerar a expansão da rede
30
no sentido de realizar novas atividades em conjunto: aqui, insere-se a atividade de
inovação
em redes. Dado o valor estratégico da inovação, bem como os custos e
riscos associados, a realização
dessa
atividade em rede está atrelada à constituição
de uma estrutura de coordenação e gestão voltada para
a inovação.
Portanto, no próximo capítulo será discutida especificamente a atividade
de inovação em rede: o que é próprio a essa atividade e deve ser considerado para
operacionalizar o processo de gestão de projetos em conjunto.
31
2 A ATIVIDADE DE INOVAÇÃ
O EM REDE
2.1 Introdução
O objetivo deste capítulo é discutir a atividade de inovação em redes de
empresas. A discussão será iniciada pelos fatores motivadores
dessa
atividade. A
partir da compreensão desses fatores, observa-se a necessidade de estrutu
ração
dos fluxos de informação estabelecidos em rede. Aqui se insere a gestão de projetos
em redes de empresas.
2.2 Fatores motivadores da atividade de inovação em rede
A importância da atividade de inovação para as empresas é um fato
irrefutável e podemos perceber que a literatura sobre o tema traz uma ampla gama
de exemplos de inovações que demandaram algum tipo de arranjo cooperativo.
No trabalho de Freeman (1991) podemos encontrar um histórico de
relações interorganizacionais para pesquisa e desenvolvimento que remonta à
década de
1930
. Um dos projetos citados pelo autor reuniu, nessa época, cinco
grandes empresas norte-americanas da indústria petroquímica e dois grandes
clientes para o desenvolvimento de um processo de craqueamento catalítico em lei
to
fluído (para o desdobramento de petróleo), gerando a participação conjunta em
patentes e a transferência de tecnologia entre os atores envolvidos.
32
Outro exemplo mencionado é o Programa Americano para Pesquisa de
Borracha Sintética, na esteira do desenvolvimento da indústria automotiva norte-
americana nessa mesma época. O autor relata que durante a Segunda Guerra
Mundial, e também no período da Guerra Fria, foram inúmeros os casos de pesquisa
e desenvolvimento conjuntos nas áreas de segurança e telecomun
icações
1
,
liderados por programas de
governo
(nos Estados Unidos e na Inglaterra, por
exemplo), reunindo empresas, universidades e centros de pesquisa. O autor
cita
outros projetos conduzidos de forma cooperativa, ainda que não apoiados por
iniciativas governamentais, que
configuraram
arranjos transitórios ou acordos
informais.
Freeman (1991) previa para o início da década de
1990
uma explosão
no número de arranjos interorganizacionais em função do desenvolvimento das
novas tecnologias genéricas (p. 504): a tecnologia de materiais, as tecnologias de
informação e comunicação e a biotecnologia. Segundo o autor, a formação de
acordos interorganizacionais estaria mediada já pela possibilidade de agregação
dessas tecnologias genéricas e
de
inovação em produtos
diversos.
Tanto essa previsão estava correta que hoje existem carros que incluem
hardwares e softwares para controle e monitoramento de sistemas como motor,
transmissão, freios, suspensão; a biotecnologia, por meio da manipulação genética
de plantas, por exemplo, está presente na indústria de alimentos, de papel e
celulose, de madeira e química. Segundo Langlois e Robertson (1995),
essas
tecnologias genéricas podem, inclusive, promover a renovação de produtos
considerados maduros e ampliar consideravelmen
te os seus ciclos de vida.
1
Utilizam
-
se aqui as expressões traduzidas do autor.
33
Em um estudo posterior, realizado por Hagedoorn (2002), foram
analisados acordos de cooperação formados a partir do início da década de
1960
,
na tríade Estados Unidos, Europa e Ásia, para pesquisa e desenvolvimento em
conjunto. O autor
ressalta
o aumento do volume de parcerias ao longo dos anos,
bastante expressivo a partir da década de
1980
(de aproximadamente
200
acordos
firmados até aquele momento, o número salta para quase
700
em meados na
década de
1990
). Esse aumento é atribuído às mudanças tecnológicas (como visto
anteriormente), ao aumento dos custos da atividade de pesquisa e desenvolvimento
de projetos e à compressão do ciclo de vida dos produtos (cada vez mais
sucessivos), aumentando consideravelmente os riscos associados à atividade de
pesquisa e desenvolvimento de projetos autônomos.
Ainda segundo Hagedoorn (2002), no início dos anos
1960
, praticamente
100% dos acordos de cooperação para pesquisa e desenvolvimento de produto na
tríade eram do tipo joint ventures. A partir de meados da década de
1970
, as
joint
ventures
começaram
a perder espaço para as alianças estratégicas,
operacionalizadas por contratos, que eram considerados mais flexíveis do que os
acordos baseados em direitos de propriedade. No final da década de
19
90
, as
joint
ventures
representavam menos de 10% do total dos acordos de cooperação. O
autor argumenta que
essa
preferência está relacionada
com
as mudanças
tecnológicas que provocaram não um aumento no número de acordos de
cooperação, mas também uma
mo
dificação
nos mecanismos de coordenação das
relações de cooperação, partindo-se para aqueles que pudessem acompanhar a
dinâmica do processo de inovação.
Da mesma forma, segundo Tidd, Bessant e Pavitt (2005), as razões que
levam as empresas a estabelecerem alguma relação de cooperação para inovação
34
estão ligadas ao volume de informações necessárias, à redução do tempo de
desenvolvimento
e de comercialização de novos produtos e ao aumento dos custos
e, conseqüentemente, dos riscos do desenvolvimento tecnológi
co e de mercado
.
Trabalhos como os de Freeman (1991), Hagedoorn (2002) e Tidd,
Bessant e Pavitt (2005) endossam a necessidade de se analisar a dinâmica da
atividade de inovação na perspectiva das redes. E, para iniciar
essa
análise, faz-
se
necessário precisar o que deve ser considerado essencial na atividade de inovação
em rede.
Nooteboom (2004) trabalha com a noção de acesso a novos processos
de cognição por meio das redes de empresas. Para tanto, o autor retoma as
proposições da Teoria da Dependência de Recursos e da Teoria Evolucionária a
respeito das competências acumulativas e específicas às empresas, depositadas
nas mãos, nas mentes, nos times, na estrutura organizacional, nos procedimentos e
na cultura das empresas. As pessoas e a empresa, como um todo, interpretam os
problemas a serem resolvidos de acordo com categorias que desenvolvem ao longo
do tempo. Como resultado, tem-se que o processo de cognição também é
acumulativo, único e dependente da trajetória.
Na empresa, a tarefa do empreendedor consiste em coordenar os
recursos organizacionais da empresa na consecução de determinado objetivo ou
tarefa.
Conforme
Nooteboom (2004), o problema é que o foco em uma única direção
pode levar o grupo a subestimar riscos, ameaças relacionadas à solução em curso
,
bem como oportunidades, novas idéias que acabam passando ao largo. É aqui,
segundo o autor, que entram os recursos externos e complementares de cognição
que podem ser acessados e integrados por meio das redes de empresas, recursos
35
estes extremamente relevantes para o processo de obtenção do conhecimento
novo, da inovação.
Sendo assim, a motivação para a formação de redes interorganizacionais
de inovação está na constatação de que as competências (desdobradas em
conhecimentos, experiências e habilidades) necessárias à inovação
podem
estar
além dos limites da empresa individual.
Além disso
, a formação desses arranjos está
apoiada principalmente na questão da novidade: na busca pela nova informação,
pelo conhecimento novo capaz de renovar produtos e processos e gerar um valor
novo.
Ou seja, alinhado ao que foi discutido no primeiro capítulo sobre a origem
das redes, considera-se essencial na dinâmica das redes de inovação não a
complementaridade de competências, mas, fundamentalmente, o acesso à
informação
e o aprendizado coletivo: a geração de novos conhecimentos a partir da
integração de distintos recursos de cognição. As empresas que cooperam em redes
de inovação são empresas diferentes, que percorreram trajetórias distintas e que
podem integrar seus recursos na busca pela inovação (HARRIS
;
COLES
;
DICKSON,
2000; GEISLER, 2001; BOUGRAIN; HAUDEVILLE, 2002; PYKA, 2002;
CHESBROUGH, 2003 e 2004;
HILLEBRAND
; BIEMANS, 2004; NOOTEBOOM,
2004; GAY; DOUSSET, 2005; GILSING; NOOTEBOOM, 2005; SALMAN; SAIVES,
2005; WOOD
SIDE
; BIEMANS, 2005; PERKS; JEFFERY, 2006). Parafraseando
Schumpeter (1982), buscam-se novas combinações das matérias e forças que
estão ao nosso alcance (p. 48), busca
esta
potencializada nas redes em função d
a
heterogeneidade de recursos a
que se tem a
cesso.
Vale ressaltar que, na abordagem de desenvolvimento integrado de
produtos, as relações externas da empresa com clientes e fornecedores são
36
estimuladas (CLARK; FUJIMOTO, 1991; BIDAULT; DESPRES; BUTLER, 1998;
CHUNG
; KIM, 2003; MIKKOLA, 2003; BOYLE; KU
MAR
; KUMAR, 2006). Nos ciclos
de resolução de problemas, a integração com clientes e fornecedores pode ampliar
as possibilidades para a inovação de produtos e processos, contribuir para a
redução da complexidade dos projetos e prevenir o time quanto a problemas futuros
(por exemplo,
sobre materiais, integração de sistemas, produção, pós
-
vendas).
Portanto, torna-se evidente a necessidade de se estabelecerem relações
inter
-empresas e, por meio destas, lidar com o volume de informações necessárias,
complement
ar competências e viabilizar o processo de construção do conhecimento
novo que perpassa a atividade de inovação (CHESBROUGH, 2003 e 2004;
BERKHOUT et al., 2006; GASSMANN, 2006). Conforme apresentado na discussão
a respeito da coordenação de redes no primeiro capítulo, as redes necessitam de
elementos
que viabilizem a sua
operacionalização
. Em se tratando da atividade de
inovação em rede, a coordenação está ligada à estruturação dos fluxos de
informação, tema que será discutido a seguir.
2
.3
A estruturação
dos fluxos de informação
Na literatura sobre a atividade de inovação em redes, os fluxos de
informação estabelecidos entre as empresas podem ser diferenciados
qualitativamente a partir do conteúdo informacional: as ligações fortes e fracas.
Na base
dessa
diferenciação está o trabalho de Granovetter (1973). Em
The Strength of Weak Ties, o autor defende a tese de que as ligações fracas
estabelecidas com atores distantes, por vezes ocasionais, possibilitam a abertura de
37
canais de comunicação de uma rede de atores organizacionais com outras redes,
estabelecendo pontes entre redes. Segundo o autor, as ligações fortes
estabelecidas dentro de uma mesma rede pressupõem a sua repetição contínua ao
longo do tempo e, conseqüentemente, o fortalecimento das ligações internas. O
problema,
conforme
o autor, é que a consolidação das ligações fortes levaria
também à cristalização do seu estoque de informações e conhecimento. Assim, as
ligações fracas desempenham o papel de renovar as informações que circulam
dentro de um mesmo grupo social com novas informações trazidas do ambiente
externo, oxigenando e ampliando o estoque de informações dos participantes da
rede.
De acordo com Ahuja (2000), em uma rede de empresas, as ligações
fortes são estabelecidas entre empresas que efetivamente trabalham juntas, que
possuem um maior nível de imbricamento e de cooperação. as ligações fracas
seriam estabelecidas até mesmo a partir das ligações fortes; ou seja, as empresas
podem estabelecer fluxos indiretos de informação com outras empresas por meio
dos seus parceiros diretos. De forma geral, é possível caracterizar as ligações fracas
como as ligações estabelecidas ocasionalmente entre organizações. Segundo
Salman e Saives (2005), a importância das ligações fracas está na possibilidade de
informações
-
chave serem monitoradas e mapeadas
.
Assim, na base da diferenciação qualitativa dos fluxos de informação está
o nível de imbricamento entre as empresas. Por meio das ligações fortes, as
empresas podem compartilhar conhecimento tácito, experiências, habilidades, dado
o nível de integração entre elas. Nas ligações fortes preponderam questões como
identidade comum, abertura, facilidade de comunicação e a freqüência com que se
estabelecem as relações de troca e compartilhamento de conhecimento. Por sua
38
vez,
por meio das ligações fracas as empresas trocariam informações com parceiros
ocasionais, oxigenando o estoque de informações da rede (AHUJA, 2000;
CONTRACTOR
; RA, 2002; GIBBONS, 2004;
DAHL
; PEDERSEN, 2005; GAY;
DOUSSET 2005; SALMAN; SAIVES, 2005; GILSING; NOOTEBOOM, 2005;
SORENSON
;
RIVKIN
;
FLEMING
, 2006).
Segundo Tushman e Nadler (1978), as organizações em geral podem ser
definidas como sistemas sociais abertos que precisam lidar com a necessidade de
informação, de origem
tanto
interna como externa. Para captar as informações
de
que necessitam do ambiente externo, as organizações desenvolvem
elementos
capazes de mapear e monitorar informações relevantes. Internamente, as
organizações podem ser decompostas em subgrupos ou departamentos, aos
quais
os autores se referem como unidades de trabalho. As unidades de trabalho devem
ser estruturadas de forma a
poderem
lidar com os problemas de execução e de
coordenação de tarefas, associados aos diferentes tipos de tarefas e à
interdependência entre as diversas tarefas realizadas em uma organização. Os
autores consideram que as unidades de trabalho de uma organização são
interdependentes em vários níveis e suas atividades devem ser conectadas.
Conforme
Tushman e Nadler (1978), uma tarefa crítica para
qualquer
organização consiste em reunir, interpretar e transmitir toda a informação
relacionada ao seu funcionamento, aos produtos apresentados e
às
condições
externas de mercado e de tecnologia. Para tanto, as organizações devem
desenvolver
elementos
para o processamento de informações. A partir dessa
conclusão, os autores definem as organizações como sistemas de processamento
de informações. Sendo assim, as organizações devem criar uma configuração tal de
unidades de trabalho, bem como de ligações entre as mesmas, que facilite o efetivo
39
processamento de informações: a coleta de toda a informação relevante, a sua
utilização em tempo hábil e a sua transmissão sem distorções.
Em outras palavras, é função primordial das organizações
estruturar
os
fluxos de informação de forma a viabilizar a troca de informações com o ambiente
externo, bem como de forma a permitir o efetivo processamento de informações
dentro das unidades de trabalho
que as compõem
e entre
essas
unidades.
Em se tratando da atividade de inovação em rede, segundo Harris, Coles
e Dickson (2000), Bougrain e Haudeville (2002) e Salman e Saives (2005), a
estrutura interna de pesquisa e desenvolvimento da empresa tem impacto
fundamental na absorção de informação externa e na estruturação do processo d
e
inovação.
Conforme
os autores, sem que as empresas desenvolvam antes
estruturas específicas à atividade de inovação é improvável que elas possam se
valer das informações
às
quais
têm
acesso em rede.
Na rede, por sua vez, a ausência de um elemento estruturante pode
tornar improvável que o processo de inovação como um todo avance da troca de
informações para um processo coletivo de geração de novos produtos e processos.
Parte
-se da proposição
de
que, uma vez formada a rede, que se estruturar um
processo
de gestão de projetos em conjunto que permita a consecução de todas as
tarefas que um projeto de inovação gera. Ainda, parte-se também da proposição
de
que uma estrutura de gestão de projetos
pode
estimular a atividade de inovação em
rede.
Ou seja, aqui se abre um caminho para a gestão de projetos em rede
como o
elemento
estruturante dos fluxos de informação, permitindo que projetos de
inovação sejam
executados
. Em outras palavras, as ligações entre as empresas se
dão em função da própria necessidade de informação, mas falta um elemento
40
estruturante que aprofunde os fluxos de informação e viabilize o processo conjunto
de inovação
; esse elemento seria a gestão de projetos.
2.
4
A organização por projetos
Segundo o PMI (2000), um projeto é uma organização temporária, sujeita a
restrições de recursos, tempo e custo, que visa
a
atingir um objetivo específico. Via de
regra, para a consecução das atividades de um projeto, faz-se necessário um
conjunto de ferramentas de gestão que possibilitem aumentar o desempenho do
processo
por meio da geração e do compartilhamento de todas as informações
necessárias. Ou seja, aborda-se a gestão de projetos em sua dimensão
informacional, a partir do processamento de informações, com base na literatura de
desenvolvimento de produt
o (BROWN
;
EISENHARDT, 1995).
Na literatura sobre desenvolvimento de produto, a abordagem do
processamento de informações ganhou espaço com o trabalho de Clark e Fujimoto
(1991). A partir do trabalho dos autores, elementos de gestão como times, líderes de
projeto e engenharia simultânea vêm sendo discutidos e implementados, visando a
aprimorar a comunicação e a integração funcional para a condução de projetos de
inovação. Esses elementos têm por objetivo propor um processo de
desenvolvimento integrado que possa reduzir o tempo de execução, o risco de
retrabalho e os custos dos projetos.
Conforme Gerwin e Barrowman (2002), Milson e Wilemon (2002) e
Rozenfeld et al
.
(2006), as abordagens do desenvolvimento integrado de produtos
surgem no início da década de
199
0, propondo uma evolução do modelo seqüencial
41
de organização de projetos. Segundo os autores, o desenvolvimento integrado
resultou
em
um salto significativo na produtividade dos projetos em geral, na
qualidade dos produtos e na velocidade de desenvolvimento. A partir dessa
abordagem, a atividade de gestão de projetos passa a ser vista como um processo a
ser
executado por times e líderes de projeto: é a noção de integração funcional. A
integração funcional foi definida pelos autores Song, Montoya-Weiss e Sch
midt
(1997) como a interdependência no compartilhamento de informações entre todas as
áreas funcionais envolvidas no processo de gestão de um projeto. É o que pode ser
observado na figura 1:
Figura
1
A integração funcional
Segundo os autores, as principais conseqüências da integração funcional,
durante os ciclos de resolução de problemas, são as informações e o conhecimento
gerado e compartilhado buscando, fundamentalmente, otimizar o processo e reduzir
o retrabalho. Sendo assim, a formação de times multifuncionais e a introdução dos
líderes de projeto têm o objetivo de coordenar a transmissão de informações e
conhecimentos entre os diferentes profissionais envolvidos nos projetos.
P&D
MANUFATURA
FINANÇAS
MARKETING
Fluxo de informações
42
Para compreender a dinâmica do processo de
integração
funcional, Clark
e Fujimoto (1991) propõem cinco dimensões para a análise das principais diferenças
entre o desenvolvimento integrado e o desenvolvimento seqüencial, conforme a
figura
2:
Figura
2
Dimensões da
integração funcional na empresa
Fonte:
Adaptada
de Clark e Fujimoto (1991)
Na figura 2 observa-se que, das cinco dimensões da natureza da
integração funcional, três tratam do fluxo de informações e uma trata dos meios de
comunicação, que viabilizam a transmissão das informações. A progressiva
integração de todos os segmentos do projeto dá-se pelo compartilhamento de
informações (fluxo bilateral) e pelo aumento da freqüência na transferência de
informações desde o início das atividades de desenvolvimento. Juntas, essas
dimensões da integração funcional viabilizam o efetivo desenvolvimento integrado
dos projetos.
INTEGRAÇÃO
Desenvolvimento
seqüencial
(organização em série)
Burocracia e uso
excessivo de
comunicação
eletrônica
Blocos de
informação
Unilateral
Liberação somente
de informações
completas
Liberação de
informações
preliminares desde
o início
Bilateral (feedback)
Informação
contínua
Contato direto
(face a face)
Desenvolvimento
integrado
(simultaneidade e integração)
Timing do fluxo de informação
Direção do fluxo de informação
Freqüência de transmissão
Meios de comunicação
Organização das etapas
-
+
INTEGRAÇÃO
Desenvolvimento
seqüencial
(organização em série)
Burocracia e uso
excessivo de
comunicação
eletrônica
Blocos de
informação
Unilateral
Liberação somente
de informações
completas
Liberação de
informações
preliminares desde
o início
Bilateral (feedback)
Informação
contínua
Contato direto
(face a face)
Desenvolvimento
integrado
(simultaneidade e integração)
Timing do fluxo de informação
Direção do fluxo de informação
Freqüência de transmissão
Meios de comunicação
Organização das etapas
Desenvolvimento
seqüencial
(organização em série)
Burocracia e uso
excessivo de
comunicação
eletrônica
Blocos de
informação
Unilateral
Liberação somente
de informações
completas
Liberação de
informações
preliminares desde
o início
Bilateral (feedback)
Informação
contínua
Contato direto
(face a face)
Desenvolvimento
integrado
(simultaneidade e integração)
Timing do fluxo de informação
Direção do fluxo de informação
Freqüência de transmissão
Meios de comunicação
Organização das etapas
-
+
43
O fluxo de informações bilateral possibilita que as informações a respeito
do projeto sejam
não
apenas transmitidas, mas compartilhadas e discutidas. Dessa
forma, as etapas do processo de desenvolvimento podem se ajustar mutuamente,
pois informações relevantes, por exemplo, a respeito da produção, podem ser
levadas em consideração durante a concepção do conceito do produto.
Assim,
com
o desenrolar do processo de desenvolvimento, todos os segmentos do projeto
são discutidos simultaneamente. Como resultado, a contínua integração dos
sucessivos ciclos de resolução de problemas ao longo de todo o processo aumenta
o fluxo de informações e, conseqüentemen
te, o conhecimento de todos a respeito do
que está sendo desenvolvido.
Segundo
Leenders, Engelen e Kratzer (2003) e Hillebrand e Biemans
(2004), esse tipo de fluxo de informações requer meios de comunicação que
proporcionem a aproximação e o maior envolvimento de todos os
participantes
. Para
tanto, são recomendadas as reuniões periódicas dos times de projetos e o estímulo
ao desenvolvimento de redes de relacionamento interpessoal. De acordo com os
autores,
esses
meios (quase práticas) de comunicação proporcionam o
compartilhamento do conhecimento não codificado (tácito) entre os profissionais.
Os autores também dão ênfase ao conhecimento que pode
ser explicitado
e armazenado e que, para tanto, faz uso do suporte dos sistemas de informação
baseados em computador e na
internet
. Trata-se do conhecimento que pode ser
explicitado
por meio da linguagem codificada e armazenado em manuais,
memorandos,
e-
mail
s e portais para ser transmitido aos demais.
Sendo assim,
pode
-
se
afirmar que o processo de desenvolvimento
integrado de produtos visa
a
organizar essa atividade de tal forma que a empresa
possa coordenar o processamento da informação e a construção de novos
44
conhecimentos, tangibilizados nos novos produtos. Para tanto, a empresa deve
compor seus times de projetos
, escolher líderes e adotar meios de comunicação que
viabilizem o efetivo processamento de informações durante o processo.
Pode
-se dizer que o processo de desenvolvimento integrado visa à
estruturação de verdadeiras redes internas à empresa, compostas por
especialistas
vindos de distintas áreas funcionais. Em uma rede de empresas, por sua vez, a
questão que se coloca é quanto à geração e ao compartilhamento de informações
inter
-
empresas. É possível afirmar que as questões relacionadas ao estabelecimento
dos
fluxos de informação, que orientam a organização do processo de gestão de
projetos na empresa,
tornam
-
se
mais complexas com a necessidade de coordenar
esse processo em uma rede.
2.
5
A organização por projetos em rede
Gerwin (2004) traz uma visão mais ampla sobre a coordenação de um
projeto inter-empresas e seus elementos de gestão, que pode contribuir para o
entendimento do processo de integração das empresas. Segundo o autor, a
coordenação desses projetos está relacionada ao grau de interdependência ent
re as
tarefas do projeto e entre as empresas envolvidas. Aliada à interdependência, o
autor considera a incerteza associada à posse de todas as informações sobre as
características do produto a ser desenvolvido. Ao longo da análise do processo de
coordenaç
ão, o autor posiciona elementos de gestão que podem ser utilizados.
Gerwin (2004) também adota a visão do processamento de informações
para teorizar sobre a coordenação de projetos desenvolvidos em conjunto. A partir
45
da análise das tarefas de um projeto, o autor propõe que quanto maior a
interdependência entre as empresas e a incerteza atrelada ao projeto, maior a
necessidade de coordenação. A habilidade para coordenar, segundo o autor, está
relacionada aos elementos de gestão que as empresas possuem para t
al. O autor se
baseia no trabalho de Clark e Fujimoto (1991) e relaciona dois desses elementos.
Primeiro
, o desenvolvimento de uma rede de transmissão de informações por meio
da formação de times de projeto. Segundo, a coordenação dessa rede de
transmissão
de informações exercida pelo líder de projeto.
O trabalho de Gerwin (2004) vem ao encontro do trabalho de Tushman e
Nadler (1978). Os autores propõem que
elementos
de controle e coordenação da
transmissão de informações estão diretamente ligados à necessidade de informação
ao longo de um projeto. Para tanto, os autores diferenciam uma estrutura orgânica
de coordenação de uma estrutura mecânica. A estrutura orgânica é aquela que
apresenta a maior capacidade de processamento de informações.
Segundo Tushman e Nadler (1978), uma estrutura orgânica de
coordenação corresponde ao que os autores definiram
como
redes de comunicação
fortemente conectadas (p. 618). Nestas, a possibilidade de resolução de problemas
é maior dadas as oportunidades de discussão, troca de idéias e correção de erros.
Trata
-
se
de um tipo de estrutura de coordenação baseada mais no desenvolvimento
de relações laterais do que em hierarquia.
Conforme
os autores, redes fortemente
conectadas tendem a ser associadas à comunicação informal, à menor atenção
dada
a regras ou procedimentos de trabalho e ao maior envolvimento dos seus
atores no processo de tomada de decisão.
Os autores observam que uma estrutura de coordenação orgânica pode
ser caracterizada como uma estrutura complexa.
Eles
analisam um leque de
46
elementos
de coordenação que variam desde as regras e procedimentos de
trabalho, os sistemas de planejamento e controle e o planejamento conjunto até as
unidades específicas de coordenação como os times de projeto. Estes últimos são
considerados
pelos autores como os
elementos
mais complexos. Isso equivale
a
dizer que a estrutura de coordenação orgânica demanda um maior investimento de
tempo e de recursos na sua construção.
No que tange à organização dos projetos, Gerwin e Ferris (2004)
apresenta
m duas possíveis combinações dos elementos de gestão. Primeiro, os
Projetos Modulares, nos quais a maioria das tarefas de projeto
seria executada
pelas
empresas separadamente. Segundo, os Projetos Integrados, com a formação de
times inter-empresas e a escolha de um líder de projetos para coordenação
direta
dos projetos.
A primeira opção, dos projetos modulares, é a que resultaria no menor
custo de transação, dado o menor grau de interdependência entre as empresas em
função da modularidade do projeto. No entanto, é possível fazer uma ressalva com
relação aos projetos modulares levando-se em consideração o trabalho de Mikkola
(2003). A autora relata o processo de desenvolvimento de um produto, um
controlador para o limpador de pára-brisa, que foi possível quando todas as
empresas envolvidas no projeto de desenvolvimento do produto estabeleceram um
canal amplo de troca de informações e conhecimentos. Apesar de se tratar
inicialmente de um produto modular, o primeiro protótipo do controlador
desenvolvido de f
orma totalmente independente simplesmente não funcionava.
A segunda opção sugerida por Gerwin e Ferris (2004)
refere
-se aos
projetos integrados.
Nesse
caso, times de projeto inter-
empresas
devem
ser
formados por membros oriundos das empresas participantes. A possibilidade de
47
trabalho conjunto dos times evidencia a estabilidade da rede, sendo condição
essencial para a constituição de práticas de integração e aprendizagem coletiva. Ou
seja, os times e líderes de projetos podem ser
estrutura
dos à medida que as
relações de cooperação sejam aprofundadas.
Segundo os autores, a partir do momento
em
que as empresas iniciam
uma relação de cooperação e começam a desenvolver meios para operacionalizá
-
la,
iniciam um processo de aprendizado e adaptação que pode evoluir ao longo do
tempo. Na mesma linha, Garrette, Castañer e Dussauge (2004) verificaram que
quanto maior for a experiência das empresas na coordenação de acordos de
cooperação, maior é a probabilidade de que novos projetos sejam desenvolvidos em
conjunto.
