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Dançar agora pode ser traduzido como sonhar, dialogar, acreditar,
partilhar, construir, inovar e possibilitar...
Dançar é prazerosamente saborear a vida; trata-se de um momento de
reencontro com a alegria, a inspiração, a coragem, o desejo, a impulsividade,
com a busca eterna de si mesmo.
É assim que me sinto após tantos devaneios, angústia e solidão; na
verdade, experimento agora e me entrego ao gosto da conquista dos primeiros
passos.
Agora, danço com liberdade, liberdade de expressão; danço com
voracidade, voracidade de inovação; danço com suavidade, suavidade de
espera; danço com a deformidade, deformidade de desconstrução; danço com
afetividade, a afetividade de formar-me.
É deste lugar que agora falo, após tantos encontros e desencontros, após
tanto prosseguir e temer olhar para trás, após pensar em deixar de fazer o que
amava com a preocupação de errar. Falo do lugar da docente, que se formou e
se forma a cada vocábulo, a cada linha, a cada capítulo, deste meu pesquisar.
Sim, formar-me. Não como uma fôrma, engessada pela escolha de me
acomodar; mas, sim, com uma forma, que se transmuta a cada segundo por
assumir o desafio de sempre dançar...
O mais belo deste processo é poder compreender que me formei na
ambigüidade. Sim; na ambigüidade de falar e ouvir, de ler e redesenhar, de
agir e esperar, de ser plural e singular, de ser disciplinarmente interdisciplinar.
Ambigüidade que faz parte e permite compreender diversificações,
polivalências, multifacetas, agregadas ao sujeito, pois este é o propósito da
vida: formar a partir de todos os lugares, pessoas, palavras, gestos, olhares...