Texto 21 / Organização da produção
• Qualidade de Vida, Consumo e Trabalho
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a escravidão foi a forma de trabalho domi-
nante até o final do século XIX?
A rigor, no Brasil, a relação assalaria-
da não se generaliza como nos países
centrais. O período pós-abolição da escra-
vidão é marcado pela política de ampla
imigração de trabalhadores que fugiam da
crise em seus países de origem: italianos,
espanhóis, japoneses, alemães e tantos
outros, para o labor das fazendas, incipien-
tes oficinas e fábricas, ou ainda para os
serviços na cidade.
Com os imigrantes surgem as primei-
ras sociedades de socorro mútuo de traba-
lhadores, os primeiros sindicatos e confe-
derações, as primeiras greves gerais, de
1907 e 1917. A crise social que se desenro-
la ao longo das três primeiras décadas do
século XX é decorrente de diferentes mode-
los econômicos pretendidos, a vocação
agrícola contra o sonho industrial.
Desenvolvimento da indústria no Brasil
A chegada de Getúlio Vargas ao poder
executivo significa uma ruptura com o pe-
ríodo precedente: apesar das condições de
tutela impostas à organização sindical,
entre as décadas de 1930 e 1940, contradi-
toriamente, o país passa a contar com uma
legislação trabalhista – parte dela ainda
hoje em vigor na CLT (Consolidação das
Leis do Trabalho). Começava a era do em-
prego formal, da carteira de trabalho assi-
nada e da previdência social, incorporando
massas de trabalhadores integradas ao
processo de industrialização, que ganha
impulso após a Segunda Guerra Mundial.
Dos anos 1940 aos anos 1980, o Brasil
cresce intensamente, e as migrações, agora
internas, suprem a necessidade de traba-
lhadores de uma indústria que não pára de
se expandir. É o momento das grandes side-
rúrgicas, da indústria automobilística, da
petroquímica e dos mais diversos setores
produtivos que substituem a incipiente
base fabril do início do século XX (produ-
tos têxteis ou bens de consumo).
Distribuição de renda e crise
O perfil e a trajetória histórica da distri-
buição de renda no Brasil certamente limitam
a capacidade de consumo, e, por conseguin-
te, a aquisição de bens e serviços pelo cida-
dão comum. Embora apresente uma das
maiores populações do planeta, a renda
vergonhosamente concentrada é uma imensa
barreira ao crescimento econômico, por causa
da reduzida demanda familiar. Se o trabalho
caracterizado pelo emprego formal era fonte
de direitos e caminho seguro de acesso à
renda e, portanto, ao consumo, os “bicos” ou
o não-trabalho associados ao desemprego são
portas fechadas nesse caminho.
No final do século XX, despreparado, o
país abre as portas e é inundado pelas
importações. Somem-se a isso a crise fiscal
do Estado, incapaz de sustentar investi-
mentos com a subtração dos juros da dívi-