Ou seja, o processo de aprendizagem coletiva pode viabilizar não a
geração de novas competências, mas também uma mudança nos modelos de
organização de projetos inter-empresas e nos seus elementos de gestão, partindo-
se para aqueles relacionados a uma estrutura de coordenação orgânica, de maior
capacidade de processamento de informações (DOZ, 1996; BRESNEN;
MARSHALL, 2002; FRASER; FARRUKH; GREGORY, 2003; GOFFIN; MITCHELL,
2005; BARNES; PASHBY; GIBBONS, 2006). Sendo assim, propõe-
se
uma
ampliação das dimensões da integração funcional na empresa (figura 2) para
se
discutir a integração das empresas em rede (figura 3), baseada no processo de
aprendizagem coletiva das empresas a respeito da própria relação de cooperação
:
48
Figura
3
Dimensões da integração das empresas em rede
O modelo de análise da figura 3 explicita a visão a respeito da dinâmica
de gestão de projetos quando se
trata
de redes de empresas. Aqui, retomam-se as
proposições de Ahuja (2002), Nooteboom (2004) e Gilsing e Nooteboom (2005),
entre outros,
acerca
das ligações que podem ser estabelecidas nas redes de
empresas. Nestas são estabelecidos fluxos de informação multilaterais, dado o
número de atores envolvidos. É proposta, assim, uma visão dinâmica de fluxos
de
informação multilaterais, estabelecidos
por meio
das ligações fortes e fracas entre as
empresas.
Faz
-se necessário que, uma vez em rede, as ligações estabelecidas entre
as empresas possibilitem a transmissão contínua de informações e conhecimentos.
A freqüência de transmissão está ligada à qualidade dos vínculos estabelecidos e
aos meios de comunicação adotados pelas empresas. Propondo-se o
Em redes de
empresas
Liberação de
informações
preliminares desde
o início
Bilateral (feedback)
Informação
contínua
Contato direto
(face a face)
Desenvolvimento
integrado
(simultaneidade e integração)
Na empresa
Ajustar o timing
das empresas
Multilateral
Informação
contínua
Comunicação
aberta e freqüente
Integração de redes
internas
Timing do fluxo de informação
Direção do fluxo de informação
Freqüência de transmissão
Comunicação
Organização do processo
Em redes de
empresas
Liberação de
informações
preliminares desde
o início
Bilateral (feedback)
Informação
contínua
Contato direto
(face a face)
Desenvolvimento
integrado
(simultaneidade e integração)
Na empresa
Ajustar o timing
das empresas
Multilateral
Informação
contínua
Comunicação
aberta e freqüente
Integração de redes
internas
Timing do fluxo de informação
Direção do fluxo de informação
Freqüência de transmissão
Comunicação
Organização do processo
49
desenvolvimento integrado em redes de empresas,
exige
-
se
que essa transmissão
contínua se estabeleça e libere informações e conhecimentos desde o início do
projeto. O objetivo é ajustar o
timing
dos fluxos de informações das empresas,
fortalecendo o fluxo de informações ao longo dos projetos em desenvolvimento.
2.6
Considerações finais
Este capítulo teve como propósito inicial entender o porquê da atividade
de inovação em rede. A partir dessa compreensão, torna-se evidente a necessidade
de estruturação dos fluxos de informação para que essa informação seja coletada,
compartilhada e transmitida. Parte-se do princípi
o
de
que a gestão de projetos
pode
viabilizar a utilização das informações
a
que as empresas têm acesso na rede para a
consecução de objetivos comuns. E, uma vez explicitado o processo de integração
das empresas em rede, faz-se necessário explorar os elementos de gestão de
projetos que o viabilizam.
50
3 A DINÂMICA DE GESTÃO DE PROJETOS EM REDE
3.1 Introdução
O objetivo deste capítulo é discutir a dinâmica de gestão de projetos em
redes de empresas. Como visto no capítulo anterior, os fluxos de informação
estabelecidos na rede devem ser estruturados para que projetos possam ser
executados em conjunto.
Para tanto, elementos de gestão de projetos devem ser adotados visando
à coordenação e
à
conectividade,
o que garante o
efetiv
o
processamento de
informações
na rede.
Parte
-se do princípio de que a coordenação das empresas e
a
conexão da rede como um todo permitem a realização da complementaridade de
competências na rede
.
3.2
Coordenação
A predisposição à coordenação está relacionada ao consenso entre os
ato
res em alinhar seus esforços na execução do projeto e no estabelecimento dos
fluxos de informação. Os obstáculos residem nas diferenças organizacionais, bem
como no risco de os atores se apropriarem indevidamente de informações,
incorrendo no comportamento oportunista. Obviamente, quanto maior for o risco
relacional percebido pelos atores, menor
será
a predisposição
destes
à execução de
51
projetos em conjunto. Isso explica a variação tanto da habilidade para coordenar
(quanto mais elementos de gestão for possível utilizar) quanto da predisposição (em
que grau as empresas estão suscetíveis à coordenação).
É possível perceber que a habilidade e a predisposição para coordenação
estão diretamente relacionadas.
Uma
menor predisposição dos atores sinaliza o
pouco espaço para a adoção de elementos que viabilizem o trabalho conjunto.
Pode
-se dizer que quanto maior for o risco relacional percebido pelos parceiros,
menores
serão
as chances de que times sejam formados, assim como as de que
possam ser estabelecidos os fluxos de informação. Igualmente menores serão as
chances
de as empresas concordarem quanto à coordenação e
à
adoção de regras
e procedimentos comuns para a gestão de projetos.
Especificamente com relação à coordenação, Gerwin e Ferris (2004)
alertam quanto à possível dificuldade de se escolher um líder de projeto. Os
autores discutem os custos de transação envolvidos na negociação entre as
empresas para a escolha do líder de projeto e dos elementos para salvaguardar a
relação de cooperação de ações oportunist
as do líder em prol da sua empresa.
No entanto, retomando a questão da aprendizagem, à medida que as
empresas executam projetos em conjunto, elas podem aprender
acerca
da própria
dinâmica do trabalho conjunto. Foi visto no
primeiro
capítulo que, à medida
que
evoluem, as redes de empresas atravessam processos de adaptação que podem
proporcionar uma melhor acomodação entre as empresas. Ou seja, mesmo que em
um primeiro projeto as empresas tenham encontrado maior dificuldade na definição
de elementos de gestão de projetos, essas dificuldades podem ser vencidas nos
próximos projetos à medida que as empresas
aprendem
a trabalhar juntas (DOZ,
1996).
52
A questão da
coordenação
dos projetos conduzidos por redes de
empresas
leva
à adoção de um líder para coordenar
dir
etamente
os
distintos atores
organizacionais
na execução dos projetos em conjunto
.
A função do líder de projeto
reside, fundamentalmente, na integração das empresas e
dos
grupos de empresas
envolvidos
na rede, na promoção da comunicação entre os especialis
tas
oriundos
dessas
empresas e na coordenação do processo de tomada de decisão
.
O trabalho de coordenação do líder de projeto, no sentido tanto de
recomposição da base de conhecimentos necessários à gestão de um projeto,
quanto
de
alinhamento
dos
objetivos entre os atores envolvidos, perpassa a
resolução de conflitos, a condução do time mantendo o foco no projeto (nas suas
especificações e restrições de tempo e custo) e a facilitação do processo de
comunicação e integração entre
as empresas envolvidas
.
O
líder deve ser capaz de argumentar e avaliar as decisões tomadas ao
longo do processo de desenvolvimento, construindo uma visão clara do produto.
Segundo Clark e Fujimoto (1991) e Sobek II, Ward e Liker (1999), o líder não deve
centralizar totalmente essas decisões, mas tem a responsabilidade, dentro do time
de desenvolvimento, sobre os aspectos fundamentais do projeto. Dessa forma, o
líder conduz o time mantendo o foco de todos no projeto.
Os líderes têm papel fundamental na administração dos conflitos qu
e
naturalmente surgem no trabalho dos times, por estarem reunidos profissionais
de
diferentes empresas, com diferentes especialidades e interesses no projeto em
desenvolvimento. Os autores Ward et al. (1995) e Sobek II, Ward e Liker (1999)
sugerem, inclusive, que os líderes estimulem a discussão do projeto nos seus
momentos (e aspectos) mais críticos.
53
A reunião dos elementos discutidos
acerca
da dimensão da
coordenação
dos projetos
conduzidos em rede
s de empresas
é proposta na figura
4
, abaixo
:
Figura
4
A dimensão da coordenação dos projetos
A partir do que foi discutido, conclui-se que os líderes desempenham um
papel
fundamental
no processo de integração funcional, na composição da base de
conhecimentos necessários aos projetos de inovação e na condução estruturada
desse processo. Entende-se que nesses aspectos reside o trabalho de coordenação
do líder de projeto, vital à proposta de gestão de projetos em redes de empresas.
3.3
Conectividade
Além da coordenação, as redes de empresas dependem de outro
elemento de gestão de projetos: a conectividade. O planejamento de ações de
comunicação tem o objetivo de realizar a conectividade: formalizar os fluxos de
informação e fazer circular toda a informação necessária à gestão de projetos entre
indivíduos, grupos e inter-grupos, em intensidade e freqüência adequadas (HAGE;
HOLLINGSWORTH, 2000). Sendo assim, é possível afirmar que as ações de
comunicação
visam
à integração das empresas associadas, contribuindo para a
estabili
zação
da estrutura de coor
de
nação da rede e para o surgimento de um
Coordenação
Promover a coordenação e a tomada de
decio
Controlar os recursos do projeto
Promover a integração inter-empresas e
inter-grupos de empresas
54
padrão de comunicação aberta e freqüente. Ou seja, a dimensão da conectividade,
por meio das ações de comunicação, visa
a
promover a interligação da rede como
um todo. Nesse sentido, ações de comunicação direta e indireta, como no caso da
empresa individual, podem ser utilizadas (AHUJA, 2000; MIKKOLA, 2003; RITTER;
GEMÜNDEN, 2003; BOEHE
;
SILVA
;
ZAWISLAK, 2004).
Balestrin, Vargas e Fayard (2005)
relacionam
ações para o
compartilhamento de informações, denominadas pelos autores espaços de
interação. Estes foram adotados por uma rede horizontal de pequenas empresas da
indústria do vestuário no estado do Rio Grande do Sul. Os autores
destacam
as
reuniões feitas nas empresas, as assembléias deliberativas para tomada de
decisões estratégicas da rede, as confraternizações (almoços, jantares) realizadas
periodicamente com todos os empresários e colaboradores da rede, as visitas feitas
às feiras do setor e os cursos e palestras para capacitação tecnológica e g
erencial
das empresas, também freqüentados em grupo.
Essas
ações de comunicação direta
(face a face), conforme os autores, possibilitaram às empresas o acesso a novos
conceitos de produção e a novos
designs
de produtos,
o
conhecimento sobre novas
tecnologi
as e matérias
-
primas, entre outros benefícios.
Além das ações
mencionadas
no exemplo
anterior
, têm-se os meios de
comunicação indireta: as mídias impressas como as listas de discussão, os boletins
de divulgação interna e as circulares. Aqui estão incluídas também as mídias
digitais, baseadas em tecnologia da informação e comunicação. Segundo Olave e
Amato Neto (2005) e Laurindo (2005) a
internet
tem
um papel estratégico
nesse
cenário de inter-relações entre empresas que podem envolver agentes
geograficamen
te distantes. As empresas podem criar espaços de comunicação
virtual fazendo uso de correio eletrônico, fóruns de discussão etc., além de adotar
55
portais de comunicação (Intranet) e protocolos-
padrão
internet
para integração de
sistemas CAD/CAM e EDI (
TURBA
N; McLEAN; WETHERBE, 2004; O BRIEN,
2004)
.
A partir da reunião dos elementos discutidos
acerca
da dimensão da
conectividade da rede, propõe
-
se a figura 5, abaixo
:
Figura
5
A dimensão da conectividade da rede
De forma geral, o planejamento de ações de comunicação tem o objetivo
de promover a convergência de expectativas e uma maior integração e
interconectividade
, contribuindo, assim, para o processo de adaptação e
coordenação das empresas (GRANDORI; SODA, 1995; AHUJA, 2000).
As
ações de
comunicação direta possibilitam às empresas a transmissão de conhecimento tácito,
enquanto as mídias indiretas possibilitam a transmissão de conhecimento explícito,
passível de codificação (POLANYI, 1983).
3.4
Complementaridade
A
dimensão da
complementaridade
na rede está ligada à própria origem
das redes de empresas: viabilizar, por meio
do
arranjo inter-
empresas
, o arranjo de
competências
. O objetivo é executar de forma integrada atividades consideradas
Conectividade
Formalizar os fluxos de informação
Promover a interligação do todo da rede
Promover a integração inter-empresas e
inter-grupos de empresas
56
inviáveis tecnicamente ou
demasiado
cu
stosas para as empresas isoladamente. O
arranjo de competências, por sua vez, pode desencadear um processo sinérgico de
aprendizagem coletiva capaz de gerar competências inéditas. O argumento da
complementaridade de competências
e
da
aprendizagem coletiva é reforçad
o
quando da análise dos fatores motivadores para a atividade de inovação em rede.
As redes de inovação têm a sua formação justificada muito em função do acesso à
informação que oportunizam, e essa oportunidade de acesso à informação
desencadeia
o processo de complementaridade de competências e de
aprendizagem coletiva.
Autores como Casarotto e Pires (2001), Gerwin (2004), Kodama (2005) e
Vallejos (2005) propõem uma estrutura de gestão de projetos em redes baseada na
integração total entre os diferentes profissionais, dentro das distintas
expertises
que
um projeto de inovação requer. Para tanto, os autores
propõem
a formação de
times
de projeto na rede. Ou seja, a complementaridade de competências pode ser
concretizada a partir da formação de times de projeto na rede, cujos participantes
serão oriundos não somente de distintas áreas funcionais, mas
também
de
diferentes empresas.
A formação de times inter-empresas também está apoiada nos trabalhos
de Raelin (1997) e Brown e Duguid (2001), na constituição de comunidades de
prática. As comunidades de
prática
são espaços, reais ou virtuais, criados nas
empresas com o objetivo de se reduzirem heterogeneidades de assimilação, de se
adquirirem conhecimentos e de
se
sistematizarem processos de aprendizagem.
Trata
-se de estruturas organizadas de forma a possibilitar que o fluxo de
informações e a socialização de conhecimentos e experiências sejam bem-
sucedidos
, viabilizando a integração inter
-
empresas na rede
.
57
Segundo Brown e Duguid (2001), a aprendizagem conjunta com essas
características deve desenvolver-se de forma organizada, o que leva à criação de
um ambiente de interação e à formação de grupos de trabalho com recursos físicos
e humanos provenientes de ambas as empresas envolvidas. Essa organização
permi
te a elaboração de uma sistemática de troc
a de informações.
Na definição de Katzenbach e Smith (1993), times são constituídos
quando profissionais de diferentes especialidades trabalham próximos e
intensivamente no projeto, interagindo durante um determinado período de tempo e
se responsabilizando mutuamente pelos resultados que produzem. Os times de
projeto, dado o agrupamento de profissionais detentores de
conhecimentos
e
especialidades
relativos
ao contexto dos projetos, podem viabilizar um ambiente
prop
ício à comunicação e, conseqüentemente, à aprendizagem e à inovação,
possibilitando aos profissionais que os constituem
somar
os seus conhecimentos.
Sendo assim, o time de projeto pode ser definido como um grupo de pessoas que
detêm
competências que se complementam (
KATZENBACH
; SMITH, 1993;
WARD
et al., 1995; SOBEK II
; WARD;
LIKER, 1999; SPEAR
;
BOWEN, 1999; HISLOP et al.,
2000;
LEENDERS
;
ENGELEN
;
KRATZER, 2003
).
Para tanto, a escolha dos membros do time deve estar baseada nas
habilidades necessárias à execução dos projetos, estando eles comprometidos com
os objetivos do projeto em questão. Segundo Katzenbach e Smith (1993), um grupo
jamais se torna um time sem que todos os seus membros estejam realmente
comprometidos com os objetivos do projeto. Além disso, a escolha de um time de
projeto tem a função de ligação do todo: a escolha de agentes capazes de integrar
horizontalmente as empresas associadas e acelerar o processo de coordenação dos
demais atores da rede.
58
Discute
-se na literatura o número ideal de membros do time, pois
esse
número
vem ao encontro da qualidade dos vínculos estabelecidos entre os seus
participantes, causando um impacto na comunicação e no compartilhamento de
informações (POWELL; KOPUT; SMITH-
DOERR
, 1996). A quantidade de pessoas
envolvid
as no desenvolvimento de um projeto pode chegar
a
até algumas centenas
ou milhares de pessoas, como acontece em projetos complexos. O ideal é que o
time de desenvolvimento seja composto de forma a facilitar a comunicação direta.
Grupos de mais de
15
pessoas podem ser quebrados em vários sub-
times.
Cusumano (2000) sugere, para tanto, que líderes de projeto atentem para a
integração entre os sub
-
times.
Cusumano (2000) destaca também como características importantes do
time
o controle do tempo, o compartilhamento de uma visão clara sobre o projeto e
suas metas, a responsabilidade e a autonomia de todos, a criação de uma
linguagem comum e a comunicação. Seguindo na mesma linha, Barnes et al. (2006)
propõem que as empresas devem definir juntas um conjunto de procedimentos e
regras para a ação conjunta e concordar nas seguintes questões: na definição clara
dos objetivos do projeto, na divisão de responsabilidades, no planejamento do
projeto, no monitoramento do projeto e no compartilhamento dos resultados, visando
à execução
do projeto
.
Reunindo
-se os elementos discutidos
acerca
da dimensão da
complementaridade na rede, propõe
-
se a figura
6
, abaixo
:
59
Figura
6
A dimensão da complementaridade na rede
Pode
-se observar que a dimensão da complementaridade implica as
dimensões da coordenação e da conectividade, pois o desempenho dos times
requer
aspectos da
conectividade
e
da
coordenação,
independentemente
do
tamanho do time.
Juntos
, time e líder tomam as decisões que
constituem
a gestão
de
um
projeto, como o planejamento das ações, a alocação de recursos e as
questões técnicas referentes ao projeto. Para tanto, faz-
se
necessária
a adoção de
elementos de
suporte
ações de comunicação
para
dinamizar
o trabalho do
s
times de projeto.
Des
sa forma,
ligam
-se os elementos discutidos até aqui para a gestão d
e
projetos em redes de
empresas
: a cooperação, a conectividade e a
complementaridade
. Juntos,
líderes
de projeto, ações de comunicação e times
imprimem dinâmica à gestão de projetos em redes de empresas, estabelecendo um
fluxo de informações organizadas, com uma lógica de interação e
de
aprendizado
contínuo inter
-
empresas.
Complementaridade
Promover a integração inter-empresas
Cuidar da execução dos projetos
Promover o arranjo de competências
60
3.5
A
presentação do modelo de análise
Nos capítulos anteriores, foram discutidos aspectos teóricos para a
análise e a compreensão da formação das redes de empresas, da atividade de
inovação em rede, especificamente, e da necessidade de estruturação dessa
atividade
por meio
da organização por projetos em rede.
No
primeiro
capítulo tem-se que a
formação
das redes de empresas está
fundamentada na complementaridade de competências para a execução integrada
de determinadas atividades, inviáveis tecnicamente ou custosas para as empresas
isoladamente. A ação integrada pode, por sua vez, desencadear um processo
sinérgico de aprendizagem coletiva e geração de novas competências, até então
inéditas para as empresas.
A noção de complementaridade de competências e aprendizagem
coletiva é reforçada quando da análise dos fatores motivadores para a atividade de
inovação em rede, discutidos no
segundo
capítulo. As redes têm a sua formação
justificada pelo acesso à informação que oportunizam, diferenciando-se de forma
qu
alitativa o tipo de informação
a
que se tem acesso na rede. Essa diferenciação
está baseada na constatação de que as empresas estabelecem e desenvolvem, ao
longo do tempo, ligações entre si que se dividem em ligações fortes e fracas.
As ligações fortes são estabelecidas entre empresas que efetivamente
trabalham juntas, a ponto de desenvolverem uma linguagem comum e um padrã
o de
comunicação que
possibilita
o compartilhamento de conhecimento tácito, de
experiências e de habilidades, dado o nível de imbricamento das mesmas. as
ligações fracas viabilizam a troca de informações com parceiros ocasionais. A
61
importância
desses
parceiros reside na necessidade de se
mapearem
informações
relevantes do ambiente externo e se renovarem as informações que circulam dentro
de um mesmo grupo social (GRANOVETTER, 1973).
Se
a complementaridade de
competências
, a aprendizagem conjunta e a
gera
ção de competências inéditas são os objetivos quando da formação de redes de
empresas, faz-
se
necessária
uma estrutura de coordenação que possibilite o
desenvolvimento das relações de cooperação. Apoiando-se em Gladstein (1984),
parte
-se do pressuposto
de
que a aprendizagem conjunta será possível se for
constituído um arranjo relativamente estável entre as empresas envolvidas, expresso
em termos de divisão do trabalho e métodos de coordenação e controle das
atividades.
Como visto anteriormente, o processo de coordenação está ligado ao
esforço progressivo de alinhamento dos atores envolvidos para a execução de
uma
dada tarefa ou
um dado
projeto.
É
um processo interativo e constante de negociação
e estruturação
versus
flexibilização em função de mudanças ambientais e
comportamentais. Em se tratando de redes de empresas, a configuração de uma
estrutura de coordenação está ligada à necessidade de investimento na relação: ao
esforço progressivo de alinhamento das partes para a execução de atividades
coletivamen
te.
Além de ser necessário um processo de coordenação nas redes de
empresas
, os fluxos de informação estabelecidos entre as empresas devem ser
estruturados
de forma a permitir a execução de projetos em conjunto. Ou seja,
elementos
específicos de
gestão
dev
em ser adotados visando à estruturação da
atividade conjunta de gestão de projetos. A especificidade dos
elementos
de
gestão
está ligada à visão de redes de empresas adotada
neste
trabalho de tese.
62
Considerando
-se o trabalho de Tushman e Nadler (1978), conforme dito
anteriormente
, as redes podem ser definidas como sistemas de processamento de
informações. Sendo assim, as redes de empresas devem apresentar uma
configuração tal de unidades de trabalho, bem como de ligações entre as mesmas,
que permita o efetivo processamento de informações, ou seja, que permita a coleta
de toda a informação relevante para a execução das suas atividades, a sua
utilização em tempo hábil e a sua transmissão sem distorções.
As unidades de trabalho a que se referem Tushman e Nadler (1978)
equivalem aos times de projeto. Os times de projeto tangibilizam o arranjo de
competências na rede, sendo responsáveis pela promoção da
complementaridade
.
Para tanto, os times de projeto
devem
ser formados por profissionais oriundos de
diferentes
empresas.
Aliado
à questão da complementaridade, parte-se do pressuposto
de
que,
a partir da formação de times de projetos, é promovida a integração inter-
empresas
na rede. A organização das empresas em times de projeto oportuniza a aproximação
das empresas a partir das rotinas de execução dos projetos, rotinas estabelecidas
dentro dos times.
Da literatura de gestão de projeto
tem
-se que o trabalho dos times de
projeto
requer sincronismo e coordenação. Para tanto, líderes de projeto
devem
ser
escolhidos co
m o objetivo de realizar a
coordenação
direta dos times. Cada time de
projeto
deve
ter um líder capaz de controlar os recursos do projeto e alinhar os
esforços de todos os membros do time.
Ainda,
o líder de cada time de projeto
deve
ser
capaz de promover a
integração inter-empresas. Parte-se do pressuposto
de
que os líderes de projeto
ampliam o trabalho dos times no que tange à promoção da integração inter-
63
empresas. Ou seja, as ligações entre os times de projeto podem ser estabelecidas
pelos líderes de
proj
eto
. Assim, os líderes podem expandir as fronteiras dos seus
times, estabelecendo pontes entre times por meio do contato com outros líderes e
times de projeto.
Complementando o trabalho dos líderes de projeto, apresentam-se as
ações de comunicação. Parte-se do pressuposto
de
que
estas
realizam a
transmissão da informação, fazendo circular toda a informação necessária dentro
dos times de projetos e entre
os
times, em intensidade e freqüência adequadas. Ou
seja, as ações de comunicação realizam a
conectividad
e. A partir da noção de
conectividade, é possível afirmar que as ações de comunicação agregam
a
atividade
dos times
e dos líderes
de projeto na promoção da integração inter
-
empresas e inter
-
grupos de empresas, promovendo a interligação do todo da rede.
Por
meio das
ações de comunicação, times e líderes de projetos são conectados e recebem
informações a respeito dos projetos em execução.
Sendo assim,
propõe
-
se
a reunião dos elementos discutidos
acerca
das
dimensões da
coordenação
, da conectividade e da compl
ementaridade,
na figura 7,
abaixo
:
64
Figura
7
Elementos para o modelo de análise
Portanto, é preciso
coordenação
e
conexão
das partes no intuito de
garantir a
complementaridade
. O esforço de coordenação dos líderes de projeto
reside no alinhamento dos diferentes atores envolvidos em um projeto em redes de
empresas. Ao esforço de coordenação dos líderes soma-se a formalização dos
fluxos de informação por meio das ações de comunicação. Juntos, líderes, ações de
comun
icação
e times de projeto imprimem
dinâmica
à gestão de projetos em redes
de empresas
, conforme apresentado na figura 8, abaixo:
Elementos de
gestão de
projetos
Estruturação dos
fluxos de informação
Coordenação
Promover a coordenação e a tomada de
decisão
Controlar os recursos do projeto
Promover a integração inter-empresas e
inter-grupos de empresas
Conectividade
Formalizar os fluxos de informação
Promover a interligação do todo da rede
Promover a integração inter-empresas e
inter-grupos de empresas
Complementaridade
Promover a integração inter-empresas
Cuidar da execução dos projetos
Promover o arranjo de competências
65
Figura
8
Interação
d
os e
lementos
que compõem
o
modelo
de análise
Agrupando
-se os elementos discutidos e a sua interação, propõe-se o
modelo de análise da figura 9, a seguir. Neste, a estruturação dos fluxos de
informação, necessária à atividade conjunta de gestão de projetos, é possível em
função de elementos de gestão próprios. O dimensionamento desses elementos, por
sua vez, deve obedecer
a
três diretrizes básicas para viabilizar a efetiva gestão de
projetos em conjunto: promover a coordenação das atividades e
da
tomada de
decisões, promover a conectividade (formalizando os fluxos de informa
ções
) e, a
partir desses passos,
realizar a
complementar
idade de competências.
Seguindo essas diretrizes, são propostos três elementos de gestão de
projetos: líderes de
projeto
,
ações de comunicação e times de projeto. Os times de
projeto constituem a principal unidade de trabalho da rede,
concretizando
o arranjo
de
competências
e, por conseguinte, a complementaridade. Dando suporte ao
trabalho dos times, apresentam
-
se os líderes de
projeto
e as ações de comunicação.
Os líderes de projeto são responsáveis pela coordenação direta das atividades. As
Líderes de
Projeto
Coordenação
Ações de
Comunicação
Conectividade
Times de
Projeto
Complementaridade
66
ações de comunicação, por sua vez, realizam a conectividade e apóiam o trabalho
de integração das empresas realizado por líderes e times de projeto, por meio da
transmissão das informações.
A posse dos elementos de gestão
líderes de projeto, ações de
comunicação e a formação de times de projeto
diferencia a habilidade de
coordenar os projetos nas empresas: os elementos de gestão sinalizam uma maior
habilidade para coordenar projetos em conjunto.
Essa
maior
habil
idade
de
coordenação
relaciona
-se com o processo de socialização que se realiza por meio
das relações sociais baseadas em confiança e reciprocidade. E
ss
a habilidade
também está ligada ao processo de aprendizagem que perpassa a coordenação da
atividade de gestão de projetos em redes: à medida que as empresas envolvidas
aprendem a trabalhar juntas, que novos projetos são desenvolvidos, são
estabelecidas ligações entre os atores que facilitam o processo de coordenação.
Inclusive,
conforme dito anteriormente,
e
m função desse processo de aprendizagem,
não a necessidade de coordenar, mas a predisposição à coordenação também
varia no tempo.
O modelo da figura 9 será aplicado à análise, proposta nesta tese, do
histórico das redes selecionadas, da evolução dos principais projetos das redes e
dos elementos de gestão de projetos encontrados.
