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Em Heráclito (sécs. VI a V a.C.), “o mundo é fogo eternamente vivo, que acende
e se apaga em ritmo certo”. O pensamento dá vazão a uma ligação da dança, a
aspectos da natureza, podendo trazer influência da adoração a deuses pagãos, ligados
a elementos da natureza (BERTONI, 1992, p.39). Ainda em Heráclito podemos ver a
valorização da alma em detrimento do corpo.
“Jamais poderás encontrar os limites da alma, por mais que
percorra seus caminhos, tão profundo é o seu logos. Mesmo no
âmbito de um horizonte físico, Heráclito, com a idéia da dimensão
infinita da alma, abre uma fresta em direção a algo ulterior e,
portanto, não físico” (REALE; ANTISERI, 2003, p.24).
Para Aristóteles (384 – 322 a.C.), a dança é ação vivida no ato da criação
artística, desenvolvida pelo ator dançarino do Drama. Nela o dançarino transcendia
seus próprios limites, reproduzindo em perfeita comunhão a semelhança da energia
Divina, que lhes seria exterior, ultrapassando a si mesmo (BERTONI, 1992, p.40).
Aristóteles diz expressamente que “o intelecto ativo está na alma”, e ainda, que “o
intelecto vem de fora sendo irredutível ao corpo por sua natureza intrínseca e que,
portanto, é transcendente ao sensível. É o divino em nós” (REALE; ANTISERI, 2003,
p.215). Esta alma por sua vez se move em um corpo. Tal movimento é utilizado por
Aristóteles para explicar de modo científico, a existência e a essência de Deus.
“Toda forma de movimento explica-se com um princípio motor, que
é justamente sua causa. A forma de movimento mais perfeita é a
dos céus, que é um movimento contínuo e eterno. Mas como todo
outro movimento, ele deve ter um princípio que por sua vez não é
movido, o qual, para produzir movimento eterno, deve ser eterno, e,
para produzir movimento sempre contínuo, deve estar sempre em
ato. Portanto, deve haver um motor primeiro eterno, ato puro, sem
matéria e sem potencialidade. E, enquanto tal, ele move como
objeto de amor, ou seja, como fim supremo. E este e justamente
Deus, que é vida pura, vida de inteligência que pensa a si mesma.
Deus é suma beleza, sumo bem” (REALE; ANTISERI, 2003, p.237).