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Para Husserl todo sentido e todo ser imagináveis fazem parte do domínio da
subjetividade transcendental, portanto se constituem no interior do ego. Isto significa
então que “uma verdadeira teoria do conhecimento só pode ter sentido enquanto
fenomenológica e transcendental” e fundada numa explicitação do ego por si próprio.
Esta explicitação é, em primeiro lugar, uma explicitação de si próprio que pretende
mostrar de forma sistemática “como é que o ego se constitui a si próprio como
existência em si da sua essência própria” e, em segundo lugar, uma explicitação de si
próprio, em sentido lato, “que mostra como é que o ego constitui em si os ‘outros’, a
‘objetividade’ e, em geral, tudo aquilo que para o ego – seja no eu ou no não-eu –
possui um valor existencial” (Ibid., p, 111). Assim Husserl afirma que:
Realizada desta maneira sistemática e concreta, a fenomenologia é, por isso
mesmo, idealismo transcendental, ainda que num sentido fundamentalmente
novo. Não o é no sentido de um idealismo psicológico que, a partir dos dados
sensíveis desprovidos de sentido, quer deduzir um mundo pleno de sentido.
Não é um idealismo kantiano que crê poder deixar aberta a possibilidade de
um mundo de coisas em si, ainda que a título de conceito-limite. É um
idealismo que não é nada mais do que uma explicitação do meu ego enquanto
sujeito de conhecimentos possíveis. Uma explicitação conseqüente, realizada
sob a forma de ciência egológica sistemática, dando conta de todos os
sentidos existenciais possíveis para mim, como ego. Este idealismo não é
formado através de um jogo de argumentos e não se opõe numa luta dialética
a qualquer ‘realismo’. É a explicitação do sentido de qualquer tipo de ser que
eu, ego, posso imaginar; e, mais especificamente, do sentido da
transcendência que a experiência me dá realmente: a da Natureza, da Cultura,
do Mundo, em geral; o que quer dizer o seguinte: desvendar de uma maneira
sistemática a própria intencionalidade constituinte. A prova deste idealismo é a
própria fenomenologia (Ibid., p. 111- 112).
O idealismo transcendental da fenomenologia pura é portanto a explicitação
correta do caminho que conduz, através da redução, do terreno da atitude natural ao
ego transcendental. Isto se verifica de tal forma em Husserl que o próprio autor afirma
que “só quem compreendeu mal o sentido profundo do método intencional ou o sentido
da redução transcendental – ou um e outro – pode querer separar a fenomenologia e o
idealismo transcendental” (Ibid., p. 112).
O Ego transcendental é o principal resultado da operação de redução
transcendental e conseqüentemente, segundo o próprio Husserl afirma, aquilo que
conduz a fenomenologia ao idealismo transcendental. Paralelamente, este idealismo é