67
Figura
9 Modelo de análise proposto
Ações de comunicação
Elementos de
gestão de
projetos
Estruturação dos
fluxos de informação
Coordenação
Promover a coordenação e a tomada de
decio
Controlar os recursos do projeto
Promover a integração inter-empresas e
inter-grupos de empresas
Líderes de projeto
Times de projeto
Conectividade
Formalizar os fluxos de informação
Promover a interligação do todo da rede
Promover a integração inter-empresas e
inter-grupos de empresas
Complementaridade
Promover a integração inter-empresas
Cuidar da execução dos projetos
Promover o arranjo de competências
68
4 MÉTODO DE PESQUISA
Este capítulo apresenta a metodologia que orientou a pesquisa de campo
desenv
olvida para analisar a dinâmica de gestão de projetos conduzidos por redes
horizontais. Devido à natureza das questões que emergiram no estudo, optou-
se
pelo todo qualitativo e, neste, pela estratégia do estudo de casos para alcançar
os objetivos inicialmente colocados. A seguir serão apresentados com maior
detalhamento as fases da pesquisa, o critério de seleção dos casos, a estratégia de
análise, as proposições do estudo e as limitações do método.
4.1 Primeira fase da pesquisa
A primeira fase da pesquisa (quadro 1) objetivou selecionar os casos a serem
analisados na fase seguinte. Para tanto, foi necessário localizar programas de
fomento à formação de redes de empresas. Uma vez localizados esses programas,
foi necessário compreender o contexto das redes de empresas constituídas: as
metodologias adotadas, o estágio em que se encontravam as redes, o perfil dos
associados, as operações realizadas em conjunto e as perspectivas de evolução das
redes formadas (ou seja, dos seus projetos de inovação).
69
Quadro
1
Coleta de dados da primeira fase da pesquisa
Os critérios adotados para a seleção dos casos foram: a existência de
projetos de inovação nas redes, o tempo de formação da rede, o acesso às
informações e a proximidade geográfica. Foram identificados dois programas de
fomento no estado do Rio Grande do Sul: o programa Redepetro-RS e o programa
Redes de Cooperação. A partir da análise das características dos dois programas
identificados, optou-se pela seleção de redes horizontais que estivessem
participando do programa Redes de Cooperação.
O programa, mantido pela Secretaria do Desenvolvimento e dos Assuntos
Internacionais do Governo do Estado do Rio Grande do Sul (SEDAI), é considerado
pioneiro no país. O programa deu início às operações no ano de 2000; até 2004,
contabilizava a formação de 75 redes horizontais em diversos setores econômicos:
serviços, comércio varejista, indústria, agroindústria e produção agrícola. Ao final do
ano de 2005, o número de redes saltou para 120. Até novembro de 2006, o número
de redes de cooperação que contaram com o apoio do programa ultrapassava 210
redes. Segundo a SEDAI, estas totalizam mais de 4 mil empresas, responsáveis
pelo emprego de aproximadamente 36 mil pessoas e por um faturamento de R$ 5
bilhões ao ano.
Técnica
Entrevistado/evento
Data
Executivo Redemac
dez/2005
Fundador Redepetro RS
mar/2006
Presidente do programa Redes de Cooperação - SEDAI
mai/2006
Diretora do programa Redes de Cooperação FEEVALE
jul/2006
Presidente Rede Artemulher
jul/2006
Executivo Rede Ação Magistral
ago/2006
Executivo Rede Construir
ago/2006
Associado Rede Ação Magistral
ago/2006
Presidente Rede Ensemble
ago/2006
Presidente Rede Espaço Cult
out/2006
Presidente Rede Crie Mais Brasil
out/2006
Congresso Cooperação Brasil I
nov/2005
Lançamento do programa Inovação nas Redes UNISINOS
jun/2006
Assembléia Rede Artemulher
jul/2006
Congresso Cooperação Brasil II
nov/2006
Observação participante
Entrevista
70
Em uma entrevista realizada no mês de junho de 2006, o presidente do
programa indicou 20 redes que têm como meta o desenvolvimento de projetos de
inovação (entre produtos e processos). Para tanto, o presidente usou como pont
o de
partida a lista de 120 redes formadas até o final do ano de 2005, partindo do
pressuposto de que redes muito novas ainda não chegaram ao estágio de
inovação
2
. Das 20 redes indicadas, seis foram eliminadas
3
, restando as 14 redes
listadas no quadro 2.
Quadro
2
Redes indicadas como possíveis casos para o estudo
A partir desse conjunto de 14 redes, com possíveis casos a serem
estudados, foram selecionados aqueles que oferecessem as melhores
possibilidades analíticas. Para tanto, foram visitadas as redes Redemac (rede de
lojas de materiais de construção), Arte Mulher (rede de artesãos), Ensemble (rede
de indústrias de calçados e acessórios), Ação Magistral (rede de farmácias de
manipulação), Construir (rede de lojas de materiais de construção), Affemaq (rede
de indústrias de ferramentas e máquinas) e Crie Mais Brasil (rede de lojas de
aviamentos). Durante as visitas, foi aplicado um roteiro que pautou as entrevistas
(ver instrumento de pesquisa no anexo A).
2
Com exceção das redes Arte Mulher e Remos, que foram lançadas em 2006, mas foram
constituídas anteriormente.
3
Foram eliminadas as redes Apool, Gesto, Base8, IX Tecnologia, Rede Mix e Ricosm, dadas as
informações obtidas com pesquisadores ligados a essas redes.
No.
Rede
Cidade
Segmento
Data de
lançamento
Número de
associados
1
AÇÃO MAGISTRAL
Porto Alegre Farmácias de manipulação
dez/04
44
2
AGINVEST
Ijuí
Indústria de artigos de vestuário
set/01
20
3
AFFEMAQ
Bento Gonçalves Ferramentas e máquinas para a ind. moveleira
set/04
14
4
ARTE MULHER
São Leopoldo
Artesanato
jul/06*
42
5
CONSTRUIR
Porto Alegre Materiais de construção
dez/04
42
6
CRIE MAIS BRASIL
Novo Hamburgo Aviamentos mai/05
23
7
ENSEMBLE
Novo Hamburgo Indústria de calçados e acessórios
abr/05
21
8
ENTREFLORES
Ipê
Produtores de flores
set/04
23
9
INDUMENTO BRASIL
Tuparendi
Vestuário
set/05
8
10
REDE BRASIL ESPORTES
Santa Maria
Artigos esportivos
out/04
15
11
REDE SEGURA
Novo Hamburgo
Seguros
dez/02
31
12
REDEMAC
Porto Alegre Materiais de construção
out/01
41
13
REMOS
Antônio Prado
Moveleira
mar/06
8
14
RESERVIN
Flores da Cunha Vinícolas nov/04
13
345
Total de empresas envolvidas
71
Seguindo os critérios de seleção detalhados anteriormente, foram
escolhidas as redes Ação Magistral e Redemac. Durante a primeira fase da
pesquisa, constatou-se que as redes Construir e Affemaq não realizam projetos de
inovação. Já as redes Arte Mulher, Ensemble e Crie Mais Brasil apresentaram
somente o projeto de produtos de marca própria como caso de projeto de inovação.
4.2 Segunda fase da pesquisa
A segunda fase teve o objetivo de levantar informações para a análise da
dinâmica de gestão dos projetos de inovação nas re
des selecionadas: a organização
dos projetos, a execução dos projetos e os elementos de gestão de projetos
adotados pelas redes.
Para tanto, foram analisados ao todo seis projetos de inovação, três em
cada uma das redes selecionadas. Na rede Ação Magistral foram analisados o
projeto de desenvolvimento dos filtros solares NoRed FPS15 e FPS30, o projeto de
desenvolvimento da revista InformAção Magistral e o projeto de desenvolvimento do
protetor facial e da linha de filtros solares para crianças
NoRed FPS60 e NoRed
Kids. Na rede Redemac foram analisados o projeto de desenvolvimento da linha de
produtos de marca própria, o projeto de desenvolvimento de um programa de gestão
da qualidade na rede, o Programa Qualificar Redemac, e o projeto de
desenvolvimento d
o centro de distribuição da rede.
Nessa fase foram realizadas entrevistas em profundidade com todos os
times de projeto das redes. Foram entrevistados os participantes dos times e os
líderes de projeto, bem como os diretores das redes. Foram realizadas ent
revistas
72
em profundidade também com os demais atores externos (organizacionais e
institucionais) que integram os projetos das redes selecionadas. Para tanto, foram
seguidas as premissas de White e Taket (2000) e Duarte (2005). As entrevistas
foram pautadas por um roteiro que guiou a coleta de dados (ver instrumento de
pesquisa no anexo B).
Também foi realizada a observação de assembléias gerais e de reuniões
de times, onde foram tomadas decisões acerca dos projetos analisados.
Além das observações e das entrevistas, a análise de documentos se fez
necessária: documentos relativos ao histórico dos projetos (atas das assembléias da
rede), documentos sobre a estrutura organizacional das redes (o estatuto e o código
de ética) e documentos relativos às ações de comunicação das redes (revistas e
informativos em diversas mídias direcionados ao público interno e externo). A
análise de documentos seguiu as premissas de Moreira (2005).
4.3 Estratégia de análise e proposições de estudo
Com o propósito de desenvolver os objetivos da tese, elegeu-se o projeto
conduzido em rede de empresas como a unidade de análise. Partindo desse
princípio, propõe-se a análise individual dos casos, bem como a comparação entre
os casos.
Primeiro, procede-se a uma análise longitudinal do histórico da rede. Em
seguida, procede
-
se a uma análise longitudinal dos projetos que pontuam momentos
distintos na evolução da rede. Por fim, procede-se a uma análise transversal dos
73
elementos de gestão de projetos: o trabalho desempenhado pelos líderes
de projeto,
as ações de comunicação e os times formados.
A análise está baseada em proposições teóricas, seguindo as premissas
de Eisenhardt (1989) e Yin (2005). Para a realização dessa análise, apoiando-se no
referencial teórico utilizado no trabalho e nas informações obtidas na primeira fase
da pesquisa, foram elaboradas
proposições de estudo
, a seguir descritas:
1) Redes de empresas operam por meio de sub-grupos de empresas e
das suas inter
-
relações;
2) Elementos de gestão de projetos (líderes de projeto, ações de
comunicação e times de projeto) estruturam os fluxos de informação, possibilitando o
trabalho conjunto e a execução de projetos nas redes horizontais;
3) Líderes de projeto operacionalizam times de projeto dentro das redes,
estabelecem as ligações inter-times de projeto, realizam a coordenação geral da
atividade conjunta e conferem dinâmica à gestão de projetos em conjunto;
4) Ações de comunicação complementam o trabalho de interligação das
empresas em rede realizado pelos líderes de projeto, formalizam os fluxos de
informação e conferem dinâmica à gestão de projetos em conjunto;
5) Times de projetos e sua dinâmica de funcionamento concretizam a
complementaridade de competências, a aprendizagem conjunta e a geração de
novas competências pelas empresas organizadas em rede, tangibilizadas nos
produtos dos projetos.
74
4.4 Limitações do método
Apesar de a técnica do estudo de caso ser a mais indicada para
desenvolver os objetivos deste trabalho, salienta-se o cuidado quanto à
generalização dos resultados da pesquisa, ressaltando-se que se trata de uma
generalização de conteúdo analítico. Faz-se necessário salientar que o trabalho
empírico foi desenvolvido em redes horizontais; portanto, as conclusões obtidas a
partir da análise dos casos guardam relação com as especificidades desse tipo de
arranjo colaborativo.
Sendo assim, nos próximos capítulos serão apresentadas as redes
selecionadas
no capítulo 5, a rede Ação Magistral, e no capítulo 6, a rede
Redemac
e a análise do seu histórico e dos projetos selecionados em ambas,
seguida da análise dos elementos de gestão de projetos.
75
5 ANÁLISE DOS CASOS: A REDE AÇÃO MAGISTRAL
5.1 Introdução
O objetivo
deste
capítulo é apresentar a rede Ação Magistral e analisar
seus principais aspectos. Primeiro, procede-
se
a
uma análise longitudinal do
histórico da rede. Em seguida, procede-
se
a
uma análise longitudinal dos projetos
que pontuam momentos distintos na evolução da rede. Por fim, procede-se a uma
análise transversal dos elementos de gestão de projetos: o trabalho desempen
hado
pelos líderes de projeto, as ações de comunicação
e os times formados.
5.2 Análise longitudinal, a partir do histórico da Rede Ação Magistral
A rede Ação Magistral (
Central de Negócios dos Farmacêuticos Magistrais
do Estado do Rio Grande do Sul), sociedade civil sem fins lucrativos, foi fundada em
11
de setembro do ano de
2002
, a partir da reunião de 27 farmácias de manipulação
(quadro 3). Todas as empresas faziam parte da ANFARMAG (Associação Nacional
de Farmacêuticos Magistrais), com cerca de 5.000 associados (uma das maiores
entidades do segmento farmacêutico no país).
76
Quadro
3 Empresas fundadoras da Rede Ação Magistral
Os fundadores constituem um grupo de destaque na rede. Isso pode ser
obs
ervado em três práticas adotadas na rede. Uma delas é a obrigação,
determinada no estatuto, de existir sempre, no mínimo, um membro da categoria de
Sócios Fundadores em cada uma das chapas, tanto da diretoria
quanto
dos
conselhos
, que concorrem às eleições na rede. Outra
prática
diz respeito ao
direito
de desconto de
50%
na mensalidade dos fundadores. Por fim,
observa
-se a prática
da
obrigatoriedade
de as
novas associadas serem admitidas mediante subscrição de
proposta por no mínimo uma empresa fundadora e duas participantes. Essa última
exigência vigorou até a reformulação do estatuto da rede, em
19
de agosto do ano
de
2006
.
Número
Empresa
Cidade
1
A Alquimia
Porto Alegre
2
A Farmathuia
Porto Alegre
3
Alquimia
Gramado
4
Amplo Espectro
Porto Alegre
5
Antiqua
Portão
6
Apotheke
Porto Alegre
7
Aromas e Poções
Bento Gonçalves
8
Bellafarma
Caxias do Su
9
Biopharma
Canoas
10
Botânica
São Sebastião do Caí
11
Dermogral
Porto Alegre
12
Dermoplast
Porto Alegre
13 Essência de Vida
Lajeado
14
Farmácia Santa Júlia
Não-Me-Toque
15
Fármaco Ativo
São Leopoldo
16
Farmhoderm
Porto Alegre
17
Fitonfarma
Porto Alegre
18
Fracionatta
Taquara
19
Matéria Pura
Porto Alegre
20
Mistura da Terra
Bagé
21
Multimisturas
Santo Antônio da Patrulha
22
Nova Essência
Canoas
23
Rosa Moschetta
Canoas
24
Spengler
Porto Alegre
25
Tecnifarma
Porto Alegre
26
Uso Indicado
Pelotas
27
Vian e Vian
Carazinho
77
No ato de fundação da rede foi definido o grupo que assumiu a direção da
Ação Magistral
(quadro 4)
.
Quadro
4 Diretoria da Rede Ação Magistral, gestão 2002-
2004
Além do grupo das Empresas Fundadoras,
o grupo das Empresas
Admitidas.
Os
critérios de admissão de novas empresas são os seguintes:
primeiramente, a empresa é analisada em assembléia pelos sócios; em seguida,
passa por uma auditoria técnica, realizada por uma pessoa jurídica contratada para
fazer auditoria nas farmácias (dada a fiscalização do setor); para participar da rede,
a farmácia deve possuir no mínimo 50% das cotas da sociedade pertencentes a
farmacêuticos
, ainda, é obrigatório que o associado participe de algum programa de
qualidade da ANFARMAG ou d
a
ISO.
Também no ato de fundação da rede, foram formadas comissões
4
para
executar os trabalhos determinados pela diretoria e pelos associad
os
(quadro 5)
.
Logo no
princípio
das operações da rede, os associados deram início ao processo
4
Será usada, inicialmente, a denominação dada pela rede para times de projeto. No caso da Ação
Magistral, as comissões de trabalho equivalem aos times.
Cargo
Empresa
Presidente
Bellafarma
Vice- Presidente
Biopharma
Secretário
Dermogral
Tesoureiro
A Famathuia
Conselho Fiscal
Titular
Spengler
Titular
Fracionatta
Titular
Mistura da Terra
Suplente
Aromas e Poções
Suplente Vian e Vian
Suplente
Uso Indicado
Conselho Ética
Titular
Spengler
Titular
Mistura da Terra
Titular
Aromas e Poções
Titular
Vian e Vian
Titular
Rosa Moschetta
Titular
Dermogral
Diretoria Gestão 2002-2004
78
de planejamento estratégico da rede. Foram
planejadas
as ações de compra
conjunta de
matéria
-
prima
(hoje são feitas cotações mensais
por meio
do
website
da
rede)
, de treinamento e capacitação de pessoal, de desenvolvimento de produtos de
marca própria e de articulação política junto
às
demais entidades do setor. Essas
ações
configuraram
estratégias que direcionam a rede desde então.
Quadro
5
Comissões formadas na fundação da Rede Ação Magistral
A partir de
17
de outubro do ano de
2002
, na segunda assembléia da
rede, as comissões formadas passaram a apresentar, em assembléia, suas
propostas de trabalho, bem como o andamento
das mesmas
.
Comissões: 11 de setembro de
2002 fundação da rede
Empresas
Coordenador:
Tecnifarma
Matéria Pura
Multimisturas
Antiqua Pharmacia
Dermoplast
Botânica
Fitonfarma
Spengler
Alquimia
A Alquimia
Amplo Espectro
Farmhoderm
Coordenador:
Apotheke
Rosa Moschetta
Farmácia Santa Júlia
Fármaco Ativo
Uso Indicado
Tecnifarma
Nova Essência
Matéria Pura
Multimisturas
Uso Indicado
Dermogral
Fracionatta
Fármaco Ativo
Essência de vida
Comunicação e Marketing
Comercialização
Técnico
79
Em
21
de novembro do ano de
2002
, a diretoria solicitou às comissões
que definissem seus coordenadores
5
. A única comissão que não indicou seu
coordenador foi a de comercialização, por duas razões: primeiro, a centralização das
decisões relativas às compras da rede na diretoria, especificamente no presidente
da rede; segundo, a desarticulação da comissão com o falecimento de uma das
associadas, em
25
de outubro, e a saída da farmácia A Alquimia (oficialmente
desligada da rede em
26
de abril do ano de
2003
) por não participar das
assembléias.
Os projetos e
as
ações propostas pelas comissões são decididos
por
meio
de assembléia. Conforme o estatuto:
A Assembléia Geral Ordinária ou Extra-ordinária, constituída pelas
associadas Fundadoras e Admitidas quites no pleno gozo de seus direitos,
é o órgão supremo da Ação Magistral e, dentro dos limites deste Estatuto,
tomará toda e qualquer decisão de interesse da Ação Magistral e suas
deliberações vinculam a todos ainda que ausentes ou discordantes (fonte:
trecho retirado do estatuto da rede).
A votação é por aclamação, salvo nos casos de eleições da diretoria e
do
conselho fiscal, em que a votação se
pelo voto secreto. O processo de votação é
pela maioria simples dos votos das associadas presentes, tendo cada associada
direito a um voto. As assembléias acontecem (em média) uma vez por mês e
delas participam somente os farmacêuticos. Entre uma reunião de
assembléia
e
outra
são realizadas reuniões mensais da diretoria e das comissões de projeto
6
.
Em
23 de novembro de 2002, a comissão técnica foi subdividida em
quatro comissões: medicamentos, cosméticos, homeopatia e fitoterápicos e
5
Será usada, inicialmente, a denominação dada pela rede aos líderes de projeto. No caso da Ação
Magistral,
os coordenadores de comissão equivalem aos líderes.
6
A periodicidade das reuniões das comissões pode variar conforme o estágio de desenvolvimento
dos respectivos projetos.
80
embalagens
(quadro 6). Essas comissões
indicaram
projetos estratégicos da rede
a serem desenvolvidos ao longo dos próxim
os anos.
Quadro
6
Subdivisão da primeira comissão técnica da Rede Ação Magistral
Em
16
de agosto do ano de
2003
, foi comunicado aos associados o
interesse de um grupo de
12
empresas do estado de Santa Catarina em fazer parte
da associação. A proposta de mudança do estatuto e
do
nome da
rede
, com a
abertura para outros estados do país, foi aprovada por unanimidade.
Como vantagem tem-se o aumento da competitividade e, como estão em
outro estado, a concorrência também seria interessante pra nós. A base
seria o nosso estado e eles entrariam como sócios efetivos (fonte: trecho
retirado de ata da assembléia da rede).
O contato foi estabelecido por meio da Sra. Cristina Duchini, da empresa
Beladerm de Criciúma, presidente da A
NFARMAG
Regional Santa Catarina.
Desse grupo, atualmente sete
empresas
fazem parte da rede (quadro 7).
23 de novembro de 2002:
subdivisão da comissão técnica
Empresas
Coordenador:
Matéria Pura
Spengler
Dermogral
Farmácia Santa Júlia
Farmhoderm
Uso Indicado
Uso Indicado
Fármaco Ativo
Coordenador:
Apotheke
Essência de Vida
Fármaco Ativo
Fitonfarma
Tecnifarma
Fracionatta
Coordenador:
Rosa Moschetta
A Farmathuia
Nova Essência
Bellafarma
Amplo Espectro
Coordenador:
Fitonfarma
Dermogral
Bellafarma
Multimisturas
Embalagens
Medicamentos
Cosméticos
Homeopatia e fitoterápicos
81
Quadro
7
Empresas do estado de Santa Catarina que fazem parte da Rede
Ação Magistral
Em
20
de janeiro do ano de
2004
,
os sócios
se
decidiram
por uma
redistribuição das comissões da rede (quadro 8). Na época, a diretoria da rede
decidiu não indicar coordenadores das comissões, passando a se reunir com cada
uma das comissões isoladamente. Também nessa data, a rede aderiu ao programa
Empreender do SEBRAE.
Quadro
8
Redistribuição das comissões da rede Ação Magistral em janeiro
de 2004
Número
Empresa
Cidade
Estado
1
Artepharma
Mafra
SC
2
Beladerm
Criciúma
SC
3
Botica do Valle
Joinville
SC
4
Dermaestetica
Blumenau
SC
5
Dermobel filial
São Miguel do Oeste
SC
6
Dermus
Florianópolis
SC
7
Maria Rocha
Tubarão
SC
20 de janeiro de 2004:
redistribuição das comissões
Empresas
Apotheke
Tecnifarma
Fracionatta
Fármaco Ativo
Matéria Pura
Farmácia Santa Júlia
Uso Indicado
Nova Essência
Amplo Espectro
Mistura da Terra
Rosa Moschetta
Dermoplast
Fitonfarma
Essência da Vida
Pharma Pura
Relicário
Multimisturas
Biopharma
Tecnifarma
Beladerm
Matéria Pura
Executivo
Botânica
Botânica
Antiqua
Administrativo e Finanças
Comunicação
Embalagens
Técnica cosméticos
Medicamentos
Fitoterápicos e homeopatia
Qualidade
Tributário e Jurídico
82
Em
17
de julho do mesmo ano, novas comissões foram formadas e
apresentadas
(quadro 9). A diretoria voltou a indicar coordenadores das comissões,
alegando que a ausência de coordenadores
nas
comissões teria inviabilizado os
trabalhos.
Quadro
9
Nova redistribuição das comissões da rede Ação Magistral em
julho de 2004
Em
21
de agosto do ano de
2004
, foram formadas novas comissões em
função da entrada da rede no Programa Redes de Cooperação, com base no
modelo de gestão difundido pelo programa (a rede foi lançada pelo programa no dia
oito de dezembro do mesmo ano
).
Em
11
de setembro do mesmo ano, a rede
decidiu
estabelecer novas
comissões, que permaneceram até o ano de
2006
, fora dos padrões estabelecidos
pelo programa
(quadro 10).
17 de julho de 2004:
redistribuição das comissões
Empresas
Marketing e identidade visual
Coordenador:
Beladerm
Coordenador:
Essência da Vida
Fracionatta
Farmácia Santa Júlia
Coordenador:
Tecnifarma
Tecnifarma
Fármaco Ativo
Coordenador:
Bellafarma
Dermogral
A Famathuia
Spengler
Coordenador:
Tecnifarma
Mistura da Terra
Coordenador:
Dermogral
Spengler
Coordenador:
Rosa Moschetta
Proderma
Pharma Pura
Bellafarma
Coordenador:
Executivo
Uso Indicado
Dermus
Especificações
Produtos marca própria
Informativo médico
Qualificação de fornecedores
Eventos
Gestão da qualidade
Capacitação em novidades
Genéricos e especialidades
83
Quadro
10
Comissões da rede Ação Magistral, gestão 2004
-
200
6
Na mesma data, uma nova composição de diretoria
foi
apresentada aos
sócios e aprovada por unanimidade
(quadro 11)
.
Quadro
11
Diretoria da Rede Ação Magistral, gestão 2004-
2006
Cargo
Empresas
Presidente
Bellafarma
Vice- Presidente
Dermogral
Secretário
A Famathuia
Tesoureiro
Spengler
Conselho Fiscal
Titular
Aromas e Poções
Titular
Pharma Pura
Titular
Pharmacus
Suplente
Dermobel
Suplente
Fracionatta
Suplente
Uso Indicado
Conselho Ética
Titular
Biopharma
Titular
Alquimia
Titular
Aromas e Poções
Titular
Mistura da Terra
Titular
Dermogral
Titular
Rosa Moschetta
Diretoria Gestão 2004-2006
Comissões 2004-2006
Empresas
Marketing
Coordenador:
Dermogral
Coordenador:
Beladerm
Pharmacus
Mistura da Terra
Coordenador:
Fármaco Ativo
Tecnifarma
Matéria Pura
Apoteke
Coordenador:
Tecnifarma
Fármaco Ativo
Matéria Pura
Apoteke
Coordenador:
Bellafarma
Amplo Espectro
Essência da Vida
Remédius
Padronização e medicamentos
Coordenador:
Fracionatta
Coordenador:
Botânica
Antiqua
Satisfação do Associado
Coordenador:
Spengler
Coordenador:
A Farmathuia
Fórmula Famácia
Fórmula Vital
Calabash
Multimisturas
Oficina de Misturas
Bellafarma
Marketing
: Subcomissão eventos,
identidade visual e informativo
Marketing
: Subcomissão produtos
marca própria
Filtro Solar
Inovação
Negociação
Embalagens
84
A nova diretoria, juntamente com os conselhos e as comissões formadas
anteriormente, gerenciou a rede até o final do ano de
2006
.
Segundo o estatuto da rede,
50%
dos cargos da diretoria devem ser
renovados a cada eleição, sendo que o mandato dos eleitos é de dois anos. Para o
conselho fiscal, é permitida a reeleição de apenas um terço dos seus componentes.
Na prática, a diretoria da Rede Ação Magistral não obedeceu a essa regra do
estatuto. Segundo o presidente da rede nas gestões 2002-2004 e 2004-2006, a
decisão pela manutenção de praticamente t
oda
a
diretoria (só mudou um dos
membros) foi fundamentada na necessidade de centralização para garantir a
sobrevivência da associação durante o período. Essa decisão, ainda que não tenha
sido explicitada, foi respaldada pelos associados em assembléia, uma vez que a
chapa foi aprovada por unanimidade.
Além dos problemas comuns de gestão enfrentados pela rede,
novas
regulamentações foram impostas para o setor e, a partir do mês de agosto do ano
de
2004
, a rede precisou iniciar um trabalho de articulação política para fazer frente
a elas. Esse foi um período caracterizado por todos os associados entrevistados
como preocupante, dadas as novas regulamentações, principalmente a Consulta
Pública 31 da ANVISA (Agência Nacional de Vigilância Sanitária). Segundo um
dos
entrevistados:
(...)
quando apareceu a consulta pública 31, a resolução que rege as
farmácias magistrais, que hoje é a resolução 214, tumultuou demais o
mercado, porque ela praticamente colocou em risco a existência das
farmácias magistrais no Brasil. Então, todas as coisas ficaram de lado, todo
mundo saiu pra poder ver se ia continuar existindo, se a gente ia sobreviver
à avalanche.
Logo, o período compreendido entre o final do ano de
2004
e o final do
ano de
2005
pode ser caracterizado como de redução das atividades na rede. O
85
único projeto conduzido durante o período foi o desenvolvimento dos filtros solares
NoRed FPS 15 e FPS 30. A rede voltou a investir nos seus projetos estratégicos
somente no início do ano de 2006, inclusive com a conclusão do pr
ojeto
dos filtros
e
o lançamento
dos
produtos
. Na fala do presidente da rede na época:
Na segunda [gestão] a gente começou a profissionalizar a Ação: nós
contratamos o Carlos [segundo executivo contratado], a gente conseguiu
uma sede própria, uma secretária, e isso permitiu que nós não
assumíssemos mais compromissos, que a gente pudesse delegar pra ele,
em termos táticos e operacionais, e ficando só com os estratégicos.
A análise
deste
trecho
de
entrevista evidencia uma necessidade
de
mudanças estruturais. Em dezembro do ano de
2004
foi formada uma comissão
para elaborar um novo estatuto para a rede
(quadro 12)
.
Quadro
12
Comissão para revisão do estatuto da Rede Ação Magistral
As alterações no estatuto tinham começado a ser discutidas no ano de
2003
, quando da entrada do grupo de empresas do estado de Santa Catarina. O
novo estatuto da rede foi aprovado por unanimidade e assinado em
19
de agosto de
2006
. Em
19
de janeiro do ano de
2007
, uma nova diretoria assumiu a rede
(vid
e
anexo C)
.
A partir do início do ano de
2007
, tem-se o período de maior produção
conjunta e ganhos para os associados da rede.
Analisando
-se o histórico da rede,
pode
-
se
afirmar que
esse
período iniciou com os resultados positivos
obtidos
a partir
do lanç
amento
dos filtros solares, que, por sua vez, motivaram novos projetos na
rede.
Comissão
Empresas
Coordenador:
Pharmacus
Fitonfarma
Advogado
Revisão do estatuto
86
Na mesma data em que
uma
nova diretoria assumiu a rede, foram
apresentadas as
novas comissões formadas
(quadro 13).
Quadro
13
Comissões da
Rede Ação Magistral, gestão 2007
-
2008
Atualmente estão associadas à rede
44
empresas, entre pequenas e
médias, totalizando
80
pontos de venda.
Essas
empresas estão localizadas,
em
sua
maioria, na região da grande Porto Alegre,
estendendo
-
se
também para as
regiões
do Vale
do
Sinos, Serra, Pelotas, Passo Fundo e Bagé, além das empresas do
estado de Santa Catarina (ver relação completa dos associados da rede no
anexo
C).
5.3 Análise longitudinal, a partir dos projetos da Rede Ação Magistral
Nesta
seção, serão analisados três projetos da rede: primeiro, o projeto
dos filtros solares NoRed FPS15 e FPS30; em seguida, o projeto
de
Comissões 2007-2008
Empresas
Coordenador:
Tecnifarma
Fármaco Ativo
Matéria Pura
Coordenador:
Dermogral
Beladerm
Spengler
Matéria Pura
Botânica
Coordenador:
Bellafarma
Pharma Pura
Fitonfarma
Coordenador:
Dermus
A Farmathuia
Calabash
Essência de Vida
Bellafarma
Coordenador:
Spengler
Fármaco Ativo
Coordenador:
Proderma
Alquimia
Farmácia Santa Júlia
Multimisturas
Festiva
Produtos marca própria
Genéricos
Marketing
Negociação
Editorial
87
desenvolvimento
da revista da rede, a InfomAção Magistral; por fim, o projeto
de
desenvolvimento
dos filtros NoRed FPS60 e NoRed Kids
.
5.3.1 O projeto dos filtros solares NoRed FPS15 e FPS30
Segundo os entrevistados, a estratégia de desenvolvimento de produtos
de marca própria está relacionada à
crise que enfrenta o
segmento magistral
. A crise
se dá, principalmente, em função da concorrência com as drogarias (com
medicamentos genéricos), das restrições governamentais à atuação das farmácias
de manipulação e da pressão exercida pelas grandes empresas da indústria
farmacêutica no mercado. A presença e
a
força
desses elementos de crise
rest
ringem o campo de atuação das farmácias de manipulação. Daí a opção da rede
por produtos de marca própria, primeiramente na área cosmecêutica.
A definição de qual seria o primeiro produto desenvolvido pela rede Ação
Magistral
dois tipos de filtro solar
se deu em função do aumento do consumo
desse
produto nos últimos anos e pela
possibilidade
de a ANVISA exigir que as
farmácias que manipulam filtro solar façam os testes de FPS
Fator de Proteção
Solar em cada filtro solar manipulado. Em função dos custo
s
desses testes de FPS
,
a rede optou pelo desenvolvimento de um produto único. Segundo os entrevistados,
a ANVISA, hoje, está focada na indústria farmacêutica, mas com o tempo deverá
regulamentar também a produção de cosméticos; portanto,
a
opção por
desen
volver
um filtro solar único
é uma ação pró
-
ativa. Segundo um dos entrevistados:
Esse projeto, assim como os outros, é fruto do planejamento estratégico da
rede, que tem quatro aspectos fundamentais. Um deles era o projeto
chamado produtos de marca própria; o primeiro item a ser desenvolvido era
o filtro solar.
88
Foi formada, então, em novembro do ano de
2002
uma comissão com
seis farmacêuticos, que reuniu aqueles que atuavam na área cosmecêutica,
trabalhando diretamente com médicos dermatologistas (quadro
14)
.
Quadro
14
Primeira comissão para o projeto dos filtros solares NoRed FPS15
e FPS30
Desde então, diversas ações foram
desempenhadas
para o
desenvolvimento dos primeiros produtos da rede, ainda que configurassem ações
bastante dispersas e sem continuidade. A situação do projeto dos filtros solares
mudou em agosto do ano de
2004
, quando
ele
passou a ser oficialmente conduzido
por quatro farmacêuticas
,
que
o
concluíram no ano de
2006
(quadro 15)
.
Quadro
15
Comissão definitiva para o projeto dos filtros solares NoRed
FPS15 e FPS30
A primeira etapa do projeto foi o desenvolvimento da fórmula
farmacêutica
, envolvendo a busca das
matérias
-
primas
,
a
determinação do FPS e
a
avaliação sensorial dos produtos (fragrância, textura). Todas as especificações
técnicas foram definidas pela comissão. O laboratório contratado desenvolveu cinco
protótipos para cada filtro solar.
Comissão
Empresas
Coordenador:
Apotheke
Essência de Vida
Fármaco Ativo
Fitonfarma
Tecnifarma
Fracionatta
Cosméticos
Comissão
Empresas
Coordenador:
Tecnifarma
Fármaco Ativo
Matéria Pura
Apoteke
Filtro Solar
89
A comissão acompanhou todo o processo de desenvolvimento da fórmula
e escolheu tr
ês
protótipos
que foram apresentados e avaliados em assembléia.
Também nessa primeira fase foi acompanhado, testado e registrado o processo de
preparação em bancada, bem como as adaptações necessárias da bancada para a
produção piloto e, depois, para a pla
nta industrial.
A segunda
etapa
do projeto foi
a realização dos testes de estabilidade dos
produtos e do FPS. Na terceira etapa
,
foram realizados testes em um laboratório
reblado (expressão usada para designar laboratório reconhecido pela ANVISA) para
regi
stro na agência. Ali foram feitos os testes iniciais físico-químicos. Depois
destes,
iniciaram
os testes em humanos (como de resistência a água).
Vencida a etapa de testes da produção piloto, a direção da rede assumiu
o projeto para fazer a distribuição do produto por todas as farmácias associadas.
Os
objetivos foram testar a recepção do produto pelos consumidores (médicos e
pacientes)
e pelos associados, receber
feedback
sobre a utilização do produto e
testar a produção do fornecedor em lotes maiores e a venda nas farmácias.
Na quarta etapa do projeto, foi definida a comercialização do produto em
embalagens de 100 ml que levassem a marca da rede. A comissão de marketing,
responsável pela embalagem, não trabalhou junto com a comissão dos filtros
solares. Sendo assim, a embalagem, que poderia ter sido desenvolvida
simultaneamente, acarretou mais um atraso: a própria comissão dos filtros solares
saiu em busca da embalagem. Nessa fase foi definido
o
layout
da embalagem e se o
produto seria rotulado ou se as inf
ormações seriam silkadas na
embalagem
.
Na quinta etapa do projeto, foram feitos os testes de estabilidade na
embalagem (que poderiam ter sido feitos junto com os testes de estabilidade do
produto).
Na sexta etapa, foram feitos os testes finais de irritação dérmica (para que
90
a rede pudesse usar na embalagem o termo testado dermatologicamente). Por fim,
foi realizado
o processo de registro da marca.
O processo de desenvolvimento dos filtros solares NoRed FPS15 e
FPS30
foi demasiado longo, na opinião de todo
s os entrevistados: mais de dois anos
(de agosto de 2004 a agosto de 2006). Apesar de o processo de desenvolvimento
de produtos
em
geral
ser tecnicamente demorado, o sistema para tomada de
decisão na rede Ação Magistral aumentou consideravelmente esse tempo: a
comissão não tinha autonomia para decidir sozinha, pois todas as decisões eram
tomadas em assembléia. A demora se deu tanto pelo fato de a assembléia e a
diretoria se reunirem mensalmente como pelo problema, destacado pela líder, da
falta de envolvime
nto da maioria dos associados com o projeto.
A análise do projeto dos filtros permite concluir que o aprendizado
oportunizado levou a pelo menos duas alterações fundamentais, ocorridas na rede
quando da reformulação do estatuto (
concluída
em agosto do ano
de
2006
).
A primeira alteração diz respeito à opção da rede, para os próximos
projetos, por uma organização mais ágil e focada em projetos específicos, criando-
se as chamadas comissões por projeto. Para cada projeto da rede deve ser formada
uma comissão q
ue
desenvolva
um plano de ação a ser apresentado e aprovado em
assembléia. A rede propôs uma flexibilização das comissões de projeto, criando
comissões permanentes e comissões temporárias, o que confere mais agilidade à
estrutura organizacional da rede. Hoje, existem oito comissões em andamento:
seis
comissões de caráter permanente (produto de marca própria, marketing,
negociação, editorial, festiva e genéricos) e duas comissões de caráter temporário
(
assuntos jurídicos e planejamento estratégico
).
91
A segunda alteração fundamental do estatuto foi a criação de uma nova
instância de administração e deliberação, somada à diretoria, ao conselho fiscal e ao
conselho de ética: o conselho consultivo. Conforme o estatuto da rede determina, o
conselho
consultivo
está
presente em todas as reuniões de diretoria e se reúne,
individualmente, a cada três meses.
Art. 29º - Ao Conselho Consultivo compete: a) Apreciar e opinar acerca do
orçamento anual da Ação Magistral, pelo menos dois meses antes da
Assembléia Geral; b) Resolver juntamente com a Diretoria, quando
convocado, os casos omissos deste Estatuto; c) Assessorar os demais
órgãos de direção, quando por estes solicitados ou quando houver
necessidade prevista neste Estatuto (fonte: trecho retirado do estatuto da
rede).
A análise do trecho retirado do estatuto da rede evidencia que a criação
do conselho consultivo respondeu à necessidade de se criar um órgão de apoio às
decisões da diretoria. P
ode
-
se
afirmar que o conselho consultivo foi criado em
função das dificuldades de gestão da rede como um todo e, especificamente, da
experiência do projeto dos filtros solares.
Foram contratadas ao todo cinco empresas durante o processo de
desenvolvimento dos filtros solares: uma empresa para o desenvolvimento das
fórmulas e para os testes de estabilidade;
uma
para o desenvolvimento da
embalagem e para o
layout
;
uma
para os testes de avaliação e registro na
ANVISA
;
uma
para os testes finais; e uma para a produção. Segundo a coordenadora do
projeto, o custo total do processo foi muito elevado: nenhuma das empresas da rede
poderia arcar sozinha com o custo.
Segundo os entrevistados, o diferencial
desse
produto em relação ao
mercado está no sensorial do filtro: alta proteção sem um sensorial graxo nem
um
excesso de dióxido de titânio (cor esbranquiçada). Para tanto, foi escolhido um filtro
base de alta qualidade (um filtro físico-químico). Um dos filtros solares da rede,
o
92
FPS30, foi considerado com padrão australiano (alta proteção UVA). Outro
diferencial é a estratégia de venda da rede, centrada no profissional prescritor (por
exemplo, os médicos dermatologistas), tanto que os produtos foram lançados em
outubro do ano de
2006
, na Jornada Gaúcha de Dermatologia.
5.3.2 O projeto da revista InformAção Magistral
O projeto da revista da rede, a InformAção Magistral, nasceu da
necessidade
de a rede estabelecer um canal de comunicação direta com o seu
principal cliente, o profissional prescritor. Desde o início da rede Ação Magistral
,
ações foram planejadas no sentido de aproximar o profissional prescritor, como o
evento de dermatologia organizado pela rede, no dia cinco de junho do ano de
2004
,
e a participação da rede nas jornadas de dermatologia do Hospital de Clínicas de
Porto Alegre e
na
Jornada Gaúcha de Dermatologia. Segundo os entrevistad
os:
Era o sonho de todos; nem era de uma revista, era o sonho de ter uma mala
direta, um informativo. Desde o início trabalhava essa idéia: como a gente
vai comunicar? Então nós olhamos muita coisa: empresas que trabalhavam
isso [...] pra gente encontrar um canal que fosse realmente a nossa cara.
Foram quase dois anos desde a primeira idéia até chegar à revista [...] Nós
pensamos em trabalhar congressos, pra fazer esse processo de
comunicação. Depois pensamos em ir trabalhar com o profissional residente
nas
universidades; foi
uma
volta pra achar um canal que desse resultado
[...] Trata-se de material médico com conteúdo estritamente científico. O
objetivo é proporcionar
às
farmácias sócias material de alta qualidade para
a realização de visitação com prescri
tores. [...]
[característica da revista] Ser científica, e dar opção pro médico usar essas
substâncias colocadas na revista para o tratamento dele, no paciente dele.
O projeto da revista foi iniciado em outubro de
2006
, com a composição
de uma comissão formada pela diretoria e pelo executivo da rede, inicialmente
responsáveis pelas negociações com o fornecedor (quadro 16). Segundo o
presidente da rede na época:
93
A diretoria se envolveu no sentido que tinha os contatos e dos
relacionamentos. A diretoria chamou para ela sempre a responsabilidade,
sabe, chamar a empresa, pagar a empresa, os custos, administrar os
recursos. Isso a gente sempre chamou, para que as coisas acontecessem.
Quadro
16
Primeira comissão para o projeto da re
vista
Info
r
mAção Magistral
Em
25
de novembro do mesmo ano, foi
solicitada
em assembléia pelas
empresas de Porto Alegre a montagem de um projeto piloto de visitação, tendo em
vista o grande número de associados na cidade. Nasceu assim o grupo chamado
G13, d
as
13
farmácias da rede localizadas em Porto Alegre, com o objetivo inicial de
organizar o processo de visitação aos profissionais prescritores para a futura entrega
da revista
(quadro 17)
.
Quadro
17
Empresas do grupo G13
A partir daí, o grupo do G13 já propôs ações na região que serviram como
piloto para outras ações da
rede, como a divulgação do NoRed, por exemplo
.
O
G13
vem sendo solicitado para a implantação de projetos
piloto
com o objetivo de testá-
los
e divulgar a ex
periência
aos demais associados em assembléia. Na opinião de
Comissão
Empresas
Bellafarma
Dermogral
A Famathuia
Spengler
Executivo
Revista
Número
Empresa
1
Coordenador:
Pharmacus - Moinhos
2
Pharmacus - Zona Sul
3
A Famathuia
4
Calabash
5
Dermogral - Centro
6
Dermogral - Moinhos
7
Dermogral - Zona Norte
8
Fitonfarma
9
Matéria Pura
10
Oficina de Misturas
11
Spengler - Bom Fim
12
Spengler - Menino Deus
13
Tecnifarma
94
um dos entrevistados, o G13 é mais pido na execução e
na
implementação dos
projetos
, se comparado ao restante da rede
.
Em
19
de janeiro do ano de
2007
foi formada uma comissão editorial para
a
escolha dos temas das edições e
a
avaliação dos artigos da revista (quadro 18)
.
Em
26
de março do mesmo ano, a comissão editorial apresentou a primeira edição
da revista. Desde então, a comissão atua em caráter permanente para o projeto da
revista da rede.
Foi definida a criação de uma comissão de trabalho para definição e
aprovação do conteúdo da revista que irá abranger, inicialmente, todas as
especialidades médicas e, aos poucos, migrar para uma revista de
dermatologia e outra para outras especialidades (fonte: trecho retirado de
ata da assembléia da rede).
Quadro
18
Comissão para o projeto da revista
InformAção Magistral
em 2007
As
atribuições da comissão hoje essencialmente consistem na escolha do
tema da próxima edição, na avaliação e
na
escolha dos artigos científicos
relacionados ao tema e na escolha das matérias-primas (e seus respectivos artigos)
que serão divulgadas no caderno central sobre cosmetologia (seção permanente da
revista).
Segundo um dos entrevistados, memb
ro do time de projeto
:
Ele [Gerson] coordena as atividades, fazendo o ajuste para que tudo
aconteça dentro dos prazos determinados. Uma vez definido [juntos], cabe a
ele [Gerson] a coordenação. Então ele tem prazo pra receber o material,
passa pra nós, nós avaliamos quais são as áreas que nós temos que
trabalhar (pediatria, reumatologia, cosmetologia)
,
nós vamos definir as áreas
de interesse pra essa revista. Passamos pra ele e ele faz um consenso.
Então ele escolhe o que mais foi votado (votado pela comissão). ele
passa pra nós uma gama de artigos relacionados àquela área, então nós
fazemos uma análise de tudo, dos melhores artigos a serem usados na
revista no momento. Então nós enviamos pra ele e ele vai pegar o que é
mais importante na serra, o que é mais importante em Porto Alegre, o que é
Comissão
Empresas
Coordenador:
Dermus
A Farmathuia
Calabash
Uso Indicado
Bellafarma
Editorial
95
mais importante no sul do estado [do Rio Grande do Sul], em Santa
Catarina...
5.3.3 O projeto de desenvolvimento dos filtros solares NoRed FPS60 e NoRed
Kids
O projeto dos filtros solares NoRed FPS60 e NoRed Kids surgiu da
intenção da rede em dar continuidade à linha de produtos NoRed, desenvolvendo
um protetor específico facial e um produto para crianças. A idéia de ampliar a
linha
de produtos vinha sendo discutida pelos associados, antes mesmo do lançamento
dos fil
tros FPS15 e FPS30. Mas o projeto efetivamente começou em maio do ano de
2007
, após a posse da nova diretoria da rede. Essencialmente foram mantidos os
mesmos membros da comissão do projeto anterior
(quadro 19).
Quadro
19
Comissão para o projeto dos filtros solares NoRed FPS60 e
NoRed Kids
A respeito do funcionamento da comissão, segundo a sua coordenadora:
Dessa vez a gente dividiu um pouco as coisas: a Cris ficou com os produtos
que podem ser comprados prontos, como o lápis da Faber Castell [um lápis
com ácido salicílico, para o tratamento da acne]. Mas ela também participa
das decisões do desenvolvimento dos filtros. A Sonia ficou com a
embalagem. Mas em todos os momentos de decisão, as três se reúnem.
O projeto dos novos filtros passou pelas mesmas etapas do projeto
anterior
. Inicialmente, foi desenvolvida a fórmula farmacêutica, em parceria com a
CIBA, empresa fornecedora da
matéria
-
prima
.
Então, amostras do produto foram
apresentadas na assembléia de
29
de setembro do ano
de
2007
. O produto foi
aprovado e seguiu para as etapas subseqüentes de testes.
Comissão
Empresas
Coordenador:
Tecnifarma
Fármaco Ativo
Matéria Pura
Produtos marca própria
96
Os primeiros a serem realizados
foram
os testes de estabilidade.
Estes
começaram em dezembro do ano de
2007
, previstos para conclusão em fevereiro de
2008
. Logo após, os produtos deverão seguir para os testes em um laboratório
reconhecido pela ANVISA, para
o
registro na agência, para os testes físico
-
químicos,
para os testes em humanos e para os testes de estabilidade na embalagem.
Serão contratadas ao todo quatro empresas durante o processo de
desenvolvimento dos filtros NoRed FPS60 e NoRed Kids: a empresa fornecedora da
principal
matéria
-
prima
, que desenvolveu a fórmula junto com a comissão dos
produtos de marca própria; o laboratório para os testes de eficácia e segurança; um
a
empresa para a produção em escala industrial; e uma empresa que cuidará do
registro na
ANVISA
. Novamente a coordenadora do projeto afirmou que os custos de
desenvolvimento inviabilizariam
o investimento pelas empresas individualmente.
Na assembléia de
29
de setembro de 2007, após a apresentação do
projeto dos filtros, os associados
se
decidiram pela criação de um fundo permanente
para custear os projetos de desenvolvimento e o lançamento de novos produtos (um
depósito mensal por empresa). Segundo o executivo da rede, foi uma ação proposta
pelos próprios associados no dia da assembléia.
Conforme
os entrevistados, o diferencial do NoRed Kids é a utilização de
um corante que indica o local onde o produto foi aplicado; no caso do NoRed
FPS60, são as vitaminas que serão agregadas. A estratégia de vendas continua
centrada no profissional prescritor: a previsão de lançamento do produto é maio do
ano de
2008
, na XXVI Reunião Anual de Dermatologistas Latino-
Americanos,
(RADLA), em Curitiba.
97
5.4 Análise transversal, a partir dos elementos de gestão de projetos da Rede
Ação Magistral
Nesta
seção, serão analisados os elementos de gestão de projetos da
rede
Ação Magistral. Primeiramente serão discutidos os elementos responsáveis
pela coordenação direta dos projetos
e
pela
conectividade da rede: os líderes de
projeto e as ações de comunicação utilizadas
.
Em seguida, serão analisados os
elementos responsáveis pela dimensão da complementaridade de competências: os
times
formados ao longo da trajetória da rede e, especificamente, ao longo dos
projetos analisados
anteriormente
.
5.4.1
Análise dos líderes de projeto
A partir da análise do histórico da rede Ação Magistral e dos projetos
selecionados, é possível afirmar que a rede veio, ao longo dos anos,
delineando
e
aperfei
çoando uma estrutura de coordenação que traduz o esforço progressivo de
alinhamento das empresas
associadas
em prol da
ação conjunta.
A rede compôs, no ato da sua fundação, comissões para executar os
trabalhos determinados
, nas assembléias,
pela diretoria
e pelos associados. Logo no
início
das suas operações, a diretoria solicitou às comissões que definissem seus
coordenadores
. Foram então indicados líderes para a coordenação direta d
os
trabalhos das comissões e para a representação das mesmas
junto
à diretoria da
rede, estabelecendo
assim
uma ligação entre
esses
dois grupos.
Aproximadamente um ano após a formação das comissões, os sócios
se
decid
iram
pela sua redistribuição. Na época, a diretoria da rede decidiu não indicar
98
coordenadores
para as
comissões,
passando a se reunir com cada uma das
comissões isoladam
ente
. Seis meses depois, novas comissões foram formadas e
apresentadas
, e a diretoria voltou a indicar coordenadores para as comissões,
alegando que a
ação
promovida anteriormente teria inviabilizado
os trabalhos.
É possível perceber uma tendência à centralização das decisões da rede
nos seus primeiros quatro anos de existência. Foi mantida praticamente toda
a
diretoria
da gestão 2002-2004 na gestão subseqüente, eleita para o período de
2004
-
2006
(só
mudou um dos membros)
.
Segundo o presidente
,
essa
decisão
esteve
ligada
às
dificuldades atravessadas pela rede durante o período
compreendido entre o mês de agosto do ano de
2004
e
o
final do ano de
2005
. A
decisão pela manutenção da mesma diretoria para os dois períodos foi respaldada
pelos associados, uma vez que a chapa foi aprovada por unanimidade.
[...] nós passamos por um período muito sério estrutural que foi perto do
final da primeira gestão, onde a rede realmente sacudiu, ficou numa
situação delicada porque ficou marcando passo... [...] então a centralização
foi uma maneira de matar essa inércia, colocar nome aos bois, e partir pra
um sistema, inicialmente, bem autocrático: vamos trabalhar assim, vamos
fazer isso, isso e isso. Esse é o nosso prazo, esse é o nosso objetivo, essa
é a nossa meta.
O período de dificuldades a que o presidente se refere diz respeito à
C
onsulta
Pública 31 da
ANVISA
e, principalmente, ao desenvolvimento do projeto
dos filtros solares NoRed FPS15 e FPS30. Portanto, faz-se necessário retomar o
projeto dos filtros solares para compreender o impacto dessa experiência na
estrutura de coordenação da rede.
Do ponto de vista do arranjo de competências necessárias para o
desenvolvimento dos produtos, foi formado um time de experts com condições de
executar o projeto dos filtros solares
.
A
líder
do projeto atuava na área de
desenvolvimento de produtos para um laboratório de São Paulo. Dado o perfil das
99
participantes
do time
do projeto
dos filtros
,
foi possível combinar
no desenvolvimen
to
dos produtos toda a experiência de bancada com filtros solares receitados por
diferentes
dermatologistas, ou seja, de produtos com características muito
específicas.
No entanto, o projeto dos filtros solares carecia de uma estrutura de
coordenação. A líder do projeto, indicada pela comissão de cosméticos em função
da sua experiência na área, não atuou livre de
atritos
com os demais associados
(mesmo sem problemas dentro da
própria
comissão). Tanto que ela se retirou por
um tempo, retomando a coordenação do projeto dos filtros solares mais tarde.
Em
entrevista com a líder do projeto, foi constatado que as fórmulas dos filtros poderiam
ter sido desenvolvidas em uma das farmácias do grupo; entretanto
,
os associados
optaram por contratar um laboratório externo para esse desenvolvimento por não
entrarem em acordo em relação à farmácia escolhida.
No final do processo de desenvolvimento, o projeto foi novamente
assumido pela diretoria da rede. Segundo o presidente da rede na época:
O que mais importante houve é que, uma vez que a comissão fez o seu
trabalho, praticamente terminou a função dela, e começou uma função
mais de gerenciamento de informações da diretoria; nós chamamos pra nós
[diretoria]. Ou seja, quando esse projeto saiu da fase de teste e
desenvolv
imento
e
passou
para uma fase mais finalista, nós passamos a
coordenar
o
processo.
A análise
deste
trecho de entrevista evidencia a estratégia de
centralização para a conclusão do projeto dos filtros. A fase mais
finalista
a que se
refere
o presidente
di
z respeito, justamente, à implementação do projeto em todas
as empresas da rede: a distribuição e
a
venda do produto.
C
onforme
o presidente da
rede na época do projeto dos filtros:
100
Um projeto de filtro, um produto realmente complexo, de alto risco, que
env
olveu um aprendizado muito grande da nossa parte [...] infelizmente pra
nós foi o produto mais complicado a ser desenvolvido [...] mas o que nós
aprendemos é que a fase do planejamento é a fase mais crítica, onde a
gente tem que perder 70% do tempo verific
ando todas as possibilidades que
pode haver de problema, enfim, tudo que tu pode fazer pra que
certo.
Para que os outros 30% possam ser bem aproveitados. [...] então isso fez
com que a gente tivesse mais critério na seleção das coisas, e fez também
com
que nós aprendêssemos a ser mais empresariais. Quando a gente é
empresarial, a gente tem que aprender que tem pessoas que comandam e
outras que obedecem. E isso em uma entidade não é tão simples. Embora
se diga que isso ocorre, na prática, isso não ocorre.
A análise
deste
trecho de entrevista permite concluir que o aprendizado
oportunizado pelo projeto dos filtros levou à principal alteração ocorrida na rede
quando da reformulação do estatuto: a criação do conselho consultivo. Esse
conselho configura uma nova instância de administração e deliberação da rede
,
somada à diretoria, ao conselho fiscal e ao conselho de ética.
A partir da criação do conselho consultivo, os coordenadores das
comissões de projetos passaram a se reunir
diretamente
com a diretoria, in
formando
sobre o andamento de cada projeto. Apoiada pelo conselho consultivo, a diretoria
passou a deliberar sobre uma série de decisões operacionais que antes ficavam a
cargo da assembléia geral dos associados. Hoje, a partir da decisão pelo
investimento
da rede em determinado projeto, ficam a cargo da assembléia somente
as decisões que envolvam aumento nos custos dos projetos e, principalmente, que
exijam chamadas
extra
de capital. Ou seja, as comissões de projeto da rede Ação
Magistral têm, hoje, mais au
tonomia. Segundo um dos entrevistados:
[...] por isso que a gente mudou né. A comissão ela ficou, digamos assim,
com um pouco mais de autonomia naquilo, mas ela sempre tem que
consultar a diretoria. [...] a gente convoca o grande grupo [assembléia]
assim n
o caso: se aquilo estourar o orçamento, por exemplo, e se a diretoria
achar que essa grana nós não temos, então nós vamos ter que consultar o
grande grupo pra fazer uma chamada extra.
[...] quando existe uma situação pontual, eles [conselho consultivo] sã
o
chamados até porque tem toda uma questão de ter mais experiência de
condução.
101
Essa estrutura de coordenação vigora ahoje na rede, composta pela
diretoria da rede, pelos conselhos fiscal e de ética, pelo conselho consultivo, pelas
comissões (times de p
rojetos) e
por
seus coordenadores (líderes de projetos).
Na análise do projeto de desenvolvimento dos filtros solares NoRed
FPS60 e NoRed Kids, foi possível comparar e analisar os principais avanços na
coordenação dos projetos na rede, por se tratar da mesma comissão e da mesma
coordenadora
dos filtros solares NoRed FPS15 e FPS30. Segundo os entrevistados
,
membros do time de projetos
:
Esse projeto foi mais rápido: a gente foi decidindo, foi fazendo. A
gente leva [para a assembléia] a coisa meio pronta. É essa ou aquela
fórmula, não tem terceira.
Eu acho que está mais calmo. Eu acho, até porque a gente já teve a
experiência do passado, que agora a coisa está indo mais tranqüila [...] Eu
atribuo
à própria experiência da gente, de já ter feito um projeto e de chegar
com as coisas mais definidas. A própria diretoria vem dando um apoio legal,
ela não interfere diretamente, mas a gente vê que ela está apoiando a
gente. É experiência mesmo de saber lidar com os colegas.
Eles [associados
assembléia] ficam ansiosos. Por exemplo, do kids, eles
queriam fazer com três cores, e a gente disse: não, espera aí, vamos
passo a passo, terminar as coisas. O pessoal fica mais ansioso porque não
participa diretamente, e daí eles querem ver produto pronto e aca
bado;
querem vender. Daí uns dizem que tem que fazer
propaganda
de um jeito,
aquelas coisas normais. Mas com a experiência a gente está sabendo
contornar isso melhor.
A análise dos projetos
selecionados
na rede identificou
15
deres de
projeto
(quadro 20):
102
Quadro
20
Quadro geral do
s
líderes de projeto da Rede Ação Magistral
Esses líderes foram indicados ora pela diretoria da rede, ora pelos
próprios times para exercer a
sua
coordenação. Os líderes de projeto podem
part
icipar das reuniões de diretoria da rede, tanto para informar sobre o andamento
dos projetos, quanto para buscar apoio na tomada de decisões. O contato direto
entre os líderes de projeto e a diretoria está ligado à autonomia que esses times da
rede Ação Ma
gistral
têm
em relação à assembléia geral. Essa autonomia foi
adquirida quando da reformulação do estatuto da rede, a partir da experiência com o
projeto dos filtros solares (analisado anteriormente).
A análise dos líderes de projeto aponta a predominância de um grupo de
empresas na coordenação dos projetos da rede: o grupo dos fundadores. Dos
15
líderes identificados,
12
fazem parte do grupo das empresas fundadoras da rede.
Essa constatação reforça o argumento de que os fundadores constituem um grupo
de de
staque na rede.
No entanto,
ressalta
-
se
que o grupo de fundadores não é homogêneo:
das
27
empresas fundadoras, sete saíram da rede. Das
20
empresas restantes,
quatro nunca exerceram nenhuma função de coordenação na rede. o elas:
Alquimia, Antiqua Pharmacia, Farmácia Santa Julia e Uso Indicado. Ainda, outras
2002 - 2003
2004 - 2006
2007 - 2008
set/02
nov/02
jan/04
jul/04
ago/04
mar/07
Total
1
A Famathuia
X
X
X
X
4
2
Apotheke
X
X
X
3
3
Beladerm
X
X
2
4
Bellafarma
X
X
X
X
X
X
6
5
Botânica
X
1
6
Dermogral
X
X
X
X
X
X
6
7
Dermus
X
1
8
Essência de Vida
X
1
9
Fármaco Ativo
X
X
2
10
Fitonfarma
X
X
2
11
Matéria Pura
X
X
2
12
Proderma
X
X
2
13
Rosa Moschetta
X
X
X
X
X
5
14
Spengler
X
X
X
X
4
15
Tecnifarma
X
X
X
X
X
5
Empresas fundadoras da rede
Empresa
Diretorias
Times
103
três empresas
apresentaram
uma participação bem menos expressiva na
coordenação da rede, quando comparadas
às
demais
fundadoras
. São elas:
Fracionatta (titular do conselho fiscal na primeira diretoria da rede), Mistura da Terra
(titular do conselho fiscal na primeira diretoria da rede) e Multimisturas (titular do
conselho de ética na diretoria atual da rede).
Outra constatação possível, a partir da análise do quadro
20
, é a de que
11
líderes de projeto fizeram parte de pelo menos uma das diretorias da rede. A
reunião dessas duas constatações
a forte presença das empresas fundadoras
entre os líderes de projeto e a forte presença dos líderes nas diretorias da rede
reforça a proposição de que os líderes de projeto estabelecem pontes entre grupos
de empresas. No caso da Ação Magistral, os líderes fazem a ligação entre o grupo
de fundadores, a diretoria e os times de projeto, em que se reúnem os demais
associados. Ainda, os líderes Cristina e Gerson, respectivamente das empresas
Beladerm e Dermus do estado de Santa Catarina, podem ser considerados uma
ponte de ligação entre o grupo de associadas
nesse
estado e os demais grupos
que
se localizam
no estado do Rio Grande do Sul.
5.4.2
Análise das ações de comu
nicação da rede
A rede Ação Magistral surpreende pelo limitado conjunto de ações de
comunicação, principalmente se comparado ao conjunto de ações criado pela
Redemac, que será discutido no próximo capítulo.
As
ações de comunicação direta da rede Ação Magis
tral
resumem-se ao
calendário de reuniões da rede.
As assembléias acontecem (em média) uma vez por
mês e delas participam somente os farmacêuticos. Nos intervalos entre as
104
assembléias são realizadas, mensalmente, as reuniões da diretoria. os times de
pr
ojeto não têm um calendário de reuniões específico. Além das reuniões, são
realizadas pelo menos duas vezes por ano as assembléias festivas, em que os
associados se reúnem durante um final de semana para uma assembléia e
para
eventos de caráter social.
Cha
mam
a atenção as diretrizes adotadas pela rede no que tange ao
cuidado com a riqueza de informações que circulam nas suas reuniões,
principalmente nas assembléias. Como foi visto anteriormente, para participar da
rede a farmácia deve possuir no mínimo 50%
das cotas da sociedade pertencentes a
farmacêuticos. Ainda, é obrigatório que a empresa associada participe de algum
programa de qualidade da ANFARMAG ou
da
ISO.
Entre as
mídias indiretas para conectividade da rede, é utilizado um portal
na
internet
para cotação de fornecedores de matéria-
prima
e para compra, bem
como para o acesso a informações da rede (andamento de projetos, negociações,
calendário de reuniões, atas, entre outras). Além do portal, são utilizados o telefone,
o
e-
mail
e o programa Skype. T
odas
estas
configuram ações para promover a
aproximação e
a
integração dos associados.
5.4.3 Análise dos times de projeto da rede
A análise dos times de projeto formados na rede, ao longo da sua
trajetória, evidencia a busca pela estruturação do arranjo de competências na rede.
Desde a fundação
da rede
, foram formados times em torno dos
seus
principais eixos
de desenvolvimento estratégico: compras conjuntas, comunicação, marketing e
produtos de marca própria. Segundo o estatuto da rede:
105
ART.9º. São deveres
e obrigações de todas as associadas: [...] Participar de
grupos de trabalho, obedecidos os rodízios estabelecidos em reunião; [...]
Promover e facilitar o intercâmbio de informações entre associados...
Complementando
as mudanças na estrutura de coordenação dos projetos
da rede,
discutidas
anterior
mente
,
a Ação Magistral
delineou
uma
estrutura para
organização
dos projetos mais ágil e focada em
objetivos
específicos.
Quando o
estatuto da rede foi alterado,
foram criadas
as chamadas comissões por projeto, qu
e
se dividem em comissões permanentes e comissões temporárias. Assim, as
comissões, ou os times de projeto, são
formadas
à medida que oportunidades são
percebidas pela rede.
O sistema de
comissões por projeto funciona de forma que
,
para
viabilizar
o arranjo de competências necessário para cada projeto, é formada uma comissão
que
deve
, imediatamente, desenvolver um plano de ação a ser apresentado e
aprovado em assembléia.
A partir daí, a comissão tem total autonomia
,
em relação
à
assembléia geral da rede (ou seja, aos demais associados), para conduzir o projeto
.
Cada comissão formada, seja ela de caráter permanente ou temporário, é
coordenada por um líder de projeto, responsável, por sua vez, pela articulação do
trabalho da comissão junto às instâncias administrativas da rede: pontualmente, a
diretoria e o conselho consultivo
.
Para realizar o arranjo das competências necessárias, todos os times
formados na
rede
foram compostos por membros oriundos de diferentes empresas.
Segundo os entrevistados, as empresas s
e colocam como voluntárias para participar
dos times de projeto, a partir da experiência e
da
afinidade que demonstram com o
escopo dos projetos em questão. Segundo a
líder
do time responsável pelo
desenvolvimento dos filtros solares NoRed FPS15 e FPS30:
106
Os participantes [da comissão] foram escolhidos porque gostam da
atividade,
têm
afinidade, e porque naquela época nós estávamos,
teoricamente, loteando a Ação em várias comissões, cada uma cuidando de
um assunto.
É importante destacar a
ênfase
dada na rede para a reunião de experts
na sua área de atuação para compor cada time de projeto. Nas assembléias e nas
comissões de projeto é obrigatória a presença dos farmacêuticos donos
(ou
responsáveis técnicos) das empresas associadas. Segundo um dos entrevistados,
na base dessa orientação está a intenção de oportunizar a troca de informações
entre esses profissionais.
A análise da composição dos times formados evidencia o nível de
participação das empresas que fazem parte da rede na gestão dos seus projetos.
Desde
a fundação da rede
,
36
empresas aderiram aos times de projetos, sendo que
hoje, das
44
empresas que fazem parte da rede,
18
participam dos times de
projetos
e
18
fazem parte da diretoria. No total, atualmente
24
empresas estão envolvidas
diretamente com a
gestão da rede (quadro
21
).
107
Quadro
21
Quadro geral da composição dos times da Rede Ação Magistral
Na análise da composição dos times,
fica
evidente o predomínio de um
grupo de empresas na gestão da re
de
, participando
seja
dos times de projeto
seja
da diretoria. Ao todo,
13
empresas estiveram presentes na maioria dos times
2002 - 2004
2004 - 2006
2007 - 2008
set/02
nov/02
jan/04
jul/04
ago/04
mar/07
Total
1
A Alquimia
X
1
2
A Famathuia
X
X
X
X
X
X
X
7
3
Alquimia
X
X
X
3
4
Amplo Espectro
X
X
X
X
4
5
Antiqua Pharmacia
X
X
X
3
6
Apotheke
X
X
X
X
X
5
7
Aromas e Poções
X
X
X
3
8
Artepharma
9
Beladerm
X
X
X
X
4
10
Bellafarma
X
X
X
X
X
X
X
7
11
Biopharma
X
X
X
X
4
12
Botânica
X
X
X
X
4
13
Botica do Valle
14
Botica Pelotense
15
Calabash
X
X
2
16
Dermaestética
17
Dermavita
18
Dermobel
X
1
19
Dermogral
X
X
X
X
X
X
X
X
8
20
Dermoplast
X
X
2
21
Dermus
X
X
2
22
Energia Vital
23
Essência de Vida
X
X
X
X
X
X
6
24
Extractus
25
Farmácia Santa Júlia
X
X
X
X
X
X
6
26
Fármaco Ativo
X
X
X
X
X
X
X
7
27
Farmakis
28
Farmhoderm
X
X
2
29
Fitonfarma
X
X
X
X
X
5
30
Fórmula Farmácia
X
X
2
31
Fórmula Vital
X
1
32
Formulare Farmácia
33
Fracionatta
X
X
X
X
X
X
X
7
34
Francine Ghanem Farmácia
35
Homeopathus
36
In Corpore
37
Labovid
38
Magistrale
39
Maria Rocha
40
Matéria Pura
X
X
X
X
X
X
6
41
Mistura da Terra
X
X
X
X
X
5
42
Multimisturas
X
X
X
X
X
X
6
43
Natupharma
44
Nova Mistura
45
Nova Essência
X
X
X
3
46
Novaderm
47
Oficina de Misturas
X
1
48
Pharma Pura
X
X
X
X
X
5
49
Pharmacus
X
X
X
3
50
Proderma
X
X
X
3
51
Relicário
X
1
52
Remédius
X
1
53
Rosa Moschetta
X
X
X
X
X
X
X
7
54
Sanare
55
Spengler
X
X
X
X
X
X
X
X
8
56
Tecnifarma
X
X
X
X
X
X
X
7
57
Uso Indicado
X
X
X
X
X
X
6
58
Vian e Vian
X
1
59
Vitalle
Empresas que saíram da rede
Empresas com maior nível de adesão aos times formados na rede
Empresas que nunca aderiram aos times formados na rede
Empresa
Diretorias
Times
108
formados: A Farmathuia, Bellafarma, Dermogral, Essência de Vida, Farmácia Santa
Júlia, Fármaco Ativo, Fracionatta, Matéria Pura, Multimisturas, Rosa Moschetta,
Spengler, Tecnifarma e Uso Indicado. Todas essas fazem parte do grupo das
empresas fundadoras da rede. As demais empresas envolveram-se não na gestão,
mas na implementação dos projetos desenvolvidos por
esse
grupo.
Ao todo,
15
empresas saíram da rede.
Na
análise da composição dos
times de projeto
fica
evidente que,
do
grupo de empresas que saíram da rede,
nenhuma teve participação nos times formados na rede (
com
exceção da empresa
Apotheke, que foi vendida no final do ano de
2007
). Tal constatação reforça a
proposição
de
que times de projeto contribuem para o processo de integração das
empresas na rede. É evidente que a predisposição da empresa em trabalhar na
gestão da rede, por meio da participação nos times, é um indicativo da
sua
integração
com
as demais empresas. Ao longo do trabalho desenvolvido nos
projetos
, é oportunizada a aproximação das empresas a partir das rotinas
estabelecidas dentro dos times.
Além das empresas que saíram da rede, 13 empresas que, apesar de
fazere
m parte da rede, nunca participaram da sua gestão. D
estas,
cinco estão
localizadas em Santa Catarina, ou seja, trata-se de empresas geograficamente
distantes. Outras sete empresas
fazem
parte da rede
menos de um ano, o que
também
pode
justificar o fato de não participarem de nenhum time; são elas:
Formulare, Homeopatus, In Corpore, Labovid, Nova Mistura, Sanare e Vitalle.
Não
foi observada nenhuma medida, por parte da rede, para envolver essas empresas
na gestão.
109
6 ANÁLISE DOS CASOS: A REDE REDEMAC
6.1 Introdução
Como no capítulo anterior, o objetivo
deste
capítulo é apresentar
uma
rede
de empresas e analisar seus principais aspectos. A rede analisada neste
capítulo é a Redemac. Primeiro, procede-
se
a
uma análise longitudinal do histórico
da rede. Em seguida, apresenta-
se uma análise longitudinal dos projetos escolhidos,
que pontuam momentos distintos na evolução da rede. Por fim, procede-se a
uma
análise transversal dos elementos de gestão de projetos: o trabalho desempenhado
pelos líderes de projet
o, as ações de comunicação e os times formados
.
6.2 Análise longitudinal, a partir do histórico da Rede Redemac
O estado do Rio Grande do Sul possui pouco mais de 15.000 lojas de
materiais de construção em seu território. Em sua maioria,
estas
são formadas por
pequenas empresas que
apresentam
limitações gerenciais e mercadológicas, uma
vez comparadas com as grandes cadeias de lojas do setor no estado (Lojas Quero-
Quero, Grupo Herval, Lojas Tumelero e Lojas Becker).
Com o objetivo de fortalecer seus empreendimentos e se diferenciar
entre
seus concorrentes de pequeno e grande porte, 11 empresários do setor reuniram-
se
110
no ano de
1999
para buscar alternativas de sobrevivência e crescimento dos seus
negócios
(quadro 22)
.
Quadro
22
Empresas fundadoras da Rede Redemac
No início, o grupo de empresários formou uma central de compras, mas
logo percebeu que poderia avançar em capacitação e treinamento de funcionários,
publicidade, dentre outras ações em conjunto. Ainda, as negociações com
fornecedores aumentaram e se mostraram mais complexas do que o esperado.
Assim, foi contratado um executivo para definir um modelo de gestão para as
operações do grupo.
Consta na ata de
22
de agosto do ano de
2000
a primeira participação do
executivo
na
rede, que estabeleceu dois objetivos iniciais de trabalho: a estruturação
da rede para o seu crescimento e a centralização das informações. A partir daí, os
associados trabalharam na definição de um instrumento de regulação das atividades
do grupo, dos critérios para a admissão de novas empresas, de um relatório de
compras para conhecer o potencial do grupo e das demais ações que poderiam ser
executadas em conjunto.
Regulamento: Cooperativa não seria o mais indicado. [o executivo] afirmou
que o caminho é uma
Rede
, através de uma associação, citando o exemplo
da rede Unisuper (trecho retirado de ata da assembléia da rede).
Número
Empresa
Cidade
1
Caçula Materiais de Construção
Porto Alegre
2
Calvi Materiais de Construção
Viamão
3
Carlesso Materiais de Construção
Alvorada
4
GI Materiais de Construção
Viamão
5
Cia da Construção (Geitens & Luz)
Canoas
6
Madeireira Depauli
Viamão
7
J. Schmidt Materiais de Construção
Esteio
8
Rigoni Materiais de Construção
Porto Alegre
9 Simionato Comércio de Materiais de Construção
Porto Alegre
10
Vical Materiais de Construção
Viamão
11
Vivian Materiais de Construção
Porto Alegre
111
Foi fundada, então, em
11
de dezembro do ano de
2000
, a Associação
Redemac de Lojas de Materiais de Construção e Decoração em Geral, sociedade
civil sem fins lucrativos. No ato de fundação da rede foi definido o grupo que
assumiu a direção da Redemac. A diretoria da rede é composta por presidente, vice-
presidente, secretário, segundo secretário, tesoureiro e segundo tesoureiro. Os
dire
tores permanecem no cargo por dois anos
(quadro 23)
.
Quadro
23
Diretoria da Rede Redemac, gestão 2000
-
2003
7
Dos critérios para
a
entrada de novos associados, adota-
se,
fundamentalmente, o critério de zoneamento (distância mínima entre as lojas dos
associados)
, para evitar a competição entre os associados dentro da rede. Além da
localização, são verificados o tamanho da loja, o número de funcionários, o
faturamento, o mix de produtos e a idoneidade do empresário (com consulta aos
7
Na assembléia de 16 de outubro do ano de 2001, as empresas aprovaram por unanimidade a
proposta de mudança na utilização dos seus nomes comerciais, incluindo a marca Redemac.
Cargo
Empresa
Presidente
Redemac Carlesso
Vice- Presidente
Redemac Vivian
Diretor Secretário
Redemac J. Schmidt
2º Diretor Secretário
Redemac Trevo
Tesoureiro
Redemac Calvi
2º Diretor Tesoureiro
Redemac Mad. Moutinho
Conselho Fiscal
Titular
Redemac Herter
Titular
Redemac Vical
Titular
Redemac Simionato
Suplente
Redemac Bomag Maggicon
Suplente
Redemac Cia da Construção
Suplente
Redemac Arpel
Conselho Ética
Titular
Redemac J. Schmidt
Titular
Redemac Virtual
Titular
Redemac Caçula
Suplente
Redemac Simionato
Suplente
Redemac Zona Nova Center
Suplente
Redemac Depauli
Representante da Associadas:
Redemac J. Schmidt
Redemac Caçula
Diretoria Gestão 2000-2003
112
clientes, aos fornecedores e ao Serasa). Hoje, o processo de adesão de novos
associados se , também, dentro do planejamento de expansão estratégica da
rede no estado
,
nas cidades onde ainda não existem lojas da Redemac.
Assim como no caso da rede Ação Magistral, na Redemac também foram
formadas logo no início das operações da rede equipes
8
para executar os trabalhos
determinados pela diretoria e pelos associados. As cinco equipes de trabalho foram
formadas a partir dos principais pontos definidos no planejamento estratégico da
rede: Aumento da Rentabilidade, Busca da Satisfação dos Clientes, Expansão da
Rede, Adequação do Mix de Produtos e Ter uma Marca Forte, que depois
se
tornaria equipe de marketing (quadro 24)
.
Quadro
24
Equipes formadas na fundação da Rede Redemac
8
Será usada, inicialmente, a denominação dada pela rede aos times de projeto. No caso da
Redemac, as equipes de trabalho equivalem aos times.
Equipes 2001-2002
Empresas
Diretor:
Redemac Bertoldo Möller
Redemac Caçula
Redemac Rigoni
Redemac Calvi
Redemac Simionato
Diretor:
Redemac Vivian
Redemac Calvi
Redemac Carlesso
Redemac Depauli
Redemac Vivian
Diretor:
Redemac J. Schmidt
Redemac Carlesso
Redemac Virtual
Diretor:
Redemac Cia da Construção
Redemac Simionato
Redemac Zona Nova Center
Redemac Madesandri
Redemac Herter
Redemac Caçula
Redemac Vical
Diretor:
Redemac J. Schmidt
Redemac Vivian
Redemac Casmar
Redemac Virtual
Redemac Cia da Construção
Ter uma Marca Forte
Aumento da Rentabilidade
Busca da Satisfação no
Atendimento aos Clientes
Expansão e Manutenção
Adequação do Mix de Produtos
113
As equipes têm a função de desenvolver projetos visando
a
aumentar a
competitividade da rede. Diferentemente do que ocorre na diretoria, os componentes
das equipes de trabalho permanecem no cargo por um ano. No final do ano, o
planejamento estratégico da rede é reavaliado e as equipes são recompostas
9
. Cada
equipe de trabalho tem seu diretor
10
. A partir de
13
de março de
2001
, na
14ª
reunião da rede (que viria a se tornar mais tarde a assembléia geral dos
associados), as equipes formadas passaram a apresentar regularmente seus
trabalhos aos demais associados
11
.
Os projetos e
as
ações executadas pelas equipes de trabalho são
deliberados nas assembléias, em que cada associado,
independentemente
do
núme
ro de lojas que possua, tem direito a um voto. As decisões se dão pela maioria
simples dos votos das associadas presentes com direito de votar. Em casos
excepcionais, um índice maior de aprovação pode ser exigido. Em regra, a votação é
por aclamação, mas a
assembléia pode optar pelo voto secreto.
As assembléias, hoje, acontecem mensalmente. Entre elas, são
realizadas reuniões das equipes de trabalho (
semanais
), reuniões de diretoria
(
mensais
) e uma reunião geral dos associados (mensal), em que as equipes d
e
trabalho informam todos os associados sobre o que será colocado em pauta na
assembléia deliberativa. O objetivo da reunião geral dos associados é informar os
assuntos em pauta e oportunizar o debate, ficando a assembléia reservada para a
deliberação dos
temas.
9
A prática de revisão anual do planejamento estratégico da rede e recomposição das equipes de
trabalho foi adotada a partir do final do ano de 2002, como será visto a seguir.
10
Será usada, inicialmente, a denominação dada pela rede aos líderes de projeto. No caso da
Redemac
, os líderes equivalem aos diretores de equipe.
11
Na época, as reuniões da rede eram semanais.
114
Em novembro do ano de
2000
, em função da necessidade de um modelo
de gestão, o executivo da rede buscou o programa Redes de Cooperação. Os
associados decidiram aderir ao programa em dezembro do mesmo ano e, em
24
de
outubro do ano de
2001
, a rede fo
i lançada pelo programa.
A partir de outubro do ano de
2002
, os associados começaram a preparar
a revisão do planejamento estratégico para o próximo ano. Em
17
de dezembro do
ano de
2002
, depois de concluída a tarefa de revisão do planejamento estratégico,
novas equipes foram formadas e apresentadas aos associados (quadro 25).
Quadro
25
Equipes da Rede Redemac para o ano de 2003
Equipes 2003
Empresas
Diretor:
Redemac Bertoldo Möller
Redemac Caçula
Redemac Calvi
Redemac Simionato
Redemac Depauli
Diretor:
Redemac Santo Antônio
Redemac Depauli
Redemac Benetti
Redemac Cirleu
Redemac Madeneco
Redemac Arpel
Redemac Morelli
Diretor:
Redemac Trevo
Redemac J. Schmidt
Redemac Carlesso
Redemac Virtual
Diretor:
Redemac Zona Nova Center
Redemac Simionato
Redemac Caçula
Redemac Vical
Redemac Bomag Maggicon
Redemac Morungava
Redemac Irmãos Salvador
Redemac Bertoldo Möller
Redemac Macofer
Redemac Mostardense
Redemac Adams
Diretor:
Redemac J. Schmidt
Redemac J. Fofonka
Redemac Casmar
Redemac Trevo
Redemac Center
Redemac Constrular
Marketing
Aumento da Rentabilidade
Busca da Satisfação dos
Clientes
Expansão da Rede
Adequação do Mix de Produtos
115
Em
23
de setembro do ano de
2003
foi apresentada chapa única para
eleição da diretoria da rede para o biênio 2004/2005, sendo aprovada por
unanimidade
(vide anexo D
).
O aumento na quantidade de empresas que compõem a rede Redemac
permitiu outros investimentos, como, principalmente, ações de propaganda conjunta
e promoções em parceria com fornecedores, além de viabilizar um projeto de
comunicação visual das lojas e o treinamento dos vendedores e gestores das
empresas dentro de padrões de qualidade estabelecidos pelos associados.
Em nove de dezembro do ano de
2003
, um novo planejamento
estratégi
co foi apresentado em assembléia e aprovado. Nessa época, o
planejamento foi feito pela diretoria, juntamente com as equipes de trabalho, que
elaboraram
suas propostas isoladamente para, em seguida, enviá-
las
à diretoria,
que
as
compilou
. Na ocasião, novos integrantes foram chamados para compor as
cinco equipes
da rede (vide anexo
D)
.
Em
11
de janeiro do ano de
2005
foram apresentadas as equipes
formadas para executar as ações do planejamento estratégico do ano (vide anexo
D). O planejamento estratégico foi executado da mesma forma que no ano anterior.
No dia
27
de setembro do ano de
2005
foi apresentada chapa única para eleição da
diretoria da rede para o biênio 2006/2007, sendo aprovada por aclamação (vide
anexo
D).
Em
13
de dezembro do ano de
2005
foram apresentadas as equipes para
o próximo ano (quadro 26)
.
Nessa
ocasião, foi proposta em assembléia a criação de
uma nova equipe de trabalho: a equipe de inovação. Nas palavras do presidente da
rede na época, Sr. Luiz Carlos Vivian: um grupo de associados que pensem a rede
para o futuro .
116
Quadro
26
Equipes da Rede Redemac para o ano de 2006
Equipes 2006
Empresas
Diretor:
Redemac Simionato
Redemac Obra e Cia
Redemac Toninho
Redemac Virtual
Redemac Madesul
Redemac P.P. Garcia
Redemac Depauli
Diretor:
Redemac Calvi
Redemac Cirleu
Redemac Benetti
Redemac Virtual
Redemac Ferramate
Redemac Caracol
Redemac Arpel
Redemac Bomagg Lumaggi
Redemac J.B.Schmidt
Redemac Depauli
Redemac Simionato
Consultor
Diretor:
Redemac Adams
Redemac Vical
Redemac Belmac
Diretor:
Redemac Macofer
Redemac Carlesso
Redemac Maggicon
Redemac Caçula
Redemac Zona Nova Center
Redemac Irmãos Salvador
Redemac Vivian
Redemac Adams
Redemac Simionato
Redemac Morungava
Redemac Bertoldo Möller
Redemac Virtual
Redemac Nicola
Redemac Toninho
Redemac Mecal
Diretor:
Redemac Casmar
Redemac J. Schmidt
Redemac P.P. Garcia
Redemac Center
Redemac Emacon
Redemac Assmann
Redemac Bomagg Shop
Redemac Madepretto
Redemac Morelli
Redemac Condor
Luq
Ass. Imprensa
Diretor:
Redemac J. Schmidt
Redemac Adams
Redemac J. Schmidt
Redemac Sistema
Redemac Santo Antônio
Executivo rede
Aumento da Rentabilidade
Busca da Satisfação dos
Clientes
Expansão da Rede
Adequação do Mix de Produtos
Marketing
Inovação
117
Em seis de março do ano de
2007
, foram apresentadas as equipes de
trabalho para o ano, bem como as principais ações a serem desenvolvidas no
decorrer do período (vide anexo D).
Em
11
de setembro do
mesmo
ano foi
apresentada a única chapa para eleição da diretoria da rede para o biênio
2008/2009, aprovada por unanimidade
(vide anexo
D).
Pelo estatuto da rede, um terço dos
cargos da diretoria
deve
ser
renovado
a cada eleição, sendo permitida a reeleição do presidente e dos demais membros
(uma reeleição no mesmo cargo). Os eleitos possuem mandato de dois anos. Na
prática, a diretoria foi renovada em dois terços na primeira eleição, para o período
2004
-2005. Para o período subseqüente, metade da diretoria foi renovada e, para o
período 2008
-
2009, dois terços dos membros da diretoria foram substituídos.
Atualmente, a rede conta com
41
empresas associadas, totalizando
66
pontos de vendas no estado (ver relação completa dos associados da rede no
anexo
D). Até o final do ano de
2007
, as equipes não haviam realizado o planejamento
estratégico para o ano
seguinte
. Logo, no início de 2008, a composição das equipes
continuava a mesma.
6.3 Análise longitudinal, a partir dos projetos da Rede Redemac
Nesta
seção, serão analisados três projetos da rede
Redemac
: primeiro, o
projeto dos produtos de marca própria
; em
seguida, o projeto de desenvolvimento de
um programa de gestão da qualidade na rede
o Programa Qualificar Redemac
;
por
fim, o projeto do
Centro de Distribuição da Redemac
.
118
6.3.1 O projeto dos produtos de marca própria
O desenvolvimento de uma linha de produtos com a marca da rede é
considerado uma ação estratégica para os associados. O objetivo é desenvolver
uma linha de produtos com modelos exclusivos e com maior valor agregado, visando
a
diferenciar as lojas da rede. Outra justificativa, dada pelo executivo e por um dos
diretores entrevistados, seria a possibilidade de obter melhores margens de preço
dos produtos, pressionando a concorrência com os produtos de marca própria.
A partir da análise das respostas dos entrevistados envolvidos nesse
projeto,
pode
-
se
afirmar que a rede foi influenciada pelas experiências com
lançame
nto de produtos de marca própria de outras redes, como a Rede Agafarma
de farmácias. Essa rede, em especial, foi considerada por muito tempo um modelo a
ser seguido pela Redemac.
Alguns dos produtos já lançados pela rede Redemac
foram caixas d água,
mangu
eiras, manta asfáltica, kit para pintura e armários para banheiro. A idéia sobre
quais produtos poderiam ser lançados com a marca da rede partiu de sugestões
dadas
ou
por determinados associados (como no caso da manta asfáltica, pela
oportunidade de importação do produto) ou pelos fornecedores (como no caso dos
armários para banheiro). Uma vez identificados os prováveis produtos, a equipe de
Adequação do Mix de Produtos
estabeleceu
o contato com os fornecedores para
que fossem definidas as negociações. Os protótipos
foram
, então, desenvolvidos e
apresentados pela equipe à diretoria e à assembléia para aprovação.
Nunca foi formada uma equipe específica para o projeto dos produtos de
marca própria. Dentre os produtos listados anteriormente, os armários para b
anheiro
foram os que tiveram um processo de desenvolvimento mais organizado. Além da
equipe do Mix de Produtos, a equipe do Marketing se envolveu no projeto.
Essa
119
equipe chamou a atenção aos cuidados que deveriam ser tomados quando da
utilização da marca.
Segundo o diretor da equipe de Marketing no ano de
2007
:
Isso o marketing conversou com o mix, isso é um pré-requisito, pelo
menos na ótica do marketing. Quando for para lançar produtos no mercado,
que a marca esteja vinculada a produtos de qualidade. Por isso que não
andou [o projeto], a gente estava procurando um norte.
As duas equipes responsáveis trabalharam de forma linear. A equipe de
Mix de Produtos colheu sugestões com associados e indicou os produtos para a
equipe de Marketing.
Esta
, por sua vez, foi encarregada de buscar fornecedores e
trabalhar as especificações técnicas dos produtos. Segundo o executivo da rede,
algumas idéias foram completamente desenvolvidas pela equipe de Marketing e, em
seguida, rejeitadas pela equipe de Mix de Produtos. Ou seja, houve falta de
integração e desperdício de tempo na elaboração de protótipos que foram rejeitados
por não atenderem
às
especificações técnicas da equipe de Mix.
A análise do trecho da entrevista com o diretor da equipe de Marketing
evidencia um dos principais obstáculos aos produtos de marca própria: a
necessidade de a rede lidar com as especificações técnicas desses produtos, ou
seja, com a questão da qualidade. O diretor citou o caso de outro produto proposto
por fornecedor: luminárias. O produto já se encontrava em um estágio avançado das
negociações com o fornecedor quando foi reprovado pela equipe de
Marketing
, em
função dos problemas técnicos
a
que esse tipo de produto está suscetível. Outra
dificuldade encontrada no projeto dos produtos de marca própria, segundo o
executivo da rede, diz respeito
à
necessidade de se criarem mecanismos contratuais
específicos para a linha de produtos de marca própria.
As primeiras propostas dos armários para banheiro foram apresentadas
na assembléia de
21
de setembro do ano de
2004
. Na ocasião, foram apresentadas
120
as
propostas
de três fornecedores. Na assembléia de
26
de julho do ano de
2005
foi
apresentado o resultado da rodada de negociações com os fornecedores dos
armários, bem como das luminárias. Os armários para banheiro foram lançados no
tablóide de novembro do ano de
2005
.
O processo de desenvolvimento e lançamento dos armários para banheiro
foi considerado um laboratório para o projeto dos produtos com a marca da rede.
Desde o seu lançamento, o produto vem sendo comercializado pela rede. Segundo
o diretor da equipe de
Marketing
, está prevista a continuidade do projeto para o ano
de
2008
, provavelmente com o lançamento de uma linha de pisos. Os pisos
constituem um dos produtos de maior valor agregado da rede: juntamente com eles
estão as tintas e as esquadrias. Esses três produtos foram, inclusive, os primeiros
negociados pela rede, quando da sua formação.
6.3.2 O projeto de desenvolvimento de um programa de gestão da qualidade na
rede
o
Programa Qualifi
car Redemac
O Programa Qualificar Redemac surgiu a partir de um dos principais
objetivos estratégicos da rede: a diferenciação da rede no mercado no quesito
atendimento ao cliente, o que por sua vez deu origem à equipe da Busca da
Satisfação dos Clientes. A equipe trabalha desde então focada na elaboração e
na
implementação de cursos para o treinamento de gestores e colaboradores da rede.
O primeiro curso de atendimento foi implementado no início do ano de
2001
. Na
assembléia de
25
de setembro do mesmo ano, foi apresentado um balanço das
empresas que haviam feito o curso e exigido que todos o fizessem ao dia do
lançamento da rede
pelo p
rograma Redes de Cooperação
.
121
Nós somos uma equipe essencialmente de treinamento [...] treinamento
para preparação das lojas, pra receber os clientes. [...] a equipe da busca é
uma equipe para incrementar o marketing. Incrementar o marketing interno
[...] É uma equipe que prepara a entrega
daquilo
que o marketing
implementa. [...] treinar as pessoas, conscientizar os lojistas pra que
efetivamente essa promessa [marketing] seja entregue.
Em
22
de julho do ano de
2003
foi
apresentado em assembléia o primeiro
Guia de Atendimento Redemac, resultado do trabalho da equipe juntamente com um
consultor contratado. O guia, elaborado com o objetivo de padronizar o atendimento,
principalmente com a entrada de novos colaboradores e associados, pode ser
considerado o embrião do programa Qualificar. O guia foi aprovado por unanimidade
e logo foram formadas novas turmas para implementação d
o guia de atendimento.
A partir do início do ano de
2004
, a equipe da Busca da Satisfação dos
Clientes começou a discutir a criação de um programa de gestão da qualidade, nos
moldes do Programa Gaúcho de Qualidade e Produtividade
PGQP. Foi necessária
uma
adaptação do PGQP,
criando
-se um programa
voltado
para as lojas de
materiais
de construção e para a rede. A adaptação do PGQP ao programa da
Redemac foi feita pelo consultor da equipe, coordenado pelo seu diretor e
acompanhado pelo executivo da rede.
Quer
dizer, ele pegou a metodologia do PGQP e adaptou para o que a
gente entende como o mínimo necessário para se ter lojas, [...] dentro
daquilo que a gente criou, definiu estrategicamente que deveriam ser as
lojas da rede. Então entram coisas como identificação externa, forma de
treinamento, uniformes, comprar ou não de fornecedores parceiros [...] O
objetivo de tudo isso é fazer com que as lojas evoluam, criar uma forma
homogênea, que elas evoluam juntas dentro de um rumo, de uma diretriz
que a Redemac criou
.
Na época, o programa de gestão da qualidade na rede extrapolou a
questão do atendimento aos clientes, e foram
incorporadas
à discussão questões de
marketing da rede (da marca Redemac) e de mix de produtos. Em suma, buscou-
se
padronizar as lojas da rede. O trabalho foi coordenado pelo diretor da equipe da
122
Busca
da
Satisfação dos Clientes, juntamente com os diretores das equipes do
Marketing e do Mix de Produtos (quadro 27). Segundo um dos entrevistados, diretor
da equipe de
Marketing
na época e diretor do programa no ano de
2007
:
O que a gente propôs buscar fazer foi identificar o que era mais importante
para o grupo no momento: no
início
de implantação do qualificar o que era
importante? Era fincar a base entende, é o cara se sentir REDEMAC, ele se
adequar
[...] que é ter própria fachada, colocar a cor que foi definida, treinar
os funcionários para dar um bom atendimento, vestir eles com o uniforme,
adequação dos veículos [...] e basicamente respeitar as negociações [com
fornecedores] feitas dentro da rede que é uma eterna encrenca [...] pelas
tantas também foi definido um nível [mix] de produtos. pelas tantas a
equipe que trabalha isso sugeriu e foi votado. Todas as lojas da REDEMAC
tem que trabalhar com esse rol de produtos que é justamente para lide
rar.
Então se trouxe isso, aquilo que era o básico para dentro do programa
[qualificar].
Quadro
27
Equipe formada para a elaboração do Programa Qualificar
A análise do trecho da entrevista evidencia a necessidade da rede
de
reunir aspectos importantes do seu planejamento estratégico em um único
programa, visando à implementação dos mesmos e
ao
nivelamento da rede como
um todo. Com esse programa, ficam ainda mais evidentes os principais objetivos da
rede ao longo dos anos: a excelência no atendimento e o fortalecimento da marca e
das parcerias com fornecedores. No que tange
às
parcerias, os objetivos são
compor um mix de produtos, obter melhores negociações e ampliar as arrecadações
para a publicidade da rede.
Em primeiro de março do ano de
2005
, o programa
foi
apresentado pela
primeira vez em assembléia, sendo aprovado por unanimidade. Na mesma ocasião
foram convidadas empresas voluntárias para participar do primeiro piloto do
Equipe
Empresas
Diretor:
Redemac Cirleu
Redemac Carlesso
Redemac Caçula
Redemac J. Schmidt
Consultor
Executivo
Qualificar
123
programa. A meta inicial era de
15
empresas, e
12
empresas se dispuseram a
participar do piloto. Ao final do primeiro piloto, no fim do ano, o programa passou por
algumas adaptações.
No ano de
2006
foi realizado um novo piloto, com as empresas que
avançaram para o
segundo
nível do programa, com as que permaneceram no
primeiro
nível, bem como
com
as novas voluntárias do programa. Ao todo
19
empresas participaram do segundo piloto. A partir do ano de
2007
, o programa saiu
da fase experimental e passou a ser obrigatório para todas as empresas da rede
(para
a
relação completa de todas as equipes formadas ao longo do
desenvolvimento do projeto do Programa Qualificar vide anexo D)
.
Essencialmente o programa funciona da seguinte forma: no total são três
níveis do programa Qualificar. Quando as empresas aderem ao programa, no
primeiro
nível
12
, elas recebem o manual do Q
ualificar
e participam de cursos para
orientação logo no início do ano. São cinco encontros mensais com a equipe do
programa, de março a julho. São determinados o agente multiplicador do programa
de
ntro da empresa e seus avaliadores externos. O agente multiplicador é a pessoa
responsável por manter contato com a equipe do
programa Qualificar
e coordenar os
trabalhos de adequação da sua empresa. Ao longo do ano (de março a outubro) o
agente multiplicador pode procurar a equipe do
Qualificar
para esclarecer vidas.
Essa equipe não tem uma agenda permanente como as demais equipes de trabalho
da rede,
reunindo
-
se
em ocasiões específicas.
A avaliação
13
para mudança de nível no programa é feita pelos
avalia
dores externos, juntamente com o agente multiplicador, que se torna, no
12
O funcionamento do programa no segundo e no terceiro níveis é análogo ao do primeiro nível.
13
As avaliações acontecem nos meses de outubro e novembro.
124
momento da avaliação, seu avaliador interno
14
. São sempre dois avaliadores
externos, de empresas do mesmo nível no programa, e um avaliador interno, que
poderá ser avaliador externo para outra empresa do mesmo nível no programa.
Conforme
o diretor do programa no ano de
2007
, o objetivo dessa sistemática de
avaliação é oportunizar a troca de informações também dentro do
Qualificar
.
Segundo um dos entrevistados:
[..] a gente tem feito muitas trocas de experiências nas lojas, motivados até
pelo próprio Qualificar, busca esses encontros pra discutir os pontos fortes
de cada loja: tem uma empresa que é melhor em logística, então faz um
encontro pra falar de logística naquela loja. Tem outra que é melhor em
crédito: pede pra aquele pessoal falar sobre a loja deles com relação ao
crédito.
Até o ano de
2006
, era realizada somente uma avaliação na empresa, no
final do ano. A partir de
2007
, foi adotada a sistemática de realizar uma avaliação
pr
évia, no meio do período de implementação do programa, para diagnosticar e
levantar ações corretivas. Para tanto, a rede contratou um profissional específico: o
agente de integração. Esse agente é responsável pela avaliação prévia do programa
e por conectar as empresas à equipe do
Qualificar
. À medida que o agente de
integração entrega os relatórios de avaliação, ele estabelece um canal de
comunicação possibilitando, entre outros benefícios, que as soluções retornem
às
empresas avaliadas. O agente de integração estabelece esse vínculo com as
empresas, principalmente as que estão mais distantes geograficamente da sede,
quando da visita para avaliação. Posteriormente, as mesmas empresas avaliadas o
procuram. Ainda, por meio do agente de integração, são estabelecidos canais de
comunicação entre associados, pois o problema de um pode ter sido solucionado
por outro.
14
Os ava
liadores são, preferencialmente, os sócios das empresas.
125
Quatro empresas da rede chegaram ao
terceiro
nível do programa em
2007
.
Destas
, três concluíram o programa e uma pediu para não ser avaliada,
perma
necendo no
terceiro
nível em
2008
. A opinião geral de todos os entrevistados
sobre o programa
Qualificar
é de que se trata de um programa bastante exigente. A
empresa deve alcançar
90%
da pontuação para mudar de nível. Além disso, o
programa também tem custos: aproximadamente
12
mil reais por ano por loja. Para
o futuro, é prevista a continuidade do programa, bem como a criação de um
processo de recertificação para as empresas que completam os três veis do
Qualificar
.
6.3.3 O projeto do Centro de Distrib
uição da Redemac
O projeto do Centro de Distribuição da Redemac começou a ser planejado
a partir do ano de
2006
, sob a responsabilidade da equipe de inovação (quadro 28)
.
Os principais objetivos estratégicos a serem atingidos com o Centro de Distribuição
da rede são a importação de produtos e a redução dos estoques nas lojas.
Quadro
28
Primeira equipe para o projeto do Centro de Distribuição
A idéia de um centro de distribuição remonta ao início da rede, mas ficou
evidente a necessidade de se alcançar um estágio de consolidação tal da rede para
viabilizar o projeto, considerado pelos entrevistados como um dos seus principais
projetos de inovação. Segundo o presidente da rede na época:
Equipe
Empresas
Diretor:
Redemac J. Schmidt
Redemac Adams
Redemac J. Schmidt
Redemac Sistema
Redemac Santo Antônio
Executivo rede
Inovação
1
26
[...] Olha, a gente teve diversos avanços já, a gente teve diversas fases da
rede, de criação, consolidação, o próprio trabalho com a Sedai foi muito
importante pra nós porque nos ajudou e nos deu mais confiança e
credibilidade pra que a rede crescesse. Hoje a rede está estruturada, a
gente tem lojas com um padrão, lojas sólidas, porque a gente também
escolheu esse perfil. [...] A gente sempre teve um cuidado muito grande na
expansão, então, a gente tem uma rede bem estruturada. Hoje,
basicamente, uma das prioridades que a gente está trabalhando forte é a
construção de um CD (centro de distribuição), que é do grupo, que a gente
está já tentando viabilizar. [...] Então a gente quer investir num projeto, onde
vão ser convidados todos os associados pra ser sócios desse CD, aonde vai
ser um negócio de to
dos.
[...] Como é algo bem complexo, na realidade envolve a questão cultural das
empresas, envolve investimentos, então foi uma coisa que demorou um
pouco pra realmente amadurecer dentro da rede; que a gente teve uma
vontade expressa dos associados que realmente quer isso. Pra então agora
trabalhar ela.
Em seis de março do ano de
2007
, na primeira assembléia do ano, um
esboço do projeto foi apresentado e votado pelos associados
para
sua continuidade.
A partir de maio do mesmo ano o trabalho da equipe que cuida do projeto
foi
intensificado e, em
10
de junho, o projeto
foi
apresentado aos associados e discutido
em reunião geral. Os principais pontos discutidos foram o modelo jurídico a ser
adotado, a localização e o custo da locação ou
da
compra de um imóvel.
A
continuidade do projeto foi aprovada com dois votos contrários.
A análise do projeto do Centro de Distribuição evidenciou também a
intenção do presidente da rede em priorizá-lo. Tanto que a equipe que efetivamente
desenvolveu o projeto foi formada por parte da diretoria da rede (presidente, vice-
presidente, diretor secretário, tesoureiro, segundo tesoureiro) e
pelo
seu executivo
(quadro 29)
.
É basicamente a diretoria que está envolvida no CD. Não toda ela, uma
parte da diretoria. [...] A gente pegou as pessoas que se dispuseram
realmente [...] São as pessoas que se dispuseram a trabalhar nisso agora,
que resolveram puxar isso.
Equipe
Empresas
Diretor:
Redemac J. Schmidt
Redemac Santo Antônio
Redemac Zona Nova
Redemac Mostardense
Redemac Carlesso
Executivo rede
Centro de Distribuição
127
Quadro
29
Equipe para o projeto do Centro de Distribuição em 2007
Na assembléia de
16
de outubro de
2007
, o projeto do Centro de
Distribuição
foi novamente apresentado, com o imóvel escolhido e os custos para
a sua aquisição. Dos
30
associados presentes
na
assembléia,
29
aprovaram o
projeto e
28
aderiram à compra do imóvel. Apesar da não obrigatorieda
de da adesão
dos associados ao CD, a diretoria pretende aumentar o número de sócios ao CD.
Até o final do ano de
2007
, o projeto encontrava-se em um impasse também em
função de problemas com a documentação do imóvel escolhido
.
6.4 Análise transversal, a partir dos elementos de gestão de projetos da rede
Redemac
Nesta
seção, serão analisados os elementos de gestão de projetos da
rede
Redemac. Primeiramente serão discutidos os elementos responsáveis pela
coordenação direta dos projetos e
pela
conectividade
da rede: os líderes de projeto
e as ações de comunicação utilizadas. Em seguida, serão analisados os elementos
responsáveis pela dimensão da complementaridade de competências: os times
formados ao longo da trajetória da rede e, especificamente, ao longo dos projetos
analisados anteriormente.
128
6.4.1 Análise dos líderes de projeto
A análise dos
projetos
da rede identificou
21
líderes. Esses líderes foram
indicados ora pela diretoria da rede, ora pelos próprios times, principalmente quando
foram
mantidos alguns dos seus membros a cada revisão do planejamento
estratégico. A Redemac segue também a orientação de manter membros da
diretoria à frente dos seus times de projeto, atuando como líderes de projeto, o que
possibilita um contato direto entre os times e a di
retoria.
A análise dos líderes de projeto aponta a pred
ominância
de um grupo de
empresas na coordenação dos projetos da rede: o grupo dos fundadores. Das
11
empresas fundadoras, nove permanecem na rede. Dos
21
líderes identificados, oito
fazem parte do gr
upo das empresas fundadoras da rede. Essa constatação reforça o
argumento de que os fundadores constituem um grupo de destaque também na
Redemac (
q
uadro
30
).
Quadro
30
Quadro geral dos líderes de projeto da Rede Redemac
Al
ém da presença das empresas fundadoras entre os líderes de projeto, é
possível observar os membros da diretoria atuando como líderes de projeto na rede.
2001-2003
2004-2005
2006-2007
2008-2009
2001-2002
2003
2004
2005
2006
2007
Total
1
Redemac Adams
X
X
X
X
X
5
2
Redemac Bertoldo Möller
X
X
X
X
4
3
Redemac Bomag Maggicon
X
X
X
X
X
5
4
Redemac Caçula
X
X
X
X
X
5
5
Redemac Calvi
X
X
X
X
4
6
Redemac Carlesso
X
X
X
X
X
5
7
Redemac Casmar
X
X
X
X
4
8
Redemac Cia da Construção
X
X
2
9
Redemac Cirleu
X
1
10
Redemac J. B. Schmidt
X
1
11
Redemac J. Schmidt
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
10
12
Redemac Macofer
X
X
X
3
13
Redemac Obra e Cia
X
X
2
14
Redemac Santo Antônio
X
X
X
X
X
5
15
Redemac Simionato
X
X
X
X
4
16
Redemac Toninho
X
X
X
3
17
Redemac Trevo
X
X
X
X
X
X
6
18
Redemac Vical
X
X
X
X
X
5
19
Redemac Virtual
X
X
X
X
4
20
Redemac Vivian
X
X
X
X
4
21
Redemac Zona Nova Center
X
X
X
X
X
5
Empresa
Diretoria
Times
Empresas fundadoras da rede
129
No quadro
31
é possível visualizar a atuação de membros da diretoria como líderes
dos times de projeto
por ano.
Quadro
31
Membros da diretoria atuando como líderes de projeto na rede
Redemac por ano
Essas constatações reforçam a proposição de que os líderes de projeto
estabelecem pontes entre grupos de empresas. No caso da Redemac, os líderes
fazem a ligação entre o grupo de fundadores, a diretoria e os times de projeto,
em
que
se reúnem os demais associados.
6.4.2 Análise das ações de comunicação da rede
A Redemac apresenta uma série de ações de comunicação, a começar
pela
agenda de reuniões da rede.
São
realizadas assembléias a cada
15
dias, de
caráter deliberativo. Nos intervalos entre as assembléias, são realizadas as reuniões
gerais, também a cada
15
dias. Ambas são abertas a todos os associados. As
reuniões gerais têm o objetivo de oportunizar a apresentação e
a
discussão das
questões que
são
postas para deliberação nas assembléias. Além
destas
,
as
reuniões de diretoria, que são mensais, e as reuniões semanais dos times de projeto
da rede, todas as terças
-
feiras.
2001-2002
2003
2004
2005
2006
2007
1
Redemac Adams
X
X
2
Redemac Bertoldo Möller
X
3
Redemac Bomag Maggicon
X
4
Redemac Caçula
X
5
Redemac Carlesso
X
6
Redemac Cia da Construção
X
7
Redemac J. Schmidt
X
X
X
8 Redemac J. Schmidt
X
X
9
Redemac Macofer
X
10
Redemac Santo Antônio
X
11
Redemac Simionato
X
12
Redemac Toninho
X
13
Redemac Trevo
X
X
14
Redemac Vical
X
15
Redemac Virtual
X
16
Redemac Vivian
X
17
Redemac Zona Nova Center
X
Times
Empresa
130
Al
ém das reuniões periódicas, observam
-
se outras ações de comunicação
direta entre os associados, como as
visitas
dos times de projeto, do executivo da
rede e dos membros da diretoria aos associados, em função dos projetos da rede.
São realizadas também visi
tas entre os associados, em função da implementação do
programa Qualificar (por exemplo,
na
sistemática de avaliações do programa).
Ainda, são oportunizados encontros dos associados durante os cursos de
capacitação, os Fóruns de Colaboradores e os Fóruns de Gestores. Por fim,
os
eventos sociais da rede. Em todas essas ações de comunicação direta, destaca
-
se a
oportunidade de os associados trocarem conhecimento tácito.
Além das ações de comunicação direta, a Redemac desenvolveu uma
série de mídias indiretas para acelerar a conectividade da rede. A Redemac possui
um informativo geral da rede, chamado Conexão Redemac, de distribuição interna.
Possui também um informativo específico das ações de publicidade da rede,
chamado Redemac na Mídia, também de distribuição interna, com a programação
das campanhas vigentes da rede. Por fim,
pode
-
se
mencion
ar a utilização de um
portal na
internet
e o uso de telefone,
de
e-
mail
e, recentemente, do programa
Skype.
Segundo um dos entrevistados, a cooperação e a real integração entre os
associados resultam do trabalho de conscientização realizado pelos gestores da
Redemac, visando
a
explicitar constantemente os ganhos econômicos provenientes
desse tipo de arranjo. Para tanto, o Fórum de Gestores e o programa Qualificar
foram
apontados como dois dos principais meios para consolidar o processo de
integração dos associados e manter a coesão da rede.
131
6
.4.3
Análise dos times de projeto da rede
A Redemac definiu uma estrutura de gestão que se mantém desde a sua
formação. A rede foi organizada em times que se dividem
em
diretoria e times de
projeto, organizados em função dos mesmos objetivos estratégicos desde a
fundação da rede. Os times de projeto são
:
Aumento da Rentabilidade, Busca da
Satisfação dos Clientes, Expansão da Rede, Adequação do Mix de Produtos e
Marketing da Rede
. Recentemente foi criado o time da
Inovação
.
Para realizar o arranjo das competências necessárias, todos os times
formados na rede, sejam as diretorias ou os times de projeto, foram compostos por
membros oriundos de diferentes empresas. As empresas se colocam como
voluntárias para participar dos times. A escolha pelo time em que as empresas
vão
atuar leva em consideração a afinidade da empresa com o trabalho, bem como as
necessidades de pessoal de cada time.
A análise dos times formados evidencia a intenção da rede de integrar as
empresas associadas a partir da própria composição dos times de projeto. Desde o
início das operações da rede, os diretores solicitavam que todas as empresas
participassem dos times de projeto
,
até mesmo que mais de um sócio de
cada
empresa fizesse parte dos times de projeto da rede.
Moacir [presidente da rede] sugeriu que mais de um sócio das empresas
participem das equipes (trecho retirado de ata da assembléia de 24/04/01).
O presidente informou que cinco empresas ainda não fazem parte de
nenhuma equipe, solicitando para que se integrem aos grupos de trabalho
(trecho retirado de ata da assembléia de 25/09/01).
O presidente voltou a enfatizar a importância e até a necessidade de todas
as empresas participarem de alguma equipe de trabalho (trecho retirado de
ata da assembléia de 16/10/01).
132
Em função dessa solicitação, a Redemac apresenta meros expressivos
quando se trata do nível de participação das empresas que fazem parte da rede na
gestão dos seus projetos. Desde a fundação da rede
,
57
empresas aderiram a ela
.
Destas,
51
aderiram aos times de projetos, sendo que hoje, das
41
empresas que
fazem parte da rede,
29
participam dos times de projeto e
18
fazem parte da
diretoria.
No total, atualmente
31
empresas estão envolvidas diretamente na gestão
da rede (quadro
32
).
133
Quadro
32
Quadro geral da composição dos times da rede Redemac
Ao todo, 16 empresas não fazem mais parte da rede. Destas, duas eram
do grupo das empresas fundadoras e saíram da rede ainda no início das operações:
Redemac Cia da Construção e Redemac Rigoni. Dentre as empresas que fazem
parte da rede hoje, apenas três nunca participaram dos times da rede: Redemac
2001-2003
2004-2005
2006-2007
2008-2009
2001-2002
2003
2004
2005
2006
2007
Total
1
Redemac Adams
X
X
X
X
1
X
X
X
8
2
Redemac Arpel
X
X
X
X
X
X
6
3
Redemac Assmann
X
X
X
X
X
5
4
Redemac Belmac
X
X
X
3
5
Redemac Benetti
X
X
X
X
X
5
6
Redemac Bertoldo Möller
X
X
X
X
X
X
6
7
Redemac BG
8
Redemac Bomag Maggicon
X
X
X
X
X
X
X
X
X
9
9 Redemac Caçula
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
10
10
Redemac Calvi
X
X
X
X
X
X
X
X
X
9
11
Redemac Caracol
X
X
2
12
Redemac Carlesso
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
10
13
Redemac Casmar
X
X
X
X
X
X
X
X
8
14
Redemac Center
X
X
X
X
X
5
15
Redemac Cia da Construção
X
X
2
16
Redemac Cirleu
X
X
X
X
X
5
17
Redemac Condor
X
X
X
X
4
18
Redemac Constrular
X
1
19
Redemac Construmax
20
Redemac Depauli
X
X
X
X
X
X
6
21
Redemac Emacon
X
1
22
Redemac Ferramate
X
X
X
X
4
23
Redemac Guindani
X
1
24
Redemac Herter
X
X
2
25
Redemac Irmãos Salvador
X
X
X
X
X
X
6
26
Redemac J. B. Schmidt
X
X
X
X
X
5
27
Redemac J. Fofonka
X
X
2
28
Redemac J. Schmidt
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
10
29
Redemac Kottwitz
X
1
30
Redemac Loef e Cia
31
Redemac Macofer
X
X
X
X
X
X
X
7
32
Redemac Madeireira Andrade
33
Redemac Madeneco
X
X
2
34
Redemac Madepretto
X
X
2
35
Redemac Madesandri
X
1
36
Redemac Madesul
X
X
X
3
37
Redemac Mecal
X
1
38
Redemac Mezzacasa
39
Redemac Morelli
X
X
X
X
X
X
6
40
Redemac Morungava
X
X
X
X
X
X
6
41
Redemac Mostardense
X
X
X
X
X
5
42
Redemac Moutinho
X
X
2
43
Redemac Muribel
44
Redemac Nicola
X
X
2
45
Redemac Obra e Cia
X
X
X
X
4
46
Redemac P. P. Garcia
X
X
2
47
Redemac Rigoni
X
1
48
Redemac Sanmartin
X
X
2
49
Redemac Santo Antônio
X
X
X
X
X
X
X
X
8
50
Redemac Simionato
X
X
X
X
X
X
X
X
X
9
51
Redemac Sistema
X
1
52
Redemac Toninho
X
X
X
X
X
5
53
Redemac Trevo
X
X
X
X
X
X
X
X
8
54
Redemac Vical
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
10
55
Redemac Virtual
X
X
X
X
X
X
X
X
8
56
Redemac Vivian
X
X
X
X
X
X
6
57
Redemac Zona Nova Center
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
10
Empresas que saíram da rede
Empresas com maior nível de adesão aos times formados na rede
Empresas que nunca aderiram aos times formados na rede
Empresa
Diretoria
Times
134
Cons
trumax, Redemac Madeireira Andrade (ambas aderiram à rede em julho de
2007
) e Redemac Mezzacasa (
está
na rede desde dezembro de
2005
).
A análise dos times formados na rede evidencia a existência de um grupo
de empresas com maior participação na gestão da rede, seja na diretoria, seja nos
times de projeto. Esse grupo é composto por
12
empresas: Redemac Adams,
Redemac Bomag Maggicon, Redemac Caçula, Redemac Calvi, Redemac Carlesso,
Redemac Casmar, Redemac J. Schmidt, Redemac Santo Antônio, Redemac
Simionato,
Redemac Trevo, Redemac Vical e Redemac Zona Nova Center. Destas,
seis fazem parte do grupo das fundadoras: Redemac Caçula, Redemac Calvi,
Redemac Carlesso, Redemac J. Schmidt, Redemac Simionato e Redemac Vical.
Das
16 empresas
que
saíram da rede,
com
exceção da Redemac Virtual,
15
apresentaram um baixo nível de participação nos times da rede. Tal constatação
reforça a proposição
de
que times de projeto contribuem para o processo de
integração das empresas na rede. Assim como na análise do caso da rede Ação
Magistral, torna-se evidente, na análise da Redemac, que a predisposição da
empresa em trabalhar na gestão da rede, por meio da participação nos times, é um
indicativo da sua integração com as demais empresas. No caso da Redemac, a
participação das empresas nos times é incentivada, inclusive a participação de mais
de um membro da mesma empresa. Ao longo do trabalho desenvolvido, é
oportunizada a aproximação das empresas a partir das rotinas estabelecidas dentro
dos times.
135
7 MODELO
DE ANÁ
LISE REVISITADO
7.1 Introdução
No capítulo 3 desta tese
,
foi apresentado o modelo para análise da
dinâmica de gestão de projetos conduzidos em redes de empresas,
constituindo
o
resultado da discussão teórica desenvolvida nos capítulos 1
,
2 e 3. Esses capítulos
abordara
m aspectos teóricos para a análise e a compreensão, respectivamente, da
formação das redes de empresas, da atividade de inovação em rede,
especificamente, e da necessidade de estruturação dessa atividade por meio da
organização por projetos em rede.
O modelo de análise da figura 9 partiu da proposição teórica de que a
estruturação dos fluxos de informação, necessária à atividade conjunta de gestão de
projetos, é possível em função de elementos de gestão próprios. O
dimensionamento desses elementos obedeceu, por sua vez,
a
três diretrizes
básicas: a promoção da coordenação das atividades, a promoção da conectividade
(formalizando a transmissão de informações) e a promoção da complementaridade
de competências.
Este capítulo inicia-se com a recuperação, na seção 7.2, do modelo de
análise
proposto nesta tese. Na seção seguinte, serão
discutidas
as
contribuições
que podem ser feitas a esse modelo a partir da análise dos casos selecionados. As
contribuições
emergem de constatações a partir dos dois tipos de análise realizados
para cada caso. Uma delas é a análise longitudinal do histórico das redes Ação
136
Magistral e Redemac e dos seis projetos escolhidos, que pontuaram momentos
distintos na trajetória de cada uma das redes. Outra é a análise transversal dos
elementos
de gestão de projetos identificados nas redes: o trabalho desempenhado
pelos líderes de projeto, as ações de comunicação e os times formados. Por fim, na
seção 7.4,
será
apresentado
o modelo de análise consolidado à luz das
contribuições
discutidas
.
7.2
Modelo de análise recuperado
A rede pode ser vista como um arranjo de complementaridade entre
empresas, mas não é uma complementaridade pura e simples de ativos. É uma
complementaridade que transcende a relação de troca baseada em contrato
s
multilaterais. Vai além disso, e passa a ser um arranjo de complementaridade de
informações
, capaz de desencadear um processo sinérgico de aprendizagem
coletiva e geração de novas competências, a então inéditas às empresas
individualmente.
Para tanto, as redes devem a
presentar
uma estrutura tal que
permita o efetivo processamento de informações.
A partir da formação da rede, deve ser composta e estabiliza
da
uma
estrutura de coordenação que permita o trabalho conjunto. Dado o processo de
adaptação que as redes atravessam ao longo do tempo, as redes formadas
podem
estender
a relação de cooperação e ampliar a gama de atividades realizadas
conjuntamente.
Uma vez composta a estrutura de coordenação da rede e ampliadas as
atividades realiza
da
s, deve-se considerar a execução de projetos de inovação
em
137
rede
.
Tendo em vista que a i
novação
diz respeito à capacidade de reorganizar,
adicionar e criar novos conhecimentos aplicáveis em produtos e processos, com
bas
e em informações, faz-se necessário o estabelecimento de um fluxo de
informações que viabilize o seu processamento entre os atores envolvidos
.
Logo,
a
realização
dessa
atividade de inovação em rede está atrelada à constituição de uma
estrutura de coordenação
específica
.
A partir das noções de redes e de inovação adotadas nesta tese
,
é
possível conceituar a atividade de inovação em redes. Trata-
se,
antes de tudo, d
a
capacidade de estabelecer um fluxo de informações capaz de gerar novos
conhecimentos
, aplicáveis em produtos e processos, com base na troca de
informações e
no
apr
endizado não mais
em
uma empresa, mas
em
um arranjo de
empresas.
A motivação para a atividade de inovação em rede está na constatação
de que as competências (desdobradas em conhecimentos, experiências e
habilidades) necessárias à inovação
podem
estar além dos limites da empresa
individual.
Além disso, a formação desses arranjos de empresas está apoiada
principalmente na questão da novidade: na busca pela nova informação, pelo
conhecimento novo capaz de renovar produtos e processos e gerar um valor novo.
Ou
seja, alinhado ao que foi discutido no primeiro capítulo sobre a origem
das redes, considera-se essencial, na dinâmica das redes de inovação, não a
complementaridade de competências, mas, fundamentalmente, o acesso à
informação e o aprendizado coletivo: a geração de novos conhecimentos a partir da
integração de distintos recursos de cognição. Afinal, as empresas que cooperam em
redes de inovação são empresas diferentes, que percorreram trajetórias distintas e
que podem integrar seus recursos na busca pe
la inovação
.
138
Isso
posto, faz-se necessário discutir a operacionalização da atividade de
inovação em rede
.
Por
lidar com uma atividade multilateral, é evidente que
essa
operacionalização se trata, em primeiro lugar, de um ajuste
na
contribuição das
partes ao todo. Mas é um ajuste feito de tal forma que necessariamente deve gerar
novos conhecimentos: inovação. A partir da formação da rede, que se compor e
estabilizar uma estrutura de coordenação que permita o estabelecimento de um fluxo
de informações organizadas em prol da consecução dos objetivos estratégicos que
motivaram o acordo. Ou seja, torna-se evidente a necessidade de ajustar
a
contribuição das partes visando à coleta de toda a informação relevante, o
compartilhamento e
a
utilização das informações pelos
atores
que
compõem
a rede
em tempo hábil e a sua transmissão sem distorções.
Como se faz o ajuste da contribuição das partes ao todo da rede
?
Por
meio da coordenação. Como se organiza o ajuste das contribuições
?
Por meio da
gestão
de projetos. Como seria então a gestão de projetos em
uma
rede de
empresas? Qual a diferença
entre essa gestão e
a gestão de projetos dentro de uma
empresa?
A diferença fundamental é que
a
gestão de projetos em rede é
sim
um
fluxo de informações organizadas, porém com uma lógica de interação e
aprendizado contínu
o
; ou
seja, com uma dinâmica diferente.
Os fluxos de informação para desenvolvimento de projetos em conjunto
se dão em alicerces/fundamentos oriundos de culturas organizacionais diferentes
.
Os atores da rede são a
tores
oriundos de empresas distintas,
trazendo
para um
projeto em rede questões de ordem cultural, organizacional e estratégica que
refletem
, antes dos objetivos da rede, os objetivos das suas empresas de origem.
Sendo assim, p
arte
-se do princípio
de
que a gestão de projetos
pode
viabilizar
a
139
efetiva utilização das informações
a
que se
tem
acesso na rede para a consecução
de objetivos comuns
,
por meio
do ajuste da contribuição das partes ao todo da rede
.
No capítulo 3 foram discutidos os elementos de gestão de projetos que
visam
a
estruturar os fluxos de informação
da rede
. Os elementos proposto
s
seguem
três diretrizes básicas, ou seja, devem operacionalizar três dimensões: a
complementaridade
de competências, a coordenação das atividades (e a tomada de
deci
sões
) e a promoção da conectividade. Ou seja, cada elemento de gestão de
projeto
guarda especificidades com cada diretriz para, então, viabilizar a gestão de
projetos em redes de empresas.
O
s
times de projetos são
elementos
responsáveis pela
concretização
da
complementaridade
, pela constituição do arranjo de competências na rede. A
gestão de projetos em redes requer times de
experts
oriundos de empresas
diferentes
; é quase uma rede dentro da rede, uma rede para inovação. O grande
desafio é coordenar a dinâmica inerente a um time de representantes
organizacionais diferentes.
Do
is são os elementos para isso: os líderes de projeto e
as ações de comunicação.
Os
líder
es
de projeto constituem uma liderança cujo objetivo é traduzir o
esforço de
coordenação
que vai concatenar os diferentes
elementos
de gestão de
projetos
à disposição do time. O trabalho de coordenação do líder de projeto,
no
sentido
tanto de recomposição da base de conhecimentos necessários à gestão de
um projeto, quanto
de
alinhamento de objetivos
entre os atores envolvidos, perpassa
a resolução de conflitos, a condução do time mantendo o foco no projeto e a
facilitação do processo de comunicação e integração entre os atores que
compõem
um time inter
-
empresas.
140
O outro elemento de gestão de projetos em rede
são
as
ações
de
comunicação
,
que o formalizar o imprescindível reconhecimento dos fluxos de
informação entre as partes. Nas redes de empresas, as ações de comunicação são
talvez
mais importantes
,
com uma organização mais gritante do que nos casos dos
fluxos de informação intra-times dentro de uma empresa. Parte-se do pressuposto
de
que
as ações de comunicação realizam a
conectividade
: a interligação da rede
como um todo.
Portanto
,
são necessárias
coordenação
e
conexão
das partes no intuito
de
gar
antir a
complementaridade
.
O esforço de coordenação dos líderes de projeto
reside
no alinhamento dos
diferentes
atores
envolvidos em um projeto em redes de
empresas
.
Ao esforço de coordenação dos líderes soma-se a necessidade de
formalização dos fluxos de informação por meio das ações de comunicação
.
Juntos,
líderes,
ações de comunicação e times imprimem
dinâmica
à gestão de projetos em
redes de empresas: o
estabelec
imento de um fluxo de informações organizadas,
com uma lógica de interação e aprendizado con
tínuo inter
-
empresas.
7.3 Contribuições ao
modelo de análise
O modelo proposto com base
nas
considerações teóricas explicitadas nos
capítulos 1, 2 e 3 foi utilizado para a análise dos casos das redes Ação Magistral e
Redemac, apresentadas nos capítulos 5 e 6. O modelo da figura 9 foi aplicado à
análise do histórico das redes selecionadas, da evolução dos principais projetos das
redes e dos elementos de gestão de projetos identificados.
141
As possibilidades e características gerais da gestão de projetos nos
casos
estudados nesta tese, quando comparadas àquelas colocadas no modelo de
análise, permitem afirmar que ele se mostra adequado para o estudo da dinâmica da
gestão de projetos em redes horizontais. Porém, alguns ajustes podem ser
verificados e caracteriz
am contribuições ao modelo de análise.
Uma das
principais
contribuições da pesquisa
realizada
nesta tese
com as
redes Ação Magistral e Redemac foi a constatação da importância da fase de
implementação dos projetos desenvolvidos pelos times. Esta é uma fase
particularmente crítica de um projeto conduzido por uma rede horizontal. Todos os
projetos analisados partiram de um momento inicial de proposição dos mesmos
,
geralmente em assembléia ou pela diretoria. A partir daí, os projetos foram
executados
por
times
, ou seja, por pequenos grupos de empresas, para, na
seqüência,
serem implementados
no grande grupo.
Sendo assim, cada projeto executado por um pequeno grupo de
empresas
deve ser implementado
no
restante das empresas da rede (por exemplo, a
comercializaçã
o de um produto desenvolvido).
Constatou
-
se
que grande parte do
êxito de um projeto está justamente nos cuidados quanto à sua implementação no
grande de grupo. Ou seja, no caso do exemplo da comercialização de um produto
desenvolvido
, garantir que todas as empresas da rede comercializem o produto
desenvolvido pelo pequeno grupo de empresas reunido no time de projeto.
O modelo de análise proposto nesta tese não contemplava essa fase de
um projeto em rede, ou seja, o papel de cada um dos elementos de gestão
de
projetos na fase de implementação.
A partir das constatações da pesquisa, verificou
-
se
que os elementos de gestão de projetos devem
se
pauta
r
não só pelo escopo dos
142
projetos em execução, mas também pelo planejamento da fase de implementação
dos mesmos
.
Os líderes de projeto, dado o seu trabalho de coordenação direta das
atividades, desempenham também um papel importante no que tange à
implementação dos projetos.
Essa
contribuição da pesquisa deriva da constatação
do trabalho do líder do projeto da revista InformAção Magistral, por exemplo. O líder
desenvolveu uma sistemática de comunicação dos resultados do time aos demais
associados
que facilitou a implementação do projeto da revista. O líder manteve um
canal de informação aberto para qualquer associado que desejasse saber do
andamento do projeto
,
por meio da lista de e-
mail
organizada por ele. O líder
também se responsabilizou pela apresentação do projeto da revista nas duas
assembléias subseqüentes àquela de instituição da comissão e do início dos
trab
alhos.
Outra
constat
a
ção
da pesquisa que sustenta o argumento de que os
líderes
têm
um papel fundamental na implementação dos projetos foi identificada
quando da análise dos líderes de projeto da rede Redemac
15
. Desde a sua
formação, a Redemac segue a orientação de manter membros da diretoria à frente
dos seus times de projeto, atuando como líderes de projeto, o que possibilita um
contato direto entre os times e a diretoria. Percebe-se que
isso
foi preponderante na
implementação
, por exemplo, do programa Qua
lificar
, no reconhecimento e
no
incentivo dado pela direção às empresas voluntárias nos dois primeiros anos de
implementação do programa na rede
(na fase piloto de implementação)
.
15
Conforme o quadro 41 (análise dos times formados na rede Redemac).
143
No que tange
às
ações de comunicação, constatou-se que cada uma das
redes estudadas buscou, de alguma forma
,
manter informadas todas as empresas
a
respeitos dos projetos
em
execução
.
Por meio das ações de comunicação direta e
das mídias indiretas, os demais associados eram comunicados a respeito do
andamento dos projetos e envolvi
dos
durante a execução d
os
mesmos
. P
ode
-
se
constatar que esse envolvimento facilitou sobremaneira a etapa futura de
implantação
dos seguintes projetos analisados: na rede Ação Magistral, os projetos
da revista e dos filtros solares NoRed FPS60 e NoRed Kids, e na Redemac, o
programa Qualificar e o projeto do Centro de
Distribuição
.
Os times
têm
um papel importante na fase de implementação dos projetos
desenvolvidos por eles. Cada time representa um grupo de empresas que
futur
amente
vai
implantar aquilo que foi desenvolvido por ele mesmo. Aqui parte-
se
do pressuposto
de
que, a partir da experiência com o desenvolvimento e
a
posterior
implementação dos seus próprios projetos, e da
contínua
comunicação dessa
experiência para outras empresas, os times
podem
contribuir para a implementação
de projetos na rede como um todo.
Na Redemac, observa-se uma preocupação com a fase de
implementação do programa Qualificar. A primeira fase do projeto de
desenvolvimento
desse programa teve o objetivo de reunir as principais
ões
estratégicas
em uma espécie de manual da rede: o programa em si. A segunda fase
teve o objetivo de implantar o programa para todas as empresas da rede. Nos dois
primeiros anos a implantação do programa foi feita com empresas voluntárias.
Dentre as empresas voluntárias, destacam-se as empresas Redemac J. Schmidt,
participante dos times de projeto responsáveis pela execução do programa em 2004,
2005 e 2007, e Redemac Carlesso
, participante do time de projeto de 2004.
144
Na rede Ação Magistral, a preocupação com a fase de implementação do
projeto da revista foi evidenciada a partir da formação do grupo do G13 (as treze
farmácias localizadas em Porto Alegre)
.
Esse
grupo destaca-se não pela
organização proposta para a visitação aos profissionais prescritores na
cidade
, mas
pela execução de um piloto que oportunizou a experiência de implementação do
projeto da revista.
Essa
experiência foi comunicada às demais empresas, facilitando
a implementação do projeto no todo da rede.
Outra contribuição importante da pesquisa foi a constatação de que os
times de projeto promovem a integração não somente
inter
-empresas, mas também
inter
-grupos de empresas. É evidente que a predisposição da empresa em trabalhar
na gestão da rede, por meio da participação nos times, é um indicativo da sua
integração
com
as demais empresas. Ao longo do trabalho desenvolvido nos
projetos
, é oportunizada a aproximação das empresas a partir das rotinas
estabelecidas dentro dos times.
Percebe
-
se
ainda
que, pela presença freqüente de
empresas do grupo de fundadores da rede e de membros da diretoria nos times de
projetos,
estes
acabam por estabelecer pontes entre
os
distintos
grupos de
empresas
16
,
assim
como os
líderes de projeto
17
(ainda que
em
menor intensidade).
Por fim,
constata
-se a importância dada pelos associados, em ambas as
redes, para o investimento em projetos de inovação. Na Ação Magistral, destaca-
se
a criação de um fundo permanente para custear os projetos
de
desenvolvimento dos
produtos de marca própria. Na Redemac, destaca-se o projeto de desenvolvimento
16
Conforme os quadros 22 (análise dos times formados na rede Ação Magistral) e 42 (análise dos
times formados na rede Redemac).
17
Conforme as seções 5.4.1 (análise dos líderes de projeto da rede Ação Magistral) e 6.4.1 (análise
dos líderes de projeto da rede Redemac).
145
do Centro de Distribuição da rede.
Esse
projeto exigiu o maior nível de investimento
financeiro dos associados da rede até hoje.
À luz das contribuições da pesquisa realizada nesta tese
,
é possível
propor a consolidação do modelo de análise da figura 9. A partir do modelo de
análise consolidado, que será
apresentado
a seguir,
pode
-
se
determinar como se
a gestão de um projeto em rede de empresas.
7.4 Modelo de análise consolidado
O modelo de análise proposto na figura 9 recebeu, à luz da análise dos
casos estudados, contribuições
acerca
de três principais tópicos. Primeiro, a fase
crítica
de implementação de um projeto em rede de empresas. Em seguida, o papel
desempenhado
pelos times de projeto na integração inter-grupos de empresas. Por
fim,
a importância que a atividade de inovação ganha ao longo da evolução de um
a
rede
de empresas
.
Dentre
essas
contribuições, a descoberta da importância da fase de
implementação dos projetos é fundamental, pois o modelo de análise proposto não
contempl
ava
essa
fase crítica de um projeto em rede. Sendo assim, cada um dos
elementos de gestão de projetos
foi alterado
em função da fase de implementação.
Dessa forma
, apresenta
-se o modelo de análise da figura 10, resultado da
consolidação
das
constatações
da pesquisa. Nele estão evidenciadas as
contribuições ao modelo de análise originalmente proposto.
146
Figura
10
Modelo de análise consolidado
Ações de comunicação
Elementos de
gestão de
projetos
Estruturação dos
fluxos de informação
Coordenação
Promover a coordenação e a tomada de
decio
Promover a execução e implementação
dos projetos
Promover a integração inter-empresas e
inter-grupos de empresas
Líderes de projeto
Times de projeto
Conectividade
Formalizar os fluxos de informação
Promover a implementação dos projetos
Promover a integração inter-empresas e
inter-grupos de empresas
Complementaridade
Promover a integração inter-empresas e
inter-grupos de empresas
Promover a
execução
e implementação
dos
projetos
Promover o arranjo de competências
Contribuições ao modelo de análise
147
A atividade de gestão de projetos em redes de empresas traduz o esforço
pro
gressivo de coordenação e conexão das partes no intuito de garantir a
complementaridade: o arranjo de competências possível a partir da formação de
uma rede de empresas. A partir do arranjo, buscam-se elementos que imprimam
dinâmica
à gestão de projetos em redes de empresas: o estabelecimento de um
fluxo de informações organizadas, com uma lógica de interação e aprendizado
contínuo inter-empresas, preponderante à execução de projetos de inovação em
conjunto
.
O esforço de coordenação de atores organizacionais oriundos de
empresas distintas se materializa no trabalho dos líderes de projeto. Ou seja, a
coordenação do arranjo de competências da rede pressupõe uma liderança capaz
de alinhar os atores oriundos de culturas organizacionais distintas. Os líderes de
projeto devem ser capazes de exercer a coordenação direta das atividades e
comunicar os objetivos estratégicos a serem alcançados com a realização de um
projeto coletivamente. Para tanto, faz-
se
necessária
a escolha de um líder
reconhecido por todos e com e
xperiência
no
escopo do projeto.
O líder de projeto deve ser capaz de desenvolver uma dinâmica de
trabalho a partir da delimitação da contribuição de cada um dos membros do time. A
partir daí, deve
ser
criada pelo líder uma agenda de trabalho que permita
a
execução
do projeto. O líder deverá manter um canal de informação aberto com
todos os membros do time. O líder também deverá observar a sistemática
comunicação dos resultados do time aos demais associados, visando à etapa futura
de implementação do proje
to na rede.
A questão da implementação dos projetos está ligada a uma importante
faceta do trabalho de coordenação realizado pelos líderes: a ligação que estes
148
estabelecem inter-grupos de empresas. Ou seja, os líderes de projeto podem
estabelecer
pontes entre os distintos grupos de empresas que compõem as redes.
Essas pontes se traduzem em fluxos de informação estabelecidos entre os grupos,
por meio dos quais os projetos são discutidos e as contribuições dos diferentes
atores da rede são transmitidas. A partir dos fluxos estabelecidos e da troca de
informações, é facilitado o processo de coordenação e alinhamento dos atores da
rede como um todo.
Ao esforço de coordenação dos líderes soma-se a necessidade de
formalização dos fluxos de informação por meio das ações de comunicação. Todas
as ações de comunicação, sejam elas diretas ou indiretas, oportunizam a
formalização dos fluxos de informação na rede. Por meio destes, a rede é
conectada, oportunizando a divulgação, a discussão dos projetos em execução e a
su
a futura implementação para todas as empresas.
As ações de comunicação direta dizem respeito à criação de uma
agenda
de encontros presenciais na rede. Fazem parte
dessa
agenda, principalmente, as
assembléias, de caráter deliberativo, e as reuniões gerais, que
têm
o objetivo de
oportunizar aos associados a apresentação e
a
discussão das questões que serão
deliberadas futuramente. Além destas,
as reuniões de diretoria e as reuniões dos
times de projeto da rede. Complementando a agenda de reuniões, pontuam-
se
outras ações de comunicação direta entre os associados: as visitas entre as
empresas, os demais encontros presenciais (cursos, fóruns, encontros, palestras),
bem como uma agenda de eventos sociais.
Uma vez formalizados os fluxos de informação via ações de comunicação
direta, as contribuições podem ser coletadas, transmitidas e compartilhadas.
149
Percebe
-se, claramente, o processo de alinhamento dos atores da rede na
consecução dos resultados do projeto, a partir das contribuições de cada um.
Às ações de comunicação direta, somam-se as mídias indiretas para
acelerar a conectividade da rede. Para tanto, informativos periódicos devem ser
criados visando à comunicação das principais ações e dos principais projetos da
rede. Destaca-se, também, a funcionalidade que um portal na
internet
pode conferir
à rede. Por meio de um portal na
internet
, o amplo acesso e
a
divulgação de
informações da rede podem ser viabilizados, a respeito do andamento de projetos,
das
negociações,
do
calendário de reuniões,
das
atas das assembléias, entre
outras.
A partir dos esforços de coordenação e conexão da rede, o arranjo de
competências na rede é operacionalizado e dinamizado. Ou seja, a partir dos
esforços de um líder de projeto e das ações de comunicação, o trabalho dos times
de projeto passa a ser possível. Para tanto, são formados times de projeto com
atores oriundos de diferentes empresas. Na base
dessa
determinação está a noção
de complementaridade: distintos recursos de cognição
podem
contribuir para o
processo de inovação.
A
rede deve observar e seguir uma orientação direta, no sentido de que
todas as empresas participem de algum time de projeto, mesmo que mais de um
membro de cada empresa se envolva em algum dos times da rede. Tal
determinação está fundamentada na constatação de que os times de projeto
contribuem para o processo de integração inter-empresas e inter-grupos de
empresas na rede.
Com o suporte do trabalho de coordenação dos líderes de projeto e de
conexão da rede, viabilizado pela formalização dos fluxos de inform
ação
por meio
150
da
s ações de comunicação, o arranjo de complementaridade de
competências
viabilizado pela própria existência da rede ganha dinamismo. Os atores que
comp
õ
em
os times podem ser coordenados dentro de uma lógica de interação e
aprendizado contínu
o, que permita vencer o desafio de se
alinharem
atores oriundos
de empresas diferentes.
151
8 CONCLUSÃO
O presente trabalho analisou a dinâmica de gestão de projetos em redes
de empresas. O objetivo foi compreender como são formalizados e coordenados os
fl
uxos de informações necessários à realização de projetos em conjunto, a partir do
arranjo de competências entre atores organizacionais oriundos de empresas
diferentes. Para tanto, optou-se pelo método qualitativo, utilizando-se como
estratégia de pesquisa o estudo de dois casos de redes horizontais. Foram
selecionadas duas redes formadas no estado do Rio Grande do Sul que executam
projetos em conjunto
,
visando a estabelecer os contornos da atividade de gestão de
projetos em redes horizontais: as redes Ação Magistral (rede de farmácias de
manipulação) e Redemac (rede de lojas de materiais de construção).
O modelo de análise proposto partiu da compreensão das razões que
fundamentam a atividade de inovação em rede. A partir dessa compreensão, torna-
se evidente a necessidade de estruturação dos fluxos de informação. Tal
necessidade visa à coleta de toda a informação relevante para a rede, ao
compartilhamento e à utilização das informações pelos grupos que compõem a rede
em tempo hábil e à sua transmissão sem distorções. Parte-se do princípio de que a
gestão de projetos pode viabilizar a real utilização das informações a que as
empresas têm acesso na rede para a consecução de objetivos comuns. E, uma vez
explicitada a necessidade do processo de integração das empresas em rede, faz-
se
necessário explorar os elementos de gestão de projetos que o viabilizam: os times
de projetos, os líderes e as ações de comunicação.
152
No capítulo 3 foram discutidos os elementos de gestão de projetos que
visam a estruturar os fluxos de informação e a realizar as dimensões da
coordenação, da conectividade e da complementaridade. Tal discussão es
fundamentada na necessidade de se complementarem competências para a
execução de determinadas atividades. Para tanto, a partir da formação da rede,
que se compor e estabilizar uma estrutura de coordenação que permita o trabalho
conjunto: a realização da complementaridade de competências, o aprendizado
coletivo e a geração de novas competências para a consecução dos objetivos
estratégicos que mo
tivaram o acordo.
Primeiramente foram discutidos aspectos relevantes a respeito dos líderes
de projeto, responsáveis pela coordenação dos times de projeto. A seguir foram
discutidas as ações de comunicação. Partiu-se do pressuposto de que estas
realizam a conectividade, ou seja, a formalização dos fluxos de informação, fazendo
circular toda a informação necessária à gestão de projetos. Assim, trabalhou-se na
perspectiva de que as ações de comunicação agregam a atividade dos times de
projeto e dos líderes no que tange à integração inter-empresas e inter-grupos de
empresas. Por fim, foram discutidos os times de projetos, responsáveis pela
promoção da complementaridade, isto é, do próprio arranjo de competências na
rede. Parte-se do pressuposto de que, a partir da formação de times de projetos, é
promovida a integração inter
-
empresas na rede.
Cerca de 20 redes foram analisadas em um estágio preliminar da
pesquisa, para a seleção dos casos. O modelo proposto com base nas
considerações teóricas apresentadas nos capítulos 1, 2 e 3 foi utilizado para a
análise dos casos das redes Ação Magistral e Redemac, apresentadas nos capítulos
153
5 e 6. As duas redes foram escolhidas por se encontrarem em um estágio avançado
de desenvolvimento, visando a executar projetos de inova
ção.
Na rede Ação Magistral foram escolhidos três projetos para análise: o
projeto de desenvolvimento dos filtros solares NoRed FPS15 e FPS30, o projeto de
desenvolvimento da revista InformAção Magistral e o projeto de desenvolvimento
dos filtros solares N
oRed FPS60 e NoRed Kids.
O projeto dos filtros solares NoRed FPS15 e FPS30 foi o primeiro grande
projeto da rede. Esse projeto foi desenvolvido durante um período de restrição da
atuação dos farmacêuticos magistrais, em função da Consulta Pública 31 da
AN
VISA. Aliada às dificuldades de mercado, ficou evidente a falta de organização da
rede para a execução dos projetos em conjunto. No entanto, ao final do
desenvolvimento do projeto, a partir do sucesso no lançamento do produto, foi
possível observar que essa experiência oportunizou um processo de aprendizado e
organização interna da rede, principalmente dos seus elementos de gestão.
Foram criadas as comissões por projeto na rede: times de caráter
permanente ou temporário, focados em projetos específicos. Fo
i criada também uma
nova instância administrativa na rede: o conselho consultivo, para dar mais agilidade
ao processo de tomada de decisão na rede. Juntos, comissões por projeto e
conselho consultivo visam claramente a ajustar a contribuição das partes ao todo na
Ação Magistral, estabelecendo ligações entre as comissões de projeto, a diretoria da
rede e a assembléia geral, em que se reúnem os demais associados.
O segundo projeto analisado, da revista InformAção Magistral,
caracterizou um projeto inovador, primeiramente pelo tipo de comunicação que se
estabeleceu com o principal cliente da rede, o profissional prescritor. A rede se
decidiu por uma revista de caráter científico e, assim, estabeleceu um canal para a
154
comunicação das inovações do mercado aos profissionais prescritores. O projeto foi
inovador em segundo lugar pela forma de distribuição da revista no mercado. A
implementação do projeto da revista exigiu um programa de qualificação dos
farmacêuticos para realizar a fase de visitas e entrega das revistas aos profissionais
prescritores. No que diz respeito à gestão de projetos, essa experiência de
desenvolvimento demonstrou sinais claros da mudança e do amadurecimento dos
procedimentos de gestão de projetos da rede estabelecidos a partir da experiên
cia
com o projeto dos filtros NoRed FPS15 e FPS30.
Por fim, o projeto dos filtros NoRed FPS60 e NoRed Kids veio consolidar
a organização da gestão de projetos da rede. Durante a análise do projeto, ficou
evidente a atuação de um time de projeto sincronizado e de um líder conectado à
diretoria e ao conselho consultivo da rede. Estes, por sua vez, mantiveram-
se
conectados e alinhados aos interesses dos demais associados por meio das
assembléias. Por fim, não só o amadurecimento dos procedimentos de gestão
cha
ma a atenção, mas também a visão dos associados quanto à importância do
investimento em projetos de inovação em rede, com a criação de um fundo
permanente para custear esses projetos.
Na rede Redemac foram escolhidos três projetos para análise: o projeto
de desenvolvimento da linha de produtos de marca própria, o projeto de
desenvolvimento do programa de gestão da qualidade da rede, o programa
Qualificar Redemac, e o projeto de desenvolvimento do centro de distribuição da
rede.
O projeto dos produtos de marca própria da rede ficou marcado pela falta
de estruturação da rede para a condução de um projeto fora do escopo de um único
time de projeto. Para a condução desse projeto, foi necessário o envolvimento de
155
dois times: Marketing e Adequação do Mix de Produtos. O trabalho desses times foi
dificultado pela falta de uma coordenação centralizada para o projeto, o que levou à
falta de integração dos times. Como conseqüência, especificações de produtos
tiveram de ser refeitas, sendo que alguns protótipos já avançados de produtos
sugeridos foram completamente descartados.
Cronologicamente, a primeira fase do projeto de desenvolvimento do
programa Qualificar Redemac aconteceu na mesma época do projeto de
desenvolvimento dos produtos de marca própria. A análise do projeto do programa
Qualificar evidenciou a necessidade de a rede reunir os principais aspectos do seu
planejamento estratégico em um único programa para concatenar as suas ações.
As principais ações da rede estavam ligadas ao marketing conjunto, à
negociação
conjunta com fornecedores e à composição de um conjunto de produtos
negociados para todos os associados, o mix de produtos da Redemac. A primeira
fase do projeto de desenvolvimento do programa Qualificar teve o objetivo de reunir
essas ações em uma espéci
e de manual da rede: o programa em si. A segunda fase
teve o objetivo de implantar o programa para todas as empresas da rede. Nos dois
primeiros anos a implantação do programa foi feita com empresas voluntárias. A
partir do ano de 2007, a adesão ao programa se tornou obrigatória a todas as
empresas da Redemac.
A implementação do programa Qualificar, bem como os resultados
obtidos pelas empresas que aderiram ao programa, foram intensivamente
propagandeados na rede. A partir do programa Qualificar, as ações de marketing da
rede vêm sendo consolidadas e as lojas padronizadas. As negociações com
fornecedores foram alinhadas, e vem sendo implantado em todas as lojas da rede o
seu mix de produtos. Como resultado desse esforço para concatenar as ações da
156
rede, tem-se o alinhamento dos objetivos estratégicos da rede e das empresas
individualmente.
A análise do projeto de desenvolvimento do centro de distribuição da
rede, posterior à implementação do programa Qualificar, evidencia a consolidação
dos elementos de gestão de projetos da rede. Foi criado um time específico para
cuidar desse e de outros projetos que marcam a evolução da rede: o time de
inovação. O projeto de desenvolvimento do centro de distribuição da rede exigiu o
maior nível de investimento financeiro d
os associados até hoje.
É importante destacar que a Redemac configura um dos casos de maior
sucesso do programa Redes de Cooperação. Foi possível perceber que a rede se
encontra na fase de expansão no estado e de inovação nos serviços prestados. A
rede pos
sui hoje uma estrutura de coordenação consolidada e estável que viabiliza o
processo de desenvolvimento da rede como um todo. É, também, uma das poucas
redes que faz investimentos internos em capacitação e profissionalização dos
gestores, com impacto na ge
stão da rede.
Neste estudo,
optou
-
se
por redes mais antigas em função da constatação
da necessidade de aprofundamento das relações estabelecidas entre as empresas
associadas para a consecução de projetos de inovação. Os projetos de inovação
das redes Ação Magistral e Redemac foram planejados a partir do momento em que
as redes perceberam uma estabilização dos ganhos obtidos por meio de ações
iniciais, como compra e marketing conjunto. Concomitantemente, as redes
demonstraram um nível de imbricamento, resultado do tempo e da qualidade do
trabalho desenvolvido em conjunto, que permitiu a execução de projetos de
inovação.
157
Cada uma das redes possui uma estrutura de gestão de projetos que
reflete o nível de coordenação das mesmas. Na Redemac, a rede mais antiga,
a
estrutura de coordenação formatada
na
época do primeiro planejamento estratégico
da rede absorve hoje projetos de inovação. A rede Ação Magistral, por sua vez, teve
de aperfeiçoar a sua estrutura de coordenação de projetos, partindo para uma
estrutura ma
is ágil e centralizada.
Muito embora a análise dos casos permita concluir que o modelo de
análise proposto está adequado, sugere-se, para a continuidade da pesquisa, o
estudo de novos casos em outro contexto de redes interorganizacionais. Tal
sugestão visa à verificação das limitações e à possível ampliação do modelo de
análise. Numa outra iniciativa, sugere-se que a estrutura analítica proposta neste
trabalho seja utilizada como referência para a elaboração de um instrumento de
coleta de dados que possibilite a realização de uma pesquisa de natureza
quantitativa.
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p.180
-
185, 2004.
170
ANEXO A
Roteiro para entrevistas na primeira fase da pesquisa:
1)
Caracterização da rede: número de empresas participantes, tamanho das
empresas (número de empregados), data de formação da rede, ramo de
atividade, principais produtos.
2)
Como se deu o processo de formação da rede?
3)
Como é a estrutura organizacional da rede (direção, grupos de trabalho)?
4)
Qual é o perfil das empresas, em termos do nível de capacitação (tecnológica,
gerencial...) dos associados?
5)
Quais são os critérios de seleçã
o para novos associados?
6)
Quais operações são realizadas em rede?
7)
Quais são os elementos utilizados para a gestão da rede
planejamento,
tomada de decisão?
8)
Quais são os principais recursos transacionados
tangíveis e intangíveis?
9)
Como as empresas acessam e compartilham informações
ações de
comunicação?
10)
outros atores institucionais com os quais a rede troca informações?
Quais?
171
11)
Quais são as principais vantagens da rede? Os objetivos da rede foram ou
estão sendo alcançados? E quais são as principais dificuldades, os riscos da
rede?
12)
Quais são os mecanismos utilizados para salvaguardar as transações? Como
vocês protegem a rede, para que permaneça em funcionamento?
13)
Quais novas operações poderão ser realizadas em conjunto
alguma
previsão ou plano de expansão? Quais são as expectativas quanto ao futuro
da rede?
14)
Você poderia citar casos de inovações em produtos, processos, serviços,
desenvolvidos a partir da formação da rede?
172
ANEXO B
Roteiro para entrevistas na segunda fase da pesquisa:
1)
Existe um
procedimento formal para gestão de projetos?
a.
Como ele ocorre na rede, na sua comissão?
b.
Como se desenvolveu concretamente? (deixar o entrevistado contar a
história)
2)
Da execução do projeto
a.
Como o projeto foi organizado?
b.
Como está sendo coordenado?
c.
Como são e
stabelecidos os fluxos de informação?
d.
Quais são as ações de comunicação (meios, procedimentos,
ferramentas utilizadas, freqüência das reuniões)?
3)
Há outros atores institucionais que participaram do projeto?
4)
Entre as fases do projeto, qual ou quais foram ou estão sendo mais difíceis?
Por quê?
173
ANEXO
C
Quadro
33
Diretoria da Rede Ação Magistral, gestão 2007-
2008
Cargo
Empresas
Presidente
Rosa Moschetta
Vice- Presidente
Pharma Pura
Secretário
Fórmula Famácia
Tesoureiro
Pharmacus
Conselho Fiscal
Titular
Matéria Pura
Titular
Fitonfarma
Titular
Tecnifarma
Suplente
Fármaco Ativo
Suplente
Proderma
Suplente
Farmácia Santa Júlia
Conselho Consultivo
Titular
Bellafarma
Titular
Dermogral
Titular
A Famathuia
Titular
Spengler
Titular
Biopharma
Conselho Ética
Titular
Aromas e Poções
Titular
Multimisturas
Titular
Apotheke
Diretoria Gestão 2007-2008
174
Quadro
34
Relação das empresas da Rede Ação Magistral em
2007
Número
Empresa
Cidade
Estado
1
A Farmathuia
Porto Alegre
RS
2
Alquimia Canela
Canela
RS
3
Antiqua Pharmácia
Portão
RS
4
Aromas & Poções matriz
Bento Gonçalves
RS
5
Artepharma
Mafra
SC
6
Beladerm
Criciúma
SC
7
Bellafarma
Farroupilha
RS
8
Biopharma
Canoas
RS
9
Botânica Farmácia matriz
São Sebastião do Caí
RS
10
Botica do Valle
Joinville
SC
11
Botica Pelotense
Pelotas
RS
12
Calabash
Porto Alegre
RS
13
Dermaestetica
Blumenau
SC
14
Dermobel filial
São Miguel do Oeste
SC
15
Dermogral - Centro
Porto Alegre
RS
16
Dermus
Florianópolis
SC
17 Essência de Vida
Lajeado
RS
18
Farmácia Santa Júlia
Não-Me-Toque
RS
19
Fármaco Ativo
São Leopoldo
RS
20
Fitonfarma
Porto Alegre
RS
21
Fórmula Farmácia
Gravatai
RS
22
Formulare Farmácia
Canguçu
RS
23
Fórmula Vital
São Lourenço do Sul
RS
24
Fracionatta
Taquara
RS
25
Homeopathus
Rio Grande
RS
26
In Corpore
Campo Bom
RS
27
Labovid
S.Luiz Gonçaga
RS
28
Maria Rocha
Tubarão
SC
29
Matéria Pura
Carlos Barbosa
RS
30
Mistura da Terra
Bagé
RS
31
Multimisturas
Santo Antônio da Patrulha
RS
32
Natupharma
Erechim
RS
33
Nova Mistura
Cidreira
RS
34
Oficina de Misturas
Porto Alegre
RS
35
Pharma Pura
Vacaria
RS
36
Pharmacus-Moinhos
Porto Alegre
RS
37
Proderma
Novo Hamburgo
RS
38
Remédius
Soledade
RS
39
Rosa Moschetta
Canoas
RS
40
Sanare
Estancia Velha
RS
41
Spengler Menino Deus
Porto Alegre
RS
42
Tecnifarma
Porto Alegre
RS
43
Uso Indicado
Pelotas
RS
44
Vitalle
Camaquã
RS
175
ANEXO
D
Quadro
35
Diretoria da Rede Redemac, gestão 2004
-
2005
Cargo
Empresas
Presidente
Redemac Vivian
Vice- Presidente
Redemac J. Schmidt
Diretor Secretário
Redemac Casmar
2º Diretor Secretário
Redemac Zona Nova Center
Tesoureiro
Redemac Mostardense
2º Diretor Tesoureiro
Redemac Bomag Maggicon
Conselho Fiscal
Titular
Redemac Vical
Titular
Redemac Carlesso
Titular
Redemac Adams
Suplente
Redemac Santo Antônio
Suplente
Redemac Mad. Moutinho
Suplente
Redemac Bertoldo Möller
Conselho Ética
Titular
Redemac Trevo
Titular
Redemac Virtual
Titular
Redemac Caçula
Suplente
Redemac Calvi
Suplente
Redemac Morelli
Suplente
Redemac Assmann
Diretoria Gestão 2004-2005
176
Quadro
36
Equipes da Rede Redemac para o ano de 2004
Equipes 2004
Empresas
Diretor:
Redemac Bertoldo Möller
Redemac Caçula
Redemac Calvi
Redemac Simionato
Redemac Depauli
Redemac Obra e Cia
Redemac Condor
Diretor:
Redemac Cirleu
Redemac Santo Antônio
Redemac Benetti
Redemac Madeneco
Redemac Arpel
Redemac Morelli
Redemac J. B. Schmidt
Consultor
Redemac Assmann
Redemac Ferramate
Diretor:
Redemac Virtual
Redemac Trevo
Redemac J. Schmidt
Redemac Belmac
Diretor Negociações:
Redemac Carlesso
Redemac Zona Nova Center
Redemac Bomag Maggicon
Redemac Irmãos Salvador
Redemac Macofer
Redemac Adams
Diretor Tablóides:
Redemac Caçula
Redemac Bertoldo Möller
Redemac Vical
Redemac Mostardense
Redemac Simionato
Redemac Morungava
Diretor:
Redemac J. Schmidt
Redemac J. Fofonka
Redemac Casmar
Redemac Trevo
Redemac Center
Redemac Kottwitz
Nitro
Ass. Imprensa
Aumento da Rentabilidade
Busca da Satisfação dos
Clientes
Expansão da Rede
Adequação do Mix de Produtos
Marketing
177
Quadro
37
Equipes da Rede Redemac para o ano de 2005
Equipes 2005
Empresas
Diretor:
Redemac Obra e Cia
Redemac Vical
Redemac Simionato
Redemac Toninho
Redemac Virtual
Redemac Madesul
Redemac P.P. Garcia
Redemac Depauli
Diretor:
Redemac J.B.Schmidt
Redemac Cirleu
Redemac Benetti
Redemac Morelli
Redemac Ferramate
Redemac Assmann
Redemac Arpel
Redemac Condor
Redemac Bomagg Lumaggi
Redemac Calvi
Consultor
Diretor:
Redemac Vical
Redemac J. Schmidt
Redemac Belmac
Redemac Adams
Diretor:
Redemac Trevo
Redemac Carlesso
Redemac Maggicon
Redemac Macofer
Redemac Caçula
Redemac Zona Nova Center
Redemac Irmãos Salvador
Redemac Adams
Redemac Simionato
Redemac Morungava
Redemac Bertoldo Möller
Consultor
Redemac Toninho
Diretor:
Redemac J. Schmidt
Redemac Casmar
Redemac P.P. Garcia
Redemac Center
Redemac Santo Antônio
Nitro
Assessor de Imprensa
Redemac Bomagg Shop
Redemac Sanmartin
Aumento da Rentabilidade
Busca da Satisfação dos
Clientes
Expansão da Rede
Adequação do Mix de Produtos
Marketing
178
Quadro
38
Diretoria da Rede Redemac, gestão 2006
-
2007
Cargo
Empresas
Presidente
Redemac J. Schmidt
Vice- Presidente
Redemac Santo Antônio
Diretor Secretário
Redemac Zona Nova
2º Diretor Secretário
Redemac Macofer
Tesoureiro
Redemac Mostardense
2º Diretor Tesoureiro
Redemac Carlesso
Conselho Fiscal
Titular
Redemac Vical
Titular
Redemac Adams
Titular
Redemac Virtual
Suplente
Redemac Toninho
Suplente
Redemac Trevo
Suplente
Redemac Sanmartin
Conselho Ética
Titular
Redemac Caçula
Titular
Redemac Morungava
Titular
Redemac Zona Nova
Suplente
Redemac Maggicon
Suplente
Redemac Simionato
Suplente
Redemac Carlesso
Representante das Associadas:
Redemac J. Schmidt
Diretoria Gestão 2006-2007
179
Quadro
39
Equipes da Rede Redemac para o ano d
e 2007
Equipes 2007
Empresas
Diretor:
Redemac Toninho
Redemac Simionato
Redemac Vical
Redemac Madesul
Redemac Carlesso
Redemac Morungava
Diretor:
Redemac J. Schmidt
Redemac Calvi
Redemac Cirleu
Redemac Benetti
Redemac Ferramate
Redemac Caracol
Redemac Arpel
Redemac Bomagg Lumaggi
Redemac J.B.Schmidt
Redemac Morelli
Redemac Simionato
Consultor
Diretor:
Redemac Adams
Executivo rede
Diretor:
Redemac Maggicon
Redemac Macofer
Redemac Carlesso
Redemac Caçula
Redemac Zona Nova Center
Redemac Irmãos Salvador
Redemac Vivian
Redemac Adams
Redemac Simionato
Redemac Nicola
Redemac Toninho
Diretor:
Redemac Casmar
Redemac Center
Redemac Trevo
Redemac Assmann
Redemac Bomagg Shop
Redemac Madepretto
Redemac Guindani
Redemac Condor
Luq
Ass. Imprensa
Diretor:
Redemac Santo Antônio
Redemac J. Schmidt
Redemac Adams
Redemac J. Schmidt
Executivo rede
Aumento da Rentabilidade
Busca da Satisfação dos
Clientes
Expansão e Manutenção
Adequação do Mix de Produtos
Marketing
Inovação
180
Quadro
40
Diretoria da Rede Redemac, gestão 2008
-
2009
Quadro
41
Equipe do Programa Qualificar em 2005
Quadro
42
Equipe do Programa Qualificar em
2006
Cargo
Empresas
Presidente
Redemac Santo Antônio
Vice- Presidente
Redemac Simionato
Diretor Secretário
Redemac Mostardense
2º Diretor Secretário
Redemac Irmãos Salvador
Tesoureiro
Redemac Obra e Cia
2º Diretor Tesoureiro
Redemac Vical
Conselho Fiscal
Titular
Redemac Calvi
Titular
Redemac Caçula
Titular
Redemac Toninho
Suplente
Redemac Macofer
Suplente
Redemac Carlesso
Suplente
Redemac Trevo
Conselho Ética
Titular
Redemac J. Schmidt
Titular
Redemac Bomag Maggicon
Titular
Redemac Adams
Suplente
Redemac Vivian
Suplente
Redemac Toninho
Suplente
Redemac Zona Nova Center
Representante da Associadas:
Redemac Casmar
Diretoria Gestão 2008-2009
Equipe
Empresas
Diretor:
Redemac J.B.Schmidt
Redemac Trevo
Redemac J. Schmidt
Consultor
Executivo
Qualificar
Equipe
Empresas
Diretor:
Redemac Calvi
Redemac Macofer
Redemac Casmar
Consultor
Executivo
Qualificar
181
Quadro
43
Equipe do Programa Qualificar em 2007
Quadro
44
Relação das empresas da Rede Redemac em 2007
Número
Empresa
Cidade
Estado
1
Redemac Adams
Venâncio Aires
RS
2
Redemac Arpel
Osório
RS
3
Redemac Assmann
Santa Cruz do Sul
RS
4
Redemac Belmac
Encantado
RS
5
Redemac Benetti
Sapiranga
RS
6
Redemac Bertoldo Möller
Gravataí
RS
7
Redemac Bomag Maggicon
Torres
RS
8
Redemac Caçula
Porto Alegre
RS
9
Redemac Calvi
Viamão
RS
10
Redemac Caracol
Canela
RS
11
Redemac Carlesso
Alvorada
RS
12
Redemac Casmar
Triunfo
RS
13
Redemac Center
Viamão
RS
14
Redemac Cirleu
Três Coroas
RS
15
Redemac Construmax
Canoas
RS
16
Redemac Depauli
Viamão
RS
17
Redemac Emacon
Sobradinho
RS
18
Redemac Ferramate
Porto Alegre
RS
19
Redemac Guindani
Veranópolis
RS
20
Redemac Irmãos Salvador
São Francisco de Paula
RS
21
Redemac J. B. Schmidt
Rolante
RS
22
Redemac J. Fofonka
Imbé
RS
23
Redemac J. Schmidt
Esteio
RS
24
Redemac Kottwitz
Candelária
RS
25
Redemac Macofer
Taquara
RS
26
Redemac Madeireira Andrade
Canoas
RS
27
Redemac Madepretto
Vera Cruz
RS
28
Redemac Madesul
Balneário Pinhal
RS
29
Redemac Mecal
Casca
RS
30
Redemac Mezzacasa
Lajeado
RS
31
Redemac Morelli
Estrela
RS
32
Redemac Morungava
Gravataí
RS
33
Redemac Mostardense
Mostardas
RS
34
Redemac Obra e Cia
Porto Alegre
RS
35
Redemac Santo Antônio
Santo Antônio da Patrulha
RS
36
Redemac Simionato
Porto Alegre
RS
37
Redemac Toninho
Nova Santa Rita
RS
38
Redemac Trevo
Charqueadas
RS
39
Redemac Vical
Viamão
RS
40
Redemac Vivian
Porto Alegre
RS
41
Redemac Zona Nova Center
Capão da Canoa
RS
Equipe
Empresas
Diretor:
Redemac J. Schmidt
Redemac Maggicon
Redemac Casmar
Consultor
Auxiliar Rede
Executivo
Qualificar
Livros Grátis
( http://www.livrosgratis.com.br )
Milhares de Livros para Download:
Baixar livros de Administração
Baixar livros de Agronomia
Baixar livros de Arquitetura
Baixar livros de Artes
Baixar livros de Astronomia
Baixar livros de Biologia Geral
Baixar livros de Ciência da Computação
Baixar livros de Ciência da Informação
Baixar livros de Ciência Política
Baixar livros de Ciências da Saúde
Baixar livros de Comunicação
Baixar livros do Conselho Nacional de Educação - CNE
Baixar livros de Defesa civil
Baixar livros de Direito
Baixar livros de Direitos humanos
Baixar livros de Economia
Baixar livros de Economia Doméstica
Baixar livros de Educação
Baixar livros de Educação - Trânsito
Baixar livros de Educação Física
Baixar livros de Engenharia Aeroespacial
Baixar livros de Farmácia
Baixar livros de Filosofia
Baixar livros de Física
Baixar livros de Geociências
Baixar livros de Geografia
Baixar livros de História
Baixar livros de Línguas
Baixar livros de Literatura
Baixar livros de Literatura de Cordel
Baixar livros de Literatura Infantil
Baixar livros de Matemática
Baixar livros de Medicina
Baixar livros de Medicina Veterinária
Baixar livros de Meio Ambiente
Baixar livros de Meteorologia
Baixar Monografias e TCC
Baixar livros Multidisciplinar
Baixar livros de Música
Baixar livros de Psicologia
Baixar livros de Química
Baixar livros de Saúde Coletiva
Baixar livros de Serviço Social
Baixar livros de Sociologia
Baixar livros de Teologia
Baixar livros de Trabalho
Baixar livros de Turismo